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domingo, 13 de novembro de 2011

Bósnia 0 Portugal 0 - Sem motivos para preocupações

Na passada Sexta-feira, dia 11 de Novembro, realizou-se em Zenica, na Bósnia-Herzegovina, a primeira mão do playoff de acesso ao Campeonato Europeu de Futebol de 2012, a realizar-se na Polónia e na Ucrânia. O duelo que opôs a Selecção da casa à sua congénere portuguesa terminou empatado sem golos.

Só consegui seguir o jogo com a devida atenção durante a primeira meia hora. Nesse intervalo de tempo, assisti ao desafio numa televisão de sinal ainda analógico, com o som desligado, ouvindo ao mesmo tempo o relato via rádio. Deve ter sido a última vez que vi um jogo dessa forma uma vez que, com a substituição pela Televisão Digital Terrestre, deve acabar a sincronia quase perfeita entre a televisão e a rádio – algo que lamento profundamente. Já antes mencionei aqui o contagioso entusiasmo com que os jogos são relatados na rádio, fazendo os comentadores televisivos parecerem terrivelmente enfadonhos. Na Sexta-feira, não foi excepção. O locutor da Antena1 – cujo nome não decorei – relatou de forma primorosa ao longo do tempo em que estive a escutá-lo. Ele ia intercalando o relato com uma ou outra curiosidade ou uma ou outra piadinha. Mencionou, por exemplo, que um dos responsáveis bósnios fora, de gravador em punho, confirmar com um jornalista da SIC que aquele é que era o hino nacional português; que pernoitara no mesmo hotel que Howard Webb – o árbitro – e que não gostaria de encontra-lo num beco escuro, visto Webb ser alto e corpulento.

Ele pode ter estado apenas a encher chouriços mas os comentadores televisivos, quando não têm nada para dizer, a sua criatividade limita-se a: “Acompanhe depois o rescaldo do jogo na RTP Informação” e pouco mais.

Visto que Portugal cedo ganhou o domínio do jogo, assisti ao desafio com bastante tranquilidade – em contraste absoluto com a agonia que fora o jogo com a Dinamarca. Mais uma prova de que a noite de Copenhaga fora apenas azar, um acidente de percurso. “Aqui quem manda somos nós”, disse mesmo o locutor. O primeiro golo não tardaria, achava eu.

Enganava-me. Entretanto, saímos para o jantar de aniversário da minha mãe – que completou cinquenta anos nesse dia. Entre beijos e abraços aos amigos e familiares, a ocupação dos lugares à mesa, a actualização das conversas, os primeiros pratos, só de vez em quando é que ia olhando a televisão. Não era, portanto, capaz de perceber o que se estava a passar ao certo. Como tal, quando o jogo terminou com o marcador por abrir, não consegui deixar de ficar desanimada. Não percebia como é que aqueles Marmanjos não tinham conseguido marcar apesar de terem jogado tão bem na primeira parte. Fazia-me recordar a Qualificação para o Mundial 2010, em que a Selecção jogava bem mas era incapaz de marcar golos. E, sem golos fora, se os bósnios marcarem na Luz, vai ser complicado.

Só mais tarde, quando vi as notícias, é que percebi que não existem motivos para grandes preocupações. A única coisa que, pelos vistos, nos impediu de levar o jogo de vencida foi, literalmente, o campo. Eu acho um bocado patético estamos a dizer “Eu sei dançar! A pista de dança é que não presta…” mas este foi mesmo um caso à parte. Portugal fez uma exibição de grande qualidade, falou-se mesmo de “personalidade fortíssima” e de “espírito guerreiro” e, segundo os jornalistas, deixou boas promessas para Terça-feira desde que jogue desta forma.

Tem graça. Geralmente, costumo ser eu a optimista e os media a ficar de pé atrás, mas neste jogo passou-se o oposto… Mas eu própria vi-os a jogar de forma excelente durante a primeira parte e acredito que a qualidade se tenha mantido ao longo dos noventa minutos de jogo, por isso…

O campo, de resto, tem sido uma verdadeira dor de cabeça há já coisa de um mês. Vários nomes foram usados para o definir – batatal, horta, pseudo-relvado – e várias piadas foram feitas. Um exemplo foi um tweet de @lidiapgomes : “Portugal ainda não encontrou o caminho do golo mas já encontrou 3 batatas, 5 cenouras e vários tomates no relvado” – depois desta, o Fábio Coentrão não vai precisar de voltar a assaltar a horta do Cristiano Ronaldo tão cedo… Outro exemplo, foi uma frase do jornal Record: “Pepe foi o que mais amealhou no Farmville”. Adorei estas duas! A Federação já tinha pedido à UEFA que trocasse a localização do jogo mas tal pedido caiu em saco roto. Isto apesar de a França ter pedido o mesmo em relação ao seu embate com a Bósnia aquando do apuramento – algo que já não me surpreende.

Aquilo que me surpreendeu foi o facto de os dirigentes bósnios terem desrespeitado o acordo forjado na manhã antes do jogo e regado o campo, piorando ainda mais a sua qualidade. Juro que não percebo qual foi a ideia deles. À pala disso, a Selecção jogou sob protesto. Agora, estou curiosa em relação às consequências de tal processo.

Mas entretanto, ainda temos a segunda mão do playoff, na Terça-feira, no Estádio da Luz. Esta coisa do “relvado” e dos dirigentes bósnios é apenas um factor a contribuir para um desejo relativamente saudável de vingança. Como dizia no Record, mais uma vez, desejamos uma desforra por isso e pelos adeptos hostis que fizeram barulho à porta do hotel da Selecção, que apontaram lasers ao Ronaldo e gritaram por Messi (apesar de muitos garantirem que, há dois anos, foi pior. Por acaso, até gostei da linguagem gestual cujo significado toda a gente conhece. Pode não ter sido politicamente correcto mas, como costumo dizer, uma miúda não é de ferro e não tenho lata para exigir que o Ronaldo o seja quando tanta gente tenta destabilizá-lo). Para isso, a ideia dos jornalistas é encher o Estádio da Luz, não só de adeptos, mas também “de fervor, de paixão, de entusiasmo, de alegria”. Recriar o lendário Inferno da Luz.

A mim, não é só a vingança que me motiva. Existem outros desejos mais antigos, várias vezes mencionados aqui no blogue ao longo do último ano: consumar o renascimento da Selecção depois do caso Queiroz; dar uma alegria aos portugueses numa altura em que tudo o resto está cada vez pior; uma promessa de mais alegrias no próximo ano, algures entre Maio e Junho. Encerrar o percurso até à fase final do Euro 2012 da melhor forma. Até porque, na remota hipótese de falharmos, o Europeu não terá o mesmo interesse, não só para nós, mas também para o mundo futebolístico em geral. Na coluna de Alexandre Pais do Record, este dizia: “Cristiano, dia 15 é a tua noite, as 21 são a tua hora”. Eu prefiro a frase assim: dia 15 é a nossa noite, as 21 são a nossa hora. Porque a Selecção não é só o Ronaldo. Somos todos nós. E na próxima Terça-feira mostraremos ao mundo aquilo de que somos capazes.


P.S. Não quero falar sobre José Bosingwa. Já se falou e opinou o suficiente sobre isso, não tenho muito mais a acrescentar. Aliás, as declarações e os rumores que têm circulado pelos media podem estar incompletos, descontextualizados, talvez até sejam falsos. Por isso, não me sinto à vontade para tecer julgamentos. Além de que não sei ao certo o que pensar desta história toda… Assim, apenas lamento que a Selecção tenha perdido mais uma mais-valia. E, tal como aconteceu com Ricardo Carvalho, espero que a Equipa de Todos Nós não saia demasiado afectada desta história toda e que, eventualmente – embora saiba que é pouco provável – Bosingwa e Paulo Bento façam as pazes e o jogador possa voltar à Selecção.

sábado, 28 de maio de 2011

"We're gonna kick your asses!"

Ontem de manhã a Selecção Nacional cumpriu o seu quarto treino de preparação para o jogo com a Noruega, o último realizado no Estádio Nacional. E eu estive lá!

Sabia que neste estágio ocorreriam muitos treinos abertos ao público, mais do que o habitual. Tinha lido e ouvido acerca da significativa insistência a estas sessões e ficado verde de inveja. Decidi que gostaria de tentar assistir a um, talvez na próxima semana. Só mais tarde é que percebi que eles, na próxima semana, estariam em Óbidos e, por isso, só tinha esta manhã para ver a Selecção. E para isso tinha de faltar às aulas teóricas.

Não foi uma decisão fácil de tomar. Não sou do tipo de me baldar às aulas e explorar lugares desconhecidos. Nunca fui. Das poucas vezes em que fiz desvios, meti-me em tantos sarilhos que ganhei anticorpos. Em todo o caso, fiz umas pesquisas na Internet. Para ir até ao Jamor - zona, aliás, que conheço muito mal - teria de apanhar um comboio na Linha de Cascais, pela primeira vez na minha vida.

Mas depois pensei, precisamente, que ninguém se poderia queixar de mim, muito menos quando comparada com a juventude de hoje. E não ia propriamente passar a noite fora de casa, na borga, rodeada de álcool e drogas. Tenho vinte e um anos e passei um terço deles sonhando com uma coisa destas, com largar tudo, fugir da escola/Faculdade, dos exames, para ir atrás da Selecção. Esta aventura seria o mais próximo que teria de uma experiência dessas. Além disso, o meu fim-de-semana ia ser horrível, fechada em casa a estudar. Dava-me jeito uma experiência como esta para quebrar a rotina, ter algo bom a que me agarrar, que me ajude a sobreviver a estes dias. Por fim, isto dar-me-ia a oportunidade de escrever uma entrada diferente aqui no blogue, em vez de uma 768ª entrada à volta da ideia: "A Selecção está a voltar aos bons tempos e serve de remédio anti-crise".

Por isso, fui. Apanhei o Metro até ao Cais do Sodré e depois o comboio até Cruz Quebrada, tal como vira na Internet. Várias vezes senti o impulso de voltar para trás, para a zona de conforto, sobretudo ao dar com a estação de Cruz Quebrada, minúscula, antiquada, praticamente deserta, ao descobrir que teria de andar um bom bocado a pé até chegar ao Estádio, por ruelas vazias e na margem de estradas com pouquíssimas travessias para peões. Mas obriguei-me a continuar em frente, usando os holofotes do Estádio assomando entre as árvores como ponto de referência.

A minha primeira vitória foi quando, depois de uma subida significativa, cheguei aos portões do Estádio Nacional. Conseguira! Eram cerca de nove horas e vinte minutos. A última vez que estivera no Jamor fora cinco anos antes, depois de sermos expulsos do Mundial 2006. Nesse momento, tocava Here I Am no meu leitor de MP3. Nunca uma música se adequara tanto ao que estava a viver, naquele momento. Cantei, em voz alta:

"Here I am
This is me
There's nowhere else on earth I'd rather be..."

Àquela hora, já a equipa técnica preparava o campo para o treino e meia dúzia de pessoas aguardavam junto aos portões. Confirmei com elas que o treino seria aberto ao público, começaria às dez, duraria cerca de uma hora. Uma carrinha da TVI encontrava-se estacionada no lado de dentro dos portões, carros da SIC e da SportTV iam chegando. Na tenda branca, situada à nossa direita, ouviam-se vozes e eu calculei que um dos Marmanjos estivesse a responder às perguntas dos jornalistas. Mais tarde, descobri que era o Varela.

Às vinte para as dez, Paulo Bento apareceu. Foi também nessa altura que nos abriram os portões. De repente, circulávamos entre jornalistas e polícias, com apenas um baixíssimo muro separando-nos do campo, onde os jogadores começavam a entrar, vindos dos balneários subterrâneos.

O treino começou com jogadores como Ricardo Carvalho, Hélder Postiga, Rolando, João Moutinho, Rui Patrício, Eduardo, trocando a bola entre si. Quando um falhava, os outros "castigavam-no" com palmadinhas na cabeça. Reinava a boa disposição. As gargalhadas, os gritos dos marmanjos, as ordens dos técnicos eram perfeitamente audíveis. O treino assemelhava-se um pouco a uma aula de Educação Física. Observei-os fazendo exercícios de aquecimento, de circulação de bola, em jogos de treino. Tudo era familiar, de acordo com o que já havia lido e ouvido acerca destas sessões. Em teoria, bastaria chamar pelos Marmanjos para que estes olhassem para mim, bastaria saltar o muro para ir ter com eles ao campo. Mas a minha timidez levou a melhor. Quando, por exemplo, o Cristiano Ronaldo entrou em campo, esteve um bocado no banco, à conversa com Fábio Coentrão e Carlos Martins. Podia ter gritado por ele, ele poderia ter olhado para mim. Não arranjei coragem...

Além de que, se tentasse invadir o campo, os polícias detinham-me facilmente.

Felizmente, outros não eram tão tímidos como eu. Estava lá um par de benfiquistas, exibindo um cartaz dizendo "Coentrão (Ben)Fica", que, quando o visado entrou em campo, começaram a cantarolar. Fábio chegou a acenar-lhes. Já perto do fim do treino, ouvi os dois lampiões cantando:

- És o orgulho do Benfica!

Eles chegaram a ser filmados pela RTP, podem vê-lo AQUI. Só que, mais tarde, o Fábio deixou bem claro que queria ir para o Real Madrid. Coitados daqueles dois...

Ao longo do treino, fui tirando fotos e gravando vídeos, com o meu telemóvel. Não têm, por isso, grande qualidade, como podem ver pela fotografia acima. Fui dando a volta ao campo, para poder ver o treino de todos os ângulos possíveis. Durante algum tempo, fiquei a ver o Eduardo realizando trabalho específico de guarda-redes, a partir de uma zona sem mais adeptos para além de mim. Achei graça ao ouvir o técnico dos guarda-redes dando gritos de incentivo ao Eduardo, chamando-lhe "Edu", enquanto trabalhavam os pontapés de canto. Quando fizeram uma pausa para trocar de lado, o Eduardo reparou na única adepta ali perto, uma miúda vestindo calças de ganga, um top preto, um boné branco da Selecção, um cachecol de Portugal à volta do pescoço. Eu acenei-lhe e ele retribuiu. Primeira vez que tive contacto directo com um jogador da Selecção!

Eu sei, sou cá uma totó...

Já mais perto do fim do treino, juntei-me a um grupo de pessoas que haviam juntado, não muito longe da zona onde estavam as câmaras todas. Fiquei perto de um senhor que tinha nas mãos uma camisola do Benfica e um marcador. Também tirei para fora o meu caderno - onde havia tomado notas para escrever esta entrada ao longo do treino - e uma bic, na esperança de que os Marmanjos viessem distribuir autógrafos. No fim do treino, o senhor que referi acima pediu a um membro da equipa técnica que levasse a camisola ao Carlos Martins para que ele a assinasse. O técnico recusou-se, aconselhou-nos a chamar pelos jogadores. Não tivemos, portanto, outro remédio. Ele chamou pelo Martins, eu pus-me a gritar coisas tipo:

- Portugal! Ronaldo! Autógrafo! - enquanto acenava com o caderno e me sentia como uma idiota.

O Cristiano acabou por olhar na minha direcção, de longe. Eu congelei. Limitei-me a olhar para ele, provavelmente com cara de parva, incapaz de acenar ou de fazer um gesto que fosse. E aposto que se isto tivesse acontecido há uns anos, quando nutria uma paixão platónica pelo madeirense, faria figuras ainda mais tristes. O que vale é que ele deve estar habituado a que as pessoas, sobretudo raparigas, se comportem assim na sua presença.

Os Marmanjos desceram de imediato para os balneários, para nossa desilusão. Só o Ronaldo ficou mais um pouco em campo, assinando camisolas e tirando fotografias com umas pessoas.

- O Ronaldo é sempre o mais requisitado - comentei para outro senhor, à minha direita.

- Talvez ele venha, como olhou para ti... - disse ele.

Não chegou a vir, contudo. Não lho levei a mal, pois já tinha andado a distribuir autógrafos. Mas os outros Marmanjos podiam ter vindo. Que diabo, eles depois iam entrar em folga, não podiam sacrificar uns cinco minutinhos do seu tempo para virem dizer "olá"?

Em todo o caso, mal vi que não conseguiria aproximar-me dos Marmanjos, dirigi-me a um membro da equipa técnica, que conduzia não sei aonde um grupo de miúdos pequenos que tinham estado a assistir ao treino e pedi-lhe que entregasse um bilhete dobrado em quatro a um dos jogadores. Tinha mesmo escrito "Para a Selecção" num dos lados, para não dar azo a enganos. O homem deve ter pensado que era um bilhetinho de amor, ou assim. Na verdade, era um bilhetinho contendo o link para uma carta de amor muito maior: o meu blogue. Tinha jurado que não sairia dali sem, pelo menos, fazer chegar esse bilhete ao um dos Marmanjos. Não sei a qual deles o vai receber, se já algum deles o recebeu, ou se já foi esquecido num lugar qualquer. Mas ao menos fiz a minha parte.

Quando me preparava para sair do estádio, um repórter, acompanhado pelo cameraman chamou-me e pediu-me, em inglês, para lhe responder a umas perguntas. Disseram que era para uma televisão norueguesa. Aceitei e esta entrevistazinha acabou por ser o momento mais divertido da manhã. Vou transcrever, o melhor que me lembro, a entrevista:

- How important is this match for Portugal? (Qual é a importância deste jogo para Portugal?) - começaram eles por perguntar.

Não percebi porque me perguntavam isso. Não deveriam fazer essa pergunta a Paulo Bento ou aos jogadores? Que sei eu que eles não saibam? Mas lá me armei em importante e respondi o que já muitos disseram:

- It's pretty important. It's not decisive (na altura nem tinha a certeza se esta palavra existia), it's not gonna decide the qualification but if we beat you guys we'll be first. (É bastante importante. Não é decisivo, não vai decidir a qualificação mas se vos vencermos, seremos primeiros)

- How was it to see Ronaldo training? (Como é que foi ver o Ronaldo a treinar?)

- It's pretty exciting. We're used to only see him through the television and to see him only a few metres away... (É muito excitante. Estamos habituados a vê-lo só na televisão e vê-lo a apenas alguns metros de distância...)

- How was it to see the team training? (Como é que foi ver a equipa a treinar?)

- It was really exciting. I know how the training is, what kind of exercises they do, but to see it live it's a whole different thing... I'm crazy about Portugal's National Team and it rocked to be here. (Foi muito excitante. Sei como o treino é, o tipo de exercícios que fazem, mas vê-lo ao vivo é uma coisa totalmente diferente... Eu sou doida pela Selecção Portuguesa e foi o máximo estar aqui.)

- Which one is your favorite player? (Qual é o teu jogador preferido?)

- I don't have one, I love them all... (Não tenho, adoro-os a todos...) - como eles insistissem, lá respondi - Well, I like Ronaldo because he's... he's Ronaldo. But I also like Eduardo, the goalkeeper, Nani, who's not here, Moutinho, Hélder Postiga... (Bem, gosto do Ronaldo porque ele é... ele é o Ronaldo. Mas também gosto do Eduardo, o guarda-redes, Nani, que não está cá, do Moutinho, do Hélder Postiga...)

- You love them all (Tu adora-os a todos) - concluiu o norueguês, divertido.

- Yeah...

Por fim, a pergunta da praxe:

- Who's gonna win? (Quem é que vai ganhar?)

- Portugal, of course! We're gonna kick your asses! (Portugal, é claro! Vamos dar-vos um chuto no rabo/dar cabo de vocês) - rematei, entre gargalhadas.

Eles riram-se também.

- Good one! (Boa!)

Despedi-me e saí do estádio, divertida, satisfeita por ter falado um inglês razoável, sem gaguejar muito, e por ter dito o que queria dizer. Graças às notas que havia tomado, tinha as respostas mais ou menos bem preparadas. Confesso que soube-me bem eles terem querido ouvir-me, fez-me sentir importante, eh eh! E marcar a posição da minha equipa com a ameaça final. Gostava de ver o vídeo com a entrevista, se eles o passarem na televisão norueguesa. Agora só espero que os Marmanjos cumpram a sua parte e vençam a Noruega, senão, terei feito figuras tristes...

Quando ia a descer a rua, de regresso à estação de comboios, ainda pude ver o autocarro da Selecção a passar. Acenei-lhes com entusiasmo, mas eles passaram muito depressa. Só reconheci o Moutinho, de relance. Nem sei se eles repararam em mim. Mas foi um belo encerramento para aquela que foi, sem sombra de dúvida, uma das melhores manhãs da minha vida!

Se me matassem, naquele momento, morreria feliz. Por ter ignorado o medo que sentia e ter conseguido, sozinha, chegar à Selecção. Mas isto não fica por aqui. Agora que sei o caminho, tenciono voltar ao Jamor sempre que puder, quando a Equipa de Todos Nós estiver lá a treinar, com direito a assistência. Sai mais barato do que ir aos jogos (é só o preço dos bilhetes de Metro e comboio) e é quase tão bom. Pode ser que, das próximas vezes, consiga autógrafos e fotografias com os jogadores. Tenciono tornar-me num rosto conhecido no Jamor. Sempre gostei de chamar a mim própria "adepta hardcore" mas, na verdade, nunca tinha passado do sofá e do computador. Até agora. O meu clube é a Selecção! E agora começo a demonstrá-lo de outras formas.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Dando seguimento

No próximo dia 4 de Junho, a Selecção Portuguesa de Futebol receberá, no Estádio da Luz, a sua congénere norueguesa, em jogo a contar para a Qualificação para o Europeu a realizar na Polónia e na Ucrânia dentro de um ano.

Os Convocados para este encontro foram anunciados ontem, Segunda-feira, dia 23 de Maio, e reunir-se-ão em  Oeiras, amanhã, Quarta-feira, dia 25. Terão uma semana e meia de estágio, já que a época futebolística terminou no fim-de-semana passado, praticamente só faltando a final da Liga dos Campeões. Não faltará tempo para preparar o jogo e poderemos desfrutar de um período mais longo do que o habitual com os holofotes voltados para a Selecção. Só vantagens! Deviam fazê-lo mais vezes! 

Passaram-se cerca de oito meses desde a última ronda de qualificação, em que defrontámos e derrotámos a Dinamarca e a Islândia. Em Outubro, tinha passado cerca de um mês, um mês e meio desde o início da época. Depois de um prolongado drama que culminou com o despedimento do anterior técnico, Paulo Bento acabara de assumir o cargo e preparava a sua estreia no banco da Selecção. Depois de uma primeira jornada dupla que roçara o desastroso, o apuramento equilibrava-se já num trapézio sem rede. Tinha acabado de ser anunciado o PEC III, para entrar em vigor em 2011, segundo o qual os nossos salários seriam cortados e os nossos impostos aumentados. 

Hoje estamos em final de época, uma época brilhante para o futebol português, tendo em conta que colocámos três clubes portugueses nas meias-finais da Liga Europa e dois na final, pela primeira vez; e que Cristiano Ronaldo ganhou a Bota de Ouro e quebrou recordes ao marcar 40 golos na liga. Pena foi o Real Madrid não se ter qualificado para a final da Liga dos Campeões. Talvez Nani o vingue e o Manchester United vença o Barcelona - mas sei que será difícil.

Em contrapartida, neste intervalo de tempo, o PEC III foi posto em prática, Cavaco Silva foi reeleito Presidente da República nas eleições de Janeiro, o PEC IV foi apresentado e chumbado, o Governo ardeu, as eleições que visam decidir o substituto foram marcadas para o dia a seguir ao jogo com a Noruega, foi pedido auxílio externo e a Troika veio para Portugal. Em Outubro, a situação do País era má. Hoje não está melhor em nenhum aspecto - pode-se dizer que está pior - excepto no plano futebolístico. 

Hoje preparamos um jogo, nas palavras de Paulo Bento, "extremamente importante, de grande responsabilidade" em que uma vitória nos possibilitará o acesso ao primeiro lugar do grupo de qualificação. O Seleccionador também recordou que não se trata de um encontro decisivo para o apuramento. Mas certamente contribuirá bastante.

Eu, como sempre, desejo uma vitória por parte da nossa Selecção. Como já antes referi (e às vezes penso que não escrevo outra coisa aqui no blogue, mas também não há muito mais a dizer...), para dar mais uma prova de que a Equipa de Todos Nós se levantou depois de ter dado uma queda feia durante o Verão passado. Para dar uma alegria ao povo português, numa altura em que a única luz que se vislumbra no fundo do túnel é um comboio a toda a velocidade na nossa direcção (talvez o TGV...), no dia escolhido para reflectirmos sobre qual dos incompetentes nos azucrinará durante os próximos anos. Para darmos seguimento à boa época para o futebol português que o FC Porto, o Braga e o Benfica nos proporcionaram, com uma nova alegria, desta vez sem ser pontuada por amarguras bracarenses e benfiquistas. Não resolverá a crise, não trará políticos competentes, mas aliviar-nos-à a depressão, nem que seja apenas por uma noite.  

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Portugal 1 Argentina 2 - Alta mantém-se

Ontem, a Selecção Portuguesa saiu derrotada, por duas bolas a uma, do encontro particular realizado no Estádio de Genebra, na Suíça, em que defrontou a Argentina.

Foi um belo jogo de futebol, sobretudo durante a primeira parte, muito equilibrado. Todos concordam que o empate teria sido o resultado mais justo. Mas já lá vamos.

Assisti ao jogo pela televisão, durante a primeira parte, enquanto jantava com a minha família, durante a segunda parte, na sala, com o meu pai e o meu irmão. Estive bem mais descontraída do que estaria se este fosse um encontro oficial.

Tal como previ, a Selecção Nacional jogou em casa. Uma boa parte das trinta mil almas que emolduravam o campo eram portuguesas. Estavam mais portugueses no Estádio de Genebra, na Suíça, do que, se calhar, estavam no Estádio da Luz, em Portugal, durante o jogo contra a Espanha. O hino português foi entoado em plenos pulmões e ecoou por todo o Estádio - um momento mágico, como costuma ser o hino nacional no início de cada jogo da Selecção. Durante todo o encontro, os portugueses fizeram-se ouvir, claramente; mais uma vez - mais do que costumam fazer-se ouvir em jogos em território nacional.

Razão tem, se calhar, Pauleta quando disse, há tempos, que mais valia a Selecção disputar os seus encontros no estrangeiro, em países com significativas comunidades de emigrantes. Mas, pelo menos no que toca ao público reduzido, quem sou eu para falar? Eu, que gosto de me chamar "verdadeira adepta", mas não ponho os pés num jogo da Selecção há três anos e meio? Obviamente que, por minha vontade, já teria ido a vários jogos, mas suponho que seja essa a situação da maior parte das pessoas. Os preços dos bilhetes, a crise, as horas tardias em dias de semana, a meteorologia, nada disso ajuda...

Mas voltemos ao Portugal-Argentina. O golo do Di Maria, aos catorze minutos, não me aborreceu muito. Tive foi medo que o golo desnorteasse os Marmanjos. Isso talvez acontecesse há bem pouco tempo, mas não aconteceu ontem. Como provou o golo do Cristiano Ronaldo, poucos minutos depois. 

- Ó Messi, vem cá dar um abracinho - gracejou o meu irmão, enquanto os Marmanjos celebravam o tento. 

O Cristiano marcou, deste modo, o primeiro golo da Selecção no ano de 2011. Que seja o primeiro de muitos!

Até ao intervalo, manteve-se o ritmo elevado. A Selecção entrou bem na segunda parte, embora tenha falhado algumas oportunidades inacreditáveis, tendo sido o maior desperdício aquele cometido por Hugo Almeida aos cinquenta e seis minutos. Se tivessem marcado, as coisas podiam ter corrido de maneira bem diferente...

Entretanto, Ruí Patrício, que tomou o lugar do Eduardo na segunda parte, defendeu de forma soberba um livre cobrado por Messi. Como disse o meu irmão, poucos guarda-redes se podem gabar de terem defendido um pontapé livre executado pelo actual Melhor do Mundo. É bom saber que existem opções para a posição de guarda-redes.

O meu irmão disse que, neste jogo, Paulo Bento não substituiria Cristiano Ronaldo. Era o único jogo em que não o substituiria. Enganou-se. O Seleccionador falava a sério quando afirmou que não via o Portugal-Argentina como um duelo Ronaldo-Messi. Desse modo, poucos minutos depois de o meu irmão ter falado, Bento trocou o madeirense pelo Danny.

Tal decisão suscitou protestos por parte do público mas eu acho que fez bem. Tratava-se de um jogo particular, de treino. Testar as armas é mais importante do que o espectáculo ou mesmo do que a vitória.

Por outro lado, espero bem que Paulo Bento tenha tirado conclusões com estas substituições que, depois delas, o jogo ficou extremamente enfadonho... Mas isto já é habitual nos particulares, depois de metade da equipa actual ter ido para o banco. 

Como já muita gente assinalou, o segundo golo da Argentina acabou por surgir "quando ambas as equipas já estavam conformadas com a igualdade". E, como foi em cima do minuto noventa, já não houve tempo para dar a volta ao texto.

Paulo Bento teve a sua primeira derrota ao leme da Selecção, mas tal não é grave. Não macula de forma nenhuma o excelente trabalho que tem vindo a desenvolver desde que assumiu o cargo. Provámos, mais uma vez, como também já muitos observaram, que temos o que é preciso para enfrentarmos quaisquer adversários como iguais. A Selecção continua em alta, em crescendo. Como disse Hélder Postiga, "a equipa mostrou qualidade para estar no Europeu da Ucrânia e Polónia em 2012 e só temos de continuar assim". Como disse Cristiano Ronaldo, " esta é uma Selecção totalmente diferente da que jogou o Mundial 2010 mais ainda temos muito trabalho pela frente para estarmos ao melhor nível no Europeu em 2012".

Perdemos um particular com uma das melhores selecções do Mundo pela margem mínima, por um pormenor. E depois? É para isso que servem os jogos particulares, para testarmos opções, tácticas, detectar os nossos pontos fracos, cometermos erros, para que, quando entrarmos em capo para lutar por três pontos, estarmos preparados. Esta derrota não influenciará a Qualificação para o Euro 2012, pelo menos não pela negativa. E, se tiver servido para Paulo Bento tirar ilações e tornar a Selecção mais forte, este jogo particular influenciará a campanha, certamente, pela positiva.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Alta para manter

Primeira entrada de 2011! Bom ano a todos! A Selecção Portuguesa de Futebol enfrenta a sua congénere Argentina, hoje à noite, às 20 horas de Portugal Continental, no Estádio de Genebra, na Suiça, num jogo de carácter particular, preparatório dos próximos desafios da Qualificação para o Europeu de 2012.

Os Convocados foram anunciados na passada Quinta-feira, dia 3 de Fevereiro, numa Conferência de Imprensa que incluiu uma homenagem a Eusébio da Silva Ferreira, que completou recentemente sessenta e nove Outonos e cinquenta Verões desde a sua chegada a Portugal. O eterno Pantera Negra, o eterno Rei, que, conforme disse Gilberto Madaíl, "lançou o nome de Portugal por este mundo fora", isto numa época em que o Mundo apenas dava os primeiros passos na jornada de se tornar uma Aldeia Global e os jogadores de futebol, nem mesmo as sensações como Eusébio, ainda não ganhavam os salários astronómicos que alguns ganham hoje. Ele é o exemplo vivo do amor à camisola "de Portugal e do seu clube", que ainda não diminuiu passados cinquenta anos. Já não há jogadores assim! E dificilmente voltará a haver!

Que fique connosco por mais cinquenta anos!

Os jogadores Escolhidos não constituem grande surpresa no geral. Já se sabe que "em equipa que ganha, não se mexe", muito menos depois de a dita equipa pespegar quatro golos sem resposta à actual campeã do Mundo e da Europa...

Outro tema abordado na Conferência foi o problema dos estatutos da Federação ou coisa assim, não percebo muito bem do que se trata... Mas parece que, se aquilo dá para o torto, a Selecção deixa de poder competir (?!). Paulo Bento exprimiu o desejo de que esta polémica não afectasse os jogadores, desejo que eu subscrevo.

De resto, os dirigentes da Federação já perderam a minha confiança há muito, desde o caso Queiroz. Com esta, desceram ainda mais na minha consideração e já vão a uma grande profundidade. Por outro lado, nunca acreditei muito nos dirigentes - futebolísticos e não só... - em geral, sempre os considerei corruptos, incompetentes, mais interessados no dinheiro e no prestígio do que em fazer o seu trabalho. Embora não saiba explicar exactamente porquê, sempre achei os jogadores mais íntegros, mas sei perfeitamente que nem todos são assim. Sei que vai haver eleições na Federação em breve, mas (a expressão que tenho na cabeça pode ser considerada ofensiva, por isso, optarei por uma versão atenuada ) estou-me nas tintas. Desde que não afecte a Selecção Nacional, eles bem podem matar-se uns aos outros, eu não quero saber. Eles que não se atrevam a prejudicar a Selecção outra vez!

Segundo Paulo Bento, os objectivos da Selecção para este jogo são "ganhar e jogar bem". O Seleccionador Nacional não tenciona quebrar o seu registo de 100% de vitórias, como é natural. Como afirmou Quaresma, a Selecção encontra-se "em alta", neste momento - é capaz de ser a única instituição do país que se encontra em alta... Toda a gente quer ver este bom momento da Selecção prolongar-se o mais possível. Haverá, além disso, certamente, quem sonhe com uma vitória semelhante à nossa última, frente à Espanha. Eu acho difícil tal feito repetir-se, foi um caso muito especial, mas é óbvio que acredito na vitória. 

O jogo realizar-se-à, como já referi acima, no Estádio de Genebra, precisamente a mesma arena em que enfrentámos a República Checa, no Euro 2008, vencendo-a por três bolas a uma. Parece que foi há tanto tempo... Quaresma e Ronaldo marcaram dois dos golos e o primeiro afirmou que esperava voltar a marcar em Genebra. A mim não me interessa muito quem é que marca os golos, desde que os marque na baliza da Argentina. Também espero que o jogo, que começa daqui a pouco mais de uma hora, seja tão emocionante como foi o nosso segundo desafio do Europeu de 2008. 

Uma grande contribuição para tal emoção será, certamente, o tão apregoado duelo Ronaldo vs Messi. Paulo Bento bem pode afirmar que não encara o jogo de hoje dessa forma, mas não há como fugir da dualidade Ronaldo/Messi. Embora tal possa não ser bem assim dentro das quatro linhas, fora delas, este embate é o órgão propulsor deste particular.  Foi ele que fez com que oitenta e oito televisões, em todos os continentes, nos mais diversos fusos horários, tenham adquirido os direitos de transmissão do jogo. Foi ele que fez com que os bilhetes se esgotassem, apesar da crise e dos preços não muito acessíveis.

E daí não necessariamente, pelo menos em relação a este último ponto. Já se sabe que, onde quer que esteja, a Selecção joga sempre em casa. Mas mesmo assim...

OK, OK, já que insistem... Já perguntaram isto a toda a gente, desde José Mourinho até ao empregado do café da esquina, havia de chegar a minha vez... Prefiro o Ronaldo, porque é português e tenho seguido, mais ou menos atentamente, e admirado-o desde os seus tempos no Sporting. 

Mas como estava a dizer, onde quer que jogue, existe invariavelmente uma comunidade portuguesa, mais do que disposta a apaparicar os Marmanjos. Já não é novidade. No treino da Selecção, na última Segunda-feira, compareceram 3000. No jornal Record compararam o ambiente ao de um concerto de rock. Achei graça, porque sempre considerei os jogos de futebol semelhantes a concertos dos nossos cantores/bandas preferidos. É exponencialmente mais emocionante assistir ao vivo do que apenas vendo na televisão ou ouvindo no leitor de MP3. O público desempenha sempre um papel importante. São ambas experiências inesquecíveis. Pelo menos para mim.

Desta vez, não posso assistir ao vivo. Não tenho podido assistir ao vivo a um jogo de futebol há mais de três anos... Mas espero sinceramente que o jogo, que começa daqui a pouco mais de meia hora, seja uma experiência inesquecível. Pelas melhores razões. Não só pelo Ronaldo vs Messi, mas por ser um embate entre duas Selecções de alto nível. Por manter a boa fase que a Selecção Portuguesa atravessa neste momento. Força Portugal!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Selecção 2010



Mais um ano encontra-se à beira do fim, mais um ano encontra-se à beira do início. É costume as pessoas reflectirem sobre os acontecimentos mais marcantes dos últimos doze meses e tentarem prever o que acontecerá nos próximos doze. No que toca à Selecção Nacional, este foi um ano de altos e baixos, alguns muito altos, alguns muito baixos. Há um ano atrás eu não imaginava, nem nos meus mais delirantes sonhos, que a nossa Selecção passasse por tais coisas, que fizesse tais coisas.

Comecemos pelo primeiro jogo do ano, um particular de preparação para o Mundial, frente à China, realizado em Coimbra, no dia 3 de Março. Por esta altura, já tinha estalado a polémica devido a uma alegada troca de agressões entre Carlos Queiroz e Jorge Baptista, no dia do sorteio da fase que qualificação do Euro 2012. Um episódio desagradável, mas hoje parece uma ninharia quando comparado com o que aconteceu no Verão.

O jogo representava a "última oportunidade de contactar com os jogadores antes da Convocatória Final". Servia ainda para preparar o embate com a Coreia do Norte. A Convocatória para este encontro causou polémica por não incluir nenhum jogador do Benfica, equipa que, semanas mais tarde, sagrar-se-ia campeã. Portugal venceu a China por duas bolas a zero, golos de Hugo Almeida e João Moutinho.

Um aparte só para observar que o Hugo marcou não só o primeiro golo da Selecção no ano de 2010 mas também marcou o último do ano. Parece mesmo que ele foi o maior marcador deste ano, tendo feito um total de seis bolas cruzar a linha de baliza. Quando marcou frente à China, eu desejei que o fosse o primeiro golo de muitos. E, de facto, marcou-se bastante este ano.

Voltando ao particular, foi um jogo mediano. Manifestaram-se os problemas na finalização que haviam marcado a fase de qualificação. O rendimento da equipa ressentiu-se das substituições ao intervalo. A segunda parte foi ainda marcada pelos assobios dos adeptos, desagradados com a fraca exibição.

Os Convocados foram Anunciados em Maio. Poucos dias antes, Queiroz havia dado uma entrevista a "A Bola". Aqui disse, entre outras coisas que "o padrão de continuidade é o único que dá mais hipóteses a uma Selecção como Portugal de se intrometer entre os grandes" - o que hoje é irónico visto que, depois de trocarmos de Seleccionador, demos quatro à Campeã Europeia e Mundial.

Mas, voltando à Convocatória, esta foi anunciada com pompa e circunstância - que hoje, que sabemos que a nossa participação no Mundial deixou muito a desejar, parece ridícula. O Estágio na Covilhã começaria alguns dias mais tarde. Enquanto este decorria, eu julgava que tudo corria bem, que o ambiente na Selecção e a relação entre jogadores e treinador era positiva - hoje sei que não foi bem assim. Foi também durante o Estágio que se deu o incidente que, depois do Mundial, desencadearia uma série de acontecimentos que culminariam no despedimento de Carlos Queiroz.

No dia 24 de Maio, poucos dias depois do início do Estágio, numa altura em que o grupo ainda não se encontrava completo, Portugal recebeu a Selecção Cabo-Verdiana, no primeiro de três particulares com equipas africanas que visavam a preparação do embate com a Costa do Marfim. Foi um jogo fraquinho, que terminou com o marcador por abrir. Nani e Fábio Coentrão foram os poucos com um desempenho positivo. Jogadores e Seleccionador invocaram o pouco tempo de estágio e a "falta de frescura física" como desculpas, perdão, razões para a má exibição, garantindo no entanto que "a partir de agora é a sério".

E, de facto, o particular que se seguiu, frente aos Camarões, no dia 1 de Junho, foi significativamente melhor do que o anterior. A Selecção venceu por três bolas a uma. Marcou o fim do Estágio na Covilhã.

Uma semana mais tarde, já na África do Sul, a Selecção Nacional venceu a sua congénere moçambicana por três bolas sem resposta, num dia marcado pelo regresso de Nani a casa, por lesão. Este regresso causou polémica e ainda hoje não consigo perceber porquê. Carlos Queiroz tinha deixado bem claro  que fora "o caso mais difícil que tiver de gerir do ponto de vista humano", que "A entrega e a obstinação que ele mostrou para disputar o Mundial foram uma das maiores provas de profissionalismo a que já assisti" e que "o Nani é um exemplo para todos". Quer dizer, quem seria idiota ao ponto de abdicar de tal jogador sem uma fortíssima razão? Não percebo, realmente...

E, como já referi antes, não consigo evitar pensar que o Mundial poderia ter corrido de maneira diferente se o Nani tivesse estado lá.

Portugal estreou-se no Mundial uma semana depois, frente à Costa do Marfim, no dia 15. O jogo terminou sem que o marcador abrisse. As opiniões sobre se este resultado era positivo ou negativo para a Selecção dividiram-se. Este jogo ficou ainda marcado pelas polémicas declarações de Deco, que abalaram ainda mais a já fragilizada credibilidade do Seleccionador.

No dia 21 de Junho, a Selecção Nacional entrou em campo com a Coreia do Norte, no Estádio da Cidade do Cabo. Até àquele momento, nenhuma Selecção havia triunfado naquele estádio. Esperava-se que Portugal, um pouco à semelhança do que Bartolomeu Dias havia feito, fosse de novo o primeiro a dobrar o Cabo das Tormentas, transformando-o em Cabo da Boa Esperança.

E foi o que aconteceu. A Selecção Portuguesa venceu a Norte-coreana por sete bolas sem resposta. Os marmanjos jogaram com mais garra, coragem, determinação, alegria e com muito menos medo, como não jogavam há muito e como só voltariam a jogar em Outubro. Todos os jogadores estiveram bem, com destaque para Tiago. Esperava-se que esta vitória representasse o ponto de viragem.

Não foi bem isso o que aconteceu. No dia 25 de Junho, a Selecção defrontou a sua congénere brasileira. Tratava-se de um jogo praticamente a feijões, praticamente só para disputar os dois primeiros lugares do grupo. Como tal, foi um jogo morno, sem golos. O Brasil ficou em primeiro lugar e Portugal ficou em segundo. Nesse dia descobrimos ainda que nos oitavos-de-final, no dia 29 de Junho, defrontaríamos nuestros hermanos espanhóis.

O jogo até começou bem, a primeira parte foi muito equilibrada. Ao intervalo, Queiroz optou por tirar Hugo Almeida. Tal decisão causou polémica, pensa-se que a saída do ponta-de-lança terá resultado no golo espanhol. "O coração parou de bater aos 63 minutos..." Portugal ressentiu-se, não conseguiu anular a desvantagem, o jogo acabou e a Selecção foi expulsa do Mundial.

No fim do jogo, Eduardo chorava. Ele, talvez mais do que qualquer outro, merecia mais. Cristiano Ronaldo não ajudou. As suas polémicas palavras "Perguntem ao Queiroz", bem como o "Assim não ganhamos, Carlos!" que terá atirado ao Professor aquando do golo espanhol foram duas das muitas pedras posteriormente atiradas ao Seleccionador. Metade do país exigia a sua demissão. Por sua vez, Queiroz, longe de abdicar do cargo, afirmou que "vamos continuar com a cabeça erguida" e de da próxima vez voltaríamos "mais fortes e mais competitivos". Na altura concordava com ele, achava que o seu afastamento pouco ou nenhum benefício traria à Selecção.

Mas agora, tendo em conta tudo o que aconteceu depois, talvez tivesse sido melhor. Qualquer coisa teria sido melhor do que o que aconteceu depois.

Eu nem quero recordar os pormenores todos. Aquele foi, sem dúvida, a pior fase por que a Selecção passou desde que me lembro. Parece que foi mesmo a pior de sempre. A polémica arrastou-se durante quase todo o Verão, sem solução à vista, ou melhor, sem que ninguém se esforçasse por encontrar uma solução. Quase nenhum dos jogadores veio defender o Seleccionador, Paulo Ferreira, Simão e Miguel até escolheram aquele momento para fugirem, perdão, saírem da Selecção. O que era mais do que esclarecedor em relação ao ambiente entre jogadores e treinador. Ninguém parecia ter noção dos danos que aquilo estava a provocar à Equipa de Todos Nós, ninguém fazia o mínimo esforço para resolver de vez aquela confusão. A Selecção ia sendo destruída aos poucos e ninguém via, ninguém mexia um dedo para o impedir. Gilberto Madaíl foi ao extremo de opinar, a poucos dias do primeiro jogo de qualificação para o Campeonato da Europa de 2012, que nada daquilo afectaria a equipa, que os marmanjos sabiam "jogar em piloto automático". Se todos os pilotos automáticos fossem como aquele, haveria acidentes aéreos todos os dias...

Para mim não foi, portanto, surpresa que a jornada dupla tivesse terminado com um empate e uma derrota, cinco golos sofridos, cinco pontos perdidos. A qualificação equilibrava-se num trapézio sem rede e acabara de começar. A situação havia conseguido minar a confiança dos jogadores, minar a defesa que pouco tempo antes era o nosso maior ponto forte.

A situação chegara a um ponto em que a única solução era correr com Queiroz. E foi o que aconteceu.

Quase imediatamente a seguir ao despedimento, já se falava de Paulo Bento como possível sucessor. Contudo, ainda houve tempo para Gilberto Madaíl fazer uma visita a Madrid e pedir a Mourinho que viesse orientar a Selecção Nacional apenas durante a seguinte dupla jornada de qualificação. Já dei voltas à cabeça mas as únicas palavras que encontro para descrever a situação são mesmo "WTF?!?!" ou "mas que raio...?!?!?". Realmente, não percebo em que raio estava o Presidente da Federação a pensar. Mourinho por sua vontade aceitaria a súplica, perdão, o convite sem cobrar nada, mas o Presidente do Real Madrid não deixou.

Madaíl teve então de voltar a Portugal e contratar Paulo Bento. Tal escolha revelou-se bastante consensual na opinião pública. Eu é que não estava a ver como poderíamos dar a volta ao texto. No primeiro treino da Selecção com Bento como Seleccionador Nacional, os adeptos foram assistir em força e mostraram ostensivamente o seu apoio. Mais do que nos dois anos anteriores, dizia-se. Não sei se acreditavam sinceramente do novo Técnico ou se queria apenas provocar o anterior...

Entretanto, mais ou menos nessa altura, a poucos dias do nosso terceiro jogo de qualificação, Mourinho enviou uma mensagem apelando à união em torno da Selecção e de Paulo Bento. Com esta e com a sua reacção ao convite disparatado de Gilberto Madaíl, o treinador do Real Madrid subiu consideravelmente na minha consideração. No meio de todos os corruptos por detrás do "caso Queiroz", José Mourinho era provavelmente a única pessoa íntegra, a única que colocou os interesses da Selecção à frente dos seus. E mesmo que tivesse sido só para se auto-promover, o que é certo é que o seu gesto beneficiou a Selecção e os gestos de outros apenas a atiraram ainda mais para o charco.

No dia 8 de Outubro, Portugal recebeu a Dinamarca no Estádio do Dragão e venceu-a por três bolas a uma. Dois golos seguidos de Nani, um auto-golo de Ricardo Carvalho e um de Cristiano Ronaldo. E a Selecção voltava a jogar com o entusiasmo e a alegria de antigamente. Paulo Bento não poderia ter pedido melhor estreia ao comando da Turma das Quinas.

No dia 12, Portugal foi à Islândia vencer pelo mesmo resultado. Cristiano Ronaldo, Raúl Meireles e Hélder Postiga marcaram os três golos da Selecção. A Equipa de Todos Nós parecia estar de regresso.

Tal voltou a confirmar-se um mês depois. No dia 17 de Novembro, houve um particular entre as duas Selecções Ibéricas, a propósito da Candidatura à Organização do Mundial de 2018. A Selecção Portuguesa venceu a actual Campeã da Europa e do Mundo por quatro golos sem resposta. Foi o melhor jogo da Selecção dos últimos anos, uma exibição perfeita. Parecia que estávamos a jogar contra uma equipa vulgar, não com a Campeã. Não ganhámos três pontos, ganhámos muito mais.

Em suma, a Selecção de 2010 esteve a milímetros de ir por água abaixo, mas conseguiu voltar a erguer-se, subiu, subiu e até deu quatro à Espanha. Termina o ano no melhor nível desde há séculos, deixando boas promessas para 2011.

Ainda não acredito que isto aconteceu, nunca me tinha passado pela cabeça que uma simples troca de Seleccionador tivesse tal efeito. Por mais cruel que me pareça, parece mesmo que a culpa era de Carlos Queiroz. Como diziam no Record, "onde com Queiroz havia medo, há agora segurança. Onde com Queiroz se inventava, há agora simplicidade. Onde com Queiroz se bocejava, há agora espectáculo. Onde com Queiroz era derrota certa" - ou empate, digo eu - "há agora sempre esperança". Cada vitória de Paulo Bento representa uma derrota para Queiroz. E por muitas voltas que dê ao texto, contra factos não há argumentos. Eis os factos: com Bento ao leme, a Selecção marcou dez golos em três jogos (e não jogámos propriamente com o Luxemburgo, longe disso!) e os Marmanjos voltaram a jogar alegres como o Waka Waka. 


Eu não consigo esquecer que Queiroz fez muito pela Selecção, fez-me acreditar na Selecção e a forma como foi despedido foi tudo menos justa. Mas a verdade é que a Selecção já não precisa dele. Quem me dera que ele tivesse saído logo a seguir ao Mundial para que recebesse a indemnização e tudo a que tinha direito de acordo com o contrato assinado e a qualificação nunca tivesse sido prejudicada. Mas a História escreve-se a tinta-da-china e não há maneira de alterá-la. Agradeço ao Professor tudo o que fez pela Selecção, desejo-lhe toda a sorte do Mundo e que encontre justiça, mas Carlos Queiroz já não faz falta.

Por outro lado, não sei se não terá sido o facto de termos afundado tanto, de termos empurrado tanto a mola até ao fundo que nos catapultou para a melhor fase em anos.

Temos já uns quantos particulares marcados. Um com a Argentina, dia 9 de Fevereiro, um com o Chile no dia 26 de Março e outro com a Finlândia no dia 29 do mesmo mês. Em Junho, a qualificação é retomada com a recepção à Noruega no Estádio da Luz.

É um dos meus desejos para 2011 que a boa fase que a Selecção actualmente atravessa tenha vindo para ficar. Tenho quase a certeza que pelo menos este se cumprirá. É uma das poucas coisas boas com que poderemos contar no ano que vem, no meio do IVA a 23%, dos salários cortados e da ameaça do FMI.

Desejo, portanto, a todos os leitores que consigam fazer frente às dificuldades que o Ano Novo trouxer consigo. Que a Selecção Nacional, a Turma das Quinas, a Equipa de Todos Nós seja, como já foi, este ano (pelo menos para mim), um motivo de alegria, algo que nos ajude a enfrentar a crise, algo que nos dê argumentos, por mais fúteis que sejam, para desejar a todos um Feliz Ano Novo!
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