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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Procurando soluções em território desconhecido

Na próxima quarta-feira, dia 14 de novembro, a Seleção Portuguesa enfrentará no Gabão a congénere local , num jogo de carácter particular.

Não sei se é esse o vosso caso mas eu nunca tinha ouvido falar do Gabão antes deste jogo ter sido anunciado, em julho. Segundo o meu pai, situa-se na costa ocidental de África, acima de Angola. Agora que fui pesquisar o mapa do país, descobri que se encontra entalado entre a Guiné Equatorial, os Camarões e a República do Congo. Tendo sido uma colónia francesa, a sua língua oficial é o francês. A sua capital é Libreville, que é também a cidade onde o jogo terá lugar.

É um nome bonito, Libreville. Segundo o Wikipédia, foi fundada por escravos libertados de um navio brasileiro pela marinha francesa. Daí que tenha sido batizada "Cidade Livre", em francês.

A sua seleção é igualmente desconhecida para mim até porque a Turma das Quinas nunca jogou contra ela. A Equipa de Todos Nós estará, portanto, a explorar território desconhecido - mas também a História pode testemunha que os portugueses têm experiência nessas andanças. Em princípio, a seleção gaba... gabanesa? - enfim, do Gabão não nos criará problemas de maior mas também se dizia isso da Irlanda do Norte...


Um dos objetivos deste jogo é a angariação de fundos para a Cidade do Futebol, cujo projeto foi apresentado em setembro último. Chegou a ser colocada a hipótese de a Cidade ficar sediada em Óbidos, que tem um vasto currículo como Casa da Seleção, mas acabou por ser escolhido o Vale do Jamor, em Oeiras, para a localização. Fiquei satisfeita, pois o Jamor é-me mais acessível que Óbidos para assistir a treinos da Seleção. No entanto, não está garantido que usufrua dessa vantagem pois a Cidade do Futebol só ficará concluída daqui a três anos. Sei lá onde estarei eu, onde estaremos todos nessa altura...

De qualquer forma, qualquer que seja a Casa da Seleção, será também uma casa para mim.

A lista de convocados para este particular foi divulgada na sexta-feira passada. Não houveram novidades na lista, tirando Hélder Barbosa e Rúben Ferreira, Chamados posteriormente para substituírem os lesionados Nani e João Pereira. Ainda não compreendi muito bem porque é que o Raúl Meireles não foi Convocado. O Fábio Coentrão só agora é que voltou a treinar no Real Madrid, segundo consta e procuram-se alternativas, depois do que aconteceu quando ele se lesionou. E descobri agora, enquanto passava este texto a computador, que o Cristiano Ronaldo foi igualmente dispensado, devido à selvagem cotovelada que apanhou ontem, no encontro que opôs o Real Madrid ao Levante, que lhe compromete a visão. O principal objetivo do jogo é precisamente a procura de soluções entre os suplentes, o teste de alternativas, como forma de nos preparamos  para o que nos espera em março do próximo ano.


Não alimento grandes entusiasmos em relação a este jogo. É apenas um particular, com um adversário pouco sonante, pouco motivador. Estamos amputados de vários titulares habituais, incluído o insubstituível Cristiano Ronaldo. É altamente provável que os Marmanjos estejam mais preocupados com o que se passa nos respetivos clubes. Além de que a viagem até ao Gabão será certamente longa e desgastante, o que jogará contra eles. O resultado será o menos importante, quando queremos afinar armas, combater o "mau momento" em que nos encontramos depois da última jornada.

No entanto, há que recordar que este será o último jogo da Seleção do ano. Segundo certas superstições, antes do fim do Mundo. A jornada seguinte da Seleção será apenas em fevereiro, na melhor das hipóteses. Não podemos dar-nos ao luxo de deixá-lo passar em branco. Nem tenciono fazê-lo. Espero que essa, igualmente, a atitude dos jogadores, que estes façam um esforço por oferecerem aos portugueses uma pequena alegria na forma de uma vitória neste particular. Pelos motivos já várias vezes citados neste blogue.


Não vou poder ver o jogo na televisão, pelo menos não a primeira parte, poderei apenas ouvi-lo na rádio. Não o lamento, antes pelo contrário, pois apenas o relato radiofónico poderá colorir um jogo que não se adivinha muito interessante. Tal como aconteceu em maio último, aquando do jogo contra a Macedónia. Não sei, depois, quando terei tempo de publicar a análise ao jogo. Não se admirei se conseguir fazê-lo no próximo fim de semana. E não excluo a hipótese de o jogo, pura e simplesmente, não justificar uma análise. No entanto, é pouco provável pois, desde setembro de 2010, todos os encontros da Seleção têm tido direito a entrada pós-jogo, até mesmo quando não consigo vê-los, porque é que este será uma exceção?

Posso ainda estar desiludida com a última dupla jornada da Turma das Quinas, posso não ter o entusiasmo que tinha aquando de outros jogos da Seleção, mas ainda sou a mesma, ainda tenho o vírus dentro de mim. Podem ter existido alturas em que o meu entusiasmo tenha atingido mínimos históricos, mas nunca perdi por completo a esperança num resultado positivo, nem mesmo em situações piores que a atual. Da única vez que estive a isto de desistir - aquando do caso Queiroz - a Seleção depressa me recordou os motivos pelos quais podemos confiar nela. Não deixarei de desfrutar deste jogo, ainda que esse gozo apenas dure noventa minutos, ou menos. Na esperança de que a Equipa de Todos Nós volte a dar bons sinais, a recordar-me os motivos pelos quais merece a nossa fé. Não se esqueçam, na RTP 1, quarta-feira, às 19h30.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Portugal 1 Irlanda do Norte 1 - Escorregadela em relvado molhado

Na passada terça-feira, dia 16 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu a sua congénere norte-irlandesa no Estádio do Dragão, em jogo contando para o Apuramento para o Mundial 2014, que terá lugar no Brasil. O encontro terminou com um empate a uma bola.
Como disseram na quarta-feira de manhã, na Antena1, não foi Seleção, foi deceção. É uma boa maneira de resumir o jogo. Ninguém estava à espera que a Turma das Quinas consentisse tal resultado quando tínhamos tudo para sairmos do Dragão com uma vitória.

Eu estava bastante confiante, bem disposta, aquando do início do jogo e não era a única. Toda a gente se sentia orgulhosa e entusiasmada com a centésima internacionalização de Cristiano Ronaldo, que foi homenageado por tal feito no início do jogo, na presença de outro herói da Seleção, o inesquecível Luís Figo.


Outro belo momento antes do início do jogo foi o hino cantado por Rui Reininho, dos GNR. Uma vez que há já muitos anos que associo a música Sangue Oculto à Seleção Nacional, quase esperei que Rui, em vez do hino, começasse a cantar: "Há luz na artéria principal...". Em todo o caso, a presença do cantor fez-me sorrir enquanto entoava o hino. A voz dele, contudo, mal se ouviu no meio das cinquenta mil gargantas do Dragão.

A alegria no início do jogo não duraria muito. A primeira parte de Portugal foi medíocre ao ponto de a nossa melhor oportunidade ter sido um quase auto-golo. E a jogada que deu origem ao tento que colocou os norte-irlandeses em vantagem foi uma reposição do golo russo de sexta-feira passada. Não queria acreditar no que estava a acontecer, não percebia como é que estávamos a perder aquele jogo.


Aquando do início da segunda parte, obriguei a mim mesma a seguir a minha própria máxima de acreditar até ao apito final. No fim de contas, nunca ninguém disse que era fácil ser-se adepto incondicional da Seleção. Aquele era apenas mais um exemplo.

No entanto, como diz a música, ninguém disse que seria tão difícil, depois do nosso passado recente. Mas já lá vamos.

Na segunda parte, Portugal decidiu finalmente começar a jogar, embora o desacerto entre os jogadores fosse evidente. No entanto, apesar de continuar a barafustar no Twitter, à semelhança de muito boa gente, sentia que o golo do empate já estivera mais longe. 


Mesmo assim, ainda tivemos de esperar até aos oitenta minutos para que o golo do empate chegasse. Dos pés do Hélder Postiga, como não podia deixar de ser. Podem alegar que é sorte, que ele precisa de vinte remates para marcar um golo, que com a tenda montada na grande área norte-irlandesa alguma bola teria de entrar, que ele não roça os calcanhares a "matadores" como Pedro Pauleta, que o Paulo Bento tem um "fetiche" pelo Carteiro, mas a verdade é que ele já conta três golos em quatro jogos nesta fase de Qualuificação - e quando ele não marcou, mais ninguém envergando a camisola das Quinas o fez. Outros, se calhar, marcariam golos mais facilmente mas, pelos vistos, não se têm dado a esse trabalho.

Depois deste golo, Portugal continuou a procurar colocar-se à frente no marcador, a ver se conseguíamos os três pontos, mas tínhamos acordado tarde de mais. Quando o jogo acabou, cada uma das equipas em campo no Dragão ganhou apenas um ponto.


De repente, a Seleção está num mau momento. Numa altura em que nunca havíamos precisado tanto de uma alegria, em que eu nunca havia precisado tanto de uma alegria, a Seleção perde um jogo e empata outro. Acabamos por ficar na mesma situação em que estávamos há dois anos, com a diferença de que, quando era para o Euro 2012, foi uma melhoria, uma recuperação milagrosa  Isto, isto foi uma escorregadela das grandes. Que até podia ter sido pior. Algo que, depois da emocionante reviravolta que foi a Qualificação para o Euro 2012, do nosso percurso nessa fase final, nunca pensei que acontecesse tão cedo. 

Sinto-me traída. Durante estes dois anos, a Seleção esteve associada a alegria, a boas recordações, a esperança de momentos ainda melhores no futuro, mesmo depois de termos sido expulsos do Euro 2012. Foi um consolo, em suma. Com isto, transformou-se em mais uma fonte de angústia. Logo agora...


Agora só temos novo jogo oficial daqui a cinco meses. Em circunstâncias normais, estaria desagradada com isso. No entanto, esta pausa prolongada pode vir a dar jeito pois é urgente pararmos e refletirmos. Porque só vejo a Seleção cometendo os mesmos erros outra e outra vez, alguns dos quais já vêm de trás. Dependência excessiva no onze-base, más entradas em jogo, deslizes na defesa, o eterno problema da finalização, etc. Alguma coisa terá de mudar. Espero que Paulo Bento o perceba e consiga resolver este imbróglio.

Os particulares que vamos ter entre estes jogos de Qualificação (dois, penso eu) são capazes de ajudar. O primeiro é no próximo mês, frente ao Gabão. Como o jogo virá numa altura complicada para mim e duvido que haja muito a dizer, talvez não publique entrada pré-jogo. Mas não deixarei de manter a página do Facebook atualizada.


Apesar de a Seleção nos ter traído completamente, de ter falhado, continuo a colocar os Marmanjos num pote diferente das outras instituições deste País. Porque a Equipa de Todos Nós de vez em quando falha, como tudo na vida. No entanto, ao contrário dos nossos políticos, é capaz de se levantar e de, mais cedo ou mais tarde, dar uma alegria aos portugueses, por pequena que seja, fazer por merecer o apoio, a fé e... o dinheiro gasto nos bilhetes para os jogos. Ainda acho que vamos conseguir Qualificarmo-nos, nem que seja via play-offs. Não é por isso que estou zangada. Estou zangada porque acho que seríamos capazes de nos apurarmos sem este drama todo. É como diz o Menos Ais: "Continhas até ao fim não é tradição, é sina". A Seleção parece, por vezes, fazer de propósito, só parece ser capaz de acordar para a vida quando sente "o rabinho a arder", como diz a minha irmã. E qualquer alegria que nos possam dar, agora só virá em março do próximo ano.

E daí, talvez o jogo com o Gabão ajude nisso, talvez nos dê uma vitoriazita que nos ajude a dormir melhor nessa noite. Que nos faça acreditar, nem que seja um pouco, que a Seleção pode dar a volta a este texto e dar-nos alegrias maiores em breve. Durante estas próximas semanas, procurarei agarrar-me a esse pensamento como forma de neutralizar o sabor amargo que esta jornada dupla deixou na boca.Só espero que a Turma das Quinas não torne a boicotar tais esperanças daqui a um mês.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Em boa hora

No próximo dia 12 de outubro, sexta-feira, a Seleção Portuguesa de Futebol enfrentará, no Estádio Luzhiniki, em Moscovo, na Rússia, a seleção local. Quatro dias depois, receberá no Estádio do Dragão, a sua congénere norte-irlandesa (é assim que se diz, não é?). Ambos os jogos contarão para o Apuramento para o Campeonato do Mundo em Futebol, que terá lugar no Brasil, no verão de 2014. A Equipa de Todos Nós encontra-se, neste momento, reunida em Óbidos com vista à preparação destes dois encontros.

Os russos constituem um  adversário razoavelmente conhecido, tendo em conta jogos disputados com eles num passado relativamente recente, bem como o facto de jogadores como o Bruno Alves estarem familiarizados com o futebol daquele país.


Comecemos por recordar o segundo jogo da fase de grupos do Euro 2004. Lembro-me de este ter decorrido numa altura de grande contestação a Luiz Felipe Scolari, depois da derrota aos pés da Grécia, no jogo de estreia. Eu própria me sentia desconfiada - só apanhei o, já famoso por estas bandas, vírus da Seleção no Estádio de Alvalade, no jogo com a Espanha. De qualquer forma, a Seleção apresentou-se completamente renovada no segundo jogo desse Europeu, no Estádio da Luz. Lembrava-me - antes de o confirmar vendo os vídeos-resumo - que o primeiro golo foi marcado por Maniche e que o segundo resultou de uma bela assistência de Cristiano Ronaldo, em que Rui Costa teve, apenas, de empurrar a bola para a baliza com o pé. Ficou-me bem gravada na memória uma imagem, algo cómica, do Cristiano ouvindo as instruções de Luiz Felipe Scolari, pouco antes de ser lançado a meio da segunda parte, enquanto colocava adesivos nos brincos, ajudado por um ou dois assistentes. Igualmente bem gravados ficaram o lance do golo  e os festejos do, na altura, "puto" abraçado ao "cota" da Seleção.


O jogo seguinte com a Rússia deu-se quatro meses depois, no Estádio de Alvalade, desta feita contando para a Qualificação para o Mundial 2006. Foi a célebre goleada de sete bolas contra uma, uma verdadeira festa de golos. Segundo o que me recordava deste jogo, o Cristiano marcou dois golos, o Petit marcou outros dois, o Pauleta e o Simão marcaram um cada. Só agora, depois de ver o vídeo-resumo, é que me recordei que o outro marcador foi Deco. Outra coisa de que me recordei com este vídeo, foi que um dos golos do Cristiano Ronaldo foi um tiro espetacular, de fora da área. Ele sempre foi mágico...


O outro jogo com a Rússia, em setembro do ano seguinte, é, contudo, de má memória para o madeirense, visto ter sido disputado pouco após a morte do pai, Dinis Aveiro. É, de resto, a única coisa de que me recordo deste jogo, para além do resultado: um empate sem golos.


Anos mais tarde, a Rússia chegou mais longe do que nós no Euro 2008, tendo tido, inclusivamente, o mérito de expulsar uma prometedora Holanda. Falhou o Mundial 2010 e no Euro 2012 caiu na fase de grupos, não  sem antes golear a República Checa - a quem nós só ganhámos por uma bola tirada a ferros.

Em suma, a seleção russa é imprevisível, traiçoeira, capaz do melhor e do pior. Não podemos subestimá-a. Não a subestimaríamos de qualquer forma, pois está empatada connosco no topo da tabela classificativa, é a mais forte do nosso grupo, a seguir a nós próprios. Paulo Bento parece estar bem ciente disso pois já afirmou, mais do que uma vez, que a Seleção jogará para a vitória mas um empate pode, eventualmente, ser aceitável. A única coisa de que tenho a certeza é de que este será um jogo interessante, dos mais interessantes desta fase de Qualificação.

Devido à diferença horária, o jogo com a Rússia começará às quatro da tarde, cá em Portugal. Era para ter aula ou, caso conseguisse assistir mais cedo, ainda estar a caminho de casa a essa hora. Mas esta semana não terei essa aula, felizmente... ou infelizmente. Para ser sincera, gostava de ter uma desculpa para ouvir o relato radiofónico, que prefiro ao televisivo, mesmo que fosse durante a aula (não seria a primeira vez e até dava outro gozo... eh eh eh!). Assim, mais ninguém deve estar em minha casa a essa hora, mesmo o Twitter não deve ter grande atividade a essa hora... Acho que vou ver o jogo para um café ou assim.


Se a seleção russa é relativamente bem conhecida, o mesmo não poderei afirmar no que toca à Irlanda do Norte. Tanto quanto me recordo, tivemos um particularzito em 2005, acho que empatámos, mas não passa disso. Como já referi aqui no ano passado, aquando do sorteio para esta fase de Qualificação, são daquelas equipas que não têm nada a perder, que, não disputando connosco o Apuramento, podem fazer-nos perder pontos. Também requererá cuidados.


Não há muito mais a dizer, nesta altura do campeonato. Depois de três ou quatro anos de blogue sobre a Seleção, estes jogos de Qualificação já não dão grande material para escrita, pelo menos não para estas entradas pré-jogo. Acrescento, apenas, que estes dois jogos vêm em muito boa hora, pela parte que me toca. Estas últimas semanas não têm sido muito fáceis para mim. Agora sou eu que ando "triste", em vez do Cristiano - aliás, o Ronaldo parece tudo menos triste, anda a marcar dois ou três golos por jogo... Por meu lado, tenho tido uns dias difíceis, essencialmente pelos mesmos motivos de toda a gente: a crise, a austeridade, a incerteza em relação ao futuro, o stress do curso, a possibilidade bem forte de ser obrigada a emigrar quando terminar os estudos. Também não ajudou o facto de ter estado meio doente na semana passada. Uma simples constipação, mas que causou demasiado transtorno para algo benigno.

Como podem ver, tenho andado invulgarmente necessitada da Terapia das Quinas. E já tem dado frutos. Por causa das queixas de Cristiano Ronaldo aquando d'El Clásico, estava com medo que o madeirense ficasse de fora desta jornada dupla da Seleção. Mas tudo não passou de um susto. Foi um grande alívio quando o soube e até me senti entusiasmada com a perspetiva de termos este Ronaldo que marca dois ou três golos por jogo do nosso lado.

Sem pressão, Cristiano! Até porque ele ainda não recuperou totalmente da lesão. Os outros também terão de se mexer nestes dois jogos.

É a história do costume. A Seleção não resolverá nenhum destes problemas mas, se estes jogos e tudo o que está ligado a eles - o entusiasmo, eventuais momentos de futebol, a expetativa de uma presença no Mundial 2014 - ajudarem a afastar pensamentos negativos, a dormir melhor durante a noite, a ter um motivo para sobreviver aos próximos tempos, terá valido a pena. A história do costume.

domingo, 9 de setembro de 2012

Luxemburgo 1 Portugal 2 - Não havia necessidade

Na passada sexta-feira, dia 7 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere luxemburguesa por dias bolas a uma, naquele que foi o seu primeiro jogo da fase de Qualificação para o Mundial de 2014, que terá lugar no Brasil.

Estava praticamente toda a gente - eu incluída - à espera de uma vitória fácil e esmagadora. Mesmo que a Seleção não tivesse um desempenho brilhante, em princípio, a vitória chegaria sem dificuldades de maior. Não foi isso que aconteceu naquela noite.

Paulo Bento afirmara que a Seleção enfrentaria este jogo como se estivesse na fase final do Europeu. E, de facto, a maneira como entraram no jogo - lentos, desorganizados, trapalhões - lembrava-me o início dos jogos contra a Dinamarca e a Holanda. Acabou por não surpreender muito o golo do Luxemburgo - mas não deixou de ser um balde de água fira, cujo efeito nem sequer foi atenuado pelo calor que tem deito nestes dias. Dei por mim mordiscando o meu velho boné com os nervos, vendo a Seleção debatendo-se perante uma equipa na qual só jogavam três profissionais. Chegava a adquirir contornos caricatos, ridículos. Um dos jogadores é vereador. O Daniel da Mota, o luso-descendente que nos marcou o golo, trabalha num escritório durante o dia e só treina à noite. O guarda-redes é supervisor de um pavilhão desportivo ou algo do género. Havia momentos em que não sabia se devia rir ou chorar.



O golo de Cristiano Ronaldo aliviou um bocadinho os nervos. Curiosamente o abraço que trocou com o Hélder Postiga fez-me recordar o primeiro golo do jogo do ano passado, frente ao mesmo adversário. Nesse encontro, tinha sido o Hélder a marcar primeiro mas ele e o Ronaldo também se abraçaram. Fiquei com a ideia de que, em circunstâncias normais, o madeirense não festejaria um golo de empate mas, depois da polémica dos últimos dias, fez questão de agitar o punho em sinal de triunfo. E pronto, já toda a gente diz que ele está feliz de novo. 

Apesar dos golos, o ritmo do jogo manteve-se praticamente inalterado. Só depois da segunda parte é que os Marmanjos pareceram acordar para a vida: o golo do Hélder Postiga - executado de forma soberba - não surpreendeu.


Eu acho graça ao facto de só depois de o Hélder marcar é que as pessoas se recordam de todas as vezes que o ponta-de-lança já marcou pela Seleção, muitas vezes salvando-nos o couro - como, por exemplo, no Euro 2004, frente à Inglaterra. E anteontem. Ainda ontem, no Record, vieram falar da sua média de golos por jogo. Ninguém se recorda disso quando meia opinião pública contesta a sua Convocatória, quando os comentadores se queixam da falta de pontas-de-lança. Admito que o Postiga já fez os trinta, logo, já não lhe restam muitos anos de carreira, sendo, por essas e por outras, importante apostar em jovens como o Nélson Oliveira. No entanto, gostava que se desse mais valor àquilo que o Hélder faz pela Seleção.

Esperava-se que, depois deste golo, ficasse mais fácil marcar mais um ou dois tentos. No entanto, a Seleção continuava lenta e os luxemburgueses recusavam-se a render-se. Cheguei a uma altura em que só pedia para manterem o resultado - não me surpreenderia se a coisa ficasse, de novo, empatada.

Felizmente, tal não aconteceu. A Seleção conseguiu amealhar três pontos.


Fiquei bastante mais satisfeita com o resultado do que com a exibição. Não percebo como é que os luxemburgueses nos foram criar tantas dificuldades... Talvez seja como disse o Hélder, talvez já não existam adversários fáceis. Ou talvez, pura e simplesmente, não tenham levado o Luxemburgo a sério, apesar da promessa de Paulo Bento.

No entanto, três pontos são três pontos. Não me esqueci do que aconteceu há dois anos - ainda que, na altura, tivessem a desculpa do caso Queiroz. E também já tivemos uma dose exagerada de jogos em que dominámos em praticamente tudo exceto no marcador. Toda a gente prefere jogar mal mas ganhar, em vez do contrário. Não estou demasiado preocupada pois sei perfeitamente que a Seleção sabe jogar bem melhor do que isto, quando está para aí virada. Mas porque é que tivemos de sofrer tanto? Como dizia o outro, não havia necessidade...

Não é fácil ser adepto incondicional da Seleção...


Este jogo assemelhou-se imenso ao jogo com o Liechtenstein, em outubro de 2005, um a que fui assistir no Estádio de Aveiro. Também nesse começámos por estar a perder contra uma seleção amadora - acho que nunca me vou esquecer do velhotezinho isolado, apoiante do Liechtenstein, comemorando o golo - e vimo-nos gregos para virar o resultado. Tanto nesse jogo como neste, o mais importante foram os três pontos. A diferença é que, neste, foram os primeiros pontos a serem amealhados nesta fase de Qualificação. No jogo de 2005, os três pontos selaram-nos a Qualificação para o Mundial 2006.

Agora, tal como fiz em 2005, vou concentrar-me no lado positivo deste jogo, os três pontos amealhados. No entanto, estes não são suficientes para obtermos o bom arranque de Apuramento que desejo. Ainda falta ganhar ao Azerbaijão. Convinha jogar melhor do que se jogou na sexta-feira. O desempenho frente ao Luxemburgo foi suficiente para vencermos o Luxemburgo mas tenho medo que não seja suficiente frente aos azeris.

O que eu desejava mesmo era uma Qualificação imaculada, só com vitórias, como as últimas da Espanha. Mas o melhor é sempre encarar a viagem passo a passo, jogo a jogo. Para já, espero que Portugal ganhe o próximo, que dê mais um passo em direção ao Brasil. Que a viagem apenas acaba de começar.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Terapia das Quinas

Nos últimos dois dias, Cristiano Ronaldo tem sido protagonista de muitas capas de jornais, muitas notícias, muitas declarações, enfim, de toda uma polémica, daquelas bem sumarentas. Tudo isto consequência de umas declarações, após um desafio da Liga Espanhola que opôs o Real Madrid ao Granada, nas quais o jogador afirmou estar "triste".

De repente, transformámo-nos todos em psicólogos, tentando diagnosticar as causas desta tristeza do madeirense. Junto-me, por este meio, a essa onda. Analisemos então este assunto que, suspeito, tão cedo não sairá dos destaques do mundo desportivo.

Eu e a minha irmã, por acaso, assistimos a parte do tal jogo em que Ronaldo bisou mas não festejou. Por acaso, foi na altura em que publicava a entrada anterior do blogue, logo, não estava a prestar muita atenção. A minha irmã é que me disse que, depois de o madeirense ser substituído, parecia estar quase a chorar.

Tal situação recordou-me as lágrimas do Cristiano no Portugal-Holanda do Mundial 2006 aquando, igualmente, de uma lesão. Mostrei o vídeo desse momento à minha irmã e mostro igualmente aqui. Expliquei-lhe que as lágrimas se deviam, pura e simplesmente, a não poder jogar. Mas já volto a esse assunto.


Ainda antes de sabermos das declarações de Ronaldo, já nessa noite a minha mãe comentou que ele, de facto, parecia triste. No entanto, não deixei de ser apanhada de surpresa quando, na manhã seguinte, a minha irmã me disse que o Cristiano queria sair do Real Madrid.

Não demorei muito a ficar a par do que se passava realmente: o Ronaldo não dissera que queria sair do Real Madrid, apenas dissera estar triste. Desde essa altura, tenho, à semelhança de muita gente, interrogado-me sobre os motivos desta infelicidade do Cristiano.

Uma das hipóteses é tudo isto ser, pura e simplesmente, uma birra, um amuo, uma chamada de atenção. A minha irmã chegou mesmo a alegar que ele está "naquela altura do mês" - neste momento, é a piada preferida dela. Sei por experiência própria que essa altura é complicada, de facto, mas tenho um feeling de que não é disso que se trata.

Outra hipótese era um possível desentendimento com Mourinho e/ou com colegas de equipa. Contudo, esta foi depressa posta de parte pois Mourinho mostrou-se surpreendido com estas delcarações do madeirense. Além disso, já vários jogadores merengues vieram manifestar solidariedade para com o colega. Mesmo que estes últimos nada tivessem dito, o Cristiano não parece ser do género de ter zangas com companheiros de balneário, antes pelo contrário.


Há quem diga que ele está de mau humor por não ter ganho o prémio FIFA de Melhor Jogador do Ano. O Cristiano desmentiu logo esta teoria e, mesmo que não o tivesse feito, também não ia nessa. Não foi a primeira vez que o madeirense perdeu um prémio destes para outro jogador, ele deve saber lidar com isso. Se não sabe, já devia ter aprendido há muito tempo.

Uma das hipóteses mais faladas era isto ser uma tentativa de cravar um aumento. Muito se tem falado do Imposto Beckham ou lá o que é. Como seria de esperar, já li algumas opiniões ressentidas - eufemismo! - as redes sociais a propósito desta hipótese. A mim, custava-me a acreditar. Ele já é um dos jogadores mais bem pagos do Planeta, por amor de Deus! Será assim tão essencial receber ainda mais uns milhões? Será que estaria como o outro, será que o seu atual ordenado não lhe chega para as despesas? Não acreditava nisso, não queria acreditar nisso. A ser verdade, se ele tivesse criado toda esta confusão, perturbando o estágio da Equipa das Quinas, por dinheiro, o Cristiano desceria consideravelmente na minha consideração.

Como tal, fiquei satisfeita com a sua publicação no Facebook na qual afirmava que aquilo não tinha a ver com o dinheiro e exprimia a sua dedicação ao Real Madrid.

A hipótese que me parece mais provável é de que Ronaldo não se sente devidamente apoiado pelos dirigentes do seu clube. Ouvi mesmo um par de jornalistas espanhóis afirmarem que isto se trata, não de um desabafo espontâneo ma sim de algo ponderado, de um último recurso, de modo a que o clube o oiça.

Enfim, isto sou eu, somos todos nós a especular. Nenhum de nós sabe a verdade. Em todo o caso, o Cristiano deu a entender que tenciona explicar tudo isto, eventualmente.


Tenho acompanhado a carreira de Cristiano Ronaldo desde os seus tempos no Sporting, ou seja, há cerca de dez anos. Ele tem os seus defeitos, muitas vezes toma atitudes que não compreendo e/ou não aprovo. No entanto, existe muito nele que eu admiro. Ele agora é uma superestrela milionária mas foi ele mesmo que o construiu de raiz. Em criança, não tinha onde cair morto. Aos onze anos, veio sozinho para o continente, deixando a família para trás. Ao longo de anos, fez horas extraordinárias nos treinos, querendo sempre tornar-se ainda melhor do que já era. Orgulhamo-nos do facto de ele ser português mas, na verdade, Ronaldo pouco tem a ver com a mentalidade do nosso País - preguiçoso, invejoso, lamuriento, culpando todos menos ele próprio. O Cristiano nada tem a ver com isto, é um lutador, sempre o foi, se mais portugueses fossem como ele talvez não estivéssemos onde estamos agora.

Claro que ajuda sempre o facto de ele fazer o que gosta - nem todos têm esse privilégio. É outra coisa que admiro nele: a sua paixão, o facto de ele gostar de jogar futebol por jogar. Foi isso que disse à minha irmã quando ela estranhou o facto de o Cristiano ter chorado no jogo com a Holanda quando Portugal até estava a ganhar.

É por estas e por outras que Cristiano Ronaldo, para mim, é e sempre será, até mesmo depois de se retirar do futebol, o Melhor do Mundo. Como já disse em cima, mesmo que não goste de tudo o que ele faz - ainda não sei se inclua esta polémica na lista - apoiá-lo-ei sempre. Existem muitos miúdos a idolatrá-lo, a quererem ser como ele, a serem grandes jogadores de futebol como ele. Eu, contudo, aconselhar-lhos-ia a serem como ele, não no sentido futebolístico, mas no sentido de serem trabalhadores, lutadores, no que toca  aos seus próprios sonhos, às suas próprias paixões, estejam estas relacionadas com o desporto, a música ou a Medicina. 



No que toca a esta questão em específico, quer isto se trate de coisa de puto mimado ou de algo a sério, se pudesse dar um conselho ao Cristiano, dir-lhe-ia para fazer como eu: para procurar consolo na Seleção, a seguir a Terapia das Quinas. Não será muito difícil, com o bom ambiente que, ao que parece, já é característico da Equipa de Todos Nós. Dir-lhe-ia também para se vingar dando o seu melhor nos treinos e em campo, quer no Real, quer na Turma das Quinas. Tendo em conta a dedicação de Ronaldo ao seu clube, estou certa que cedo arranjará uma maneira de resolver esta situação. Para já, espero que dê uma alegria, por pequena que seja, tanto a si como a todos os portugueses, ao ajudar a Seleção Nacional a levar de vencida os dois primeiros jogos da Qualificação para o Mundial do Brasil.

domingo, 2 de setembro de 2012

"Somos favoritos mas temos de prová-lo"

No próximo dia 7 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará, no Luxemburgo, a seleção local. Quatro dias mais tarde, receberá em Braga a sua congénere azeri. Ambos os jogos contarão para o Apuramento para a fase final do Campeonato do Mundo em futebol que terá lugar no Brasil em 2014.

Ao contrário do que aconteceu nos últimos dois anos, desta feita poderei ver os dois jogos de setembro. Mesmo assim, estava a passar férias no Norte na altura da Divulgação dos Convocados, o que atrasou um pouco - mas não tanto como receei - a publicação desta entrada. Felizmente, pude acompanhar a Conferência de Imprensa. Aliás, o intervalo de tempo entre o meio-dia e a uma da tarde da passada sexta-feira acabou por ser algo marcante, não só para mim, mas para a minha irmã também.

Não sei se já o revelei aqui mas ultimamente a minha irmã tem andado muito ferrenha pelo Sporting. Esta sua "doença", como o meu pai gosta de chamar, assemelha-se um pouco à minha doença pela Seleção na medida em que também ela está, quase instintivamente, a par de quase tudo o que acontece relacionado com o seu clube: jogadores, datas de jogos, adversários, declarações. A diferença reside no facto de a minha doença só desenvolver sintomas quando a Seleção joga - ou seja, durante apenas alguns dias, com semanas de intervalo. Excepto, claro, durante as fases finais - durante o resto do tempo mantém-se em latência. O Sporting joga todas as semanas. Façam as contas.

Mas regressemos a sexta-feira, ao meio-dia. A essa hora, tanto eu como a minha irmã queríamos ter o rádio ligado uma vez que se realizava tanto o Anúncio dos Convocados como o sorteio da fase de grupos da Liga Europa. Não que fizesse assim tanta questão de acompanhar o anúncio em direto. Suspeitava que a convocatória poucas novidades traria e que as respostas de Paulo Bento às perguntas dos jornalistas seriam previsíveis. Mas já que o rádio estaria ligado e como queria começar a alinhavar uma entrada nova, aproveitei.



A Antena 1 interrompeu a emissão em direto do sorteio da Liga Europa - numa altura em que já se conheciam dois dos futuros adversários do Sporting. Não me lembro quais são eles; apenas me dou ao trabalho de memorizar as coisas da Seleção e não me apetece ir agora perguntar à minha irmã - para transmitir a divulgação dos Convocados. Por brincadeira, eu e a minha irmã pusémo-nos a dizer "Iééé!" depois de cada nome lido. Acabou por acontecer uma coisa engraçada:

- Hélder Postiga.

- Iéééé!

- Nani.

- Iéééé!

- Pizzi.

- Quem?

Como podem ver, não conhecíamos o jogador do Deportivo da Corunha aquando da Convocação. Confesso que ainda não sei muito, apenas que é avançado, transmontano - por acaso, da mesma região onde estive no fim de semana passado - e tem quase vinte e três anos. Contudo, se começar a ser Chamado com frequência à Turma das Quinas, aprenderei depressa.



O estágio para a preparação desta jornada dupla arrancou segunda-feira, em Óbidos. Estes são adversários relativamente conhecidos da Seleção Portuguesa. Já jogámos com o Luxemburgo no ano passado. E o Azerbaijão fazia parte do grupo de Apuramento para o Euro 2008. 

Lembrava-me que o jogo com o Azerbaijão em outubro de 2006 me deixara satisfeita, que o Cristiano Ronaldo fizera uma bela exibição. Mas só me recordei dos pormenores depois de ter revisto o resumo do jogo: ganhámos por 3-0, com dois golos de Ronaldo, uma assistência do mesmo e ainda um pontapé de bicicleta mal anulado por um árbitro inglês - ainda deviam estar com o cartão vermelho a Wayne Rooney nos quartos-de-final do Mundial atravessado na garganta...



Do jogo do ano seguinte, só me lembrava de termos ganho. Depois de ver o vídeo-resumo, recordei-me que a vitória foi por duas bolas sem resposta, uma marcada por Bruno Alves depois de um canto de Deco, a outra marcada por Hugo Almeida assistido por Miguel.

Um aparte apenas para dar graças pelo facto de o Miguel Veloso já não usar o cabelo comprido como usava em 2007. Já me tinha esquecido deste penteado tão totó... Pode haver quem também não goste do atual penteado mas eu prefiro este mil vezes. 

De certa forma, calha bem os nossos dois primeiros adversários serem os mais acessíveis teoricamente neste grupo de Qualificação, numa altura em que a temporada futebolística ainda mal arrancou e nem todos os jogadores estão na sua melhor forma. 

As declarações de Paulo Bento após a leitura dos Convocados, tal como o previsto, não trouxeram nada de novo. Já não era a primeira vez que o Selecionador afirmava que levaria a sério todo e qualquer adversário que se cruzasse no caminho da Equipa das Quinas e que está empenhado em obter a qualificação direta para o Mundial. Tal começa por amealharmos seis pontos nesta primeira dupla jornada. Não penso que seja pedir muito, até porque, tal como afirmei acima, estes são os adversários mais "fáceis" desta Qualificação. Já tivemos a nossa dose de maus arranques nos últimos anos, queremos uma fase de Apuramento bem mais tranquila que as três últimas. Julgo que temos condições para isso, mesmo que nem sempre dê para fazer exibições brilhantes. 

Paulo Bento é que resumiu bem a questão na passada sexta-feira:

- Somos favoritos mais temos de prová-lo.

Agora que se passe das palavras aos atos.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Portugal 2 Panamá 0 - Um bom sinal

Na passada quarta-feira, dia 15 de agosto, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu no Estádio do Algarve a sua congénere panamiana - finalmente descobri o termo correto! - num jogo de caráter particular do qual a equipa da casa saiu vencedora por dois golos de resposta.

Os jogadores entraram em campo envergando camisolas com o slogan "Portugal sem fogos depende de todos", algo que me agradou. Já antes falei aqui da influência que jogadores de futebol têm, de como deviam usá-la para causas humanitárias. Ainda bem que o fizeram naquela noite.



Cedo ficou claro que a Seleção levaria aquele jogo a sério. Começando por Paulo Bento, que se apresentava tão concentrado e interventivo no jogo como se este fosse a doer. Os comentadores chegaram mesmo a dizer que a única diferença entre aquele particular e o Euro 2012 era o facto de o Selecionador se apresentar de fato de treino no Estádio do Algarve enquanto no Europeu envergava fato e gravata - embora, na verdade, cedo o blazer e a gravata desaparecessem, quando a coisa ficava séria. Ou como costumava dizer a minha irmã: "Sh*t just got real".

Também os jogadores levaram o amigável a sério, sobretudo aqueles a quem foi dada a oportunidade de, por uma vez, assumirem o protagonismo do jogo. Houve muita garra, muita vontade, muita determinação em merecer a titularidade. Miguel Lopes - que iniciou a jogada que terminou com o primeiro golo das cores portuguesas - foi um exemplo. Mas o maior rosto deste espírito foi Nélson Oliveira. Foi aquele que mais rematou e, claro, marcou aquele golo espetacular, de fora da área.


A minha irmã comparou o Nélson ao Nani, por ter macado no seu primeiro jogo como titular. Ela devia estar a pensar no particular com a Dinamarca, no Verão de 2006, cujo resumo lhe mostrei aquando do segundo jogo da fase de grupos do Euro 2012. Não me lembro se o Nani foi titular nesse jogo. Mas recordo-me do pontapé de canto direto para as redes dinamarquesas, de que foi nesse jogo que percebi que o jovem jogador tinha potencial. Sim, a comparação com o Nélson faz sentido.

Pela parte que me toca, sinto-me satisfeita por, um ano depois de nos tornarmos vice-campeões mundiais de sub-20, temos um dos protagonistas desse campeonato dando frutos na Seleçao A, tal como desejara na altura. Que este golo seja o primeiro de muitos!

E é bom saber que não foi só para mim e para a minha irmã que esta jornada se tornou inesquecível.

Um dos objetivos deste jogo era fazer experiências, afinar armas, tirar conclusões que nos ajudassem a preparar a Qualificação para o Mundial. Segundo Paulo Bento, a redução da seleção panamiana para dez elementos impediu-o. Um dos comentadores, contudo afirmou que aquele Panamá reduzido a dez assemelhava.se mais, em termos de qualidade, à equipa do Luxemburgo.

Eles estavam inspirados naquela noite.


Depois, aquele golo espetacular do Cristiano Ronaldo. Podem ter sido escassos os golos quando comparados com as oportunidades que tivemos, mas foram dois tentos de luxo. Com este, Ronaldo aproxima-se da marca de Eusébio - e tenho um pressentimento de que a ultrapassará ainda nesta fase de qualificação.

Pensar que ele já completou dez anos de carreira profissional...

No tempo restante do jogo, deu-se um festival de oportunidades desperdiçadas - algo que já começa a ser clássico neste tipo de jogos. O Hugo Almeida, então, coitado, não estava nos seus dias. Por outro lado, o Nani, apesar de jogar com a garra, a alegria de sempre, não tem marcado desde aquele malfadado particular com a Turquia. O que acho um pouco preocupante.

Mas não demasiado. Não nesta fase do campeonato. Confesso que não estava com a fasquia muito alta para este jogo mas, mesmo assim, foi um encontro agradável, acima da média no que toca a particulares. Eu, pelo menos, fiquei satisfeita. Por, por uma vez, os Marmanjos terem cumprido a promessa de jogarem para a vitória. Encaro este jogo como um bom sinal, um sinal de que a Seleção permanece numa boa fase, que esta se prolongará. Uma parte de mim anseia, agora, pelo início da Qualificação em si. 

Uma parte, apenas... O resto não quer que setembro chegue demasiado depressa!

É já o costume: a Seleção é das poucas coisas que prometem algo de bom no futuro - e cumprem-nas. Cumpriram com o Euro 2012. Vamos ver que, para já, voltam a cumprir a promessa de uma boa Qualificação ao longo do próximo ano.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Portugal 0 Espanha 0 (4-2 após penáltis) - Travados


O Campeonato da Europa de Futebol, que se realizou na Polónia e na Ucrânia, já acabou há alguns dias, o jogo das meias-finais que opôs a Seleção Portuguesa de Futebol à sua congénere espanhola já se realizou há mais de uma semana. Devia ter publicado bem mais cedo, mas tem-me faltado tempo. É a velha questão das fases finais em época de exames. Aquando dos outros jogos, era catalisada pela necessidade de publicar antes do jogo seguinte. Mas agora...

Tal como se previa, o jogo despertou interesse um pouco por todo o planeta. Os olhos do Mundo estiveram pousados em Donetsk. Dave Phoenix Farrel, dos Linkin Park - mais conhecido por, simplesmente, Phoenix - afirmou no Twitter não saber por quem torcer. Chuck Comeau, dos Simple Plan, estava aflito por não ter maneira de ver o jogo, acabou por seguir os penáltis via rádio. Por sua vez, a Nelly Furtado, da eterna "Força" do Euro 2004, não teve problemas em dizer que estava a torcer por nós. Parece, inclusivamente, que o jogo bateu recordes de audiência televisiva, tanto cá em Portugal como em Espanha.


Vou ter saudades disso. De ter a Seleção no centro das atenções, sobretudo quando se começou a perceber que os portugueses tinham uma palavra a dizer neste Europeu. Dos programas de rádio e televisão sobre o assunto - mesmo que, em certas alturas, me tenham parecido exagerados. De estar na Faculdade, nos cafés, no Metro, no comboio, no autocarro, escutando por acaso conversas alheias sobre a Seleção, por vezes metendo-me nelas. Das bandeiras. Das publicações no Facebook. De ver o nome do País, o nome dos nossos jogadores, nos Trending Topics do Twitter. De ver os jogos com a minha irmã, de ela conhecer pelo metade dos jogadores pelo nome, de consultar a caderneta de cromos para saber o peso e a altura de cada um deles, para se ter uma ideia do que terá sido quando um dos nossos levavam com um adversário em cima.  Da blusa vermelha que usei no "A Tarde é Sua" e em todos os dias de jogos.  Do meu velho cachecol. De ver pessoas que, em circunstâncias normais, pouco ligariam ao futebol, tão entusiasmadas quanto eu.


Mas regressemos ao jogo antes de irmos por aí. Que, como seria de esperar, foi muito intenso, inadequado para cardíacos. Muita gente se queixou no Twitter ao longo de todo o encontro. Cedo, faríamos companhia a Eusébio...

Os primeiros noventa minutos foram muito equilibrados. Portugal foi a primeira - e única - equipa que conseguiu contrariar o tiki-taka espanhol neste Europeu. Dou graças à nossa defesa por tal feito, com destaque para Pepe e Rui Patrício. O primeiro surgia quase sempre que nuestros hermanos se aproximavam da nossa grande área. O segundo defendeu várias. Eu cheguei a pedir a canonização de ambos, comecei a chamá-los São Pepe e São Patrício, os nossos salvadores...


O pior é que a defesa espanhola não era inferior. O maldito Iker Casilhas agarrava todas!

Tirando isso, Portugal foi dominante durante quase todo o encontro. Mesmo no prolongamento, quando os nossos já estavam a meio-gás e os espanhóis começaram a encostar-nos ao nosso meio-campo, a nossa defesa continuava suficientemente organizada para lhes anular os ataques.

Cedo se percebeu que a coisa só se resolveria nos penáltis. E ninguém se sentia particularmente feliz com isso. Desempatando o jogo dessa forma, tudo podia acontecer - tinha noção disso mesmo antes do fim do prolongamento. Não acho que os penáltis sejam propriamente uma lotaria, mas, na minha opinião, são trinta por cento perícia, quarenta por cento estado psicológico e emocional, tanto do guarda-redes como do marcador, quarenta por cento sorte.


A coisa até começou bem para o nosso lado, com o Rui Patrício a defender a primeira grande penalidade dos espanhóis. São Patrício, São Patrício... Pena foi João Moutinho ter estragado tudo. Quando ele ia bater o penálti, recordei-me, inevitavelmente, de um jogo da Taça de Portugal há alguns anos, entre o Sporting e o F.C.Porto, em que o Moutinho falhara o primeiro penálti de um desempate semelhante, decidindo o desfecho do jogo. Lembrei-me de o meu pai comentar que fora má ideia colocar tal pressão, tal responsabilidade, nos ombros de um jogador na altura tão jovem. Contudo, disse a mim própria que isso não significava nada, que o Moutinho já não tinha vinte anos, que ele era capaz de dar conta do recado. Ledo engano. Casilhas era demasiado bom.


Depois o penálti do Bruno Alves foi à trave. Não sei se foi por nervosismo do nosso defesa, se foi simplesmente azar. Voto na segunda - os ferros na baliza acabaram por ser os nossos maiores opositores neste Europeu. E os exemplos abundam. De tal forma que, como que para que não houvesse dúvidas de que os limites metálicos das balizas estavam contra nós, o remate de Fabregas também foi ao poste... mas a bola entrou, à mesma!


Talvez agora compreendam o título "Travados". A trave expulsou-nos do Europeu, mais do que os espanhóis!


Entretanto, já o Europeu terminou, já a Espanha se sagrou campeã, tornando-se a primeira seleção a conquistar três títulos consecutivos. Os italianos não tiveram qualquer hipótese, foram completamente cilindrados. A verdadeira final foi em Donetsk, connosco. Nós fomos a única equipa capaz de fazer frente aos espanhóis.

Contudo, não foi suficiente. Eu sabia que ia ser assim. Já tinha alertado para tal aqui no blogue, até mesmo antes do Europeu: nestes jogos, não chega jogar melhor, os desfechos são definidos com base em detalhes, em pormenores tornados pormaiores. Mas também é aquela: não se podia exigir muito mais aos jogadores portugueses.

Como muitos diriam, o futebol tem destas coisas.


Isto coloca um ponto final no Europeu da Polónia e da Ucrânia, nestas semanas gloriosas em que a Seleção esteve reunida, em que foi rainha e senhora das nossas atenções. Acho que aproveitei bem este mês e meio, mais coisa menos coisa. Não escrevi cá no blogue com tanta frequência como, se calhar, no Euro 2008 ou no Mundial 2010 porque, desta vez, tive - e vou continuar a ter - uma página no Facebook. As entradas no blogue são extensas, exigem bastante tempo - que o diga esta, que demorou mais de uma semana! No Facebook, é tudo muito mais rápido. Mesmo quando publico uma opinião um pouco mais extensa, demoro muito menos tempo. Além de que me permitiu, não só opinar sobre quase tudo o que saiu sobre a Seleção, mas também guardá-lo para a posteridade. Mantive-me, portanto, a parte de quase tudo. Acompanhei umas quantas conferências de Imprensa em direto. Vi e escutei diversos programas sobre o assunto. Gastei quase um caderno A5 inteiro, de espessura considerável, com notas e rascunhos de entradas. Fui à televisão dar a cara pela Turma das Quinas. Festejei a vitória frente à República Checa na rua, seis anos depois da última vez que o fizera.

A única coisa que lamento não ter feito é ter visto os jogos com várias pessoas, quer fosse no Campo Pequeno ou assim ou, simplesmente, num café ou restaurante. Posso ter estado acompanhada por muitos, um pouco por todo o Mundo, através do Twitter, mas não é a mesma coisa. Eu queria ver e ouvir as reações das pessoas, em vez de apenas lê-las.


Sim, aproveitei bem. E, sobretudo, valeu a pena aproveitá-lo. Pela primeira vez desde que tenho este blogue, a Seleção Nacional fez uma campanha num campeonato de seleções que vale a pena ser recordada. Pela primeira vez, sinto que fiz bem ao ter o blogue, a página do Facebook, ao não ter deitado fora os jornais dos dias que se seguiram aos jogos. 

Tem-me deprimido um pouco, mais do que o facto de não termos ido à final, a ideia de que o Europeu já acabou, que a Seleção já não está reunida, que a atenção já está a regressar aos clubes. Isto, adicionado ao facto de ainda estar em exames, faz-me, por vezes, desejar dolorosamente que a Equipa de Todos Nós estivesse, de novo, em estágio, que me levassem com eles para lá - fisicamente, não apenas uma parte de mim. Há quem recorde que a Qualificação para o Mundial 2014 já começa em setembro mas não é a mesma coisa.

Em suma, estou em ressaca de Seleção. Há de passar.


Uma das coisas que tem ajudado é pensar no próximo Apuramento. Os nossos adversários já são conhecidos desde há um ano. Em princípio, só a Rússia nos colocará dificuldades significativas, embora suspeite que Israel e a Irlanda do Norte não sejam tão inofensivos como parecem. De qualquer forma, espero que esta Qualificação seja bem menos atribulada que as duas anteriores. Sem tropeções graves, sem grandes polémicas, sem calculadoras. Sê-lo-á, certamente. Paulo Bento parece estar de pedra e cal ao leme na Seleção. Os Marmanjos provaram ter carácter. Alguns deles, como o Cristiano Ronaldo, o Nani, o Hugo Almeida, o João Moutinho, o Raúl Meireles, o Pepe, entre outros, já jogam juntos na Seleção há alguns anos. Além disso, Paulo Bento teve o mérito de, não tenho a espinha dorsal de nenhum clube, formar uma equipa sólida a partir de jogadores de clubes e campeonatos diferentes. 

Talvez dê para assistir a um jogo. Os meus pais, pela primeira vez em vários anos, parecem recetivos à ideia - ao preço a que estão os bilhetes, não dá para ir sem financiamento parental. E, definitivamente, vou voltar a assistir a treinos abertos, assim que eles voltarem ao Jamor.


Há quem já nos considere candidatos ao título no Mundial 2014 - que é o suposto prazo de validade desta equipa. Eu não estou assim tão otimista. Tenho medo que as circunstâncias deste Europeu não se repitam, que tenhamos perdido outra boa oportunidade. Que, em 2014, as coisas não corram tão bem para o nosso lado.

No entanto, ao longo do ano passado, tal como já mencionei em entradas anteriores, pressenti - não de uma forma cem por cento racional - que a Seleção estava lentamente a fortalecer-se cada vez mais, a regressar aos seus melhores tempos, tornando o sonho cada vez menos impossível. Este Europeu confirmou tais suspeitas. Podemos ter sido travados, mas tornámo-nos grandes de novo, somos outra vez uma das melhores seleções do Mundo e não é apenas por termos o Cristiano Ronaldo.

E o meu pressentimento agora é de que continuaremos a crescer, ao longo dos próximos dois anos. De que chegaremos ao Brasil ainda mais fortes. Talvez suficientemente fortes para voltarmos a lutar pelo título. 


Por enquanto, a curto e a médio prazo, uma coisa não mudará: a Seleção continuará a ser uma das poucas coisas em que poderemos acreditar no nosso País, que retribuirá todo o apoio que lhe for dado, que nos permitirá esperar por algo de bom no futuro. Foi o que aconteceu agora, neste Europeu. As próximas alegrias serão menores, provavelmente não durarão mais do que uma noite, na maior parte dos casos. Não resolverão os problemas a ninguém. Mas se ajudar alguém a dormir melhor nessa noite, já valerá a pena.

Deixo aqui o calendário da Qualificação para o Mundial 2014:


O capítulo Euro 2012 terminou, o capítulo Mundial 2014 começa em setembro. A coisa boa disto tudo é que há sempre um campeonato de seleções a cada dois anos, há sempre um recomeço, há sempre uma nova oportunidade se lutar pelo sonho. Temos sempre desculpas para continuar a acreditar. Ainda me encontro um pouco em luto mas temos o verão para recuperar. Continuarei a atualizar a página do Facebook - não tão frequentemente como nas últimas semanas pois as notícias escassearão e poderei, inclusivamente, estar de férias sem acesso à Internet. Mas se surgir algo sobre a Seleção, falarei disso. Mantenham-se ligados. A história continuará a ser escrita em setembro. 

sábado, 23 de junho de 2012

República Checa 0 Portugal 1 - Sem impossíveis

Seis anos depois do Mundial na Alemanha - altura em que a Seleção Portuguesa de Futebol contava com jogadores como Luís Figo, Pedro Pauleta, Maniche, Deco, Ricardo Carvalho - a Turma das Quinas, desta feita, catalisada por jogadores como Cristiano Ronaldo, Nani, Hélder Postiga, Pepe, Fábio Coentrão, Raul Meireles, atingiu as meias-finais do Euro 2012.

Estas coisas começam a ser previsíveis, quase rotineiras. A Seleção entrou muito lenta na partida - parece que é mesmo impossível entrarem com toda a força desde o primeiro minuto. O que nos valeu foi o facto de, ao contrário da Holanda, a República Checa não foi capaz de tirar partido disso. Não me recordo, aliás, de uma única defesa por parte de Rui Patrício. Nunca tiveram hipótese. Assim, a Seleção acabou por ir crescendo e, após o intervalo, entrou em campo a matar. Nos primeiros dez, quinze minutos, a bola mal saiu da grande área checa. O que valeu aos checos foi o Petr Cech e... o poste. 


- O que é que o poste tem contra nós? - chegou mesmo a lamentar a minha irmã.

Até nisto, o Cristiano Ronaldo anda a quebrar recordes: até ao momento, é o jogador que mais bolas tem enviado ao ferro da baliza neste Europeu.

No entanto, de acordo com o que, na altura, me disseram no Twitter, se o cântaro vai demasiadas vezes à fonte, acaba por se partir. A quebra deu-se aos 79 minutos. Nani passa a bola a João Moutinho - que estava a fazer alto jogo, atacando, defendendo... é como se fosse o faz-tudo da Equipa das Quinas! - leva-a quase até à linha de fundo, cruza para a área e Ronaldo, com grande classe, remata de cabeça, obrigando Petr Cech a ir buscar a bola ao fundo da baliza.


Este golo também teve direito a dedicatória. Ronaldo voltou a dizer "É p'ra ti!" e, desta feita, até soprou um beijo em direção às câmaras. Só que não há certezas sobre a quem se dirigiu. Talvez fosse para o filho, para a mãe ou para a namorada. Há quem diga que foi a Messi - sem comentários... Provavelmente, nunca o saberemos. Prefiro assumir que se dirigiu a cada um de nós.


Depois do jogo, houve festa na rua. Desta feita, eu e a minha irmã juntámo-nos a eles. Pela primeira vez em seis anos, fui para a rua festejar uma vitória da Seleção - também foi a primeira vez em seis anos que a Seleção se qualificou para as meias-finais de uma grande competição, não íamos deixar passar isso em branco. Lá nos juntámos ao resto do pessoal, na mesma rotunda onde, há oito anos, estive a comemorar a presença na final do Euro 2004. Muitas bandeiras e cachecóis, pessoas penduradas nas janelas e tejadilhos dos carros, maluquices com motas, cânticos de "Portugal Allez" e mesmo do Hino Nacional, carros abanados, o autocarro urbano exibindo "Força Portugal" no letreiro eletrónico, buzinas, vuvuzelas... Quando regressámos a casa, vinha com uma dor de cabeça de todo o tamanho - mas não me importei nada com isso. Era dor de vitória. Só me doía a cabeça porque fizeram barulho. Só fizeram barulho porque Portugal está nas meias do Euro 2012.


Independentemente do que acontecer nas meias, esta campanha já pode ser considerada um sucesso. Afinal de contas, estamos entre as quatro melhores da Europa! Foi para momentos como os de quinta-feira à noite, para jogos como o de quinta-feira à noite, para conquistas como a de quinta-feira à noite que eu criei este blogue há quatro anos. Para, mais tarde, poder recordar estes momentos, para, mais tarde, falar deles aos meus netos. Contar-lhes como a Seleção conseguiu calar os pessimistas, como Cristiano Ronaldo esteve endiabrado como nunca nestes dois últimos jogos; de como Fábio Coentrão, às vezes, parece levar a Turma das Quinas às costas; de como o Moutinho parece, de facto, uma formiguinha: baixinho, mas correndo de um lado para o outro em prol da equipa; de como os veteranos Figo e Eusébio festejaram o golo do seu herdeiro, Cristiano Ronaldo; de como o Pepe é um defesa fantástico, uma grande figura na nossa Seleção, que, apesar de ser brasileiro por nascimento, faz questão de expressar, ostensivamente, o seu amor ao nosso País, sobretudo depois de marcar de como Nani, apesar de não ter marcado, ainda, neste Europeu, já contribuiu para, pelo menos, três golos da Equipa de Todos Nós; de como Varela saltou do banco e salvou o dia, frente à Dinamarca. De como tudo isto foi possível graças a um treinador jovem e relativamente inexperiente. 

No entanto, já que chegámos até aqui, quero mais. Quero que cheguemos à final de Kiev. No momento em que escrevo, ainda não se sabe quem será o nosso adversário nas meias. Prefiro a França, não tanto pela acessibilidade (que, de resto, é relativa. Uma equipa que conseguir eliminar a Espanha não pode ser subestimada), mais por vingança, para desforrar as meias-finais de 84, 2000 e 2006... ou repetir a história. Mas o mais provável é levarmos com nuestros hermanos de novo. Em todo o caso, Portugal já provou tem  capacidade de se bater como igual, ou mesmo superior, com qualquer equipa deste Europeu. Seja a Espanha, seja a França, a final de Kiev não é um objetivo inalcançável. 


A Seleção está a ter um bom trajeto, esta fase final já deu uma mão-cheia de coisas boas para recordar, sobre que escrever, mas quero ainda mais. Quero pelo menos mais uma vitória, pelo menos mais uns bons momentos sobre que escrever, para recordar. Acredito que este Europeu pode dar-nos ainda mais. Basta que a Turma das Quinas faça o que tem feito até agora (pensando melhor, convinha entrar a matar desde o primeiro minuto, não ter aquela primeira meia hora toda encolhida). Nesta fase do campeonato, não há impossíveis. Agora é a Seleção Nacional agarrar esta oportunidade e dar-nos, finalmente, um final feliz.
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