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domingo, 30 de dezembro de 2012

Seleção 2012



Mais um ano encontra-se à beira do fim, mais um ano encontra-se à beira do início. Eis a já tradicional revisão do ano.

Depois de um 2011 relativamente tranquilo, estável, tirando uma ou outra ocasião, 2012 foi de novo um ano algo agitado, com muitos altos e baixos. Não que o oposto fosse de esperar, já que foi ano de Campeonato Europeu. No início de 2012, a Seleção Nacional vinha de uma Qualificação difícil mas triunfante, com um encerramento particularmente apoteótico. Tal euforia fora, contudo, contrariada pelo sorteio da fase de grupos, que ditara que Portugal partilharia o grupo com a Alemanha - vice-campeã europeia - a Holanda - vice-campeã mundial - e a Dinamarca - seleção que nos complicara a vida à grande e à dinamarquesa nas últimas duas fases de Qualificação.


O primeiro jogo da Seleção do ano deu-se a 29 de fevereiro; um particular frente à Polónia, ma das anfitriãs do Europeu, a propósito da inauguração de um dos estádios que serviria de palco à fase final. A calendarização deste jogo provocou alguma polémica, visto este ter-se realizado apenas dois dias antes do Benfica-Porto - os jogos da Seleção nunca são convenientes, pelo que se vê. Esta foi a primeira oportunidade que a Turma das Quinas teve para se reunir em mais de cem dias, a última oportunidade que Paulo Bento teria de estar com os jogadores antes da Divulgação dos Convocados antes do Euro 2012.

Este jogo ficou marcado pela estreia de Nélson Oliveira entre os Convocados, bem como da nova presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Humberto Coelho e João Pinto passaram a fazer parte da comitiva. Embora não possa avaliar o trabalho da FPF noutros ramos do futebol, tenho de admitir que durante o Euro 2012, a estrutura federativa fez um bom trabalho na Seleção. O que provavelmente contribuiu para o bom percurso que fizemos.


Mas regressemos ao Portugal x Polónia. Aquando deste jogo, aparentemente, a atmosfera era positiva dentro da Seleção. Aquando deste jogo aparentemente, a atmosfera era positiva dentro da Seleção. Os jogadores pareciam felizes por estarem de novo juntos, pareciam possuir espírito vencedor e motivação para fazerem um bom particular.

Tais promessas ficaram por cumprir.

O particular, que terminou com o marcador inalterado, revelou-se igual a tantos outros realizados pela Seleção ao longo dos últimos anos. A primeira parte foi boa, com algum carácter, a segunda não foi tão boa. Destacaram-se Nani e Rui Patrício. As muitas oportunidades falhadas davam os primeiros indícios dos problemas na finalização que assombraram a Equipa das Quinas ao longo de praticamente todo o ano.


Tais problemas são, para mim, o maior enigma deste ano. Durante todo o Apuramento a finalização nunca foi um problema, nós terminámos 2011 com uma goleada, que aconteceu em 2012?

Ninguém pareceu demasiado preocupado com tais sinais, quase ninguém levou o particular a sério. A temporada de clubes estavam bem ativa, o Europeu estava demasiado distante no tempo para que alguém perdesse demasiado tempo pensando num particular da Seleção.


As atenções só se voltaram a sério para a Turma das Quinas mais de dois meses depois. Os Convocados para o Europeu foram anunciados a 14 de maio. Esse foi, definitivamente, um dos dias mais emocionantes de 2012, melhor do que o Natal. Guardo imensas recordações: passar o dia a atualizar a página do Facebook, ouvir programas relativos ao tema na rádio, contar as horas até à Divulgação, acompanhá-la radiofonicamente, bem como o respetivo rescaldo, na aula, no átrio da Faculdade, no carro. A Convocatória foi razoavelmente isenta de polémicas, embora a opinião pública se dividisse no tocante a certos nomes, como o habitual.

O estágio de preparação do Europeu começou alguns dias mais tarde. A primeira parte decorreu sem incidentes significativos, tirando a lesão de Carlos Martins e consequente chamada de Hugo Viana. Nessa altura, achei mesmo que andava-se a dedicar demasiado tempo de antena à Seleção, quando ainda não havia razões para tal.


Ao fim da primeira semana de estágio, disputou-se um particular com a Macedónia. Um jogo aborrecido, insonso, de contenção. No entanto, tendo-se realizado numa fase relativamente precoce da preparação para o Europeu, não houve grande drama.

O mesmo não aconteceu uma semana mais tarde, no particular com a Turquia, na Luz. Um jogo que tinha tudo para correr bem, que se realizou em casa cheia, num ambiente eletrizante. E a Seleção até entrou menos mal, em sintonia com a vibração do público. Só que as dificuldades na concretização vieram ao de cima, os turcos fizeram pela vida, o Ronaldo falhou um penálti, o último golo que sofremos podia muito bem ser incluído numa compilação de apanhados do futebol de 2012 


Agora que penso nisso, este ano tivemos demasiados jogos desse género, em que tínhamos tudo para ganhar mas acabámos por ter exibições roçando a mediocridade. Contra a Macedónia, contra a Turquia, contra a Irlanda do Norte...

A única coisa boa do jogo foi o golo do Nani; o primeiro golo da Seleção do ano - em junho... - mas o único do jogador do Manchester United, algo que é atípico...

Se ainda deixei passar o empate com a Macedónia, este deixou-me mesmo zangada. Por, depois de tanta promessa, tanto pedido de apoio, os Marmanjos não corresponderem dentro de campo. E, como se não bastasse, ainda virem com desculpas esfarrapadas e reagirem com arrogância às manifestações de desagrado dos adeptos (leia-se: aos assobios). E não fui a única a sentir-me assim.



Mas já lá vamos. Não posso deixar de falar da minha aparição no programa A Tarde é Sua dedicado à Equipa das Quinas. Outro dos momentos altos deste ano em termos pessoais. Foi um dia de muitos nervos, mas diverti-me imenso. Tive a oportunidade de conhecer a equipa por detrás do Hino da Seleção 2012 - Paulo Lima, Catarina Rocha (que lança em breve o seu primeiro CD), Eduardo Jorge, a Alexandra e a Mafalda - que, de resto, para mim foi uma das músicas mais marcantes deste ano; falei do meu livro, da referência ao Ronaldo - um aparte só para comentar que, hoje, diz-se muito que ele e o Messi são de outra galáxia. Talvez inclua a possibilidade de o Ronaldo ter vindo do planeta Minerva nas sequelas ao meu livro... - do vírus da Seleção, do Hélder Postiga - que, mais tarde, retribuiria tais declarações. Um dia que nunca esquecerei.

Estávamos, agora, em vésperas da nossa estreia no Europeu e a polémica estalou. Como é habitual, as primeiras críticas abriam caminho a outras, algumas justificando-se outras não, tudo isto à boleia dos últimos maus resultados - o buraco por onde todos se enfiaram. Falou-se de "circo", do poder das patrocinadoras, dos sinais exteriores de riqueza ostensivamente exibidos pelos jogadores, do tempo de antena conferido à Seleção, etc. O mais triste foi termos tido um ex-selecionador associado a tal polémica.


Há quem diga que esta má imprensa contribuiu para diminuir as expectativas, para dar alguma sobriedade ao grupo, aumentando-lhes o desempenho. Paulo Bento recusou-se a dar mérito às pessoas que se alimentaram das machadadas à credibilidade da Equipa das Quinas. Eu também não quero fazê-lo, em parte por uma questão de princípio, em parte porque, a ter contribuído para o sucesso da Seleção, tal contributo terá sido pouco significativo quando comparado com o trabalho de equipa, a união.

Por outro lado, não concordo com o que o Paulo Bento disse, a certa altura, ao referir que algumas pessoas estariam a torcer contra Portugal. Se houve coisa de que me apercebi neste Europeu, pela primeira vez em seis anos, foi que, nas grandes vitórias da Seleção, todos os portugueses ficam felizes. Mesmo os que habitualmente adoram odiar a Equipa de Todos Nós, mesmo os mais clubistas, mesmo os que se queixam da atenção dada ao futebol, mesmo - sou capaz de apostar - o Rui Santos, tirando, talvez, o Pinto da Costa (e mesmo assim...) ninguém ficou chateado com as vitórias da Seleção no Euro 2012. Isso foi o melhor desta fase final e é isso que eu e o Paulo Bento gostávamos de ver fora das fases finais.


Mas regressemos à nossa estreia no Europeu, frente à Alemanha. Um jogo que perdemos por uma bola a zero. Não foi um mau encontro, Portugal mostrou argumentos. Só que teve demasiado respeito pelo adversário, acordou demasiado tarde e a Alemanha foi tremendamente eficaz. De novo a história dos "vinte e dois homens atrás de uma bola e no fim ganha a Alemanha" de novo. Destaque para os quase-golos de Pepe, Nani e Varela. O deste último dando um presságio para o jogo seguinte. Portugal dava sinais de ter uma palavra a dizer no Europeu. No entanto, vitórias morais nunca são suficientes, já era altura de virmos cumpridas as promessas que andavam a ser feitas.


A história do jogo com a Dinamarca, realizado quatro dias mais tarde, foi diferente. Foi o meu preferido do Europeu, empolgante como apenas os jogos da Seleção em fases finais conseguem ser, absolutamente contra-indicado em doentes cardiovasculares, um dos mais emocionantes a que já assisti. Pelo menos, foi um dos jogos em que mais exprimi tais emoções - leia-se, o jogo em que mais gritei. Recordo o Pepe beijando as Quinas da sua camisola, os meus gritos de "ESTE É P'RA MIM! ESTE É P'RA MIM!" após o golo do Hélder Postiga, o Moutinho correndo para os braços do Varela depois de ele salvar o dia - com o meu golo preferido do Europeu - antes de a Seleção em peso se atirar para cima deles, eu e a minha irmã gritando como se não houvesse dia seguinte, de triunfo e alívio por estarmos de novo em vantagem quando tudo parecia perdido.


A passagem aos quartos-de-final, só foi assegurada quatro dias mais tarde, frente à Holanda. Um jogo em que a Turma das Quinas entrou mal, mais uma vez, mas conseguiu dar a volta por cima, ganhando por 2-1. Ambos os golos foram marcados por Cristiano Ronaldo, que soube responder da melhor forma às críticas ao seu desempenho frente à Dinamarca. Portugal conseguia, assim, o que muitos haviam julgado quase impossível: sobreviver ao Grupo da Morte.


Nos quartos-de-final, Portugal encontrou-se com a República Checa. A Seleção entrou mal, uma vez mais, só que os checos não souberam tirar proveito disso e os Marmanjos acabaram por melhorar. Apenas Peter Cech e o poste impediram uma vitória mais dilatada. Assim, ganhámos por apenas 1-0, golo de Crsitiano Ronaldo, mais uma vez. Destaque para os festejos de Luís Figo e Eusébio nas bancadas. A Seleção carimbava, assim, a passagem às meias-finais do Europeu. Era o maior avanço numa fase final em seis anos, a primeira campanha digna de orgulho desde o Mundial 2006.


O nosso adversário nas meias foi a Espanha, a campeã europeia e mundial. Atrevo-me a dizer que foi, talvez, o jogo que maior interesse despertou em todo o campeonato Europeu. Lembro-me dos tweets do Phoenix dos Linkin Park, do Chuck Comeau dos Simple Plan, do apoio da eterna adepta portuguesa Nelly Furtado. Foi, sem dúvida, um dos jogos mais intensos desta fase final, sofrimento desde o primeiro minuto ao último penálti. Foi, no fundo, a verdadeira final do Europeu, pois fomos a única equipa a conseguir fazer frente ao poderio espanhol. Apenas perdemos por um detalhe, por um pormenor tornado pormaior, até Del Bosque admitiu, há bem pouco tempo, que os espanhóis tiveram sorte. 

Mas eu sempre tive noção disso, que muitos jogos entre grandes se decidem no limite, não podemos tirar o mérito à Espanha pelo seu terceiro título consecutivo. 


Algo que não mencionei antes aqui no blogue foi que, no dia a seguir à meia-final frente à Espanha, à tarde, fui receber a Seleção ao aeroporto da Portela. Eu e mais umas centenas de pessoas. Não falei disso no blogue por falta de tempo. Se forem a ver, só consegui publicar a minha análise ao jogo com a Espanha vários dias após a final do Europeu. Já foi uma entrada grande, que demorou a ser escrita, se ainda tivesse de acrescentar mais uns quantos parágrafos, demoraria outra semana a concluí-la. Tomei a decisão de ir até à Portela por estar stressada e deprimida, de certa forma na ressaca da nossa expulsão do Europeu. O único consolo possível seria mesmo fugir para junto da Seleção. Não foi como ir ver um treino ao Jamor. Mais do que pedir autógrafos, o que eu queria mesmo era consolar os jogadores e que eles me consolassem a mim. Muitas vezes desejaria eu, mais tarde, largar tudo e ir ter com a Seleção - e ainda desejo de vez em quando. A diferença era que, naquela altura, tinha possibilidades de fazê-lo. Por fim, seria um último bom momento antes de dar por encerrado o capítulo do Euro 2012.

Por isso fui. Apanhei o Metro até ao Marquês de Pombal e, de seguida, o autocarro 22 - isto deu-se, mais ou menos, uma ou duas semanas antes de abrir o Metro até ao aeroporto Cheguei deviam ser quatro e meia. Já havia gente fazendo a festa na zona das chegadas e câmaras televisivas testemunhando-a. Mantive-me longe das lentes delas, não estava com disposição. Cedo consegui fixar-me junto à rampa de saída, onde já estava montado um cordão policial. Aqui, conheci a Verónica e a Margarida, que me fizeram companhia durante as duas horas de espera. Durante esse intervalo de tempo que se ia esticando - nestas coisas há sempre atrasos - a multidão ia sempre ensaiando palavras de ordem e cantando o hino.


Eles finalmente chegaram eram cerca de seis e meia da tarde. Mais tarde, leria que os jogadores tinham sido apanhados de surpresa e, por acaso, foi o que pareceu. Eu estava numa posição privilegiada, em pude ver e ser vista pelos jogadores. E, mesmo assim, podia ter tido melhor sorte pois o Cristiano Ronaldo esteve a dar autógrafos a uns dois metros de mim. Em todo o caso, eu tinha um letreiro, uma folha arrancada de um caderno A4 onde tinha escrito algo como "Obrigado Portugal! Paulo Bento 4 Ever! Somos grandes graças a  vocês!". Acho que consegui fazer com que fosse lido pelo Eduardo, pelo Ricardo Costa, pelo Hélder Postiga - este chegou mesmo a olhar para mim quando o chamei. O Quaresma, que usava um boné todo quitado, chegou mesmo a piscar-me o olho. Entretanto, na confusão, o cordão policial tinha-se desfeito e consegui aproximar-me do Nani. Mas como este abraçava uma miudinha que devia ser irmã dele ou algo do género, não tive lada de ir incomodá-lo.


Depois daí para o exterior, juntamente com o resto da multidão, rodeando o autocarro. Aqui cantou-se o hino e gritou-se:

- O-BRI-GA-DO! O-BRI-GA-DO!

Foi, de facto, arrepiante. A multidão só se dispersou depois de o autocarro ter partido. Depois disso, fui tratar de arranjar transporte de regresso. A confusão era grande junto às paragens de autocarro, como seria de esperar. Lá pelo meio, consegui encontrar a Margarida - aquando da chegada dos jogadores, tínhamo-nos separado - e agradecer-lhes a companhia. Ainda cheguei a pôr a hipótese de apanhar um táxi mas, entretanto, veio o autocarro 22 e entrei. E ainda bem que o fiz.


O 22 estava cheio de gente tinha vindo receber a Seleção, pelo que passámos a viagem inteira até ao Marquês de Pombal trocando experiências com os Marmanjos no aeroporto, conversando sobre o Europeu e sobre a caminhada até ao Mundial, que se iniciaria em breve. Foi, de certa forma, a última grande conversa de café do Euro 2012 que, ainda por cima, terminou com o senhor que vinha a meu lado a beijar-me a mão em jeito de despedida.

Tal gesto foi-me tão valioso como cada um dos olhares trocados com os jogadores no aeroporto.

Esta pequena aventura ajudou-se a renovar a esperança num título para Portugal a curto ou médio prazo e a encerrar o capítulo do Euro 2012. Além de ter sido mais uma recordação agradável. Foi como quando fui receber a Seleção ao Jamor após o Mundial 2006.


Em suma, o Euro 2012 foi o melhor período deste ano que agora finda. Pelos motivos que enumero frequentemente e outros mais, que descobri ou de que me recordei. É uma emoção diferente ver um jogo de um Europeu ou de um Mundial, já que agrega todo o País, tal como já expliquei acima. Tenho saudades disso, de participar em inúmeras conversas de café e não só, armando-me em especialista na matéria, tão especialista que até fora convidada para a televisão; de ver o Paulo Bento no banco, dando instruções, atirando com o blazer e a gravata, envolvendo-se tanto que parecia querer entrar em campo e ele mesmo fazer o que era preciso; dos jogos às oito menos um quarto; de ver os jogos com a minha irmã, etc. De vez em quando, vou ver os tweets enviados durante os jogos e sou transportada para esse período. Entro de tal forma no espírito que, quando regresso ao presente, sinto-me deprimida, como se acordasse de um sonho bom.

Em agosto, tendo em conta o nosso percurso no Europeu, tinha esperança de que a Qualificação para o Campeonato do Mundo, a realizar-se no Brasil e 2014, corresse melhor que as Qualificações anteriores. Tal esperança sair-me-ia furada mais tarde, mas antes do início do Apuramento sentia-me otimista. Para isso, contribuíra a minha visita ao Jamor, acompanhada da minha irmã - visita que nos rendeu autógrafos do Eduardo, do João Pereira e do Rui Patrício - bem como o jogo com o Panamá - jogo que a Seleção ganhou por duas bolas a zero, cortesia de Nélson Oliveira e Cristiano Ronaldo, com uma exibição acima da média em jogos deste carácter. 


A Qualificação em si arrancou cerca de três semanas mais tarde com um jogo frente ao Luxemburgo. A Seleção obteve uma vitória cinzenta, absurdamente suada tendo encontra o nosso adversário. Chegou mesmo a estar a perder. Na altura, achei ridículo mas agora, depois dos últimos jogos... De qualquer forma, a Seleção conseguiu dar a volta ao resultado, com golos marcados pelo Cristiano Ronaldo e pelo Hélder Postiga amealhando, deste modo, os primeiros três pontos da Qualificação.

Um aparte só para comentar que, este ano, o Cristiano foi o melhor marcador da Seleção, com cinco golos. O segundo melhor foi o Hélder, com quatro. Em terceiro, ficou o Varela, com dois.


A Seleção entrou em campo com a sua congénere azeri quatro dias mais tarde com uma atitude diferente, mais desenvolta, mais enérgica mas... ainda sem pontaria. Ou melhor, com pontaria mas para o sítio errado. O poste foi um dos grandes protagonistas de 2012. O que nos valeu foi o facto de os azeris não terem sido capazes de se aproveitarem desta nossa fraqueza. Assim, teve de vir o Varela, já promovido a bombeiro da Seleção, salvar a honra ao convento e quebrar o enguiço, dando espaço a Postiga e a Bruno Alves para dilatarem a vantagem. 


No mês seguinte, a seleção jogou fora, com a Rússia. Fê-lo num clima frio, num relvado artificial, amputada de dois titulares  - Meireles e Coentrão. Um jogo difícil, em que a Turma das Quinas nem sequer jogou muito mal, embora não tenha conseguido evitar a derrota pela margem mínima. Apesar do desapontamento por não termos ganhou ou, pelo menos, empatado, não me preocupei por aí além. Afinal, aquele era o jogo mais difícil de todo o Apuramento. Os outros correriam melhor.


Enganava-me. Verdadeira deceção, verdadeiro balde de água fria foi o jogo seguinte, frente à Irlanda do Norte. Foi mais um daqueles jogos que tinha tudo para correr bem - comemoravam-se as cem internacionalizações de Cristiano Ronaldo, o Dragão estava cheio, Rui Reininho veio cantar o hino - mas que correu pessimamente. A primeira parte foi medíocre. O golo sofrido foi uma reposição do tento russo. A segunda parte correu um pouco melhor mas, mais uma vez, os Marmanjos acordaram demasiado tarde para conseguirem melhor que um empate.

Ainda houve mais um jogo da Equipa das Quinas este ano, um particular contra o Gabão no mês seguinte, mas um jogo de tal maneira e em tantos aspetos irrelevante que não vou gastar mais linhas com ele.


É basicamente isto. Sinto-me algo desanimada. Nos últimos dois anos, por esta altura, a Seleção atravessava bons momentos e eu sentia-me otimista relativamente ao ano que começaria em breve. Agora... nem por isso. O ano nem sempre foi fácil para mim, muitos pensamentos heréticos, crises existenciais, desânimo relativamente ao futuro. Os últimos jogos da Seleção não me fazem sentir melhor e, neste momento, na reta final do ano, muitos dos nossos jogadores andam, igualmente, a passar por dificuldades nos respetivos clubes. O Nani está lesionado e não é desejado no Manchester United. O Fábio Coentrão também anda lesionado e ainda não se percebe se se encaixa no Real Madrid. Além de que, segundo consta, o ambiente não está fácil no clube madrileno, o que certamente afetará Pepe e Cristiano Ronaldo. Também o Quaresma andou ao longo de meses em guerra com o Besiktas e, agora, está sem clube. O Meireles, esse, teve uma disputa com um árbitro, arriscou-se a ficar de fora de onze jogos mas, felizmente, ficará apenas fora de quatro. E nem falo do Sporting e no efeito que tal crise não estará a ter em Rui Patrício e outros jogadores selecionáveis...

Não sei qual será o efeito destas crises individuais no rendimento da Seleção como coletivo. Se o desempenho cairá por os Marmanjos não andarem a jogar com a devida regularidade ou se, pelo contrário, eles recorrerão à Terapia das Quinas, se encararão uma Convocatória como um escape à situação nos clubes e, consequentemente, jogarem ainda melhor.


Em suma, estamos todos a precisar de uma viragem de maré no ano que começa em breve. Já ajudava se fosse apenas em termos futebolísticos, se relançasse a Seleção no caminho até ao Brasil. Já perdemos todos os pontos que podia perder, não quero escorregadelas em 2013. Até porque tenciono assistir ao jogo com a Rússia, na Luz, e quero que a Seleção esteja num bom momento nessa altura. Será esse um dos meus desejos para 2013: que seja um ano mais tranquilo que 2012, que a Equipa de Todos Nós consiga ultrapassar esta fase má e que nos volte a dar alegrias.

Acredito que o conseguirá. Se houve coisa que aprendi em todos estes anos como adepta hardcore da Turma das Quinas é que nenhuma manifestação de fé, de apoio, é tempo perdido, mesmo em fases menos boas, como esta. Porque, mais cedo ou mais tarde, a Seleção levanta-se e recompensa-o. Pode nem sempre ser fácil ser-se adepto incondicional mas vale a pena. 

De uma coisa podem, contudo, ter a certeza: no próximo ano, continuarei a acompanhar tudo o que acontecer relacionado com a Seleção, seja bom ou mau, quer com o blogue ou com a página do Facebook. Desafio-vos, então, a continuarem a aturar-me ao longo do próximo ano, enquanto observamos a Seleção abrindo caminho até ao Brasil. As coisas não estão fáceis mas, com sorte, daqui a um ano estaremos a debater as nossas hipóteses na fase final do Campeonato do Mundo de 2014. É esse um dos meus maiores desejos para 2013.

Feliz Ano Novo!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Portugal 0 Espanha 0 (4-2 após penáltis) - Travados


O Campeonato da Europa de Futebol, que se realizou na Polónia e na Ucrânia, já acabou há alguns dias, o jogo das meias-finais que opôs a Seleção Portuguesa de Futebol à sua congénere espanhola já se realizou há mais de uma semana. Devia ter publicado bem mais cedo, mas tem-me faltado tempo. É a velha questão das fases finais em época de exames. Aquando dos outros jogos, era catalisada pela necessidade de publicar antes do jogo seguinte. Mas agora...

Tal como se previa, o jogo despertou interesse um pouco por todo o planeta. Os olhos do Mundo estiveram pousados em Donetsk. Dave Phoenix Farrel, dos Linkin Park - mais conhecido por, simplesmente, Phoenix - afirmou no Twitter não saber por quem torcer. Chuck Comeau, dos Simple Plan, estava aflito por não ter maneira de ver o jogo, acabou por seguir os penáltis via rádio. Por sua vez, a Nelly Furtado, da eterna "Força" do Euro 2004, não teve problemas em dizer que estava a torcer por nós. Parece, inclusivamente, que o jogo bateu recordes de audiência televisiva, tanto cá em Portugal como em Espanha.


Vou ter saudades disso. De ter a Seleção no centro das atenções, sobretudo quando se começou a perceber que os portugueses tinham uma palavra a dizer neste Europeu. Dos programas de rádio e televisão sobre o assunto - mesmo que, em certas alturas, me tenham parecido exagerados. De estar na Faculdade, nos cafés, no Metro, no comboio, no autocarro, escutando por acaso conversas alheias sobre a Seleção, por vezes metendo-me nelas. Das bandeiras. Das publicações no Facebook. De ver o nome do País, o nome dos nossos jogadores, nos Trending Topics do Twitter. De ver os jogos com a minha irmã, de ela conhecer pelo metade dos jogadores pelo nome, de consultar a caderneta de cromos para saber o peso e a altura de cada um deles, para se ter uma ideia do que terá sido quando um dos nossos levavam com um adversário em cima.  Da blusa vermelha que usei no "A Tarde é Sua" e em todos os dias de jogos.  Do meu velho cachecol. De ver pessoas que, em circunstâncias normais, pouco ligariam ao futebol, tão entusiasmadas quanto eu.


Mas regressemos ao jogo antes de irmos por aí. Que, como seria de esperar, foi muito intenso, inadequado para cardíacos. Muita gente se queixou no Twitter ao longo de todo o encontro. Cedo, faríamos companhia a Eusébio...

Os primeiros noventa minutos foram muito equilibrados. Portugal foi a primeira - e única - equipa que conseguiu contrariar o tiki-taka espanhol neste Europeu. Dou graças à nossa defesa por tal feito, com destaque para Pepe e Rui Patrício. O primeiro surgia quase sempre que nuestros hermanos se aproximavam da nossa grande área. O segundo defendeu várias. Eu cheguei a pedir a canonização de ambos, comecei a chamá-los São Pepe e São Patrício, os nossos salvadores...


O pior é que a defesa espanhola não era inferior. O maldito Iker Casilhas agarrava todas!

Tirando isso, Portugal foi dominante durante quase todo o encontro. Mesmo no prolongamento, quando os nossos já estavam a meio-gás e os espanhóis começaram a encostar-nos ao nosso meio-campo, a nossa defesa continuava suficientemente organizada para lhes anular os ataques.

Cedo se percebeu que a coisa só se resolveria nos penáltis. E ninguém se sentia particularmente feliz com isso. Desempatando o jogo dessa forma, tudo podia acontecer - tinha noção disso mesmo antes do fim do prolongamento. Não acho que os penáltis sejam propriamente uma lotaria, mas, na minha opinião, são trinta por cento perícia, quarenta por cento estado psicológico e emocional, tanto do guarda-redes como do marcador, quarenta por cento sorte.


A coisa até começou bem para o nosso lado, com o Rui Patrício a defender a primeira grande penalidade dos espanhóis. São Patrício, São Patrício... Pena foi João Moutinho ter estragado tudo. Quando ele ia bater o penálti, recordei-me, inevitavelmente, de um jogo da Taça de Portugal há alguns anos, entre o Sporting e o F.C.Porto, em que o Moutinho falhara o primeiro penálti de um desempate semelhante, decidindo o desfecho do jogo. Lembrei-me de o meu pai comentar que fora má ideia colocar tal pressão, tal responsabilidade, nos ombros de um jogador na altura tão jovem. Contudo, disse a mim própria que isso não significava nada, que o Moutinho já não tinha vinte anos, que ele era capaz de dar conta do recado. Ledo engano. Casilhas era demasiado bom.


Depois o penálti do Bruno Alves foi à trave. Não sei se foi por nervosismo do nosso defesa, se foi simplesmente azar. Voto na segunda - os ferros na baliza acabaram por ser os nossos maiores opositores neste Europeu. E os exemplos abundam. De tal forma que, como que para que não houvesse dúvidas de que os limites metálicos das balizas estavam contra nós, o remate de Fabregas também foi ao poste... mas a bola entrou, à mesma!


Talvez agora compreendam o título "Travados". A trave expulsou-nos do Europeu, mais do que os espanhóis!


Entretanto, já o Europeu terminou, já a Espanha se sagrou campeã, tornando-se a primeira seleção a conquistar três títulos consecutivos. Os italianos não tiveram qualquer hipótese, foram completamente cilindrados. A verdadeira final foi em Donetsk, connosco. Nós fomos a única equipa capaz de fazer frente aos espanhóis.

Contudo, não foi suficiente. Eu sabia que ia ser assim. Já tinha alertado para tal aqui no blogue, até mesmo antes do Europeu: nestes jogos, não chega jogar melhor, os desfechos são definidos com base em detalhes, em pormenores tornados pormaiores. Mas também é aquela: não se podia exigir muito mais aos jogadores portugueses.

Como muitos diriam, o futebol tem destas coisas.


Isto coloca um ponto final no Europeu da Polónia e da Ucrânia, nestas semanas gloriosas em que a Seleção esteve reunida, em que foi rainha e senhora das nossas atenções. Acho que aproveitei bem este mês e meio, mais coisa menos coisa. Não escrevi cá no blogue com tanta frequência como, se calhar, no Euro 2008 ou no Mundial 2010 porque, desta vez, tive - e vou continuar a ter - uma página no Facebook. As entradas no blogue são extensas, exigem bastante tempo - que o diga esta, que demorou mais de uma semana! No Facebook, é tudo muito mais rápido. Mesmo quando publico uma opinião um pouco mais extensa, demoro muito menos tempo. Além de que me permitiu, não só opinar sobre quase tudo o que saiu sobre a Seleção, mas também guardá-lo para a posteridade. Mantive-me, portanto, a parte de quase tudo. Acompanhei umas quantas conferências de Imprensa em direto. Vi e escutei diversos programas sobre o assunto. Gastei quase um caderno A5 inteiro, de espessura considerável, com notas e rascunhos de entradas. Fui à televisão dar a cara pela Turma das Quinas. Festejei a vitória frente à República Checa na rua, seis anos depois da última vez que o fizera.

A única coisa que lamento não ter feito é ter visto os jogos com várias pessoas, quer fosse no Campo Pequeno ou assim ou, simplesmente, num café ou restaurante. Posso ter estado acompanhada por muitos, um pouco por todo o Mundo, através do Twitter, mas não é a mesma coisa. Eu queria ver e ouvir as reações das pessoas, em vez de apenas lê-las.


Sim, aproveitei bem. E, sobretudo, valeu a pena aproveitá-lo. Pela primeira vez desde que tenho este blogue, a Seleção Nacional fez uma campanha num campeonato de seleções que vale a pena ser recordada. Pela primeira vez, sinto que fiz bem ao ter o blogue, a página do Facebook, ao não ter deitado fora os jornais dos dias que se seguiram aos jogos. 

Tem-me deprimido um pouco, mais do que o facto de não termos ido à final, a ideia de que o Europeu já acabou, que a Seleção já não está reunida, que a atenção já está a regressar aos clubes. Isto, adicionado ao facto de ainda estar em exames, faz-me, por vezes, desejar dolorosamente que a Equipa de Todos Nós estivesse, de novo, em estágio, que me levassem com eles para lá - fisicamente, não apenas uma parte de mim. Há quem recorde que a Qualificação para o Mundial 2014 já começa em setembro mas não é a mesma coisa.

Em suma, estou em ressaca de Seleção. Há de passar.


Uma das coisas que tem ajudado é pensar no próximo Apuramento. Os nossos adversários já são conhecidos desde há um ano. Em princípio, só a Rússia nos colocará dificuldades significativas, embora suspeite que Israel e a Irlanda do Norte não sejam tão inofensivos como parecem. De qualquer forma, espero que esta Qualificação seja bem menos atribulada que as duas anteriores. Sem tropeções graves, sem grandes polémicas, sem calculadoras. Sê-lo-á, certamente. Paulo Bento parece estar de pedra e cal ao leme na Seleção. Os Marmanjos provaram ter carácter. Alguns deles, como o Cristiano Ronaldo, o Nani, o Hugo Almeida, o João Moutinho, o Raúl Meireles, o Pepe, entre outros, já jogam juntos na Seleção há alguns anos. Além disso, Paulo Bento teve o mérito de, não tenho a espinha dorsal de nenhum clube, formar uma equipa sólida a partir de jogadores de clubes e campeonatos diferentes. 

Talvez dê para assistir a um jogo. Os meus pais, pela primeira vez em vários anos, parecem recetivos à ideia - ao preço a que estão os bilhetes, não dá para ir sem financiamento parental. E, definitivamente, vou voltar a assistir a treinos abertos, assim que eles voltarem ao Jamor.


Há quem já nos considere candidatos ao título no Mundial 2014 - que é o suposto prazo de validade desta equipa. Eu não estou assim tão otimista. Tenho medo que as circunstâncias deste Europeu não se repitam, que tenhamos perdido outra boa oportunidade. Que, em 2014, as coisas não corram tão bem para o nosso lado.

No entanto, ao longo do ano passado, tal como já mencionei em entradas anteriores, pressenti - não de uma forma cem por cento racional - que a Seleção estava lentamente a fortalecer-se cada vez mais, a regressar aos seus melhores tempos, tornando o sonho cada vez menos impossível. Este Europeu confirmou tais suspeitas. Podemos ter sido travados, mas tornámo-nos grandes de novo, somos outra vez uma das melhores seleções do Mundo e não é apenas por termos o Cristiano Ronaldo.

E o meu pressentimento agora é de que continuaremos a crescer, ao longo dos próximos dois anos. De que chegaremos ao Brasil ainda mais fortes. Talvez suficientemente fortes para voltarmos a lutar pelo título. 


Por enquanto, a curto e a médio prazo, uma coisa não mudará: a Seleção continuará a ser uma das poucas coisas em que poderemos acreditar no nosso País, que retribuirá todo o apoio que lhe for dado, que nos permitirá esperar por algo de bom no futuro. Foi o que aconteceu agora, neste Europeu. As próximas alegrias serão menores, provavelmente não durarão mais do que uma noite, na maior parte dos casos. Não resolverão os problemas a ninguém. Mas se ajudar alguém a dormir melhor nessa noite, já valerá a pena.

Deixo aqui o calendário da Qualificação para o Mundial 2014:


O capítulo Euro 2012 terminou, o capítulo Mundial 2014 começa em setembro. A coisa boa disto tudo é que há sempre um campeonato de seleções a cada dois anos, há sempre um recomeço, há sempre uma nova oportunidade se lutar pelo sonho. Temos sempre desculpas para continuar a acreditar. Ainda me encontro um pouco em luto mas temos o verão para recuperar. Continuarei a atualizar a página do Facebook - não tão frequentemente como nas últimas semanas pois as notícias escassearão e poderei, inclusivamente, estar de férias sem acesso à Internet. Mas se surgir algo sobre a Seleção, falarei disso. Mantenham-se ligados. A história continuará a ser escrita em setembro. 

sábado, 23 de junho de 2012

República Checa 0 Portugal 1 - Sem impossíveis

Seis anos depois do Mundial na Alemanha - altura em que a Seleção Portuguesa de Futebol contava com jogadores como Luís Figo, Pedro Pauleta, Maniche, Deco, Ricardo Carvalho - a Turma das Quinas, desta feita, catalisada por jogadores como Cristiano Ronaldo, Nani, Hélder Postiga, Pepe, Fábio Coentrão, Raul Meireles, atingiu as meias-finais do Euro 2012.

Estas coisas começam a ser previsíveis, quase rotineiras. A Seleção entrou muito lenta na partida - parece que é mesmo impossível entrarem com toda a força desde o primeiro minuto. O que nos valeu foi o facto de, ao contrário da Holanda, a República Checa não foi capaz de tirar partido disso. Não me recordo, aliás, de uma única defesa por parte de Rui Patrício. Nunca tiveram hipótese. Assim, a Seleção acabou por ir crescendo e, após o intervalo, entrou em campo a matar. Nos primeiros dez, quinze minutos, a bola mal saiu da grande área checa. O que valeu aos checos foi o Petr Cech e... o poste. 


- O que é que o poste tem contra nós? - chegou mesmo a lamentar a minha irmã.

Até nisto, o Cristiano Ronaldo anda a quebrar recordes: até ao momento, é o jogador que mais bolas tem enviado ao ferro da baliza neste Europeu.

No entanto, de acordo com o que, na altura, me disseram no Twitter, se o cântaro vai demasiadas vezes à fonte, acaba por se partir. A quebra deu-se aos 79 minutos. Nani passa a bola a João Moutinho - que estava a fazer alto jogo, atacando, defendendo... é como se fosse o faz-tudo da Equipa das Quinas! - leva-a quase até à linha de fundo, cruza para a área e Ronaldo, com grande classe, remata de cabeça, obrigando Petr Cech a ir buscar a bola ao fundo da baliza.


Este golo também teve direito a dedicatória. Ronaldo voltou a dizer "É p'ra ti!" e, desta feita, até soprou um beijo em direção às câmaras. Só que não há certezas sobre a quem se dirigiu. Talvez fosse para o filho, para a mãe ou para a namorada. Há quem diga que foi a Messi - sem comentários... Provavelmente, nunca o saberemos. Prefiro assumir que se dirigiu a cada um de nós.


Depois do jogo, houve festa na rua. Desta feita, eu e a minha irmã juntámo-nos a eles. Pela primeira vez em seis anos, fui para a rua festejar uma vitória da Seleção - também foi a primeira vez em seis anos que a Seleção se qualificou para as meias-finais de uma grande competição, não íamos deixar passar isso em branco. Lá nos juntámos ao resto do pessoal, na mesma rotunda onde, há oito anos, estive a comemorar a presença na final do Euro 2004. Muitas bandeiras e cachecóis, pessoas penduradas nas janelas e tejadilhos dos carros, maluquices com motas, cânticos de "Portugal Allez" e mesmo do Hino Nacional, carros abanados, o autocarro urbano exibindo "Força Portugal" no letreiro eletrónico, buzinas, vuvuzelas... Quando regressámos a casa, vinha com uma dor de cabeça de todo o tamanho - mas não me importei nada com isso. Era dor de vitória. Só me doía a cabeça porque fizeram barulho. Só fizeram barulho porque Portugal está nas meias do Euro 2012.


Independentemente do que acontecer nas meias, esta campanha já pode ser considerada um sucesso. Afinal de contas, estamos entre as quatro melhores da Europa! Foi para momentos como os de quinta-feira à noite, para jogos como o de quinta-feira à noite, para conquistas como a de quinta-feira à noite que eu criei este blogue há quatro anos. Para, mais tarde, poder recordar estes momentos, para, mais tarde, falar deles aos meus netos. Contar-lhes como a Seleção conseguiu calar os pessimistas, como Cristiano Ronaldo esteve endiabrado como nunca nestes dois últimos jogos; de como Fábio Coentrão, às vezes, parece levar a Turma das Quinas às costas; de como o Moutinho parece, de facto, uma formiguinha: baixinho, mas correndo de um lado para o outro em prol da equipa; de como os veteranos Figo e Eusébio festejaram o golo do seu herdeiro, Cristiano Ronaldo; de como o Pepe é um defesa fantástico, uma grande figura na nossa Seleção, que, apesar de ser brasileiro por nascimento, faz questão de expressar, ostensivamente, o seu amor ao nosso País, sobretudo depois de marcar de como Nani, apesar de não ter marcado, ainda, neste Europeu, já contribuiu para, pelo menos, três golos da Equipa de Todos Nós; de como Varela saltou do banco e salvou o dia, frente à Dinamarca. De como tudo isto foi possível graças a um treinador jovem e relativamente inexperiente. 

No entanto, já que chegámos até aqui, quero mais. Quero que cheguemos à final de Kiev. No momento em que escrevo, ainda não se sabe quem será o nosso adversário nas meias. Prefiro a França, não tanto pela acessibilidade (que, de resto, é relativa. Uma equipa que conseguir eliminar a Espanha não pode ser subestimada), mais por vingança, para desforrar as meias-finais de 84, 2000 e 2006... ou repetir a história. Mas o mais provável é levarmos com nuestros hermanos de novo. Em todo o caso, Portugal já provou tem  capacidade de se bater como igual, ou mesmo superior, com qualquer equipa deste Europeu. Seja a Espanha, seja a França, a final de Kiev não é um objetivo inalcançável. 


A Seleção está a ter um bom trajeto, esta fase final já deu uma mão-cheia de coisas boas para recordar, sobre que escrever, mas quero ainda mais. Quero pelo menos mais uma vitória, pelo menos mais uns bons momentos sobre que escrever, para recordar. Acredito que este Europeu pode dar-nos ainda mais. Basta que a Turma das Quinas faça o que tem feito até agora (pensando melhor, convinha entrar a matar desde o primeiro minuto, não ter aquela primeira meia hora toda encolhida). Nesta fase do campeonato, não há impossíveis. Agora é a Seleção Nacional agarrar esta oportunidade e dar-nos, finalmente, um final feliz.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Uma oportunidade como a nossa

Era para ter escrito há dias, mas faltou-me tempo e inspiração. Na Quinta-feira passada, a Rússia foi escolhida para organizar o Campeonato do Mundo em Futebol a realizar em 2018, ultrapassando outros candidatos: Inglaterra, Bélgica-e-Holanda e Portugal-e-Espanha.

Não consegui evitar ficar desiludida com este resultado. Tinha passado os últimos dias em pulgas, com uma vaga esperança de que nos escolhessem. Na Quinta, então, depois de ter apresentado um trabalho às dez da manhã, praticamente não pensei noutra coisa. Como estive o dia todo na Faculdade, não tinha acesso a uma televisão, o único meio que possuia para acompanhar a cerimónia era o meu leitor de MP3.

Já se sabia que, qualquer que fosse o vencedor, a escolha estaria envolvida em polémica. E não nos enganámos: já se fala de possíveis conversas secretas que Vladimir Putin terá tido com os membros do comité e os ingleses querem que se mude o método de escolha.

A votação decorreu entre a uma e as três horas da tarde de cá e durante esse intervalo de tempo estive quase sempre a fazer figas. De tal maneira que, nessa noite, quando estava a ver televisão, sem sequer pensar nisto, quando dei por mim tinha os dedos cruzados. Rezava constantemente, sem destinatário específico, por um resultado a nosso favor. "Portugal e Espanha... Vá lá... Nós temos História, temos prestígio, temos infraestruturas... O outro até disse que podíamos acolher um Mundial no mês que vem..." Nessa altura não o sabia, mas o facto de já termos prestígio e de já estarmos bem equipados, longe de nos ajudar, acabaria por jogar contra nós.

À medida que a hora prevista para o anúncio se aproximava, os meus nervos aumentavam a uma escala exponencial. Tinha aulas teóricas das duas às quatro, mas escusado será dizer que pouca atenção prestei, Que diabo, não é todos os dias que temos a possibilidade de vir a organizar um Mundial!

Quando faltavam quinze minuto para as três da tarde, liguei o rádio do meu leitor de MP3. Até às três, os locutores foram dando curiosidades tais como:


  • Tinham passado 4068 dias desde 11 de Outubro de 1999, dia em que soubemos que o Euro 2004 seria disputado no nosso País.
  • Este será o 21º Campeonato do Mundo
  • Em Zurique estavam presentes mil jornalistas e as câmaras de setenta cadeias de televisão.
Já na altura diziam para termos "cuidado com a Rússia", a "Candidatura Mistério" conforme apelidou Gilberto Madaíl. Confesso que só ao longo desse dia é que considerei a Rússia como uma adversária ameaçadora, tinha mais medo da Inlglaterra. A Bélgica-e-Holanda é que, supostamente, ficariam arrumadas logo deste início. Mas tudo podia acontecer... E afinal de contas, a Inglaterra acabou por ser despachada primeiro.


Muito comentada era a ausência de Vladimir Putin. Se isso afectaria de maneira positiva ou negativa a escolha. Pela parte que me tocava, não percebia o interesse daquilo. Não me parecia plausível que fossem escolher um determinado candidato só porque o Primeiro-Ministro estava presente ou ausente da cerimónia. E ainda acredito que não foi por isso que a Rússia ganhou.

Às três horas, estava à espera de ouvir o anúncio do vencedor a qualquer momento, mas aparentemente a cerimónia nem sequer havia começado. Os locutores da rádio diziam que as pessoas não se sentavam, apesar dos repetidos pedidos para que o fizessem.

Os minutos passavam e os meus nervos aumentavam. As minhas mãos tremiam, o meu estômago andava às voltas, eu mordia os nós dos dedos para não gritar. Os locutores diziam que este atraso não era normal e eu interrogava-me o que é que significaria? Seria bom ou mau? Significaria que a votação estava atrasada? Que não se conseguiam decidir? Nós ainda estaríamos em jogo? Ou já teríamos sido postos de parte?

"Por amor de Deus, despachem-se", rezava eu.

Para passar o tempo, a Antena1 ia entrevistando algumas personalidades que enumeravam os nossos pontos fortes. O que não ajudava.

Tal como não ajudou eles começarem a relatar algum pessimismo reinando na comitiva luso-espanhola. Os locutores aproveitaram esse momento para lembrar que Joseph Blatter não estava muito entusiasmado com a ideia de um Mundial organizado a dois. Deixaram ainda bem claro que uma candidatura não ganharia sem a sua aprovação. Eu interrogava-me se ele poderia recusar um vencedor, mesmo que tivesse sido eleito com toda a justiça. E ia ganhando uma certa raiva ao pobre homenzinho, por isto e por prolongar o meu sofrimento. O optimismo não me ajudava, o pessimismo não me ajudava. A única coisa que me ajudava era saber quem era o maldito vencedor.

Só que ainda tínhamos de esperar mais um bocado, de sofrer mais um bocado. Mais ou menos às três e um quarto até os locutores estavam a ficar nervosos. Que se estaria a passar?

Às três e vinte, a "Marca" anunciou na Internet que os vencedores eram a Rússia e o Qatar (para o Mundial 2022). Ainda gostava de saber como o descobriram. Talvez um dos membros do comité os tivesse informado... Na altura não liguei muito, pensando que seria apenas especulação. Mantive-me fiel à máxima "Até ao apito final". Neste caso, tal como já havia sido dito por outros, o "apito final" era uma metáfora para o anúncio do vencedor.

A cerimónia começou às três e vinte e cinco, mais coisa menos coisa, mas teríamos de esperar uns sete minutos até Joseph Blatter subir ao palco, mais uns dez até sabermos quem ganharia. Nesse momento, reparei que uma rapariga sentada algumas cadeiras em frente a mim tinha o portátil no SAPO. Talvez também  a tentar saber o vencedor. Ao menos não era a única interessada no anfiteatro.

Joseph Blatter subiu ao palco às três e meia, mais ou menos, mas ainda esteve alguns minutos a discursar. Ele é um político, já os locutores o diziam, não podia ser de outra maneira. Só que eu, nessa altura, estava à beira de um colapso com os nervos e só pedia mentalmente "Ó homem, corta-me na retórica e diz quem raio ganhou!"

Ele lá recebeu o envelope e anunciou o vencedor: a Rússia. Minutos depois, anunciaria o Qatar como vencedor da Organização do Mundial de 2022. Mais tarde, saber-se-ia que a Inglaterra havia caído à primeira ronda da votação e que, na segunda ronda, a nossa candidatura obtivera sete votos, ficando em segundo lugar, contra os treze votos da Rússia e os dois da Bélgica-e-Holanda.

- Vamos para novos territórios - afirmou Joseph Blatter, justificando deste modo as escolhas feitas. Ainda no rescaldo, eu pensava que aquilo era o resultado de jogos de bastidores, que a Rússia e o Qatar têm poder económico e nós e nuestros hermanos estamos à beira da falência., que Blatter tinha sido casmurro com aquela das candidaturas a dois. E ainda penso assim. 

O Bruno, um colega meu, disse que a Espanha devia ter concorrido sozinha. Nós é que nunca poderíamos organizar um Mundial a solo, nem nos nossos sonhos mais loucos e muito menos nesta altura do campeonato.

Mas agora vejo que eles vão fazer com a Rússia e com o Qatar o que fizeram connosco. Ou melhor o que a UEFA fez connosco. A FIFA está a dar uma oportunidade a países relativamente sem grande História futebolística (eu nem sequer tinha ouvido falar do Qatar antes!) e sem grande tradição na organização de eventos desportivos.

Nós já tivemos a nossa oportunidade e, apesar de muitas (mas mesmo muitas) coisas terem sido mal feitas, acho que não a aproveitámos nada mal. A Espanha também já organizou um Europeu e um Mundial, mas acabou por perder mais já que já antes havia perdido a Organização do Euro 2004 e dos Jogos Olímipicos de 2012. Nós já acolhemos o Europeu à bem pouco tempo, não nos podemos queixar de que ninguém-gosta-de-nós. E sinto-me grata por, na minha curta existência, já ter tido um Campeonato Europeu no meu País, por ter tido idade suficiente para o recordar (apresar de não a ter tido que chegue para o valorizar na sua totalidade). Por ter tido oportunidade de assistir a um jogo, de festejar nas ruas e de ter ido atrás do Autocarro na Selecção no dia da final.

Os mal-dispostos crónicos do costume, aqueles que se queixam constantemente da nossa medíocridade sem mexerem uma palha para mudar a situação, vieram dizer que o facto de não termos conseguido é uma vitória e merece ser comemorada. O trabalho de não sei quantas pessoas, não sei quantos portugueses, não ter dado em nada merece ser comemorado... Dizem que ainda hoje pagamos a conta do Euro 2004.  Até têm razão neste último aspecto. É, de facto, uma pena estádios como o do Algarve e o de Aveiro não serem melhor aproveitados. Mas também ainda hoje usufruímos do prestígio que ganhámos com o Europeu.

Gilberto Madaíl e os restantes responsáveis da Federação podem ter muitos defeitos, podem ter cometido muitos e graves erros nos últimos tempos, mas ao menos tentaram fazer alguma coisa para elevar o prestígio de Portugal aos olhos do Mundo. Mesmo que fosse uma insignificância comparado com Espanha. Mesmo que fosse "apenas" futebol. Ao menos tentaram desafiar o Destino, contrariar os rótulos que tantas vezes colocamos sobre o nosso País e respectivo povo. Como diria Fernando Pessoa, "Louco, sim, louco, porque  quis grandeza/Qual a Sorte não a dá". E por isso merecem o meu sincero agradecimento.

Esta não será a última oportunidade que tivemos, se Deus quiser. Ainda haverá muito Mundial a precisar de um anfitrião ou anfitriões. Espero, portanto, que seja considerada a hipótese de tentarmos de novo. Mas, a acontecer, será num futuro distante. Pode ser que, nessa altura, estejamos melhor em termos económicos e financeiros (vai sonhando...) e que tenhamos já no currículo um ou outro título... Nunca se sabe...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Portugal 4 Espanha 0 - Se é assim... pode ser a Espanha!

Ontem à noite, a Selecção Portuguesa derrotou a sua congénere espanhola por quatro golos sem resposta, no Estádio da Luz, num jogo épico, fantástico, quase perfeito, histórico, mágico, inspirado, extraordinário, espantoso, arrasador, explosivo... enfim, os adjectivos para o caracterizar não se esgotam. Ninguém estava à espera de tal jogo e de tal resultado, pois, afinal de contas, o adversário que defrontámos ganhara o último Europeu e o último Mundial. Mas a verdade é que praticamente todos os Marmanjos fizeram exibições de sonho e os espanhóis pouco fizeram para nos parar.

Como abri recentemente uma conta no Twitter, assisti a quase todo o jogo com o computador portátil ao colo para ir registando as minhas impressões na rede social. Não foi muito diferente das notas que constumava tomar para depois escrever aqui no blogue, mas teve a sua graça.

A Selecção entrou bem no jogo e manteve o nível durante praticamente todo o encontro. Paulo Bento havia-nos prometido que Portugal não iria ficar a ver a Espanha jogar e, não só a promessa foi cumprida, como aconteceu o exacto oposto: os espanhóis ficaram muitas vezes a ver-nos jogar, incapazes de nos travar. Eu, por vezes, esquecia-me que estávamos a jogar contra o Campeão do Mundo. O árbitro é que estragou um pouco a festa ao anular aquele sombrero de Ronaldo, um pouco por culpa do Nani, que por sinal completava 24 anos ontem, que se foi literalmente meter onde não era chamado, induzindo o fiscal de linha em erro.

Um aparte só para dizer que foi uma pena o Nani não ter marcado ontem, no dia do seu aniversário, para se redimir daquela jogada infeliz, ele que jogou tão bem (à semelhança dos companheiros).

O golo que se adivinhava acabou por surgir um minuto antes do intervalo, um belo tiro de Carlos Martins. Estava aberto o marcador.

O segundo golo surgiu dois ou três minutos após o intervalo dos pés de Hélder Postiga, numa jogada começada por João Moutinho. Os mesmos foram também responsáveis pelo terceiro golo, cerca de vinte minutos depois. Entre estes dois golos eu ia pedindo "Só mais um! Só mais um!", com a mesma naturalidade com que pediria num jogo frente a adversários teoricamente bem mais fracos do que a Espanha, como a Islândia, a Coreia do Norte, o Chipre, a Malta... Realmente, foram mesmo aqueles que ganharam o Mundial? O relativo escasso público nas bancadas ia pontuando os passes portugueses com fritos de "Olé!". Os espanhóis, esses, ripostaram gritando "Campeones!", como que a dizer:

- Vocês podem estar a ganhar, hermanos, mas nós continuamos a ser os Campeões Mundiais.

Essa foi baixa...

O encontro foi encerrado com chave de ouro com um golo de Hugo Almeida, que substituia Hélder Postiga. Quando se fala tantas vezes da falta de pontas-de-lança em Portugal, é bom vermos dois, o Hélder e o Hugo, a fazerem o gosto ao pé no mesmo jogo. Estou particularmente feliz por ver o Hélder no seu melhor, ele que sempre foi um dos meus jogadores preferidos, apesar do seu desempenho irregular.

Depois desta vitória, como eu temia, vieram os ataques ao ex-Seleccionador, muito mais subtis quando feitos por jornalistas, bem mais agressivos nos habituais espaços de comentário. Abordarei melhor esta temática noutra ocasião.
Estou feliz, felicíssima, por ter visto todos os marmanjos no seu melhor, fazendo um jogo do outro mundo, que ficará registado a tinta-da-china na História da Selecção Nacional. Nunca pensei que déssemos tal sova aos Campeões da Europa e do Mundo. Eu até tinha sonhado, na noite de Terça para Quarta-feira, que tínhamos perdido por três a zero! Muitos dirão, eu incluída, que não serve de nada, que não passa de um amigável, que nem tem um sabor de vingança pois nem três pontos ganhámos, que eles continuam Campeões, que os espanhóis não deram o seu melhor, que se tivessem dado a história teria sido diferente. O que até pode ser verdade, mas, pelo menos a última parte, faria mais sentido se tivéssemos ganho pela margem mínima, com uma exibição assim assim. Não foi isso que aconteceu. Nós marcámos quatro golos, podíamos per marcado mais, fizemos uma das melhores exibições de sempre. Não ganhámos três pontos mas ganhou-se muito mais, como assinalou Paulo Bento. Ganhou-se prestígio, ganhou-se confiança, ganhou-se alegria, consumou-se o renascer da Selecção, o seu regresso às grandes vitórias.

Ontem, não ganhámos nada em concreto, mas "mostrámos que, quando queremos, ultrapassamos tudo", como disse Vítor Manuel. "Mostrámos ao Mundo que Portugal se pode bater com qualquer Selecção do Mundo", como disse o locutor da Antena 1, no fim da emissão relativa a este particular, que ficará na memória.

Enfim, realizaram-se dois duelos ibéricos este ano. A Espanha ganhou um deles, nós ganhámos o outro. Mas em Dezembro, espero que ganhemos ambos, como disse Laurentino Dias. Estou a falar, claro, do anúncio da Candidatura vencedora à Organização do Mundial (já não sei se se saberá só acerca do de 2018 ou se já saberemos também quem é que organiza o de 2022). Depois deste partidazzo, estou com um bom pressentimento, sobretudo agora que fomos absolvidos das acusações de corrupção (engulam, ingleses!). Já mencionei aqui os nossos pontos fortes, vou só fazer uma referência aos pontos fracos que têm a ver com a falta de campos de treino nas cidades-sede. Podia ser pior, não podia? Talvez dê para ganharmos. Vamos estar todos a torcer por isso até 2 de Dezembro.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Tem mesmo de ser a Espanha?

Na próxima Quarta-feira, dia 17 de Novembro, a Selecção Portuguesa de Futebol enfrenta a sua congénere espanhola, no Estádio da Luz, num encontro de carácter particular, cujos principais objectivos são, não só a promoção da Candidatura Ibérica à Organização do Mundial de 2018 ou 2022, mas também a Comemoração do Centenário da República. Paulo Bento, o Seleccionador Nacional, divulgou no último dia 11 os Convocados para este particular e as únicas novidades são os Regressos de Bosingwa e Manuel Fernandes. Eu confesso que, nesta altura do campeonato, a Espanha não é a Selecção com quem desejava ver os Marmanjos entrarem em campo.


Eu sei que eles são os nossos parceiros de Candidatura e tal, mas, que diabo, eles expulsaram-nos do Mundial! Querem esfregar sal na ferida? A desculpa da vingança não serve: isto não passa de um amigável. O que quer que aconteça, eles continuam Campeões do Mundo e nós aqueles que foram expulsos do Mundial nos oitavos-de-final depois de sofrer o primeiro golo em todo o Campeonato. Na vaga hipótese de ganharmos, isso trará mais pedras para atirar ao nosso ex. Dirão que a culpa foi dele, que ele nunca devia ter estado ao leme da Selecção, que se já lá estivesse o Paulo Bento nada daquilo teria acontecido, etc, etc. Até pode haver alguma dose de verdade nisto, mas não deixa de ser desagradável. E nem sequer ganhamos três pontos nem nada.
Em relação a essa parte de o encontro estar integrado nas comemorações do Centenário da República, também não é por aí. Já tudo o que é historiador veio dizer que não existe grande motivo para festejo; que a Primeira República foi um regime ainda pior que o anterior, mais valia terem poupado a vida a el-rei D. Carlos e ao filho, mais valia não terem exilado el-rei D. Manuel II e o resto da família real, etc.

Por acaso, não sei como seria se ainda fôssemos uma monarquia. Duvido, no entanto, que estivéssemos melhor do que estamos agora. Parece que, quase desde que foi assinado o Tratado de Zamora em 1143, o nosso País tem vivido quase sempre acima das possibilidades, tem estado quase sempre à beira da bancarrota. O mal é genético, não há nada a fazer…

Em todo o caso, a República trouxe com ela o hino e a bandeira que temos hoje, símbolos que aprecio grandemente. Isso, sim, ainda é o que mais vale a pena comemorar. E ainda por cima, segundo Os Maias, o antigo hino, o Hino da Carta, era "medonho".


Mesmo assim, fazia mais sentido jogar com a Espanha para comemorar a Restauração da Independência. Convinha era ganharmos, é claro!


O principal objectivo acaba por ser mesmo a promoção da Candidatura Ibérica, agora que estamos a poucas semanas do anúncio do anfitrião vencedor. Candidatura, essa, que, há algumas semanas, esteve envolvida em suspeitas de corrupção.


Pessoalmente, nunca atribui muita credibilidade a essas alegações, uma vez que estas foram levantadas pelos jornais ingleses (o Daily Telegraph, se não me engano). A candidatura deles já se encontrava envolvida em polémicas semelhantes, na minha opinião, eles fizeram aquilo pensando "Se eu vou ao charco, já agora, arrasto toda a gente comigo". Não seria a primeira vez que a Comunicação Social Inglesa publicava notícias com objectivos semelhantes. Em todo o caso, a estratégia deve ter falhado, os boatos devem ter sido desmentidos pois nunca mais se falou disso… Ainda bem, que estou farta de ouvir falar em corrupção em instituições portuguesas.


Com ou sem acusações de corrupção, não sei que hipóteses a nossa Candidatura tem de ganhar. Há uns tempos pensei que o facto de os inspectores da FIFA terem estado cá em Portugal aquando do "caso Queiroz" prejudicasse seriamente a as nossas hipóteses, mas talvez não tenham levado isso em conta…




Li na semana passada, no Record, que somos os Candidatos com mais estádios já prontos para hospedar jogos da fase final de um Campeonato do Mundo: sete. Tendo em contra que precisamos, mais do que nunca, de apertar o cinto (ou a banda gástrica, como diziam a semana passada no Mundo Universitário), isto é capaz de constituir uma pesada vantagem. E já é uma sorte não termos de construir estádios novos nesta altura do campeonato, a propósito!


E, é claro, temos várias outras coisas a jogar a nosso favor: um bom passado recente em termos futebolísticos, incluindo um Campeão Mundial e Europeu (estou a falar dos espanhóis, obviamente… snif, snif); um Campeonato Europeu memorável organizado por nós, portugueses; países atractivos para os turistas… Enfim, não acho que seja, de todo, impossível ganharmos…


Segundo o que li, neste momento a escolha é entre nós e a Rússia, e os russos não têm, que eu saiba, as armas que mencionei acima. Seria bom se ganhássemos, sobretudo no momento dificílimo que atravessamos. Para além das vantagens que já mencionei na entrada "Vizinhos e parceiros no futebol", ao menos teríamos a promessa de algo bom no futuro (Isto se não tivermos falido de vez até lá, é claro!) – algo que é cada vez mais raro hoje em dia, sobretudo neste país.


E se jogar com a Espanha ajuda, que assim seja. De resto, é sempre excitante defrontar uma Selecção de topo, e esta é Campeã Europeia e Mundial! Paulo Bento disse já que os Marmanjos não vão "só ver a Espanha jogar", que "estes particulares não são para descomprimir, porque os valores da representação do país são iguais". Qualquer que seja o resultado, o que se espera é uma boa exibição por parte de ambas as equipas, uma exibição digna de duas Selecções de topo. É claro que uma vitória, apesar de tudo, ajudaria a consumar o recente renascimento da Selecção, mas este é um dos poucos casos em que a velha máxima do "o importante não é ganhar, é participar" se aplica na sua totalidade.




Na última entrada, tinha prometido um novo vídeo de apoio à Selecção. Eu cumpri a promessa, montei o vídeo. O problema foi, outra vez, o YouTube… E nem sequer foi por causa da música, foi por ter utilizado as imagens dos jogos do Mundial. Já nem digo nada… Ou melhor, digo apenas isto: se continuam assim, mais vale encerrarem de vez o YouTube. Sim, porque eu não perdi uma das poucas tardes livres que tenho este semestre para agora o vídeo ficar eternamente confinado ao meu computador. Não senhor, desta vez coloquei o vídeo do Mediafire e dou-vos os links para o sacarem. (Com a música original: http://www.mediafire.com/?l04mcnudva6jwzg ; com a versão instrumental http://www.mediafire.com/?l5j86g1324d33dl) Como podem ver, as regras dos direitos de autor não fazem sentido, que existem outras maneiras de partilharmos vídeos. É uma autêntica estupidez.




De caminho, dou-vos também o link daquele vídeo que montei antes do Mundial, com a música Bang The Drum.( http://www.mediafire.com/?qroxof11vd9mrum ) Talvez faça uma segunda versão deste vídeo para o Europeu 2012, que a música é muito gira. Pode ser que, nessa altura, não o removam (pois, devo ter cá uma sorte…). Tenho ainda outras ideias para vídeos de apoio à Selecção, mas, em princípio, só voltou a montá-lo caso nos qualifiquemos. Até lá…

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Fim da fase aguda

Ontem, a Selecção Espanhola derrotou a sua congénere holandesa, arrecadando deste modo o título de Campeã Mundial, no jogo que encerrou o Campeonato do Mundo de 2010, que se realizou na África do Sul. O próximo Mundial realizar-se-à daqui a quatro anos, no Brasil. Antes, em 2010, haverá Campeonato Europeu, a realizar-se na Polónia e na Ucrânia.


O resultado da final não me surpreendeu. Pensando friamente, pondo de parte a minha fé na Selecção, ainda antes do Campeonato começar, a Espanha era a minha aposta para Campeã desta edição do Mundial. Nuestros hermanos mereceram o título - escrevo isto sem quaisquer ressentimentos por nos terem expulso do Mundial.


Como já tinha escrito antes, o resultado dos oitavos-de-final foi justo. Eu sei que o golo foi em fora-de-jogo - só o soube depois de publicar a última entrada do blogue - e que isso condicionou o resto da partida, mas também nunca mostrámos ser claramente superiores.

E, para ser sincera, nunca percebi a lógia da regra do fora-de-jogo.


Oficialmente o Mundial só terminou agora, mas para nós já terminou há muito. No que toca ao desporto, as prioridades já regressaram aos clubes e a tudo o que com reles se relaciona - o que, para mim, é extremamente deprimente.


Como o costume, abundam as críticas ao Seleccionador Nacional. A pior situação de todas ocorreu durante a recepção da Selecção no Aeroporto da Portela, vinda da África do Sul. Estavam cerca de trinta adeptos, alguns para demonstrar apoio, mas também lá estava um sujeito (embora tenha em mente vários epítetos bem menos carinhosos) gritando com um megafone, na fala arrastada, típica da "peixeirada", passe a expressão:


- Vai p'ra casa!... Vai-t'embora! Demite-te, já não 'tás aí a fazer nada. Só queres é dinheiro!


O que mais me aborreceu nem foi isto. Pessoas de fraco carácter hão sempre de existir, não há volta a dar. O que me enraiveceu a sério foi o facto de o jornalista da RTP ter abordado o homem, dando-lhe exactamente o que ele queria mas que não merecia: tempo de antena.


Ainda agora tremo de indignação só por escrever sobre este episódio. Há quem ache patético o meu amor incondicional à Selecção, mas eu acho ainda mais patétioc ir às sete da manhã à Portela só para vociferar insultos contra o Seleccionador. E patético é mesmo a palavra mais carinhosa que encontro para descrever a situação. Mas adiante, que não vale a pena gastar cera com tão ruins defuntos.


Uma das coisas que atenuou a minha desilusão pela expulsão do Mundial foi a Conferência de Imprensa que Carlos Queiroz deu no dia seguinte ao jogo dos oitavos-de-final. Queiroz afirmou que "vamos continuar de cabeça erguida" e que, da próxima vez voltaremos "mais fortes e mais competitivos". Em Setembro começará a fase de qualificação para o Euro 2012. Não começaremos do zero: de acordo com Queiroz, "temos um grupo de jogadores e uma estrutura base consolidada". Já não teremos de passar pela adaptação a um novo treinador. Esta qualificação correrá melhor do que a última e daqui a dois anos estaremos mais fortes.


Gostei de ouvir o Professor. Correcção: gosto de ouvir o Professor. Ele fala bem, é inteligente e sensato, dá-me quase sempre razões para continuar a acreditar na Selecção. É claro que a Comunicação Social e afins arranjam sempre maneira de o contradizer, de o acusar de "optimismo exagerado", de "arrogância", etc, mas eu não ligo. Talvez seja ingénua, mas a minha lealdade vai para a Selecção e quem quer que a oriente. Há anos que é assim e é pouco provável que deixe de ser. Tenho mais motivos para acreditar nas palavras do Seleccionador, cujo interesse é, entre outros, o bem-estar da Selecção e muito menos motivos para acreditar nas palavras dos comentadores, cujo interesse é vender jornais. Mesmo que não concorde com muitas decisões do Professor (por exemplo, ainda não consegui compreender porque é que ele não Convocou o Quim, nem que fosse só para o caso de o Eduardo se lesionar). A verdade é que não percebo o suficiente de futebol para criticar abertamente as atitudes de Queiroz. Contudo, suspeito que haja muito comentador por aí a perceber ainda menos do que eu de futebol, mas a fingir saber mais.
Ontem à noite, depois da vitória da Espanha, não consegui evitar sentir-me deprimida. Quando é que chegará a nossa vez de festejarmos a conquista de um título? Sonho com isso há anos, já o imaginei milhões de vezes: os marmanjos recebendo as medalhas, o Cristiano Ronaldo recebendo a Taça e erguendo-a no ar. Nesse momento, voam confettis verdes e vermelhos, todos os jogadores erguem os punhos em sinal de triunfo - esta imagem surge nas capas de jornais de todo o Mundo na manhã seguinte. Entretanto, os adeptos saem à rua vestidos a rigor. Abraçamo-nos uns aos outros, há cerveja e champanhe, lançam-se foguetes. E a festa prolonga-se madrugada dentro.
Eu já nem me atrevo a pedir isso. Já me dava por satisfeita com um campeonato semelhante ao Euro 2004 ou ao Mundial 2006. Em que o pessoal acreditava mesmo na conquista do título sem acrescentar:
- É melhor eu não conduzir, não é?
Eu até noto um certo padrão descendente. 2004, final; 2006, meia-final; 2008, quartos-de-final; 2010, oitavos-de-final. Se continuarmos assim, em 2012 ficaremos pela fase de grupos e nem nos qualificamos para o Mundial de 2014. Espero bem estar enganada.
Será que só temos direito a campanhas como a de 2004 e de 2006 de quarenta em quarenta anos? Será que só voltaremos a chegar a uma final em 2046? Recuso-me a acreditar nisso! Mas mesmo que me reforme antes de ver a Selecção ganhar um título, não deixarei de apoiar.
Apesar de termos saído mais cedo do que o que desejava, foi bom enquanto durou. Uma das melhores coisas foi a revelação de novos talentos, que no futuro poderão fazer muito mais pela Selecção: Fabio Coentrão, Eduardo, Tiago... E ficaram boas recordações. Estes dois meses foram, para mim, mais felizes do que o costume, graças à Selecção. O que mais me dói é que só voltarei a ter dias assim daqui a dois anos. Se/Quando (escolham vocês) nos qualificarmos para o Europeu. E mesmo assim, o Mundial é mais grandioso do que o Euro. Quatro anos até termos um novo...
Ainda ando um bocado em baixo por causa disso, mas hei-de ultrapassar. Temos, aliás, o Verão para nos recompormos. Depois, em Setembro, pegamos de novo nas armas e voltamos a ir à luta. Mesmo que ainda não seja desta, não será por não tentarmos que falharemos. Deixo aqui o calendário da fase de qualificação para o Euro 2012:

03.09.2010
Portugal - Chipre

07.09.2010
Noruega - Portugal

08.10.2010
Portugal - Dinamarca

12.10.2010
Islândia - Portugal

04.06.2011
Portugal - Noruega

02.09.2011
Chipre - Portugal

07.10.2011
Portugal - Islândia

11.10.2011
Dinamarca - Portugal
Acho que não vou poder ver o primeiro jogo da qualificação, visto que nessa altura estarei de férias no estrangeiro. Mas, assim que puder, actualizarei o blogue. Entretanto, vou ver se envio para o YouTube nos próximos dias outro vídeo sobre a Selecção. Um vídeo de recomeço.
Há que continuar a acreditar que um dia a Taça virá para Portugal. Até lá...
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