Mostrar mensagens com a etiqueta Euro 2012. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Euro 2012. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Em Modo Seleção

Na última segunda-feira, dia 14 de Maio, foram finalmente divulgados os Convocados para representar Portugal na fase final do Europeu de Futebol, que se realizará no próximo mês, na Polónia e na Ucrânia.

Passei uma boa parte desse dia antecipando a Divugação. Tive aulas das oito às oito, com alguns furos pelo meio. Quando não estava nas aulas e/ou ocupada com o trabalho académico, estive a ouvir programas da Antena 1 dedicados ao tema, a atualizar a página do Facebook, a contar as horas até à cerimónia. Afinal de contas, como afirmou Jorge Andrade, na entrevista matinal à estação de rádio acima mencionada, o dia do Anúncio dos Convocados "é um dia especial, é um dia da Seleção, é um dia de todos nós", devendo, por isso, ser aproveitado.

Tinha ouvido na Antena 1 que a emissão em direto a partir da Casa da Música, em Óbidos, começaria às 19h55. A essa hora ainda estava em aulas, mas isso não me impediu de ligar o meu leitor de MP3. Assim que o fiz, deixei a Faculdade e aterrei em Óbidos. A aula prolongou-se até depois da hora de término, como era a última do semestre daquela cadeira, a professora fez uma espécie de discurso de encerramento, mas eu estive completamente a leste. Acabaria por regressar à minha localização física mas não completamente. Uma parte de mim ficou lá. Uma parte de mim está sempre lá quando a Seleção está reunida.

A propósito, um aparte só para informar que já foram divulgadas as frases que figurarão nos autocarros das Seleções durante o Europeu. A frase portuguesa é "Aqui batem 10 milhões de corações". Adoro. É de longe a melhor frase desde o Mundial 2006 e também a melhor de todas as seleções participantes nesta fase final, já que as outras não são grande coisa, na minha opinião. Podem lê-las AQUI.

Mas regressemos aos Convocados. Como estava a dizer, ouvi Paulo Bento a ler a lista dentro da sala de aula, acocorada atrás da fila de mesas traseiras, inclinada sobre a minha mochila (já tinha começado a arrumar as coisas antes de perceber que ia haver discurso de encerramento), as interjeições de júbilo e/ou espanto após cada nome saíram em surdina dos meus lábios. Continuei a ouvir a emissão da Antena1 depois de, finalmente, sair da aula, ouvi as perguntas que os jornalistas fizeram a Paulo Bento - tanto as perguntas como as respostas foram previsíveis - sorri com as declarações emocionadas das surpresas-que-não-chegaram-a-sê-lo Custódio e Miguel Lopes, escutei a análise dos locutores à Convocatória. Mais tarde, em casa, li outras reações na Internet. Depois, ontem à tarde, esperei cerca de meia hora no café até que um senhor acabasse de ler o Record para depois folheá-lo.

Na minha opinião, é uma boa Convocatória, sem grandes surpresas - na Antena1, cerca de doze horas antes da Divulgação, já Joaquim Rita havia falado de Custódio e mesmo da possível ausência de Quim a favor de Eduardo (não me lembro se ele falou de Miguel Lopes...). Segundo Octávio Ribeiro, na edição de ontem do jornal Record, a Convocatória reflete bem a personalidade de Paulo Bento: "seguro, confiável, previsível". Como disse Alexandre Pereira, no site Mais Futebol, nenhuma das presenças e/ou ausências "roçou o escândalo (...) ao contrário do que fez o seu antecessor". Ou antecessores. Não me esqueci dos caos envolvendo Vítor Baía, Ricardo Quaresma e Maniche na era Scolari.


A maior incoerência acaba mesmo por ser a dupla Eduardo/Quim. Não vou estar aqui os argumentos. A situação lembra-me um pouco o caso de Ricardo em 2008: o guardião havia sido o herói em diversas situações nos anos anteriores, no entanto, pouco tinha jogado ao longo da temporada anterior - e conforme disse Joaquim Rita (acho eu, não tenho a certeza...), se há jogador que precisa de entrar em campo com regularidade para não perder o jeito, esse jogador é o guarda-redes. Além disso, tenho medo que aconteça o mesmo que aconteceu, mais uma vez, em 2008: o Quim, que, em princípio, seria titular, partiu o pulso indo, portanto, a titularidade para o Ricardo. Se o Rui Patrício se lesiona, há quem se questione se Eduardo dará conta do recado.

No entanto, depois de acompanhar não sei quantas fases finais, já acredito que todo o Selecionador tem direito à sua incongruência. Eduardo é a incongruência de Paulo Bento. Na minha opinião, podia ter arranjado pior. O guardião fez um ótimo trabalho enquanto esteve encarregue das balizas portuguesas. Fico mais descansada com Rui Patricio a titular mas, se por por algum infortúnio, Eduardo tiver de substituí-lo, acho que podemos confiar nele.


Apesar de tudo isto, tenho um bom pressentimento em relação a esta Convocatória. E parece que não sou a única. Segundo Nuno Farinha, mais uma vez na edição de ontem do Record, "há muito tempo que Portugal não chegava à antecâmara de uma fase final com a "estranha" sensação de estar a dar todos os passos certos." Se este bom pressentimento, se os "passos certos" nos levarão longe, só o próximo mês nos poderá responder a isso.

Como o costume, as opiniões dividem-se em relação a esta Convocatória. Já não devia ficar surpreendida depois de tantos anos seguindo a Turma das Quinas, mas fico. E pior do que surpreendida, fico um pouco irritada com alguns comentários. Li, por exemplo, um artigo em que dizem que esta é a COnvocatória mais fraca dos últimos doze anos - sem comentários...

Foi, no entanto, na noite de segunda-feira, quando estive no Twitter, que a mostarda começou a subir-me em força ao nariz, quando li mensagens de contestação a alguns nomes da lista de Convocados. Em particular, um: Hélder Postiga.


Tais críticas irritaram-me até aos ossos. Posso não ter argumentos a favor de algumas escolhas de Paulo Bento que têm sido questionadas, mas a favor do Hélder tenho melhor do que isso: tenho factos. O Hélder é, até agora, o décimo melhor marcador da Seleção. (Fonte: AQUI). Se reduzirmos isso a apenas os jogadores selecionáveis, acima dele só se encontra o Cristiano Ronaldo. Além disso, eu fiz as contas: em quarenta e sete internacionalizações, o Hélder marcou dezanove golos, o que lhe dá uma médioa de 0,4 tentos por jogo, uma média melhor que a do próprio Cristiano Ronaldo (0,36)! Contra factos não há argumentos. Ainda o consideram uma "nulidade"?

Admito que talvez não seja completamente isenta no que toca ao Hélder Postiga uma vez que ele é, há já muitos anos, um dos meus preferidos. Mas a opinião pública não tem sido justa para ele. Não sei como é que ele se tem comportado nos clubes, mas ninguém se pode queixar do seu desempenho na Seleção. Por isso, o próximo que me vier falar mal do meu Hélder, vai levar com o top 10 dos marcadores. com a média de golos por jogo, talvez até com uma lista de encontros em que ele foi heróis, começando no Portugal - Inglaterra do Euro 2004 e terminando nos play-offs frente à Bósnia!


O que as pessoas devem compreender é que esta é a Convocatória, esta é a Equipa que deve ser de Todos Nós. Paulo Bento não vai mudá-la só porque não concordamos com algumas das suas escolhas. Quer gostemos, quer não, estes vão ser os homens que nos vão representar no Euro 2012, que vão entrar em campo com a Alemanha, a Dinamarca e a Holanda. Serão jogos difíceis, realistiamente nós, os adeptos, pouco poderemos fazer para ajudá-los, mas a contestação permanente em nada os ajudará. Se querem que Portugal faça boa figuar no Europeu, coloquem a Seleção acima das vossas opiniões pessoais e deem o vosso apoio.

Esta semana haverá apenas pré-estágio em Lisboa, com dois treinos no Estádio da Luz. Ainda pus a hipótese de assistir a pelo menos um deles mas estes serão apenas abertos à Comunicação Social - ser a autora de um blogue e de uma página do Facebook, pelos vistos, não me torna um órgão de Comunicação Social... O estágio a sério começa na próxima segunda-feira, em Óbidos, e durará cerca de duas semanas. Incluirá dois jogos particulares: um dia 26 de Maio, em Leiria, frente à Macedónia, outro dia 2 de Junho, no Estádio da Luz, frente à Turquia.

Durante estas semanas, serão transmitidos diversos programas a propósito da preparação para o Euro 2012, muitos deles diários. Vou gravá-los todos mas não sei se terei tempo de vê-los. O mais certo é apenas conseguir passá-los em fast-forward, eventualmente ver um ou outro segmento que me pareça interessante. Como fiz com o Especial de duas horas que a TVI24 transmitiu a propósito da Divulgação dos Convocados.


Quando nos cruzamos com conhecidos, vizinhos, colegas, a praxe é sempre fazer perguntas do género: "Tudo bem? Como é que isso vai?". As respostas da praxe costumam girar à volta do mesmo: "Ai e tal, vai-se andando...". Nalgumas vezes, até se responde: "Está tudo bem".

Nestes dias, esta última resposta será a que mais vezes sairá dos meus lábios. Que será honesta. Mesmo que, se calhar, as coisas não estejam a correr assim tão bem, que, por exemplo, ande stressada com o trabalho académico. Mesmo que os dias sejam nublados e chuvosos, literalmente e não só, o Sol arranjará maneira de brilhar por entre a chuva, como diz a música. Isto porque a Turma das Quinas estará no ativo depois de todos estes meses em latência. Isto porque todos os olhos, todos os sonhos estarão pousados nela. Isto porque ela contrabalançará com os problemas do dia-a-dia. Só nestes dois dias tenho-me divertido imenso a ver notícias, artigos de opinião, tudo o que sirva de material de trabalho para o blogue e página do Facebook, pendurando a bandeira à minha janela. E a diversão está apenas a começar.

Ao longo destas semanas nada me deitará abaixo. Isto porque estarei em Modo Seleção.


Quero agradecer desde já todo o feedback que tenho recebido na página d'"O Meu Clube é a Seleção". Espero que estejam a apreciá-la tanto como aprecio tratar, tanto da página do Facebook como do blogue!

domingo, 13 de maio de 2012

Crise existencial em altura de aniversário

Depois de semanas à espera, incluindo um abril invulgarmente cinzento e chuvoso em vários aspetos, finalmente encontramo-nos em vésperas do Anúncio dos Convocados que representarão Portugal na fase final do Campeonato Europeu de Futebol, que terá lugar na Polónia e na Ucrânia no próximo mês. Estes dias ficam ainda marcados pelo quarto aniversário deste meu blogue, O Meu Clube é a Seleção, inaugurado a 12 de maio de 2008.

Não se pode dizer em rigor que tenho escrito neste blogue há quatro anos. A minha ideia inicial era mantê-lo apenas durante a fase final do Europeu de há quatro anos, estive praticamente um ano sem atualizar o blogue.

Quando penso nisso agora, se calhar não terá sido muito má ideia ter suspendido o blogue por essa altura. Não se deram muitos acontecimentos relacionados com a Seleção nesse ano e os poucos que se deram foram, na sua maioria, tropeções na Qualificação para o Mundial 2010 - assuntos extremamente deprimentes. No entanto, mesmo nessa altura, eu ia fazendo as minhas reflexões por escrito - mais valia tê-las publicado no blogue, para ajudar outras pessoas sem ser apenas eu própria, incluindo, se calhar, os próprios jogadores, a processarem a frustração inerente às sucessivas desilusões e, ao mesmo tempo, transmitir-lhes coragem e esperança. 

Acabou por ser, em parte, por esse motivo que retomei o blogue em junho de 2009. Em parte por isso, o resto porque, pura e simplesmente, tinha imensas saudades de escrevê-lo. A altura em que voltei a atualizá-lo acabou por coincidir com o ponto de viragem no percurso da Seleção para o Mundial 2010 - mais ou menos. E, desde essa altura, com uma ou outra exceção alheia à minha vontade, nunca mais deixei de publicar entradas sempre que a Equipa de Todos Nós tinha um jogo ou estava envolvida nalgum acontecimento importante. 

Tenho bem a noção de que o meu blogue tem tido pouquíssimos leitores, por mais promoção que tente fazer. Que, na prática, teria quase a mesma audiência que obtenho com este blogue se escrevesse sobre a Seleção num diário pessoal (como fazia antes de 2008). E embora isso às vezes me desanime, não me impede de continuar a escrevê-lo. Sempre gostei de escrever, sempre gostei de escrever sobre a Seleção, se houver hipóteses de ajudar a Equipa de Todos Nós dessa maneira, nem que seja apenas um pouco, fá-lo-ei com todo o prazer.

Há coisa de dois meses e meio, inaugurei a página de Facebook de apoio ao blogue. Ao longo deste tempo, esforcei-me por publicar pelo menos uma vez por dia - o que desafia a minha criatividade. Nunca quis que o meu blogue fosse uma mera fonte de notícias sobre a Turma das Quinas. Criei-o para que fosse um espaço onde pudesse expressar as minhas opiniões. Do mesmo modo, não queria que a respetiva página de Facebook transmitisse apenas as últimas novidades sobre a Seleção. Já existem imensas fontes de notícias assim na Internet - sem querer desvalorizar páginas como o Gosto da Seleção Portuguesa, que tem feito um excelente trabalho ao fornecer, entre outras coisas, imagens engracadíssimas referentes à Equipa de Todos Nós. Além de que já partilhou o meu vídeo para The Climb. O que tenho tentado fazer é publicar notícias, fotografias, vídeos, músicas juntamente com as minhas opiniões sobre o assunto. Houve alturas em que não acontecia nada relacionado com a Seleção e não era fácil arranjar algo que publicar. Foi difícil resistir à tentação e pura e simplesmente voltar a partilhar publicações de páginas como as acima mencionadas. Mas ajudou a mitigar a abstinência de Seleção.

Para além de páginas como o Gosto da Seleção Portuguesa, outra fonte de notícias que me foi bastante útil foi o Alerta do Google que já tinha criado há alguns meses, para me avisar sempre que surjam publicações sobre a Seleção Nacional na Internet. Não é tão seletivo como o ideal, às vezes aparecem-me artigos sobre o clube brasileiro A Portuguesa, por exemplo.

Ora, há cerca de dois meses, apareceu-me nos Alertas uma publicação no Yahoo Answers com a seguinte pergunta:

"Qual (é) o problema da Seleção Portuguesa?"

"Esses dias tenho pensado num problema tradicional da seleção portuguesa... Uma seleção cheia de grandes jogadores como CR7, Quaresma, Ricardo Carvalho, Deco, Pepe, Pauleta, Nani... E outros aposentados como Luís Figo... mas nunca conseguiu nada mais que semi-finais de euros e copas... qual o problema dessa seleção?? que cheia de sensacionais jogadores, amarela nos títulos???"

Fonte: AQUI

Quando vi o título da pergunta pela primeira vez, fiquei a olhar para aquilo estilo: "um brasileiro conseguiu resumir numa linha aquilo com que nos andamos a debater há anos!" Nunca pensei que fosse possível simplificar as coisas a este ponto. Mas faz sentido que tenha sido um brasileiro a formular a pergunta dos duzentos mil euros, pois é capaz de ser mais racional, mais isento do que um português.

Realmente, qual é o nosso problema, afinal? Somos há anos, para aí desde 2000, 2002, 2004, considerados candidatos ao título em cada campeonato de seleções por possuírmos jogadores "de classe mundial". Figo, Rui Costa, Nuno Gomes, Pauleta, Deco, Cristiano Ronaldo, Nani, Fábio Coentrão... No entanto, na hora da verdade, na hora de provarmos que somos candidatos ao título, caímos sempre. O que é que está a falhar?

Analisemos a coisa...


Começarei pelo Euro 2004, que foi a altura em que comecei a acompanhar a Seleção de perto. É-me cada vez mais claro que perdemos uma oportunidade de ouro - não, não, de platina! - com este campeonato: jogávamos em casa, tínhamos a base da equipa que, no ano anterior, dera a Taça UEFA e, nesse ano, a Champions ao FC Porto, tínhamos veteranos como o Figo e o Rui Costa e promessas como o Cristiano Ronaldo, tínhamos o entusiasmo dos adeptos, tínhamos todas as condições, devia ter sido tudo nosso. Ainda hoje, passados oito anos, não compreendo como é que o deixámos escapar. Há quem fale de inexperiência, excesso de confiança, de euforia ou simplesmente azar. O que é certo é que é muito difícil - para não dizer impossível - termos circunstâncias tão favoráveis como tínhamos em 2004. Cada vez me apercebo mais disso. Devia ter sido tudo nosso.


O Mundial 2006 foi outra boa oportunidade desperdiçada, embora seja discutível se tal aconteceu por culpa nossa, se foi justo. Ainda não estou convencida de que aquele lance envolvendo o Ricardo Carvalho e o Thierry Henry era mesmo penálti. De qualquer forma, a final de Berlim foi fraquinha, Portugal devia ter estado lá. E visto que a Itália só venceu nos penálties, acho que poderíamos ter ganho.

Neste caso, contudo, o karma funcionou pois os nossos amigos franceses nunca mais fizeram nada de jeito desde aquela noite em Nuremberga. Começando pela cabeçada de Zidane e acabando nos tristes episódios  ocorridos no Mundial 2010. Como dizia a minha irmã quando era pequenina: "Deus castiga sem pau nem pedra!"



Aquando deste Europeu, a Seleção já não estava ao nível a que estivera aquando dos campeonatos anteriores. Figo e Pauleta já tinham abandonado a Equipa de Todos Nós dois anos antes e a base da equipa do FC Porto que ganhara a Taça UEFA e a Champions já se dissolvera há muito. Até tivemos um bom começo, com vitórias frente à Turquia e à República Checa. O pior foi a notícia de que Luiz Felipe Scolari, um dos heróis do Euro 2004 e do Mundial 2006, o homem que nos reaproximou da Seleção, iria trocar-nos pelo Chelsea - ainda hoje, passados quatro anos e duas estreias de treinadores, não consigo perdoar-lhe por nos ter deixado assim. A notícia é capaz de ter desestabilizado a Seleção pois não fizemos mais nada de jeito nesse campeonato depois do anúncio. Perdemos contra a anfitriã Suíça no último jogo do grupo, que só serviu para cumprir calendário. Depois, pura e simplesmente não conseguimos suplantar a terrivelmente eficaz Alemanha nos quartos-de-final, apesar de termos lutado até ao fim. Não se podia pedir mais do que isso.


Julgo que, neste caso, foi o método de Carlos Queiroz que não funcionou, na minha opinião. Só ganhámos à Coreia do Norte, de longe a adversária mais fraca do nosso grupo. Se tivéssemos abordado os jogos de maneira diferente, da maneira como, se calhar, Paulo Bento abordaria, provavelmente teríamos ganho à Costa do Marfim, talvez até ao Brasil, poderíamos ter terminado o grupo em primeiro lugar, evitado a Espanha e avançado mais na prova.


Como podem ver, as razões para os nossos falhanços são várias e já foram dadas por muitos: fatores internos, fatores externos, desculpas atrás de desculpas, cada uma mais esfarrapada do que a anterior, adeptos bipolares que, em segundos, passam da euforia à disforia e vice-versa, formação deficiente de jogadores, desvalorização do futebolista português... Quem conseguir encontrar uma explicação para esta ausência de títulos tão linear como a pergunta que originou esta crise existencial, merece o prémio Nobel.



Enquanto se procura uma resposta à pergunta, estamos à porta de mais uma fase final de um campeonato de seleções. E como já vai sendo tradição, faço aqui o meu prognóstico: considero que a Seleção está mais forte do que estava há dois anos, antes do Mundial 2010. Paulo Bento afirmou, inclusivamente, que as dificuldades porque passámos no Apuramento - que incluíram aquilo que, na minha opinião, foi o pior momento de sempre da Turma das Quinas - nos tornaram mais fortes, dar-nos-ão "motivação e confiança". Como já afirmei antes, se nos esperasse um grupo como o que tivemos na África do Sul, não estaria muito preocupada. Contudo, como já escrevi em dezembro último, Deus quis que a gente sofresse no Euro 2012. Estamos mais fortes em vários aspetos, sim, disso não existem dúvidas, mas não sei se estaremos suficientemente fortes para sobrevivermos ao Grupo da Morte.

Acho muito difícil ganharmos à Alemanha. Talvez arranquemos um empate se tivermos (muita) sorte do nosso lado. Com a Dinamarca, o nosso historial recente não nos é favorável, ao longo dos últimos anos complicaram-nos várias vezes a vida à grande e à dinamarquesa. Contudo, se conseguimos vencê-los há ano e meio, pouco depois de uma crise gravíssima, com um treinador recém-chegado, após apenas dois ou três treinos, certamente será possível vencermos após duas ou três semanas de estágio e dois particulares e com a motivação extra de estarmos na fase final de um campeonato de seleções. Em relação à Holanda, é difícil fazer previsões. Expulsámo-los duas vezes de fases finais, mas a última vez ocorreu há seis anos. Além disso, estamos a falar dos vice-campeões Mundiais. Em quem é que vocês apostariam?

Talvez consigamos passar aos quartos-de-final, mas é um grande "talvez" e não é de todo descabido pensar que não vamos conseguir (três vezes na madeira). Luís Freitas Lobo resumiu-o de uma forma brilhante há uns meses, no Público: "Se Portugal passar é um grande feito. Se for eliminado, temos de encarar isso de uma forma natural." Ninguém poderá criticar abertamente se não conseguirmos passar a fase de grupos, mas sei que o pessoal ficará ressentido. Aposto que, nestas semanas de antecipação do Europeu, será muito vendida a ideia da Seleção como remédio anti-crise. Eu vendi essa ideia anteriormente e tenciono continuar a fazê-lo. Teremos motivos para desejar a Taça que, se calhar, não tínhamos em 2004, 2006 ou mesmo em 2008 e 2010. De igual modo, teremos motivos para nos sentirmos desiludidos se falharmos que não tínhamos anteriormente.

Devo dizer (e acho que não é a primeira vez que o digo) que me enojam perfeitamente esse tipo de adeptos, bipolares, que só apoiam a Seleção quando esta vence, cujo "casamento" com as Quinas não é no melhor e no pior. O meu é, devo ser uma espécie em vias de extinção, mas já perdi, se não todas, pelo menos noventa por cento das ilusões que, se calhar, tinha há oito anos. Como é que querem que eu as tenha quando jogadores como o Simão, o Miguel, o Paulo Ferreira se puseram a andar quando as coisas começaram a correr mal? (leia-se, quando rebentou o caso Queiroz). Não me deixarei iludir pelo marketing todo, pelos discurso de que "tudo está bem" na Seleção. Pelo menos, manterei sempre uma certa reserva.

Já não é, aliás, o patriotismo que me liga às Quinas - eu gosto da Equipa de Todos Nós precisamente por, pelo menos nalguns aspetos, não ter nada a ver com o País que representa. A Seleção é literamente e cada vez mais apenaso meu clube (escolhi mesmo bem o nome para o meu blogue...). Tamém sei que nem todos os jogadores se movem pelo patriotismo, se é que algum se move, que muitos deles só vestirão a camisola enquanto lhes for conveniente.

Contudo, continuarei a apoiar porque, mesmo que já não confie nos outros adeptos, nem confie a cem por cento nas palavras e nas intenções dos Marmanjos, acredito nas ações deles. Porque é através de jogos como aquele com a Dinamarca, em outubro de 2010, com a Espanha no mês seguinte, com a Bósnia em novembro último, no Estádio da Luz, que a Turma das Quinas retribui o apoio que pessoas como eu lhe dão. E como a Seleção já provou conseguir superar-se, aposto que teremos direito a mais jogos como esses no Euro 2012. Mesmo que agora esteja mais consciente do que estava há quatro anos, quando inaugurei o blogue, de que é pouco provável nós levantarmos a Taça, que o mais certo é tudo acabar "em desilusão e poeira" (não me perguntem de quem é esta citação, porque não me lembro...), de que nem toda a gente apoia tão desinteressadamente como eu a Equipa que devia ser de Todos Nós, incluindo os próprios jogadores, o meu amor pela Seleção continua intacto ao fim de todos estes anos e ainda não abandonei a esperança que tinha, em maio de 2008, de um dia publicar uma entrada sobre o nosso primeiro título a nível de Seleção A. Hei de publicá-la um dia, seja daqui a mês e meio, dois anos, quatro, sei, dez, vinte ou cinquenta. Que diabo, se só conseguirmos levantar uma Taça depois de eu ter falecido, se eu só puder acompanhar esse momento através do relato de Jorge Perestrelo, espero que o Céu tenha acesso à Internet! Até lá, continuarei a encarar cada fase final de campeonatos de seleções da mesma forma: pensado jogo a jogo, mantendo ambos os pés assentes na Terra, sem contudo deixar de aproveitar cada momento de cada uma das viagens.

A viagem rumo à final de Kiev começa segunda-feira, dia 14 de maio, na Casa da Música, em Óbidos, às 20h. Como sempre, acompanharei a jornada desde início e utilizarei o blogue e a página do Facebook como diários de bordo. Agora, é ver até onde a Seleção Nacional consegue ir.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Polónia 0 Portugal 0 - Um trailer mal amanhado

Anteontem, a cem dias do início da fase final do Campeonato Europeu de Seleções, que se realizará na Polónia
e na Ucrânia, a Seleção Portuguesa de Futebol efetuou o seu primeiro jogo do ano de 2012. Tratou-se de um embate de caráter particular, que opôs Portugal à Polónia, precisamente uma das anfitriãs do Euro 2012, que serviu também para inaugurar o novíssimo Estádio Nacional de Varsóvia. Tal encontrou terminou com o marcador por abrir.

Não há muito a dizer sobre este jogo, pelo menos, não há muito que não tenha já sido dito. O encontro assemelhou-se a tantos outros particulares da Seleção Nacional. O guião-base é sempre o mesmo, com uma outra variação, alguma rotatividade nos atores principais, secundários e figurantes, no cenário. Na primeira parte, como jogam os habituais titulares, há futebol de qualidade. Na segunda parte, com as substituições, o rendimento cai.

Especificando para este jogo, o Nani, com a garra que o caracteriza, foi um dos que mais perigo levou à baliza polaca. Também Ronaldo e Hugo Almeida deram o seu contributo, se bem que com um pouco mais de discrição.

Na segunda parte, com as substituições, a equipa perdeu ritmo, entrou em modo de gestão de esforço. Neste segundo ato, o protagonista foi Rui Patrício. Não fosse o jovem guarda-redes do Sporting e alguma pitosguice por parte dos polacos e o filme podia ter acabado mal para o nosso lado. Há quem diga que, depois de tantas vezes nos ter salvado o couro, ontem e não só, este já se tornou o titular indiscutível da baliza. Mas estou agora a pensar que o Marmanjo é pequeno e magro, pelo menos quando comparado com os brutamontes alemãs, à frente dos quais nos vamos estrear no Euro 2012. Nesse aspeto, talvez o corpulento Eduardo fosse mais aconselhável. Contudo, os jogadores não se medem aos palmos, caberá a Paulo Bento decidir qual deles entrará em campo dia 9 de junho.

Depois de uns bons primeiros quarenta e cinco minutos e de uns entediantes segundos quarenta e cinco minutos, o jogo acabou com o marcador por abrir. Já que não serviu para dar alegrias, por pequenas que fossem, a ninguém, espero que o particular tenha servido para Paulo Bento tirar conclusões. De resto, pouquíssimas pessoas levaram este jogo a sério. A maior parte do pessoal está mais preocupado com o clássico de logo à noite, para eles este particular pouco mais foi que um espinho na carne.

Por meu lado, estou-me completamente nas tintas para o jogo desta noite. Não em jeito de retribuição, de birra, por, na minha opinião, não terem dado à Equipa, que devia ser de todos nós, o tempo de antena que merecia. Apenas me é indiferente quem ganha ou deixa de ganhar a I Liga. Há anos que é assim.

Devo ser das poucas pessoas que ficou verdadeiramente desiludida com o resultado do jogo. Mais do que com a exibição. Como já disse antes, não se poderia esperar muito mais de um jogo deste caráter Mas eu esperava um pouco mais, mesmo assim. Esperava uma vitória. Mesmo que tivesse sido pela margem mínima, mesmo que não o merecêssemos. Já me contentaria com um empate com o marcador aberto... Esperava gritar "GOLO!" pela primeira vez este ano. Agora vou ter de esperar pelo menos três meses até ter a oportunidade de celebrar um golo.

Rui Patrício afirmou que, em maio, estaremos melhor, que "vamos ter tempo para trabalharmos todos juntos (...) por forma a que nos possamos apresentar, posteriormente, nas melhores condições para fazermos um bom Campeonato da Europa". Ele não foi o único a antecipar esse período. Também Paulo Bento e Cristiano Ronaldo o fizeram, com um pedido curioso:  "Aquilo que espero é que as pessoas possam vir ao estádio apoiar a Seleção, ter as bandeiras nas janelas das casas como em 2004 e de ouvir cânticos para a Seleção, por que isso faz a diferença para os jogadores e só se nota nos clubes", desabafou o madeirense. "Era uma maneira saudável e positiva de ajudar." "Que no Euro 2012 o País cante pela Seleção e que os jogadores o sintam", desejou Paulo Bento.

Fica a dica. Se tivesse jeito para isso, talvez eu mesma compusesse um tema para a Turma das Quinas, mas não tenho... De qualquer forma, certamente alguém pegará na ideia.

Em relação às bandeiras, eu já ia pendurar a minha de qualquer forma, sem que mo pedissem, mas sei que nem toda a gente é assim. Pode ser que, com o Ronaldo a pedir, se recrie o cenário do Euro 2004.

Agora tenho mais dois motivos para ansiar por maio. Como se precisasse deles... Já ando há algum tempo a pensar nessas gloriosas semanas. Tenho anotado ideias para entradas a publicar nessa altura. Já sei onde existe uma televisão caso esteja na Faculdade na altura de um jogo. Tenho planeado eventuais visitas ao Jamor (isto se a Seleção fizer algum treino lá, algo que acho pouco provável...).

Estes últimos dias, este jogo, não passaram de um cheirinho demasiado ténue, de uma amostra pouco representativa, de um trailer mal amanhado. Em maio e em junho tudo será diferente. A Seleção constituirá o elenco principal, com todas as câmaras para eles apontadas, os clubes serão meros figurantes. Haverá tempo para afinar as armas, prepararmo-nos para os grandes combates. Os níveis motivacionais serão outros - ninguém andará a guardar-se para o clássico. Não, depois da Convocatória Final, a 18 de maio, tudo será diferente. Faltam exatamente onze semanas para a divulgação dos resultados do casting, oitenta dias para o início das filmagens, noventa e nove dias para a grande estreia. Não posso prometer que o filme ganhe o Óscar, mas nada nos impedirá de aproveitar a jornada. Que, por muitas razões, incluindo os apelos do Selecionador e do Capitão, promete ficar na memória.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Um cheirinho de maio e junho

Primeira entrada do ano. Um feliz 2012 a todos os leitores. Visto que este ano se realiza do Campeonato Europeu de Seleções, esta será certamente a primeira de muitas entradas este ano.

Mais de cem dias após garantirmos um lugar na fase final do Europeu de 2012, que se realiza em junho na Polónia e na Ucrânia, Paulo Bento anunciou ontem, sexta-feira 24 de fevereiro, os Convocados para o jogo de preparação para tal campeonato. Este amigável opor-nos-à à Polónia, precisamente uma das anfitriãs do Euro 2012 e servirá para inaugurar o Estádio Nacional, em Varsóvia.

A maior novidade desta Convocatória chama-se Nélson Oliveira. O jogador de apenas vinte anos de idade foi uma das estrelas da campanha da Seleção Nacional de Sub-20 no Campeonato do Mundo que se realizou no verão passado. Paulo Bento justificou tal chamada afirmando que Nélson "é um futebolista com potencial e grande qualidade" e que "possui características diferentes de todos os outros avançados que temos à disposição". Se se recordam, na entrada em que abordei o Mundial, escrevi o seguinte:

"Juro que, em quase dez anos em que me interesso por futebol, não me lembro de alguma vez ter visto um jogo [a final contra o Brasil] em que os jogadores lutassem literalmente até ao limite das suas forças. Deste modo, a Seleção de Sub-20 de uma lição de coragem, garra, empenho, ficando anos-luz à frente de não assim tão poucos jogadores e equipas sénior. (...) [vou fazer figas para] que o Nelson Oliveira, o Danilo, o Mika e os outros estejam daqui a uns anos a fazer o que o Cristiano Ronaldo, o Nani, o Rui Patrício e o Fábio Coentrão fazem hoje pela Equipa das Quinas!"

Ainda não passou nem um ano mas o Nelson já tem uma oportunidade de conquistar um lugar na Turma das Quinas Sénior. O jovem Marmanjo já provou ter, não só talento, mas também verdadeiro espírito de Seleção. Espero, por isso, que ele seja bem sucedido.

Se isso acontecer, se ele conseguir ser Convocado para o Euro 2012, será  "o puto da Seleção" neste campeonato. Ainda me lembro de quando "o puto" era o Cristiano Ronaldo... Este agora tem vinte e sete anos, já não falta assim tanto para ele se retirar. Estes últimos oito anos passaram a correr, quem me garante que os próximos não passarão mais depressa?

Tal como assinalei anteriormente, decorreram mais de cem dias desde a jornada dupla frente à Bósnia-Herzegovina. Num intervalo de várias semanas, contaram-se pelos dedos de uma mão as notícias relacionadas com a Equipa de Todos Nós. Este período de seca coincidiu com a minha época de exames, portanto, houve um efeito aditivo da frustração de ambas as coisas. Passei por uma verdadeira abstinência da Seleção, cujos sintomas incluíram sonhos esquisitos. Num deles, encontrava-me de férias numa espécie de resort onde a Turma das Quinas estagiava. No início até era agradável, eu podia assistir aos treinos, chegava mesmo a cumprimentar Paulo Bento. Só que, de repente, dou por num num cruzeiro - tive este sonho mais ou menos uma semana depois do naufrágio do Costa Concordia - e o navio começa a naufragar. No momento seguinte, estou a ser resgatada por um helicóptero e a perguntar o que aconteceu a Seleção, se os jogadores tinham sobrevivido. É tudo quanto me lembro mas foi suficientemente perturbador.

É claro que tentei tratar-me, tentei enganar as saudades. Uma das terapias que segui foi mudar o visual daqui do blogue. Nunca me tinha sentido completamente satisfeita com ele. Calhou um dia estar a explorar as ferramentas de design. Agora fica mais claro que este é um blogue sobre a Seleção Nacional. E acho que não ficou feio.

A propósito de renovações e mudanças de visual, acabei de criar uma página no Facebook de apoio ao blogue. Há que admiti-lo, os blogues estão a passar de moda, adaptamo-nos ou morremos. As redes sociais têm, além disso, a enorme vantagem de potenciar um dos maiores pontos fortes da Internet: a troca livre e rápida de informação. Não vou abandonar o meu blogue só por não estar na moda mas vou usar as ferramentas que estão na moda para que o meu blogue chegue a mais gente. Nele publicarei, não apenas as entradas do blogue, mas também notícias, fotografias, vídeos, tudo relacionado com a Seleção, e ainda aquelas primeiras ideias que depois costumam dar origem a entradas novas. Ainda pensei criá-lo mais tarde, mais próximo do Europeu, mas achei melhor fazê-lo agora para me habituar a ele, divulgá-lo, de modo a estar no seu melhor aquando da preparação do Euro 2012. Podem visitá-lo (e, já agora, fazer "Like") AQUI.

Outra terapia foi montar um segundo vídeo de apoio à Seleção, desta feita usando como banda sonora a música One World One Flame, de Bryan Adams. Esta foi outra faixa que o cantautor canadiano compôs e gravo para os Jogos Olímpicos de inverno de 2010, uma balada acústica com letra simples, aplicável a qualquer competição desportiva. O pior foi que o vídeo foi retirado do YouTube dois dias mais tarde por violação dos direitos de autor... Eu já não me posso queixar, nesta altura do campeonato já devia ter aprendido a lição. E teria sido pior se tivessem retirado o vídeo de The Climb, que tem mais significado, uma mensagem mais forte. De qualquer forma, queria ver se montava pelo menos mais um vídeo antes do Europeu. Estou à espera de ma eventual música-tema do Euro 2012. Senão, talvez utilize Sangue Oculto, dos GNR. Entretanto, se ficaram curiosos, podem sacar o vídeo para One World One Flame AQUI.

O jogo com a Polónia será o nosso décimo confronto com esta seleção. Dos nove jogos, recordo-me dos três últimos, uma vitória, uma derrota, um empate.

A vitória deu-se na fase de grupos do Mundial 2012, há quase dez anos. Lembro-me de o Pauleta marcar um hat-trick e de Rui Costa ter marcado o quarto golo. Lembro-me de, na minha ingenuidade, apesar da vergonhosa derrota aos pés dos Estados Unidos na semana anterior, achar que o título estava praticamente garantido. Deem-me um desconto, eu tinha doze anos e acabado de começar a interessar-me por futebol! Lembro-me vagamente de o João Pinto não ter ficado satisfeito com o facto de ter sido substituído pelo Rui Costa mas o jogo seguinte provou que teria sido muito melhor se ele tivesse ficado no banco.

Dos outros jogos recordo-me melhor. Ambos contaram para a Qualificação para o Europeu de 2008. No primeiro, em outubro de 2006, fomos derrotados - não me lembro do resultado final, mas recordo-me que termos sofrido dois golos nos primeiros vinte minutos, isto depois de o Selecionador polaco ter vaticinado que o jogo ficaria resolvido nesse intervalo de tempo.

O empate deu-se na Luz, em setembro de 2007. Lembro-me de estarmos a ganhar por duas bolas contra uma, mas depois, aos 87 minutos, os polacos marcaram um golo digno dos apanhados, em que a bola foi ao poste, bateu nas costas do guarda-redes Ricardo e cruzou a linha de baliza... Um momento que ainda hoje me exaspera.

No total dos nove jogos, contam-se quatro vitórias, três derrotas e dois empates. Tudo pode acontecer na quarta-feira, não me admiraria se saíssemos de lá com um empate (três vezes na madeira!). Por outro lado, por amor de Deus, estamos a preparar um campeonato em cuja fase de grupos se encontram provavelmente os adversários mais difíceis que nos poderiam calhar. Eu sei que é apenas um particular e tal, mas se não conseguirmos vencer a Polónia, como é que podemos aspirar a passar o grupo, deixando duas destas três seleções - Alemanha, Dinamarca, Holanda - pelo caminho?

É melhor não pensar demasiado nos adversários que nos aguardam senão o meu ânimo vai por água abaixo... Haverá tempo para pensarmos no que teremos de fazer para sobrevivermos ao grupo do Euro. Para já, por estes dias, quero matar saudades da Seleção, depois de esta ter estado longe dos holofotes por muito tempo, demasiado tempo para o meu gosto. Quero ter um cheirinho, ainda que muito ténue, daquilo a que teremos direito durante os próximos meses de maio e junho. Quero ver os novos equipamentos da Turma das Quinas - que parece que vão ser apresentados hoje, domingo, dia 26 - em ação. Quero, sobretudo, um motivo, por pequeno, por insignificante que seja, para não recear os adversários com que teremos de lidar em junho, para acreditar que Portugal fará uma boa campanha no Euro 2012.



Este texto foi escrito segundo o novo Acordo Ortográfico. Não porque a autora concorde com as alterações impostas, pelo menos não com todas, mas porque entende que de nada serve pura e simplesmente ignorar o Acordo e teimar em escrever da maneira antiga, como uma criança a fazer birra ou como um adolescente armando-se em rebelde. E também porque, não fossem outros Acordos Ortográficos anteriores a estes, o nome da autora por escrito, em vez de "Sofia", seria "Sophia" - algo que autora consideraria extremamente piroso.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Deus quis que Portugal sofresse...

No passado dia 2 de Dezembro, Sexta-feira, realizou-se em Kiev o sorteio para fase de grupos do Campeonato Europeu de Futebol, a realizar-se entre 8 de Junho e 1 de Julho de 2012

Como era de prever, nas vésperas da cerimónia, muita gente opinou sobre quais seriam as melhores e piores selecções para companheiras de grupo. Eu não alinhei nisso. Conforme expliquei na entrada anterior, a escolha não recairia sobre mãos humanas. De acordo com a própria definição de "sorteio", a decisão coube a Deus ou, caso não sejam religiosos, à Sorte, ao Destino, ao Universo. Vocês percebem a ideia.

E, pelos vistos, independentemente da entidade sobre-humana que escolheram, essa quis que Portugal sofresse.

Fiz questão de seguir em directo este sorteio. Às cinco da tarde sentei-me em frente à televisão, com o computador ao colo, à semelhança do que costumo fazer quando há jogos. Mais tarde, arrependi-me. Antes que começassem a tirar as bolinhas dos potes, tivemos de aturar uma série de discursos, cantoria, bailarico e afins, coisas que não interessavam nem ao menino Jesus. Que não ajudaram a aliviar o nervoso miudinho que começava a instalar-se. Aquilo a certa altura já nem merecia a denominação de sorteio - como dizia um inglês no Twitter, já mais parecia o Festival da Canção.

Finalmente, lá se dignaram a fazer o sorteio. Não sem antes fornecerem uma explicaçãozinha toda XPTO de como aquilo iria funcionar. Tal impacientou-me, na altura, por ser mais uma coisa a atrasar a retirada das bolinhas dos potes. Agora vejo que devia ter prestado mais atenção pois tive alguma dificuldade em acompanhar o processo.

Para a próxima, não me dou ao trabalho de ver a cerimónia do sorteio em directo. Não vale mesmo a pena. Mais vale informar-me depois de os grupos e o calendário já estarem definidos.

De qualquer forma, lá fui acompanhando o sorteio como podia. Achei alguma graça quando soube que a Holanda e a Dinamarca partilhariam o grupo, por serem duas selecções do Norte da Europa.

Mas não achei graça nenhuma quando nos juntámos a elas.

Quando o nosso nome saiu das bolas, a minha primeira reacção foi:

- Nãããããããooooo! A Dinamarca, não!

Quase me esqueci da Holanda. Depois do nosso último jogo com eles, os dinamarqueses eram os últimos com quem desejaria que nos cruzássemos, tirando a Alemanha. Antes nos tivesse calhado a França, ou mesmo a Espanha. Ainda digerindo este resultado, não prestei muita atenção à parte seguinte do sorteio. Entretanto, os meus irmãos chegaram a casa e eu informei-os da nossa sorte. A certa altura, os locutores disseram que a quarta selecção do Grupo B seria uma destas três: Alemanha, Inglaterra ou Itália.

- Tenho um feeling de que vai ser a Alemanha - disse a minha irmã.

Eu fiz figas para que fosse a Inglaterra, pois já a tínhamos vencido no Euro 2004 e no Mundial 2006 e Wayne Rooney não jogaria nos dois primeiros desafios do campeonato. Mas Deus Nosso Senhor queria mesmo complicar-nos a vida e a profecia da minha irmã acabou por se realizar.

- Oh, fogo!

Como podem ver, a minha primeira reacção aos resultados do sorteio foi de pessimismo, quase de pânico. Vencemos os dois nossos últimos encontros com a Holanda mas isso passou-se há mais de cinco anos e, desde essa altura, os laranjas melhoraram imenso chegando mesmo a vice-campeões do Mundo. A Dinamarca é, teoricamente, a equipa mais acessível do grupo mas o seu recente historial de nos complicarem a vida à grande e à dinamarquesa não tranquiliza. E nem vou falar da Alemanha... No geral, temos equipas do Norte da Europa, de grande poderio físico, que já foram campeões europeus pelo menos uma vez. Nós somos um outsider, uma Selecção da periferia, do Sul da Europa, latina, franzina, que tem prestígio, bons jogadores mas que nunca ganhou nada. 

Já falei aqui do padrão descendente que os sucessivos campeonatos de selecções parecem seguir. Com este grupo, não pode ser deixada de fora a hipótese de não chegarmos ao mata-mata e de o padrão se manter...

Paulo Bento afirmou numa entrevista há algumas semanas que, com base nos nossos particulares com a Espanha e a Argentina, "podemos competir com as selecções mais fortes". Ele, provavelmente, tem razão. Podemos competir, desafiar, olhar nos olhos, dar dores de cabeça. Mas vencer é outra história. Além de que uma coisa é enfrentar tais equipas em particulares, em que não há nada a ganhar ou a perder - se tomarmos a Espanha como exemplo, nós trucidámo-la, é certo, mas agora, um ano e não sei quantas derrotas em amigáveis e uma Qualificação imaculada depois, acho que a noite de 17 de Novembro de 2010 foi mais demérito espanhol do que propriamente mérito português. A Alemanha e a Holanda tiveram Qualificações quase perfeitas e nós tivemos de ir aos play-offs. Se vocês as comparassem com Portugal, friamente, a que conclusão chegariam?

Por outro lado, muitos têm mencionado um possível efeito oposto ao que seria de esperar. O próprio Paulo Bento invocou a sua experiência enquanto jogador e mencionou grupos difíceis em que se amealharam nove pontos (o Euro 2000?) e grupos fáceis em que só se conseguiram três (o Mundial 2002?). Podemos mencionar outros exemplos de jogos em que tínhamos tudo para vencer e não o fizemos: com a Grécia em 2004, com a Suíça em 2008, com a Costa do Marfim em 2010. Um artigo de opinião que li há umas semanas explica bem melhor do que eu este fenómeno: "Este clima de baixas expectativas (...) pode paradoxalmente ser aliado de Paulo Bento. Quando se espera pouco, as pequenas vitórias parecem grandes e cria-se um clima de menor pressão sobre o "sucesso obrigatório" que asfixiou a equipa nos últimos campeonatos. E Portugal é sempre melhor quando precisa de se superar do que quando se julga melhor do que os adversários."

Já que se fala nisso, julgo que a alta pressão aquando das últimas competições partiu mais dos adeptos e de todo o marketing em redor da Selecção típico de tais alturas. É uma faca de dois gumes: eu gosto dessa mediatização da Equipa de Todos Nós aquando dos campeonatos de Selecções mas se isso traz mais contrapartidas do que benefícios... É uma questão complicada.

Em todo o caso, nesse aspecto, o Destino foi generoso, de uma forma obscura e retorcida. Ninguém se atreverá a sonhar demasiado alto. Os jogadores estarão motivados para darem o seu melhor. Terão cerca de 6 meses para se prepararem, incluindo as habituais semanas de estágio. E quer Portugal saia de campo vencedor ou vencido, será depois de duelos ricos em adrenalina, emoção, espectáculo, que ficarão registados na História.

E, de resto, quem conseguir sobreviver a este Grupo da Morte, como o pessoal gosta de chamar, ficará muito bem colocado para se sagrar campeão. Se por acaso Portugal se encontrar entre os dois sobreviventes, não deveremos ter problemas nos quartos-de-final já que o Grupo A é relativamente fraco. O único potencial adversário que me preocupa é a Grécia e só por causa do seu historial que inclui a usurpação de uma Taça que deveria ter sido nossa. E, mesmo assim, se tivermos conseguido lidar com a Alemanha, com a Holanda e com a Dinamarca, conseguiremos lidar com qualquer um. Se, eventualmente, conseguirmos chegar às meias-finais, tudo pode acontecer.

Mas é um grande "se". 

Eu acredito, como não podia deixar de ser. O futebol tem um longo historial de caprichos, de pormenores tornados pormaiores. Ninguém pode garantir sem margem de erro que Portugal regressará da Polónia e da Ucrânia sem a Taça Henri Delauny. Já ando há muito tempo à espera de ver a Selecção arrecadar um título, outros tem estado há ainda mais tempo. Demasiado tempo. Tentarei manter os pés assentes na Terra, encarar um jogo de cada vez, mas só deixarei de sonhar, de desejar, quando já não existir a mais remota hipótese. Quando o árbitro apitar três vezes. Até lá, acreditarei e aproveitarei ao máximo o facto de Portugal estar novamente a disputar um Campeonato Europeu de Selecções.


Deixo-vos o calendário da fase de grupos do Euro 2012 (Fonte: Expresso online)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Portugal 5 Luxemburgo 0 - No bom caminho

A Selecção Nacional recebeu e venceu por cinco bolas sem resposta a sua congénere luxemburguesa, num jogo de carácter preparatório dos três desafios finais da Qualificação para o Europeu de 2012, em particular, o jogo com o Chipre, a realizar-se no próximo dia 2 de Setembro.

O jogo arrancou morno, com os luxemburgueses muito defensivos, como era de esperar. Os portugueses iam fazendo pressão sobre a baliza adversária mas sem grande convicção. O relvado estava um bocado manhoso. Por causa do calor que fazia, este tinha sido regado pouco antes do início do jogo, o que o tornou escorregadio. Várias vezes, os jogadores escorregaram e/ou caíram.

Uma dessas situações ocorreu no lance que deu origem ao primeiro golo da Equipa das Quinas. O Fábio Coentrão recebe a bola do Hélder Postiga mas dá uma queda espalhafatosa. A bola vai parar a Cristiano Ronaldo mas este é rasteirado pelo guarda-redes luxemburguês. O Hélder acaba por ganhar a bola, faz chapéu ao próprio companheiro de equipa e o esférico vai parar às redes. Um lance caricato.

O grito de "GOLO!" ficou suspenso na dúvida relativa à validade do tento. A Lei da Vantagem não é válida na grande área (algo que eu ignorava), devia ter sido marcada uma grande penalidade mas o árbitro ignorou essa regra e validou o golo. Portugal abria o marcador deste modo. "Aos trambolhões", como disse o comentador da RTP. E o Hélder, como já fez várias vezes no passado recente, fez o gosto ao pé ao serviço da Selecção.

Como costuma acontecer nestes jogos, o primeiro golo quebrou o gelo. Mais tarde, foram cobrados dois pontapés livres directos, ambos executados por Cristiano Ronaldo. O primeiro acertou na barreira humana, o segundo cruzou a linha de baliza resultando, deste modo, no segundo golo português da noite. O Cristiano marcou, assim, o oitavo golo de uma temporada que mal arrancou.

Ao intervalo, Paulo Bento efectuou várias substituições. Geralmente, em jogos particulares, estas trocas a meio da festa são sinónimo de decaimento da qualidade da exibição - neste caso, provocaram o efeito inverso. Ainda a segunda parte mal tinha começado, já o Coentrão havia marcado de cabeça o seu primeiro golo ao serviço da Equipa das Quinas.

O momento alto da noite ocorreu aos 58 minutos de jogo, quando o Hugo Almeida marcou aquele golo espectacular, de fora da grande área. Foi também ele que, cerca de quinze minutos depois, encostou a bola que Nani lhe passou, assinando o quinto tento da Equipa de Todos Nós. Achei graça quando ele, depois, se foi pendurar naquele varão da baliza. Uma maneira original de celebrar um golo... Na parte final do encontro, o público pedia "Só-mais-um! Só-mais-um!", mas o resultado já estava feito. 

Não há muito mais de relevante a dizer sobre este encontro. Teve o desfecho que se previa. Os objectivos foram cumpridos: ganhámos, não sofremos golos (já contamos três jogos com a nossa baliza inviolada), Portugal levou o jogo a sério, mostrou estar preparado para a recta final da Qualificação para o Campeonato da Europa. 

Um aspecto positivo deste jogo foi o facto de vários Marmanjos terem dado provas de serem trunfos para a Turma das Quinas. Vou destacar o Hélder Postiga e o Hugo Almeida. Ainda há não tão pouco tempo quanto  isso, falava-se muito da falta de pontas-de-lança portugueses. Ontem, como, de resto, tem sido a regra ao longo dos últimos jogos, ambos os pontas-de-lança que jogaram contribuíram para os resultados. É certo que, nos próximos tempos, o Hélder e o Hugo disputarão febrilmente a titularidade, darão muitas dores de cabeça a Paulo Bento. Mas, como o Hélder assinalou muito bem: "A vantagem é da Selecção".

Agora o nosso próximo jogo é contra o Chipre. Já disse antes que não devo poder ver o desafio pois estarei no estrangeiro. Curiosamente, o mesmo aconteceu com o nosso primeiro jogo com esta selecção. Dado o resultado, não tive pena absolutamente nenhuma de o ter perdido. Mas, se não conseguir ver este, quero sentir uma pena danada por isso. Tendo em conta o nosso passado recente, incluindo o jogo de ontem, acredito que lamentarei não ver o jogo. Afinal de contas, como disse Paulo Bento, como, mais uma vez, ficou provado, a Selecção está no bom caminho.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A Miúda do Cachecol

Na passada Segunda-feira, dia 8 de Agosto, a Selecção Nacional realizou uma sessão de treino aberto no Estádio do Jamor e, mais uma vez, eu estive lá!

Para preparar o encontrou amigável com o Luxemburgo, efectuaram-se duas sessões de treino abertas. Uma anteontem, às seis da tarde e outra ontem de manhã, às nove e meia. Teria preferido ir a esta última mas, durante a manhã, tenho trabalho. Por isso, fui ontem. Como já conhecia o caminho, foi-me um pouco mais fácil chegar ao Estádio, mas não deixou de custar. Apesar de já ser fim do dia e, teoricamente, o calor já não apertar tanto (razão pela qual o treino se realizou tão tarde, penso eu), ainda estava bastante quente (o cachecol de Portugal nos meus ombros não ajudou); estavam a construir uma estrada nova e, ao passar por lá, fiquei cheia de pó; além disso, aparentemente, havia um incêndio algures pois cheirava imenso a queimado. Mas ultimamente tenho vivido de acordo com a seguinte filosofia: "Se estás cansado(a), dorido(a), sujo(a), significa que aproveitaste a experiência ao máximo. Se te assusta, deves fazê-lo. Não te arrependerás." Por isso, não me importei.

Cheguei ao Estádio mesmo em cima da hora e fui apanhada de surpresa pela quantidade de pessoas que haviam tido a mesma ideia que eu. Muitas mais do que no outro treino a que assisti. Uma parte significativa do público era constituída por crianças, ansiosas por verem os seus heróis. Ouvia-se o pregão de um vendedor ambulante:

- Olhá garrafinha de água, olhá cerveja, olhó Sumol!

Os jogadores subiram ao relvado (os balneários são subterrâneos) pouco depois de eu chegar. O treino começou com corrida de aquecimento à volta do campo. Nas primeiras voltas, à medida que os Marmanjos passavam, nós aplaudíamos. Depois os mais pequenos (e eu... ) iam chamando pelos craques:

- Ronaldo! Coentão! Nani! - mas estes começaram por não ligar.

Eu ainda me pus a gritar: "POR-TU-GAL! POR-TU-GAL!", a ver se mais gente no público se juntava a mim, mas não pegou e eu calei-me.

Entretanto, de uma das vezes que o grupo passou perto de nós, eu acenei-lhes e o Pepe acenou logo a seguir. Não sei se se dirigia a mim ou se foi coincidência, se ele estava a acenar a outra pessoa. Bem, nunca o saberei, por isso, vou considerar que ele estava a responder ao meu aceno.

Nesta altura, já os jogadores iam acenando para o público em resposta aos chamamentos. No fim do aquecimento, alguns deles foram para o banco, num altura em que estava mesmo por detrás dele (mas atrás do muro, obviamente) e desfrutei de alguns momentos em que tinha os meus heróis a poucos passos de mim.

Mais tarde, acabei por ir para o outro lado do campo, para onde a maior parte do pessoal se tinha acumulado. Fiquei lá até ao fim do treino, vendo o Coentrão, o Bruno Alves, o Danny e outros de quem não me recordo jogando futevólei, na esperança de que, depois, viessem distribuir autógrafos. Ao longo do outro treino a que assisti, tinha-me deslocado regularmente, tentando ver o que se passava no campo de todos os ângulos possíveis. Ontem não pude fazê-lo porque estava demasiada gente e os polícias tinham vedado o acesso a uma parte da pista de corrida. Em todo o caso, estive a vê-los de perto e fui testemunha da alegria, do companheirismo, da cumplicidade que reina entre os Marmanjos.

Na parte final da sessão de treino, já tinha um olho no campo e outro nas horas, com medo de perder o comboio. Ainda estive para sair mais cedo, mas decidi que valia a pena chegar um pouco mais tarde a casa, com um autógrafo no meu caderno. Por isso, fiquei até ao fim. Só que, logo depois do treino, os jogadores enfiaram-se no balneário. Só o Sílvio se dignou a vir dar uns autógrafos e a tirar uma ou outra fotografia com uns miúdos. Ainda tentei a minha sorte, enfiei-lhe o caderno e uma caneta debaixo do nariz mas ele ignorou. Não me importei muito. Não o conheço tão bem. Se tivesse sido outro, talvez o Ronaldo, o Nani ou mesmo o Ricardo Carvalho ou o Hélder Postiga, teria ficado mais zangada.

De qualquer forma, já fiquei um bocadinho zangada com aqueles ingratos. Que diabo, vieram oitocentas pessoas. Oitocentas! E não deve ter sido fácil para muitas delas. Já falei do calor, do pó, do fumo. Muitos de nós estariam melhor na praia, mas usaram a tarde livre para ir dar o seu apoio à Selecção. Aliás, a maior parte do pessoal que lá foi, estava, com certeza, de férias. Eu posso eventualmente voltar em Outubro, mas outros provavelmente não. Ontem, seria a melhor hipótese de conseguirem um autógrafo. Custava muito?

Eu não vou desistir. Nem que da próxima vez finte os polícias e invada o campo. Hei-de conseguir arrancar um autógrafo àqueles totós!

Comecei a descer a rampa em direcção à Estação da Cruz Quebrada. Trazia ainda o cachecol de Portugal nos ombros, na esperança de que o autocarro da Selecção passasse por mim, como da outra vez. Em várias ocasiões, cheguei a parar e a olhar para trás, a ver se avistava as motos da Polícia que costumam anteceder o autocarro.

E este acabou por aparecer. Não passou muito depressa, felizmente. Pus-me a acenar com o cachecol. Um dos jogadores, não consegui perceber qual, retribuiu-me o aceno (mais uns quantos treinos e já terei trocado acenos com toda a Selecção, eh eh) e o Eduardo, mais uma vez, olhou para mim. Pelos vistos, o autocarro passa sempre por ali, no fim dos treinos no Jamorpropriamente dito, hei-de ficar conhecida entre os jogadores como A Miúda do Cachecol ou A Totó À Saída Do Jamor ou outra alcunha do género... Fiquei a ver o autocarro afastando-se e só quando o perdi de vista é que guardei o cachecol e retomei o meu caminho.

E foi assim o segundo treino da Selecção Nacional a que assisti. Não soube tão bem como o primeiro. Já não havia o efeito da novidade, já não era a primeira vez que via a Equipa de Todos Nós ao vivo em quase quatro anos. Suponho que, ao fim de mais algumas vezes, hei-de me fartar... Por outro lado, estava muita gente, tal como já expliquei, não andava tão à vontade.

Tenho pena de não poder ter ido ao treino de ontem de manhã. Pelo que vi nos noticiários, estava menos gente do que anteontem. Além disso, não teria o stress de chegar a casa antes da hora do jantar. 

Mas gostei. É sempre bom ver os nossos heróis sem ser através da lente de uma câmara, trocar acenos com eles, fazê-los saber que adoro a Selecção, que estou com eles. E é como disse acima: ultimamente, tenho começado a sair da minha zona de conforto e, até agora, não me tenho arrependido.

Tenciono voltar. Outra e outra vez. Mesmo que acabe por se tornar banal. Nem que seja só para fazer de Miúda do Cachecol. O pior é que, agora, só devo poder ir de novo em Outubro já que, em Setembro, vou estar fora do País na altura do jogo com o Chipre. 

Agora que penso nisso, também não sei se haverá treino no Jamor nessa altura, já que o jogo é fora.

Entretanto, Paulo Bento fez ontem a ante visão do jogo que começa daqui a pouco mais de três horas, com transmissão na RTP1. O Seleccionador disse que Portugal abordará o particular com "a mesma atitude de sempre". Disse mesmo que os três principais objectivos para o desafio consistem em ganhar, não sofrer golos e manter a postura. Espero, agora, que às palavras do técnico se juntem as acções dos Marmanjos. Mesmo que o jogo não fique na História, quero ter uma noite feliz graças à  Selecção, quero gritar "GOLO!" várias vezes, quero receber mais um motivo para acreditar que não estamos assim tão longe de realizar o nosso sonho.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Futuro, presente, passado

No passado dia 30 de Julho, Sábado, realizou-se o sorteio para a fase de qualificação do Campeonato do Mundo a realizar-se em 2014 no Brasil. Portugal ficou no Grupo F, indo, por isso, disputar a Qualificação com a Rússia, Israel, Irlanda do Norte, Azerbaijão e com o Luxemburgo. Curiosamente, este último adversário é o mesmo que vamos defrontar na próxima Quarta-feira. Mas já lá vamos.

Toda a gente concorda que, em princípio, não deveremos ter problemas de maior durante esta Qualificação. O nosso mais perigoso adversário será, certamente, a Rússia. Estes, quando nos defrontarem, terão a motivação extra de vingarem os 7-1 de 2004. Além disso, os russos chegaram mais longe do que nós no Euro 2008. Chegaram à meia-final e, no caminho, derrotaram a Holanda. A Holanda! Que já nessa altura prometia. Não, não convém subestimar a Rússia.

Também não podemos subestimar os outros adversários. Israel, por exemplo, não tem grande historial futebolístico - só uma vez esteve no Campeonato do Mundo, mas, pelo que eu percebi, é daquelas equipas que, não tendo nada a perder, dão tudo o que têm em campo. A Irlanda do Norte não difere muito dos israelitas, nesse aspecto. Também constitui uma equipa teoricamente mais fraca. O nosso historial com esta selecção é-nos favorável, mas inclui empates e vitórias à rasca. E mesmo o Azerbaijão tem vindo a crescer futebolisticamente, desde que jogámos contra eles pela última vez, em 2007. Pelo menos é o que dizem.

Em teoria, é um grupo relativamente fácil. Na prática, já toda a gente sabe que as coisas não são assim tão lineares. Paulo Bento admitiu que, se bem que dificilmente a Qualificação fique ameaçada, aquelas equipas podem fazer-nos «perder pontos». Eu também já sigo o percurso da Turma das Quinas com atenção há uns bons anos e já os vi perder, empatar ou vencer com muito esforço equipas "inferiores" e golear o mais recente campeão Europeu e Mundial. Tudo pode acontecer.

Em todo o caso, ainda não me encontro nessa onda. O Mundial 2010 foi "só" no ano passado e já pensamos no de 2014... Só teremos de nos preocupar com a Qualificação daqui a um ano - trata-se de um futuro relativamente distante. Sabe-se lá em que estado há-de estar a Equipa de Todos Nós nessa altura! Tanta coisa se passou no ano que decorreu entre o último Campeonato do Mundo e o momento actual...

No momento actual, no presente, encontramo-nos a um mês do nosso próximo encontro da Qualificação para o Europeu de 2012. Com o objectivo de preparar esse jogo, a Selecção tem um desafio de carácter particular marcado para a próxima Quarta-feira, dia 10 de Agosto, no Estádio do Algarve. Paulo Bento anunciou os Convocados ontem, Quinta-feira, dia 4 de Agosto. A principal novidade foi o regresso de Nuno Gomes e Quim. Outros já disseram praticamente tudo o que havia a dizer sobre tal regresso - eu apenas acrescento que acho graça ao facto de Paulo Bento e Nuno Gomes terem, em tempos, sido colegas de Selecção e agora são Seleccionador e Seleccionado...

Eu também já assisti ao um jogo com o Luxemburgo no Estádio do Algarve. Foi em 2005, em finais de Agosto, princípios de Setembro. Desse jogo, os únicos "sobreviventes" dever ser o Ronaldo, o Ricardo Carvalho, o Hélder Postiga e pouco mais. Aquele encontro contava para a Qualificação para o Mundial 2006 - como podem ver, trata-se de um passado muito distante. Ganhámos 6-0. Estávamos sentados mesmo em baixo, perto do campo, junto a uma das balizas. Havia alturas em que ficávamos a poucos metros dos jogadores, em teoria podiam ouvir-nos perfeitamente. Na prática, nós bem gritávamos mas eles não reagiam. Por um lado, era bom sinal, eles estavam concentrados mas por outro... A fotografia acima foi tirada durante esse encontro. Todas as que tirámos ficaram com péssima qualidade, esta que tirámos do Figo é das poucas que se aproveita... Os dois primeiros golos (um deles, lembro-me que foi marcado pelo Ricardo Carvalho) foram festejados ao pé de nós.

Agora que penso nisso, talvez aquela troca de acenos com o Eduardo, durante o treino aberto da Selecção, não tenha sido o meu primeiro contacto com jogadores da Turma das Quinas. Existe a possibilidade de um dos Marmanjos ter reparado em mim nessa altura. Em todo o caso, com o Eduardo não houve margem para dúvidas. Mas perdoem-me este aparte, voltemos ao jogo.

De qualquer forma, eles só ficaram perto de nós durante a primeira parte (quando a baliza do Luxemburgo era do nosso lado), durante a segunda parte, aquilo ficava vazio...

Não me lembro de muito mais desse jogo. Foi uma daquelas goleadas fáceis, sem suor, sem adrenalina, sem emoção, que dificilmente ficam na memória. Calculo que se passará mais ou menos o mesmo na próxima Quarta-feira, a menos que os Marmanjos se distraiam  muito... Não sei que ilações poderá Paulo Bento tirar de um jogo com este, mas espero que as tire, de qualquer forma. Que, daqui a um mês é que as coisas vão ficar interessantes. Para já...

quinta-feira, 31 de março de 2011

Portugal 2 Finlândia 0 - Cada vez menos impossível

A Selecção Portuguesa recebeu na passada Terça-feira, à noite, no Estádio de Aveiro, a Finlândia, num jogo de carácter amigável e venceu-a por dois golos sem resposta, marcados pelo estreante Rúben Micael.

Desta vez consegui ver o jogo do princípio ao fim. E valeu a pena. Tivemos a nossa primeira vitória do ano. A Selecção jogou acima da média no que toca a jogos particulares, tendo em conta, sobretudo, que Paulo Bento efectuou variadas alterações à equipa habitual.

A verdade é que a Finlândia também não fez muito pela vida. Eu tinha a ideia, pelas dores de cabeça que nos deram na qualificação para o Euro 2008 e por a termos vencido por muito pouco da última vez que jogámos contra a equipa nórdica, de que eles seriam um adversário razoavelmente forte. Mais forte do que foram, pelo menos...  Aquela coisa que eu disse no outro dia, de este jogo ser um ensaio geral, no fim de contas... Só com muita sorte é que a Noruega nos facilita a vida daquela maneira!

Em todo o caso, não há nada a criticar na entrega dos jogadores portugueses. Estiveram praticamente todos bem. Os maiores problemas surgiram mesmo na hora de atirar à baliza - eles falhavam cada uma... Podíamos ter marcado uns quantos. Não sei se foi apenas uma noite má ou se existem motivos para preocupação. Há que dar os parabéns ao Rúben, que não podia ter pedido uma melhor estreia na Selecção, tendo em conta, sobretudo, o facto de ele não ser titular no seu clube. Parece que ele marcou, até, um dos golos mais rápidos de sempre, no que toca aos jogos da Equipa de Todos Nós. A emoção estava bem patente na sua voz quando o entrevistaram depois do jogo. Tinha razões para isso. É mais um que pode vir a dar muito à Selecção.

Depois do jogo, estive a ouvir na rádio as entrevistas aos protagonistas e as análises do encontro. Os elogios que os locutores fizeram à Selecção - que está muito melhor desde que tem Paulo Bento no comando técnico, que tem garra, "identidade própria", espírito de equipa e que tem cada vez mais hipóteses de se qualificar - aquecem-me o coração, apesar de não serem inéditos. Sem alinhar em euforias - já acompanho a Selecção há tempo suficiente para manter os pés assentes na terra - esta vitória deu-me esperança. São estas pequenas coisas que vão tornando o sonho cada vez menos impossível. Eu nunca deixo de acreditar mas existe uma parte de mim que acha que já tivemos a nossa dose de triunfo para os próximos anos com o Euro 2004 e o Mundial 2006. Esta boa fase da Selecção faz-me questionar se terá de ser assim. Talvez tenhamos equipa para nos qualificarmos para o Europeu e para fazermos uma boa campanha na fase final. Temos cada vez mais razões para dizer "Porque não?".

Mas isto sou eu a sonhar, a divagar. Não nos precipitemos. Neste momento, temos de pensar passo a passo, jogo a jogo. E o nosso próximo desafio será frente à Noruega, dia 4 de Junho, no Estádio da Luz. Sei que, anteriormente, revelei ter dúvidas mas agora acredito (acho que nunca deixei de acreditar) que a determinação em nos qualificarmos será mais forte do que o cansaço de final de época. Acredito que venceremos os noruegueses, que chegaremos ao primeiro lugar e que daremos um passo em direcção à Polónia e à Ucrânia. A Selecção representa uma luz, a única luz, num futuro cada vez mais negro. E cada vez teremos mais permissão para sonhar.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Portugal 1 Chile 1 - Cabeças noutro lugar

No Sábado passado, a Selecção Portuguesa de Futebol empatou a uma bola com a sua congénere chilena, num jogo de cariz particular. Os golos foram marcados por Varela (no caso de Portugal) e por Matías Fernández (no caso do Chile).

Começo a análise do encontro com uma confissão: não o acompanhei. Não o vi pela televisão, só liguei o rádio pontualmente, durante a segunda parte, apenas para ouvir o resultado. Estive a jantar com primos que raramente vejo e estava tão entusiasmada com a conversa que nunca mais me preocupei com o jogo.

Em minha defesa, alego que, segundo o que li e ouvi, os jogadores também não estavam muito concentrados no particular. Certamente, andavam mais preocupados com os respectivos clubes. A Comunicação Social, sobretudo a Desportiva, também andava mais interessada nas eleiçõe no Sporting - sobretudo depois daquilo ter dado para o torto. Em suma, estivemos todos com as cabeças noutro lugar que não o Estádio de Leiria.

É por isso que não censuro muito os Marmanjos pelo jogo fraquinho - assim, não perdi muito por não o ter visto. Parece que estes até entraram bem, que a primeira meia hora de jogo não foi má, mas depois disso não houve nem forças nem motivação para mais. O árbitro também não ajudou - passou o tempo todo a parar tudo por dá-cá-aquela-palha. Já se sabe que, excepto quando o adversário tm um nome sonante, tipo Espanha ou Argentina, é raro os jogadores darem o seu melhor quando é a feijões. Sobretudo nesta altura do campeonato - literalmente - em que já existe algum desgaste físico e se aproxima um período decisivo para os clubes.

Não, não são estes jogos particulares que me preocupam. O que me preocupa é que o nosso próximo jogo oficial é em Junho. No final da época. E se,nesta altura do campeonato, já há desgaste físico, em que estado estarão os Marmanjos quando jogarem com a Noruega?

Eu sei que um jogo a três pontos é diferete, sobretudo quando estes permitem aceder ao primeiro lugar agora que a Noruega e a Dinamarca empataram. É, sem dúvida estimulante. Mas e se uma época inteira pesar mais nas pernas dos jogadores do que a ambição da qualificação directa?

Eu continuo a ter fé. Continuo a acreditar. Nos jogadores e no Seleccionador. Continuo a acreditar que, de uma maneira ou de outra, havemos de consumar o regresso da Selecção aos bons resultados, depois do que aconteceu no Verão passado.

Uma vitória no jogo de amanhã, frente à FInlândia, também de cariz amigável, ajudaria a acreditar ainda mais. Esta Selecção é mais semelhante à Noruega, contra quem vamos jogar no dia 4 de Junho. De certa forma, será o ensaio geral antes de entrarmos em campo para lutar por três pontos e pelo primeiro lugar na tabela classificativa.

Este jogo é de carácter particular. O resultado é o menos importante, o que interessa é prepararmo-nos para a Noruega. Não é grave se não vencermos. Mas eu quero uma vitória. Quero ver a Selecção ganhar pela primeira vez este ano. Quero mais uma razão para acreditar que, apesar de tudo o que aconteceu, daqui a um ano estaremos a fazer planos para o Europeu de 2012, a realizar na Polónia e na Ucrânia.


P.S. Mil vezes enterrei este assunto, mil e uma vezes exumei-o. E começo a ficar farta. As recentes declarações de Carlos Queiroz versando Pepe revelaram ainda mais o péssimo carácter que o ex-Seleccionador possui. Eu compreendo que Queiroz, tal como disse Oceano, "durante meses foi muito injustiçado" e agora quer ripostar mas escolheu a vítima errada. Não que aquilo tenham sido coisas que se diga a qualquer um, mas Pepe apenas quis proteger a Selecção, Selecção essa que ainda está a lidar com as mazelas da confusão que ele ajudou a despoletar (quer tenha sido ou não contra o doping, ele insultou um ser humano, por amor de Deus!). O Professor perdeu outra oportunidade para ficar calado.
Agora espero sinceramente não ter de voltar a falar sobre este assunto. Espero-o há meses mas não tenho tipo grande sorte...

quinta-feira, 24 de março de 2011

A única coisa boa

No próximo Sábado, dia 26 de Março, a Selecção Portuguesa de Futebol enfrenta a Chilena, em jogo de carácter preparatório. Três dias depois, enfrenta a Selecção Finlandesa, igualmente de forma amigável. Paulo Bento, o Seleccionador Nacional atribuiu importância extrema a estes dois encontros, visto que se tratam dos últimos antes da recepção à Noruega, que contará para a Qualificação para o Europeu de 2012. Além disso, como já foi assinalado, esta semana constitui o maior intervalo de tempo que a Selecção tem para treinar desde o início desta fase de qualificação.

Confesso que não sei muito sobre a Selecção no Chile. Só jogámos contra eles duas vezes. Curiosamente, foi a primeira equipa que Portugal defrontou oficialmente. Foi em 1928, nos Jogos Olímpicos de Amesterdão. A Selecção Nacional esteve a perder por duas bolas a zero, mas conseguiu virar o resultado e chegar ao apito final vencendo por 4-2! Bela estreia... Parece que foi mesmo a primeira reviravolta da História da Selecção. O nosso segundo jogo foi em 1972 e também vencemos. Desta feita, por 4-1.

Neste Sábado, as atenções também se encontrarão viradas para o embate que oporá a Dinamarca e a Noruega, os nossos maiores adversários na qualificação. Uma vitória da Dinamarca, que se encontra a três pontos da Noruega, líder da tabela, ser-nos-ia favorável, uma vez que ficaríamos dependentes de nós próprios na corrida pelo primeiro lugar e pela Qualificação directa. Não sei qual das duas selecções nórdicas será a favorita, mas já tivemos sorte anteriormente em situações semelhantes... Que seja o que Deus quiser, esta qualificação ainda vai a meio... Não vale a pena preocuparmo-nos com coisas que não podemos controlar.

No que toca à Selecção Portuguesa, existem umas quantas ausências por lesão, a mais significativa das quais Cristiano Ronaldo. Baixas nesta altura do campeonato não são muito graves - podem até constituir uma oportunidade para testar alternativas, sem pressão. E desde que, quando for a sério, estejam todos disponíveis...

A verdade é que estas vantagens não servem de consolação para Cristiano Ronaldo. O madeirense não escondeu a sua frustração por estar afastado dos relvados. Afirmou mesmo ter "a cabeça cheia por causa desta lesão". Vê-se à distância e a olho nu que este adora sinceramente o que faz, independentemente do seu salário astronómico. É raro encontrar jogadores tão apaixonados como ele.

Além disso, ele é um sortudo do catano por fazer aquilo que adora e receber absurdamente bem por isso.

Apesar daquilo que referi acima, apesar daquela máxima que diz que não-existem-jogadores-indispensáveis, Ronaldo... é Ronaldo. Não há volta a dar. Adaptando a frase-feita da moda: "A Selecção podia viver sem Ronaldo? Poder, podia. Mas não era a mesma coisa."

Entretanto, esta semana concluiu-se que, afinal, Carlos Queiroz não pretendia perturbar o controlo anti-doping durante o Estágio de Preparação do Mundial de 2010, na Covilhã. Demoraram  um ano a chegar a essa conclusão... e acho graça ter sido precisamente numa semana em que a Selecção está reunida! Pela primeira vez em quase dois meses! Queiroz já anda por aí criticando a torto e a direito e há quem lhe responda... Pepe já veio pedir ao ex-seleccionador para parar com isso, que destabiliza a Selecção. Eu pego no que ele disse e acrescento: todos os que provocaram esta situação deviam calar-se de vez, se é que têm um mínimo de respeito pela Equipa de Todos Nós! Foi ela quem mais sofreu com a confusão que eles criaram. Por causa deles estamos aqui a fazer figas para que a Dinamarca vença no Sábado, para conseguirmos limpar mais facilmente a porcaria que eles fizeram. Já dificilmente os perdoarei pelo que fizeram, eles que não piorem as coisas. E não quero falar mais deste assunto, que já me enervou o suficiente.

Também esta semana, faleceu Artur Agostinho, aos noventa anos. Não vou mentir, o senhor não me dizia por aí além. Ela um rosto simpático da televisão, colunista do Record, penso que, durante a preparação para o Mundial, foi dos poucos jornalistas a manifestar apoio incondicional à Selecção, apesar de ter criticado a Convocatória. Apesar disso, o seu desaparecimento perturbou-me. Suponho que seja típico do envelhecimento: pessoas que conhecemos vão-nos deixando...

Ao menos, Artur Agostinho foi devidamente homenageado enquanto vivo. Teve melhor sorte do que muitas personalidades, cujo mérito só foi reconhecido depois de morrerem...

Por outro lado, Agostinho deixa este mundo e um dia mais tarde, o Primeiro-Ministro pede a demissão. Não sei se ele também tinha este desejo, mas eu gostava se, quando morrer, o País já tivesse encontrado um rumo, depois de séculos e séculos sempre em crise, sempre vivendo acima das possibilidades, sem que ninguém conseguisse dar a volta ao texto. Mas isto sou eu a ser jovem, idealista, ingénua... Na verdade, estou seriamente desanimada com o estado das coisas.

Sei que já o referi várias vezes aqui no blogue, mas não me canso de repeti-lo: a Selecção é, provavelmente, a única coisa que funciona bem neste País. A única coisa que nos faz sorrir, ainda que por pouco tempo. A única coisa que nos orgulha de sermos portugueses. É por causa disso que escrevo este blogue: para, de certa forma, retribuir o que me é dado.

Por isso é que desejo que esta semana de estágio dê frutos. Para que possamos esperar, sem risco de sonhar demasiado alto, por algo de bom de futuro.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...