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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Portugal 6 Bósnia 2 - Uma autêntica final

Há cerca de um ano e um mês que sonho com esta entrada no blogue - desde que Paulo Bento assumiu o comando técnico da Selecção Portuguesa de Futebol conseguindo, em poucos dias, pô-la a vencer e a golear, relançando-a na luta pela Qualificação para o Campeonato Europeu de 2012, a realizar-se na Polónia e na Ucrânia. Isto apesar de, quando esta chegou às suas mãos, a Equipa de Todos Nós se encontrar praticamente destruída, após um Campeonato do Mundo que deixou bastante a desejar e um caso desagradável (e "desagradável" é um grande eufemismo) no seu rescaldo que culminou num trágico arranque de apuramento e no despedimento nada amigável do antigo Seleccionador. Essa crise está definitiva e finalmente ultrapassada - como eu sabia que acabaria por acontecer - após um jogo do outro mundo, ontem à noite - como eu não sabia que iria acontecer.

Realmente, até dá gosto escrever sobre jogos como a segunda mão do playoff de acesso ao Euro 2012. Dá gosto é como quem diz... Eu adoro escrever sobre a Selecção independentemente das circunstâncias mas recordar momentos como meia dúzia de golos fenomenais, os invulgarmente efusivos festejos de Paulo Bento, dezenas de milhares de pessoas gritando poderosamente "POR-TU-GAL! POR-TU-GAL!" e cantando o hino a uma só voz, os jogadores abraçando-se e atirando-se para cima uns dos outros, dulcifica imenso a coisa.

Por outro lado, devo confessar que, apesar de me ter dado um prazer especial, esta entrada levou-me tremendas quantidades de tempo a escrever. No meu caderno de rascunhos tenho páginas e páginas cheias de notas. São tantas as coisas de que queria falar, mas infelizmente vou ter de deixar algumas de fora. E, já assim, a entrada vai ser longa, por isso, preparem-se!

Duvido que alguém estivesse à espera de uma vitória tão expressiva quando a Selecção Nacional entrou em campo, ontem à noite. Eu, pelo menos, quando me sentei na minha sala de estar, com o computador portátil no colo, não imaginava que sairíamos da Luz com seis golos marcados. Como costumo fazer quando assisto aos jogos a partir de casa, estava ligada ao Twitter. Aqui ia publicando os meus comentários (apesar de ser pouco provável que estes fossem lidos) e ia lendo as reacções de portugueses e estrangeiros um pouco por todo o mundo - a beleza da Internet! E foi bom ver termos relacionados com Portugal no Top 10 dos Trending Topics, para variar.

A Selecção entrou no seu melhor, cheia de garra, decidida a sair da Luz com o passaporte carimbado para a Polónia e a Ucrânia. Daí que a primeira oportunidade de perigo para a baliza da Bósnia-Herzegovina tenha surgido logo aos cinco minutos. E que Cristiano Ronaldo tenha marcado o primeiro golo aos oito minutos, de livre. Um tiro espectacular, mesmo à CR7. Achei graça quando, após o golo se ouviram algumas notas do "Bailinho da Madeira" em honra do madeirense mais amado de todos os tempos.

Mais tarde, soube que, já durante o aquecimento, o Cristiano havia dado sinais claros de que se ia empenhar, de que não queria ficar de fora do Euro 2012. Se era por interesse próprio, pela sua própria mediatização, ou se pela Equipa de Todos Nós, não sei. Talvez fosse por ambos os motivos. Independentemente do egoísmo ou altruísmo das intenções, a verdade é que o jogo de Terça-feira à noite foi um dos melhores dele vestindo a camisola das Quinas e ele contribuiu muito para a vitória. A profecia do outro que eu mencionei na entrada anterior, de que dia 15 seria a noite de Cristiano Ronaldo e de que as 21 seriam a hora dele estava correcta. Mas a minha profecia de que dia 15 seria a noite de toda a Turma das Quinas e de que as 21 seriam a nossa hora também estava correcta uma vez que Ronaldo não foi o único Marmanjo a brilhar na Luz.

Nani, que completa hoje 25 anos de vida, foi um deles ao disparar sobre a baliza bósnia de fora da área. Um golo que me fez exclamar:

- Fogo!...

Estava provado que os Marmanjos estavam inspirados naquela noite. Achei graça ao tweet, mais uma vez, de @lidiapgomes: "Ataque à bomba na Luz".

Ora, a alegria por estes dois primeiros golos foi-me parcialmente roubada pela televisão de sinal digital. O meu pai e o meu irmão haviam chegado mais tarde a casa e estavam na cozinha, vendo o jogo enquanto jantavam. A televisão deles estava mais adiantada. Como tal, quando eles gritaram "GOLO!", eu ainda via a bola nos pés dos Marmanjos... Acabei por pegar no portátil e mudar-me para a cozinha.

O penálti a favor da Bósnia e consequente golo acabou por surgir um pouco contra a tendência do jogo. Safet Susic, o seleccionador da Bósnia, havia dito que o jogo seria decidido nos detalhes. Agora percebia o que ele queria dizer.

O jogo chegava ao intervalo com um resultado que não correspondia ao que de facto se passara em campo e pouco tranquilizador para as cores nacionais. Se os Bósnios anulassem a desvantagem, seriam apurados por terem marcado fora. Tudo era possível e a única certeza que tinha era que ainda haveria muito para ser jogado naquela noite.

Entretanto, o meu pai e o meu irmão acabaram de jantar. Agora, sem televisões adiantadas ligadas, viemos para a sala.

No início da segunda parte, os adeptos portugueses estavam menos exuberantes nas suas manifestações de apoio. Não os posso censurar, sobretudo porque, durante o resto do tempo, mereceriam cinco estrelas. Excepto quando assobiaram o hino bósnio. Apesar de compreender a atitude deles e não poder julgar, acho que isso estava fora dos limites. Em todo o caso, corresponderam ao pedido de apoio por parte de Cristiano Ronaldo. E o capitão da Turma das Quinas agradeceu marcando o terceiro golo da Selecção, na jogada seguinte. Depois, bem ao seu estilo, ter-se-à dirigido aos adeptos bósnios perguntando:

- Mess? Quem é Messi? - Ah, grande Ronaldo!

Este foi o seu 32º golo pela Equipa das Quinas, destronando, deste modo, Luís Figo - ironicamente na mesma noite em que a antiga estrela da Selecção foi homenageada pelas suas 109 internacionalizações. Mas acho que o Figo não se importa. Aqueles que dizem que o Ronaldo só dá o seu melhor pelos clubes começam a ficar sem argumentos. O madeirense encerrará o ano de 2011 com sete golos marcados com a camisola das Quinas - igualando o recorde de 2004. António Oliveira resumiu bem a situação: "Finalmente foi criada uma sintonia perfeita entre a equipa e o jogador". Agora só tem Eusébio e Pauleta acima dele na tabela dos goleadores da Equipa de Todos Nós. E visto que ainda vai a meio da carreira, qualquer dia ainda os vai destronar...

Desta feita, o prazer do golo foi-me de novo roubado, não pelo meu pai e irmão, mas pelos vizinhos de cima. Parecia mesmo que o sinal digital tinha tirado o dia para se divertir à minha custa. Irritada, acabei por voltar para a cozinha, desejando que a Selecção marcasse mais um golo, para eu poder celebrar como deve ser.

Podia ter celebrado alguns minutos mais tarde se a equipa de arbitragem tivesse visto Papac ajeitando a bola com as mãos na área da Bósnia de uma forma bem mais ostensiva do que no lance que dera o penálti à Bósnia. Mas os árbitros pareciam estar a sofrer de uma miopia bastante selectiva, naquela noite. Miopia essa que voltou a manifestar-se minutos mais tarde, quando não viram o fora-de-jogo de Spahic no lance do segundo golo deles. Mais um detalhe, mais um pormenor tornado pormaior. Houve quem twittasse que havia ali um dedinho de Michel Platini. Não me surpreenderia...

Estávamos de novo com uma vantagem precária que, apesar de nós sermos claramente melhores, poderia ser anulada por outro detalhe, por outro capricho do destino. Estava a ser um verdadeiro jogo da Equipa de Todos Nós, com todo o sofrimento que a ele costuma estar associado, cheio de emoções fortes. Uma autêntica final. Parecia, de certa forma, um resumo de toda a caminhada para a fase final do Euro 2012, com todos os momentos de brilho, de garra, mais os inesperados tropeções e momentos menos bons. Tudo podia acontecer, todos os desfechos desta história eram possíveis. Mas eu acreditava, como nunca deixo de acreditar. Acreditava que a Selecção marcaria mais um golo e consolidaria a vitória.

E não me enganei.

Hélder Postiga marcou aos 72 minutos, após uma excelente assistência por parte de Ruben Micael, dando-me, finalmente, a oportunidade de gritar "GOLO!" e travando de vez os bósnios. Menos de dez minutos depois, foi marcado um pontapé livre perigoso a favor de Portugal. À semelhança do que acontecera nos livres anteriores, o público chamou por Ronaldo, mas aquela zona era a especialidade de Miguel Veloso. Por isso, o Marmanjo pediu para ser ele a executar o pontapé livre. Ronaldo aceitou e, deste modo, Veloso teve também direito ao seu momento de glória.

Ainda não tinham passado três minutos, já Hélder Postiga cabeceava para o interior da baliza bósnia, marcando o seu segundo golo naquela noite. Houve quem dissesse que ele estava a sorrir quando fez esta jogada. É bem possível.

Estava feito o resultado, embora eu ainda esperasse mais um golo. Nas bancadas cantava-se o hino de Portugal, celebrava-se já o apuramento. Depois do apito final, os jogadores juntaram-se à festa. Nos holofotes soaram as primeiras notas do Hino Nacional e toda a Luz, todos os jogadores, toda a equipa técnica, todos os adeptos presentes no estádio, todos os portugueses seguindo o jogo à distância, em suma, toda a Selecção Nacional cantou a uma só voz. Um momento lindo e, tanto quanto sei, inédito excepto em finais, que encerrou com chave de ouro um jogo que teve todas as características de uma grande final.

Que a Selecção tenha a oportunidade de voltar a cantar o Hino Nacional no fim de um jogo em Junho do próximo ano!

Falou-se da Troika de ataque constituída por Cristiano Ronaldo, Nani e Hélder Postiga. Aqueles que mais marcaram ao longo da fase de qualificação. Cada um deles marcou no Estádio da Luz. Muita gente parece surpreendida por o Hélder Postiga ter marcado duas vezes, mas não compreendo porquê. Na minha opinião, ele tem sido injustamente subvalorizado pelo público. Não posso falar do clube mas na Selecção tem tido quase sempre bons desempenhos, não só nesta fase de qualificação mas há já vários anos. Sempre foi um dos meus jogadores preferidos. OK, admito que comecei a gostar dele quando tinha treze ou catorze anos pelo seu aspecto (e ainda hoje acho que ele não é nada feio...) mas ao longo dos anos fui ganhando melhores argumentos para gostar dele: é humilde, empenhado, ajuizado, não procura protagonismo e há muito que é um talismã para a Equipa das Quinas. Eu já reconheci o potencial dele, espero que este jogo tenha servido para outros reconhecerem.

O próprio Hélder observou que ele marca sempre na Luz, sempre naquela baliza, curiosamente. Se não me engano, isso aconteceu duas vezes no particular com a Espanha, há precisamente um ano, e no jogo com a Noruega. Um dos comentadores da RTP comentou mesmo que o Hélder devia era arrancar aquela baliza e levá-la para a Polónia e para a Ucrânia - adorei esta frase. Eu costumo dizer mal dos comentadores televisivos mas estes, quando querem, até têm uns rasgos de inspiração...

Mas eu não queria falar apenas da Troika de ataque (que, curiosamente, é constituída por, provavelmente, os meus três jogadores preferidos da Selecção). Quero falar deles em conjunto com o Miguel Veloso, o Hugo Almeida, o João Moutinho, o Fábio Coentrão, o Rui Patrício, o Ricardo Quaresma, entre outros - uma geração que, desde há alguns anos a esta parte, tem dado muito à Equipa de Todos Nós e, visto ainda serem relativamente jovens, julgo que ainda têm tempo para crescerem ainda mais e para darem ainda mais à Selecção. Eu, pelo menos, tenho fé nestes rapazes.

Mas isso seria mais a longo prazo. A curto/médio prazo, temos um Campeonato da Europa para preparar. Já se fazem prognósticos sobre o desempenho da Selecção no Europeu, mas eu prefiro não ir por aí, pelo menos não para já. A euforia ainda está demasiado fresca. Além disso, prefiro saber ao certo o que teremos de enfrentar. E nem me vou pôr a fazer prognósticos sobre o próprio sorteio, nem me vou pôr a dizer quais as selecções mais ou menos convenientes para nós. Para quê? Não podemos influenciar o sorteio... Que seja o que Deus quiser. E não teremos de esperar muito para se conhecer a Sua vontade visto que o sorteio é já dia 2 de Dezembro.

Mas uma coisa confesso: depois de tudo por que a Turma das Quinas passou no último ano e meio, quero ver até onde esta Selecção renascida é capaz de ir.

Encerra-se deste modo inacreditável a caminhada para o Europeu de 2012. Provámos que coisas como  seleccionadores de fraco carácter, dirigentes corruptos, jogadores desertores, notícias desestabilizadoras, relvados manhosos, adeptos hostis, dirigentes estrangeiros que não colaboram, árbitros de imparcialidade duvidosa, presidentes de parcialidade quase provada cientificamente, podem complicar-nos a vida mas, no fim, não chegam para nos impedir de alcançar os nossos objectivos. Que a Selecção é mais forte do que tudo isso.

Quero desde já felicitar todos os jogadores, equipa técnica e adeptos que, como eu, nunca deixaram de acreditar, de apoiar, por termos conseguido um lugar na Polónia e na Ucrânia, por termos conseguido reconstruir a Selecção e colocá-la a jogar ao seu melhor nível. Agradecer-lhes por nos terem dado algo para celebrar, algo por que ansiar. Agradecer-lhes por, mais uma vez, terem retribuído o apoio que lhes é dado.

Por, mais uma vez, provarem que faço bem em ser doida pela Selecção.



Agora que estamos finalmente apurados, planeio montar alguns vídeos de homenagem e apoio à Selecção ao longo dos meses que faltam para o Europeu. Começarei por refazer o vídeo que montei há um ano com a música The Climb, de Miley Cyrus. Não consegui colocá-lo no YouTube devido aos direitos de autor das imagens do Mundial e sempre o lamentei pois considero que a mensagem da música tem muito a ver com a Selecção Nacional. Daí ter decido refazer o vídeo. Desta feita, não vou usar imagens do Mundial (com alguma pena minha) a ver se evito os problemas de direito de autor. Tenciono, até, fazer três versões diferentes: uma com a versão oficial da música, outra com a versão instrumental e outra com um instrumental em piano que encontrei recentemente. Vou tentar tê-las prontas em breve. Quando as tiver postarei aqui.  Entretanto, se quiserem ver as primeiras versões do vídeo, podem sacá-las através dos links aqui ao lado direito.

P.S. As celebrações da vitória e do apuramento para o Europeu foram assombradas pelo estado de saúde do Gustavo, o filho de Carlos Martins, que completa hoje três anos e a quem lhe foi diagnosticada uma leucemia. Três anos de idade e tem cancro... Eu já tinha estranhado a sobriedade dos jogadores nas flash-interviews... Entretanto, o Cristiano Ronaldo, o Nani e o Fábio Coentrão já publicaram apelos à doação de medula óssea nas redes sociais, já se formou uma corrente de solidariedade online - algo que é de louvar e que pode fazer a diferença, dada a popularidade destes jogadores. Talvez eu não tenha grande personalidade, talvez eu seja facilmente manipulável, talvez a Selecção seja uma fraqueza minha e eu faça qualquer coisa que eles me peçam mas a verdade é que tenciono ajudar. E não é só por ser o filho de um Marmanjo, só de pensar numa criança de três anos (um ano mais nova do que um primo meu) a ter de ser submetida a cirurgias e quimioterapia... Quem é que consegue ficar indiferente? Mais ou menos nesta altura do ano costumam vir recolher sangue à minha Faculdade e costumam também apelar ao registo como doador de medula. Eu já doei sangue mas tenho estado relutante em inscrever-me como doadora de medula mas agora... Se não for o Gustavo, há-de ser o filho de outra pessoa qualquer.

Vou também acrescentar o meu blogue à onda de solidariedade para com o Gustavo, apelando a que sigam o meu exemplo e se registem como doadores de medula (saibam mais AQUI). Hoje é o filho do Carlos Martins, amanhã pode ser o vosso filho, o vosso neto, o vosso sobrinho, o vosso irmão. Quero também enviar ao Carlos e à Mónica, os pais do Gustavo, uma mensagem de solidariedade, de força e um desejo do fundo do coração que eles consigam vencer esta luta.

domingo, 9 de outubro de 2011

Portugal 5 Islândia 3 - Wake-up call

Na passada Sexta-feira, a Selecção Portuguesa de Futebol recebeu a sua congénere islandesa no Estádio do Dragão e venceu-a por cinco bolas contra três.

Eu até estava bastante calminha no início deste encontro. Só que a Selecção Nacional não entrou da melhor maneira no jogo enquanto a Islândia entrou invulgarmente desenvolta, como que desafiando o estereótipo da equipa teoricamente mais fraca, e assim se manteve durante uma boa parte do jogo. Eu e o meu pai até trocámos umas piadas secas em relação a isso:

- Os islandeses, com este calor, deviam derreter… – disse o meu pai.

- Não – respondi eu – Eles geralmente ‘tão congelados lá na Islândia mas aqui, com o calor, descongelaram, ganharam energia cinética e ‘tão mais mexidos…

Se era por causa do calor, não sei, mas a verdade é que os islandeses estavam a dar luta. Como resultado, após terem tido o primeiro momento de perigo do jogo e três pontapés de canto marcados a seu favor seguidos, eu já roía as unhas.

Felizmente, o nervosismo não durou muito pois Eliseu assistiu para a cabeça de Nani que, marcou, deste modo, o primeiro golo do jogo aos treze minutos. Assim estava melhor. Mais tarde, o mesmo Marmanjo, cheio de lata, aproveitou um atraso para o guarda-redes islandês mal conseguido e marcou o segundo golo.
Estes dois tentos do Nani trouxeram à memória os dois golos que ele marcara, havia precisamente um ano menos um dia, no mesmo estádio, frente à Dinamarca, no primeiro jogo de Paulo Bento – precisamente o desafio em que a Selecção Nacional iniciou o seu renascimento. Como tal, estes dois golos pareceram-me um bom prenúncio para o resto do jogo.

E as coisas de facto correram bem até ao intervalo, com destaque para o golo engraçado de Hélder Postiga, em que a bola primeiro bateu na barra e só depois cruzou a linha de baliza. Não há muito a dizer em relação a este tento. Já se sabe que o Hélder tem altos e baixos mas, quando veste a camisola das Quinas, costuma fazer o gosto ao pé.

Ao intervalo tudo parecia estar decidido. Certamente, na segunda parte, os portugueses limitar-se-iam a manter o jogo sob controlo, a pouparem-se para o desafio frente à Dinamarca, talvez marcassem mais um ou outro golo. Era o que se esperava mas não foi bem isso o que aconteceu,

O primeiro golo da Islândia não preocupou por aí além. Fora por 3-1 que tínhamos ganho há um ano, na casa deles. Ainda havia tempo para se dilatar a vantagem.
Quando eles marcaram o segundo é que se começou a ver a vida a andar para trás. Recomecei a roer as unhas.

Nos cerca de vinte minutos que se seguiram, por algumas vezes, a Islândia esteve perigosamente à beira de anular a nossa vantagem – nessas alturas, a minha mãe dava-me vontade de dar um berro quando se punha a dizer coisas como:

- Olha o terceiro golo deles.

O Cristiano Ronaldo, esse, coitado, estava em noite não. Não que tenha jogado mal, ele até ajudava a equipa. Só que, amiudadas vezes, fazia uns remates de longe, estilo tiro-ao-alvo, que nunca entravam. Notava-se nas expressões que ele exibia que queria marcar um golo.

Ele e o resto da equipa começavam a dar sinais de intranquilidade e não eram os únicos; nesta altura, já eu fazia contas à vida, interrogava-me como raio haveríamos de fazer frente à Dinamarca jogando assim. Os adeptos presentes no estádio também não estavam a achar graça e, a certa altura, exprimiram o seu descontentamento através de assobios. Eu, geralmente, sou contra isso mas, naquela altura, até compreendia.
Em todo o caso, os adeptos não demoraram a trocar os assobios por gritos de “POR-TUG-AL! POR-TU-GAL!”. E resultou porque, depois disso, o Eliseu voltou a assistir, desta feita para Moutinho, que enviou a bola para as redes islandesas. Nas bancadas, um adepto segurava um cartaz dizendo: “Moutinho, génio da bola, dá-me a tua camisola”. Tal génio revelou-se aos oitenta e um minutos com o quarto golo de Portugal e devolveu-nos a tranquilidade. Grande Moutinho!

Mais uma vez ficou provado que, quando as coisas não estão a correr bem, os assobios não resolvem nada mas as manifestações de apoio até podem ajudar.

Cinco minutos mais tarde, Eliseu, que estava a fazer o jogo da vida dele, dilatou ainda mais o marcador com um belo remate de fora da área. O cabo-verdiano açoriano (como lhe chamei, na brincadeira, depois deste golo) foi considerado o homem do desafio e mereceu-o. Revelou ser uma boa alternativa a Fábio Coentrão e, como afirmou Nani, outra figura do jogo, “mostrou a Bento que pode contar com ele para o que der e vier”. Eliseu engrossou, assim, a lista, de tamanho considerável, de jogadores prontos a dar a sua parte pela Equipa de Todos Nós.

Ainda houve tempo para a Islândia marcar um terceiro golo, de penálti. Não teve efeitos práticos para além de diminuir a vantagem portuguesa, mas Johannesson, o Seleccionador Islandês, parecia muito feliz depois deste tento. Mais tarde, confessaria que se sentia satisfeito por a sua equipa ter marcado três golos a Portugal e diria, sem rodeios:

- Com a bola, Portugal é uma das melhores Selecções do Mundo mas, sem ela e a defender, os jogadores são um pouco preguiçosos.

Se foi por preguiça dos Marmanjos, não sei, mas a verdade é que este encontro teve altos e baixos e deixou bastante a desejar no que toca à defesa. O meu pai disse que o problema fora a falta dos titulares habituais, como o Pepe. E o Ricardo Carvalho. Talvez. O pior é que estes jogadores continuam indisponíveis para Terça-feira…

Hélder Postiga afirmou que “estes jogos servem para corrigir erros”. E, de facto, é preferível cometê-los frente à Islândia, que não soube aproveitá-los para obter a vitória, do que frente à Dinamarca. Por outro lado, se estivéssemos a enfrentar esta última selecção, seria pouco provável que os Marmanjos baixassem a guarda desta maneira… Em todo o caso, este jogo serviu de aviso, de wake-up call (chamada para acordar), como dizem os ingleses, mostrando que as coisas não vão ser fáceis na próxima Terça-feira.

Agora basta empatarmos para garantirmos a qualificação directa para o Europeu de 2012. Podemos até perder o próximo jogo, desde que sejamos a melhor selecção classificada em segundo de toda a prova. Esta ideia foi repetida até à exaustão pelos locutores da Antena1, durante o rescaldo do encontro de Sexta-feira. Eu prefiro não me fiar nessa, irrita-me estar a fazer esse tipo de contas quando não precisamos, quando basta um empate para nos qualificarmos.

Felizmente, não sou a única a pensar assim. Paulo Bento garantiu que “não planeia derrotas, não planeia empates” e todo o resto da Turma das Quinas aparenta afinar pelo mesmo diapasão. Tudo indica que o jogo de Terça-feira será uma autêntica final, intenso, emotivo, pois não acredito que os nossos amigos nórdicos nos facilitem a vida nem que joguem para o empate. Espero que os marmanjos não repitam os erros de Sexta-feira. Espero que, como dizia n’O Jogo, não parem de acelerar até a corrida estar ganha, até a qualificação estar assegurada, até os efeitos das polémicas do ano passado estarem definitivamente anulados, até o renascimento da Selecção estar finalmente consumado. É com isso que conto. E acredito que os Marmanjos não nos vão desiludir.
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