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terça-feira, 7 de outubro de 2014

Quase revolucionário

No próximo sábado, dia 11 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol disputará no Stade de France, em Saint-Denis (a norte de Paris), um jogo de carácter particular com a sua congénere francesa. 

Recorde-se que, pela primeira vez, na Qualificação para o Campeonato Europeu da modalidade, a seleção anfitriã foi incluída num dos grupos de Apuramento, efetuando jogos com todas as outras equipas do grupo sem que estes contem para a classificação final. Por sua vez, o jogo que será disputado no Estádio Parken, em Copenhaga, três dias mais tarde, com a seleção dinamarquesa, será o nosso segundo encontro da fase de Qualificação para o Euro 2016.

Esta jornada dupla marca a estreia de Fernando Santos como Selecionador Nacional. O nome do técnico foi um dos primeiros a ser referido como possível sucessor de Paulo Bento. Era o favorito de quase toda a gente, eu incluída, graças à vasta experiência de alguém que já treinou os três grandes portugueses, vários outros no País e no estrangeiro, e teve um bom desempenho recente ao leme da seleção grega. No entanto, rapidamente foi descartado devido ao castigo atribuído pela FIFA... ou assim pareceu. Fui apanhada de surpresa pelo anúncio da sua contratação.


Infelizmente, Fernando Santos continua castigado e parece pouco provável que veja o seu castigo reduzido. Parece que o castigo só é aplicável a jogos oficiais, logo, o novo Selecionador estará presente no banco durante o jogo com a França. São muitos jogos de castigo, pode até acontecer que Fernando Santos tenha de assistir na bancada a todos os seus jogos oficiais como técnico da Turma das Quinas. Durante algum tempo, não percebi porque motivo o treinador ia apanhar oito jogos de castigo, apenas menos um que Luis Suarez, com o seu famoso e triste hábito de morder adversários. No outro dia é que percebi que o castigo se deve, não ao cartão vermelho que recebeu, mas ao facto de ter desobedecido à ordem de expulsão, desrespeitando abertamente a autoridade do árbitro. Por essa perspetiva, a punição faz mais sentido. Se esta infração é mais ou menos grave que outras menos castigadas é discutível. Para mim, mais do que a FIFA, quem fica mal na fotografia é a federação grega por não avisar o seu antigo técnico a tempo de recorrer da decisão - isto depois de tudo o que Fernando Santos fez pela seleção deles!

Apesar de muitos recordarem que as seleções não são como os clubes, de salientarem a importância de os jogadores apreenderem rapidamente a filosofia do Selecionador, não estou demasiado preocupada com a ausência de Fernando Santos do banco de suplentes português: o substituto será Ilídio Vale, o homem por detrás dos bons resultados que a seleção de sub-20 tem apresentado nos últimos anos. Tenho a certeza de que terá competência para gerir a Seleção no lugar de Fernando Santos. Corremos, no entanto, o risco de, em vez de termos um Selecionador principal e um adjunto, termos dois selecionadores principais: um para os treinos, Conferências de Imprensa e jogos particulares, outro para os jogos a doer. Não sei se isso correrá bem. Toda esta situação terá de ser muito bem gerida pela equipa técnica da Seleção.


A primeira Convocatória assinada por Fernando Santos foi Divulgada na sexta-feira passada, dia 3, uma Lista cheia de novidades, quase revolucionária como ouvi dizer na rádio, ou pura e simplesmente uma volta na arrecadação, como diziam n'A Bola. Destacam-se, clara e quase gritantemente, os regressos dos "renegados" de Paulo Bento, como Ricardo Quaresma, Ricardo Carvalho, Tiago e Danny. Nos dias antes da Divulgação, a Comunicação Social ia apresentando as pré-Convocatórias dando a entender que  Fernando Santos dizia "Vai-te lixar, Paulo Bento!", mas o Selecionador explicou que, na Federação, ninguém lhe restringiu nenhum jogador. Sabe que Paulo Bento terá tido os seus motivos para não Chamar os jogadores, mas esses motivos não são os dele. "Não foi comigo", chegou a dizer várias vezes. Um argumento que faz sentido. Ainda que compreendamos e até concordemos com as opções de Paulo Bento, Fernando Santos não é obrigado a isso, tem todo o direito a Escolher aqueles que, de acordo com a sua própria consciência, considera os mais adequados.

Eu vejo cada um destes casos de maneira diferente. O de Ricardo Carvalho, para começar, deixou-me algo dividida: se por um lado acho que o que o Ricardo fez foi infantil da sua parte e compreendesse a posição de Paulo Bento, ele já se mostrou arrependido várias vezes nos últimos anos (não sei se chegou a pedir desculpa diretamente ao antigo Selecionador), já cumpriu o castigo imposto pela Federação e ainda dois anos extra por escolha de Paulo Bento. Eu mesma cheguei a defender aqui no blogue uma segunda oportunidade por parte do antigo Selecionador. Além disso, conforme afirmei pouco após a sua deserção, o Ricardo já fez muito pela Equipa de Todos Nós ao longo dos anos, não seria justo que os golos que marcou, as vezes que salvou o couro nacional, valessem menos que uma decisão irrefletida - quando, ainda por cima, não foi o primeiro e não será o último jogador da Seleção a agir de cabeça quente; o próprio Paulo Bento teve pelo menos uma atitude dessas enquanto jogador (eu sinto vergonha só de ler esta última notícia, mesmo passados catorze anos sobre o acontecido). É um pouco estranho tê-lo de volta, provavelmente nunca mais olharei para ele da mesma maneira, mas ele tem agora uma oportunidade de se redimir. Oxalá saiba usá-la.

O caso de Tiago é diferente. Foi ele quem escolheu sair da Equipa de Todos Nós e manteve essa decisão mesmo depois de Paulo Bento ter, na altura, falado com ele. Ainda que ele diga que se arrepende "de ter enviado aquele fax", não acho justo ele ter decidido regressar, depois de quatro anos em que ele podia ter ajudado a Seleção e não o fez por escolha própria. Sei que Luís Figo fez o mesmo entre 2004 e 2005, mas isso não muda nada. Um jogador ou está cem por cento disponível para a Turma das Quinas, dentro das suas possibilidades físicas ou renuncia a ela definitivamente. Não acho legítimo um jogador disponibilizar-se ou não disponibilizar-se para a Seleção conforme lhe apetece - não digo que seja o caso, mas este pode abrir um precedente para situações como a que descrevi. Tal como comentei com um seguidor meu no Twitter, a Federação deveria definir regras para estes casos.


Quanto ao Danny, não estou particularmente entusiasmada com o seu regresso. Tal como Paulo Bento, suponho eu, irritei-me com as suas desculpas esfarrapadas para se baldar às concentrações da Seleção. Ainda acreditei na história do quisto sebáceo em 2011 mas, depois de no ano passado ter sido dispensado da concentração por motivos físicos para, dois dias depois, treinar normalmente no clube, a minha boa vontade esfumou-se. A ideia com que fico é que ele não leva a Seleção a sério. Eu não o Chamaria. Nem a ele nem ao Tiago. Mas já que eles foram Convocados, eles e o Ricardo Carvalho, ao menos que justifiquem os regressos. Se a Seleção beneficiar com o regresso destes três "filhos pródigos", não direi mais nada.

Esta Lista fica também marcada pela ausência de alguns elementos do núcleo duro de Paulo Bento: Hélder Postiga, Miguel Veloso, Raul Meireles, João Pereira. Não posso contestar tais opções. Há quem alegue que são demasiadas mudanças mas a verdade é que o onze-base do Euro 2012 já não funciona, conforme os últimos resultados deram a entender. De resto, Fernando Santos justificou tais ausências com a falta de ritmo competitivo, não colocou de parte a possibilidade de Convocá-los dentro de um mês ou noutra ocasião qualquer. Postiga, por exemplo, pode não estar completamente descartado visto que... não há praticamente mais nenhum ponta-de-lança português, tirando Éder e Hugo Almeida. A menos que se conceba uma tática que dispense ponta-de-lança, Postiga pode voltar a ser necessário.

Pelo menos é disso que tenho esperanças.

São várias as coisas mudando na Seleção Portuguesa mas, com todo o respeito por Paulo Bento, na minha opinião, estávamos a precisar de uma mudança. O conservadorismo do antigo selecionador já não funcionava. Além de que é a primeira vez em muito tempo em que temos seis jogadores do mesmo clube, tanto quanto me lembro, incluindo um meio-campo completo - não sei se serão todos titulares, mas é sempre bom termos Marmanjos familiarizados uns com os outros. Mesmo com as minhas reservas relativamente ao regresso dos "renegados", esta Lista parece-me razoavelmente sólida, acho que pode resultar.


No entanto, não me atrevo a ser demasiado otimista pois a jornada dupla que se avizinha será complicada. Estes não são de todo os adversários ideais para a estreia de um Selecionador. Há um ano, diria que seria bom nesta altura enfrentarmos adversários de calibre, estimulantes. Ora, depois de ver a Seleção sendo completamente atropelada pela Alemanha no Mundial, a questão já não me parece assim tão linear. Para além de serem adversários de peso por si só, são adversários com quem temos historiais muito particulares.

Comecemos pela França que tem sido um espinho na nossa carne há muitos anos, com destaque para as três traumáticas meias-finais em que nos derrotaram. Se a Holanda, por exemplo, é nossa freguesa, nós somos claramente fregueses de França: em vinte e dois jogos só ganhámos cinco e a última vitória foi em 1975. Tudo o resto tem sido derrota atrás de derrota, tirando um empate algures nos anos 20. O único jogo que testemunhei já como adepta da Seleção foi o último, nas meias-finais do Mundial 2006, provavelmente a derrota mais injusta de que me recordo tirando, claro, a final do Euro 2004. Aquela Seleção, mais do que qualquer outra, merecia ser campeã do Mundo. Os franceses não mereciam estar na final, como ficou provado pela famosa cabeçada de Zidane. Isto, aliado ao constante colinho que os franceses andam há muito tempo a receber das mais altas instâncias do futebol, tem-me alimentado uma raivazinha de estimação à equipa francesa.

Não sei em que momento se encontra a França atualmente. Sei que empataram há um mês com a Sérvia, altura em que houve polémica à volta da renúncia de Franck Ribéry à sua seleção, que muito irritou Michel Platini. Mas com os problemas dos nossos adversários posso eu bem, até os agradeço. Nesta altura do campeonato, por muito que deseje uma desforra, esta terá de ficar para segundas núpcias. O mais importante será promover uma boa adaptação à nova equipa técnica e preparar o jogo com a Dinamarca, que será a sério - sobretudo porque, sendo um particular, será um dos poucos jogos em que teremos Fernando Santos no banco.


Quanto aos dinamarqueses, esses são já velhos amigos nossos, provavelmente são a seleção que mais vezes foi nossa adversária nos últimos anos, possuindo uma longa tradição de nos complicarem a vida, como eu gosto de dizer, à grande e à dinamarquesa. Da experiência que eu tenho, os jogos com a Dinamarca ou correm muito bem ou correm muito mal - às vezes não tanto pelo encontro em si, mas pelo contexto em termos classificativos. O empate em 2009, por exemplo, pode não ter sido um mau resultado por si só, mas deixou-nos agarrados a uma calculadora para as últimas jornadas da Qualificação para o Mundial 2010. O 2-1 de 2011 pode também não ter sido grave por si só (embora eu tenha, na altura, achado que os nossos jogaram mal), mas impediu-nos de nos Qualificarmos diretamente para o Euro 2012. Geralmente, são jogos péssimos para a pressão arterial, com destaque para o inesquecível encontro do Europeu de há dois anos, o meu favorito desse campeonato. O inverso desse foi a derrota por 3-2 em 2008, no Estádio de Alvalade. Por outro lado, apesar de termos perdido o particular de 2006, guardo boas recordações desse jogo, pois foi a estreia de Nani com a camisola das Quinas, em que ele marcou um golo diretamente do pontapé de canto e ainda assistiu para o outro, de Ricardo Carvalho - foi nesse particular que o Nani se tornou um dos meus jogadores preferidos.

Acho uma coincidência espantosa que o novo Selecionador se vá estrear em jogos oficiais (isto é, mais ou menos) com o mesmo adversário com que o anterior técnico se estreou. Na verdade, também o segundo jogo oficial de Carlos Queiroz foi com a Dinamarca, mas o primeiro de Paulo Bento é memorável pelos melhores motivos. Ainda me lembro muito bem dessa noite (ajuda ter escrito sobre ela): de ouvir o relato dos dois golos seguidos de Nani - ele tem mesmo uma queda para dinamarqueses - do alívio que foi o terceiro golo, da autoria de Cristiano Ronaldo, do quão feliz me senti após o jogo por, depois de tudo por que a Seleção passara nos últimos meses, estarmos de regresso às vitórias e às boas exibições.


O que mais desejo é um renascimento semelhante ao da primeira dupla jornada de Paulo Bento para os próximos dois jogos, mas sei que é pouco provável.

Consta que a Dinamarca estará uns furos abaixo do que estava nas Qualificações para o Mundial 2010 e Euro 2012. Não se Qualificou para o Mundial 2014, nem sequer chegou aos playoffs - suponho que tenham sentido falta dos pontos que Portugal lhes ofereceria... Talvez estejam de novo a contar com eles neste Apuramento, mas eu espero que, desta feita, acabemos com essa tradição.

Apesar de o passado recente da Equipa de Todos Nós não ser o mais favorável e existir a hipótese de as coisas voltarem a correr mal, como na jornada anterior, neste regresso da Seleção ao ativo sinto-me tão eufórica como sempre, como se viéssemos de uma sequência de vitórias e não de fracassos. É irracional, é quase ilusório, mas a verdade é que são poucas as coisas que me entusiasmam assim. E gosto que assim seja.


O que não significa que esteja disposta a tolerar outro fracasso. Não quando for a doer, pelo menos. Sei que será difícil, mas os Marmanjos terão de fazer um esforço se quiserem regressar a França (após o particular de sábado) em 2016. O que eu gostava mesmo era que a Seleção voltasse a ser uma fonte regular de alegrias mas... um passo de cada vez.

Concluo este texto dando as boas-vindas a Fernando Santos e com o desejo de que ele e a restante equipa técnica saibam ajudar a Seleção a regressar ao bom caminho. 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Portugal 0 Albânia 1 - Caindo na real

No passado domingo, dia 7 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu a sua congénere albanesa no Estádio de Aveiro, no seu primeiro encontro a contar para a Qualificação para o Campeonato Europeu da modlaidade, que terá lugar em França em 2016. Tal embate terminou com uma derrota para a equipa da casa por uma bola sem resposta.

Entretanto, na passada quinta-feira, dia 11, Paulo Bento deixou o cargo de Selecionador Nacional "por mútuo acordo" com a Federação Portuguesa de Futebol que se encontra, neste momento, à procura de um substituto.

Antes de avançarmos para aí, falemos do jogo com a Albânia. Eu pensava que estava a ser pouco ambiciosa e a revelar pouca fé na Seleção quando, antes do jogo, contentar-me-ia com uma vitória pela margem mínima, mesmo com uma exibição fraca. Pelos vistos não, fui ingénua. Ao contrário de alguns discursos que circularam na Imprensa, em jeito de publicidade a este jogo, eu não estava à espera que este encontro fizesse esquecer o fracasso do Mundial. Esperava apenas um passo em frente, por minúsculo que fosse. Não esperava, de todo, que a Seleção se enterrasse de novo. Não nesta altura do campeonato, pelo menos.

Como seria de esperar (ao ponto de, segundo consta, os próprios o terem afirmado antes do jogo), a equipa albanesa estacionou o autocarro no seu meio-campo. Portugal dominava mas eram raras as oportunidades de golo. João Moutinho era o melhor português, Nani e Fábio Coentrão demonstravam o inconformismo que os caracteriza, mas não era suficiente. A agressividade dos albaneses não ajudava, faziam entradas duras a torto e a direito e eu, com o trauma do Mundial, assustava-me sempre que os nossos caíam. A partir de certa altura, já um pouco desesperada, comecei a desejar que algum albanês acabasse por ver o segundo amarelo, a ver se assim conseguíamos marcar.


Devíamos termo-nos lembrado que quem não marca, sofre, até mesmo perante equipas modestas, como a Albânia. A nossa defesa ficou a dormir na forma, deixando Balaj isolado, e este, na sequência de um centro, teve um rasgo inusitado de inspiração e rematou acrobaticamente para as redes portuguesas, sem que Rui Patrício pudesse fazer nada para evitar o golo.

É claro que, depois daquele balde de água fria, os nossos desataram a correr desesperadamente atrás do resultado, em vão. Nem faltou a tradicional bola ao poste. Perto do fim do jogo já se viam lencinhos brancos nas bancadas - algo que já não se via há algum tempo em jogos da Seleção - e ouviam-se assobios.

Como já vai sendo habitual, eu compreendo tais manifestações de descontentamento, mesmo que, caso estivesse lá, não alinhasse nelas. No caso deste jogo e de tudo o que o envolve, eu concordo com muitas das críticas feitas e, no rescaldo do jogo, cheguei a defender precisamente a demissão de Paulo Bento. Tinha demonstrado alguma boa vontade após o Mundial, mas perdermos o primeiro jogo da Qualificação para o Europeu perante uma equipa como a Albânia? São demasiadas desilusões seguidas e a nossa paciência tem limites. Como se tal não bastasse, as desculpas esfarrapadas que temos recebido, a condescendência, a arrogância que têm marcado as declarações dos protagonistas ("Colocar já tudo em causa não me parece o melhor caminho", como se o Mundial ainda não estivesse fresco na memória; "É difícil virar a página porque estão sempre a falar do Mundial", porque será que estamos sempre a falar do Mundial?) não ajudam. Senti, naquela noite, que fora a gota de água.


Ainda assim, quando Paulo Bento rescindiu, na quinta-feira passada, não deixei de ficar em choque e um bocadinho triste. Afinal de contas, ainda que muitos o tenham esquecido depressa, este foi o homem que devolveu o rumo a uma Seleção fragilizada por uma crise com o técnico anterior, que a colocou de novo na rota do Euro 2012 (que alguns julgavam já perdida) onde atingiu as meias-finais, só sucumbindo nos penálties frente a uma poderosa Espanha. Lembro-me particularmente bem da noite do primeiro jogo de Paulo Bento como Selecionador, da inesperada vitória e boa exibição, da felicidade que senti por, depois de todo aquele drama, a Equipa de Todos Nós nos ter dado uma alegria de novo. Por tudo isso estarei sempre grata a Paulo Bento.

É uma triste ironia do destino que Paulo Bento deixe a Turma das Quinas numa situação semelhante àquela em que a encontrou, embora a de 2010 tenha sido pior. E não me parece que, desta feita, a coisa se resolva tão "facilmente". Há quatro anos, Carlos Queiroz era o principal problema (para não dizer o único). Hoje, toda a gente concorda que a saída de Paulo Bento não resolve tudo, sobretudo a médio e longo prazo.

Nunca se falou tanto da falta de opções para a Seleção. O problema já vem de trás, da Qualificação para o Mundial 2014 ou mesmo antes. Há um ou dois anos tínhamos o onze-base do Euro 2012 e muito pouco mais. Hoje já nem esse onze temos. Metade deles está velha (e pensar que eu acompanho alguns deles desde jovens...), sem ritmo e/ou lesionada. Durante algum tempo em particular nos dois últimos anos, convenci-me que os fracassos da Seleção se deviam a desleixo. Agora estou a cair na real: nós, pura e simplesmente, não temos capacidade para fazer melhor. E  somente mudarmos de treinador não vai resolvê-lo. Não vai disfarçar o facto de não termos um leque assim tão grande de escolhas, de muitas dessas escolhas não serem mais que medianas. Temos os sub-21 e os sub-19, que andam a passar por bons momentos - nunca o rótulo de "esperanças" fez tanto sentido - mas nada nos garante que essa geração consiga singrar no futebol profissional.


Um aparte só para me interrogar, no entanto, como é que passámos de golear os Camarões, vencer o México pela margem mínima e dar cinco à República da Irlanda (e nenhuma destas equipas é assim tão fraca) a sermos incapazes de vencer a Albânia. Daí que acredite que o trauma do Mundial é mais grave do que se suponha e tenha jogado contra nós no domingo passado.

Como "em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão", como já vai sendo habitual, as criticas têm-se multiplicado, quer antes quer depois da demissão de Paulo Bento. Alguns têm mesmo aproveitado a desculpa para atacarem indiscriminadamente a Federação e outras fundações do futebol português, incluindo pessoas que, apesar de ter cometido erros recentemente, possibilitaram a boa campanha portuguesa no Euro 2012. E enquanto uns exigiam a cabeça a demissão do Selecionador, outros, após a saída de Paulo Bento, acusam a FPF de terem feito de Paulo Bento um bode expiatório. Quanto a Carlos Queiroz, que se inclui nesse grupo, ainda que reconheça a legitimidade das suas críticas, sobretudo no caso dele, relembro ao Professor que existe uma diferença entre sair pelo próprio pé e ter de ser arrastado para fora.

Agora aguardamos a escolha do próximo Selecionador. Têm sido avançados vários nomes. Eu gostava que o lugar fosse atribuído a Fernando Santos, aquele castigo parvo da FIFA é que estraga tudo. Assim sendo, outro dos meus favoritos é Jesualdo Ferreira. Em todo o caso, não tenho nada contra a eventual escolha de José Peseiro ou Vítor Pereira. A ver vamos. Seja quem for, pode contar desde já com o meu apoio.

Só espero que, depois do início deste novo mandato, não tenhamos nunca de suspirar "Volta Paulo Bento, estás perdoado."


O futuro é incerto para a Seleção. Se já o era antes do início do Apuramento, agora, que ainda por cima perdemos o Selecionador, é-o mais ainda. Não digo que esteja já tudo perdido no que toca a esta Qualificação. O Ronaldo sempre pode continuar a tapar buracos, coitado, parece ser esse o destino dele, carregar equipas às costas. Os outros ainda podem, eventualmente, melhorar com o tempo, o novo Selecionador poderá fazer Escolhas mais acertadas. E, que diabo, temos sempre o playoff através do terceiro lugar. Em teoria isto ainda pode acabar bem. Na prática, a hipótese de não nos Qualificarmos é real, sobretudo se os jogadores continuarem desnorteados com o que aconteceu no Brasil.

Eu ainda não perdi a esperança, contudo. Como sempre, acredito que a Seleção, mais cedo ou mais tarde, regressará à sua melhor forma. Venha o que vier, venha quem vier, eu continuarei aqui, como sempre estive e como, provavelmente, sempre estarei.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Portugal 2 Estados Unidos 2 - Inverno

No passado domingo, dia 22 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou, em Manaus, a sua congénere norte-americana, em jogo a contar para a fase de grupos do Campeonato do Mundo da modalidade. Tal encontro terminou com um empate por duas bolas no marcador, deixando a Seleção praticamente eliminada do Mundial, ficando obrigada a golear o Gana, no jogo de amanhã, quinta-feira dia 26 de junho, e a esperar que a Alemanha ganhe aos Estados Unidos.

Visto que a minha irmã não estava em casa e eu não queria assistir ao jogo só com os meus pais, assisti a esta partida numa esplanada. O encontro até começou bem para o nosso lado, com aquele golo, bafejado pela sorte, de Nani. Gritei em coro com toda a gente na esplanada, feliz por, aparentemente, estarmos vivos e termos ainda uma palavra a dizer neste Mundial, por Nani, depois de tudo porque passou nos últimos tempos, depois de ter falhado a África do Sul, ter finalmente marcado um golo num Mundial.


Ele merecia mais do que isto. Mas ainda não é altura de ir por aí.

Todos sabíamos que o 1-0 era um resultado perigoso, que tínhamos de marcar o segundo golo o mais rapidamente possível para matarmos o jogo. Só que esse golo nunca mais vinha e os americanos não desistiam de tentar anular a vantagem. Os portugueses iam tentando mas estavam tão lentos, era uma coisa parva, não sei se por causa do clima ou da sua forma física. Provavelmente por causa de ambos. Este jogo veio a confirmar aquilo de que já se suspeitava fortemente na segunda-feira anterior: em termos físicos, os jogadores portugueses estão um farrapo. Prova disso foi a lesão de Hélder Postiga, aos treze minutos. A sua saída acabou por não ser demasiado prejudicial, pois Éder revelou-se um dos mais inconformados ao longo de todo o jogo - não que isso tenha sido suficiente. 

Há que dizê-lo, os portugueses jogaram melhor que na segunda-feira anterior e viu-se que eles se esforçaram. No entanto, a fraca forma física revelou-se mais forte que a vontade. A verdade é que, tal como já tinha dito anteriormente, não é normal ocorrerem tantas lesões. Não acredito em "azar" ou coincidências - às tantas, aquele bruxo do Gana, que queria lesionar Ronaldo, foi tão eficaz que lesionou, não só o madeirense, como também três quatros da Seleção Portuguesa. Não sou, nem de longe nem de perto, a melhor pessoa para tecer julgamentos sobre esta matéria, mas devem ser fornecidas explicações sobre a situação. As que Henrique Jones e Humberto Coelho forneceram não me convencem. O mesmo se passa com a questão do clima. Conforme tem sido dito, de repente o País ficou cheio de especialistas em climatologia. No entanto, conforme tenho lido, não existem verdades absolutas nesta matéria. Não se sabe o que é melhor, se estagiar em condições adversas, semelhantes àquelas em que decorrerão os jogos, sob o risco de estas se revelarem demasiado agrestes para os jogadores treinarem, ou estagiar em condições ótimas para o treino mas diferentes das dos jogos. O que parece relativamente consensual é que este Campeonato do Mundo não foi preparado adequadamente.

Mas regressemos ao jogo.


Ao início da segunda parte, tive esperanças de que os portugueses tivessem aproveitado o intervalo para se hidratarem e recuperarem as forças para correrem atrás do segundo golo. Não foi bem isso que aconteceu. Os portugueses continuavam tão lentos como em todo o jogo. Nem falo dos crónicos problemas na finalização - eles desperdiçavam cada uma... Acabou por acontecer o que se adivinhava havia pelo menos meia hora: os americanos marcaram. 

Os portugueses até pareceram acordar com este golo, ainda tentaram correr atrás do resultado, mas acordaram tarde demais. Paulo Bento mandou entrar Varela e eu até me lembrei de um lendário outro segundo jogo de fase de grupos. Ainda tive esperanças num desfecho semelhante. No entanto, não estávamos em 2012, em que havia frescura suficiente para alimentar a fase do "Ai Jesus!", frente à Dinamarca. Cedo aconteceu o pior: os Estados Unidos colocaram-se à frente no marcador. Houve quem reclamasse do fora-de-jogo no início da jogada, mas Portugal tinha tido mais do que oportunidades para evitar aquele desfecho.

Talvez aquela tenha sido a gota de água que fez com que, ao fim de todos estes anos, o copo derramasse, talvez uma parte de mim tenha deixado de acreditar logo aquando do desastroso jogo com a Alemanha. A verdade é que, poucos minutos após este golo, o meu estado de espírito era, para minha própria surpresa, de indiferença, de resignação. Percebia que este Mundial, pura e simplesmente, não estava fadado para nos correr bem (ai, o tão português fatalismo desta frase...). De tal maneira que nem festejei quando Varela marcou, em cima do final do jogo. Se por um lado o Drogba da Caparica voltava a dar uma de Salvador da Pátria, dando a Portugal uma ínfima hipótese de permanecer no Mundial, por outro lado, pode ter apenas adiando o inevitável. 


Já devem ter percebido que não, não acredito que Portugal vá além da fase de grupos deste Campeonato do Mundo. Mesmo que se dê o milagre e a Sorte seja favorável às cores lusitanas, duvido que tenhamos pernas para ir muito mais longe. Em teoria, soa melhor dizer que Portugal chegaria aos oitavos do Mundial em vez de dizer que não foi além da fase de grupos. Na prática, duvido que consigamos apagar a má imagem que temos deixado, com destaque para o nosso jogo de estreia.

Sinto-me tentada a partir já para as alegações finais, como se Portugal estivesse já fora do Brasil. No entanto, não me parece legítimo estar a escrever sobre as supostas razões do que está a ser uma péssima prestação, não quando a porta dos oitavos-de-final ainda não está definitivamente encerrada.

Posso já dizer, contudo, que isto não está a ser nada como estava à espera. Disse anteriormente que este Mundial seria como o verão - não está a sê-lo. Foi-o, de certa forma, durante as semanas de preparação, mas terminou com o jogo com a Alemanha. Agora está a ser um inverno - o que até condiz com a meteorologia dos últimos dias. Talvez seja por isso que, também, não estou com grande pena de que isto possa acabar já amanhã. Ando, aliás, a desejar regressar às semanas, ou meses, antes do Mundial, ou mesmo ao ano passado - aos tempos inocentes em que podíamos, ainda, sonhar com um bom Campeonato do Mundo.


Admito que o "eu" de há um ano ou dois, ou talvez mesmo de há uns meses, provavelmente desprezar-me-ia por estar a desistir tão "facilmente". Parte de mim, neste momento, até concorda: eu devia estar revoltada contra as previsões mais pessimistas, devia continuar a acreditar teimosamente, mesmo desesperadamente, como nos últimos tempos. É bem possível que isto seja apenas cansaço, um momento de desânimo, que daqui a umas semanas venha a sentir saudades destes dias. Contudo - embora isto não sirva, de modo algum, de desculpa - conforme já disse amiudadas vezes anteriormente, quando se passa tanto tempo como eu passo a tentar puxar pelos jogadores, a convencer os demais a puxar pelos jogadores, uma pessoa precisa de alguma espécie de retorno. Que, neste Mundial, tem sido nulo, independentemente dos responsáveis por essa situação.

Uma coisa, no entanto, não muda. Eu continuo aqui, no meu blogue, na minha página. Ainda que a minha fé tenha atingido mínimos históricos, continuarei a puxar por eles e a esperar um desfecho favorável às cores portuguesas. Nem eu sei explicar porque insisto nisso, talvez seja masoquismo, talvez seja porque é o meu clube, são os meus heróis e, conforme dizia numa curta-metragem que vi no outro dia, uma pessoa não abandona os seus heróis. É algo semelhante que, de resto, peço aos nossos jogadores para a partida de amanhã, frente ao Gana: mesmo que já não dê para passar, que tentem conseguir uma vitória ou, pelo menos, uma exibição decente, para ao menos sairmos deste Mundial de cabeça erguida. Não faltará, certamente, tempo para se fazer a análise completa ao fracasso, que parece inevitável. De qualquer forma, qualquer que seja o desfecho, eu estou aqui e sempre estarei. 

domingo, 15 de junho de 2014

Antes da nossa estreia no Mundial 2014

Na madrugada de sexta, dia 6 de junho, para sábado, dia 7, a Seleção venceu a sua congénere mexicana por uma bola sem resposta, num jogo amigável que teve lugar no Gillette Stadium, em Boston. Quatro dias depois, no Met Stadium, em Nova Iorque, a Seleção enfrentou a sua congénere irlandesa e tornou a vencer, desta feita mais expressivamente, por cinco bolas contra uma. 

Não escrevi entradas individuais para cada um destes jogos, como costumo fazer, essencialmente por falta de tempo e de material. Quando falo em material, refiro-me à análise ao jogo por parte de um jornal desportivo, no dia seguinte, na qual me baseio para escrever as crónicas. Devido à hora tardia destes últimos encontros, não foi possível aos jornais fazerem uma análise completa aos mesmos, logo, faltaram-me as bases para escrever mais exaustivamente sobre eles. 


O jogo com o México, de resto, pouca história teve, assemelhando-se ao do Jamor, contra a Grécia. Neste, o nosso domínio não foi tão constante, os mexicanos estiveram várias vezes por cima, o jogo poderia ter dado para ambos os lados. Só não virou a favor dos mexicanos graças a Eduardo, que fez uma mão cheia de belas defesas, provando merecer estar entre os Convocados - em termos de guarda-redes, a Seleção está bem servida. Numa altura em que aquilo já me parecia uma repetição do sábado anterior, em que considerava que aquelas quase duas horas teriam sido melhor empregues a dormir, João Moutinho bateu um livre, assistindo Bruno Alves para o único golo da partida. Para um defesa, o Bruno anda a marcar bastante pela Seleção. Foi um triunfo pela margem mínima, ao cair do pano, mas que sempre serviu para levantar um pouco a moral. 

O jogo com a República da Irlanda foi melhor, esse sim valeu as horas e sono perdidas. É claro que ajudou o facto de os irlandeses estarem uns furos abaixo dos gregos e dos mexicanos, mas os portugueses não deixaram de proporcionar bons momentos de futebol - e não foi apenas o recuperado e regressado Cristiano Ronaldo a brilhar. A partida começou logo bem, com um golo do (para muitos) improvável Hugo Almeida, assistido por Varela. O resto do jogo desenrolou-se mais ou menos da mesma forma, com Portugal em claro domínio. Fábio Coentrão marcou um meio golo, assistindo um infeliz irlandês, que marcou na sua própria baliza. Mais tarde, Ronaldo tentou a sua sorte, falhou, Hugo Almeida foi à recarga e conseguiu marcar.


Muitos podem ter ficado surpreendidos com o desempenho do ponta-de-lança, mas eu não, pelo menos não tanto. Ele já não marcava pela Seleção há um ano, é certo, e chegou a fazer um par de jogos infelizes no passado recente. Eu, no entanto, lembro-me que há uns anos ele marcava com regularidade pela Seleção. Fico satisfeita por esse Hugo Almeida estar, aparentemente, de regresso a tempo do Mundial.

Ao início da segunda parte, eu receava (e quase esperava, pois sempre me daria uma desculpa para parar de ver o jogo e ir dormir) que o rendimento decaísse, sobretudo quando se processassem as substituições. Tal não chegou a acontecer, tirando o golo que sofremos. Para quase toda a gente, tal golo nasceu de uma falha de concentração. A minha irmã, contudo, alega que o livre foi batido antes do tempo, quando os portugueses ainda organizavam a barreira. Quanto a isso, não consigo chegar a nenhuma conclusão, nem mesmo depois de rever as imagens do golo. Apenas dá para ver que, independentemente do motivo, os Marmanjos estavam de facto distraídos durante esse lance.

Muitos esperariam que a saída de Cristiano Ronaldo tirasse qualidade ao jogo. Não foi isso que aconteceu pois, quando saiu Ronaldo, entrou Nani, cheio de ganas, que rapidamente assistiu para os dois últimos golos da Seleção Portuguesa, um de Vieirinha, outro de Fábio Coentrão (que também anda mais goleador do que o habitual, se considerarmos o seu meio golo na primeira parte). Pelo meio, ainda viu um golo anulado após uma linda jogada de tiki-taka por ele protagonizada. Nani dá-nos, deste modo, sinais de que poderá fazer um bom Mundial, algo que, há escassas semanas, me parecia altamente improvável.


Depois de, anteriormente, ter defendido que o empate frente à Grécia não provava nada, seria hipócrita estar agora a dizer que estes dois últimos particulares provam muito mais. Se é de esperar que, numa fase mais avançada da preparação do Mundial, os jogos corram melhor, a verdade é que, há dois anos, Portugal perdeu de forma ridícula com a Turquia mas não deixou de fazer um belo Euro 2012. Viu-se que os portugueses pelo menos parecem empenhados, motivados. No entanto, todos sabemos que, quando for a doer, tudo será diferente.

Será a doer já amanhã, segunda-feira, pelas cinco da tare, hora portuguesa, no Arena Fonte Nova, em Salvador da Bahia, frente à Alemanha. É o segundo campeonato de seleções consecutivo em que nos estreamos com os nossos amigos alemães, que de resto também defrontámos no Mundial 2006 e no Euro 2008. Não guardamos boas recordações de nenhum desses jogos, embora talvez pudéssemos ter guardado do último.

Há uns meses, diria que seria pouco provável ganharmos. Hoje, contudo, não acho que seja assim tão improvável. O jogo do Euro 2012 podia ter-se virado a nosso favor, bastaria aquela bola ao poste do Pepe ter entrado, ou o remate de Varela na segunda parte. Além do mais, o futebol alemão não parece tão ameaçador agora, já que este ano nenhuma equipa alemã atingiu a final da Liga dos Campeões. Também me soa animador o facto de os portugueses do Real Madrid terem sido bem sucedidos frente às várias equipas alemãs que lhes saíram na rifa. Alguns adeptos alemães não parecem, igualmente, muito confiantes na sua seleção. Por fim, os alemães deram a entender em algumas declarações que nos subestimam, com destaque para aquela em que nos comparavam com a Arménia.


Tudo isto, no entanto, não passa de conjeturas, se não forem ilusões. Não alteram o facto de a Alemanha ser, a par da Espanha (isto é, depois do jogo com a Holanda não sei...), Brasil e Argentina, uma das seleções candidatas ao título mundial, tal como o era há dois anos. Portugal pode vencer a Alemanha, mas terá de suar para fazê-lo. Por um lado, gostava mesmo de ganhar este jogo, ou pelo menos de empatar, para não ter de escrever uma crónica intitulada "22 homens atrás de uma bola, a trilogia" e também porque, se conseguíssemos vencê-los, seria um sinal de que até poderíamos ser candidatos ao título. Por outro lado, eu conheço a maneira como a Seleção Portuguesa funciona. Sei que se sai melhor sobre pressão, perante adversários mais fortes ou situações de aperto em termos de classificação. Os Estados Unidos já nos apanharam de surpresa uma vez, o mesmo pode acontecer caso entremos em campo com eles com a atitude descontraída de quem já tem três pontos amealhados. Daí que quase prefira o empate, ou mesmo a derrota.

De qualquer forma, a partir de amanhã, acabarão as teorias, os prognósticos, as apostas. O que quer que aconteça durante o jogo, cada golo, cada falta mal cobrada, cada cartão injustamente atribuído, ficará escrito a tinta-da-china na História. Poderemos, depois, olhar para eles da maneira que quisermos, mas não haverá maneira de mudá-los. Só aí saberemos quem estava certo ou errado, só aí será determinado o verdadeiro valor da nossa Seleção. Já sinto o "bichinho" a morder, a típica mistura de nervosismo e excitação, quando olho para os jogos já ocorridos do Mundial e respetiva repercussão nos media e redes sociais, e me apercebo que, na segunda-feira, seremos nós o objeto das notícias, análises, comentários e piadas.

Conforme tenho repetido inúmeras vezes nos últimos tempos aqui no blogue, não vou poder ver a primeira parte do jogo. Agora que estamos mais perto do mesmo, calculo que poderei ir estando a par d que for acontecendo, quer através do relato radiofónico, quer através de um daqueles sites, que se vão atualizando com os lances, quer, se tivermos sorte, através das das exclamações das pessoas que estiverem a ver os jogos nos cafés da zona. Quando sair, por volta das seis, corro para um desses cafés para ver a segunda parte. Em princípio, será um com wi-fi, por isso, talvez consiga levar o meu computador e ligar-me às redes sociais.


Embora não considere "desonestidade intelectual" pensar o contrário, não acho que Portugal seja candidato ao título, por diversos motivos, alguns dos quais estão listados num artigo que enviei para o Record Online. Contudo, no mesmo também recordo que, no futebol, não há impossíveis, tudo pode acontecer, e Portugal, de resto, possui meios para fazer mais do que esperar por um milagre, possui meios para, como costuma dizer Paulo bento, competir com qualquer equipa, para dar luta. Conforme afirmei no artigo, e já várias vezes aqui no blogue, Portugal pode não ter os melhores jogadores do Mundo, tirando uma exceção bem conhecida, mas estes, quando vestem a Camisola das Quinas - sobretudo em momentos decisivos - funcionam bem uns com os outros, como uma equipa, como um só, elevam-se acima do valor que lhes é cotado. E, conforme afirmei no artigo, chego a depositar mais fé nesse espírito, na garra e determinação dos jogadores, na união entre eles, na sua vontade de fazer bem, que propriamente na sua qualidade técnica ou momento de forma. Esta minha convicção aplica-se tanto à tendinose rotuliana e Cristiano Ronaldo, à falta de ritmo de Nani, à forma duvidosa de Hélder Postiga, às reservas da opinião pública relativamente a jogadores como Vieirinha ou André Almeida.

Encaro este Mundial da mesma forma como tenho encarado os últimos campeonatos de seleções: com as minhas reservas, mas convicta de que tudo é possível, com a esperança de que a coisa corra bem para o nosso lado, de preferência com o título mundial à mistura. A preparação encontra-se à beira do fim, a partir de amanhã é a doer. A ver o que o destino nos reserva. Para já, não tenho mais nada a dizer senão: força Portugal!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Portugal 0 Grécia 0 - Sem surpresa

No passado sábado, dia 31 de maio, a Seleção Portuguesa recebeu, no Estádio Nacional, a sua congénere grega em jogo de carácter particular. Tal encontro terminou com o marcador por inaugurar. Não posso dizer que tenha ficado surpreendida. Tal como referi anteriormente, depois das experiências dos últimos dois primeiros jogos das preparações do Mundial 2010 e do Euro 2012, não podia esperar muito melhor.

Não achei, contudo, que o jogo tivesse sido mau, tendo em conta as minhas baixas expectativas. Paulo Bento experimentou uma táctica diferente, com apenas dois médios (William Carvalho e Miguel Veloso) e com dois pontas-de-lança (Éder e Hélder Postiga). Não me vou alongar mais do que isto, que eu não percebo assim tanto deste assunto. Deixou de fora habituais titulares, como Moutinho, Meireles, bem como os portugueses do Real Madrid, Coentrão, Pepe e Ronaldo. A estratégia até não resultou mal: a Seleção Portuguesa entrou em campo muito desenvolta, conseguindo três oportunidades nos primeiros minutos de jogo. É claro que não podia, no entanto, faltar o nosso velho problema da finalização. A Grécia foi, de resto, igual a si própria : jogou em bloco baixo, na expectativa, sem correr riscos. Não impedidu, mesmo assim, alguns portugueses de darem uns ares de sua graça, sendo o maior exemplo Nani.


Confesso que não estava à espera que Nani jogasse tão bem. Por outro lado, conforme o próprio disse, já estou habituada à garra dele, ao inconformismo dele, quando joga pela Seleção. Pode ser que o velho Nani esteja a regressar. Esperemos que regresse a tempo do Mundial - seria até bom para a sua carreira, na minha opinião estagnada no Manchester United. Pelo menos, o primeiro passo está dado.

Não há muito mais a dizer sobre o jogo. Portugal dominou praticamente todo o encontro, mesmo quando o jogo entrou em ritmo de treino - também para evitar lesões, suponho. Só perto do final é que a Grécia pregou alguns sustos. Acho que merecíamos ter ganho, por pelo menos 1-0. Não deixei de esperar por esse golo embora, já mais para o fim, começasse a perceber que não passaria dali. É pena, pois acho que deixámos escapar uma oportunidade de termos a nossa vingançazita, ainda que meramente simbólica.

É claro que, com este empate, já vem tudo dizer que a culpa foi da ausência do Ronaldo, que a equipa não é nada sem ele, blá, blá, blá, blá, blá, blá. Como se nunca tivéssemos tido jogos pouco conseguidos com ele, com os problemas de finalização e tudo o mais. Um excelente exemplo é o particular com a Macedónia de há dois anos, disputado em circunstâncias semelhantes às atuais, com algumas diferenças: Ronaldo jogou, e sem limitações físicas, a Macedónia tinha menos argumentos que a Grécia e Portugal jogou pior que no sábado. É apenas um caso, entre muitos. O jogo com a Macedónia não provou nada - toda a gente sabe como correu o Euro 2012 - e não me parece que este jogo com a Grécia prove alguma coisa.


Já sei que as pessoas têm memória curta, mas toda a conversa do Ronaldo-mais-dez já enjoa. Irrita-me que quase todos adotem o mesmo discurso fácil, demagógico, que quase ninguém tenha abertura de espírito para olhar além do Ronaldo-mais-dez, para propor soluções, em vez de se limitar a apontar o dedo. 

Por outro lado, consta que o preconceito já se alastrou aos nossos adversários. Disso não me queixo - só temos a ganhar caso eles nos subestimem.

Nada disto, de resto, é algo a que não esteja habituada, sobretudo em vésperas de campeonatos de seleções. Eu nem me devia irritar tanto - às vezes, este tipo de ambiente é mais benéfico à Seleção do que uma confiança exagerada. Além disso, conforme já disse antes, tudo isto será esquecido assim que o Mundial começar a correr-nos bem. Mas... e se não correr?


Depois de terem sido recebidos pelo Presidente da República (e se terem comportado como uns autênticos totós, pelas fotografias que andam a sair), a Seleção Portuguesa encontra-se, neste preciso momento, em pleno voo direto a Newark, nos Estados Unidos, onde irão estagiar durante cerca de dez dias. Na madrugada de sexta-feira para sábado, de dia 6 para dia 7, à uma e meia da manhã da hora portuguesa, jogamos um particular com o México no já nosso conhecido Gillette Stadium. Consta que Portugal disputou poucos jogos com essa seleção, sendo que o encontro mais recente deu-se durante o Mundial 2006, encontro esse que ganhámos por 2-1, com uma equipa de suplentes, sem grande dificuldade. Não sei muito sobre o México, diria que está ao nosso alcance. No entanto, sendo um particular onde Paulo Bento quererá, certamente, fazer experiências, tudo pode acontecer, o resultado não será tão importante. Mas queria uma vitória, como quero sempre. Por motivos variados, entre os quais, para contrariar um pouco um certo cepticismo corrente na opinião pública em relação a este Mundial.

Aproveito este preciso momento, em que a Equipa de Todos Nós já deixou o nosso País, encontrando-se em pleno voo, para terminar esta entrada com o desejo de que os nossos Marmanjos não regressem antes de 14 de julho. 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

A Seleção de Todos Nós

Na passada segunda-feira, 19 de Maio, pouco após as oito e um quarto da noite, Paulo Bento anunciou os vinte e três Convocados para representar Portugal no Mundial 2014. 

A cerimónia contou com uma certa pompa e circunstância quanto baste e começou com um discurso do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes. Neste, o presidente teceu rasgados elogios ao atual selecionador. Agora compreende-se que Fernando Gomes pretendia dar publicamente o seu voto de confiança a Paulo Bento, antes de uma Convocatória que, como todas as outras, causaria contestação. Na altura, contudo, ansiosa como me sentia, só pensava: "Ó senhor Presidente, ninguém quer saber! Deixe o Paulo Bento dizer os Convocados, que nós não podemos esperar mais!"

Acabou por não ser Paulo Bento a dizê-los, estes foram-nos apresentados sob a forma de vídeo:


Com este formato, houve tempo para digerir cada um dos nomes à medida que estes iam sendo anunciados. De uma maneira geral, eu aprovava cada um deles. Fui apanhada de surpresa pela inclusão de nomes como Rafa, Éder e Vieirinha. Senti um prazer culpado com as Chamadas dos meus adorados Hélder Postiga e Nani. Só mais para o fim do vídeo é que fiquei à espera do nome de Ricardo Quaresma mas a apresentação terminou antes que este fosse anunciado. Lembro-me de fitar o símbolo da Federação no fim do vídeo e pensar: "Oh não, ele não fez isto..."

Não se pode, contudo, dizer que hajam grandes surpresas na Convocatória. Para mim, a maior surpresa foi mesmo a exclusão de Quaresma, que não consigo mesmo compreender, por muito que me esforce. De uma maneira geral, Paulo Bento referiu dois critérios para justificar as suas escolhas: polivalência e estabilidade emocional. Não sou, nem de longe nem de perto, a pessoa mais habilitada para falar sobre o primeiro aspeto, que terá justificado as inclusões de Rafa,  Rúben Amorim e André Almeida, bem como a exclusão de Adrien. Quanto à estabilidade, à confiança, compreende-se. Paulo Bento chegou mesmo a enviar uma indireta a Danny quando referiu ser "preferível levar jogadores com vontade, determinação e compromisso". Para ser sincera, por muito boa vontade que tenha anteriormente demonstrado para com Danny, estava a ficar farta das confusões dele. De uma forma quase inconsciente, fiquei aliviada quando ele nem sequer entrou na pré-Convocatória. Nesta, concordo com Paulo Bento.

O caso de Quaresma - que, coitado, deve estar a ter um dejá-vu de 2006 - na minha opinião, é diferente de Danny. É certo que o jogador do F.C. Porto continua algo imaturo, apesar dos trinta e um anos, mas ao ponto de não merecer ir ao Mundial? Tenho as minhas dúvidas. É aqui também que reside a grande incoerência de Paulo Bento. O Selecionador alega que Quaresma esteve um ano e meio sem jogar, só se tornando selecionável nos últimos dois ou três meses. No entanto, tal situação não difere muito da de metade da Convocatória que, como tem sido ampla e jocosamente comentado nas redes sociais, falhou parte da época por lesão. Ainda que Paulo Bento afirme que Nani tem características diferentes de Quaresma, que o primeiro não esteve um ano e meio sem jogar, como o segundo, em termos práticos, na minha opinião, Quaresma fez mais pelo seu clube nos três ou quatro meses que jogou que Nani fez pelo dele desde o Euro 2012. Até Carlos Mané merecia mais estar no Mundial que Nani, nesse aspeto pelo menos - é claro que não é a decisão mais sensata um jogador de dezoito ou dezanove anos estrear-se pela Seleção num Mundial.


Não sou, contudo, verdadeiramente capaz de contestar nem a Chamada de Nani nem a de Hélder Postiga. Estive em conflito comigo mesma durante as últimas semanas pois, se tanto as lesões de Postiga como a falta de ritmo de Nani me exasperavam, a verdade é que não queria o Mundial sem dois dos meus jogadores preferidos, mesmo que não fossem titulares. Passa-se um bocadinho o mesmo com o Eduardo. Não seria justo eu estar a criticar os outros casos de momentos de forma duvidosos. Desse modo, tirando a situação de Quaresma, não tenho muito mais a apontar a esta Lista Final. No entanto, não nego que isto se torna injusto para outros jogadores selecionáveis, com ritmo de jogo e comprovada qualidade, que ficaram de fora deste campeonato. Paulo Bento aparenta dar prioridade aos aspetos psicológicos, em detrimento, um pouco, dos aspetos técnicos. Tem a sua lógica: de nada serve termos trunfos no baralho que não temos maneira de utilizá-los. Ninguém pode negar que Marmanjos como Nani, Postiga, Eduardo e outros que tais sempre mostraram empenho quando vestem a camisola das Quinas. Vão na linha dos jogadores, de que falei anteriormente, que se saem melhor pela Seleção que pelos clubes. Não esquecer o caso de Nani que tem aquele talento que o Selecionador "não se dá ao luxo de desperdiçar", tal como afirmou há um ano. Ainda deve haver tempo para os "lesionados" (Ronaldo incluído) recuperarem até ao Mundial e, de qualquer forma, duvido que muitos desses venham a ser titulares. Mas até que ponto, contudo, conseguirão as pernas acompanhar a vontade de fazer bem?

Eu confio em Paulo Bento, apesar de todas estas dúvidas. Tal como o disse antes da Convocatória, acredito que ele sabe o que está a fazer, que ele saberá tirar o melhor proveito dos jogadores que Escolheu, colocando-o ao serviço de Portugal. Como sempre, têm sido tecidas várias críticas a esta Convocatória, umas mais construtivas do que outras. Há dois anos, as mais destrutivas ter-me-iam enfurecido. Hoje, apenas me despertam indiferença. Tal como já referi anteriormente, caso o Mundial nos corra de feição, todas essas alminhas aziadas se esquecerão desses comentários e juntar-se-ão à festa, como se nunca tivessem duvidado da Turma das Quinas. Citando João Querido Manha, "a partir de agora, esta é a Seleção de Portugal, é a Seleção de todos nós". Tudo o resto é irrelevante.


Tirando os portugueses do Real Madrid (não sei se Vieirinha já chegou), a Seleção encontra-se já reunida em Cascais, tendo já começado a Operação Mundial. É lá que o meu coração se encontra sediado. Tal como na próxima semana estará sediado em Óbidos, depois em New Jersey, nos Estados Unidos, até finalmente aportar em Terras de Vera Cruz. Apesar de, segundo o que disse anteriormente, o Verão ter começado na segunda-feira, a verdade é que o tempo piorou desde esse dia. Não faz mal. Agora, que estamos finalmente em Modo Seleção, o Sol arranjará sempre maneira de brilhar por entre a chuva, tal como reza um dos temas da minha playlist da Equipa de Todos Nós. E é meu desejo que este período abençoado se prolongue o mais possível.

sábado, 19 de outubro de 2013

Portugal 3 Luxemburgo 0 - Queremos muito mais

Na passada terça-feira, dia 15 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu no Estádio de Coimbra a sua congénere luxemburguesa no último jogo de Apuramento para o Campeonato do Mundo da modalidade, que se realizará no próximo ano, no Brasil. Tal encontro terminou com uma vitória portuguesa por 3-0. Ao mesmo tempo, a Rússia empatou com o Azerbaijão. Contas feitas, os russos vencem o grupo F e Qualificam-se diretamente para o Mundial. Quanto a nós, ficamos em segundo lugar, obrigados a ir aos playoffs lutar por uma vaga no Brasil. Conheceremos o nosso adversário na próxima segunda-feira. 

 Tal como se previa, o último jogo desta fase de Qualificação foi tranquilo, equivalente a um particular para levantar a moral. A Seleção não precisou de jogar melhor do que jogou contra Israel, mas parecia jogar melhor visto que os luxemburgueses pouco conseguiam fazer para nos travar. Tivemos várias iniciativas de Varela e Hélder Postiga mas também um número exasperante de bolas perdidas. Apesar da clara inferioridade do adversário, foi necessário este ver-se reduzido a dez para nós marcarmos. Corria a meia hora de jogo. João Moutinho consegue passar a bola a Varela que, isolado, marca com facilidade. Estava aberto o marcador.



Não tivemos de esperar muito pelo segundo golo, resultante de uma jogada iniciada, uma vez mais, por João Moutinho. Não me canso de ver esta jogada, não me lembro da útima vez que vi a Turma das Quinas sincronizada com tanta perfeição. Destaque óbvio para o passe de génio de Moutinho para trás, com o calcanhar, e para o pontente remate de Nani. O momento do jogo, claramente.

Foi bom ver Nani de regresso aos golos quase um ano e meio depois do último. Ele que, no Apuramento para o Euro 2012, foi um dos melhores marcadores mas que, depois disso, até ao momento, só tinha marcado uma vez, naquele malfadado particular contra a Turquia, antes do Euro 2012. Era um dos que queria que marcasse, no jogo de terça-feira. Espero, também, que o jogador do Manchester United não fique por aqui, que volte em breve a ser um dos melhores marcadores da Seleção.


Destaque também para o cumprimento que Nani foi dar a Paulo Bento nos festejos do golo, em jeito de manifestação de apoio e agradecimento pela confiança que o técnico continua a depositar nele. Gestos deste género são sempre de louvar.

Se a primeira parte do jogo ainda foi razoável, a segunda chegou a ser uma seca em vários momentos. Estávamos a jogar contra dez amadores mas não havia maneira de enfiarmos a bola na baliza. Nesse aspeto, um dos jogadores mais exasperantes era Hugo Almeida. Eu não gosto de criticar um jogador da Seleção assim tão abertamente mas, meu Deus, o tipo não dava uma para a caixa! Toda a gente anda, agora, a falar dele como se ele fosse uma nulidade e eu sei que não é bem assim, que ele já audou várias vezes a Seleção com os seus golos, mas o seu desempenho nestes últimos dois jogos, sobretudo no de Coimbra, deixa imenso a desejar. Imenso.


Felizmente, Postiga estava lá para ensinar como se acerta na baliza - embora também pudesse tê-lo feito mais cedo. O ponta-de-lança era outro dos que queria que marcasse, que sabia que marcaria - não é por acaso que ele já é o sexto melhor marcador de sempre com a Camisola das Quinas.

Destaco, ainda, que Moutinho também assistiu este golo, que assistiu todos os golos que marcámos ao Luxemburgo nesta fase de Apuramento. Também sem surpresas aqui. O Moutinho, pura e simplesmente, não sabe jogar mal.

Foi isto o jogo. uma vitória fácil mas que esteve longe de empolgar. Podia ter sido mais expressiva, com as oportunidades que tivemos - incluindo três bolas nos eternos ferros da baliza - e a nossa óbvia superioridade. Dá a ideia, às vezes, que eles não estão para se chatear, ou então que têm medo - sendo ambas as hipóteses indignas de nós. Em todo o caso, gostei das palavras realistas de Paulo Bento, admitindo que a Seleção não foi suficientemente competente para se Qualificar em primeiro, apesar de ter capacidade para isso.



Entretanto, os nossos amigos azeris lá conseguiram empatar com a Rússia - algo que aumenta a nossa frustração pois, se tivéssemos ganho a Israel na semana passada, já estaríamos Apurados, livres de todo este drama. Mas também é aquela, bem assinalada pelos comentadores da RTP: se tivéssemos conquistado aqueles três pontos, a Rússia teria, quase de certeza, abordado o jogo de forma diferente, com menos complacência. Teria ganho e as consequências práticas seriam as mesmas. Tal como disse na última entrada, a diferença seria, sobretudo, em termos anímicos.


A minha frustração acentua-se quando olho para o lote dos já Apurados, quando vejo seleções como os Estados Unidos (onde o futebol é ainda considerado secundário), o Irão de Carlos Queiroz (Grrr!!!), a Bósnia. A Bósnia-Herzegovina que nós derrotámos nos dois últimos playoffs mas que, agora, Qualificou-se diretamente.

Ao mesmo tempo, a Dinamarca ficou já excluída do Mundial por ter sido a pior segunda classificada do conjunto europeu. Eles que nos venceram nas duas Qualificações anteriores a esta, que nos dificultaram a vida à grande e à dinamarquesa no grupo do Euro 2012. Ironias do futebol.

Em todo o caso, frustrações à parte, parabéns à Bósnia pela sua primeira Qualificação para um Mundial.

Quanto a nós, teremos de esperar pela uma da tarde da próxima segunda-feira para saber com quem disputaremos o acess ao Mundial do Brasil. Perante a possibilidade de termos de disputá-lo com a Suécia ou, sobretudo, com a França, tenho-me rido para não chorar. Pouco ajuda saber que eles também não desejam encontrar-se connosco - daria, aliás, mais jeito se estivessem confiantes, demasiado confiantes. Se fosse outra equipa "das grandes" (Inglaterra, Holanda, Itália..), poderia invocar como vantagem a nossa capacidade dde superação perante seleções deste género Mas o nosso historial com a França (só derrotas desde 1975) não tranquiliza.

Por outro lado, há sempre aquele desejo de desforra pelas três meias-finais em que o franceses foram o nosso carrasco. E poucas coisas dariam mais gozo do que fazê-lo barrando-lhes o acesso ao Mundial. Além disso, tal como a minha irmã assinalou no outro dia, se nem eles nem os suecos se apuraram diretamente, será porque não estão assim tão bem quanto isso. Pela mesma lógica, também não podemos subestimar a Islândia e a Roménia - ainda que não tenham o mesmo prestígio, se ficaram em segundo lugar nos seus grupos, se foram considerados melhores que a Dinamarca, por algum motivo será.

Por outro lado, se nos calhasse a França, com todas as dificuldades associadas, era bem feita para eles. Para ver se aprendiam a deixarem-se de desleixos na Qualificação.


O que eu quero mesmo é ir ao Mundial, seja de que modo for, vencendo quem quer que nos calhe. Não concebo a alternativa, não imagino um Mundial sem nós. Não quando há quinze anos que não falhamos um campeonato de seleções, não depois da campanha que fizemos no Euro 2012. Para o conseguirmos, não chega fazer o que fizemos durante o Apuramento. Qualquer que seja o adversário que nos sair na rifa, literalmente, para o vencermos será necessário fazer muito mais, tudo o que vem no refrão do Menos Ais. Sei o que vários de vocês dir-me-iam, que nesses momentos Portugal supera-se, eu mesma farto-me de dizê-lo - mas até quando poderemos fiar-nos nisso, até quando isso será suficiente?

Temos um mês para nos prepararmos para os playoffs, para corrigir as nossas falhas, espero. Se Deus quiser, nessa altura teremos bem menos baixas - apesar de tudo, das boas exibições de jogadores como Ricardo Costa e Antunes, acho que a ausência de titulares habituais continua a fazer mossa. Se não em termos táticos, pelo menos em termos psicológicos. Qualquer que seja o nosso adversário, mesmo com todas as desilusões recentes, com todas as dúvidas, farei por manter a fé na Seleção. Fé essa que, tal como farto de dizer, acaba sempre por ser recompensada, mais cedo ou mais tarde. Paulo Bento prometeu que Portugal tudo fará para descobrir o caminho futebolístico para o Brasil e eu acredito nele. Calhe quem calhar, eles que venham. Nós estaremos prontos.

sábado, 31 de agosto de 2013

Uma final e um reencontro

No próximo dia 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará, em Belfast, a seleção da casa, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, que se realizará no próximo ano, no Brasil. Será precisamente com a seleção desse país que, quatro dias depois, Portugal disputará um encontro de cariz amigável em Boston, nos Estados Unidos.

Os Convocados para esta dupla jornada de Seleção foram divulgados anteontem, quinta-feira dia 29 de agosto. As principais novidades consistem na Chamada de Antunes e Josué (que, neste início de época, se tem destacado ao serviço do Futebol Clube do Porto), bem como no regresso dos que falharam o jogo com a Holanda: Raul Meireles, João Moutinho, Nani e Hugo Almeida. Confesso-me francamente aliviada pelo regresso de Moutinho, apesar de ainda não existirem certezas relativamente à sua aptidão - já toda a gente sabe da importância do "formiguinha", que é pouco afetada pela sua forma física.

E, ao menos, desta feita é pouco provável o Pinto da Costa vir mandar bocas ou, como diz o Selecionador, debitar postas de pescada sobre a eventual utilização, ou não, de Moutinho.




Quanto a Nani, estou dividida. Por um lado, sinto-me satisfeita por ver um dos meus futebolistas preferidos de regresso aos Convocados. Por outro lado, o jogador continua a não competir com regularidade no Manchester United, agora por causa de mais uma lesão. Tal deixa-me céptica relativamente aos benefício da sua Chamada. Paulo Bento garante que , apesar das recentes atribulações da carreira de Nani, este continua "com um talento e qualidade" de que o Selecionador não se dá "ao luxo de desperdiçar". Será suficiente para ele merecer a titularidade? Sinceramente, não sei. Neste momento, tanto a presença como a ausência do jogador no onze inicial frente à Irlanda me parecem igualmente prováveis. No entanto, eu, se calhar, apostaria em Vieirinha.

Por outro lado, fiquei surpreendida com a ausência de Nélson Oliveira, que está a atravessar uma boa fase no seu clube, o Rennes. O jovem jogador tem sido apenas uma promessa há demasiado tempo, convinha começar a conquistar um lugar entre os habituais da Seleção.




Aproximam-se, então, dois jogos extremamente interessantes, cada um por um motivo diferente. Começarei pelo menos importante ("menos", por ser um particular). Praticamente desde que foi anunciado, tenho andado ansiosa pelo jogo com o Brasil. Não tanto pelo confronto Ronaldo versus Neymar, mas sobretudo por causa do reencontro com Luiz Felipe Scolari mais de cinco anos (!) após este abandonar o comando técnico da Seleção Portuguesa.

Será, no minimo, agridoce ter o nosso antigo selecionador sentado no banco do adversário. O próprio Scolari admite que, para ele e para o Murtosa, será "um jogo estranho", que "dá um nó na garganta", tal como era estranho quando estavam no comando técnico da Turma das Quinas e esta jogava com o Brasil. Eu ainda me sinto um bocadinho zangada pela maneira como Scolari nos trocou pelo Chelsea, anunciando a notícia quando a Seleção ainda se encontrava no Euro 2008. Contudo, superior a isso é a minha gratidão por tudo aquilo que o nosso ex-selecionador nos proporcionou, em particular de 2004 a 2006. Há quem defenda que o único mérito que o treinador canarinho teve nessa era foi ter tido a felicidade de poder dispôr de parte da Geração de Ouro, de Cristiano Ronaldo e da espinha dorsal do Futebol Clube do Porto de Mourinho. Nesse aspeto, a vitória do Brasil na Taça das Confederações deixou-me secretamente satisfeita por ter provado que Scolari até sabe treinar. Não chega apenas ter bons jogadores.




Além disso, tenho saudades dele, do seu estilo bonacheirão, da sua maneira de falar muito característica, do seu temperamento caprichoso, da sua proximidade com os jogadores, do carinho que nutre pelo povo português.

Que ainda nutre, aliás. Não apenas pelo facto de continuar a seguir, à distância, o que vai acontecendo com a Seleção, mas também pela maneira como se lembrou de nós, nos agradeceu, pouco depois de ganhar a Taça das Confederações comandando outra equipa.

Anseio, em particular, pelo reencontro e Scolari com os Marmanjos. Se formos a ver, metade do atual plantel da Seleção, sobretudo os habituais titulares, foi lançada na Turma das Quinas pelo atual técnico do Brasil. Vai ser agradável ver o Cristiano Ronaldo, o Hélder Postiga, o Hugo Almeida e os outros reencontrarem Scolari - depois, exigirei fotografias e vídeos desse(s) momento(s)!

Por tudo isto, pelo menos para mim, neste jogo o resultado será um aspeto secundário. Será como no jogo com a Holanda: o importante será afinar armas, testar alternativas, habituar os Marmanjos a elevados níveis de exigência de modo a prepará-los para a reta final da Qualificação. Mas também servirá para apreciar a beleza de um embate entre duas seleções de topo, representando países irmãos.


O jogo a sério, o jogo que nos tirará anos de vida, realizar-se-à quatro dias antes, com a Irlanda do Norte, uma seleção teoricamente mais fraca, motivada por uma recente vitória perante um dos candidatos à Qualificação, que ainda por cima é forte jogando em casa, que provavelmente entrará em campo sem medo. O próprio selecionador irlandês já avisou que Portugal deve preparar-se, pois a vitória da sua seleção perante a Rússia não foi, segundo ele, produto do acaso.

A incógnita que se coloca é, tal como já referi na entrada anterior, se a Irlanda do Norte jogará à defesa ou ao ataque, como fizeram contra a Rússia, e qual destas estratégias será mais benéfica para Portugal. Eu, por exemplo, preferia a segunda, visto que a Turma das Quinas costuma dar-se mal com autocarros estacionados à frente da baliza. Por sua vez, a minha irmã não em grande confiança na nossa defesa após uma série de disparates que nos custaram caro no passado recente.

Aquilo sobre o qual não existem dúvidas é de que este jogo será mais um encontro difícil, intenso, mais uma final, mais um jogo em que perder pontos não é opção. Mais uma vez, os Marmanjos estão obrigados a desenrascar-se, a dar tudo por tudo, a deixar a pele em campo. A Irlanda do Norte será um adversário difícil, mais difícil do que, se calhar, imaginávamos há um ano, mas eu acredito que temos equipa para vencê-los, mesmo com todas as circunstâncias desfavoráveis. Acredito que os Marmanjos farão por isso. E está mais do que provado que quando o fazem, quando dão o seu melhor, por vezes, nascem jogos fantásticos, daqueles que nos enchem de orgulho e funcionam como verdadeiros antidepressivos. Não peço que isso aconteça agora, frente à Irlanda - mas peço que ganhem, de modo a podermos viver mais momentos desses no próximo ano, na terra dos nossos irmãos.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Alimentando a chama

No próximo dia 7 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe, no Estádio da Luz, a sua congénere russa, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, a realizar-se daqui a um ano, no Brasil. Três dias mais tarde, desloca-se a Genebra, na Suíça, para um jogo de carácter particular a propósito do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Estes serão os últimos jogos da época futebolística 2012/2013. Este ano acompanhei a temporada dos clubes, tanto portugueses como estrangeiros, mais de perto do que o habitual, sobretudo por causa da página do Facebook - chegam a passar-se semanas sem notícias sobre a Equipa de Todos Nós e não posso, nem quero, deixar a página inativa durante esse tempo todo. Além disso, interessa prestar atenção ao percurso dos jogadores portugueses nos respetivos clubes, já que isso influenciará a sua chamada à Seleção, bem como os seus desempenhos quando vestirem a camisola das Quinas.

Tal como disse a minha irmã no outro dia, foi uma época esquisita. Por vários motivos. Já aqui falei das dificuldades por que vários jogadores portugueses passaram este ano nos respetivos clubes e, em alguns casos, continuam a passar. O caso dos jogadores do Real Madrid, por exemplo. A trágica época do Sporting - a minha irmã fartou-se de sofrer este ano, coitadinha! E a desgraça recente do Benfica, que durante algum tempo pareceu ter tudo nas mãos e deixou-o escapar entre os dedos.

No que toca ao clube das águias, aquilo que mais desapontou foi a perda da Liga Europa, pois era uma equipa portuguesa numa final europeia, representando o futebol português - embora, em rigor, só haja um único jogador nacional no plantel benfiquista e nem sequer é dos mais utilizados. Foi o único jogo dos decisivos para o Benfica a que assisti e, pelo que vi, os benfiquistas jogaram melhor que o Chelsea. Acabou por ser um filme já muitas vezes visto, em diferentes circunstâncias. Isto é como diz José Mourinho, finais não são para jogar, são para ganhar. Equipa que quer levar um jogo de vencida não pode falhar tantos remates. O objetivo do futebol é marcar golos, quem não consegue fazê-lo não pode aspirar a vitórias, é tão simples quanto isso.

Julgo que não é a primeira vez que falo disto aqui no blogue. Só espero agora não ter de voltar a abordar este assunto tão cedo.





Mas a época já terminou para os clubes, tirando o campeonato espanhol, que termina no próximo fim-de-semana. Paulo Bento divulgou na segunda-feira passada os Convocados para os próximos dois jogos da Seleção. A única novidade de maior foi a Chamada de André Martins, o jovem médio do Sporting. Quem ficou muito feliz com esta Convocatória foi a minha irmãzinha sportinguista. Já quando, há pouco menos de duas semanas, íamos as duas no carro e ouvimos na rádio que o jovem médio fora incluído na pré-Convocatória, ela deu um berro:

- EU DISSE! EU DISSE! EU DISSE QUE ELE IA PARAR À SELEÇÃO! EU DISSE! - E tratava-se apenas de uma pré-Convocatória, nada nos garantia que ele seria Chamado já para estes jogos.

Sim, acho que ela sai a mim.

Quando a Convocatória lhe veio a dar razão, reagiu com menos histeria, felizmente. Limitou-se a ficar muito feliz. "Como uma mãe orgulhosa", nas palavras da mesma, apesar de ser mais nova do que ele... Mas compreendo-a. Quando tinha a idade dela, cada elogio que fizessem ao Cristiano Ronaldo equivalia a um elogio a mim.




A minha irmã diz que o André Martins será o próximo João Moutinho, o próximo formiguinha. Talvez tenha razão. O que é facto é que o jovem médio tem já longo percurso nas Seleções de formação, com 43 jogos e 4 golos - incluindo um frente à Rússia há um ano, pelos sub-21. Há quem diga que ele pode jogar logo de início contra a Rússia mas tenho as minhas dúvidas. Quanto muito entrará a meio. Estará, certamente, ansioso por mostrar o seu valor, mostrar que merece tornar-se uma opção para Paulo Bento. Só o tempo poderá dizer que o André cumprirá as promessas que tem deixado.

O Paços de Ferreira já se veio queixar de não ter nenhum jogador na lista de Convocados. A polémica ainda não estalou a sério porque os media ainda estão a explorar a desgraça do Benfica e o futuro incerto de Jorge Jesus. Mas aposto que, assim que o assunto se esgotar e, sobretudo se alguma coisa correr mal frente à Rússia (três vezes na madeira!!!), estalará. Eu, nesta, concordo que o Paços tem motivos para se queixar. Depois da época que fez e sendo a equipa do pódio da Liga Portuguesa com maior número de jogadores portugueses (acho eu), merecia atenção por parte de Paulo Bento. Mas também, para ser sincera, não estava à espera de grandes inovações nesta Convocatória. Só a Chamada de André Martins apanhou-me de surpresa. E se é verdade que a Seleção precisa de sangue novo, de alternativas, estar a criar uma equipa completamente nova para um jogo desta importância poderia dar para o torto. Haverá tempo para fazer experiências, até porque veem aí vários particulares - mais sobre isso adiante - mas, para já, é melhor apostar em jogadores que já estão habituados uns aos outros, que já deram garantias, apesar da irregularidade de alguns dos últimos jogos.




Vamos, então, jogar com a Rússia pela segunda vez nesta fase de Apuramento, desta feita em casa, num Estádio da Luz que se espera cheio. Fala-se de muitos jogadores não se encontrarem na forma ideal, alguns deles, como já referi aqui, depois de épocas menos boas. Gostei, contudo, da resposta que o Selecionador deu na Conferência: "Nunca consegui encontrar um jogo da Seleção num momento adequado." Julgo até que já o disse aqui no blogue: os jogos da Seleção nunca dão jeito, seja por entrarem em rota de colisão com os planos dos clubes, por os jogadores terem as cabeças noutro lugar ou por terem perdido ritmo competitivo.

Bem, terão de se amanhar. Tendo em conta que Portugal já perdeu os pontos que tinha para perder nesta Qualificação, não existe nenhuma escolha que não seja ganhar. Paulo Bento, Humberto Coelho e alguns jogadores já começaram com o discurso habitual, de que é-para-ganhar, discurso esse que continuará, certamente, a ser repetido por toda a gente na Seleção até ao dia do jogo. Tal como aconteceu há uns meses, antes do jogo com Israel, em que aconteceu o que se viu. O que me dá vontade de citar letras das chamadas break up songs, para dizer que estou farta de ouvir a mesma conversa de sempre e ver muito pouco dentro de campo. Falar é fácil, o que eu quero é golos, quero exibições que, ainda que não possam ser muito boas, pelo menos não tenham a mediocridade de alguns dos nossos últimos jogos. Quero vitórias. Quero passos em frente na Qualificação. Quero poder fazer planos para o Mundial 2014.




Também já começou, um pouco, o circo para chamar o Povo ao Estádio da Luz, como podem ver. Conforme já afirmei aqui no blogue uma vez, gosto deste tipo de circo, desde que não se caia em exageros. Este anúncio protagonizado por Nani ficou giro. Também gosto de outro que vi no outro dia, que ainda não encontrei no YouTube, mostrando uma mulher equipando-se para assistir ao jogo com a mesma solenidade com que se equiparia caso entrasse mesmo em campo. Afinal de contas, o próprio Selecionador afirmou, há poucas semanas, que a seleção não vende tanto como os clubes, o que explica todo o circo publicitário que costuma anteceder a participação da Equipa de Todos Nós numa fase final. E, para esta fase de Apuramento, a própria Turma das Quinas criou as condições que permitiram usar o slogan: "Cada jogo uma final". Digo apenas que seria bom se, por uma vez, pedissem uma moldura humana, obtivessem-na e agradecessem o tempo e o dinheiro dispendidos com uma vitória.

Eu e a minha irmã estivemos quase para ir ver este jogo mas não vamos poder, por vários motivos. O que me deixa infelicíssima pois não vou a um jogo da Seleção há quase seis anos, ainda não pude conhecer o Estádio da Luz e este promete ser um jogo interessante. Eu e a minha irmã vamos tentar ir ao jogo contra Israel, em outubro, no Estádio de Alvalade e, eventualmente, ao provável playoff, no Estádio da Luz. A única coisa má é que, nesses jogos, não devo poder usar a blusa que usei no A Tarde É Sua, no ano passado. Mas acho que a usarei à mesma no dia do jogo. E, se em agosto formos assistir a um treino, tornarei a usá-la.

Ou talvez não, já que o tempo não tem estado grande coisa e dizem que o verão será frio.

Já que falo nisso, esta semana a Seleção treina no Jamor, abrindo três treinos ao público. Se fosse há um ano, tentaria ir a um deles. Mas. depois de ter ido no ano passado com a minha irmã, já não quero ir sem ela, que tem aulas à hora dos treinos. De resto, o pessoal do campeonato espanhol só chega na próxima semana, jogadores como Cristiano Ronaldo, Fábio Coentrão e Hélder Postiga não estarão lá. É preferível irmos em agosto, quando estivermos livres das aulas e de todo o trabalho com elas relacionado.





Três dias depois de jogarmos com a Rússia, vamos à Suíça para um particular com a Croácia, na segunda-feira dia 10. Tanto quanto me lembro, é o primeiro jogo da Seleção fora de Europeus e Mundiais a realizar-se a uma segunda-feira. 

Não sei muito sobre a seleção croata. Sei que jogámos com ela em novembro de 2005 mas, antes de ver o vídeo acima, a única coisa de que me recordava desse jogo era do resultado. Como poderão ver acima, os golos foram de Petit e Pauleta, que nesta altura já ultrapassara o recorde de Eusébio.

Só agora que começo a aperceber da qualidade da Seleção entre 2004 e 2006. Uma Qualificação tranquila como mais nenhuma, nem calculadoras, com Figo (embora se tenha ausentado durante a primeira metade do Apuramento), Pauleta, Deco, Maniche, Costinha, Ricardo Carvalho e um Cristiano Ronaldo em ascensão, usando a camisola 17, desejoso de mostrar o seu valor. Até agora nenhuma Seleção foi capaz de superar essa. Quem me dera ter tido noção disso na altura.

Não estava à espera de termos este particular e o seu anúncio foi uma agradável surpresa, apesar de suspeitar que alguns dos jogadores entrarão de férias logo a seguir ao jogo com a Rússia. Para mim, jogos da Seleção nunca são de mais. Não posso, portanto, queixar-me pois, nos próximos meses, teremos uma totalidade de três particulares e, por uma vez, com adversários "decentes", em vez de seleções estilo Gabão ou Liechenstein. Não falo tanto do jogo com a Croácia, mas acredito que vitórias nestes jogos, ou mesmo apenas boas exibições, podem dar a confiança necessária para enfrentarmos a reta final da Qualificação. 




Antes disso, contudo, precisamos de vencer a Rússia. A preparação desse jogo arranca hoje, apesar de faltar mais de uma semana para o desafio. Talvez escreva outra entrada antes do jogo, mas não sei se terei tempo ou se terei assunto que o justifique. Em todo o caso, já sabem, a página do Facebook manter-se-à atualizada, como sempre. Vai saber bem ter a Seleção reunida de novo.

As circunstâncias em que disputaremos este jogo não são as ideais mas também nunca o são. E a Equipa das Quinas tem esta capacidade de perder (ou empatar) quando tem todas as condições para ganhar, bem como de ganhar quando tem todas as condições para perder. Conforme disse José Manuel Paulino no Record, "quero crer que a vontade de marcar presença no Brasil em 2014 seja mais forte que um qualquer momento menos bom de forma". Algo semelhante disse Afonso de Melo no livro A Pátria Fomos Nós, de que já falei AQUI. "Às vezes nem o talento resiste à vontade de fazer bem." Tenho sentido em vários momentos desta Qualificação que, apesar de garantirem o contrário em múltiplas declarações à Imprensa, os Marmanjos não estiveram para se chatearem em vários jogos. Contudo, tenho a certeza de que todos eles, sem exceção, querem estar no Brasil daqui a um ano. Seja por que motivo for, seja pela publicidade pessoal, pela "montra", pelo prestígio, pelos incentivos financeiros. Ou pela honra de representar o País. Se o facto de jogarem em casa, possivelmente com Inferno da Luz do lado deles, perante um adversário estimulante, obrigados a ganhar, não for suficiente para motivá-los para dar o seu melhor então, peço desculpa mas não merecem ir ao Mundial. Como diz o Menos Ais, troquem desculpas por mais empenho. À boa maneira portuguesa, desenrasquem-se!

Apesar de tudo, sinto-me entusiasmada pela proximidade destes jogos. Posso andar a ligar ao futebol de clubes mais do que é habitual mas nenhum clube me apaixona como a Seleção. E não me parece que isso alguma vez mude. Agora, tudo o que mais desejo é que a Turma das Quinas continue a alimentar o meu entusiasmo, começando por ganhar à Rússia. Na última entrada, disse que a vitória frente ao Azerbaijão pode ter sido o ponto de viragem, a faísca que nos permitira continuar a lutar. Agora cabe à Equipa de Todos Nós alimentar essa pequena chama, deixá-la crescer, para que nos sirva de catalisador, de combustível, para aquilo que falta do nosso caminho para o Brasil.
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