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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Inesquecível, espero eu

Na próxima quarta-feira, dia 15 de agosto, no Estádio do Algarve, a Seleção Portuguesa de futebol receberá, num jogo particular, a sua congénere... pana... panamesa? Do Panamá, pronto! Será o primeiro encontro do capítulo da Qualificação para o Campeonato do Mundo de Futebol, a realizar-se em 2014, no Brasil.

A Convocatória para este particular foi divulgada ontem. Paulo Bento praticamente repetiu a Lista que representou o País no Euro 2012, apenas trocando Ricardo Quaresma - ao que parece, desentendido com o seu clube, Besiktas - por Carlos Martins - que falhou o Europeu por lesão mas regressou em grande forma. Inicialmente, estranhei o facto de o Selecionador não ter Chamado ninguém novo à Turma das Quinas, de não ter aproveitado este particular para procurar alternativas. Mas, realmente, é difícil descobrir novos talentos literalmente nesta altura do campeonato, antes de arrancarem as ligas profissionais, tal como o próprio Paulo Bento explicou ontem, na Conferência de Imprensa. 

Desta vez passa, mas espero que Paulo Bento ande mesmo à procura de sangue novo para a Equipa de Todos Nós. A filosofia em-equipa-que-ganha-não-se-mexe é perigosa. Tenho medo que a Seleção fique demasiado dependente do núcleo duro, que se ressinta demasiado da eventual ausência por lesão de habituais titulares. Tal já aconteceu em outubro de 2011, resultando numa vitória sofria frente à Islândia e numa derrota frente à Dinamarca. Não queremos perder pontos desnecessariamente nesta Qualificação - já os perdemos em dose mais do que suficiente nas últimas três Qualificações. 

Esta será a primeira vez que defrontamos o Panamá, que se encontra em 54º lugar no ranking da FIFA. Em princípio, estará ao nosso alcance, mas nunca se sabe... Espera-se uma vitória, mas não me admiraria se saíssemos do Estádio do Algarve com um empate. Depois dos últimos três particulares... Já se sabe, estes jogos em agosto, antes do arranque oficial da época futebolística, costumam servir, em geral, para motivar a equipa com uma vitória fácil e esquecível e, eventualmente, fazer uma ou outra experiência. Mas como a Seleção é praticamente a mesma que disputou o Europeu, acho que esta última hipótese não se coloca...

Não há muito mais a dizer sobre este jogo. Daí esta entrada estar tão fraquinha... Depois da emoção, da qualidade, do impacto que foi o Europeu, jogos como este parecem insignificantes, uma fraca imitação do melhor que a Turma das Quinas é capaz de oferecer. Nenhum membro dos Simple Plan ou dos Linkin Park fará questão de acompanhar um jogo da Seleção Portuguesa contra o Panamá. Noventa e nove por cento do Mundo não quererá saber deste jogo. 

Talvez deva começar a habituar-me. Os próximos adversários serão do nível do Panamá, dificilmente darão grande interesse aos jogos.

Ora, será com o intuito de contrariar este espírito desencantado, de falta de entusiasmo, que na próxima segunda-feira tenciono assistir ao treino aberto da Seleção no Estádio Nacional. Um ano depois da minha última visita ao Jamor, volto, finalmente, a ter nova oportunidade de ver um treino da Equipa de Todos Nós. E, desta feita, quero levar a minha irmã comigo - isso obriga a aprovação parental, que neste momento ainda está pendente... Mas devemos conseguir luz verde.

Esta jornada particular da Seleção tem tudo para não ficar na memória, como já foi assinalado em cima. No entanto, tenciono deixá-la gravada pelo menos na minha memória, na minha e na da minha irmã, visitando a Seleção, talvez conseguindo um autógrafo ou uma fotografia (que à terceira seja de vez...). A maior parte das pessoas esquecer-se-á desta jornada numa questão de dias. Por meu lado, farei tudo para que, pelo menos para mim e para a minha irmã, se torne inesquecível. 

domingo, 3 de junho de 2012

Portugal 1 Turquia 3 - Assim não dá

A Seleção Portuguesa de Futebol recebeu no Estádio da Luz a sua congénere turca num jogo de carácter particular de onde saiu derrotada por três bolas contra uma.

Os portugueses até entraram bem no jogo, enérgicos, entusiasmantes, certamente catalisados pelos sessenta mil adeptos sentados nas bancadas e consequente ambiente eletrizante, recordando o Euro 2004. Contudo, já nessa altura me interrogava quanto tempo demoraria a bateria a descarregar. E, de facto, não demorou muito. Embora Portugal tivesse dominado durante algum tempo, os turcos iam dando um ar de sua graça, como que recordando que eles não eram nenhuma Macedónia, nenhum Luxemburgo, não estavam ali só para elevar a auto-estima do adversário. E como Portugal não foi capaz de concretizar, de refrear a paixão turca com um golo (não percebo como é que o Hugo Almeida me foi falhar aquelas oportunidades...), marcaram eles, após um erro da defesa.

No início na segunda parte, até parecia que os portugueses estavam determinados a virar o resultado, ou, pelo menos, a empatar. Tive esperança de que marcassem em breve, relançando o jogo.

Contudo, foram os turcos a marcar, de novo. Por uma falha defensiva, de novo.

- Só podem 'tar a gozar! - exclamava eu.

Eu sabia que a Turquia era uma adversária de respeito, que criaria dificuldades, mas nunca me havia passado pela cabeça que obteria uma vantagem de dois golos sobre nós. Não num Estádio da Luz quase cheio. Como é que aquilo acontecera?

Felizmente, o Nani conseguiu reduzir marcando o primeiro golo da Seleção deste ano. Espero que seja o primeiro de muitos mas com tanto problema na finalização... Festejei este golo apesar de continuarmos em desvantagem, à semelhança do que fizeram os adeptos presentes no Estádio da Luz. Foi a eles que o golo foi dedicado - mas também era o mínimo que podiam fazer!

Devo dizer que, mais uma vez, o público foi bastante paciente para com a Seleção. Assobiou algumas vezes, é certo - e, verdade seja dita, os Marmanjos mereceram-no - mas não deixou de puxar pela equipa mesmo estando a perder. Eles mereciam mais por parte da Turma das Quinas.

Desejei que o golo do Nani relançasse a equipa. Pode-se dizer que o fez. Miguel Lopes conseguiu um penálti - embora, na verdade, me tenha parecido que forçou um penálti - algo que foi celebrado pelos jogadores como um golo. Não gostei. De certa forma, mereceram que o Cristiano Ronaldo tivesse falhado.

A minha mãe, a certa altura, perguntou-nos se não queríamos ir jantando - tinhamo-lo adiado por causa do jogo. O meu irmão respondeu:

- Não! Isto 'tá a ser giro...

E de facto estava. De uma forma retorcida, estava a ser giro. E ia ficar ainda mais. Mesmo assim, eu continuava com esperança de que chegássemos, pelo menos, ao empate. Sobretudo depois da entrada de Hélder Postiga, que marca muitas vezes no Estádio da Luz. 

O golo chegou a ser marcado. Só que na baliza errada, depois daquele lance caricato, digno dos apanhados. O meu irmão fartou-se de rir com este lance. Eu não sabia se havia de rir ou de chorar.


Ninguém se pode admirar que este jogo tenha acabado com uma monumental assobiadela. Eu, naquele momento, zangada como estava, seria capaz de fazer o mesmo. Se repararem nas publicações na página do Facebook aquando do rescaldo do encontrou, hão de ver que estava mesmo furiosa. As declarações dos protagonistas não ajudaram. "Ai e tal, nós jogámos bem, tivemos azar, cometemos erros, eles só fizeram três remates..." Será que não percebem que não podem cometer erros como esses? Nós vamos jogar contra três seleções poderosíssimas, das melhores do Mundo, com elas não será suficiente jogar melhor sem conseguir marcar golos! No nosso último jogo com a Alemanha eles fizeram meia dúzia de remates à baliza, mais coisa menos coisa, e marcaram três golos. Se queremos vencê-los, temos de saber neutralizar este tipo de adversário, que pode não jogar de forma muito vistosa, não rematar muitas vezes, mas sair de campo com uma vitória! Não podemos falhar remates, livres diretos, penálties, não podemos hesitar em frente da baliza, não podemos cometer erros defensivos! Um único deslize pode significar a morte do artista! Se queremos chegar aos quartos-de-final, não podemos jogar como jogámos ontem!

Num aspeto, contudo, têm razão. É preferível cometer tais erros em jogos particulares, numa altura em que ainda há tempo para corrigi-los. Pode ser como disse o Cristiano Ronaldo, pode ser que isto represente uma mudança de maré. O Europeu ainda nem começou, a bola não é assim tão redonda, tão linear, a bola é caprichosa. Prognósticos, só no fim do jogo. Só se saberá quem é melhor do que quem quando as equipas entrarem em campo. Até lá, tudo é possível.

E, no entanto, não é por isso que me senti tão zangada, que ainda me sinto. O que me verdadeiramente enfurece é o seguinte: eles têm prometido dar o seu melhor no Europeu, pedido o nosso apoio, nas Conferências de Imprensa, através de campanhas publicitárias. E o povo até tem correspondido, indo aos treinos abertos, participando em inúmeras manifestações de apoio, enchendo o Magalhães Pessoa e a Luz. E o que é que os Marmanjos dão em troca? Empates, derrotas, desculpas esfarrapadas, arrogância perante os assobios - que são símbolo do descontentamento daqueles que pagam quinze euros ou mais por um bilhete porque querem acarinhar a Seleção, mas depois levam com exibições miseráveis e com a condescendência dos jogadores, com o ai-e-tal-os-portugueses-são-assim. A ideia que dão é a de que eles não fazem por merecer o afeto dos portugueses, tomam-no como garantido.

Não vou deixar de apoiá-los mas estou farta de pedir que me deem, que nos deem uma boa razão para continuarmos a acreditar neles. Estou farta de dizê-lo: palavras não chegam, intenções não chegam, precisamos de mais, merecemos mais! Parece que não há maneira de eles o compreenderem...

Não me resta mais nada senão continuar a fazer o que sempre fiz: acreditar, apoiar, acarinhar, estimular os outros a fazer o mesmo, mesmo quando eles, se calhar, não o merecem. Ninguém disse que ser adepto incondicional era fácil - levar com misérias como esta e não atirar o cachecol para o chão não é para todos. Quase roça o masoquismo. No entanto, já suportei muitas situações deste género com a Seleção. Continuo aqui porque a Turma das Quinas o recompensa, mais cedo ou mais tarde. Ultimamente, a recompensa tem demorado a chegar, mas podemos vir a recebê-la muito em breve. Como sempre, enquanto for possível, acreditarei. Só espero que a Turma das Quinas comece depressa a dar-me novos argumentos para tal.

domingo, 27 de maio de 2012

Portugal 0 Macedónia 0 - Mais uma vez, nada de novo

Ontem, sábado, dia 26 de maio, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu no Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria, a sua congénere macedónia num jogo de carácter preparatório que terminou como começou: sem golos de nenhuma das partes.

Tal como tinha previsto, não pude seguir o jogo pela televisão, pois passei a tarde toda ao volante. Tive de segui-lo pela rádio. E ainda bem que o fiz pois o entusiasmo dos locutores ajudaram a disfarçar o tédio do jogo, a "falta de tempero" como os locutores disseram.

Não me vou alongar muito até porque o jogo não o justifica. Dizer apenas que, logo aos primeiros minutos, se notou que aquilo ia acabar como acabou - embora isso não me tenha impedido de cruzar os dedos e desejar que a bola cruzasse a linha da baliza macedónia. 

Quem não merecia de todo este resultado foi o público, que quase encheu o Magalhães Pessoa. Eles até foram impecáveis, aplaudiram a Seleção ao intervalo depois de uma primeira parte fraquinha. Na segunda parte é que a paciência esgotou-se e vieram os assobios. Não é a primeira vez que o digo, eu nunca seria capaz de assobiar a Equipa de Todos Nós. Na minha opinião, o apoio tem melhores resultados, mas este é uma daquelas situações em que os compreendo. Os locutores da Antena1 chegaram mesmo a dizer que uma boa parte do público já devia estar a pensar que mais valia terem ido à praia. Dava para ouvir o speaker do Estádio tentando puxar pelo público, já que a Seleção não estava a ser capaz de fazê-lo.


Já que se fala disso, ao longo do relato dos locutores iam recordando que era apenas um jogo de treino, etc, etc, apelando a alguma compreensão mas a verdade é que também eles acabaram por perder a paciência. Um deles, depois de mais um remate falhado na segunda parte, gritou:

- Se quiserem, atiro eu! Se quiserem, atiro eu!

Foi um momento engraçado.

Mais tarde disseram algo do género:

- Rapaziada, ainda não estão de férias! Ainda têm o Euro para jogar!

Há quem diga que foi precisamente por causa disso que não se esforçaram mais, por terem medo de se lesionarem e terem de ir de férias mais cedo. Mariquinhas... Frente à Polónia, andavam a guardar-se para os clubes, ontem guardaram-se para o Europeu... Não posso dizer que não compreendo ou mesmo que não concorde. Já percebi, aliás, que não se pode esperar mais de jogos como este, menos de uma semana depois do início do estágio. Já há dois anos, com o Cabo Verde, foi a mesma história. Isto para não falar dos particulares dos nossos futuros adversários, de onde tanto a Alemanha como a Holanda e a Dinamarca saíram derrotadas.



Paulo Bento, ao menos, teve a dignidade de admitir que a equipa jogou mal, em vez que dourar a pílula, de dar desculpas esfarrapadas, como fez, por exemplo, Cristiano Ronaldo. Mas também disse que não estava preocupado e muitos concordam com ele. Afinal, o estágio ainda agora começou, o onze que jogou no Magalhães Pessoa não será, certamente, o mesmo que entrará em campo com a Alemanha dia 9 - pelo menos, não no início do encontro - este foi um jogo para se fazerem experiências, a Macedónia pouco tem em comum com os nossos futuros adversários, os Marmanjos nunca dão o seu melhor em jogos deste género.

Não há, realmente, motivos para preocupações. Eu não estou preocupada. Mas não deixo de estar zangada. Eu queria mais! Como tinha escrito na semana passada, eu queria ação, queria comemorar golos pela primeira vez este ano! Mas não. Os Marmanjos voltaram a não se entregarem completamente, a adiar os golos, as vitórias. Até podem ter bons motivos para tal, talvez até tenham feito o que deviam nestas circunstâncias, talvez eu esteja a ser demasiado exigente, talvez porque já tolerei muita coisa por parte da Seleção e esteja a ficar sem paciência. Mas também não me parece que seja assim que vão mobilizar os portugueses para apoiarem a Seleção no Europeu.

Por outro lado, este jogo nunca ficaria na História, mesmo se tivéssemos ganho. Por isso, não vale a pena pensarmos muito nele. Na segunda-feira começará mais uma semana de estágio de preparação do Euro 2012. No sábado, teremos novo jogo particular - e aí a tolerância será menor. Aí a Seleção terá de dar-me aquilo que quero, aquilo que todos queremos, aliás: um motivo, por pequeno e irrelevante que seja, para acreditar numa boa jornada rumo à final de Kiev.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Nada de novo

O estágio de preparação do Euro 2012 já começou há alguns dias. A Seleção Nacional concentrou-se em Óbidos na passada segunda-feira e, tirando 24h horas entre quarta e quinta feira, têm estado por lá, afinando as armas e definindo estratégias para, em junho, irem à conquista da Europa.

Como José Carlos Freitas assinalou no Record de quarta-feira (depois deste tempo todo como blogueira e administradora de uma página de Facebook sobre a Seleção, estes nomes ficam na cabeça), pode haver quem critique o facto de Paulo Bento dar folgas, alegando que os jogadores têm é de trabalhar. Contudo, acredito que aprisionar os jogadores pode ser contraproducente. Paulo Bento assinalou, aliás, da Conferência de Imprensa de hoje, que qualquer pessoa regressa para a família depois de trabalhar a semana inteira. No Record alegam, além disso, que há dois anos, aquando da preparação do Mundial 2010, os Marmanjos já não podiam ver Carlos Queiroz à frente - o que deve ter contribuído bastante para a degradação das relações entre jogadores e treinador.

Uau, eu andava mesmo iludida há dois anos...

Até agora não tem acontecido nada de especial no estágio, tirando a lesão de Carlos Martins e a consequente Chamada de Hugo Viana. Tenho imensa pena do Carlos, pois seria a primeira vez que ele participaria numa fase final, mas ao menos assim poderá estar ao lado do filho que, finalmente recebeu um transplante de medula, e agora vai ser sujeito a diversos tratamentos, incluindo, ao que parece, quimioterapia (vão sujeitar uma criança de três anos a quimioterapia, meu Deus...). Além disso, agora o Hugo Viana tem a sua oportunidade. E como metade do País passou a semana passada vociferando contra a ausência do médio na Convocatória inicia, suponho que o jogador será útil à Turma das Quinas.

Nestes dias, tenho acompanhado as últimas sobre a Seleção quase ao minuto, de modo a poder atualizar a página do Facebook e a juntar material para entradas no blogue. Vou aos artigos relacionados dos Alertas do Google, vasculho as redes sociais, imprimi o programa do estágio para saber a que horas são as Conferências de Imprensa para depois poder acompanhá-las pela televisão ou pela rádio, vou a cafés que tenham jornais disponíveis para leitura - o que, às vezes, origina situações caricatas. Quando a minha família vê as notícias da Seleção no Telejornal, ao fim do dia, já as notícias são velhas para mim, mais do que ouvidas e processadas.



No entanto, estas não têm trazido nada de novo, nada de inesperado. As declarações dos jogadores nas Conferências de Imprensa podem resumir-se a isto: "Ai e tal, estou muito contente por estar aqui, o Mister é que depois decide se quer que eu entre em campo em vez do X ou do Y, o Z se calhar também merecia estar aqui mas foi o Mister que não o quis convocar, a equipa vem sempre antes dos meus interesses pessoais, vou dar o meu melhor, vamos todos dar o nosso melhor, etc, etc." A única com algo diferente foi a de Raul Meireles, a quem foi perguntado se faria uma tatuagem caso Portugal se sagrasse campeão. Ele disse que sim mas, como assinalaram na SIC Notícias, ele já não deve ter espaço para mais nenhuma...

Já que se fala nisso, talvez eu faça uma tatuagem da Seleção se formos campeões. Já sonho há anos com uma tatuagem que simbolizasse a Turma das Quinas. É só uma ideia vaga pois, na verdade, tenho medo de apanhar infeções, de ter de deixar de ser dadora de sangue, de a tatuagem sair mal, de me arrepender. Mas se Portugal levantar a Taça Henri Delaunay em Kiev, considerarei seriamente essa hipótese.

Mas regressemos ao assunto anterior. Igualmente repetitivas têm sido as mil e quinhentas delcarações de tudo o que é personalidade no mesmo desportivo com prognósticos para o Euro 2012. Há pessoas mais otimistas do que outras, comparações entre a Seleção atual e a Seleção de outras fases finais mas, no fim, as conclusões são quase sempre as mesmas.



É por esse motivo, por suspeitar que não há muito mais a acrescentar, que não tenho visto o programa "Diário do Euro", nem sequer para passar em fast-forward, apesar de ter todas as emissões gravadas. O "Vamos Lá Portugal" tenho visto apenas por serem cinco minutos e, na minha opinião, tem tido altos e baixos, o único de que gostei realmente até agora foi o do aniversário do Hugo Almeida. Os outros pareceram-me irrelevantes, na sua maioria; mais uma vez, não trouxeram nada de novo. Além de que irrita-me imenso o facto de o Cristiano Ronaldo aproveitar quase todas as vezes que tem uma câmara a si apontada para fazer publicidade à Nike.

Durante semanas ansiei por isto, por termos todos os holofotes virados para a Seleção; no entanto, agora que estamos finalmente em vésperas do Europeu, acho que andam a conceder demasiado tempo de antena à Equipa das Quinas. Demasiado, porque não tem acontecido quase nada que justifique tanto programa. Tirando as lesões, as únicas notícias que têm saído são declarações, prognósticos, em suma, palavras. E eu cheguei a um ponto em que palavras não são suficientes, quero ação. Quero parar de analisar a Alemanha, a Holanda e a Dinamarca, quero que a Seleção entre em campo e que se descubra, de uma vez por todas, quem é melhor que quem. Aí é que as coisas se tornarão interessantes, aí é que se justificará todo o tempo de antena.

Felizmente, este fim de semana, teremos uma amostra de ação, com o particular frente à Macedónia. Só uma amostra, mas talvez o suficiente para termos algo de novo sobre que falar. Não sei nada sobre a Macedónia - nem sequer sei ao certo onde é que fica - mas, em princípio, são daquelas seleções teoricamente mais fracas. O que já não quer dizer nada. Ainda me lembro do empate sem golos frente ao Cabo Verde, na preparação para o Mundial 2010, das desculpas esfarrapadas que deram para justificar tal resultado. Não quero que isso volte a acontecer. Para podermos acreditar que temos hipótese, a mínima hipótese que seja de sobrevivermos a um grupo como o nosso, temos de ser capazes de ganhar a uma seleção como a Macedónia.

Não sei se vou conseguir ver o jogo pela televisão, pelo menos não na sua totalidade, mas vou poder ouvir o relato na rádio. Tenho a certeza que o entusiasmo dos locutores compensará sobejamente a falta de imagem. A única contrapartida é não poder ver os Marmanjos estrearem o novo equipamento mas terei tempo de ver o resumo mais tarde.

Tem-se falado muito sobre este Europeu, mas o discurso tem sido praticamente o mesmo desde o sorteio da fase de grupos, em dezembro do ano passado. Fala-se muito, promete-se muito, mas pouco ou nada se tem visto. Por falta de oportunidade, é certo, mas na única que tiveram - ou seja, no particular frente à Polónia em finais de fevereiro - pouco se viu. Estou farta de conversas, de teorias, de promessas, de palavras. Quero ações, quero resultados. Quero celebrar um golo pela primeira vez este ano - bem, em rigor, já celebrei uns quantos mas não os senti. Não como sinto um golo da Seleção. Não é pedir demais a uma equipa que quer deixar, pelo menos, um de dois vice-campeões pelo caminho, pois não?

sexta-feira, 2 de março de 2012

Polónia 0 Portugal 0 - Um trailer mal amanhado

Anteontem, a cem dias do início da fase final do Campeonato Europeu de Seleções, que se realizará na Polónia
e na Ucrânia, a Seleção Portuguesa de Futebol efetuou o seu primeiro jogo do ano de 2012. Tratou-se de um embate de caráter particular, que opôs Portugal à Polónia, precisamente uma das anfitriãs do Euro 2012, que serviu também para inaugurar o novíssimo Estádio Nacional de Varsóvia. Tal encontrou terminou com o marcador por abrir.

Não há muito a dizer sobre este jogo, pelo menos, não há muito que não tenha já sido dito. O encontro assemelhou-se a tantos outros particulares da Seleção Nacional. O guião-base é sempre o mesmo, com uma outra variação, alguma rotatividade nos atores principais, secundários e figurantes, no cenário. Na primeira parte, como jogam os habituais titulares, há futebol de qualidade. Na segunda parte, com as substituições, o rendimento cai.

Especificando para este jogo, o Nani, com a garra que o caracteriza, foi um dos que mais perigo levou à baliza polaca. Também Ronaldo e Hugo Almeida deram o seu contributo, se bem que com um pouco mais de discrição.

Na segunda parte, com as substituições, a equipa perdeu ritmo, entrou em modo de gestão de esforço. Neste segundo ato, o protagonista foi Rui Patrício. Não fosse o jovem guarda-redes do Sporting e alguma pitosguice por parte dos polacos e o filme podia ter acabado mal para o nosso lado. Há quem diga que, depois de tantas vezes nos ter salvado o couro, ontem e não só, este já se tornou o titular indiscutível da baliza. Mas estou agora a pensar que o Marmanjo é pequeno e magro, pelo menos quando comparado com os brutamontes alemãs, à frente dos quais nos vamos estrear no Euro 2012. Nesse aspeto, talvez o corpulento Eduardo fosse mais aconselhável. Contudo, os jogadores não se medem aos palmos, caberá a Paulo Bento decidir qual deles entrará em campo dia 9 de junho.

Depois de uns bons primeiros quarenta e cinco minutos e de uns entediantes segundos quarenta e cinco minutos, o jogo acabou com o marcador por abrir. Já que não serviu para dar alegrias, por pequenas que fossem, a ninguém, espero que o particular tenha servido para Paulo Bento tirar conclusões. De resto, pouquíssimas pessoas levaram este jogo a sério. A maior parte do pessoal está mais preocupado com o clássico de logo à noite, para eles este particular pouco mais foi que um espinho na carne.

Por meu lado, estou-me completamente nas tintas para o jogo desta noite. Não em jeito de retribuição, de birra, por, na minha opinião, não terem dado à Equipa, que devia ser de todos nós, o tempo de antena que merecia. Apenas me é indiferente quem ganha ou deixa de ganhar a I Liga. Há anos que é assim.

Devo ser das poucas pessoas que ficou verdadeiramente desiludida com o resultado do jogo. Mais do que com a exibição. Como já disse antes, não se poderia esperar muito mais de um jogo deste caráter Mas eu esperava um pouco mais, mesmo assim. Esperava uma vitória. Mesmo que tivesse sido pela margem mínima, mesmo que não o merecêssemos. Já me contentaria com um empate com o marcador aberto... Esperava gritar "GOLO!" pela primeira vez este ano. Agora vou ter de esperar pelo menos três meses até ter a oportunidade de celebrar um golo.

Rui Patrício afirmou que, em maio, estaremos melhor, que "vamos ter tempo para trabalharmos todos juntos (...) por forma a que nos possamos apresentar, posteriormente, nas melhores condições para fazermos um bom Campeonato da Europa". Ele não foi o único a antecipar esse período. Também Paulo Bento e Cristiano Ronaldo o fizeram, com um pedido curioso:  "Aquilo que espero é que as pessoas possam vir ao estádio apoiar a Seleção, ter as bandeiras nas janelas das casas como em 2004 e de ouvir cânticos para a Seleção, por que isso faz a diferença para os jogadores e só se nota nos clubes", desabafou o madeirense. "Era uma maneira saudável e positiva de ajudar." "Que no Euro 2012 o País cante pela Seleção e que os jogadores o sintam", desejou Paulo Bento.

Fica a dica. Se tivesse jeito para isso, talvez eu mesma compusesse um tema para a Turma das Quinas, mas não tenho... De qualquer forma, certamente alguém pegará na ideia.

Em relação às bandeiras, eu já ia pendurar a minha de qualquer forma, sem que mo pedissem, mas sei que nem toda a gente é assim. Pode ser que, com o Ronaldo a pedir, se recrie o cenário do Euro 2004.

Agora tenho mais dois motivos para ansiar por maio. Como se precisasse deles... Já ando há algum tempo a pensar nessas gloriosas semanas. Tenho anotado ideias para entradas a publicar nessa altura. Já sei onde existe uma televisão caso esteja na Faculdade na altura de um jogo. Tenho planeado eventuais visitas ao Jamor (isto se a Seleção fizer algum treino lá, algo que acho pouco provável...).

Estes últimos dias, este jogo, não passaram de um cheirinho demasiado ténue, de uma amostra pouco representativa, de um trailer mal amanhado. Em maio e em junho tudo será diferente. A Seleção constituirá o elenco principal, com todas as câmaras para eles apontadas, os clubes serão meros figurantes. Haverá tempo para afinar as armas, prepararmo-nos para os grandes combates. Os níveis motivacionais serão outros - ninguém andará a guardar-se para o clássico. Não, depois da Convocatória Final, a 18 de maio, tudo será diferente. Faltam exatamente onze semanas para a divulgação dos resultados do casting, oitenta dias para o início das filmagens, noventa e nove dias para a grande estreia. Não posso prometer que o filme ganhe o Óscar, mas nada nos impedirá de aproveitar a jornada. Que, por muitas razões, incluindo os apelos do Selecionador e do Capitão, promete ficar na memória.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Um cheirinho de maio e junho

Primeira entrada do ano. Um feliz 2012 a todos os leitores. Visto que este ano se realiza do Campeonato Europeu de Seleções, esta será certamente a primeira de muitas entradas este ano.

Mais de cem dias após garantirmos um lugar na fase final do Europeu de 2012, que se realiza em junho na Polónia e na Ucrânia, Paulo Bento anunciou ontem, sexta-feira 24 de fevereiro, os Convocados para o jogo de preparação para tal campeonato. Este amigável opor-nos-à à Polónia, precisamente uma das anfitriãs do Euro 2012 e servirá para inaugurar o Estádio Nacional, em Varsóvia.

A maior novidade desta Convocatória chama-se Nélson Oliveira. O jogador de apenas vinte anos de idade foi uma das estrelas da campanha da Seleção Nacional de Sub-20 no Campeonato do Mundo que se realizou no verão passado. Paulo Bento justificou tal chamada afirmando que Nélson "é um futebolista com potencial e grande qualidade" e que "possui características diferentes de todos os outros avançados que temos à disposição". Se se recordam, na entrada em que abordei o Mundial, escrevi o seguinte:

"Juro que, em quase dez anos em que me interesso por futebol, não me lembro de alguma vez ter visto um jogo [a final contra o Brasil] em que os jogadores lutassem literalmente até ao limite das suas forças. Deste modo, a Seleção de Sub-20 de uma lição de coragem, garra, empenho, ficando anos-luz à frente de não assim tão poucos jogadores e equipas sénior. (...) [vou fazer figas para] que o Nelson Oliveira, o Danilo, o Mika e os outros estejam daqui a uns anos a fazer o que o Cristiano Ronaldo, o Nani, o Rui Patrício e o Fábio Coentrão fazem hoje pela Equipa das Quinas!"

Ainda não passou nem um ano mas o Nelson já tem uma oportunidade de conquistar um lugar na Turma das Quinas Sénior. O jovem Marmanjo já provou ter, não só talento, mas também verdadeiro espírito de Seleção. Espero, por isso, que ele seja bem sucedido.

Se isso acontecer, se ele conseguir ser Convocado para o Euro 2012, será  "o puto da Seleção" neste campeonato. Ainda me lembro de quando "o puto" era o Cristiano Ronaldo... Este agora tem vinte e sete anos, já não falta assim tanto para ele se retirar. Estes últimos oito anos passaram a correr, quem me garante que os próximos não passarão mais depressa?

Tal como assinalei anteriormente, decorreram mais de cem dias desde a jornada dupla frente à Bósnia-Herzegovina. Num intervalo de várias semanas, contaram-se pelos dedos de uma mão as notícias relacionadas com a Equipa de Todos Nós. Este período de seca coincidiu com a minha época de exames, portanto, houve um efeito aditivo da frustração de ambas as coisas. Passei por uma verdadeira abstinência da Seleção, cujos sintomas incluíram sonhos esquisitos. Num deles, encontrava-me de férias numa espécie de resort onde a Turma das Quinas estagiava. No início até era agradável, eu podia assistir aos treinos, chegava mesmo a cumprimentar Paulo Bento. Só que, de repente, dou por num num cruzeiro - tive este sonho mais ou menos uma semana depois do naufrágio do Costa Concordia - e o navio começa a naufragar. No momento seguinte, estou a ser resgatada por um helicóptero e a perguntar o que aconteceu a Seleção, se os jogadores tinham sobrevivido. É tudo quanto me lembro mas foi suficientemente perturbador.

É claro que tentei tratar-me, tentei enganar as saudades. Uma das terapias que segui foi mudar o visual daqui do blogue. Nunca me tinha sentido completamente satisfeita com ele. Calhou um dia estar a explorar as ferramentas de design. Agora fica mais claro que este é um blogue sobre a Seleção Nacional. E acho que não ficou feio.

A propósito de renovações e mudanças de visual, acabei de criar uma página no Facebook de apoio ao blogue. Há que admiti-lo, os blogues estão a passar de moda, adaptamo-nos ou morremos. As redes sociais têm, além disso, a enorme vantagem de potenciar um dos maiores pontos fortes da Internet: a troca livre e rápida de informação. Não vou abandonar o meu blogue só por não estar na moda mas vou usar as ferramentas que estão na moda para que o meu blogue chegue a mais gente. Nele publicarei, não apenas as entradas do blogue, mas também notícias, fotografias, vídeos, tudo relacionado com a Seleção, e ainda aquelas primeiras ideias que depois costumam dar origem a entradas novas. Ainda pensei criá-lo mais tarde, mais próximo do Europeu, mas achei melhor fazê-lo agora para me habituar a ele, divulgá-lo, de modo a estar no seu melhor aquando da preparação do Euro 2012. Podem visitá-lo (e, já agora, fazer "Like") AQUI.

Outra terapia foi montar um segundo vídeo de apoio à Seleção, desta feita usando como banda sonora a música One World One Flame, de Bryan Adams. Esta foi outra faixa que o cantautor canadiano compôs e gravo para os Jogos Olímpicos de inverno de 2010, uma balada acústica com letra simples, aplicável a qualquer competição desportiva. O pior foi que o vídeo foi retirado do YouTube dois dias mais tarde por violação dos direitos de autor... Eu já não me posso queixar, nesta altura do campeonato já devia ter aprendido a lição. E teria sido pior se tivessem retirado o vídeo de The Climb, que tem mais significado, uma mensagem mais forte. De qualquer forma, queria ver se montava pelo menos mais um vídeo antes do Europeu. Estou à espera de ma eventual música-tema do Euro 2012. Senão, talvez utilize Sangue Oculto, dos GNR. Entretanto, se ficaram curiosos, podem sacar o vídeo para One World One Flame AQUI.

O jogo com a Polónia será o nosso décimo confronto com esta seleção. Dos nove jogos, recordo-me dos três últimos, uma vitória, uma derrota, um empate.

A vitória deu-se na fase de grupos do Mundial 2012, há quase dez anos. Lembro-me de o Pauleta marcar um hat-trick e de Rui Costa ter marcado o quarto golo. Lembro-me de, na minha ingenuidade, apesar da vergonhosa derrota aos pés dos Estados Unidos na semana anterior, achar que o título estava praticamente garantido. Deem-me um desconto, eu tinha doze anos e acabado de começar a interessar-me por futebol! Lembro-me vagamente de o João Pinto não ter ficado satisfeito com o facto de ter sido substituído pelo Rui Costa mas o jogo seguinte provou que teria sido muito melhor se ele tivesse ficado no banco.

Dos outros jogos recordo-me melhor. Ambos contaram para a Qualificação para o Europeu de 2008. No primeiro, em outubro de 2006, fomos derrotados - não me lembro do resultado final, mas recordo-me que termos sofrido dois golos nos primeiros vinte minutos, isto depois de o Selecionador polaco ter vaticinado que o jogo ficaria resolvido nesse intervalo de tempo.

O empate deu-se na Luz, em setembro de 2007. Lembro-me de estarmos a ganhar por duas bolas contra uma, mas depois, aos 87 minutos, os polacos marcaram um golo digno dos apanhados, em que a bola foi ao poste, bateu nas costas do guarda-redes Ricardo e cruzou a linha de baliza... Um momento que ainda hoje me exaspera.

No total dos nove jogos, contam-se quatro vitórias, três derrotas e dois empates. Tudo pode acontecer na quarta-feira, não me admiraria se saíssemos de lá com um empate (três vezes na madeira!). Por outro lado, por amor de Deus, estamos a preparar um campeonato em cuja fase de grupos se encontram provavelmente os adversários mais difíceis que nos poderiam calhar. Eu sei que é apenas um particular e tal, mas se não conseguirmos vencer a Polónia, como é que podemos aspirar a passar o grupo, deixando duas destas três seleções - Alemanha, Dinamarca, Holanda - pelo caminho?

É melhor não pensar demasiado nos adversários que nos aguardam senão o meu ânimo vai por água abaixo... Haverá tempo para pensarmos no que teremos de fazer para sobrevivermos ao grupo do Euro. Para já, por estes dias, quero matar saudades da Seleção, depois de esta ter estado longe dos holofotes por muito tempo, demasiado tempo para o meu gosto. Quero ter um cheirinho, ainda que muito ténue, daquilo a que teremos direito durante os próximos meses de maio e junho. Quero ver os novos equipamentos da Turma das Quinas - que parece que vão ser apresentados hoje, domingo, dia 26 - em ação. Quero, sobretudo, um motivo, por pequeno, por insignificante que seja, para não recear os adversários com que teremos de lidar em junho, para acreditar que Portugal fará uma boa campanha no Euro 2012.



Este texto foi escrito segundo o novo Acordo Ortográfico. Não porque a autora concorde com as alterações impostas, pelo menos não com todas, mas porque entende que de nada serve pura e simplesmente ignorar o Acordo e teimar em escrever da maneira antiga, como uma criança a fazer birra ou como um adolescente armando-se em rebelde. E também porque, não fossem outros Acordos Ortográficos anteriores a estes, o nome da autora por escrito, em vez de "Sofia", seria "Sophia" - algo que autora consideraria extremamente piroso.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Portugal 5 Luxemburgo 0 - No bom caminho

A Selecção Nacional recebeu e venceu por cinco bolas sem resposta a sua congénere luxemburguesa, num jogo de carácter preparatório dos três desafios finais da Qualificação para o Europeu de 2012, em particular, o jogo com o Chipre, a realizar-se no próximo dia 2 de Setembro.

O jogo arrancou morno, com os luxemburgueses muito defensivos, como era de esperar. Os portugueses iam fazendo pressão sobre a baliza adversária mas sem grande convicção. O relvado estava um bocado manhoso. Por causa do calor que fazia, este tinha sido regado pouco antes do início do jogo, o que o tornou escorregadio. Várias vezes, os jogadores escorregaram e/ou caíram.

Uma dessas situações ocorreu no lance que deu origem ao primeiro golo da Equipa das Quinas. O Fábio Coentrão recebe a bola do Hélder Postiga mas dá uma queda espalhafatosa. A bola vai parar a Cristiano Ronaldo mas este é rasteirado pelo guarda-redes luxemburguês. O Hélder acaba por ganhar a bola, faz chapéu ao próprio companheiro de equipa e o esférico vai parar às redes. Um lance caricato.

O grito de "GOLO!" ficou suspenso na dúvida relativa à validade do tento. A Lei da Vantagem não é válida na grande área (algo que eu ignorava), devia ter sido marcada uma grande penalidade mas o árbitro ignorou essa regra e validou o golo. Portugal abria o marcador deste modo. "Aos trambolhões", como disse o comentador da RTP. E o Hélder, como já fez várias vezes no passado recente, fez o gosto ao pé ao serviço da Selecção.

Como costuma acontecer nestes jogos, o primeiro golo quebrou o gelo. Mais tarde, foram cobrados dois pontapés livres directos, ambos executados por Cristiano Ronaldo. O primeiro acertou na barreira humana, o segundo cruzou a linha de baliza resultando, deste modo, no segundo golo português da noite. O Cristiano marcou, assim, o oitavo golo de uma temporada que mal arrancou.

Ao intervalo, Paulo Bento efectuou várias substituições. Geralmente, em jogos particulares, estas trocas a meio da festa são sinónimo de decaimento da qualidade da exibição - neste caso, provocaram o efeito inverso. Ainda a segunda parte mal tinha começado, já o Coentrão havia marcado de cabeça o seu primeiro golo ao serviço da Equipa das Quinas.

O momento alto da noite ocorreu aos 58 minutos de jogo, quando o Hugo Almeida marcou aquele golo espectacular, de fora da grande área. Foi também ele que, cerca de quinze minutos depois, encostou a bola que Nani lhe passou, assinando o quinto tento da Equipa de Todos Nós. Achei graça quando ele, depois, se foi pendurar naquele varão da baliza. Uma maneira original de celebrar um golo... Na parte final do encontro, o público pedia "Só-mais-um! Só-mais-um!", mas o resultado já estava feito. 

Não há muito mais de relevante a dizer sobre este encontro. Teve o desfecho que se previa. Os objectivos foram cumpridos: ganhámos, não sofremos golos (já contamos três jogos com a nossa baliza inviolada), Portugal levou o jogo a sério, mostrou estar preparado para a recta final da Qualificação para o Campeonato da Europa. 

Um aspecto positivo deste jogo foi o facto de vários Marmanjos terem dado provas de serem trunfos para a Turma das Quinas. Vou destacar o Hélder Postiga e o Hugo Almeida. Ainda há não tão pouco tempo quanto  isso, falava-se muito da falta de pontas-de-lança portugueses. Ontem, como, de resto, tem sido a regra ao longo dos últimos jogos, ambos os pontas-de-lança que jogaram contribuíram para os resultados. É certo que, nos próximos tempos, o Hélder e o Hugo disputarão febrilmente a titularidade, darão muitas dores de cabeça a Paulo Bento. Mas, como o Hélder assinalou muito bem: "A vantagem é da Selecção".

Agora o nosso próximo jogo é contra o Chipre. Já disse antes que não devo poder ver o desafio pois estarei no estrangeiro. Curiosamente, o mesmo aconteceu com o nosso primeiro jogo com esta selecção. Dado o resultado, não tive pena absolutamente nenhuma de o ter perdido. Mas, se não conseguir ver este, quero sentir uma pena danada por isso. Tendo em conta o nosso passado recente, incluindo o jogo de ontem, acredito que lamentarei não ver o jogo. Afinal de contas, como disse Paulo Bento, como, mais uma vez, ficou provado, a Selecção está no bom caminho.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A Miúda do Cachecol

Na passada Segunda-feira, dia 8 de Agosto, a Selecção Nacional realizou uma sessão de treino aberto no Estádio do Jamor e, mais uma vez, eu estive lá!

Para preparar o encontrou amigável com o Luxemburgo, efectuaram-se duas sessões de treino abertas. Uma anteontem, às seis da tarde e outra ontem de manhã, às nove e meia. Teria preferido ir a esta última mas, durante a manhã, tenho trabalho. Por isso, fui ontem. Como já conhecia o caminho, foi-me um pouco mais fácil chegar ao Estádio, mas não deixou de custar. Apesar de já ser fim do dia e, teoricamente, o calor já não apertar tanto (razão pela qual o treino se realizou tão tarde, penso eu), ainda estava bastante quente (o cachecol de Portugal nos meus ombros não ajudou); estavam a construir uma estrada nova e, ao passar por lá, fiquei cheia de pó; além disso, aparentemente, havia um incêndio algures pois cheirava imenso a queimado. Mas ultimamente tenho vivido de acordo com a seguinte filosofia: "Se estás cansado(a), dorido(a), sujo(a), significa que aproveitaste a experiência ao máximo. Se te assusta, deves fazê-lo. Não te arrependerás." Por isso, não me importei.

Cheguei ao Estádio mesmo em cima da hora e fui apanhada de surpresa pela quantidade de pessoas que haviam tido a mesma ideia que eu. Muitas mais do que no outro treino a que assisti. Uma parte significativa do público era constituída por crianças, ansiosas por verem os seus heróis. Ouvia-se o pregão de um vendedor ambulante:

- Olhá garrafinha de água, olhá cerveja, olhó Sumol!

Os jogadores subiram ao relvado (os balneários são subterrâneos) pouco depois de eu chegar. O treino começou com corrida de aquecimento à volta do campo. Nas primeiras voltas, à medida que os Marmanjos passavam, nós aplaudíamos. Depois os mais pequenos (e eu... ) iam chamando pelos craques:

- Ronaldo! Coentão! Nani! - mas estes começaram por não ligar.

Eu ainda me pus a gritar: "POR-TU-GAL! POR-TU-GAL!", a ver se mais gente no público se juntava a mim, mas não pegou e eu calei-me.

Entretanto, de uma das vezes que o grupo passou perto de nós, eu acenei-lhes e o Pepe acenou logo a seguir. Não sei se se dirigia a mim ou se foi coincidência, se ele estava a acenar a outra pessoa. Bem, nunca o saberei, por isso, vou considerar que ele estava a responder ao meu aceno.

Nesta altura, já os jogadores iam acenando para o público em resposta aos chamamentos. No fim do aquecimento, alguns deles foram para o banco, num altura em que estava mesmo por detrás dele (mas atrás do muro, obviamente) e desfrutei de alguns momentos em que tinha os meus heróis a poucos passos de mim.

Mais tarde, acabei por ir para o outro lado do campo, para onde a maior parte do pessoal se tinha acumulado. Fiquei lá até ao fim do treino, vendo o Coentrão, o Bruno Alves, o Danny e outros de quem não me recordo jogando futevólei, na esperança de que, depois, viessem distribuir autógrafos. Ao longo do outro treino a que assisti, tinha-me deslocado regularmente, tentando ver o que se passava no campo de todos os ângulos possíveis. Ontem não pude fazê-lo porque estava demasiada gente e os polícias tinham vedado o acesso a uma parte da pista de corrida. Em todo o caso, estive a vê-los de perto e fui testemunha da alegria, do companheirismo, da cumplicidade que reina entre os Marmanjos.

Na parte final da sessão de treino, já tinha um olho no campo e outro nas horas, com medo de perder o comboio. Ainda estive para sair mais cedo, mas decidi que valia a pena chegar um pouco mais tarde a casa, com um autógrafo no meu caderno. Por isso, fiquei até ao fim. Só que, logo depois do treino, os jogadores enfiaram-se no balneário. Só o Sílvio se dignou a vir dar uns autógrafos e a tirar uma ou outra fotografia com uns miúdos. Ainda tentei a minha sorte, enfiei-lhe o caderno e uma caneta debaixo do nariz mas ele ignorou. Não me importei muito. Não o conheço tão bem. Se tivesse sido outro, talvez o Ronaldo, o Nani ou mesmo o Ricardo Carvalho ou o Hélder Postiga, teria ficado mais zangada.

De qualquer forma, já fiquei um bocadinho zangada com aqueles ingratos. Que diabo, vieram oitocentas pessoas. Oitocentas! E não deve ter sido fácil para muitas delas. Já falei do calor, do pó, do fumo. Muitos de nós estariam melhor na praia, mas usaram a tarde livre para ir dar o seu apoio à Selecção. Aliás, a maior parte do pessoal que lá foi, estava, com certeza, de férias. Eu posso eventualmente voltar em Outubro, mas outros provavelmente não. Ontem, seria a melhor hipótese de conseguirem um autógrafo. Custava muito?

Eu não vou desistir. Nem que da próxima vez finte os polícias e invada o campo. Hei-de conseguir arrancar um autógrafo àqueles totós!

Comecei a descer a rampa em direcção à Estação da Cruz Quebrada. Trazia ainda o cachecol de Portugal nos ombros, na esperança de que o autocarro da Selecção passasse por mim, como da outra vez. Em várias ocasiões, cheguei a parar e a olhar para trás, a ver se avistava as motos da Polícia que costumam anteceder o autocarro.

E este acabou por aparecer. Não passou muito depressa, felizmente. Pus-me a acenar com o cachecol. Um dos jogadores, não consegui perceber qual, retribuiu-me o aceno (mais uns quantos treinos e já terei trocado acenos com toda a Selecção, eh eh) e o Eduardo, mais uma vez, olhou para mim. Pelos vistos, o autocarro passa sempre por ali, no fim dos treinos no Jamorpropriamente dito, hei-de ficar conhecida entre os jogadores como A Miúda do Cachecol ou A Totó À Saída Do Jamor ou outra alcunha do género... Fiquei a ver o autocarro afastando-se e só quando o perdi de vista é que guardei o cachecol e retomei o meu caminho.

E foi assim o segundo treino da Selecção Nacional a que assisti. Não soube tão bem como o primeiro. Já não havia o efeito da novidade, já não era a primeira vez que via a Equipa de Todos Nós ao vivo em quase quatro anos. Suponho que, ao fim de mais algumas vezes, hei-de me fartar... Por outro lado, estava muita gente, tal como já expliquei, não andava tão à vontade.

Tenho pena de não poder ter ido ao treino de ontem de manhã. Pelo que vi nos noticiários, estava menos gente do que anteontem. Além disso, não teria o stress de chegar a casa antes da hora do jantar. 

Mas gostei. É sempre bom ver os nossos heróis sem ser através da lente de uma câmara, trocar acenos com eles, fazê-los saber que adoro a Selecção, que estou com eles. E é como disse acima: ultimamente, tenho começado a sair da minha zona de conforto e, até agora, não me tenho arrependido.

Tenciono voltar. Outra e outra vez. Mesmo que acabe por se tornar banal. Nem que seja só para fazer de Miúda do Cachecol. O pior é que, agora, só devo poder ir de novo em Outubro já que, em Setembro, vou estar fora do País na altura do jogo com o Chipre. 

Agora que penso nisso, também não sei se haverá treino no Jamor nessa altura, já que o jogo é fora.

Entretanto, Paulo Bento fez ontem a ante visão do jogo que começa daqui a pouco mais de três horas, com transmissão na RTP1. O Seleccionador disse que Portugal abordará o particular com "a mesma atitude de sempre". Disse mesmo que os três principais objectivos para o desafio consistem em ganhar, não sofrer golos e manter a postura. Espero, agora, que às palavras do técnico se juntem as acções dos Marmanjos. Mesmo que o jogo não fique na História, quero ter uma noite feliz graças à  Selecção, quero gritar "GOLO!" várias vezes, quero receber mais um motivo para acreditar que não estamos assim tão longe de realizar o nosso sonho.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Futuro, presente, passado

No passado dia 30 de Julho, Sábado, realizou-se o sorteio para a fase de qualificação do Campeonato do Mundo a realizar-se em 2014 no Brasil. Portugal ficou no Grupo F, indo, por isso, disputar a Qualificação com a Rússia, Israel, Irlanda do Norte, Azerbaijão e com o Luxemburgo. Curiosamente, este último adversário é o mesmo que vamos defrontar na próxima Quarta-feira. Mas já lá vamos.

Toda a gente concorda que, em princípio, não deveremos ter problemas de maior durante esta Qualificação. O nosso mais perigoso adversário será, certamente, a Rússia. Estes, quando nos defrontarem, terão a motivação extra de vingarem os 7-1 de 2004. Além disso, os russos chegaram mais longe do que nós no Euro 2008. Chegaram à meia-final e, no caminho, derrotaram a Holanda. A Holanda! Que já nessa altura prometia. Não, não convém subestimar a Rússia.

Também não podemos subestimar os outros adversários. Israel, por exemplo, não tem grande historial futebolístico - só uma vez esteve no Campeonato do Mundo, mas, pelo que eu percebi, é daquelas equipas que, não tendo nada a perder, dão tudo o que têm em campo. A Irlanda do Norte não difere muito dos israelitas, nesse aspecto. Também constitui uma equipa teoricamente mais fraca. O nosso historial com esta selecção é-nos favorável, mas inclui empates e vitórias à rasca. E mesmo o Azerbaijão tem vindo a crescer futebolisticamente, desde que jogámos contra eles pela última vez, em 2007. Pelo menos é o que dizem.

Em teoria, é um grupo relativamente fácil. Na prática, já toda a gente sabe que as coisas não são assim tão lineares. Paulo Bento admitiu que, se bem que dificilmente a Qualificação fique ameaçada, aquelas equipas podem fazer-nos «perder pontos». Eu também já sigo o percurso da Turma das Quinas com atenção há uns bons anos e já os vi perder, empatar ou vencer com muito esforço equipas "inferiores" e golear o mais recente campeão Europeu e Mundial. Tudo pode acontecer.

Em todo o caso, ainda não me encontro nessa onda. O Mundial 2010 foi "só" no ano passado e já pensamos no de 2014... Só teremos de nos preocupar com a Qualificação daqui a um ano - trata-se de um futuro relativamente distante. Sabe-se lá em que estado há-de estar a Equipa de Todos Nós nessa altura! Tanta coisa se passou no ano que decorreu entre o último Campeonato do Mundo e o momento actual...

No momento actual, no presente, encontramo-nos a um mês do nosso próximo encontro da Qualificação para o Europeu de 2012. Com o objectivo de preparar esse jogo, a Selecção tem um desafio de carácter particular marcado para a próxima Quarta-feira, dia 10 de Agosto, no Estádio do Algarve. Paulo Bento anunciou os Convocados ontem, Quinta-feira, dia 4 de Agosto. A principal novidade foi o regresso de Nuno Gomes e Quim. Outros já disseram praticamente tudo o que havia a dizer sobre tal regresso - eu apenas acrescento que acho graça ao facto de Paulo Bento e Nuno Gomes terem, em tempos, sido colegas de Selecção e agora são Seleccionador e Seleccionado...

Eu também já assisti ao um jogo com o Luxemburgo no Estádio do Algarve. Foi em 2005, em finais de Agosto, princípios de Setembro. Desse jogo, os únicos "sobreviventes" dever ser o Ronaldo, o Ricardo Carvalho, o Hélder Postiga e pouco mais. Aquele encontro contava para a Qualificação para o Mundial 2006 - como podem ver, trata-se de um passado muito distante. Ganhámos 6-0. Estávamos sentados mesmo em baixo, perto do campo, junto a uma das balizas. Havia alturas em que ficávamos a poucos metros dos jogadores, em teoria podiam ouvir-nos perfeitamente. Na prática, nós bem gritávamos mas eles não reagiam. Por um lado, era bom sinal, eles estavam concentrados mas por outro... A fotografia acima foi tirada durante esse encontro. Todas as que tirámos ficaram com péssima qualidade, esta que tirámos do Figo é das poucas que se aproveita... Os dois primeiros golos (um deles, lembro-me que foi marcado pelo Ricardo Carvalho) foram festejados ao pé de nós.

Agora que penso nisso, talvez aquela troca de acenos com o Eduardo, durante o treino aberto da Selecção, não tenha sido o meu primeiro contacto com jogadores da Turma das Quinas. Existe a possibilidade de um dos Marmanjos ter reparado em mim nessa altura. Em todo o caso, com o Eduardo não houve margem para dúvidas. Mas perdoem-me este aparte, voltemos ao jogo.

De qualquer forma, eles só ficaram perto de nós durante a primeira parte (quando a baliza do Luxemburgo era do nosso lado), durante a segunda parte, aquilo ficava vazio...

Não me lembro de muito mais desse jogo. Foi uma daquelas goleadas fáceis, sem suor, sem adrenalina, sem emoção, que dificilmente ficam na memória. Calculo que se passará mais ou menos o mesmo na próxima Quarta-feira, a menos que os Marmanjos se distraiam  muito... Não sei que ilações poderá Paulo Bento tirar de um jogo com este, mas espero que as tire, de qualquer forma. Que, daqui a um mês é que as coisas vão ficar interessantes. Para já...

quinta-feira, 31 de março de 2011

Portugal 2 Finlândia 0 - Cada vez menos impossível

A Selecção Portuguesa recebeu na passada Terça-feira, à noite, no Estádio de Aveiro, a Finlândia, num jogo de carácter amigável e venceu-a por dois golos sem resposta, marcados pelo estreante Rúben Micael.

Desta vez consegui ver o jogo do princípio ao fim. E valeu a pena. Tivemos a nossa primeira vitória do ano. A Selecção jogou acima da média no que toca a jogos particulares, tendo em conta, sobretudo, que Paulo Bento efectuou variadas alterações à equipa habitual.

A verdade é que a Finlândia também não fez muito pela vida. Eu tinha a ideia, pelas dores de cabeça que nos deram na qualificação para o Euro 2008 e por a termos vencido por muito pouco da última vez que jogámos contra a equipa nórdica, de que eles seriam um adversário razoavelmente forte. Mais forte do que foram, pelo menos...  Aquela coisa que eu disse no outro dia, de este jogo ser um ensaio geral, no fim de contas... Só com muita sorte é que a Noruega nos facilita a vida daquela maneira!

Em todo o caso, não há nada a criticar na entrega dos jogadores portugueses. Estiveram praticamente todos bem. Os maiores problemas surgiram mesmo na hora de atirar à baliza - eles falhavam cada uma... Podíamos ter marcado uns quantos. Não sei se foi apenas uma noite má ou se existem motivos para preocupação. Há que dar os parabéns ao Rúben, que não podia ter pedido uma melhor estreia na Selecção, tendo em conta, sobretudo, o facto de ele não ser titular no seu clube. Parece que ele marcou, até, um dos golos mais rápidos de sempre, no que toca aos jogos da Equipa de Todos Nós. A emoção estava bem patente na sua voz quando o entrevistaram depois do jogo. Tinha razões para isso. É mais um que pode vir a dar muito à Selecção.

Depois do jogo, estive a ouvir na rádio as entrevistas aos protagonistas e as análises do encontro. Os elogios que os locutores fizeram à Selecção - que está muito melhor desde que tem Paulo Bento no comando técnico, que tem garra, "identidade própria", espírito de equipa e que tem cada vez mais hipóteses de se qualificar - aquecem-me o coração, apesar de não serem inéditos. Sem alinhar em euforias - já acompanho a Selecção há tempo suficiente para manter os pés assentes na terra - esta vitória deu-me esperança. São estas pequenas coisas que vão tornando o sonho cada vez menos impossível. Eu nunca deixo de acreditar mas existe uma parte de mim que acha que já tivemos a nossa dose de triunfo para os próximos anos com o Euro 2004 e o Mundial 2006. Esta boa fase da Selecção faz-me questionar se terá de ser assim. Talvez tenhamos equipa para nos qualificarmos para o Europeu e para fazermos uma boa campanha na fase final. Temos cada vez mais razões para dizer "Porque não?".

Mas isto sou eu a sonhar, a divagar. Não nos precipitemos. Neste momento, temos de pensar passo a passo, jogo a jogo. E o nosso próximo desafio será frente à Noruega, dia 4 de Junho, no Estádio da Luz. Sei que, anteriormente, revelei ter dúvidas mas agora acredito (acho que nunca deixei de acreditar) que a determinação em nos qualificarmos será mais forte do que o cansaço de final de época. Acredito que venceremos os noruegueses, que chegaremos ao primeiro lugar e que daremos um passo em direcção à Polónia e à Ucrânia. A Selecção representa uma luz, a única luz, num futuro cada vez mais negro. E cada vez teremos mais permissão para sonhar.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Portugal 1 Chile 1 - Cabeças noutro lugar

No Sábado passado, a Selecção Portuguesa de Futebol empatou a uma bola com a sua congénere chilena, num jogo de cariz particular. Os golos foram marcados por Varela (no caso de Portugal) e por Matías Fernández (no caso do Chile).

Começo a análise do encontro com uma confissão: não o acompanhei. Não o vi pela televisão, só liguei o rádio pontualmente, durante a segunda parte, apenas para ouvir o resultado. Estive a jantar com primos que raramente vejo e estava tão entusiasmada com a conversa que nunca mais me preocupei com o jogo.

Em minha defesa, alego que, segundo o que li e ouvi, os jogadores também não estavam muito concentrados no particular. Certamente, andavam mais preocupados com os respectivos clubes. A Comunicação Social, sobretudo a Desportiva, também andava mais interessada nas eleiçõe no Sporting - sobretudo depois daquilo ter dado para o torto. Em suma, estivemos todos com as cabeças noutro lugar que não o Estádio de Leiria.

É por isso que não censuro muito os Marmanjos pelo jogo fraquinho - assim, não perdi muito por não o ter visto. Parece que estes até entraram bem, que a primeira meia hora de jogo não foi má, mas depois disso não houve nem forças nem motivação para mais. O árbitro também não ajudou - passou o tempo todo a parar tudo por dá-cá-aquela-palha. Já se sabe que, excepto quando o adversário tm um nome sonante, tipo Espanha ou Argentina, é raro os jogadores darem o seu melhor quando é a feijões. Sobretudo nesta altura do campeonato - literalmente - em que já existe algum desgaste físico e se aproxima um período decisivo para os clubes.

Não, não são estes jogos particulares que me preocupam. O que me preocupa é que o nosso próximo jogo oficial é em Junho. No final da época. E se,nesta altura do campeonato, já há desgaste físico, em que estado estarão os Marmanjos quando jogarem com a Noruega?

Eu sei que um jogo a três pontos é diferete, sobretudo quando estes permitem aceder ao primeiro lugar agora que a Noruega e a Dinamarca empataram. É, sem dúvida estimulante. Mas e se uma época inteira pesar mais nas pernas dos jogadores do que a ambição da qualificação directa?

Eu continuo a ter fé. Continuo a acreditar. Nos jogadores e no Seleccionador. Continuo a acreditar que, de uma maneira ou de outra, havemos de consumar o regresso da Selecção aos bons resultados, depois do que aconteceu no Verão passado.

Uma vitória no jogo de amanhã, frente à FInlândia, também de cariz amigável, ajudaria a acreditar ainda mais. Esta Selecção é mais semelhante à Noruega, contra quem vamos jogar no dia 4 de Junho. De certa forma, será o ensaio geral antes de entrarmos em campo para lutar por três pontos e pelo primeiro lugar na tabela classificativa.

Este jogo é de carácter particular. O resultado é o menos importante, o que interessa é prepararmo-nos para a Noruega. Não é grave se não vencermos. Mas eu quero uma vitória. Quero ver a Selecção ganhar pela primeira vez este ano. Quero mais uma razão para acreditar que, apesar de tudo o que aconteceu, daqui a um ano estaremos a fazer planos para o Europeu de 2012, a realizar na Polónia e na Ucrânia.


P.S. Mil vezes enterrei este assunto, mil e uma vezes exumei-o. E começo a ficar farta. As recentes declarações de Carlos Queiroz versando Pepe revelaram ainda mais o péssimo carácter que o ex-Seleccionador possui. Eu compreendo que Queiroz, tal como disse Oceano, "durante meses foi muito injustiçado" e agora quer ripostar mas escolheu a vítima errada. Não que aquilo tenham sido coisas que se diga a qualquer um, mas Pepe apenas quis proteger a Selecção, Selecção essa que ainda está a lidar com as mazelas da confusão que ele ajudou a despoletar (quer tenha sido ou não contra o doping, ele insultou um ser humano, por amor de Deus!). O Professor perdeu outra oportunidade para ficar calado.
Agora espero sinceramente não ter de voltar a falar sobre este assunto. Espero-o há meses mas não tenho tipo grande sorte...

quinta-feira, 24 de março de 2011

A única coisa boa

No próximo Sábado, dia 26 de Março, a Selecção Portuguesa de Futebol enfrenta a Chilena, em jogo de carácter preparatório. Três dias depois, enfrenta a Selecção Finlandesa, igualmente de forma amigável. Paulo Bento, o Seleccionador Nacional atribuiu importância extrema a estes dois encontros, visto que se tratam dos últimos antes da recepção à Noruega, que contará para a Qualificação para o Europeu de 2012. Além disso, como já foi assinalado, esta semana constitui o maior intervalo de tempo que a Selecção tem para treinar desde o início desta fase de qualificação.

Confesso que não sei muito sobre a Selecção no Chile. Só jogámos contra eles duas vezes. Curiosamente, foi a primeira equipa que Portugal defrontou oficialmente. Foi em 1928, nos Jogos Olímpicos de Amesterdão. A Selecção Nacional esteve a perder por duas bolas a zero, mas conseguiu virar o resultado e chegar ao apito final vencendo por 4-2! Bela estreia... Parece que foi mesmo a primeira reviravolta da História da Selecção. O nosso segundo jogo foi em 1972 e também vencemos. Desta feita, por 4-1.

Neste Sábado, as atenções também se encontrarão viradas para o embate que oporá a Dinamarca e a Noruega, os nossos maiores adversários na qualificação. Uma vitória da Dinamarca, que se encontra a três pontos da Noruega, líder da tabela, ser-nos-ia favorável, uma vez que ficaríamos dependentes de nós próprios na corrida pelo primeiro lugar e pela Qualificação directa. Não sei qual das duas selecções nórdicas será a favorita, mas já tivemos sorte anteriormente em situações semelhantes... Que seja o que Deus quiser, esta qualificação ainda vai a meio... Não vale a pena preocuparmo-nos com coisas que não podemos controlar.

No que toca à Selecção Portuguesa, existem umas quantas ausências por lesão, a mais significativa das quais Cristiano Ronaldo. Baixas nesta altura do campeonato não são muito graves - podem até constituir uma oportunidade para testar alternativas, sem pressão. E desde que, quando for a sério, estejam todos disponíveis...

A verdade é que estas vantagens não servem de consolação para Cristiano Ronaldo. O madeirense não escondeu a sua frustração por estar afastado dos relvados. Afirmou mesmo ter "a cabeça cheia por causa desta lesão". Vê-se à distância e a olho nu que este adora sinceramente o que faz, independentemente do seu salário astronómico. É raro encontrar jogadores tão apaixonados como ele.

Além disso, ele é um sortudo do catano por fazer aquilo que adora e receber absurdamente bem por isso.

Apesar daquilo que referi acima, apesar daquela máxima que diz que não-existem-jogadores-indispensáveis, Ronaldo... é Ronaldo. Não há volta a dar. Adaptando a frase-feita da moda: "A Selecção podia viver sem Ronaldo? Poder, podia. Mas não era a mesma coisa."

Entretanto, esta semana concluiu-se que, afinal, Carlos Queiroz não pretendia perturbar o controlo anti-doping durante o Estágio de Preparação do Mundial de 2010, na Covilhã. Demoraram  um ano a chegar a essa conclusão... e acho graça ter sido precisamente numa semana em que a Selecção está reunida! Pela primeira vez em quase dois meses! Queiroz já anda por aí criticando a torto e a direito e há quem lhe responda... Pepe já veio pedir ao ex-seleccionador para parar com isso, que destabiliza a Selecção. Eu pego no que ele disse e acrescento: todos os que provocaram esta situação deviam calar-se de vez, se é que têm um mínimo de respeito pela Equipa de Todos Nós! Foi ela quem mais sofreu com a confusão que eles criaram. Por causa deles estamos aqui a fazer figas para que a Dinamarca vença no Sábado, para conseguirmos limpar mais facilmente a porcaria que eles fizeram. Já dificilmente os perdoarei pelo que fizeram, eles que não piorem as coisas. E não quero falar mais deste assunto, que já me enervou o suficiente.

Também esta semana, faleceu Artur Agostinho, aos noventa anos. Não vou mentir, o senhor não me dizia por aí além. Ela um rosto simpático da televisão, colunista do Record, penso que, durante a preparação para o Mundial, foi dos poucos jornalistas a manifestar apoio incondicional à Selecção, apesar de ter criticado a Convocatória. Apesar disso, o seu desaparecimento perturbou-me. Suponho que seja típico do envelhecimento: pessoas que conhecemos vão-nos deixando...

Ao menos, Artur Agostinho foi devidamente homenageado enquanto vivo. Teve melhor sorte do que muitas personalidades, cujo mérito só foi reconhecido depois de morrerem...

Por outro lado, Agostinho deixa este mundo e um dia mais tarde, o Primeiro-Ministro pede a demissão. Não sei se ele também tinha este desejo, mas eu gostava se, quando morrer, o País já tivesse encontrado um rumo, depois de séculos e séculos sempre em crise, sempre vivendo acima das possibilidades, sem que ninguém conseguisse dar a volta ao texto. Mas isto sou eu a ser jovem, idealista, ingénua... Na verdade, estou seriamente desanimada com o estado das coisas.

Sei que já o referi várias vezes aqui no blogue, mas não me canso de repeti-lo: a Selecção é, provavelmente, a única coisa que funciona bem neste País. A única coisa que nos faz sorrir, ainda que por pouco tempo. A única coisa que nos orgulha de sermos portugueses. É por causa disso que escrevo este blogue: para, de certa forma, retribuir o que me é dado.

Por isso é que desejo que esta semana de estágio dê frutos. Para que possamos esperar, sem risco de sonhar demasiado alto, por algo de bom de futuro.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Portugal 1 Argentina 2 - Alta mantém-se

Ontem, a Selecção Portuguesa saiu derrotada, por duas bolas a uma, do encontro particular realizado no Estádio de Genebra, na Suíça, em que defrontou a Argentina.

Foi um belo jogo de futebol, sobretudo durante a primeira parte, muito equilibrado. Todos concordam que o empate teria sido o resultado mais justo. Mas já lá vamos.

Assisti ao jogo pela televisão, durante a primeira parte, enquanto jantava com a minha família, durante a segunda parte, na sala, com o meu pai e o meu irmão. Estive bem mais descontraída do que estaria se este fosse um encontro oficial.

Tal como previ, a Selecção Nacional jogou em casa. Uma boa parte das trinta mil almas que emolduravam o campo eram portuguesas. Estavam mais portugueses no Estádio de Genebra, na Suíça, do que, se calhar, estavam no Estádio da Luz, em Portugal, durante o jogo contra a Espanha. O hino português foi entoado em plenos pulmões e ecoou por todo o Estádio - um momento mágico, como costuma ser o hino nacional no início de cada jogo da Selecção. Durante todo o encontro, os portugueses fizeram-se ouvir, claramente; mais uma vez - mais do que costumam fazer-se ouvir em jogos em território nacional.

Razão tem, se calhar, Pauleta quando disse, há tempos, que mais valia a Selecção disputar os seus encontros no estrangeiro, em países com significativas comunidades de emigrantes. Mas, pelo menos no que toca ao público reduzido, quem sou eu para falar? Eu, que gosto de me chamar "verdadeira adepta", mas não ponho os pés num jogo da Selecção há três anos e meio? Obviamente que, por minha vontade, já teria ido a vários jogos, mas suponho que seja essa a situação da maior parte das pessoas. Os preços dos bilhetes, a crise, as horas tardias em dias de semana, a meteorologia, nada disso ajuda...

Mas voltemos ao Portugal-Argentina. O golo do Di Maria, aos catorze minutos, não me aborreceu muito. Tive foi medo que o golo desnorteasse os Marmanjos. Isso talvez acontecesse há bem pouco tempo, mas não aconteceu ontem. Como provou o golo do Cristiano Ronaldo, poucos minutos depois. 

- Ó Messi, vem cá dar um abracinho - gracejou o meu irmão, enquanto os Marmanjos celebravam o tento. 

O Cristiano marcou, deste modo, o primeiro golo da Selecção no ano de 2011. Que seja o primeiro de muitos!

Até ao intervalo, manteve-se o ritmo elevado. A Selecção entrou bem na segunda parte, embora tenha falhado algumas oportunidades inacreditáveis, tendo sido o maior desperdício aquele cometido por Hugo Almeida aos cinquenta e seis minutos. Se tivessem marcado, as coisas podiam ter corrido de maneira bem diferente...

Entretanto, Ruí Patrício, que tomou o lugar do Eduardo na segunda parte, defendeu de forma soberba um livre cobrado por Messi. Como disse o meu irmão, poucos guarda-redes se podem gabar de terem defendido um pontapé livre executado pelo actual Melhor do Mundo. É bom saber que existem opções para a posição de guarda-redes.

O meu irmão disse que, neste jogo, Paulo Bento não substituiria Cristiano Ronaldo. Era o único jogo em que não o substituiria. Enganou-se. O Seleccionador falava a sério quando afirmou que não via o Portugal-Argentina como um duelo Ronaldo-Messi. Desse modo, poucos minutos depois de o meu irmão ter falado, Bento trocou o madeirense pelo Danny.

Tal decisão suscitou protestos por parte do público mas eu acho que fez bem. Tratava-se de um jogo particular, de treino. Testar as armas é mais importante do que o espectáculo ou mesmo do que a vitória.

Por outro lado, espero bem que Paulo Bento tenha tirado conclusões com estas substituições que, depois delas, o jogo ficou extremamente enfadonho... Mas isto já é habitual nos particulares, depois de metade da equipa actual ter ido para o banco. 

Como já muita gente assinalou, o segundo golo da Argentina acabou por surgir "quando ambas as equipas já estavam conformadas com a igualdade". E, como foi em cima do minuto noventa, já não houve tempo para dar a volta ao texto.

Paulo Bento teve a sua primeira derrota ao leme da Selecção, mas tal não é grave. Não macula de forma nenhuma o excelente trabalho que tem vindo a desenvolver desde que assumiu o cargo. Provámos, mais uma vez, como também já muitos observaram, que temos o que é preciso para enfrentarmos quaisquer adversários como iguais. A Selecção continua em alta, em crescendo. Como disse Hélder Postiga, "a equipa mostrou qualidade para estar no Europeu da Ucrânia e Polónia em 2012 e só temos de continuar assim". Como disse Cristiano Ronaldo, " esta é uma Selecção totalmente diferente da que jogou o Mundial 2010 mais ainda temos muito trabalho pela frente para estarmos ao melhor nível no Europeu em 2012".

Perdemos um particular com uma das melhores selecções do Mundo pela margem mínima, por um pormenor. E depois? É para isso que servem os jogos particulares, para testarmos opções, tácticas, detectar os nossos pontos fracos, cometermos erros, para que, quando entrarmos em capo para lutar por três pontos, estarmos preparados. Esta derrota não influenciará a Qualificação para o Euro 2012, pelo menos não pela negativa. E, se tiver servido para Paulo Bento tirar ilações e tornar a Selecção mais forte, este jogo particular influenciará a campanha, certamente, pela positiva.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Alta para manter

Primeira entrada de 2011! Bom ano a todos! A Selecção Portuguesa de Futebol enfrenta a sua congénere Argentina, hoje à noite, às 20 horas de Portugal Continental, no Estádio de Genebra, na Suiça, num jogo de carácter particular, preparatório dos próximos desafios da Qualificação para o Europeu de 2012.

Os Convocados foram anunciados na passada Quinta-feira, dia 3 de Fevereiro, numa Conferência de Imprensa que incluiu uma homenagem a Eusébio da Silva Ferreira, que completou recentemente sessenta e nove Outonos e cinquenta Verões desde a sua chegada a Portugal. O eterno Pantera Negra, o eterno Rei, que, conforme disse Gilberto Madaíl, "lançou o nome de Portugal por este mundo fora", isto numa época em que o Mundo apenas dava os primeiros passos na jornada de se tornar uma Aldeia Global e os jogadores de futebol, nem mesmo as sensações como Eusébio, ainda não ganhavam os salários astronómicos que alguns ganham hoje. Ele é o exemplo vivo do amor à camisola "de Portugal e do seu clube", que ainda não diminuiu passados cinquenta anos. Já não há jogadores assim! E dificilmente voltará a haver!

Que fique connosco por mais cinquenta anos!

Os jogadores Escolhidos não constituem grande surpresa no geral. Já se sabe que "em equipa que ganha, não se mexe", muito menos depois de a dita equipa pespegar quatro golos sem resposta à actual campeã do Mundo e da Europa...

Outro tema abordado na Conferência foi o problema dos estatutos da Federação ou coisa assim, não percebo muito bem do que se trata... Mas parece que, se aquilo dá para o torto, a Selecção deixa de poder competir (?!). Paulo Bento exprimiu o desejo de que esta polémica não afectasse os jogadores, desejo que eu subscrevo.

De resto, os dirigentes da Federação já perderam a minha confiança há muito, desde o caso Queiroz. Com esta, desceram ainda mais na minha consideração e já vão a uma grande profundidade. Por outro lado, nunca acreditei muito nos dirigentes - futebolísticos e não só... - em geral, sempre os considerei corruptos, incompetentes, mais interessados no dinheiro e no prestígio do que em fazer o seu trabalho. Embora não saiba explicar exactamente porquê, sempre achei os jogadores mais íntegros, mas sei perfeitamente que nem todos são assim. Sei que vai haver eleições na Federação em breve, mas (a expressão que tenho na cabeça pode ser considerada ofensiva, por isso, optarei por uma versão atenuada ) estou-me nas tintas. Desde que não afecte a Selecção Nacional, eles bem podem matar-se uns aos outros, eu não quero saber. Eles que não se atrevam a prejudicar a Selecção outra vez!

Segundo Paulo Bento, os objectivos da Selecção para este jogo são "ganhar e jogar bem". O Seleccionador Nacional não tenciona quebrar o seu registo de 100% de vitórias, como é natural. Como afirmou Quaresma, a Selecção encontra-se "em alta", neste momento - é capaz de ser a única instituição do país que se encontra em alta... Toda a gente quer ver este bom momento da Selecção prolongar-se o mais possível. Haverá, além disso, certamente, quem sonhe com uma vitória semelhante à nossa última, frente à Espanha. Eu acho difícil tal feito repetir-se, foi um caso muito especial, mas é óbvio que acredito na vitória. 

O jogo realizar-se-à, como já referi acima, no Estádio de Genebra, precisamente a mesma arena em que enfrentámos a República Checa, no Euro 2008, vencendo-a por três bolas a uma. Parece que foi há tanto tempo... Quaresma e Ronaldo marcaram dois dos golos e o primeiro afirmou que esperava voltar a marcar em Genebra. A mim não me interessa muito quem é que marca os golos, desde que os marque na baliza da Argentina. Também espero que o jogo, que começa daqui a pouco mais de uma hora, seja tão emocionante como foi o nosso segundo desafio do Europeu de 2008. 

Uma grande contribuição para tal emoção será, certamente, o tão apregoado duelo Ronaldo vs Messi. Paulo Bento bem pode afirmar que não encara o jogo de hoje dessa forma, mas não há como fugir da dualidade Ronaldo/Messi. Embora tal possa não ser bem assim dentro das quatro linhas, fora delas, este embate é o órgão propulsor deste particular.  Foi ele que fez com que oitenta e oito televisões, em todos os continentes, nos mais diversos fusos horários, tenham adquirido os direitos de transmissão do jogo. Foi ele que fez com que os bilhetes se esgotassem, apesar da crise e dos preços não muito acessíveis.

E daí não necessariamente, pelo menos em relação a este último ponto. Já se sabe que, onde quer que esteja, a Selecção joga sempre em casa. Mas mesmo assim...

OK, OK, já que insistem... Já perguntaram isto a toda a gente, desde José Mourinho até ao empregado do café da esquina, havia de chegar a minha vez... Prefiro o Ronaldo, porque é português e tenho seguido, mais ou menos atentamente, e admirado-o desde os seus tempos no Sporting. 

Mas como estava a dizer, onde quer que jogue, existe invariavelmente uma comunidade portuguesa, mais do que disposta a apaparicar os Marmanjos. Já não é novidade. No treino da Selecção, na última Segunda-feira, compareceram 3000. No jornal Record compararam o ambiente ao de um concerto de rock. Achei graça, porque sempre considerei os jogos de futebol semelhantes a concertos dos nossos cantores/bandas preferidos. É exponencialmente mais emocionante assistir ao vivo do que apenas vendo na televisão ou ouvindo no leitor de MP3. O público desempenha sempre um papel importante. São ambas experiências inesquecíveis. Pelo menos para mim.

Desta vez, não posso assistir ao vivo. Não tenho podido assistir ao vivo a um jogo de futebol há mais de três anos... Mas espero sinceramente que o jogo, que começa daqui a pouco mais de meia hora, seja uma experiência inesquecível. Pelas melhores razões. Não só pelo Ronaldo vs Messi, mas por ser um embate entre duas Selecções de alto nível. Por manter a boa fase que a Selecção Portuguesa atravessa neste momento. Força Portugal!
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