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domingo, 22 de dezembro de 2013

Seleção 2013


Mais um ano encontra-se à beira do fim, mais um ano encontra-se à beira do início. Como já faz parte da praxe, segue-se a revisão de 2013.

Este, depois de 2012, tornou a ser um ano de altos e baixos. Começo a perceber que esta é a regra, que 2011 foi a exceção. É pena... Bem, 2013, ao menos, teve um final feliz, esperançoso. Embora tenha começado por dar seguimento à má fase com que 2012 terminou.

O primeiro jogo do ano foi um particular com o Equador, que teve lugar no Estádio Afonso Henriques, em Guimarães. À semelhança do que aconteceu em muitos, muitos jogos dos últimos dois anos, a Seleção tinha todas as condições e mais algumas para proporcionar um bom jogo aos inúmeros adeptos que vieram ao estádio e desperdiçou-as. Para além do habitual circo publicitário, dos pedidos de moldura humana, Cristiano Ronaldo completava vinte e oito anos na véspera do jogo. Em jeito de celebração, entre outros motivos, cinco mil adeptos assistiram ao treino e cantaram os parabéns a Ronaldo. 

Como é que a Seleção agradeceu? Perdendo 3-2 com o Equador.




É certo que a equipa visitante era forte, não estava ali apenas para elevar a auto-estima da seleção da casa. Chegou mesmo a Qualificar-se para o Mundial 2014. No entanto, encontrava-se perfeitamente ao alcance de Portugal. A Seleção até teve bons momentos no jogo: Ronaldo marcou o primeiro golo da Turma das Quinas do ano (mais tarde, marcaria igualmente o último); Hélder Postiga marcaria na segunda parte, colocando Portugal em vantagem durante... dois minutos. A Turma das Quinas acabou por ser vítima de si mesma com o Eduardo ficando mal na fotografia no primeiro golo, no início do jogo e, dois minutos após o golo de Postiga, com uma parvoíce do guarda-redes e de João Pereira. Depois, com Ronaldo e Postiga já fora de campo, os equatorianos marcaram pela terceira vez - e até foi um belo remate.

Apesar de este jogo ter sido (mais) uma desilusão, tinha a atenuante de ter sido apenas um particular. O verdadeiro balde de água fria veio mês e meio mais tarde, em Telavive, perante Israel. As circunstâncias, diga-se, não eram as ideiais: Nani lesionado e João Moutinho em forma duvidosa. Mesmo assim, tudo indicava que os israelitas não nos dariam grandes problemas. Estávamos enganados. Ou melhor, não foram propriamente os israelitas a dar-nos problemas. Mais uma vez, fomos nós mesmos.


Portugal até começou bem no jogo, com o Bruno Alves marcando um golo logo no primeiro minuto. Só que depois, pensando certamente que a coisa se resolveria sozinha, os portugueses entraram numa de "deixa andar". Como resultado, das três vezes que os israelitas foram à nossa baliza, marcaram. O que nos valeu foi Hélder Postiga - após ter falhado inúmeras oportunidades na primeira parte, diga-se - ter marcado no rescaldo no terceiro golo israelita, relançando a equipa. Os portugueses lá tentaram reverter a situação e lá conseguiram anular a desvantagem ao cair do pano. Tendo em conta que tínhamos estado a perder por 3-1, este empate quase pareceu uma vitória. No entanto, a exibição roçou o medíocre, as contas para o Apuramento estavam comprometidas, era o nosso quinto jogo consecutivo sem ganhar. O otimismo atingia mínimos históricos. Não me lembro de alguma vez ter estado tão furiosa com os Marmanjos como estive nessa altura. Considero, mesmo, que este foi o pior momento da Seleção em 2013.


A Seleção viajou para Baku, no Afeganistão, amputada de Cristiano Ronaldo - que vira o segundo cartão amarelo no jogo de Telavive - obrigada a ganhar. Apesar de, na teoria, o Azerbaijão pertencer a um campeonato inferior ao nosso, na prática, ainda nos vimos um bocadinho à nora para ganhar - culpa, sobretudo, do eterno problema da finalização. Acabou por ser necessário os azeris verem-se reduzidos a dez para os portugueses marcarem. Primeiro, por cortesia de Bruno Alves. Depois, de Hugo Almeida. Um jogo longe de brilhante mas, em todo o caso, a primeira vitória em mais de seis meses. Na altura, tive esperança de que isto representasse um ponto de viragem na Qualificação para o Mundial 2014. E até foi. Mais ou menos.

Seguiu-se o jogo com a Rússia, em junho. Um jogo de grau de dificuldade acima da média visto que o momento de forma da maioria dos jogadores não era o ideal, a Rússia era o nosso maior adversário na Qualificação e Portugal já não se podia dar a luxo de perder mais pontos. Visto que o jogo se realizava na Luz, fizeram-se, mais uma vez, apelos aos adeptos para que enchessem o Estádio. Não foi um jogo brilhante mas foi bem conseguido por parte dos portugueses, a equipa esteve bem, dominou o jogo. Hélder Postiga marcou o único golo.


Três dias após este jogo, a Seleção foi recebida na Croácia num jogo de carácter particular. Acabou por ser um jogo semelhante ao da Rússia: sem deslumbrar, houve boa atitude por parte da Turma das Quinas, o domínio foi português. Desta feita, foi Cristiano Ronaldo a marcar o único golo da partida. Este tornar-se-ia um caso sério em termos de golos ao longo da segunda metade do ano.


Houve um novo jogo particular a meio de agosto. Desta feita, a Seleção enfrentaria a Holanda no Estádio do Algarve. Antes disso, treinou-se no Estádio Nacional, no Jamor. Eu e a minha irmã fomos assistir ao único treino aberto e tivemos o privilégio de tirar fotografias com Miguel Veloso, Eduardo, Beto (no caso da minha irmã) e Paulo Bento. 

O jogo com a Holanda não foi brilhante - até porque o número de baixas foi uma coisa parva - mas, mais uma vez, a exibição portuguesa foi convincente, sobretudo ao longo da segunda parte. Verhaegh marcou o golo holandês, aos dezasseis minutos da primeira parte. Ronaldo igualou o marcador aos oitenta e seis minutos.


Duas ou três semanas mais tarde, no início de setembro, Portugal deslocou-se a Belfast para defrontar a Irlanda do Norte. Nos dias anteriores, falou-se bastante do facto de os irlandeses terem derrotado a Rússia no mês anterior, de serem tomba-gigantes e terem gozo nisso, sobretudo quando jogavam em casa. Algo que acabou por se confirmar dentro de campo, de certa forma. Foi, aliás, um jogo muito estranho, muito por causa de um árbitro caprichoso. A primeira parte do jogo revelou-se dantesca. Bruno Alves marcou mas os irlandeses rapidamente repuseram a igualdade no marcador. Isto nem seria muito grave se, ainda antes do intervalo, Hélder Postiga não tivesse tido a ideia parva de dar uma "turrinha" a um irlandês e o árbitro não o tivesse castigado com o vermelho direto. Uma penalização exagerada, é certo, mas o gesto de Postiga fora desnecessário. Na segunda parte, sem grande surpresa, a Irlanda adiantou-se no marcador, com um golo em fora-de-jogo. As coisas começavam a ficar verdadeiramente negras para Portugal

Felizmente, estava lá Ronaldo para salvar o dia. Catalisado tanto pelo buraco em que Portugal se havia deixado cair como, certamente, pelos adeptos que gritavam por Messi, o madeirense marcou o seu primeiro hat-trick com a Camisola das Quinas. Resolveu, deste modo, o imbróglio em que o jogo se transformara e ainda ultrapassou o recorde de Eusébio.


Infelizmente, o herói de Belfast ficou indisponível para o particular com o Brasil, que se realizou em Boston, nos Estados Unidos. Eu tinha grandes expectativas para este jogo, com o reencontro com Luiz Felipe Scolari e tudo mais. Nesse aspeto, o jogo revelou-se algo anti-climático. Portugal até teve bons momentos, com destaque para o golo de Raul Meireles. No entanto, sobretudo durante a segunda parte, faltou agressividade à Equipa das Quinas - embora os brasileiros se queixassem do jogo faltoso de Bruno Alves. No final, o resultado foi 3-1 para a seleção canarinha.

Um mês mais tarde, a Seleção Portuguesa recebeu a sua congénere israelita no Estádio de Alvalade. Foi o primeiro jogo a que assisti em mais de seis anos. Mais uma vez, tínhamos uma série de ausentes: Meireles e Bruno Alves por lesão, Hélder Postiga (GRRR!!!!) e Fábio Coentrão por castigo. Mas, se conseguíssemos vencer, o segundo lugar ficaria consolidado e ainda poderíamos sonhar com o primeiro lugar - bastaria a Rússia cometer um deslize. 


É claro que Portugal, eterno adepto dos caminhos mais difíceis, não soube aproveitar a oportunidade. A exibição foi fraca, os israelitas não fizeram nada para levar o jogo de vencida, passaram uma boa parte do tempo a engonhar até mesmo quando ainda se encontravam em desvantagem, depois do golo de Ricardo Costa. À semelhança do que aconteceu repetidas vezes ao longo deste Apuramento, foi Portugal a prejudicar-se a si mesmo. Desta feita, através de uma fífia de Rui Patrício. Só não considero este o pior jogo da Seleção do ano porque, mal por mal, garantiu-nos o playoff. De uma maneira extremamente amarga, contudo.

O jogo com o Luxemburgo, em Coimbra, foi quase só para cumprir calendário. A Seleção não jogo melhor do que tinha jogado contra Israel, nem precisou. Os luxemburgueses, como seria de esperar, poucas hipóteses tinham contra nós, sobretudo depois de se verem reduzidos a dez. Portugal podia ter arrecadado uma vitória bem mais expressiva mas não esteve para isso - jogo chegou a ser extremamente enfadonho em certas alturas -  contentou-se com o 3-0, cortesia de Varela, Nani (pontos para a assistência de João Moutinho) e Hélder Postiga. Terminava deste modo a fase de grupos da Qualificação para o Mundial 2014, com Portugal no segundo lugar, obrigado a ir aos playoffs lutar por uma vaga no Brasil.

O sorteio para definição do adversário do playoff realizou-se cerca de duas semanas mais tarde. Quis a Sorte que defrontássemos a Suécia, primeiro em casa, depois fora. Antes dessa dupla jornada deu-se algo que, tecnicamente, não se relacionava com a Turma das Quinas mas que, na minha opinião, influenciou o seu percurso: as tristes figuras e palavras de Joseph Blatter sobre Cristiano Ronaldo.


Considero que ficámos todos em dívida para com o presidente da FIFA. Pouco após uma jornada dupla de Seleção que deixou muito a desejar, em que Ronaldo esteve algo apagado, Blatter teve o condão, não apenas de espicaçar o nosso Capitão - o Comandante - mas também de unir a massa adepta portuguesa em torno da Seleção contra um inimigo comum. O sentimento generalizado anti-Troika, anti-topo da hierarquia europeia, ajudou. Juro, se algum dia ocorrer a improbabilidade de me encontrar com Joseph Blatter, eu abraçá-lo-ei, agradecer-lhe-ei e explicar-lhe-ei porquê. E quero ver a cara com que ficará.

A primeira mão do playoff contra a Suécia realizou-se pouco mais de duas semanas depois, perante um Estádio da Luz esgotadíssimo. Conforme seria de esperar, Portugal jogou melhor do que durante a Qualificação. Também ajudou o facto de a Suécia ter jogado para o empate. O poderio físico dos suecos e o seu jogo defensivo cumpriram o seu papel até mais ou menos a meio da segunda parte - aí Cristiano Ronaldo marcou o único golo da partida, conferindo a Portugal uma importante vantagem no playoff.


A segunda mão do playoff realizou-se na Suécia. Os adeptos da casa, abençoados sejam, ainda não se tinham apercebido do nexo de causalidade entre um Ronaldo alvo de provocações e os desempenhos estratosféricos que ele tem nos jogos que se seguem - apesar de até ter havido um exemplo bem recente de tal. Ou não perceberam ou então deixaram-se levar pelo medo que tinham do Comandante. Não me admiraria se tivesse sido um misto de ambas as situações. Deste modo, os suecos fizeram tudo para destabilizar os portugueses, praticamente desde que estes deram os primeiros passos no país escandinavo. Destaque para a banda que os recebeu no aeroporto, para o animador de rádio que foi de madrugada fazer barulho para junto do hotel da Seleção Portuguesa e, claro, para a infeliz campanha da Pepsi sueca. Eu, na altura, ria-me pois os suecos não sabiam aquilo que estavam a preparar. Hoje, que sei o que aconteceu, ainda me rio mais. Eles mereceram aquilo que apanharam.

A noite do jogo em si foi uma das melhores deste ano. A minha irmã fazia anos, tivemos amigos e familiares em casa, vimos e celebrámos o jogo todos juntos. A primeira parte foi relativamente morna, relativamente equilibrada, com a exibição portuguesa a melhorar com o tempo. A segunda parte foi uma montanha russa de emoções. O primeiro golo de Ronaldo deixou-nos a todos a pensar que eram já favas contadas. Os dois golos de Ibrahimovic que se seguiram forma fruto da nossa negligência. O 2-1 ainda nos era favorável mas, pelo que se via, a coisa poderia facilmente dar para o torto. De uma maneira caricata, regressámos pela enésima vez em todo o Apuramento à fase do "Ai Jesus!". E, tal como acontecera em Belfast, teve de vir Ronaldo ao resgate, com mais dois golos que puseram um ponto final na questão.


Eu sei que, ao longo dos próximos seis, sete meses, não vai interessar mas eu espero que esta nossa campanha de Qualificação não seja esquecida tão depressa. Teve um final feliz, com contornos apoteóticos, mas podia não ter tido. Podia ter corrido muito mal. Tirando, talvez, os jogos com a Rússia, não houve um único jogo em que não nos boicotássemos a nós mesmos. Na maior parte desses jogos, bastaria não termos cometido determinados erros, termo-nos esforçado um bocadinho mais, para conquistarmos o primeiro lugar do grupo.

E não é apenas pelo primeiro ou pelo segundo lugar. Também não é bom em termos de adesão por parte dos adeptos. Ainda no mês passado, aquando dos jogos com a Suécia, ouvi um colega meu afirmar que, no que tocava á Seleção, só lhe interessam os jogos das fases finais ou dos playoffs. Os da Qualificação e os particulares eram-lhe indiferentes. Paulo Bento, uma vez, lamentou que muita gente pensasse assim e eu, há um ano o dois, criticaria atitudes semelhantes à do meu colega. No entanto, se nem os jogadores estiveram para se chatear na maior parte dos jogos de Apuramento, porque haveríamos nós de fazê-lo?

Os títulos de algumas das crónicas pós-jogo que escrevi aqui no blogue acabam por ser aplicáveis a toda a Qualificação. "Uma epopeia com contornos dantescos" e "Não havia necessidade". Aquando daquele primeiro jogo com o Luxemburgo, eu não fazia ideia de que o resto do Apuramento se desenrolaria desta maneira. Sim, eu sei que assim soube melhor, eu mesma o admiti. Mas não sei até quando seremos capazes de brincar com o fogo sem nos queimarmos a sério.


Além disso, caso a Rússia tivesse conseguido o segundo lugar, a Suécia provavelmente teria sido capaz de vencê-los no playoff. Assim, Ibrahimovic não teria ficado de fora do Mundial. É que fiquei a gostar do tipo... É arrogante mas tem piada.
Parece que o sorteio dos grupos da Qualificação para o Euro 2016 se realizará algures em Fevereiro. Consta, igualmente, que as regras do jogo vão mudar. Agora que a prova foi alargada de dezasseis a vinte e quatro participantes - ainda estou para ver como é que isso vai funcionar - os dois primeiros classificados em cada grupo Apuram-se diretamente. Os terceiros lugares, tirando o pior, disputarão o playoff. Eu devia estar satisfeita com este baixar de fasquia mas não me custa nada imaginar a Seleção, em resposta, desleixar-se ainda mais do que se desleixou neste Apuramento, contentar-se com o terceiro lugar. Aliás, agora que penso nisso, este facilitismo pode levar a uma quebra geral na qualidade dos jogos desta Qualificação, sobretudo para as grandes candidatas ao Apuramento. Não que me preocupe demasiado com isso, só quero saber de Portugal. Espero que não nos calhe um grupo fácil, dava até jeito ficarmos com uma seleção dita "grande", motivadora. De qualquer forma, o pior adversário de Portugal continuará a ser ele mesmo.

Entretanto, no início deste mês, a Sorte determinou que Portugal ficasse agrupado com a Alemanha, os Estados Unidos e o Gana no Mundial. Um grupo teoricamente mais fácil que o do Euro 2012 mas imprevisível. Todos consideram que está ao alcance de Portugal mas a Equipa de Todos Nós terá de confirmá-lo em campo.


Foi assim o ano da Seleção. Em termos pessoais, foi um ano relativamente morno: mais estável que 2012, mas não mais do que isso. Algumas das maiores alegrias deste ano, dos dias mais felizes, estiveram ligados à Turma das Quinas: a antecipação dos jogos, o rescaldo das vitórias, a visita ao Jamor em agosto, o jogo a que assisti em Alvalade, a festa de anos da minha irmã no dia da segunda mão dos playoffs. 2013 mostrou-me, aliás, que embora algumas das minhas paixões não me despertem o mesmo interesse de antigamente, a Seleção é das poucas de que não me canso. Vão fazer dez anos desde que acompanho fielmente a Turma das Quinas mas meu interesse manteve-se praticamente sempre alto. Acho que em nenhuma altura desta última década deixei de ansiar pelo jogo seguinte. Posso já não escrever aqui no blogue tão frequentemente como antes - porque perco mais tempo a preparar as entradas e muitos dos assuntos acabam sendo abordados na página do Facebook - e certos aspetos, sobretudo antes dos jogos, depois destes anos todos, tornaram-se demasiado batidos. No entanto, cada jogo em si é único. Seja ele um mata-mata de um campeonato de seleções ou um particular com uma equipa de expressão irrelevante.

É a beleza do futebol em si, aliás. Há coisa de um ano ou dois, eu não compreendia como é que as pessoas tinham paciência para acompanhar a liga portuguesa ano após ano - sobretudo durante a altura em que, invariavelmente, o F.C.Porto se sagra campeão. Hoje compreendo: porque, para além de imprevisível, de caprichoso, o futebol é uma história que nunca acaba.


Em termos pessoais, 2014 vai ser um ano bem mais empolgante, bem mais decisivo, do que 2013. Em termos de Seleção, também. Já é habitual, para mim os anos pares são os mais interessantes pois, com eles, veem os grandes campeonatos de seleções. Infelizmente, não sei se me vai ser possível acompanhar o Mundial da maneira que acompanhei o Euro 2012 - posso estar a estagiar nessa altura. Vai depender de muitos fatores mas duvido que tenha tempo para ter a página do Facebook atualizada ao minuto com todas as peripécias, como chegava a estar há ano e meio. Já o tinha dito na entrada anterior, nem sequer sei se poderei acompanhar os jogos do Mundial. No entanto, não deixarei de escrever e publicar as respetivas crónicas pós-jogo. Nem que tenha de perder refeições ou mesmo noites para tal. 

Algumas das pessoas com quem tenho falado afirmam-se crentes de que 2014 será o nosso ano. Eu quero crer o mesmo, quero muito crer o mesmo, mas uma parte de mim concorda com os artigos de opinião da praxe, que afirmam que esta Seleção não se compara à de 2004 ou 2006. Por outro lado, a acontecer, a nós ganharmos um título, terá de ser em 2014. Não vou ao extremo de dizer "Agora ou nunca!" mas a verdade é que já deixamos fugir demasiadas oportunidades. A certa altura terá de deixar de ser um sonho. Que deixe de sê-lo em 2014.

Esa será uma das passas da Noite de Ano Novo - não gosto de passas mas gosto do ritual de pedir os doze desejos ou de definir os doze objetivos para o ano que começa. Sugiro que, roubando a ideia a uma campanha realizada aquando da passagem de 2005 para 2006, guardem também "uma passa para a Taça". Também desejarei, se não o fim da crise, pelo menos o início (ou a continuação) da recuperação económica. Que possamos ser campeões mundiais e que as nossas vidas melhorem no ano que vêm. A todos os meus leitores e seguidores da página do Facebook, os meus votos de um Feliz Natal e de um 2014, se não cheio de sonhos realizados, pelo menos cheio de bons momentos.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Portugal 1 Holanda 1 - Laranja agridoce

Na passada quarta-feira, dia 14 de agosto, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu, no Estádio do Algarve, a sua congénere holandesa, num jogo de carácter particular. Encontro que terminou com um empate a uma bola.
Como talvez tenham reparado, pouco antes do jogo, tive de publicar a entrada anterior incompleta. Isto deveu-se ao facto de a minha família ter decidido ir mais cedo de fim-de-semana prolongado, para podermos ver o jogo com a Holanda com mais calma. Por ironia do destino, contudo, apanhámos a estrada cortada por um acidente grave. Lá conseguimos arranjar um desvio mas não conseguimos chegar antes do início do jogo, pelo que tivemos de segui-lo pela rádio até ao golo da Holanda. Mesmo depois, na azáfama da chegada, não deu para acompanhar com muita atenção o resto da primeira parte do encontro. De resto, a Seleção não jogou grande coisa, pelo que não devo ter perdido muito.

E, de facto, a exibição da Seleção pareceu-me boa durante a segunda parte, apesar da habitual e exasperante falta de eficácia. Como disse a minha mãe, que viu o jogo comigo e com a minha irmã, os portugueses até conseguiam levar a bola até à grande área holandesa, o problema era mesmo enfiá-la na baliza. O Cristiano Ronaldo, como já vai sendo hábito, era dos que mais empurravam a equipa para a frente mas eu destacaria, também, João Pereira, que cumpria a sua vigésima quinta internacionalização. A minha mãe ficou particularmente impressionada com ele, sobretudo quando o víamos nos confrontos com os holandeses, a sua baixa estatura contrastando com o tamanho dos adversários, mas não o impedindo de ganhar o controlo da bola.


Não foi, de resto, o único a jogar bem, na quarta-feira. Também o Miguel Veloso e o Luís Neto não estiveram mal (ainda que a defesa tenha ficado mal na fotografia quando do golo holandês), o último revelando-se merecedor da inesperada titularidade, que roubou o lugar a Bruno Alves, dando uma saudável dor de cabeça a Paulo Bento. E mesmo o Beto, coitado, não teve medo de levar com um holandês em cima aquando de uma defesa.

Perto do fim, numa altura em que já estava conformada, ainda que algo insatisfeita, com a derrota - afinal de contas, a Argentina venceu-nos em 2011, o que em nada manchou a boa fase que a Seleção atravessava nessa altura - surgiu o golo de Cristiano Ronaldo, que recompensou um Estádio do Algarve, senão com lotação esgotada, pelo menos com lotação recorde. Já muitos apostavam que ele fizesse um golo, frente a um freguês a quem já marcara três vezes. Fica, deste modo, a apenas um golo de igualar Eusébio. A continuar assim, nos próximos jogos ultrapassará o Rei e, quem sabe, dentro de um ano terá já ultrapassado Pedro Pauleta. Como li n'"A Bola", pela sua vaidade e teimosia, Ronaldo só parará quando mais ninguém duvidar da sua entrega aquando dos jogos da Equipa de Todos Nós.


Acabou por ser um jogo pouco amigável, sob vários pontos de vista, seja por os portugueses o terem levado mais a sério do que levaram outros particulares (o que não surpreende, tendo em conta o peso motivador do adversário), seja pela tensão entre as duas equipas. O selecionador holandês Louis Van Gaal queixou-se do árbitro mas, com toda a franqueza, não notei nenhum favorecimento para com nenhuma das equipas. Acabou por ocorrer aquilo em que apostava: um empate sem golos e uma exibição consistente, ainda que longe de brilhante, que ajudasse Paulo Bento a tirar ilações. A ausência de titulares habituais pode servir de desculpa para as debilidade que não deixámos de apresentar. Talvez haja quem não estivesse à espera de uma laranja tão amarga mas, de qualquer forma, não foi o suficiente para os holandeses nos vencerem pela primeira vez em mais de dez anos. Fica, assim, a doçura da continuidade de uma sina que nos é favorável.


Ainda mais doce que o empate frente à Holanda, foi a surpreendente derrota da Rússia aos pés da Irlanda do Norte. Durante o relato radiofónico, o Nuno Matos, o Joaquim Rita e outro locutor cujo nome não me recordo admitiam que aceitariam de bom grado uma derrota de Portugal, mesmo uma goleada, aos pés da Holanda, se em troca a Rússia perdesse. Eu exigiria, pelo menos, uma boa exibição portuguesa, mesmo assim... Felizmente, o destino foi-nos mais generoso do que isso: Portugal jogou relativamente bem, empatando com a Holanda, e a Irlanda do Norte venceu a Rússia. Continuamos em primeiro lugar. Claro que não convém perder de vista a segunda posição, que só depende de nós, mas é animador pensar que basta a Rússia perder apenas um ponto para acabarmos o Apuramento em primeiro. Isto se também fizermos a nossa parte, obviamente.

Confesso que seria, no mínimo, estranho uma eventual Qualificação direta. Fizemos uma excelente recuperação durante o Apuramento para o Euro 2012 após o caso Queiroz e, mesmo assim, tivemos de ir aos playoffs. Nesta fase, contudo, ficámos para trás por mero desleixo, mas ainda podemos Qualificarmo-nos em primeiro lugar... Não parece justo. É um daqueles paradoxos do futebol. Além disso, eu sentiria falta da emoção dos playoffs, até porque a minha irmãzinha faz anos no dia de um deles e, caso fosse disputado na Luz ou em Alvalade, quereríamos ir... Mas não nego que seria um alívio se, por uma vez, conseguíssemos garantir um lugar no Brasil já eu outubro, sem mais drama.

Por outro laod, tal como Paulo Bento e outros jogadores assinalaram. há que salientar o facto de a Irlanda do Norte ter sido capaz de empatar connosco e vencer os russos. Às tantas, ao contrário do que eu pensava, não foi apenas por desleixo que empatámos no Dragão. Às tantas,  os irlandeses até são bons! Já há dois anos mencionei AQUI que a Irlanda do Norte é daquelas equipas que, não tendo nada a perder, dão tudo o que têm dentro de campo. Não sei até que ponto a Rússia jogou mal mas consta que os irlandeses entraram em campo precisamente com a atitude que descrevi: em vez que estacionarem o autocarro em frente da baliza, atacaram sem medo e, no fim, venceram.

Não sei se repetirão a atitude quando os visitarmos em Belfast, no próximo mês. Em teoria, uma equipa mais atacante, menos passiva, do que é o seu hábito será menos perigosa. No entanto, a Seleção costuma ter dificuldades perante equipas que estacionam o autocarro à frente da baliza, tendo em conta, sobretudo, a nossa crónica falta de eficácia. Às tantas, talvez nos desse mais jeito se os irlandeses se preocupassem mais em atacar, descurando, deste modo, a defesa...


Aquilo de que todos temos a certeza é de que será um jogo a levar muito a sério. Um dos objetivos deste particular terá sido, aliás, familiarizar os Marmanjos com este nível de seriedade. Terá de ser, caso queiramos estar no Mundial do Brasil. Este jogo voltou a provar, ainda, que Portugal tem a capacidade de se bater de igual para igual com equipas deste calibre. Assim, será um enorme desperdício, não apenas para nós mas para o futebol em geral, os portugueses ficarem de fora do Campeonato do Mundo. O jogo com a Irlanda do Norte é mais uma final que temos de vencer. E não falta muito...

Só espero que, nessa altura, tenhamos bem menos jogadores de baixa. Porque, sinceramente, isto foi ridículo...

domingo, 9 de junho de 2013

Portugal 1 Rússia 0 - Triunfo de equipa

Na passada sexta-feira, dia 8 de junho, a Seleção Portuguesa de futebol recebeu, no Estádio da Luz, a sua congénere russa, num jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar no Brasil, daqui a um ano. A Seleção da casa levou o jogo de vencida por uma bola sem resposta, cortesia de Hélder Postiga. Portugal assumiu deste modo, ainda que provisoriamente - tem mais jogos que a Rússia e Israel, os adversários mais perigosos - a liderança do grupo F. 

Parece que, finalmente, a Equipa de Todos Nós começa a encarreirar neste Apuramento.

Com o tudo o que se foi dizendo ao longo da preparação deste jogo, sobre uma Rússia, treinada por Fabio Capello, que joga à italiana, que estava a ter uma Qualificação imaculada, sem um golo sofrido; sobre o cansaço físico e psicológico de fim de época de alguns jogadores; a falta de ritmo competitivo de outros; as asneiras cometidas ao longo desta fase de Qualificação; por fim, o discurso habitual da falta de opções, de alternativas para a Seleção, do estes-tipos-não-valem-nada-quando-comparados-com-o-Figo-o-Rui-Costa-e-companhia (começo a ficar saturada dessa conversa...), não me atrevia a assumir-me como optimista ou pessimista antes do jogo. Em vez disso, tal como publiquei na página do Facebook algumas horas antes do arranque da partida, preparei-me para um jogo difícil, de sofrimento, em que tudo poderia acontecer. Manifestei, também, o desejo de que os Marmanjos entrassem em campo também assim, com a consciência das dificuldades do jogo, da importância de uma vitória, preparados para qualquer cenário, para dar tudo por tudo, para sofrer, para ganhar. 

O desejo foi cumprido.

Perante uma bela moldura humana, a Turma das Quinas entrou bem no jogo, decidida a cumprir as promessas feitas ao longo da preparação desta jornada. E a recompensa surgiu cedo, na sequência de um livre cobrado por Miguel Veloso. Este colocou a bola muito bem, a jeito para o Hélder Postiga encostar. A bola foi ao poste - que, por uma vez, esteve do nosso lado - e entrou.


O melhor disto tudo é que eu não preciso de dizer nada, não preciso de contrariar as críticas. O Hélder defende-se a si mesmo, outra e outra vez, prova que não é por capricho que teimo em louvá-lo. E, no processo ajuda a Seleção a encontrar o caminho certo. É o nosso talismã há já vários anos. Vai, aliás, fazer agora uma década desde os seus dois primeiros golos pela Equipa das Quinas (num particular contra a Bolívia, dia 13 de junho de 2003, que Portugal ganhou por 4-0). Desde esse dia até hoje, tem-se fartado de marcar golos pela Seleção. Estou a pensar, por exemplo, num tiro espetacular, num jogo de Qualificação para o Euro 2008, frente à Bélgica, em junho de 2007. E no jogo contra a Noruega, há dois anos, também em final de época, também no Estádio da Luz, também ganho por 1-0, com golo de Postiga. E agora igualou Rui Costa em número de tentos. Não me esqueço destas coisas, recordo-as. E fico orgulhosa.

O golo madrugador deu-nos a tranquilidade que não tivemos em outros jogos deste Apuramento. No entanto, tendo o jogo com Israel fresco na memória, não me atrevi a ficar demasiado tranquila, receei que a Rússia empatasse de novo. Não tive grandes motivos para temê-lo a sério durante a primeira meia hora de jogo, durante a qual houve claro domínio português. Só quando a Seleção procurou gerir o resultado, dando mais espaço aos russos, é que comecei a ter motivos reais para me assustar. Sempre que os russos se aproximavam da nossa baliza, eu rezava para que nenhum dos Marmanjos fizesse uma parvoíce, como as que cometeram noutros jogos desta fase de Apuramento. Valeu-nos os bons desempenhos do novato Luís Neto, que substituiu Pepe, as já costumeiras boas intervenções de Rui Patrício, um árbitro que, em certas ocasiões, foi nosso amigo e uma boa dose de sorte. Talvez para compensar alguma infelicidade que possamos ter tido em jogos anteriores, os deuses do futebol estiveram com Portugal naquela noite. 


Pena não terem permitido um segundo golo português, só para manter a nossa tensão arterial nos valores normais. Juro que ainda vou descobrir quem é o cardiologista que anda a patrocinar a Seleção para não haver um jogo que seja sem sofrimento...

O encontro acabou, por isso, por ser bastante equilibrado, embora Portugal se mantivesse quase sempre por cima. O que não quer dizer nada - a História recente do futebol é rica em jogos cujos resultados se decidiram numa questão de minutos. E se existiram várias ocasiões em que estivemos perto do segundo golo, existiram outras em que, como disse @lidiapgomes no Twitter, "estivemosábilitar-nos". Por o jogo decorrer no estádio do Benfica, houve quem se recordasse da maldição do minuto 92. Eu, nessa altura, já só rezava, "Apita, árbitro, apita... Termina o jogo...". E, apesar de várias vezes ter receado o contrário, o jogo terminou com a nossa baliza inviolada e Portugal em vantagem, amealhando três pontos.


Foi um bom jogo, sobretudo tendo em conta todos os fatores que jogavam contra nós, já mencionados neste texto. Não foi um jogo brilhante, mas ninguém esperava que o fosse. Vários jogadores se destacaram, como Luís Neto, Vieirinha, Moutinho, entre outros, mas, na minha opinião, foi sobretudo um jogo de equipa, um triunfo de equipa. Houve atitude, espírito guerreiro, de entre-ajuda, união - precisamente os pontos fortes da Equipa de Todos Nós. Os comentadores desportivos não estão errados quando dizem que esta Seleção é mais pobre em valores em individuais do que, por exemplo, a de 2004-2006. No entanto, quando estão para aí virados, quando vestem a camisola das Quinas e jogam em equipa, cada um dos onze jogadores vale mais do que o seu valor individual. Isto foi suficiente para chegarmos às meias-finais do Europeu, no ano passado, chegando a jogar de igual para igual com a Espanha. Foi, também, suficiente para ganharmos à Rússia, apesar das dificuldades todas. Isto, sim, isto é Portugal! Estamos de volta!

O problema é mesmo o facto de os Marmanjos nem sempre estarem para isso. Podia perguntar onde esteve este espírito noutros jogos deste Apuramento. Mas não o farei. Não quero olhar para trás. Não se pode mudar o passado. Aquilo que podemos controlar são os jogos que nos faltam. Cada um deles será uma final. Este, com a Rússia, já o era. Talvez tenha sido a mais difícil. Vencê-la foi um grande passo em frente, mas ainda temos caminho a percorrer e ainda existe o risco de nos perdermos pelo meio, de novo.

Mas, como o próximo jogo oficial é em setembro, haverá tempo para pensar melhor nisso. Antes, ainda teremos dois particulares, um dos quais já na segunda-feira, contra a Croácia. Não alimento grandes entusiasmos para este jogo, por motivos diversos, embora me atraia a possibilidade de vermos jogadores menos habituais - destaque para o estreante André Martins - em campo. Como será uma semana complicada para mim, não sei quando poderei publicar uma análise ao jogo. Nem sei, sequer, se farei uma análise ao jogo. Mas vou tentar escrevê-la, mesmo que o jogo não se revele grande coisa, mesmo que só consiga publicar a entrada uma semana depois.


Fico feliz por a Seleção, finalmente, estar no caminho certo. É verdade que ainda não conquistámos nada, as o Brasil encontra-se cada vez mais alcançável. É o que me farto de repetir aqui no blogue mais uma vez provado: mais cedo ou mais tarde, os jogadores recompensam-nos pelo apoio que lhes damos, mostram que vale a pena acreditar na Seleção. Por isso é que me obriguei a mim mesma, ao longo destes meses todos, a manter a fé, apesar das sucessivas desilusões. Fica este consolo para as próximas semanas: a chama está mais forte, o Brasil está mais perto. Agora, espero que não tornemos a desviar-nos da rota, que continuemos a dar passos em frente e que, daqui a uns meses, estejamos a comemorar a sexta presença num Campeonato do Mundo.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Alimentando a chama

No próximo dia 7 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe, no Estádio da Luz, a sua congénere russa, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, a realizar-se daqui a um ano, no Brasil. Três dias mais tarde, desloca-se a Genebra, na Suíça, para um jogo de carácter particular a propósito do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Estes serão os últimos jogos da época futebolística 2012/2013. Este ano acompanhei a temporada dos clubes, tanto portugueses como estrangeiros, mais de perto do que o habitual, sobretudo por causa da página do Facebook - chegam a passar-se semanas sem notícias sobre a Equipa de Todos Nós e não posso, nem quero, deixar a página inativa durante esse tempo todo. Além disso, interessa prestar atenção ao percurso dos jogadores portugueses nos respetivos clubes, já que isso influenciará a sua chamada à Seleção, bem como os seus desempenhos quando vestirem a camisola das Quinas.

Tal como disse a minha irmã no outro dia, foi uma época esquisita. Por vários motivos. Já aqui falei das dificuldades por que vários jogadores portugueses passaram este ano nos respetivos clubes e, em alguns casos, continuam a passar. O caso dos jogadores do Real Madrid, por exemplo. A trágica época do Sporting - a minha irmã fartou-se de sofrer este ano, coitadinha! E a desgraça recente do Benfica, que durante algum tempo pareceu ter tudo nas mãos e deixou-o escapar entre os dedos.

No que toca ao clube das águias, aquilo que mais desapontou foi a perda da Liga Europa, pois era uma equipa portuguesa numa final europeia, representando o futebol português - embora, em rigor, só haja um único jogador nacional no plantel benfiquista e nem sequer é dos mais utilizados. Foi o único jogo dos decisivos para o Benfica a que assisti e, pelo que vi, os benfiquistas jogaram melhor que o Chelsea. Acabou por ser um filme já muitas vezes visto, em diferentes circunstâncias. Isto é como diz José Mourinho, finais não são para jogar, são para ganhar. Equipa que quer levar um jogo de vencida não pode falhar tantos remates. O objetivo do futebol é marcar golos, quem não consegue fazê-lo não pode aspirar a vitórias, é tão simples quanto isso.

Julgo que não é a primeira vez que falo disto aqui no blogue. Só espero agora não ter de voltar a abordar este assunto tão cedo.





Mas a época já terminou para os clubes, tirando o campeonato espanhol, que termina no próximo fim-de-semana. Paulo Bento divulgou na segunda-feira passada os Convocados para os próximos dois jogos da Seleção. A única novidade de maior foi a Chamada de André Martins, o jovem médio do Sporting. Quem ficou muito feliz com esta Convocatória foi a minha irmãzinha sportinguista. Já quando, há pouco menos de duas semanas, íamos as duas no carro e ouvimos na rádio que o jovem médio fora incluído na pré-Convocatória, ela deu um berro:

- EU DISSE! EU DISSE! EU DISSE QUE ELE IA PARAR À SELEÇÃO! EU DISSE! - E tratava-se apenas de uma pré-Convocatória, nada nos garantia que ele seria Chamado já para estes jogos.

Sim, acho que ela sai a mim.

Quando a Convocatória lhe veio a dar razão, reagiu com menos histeria, felizmente. Limitou-se a ficar muito feliz. "Como uma mãe orgulhosa", nas palavras da mesma, apesar de ser mais nova do que ele... Mas compreendo-a. Quando tinha a idade dela, cada elogio que fizessem ao Cristiano Ronaldo equivalia a um elogio a mim.




A minha irmã diz que o André Martins será o próximo João Moutinho, o próximo formiguinha. Talvez tenha razão. O que é facto é que o jovem médio tem já longo percurso nas Seleções de formação, com 43 jogos e 4 golos - incluindo um frente à Rússia há um ano, pelos sub-21. Há quem diga que ele pode jogar logo de início contra a Rússia mas tenho as minhas dúvidas. Quanto muito entrará a meio. Estará, certamente, ansioso por mostrar o seu valor, mostrar que merece tornar-se uma opção para Paulo Bento. Só o tempo poderá dizer que o André cumprirá as promessas que tem deixado.

O Paços de Ferreira já se veio queixar de não ter nenhum jogador na lista de Convocados. A polémica ainda não estalou a sério porque os media ainda estão a explorar a desgraça do Benfica e o futuro incerto de Jorge Jesus. Mas aposto que, assim que o assunto se esgotar e, sobretudo se alguma coisa correr mal frente à Rússia (três vezes na madeira!!!), estalará. Eu, nesta, concordo que o Paços tem motivos para se queixar. Depois da época que fez e sendo a equipa do pódio da Liga Portuguesa com maior número de jogadores portugueses (acho eu), merecia atenção por parte de Paulo Bento. Mas também, para ser sincera, não estava à espera de grandes inovações nesta Convocatória. Só a Chamada de André Martins apanhou-me de surpresa. E se é verdade que a Seleção precisa de sangue novo, de alternativas, estar a criar uma equipa completamente nova para um jogo desta importância poderia dar para o torto. Haverá tempo para fazer experiências, até porque veem aí vários particulares - mais sobre isso adiante - mas, para já, é melhor apostar em jogadores que já estão habituados uns aos outros, que já deram garantias, apesar da irregularidade de alguns dos últimos jogos.




Vamos, então, jogar com a Rússia pela segunda vez nesta fase de Apuramento, desta feita em casa, num Estádio da Luz que se espera cheio. Fala-se de muitos jogadores não se encontrarem na forma ideal, alguns deles, como já referi aqui, depois de épocas menos boas. Gostei, contudo, da resposta que o Selecionador deu na Conferência: "Nunca consegui encontrar um jogo da Seleção num momento adequado." Julgo até que já o disse aqui no blogue: os jogos da Seleção nunca dão jeito, seja por entrarem em rota de colisão com os planos dos clubes, por os jogadores terem as cabeças noutro lugar ou por terem perdido ritmo competitivo.

Bem, terão de se amanhar. Tendo em conta que Portugal já perdeu os pontos que tinha para perder nesta Qualificação, não existe nenhuma escolha que não seja ganhar. Paulo Bento, Humberto Coelho e alguns jogadores já começaram com o discurso habitual, de que é-para-ganhar, discurso esse que continuará, certamente, a ser repetido por toda a gente na Seleção até ao dia do jogo. Tal como aconteceu há uns meses, antes do jogo com Israel, em que aconteceu o que se viu. O que me dá vontade de citar letras das chamadas break up songs, para dizer que estou farta de ouvir a mesma conversa de sempre e ver muito pouco dentro de campo. Falar é fácil, o que eu quero é golos, quero exibições que, ainda que não possam ser muito boas, pelo menos não tenham a mediocridade de alguns dos nossos últimos jogos. Quero vitórias. Quero passos em frente na Qualificação. Quero poder fazer planos para o Mundial 2014.




Também já começou, um pouco, o circo para chamar o Povo ao Estádio da Luz, como podem ver. Conforme já afirmei aqui no blogue uma vez, gosto deste tipo de circo, desde que não se caia em exageros. Este anúncio protagonizado por Nani ficou giro. Também gosto de outro que vi no outro dia, que ainda não encontrei no YouTube, mostrando uma mulher equipando-se para assistir ao jogo com a mesma solenidade com que se equiparia caso entrasse mesmo em campo. Afinal de contas, o próprio Selecionador afirmou, há poucas semanas, que a seleção não vende tanto como os clubes, o que explica todo o circo publicitário que costuma anteceder a participação da Equipa de Todos Nós numa fase final. E, para esta fase de Apuramento, a própria Turma das Quinas criou as condições que permitiram usar o slogan: "Cada jogo uma final". Digo apenas que seria bom se, por uma vez, pedissem uma moldura humana, obtivessem-na e agradecessem o tempo e o dinheiro dispendidos com uma vitória.

Eu e a minha irmã estivemos quase para ir ver este jogo mas não vamos poder, por vários motivos. O que me deixa infelicíssima pois não vou a um jogo da Seleção há quase seis anos, ainda não pude conhecer o Estádio da Luz e este promete ser um jogo interessante. Eu e a minha irmã vamos tentar ir ao jogo contra Israel, em outubro, no Estádio de Alvalade e, eventualmente, ao provável playoff, no Estádio da Luz. A única coisa má é que, nesses jogos, não devo poder usar a blusa que usei no A Tarde É Sua, no ano passado. Mas acho que a usarei à mesma no dia do jogo. E, se em agosto formos assistir a um treino, tornarei a usá-la.

Ou talvez não, já que o tempo não tem estado grande coisa e dizem que o verão será frio.

Já que falo nisso, esta semana a Seleção treina no Jamor, abrindo três treinos ao público. Se fosse há um ano, tentaria ir a um deles. Mas. depois de ter ido no ano passado com a minha irmã, já não quero ir sem ela, que tem aulas à hora dos treinos. De resto, o pessoal do campeonato espanhol só chega na próxima semana, jogadores como Cristiano Ronaldo, Fábio Coentrão e Hélder Postiga não estarão lá. É preferível irmos em agosto, quando estivermos livres das aulas e de todo o trabalho com elas relacionado.





Três dias depois de jogarmos com a Rússia, vamos à Suíça para um particular com a Croácia, na segunda-feira dia 10. Tanto quanto me lembro, é o primeiro jogo da Seleção fora de Europeus e Mundiais a realizar-se a uma segunda-feira. 

Não sei muito sobre a seleção croata. Sei que jogámos com ela em novembro de 2005 mas, antes de ver o vídeo acima, a única coisa de que me recordava desse jogo era do resultado. Como poderão ver acima, os golos foram de Petit e Pauleta, que nesta altura já ultrapassara o recorde de Eusébio.

Só agora que começo a aperceber da qualidade da Seleção entre 2004 e 2006. Uma Qualificação tranquila como mais nenhuma, nem calculadoras, com Figo (embora se tenha ausentado durante a primeira metade do Apuramento), Pauleta, Deco, Maniche, Costinha, Ricardo Carvalho e um Cristiano Ronaldo em ascensão, usando a camisola 17, desejoso de mostrar o seu valor. Até agora nenhuma Seleção foi capaz de superar essa. Quem me dera ter tido noção disso na altura.

Não estava à espera de termos este particular e o seu anúncio foi uma agradável surpresa, apesar de suspeitar que alguns dos jogadores entrarão de férias logo a seguir ao jogo com a Rússia. Para mim, jogos da Seleção nunca são de mais. Não posso, portanto, queixar-me pois, nos próximos meses, teremos uma totalidade de três particulares e, por uma vez, com adversários "decentes", em vez de seleções estilo Gabão ou Liechenstein. Não falo tanto do jogo com a Croácia, mas acredito que vitórias nestes jogos, ou mesmo apenas boas exibições, podem dar a confiança necessária para enfrentarmos a reta final da Qualificação. 




Antes disso, contudo, precisamos de vencer a Rússia. A preparação desse jogo arranca hoje, apesar de faltar mais de uma semana para o desafio. Talvez escreva outra entrada antes do jogo, mas não sei se terei tempo ou se terei assunto que o justifique. Em todo o caso, já sabem, a página do Facebook manter-se-à atualizada, como sempre. Vai saber bem ter a Seleção reunida de novo.

As circunstâncias em que disputaremos este jogo não são as ideais mas também nunca o são. E a Equipa das Quinas tem esta capacidade de perder (ou empatar) quando tem todas as condições para ganhar, bem como de ganhar quando tem todas as condições para perder. Conforme disse José Manuel Paulino no Record, "quero crer que a vontade de marcar presença no Brasil em 2014 seja mais forte que um qualquer momento menos bom de forma". Algo semelhante disse Afonso de Melo no livro A Pátria Fomos Nós, de que já falei AQUI. "Às vezes nem o talento resiste à vontade de fazer bem." Tenho sentido em vários momentos desta Qualificação que, apesar de garantirem o contrário em múltiplas declarações à Imprensa, os Marmanjos não estiveram para se chatearem em vários jogos. Contudo, tenho a certeza de que todos eles, sem exceção, querem estar no Brasil daqui a um ano. Seja por que motivo for, seja pela publicidade pessoal, pela "montra", pelo prestígio, pelos incentivos financeiros. Ou pela honra de representar o País. Se o facto de jogarem em casa, possivelmente com Inferno da Luz do lado deles, perante um adversário estimulante, obrigados a ganhar, não for suficiente para motivá-los para dar o seu melhor então, peço desculpa mas não merecem ir ao Mundial. Como diz o Menos Ais, troquem desculpas por mais empenho. À boa maneira portuguesa, desenrasquem-se!

Apesar de tudo, sinto-me entusiasmada pela proximidade destes jogos. Posso andar a ligar ao futebol de clubes mais do que é habitual mas nenhum clube me apaixona como a Seleção. E não me parece que isso alguma vez mude. Agora, tudo o que mais desejo é que a Turma das Quinas continue a alimentar o meu entusiasmo, começando por ganhar à Rússia. Na última entrada, disse que a vitória frente ao Azerbaijão pode ter sido o ponto de viragem, a faísca que nos permitira continuar a lutar. Agora cabe à Equipa de Todos Nós alimentar essa pequena chama, deixá-la crescer, para que nos sirva de catalisador, de combustível, para aquilo que falta do nosso caminho para o Brasil.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Seleção 2012



Mais um ano encontra-se à beira do fim, mais um ano encontra-se à beira do início. Eis a já tradicional revisão do ano.

Depois de um 2011 relativamente tranquilo, estável, tirando uma ou outra ocasião, 2012 foi de novo um ano algo agitado, com muitos altos e baixos. Não que o oposto fosse de esperar, já que foi ano de Campeonato Europeu. No início de 2012, a Seleção Nacional vinha de uma Qualificação difícil mas triunfante, com um encerramento particularmente apoteótico. Tal euforia fora, contudo, contrariada pelo sorteio da fase de grupos, que ditara que Portugal partilharia o grupo com a Alemanha - vice-campeã europeia - a Holanda - vice-campeã mundial - e a Dinamarca - seleção que nos complicara a vida à grande e à dinamarquesa nas últimas duas fases de Qualificação.


O primeiro jogo da Seleção do ano deu-se a 29 de fevereiro; um particular frente à Polónia, ma das anfitriãs do Europeu, a propósito da inauguração de um dos estádios que serviria de palco à fase final. A calendarização deste jogo provocou alguma polémica, visto este ter-se realizado apenas dois dias antes do Benfica-Porto - os jogos da Seleção nunca são convenientes, pelo que se vê. Esta foi a primeira oportunidade que a Turma das Quinas teve para se reunir em mais de cem dias, a última oportunidade que Paulo Bento teria de estar com os jogadores antes da Divulgação dos Convocados antes do Euro 2012.

Este jogo ficou marcado pela estreia de Nélson Oliveira entre os Convocados, bem como da nova presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Humberto Coelho e João Pinto passaram a fazer parte da comitiva. Embora não possa avaliar o trabalho da FPF noutros ramos do futebol, tenho de admitir que durante o Euro 2012, a estrutura federativa fez um bom trabalho na Seleção. O que provavelmente contribuiu para o bom percurso que fizemos.


Mas regressemos ao Portugal x Polónia. Aquando deste jogo, aparentemente, a atmosfera era positiva dentro da Seleção. Aquando deste jogo aparentemente, a atmosfera era positiva dentro da Seleção. Os jogadores pareciam felizes por estarem de novo juntos, pareciam possuir espírito vencedor e motivação para fazerem um bom particular.

Tais promessas ficaram por cumprir.

O particular, que terminou com o marcador inalterado, revelou-se igual a tantos outros realizados pela Seleção ao longo dos últimos anos. A primeira parte foi boa, com algum carácter, a segunda não foi tão boa. Destacaram-se Nani e Rui Patrício. As muitas oportunidades falhadas davam os primeiros indícios dos problemas na finalização que assombraram a Equipa das Quinas ao longo de praticamente todo o ano.


Tais problemas são, para mim, o maior enigma deste ano. Durante todo o Apuramento a finalização nunca foi um problema, nós terminámos 2011 com uma goleada, que aconteceu em 2012?

Ninguém pareceu demasiado preocupado com tais sinais, quase ninguém levou o particular a sério. A temporada de clubes estavam bem ativa, o Europeu estava demasiado distante no tempo para que alguém perdesse demasiado tempo pensando num particular da Seleção.


As atenções só se voltaram a sério para a Turma das Quinas mais de dois meses depois. Os Convocados para o Europeu foram anunciados a 14 de maio. Esse foi, definitivamente, um dos dias mais emocionantes de 2012, melhor do que o Natal. Guardo imensas recordações: passar o dia a atualizar a página do Facebook, ouvir programas relativos ao tema na rádio, contar as horas até à Divulgação, acompanhá-la radiofonicamente, bem como o respetivo rescaldo, na aula, no átrio da Faculdade, no carro. A Convocatória foi razoavelmente isenta de polémicas, embora a opinião pública se dividisse no tocante a certos nomes, como o habitual.

O estágio de preparação do Europeu começou alguns dias mais tarde. A primeira parte decorreu sem incidentes significativos, tirando a lesão de Carlos Martins e consequente chamada de Hugo Viana. Nessa altura, achei mesmo que andava-se a dedicar demasiado tempo de antena à Seleção, quando ainda não havia razões para tal.


Ao fim da primeira semana de estágio, disputou-se um particular com a Macedónia. Um jogo aborrecido, insonso, de contenção. No entanto, tendo-se realizado numa fase relativamente precoce da preparação para o Europeu, não houve grande drama.

O mesmo não aconteceu uma semana mais tarde, no particular com a Turquia, na Luz. Um jogo que tinha tudo para correr bem, que se realizou em casa cheia, num ambiente eletrizante. E a Seleção até entrou menos mal, em sintonia com a vibração do público. Só que as dificuldades na concretização vieram ao de cima, os turcos fizeram pela vida, o Ronaldo falhou um penálti, o último golo que sofremos podia muito bem ser incluído numa compilação de apanhados do futebol de 2012 


Agora que penso nisso, este ano tivemos demasiados jogos desse género, em que tínhamos tudo para ganhar mas acabámos por ter exibições roçando a mediocridade. Contra a Macedónia, contra a Turquia, contra a Irlanda do Norte...

A única coisa boa do jogo foi o golo do Nani; o primeiro golo da Seleção do ano - em junho... - mas o único do jogador do Manchester United, algo que é atípico...

Se ainda deixei passar o empate com a Macedónia, este deixou-me mesmo zangada. Por, depois de tanta promessa, tanto pedido de apoio, os Marmanjos não corresponderem dentro de campo. E, como se não bastasse, ainda virem com desculpas esfarrapadas e reagirem com arrogância às manifestações de desagrado dos adeptos (leia-se: aos assobios). E não fui a única a sentir-me assim.



Mas já lá vamos. Não posso deixar de falar da minha aparição no programa A Tarde é Sua dedicado à Equipa das Quinas. Outro dos momentos altos deste ano em termos pessoais. Foi um dia de muitos nervos, mas diverti-me imenso. Tive a oportunidade de conhecer a equipa por detrás do Hino da Seleção 2012 - Paulo Lima, Catarina Rocha (que lança em breve o seu primeiro CD), Eduardo Jorge, a Alexandra e a Mafalda - que, de resto, para mim foi uma das músicas mais marcantes deste ano; falei do meu livro, da referência ao Ronaldo - um aparte só para comentar que, hoje, diz-se muito que ele e o Messi são de outra galáxia. Talvez inclua a possibilidade de o Ronaldo ter vindo do planeta Minerva nas sequelas ao meu livro... - do vírus da Seleção, do Hélder Postiga - que, mais tarde, retribuiria tais declarações. Um dia que nunca esquecerei.

Estávamos, agora, em vésperas da nossa estreia no Europeu e a polémica estalou. Como é habitual, as primeiras críticas abriam caminho a outras, algumas justificando-se outras não, tudo isto à boleia dos últimos maus resultados - o buraco por onde todos se enfiaram. Falou-se de "circo", do poder das patrocinadoras, dos sinais exteriores de riqueza ostensivamente exibidos pelos jogadores, do tempo de antena conferido à Seleção, etc. O mais triste foi termos tido um ex-selecionador associado a tal polémica.


Há quem diga que esta má imprensa contribuiu para diminuir as expectativas, para dar alguma sobriedade ao grupo, aumentando-lhes o desempenho. Paulo Bento recusou-se a dar mérito às pessoas que se alimentaram das machadadas à credibilidade da Equipa das Quinas. Eu também não quero fazê-lo, em parte por uma questão de princípio, em parte porque, a ter contribuído para o sucesso da Seleção, tal contributo terá sido pouco significativo quando comparado com o trabalho de equipa, a união.

Por outro lado, não concordo com o que o Paulo Bento disse, a certa altura, ao referir que algumas pessoas estariam a torcer contra Portugal. Se houve coisa de que me apercebi neste Europeu, pela primeira vez em seis anos, foi que, nas grandes vitórias da Seleção, todos os portugueses ficam felizes. Mesmo os que habitualmente adoram odiar a Equipa de Todos Nós, mesmo os mais clubistas, mesmo os que se queixam da atenção dada ao futebol, mesmo - sou capaz de apostar - o Rui Santos, tirando, talvez, o Pinto da Costa (e mesmo assim...) ninguém ficou chateado com as vitórias da Seleção no Euro 2012. Isso foi o melhor desta fase final e é isso que eu e o Paulo Bento gostávamos de ver fora das fases finais.


Mas regressemos à nossa estreia no Europeu, frente à Alemanha. Um jogo que perdemos por uma bola a zero. Não foi um mau encontro, Portugal mostrou argumentos. Só que teve demasiado respeito pelo adversário, acordou demasiado tarde e a Alemanha foi tremendamente eficaz. De novo a história dos "vinte e dois homens atrás de uma bola e no fim ganha a Alemanha" de novo. Destaque para os quase-golos de Pepe, Nani e Varela. O deste último dando um presságio para o jogo seguinte. Portugal dava sinais de ter uma palavra a dizer no Europeu. No entanto, vitórias morais nunca são suficientes, já era altura de virmos cumpridas as promessas que andavam a ser feitas.


A história do jogo com a Dinamarca, realizado quatro dias mais tarde, foi diferente. Foi o meu preferido do Europeu, empolgante como apenas os jogos da Seleção em fases finais conseguem ser, absolutamente contra-indicado em doentes cardiovasculares, um dos mais emocionantes a que já assisti. Pelo menos, foi um dos jogos em que mais exprimi tais emoções - leia-se, o jogo em que mais gritei. Recordo o Pepe beijando as Quinas da sua camisola, os meus gritos de "ESTE É P'RA MIM! ESTE É P'RA MIM!" após o golo do Hélder Postiga, o Moutinho correndo para os braços do Varela depois de ele salvar o dia - com o meu golo preferido do Europeu - antes de a Seleção em peso se atirar para cima deles, eu e a minha irmã gritando como se não houvesse dia seguinte, de triunfo e alívio por estarmos de novo em vantagem quando tudo parecia perdido.


A passagem aos quartos-de-final, só foi assegurada quatro dias mais tarde, frente à Holanda. Um jogo em que a Turma das Quinas entrou mal, mais uma vez, mas conseguiu dar a volta por cima, ganhando por 2-1. Ambos os golos foram marcados por Cristiano Ronaldo, que soube responder da melhor forma às críticas ao seu desempenho frente à Dinamarca. Portugal conseguia, assim, o que muitos haviam julgado quase impossível: sobreviver ao Grupo da Morte.


Nos quartos-de-final, Portugal encontrou-se com a República Checa. A Seleção entrou mal, uma vez mais, só que os checos não souberam tirar proveito disso e os Marmanjos acabaram por melhorar. Apenas Peter Cech e o poste impediram uma vitória mais dilatada. Assim, ganhámos por apenas 1-0, golo de Crsitiano Ronaldo, mais uma vez. Destaque para os festejos de Luís Figo e Eusébio nas bancadas. A Seleção carimbava, assim, a passagem às meias-finais do Europeu. Era o maior avanço numa fase final em seis anos, a primeira campanha digna de orgulho desde o Mundial 2006.


O nosso adversário nas meias foi a Espanha, a campeã europeia e mundial. Atrevo-me a dizer que foi, talvez, o jogo que maior interesse despertou em todo o campeonato Europeu. Lembro-me dos tweets do Phoenix dos Linkin Park, do Chuck Comeau dos Simple Plan, do apoio da eterna adepta portuguesa Nelly Furtado. Foi, sem dúvida, um dos jogos mais intensos desta fase final, sofrimento desde o primeiro minuto ao último penálti. Foi, no fundo, a verdadeira final do Europeu, pois fomos a única equipa a conseguir fazer frente ao poderio espanhol. Apenas perdemos por um detalhe, por um pormenor tornado pormaior, até Del Bosque admitiu, há bem pouco tempo, que os espanhóis tiveram sorte. 

Mas eu sempre tive noção disso, que muitos jogos entre grandes se decidem no limite, não podemos tirar o mérito à Espanha pelo seu terceiro título consecutivo. 


Algo que não mencionei antes aqui no blogue foi que, no dia a seguir à meia-final frente à Espanha, à tarde, fui receber a Seleção ao aeroporto da Portela. Eu e mais umas centenas de pessoas. Não falei disso no blogue por falta de tempo. Se forem a ver, só consegui publicar a minha análise ao jogo com a Espanha vários dias após a final do Europeu. Já foi uma entrada grande, que demorou a ser escrita, se ainda tivesse de acrescentar mais uns quantos parágrafos, demoraria outra semana a concluí-la. Tomei a decisão de ir até à Portela por estar stressada e deprimida, de certa forma na ressaca da nossa expulsão do Europeu. O único consolo possível seria mesmo fugir para junto da Seleção. Não foi como ir ver um treino ao Jamor. Mais do que pedir autógrafos, o que eu queria mesmo era consolar os jogadores e que eles me consolassem a mim. Muitas vezes desejaria eu, mais tarde, largar tudo e ir ter com a Seleção - e ainda desejo de vez em quando. A diferença era que, naquela altura, tinha possibilidades de fazê-lo. Por fim, seria um último bom momento antes de dar por encerrado o capítulo do Euro 2012.

Por isso fui. Apanhei o Metro até ao Marquês de Pombal e, de seguida, o autocarro 22 - isto deu-se, mais ou menos, uma ou duas semanas antes de abrir o Metro até ao aeroporto Cheguei deviam ser quatro e meia. Já havia gente fazendo a festa na zona das chegadas e câmaras televisivas testemunhando-a. Mantive-me longe das lentes delas, não estava com disposição. Cedo consegui fixar-me junto à rampa de saída, onde já estava montado um cordão policial. Aqui, conheci a Verónica e a Margarida, que me fizeram companhia durante as duas horas de espera. Durante esse intervalo de tempo que se ia esticando - nestas coisas há sempre atrasos - a multidão ia sempre ensaiando palavras de ordem e cantando o hino.


Eles finalmente chegaram eram cerca de seis e meia da tarde. Mais tarde, leria que os jogadores tinham sido apanhados de surpresa e, por acaso, foi o que pareceu. Eu estava numa posição privilegiada, em pude ver e ser vista pelos jogadores. E, mesmo assim, podia ter tido melhor sorte pois o Cristiano Ronaldo esteve a dar autógrafos a uns dois metros de mim. Em todo o caso, eu tinha um letreiro, uma folha arrancada de um caderno A4 onde tinha escrito algo como "Obrigado Portugal! Paulo Bento 4 Ever! Somos grandes graças a  vocês!". Acho que consegui fazer com que fosse lido pelo Eduardo, pelo Ricardo Costa, pelo Hélder Postiga - este chegou mesmo a olhar para mim quando o chamei. O Quaresma, que usava um boné todo quitado, chegou mesmo a piscar-me o olho. Entretanto, na confusão, o cordão policial tinha-se desfeito e consegui aproximar-me do Nani. Mas como este abraçava uma miudinha que devia ser irmã dele ou algo do género, não tive lada de ir incomodá-lo.


Depois daí para o exterior, juntamente com o resto da multidão, rodeando o autocarro. Aqui cantou-se o hino e gritou-se:

- O-BRI-GA-DO! O-BRI-GA-DO!

Foi, de facto, arrepiante. A multidão só se dispersou depois de o autocarro ter partido. Depois disso, fui tratar de arranjar transporte de regresso. A confusão era grande junto às paragens de autocarro, como seria de esperar. Lá pelo meio, consegui encontrar a Margarida - aquando da chegada dos jogadores, tínhamo-nos separado - e agradecer-lhes a companhia. Ainda cheguei a pôr a hipótese de apanhar um táxi mas, entretanto, veio o autocarro 22 e entrei. E ainda bem que o fiz.


O 22 estava cheio de gente tinha vindo receber a Seleção, pelo que passámos a viagem inteira até ao Marquês de Pombal trocando experiências com os Marmanjos no aeroporto, conversando sobre o Europeu e sobre a caminhada até ao Mundial, que se iniciaria em breve. Foi, de certa forma, a última grande conversa de café do Euro 2012 que, ainda por cima, terminou com o senhor que vinha a meu lado a beijar-me a mão em jeito de despedida.

Tal gesto foi-me tão valioso como cada um dos olhares trocados com os jogadores no aeroporto.

Esta pequena aventura ajudou-se a renovar a esperança num título para Portugal a curto ou médio prazo e a encerrar o capítulo do Euro 2012. Além de ter sido mais uma recordação agradável. Foi como quando fui receber a Seleção ao Jamor após o Mundial 2006.


Em suma, o Euro 2012 foi o melhor período deste ano que agora finda. Pelos motivos que enumero frequentemente e outros mais, que descobri ou de que me recordei. É uma emoção diferente ver um jogo de um Europeu ou de um Mundial, já que agrega todo o País, tal como já expliquei acima. Tenho saudades disso, de participar em inúmeras conversas de café e não só, armando-me em especialista na matéria, tão especialista que até fora convidada para a televisão; de ver o Paulo Bento no banco, dando instruções, atirando com o blazer e a gravata, envolvendo-se tanto que parecia querer entrar em campo e ele mesmo fazer o que era preciso; dos jogos às oito menos um quarto; de ver os jogos com a minha irmã, etc. De vez em quando, vou ver os tweets enviados durante os jogos e sou transportada para esse período. Entro de tal forma no espírito que, quando regresso ao presente, sinto-me deprimida, como se acordasse de um sonho bom.

Em agosto, tendo em conta o nosso percurso no Europeu, tinha esperança de que a Qualificação para o Campeonato do Mundo, a realizar-se no Brasil e 2014, corresse melhor que as Qualificações anteriores. Tal esperança sair-me-ia furada mais tarde, mas antes do início do Apuramento sentia-me otimista. Para isso, contribuíra a minha visita ao Jamor, acompanhada da minha irmã - visita que nos rendeu autógrafos do Eduardo, do João Pereira e do Rui Patrício - bem como o jogo com o Panamá - jogo que a Seleção ganhou por duas bolas a zero, cortesia de Nélson Oliveira e Cristiano Ronaldo, com uma exibição acima da média em jogos deste carácter. 


A Qualificação em si arrancou cerca de três semanas mais tarde com um jogo frente ao Luxemburgo. A Seleção obteve uma vitória cinzenta, absurdamente suada tendo encontra o nosso adversário. Chegou mesmo a estar a perder. Na altura, achei ridículo mas agora, depois dos últimos jogos... De qualquer forma, a Seleção conseguiu dar a volta ao resultado, com golos marcados pelo Cristiano Ronaldo e pelo Hélder Postiga amealhando, deste modo, os primeiros três pontos da Qualificação.

Um aparte só para comentar que, este ano, o Cristiano foi o melhor marcador da Seleção, com cinco golos. O segundo melhor foi o Hélder, com quatro. Em terceiro, ficou o Varela, com dois.


A Seleção entrou em campo com a sua congénere azeri quatro dias mais tarde com uma atitude diferente, mais desenvolta, mais enérgica mas... ainda sem pontaria. Ou melhor, com pontaria mas para o sítio errado. O poste foi um dos grandes protagonistas de 2012. O que nos valeu foi o facto de os azeris não terem sido capazes de se aproveitarem desta nossa fraqueza. Assim, teve de vir o Varela, já promovido a bombeiro da Seleção, salvar a honra ao convento e quebrar o enguiço, dando espaço a Postiga e a Bruno Alves para dilatarem a vantagem. 


No mês seguinte, a seleção jogou fora, com a Rússia. Fê-lo num clima frio, num relvado artificial, amputada de dois titulares  - Meireles e Coentrão. Um jogo difícil, em que a Turma das Quinas nem sequer jogou muito mal, embora não tenha conseguido evitar a derrota pela margem mínima. Apesar do desapontamento por não termos ganhou ou, pelo menos, empatado, não me preocupei por aí além. Afinal, aquele era o jogo mais difícil de todo o Apuramento. Os outros correriam melhor.


Enganava-me. Verdadeira deceção, verdadeiro balde de água fria foi o jogo seguinte, frente à Irlanda do Norte. Foi mais um daqueles jogos que tinha tudo para correr bem - comemoravam-se as cem internacionalizações de Cristiano Ronaldo, o Dragão estava cheio, Rui Reininho veio cantar o hino - mas que correu pessimamente. A primeira parte foi medíocre. O golo sofrido foi uma reposição do tento russo. A segunda parte correu um pouco melhor mas, mais uma vez, os Marmanjos acordaram demasiado tarde para conseguirem melhor que um empate.

Ainda houve mais um jogo da Equipa das Quinas este ano, um particular contra o Gabão no mês seguinte, mas um jogo de tal maneira e em tantos aspetos irrelevante que não vou gastar mais linhas com ele.


É basicamente isto. Sinto-me algo desanimada. Nos últimos dois anos, por esta altura, a Seleção atravessava bons momentos e eu sentia-me otimista relativamente ao ano que começaria em breve. Agora... nem por isso. O ano nem sempre foi fácil para mim, muitos pensamentos heréticos, crises existenciais, desânimo relativamente ao futuro. Os últimos jogos da Seleção não me fazem sentir melhor e, neste momento, na reta final do ano, muitos dos nossos jogadores andam, igualmente, a passar por dificuldades nos respetivos clubes. O Nani está lesionado e não é desejado no Manchester United. O Fábio Coentrão também anda lesionado e ainda não se percebe se se encaixa no Real Madrid. Além de que, segundo consta, o ambiente não está fácil no clube madrileno, o que certamente afetará Pepe e Cristiano Ronaldo. Também o Quaresma andou ao longo de meses em guerra com o Besiktas e, agora, está sem clube. O Meireles, esse, teve uma disputa com um árbitro, arriscou-se a ficar de fora de onze jogos mas, felizmente, ficará apenas fora de quatro. E nem falo do Sporting e no efeito que tal crise não estará a ter em Rui Patrício e outros jogadores selecionáveis...

Não sei qual será o efeito destas crises individuais no rendimento da Seleção como coletivo. Se o desempenho cairá por os Marmanjos não andarem a jogar com a devida regularidade ou se, pelo contrário, eles recorrerão à Terapia das Quinas, se encararão uma Convocatória como um escape à situação nos clubes e, consequentemente, jogarem ainda melhor.


Em suma, estamos todos a precisar de uma viragem de maré no ano que começa em breve. Já ajudava se fosse apenas em termos futebolísticos, se relançasse a Seleção no caminho até ao Brasil. Já perdemos todos os pontos que podia perder, não quero escorregadelas em 2013. Até porque tenciono assistir ao jogo com a Rússia, na Luz, e quero que a Seleção esteja num bom momento nessa altura. Será esse um dos meus desejos para 2013: que seja um ano mais tranquilo que 2012, que a Equipa de Todos Nós consiga ultrapassar esta fase má e que nos volte a dar alegrias.

Acredito que o conseguirá. Se houve coisa que aprendi em todos estes anos como adepta hardcore da Turma das Quinas é que nenhuma manifestação de fé, de apoio, é tempo perdido, mesmo em fases menos boas, como esta. Porque, mais cedo ou mais tarde, a Seleção levanta-se e recompensa-o. Pode nem sempre ser fácil ser-se adepto incondicional mas vale a pena. 

De uma coisa podem, contudo, ter a certeza: no próximo ano, continuarei a acompanhar tudo o que acontecer relacionado com a Seleção, seja bom ou mau, quer com o blogue ou com a página do Facebook. Desafio-vos, então, a continuarem a aturar-me ao longo do próximo ano, enquanto observamos a Seleção abrindo caminho até ao Brasil. As coisas não estão fáceis mas, com sorte, daqui a um ano estaremos a debater as nossas hipóteses na fase final do Campeonato do Mundo de 2014. É esse um dos meus maiores desejos para 2013.

Feliz Ano Novo!
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