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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Traiçoeiro

Na passada sexta-feira, dia 6 de dezembro, as 32 seleções que se Qualificaram para a fase de grupos do Campeonato do Mundo, que se realizará no próximo ano, no Brasil, ficaram a conhecer os seus destinos no que toca à distribuição pelos grupos da primeira fase do campeonato. Portugal ficou colocado no grupo G, juntamente com a Alemanha, os Estados Unidos e o Gana.

Eu queria acompanhar o sorteio como deve ser: pela televisão, com o computador ao colo ligado à Internet, mas não deu. Talvez até tenha sido pelo melhor pois o sorteio propriamente dito só começou uma hora após o início da cerimónia. Até lá, deve ter sido só cantoria e dançarico - já tinha tido a minha dose disso durante o sorteio do Euro 2012. Em vez disso, acompanhei-a pela rádio, quando vinha no carro. Estacionei junto ao meu prédio ainda decorria o sorteio. Não quis perder pitada, por isso, fiquei dentro do carro ouvindo o relato, só no fim fui para casa.

Portugal foi a penúltima equipa a ser colocada. Como os locutores da rádio comentaram, até aqui é sofrer até ao fim... Eles iam dizendo coisas do género: "Ai e tal, este grupo E, com as Honduras e a Suíça, era simpático", afirmações que me irritavam. Depois de nos termos visto aflitos para ficar em segundo lugar neste grupo de Qualificação aparentemente acessível, eu não queria um grupo fácil. 

Quis a sorte que ficássemos no grupo G.


A minha primeira reação foi de satisfação por não termos calhado num grupo demasiado "fácil". Nesse aspeto, o grupo G é o ideal pois não é nem demasiado acessível, nem demasiado difícil. Isto na teoria, claro. Na prática, pode tornar-se traiçoeiro.

Comecemos pela Alemanha, com quem nos estreamos no Mundial, dia 16 de junho, segunda-feira, às cinco da tarde, hora portuguesa. Esta seleção é uma velha conhecida nossa, com quem nos estreámos, igualmente, no Euro 2012. Apesar do seu poderio, nós fomos capazes de fazer-lhe frente, se não tivéssemos sido demasiado cautelosos com eles, se tivéssemos tido um bocadinho mais de sorte, podíamos, pelo menos, ter empatado. O pior é que suspeito que eles, em junho, estarão melhores: tiveram duas equipas na última final da Champions, equipa essas que em muito contribuem para a seleção. Destaque para o campeão europeu Bayern de Munique. Que, ainda por cima, está a ser treinado por Pep Guardiola, o grande difusor do tiki-taka. Isto para não falar de Özil, que hoje é o órgão propulsor do Arsenal.

Ainda a fazer figas para que, quando jogar com Portugal, Özil entre em modo Real Madrid e faça assistências para Ronaldo marcar na baliza alemã....


Considero, mesmo, que a Alemanha é a grande candidata a vencer o Mundial, mais ainda do que a Espanha. Só mesmo o Brasil, com Scolari e o fator casa, poderão, eventualmente, igualá-los. Como poderão calcular, é extremamente difícil uma equipa caprichosa como Portugal vencer os altamente organizados alemães.

Nessa linha, calha bem o nosso primeiro jogo ser contra eles. Porque assim entraremos em campo contra os Estados Unidos e o Gana obrigados a ganhar - e Portugal dá-se bem nessas circunstâncias. Se fosse ao contrário, era provável que os portugueses se desleixassem perante as equipas "menores e, depois, entrassem em campo com a Alemanha com a corda ao pescoço.

Há dois anos, fiquei apreensiva com os resultados do sorteio dos grupos do Euro 2012. Contudo, hoje vejo que esse grupo tinha uma vantagem: era previsível. Conhecíamos bem os nossos adversários, sabíamos o que esperar deles: dificuldades. Tal não acontece neste grupo, sobretudo no que toca aos Estados Unidos e ao Gana.


O jogo com os americanos realizar-se-à no dia 22, domingo, às onze da noite. Infelizmente, ainda me lembro da última vez que jogámos contra os Estados Unidos: tinha eu doze anos e começava a interessar-me a sério por futebol. Lembro-me da vergonha que foi sofrermos três golos durante a primeira meia hora do jogo, mais coisa menos coisa. Todo esse Mundial foi uma humilhação, de resto, tirando o jogo com a Polónia. O jogo com os Estados Unidos nem foi o pior. Segundo o que li e ouvi recentemente, passados estes anos todos, parece que tudo aquilo foi uma palhaçada, desde mesmo antes do Anúncio dos Convocados. Não faço particular questão de saber pormenores - já tive a minha dose com o caso Queiroz. 

Um aparte, aliás, para referir que fiquei satisfeita por termos evitado o Irão na fase de grupos. Não queria ter de levar com mais provocações por parte do nosso ex-selecionador - que desprezo mais do que Joseph Blatter ou Michel Platini. A Argentina que trate dele.

O selecionador da América é alemão, chegou mesmo a ser selecionador da Alemanha entre 2004 e 2006. O atual selecionador da Alemanha, Joachim Löw, chegou a ser seu adjunto. Jurgen Klinsmann terá, segundo consta, um estilo semelhante ao de Löw mas pior matéria-prima. Em princípio, os Estados Unidos estarão ao nosso alcance mas, conforme o jogo de 2002 provou, não é sensato subestimá-los. Pela parte que me toca, não quero de todo perder perante a seleção de um dos poucos países do Mundo para quem o futebol é um desporto secundário.

O Gana é, para nós, a grande incógnita deste grupo. Jogaremos pela primeira vez contra eles no dia 26, quinta-feira, às cinco da tarde de cá. Dizem que é das melhores seleções africanas mas isso não quer dizer nada, também diziam o mesmo da Costa do Marfim. Mais relevante é o facto de terem chegado aos quartos-de-final do Mundial 2010, tendo ficado perto de se tornarem a primeira equipa africana a chegar às meias-finais de um Mundial. Também joga contra nós o facto de, por serem uma equipa africana, estarem mais habituados ao clima tropical, quente e húmido, que encontraremos no Brasil.

 

Um dos aspetos curiosos em relação a este grupo é o facto de existirem laços inesperados entre as seleções. Já referi, acima, o caso dos selecionadores da Alemanha e dos Estados Unidos. Consta também que haverá um encontro de irmãos no jogo entre o Gana e a Alemanha já que Kevin Boateng joga na seleção ganesa e o irmão, Jérôme, joga na seleção alemã - nunca tinha ouvido falar de uma situação desse género, de irmãos em seleções diferentes. 

Se formos a ver, connosco a termos dois selecionadores liderando equipas alheias neste campeonato, o Fernando Santos, este Mundial começa a assemelhar-se a um torneiozinho de aldeia, em que todos os participantes são amigos, familiares, ou conhecidos. A tal Aldeia Global.

Em todo o caso, não é a primeira vez que os nossos companheiros de grupo lidam com estes laços já que os três também partilharam um grupo em 2010. O que também constitui uma desvantagem para nós pois eles têm a experiência desses jogos. Nós não.

Existem outras agravantes no que toca a este Mundial, começando pelas longas viagens a que obrigará, bem como ao clima. Tem-se falado da localização do quartel-general da Turma das Quinas em Terras de Vera Cruz. Eu queria também saber onde é que a Seleção estagiará cá em Portugal, durante o mês de maio. Não me ocorre nenhum local no nosso país capaz de mimetizar o calor e a humidade do norte brasileiro. Talvez fosse melhor os portugueses irem mais cedo do que o habitual para o Brasil, de modo a habituarem-se o mais depressa possível ao clima e fuso horário - embora me doa que eles se afastem tão cedo do calor humano dos adeptos portugueses.


Existe, também a questão das horas dos jogos. Dois deles realizar-se-ão durante a semana, às cinco da tarde. O único que decorrerá à noite - e mesmo assim às onze, definitivamente não das mais convenientes - será num domingo. Não sei se vou poder ver os jogos pois, provavelmente, estarei a estagiar. Dependerá do que terei de fazer mas pode dar-se o caso de não poder, sequer, ouvir o relato pela rádio, como faria se estivesse em aulas. Enfim, que remédio. De resto, à hora do jogo, o movimento deve ser reduzido, é pouco provável que faça algo que não permita distrações. 

Todos concordam que, caso os Marmanjos estejam com a cabeça no lugar certo - o que é sempre a maior variável - este grupo está ao nosso alcance. Posteriormente, nos oitavos-de-final - o mínimo definido por Paulo Bento - encontraremos uma seleção do grupo H - que, em princípio, não nos colocarão grandes problemas. Nos quartos-de-final é que poderemos cruzar-nos com a Argentina ou a França. Aí não haverá maneira de prever o desfecho. No entanto, caso cheguemos a essa fase, estaremos certamente de olhos no título, logo, teremos de ser capazes de vencer qualquer equipa.


Tal como tem acontecido ao longo da última década, ou mais, há quem nos coloque entre os candidatos ao título. No entanto, apesar do nosso permanente estatuto de favoritos, nunca ganhámos nada. E, francamente, está na altura de mudarmos isso. Duvido que voltemos a ter melhor oportunidade - dificilmente Ronaldo estará a este nível daqui a dois anos. Não digo isto porque ache que ele é que faz tudo na Seleção. Digo isto porque sonho com vê-lo erguendo a Taça há nove anos. Também me refiro à equipa atual, que pode não ser grande coisa em termos de individualidades mas que, quando está para aí virada, nos momentos decisivos funciona, supera-se. Uma característica que, pelo menos no Euro 2012, foi suficiente para fazermos uma prestação que nos encheu de orgulho. É claro que existem coisas que precisam de ser corrigidas na seleção atual mas será para isso que teremos aquelas semanas de estágio - entre outras coisas. Por estas e por outras, acredito, se não na conquista do título, pelo menos numa boa prestação. Agora, que venha o Mundial!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Irlanda do Norte 2 Portugal 4 - Uma epopeia com contornos dantescos

Na passada sexta-feira, 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol disputou, no Estádio Windsor Park, em Belfast, na Irlanda do Norte, frente à seleção da casa, o seu antepenúltimo jogo da Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar no Brasil, no próximo ano. Tal embate terminou com uma vitória por 4-2 para as cores portuguesas.

Foi um dos jogos mais estranhos, mais loucos, mais bipolares a que assisti. Fez com que o jogo com a Dinamarca, no ano passado, quase tenha parecido um piquenique. Não estava à espera, ninguém estava à espera, penso eu.

Assisti à primeira parte do jogo com o meu pai e a minha irmã. À segunda parte, assisti sozinha. Contudo, ao longo dos noventa minutos, estive sempre acompanhada pelo estádio do Twitter. O hino foi um momento mais engraçado do que o correto, visto que conseguíamos ouvir os jogadores cantando desafinadamente e um verso adiantados em relação à música. Sei que não é, de todo, patriótico rirmo-nos durante o hino mas não resisti...

Cedo ficou claro, pela maneira titubeante como Portugal entrou, que o jogo não ia ser fácil, que, mais uma vez, nos reclamaria anos de vida. Cheguei mesmo a dar com um tweet que previa um jogo muito físico, que não acabaria sem um cartão vermelho. Não nos enganámos mas, lá está, nem eu nem, provavelmente, o autor deste tweet imaginávamos que seria até esta escala. Também se viu cedo que este era, como diziam os comentadores, um "árbitro emocional" - prefiro, no entanto, o termo escolhido pelo Record: histérico - pela maneira como, cedo, o Pepe viu o amarelo. Os portugueses tinham a obrigação de ter percebido logo a aí o que a casa gastava. Mas já lá vamos.



O golo português, marcado na sequência de um canto, surgiu sem que, propriamente, o merecêssemos mas já estivemos demasiadas vezes na posição contrária. Foi, de resto, um belo remate de futevólei do defesa que, assim, se consolidava como o segundo melhor marcador português da Qualificação (isto é, antes de o Ronaldo se ter endiabrado na segunda parte).

- Bolas paradas é com o Bruno Alves! - disse a minha irmã.

Apesar de parte de mim saber que os irlandeses não desistiriam assim tão facilmente, tive esperanças de que o jogo se tornasse mais fácil. Não se tornou. Estava apenas a começar. Não passou muito tempo antes de sofremos um golo, também de canto. Em jeito de recordação de que o encontro não estava destinado a ser pacífico.

Mesmo depois de reposta a igualdade, achei que ainda existiam boas hipóteses de ganharmos. Os Marmanjos não estavam a jogar nada de jeito mas já se falava da entrada de um Nani decidido a reconquistar a titularidade, cuja garra nos poderia ajudar. Continuava por isso razoavelmente confiante.

Até Hélder Postiga me trocar as voltas.


Nesta altura, já devem estar fartos de saber o quanto gosto do Postiga. Não vos será, portanto, difícil de imaginar como fiquei quando ele foi expulso. Nem parece dele. Nem sequer me lembro de ele alguma vez ter visto um amarelo enquanto representava a Seleção. O árbitro exagerou, é claro, aquele "encosto" merecia, no máximo, amarelo mas, tal como disse atrás, o árbitro já tinha mostrado ter critérios peculiares. E aquele gesto do ponta-de-lança foi perfeitamente desnecessário. Naquele momento, pensei mesmo que o Hélder, passe a expressão, nos tinha lixado a todos, que tinha dado cabo daquele jogo e, talvez, de todo o Apuramento - até porque, com este cartão, ele excluiu-se do igualmente difícil jogo com Israel. Jogo a que, ainda por cima, devo ir assistir ao vivo mas em que já sei que não verei um dos meus jogadores preferidos. Tudo por causa de uma infantilidade. Porquê, Hélder, porquê????

Durante o intervalo, preparei-me o melhor possível para uma segunda parte tão agonizante, tão dantesca como a primeira. O segundo golo dos irlandeses não me surpreendeu mas minou-me a confiança, que já não era muita. Eu pensava que tínhamos ultrapassado essa fase má da Seleção, pensava que já se tinha dado a viragem. Pensava que já não íamos perder mais pontos, que não íamos comprometer de novo. Mas naquele momento pensei que me tinha enganado. O facto de o irlandês estar em posição irregular não ajudou em nada, antes pelo contrário. Desta vez não podia culpar os jogadores, tirando Postiga, já que estes estavam a esforçar-se, não tinham culpa de que o árbitro estivesse a protagonizar demasiado naquele jogo. Mas lá ia mantendo os dedos cruzados, lá ia esperando um milagre ou, pelo menos, um empate.

O milagre acabou, de certa forma, por vir aos poucos, começando com a expulsão de Brunt. Tal repôs a igualdade no número de jogadores, deixou menos irlandeses disponíveis para marcar Ronaldo, devolveu-nos alguma esperança.


Esperança, essa, que se confirmou com o primeiro golo de Cristiano Ronaldo. Tento esse que foi celebrado com fúria, com um brado raivoso de:

- Tomem! Vão p'ró c******!

Não foram definitivamente os festejos mais bonitos mas eu não estou em posição de criticá-lo. Também eu expurguei as frustrações daquele embate praguejando no Twitter - algo que não costumo fazer. Depois, fiquei a tremer com as emoções. Não estava a ser um jogo fácil para ninguém.

Felizmente estava a tornar-se mais fácil, sobretudo depois da expulsão do segundo irlandês. Estavam poucos portugueses na assistência, comparados com os barulhentos irlandeses, mas, de vez em quando, iam conseguindo fazer-se ouvir. Nesta altura iam gritando:

- SÓ MAIS UM! SÓ MAIS UM!

E Ronaldo correspondeu ao pedido com mais um golo.

- Até a chuva parou com o regresso de Portugal à vantagem - chegou a dizer um dos comentadores. Liderando a revolta portuguesa, Ronaldo fizera a reviravolta, o milagre, parecerem fáceis. Mas também, o madeirense tem qualquer coisa de sobrenatural, por isso, não é de estranhar.


Ainda houve tempo para ele marcar o seu terceiro golo, de livre direto. Aí é que fiquei completamente rendida a Ronaldo, ficámos todos. Ele que marcava o seu primeiro hat-trick com a Camisola das Quinas, que ultrapassava o recorde de Eusébio - cuja reação, devo dizer, me deixou triste. Esperava um pouco mais de humildade dele. Ainda me lembro do tempo em que a ideia de que alguém poderia ultrapassar o Rei parecia heresia mas agora já dois o ultrapassaram... E, embora todos saibamos que o Eusébio e o Pedro Pauleta nunca serão apagados da História, em breve, o Cristiano ultrapassará o recorde do açoriano, consolidando-se como o melhor futebolista português de todos os tempos.

E eu só penso na sorte que tenho por, na minha curta vida, ter podido ver tantas lendas portuguesas em ação.

Gostei quando, na flash-interview, o Hugo Gilberto disse:

- Aposto que o Cristiano não se importará se eu lhe chamar CR3.

Também me deu gozo a maneira como este hat-trick de Ronaldo calou os adeptos irlandeses, que passaram uma boa parte do jogo a chamar por Messi e, segundo o que li no Twiter, a cantar que Ronaldo não passava de um Gareth Bale baratucho. Eu, já nos primeiros minutos do jogo, twittei que os irlandeses deviam perguntar aos malteses, aos bósnios e aos croatas o que tinha acontecido quando eles gritaram por Messi. Eu sabia, de certa forma, que isto ia acontecer - mas, obviamente, não a este nível.



Não sei mesmo descrever o jogo, de tão atípico que foi. Tal como li noutro blogue, tal como a segunda mão do playoff de 2011, acabou por ser um jogo-resumo da Qualificação até agora: jogos inesperadamente difíceis, jogadores boicotando-se a si mesmos e, no momento em que tudo parece perdido, os Marmanjos lá arranjam forças, não se sabe bem onde, para se superarem, para se salvarem. No caso deste jogo, fizeram-no de uma forma inesperadamente grandiosa. Em, suma foi um encontro que chegou a ser dantesco mas que, no fim, se revelou uma autêntica epopeia.

Nesse aspeto, dá imenso jeito ter um jogador como Cristiano Ronaldo, capaz de, um momento para o outro, se endiabrar e reescrever a história de todo um jogo praticamente sozinho. Detesto a ideia, muito vendida por estes dias, de que a Seleção é "Ronaldo mais dez" ms tenho de admitir que, pelo menos naquela noite, ele foi crucial. Mais do que o Homem do Jogo, ele foi o Herói do Jogo. Conforme Bruno Alves afirmou, na flash-interview: "Foi um jogo difícil mas é nos jogos difíceis que se veem os grandes jogadores."


No entanto, ao contrário do que uma boa parte da Comunicação Social tem feito até agora, não ignoro o resto da equipa. Conforme, mais uma vez, o "sábio" Bruno Alves afirmou, "esta vitória é de todos os que cá estiveram, mesmo os que ficaram de fora. Estamos sempre juntos na vitória ou na derrota." Este foi mais um jogo em que a união e o espírito guerreiro intervieram quando as pernas ou a cabeça (sim, estou a falar de ti, Postiga!) faltaram. Mais um jogo em que se provou que vale a pena acreditar até ao último minuto do último jogo, mesmo quando já não parece possível, porque a Seleção, mais cedo ou mais tarde, dá a volta ao texto.

Mas, por amor de Deus, só espero que não se voltem a enfiar num buraco como aquele tão cedo! É que os nossos corações não dão para anto! Que tenha servido de lição.


Entretanto, temos ainda o jogo com o Brasil. Fiquei triste por saber que o Cristiano não foi com eles para Boston, embora compreenda os motivos. Mas tenho pena, mais do que por não poder ver o duelo Ronaldo versus Neymar, por não ver o reencontro com Scolari. Contudo, ainda temos vários jogadores "sobreviventes" da era dele, o Carlos Godinho, o próprio Paulo Bento que é amigo de Felipão. Além disso, com um bocadinho de sorte, talvez Ronaldo e Scolari se possam reencontrar durante o Mundial.

Já decidi que, definitivamente, não me vou ralar demasiado com o resultado deste jogo. Depois de sexta-feira, preciso de poupar o meu sistema cardiovascular. O jogo será às duas da manhã de cá... Para mim não é problema - neste momento, são duas da manhã, faltam vinte e quatro horas para o início do jogo, e estou aqui, a acabar esta entrada. O pior é que, aquando do Mundial, os jogos devem ser todos a horas inconvenientes, como estas. Nessa altura será mais complicado pois, provavelmente, terei de me levantar cedo.

Contudo, antes de pensarmos nisso, temos de Qualificar-nos. Ainda nos faltam dois jogos, um dos quais será, certamente, tão difícil como este, com a Irlanda do Norte, foi. Talvez ainda mais. Espero que o particular com o Brasil, para além se ser uma festa do futebol, nos ajude a preparamo-nos para as duas finais que faltam deste Apuramento. Para podermos dizer aos nossos irmãos para guardarem umas caipirinhas para saborearmos enquanto estivermos no Brasil, durante o Campeonato do Mundo. 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Terapia das Quinas

Nos últimos dois dias, Cristiano Ronaldo tem sido protagonista de muitas capas de jornais, muitas notícias, muitas declarações, enfim, de toda uma polémica, daquelas bem sumarentas. Tudo isto consequência de umas declarações, após um desafio da Liga Espanhola que opôs o Real Madrid ao Granada, nas quais o jogador afirmou estar "triste".

De repente, transformámo-nos todos em psicólogos, tentando diagnosticar as causas desta tristeza do madeirense. Junto-me, por este meio, a essa onda. Analisemos então este assunto que, suspeito, tão cedo não sairá dos destaques do mundo desportivo.

Eu e a minha irmã, por acaso, assistimos a parte do tal jogo em que Ronaldo bisou mas não festejou. Por acaso, foi na altura em que publicava a entrada anterior do blogue, logo, não estava a prestar muita atenção. A minha irmã é que me disse que, depois de o madeirense ser substituído, parecia estar quase a chorar.

Tal situação recordou-me as lágrimas do Cristiano no Portugal-Holanda do Mundial 2006 aquando, igualmente, de uma lesão. Mostrei o vídeo desse momento à minha irmã e mostro igualmente aqui. Expliquei-lhe que as lágrimas se deviam, pura e simplesmente, a não poder jogar. Mas já volto a esse assunto.


Ainda antes de sabermos das declarações de Ronaldo, já nessa noite a minha mãe comentou que ele, de facto, parecia triste. No entanto, não deixei de ser apanhada de surpresa quando, na manhã seguinte, a minha irmã me disse que o Cristiano queria sair do Real Madrid.

Não demorei muito a ficar a par do que se passava realmente: o Ronaldo não dissera que queria sair do Real Madrid, apenas dissera estar triste. Desde essa altura, tenho, à semelhança de muita gente, interrogado-me sobre os motivos desta infelicidade do Cristiano.

Uma das hipóteses é tudo isto ser, pura e simplesmente, uma birra, um amuo, uma chamada de atenção. A minha irmã chegou mesmo a alegar que ele está "naquela altura do mês" - neste momento, é a piada preferida dela. Sei por experiência própria que essa altura é complicada, de facto, mas tenho um feeling de que não é disso que se trata.

Outra hipótese era um possível desentendimento com Mourinho e/ou com colegas de equipa. Contudo, esta foi depressa posta de parte pois Mourinho mostrou-se surpreendido com estas delcarações do madeirense. Além disso, já vários jogadores merengues vieram manifestar solidariedade para com o colega. Mesmo que estes últimos nada tivessem dito, o Cristiano não parece ser do género de ter zangas com companheiros de balneário, antes pelo contrário.


Há quem diga que ele está de mau humor por não ter ganho o prémio FIFA de Melhor Jogador do Ano. O Cristiano desmentiu logo esta teoria e, mesmo que não o tivesse feito, também não ia nessa. Não foi a primeira vez que o madeirense perdeu um prémio destes para outro jogador, ele deve saber lidar com isso. Se não sabe, já devia ter aprendido há muito tempo.

Uma das hipóteses mais faladas era isto ser uma tentativa de cravar um aumento. Muito se tem falado do Imposto Beckham ou lá o que é. Como seria de esperar, já li algumas opiniões ressentidas - eufemismo! - as redes sociais a propósito desta hipótese. A mim, custava-me a acreditar. Ele já é um dos jogadores mais bem pagos do Planeta, por amor de Deus! Será assim tão essencial receber ainda mais uns milhões? Será que estaria como o outro, será que o seu atual ordenado não lhe chega para as despesas? Não acreditava nisso, não queria acreditar nisso. A ser verdade, se ele tivesse criado toda esta confusão, perturbando o estágio da Equipa das Quinas, por dinheiro, o Cristiano desceria consideravelmente na minha consideração.

Como tal, fiquei satisfeita com a sua publicação no Facebook na qual afirmava que aquilo não tinha a ver com o dinheiro e exprimia a sua dedicação ao Real Madrid.

A hipótese que me parece mais provável é de que Ronaldo não se sente devidamente apoiado pelos dirigentes do seu clube. Ouvi mesmo um par de jornalistas espanhóis afirmarem que isto se trata, não de um desabafo espontâneo ma sim de algo ponderado, de um último recurso, de modo a que o clube o oiça.

Enfim, isto sou eu, somos todos nós a especular. Nenhum de nós sabe a verdade. Em todo o caso, o Cristiano deu a entender que tenciona explicar tudo isto, eventualmente.


Tenho acompanhado a carreira de Cristiano Ronaldo desde os seus tempos no Sporting, ou seja, há cerca de dez anos. Ele tem os seus defeitos, muitas vezes toma atitudes que não compreendo e/ou não aprovo. No entanto, existe muito nele que eu admiro. Ele agora é uma superestrela milionária mas foi ele mesmo que o construiu de raiz. Em criança, não tinha onde cair morto. Aos onze anos, veio sozinho para o continente, deixando a família para trás. Ao longo de anos, fez horas extraordinárias nos treinos, querendo sempre tornar-se ainda melhor do que já era. Orgulhamo-nos do facto de ele ser português mas, na verdade, Ronaldo pouco tem a ver com a mentalidade do nosso País - preguiçoso, invejoso, lamuriento, culpando todos menos ele próprio. O Cristiano nada tem a ver com isto, é um lutador, sempre o foi, se mais portugueses fossem como ele talvez não estivéssemos onde estamos agora.

Claro que ajuda sempre o facto de ele fazer o que gosta - nem todos têm esse privilégio. É outra coisa que admiro nele: a sua paixão, o facto de ele gostar de jogar futebol por jogar. Foi isso que disse à minha irmã quando ela estranhou o facto de o Cristiano ter chorado no jogo com a Holanda quando Portugal até estava a ganhar.

É por estas e por outras que Cristiano Ronaldo, para mim, é e sempre será, até mesmo depois de se retirar do futebol, o Melhor do Mundo. Como já disse em cima, mesmo que não goste de tudo o que ele faz - ainda não sei se inclua esta polémica na lista - apoiá-lo-ei sempre. Existem muitos miúdos a idolatrá-lo, a quererem ser como ele, a serem grandes jogadores de futebol como ele. Eu, contudo, aconselhar-lhos-ia a serem como ele, não no sentido futebolístico, mas no sentido de serem trabalhadores, lutadores, no que toca  aos seus próprios sonhos, às suas próprias paixões, estejam estas relacionadas com o desporto, a música ou a Medicina. 



No que toca a esta questão em específico, quer isto se trate de coisa de puto mimado ou de algo a sério, se pudesse dar um conselho ao Cristiano, dir-lhe-ia para fazer como eu: para procurar consolo na Seleção, a seguir a Terapia das Quinas. Não será muito difícil, com o bom ambiente que, ao que parece, já é característico da Equipa de Todos Nós. Dir-lhe-ia também para se vingar dando o seu melhor nos treinos e em campo, quer no Real, quer na Turma das Quinas. Tendo em conta a dedicação de Ronaldo ao seu clube, estou certa que cedo arranjará uma maneira de resolver esta situação. Para já, espero que dê uma alegria, por pequena que seja, tanto a si como a todos os portugueses, ao ajudar a Seleção Nacional a levar de vencida os dois primeiros jogos da Qualificação para o Mundial do Brasil.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Polónia 0 Portugal 0 - Um trailer mal amanhado

Anteontem, a cem dias do início da fase final do Campeonato Europeu de Seleções, que se realizará na Polónia
e na Ucrânia, a Seleção Portuguesa de Futebol efetuou o seu primeiro jogo do ano de 2012. Tratou-se de um embate de caráter particular, que opôs Portugal à Polónia, precisamente uma das anfitriãs do Euro 2012, que serviu também para inaugurar o novíssimo Estádio Nacional de Varsóvia. Tal encontrou terminou com o marcador por abrir.

Não há muito a dizer sobre este jogo, pelo menos, não há muito que não tenha já sido dito. O encontro assemelhou-se a tantos outros particulares da Seleção Nacional. O guião-base é sempre o mesmo, com uma outra variação, alguma rotatividade nos atores principais, secundários e figurantes, no cenário. Na primeira parte, como jogam os habituais titulares, há futebol de qualidade. Na segunda parte, com as substituições, o rendimento cai.

Especificando para este jogo, o Nani, com a garra que o caracteriza, foi um dos que mais perigo levou à baliza polaca. Também Ronaldo e Hugo Almeida deram o seu contributo, se bem que com um pouco mais de discrição.

Na segunda parte, com as substituições, a equipa perdeu ritmo, entrou em modo de gestão de esforço. Neste segundo ato, o protagonista foi Rui Patrício. Não fosse o jovem guarda-redes do Sporting e alguma pitosguice por parte dos polacos e o filme podia ter acabado mal para o nosso lado. Há quem diga que, depois de tantas vezes nos ter salvado o couro, ontem e não só, este já se tornou o titular indiscutível da baliza. Mas estou agora a pensar que o Marmanjo é pequeno e magro, pelo menos quando comparado com os brutamontes alemãs, à frente dos quais nos vamos estrear no Euro 2012. Nesse aspeto, talvez o corpulento Eduardo fosse mais aconselhável. Contudo, os jogadores não se medem aos palmos, caberá a Paulo Bento decidir qual deles entrará em campo dia 9 de junho.

Depois de uns bons primeiros quarenta e cinco minutos e de uns entediantes segundos quarenta e cinco minutos, o jogo acabou com o marcador por abrir. Já que não serviu para dar alegrias, por pequenas que fossem, a ninguém, espero que o particular tenha servido para Paulo Bento tirar conclusões. De resto, pouquíssimas pessoas levaram este jogo a sério. A maior parte do pessoal está mais preocupado com o clássico de logo à noite, para eles este particular pouco mais foi que um espinho na carne.

Por meu lado, estou-me completamente nas tintas para o jogo desta noite. Não em jeito de retribuição, de birra, por, na minha opinião, não terem dado à Equipa, que devia ser de todos nós, o tempo de antena que merecia. Apenas me é indiferente quem ganha ou deixa de ganhar a I Liga. Há anos que é assim.

Devo ser das poucas pessoas que ficou verdadeiramente desiludida com o resultado do jogo. Mais do que com a exibição. Como já disse antes, não se poderia esperar muito mais de um jogo deste caráter Mas eu esperava um pouco mais, mesmo assim. Esperava uma vitória. Mesmo que tivesse sido pela margem mínima, mesmo que não o merecêssemos. Já me contentaria com um empate com o marcador aberto... Esperava gritar "GOLO!" pela primeira vez este ano. Agora vou ter de esperar pelo menos três meses até ter a oportunidade de celebrar um golo.

Rui Patrício afirmou que, em maio, estaremos melhor, que "vamos ter tempo para trabalharmos todos juntos (...) por forma a que nos possamos apresentar, posteriormente, nas melhores condições para fazermos um bom Campeonato da Europa". Ele não foi o único a antecipar esse período. Também Paulo Bento e Cristiano Ronaldo o fizeram, com um pedido curioso:  "Aquilo que espero é que as pessoas possam vir ao estádio apoiar a Seleção, ter as bandeiras nas janelas das casas como em 2004 e de ouvir cânticos para a Seleção, por que isso faz a diferença para os jogadores e só se nota nos clubes", desabafou o madeirense. "Era uma maneira saudável e positiva de ajudar." "Que no Euro 2012 o País cante pela Seleção e que os jogadores o sintam", desejou Paulo Bento.

Fica a dica. Se tivesse jeito para isso, talvez eu mesma compusesse um tema para a Turma das Quinas, mas não tenho... De qualquer forma, certamente alguém pegará na ideia.

Em relação às bandeiras, eu já ia pendurar a minha de qualquer forma, sem que mo pedissem, mas sei que nem toda a gente é assim. Pode ser que, com o Ronaldo a pedir, se recrie o cenário do Euro 2004.

Agora tenho mais dois motivos para ansiar por maio. Como se precisasse deles... Já ando há algum tempo a pensar nessas gloriosas semanas. Tenho anotado ideias para entradas a publicar nessa altura. Já sei onde existe uma televisão caso esteja na Faculdade na altura de um jogo. Tenho planeado eventuais visitas ao Jamor (isto se a Seleção fizer algum treino lá, algo que acho pouco provável...).

Estes últimos dias, este jogo, não passaram de um cheirinho demasiado ténue, de uma amostra pouco representativa, de um trailer mal amanhado. Em maio e em junho tudo será diferente. A Seleção constituirá o elenco principal, com todas as câmaras para eles apontadas, os clubes serão meros figurantes. Haverá tempo para afinar as armas, prepararmo-nos para os grandes combates. Os níveis motivacionais serão outros - ninguém andará a guardar-se para o clássico. Não, depois da Convocatória Final, a 18 de maio, tudo será diferente. Faltam exatamente onze semanas para a divulgação dos resultados do casting, oitenta dias para o início das filmagens, noventa e nove dias para a grande estreia. Não posso prometer que o filme ganhe o Óscar, mas nada nos impedirá de aproveitar a jornada. Que, por muitas razões, incluindo os apelos do Selecionador e do Capitão, promete ficar na memória.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Um cheirinho de maio e junho

Primeira entrada do ano. Um feliz 2012 a todos os leitores. Visto que este ano se realiza do Campeonato Europeu de Seleções, esta será certamente a primeira de muitas entradas este ano.

Mais de cem dias após garantirmos um lugar na fase final do Europeu de 2012, que se realiza em junho na Polónia e na Ucrânia, Paulo Bento anunciou ontem, sexta-feira 24 de fevereiro, os Convocados para o jogo de preparação para tal campeonato. Este amigável opor-nos-à à Polónia, precisamente uma das anfitriãs do Euro 2012 e servirá para inaugurar o Estádio Nacional, em Varsóvia.

A maior novidade desta Convocatória chama-se Nélson Oliveira. O jogador de apenas vinte anos de idade foi uma das estrelas da campanha da Seleção Nacional de Sub-20 no Campeonato do Mundo que se realizou no verão passado. Paulo Bento justificou tal chamada afirmando que Nélson "é um futebolista com potencial e grande qualidade" e que "possui características diferentes de todos os outros avançados que temos à disposição". Se se recordam, na entrada em que abordei o Mundial, escrevi o seguinte:

"Juro que, em quase dez anos em que me interesso por futebol, não me lembro de alguma vez ter visto um jogo [a final contra o Brasil] em que os jogadores lutassem literalmente até ao limite das suas forças. Deste modo, a Seleção de Sub-20 de uma lição de coragem, garra, empenho, ficando anos-luz à frente de não assim tão poucos jogadores e equipas sénior. (...) [vou fazer figas para] que o Nelson Oliveira, o Danilo, o Mika e os outros estejam daqui a uns anos a fazer o que o Cristiano Ronaldo, o Nani, o Rui Patrício e o Fábio Coentrão fazem hoje pela Equipa das Quinas!"

Ainda não passou nem um ano mas o Nelson já tem uma oportunidade de conquistar um lugar na Turma das Quinas Sénior. O jovem Marmanjo já provou ter, não só talento, mas também verdadeiro espírito de Seleção. Espero, por isso, que ele seja bem sucedido.

Se isso acontecer, se ele conseguir ser Convocado para o Euro 2012, será  "o puto da Seleção" neste campeonato. Ainda me lembro de quando "o puto" era o Cristiano Ronaldo... Este agora tem vinte e sete anos, já não falta assim tanto para ele se retirar. Estes últimos oito anos passaram a correr, quem me garante que os próximos não passarão mais depressa?

Tal como assinalei anteriormente, decorreram mais de cem dias desde a jornada dupla frente à Bósnia-Herzegovina. Num intervalo de várias semanas, contaram-se pelos dedos de uma mão as notícias relacionadas com a Equipa de Todos Nós. Este período de seca coincidiu com a minha época de exames, portanto, houve um efeito aditivo da frustração de ambas as coisas. Passei por uma verdadeira abstinência da Seleção, cujos sintomas incluíram sonhos esquisitos. Num deles, encontrava-me de férias numa espécie de resort onde a Turma das Quinas estagiava. No início até era agradável, eu podia assistir aos treinos, chegava mesmo a cumprimentar Paulo Bento. Só que, de repente, dou por num num cruzeiro - tive este sonho mais ou menos uma semana depois do naufrágio do Costa Concordia - e o navio começa a naufragar. No momento seguinte, estou a ser resgatada por um helicóptero e a perguntar o que aconteceu a Seleção, se os jogadores tinham sobrevivido. É tudo quanto me lembro mas foi suficientemente perturbador.

É claro que tentei tratar-me, tentei enganar as saudades. Uma das terapias que segui foi mudar o visual daqui do blogue. Nunca me tinha sentido completamente satisfeita com ele. Calhou um dia estar a explorar as ferramentas de design. Agora fica mais claro que este é um blogue sobre a Seleção Nacional. E acho que não ficou feio.

A propósito de renovações e mudanças de visual, acabei de criar uma página no Facebook de apoio ao blogue. Há que admiti-lo, os blogues estão a passar de moda, adaptamo-nos ou morremos. As redes sociais têm, além disso, a enorme vantagem de potenciar um dos maiores pontos fortes da Internet: a troca livre e rápida de informação. Não vou abandonar o meu blogue só por não estar na moda mas vou usar as ferramentas que estão na moda para que o meu blogue chegue a mais gente. Nele publicarei, não apenas as entradas do blogue, mas também notícias, fotografias, vídeos, tudo relacionado com a Seleção, e ainda aquelas primeiras ideias que depois costumam dar origem a entradas novas. Ainda pensei criá-lo mais tarde, mais próximo do Europeu, mas achei melhor fazê-lo agora para me habituar a ele, divulgá-lo, de modo a estar no seu melhor aquando da preparação do Euro 2012. Podem visitá-lo (e, já agora, fazer "Like") AQUI.

Outra terapia foi montar um segundo vídeo de apoio à Seleção, desta feita usando como banda sonora a música One World One Flame, de Bryan Adams. Esta foi outra faixa que o cantautor canadiano compôs e gravo para os Jogos Olímpicos de inverno de 2010, uma balada acústica com letra simples, aplicável a qualquer competição desportiva. O pior foi que o vídeo foi retirado do YouTube dois dias mais tarde por violação dos direitos de autor... Eu já não me posso queixar, nesta altura do campeonato já devia ter aprendido a lição. E teria sido pior se tivessem retirado o vídeo de The Climb, que tem mais significado, uma mensagem mais forte. De qualquer forma, queria ver se montava pelo menos mais um vídeo antes do Europeu. Estou à espera de ma eventual música-tema do Euro 2012. Senão, talvez utilize Sangue Oculto, dos GNR. Entretanto, se ficaram curiosos, podem sacar o vídeo para One World One Flame AQUI.

O jogo com a Polónia será o nosso décimo confronto com esta seleção. Dos nove jogos, recordo-me dos três últimos, uma vitória, uma derrota, um empate.

A vitória deu-se na fase de grupos do Mundial 2012, há quase dez anos. Lembro-me de o Pauleta marcar um hat-trick e de Rui Costa ter marcado o quarto golo. Lembro-me de, na minha ingenuidade, apesar da vergonhosa derrota aos pés dos Estados Unidos na semana anterior, achar que o título estava praticamente garantido. Deem-me um desconto, eu tinha doze anos e acabado de começar a interessar-me por futebol! Lembro-me vagamente de o João Pinto não ter ficado satisfeito com o facto de ter sido substituído pelo Rui Costa mas o jogo seguinte provou que teria sido muito melhor se ele tivesse ficado no banco.

Dos outros jogos recordo-me melhor. Ambos contaram para a Qualificação para o Europeu de 2008. No primeiro, em outubro de 2006, fomos derrotados - não me lembro do resultado final, mas recordo-me que termos sofrido dois golos nos primeiros vinte minutos, isto depois de o Selecionador polaco ter vaticinado que o jogo ficaria resolvido nesse intervalo de tempo.

O empate deu-se na Luz, em setembro de 2007. Lembro-me de estarmos a ganhar por duas bolas contra uma, mas depois, aos 87 minutos, os polacos marcaram um golo digno dos apanhados, em que a bola foi ao poste, bateu nas costas do guarda-redes Ricardo e cruzou a linha de baliza... Um momento que ainda hoje me exaspera.

No total dos nove jogos, contam-se quatro vitórias, três derrotas e dois empates. Tudo pode acontecer na quarta-feira, não me admiraria se saíssemos de lá com um empate (três vezes na madeira!). Por outro lado, por amor de Deus, estamos a preparar um campeonato em cuja fase de grupos se encontram provavelmente os adversários mais difíceis que nos poderiam calhar. Eu sei que é apenas um particular e tal, mas se não conseguirmos vencer a Polónia, como é que podemos aspirar a passar o grupo, deixando duas destas três seleções - Alemanha, Dinamarca, Holanda - pelo caminho?

É melhor não pensar demasiado nos adversários que nos aguardam senão o meu ânimo vai por água abaixo... Haverá tempo para pensarmos no que teremos de fazer para sobrevivermos ao grupo do Euro. Para já, por estes dias, quero matar saudades da Seleção, depois de esta ter estado longe dos holofotes por muito tempo, demasiado tempo para o meu gosto. Quero ter um cheirinho, ainda que muito ténue, daquilo a que teremos direito durante os próximos meses de maio e junho. Quero ver os novos equipamentos da Turma das Quinas - que parece que vão ser apresentados hoje, domingo, dia 26 - em ação. Quero, sobretudo, um motivo, por pequeno, por insignificante que seja, para não recear os adversários com que teremos de lidar em junho, para acreditar que Portugal fará uma boa campanha no Euro 2012.



Este texto foi escrito segundo o novo Acordo Ortográfico. Não porque a autora concorde com as alterações impostas, pelo menos não com todas, mas porque entende que de nada serve pura e simplesmente ignorar o Acordo e teimar em escrever da maneira antiga, como uma criança a fazer birra ou como um adolescente armando-se em rebelde. E também porque, não fossem outros Acordos Ortográficos anteriores a estes, o nome da autora por escrito, em vez de "Sofia", seria "Sophia" - algo que autora consideraria extremamente piroso.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Selecção 2011



Mais um ano encontra-se à beira do fim, mais um ano encontra-se à beira do início. É costume as pessoas reflectirem sobre os acontecimentos mais marcantes dos últimos doze meses e tentarem prever o que acontecerá nos próximos doze. No que toca à Selecção Nacional, depois de um ano de 2010 muito atribulado, 2011 foi um ano incomparavelmente mais calmo. Sobretudo por não ter ocorrido nenhum caso tão grave como aquele que levou ao despedimento de Carlos Queiroz. Também seria difícil e menos provável que ocorresse um caso com essa gravidade este ano, em que não houve fase final de um campeonato de Selecções, estivemos quase meio ano sem jogos oficiais e, mesmo estes, foram apenas meia dúzia (contando com o playoff, que nem sequer fazia parte do plano inicial).

A Selecção entrou em 2011 em alta, derivada do relançamento na disputa pela Qualificação para o Europeu de 2012 e de uma inesperada goleada à Espanha num particular, e manteve-se assim durante a maior parte do ano. O público parecia ter feito as pazes com a Turma das Quinas, o ambiente parecia estar bom no seio da equipa, havia consenso, ninguém tinha nada de muito importante a criticar. Isso era bom, sem dúvida, mas era algo monótono. Se derem uma vista de olhos às minhas entradas (ou simplesmente aos títulos destas) hão de verificar que estas andavam quase todas à roda do mesmo: "A Selecção está muito bem, é a única coisa que está bem neste País". As coisas apenas começaram a descarrilar em Setembro, com a deserção de Ricardo Carvalho e à medida que se aproximava a recta final do apuramento (não sei se estes acontecimentos, bem como aquilo que se passou com José Bosingwa, estão relacionados ou se é apenas coincidência). Em todo o caso, após a brilhante segunda mão do playoff, a Selecção encerra o ano de 2011 mais ou menos da mesma maneira como o inaugurou: em alta, cheia de promessas de mais bons momentos a curto e médio prazo, apesar dos adversários dos próximos jogos oficiais.


O particular com a Argentina, realizado dia 9 de Fevereiro no Estádio de Genebra na Suíça, foi o primeiro compromisso da Selecção Portuguesa do ano. Este desafio encontrava-se envolvido em expectativa, não só devido ao anteriormente mencionado bom momento da equipa mas também - e sobretudo - uma vez que este particular oporia Cristiano Ronaldo e Lionel Messi - por muitos considerados os melhores jogadores de futebol da actualidade. Foi por causa desde duelo que os bilhetes para o jogo se esgotaram e que oitenta televisões em todo o Mundo compraram os direitos de transmissão.


O jogo, que terminou com 2-1 a favor da selecção alviceleste, foi bastante equilibrado. Os dois primeiros golos, um para cada lado, foram marcados na primeira meia hora de jogo. O tento português foi executado por Cristiano Ronaldo. Foi o primeiro de muitos golos, não apenas de Ronaldo ao serviço da Selecção, mas também da própria Equipa de Todos Nós. A substituição do madeirense, aproximadamente aos sessenta minutos de jogo, foi demasiado precoce para a assistência, atraída para o jogo pelo duelo entre os dois melhores do Mundo.


Mas voltando ao jogo em si, este foi muito equilibrado, tal como foi mencionado acima. O ritmo manteve-se quase sempre elevado. O segundo golo marcado pela Argentina resultou de um penálti, um pormenor convertido em pormaior por Messi, em cima do minuto noventa, numa altura em que "ambas as equipas já estavam conformadas com a igualdade" no marcador.


No que toca ao duelo entre Ronaldo e Messi, este último foi o vencedor mas só por falta de comparência do adversário. No que toca à Selecção num todo, este jogo foi testemunha da capacidade da Turma das Quinas de enfrentar qualquer adversário como igual, não maculando, deste modo, o comando de Paulo Bento.


No entanto, terá sido aquando da preparação deste encontrou que terá ocorrido o primeiro capítulo do desentendimento entre o Seleccionador e José Bosingwa - isso sim, maculou o comando de Paulo Bento, ainda que só tenha vindo a lume vários meses depois. Ainda não percebi ao certo o que se passou. A versão que corre - mas não sei se é a verdadeira - é a de que Bosingwa não terá gostado da hipótese de ser suplente e, em represália, terá simulado uma lesão para abandonar o estágio.


Provavelmente, nunca se saberá ao certo o que de facto aconteceu. A única coisa acerca da qual existem certezas quase absolutas é de que, tão cedo, Bosingwa não voltará à Selecção - e isso para mim é o mais importante, o pior. Mas, tal como já mencionei anteriormente, só o soubemos muito depois de Fevereiro, depois de Bosingwa ter sido repetidamente sido deixado de fora das Convocatórias.


Em finais de Março, realizaram-se mais dois jogos de carácter preparatório: um contra o Chile, no dia 26, outro contra a Finlândia, no dia 29. O primeiro terminou empatado a um golo. Não assisti a este jogo, nem sequer pela rádio, como tal, não sei dizer como é que Portugal jogou. Em todo o caso, ninguém atribuiu grande importância a este encontro devido às eleições no Sporting, entre outros factores.


Um dos quais o desafio que opôs a Dinarmarca à Noruega, que terminou empatado a um golo e nos deu o poder de chegarmos ao primeiro lugar do grupo por nós próprios.


O encontrou com a Finlândia foi diferente. Tratava-se de uma selecção nórdica, semelhante à Noruega, que seria a nossa adversária seguinte na Qualificação para o Euro 2012. Como tal, o desempenho da Selecção foi diferente, acima da média em particulares. Destaque para os dois golos do estreante Rúben Micael. Há que dizer, no entanto, que a Finlândia não fez muito pela vida. Apesar de talvez ser essa a intenção, o jogo não foi um verdadeiro ensaio geral para o desafio frente à Noruega - dificilmente os nossos amigos noruegueses, com quem havíamos perdido da última vez que estivéramos em campo com eles, nos facilitariam a vida daquela maneira. Em todo o caso, a vitória foi mais um sinal de que a Selecção estava bem e recomendava-se. Em vários aspectos.


O embate com a Noruega, a contar para a Qualificação para o Europeu de 2012, realizou-se a 4 de Junho - oito meses após o último jogo oficial - no Estádio da Luz. Paulo Bento classificou-o como um jogo "extremamente importante, de grande responsabilidade" pois, se vencêssemos, subiríamos para o primeiro lugar do grupo. Não decidia o Apuramento, mas ajudava muito. Nesse aspecto, os noruegueses estavam menos apertados do que nós, pois, para manterem o primeiro lugar, bastava-lhes perder pela margem mínima, desde que marcassem na Luz. Com a agravante de os noruegueses nos terem vencido da última vez que entráramos em campo com eles.


A Selecção dispôs, nessa altura, do maior intervalo de tempo seguido de estágio antes de um encontro desde o início da Qualificação. Eu própria fui assistir a um dos vários treinos abertos que a Equipa de Todos Nós efectuou. Nas declarações à Comunicação Social, toda a Selecção, jogadores e treinador, aparentava estar em sintonia. Os Marmanjos afirmavam não terem medo da Noruega, apesar de a respeitarem como uma equipa que os derrotara recentemente. Afirmavam querer vencer, de modo a "podermos ir de férias descansados".


E foi o que, de facto, acabou por acontecer, Não foi um jogo brilhante, não houve domínio indiscutível por parte da Selecção Portuguesa, provavelmente devido ao desgaste típico do fim da época futebolística e, talvez, a alguma pressão. O único tento do jogo foi apontado por Hélder Postiga. Em todo o caso, a Selecção cumpriu o seu dever atingindo, desse modo, o topo da tabela classificativa.


Em Agosto, a Selecção disputou, no Estádio do Algarve, um jogo de carácter preparatório com o Luxemburgo. Supostamente esta selecção seria semelhante à cipriota, segundo Paulo Bento, mas tal era questionável. Dificilmente o Chipre, o nosso adversário seguinte, seria tão acessível. A preparação deste encontro incluiu dois treinos abertos e eu assisti a um deles, novamente no Jamor, à semelhança de mais umas oitocentas pessoas. O Seleccionador definiu como objectivos deste encontro levar o jogo a sério, vencer e não sofrer golos.


O encontro em si terminou com 5 - 0 no marcador. Tal como se previa, foi uma daquelas goleadas fáceis, sem suor, sem adrenalina, que dificilmente ficam na memória. No entanto, ao contrário do que acontecera em inúmeros particulares com Selecções teoricamente mais fracas, Portugal levou o jogo a sério e o nível nem sequer diminuiu com as substituições ao intervalo. Em suma, apesar da utilidade questionável deste jogo, os objectivos para ele definidos haviam sido alcançados.


Não pude assistir ao encontro com o Chipre, a contar para o apuramento, nem à respectiva preparação - durante a qual Ricardo Carvalho abandonou a Equipa de Todos Nós - visto encontrar-me de férias no estrangeiro. Tanto quanto percebi, terá sido em protesto contra a possibilidade de ser suplente, tudo isto com um cheirinho a vedetismo, a amuo de adolescente. Paulo Bento acusou-o de deserção e afirmou que nunca mais Convocaria o jogador. Dias depois, Ricardo deu uma entrevista em que, por sua vez, chamou "mercenário", contribuindo em nada para melhorar a sua imagem no meio disto tudo.


Mais tarde, o jogador afirmou-se arrependido por ter virado as costas à Selecção desta forma e manifestou o desejo de voltar a vestir a camisola das Quinas. Nesse aspecto, distingue-se de José Bosingwa, que nunca deu sinais de arrependimento pelas atitudes que tomou. Mas não é suficiente visto que, tanto quanto sei Ricardo Carvalho nunca apresentou um pedido de desculpas directamente, nem a Paulo Bento, nem à Federação. No meio disto tudo, acho ridículo que pessoas como Joaquim Envagelista estejam a pressionar o Seleccionador a aceitar os jogadores de volta. Se eu fosse ao Paulo Bento, ficaria irritada por tanta gente questionar as minhas decisões. Foram o Bosingwa e o Ricardo que tomaram as atitudes, que se excluíram a si próprios directa ou indirectamente. Se eles quiserem voltar à Selecção, o primeiro passo terá de partir deles. E, embora saiba que é improvável, espero que as várias partes consigam chegar a um entendimento e que ambos os jogadores voltem a vestir a camisola das Quinas com Paulo Bento no comando.


Em todo o caso, o capitão da Equipa de Todos Nós, Cristiano Ronaldo, veio a público dizer, poucos dias após a deserção de Ricardo Carvalho, que "tudo o que se passou está ultrapassado, o mister Paulo Bento já falou, o que pensamos fica dentro do grupo", acrescentando mesmo que ele também tinha telhados de vidro no que tocava a decisões pouco sensatas.


Esta declaração foi feita após o duelo com o Chipre, duelo esse que a Selecção Portuguesa levou de vencida por quatro golos sem resposta. Já referi antes que não pude assistir a este encontro. Parece que durante a maior parte do encontro, a Selecção esteve em vantagem pela margem mínima, precária, com todo o nervosismo associado a tais circunstâncias, fazendo uma exibição que deixou bastante a desejar. Contudo, os três golos na recta final do jogo devem ter sabido muito bem. Cristiano Ronaldo desempenhou muito bem o seu papel de capitão da Equipa de Todos Nós, parece que fez uma bela prestação em campo, com dois golos e uma assistência, terá mesmo carregado a equipa às costas. Isto num ambiente particularmente hostil para o madeirense, com os adeptos cipriotas gritando por Messi, criando, salvo erro, uma moda que se estendeu aos restantes jogos da fase de Qualificação. No entanto, pelo menos neste jogo, acabou por lhes sair o tiro pela culatra.


Um mês mais tarde, realizou-se a dupla jornada final da fase de Qualificação. Faltava-nos receber a Islândia e deslocarmo-nos a Copenhaga para enfrentarmos a selecção local antes de darmos o Apuramento por concluído. As nossas condições não eram as ideais, devido a várias ausências por lesão de titulares habituais (Pepe, Hugo Almeida, Fábio Coentrão). A esta lista, juntou-se Danny, pois este teve de ser submetido a uma cirurgia para remover um quisto sebáceo.


A urgência questionável de tal intervenção, aliada às suspeitas que se começavam a formar devido às repetidas ausências do nome de Bosingwa das listas de Convocados, mais, provavelmente, a tensão derivada à proximidade do fim do Apuramento abriram uma brecha na credibilidade do Seleccionador. A Comunicação Social enfiou-se dentro dela e os ataques começaram. De uma forma injusta, na minha opinião, tendo em conta o percurso de Paulo Bento como Seleccionador até à altura.


Conforme foi repetido até à exaustão, bastava um empate e uma vitória para nos qualificarmos directamente, embora na Selecção dissessem que não viam as coisas desta maneira, que encaravam um jogo de cada vez, que não jogavam para o empate. E não se pode dizer que os Marmanjos não juntaram o gesto à palavra no Estádio do Dragão uma vez que venceram os Islandeses por cinco bolas contra três. Contudo, o jogo não foi tão fácil como o que seria de esperar. Os islandeses entraram em campo invulgarmente desenvoltos, descongelados, soltos, como que querendo desafiar o estereótipo da equipa teoricamente mais fraca. Inicialmente, Portugal não se deixou afectar, conseguiu colocar-se três golos à frente dos islandeses, mas estes não demoraram muito a reduzir a desvantagem a apenas um golo, ficando muito perto de anulá-la por completo. Felizmente, o golo de Moutinho, seguido de Eliseu, aliviaram a intranquilidade que se tinha instalado com o seguindo golo da Islândia.


Apesar da vitória, a Selecção Nacional revelara algumas fraquezas. O ideal teria sido que o jogo tivesse servido de aviso, de wake-up call.


Mas não serviu.


Com esta vitória, a Equipa de Todos Nós dava mais um passo em  direcção ao Europeu. Agora bastava um empate frente à Dinamarca para reservarmos logo um lugar na Polónia e na Ucrânia. E até podíamos perder em Copenhaga e qualificarmo-nos à mesma, desde que fôssemos a melhor Selecção em segundo lugar - a única que nos ameaçava era a Suécia. Esta ideia, repetida até à exaustão, irritou-me na altura, pois julgava que Portugal não precisaria de fazer tais contas. Agora, vendo em retrospectiva, a ideia ainda me irrita mais pois não nos serviu de nada.


A derrota de Portugal aos pés da Dinamarca constituiu, sem sombra de dúvida, o ponto mais baixo do ano. Foi provavelmente um dos piores jogos da Selecção dos últimos tempos, agonizante, em que o único ponto alto do jogo foi o golo excepcional de Cristiano Ronaldo. Ainda hoje não percebo o que aconteceu nessa noite para os Marmanjos jogarem tão mal. A era Paulo Bento, que até à altura, estivera quase imaculada, via a sua primeira derrota em jogos oficiais e a Selecção Nacional era relegada para os play-offs pois o jogo da Suécia - que, para animar ainda mais a noite, fora rico em reviravoltas - terminara com uma vitória para o seu lado, tornando-os a melhor equipa classificada em segundo lugar.


Na altura, acabei por dar graças por a Suécia se ter qualificado em vez de nós, pois não queria que a caminhada em direcção ao Europeu terminasse daquela forma. E agora que já sei qual foi o desfecho deste capítulo, ainda abençoo mais essa reviravolta do destino. 


Pouco após o jogo com a Dinamarca, soubemos que, daí a um mês, disputaríamos o play-off contra a Bósnia-Herzegovina, selecção que já se havia cruzado no nosso caminho para o Mundial 2010, dois anos antes. Muita gente recomendava prudência uma vez que a equipa bósnia tinha melhorado significativamente ao longo dos últimos dois anos e, conforme o médio bósnio Zvjedzan Misimovic assinalou, Portugal tivera, teoricamente, condições para já ter o apuramento resolvido mas teve de ir aos play-offs. No entanto, a Turma das Quinas também havia crescido, sobretudo no último ano, e Paulo Bento chegou mesmo a dizer: "Não vou desconfiar de quem durante um ano e picos fez tudo o que devia e, por um jogo, pôr tudo em causa".


A preparação dos play-offs foi marcada pelo regresso de habituais titulares que haviam estado indisponíveis na última jornada dupla e ensombrada pela entrevista de José Bosingwa ao jornal "O Jogo". Como seria de prever, a Comunicação Social alimentou-se das polémicas declarações do jogador mas, aparentemente, estas não tiveram grande repercussão no seio da Equipa de Todos Nós. 


A primeira mão do play-off foi disputada em Zenica, terreno bósnio, em condições bastante adversas para a Equipa das Quinas. Começando pelo relvado de péssima qualidade. A Federação Portuguesa de Futebol apelara para a UEFA, tentando fazê-los mudar a localização do jogo, mas os responsáveis fizeram ouvidos de mercador. Para cúmulo, os dirigentes bósnios ignoraram o acordo selado na manhã do dia da primeira mão e regaram o campo, pouco antes do início do jogo, piorando ainda mais o seu estado. Tal motivou a Selecção a jogar sob protesto.


Outro obstáculo que a Equipa de Todos Nós teve de enfrentar foram os adeptos bósnios pouco amigáveis, que tentaram desestabilizar a Selecção Portuguesa e, em particular, o capitão Cristiano Ronaldo, com lasers e gritos por Messi. 


A primeira mão do play-off terminou com o marcador por abrir. O resultado desapontou mas a exibição da Equipa das Quinas não. O domínio do jogo foi claramente português, falou-se de "espírito guerreiro", "personalidade fortíssima". Terá literalmente sido o campo (que foi apelidado de horta, batatal, pseudo-relvado, Farmville, etc) a impedir a vitória da Selecção Portuguesa. Em todo o caso, ficaram boas promessas para a segunda mão, que se realizaria no Estádio da Luz, daí a quatro dias.


Promessas essas que foram cumpridas, e muito bem cumpridas, naquele que foi o ponto mais alto do ano, ou mesmo de toda a Qualificação. Nesse Portugal recebeu e venceu na Luz a Bósnia por seis golos espectaculares contra dois que não passaram de pormenores tornados pormaiores, num jogo épico (palavra muito na moda e demasiado vulgarizada, na minha opinião) e emocionante, que se assemelhou a um resumo de toda a caminhada em direcção à fase final do Euro 2012, com todos os momentos de brilho, de garra, juntamente com os momentos menos bons e as inesperadas escorregadelas, antes de apresentar o desfecho da história. Que não podia ser mais feliz. O Hino Nacional entoado a plenos pulmões por todo o Estádio encerrou a caminhada, encerrou um jogo que teve todas as características de uma grande final. Um jogo que representou uma desforra contra um caso envolvendo um antigo Seleccionador de fraco carácter, dirigentes corruptos, em Portugal e no estrangeiro, jogadores desertores, notícias desestabilizadoras, relvados manhosos, lasers, adeptos hostis, árbitros pouco parciais. Uma desforra contra a crise que assola o País já ninguém sabe desde quando, contra os cortes impostos pelo Orçamento e pela Troika (bem menos simpática do que a Troika de ataque que empurrou a Selecção para a frente), contra os juros da dívida que, se não estou em erro, já roçam os vinte por cento, contra políticos corruptos e incapazes, contra os sacrifícios que parecem nunca mais acabar, contra o desemprego, contra a depressão, contra o desânimo. Um jogo que selou o apuramento e o renascimento da Selecção Nacional.


No dia 2 de Dezembro, realizou-se o sorteio da fase de grupos do Euro 2012 e Portugal ficou a conhecer os seus futuros adversários: serão eles a Dinamarca, a Holanda e a Alemanha. Dificilmente nos poderia ter calhado um grupo mais difícil. Podemos ver tanto este resultado como outro qualquer como uma coisa boa ou má, dependendo da maneira como o encararmos. Contudo, uma coisa é certa: aguardam-nos jogos verdadeiramente emocionantes, que ficarão para a História, independentemente do desfecho final. 


Foi isto que aconteceu de mais relevante à Selecção Nacional ao longo de 2011. Em suma, foi um ano muito positivo em termos futebolísticos, não só por a Equipa das Quinas se ter qualificado para o Europeu do próximo ano, mas também por causa da Liga Europa, em que três equipas portuguesas chegaram às meias-finais, duas chegaram à final e, como é óbvio, uma delas levou o troféu para casa.


Em termos políticos, financeiros e sócio-económicos, 2011 foi um ano para esquecer, com o governo a demitir-se, a chegada da Troika, a ameaça da queda do Euro, entre outras desgraças. E a situação não parece estar perto de melhorar, sobretudo porque já sabemos que em 2012 nos esperam vários cortes e vida ainda mais difícil.


Em termos pessoas, tirando o contexto acima descrito, devo dizer que foi um dos melhores anos da minha vida, por várias razões. Muitos dos desejos e objectivos que tinha definido no início do ano cumpriram-se. Além disso, posso dizer com toda a segurança que evoluí ao longo do último ano, Tal evolução já havia começado em 2010 mas bem mais discretamente, a grande explosão deu-se este ano. Não sei dizer se me tornei uma pessoa melhor, mas, pelo menos, tornei-me um pouco mais corajosa, um pouco mais certa do que sou e do que quero. Dei vários passos em frente. O facto de ter ido ao Jamor assistir aos treinos da Selecção foi um deles, ainda que não o mais importante. Ainda não estou onde quero estar, ainda tenho um longo caminho a percorrer e tenciono continuar a percorrê-lo em 2012.


Olhando, então, para o próximo ano, no que toca à situação do País, já ninguém se atreve a pedir desejos, a ser optimista, depois de sofrermos desilusões atrás de desilusões. Estamos uma posição semelhante àquela onde nos encontrávamos no início de 2011. O ano que findava havia sido mau mas tudo indicava que o ano que começava seria ainda pior. No entanto, "não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe". Isto não pode durar para sempre, terá de existir uma altura em que isto comece a melhorar! Já andamos em crise há demasiado tempo, já chega!


Existe outra coisa em comum com o início de 2011 e o início de 2012: o facto de o futebol, em particular a Selecção, ser a única coisa que funciona bem neste País, a única coisa a que nos podemos agarrar, a única coisa que nos dá boas promessas para 2012. Quer a Selecção chegue à final de Kiev ou fique pela fase de grupos (que o Diabo seja cego, surdo, mudo e não tenha acesso à Internet...), aquelas semanas antes do Euro 2012 e pelo menos a primeira semana da fase final ninguém nos tirará. Nesse intervalo de tempo, os nossos pensamentos e, pelo menos, o meu coração estarão sediados na Polónia e na Ucrânia. Teremos algo que fugirá à rotina e que nos ajudará a suportar as dificuldades.


Quem me dera que outras coisas neste País funcionassem como funciona a Equipa de Todos Nós!


Para 2012 desejo, então, que sejamos campeões europeus. Que um clube português volte a ganhar um título europeu. Que o tal virar de maré de que falei acima ocorra no próximo ano. Que em 2012 vocês, leitores, tenham uma vida melhor, que evoluam, que consigam realizar os vossos sonhos, ou seja, que 2012 vos corra como 2011 correu a mim. E uso emprestada a foto da página do Facebook Sócio da Selecção para vos desejar...



domingo, 4 de dezembro de 2011

Deus quis que Portugal sofresse...

No passado dia 2 de Dezembro, Sexta-feira, realizou-se em Kiev o sorteio para fase de grupos do Campeonato Europeu de Futebol, a realizar-se entre 8 de Junho e 1 de Julho de 2012

Como era de prever, nas vésperas da cerimónia, muita gente opinou sobre quais seriam as melhores e piores selecções para companheiras de grupo. Eu não alinhei nisso. Conforme expliquei na entrada anterior, a escolha não recairia sobre mãos humanas. De acordo com a própria definição de "sorteio", a decisão coube a Deus ou, caso não sejam religiosos, à Sorte, ao Destino, ao Universo. Vocês percebem a ideia.

E, pelos vistos, independentemente da entidade sobre-humana que escolheram, essa quis que Portugal sofresse.

Fiz questão de seguir em directo este sorteio. Às cinco da tarde sentei-me em frente à televisão, com o computador ao colo, à semelhança do que costumo fazer quando há jogos. Mais tarde, arrependi-me. Antes que começassem a tirar as bolinhas dos potes, tivemos de aturar uma série de discursos, cantoria, bailarico e afins, coisas que não interessavam nem ao menino Jesus. Que não ajudaram a aliviar o nervoso miudinho que começava a instalar-se. Aquilo a certa altura já nem merecia a denominação de sorteio - como dizia um inglês no Twitter, já mais parecia o Festival da Canção.

Finalmente, lá se dignaram a fazer o sorteio. Não sem antes fornecerem uma explicaçãozinha toda XPTO de como aquilo iria funcionar. Tal impacientou-me, na altura, por ser mais uma coisa a atrasar a retirada das bolinhas dos potes. Agora vejo que devia ter prestado mais atenção pois tive alguma dificuldade em acompanhar o processo.

Para a próxima, não me dou ao trabalho de ver a cerimónia do sorteio em directo. Não vale mesmo a pena. Mais vale informar-me depois de os grupos e o calendário já estarem definidos.

De qualquer forma, lá fui acompanhando o sorteio como podia. Achei alguma graça quando soube que a Holanda e a Dinamarca partilhariam o grupo, por serem duas selecções do Norte da Europa.

Mas não achei graça nenhuma quando nos juntámos a elas.

Quando o nosso nome saiu das bolas, a minha primeira reacção foi:

- Nãããããããooooo! A Dinamarca, não!

Quase me esqueci da Holanda. Depois do nosso último jogo com eles, os dinamarqueses eram os últimos com quem desejaria que nos cruzássemos, tirando a Alemanha. Antes nos tivesse calhado a França, ou mesmo a Espanha. Ainda digerindo este resultado, não prestei muita atenção à parte seguinte do sorteio. Entretanto, os meus irmãos chegaram a casa e eu informei-os da nossa sorte. A certa altura, os locutores disseram que a quarta selecção do Grupo B seria uma destas três: Alemanha, Inglaterra ou Itália.

- Tenho um feeling de que vai ser a Alemanha - disse a minha irmã.

Eu fiz figas para que fosse a Inglaterra, pois já a tínhamos vencido no Euro 2004 e no Mundial 2006 e Wayne Rooney não jogaria nos dois primeiros desafios do campeonato. Mas Deus Nosso Senhor queria mesmo complicar-nos a vida e a profecia da minha irmã acabou por se realizar.

- Oh, fogo!

Como podem ver, a minha primeira reacção aos resultados do sorteio foi de pessimismo, quase de pânico. Vencemos os dois nossos últimos encontros com a Holanda mas isso passou-se há mais de cinco anos e, desde essa altura, os laranjas melhoraram imenso chegando mesmo a vice-campeões do Mundo. A Dinamarca é, teoricamente, a equipa mais acessível do grupo mas o seu recente historial de nos complicarem a vida à grande e à dinamarquesa não tranquiliza. E nem vou falar da Alemanha... No geral, temos equipas do Norte da Europa, de grande poderio físico, que já foram campeões europeus pelo menos uma vez. Nós somos um outsider, uma Selecção da periferia, do Sul da Europa, latina, franzina, que tem prestígio, bons jogadores mas que nunca ganhou nada. 

Já falei aqui do padrão descendente que os sucessivos campeonatos de selecções parecem seguir. Com este grupo, não pode ser deixada de fora a hipótese de não chegarmos ao mata-mata e de o padrão se manter...

Paulo Bento afirmou numa entrevista há algumas semanas que, com base nos nossos particulares com a Espanha e a Argentina, "podemos competir com as selecções mais fortes". Ele, provavelmente, tem razão. Podemos competir, desafiar, olhar nos olhos, dar dores de cabeça. Mas vencer é outra história. Além de que uma coisa é enfrentar tais equipas em particulares, em que não há nada a ganhar ou a perder - se tomarmos a Espanha como exemplo, nós trucidámo-la, é certo, mas agora, um ano e não sei quantas derrotas em amigáveis e uma Qualificação imaculada depois, acho que a noite de 17 de Novembro de 2010 foi mais demérito espanhol do que propriamente mérito português. A Alemanha e a Holanda tiveram Qualificações quase perfeitas e nós tivemos de ir aos play-offs. Se vocês as comparassem com Portugal, friamente, a que conclusão chegariam?

Por outro lado, muitos têm mencionado um possível efeito oposto ao que seria de esperar. O próprio Paulo Bento invocou a sua experiência enquanto jogador e mencionou grupos difíceis em que se amealharam nove pontos (o Euro 2000?) e grupos fáceis em que só se conseguiram três (o Mundial 2002?). Podemos mencionar outros exemplos de jogos em que tínhamos tudo para vencer e não o fizemos: com a Grécia em 2004, com a Suíça em 2008, com a Costa do Marfim em 2010. Um artigo de opinião que li há umas semanas explica bem melhor do que eu este fenómeno: "Este clima de baixas expectativas (...) pode paradoxalmente ser aliado de Paulo Bento. Quando se espera pouco, as pequenas vitórias parecem grandes e cria-se um clima de menor pressão sobre o "sucesso obrigatório" que asfixiou a equipa nos últimos campeonatos. E Portugal é sempre melhor quando precisa de se superar do que quando se julga melhor do que os adversários."

Já que se fala nisso, julgo que a alta pressão aquando das últimas competições partiu mais dos adeptos e de todo o marketing em redor da Selecção típico de tais alturas. É uma faca de dois gumes: eu gosto dessa mediatização da Equipa de Todos Nós aquando dos campeonatos de Selecções mas se isso traz mais contrapartidas do que benefícios... É uma questão complicada.

Em todo o caso, nesse aspecto, o Destino foi generoso, de uma forma obscura e retorcida. Ninguém se atreverá a sonhar demasiado alto. Os jogadores estarão motivados para darem o seu melhor. Terão cerca de 6 meses para se prepararem, incluindo as habituais semanas de estágio. E quer Portugal saia de campo vencedor ou vencido, será depois de duelos ricos em adrenalina, emoção, espectáculo, que ficarão registados na História.

E, de resto, quem conseguir sobreviver a este Grupo da Morte, como o pessoal gosta de chamar, ficará muito bem colocado para se sagrar campeão. Se por acaso Portugal se encontrar entre os dois sobreviventes, não deveremos ter problemas nos quartos-de-final já que o Grupo A é relativamente fraco. O único potencial adversário que me preocupa é a Grécia e só por causa do seu historial que inclui a usurpação de uma Taça que deveria ter sido nossa. E, mesmo assim, se tivermos conseguido lidar com a Alemanha, com a Holanda e com a Dinamarca, conseguiremos lidar com qualquer um. Se, eventualmente, conseguirmos chegar às meias-finais, tudo pode acontecer.

Mas é um grande "se". 

Eu acredito, como não podia deixar de ser. O futebol tem um longo historial de caprichos, de pormenores tornados pormaiores. Ninguém pode garantir sem margem de erro que Portugal regressará da Polónia e da Ucrânia sem a Taça Henri Delauny. Já ando há muito tempo à espera de ver a Selecção arrecadar um título, outros tem estado há ainda mais tempo. Demasiado tempo. Tentarei manter os pés assentes na Terra, encarar um jogo de cada vez, mas só deixarei de sonhar, de desejar, quando já não existir a mais remota hipótese. Quando o árbitro apitar três vezes. Até lá, acreditarei e aproveitarei ao máximo o facto de Portugal estar novamente a disputar um Campeonato Europeu de Selecções.


Deixo-vos o calendário da fase de grupos do Euro 2012 (Fonte: Expresso online)

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