terça-feira, 9 de junho de 2009

Jogos do passado e do futuro


Amanhã a Selecção disputará um jogo particular em Tallin, frente à Estónia. Parece que é para celebrar o centenário do primeiro jogo da selecção esto... da Estónia (como é que a gente chama os nativos da Estónia?). São mais antigos do que nós... Visto que Carlos Queirós dispensou muitos dos titulares habituais, suponho que o Professor queira testar os outros jogadores. Tendo isto em conta, vejo o jogo mas não me preocupo muito com o resultado. A minha tensão arterial já se eleva o suficiente com os jogos oficiais...


Parece que na Estónia estão dez graus centígrados e que nesta altura do ano, o sol põem-se depois das dez da "noite" e nasce às quatro da madrugada. Custa-me imaginar viver num país assim, em que há alturas no Inverno em que só temos sol durante umas horas e no Verão, quase não há noite para ninguém. E que têm temperatura de 10ºC em Junho, prestes a começar o Verão - nem quero imaginar o Inverno! Eu já mal aguento os nossos Invernos... Gostava era de viver na Califórnia, em Los Angeles, onde parece que o pessoal tem temperaturas de Primavera o ano todo...


O nosso último jogo contra a Estónia foi há quatro anos, de apuramento para o Mundial 2006. Lembro-me que o Cristiano Ronaldo marcou o único golo e durante os festejos pôs o indicador à frente dos lábios, como se dissesse "Chiu!". Essa nunca percebi, mas... Lembro-me também que o estádio tinha um defeito qualquer e os jogadores eram encandeados pelo sol. Pergunto-me se o estádio em que a gente vai jogar amanhã é o mesmo e se ainda tem o mesmo defeito...


Mas o primeiro jogo contra a Estónia dessa fase de qualificação, em Leiria, é que foi emocionante. Lembro-me que estivémos empatados a zero até para aí aos setenta e cinco minutos mas depois enfiámos quatro golos em pouco mais de quinze minutos e, pronto, ficou salvo o dia.


Há quanto tempo não temos jogos assim, recheados de golos a nosso favor? Não, o das Ilhas Faroé não conta...


É engraçado, vamos ter um jogo da Selecção no dia 10 de Junho, no dia de Camões e de Portugal. Já tivémos dois jogos neste dia, por acaso em anos seguidos: frente à Polónia, no Mundial 2002, e um particular frente à Bolívia, em 2003. Do primeiro, certamente toda a gente se lembra, foi o único que se aproveitou do Mundial da Coreia do Sul. O Pauleta marcou três dos golos e o Rui Costa marcou o último. Lembro-me vagamente que o Rui Costa acabara de entrar para substituir o João Pinto e que, nos dias seguintes, o sportingista na altura reclamou por isso. Por ironia do destino, no jogo seguinte deu-se aquele triste episódio do murro no árbitro e o João Pinto não voltou a pôr os pés na Selecção...


Do segundo jogo, frente à Bolívia, não me lembro quase nada. Na altura eu ainda não ligava muito à Selecção, bastante menos do que ligo hoje. Sei que ganhámos por 4-0. O mesmo resultado com que ganhámos da outra vez em que jogámos no 10 de Junho, se bem que as circustâncias fossem bastante diferentes. E como não há duas sem três, pode ser que amanhã também ganhemos por 4-0...


Só há uma maneira de o saber. O jogo é transmitido pela TVI (pfff!) amanhã às 19h30.


P.S. Acabo se saber que o nosso ex-mister Luiz Felipe Scolari vai treinar o Bundyodkor, líder do campeonato do Uzbequistão. Não vou comentar, excepto para me perguntar como é que ele se desenrascará com a língua que eles farlarem. Já se viu grego com o inglês... Mas, eventuais ressentimentos à parte, eu desejo-lhe felicidades.

domingo, 7 de junho de 2009

Portugal 2 Albânia 1 - Aleluia!

Uma gravidez mais tarde lá conseguimos, finalmente, ganhar um jogo nesta fase de qualificação. Foi uma vitória a saca-rolhas mas foi uma vitória, caramba! Por dois golos de Hugo Almeida e Bruno Alves contra o único golo albanês, marcado por Erjon Bogdani.


Até aos 93 minutos, foi um jogo parecidíssimo com os últimos jogos de qualificação, exceptuando os golos. Os marmanjos ali às voltas com a bola mas sem fazerem nada de jeito, sem jogarem grande coisa. O ambiente era infernal, o estádio estava cheio de albaneses barulhentos, apoiando a sua selecção. As comunicações deixavam muito a desejar, os comentadores da SIC passaram o jogo a queixarem-se de que não conseguiam ouvir os colegas, consta que os locutores da rádio tiveram de fazer os relatos via telemóvel. Ainda bem que não ligámos do rádio como tencionávamos fazer. Imagino a qualidade da transmissão. Já às vezes é difícil ouvi-los, já que às vezes falam tão depressa...


Os albaneses pareciam determinados a lutar pelo menos pelo empate. Fartaram-se de marcar faltas sobre nós e o guarda-redes demorava sempre séculos a repôr a bola em jogo, irritando solenemente a mim e não só, aposto. O árbitro, esse, estava estranhamente impassível à agressividade exagerada dos albaneses. Não nos marcou dois penálties. Se isto fosse na Liga Portuguesa, com o Sporting, já o Paulo Bento tinha disparado críticas em todas as direcções e um padre qualquer diria que não baptizaria ninguém com o nome Florian... Se o árbitro fosse inglês, eu desconfiaria que ele queria vingar a expulsão da Inglaterra nos quartos-de-final do Euro 2004 e do Mundial 2006, mas ele é alemão... Como foram eles que nos expulsaram do Euro 2008, não estou a ver o que é que ele tem contra nós. Um comentário no site da Record escrito por um tal Carlos Ferreira, dizia que nós estamos a ser prejudicados nesta fase de qualificação, que a FIFA não nos quer ver nas meias-finais do Mundial já que renderíamos menos do que outras selecções, como a Itália, o Brasil ou a Argentina. Eu acho que isso é um bocado paranóico, e só digo um bocado para ser simpática... Além disso, se continuarmos a jogar assim, sinceramente, não precisamos da "ajuda" da FIFA para ficarmos fora das meias finais do Mundial, obrigada.

A verdade é essa, não jogámos bem. Entrámos bem em ambas as partes, na segunda parte até jogámos um pouco melhor do que na primeira, mas não provámos que merecíamos ganhar. Os próprios comentadores diziam, já perto do fim do jogo, que o empate acabava por ser um resultado justo. Isto embora garantissem que o empate não nos deixava de fora da corrida, apesar de tudo o que foi dito ao longo da semana. Nos minutos finais, o meu pai chegou mesmo a dizer que "já não valia a pena", "já não vamos estar no Mundial". Eu queria dizer que não era verdade, que nem tudo estava perdido, mas já nem tinha argumentos para eu continuar a acreditar (significativo...), quanto mais o meu pai... Eu só pensava nos últimos três jogos. Também podíamos ter resolvido nos minutos finais, mas se não resolvemos nessa altura, porque haveríamos de resolver agora? A única coisa positiva era termos finalmente marcado, apesar de nem termos tido dois minutos para celebrar...

Mas tudo isso mudou aos 93 minutos quando o Bruno Alves marcou aquele golo de cabeça. Nem acreditei! Nem me atrevi a gritar golo. Era bom demais para ser verdade! Quando me apercebi que era mesmo golo, desatei aos pulos e a gritar "Aleluia!", mas logo a seguir lembrei-me que o jogo ainda não tinha acabado, que foi no rescaldo de um golo que sofremos um. Só quando o árbitro apitou três vezes é que celebrei o golo e a vitória suada.

Concordo quando dizem que não jogámos como deve ser, que se temos de fazer das tripas coração para ganhar a uma selecção teoricamente bastante mais fraca do que nós, como é que nos desenrascamos com selecções de calibre elevado. Mas eu (e não só, tenho a certeza) já estava farta de ver a Selecção a fazer óptimas exibições sem conseguir ganhar os jogos. É triste, mas é verdade: é preferível jogarmos mal e ganharmos do que jogarmos bem e empatarmos ou perdermos. De certa forma, este jogo serviu para ajustarmos contas com o destino. Há muita gente que não acredita na qualificação, mesmo com esta vitória.

Por outro lado, eu tinha pedido uma razão, uma razão que fosse, para continuar a acreditar e a apoiar a Selecção e obtive-a. A Selecção ensinou-me uma lição: ensinou-me a continuar a acreditar, literalmente, até ao último segundo do tempo de compensação da segunda parte, mesmo quando tudo parece perdido, quando não temos nenhuma razão para continuarmos a acreditar. Pode faltar "identidade própria", "coesão", mas não falta força interior, preserverança, fé na Selecção Nacional. E, como ontem ficou provado, estas coisas podem fazer a diferença entre o empate e a vitória, entre o fim da luta e o renascer da esperança, entre a morte e a sobrevivência do sonho. Tenho a certeza que esta vitória dará mais motivação e esperança aos marmanjos. Pode ser este o ponto de viragem.

O próximo jogo é daqui a três meses, com a Dinamarca. Esta ganhou à Suécia e está cada vez mais sólida no primeiro lugar, cada vez mais perto de garantir um lugar na África do Sul. Temos de a vencer para podermos sonhar com um lugar na fase final. Acho que podemos ganhar. No ano passado jogámos na mesma altura, jogámos bem, podíamos ter ganho, não ganhámos por detalhes e azares. Os marmanjos estarão bem mais frescos do que estiveram ontem, no final de uma época. Pode ser que sim... Eu vou continuar a acreditar. Tenho razões para isso.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Matar ou morrer


Amanhã, a Selecção Portuguesa defronta a Selecção Albanesa em Tirana, a capital da
Albânia. Todos concordam: as únicas opções são ganhar, ganhar ou então ganhar. De outra forma, podemos dizer ao nossos amigos sul-africanos para não aguardarem a nossa chegada daqui a um ano.



É a segunda vez que defrontamos a Albânia nesta fase de qualificação. Já tinhamos jogado contra os albaneses em Braga, no dia 15 de Outubro e as recordações que ficaram não são das mais agradáveis... A bola a não querer entrar mesmo estando os albaneses amputados de um jogador, adeptos assobiando da bancada e o Ronaldo a reclamar com eles, Gilberto Madaíl abandonando a tribuna a seis minutos do final do jogo (alegou necessidades fisiológicas mas há quem não acredite...), jogadores e seleccionador baldando-se às flash-interviews alegando terem-se perdido nos elevadores (nesta acredito menos... como diziam no Record no dia seguinte ao jogo, para além de uma calculadora, aquele pessoal precisava também de um GPS)... Em suma, (mais) um jogo para esquecer.



Mas desta vez, dizem os marmanjos, será diferente. Carlos Queirós, o Professor, está confiante. Diz que na Selecção reina uma "confiança ilimitada". Haja alguém que a tenha porque a minha confiança já viu melhores dias... "Na hora de começar o hino na Albânia, olhem bem os olhos dos nossos jogadores, porque vão ver e vão sentir uma confiança ilimitada e uma vontade extrema de não desiludir os adeptos portugueses", diz o Professor. Ele diz também que não queria estar na pele dos albaneses. Está mesmo confiante o Professor, sim senhor. O pior é que se amanhã nas coisas correrem mal (bato três vezes na madeira), toda a gente vai gozar com ele por causa disto...



Por outro lado, ele é o Seleccionador, ele trabalha há vários anos no mundo do futebol, percebe muito mais disto do que eu e do que muita gente que para aí anda e opina, talvez esta sua confiança, que me parece exagerada, tenha bases sólidas. Espero bem que assim seja, pois já esgotámos todas as oportunidades que tínhamos... E numa coisa eu concordo com o Professor. Também eu não consigo simplesmente colocar a hipótese de ficarmos fora do Mundial, com os jogadores que temos. Simplesmente não faz sentido. Eu não quero ficar a assistir ao Mundial sem que a Selecção esteja lá!



Entretanto, enquanto escrevo estas linhas, a Selecção Nacional está já em Tirana, a preparar o jogo de amanhã. E parece que já se queixaram do relvado do estádio. Espero bem que não estejam já a inventar desculpas...



Enfim, eu vou fazer a minha parte. Vou ver o jogo (amanhã, na SIC, às 19h45 - mas liguem a televisão uns cinco ou dez minutos mais cedo para ver o hino e ver a tal "confiança inabalável e vontade de não desiludir" nos olhos dos marmanjos), usar o meu boné e as minhas meias para dar sorte, acreditar que é possível ultrapassarmos esta fase má e reservarmos bilhetes para a África do Sul. Espero que a Selecção faça a sua parte, que cumpra as promessas que tem feito ao longo desta semana e me dê razões para continuar a apoiá-los como tenho feito toda a minha vida.
Em suma, amanhã é matar ou morrer, pessoal!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Meias

Há cerca de dois anos e dois ou três meses descobri uma loja no centro de Lagos, no Algarve, que vendia produtos alusivos à Selecção Nacional, entre os quais meias. Na altura achei bastante engraçado e original - temos bonés, cachecóis, camisolas, bandeiras e equipamentos oficiais completos da Selecção Nacional. Mas ninguém tem meias com a bandeira nacional. Quanto muito as meias do equipamento oficial mas fora desse conjunto ninguém tem.


Doida como era e (ainda) sou pela Selecção decidi logo que tinha de compar um par.

Havia meias completamente "cobertas" com bandeiras mas eu preferi umas azuis escuras, com uma bandeira de cada lado na zona das canelas. Tinham duas vantagens em relação às outras: por um lado, eram bastante mais discretas. por outro lado, por serem azuis e por ser essa a cor dominante do meu guarda-roupa - não levanta problemas de combinação de cores. Comprei-as por cerca de três euros.

Desde essa altura, tenho usado as meias em dias de jogos da Selecção e sempre que me apetece. Têm sido as minhas meias preferidas. uma vez descobriram na escola e gozaram comigo, mas eu ri-me com eles e não me importei. De resto, a minha paixão pela Selecção já era bem conhecida graças ao meu boné e aos autocolantes do meu dossier, entre outras coisas.

Mas, ultimamente, as meias perderam elasticidade e ganharam buracos. O meu dedo grande fica de fora de uma delas e isso em alguns sapatos é bastante desconfortável. As minhas meias estão velhas, rotas, gastas, quando não há muito tempo estavam em perfeitas condições, resistentes e confortáveis.

Já me aconselharam a deitar fora as meias. Já deram o que tinha a dar, dizem. Mas eu não tenho coragem.

Começo pelos motivos práticos. O mesmo está a acontecer às minhas outras meias, várias delas mais velhas que as da Selecção. Se as deitar todas fora, corro o risco de ficar sem meias. E como não gosto de usar sandálias - só havaianas e estas só as uso ao fim de semana - e não sou como a minha irmã que, se ninguém prestar atenção, usa ténis sem meias, isso complica-me a vida.

Além disso, estamos em crise! Má altura para deitar fora o que quer que seja!

Mas isto não interessa para aquilo que quer dizer. Os motivos que quero frisar são puramente emocionais. Afinal de contas, são as meias da Selecção e apesar de velhas, gastas e rotas eu continuo a usá-las, sobretudo em dias de jogos da Selecção. Estou à espera de poder voltar a Lagos, à tal loja, para comprar um par novo.

O mesmo se passa, de certa forma, com a Selecção Nacional propriamente dita. No último ano perdeu o brilho de outrora, já não é o que era. Apenas seis pontos em cinco jogos, empates atrás de emptes, séries de noventa minutos de sofrimento, de dedos cruzados, de "Corre! Corre!", "Remata!", "Vá lá!" e aqueles marmanjos são incapazes de "enfiar aquele objecto esférico, que parece que se chama "bola", naquela espécie de galinheiro que tem no final do campo, com rede" apesar das boas exibições e do domínio quase total do jogo, palavras de esperança, de confiança, de para-a-próxima-temos-mesmo-de-ganhar mas que convencem cada vez menos...


Tal como me aconselham a deitar fora as meias, também já me aconselham a "deitar fora" a Selecção. Dizem que não vale a pena, que sem-o-Scolari-não-vamos-lá, que estes anos em que fomos uma das melhores selecções do Mundo já acabaram, que eu devia deixar de ligar a isso.


Mas eu não consigo deixar de ligar a isso! Não quero acreditar que a era dourada da Selecção já tenha acabado! Ainda por cima com o (suposto) melhor do Mundo a jogar do nosso lado! Pode lá ser! Eu sou daquelas que nunca perde a fé, que acredita até ao último segundo do prolongamento do último jogo. Enquanto for matematicamente possível, eu acredito.


Por outro lado, confesso que estou farta de acreditar, de apoiar, e ver os marmanjos a falharem outra e outra vez, a não serem capazes de retribuir o apoio que lhes é dado. Não se podem queixar de falta de apoio. O pessoal continua a ir em força aos jogos, apesar de os resultados deixarem muito a desejar. Eles devem-nos imenso. Imenso!


Eu continuo a apoiar apesar de tudo isto, apesar de algumas vezes nem eu própria saiba explicar porquê. Da mesma forma que continuo a usar as minhas meias preferidas. Se a Selecção perder todo o apoio, os jogadores perdem motivação para continuar a lutar, as probabilidades de nos qualificarmos reduzem-se ainda mais. Ou seja, não ganhamos nada ao desistirmos de lhes mostrar que estamos com a Selecção. Da mesma maneira que espero a altura de poder comprar meias novas, também estou à espera, não de substituir a Selecção, mas que esta encontre o caminho e que, um dia, volte ao esplendor de antes.


Esta é uma das razões que me levaram a retomar o blogue, um ano menos um mês depois da minha última entrada. Eu deixei de escrever o blogue porque, se escrevesse, só o faria em altura de jogos da Selecção. Os jogos seguintes eram daí a dois meses (eu sei que jogámos contra as ilhas Faroé em meados de Agosto mas eu estava em férias nesa altura e não tinha acesso fixo à Internet). Eu julgava que, depois de tanto tempo sem ser actualizado, o blogue seria removido. Felizmente não foi, sobreviveu até agora.


Já sentia saudades de escrever cá no blogue, de resto. Custa-me acreditar que já tenha passado um ano desde o Euro 2008. Eu releio as entradas escritas nessa altura e ainda consigo recordar o dia em que escrevi algumas delas, onde estava, que computador utilizei, o que aconteceu nesse dia e nos dias seguintes... Parece tudo tão recente...


Quem diria que, passado uma no, estaríamos num trapézio sem rede em relação à qualificação para o Mundial 2010 e cada vez mais em risco de ver a África do Sul por um canudo, apesar de termos o (suposto) melhor do Mundo a jogar do nosso lado?


Mas isso agora não interessa. Agora, mais do que nunca, a Selecção Nacional precisa do nosso apoio. è cada vez mais difícil mas eu (ainda) acredito na qualificação. Nós, os adeptos, pouco podemos fazer pela qualificação, mas o pouco que fazemos, façamo-lo bem. Os verdadeiros adeptos apoiam o seu clube nos bons e nos maus momentos. O meu clube é a Selecção. Eu sou uma verdadeira adepta. E vocês?

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Última Entrada - Até ao Mundial!


Era para ter escrito mais cedo mas não tive tempo.
No Domingo passado, a Espanha venceu a Alemanha na final, sagrando-se Campeã da Europa e o Euro 2008 terminou oficialmente. Fiquei satisfeita, sobretudo por não ter sido a Alemanha a ganhar. E, ao fim e ao cabo, nuestros hermanos mereceram o título.
No geral até foi um Europeu bastante interessante, cheio de surpresas. A maior de todas foi a eliminação da Holanda nos quartos-de-final. A Holanda, que depois das goladas aos finalistas do último Mundial era candidata a campeã. Acabaram por ter uma queda maior do que a nossa aos pés da Rússia, uma adversária teoricamente mais fraca.
O desempenho desta última, bem como da Turquia, foi outra das surpresas, de resto. Tive pena que nenhuma delas tenha chegado à final. Os pobres dos turcos tiveram o mesmo azar que nós tivémos: jogaram melhor que os alemães, só que estes remataram sete vezes e marcaram três golos! Em todo o caso, ninguém esperava que chegassem tão longe, portanto, tanto os russos como os turcos estão de parabéns. E a Espanha também. E a Alemanha... não, o meu fair-play não chega para tanto.

Entretanto, nós por cá há já algum tempo voltámos ao mundo real. As bandeiras vão aos poucos desaparecendo das janelas, o Euro 2008 deixou de ocupar as capas dos jornais e a primeira meia hora dos noticiários, confinando-se ao espaço usual dos assuntos desportivos, as nossas vidas regressam à melancólica rotina de antes.
Já houve tempo para discutir de quem foi a culpa do desempenho abaixo das expectativas da Selecção Nacional e, como seria de esperar, a vítima principal é o Seleccio... perdão, o ex-Seleccionador, sobretudo com a saída para o Chelsea metida ao barulho. Muito pessoal, como por exemplo o Rui Santos (não gosto nada deste sujeito...) dizem que o Scolari não fez absolutamente nada de palpável, não nos deu títulos, nas horas H falhou sempre...
Estes comentários irritam-me solenemente. Como se outros seleccionadores anteriores a ele nos tivessem ganho alguma coisa... Só mostra arrogância e falta de gratidão. Concordo que as nossas derrotas nas fases finais foram um autêntico balde de água fria, se tivesse sido durante a qualificação ou na fase de grupos não doía tanto - quanto maior a subida, maior a queda. Contudo, apesar de não termos ganho nada na prática, Luiz Felipe Scolari foi um dos responsáveis pela projecção da nossa Selecção no Mundo, pelo respeito que as outras selecções passaram a ter para connosco, pela união nunca antes vista dos portugueses em torno da nossa Selecção, por nos dar um motivo, um mísero e fútil motivo que seja para sentirmos uma ponta de orgulho no nosso miserável país. Esse mérito nem o Rui Santos nem ninguém lhe pode tirar.
Também há quem ache que o Scolari já devia ter sido despedido há muito, depois do célebre soco ao Dragutinovic no fim do Portugal-Sérvia. Confesso que este triste episódio me irritou. Já sabem que fui assistir a este jogo ao estádio. Das bancadas dava para perceber que havia batatada, mas não dava para perceber quem estava envolvido. Lembro-me de gritar "Parem!", mas de nada serviu. Quando saí do estádio, vinha quase a chorar. Tanto por causa do resultado como da pancadaria. Episódios como estes, só arruinam a nossa imagem, prefiro sermos derrotados mas sairmos de cabeça erguida e um mínimo de dignidade. E o Scolari já tem idade para se controlar!
No entanto, na minha opinião, despedi-lo não ia ajudar a Selecção em nada, só ia piorar a situação. Depois daqueles dois empates em casa, a qualificação equilibrava-se num trapézio sem rede (ninguém estava à espera que isso acontecesse), os jogadores não teriam tempo de se adaptarem ao estilo do potencial novo seleccionador, corríamos o risco de ficar a ver o Euro 2008 pela televisão.
Além disso, o Scolari foi devidamente castigado, aquilo não passou de um ataque isolado de mau génio quando o homem estava com os nervos em franja, ele nem sequer acertou no tipo. Lamentável, a não repetir, mas não vale a pena repisar isso. Eu já o perdoei.
Só lamento, e muito, o anúncio da contratação pelo Chelsea com um péssimo timing. Há quem diga que foi isso que desnorteou os jogadores mas eu duvido. Acho que os marmanjos são suficientemente maduros para não se deixarem afectar. Por outro lado, são capazes de ter alguma razão.
Ainda lamento mais o facto de ele nos ter traído por nove milhõs de euros, ou lá quanto lhe vão pagar. Dizia ele que adorava o nosso país, que a família tinha a vida toda cá, blá, blá, blá, mas tudo isso deixou de ser problmema quando o outro pôs milhões em cima da mesa... É claro que isto somos nós a especular. Nenhum de nós sabe ao certo porque é que ele se vai embora, podem haver outras razões para além desta - espero bem que haja!!!!!
Acho que ele deve estar um bocado magoado e farto do pessoal que lhe dedica um ódio de estimação, de alguma falta de gratidão, da falta de apoio durante a cena do soco. Isso ficou bem patente durante a célebre conferência de imprenda do "E o burro sou eu?!".
Aproveito para dizer que, na altura, quando soube do sucedido, a minha primera reacção foi achar que ele estava no seu direito ao abandonar a Sala de Imprensa. A liberdade de expressão inclui o direito ao silêncio, acho eu. E ele até tinha alguma razão no que disse. Agora acho que o Scolari podia ter tido um pouco mais de paciência, até porque os jornalistas só estavam a fazer o seu trabalho. Por outro lado, quando revejo a conferência, farto-me de rir, e não é só por causa do "E o burro sou eu?!". O homem tem uma maneira engraçada de falar, mesmo quando está zangado. Vai ser das coisas de que mais vou ter saudades depois de ele se ir embora.
Entretanto, ele ainda mal chegou ao Chelsea e já começou a implicar com os jornalistas. Não quer que lhe chamem Big Phil. "O meu nome é Felipe". Isto começa bem... Eu acho que ele está a ser casmurro, não vejo mal nenhum em Big Phil. Mas já sabem como é o Scolari... e os ingleses fazem bem em descobri. Isto promete...
Fiz uma aposta com a minha mãe. Ela acha que o Scolari não dura mais do que uma época no Chelsea. Diz que não está habituado a treinar clubes, que não se vai entender com os jornalistas por causa do seu mau feitio. Eu não acho, dou-lhe o benefício da dúvida.
Os ingleses, esses, também apostam, mas é em quem irá o Scolari dar um soco. Eu não conheço assim tão bem a malta do futebol inglês, senão também apostava. Gostava era de ver se os adeptos se vão por a cantar "Luiz Felipe Scolari! Luiz Felipe Scolari!", com uma caneca de cerveja vazia em punho, como faziam com o Mourinho...
A ver como Scolari se dá em terras de Sua Majestade. Mudemos de assunto.
Como já vem sendo tradicional, as críticas ao Ricardo são aos milhares. Chamaram-lhe frango e todos criticaram a sua titularidade constante. O cúmulo foi quando no outro dia os meus irmãos na praia pediram-me para jogar com eles ao "burro" mas em vez das letras da palavra "burro", quiseram usar as letras de "Ricardo". Sem comentários...
Cá para mim, podem dizer o que quiserem mas nós devemos muito ao Ricardo. Eu nunca me vou esquecer dos penálties de Inglaterra. Quando quer, o Ricardo consegue ser um guarda-redes do outro mundo, deve ser por isso que o Scolari confiava tanto nele. Só é pena mesmo que ele dê uma de frango mais vezes do que o ideal.
Além disso, quase ninguém se lembrou que não havia melhor alternativa. O Quim, que estava a tornar-se num sério candidato à titularidade, lesionou-se. O Rui Patrício é um puto. O Nuno Espírito Santo é suplente no Porto, se não me engano... Ao menos o Ricardo tinha a vantagem da experiência em fases finais. Eu sei que outro guarda-redes talvez defendesse aqueles golos, mas enfim...
Também se falou muito do Ronaldo, o suposto melhor do Mundo, mas que não o provou durante o Europeu. Muita gente se queixa que ele nunca dá o seu melhor na Selecção, se ele jogasse como joga no Manchester... Eu concordo com a generalidade dessas críticas. Talvez seja por estar numa equipa diferente, a verdade é que o Ronaldo da Selecção não passa de uma sombra do Ronaldo do United. Lembro-me de ouvir muitas vezes os comentadores a dizer que ele é candidato a melhor do Mundo, blá, blá, blá, mas eu digo para mim mesma:
- Não se vê nada...
Acho que pode ter sido por causa disso que ele só ficou como terceiro melhor do Mundo no ano passado, mas isto são só especulações minhas. E agora, com a exibição aquém das expectativas neste Europeu pode ser que também ainda não seja desta...
Há quem diga que foi a disputa entre o Real Madrid e o Manchester United pelo passe dele que o desnorteou. Já se escreveram muitas linhas sobre o assunto e eu, para não destoar, vou escrever mais meia dúzia delas aqui no blogue.
Antes de mais nada, devo dizer que desde que comecei a interessar-me por futebol, sempre me baralhou um bocado o mercado de transferências de jogadores, comprar um jogador, vender um jogador, etc. Faz lembrar um bocado o tráfico de escravos, só que com uma diferença: nestes casos, os escravos são pagos (e bem!) e em vez de serem maltratados muitas vezes são venerados como se fossem deuses (o Ronaldo é um óbvio exemplo disso).
Agora especificando, há quem diga que o Ronaldo quer dar de frosques do Manchester e ir para o Real, há quem garanta que ele fica em Inglaterra. No início desta novela, eu achava que ele ficava, porque, salvo erro, ele tem contrato até 2010. Agora já não faço a mínima ideia. Acho indecente a pressão psicológica que alguns jogadores ingleses (não me lembro dos nomes) têm feito sobre ele, e também irritou o constante assédio dos jornalistas espanhóis durante o Europeu. A coisa complicou-se quando veio à baila que o Scolari teria insistido com o Ronaldo para que ele fosse para o Real (ainda não chegou a Inglaterra, e já andam os ingleses a arranjar motivos para o odiarem...). O Manchester também podia ter uma ponta de tolerância em vez de recusar toda e qualquer hipótese de negociação.
A ver como é que isto acaba.
Talvez se o Carlos Queiroz vier para a Selecção consiga pôr o Ronaldo a jogar como joga no Manchester, já que o conhece um pouco melhor.
O meu blogue termina aqui. Não definitivamente da maneira que eu o queria terminar, nem de longe, nem de perto. Queria que a Selecção tivesse chegado mais longe, bem mais longe. Em todo o caso, já o disse e repito-o, orgulho-me da atitude da Selecção Nacional durante o Euro 2008, especialmente durante o jogo frente à Alemanha. É claro que quando comparamos com o Euro 2004 e o Mundial 2006 fica aquela sensação de pouco...
Um dia tudo será diferente. Havemos de conseguir chegar à final de um Campeonato da Europa ou do Mundo e trazer a Taça para Portugal. Pode ser já daqui a dois anos, daqui a quatro, dez, vinte ou quarenta. Pode ser que nessa altura, nós, que agora somos jovens e saudáveis, sejamos já velhos decrépitos, com um Alzheimer avançado, fechados na casa de repouso, reclamando com cinquenta anos de atraso do anúncio da contratação de Solari fora de horas. Mas o maldito dia há de chegar, que diabo! E quando esse dia chegar, a festa vai ser maior do que nunca!
Ainda não estou bem nessa fase mas daqui a uns tempos vou sentir imensas saudades da época pré-Euro 2008 e Euro 2008 propriamente dito. De ver as bandeirinhas nas janelas e não só, de ver os programas especiais dedicados à Selecção, de escrever no blogue... A qualificação para o Mundial começa em Setembro mas não é a mesma coisa que uma fase final... Em princípio se/quando (escolham vocês) estivermos no Mundial 2010, também hei-de escrever um blogue de apoio à Selecção. Ainda faltam dois anos...
Um agradecimento a todos os que visitaram o meu blogue durante estas semanas todas. Despeço-me como o Fernando Pessoa se despediu no fim da Mensagem: Valete, fratres. Selecção Nacional para sempre!







Ah, se a gente tivesse conseguido marcar mais um golo frente à Alemanha...
BG

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Portugal 2 Alemanha 3 - "22 homens atrás de uma bola e no final ganham os alemães"

Acabou.



A Alemanha derrotou-nos por 3 bolas a 2, e expulsou-nos ao pontapé do Euro 2008.


Já passaram mais de doze horas mas ainda mal consigo acreditar que tudo tenha acabado tão cedo, quando nós esperávamos mais da nossa Selecção. Muito mais. Embora tivesse assumido desde cedo uma posição mais ou menos realista, de saber que este Campeonato ia ser mais difícil do que foram o Euro 2004 e o Mundial 2006, não estava à espera de sermos expulsos logo nos quartos-de-final. Nós tínhamos capacidade para chegar mais longe. Não foi o suficiente.


Foi o jogo em que mais me enervei, em que mais sofri. A minha pressão arterial deve ter ido aos píncaros, se eu estivesse na casa dos 40 e dos 50 provavelmente teria tido um ataque cardíaco ou um AVC. Sempre era melhor, ao menos não via o resto do jogo e não sofria mais. Fartei-me de gritar, de torcer o meu cachecol até quase o rasgar, de morder o lábio e os dedos até fazer sangue.


Acreditei até ao último segundo da compensação que nem tudo estava perdido, que ainda era possível dar a volta possível. Repetia de mim para mim: "Ainda falta muito para o jogo acabar", "Se os turcos conseguiram marcar três golos em vinte minutos, nós também conseguimos", "Isto não pode acabar assim", "Só são precisos alguns minutos para marcar um golo"... Ao que tudo indicava, os marmanjos também pensavam da mesma maneira. Nunca desistiram, nunca deixaram de lutar, embora de vez em quando aparentassem estar um bocado desnorteados. De facto, levar três golos desnorteia qualquer um... Se o nosso segundo golo tivesse sido marcado um pouco mais cedo, talvez a história tivesse sido diferente. Assim, mais valia que nunca tivessem marcado o segundo golo, que só nos deu falsas esperanças. Nós jogámos bem, sobretudo o Deco e o Simão! O jogo decidiu-se em "detalhes", como já tinha sido dito que muitas vezes acontece. Erros defensivos, falhas na marcação, um "frango" do Ricardo, um erro do árbitro, falta de sorte, etc, etc. Como disse a minha mãe:


- Não foi justo! Nós jogámos bem, mas a Alemanha fez quatro remates à baliza e marcou três golos!

Imediatamente depois da derrota na final do Euro 2004, pus-me no Messenger a falar com os meus amigos. Lembro-me de termos comentado que, poucos dias antes, depois do jogo com a Holanda, estávamos na rua a festejar a vitória, e agora estávamos enfiados em casa, presos ao Messenger, com uma amarga sensação de frustração. Imediatamente depois da derrota nas meias-finais do Mundial, fomos todos afogar as mágoas em... pastéis de Belém. O sabor deles não aliviava a mesma amarga sensação de frustração. Ontem à noite, imediatamente depois do jogo, pus-me a estudar e, mais tarde, a ver televisão, para tentar esquecer a amarguíssima sensação de frustração. Sem sucesso.

Depois de toda a festa criada em redor da Selecção, adeptos aos milhares armados até aos dentes com as cores nacionais nos treinos abertos ao público, em Viseu, em Neuchâtel, nos aeroportos, nos estádios, acho que nós, os adeptos, merecíamos mais. A Selecção está em dívida para connosco. Esta jornada no Euro 2008 não se compara, nem de longe, nem de perto, com as jornadas do Euro 2004 e do Mundial 2006. Só tivemos quatro jogos, só tivemos duas vitórias. Sabem a tão pouco... Eu nem cheguei a festejar essas vitórias como deve ser. Supostamente, era a partir de agora que as vitórias da Selecção começariam a saber mesmo bem, que seriam realmente aquelas vitórias que ficam para a história, como aquelas frente à Espanha, à Holanda, à Inglaterra nos últimos campeonatos... Ainda não era altura para sairmos do Europeu! É altamente injusto.

O mais irónico de tudo é que eu sentia que não tinha vivido como deve ser o Euro 2004 e o Mundial 2006 e andava há meses a planear o Euro 2008. Ia criar este blogue, ia fazer um vídeo de apoio e colocar no You Tube, ia recolher fotografias e artigos de jornais, etc, etc, para depois poder recordar no futuro. Recordar o quê? Eu sentia que ainda estava a meio, ainda tinha muitas fotografias para recolher, muitos artigos para recortar, tanta coisa para escrever aqui no blogue! Falta tanta coisa!

Contudo, no meio desta desilusão toda, há uma coisa de que me orgulho e muito! A atitude da Selecção. Da perserverança, da luta, do esforço, apesar de tudo! Pode não ter servido para nada, mas contribuiu para que saíssemos do Europeu de cabeça erguida, e com a consciência de que fizémos (quase) tudo o que pudemos. Esse mérito ninguém nos pode tirar!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Portugal 0 Suíça 2 - Uma tareia dos "Toblerones"

Ontem a Suíça derrotou Portugal por duas bolas sem resposta, num jogo em que o onze português era maioritariamente constituído por suplentes, poupando alguns dos habituais titulares. Deste modo, a Suíça despede-se do "seu" Euro 2008 em glória.

Como este jogo não contava rigorosamente para nada, não liguei muito a ele, não o vi com muita atenção. E ainda bem que não o fiz, porque senão teria sofrido bastante. Não se pode dizer que a gente não tenha merecido a derrota, porque não jogámos grande coisa, sobretudo na segunda parte. Apesar de tudo, gostei de ver o Hélder Postiga, que em várias ocasiões esteve bem perto de marcar, o Nani e o Ricardo, que ainda fez umas belas defesas.
Choveram críticas ao desempenho do árbitro que tinha um critério um bocado confuso. Por um lado, apitava por ninharias (diziam que estava a ser o jogo mais faltoso do Campeonato e não tinha ar disso), por outro lado, ignora um penálti a nosso favor, anula mal um golo e marca um pseudo-penálti aos suíços, erros que podem ter influenciado o resultado. Contudo, acho um bocado ridículo atribuir culpas de derrotas aos árbitros. A gente muitas vezes esquece-se que, na televisão e nas bancadas, temos uma visão sobre o jogo diferente da do árbitro, que eles não têm acesso às repetições.
Quanto às insinuações de que o árbitro queria era dar uma despedida em glória à Suíça, não vale a pena fazer um grande escândalo por causa disso. O jogo não contava para nada e também, coitados dos suíços, mereciam um pouco de alegria durante o "seu" Campeonato. Já imaginaram como teria sido se a gente tivesse feito um Euro 2004 para esquecer? No nosso próprio país?
Muita gente diz que o Scolari devia era ter metido mais alguns dos habituais titulares a jogar, só para evitar a derrota. Mesmo assim, não sei se valeria muito. Podíamos ter perdido à mesma, embora fosse menos provável, podíamos ter só empatado, ou ganhado pela margem mínima. A Selecção raramente dá o seu melhor em jogos "a feijões", sobretudo frente a equipas teóricamente mais fracas. E os exemplos abundam.
De resto, a derrota pode ter servido para "acordar" um bocado as pessoas. Havia por aí muita gente a achar que nós já éramos praticamente Campeões da Europa e o Campeonato ainda não tinha começado. Por esta altura já devem ter caído um bocadinho na real. Ainda falta muito para sermos Campeões da Europa. Temos de passar os quartos-de-final (provavelmente com a Alemanha, que é tudo menos acessível), as meias-finais e levar de vencida a final. O que não é canja. Os marmanjos prometeram que, nos quartos, vai ser diferente de frente à Suíça. Eu espero bem que sim!
O meu irmão comentou, no fim do jogo, que o Chelsea devia estar aí a telefonar, a dizer que afinal já não querem o Scolari. Sem comentários...
De resto, este tem sido um Europeu cheio de surpresas. Tenho de tirar o chapéu aos turcos que, no domingo, deram uma bela sova aos checos e qualificaram-se para os quartos-de-final. Pelos vistos, a alma turca é bem maior do que a gente pensava e, definitivamente, não cabe no autocarro deles.
Outra coisa que me surpreendeu foi a expulsão da Grécia. Estava à espera de a ver, pelo menos, passar a primeira fase. Parece que o Euro 2004 foi mesmo um presente dos deuses, uma vez sem exemplo. Pena é ter sido no Campeonato em que nós nos qualificámos para a final!
Por fim, a possibilidade de, pelo menos, a França ou a Itália ficarem já de fora, também me faz confusão. Ao fim e ao cabo, elas foram as finalistas do Mundial e, depois do sorteio dos grupos, eu achava que elas passariam, de certeza, aos quartos. Apesar de também me parecer pouco provável a Holanda ficar pelo caminho tão cedo.

Estas expulsões permaturas, por um lado, aliviam, porque são menos potenciais candidatos. Por outro lado, eu tinha vontade de ter uma desforrazita, sobretudo frente à Grécia ou à França. Além disso, isto só prova que a Espanha e, sobretudo, a Holanda, são fortes candidatas ao título e que não vai ser nada fácil passar por elas, se as defrontarmos.

Apesar da derrota de ontem, continuo a achar que podemos chegar à final e, quiçá, vencer. É difícil (e muito...) mas não é impossível! Força Portugal!
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