quarta-feira, 2 de setembro de 2009

"Vem aí o sprint final"

No próximo Sábado, dia 5 de Setembro, pelas 19h, hora de Lisboa, a Selecção Portuguesa defrontará a sua congénere dinamarquesa, em jogo de qualificação para o Campeonato do Mundo a realizar em 2010 na África do Sul. Na Quarta-feira seguinte, dia 9 de Setembro, a hora desconhecida (pelo menos da minha parte), a Selecção Nacional defrontará a húngara, também em jogo de qualificação para o Mundial. Ests duas partidas serão as primeiras duas finais de uma série de quatro em que se decidirá se Portugal se qualificará para o Mundial, se terá de ir aos play-offs, ou se ficará a ver o Mundial pela televisão. Por outras palavras, como disse Queiroz, "vêm aí o sprint final".



No fim-de-semana passado, Carlos Queiroz, o Seleccionador Nacional, concedeu uma entrevista à estação de rádio Antena 1 e ao Jornal Record. Eu não tive oportunidade de ouvir na rádio nem de ler no jornal, mas encontrei o vídeo da entrevista na Internet. Eis o link para quem quiser ouvir a entrevista na íntegra: http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Entrevista-a-Carlos-Queiroz-completa.rtp&article=275123&visual=16&layout=55&tm=44 Quando vi a duração da entrevista, assustei-me: demorava mais ou menos uma hora. Sorte que eu estou de férias, logo, consegui aranjar tempo para ouvir. Se estivesse em aulas duvido que arranjasse uma hora para ouvir uma entrevista. Com um bocado de sorte, limitar-me-ia a lê-la no jornal.



Gostei bastante de ouvir o Professor a falar. Também gostava de ouvir Scolari, com o seu sotaque gaúcho, o seu humor variável que tem o seu quê de cómico (estou a lembrar-me da célebre conferência do "E o burro sou eu?" e de outra, na altura do Europeu, em que resolveu responder às perguntas dos jornalistas só com "Sim" e "Não" e em que tinha de ouvir as traduções das perguntas dos jornalistas ingleses), algumas expressões engraçadas que ele usa. Tenho algumas saudades de o ouvir. Queiroz tem um estilo diferente, uma voz agradável, fala bem, dá gosto ouvi-lo.



Um dos temas mais discutidos durante a entrevista foi a tão falada Chamada de Liedson, recém-naturalizado português. Carlos Queiroz não alimentou as polémicas, disse que Convocou o luso-brasileiro porque, em primeiro lugar, é oficialmente português, em segundo lugar, o eterno problema da falta de pontas-de-lança (e, ainda por cima, Hugo Almeida está lesionado). Além disso, Liedson já joga cá há muitos anos, há algum tempo que manifestou ter vontade de representar a Selecção Portuguesa. "Dá jeito" nesta altura do campeonato e pode ajudar-nos. Ponto final. Admite que o assunto "Vai dar jeito aí a uma certa malta para se enterter com essas coisas", mas não quer saber.



Eu ainda estou dividida, ainda não sei se aprovo ou não a Chamada de Liedson. Tenho medo que se abuse das Convocatórias de portugueses neutralizados, que se perque a noção de Selecção Nacional. Contudo, por outro lado, os brasileiros são nossos irmãos, é diferente de convocar um francês neutralizado português (como se houvesse algum francês não luso-descendente interessado em ser português...). Além disso, como a minha mãe se costuma queixar de que "os brasileiros estão a invadir tudo", é cada vez menos provável que o empregado a quem pedimos o café não tenha sotaque brasileiro, a Selecção até reflecte o que está acontecer no país. Não que eu tenha algum problema com o número de imigrantes vindos do Brasil a viverem em Portugal, até porque entre esses imigrantes está um amigo meu.



E, se virmos bem as coisas, o caso não difere muito dos dos jogadores que nasceram nas antigas colónias portuguesas mas que há muito que são portugueses. Estou a pensar no Nani, que nasceu em Cabo Verde, e cresceu cá, mas há imensos outros casos. E, de resto, o Eusébio, o nosso Pantera Negra, nasceu na Angola ou em Moçambique (não sei em qual), no tempo em que ainda eram colónias portuguesas. A única diferença entre Nani e Liedson, é que este último só veio há uns anos para Portugal. Se os nossos antepassados, do século XIV e XV não tivessem tido a grande ideia de ver o que havia no outro lado do mar, se não fosse o Infante D. Henrique, o Vasco da Gama, o Diogo Cão, o Pedro Álvares Cabral e companhia, não tínhamos pelo menos metade dos actuais jogadores portugueses.



Na prática, o que mais me preocupa é a pressão que estão a pôr em Liedson, o pouco tempo de que dispõe para se adaptar à equipa. A eterna desculpa, perdão, razão que se invoca para justificar o desempenho de Ronaldo na Selecção, bastante inferior ao antigo desempenho no Manchester United.



Em relação ao facto de o Ronaldo se ter "baldado" ao jogo com o Liechenstein, Queiroz explicou que a confusão toda se deveu a "mal-entendidos" e "falhas de comunicação" e que isso ficou claro para a maioria das pessoas, mas há sempre gente que se aproveita destas coisas para gerar intrigas, "conversas de escárnio e mal-dizer". Quando o jornalista se "esticou", quando afirmou que acompanhara a Selecção na deslocação ao Liechenstein e que não percebia como ocorrera a comunicação de que o Ronaldo não jogava, o Professor mandou uma indirecta criticando o desrespeito pela privacidade das pessoas. Pode haver quem interprete isso dizendo que o Seleccionador tem algo a esconder, mas o Professor está no seu direito em manter as suas conversas com os jogadores privadas. Queiroz afirmou ainda que nunca duvidou das desculpas, perdão, dos motivos apresentados para a ausência de Ronaldo, porém, questionou-se se o Real Madrid teria feito tudo para que o Cristiano pudesse vir jogar. "Eu não poria as mãos no fogo", disse ele. Eu também tenho as minhas dúvidas, mas como não passava de um particular, ainda por cima frente ao Liechenstein, acho desnecessário fazer uma tempestade num copo de água.



De resto, Queiroz afirmou mesmo que "Isto não é acerca do Cristiano, isto não é acerca do Carlos Queiroz, isto não é acerca do Liedson, é acerca de Portugal se classificar para o Campeonato do Mundo". Acrescenta ainda que se acha obrigado a "estimular esse sentido de responsabilidade em todas as pessoas, dos adeptos, dos jogadores, para que todos nós estejamos concentrados nesse grande objectivo". É a única coisa que interessa neste momento. Mais tarde, discutirá outros temas que considera importantes, mas agora não.



Esta frase fez-me lembrar o verso de uma música dos Nickelback, "Someday". "Someday, somehow, we're gonna make it alright but not right now" (Um dia, de alguma forma, pomos isto bem mas não agora).



Passando, então, ao que interessa, os jornalistas começaram a perguntar-lhe sobre as tácticas. No início, Queiroz tinha medo de revelar demasiado, o que motivou um gracejo dos entrevistadores, referindo que era pouco provável que os dinamarqueses o ouvissem. Eu não arriscaria... Como não percebo muito desta matéria, acho melhor não falar sobre isso, ou ainda digo algum disparate.



O Professor revelou que o seu grande objectivo é tornar a nossa Selecção Campeã do Mundo, que fará tudo, que levantará "pedra por pedra". Pode demorar "um ano, dois anos, seis anos", dez anos, vinte anos, quarenta anos. Acredita que seremos melhores que a Dinamarca, falou mais uma vez em "vontade ilimitada". O nosso primeiro jogo com a Dinarmarca foi provavelmente um dos melhores desta fase de qualificação mas perdemos por detalhes, por "erros individuais". Tanto ele como os entrevistadores concordaram que hoje a Selecção está melhor que há um ano atrás. Queiroz chegou mesmo a usar uma comparação engraçada - afirmou que o Bolt, nos Mundiais de Atletismo partiu em quarto, fez uma má partida, e acabou por bater o recorde. Portugal também teve uma má partida, mas ainda pode ganhar esta guerra. E eu também ainda acredito que pode.



Foi basicamente isto que eu achei relevante desta entrevista. No fundo, não tem dito nada que não tivesse dito anteriormente mas os resultados nem sempre têm correspodido às expectativas. Contudo, não é hora de relembrar batalhas perdidas. Queiroz deixou por fim uma mensagem de união em torno da Selecção que eu também deixo. Eu sei que não era aqui que queríamos estar nesta altura do campeonato há um ano atrás. Eu sei que houve uma altura em que a Selecção não nos desiludia tanto como tem desiludido ao longo do último ano. Eu sei que muitos de nós já não têm forças para acreditar como acreditaram antes. Mas o pessimismo nunca fez ninguém qualificar-se. É nosso dever como adeptos dar todo o apoio que pudermos. E é isso que tenciono fazer.



P.S. Descobri agora que, aparentemente, os dinamarqueses estão com nove jogadores indisponíveis por lesão ou por castigo. Eh, eh, a sorte está de novo connosco. É aproveitar!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Liechenstein 0 Portugal 3 - Polémicas

Ontem, Quarta-feira, 12 de Agosto, a Selecção Portuguesa derretou a Selecção Lie... do Liechenstein por três golos sem resposta em jogo de preparação para os próximos que se avizinham frente à Dinamarca e à Hungria, dias 5 e 9 de Setembro, respectivamente.


Era para ter escrito cá logo a seguir ao particular frente à Estónia, em Junho, mas não tive oportunidade visto que estava em exames. Também devia ter escrito antes deste jogo contra o Liechenstein, mas estive a passar uns dias no estrangeiro, sem acesso à Internet. Só regressei ontem, felizmente a tempo de ver o jogo. Se alguém estava à espera de ver o blogue actualizado (eu tenho dúvidas, mas enfim...), peço desculpa.



Em relação ao resultado do jogo, era o esperado tendo em conta a diferença de qualidade entre as duas selecções. Não segui o jogo com muita atenção, em parte, porque tinha outras obrigações e também porque era apenas um particular frente a uma selecção que, à partida, não criaria dificuldades de maior. Por acaso, foi à primeira meia hora que assisti com mais atenção e, pelo que se tem dito, foi a única a que valeu a pena assistir. Achei que os marmanjos jogaram bem mas, como se trata do Liechenstein, pouco ou nada deve significar. Na altura, desejei que eles jogassem assim o jogo todo, que me dessem mais oportunidades de gritar "GOLO!", mas já sabia que era pouco provável isso acontecer. O mais importante é que ganhámos.


Muito se questionou a utilidade deste jogo de preparação frente a uma selecção que nem roça os calcanhares daquelas que teremos de enfrentar num futuro próximo. Para ser sincera, também não percebo muito a utilidade deste jogo. Para mim, só serve para o pessoal, em caso de vitória, reclamar que "pois, com o Liechenstein, até a minha avó!" ou, em caso de empate ou derrota (altamente improvável, mas eu já não ponho as mãos no fogo...), reclamar que "se nem ganhamos ao Liechenstein, como vamos chegar ao Mundial?.



Com isto, lembrei-me do último anúncio da Liga Sagres que eu acho que está o máximo: http://www.youtube.com/watch?v=9vIX0MNCqCs Só mostra que é fácil criticar, mas nós dificilmente faríamos melhor. Ao fim e ao cabo, por alguma razão estamos nós nas bancadas ou a assistir a jogo pela televisão e estão eles em campo. Além disso, por amor de Deus, ninguém joga mal por gosto!

Voltando ao outro assunto, Carlos Queiroz diz que tenciona levantar a moral dos jogadores mas estará a moral deles assim tão fragilizada que se eleve com uma vitória frente a uma selecção de nível inferior? Espero bem que não... Contudo, como já disse antes, o Professor é que foi nomeado Seleccionador, ele percebe muito mais disto do que eu, uma mera adepta, que quando falam em 4:4:2 ou 4:3:2:1 ou "losango" é como se falassem chinês... Suponho que ele sabe o que faz.



O Hugo Almeida marcou dois dos três golos que nos deram a vitória, isto numa altura em que se volta a comentar a possível Convocatória de Liedson. Tenho um pressentimento que uma das razões que levou o Hugo a esforçar-se neste jogo foi por se sentir ameaçado. Já não é a primeira vez que isto acontece com pontas-de-lança. Há dois anos, nos dias anteriores ao Portugal-Bélgica de 2 de Junho, Scolari, Seleccionador na altura, falou bastante em Hugo Almeida como potencial ponta-de-lança titular na Selecção. Resultado: Hélder Postiga, cujas prestações são bastante irregulares, marca um golo espectacular em Bruxelas. Um ano mais tarde, na altura do Portugal-Grécia de preparação para o Europeu, Carlos Queiroz, ironicamente, comenta a falta de pontas-de-lança na Selecção Portuguesa. Resultado: Nuno Gomes, com a ajuda de Hugo Almeida, marca um golo, se bem me lembro, o primeiro de vários meses. Existem vários outros exemplos de como críticas e ameaças de substituição estimularam os jogadores a mostrarem o que valem.



Em relação à entrada de Liedson na Selecção, eu realmente não sei. Por um lado, fala-se muito da falta de pontas-de-lança, o Liedson é um bom jogador, se estiver sinceramente disposto a dedicar-se desinteressadamente à Selecção, é uma mais-valia. Por outro lado, já é o terceiro luso-brasileiro na Selecção. Ainda por cima, fala-se tanto na extinção do jogador português, de que os clubes apostam demasiado em jovens brasileiros desprezando os portugueses... Tenho medo que, com a entrada de Liedson, hajam mais luso-estrangeiros a querem entrar até a Selecção Portuguesa não ter um único jogador português propriamente dito... Sem desvalorizar Liedson, acho preferível que se dê prioridade aos portugueses "a sério", mais por uma questão de princípio. De resto, parece-me que este assunto do Liedson na Selecção, que, de resto, nem é novo, ainda vai dar pano para mangas.



Tendo estado no estrangeiro nos dias imediatamente anteriores ao jogo, estava completamente a leste do que se passava em Portugal, inclusive na Selecção Nacional. Por isso, fui apanhada de surpresa quando me deram um jornal português no avião e li sobre a polémica ausência de Cristiano Ronaldo da Selecção para este jogo. A desculpa, perdão, razão que deram foi que ele estava constipado ou engripado. Parece que ainda se pensou em gripe A, mas pelos vistos não. Pelo que eu percebi, há quem não acredite nesta história da constipação. Eu própria acho que é fraco motivo para se baldar a um jogo, mas... Não sei o que se passa de verdade, só tenho isto a dizer: espero bem que o Cristiano não comece a pôr o Real Madrid em frente da Selecção Nacional.



A propósito deste assunto, quero dizer que, apesar de tudo, fiquei bastante feliz por o Cristiano ter sido contratado pelo Real Madrid. É sempre bom ver um português chegar tão longe. Em relação ao valor do passe, muitos acham exagerado e eu tenho de concordar que 94 milhões de euros é uma quantia astronómica. Contudo, não se pode dizer que ele não merece. À minha avó faz-lhe alguma confusão que os jogadores de futebol ganhem tanto dinheiro quando têm "pouco mais que a quarta classe", mas eu faço-lhe ver que estudar não é a única forma de se construir um futuro. O Ronaldo, por exemplo, não passou horas agarrado aos livros, mas passou horas a treinar no ginásio, no campo... Se está onde está hoje, se é o melhor do Mundo, é sobretudo por mérito próprio. Merece os meus parabéns por esse motivo. Mas só espero que, no meio desta euforia galáctica, não se esqueça da Selecção.



De resto, ouve uma situação semelhante há coisa de dois ou três anos, julgo que foi num mês de Novembro, numa altura em que tínhamos um jogo de qualificação para o Euro 2008, se não me engano. Houve uma polémica qualquer com o Carlos Queiroz que, ironicamente, nessa altura estava no outro lado, no lado dos clubes, no lado do Manchester United, como seria de esperar do treinador-adjunto. Não tenho a certeza, já não me lembro bem, mas acho que na altura não queriam que o Ronaldo jogasse pela Selecção para que o seu desempenho pelo Manchester não fosse prejudicado. Contudo, parece que o Ronaldo teimou em representar a Selecção Nacional, afirmando mesmo estar "de corpo e alma na Selecção". Se bem me lembro, até marcou um golo nesse jogo.



Sei que já se passaram dois ou três anos, que as circustâncias eram diferentes, que na altura se tratava de um jogo "a sério", de qualificação, que este jogo com o Liechenstein é, sem margem para discussão, insignificante comparado com o outro. Mas espero sinceramente, e quero acreditar nisso, que continue de corpo e alma na Selecção, que isso não tenha mudado com a ida para o Real Madrid. Este foi o primeiro jogo da Selecção com o Ronaldo galáctico e acontece isto. Não dá uma boa primeira impressão. Mas só o tempo poderá revelar o modo como o Ronaldo encara a Selecção.



Lembro-me da última vez em que jogámos com o Liechenstein, se não me engano, no dia 8 de Outubro de 2005. Eu fui lá assistir ao jogo, no Estádio de Aveiro, para mim o mais giro de todos os estádios que foram construídos para o Euro 2004. Fomos a Aveiro de propósito para assistir ao jogo...



Lembro-me que antes do jogo actuou uma cantora portuguesa qualquer que cantou (e notava-se perfeitamente) em playback. Lembro-me de nos terem dado t-shirts enormes, brancas, cada uma com uma letra, para formarmos a palavra "PORTUGAL". Como eu estava num grupo de cinco pessoas, só podíamos formar "PORTU", as outras três foram entregues a outros. Eu fiquei com o U. Ainda temos essas t-shirts, eu ainda uso a minha como camisa de noite. Não podíamos usar as t-shirts novamente e eu não queria deitá-las fora...



Lembro-me de ter levado um cartaz (nem era bem um cartaz, era uma cartolina) pintado por mim e pelos meus irmãos a dizer: Próxima Paragem: Alemanha 2006 que ergui bem alto quando se marcou o golo que nos deu a vitória e no fim do jogo. Isto porque, se ganhássemos, tinhamos lugar garantido no Mundia 2006. Gostava que o tivessem mostrado na televisão, mas provavelmente só tinha essa sorte se tivesse escrito Mãe, estou na RTP! ou Futebol espectáculo é na TVI ou uma frase desse género.



Lembro-me de gemer e levar as mãos à cara ao ver a bola rolar tranquilamente em direcção à nossa baliza e de, no meio de manifestações de sofremos-um-golo da parte dos adeptos portugueses, um velhote, na nossa bancada, vestido com as cores do Liechenstein se ter levantado e celebrado o golo. Nós, os adeptos, achámos tanta graça que aplaudimos.



E lembro-me de ver os marmanjos todos a festejarem a qualificação para o Mundial 2006. Às vezes nem acredito que passaram quase quatro anos...



Enfim, daqui a três semanas temos mais dois jogos e desta feita é a sério. Fiquei contente por termos ganho ao Liechenstein, mas, como se dizia n'A Bola, vençam também quando não for a feijões. Eu continuo a fazer a minha parte, a acreditar, a apoiar. O resto é com os marmanjos.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Jogos do passado e do futuro


Amanhã a Selecção disputará um jogo particular em Tallin, frente à Estónia. Parece que é para celebrar o centenário do primeiro jogo da selecção esto... da Estónia (como é que a gente chama os nativos da Estónia?). São mais antigos do que nós... Visto que Carlos Queirós dispensou muitos dos titulares habituais, suponho que o Professor queira testar os outros jogadores. Tendo isto em conta, vejo o jogo mas não me preocupo muito com o resultado. A minha tensão arterial já se eleva o suficiente com os jogos oficiais...


Parece que na Estónia estão dez graus centígrados e que nesta altura do ano, o sol põem-se depois das dez da "noite" e nasce às quatro da madrugada. Custa-me imaginar viver num país assim, em que há alturas no Inverno em que só temos sol durante umas horas e no Verão, quase não há noite para ninguém. E que têm temperatura de 10ºC em Junho, prestes a começar o Verão - nem quero imaginar o Inverno! Eu já mal aguento os nossos Invernos... Gostava era de viver na Califórnia, em Los Angeles, onde parece que o pessoal tem temperaturas de Primavera o ano todo...


O nosso último jogo contra a Estónia foi há quatro anos, de apuramento para o Mundial 2006. Lembro-me que o Cristiano Ronaldo marcou o único golo e durante os festejos pôs o indicador à frente dos lábios, como se dissesse "Chiu!". Essa nunca percebi, mas... Lembro-me também que o estádio tinha um defeito qualquer e os jogadores eram encandeados pelo sol. Pergunto-me se o estádio em que a gente vai jogar amanhã é o mesmo e se ainda tem o mesmo defeito...


Mas o primeiro jogo contra a Estónia dessa fase de qualificação, em Leiria, é que foi emocionante. Lembro-me que estivémos empatados a zero até para aí aos setenta e cinco minutos mas depois enfiámos quatro golos em pouco mais de quinze minutos e, pronto, ficou salvo o dia.


Há quanto tempo não temos jogos assim, recheados de golos a nosso favor? Não, o das Ilhas Faroé não conta...


É engraçado, vamos ter um jogo da Selecção no dia 10 de Junho, no dia de Camões e de Portugal. Já tivémos dois jogos neste dia, por acaso em anos seguidos: frente à Polónia, no Mundial 2002, e um particular frente à Bolívia, em 2003. Do primeiro, certamente toda a gente se lembra, foi o único que se aproveitou do Mundial da Coreia do Sul. O Pauleta marcou três dos golos e o Rui Costa marcou o último. Lembro-me vagamente que o Rui Costa acabara de entrar para substituir o João Pinto e que, nos dias seguintes, o sportingista na altura reclamou por isso. Por ironia do destino, no jogo seguinte deu-se aquele triste episódio do murro no árbitro e o João Pinto não voltou a pôr os pés na Selecção...


Do segundo jogo, frente à Bolívia, não me lembro quase nada. Na altura eu ainda não ligava muito à Selecção, bastante menos do que ligo hoje. Sei que ganhámos por 4-0. O mesmo resultado com que ganhámos da outra vez em que jogámos no 10 de Junho, se bem que as circustâncias fossem bastante diferentes. E como não há duas sem três, pode ser que amanhã também ganhemos por 4-0...


Só há uma maneira de o saber. O jogo é transmitido pela TVI (pfff!) amanhã às 19h30.


P.S. Acabo se saber que o nosso ex-mister Luiz Felipe Scolari vai treinar o Bundyodkor, líder do campeonato do Uzbequistão. Não vou comentar, excepto para me perguntar como é que ele se desenrascará com a língua que eles farlarem. Já se viu grego com o inglês... Mas, eventuais ressentimentos à parte, eu desejo-lhe felicidades.

domingo, 7 de junho de 2009

Portugal 2 Albânia 1 - Aleluia!

Uma gravidez mais tarde lá conseguimos, finalmente, ganhar um jogo nesta fase de qualificação. Foi uma vitória a saca-rolhas mas foi uma vitória, caramba! Por dois golos de Hugo Almeida e Bruno Alves contra o único golo albanês, marcado por Erjon Bogdani.


Até aos 93 minutos, foi um jogo parecidíssimo com os últimos jogos de qualificação, exceptuando os golos. Os marmanjos ali às voltas com a bola mas sem fazerem nada de jeito, sem jogarem grande coisa. O ambiente era infernal, o estádio estava cheio de albaneses barulhentos, apoiando a sua selecção. As comunicações deixavam muito a desejar, os comentadores da SIC passaram o jogo a queixarem-se de que não conseguiam ouvir os colegas, consta que os locutores da rádio tiveram de fazer os relatos via telemóvel. Ainda bem que não ligámos do rádio como tencionávamos fazer. Imagino a qualidade da transmissão. Já às vezes é difícil ouvi-los, já que às vezes falam tão depressa...


Os albaneses pareciam determinados a lutar pelo menos pelo empate. Fartaram-se de marcar faltas sobre nós e o guarda-redes demorava sempre séculos a repôr a bola em jogo, irritando solenemente a mim e não só, aposto. O árbitro, esse, estava estranhamente impassível à agressividade exagerada dos albaneses. Não nos marcou dois penálties. Se isto fosse na Liga Portuguesa, com o Sporting, já o Paulo Bento tinha disparado críticas em todas as direcções e um padre qualquer diria que não baptizaria ninguém com o nome Florian... Se o árbitro fosse inglês, eu desconfiaria que ele queria vingar a expulsão da Inglaterra nos quartos-de-final do Euro 2004 e do Mundial 2006, mas ele é alemão... Como foram eles que nos expulsaram do Euro 2008, não estou a ver o que é que ele tem contra nós. Um comentário no site da Record escrito por um tal Carlos Ferreira, dizia que nós estamos a ser prejudicados nesta fase de qualificação, que a FIFA não nos quer ver nas meias-finais do Mundial já que renderíamos menos do que outras selecções, como a Itália, o Brasil ou a Argentina. Eu acho que isso é um bocado paranóico, e só digo um bocado para ser simpática... Além disso, se continuarmos a jogar assim, sinceramente, não precisamos da "ajuda" da FIFA para ficarmos fora das meias finais do Mundial, obrigada.

A verdade é essa, não jogámos bem. Entrámos bem em ambas as partes, na segunda parte até jogámos um pouco melhor do que na primeira, mas não provámos que merecíamos ganhar. Os próprios comentadores diziam, já perto do fim do jogo, que o empate acabava por ser um resultado justo. Isto embora garantissem que o empate não nos deixava de fora da corrida, apesar de tudo o que foi dito ao longo da semana. Nos minutos finais, o meu pai chegou mesmo a dizer que "já não valia a pena", "já não vamos estar no Mundial". Eu queria dizer que não era verdade, que nem tudo estava perdido, mas já nem tinha argumentos para eu continuar a acreditar (significativo...), quanto mais o meu pai... Eu só pensava nos últimos três jogos. Também podíamos ter resolvido nos minutos finais, mas se não resolvemos nessa altura, porque haveríamos de resolver agora? A única coisa positiva era termos finalmente marcado, apesar de nem termos tido dois minutos para celebrar...

Mas tudo isso mudou aos 93 minutos quando o Bruno Alves marcou aquele golo de cabeça. Nem acreditei! Nem me atrevi a gritar golo. Era bom demais para ser verdade! Quando me apercebi que era mesmo golo, desatei aos pulos e a gritar "Aleluia!", mas logo a seguir lembrei-me que o jogo ainda não tinha acabado, que foi no rescaldo de um golo que sofremos um. Só quando o árbitro apitou três vezes é que celebrei o golo e a vitória suada.

Concordo quando dizem que não jogámos como deve ser, que se temos de fazer das tripas coração para ganhar a uma selecção teoricamente bastante mais fraca do que nós, como é que nos desenrascamos com selecções de calibre elevado. Mas eu (e não só, tenho a certeza) já estava farta de ver a Selecção a fazer óptimas exibições sem conseguir ganhar os jogos. É triste, mas é verdade: é preferível jogarmos mal e ganharmos do que jogarmos bem e empatarmos ou perdermos. De certa forma, este jogo serviu para ajustarmos contas com o destino. Há muita gente que não acredita na qualificação, mesmo com esta vitória.

Por outro lado, eu tinha pedido uma razão, uma razão que fosse, para continuar a acreditar e a apoiar a Selecção e obtive-a. A Selecção ensinou-me uma lição: ensinou-me a continuar a acreditar, literalmente, até ao último segundo do tempo de compensação da segunda parte, mesmo quando tudo parece perdido, quando não temos nenhuma razão para continuarmos a acreditar. Pode faltar "identidade própria", "coesão", mas não falta força interior, preserverança, fé na Selecção Nacional. E, como ontem ficou provado, estas coisas podem fazer a diferença entre o empate e a vitória, entre o fim da luta e o renascer da esperança, entre a morte e a sobrevivência do sonho. Tenho a certeza que esta vitória dará mais motivação e esperança aos marmanjos. Pode ser este o ponto de viragem.

O próximo jogo é daqui a três meses, com a Dinamarca. Esta ganhou à Suécia e está cada vez mais sólida no primeiro lugar, cada vez mais perto de garantir um lugar na África do Sul. Temos de a vencer para podermos sonhar com um lugar na fase final. Acho que podemos ganhar. No ano passado jogámos na mesma altura, jogámos bem, podíamos ter ganho, não ganhámos por detalhes e azares. Os marmanjos estarão bem mais frescos do que estiveram ontem, no final de uma época. Pode ser que sim... Eu vou continuar a acreditar. Tenho razões para isso.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Matar ou morrer


Amanhã, a Selecção Portuguesa defronta a Selecção Albanesa em Tirana, a capital da
Albânia. Todos concordam: as únicas opções são ganhar, ganhar ou então ganhar. De outra forma, podemos dizer ao nossos amigos sul-africanos para não aguardarem a nossa chegada daqui a um ano.



É a segunda vez que defrontamos a Albânia nesta fase de qualificação. Já tinhamos jogado contra os albaneses em Braga, no dia 15 de Outubro e as recordações que ficaram não são das mais agradáveis... A bola a não querer entrar mesmo estando os albaneses amputados de um jogador, adeptos assobiando da bancada e o Ronaldo a reclamar com eles, Gilberto Madaíl abandonando a tribuna a seis minutos do final do jogo (alegou necessidades fisiológicas mas há quem não acredite...), jogadores e seleccionador baldando-se às flash-interviews alegando terem-se perdido nos elevadores (nesta acredito menos... como diziam no Record no dia seguinte ao jogo, para além de uma calculadora, aquele pessoal precisava também de um GPS)... Em suma, (mais) um jogo para esquecer.



Mas desta vez, dizem os marmanjos, será diferente. Carlos Queirós, o Professor, está confiante. Diz que na Selecção reina uma "confiança ilimitada". Haja alguém que a tenha porque a minha confiança já viu melhores dias... "Na hora de começar o hino na Albânia, olhem bem os olhos dos nossos jogadores, porque vão ver e vão sentir uma confiança ilimitada e uma vontade extrema de não desiludir os adeptos portugueses", diz o Professor. Ele diz também que não queria estar na pele dos albaneses. Está mesmo confiante o Professor, sim senhor. O pior é que se amanhã nas coisas correrem mal (bato três vezes na madeira), toda a gente vai gozar com ele por causa disto...



Por outro lado, ele é o Seleccionador, ele trabalha há vários anos no mundo do futebol, percebe muito mais disto do que eu e do que muita gente que para aí anda e opina, talvez esta sua confiança, que me parece exagerada, tenha bases sólidas. Espero bem que assim seja, pois já esgotámos todas as oportunidades que tínhamos... E numa coisa eu concordo com o Professor. Também eu não consigo simplesmente colocar a hipótese de ficarmos fora do Mundial, com os jogadores que temos. Simplesmente não faz sentido. Eu não quero ficar a assistir ao Mundial sem que a Selecção esteja lá!



Entretanto, enquanto escrevo estas linhas, a Selecção Nacional está já em Tirana, a preparar o jogo de amanhã. E parece que já se queixaram do relvado do estádio. Espero bem que não estejam já a inventar desculpas...



Enfim, eu vou fazer a minha parte. Vou ver o jogo (amanhã, na SIC, às 19h45 - mas liguem a televisão uns cinco ou dez minutos mais cedo para ver o hino e ver a tal "confiança inabalável e vontade de não desiludir" nos olhos dos marmanjos), usar o meu boné e as minhas meias para dar sorte, acreditar que é possível ultrapassarmos esta fase má e reservarmos bilhetes para a África do Sul. Espero que a Selecção faça a sua parte, que cumpra as promessas que tem feito ao longo desta semana e me dê razões para continuar a apoiá-los como tenho feito toda a minha vida.
Em suma, amanhã é matar ou morrer, pessoal!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Meias

Há cerca de dois anos e dois ou três meses descobri uma loja no centro de Lagos, no Algarve, que vendia produtos alusivos à Selecção Nacional, entre os quais meias. Na altura achei bastante engraçado e original - temos bonés, cachecóis, camisolas, bandeiras e equipamentos oficiais completos da Selecção Nacional. Mas ninguém tem meias com a bandeira nacional. Quanto muito as meias do equipamento oficial mas fora desse conjunto ninguém tem.


Doida como era e (ainda) sou pela Selecção decidi logo que tinha de compar um par.

Havia meias completamente "cobertas" com bandeiras mas eu preferi umas azuis escuras, com uma bandeira de cada lado na zona das canelas. Tinham duas vantagens em relação às outras: por um lado, eram bastante mais discretas. por outro lado, por serem azuis e por ser essa a cor dominante do meu guarda-roupa - não levanta problemas de combinação de cores. Comprei-as por cerca de três euros.

Desde essa altura, tenho usado as meias em dias de jogos da Selecção e sempre que me apetece. Têm sido as minhas meias preferidas. uma vez descobriram na escola e gozaram comigo, mas eu ri-me com eles e não me importei. De resto, a minha paixão pela Selecção já era bem conhecida graças ao meu boné e aos autocolantes do meu dossier, entre outras coisas.

Mas, ultimamente, as meias perderam elasticidade e ganharam buracos. O meu dedo grande fica de fora de uma delas e isso em alguns sapatos é bastante desconfortável. As minhas meias estão velhas, rotas, gastas, quando não há muito tempo estavam em perfeitas condições, resistentes e confortáveis.

Já me aconselharam a deitar fora as meias. Já deram o que tinha a dar, dizem. Mas eu não tenho coragem.

Começo pelos motivos práticos. O mesmo está a acontecer às minhas outras meias, várias delas mais velhas que as da Selecção. Se as deitar todas fora, corro o risco de ficar sem meias. E como não gosto de usar sandálias - só havaianas e estas só as uso ao fim de semana - e não sou como a minha irmã que, se ninguém prestar atenção, usa ténis sem meias, isso complica-me a vida.

Além disso, estamos em crise! Má altura para deitar fora o que quer que seja!

Mas isto não interessa para aquilo que quer dizer. Os motivos que quero frisar são puramente emocionais. Afinal de contas, são as meias da Selecção e apesar de velhas, gastas e rotas eu continuo a usá-las, sobretudo em dias de jogos da Selecção. Estou à espera de poder voltar a Lagos, à tal loja, para comprar um par novo.

O mesmo se passa, de certa forma, com a Selecção Nacional propriamente dita. No último ano perdeu o brilho de outrora, já não é o que era. Apenas seis pontos em cinco jogos, empates atrás de emptes, séries de noventa minutos de sofrimento, de dedos cruzados, de "Corre! Corre!", "Remata!", "Vá lá!" e aqueles marmanjos são incapazes de "enfiar aquele objecto esférico, que parece que se chama "bola", naquela espécie de galinheiro que tem no final do campo, com rede" apesar das boas exibições e do domínio quase total do jogo, palavras de esperança, de confiança, de para-a-próxima-temos-mesmo-de-ganhar mas que convencem cada vez menos...


Tal como me aconselham a deitar fora as meias, também já me aconselham a "deitar fora" a Selecção. Dizem que não vale a pena, que sem-o-Scolari-não-vamos-lá, que estes anos em que fomos uma das melhores selecções do Mundo já acabaram, que eu devia deixar de ligar a isso.


Mas eu não consigo deixar de ligar a isso! Não quero acreditar que a era dourada da Selecção já tenha acabado! Ainda por cima com o (suposto) melhor do Mundo a jogar do nosso lado! Pode lá ser! Eu sou daquelas que nunca perde a fé, que acredita até ao último segundo do prolongamento do último jogo. Enquanto for matematicamente possível, eu acredito.


Por outro lado, confesso que estou farta de acreditar, de apoiar, e ver os marmanjos a falharem outra e outra vez, a não serem capazes de retribuir o apoio que lhes é dado. Não se podem queixar de falta de apoio. O pessoal continua a ir em força aos jogos, apesar de os resultados deixarem muito a desejar. Eles devem-nos imenso. Imenso!


Eu continuo a apoiar apesar de tudo isto, apesar de algumas vezes nem eu própria saiba explicar porquê. Da mesma forma que continuo a usar as minhas meias preferidas. Se a Selecção perder todo o apoio, os jogadores perdem motivação para continuar a lutar, as probabilidades de nos qualificarmos reduzem-se ainda mais. Ou seja, não ganhamos nada ao desistirmos de lhes mostrar que estamos com a Selecção. Da mesma maneira que espero a altura de poder comprar meias novas, também estou à espera, não de substituir a Selecção, mas que esta encontre o caminho e que, um dia, volte ao esplendor de antes.


Esta é uma das razões que me levaram a retomar o blogue, um ano menos um mês depois da minha última entrada. Eu deixei de escrever o blogue porque, se escrevesse, só o faria em altura de jogos da Selecção. Os jogos seguintes eram daí a dois meses (eu sei que jogámos contra as ilhas Faroé em meados de Agosto mas eu estava em férias nesa altura e não tinha acesso fixo à Internet). Eu julgava que, depois de tanto tempo sem ser actualizado, o blogue seria removido. Felizmente não foi, sobreviveu até agora.


Já sentia saudades de escrever cá no blogue, de resto. Custa-me acreditar que já tenha passado um ano desde o Euro 2008. Eu releio as entradas escritas nessa altura e ainda consigo recordar o dia em que escrevi algumas delas, onde estava, que computador utilizei, o que aconteceu nesse dia e nos dias seguintes... Parece tudo tão recente...


Quem diria que, passado uma no, estaríamos num trapézio sem rede em relação à qualificação para o Mundial 2010 e cada vez mais em risco de ver a África do Sul por um canudo, apesar de termos o (suposto) melhor do Mundo a jogar do nosso lado?


Mas isso agora não interessa. Agora, mais do que nunca, a Selecção Nacional precisa do nosso apoio. è cada vez mais difícil mas eu (ainda) acredito na qualificação. Nós, os adeptos, pouco podemos fazer pela qualificação, mas o pouco que fazemos, façamo-lo bem. Os verdadeiros adeptos apoiam o seu clube nos bons e nos maus momentos. O meu clube é a Selecção. Eu sou uma verdadeira adepta. E vocês?

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Última Entrada - Até ao Mundial!


Era para ter escrito mais cedo mas não tive tempo.
No Domingo passado, a Espanha venceu a Alemanha na final, sagrando-se Campeã da Europa e o Euro 2008 terminou oficialmente. Fiquei satisfeita, sobretudo por não ter sido a Alemanha a ganhar. E, ao fim e ao cabo, nuestros hermanos mereceram o título.
No geral até foi um Europeu bastante interessante, cheio de surpresas. A maior de todas foi a eliminação da Holanda nos quartos-de-final. A Holanda, que depois das goladas aos finalistas do último Mundial era candidata a campeã. Acabaram por ter uma queda maior do que a nossa aos pés da Rússia, uma adversária teoricamente mais fraca.
O desempenho desta última, bem como da Turquia, foi outra das surpresas, de resto. Tive pena que nenhuma delas tenha chegado à final. Os pobres dos turcos tiveram o mesmo azar que nós tivémos: jogaram melhor que os alemães, só que estes remataram sete vezes e marcaram três golos! Em todo o caso, ninguém esperava que chegassem tão longe, portanto, tanto os russos como os turcos estão de parabéns. E a Espanha também. E a Alemanha... não, o meu fair-play não chega para tanto.

Entretanto, nós por cá há já algum tempo voltámos ao mundo real. As bandeiras vão aos poucos desaparecendo das janelas, o Euro 2008 deixou de ocupar as capas dos jornais e a primeira meia hora dos noticiários, confinando-se ao espaço usual dos assuntos desportivos, as nossas vidas regressam à melancólica rotina de antes.
Já houve tempo para discutir de quem foi a culpa do desempenho abaixo das expectativas da Selecção Nacional e, como seria de esperar, a vítima principal é o Seleccio... perdão, o ex-Seleccionador, sobretudo com a saída para o Chelsea metida ao barulho. Muito pessoal, como por exemplo o Rui Santos (não gosto nada deste sujeito...) dizem que o Scolari não fez absolutamente nada de palpável, não nos deu títulos, nas horas H falhou sempre...
Estes comentários irritam-me solenemente. Como se outros seleccionadores anteriores a ele nos tivessem ganho alguma coisa... Só mostra arrogância e falta de gratidão. Concordo que as nossas derrotas nas fases finais foram um autêntico balde de água fria, se tivesse sido durante a qualificação ou na fase de grupos não doía tanto - quanto maior a subida, maior a queda. Contudo, apesar de não termos ganho nada na prática, Luiz Felipe Scolari foi um dos responsáveis pela projecção da nossa Selecção no Mundo, pelo respeito que as outras selecções passaram a ter para connosco, pela união nunca antes vista dos portugueses em torno da nossa Selecção, por nos dar um motivo, um mísero e fútil motivo que seja para sentirmos uma ponta de orgulho no nosso miserável país. Esse mérito nem o Rui Santos nem ninguém lhe pode tirar.
Também há quem ache que o Scolari já devia ter sido despedido há muito, depois do célebre soco ao Dragutinovic no fim do Portugal-Sérvia. Confesso que este triste episódio me irritou. Já sabem que fui assistir a este jogo ao estádio. Das bancadas dava para perceber que havia batatada, mas não dava para perceber quem estava envolvido. Lembro-me de gritar "Parem!", mas de nada serviu. Quando saí do estádio, vinha quase a chorar. Tanto por causa do resultado como da pancadaria. Episódios como estes, só arruinam a nossa imagem, prefiro sermos derrotados mas sairmos de cabeça erguida e um mínimo de dignidade. E o Scolari já tem idade para se controlar!
No entanto, na minha opinião, despedi-lo não ia ajudar a Selecção em nada, só ia piorar a situação. Depois daqueles dois empates em casa, a qualificação equilibrava-se num trapézio sem rede (ninguém estava à espera que isso acontecesse), os jogadores não teriam tempo de se adaptarem ao estilo do potencial novo seleccionador, corríamos o risco de ficar a ver o Euro 2008 pela televisão.
Além disso, o Scolari foi devidamente castigado, aquilo não passou de um ataque isolado de mau génio quando o homem estava com os nervos em franja, ele nem sequer acertou no tipo. Lamentável, a não repetir, mas não vale a pena repisar isso. Eu já o perdoei.
Só lamento, e muito, o anúncio da contratação pelo Chelsea com um péssimo timing. Há quem diga que foi isso que desnorteou os jogadores mas eu duvido. Acho que os marmanjos são suficientemente maduros para não se deixarem afectar. Por outro lado, são capazes de ter alguma razão.
Ainda lamento mais o facto de ele nos ter traído por nove milhõs de euros, ou lá quanto lhe vão pagar. Dizia ele que adorava o nosso país, que a família tinha a vida toda cá, blá, blá, blá, mas tudo isso deixou de ser problmema quando o outro pôs milhões em cima da mesa... É claro que isto somos nós a especular. Nenhum de nós sabe ao certo porque é que ele se vai embora, podem haver outras razões para além desta - espero bem que haja!!!!!
Acho que ele deve estar um bocado magoado e farto do pessoal que lhe dedica um ódio de estimação, de alguma falta de gratidão, da falta de apoio durante a cena do soco. Isso ficou bem patente durante a célebre conferência de imprenda do "E o burro sou eu?!".
Aproveito para dizer que, na altura, quando soube do sucedido, a minha primera reacção foi achar que ele estava no seu direito ao abandonar a Sala de Imprensa. A liberdade de expressão inclui o direito ao silêncio, acho eu. E ele até tinha alguma razão no que disse. Agora acho que o Scolari podia ter tido um pouco mais de paciência, até porque os jornalistas só estavam a fazer o seu trabalho. Por outro lado, quando revejo a conferência, farto-me de rir, e não é só por causa do "E o burro sou eu?!". O homem tem uma maneira engraçada de falar, mesmo quando está zangado. Vai ser das coisas de que mais vou ter saudades depois de ele se ir embora.
Entretanto, ele ainda mal chegou ao Chelsea e já começou a implicar com os jornalistas. Não quer que lhe chamem Big Phil. "O meu nome é Felipe". Isto começa bem... Eu acho que ele está a ser casmurro, não vejo mal nenhum em Big Phil. Mas já sabem como é o Scolari... e os ingleses fazem bem em descobri. Isto promete...
Fiz uma aposta com a minha mãe. Ela acha que o Scolari não dura mais do que uma época no Chelsea. Diz que não está habituado a treinar clubes, que não se vai entender com os jornalistas por causa do seu mau feitio. Eu não acho, dou-lhe o benefício da dúvida.
Os ingleses, esses, também apostam, mas é em quem irá o Scolari dar um soco. Eu não conheço assim tão bem a malta do futebol inglês, senão também apostava. Gostava era de ver se os adeptos se vão por a cantar "Luiz Felipe Scolari! Luiz Felipe Scolari!", com uma caneca de cerveja vazia em punho, como faziam com o Mourinho...
A ver como Scolari se dá em terras de Sua Majestade. Mudemos de assunto.
Como já vem sendo tradicional, as críticas ao Ricardo são aos milhares. Chamaram-lhe frango e todos criticaram a sua titularidade constante. O cúmulo foi quando no outro dia os meus irmãos na praia pediram-me para jogar com eles ao "burro" mas em vez das letras da palavra "burro", quiseram usar as letras de "Ricardo". Sem comentários...
Cá para mim, podem dizer o que quiserem mas nós devemos muito ao Ricardo. Eu nunca me vou esquecer dos penálties de Inglaterra. Quando quer, o Ricardo consegue ser um guarda-redes do outro mundo, deve ser por isso que o Scolari confiava tanto nele. Só é pena mesmo que ele dê uma de frango mais vezes do que o ideal.
Além disso, quase ninguém se lembrou que não havia melhor alternativa. O Quim, que estava a tornar-se num sério candidato à titularidade, lesionou-se. O Rui Patrício é um puto. O Nuno Espírito Santo é suplente no Porto, se não me engano... Ao menos o Ricardo tinha a vantagem da experiência em fases finais. Eu sei que outro guarda-redes talvez defendesse aqueles golos, mas enfim...
Também se falou muito do Ronaldo, o suposto melhor do Mundo, mas que não o provou durante o Europeu. Muita gente se queixa que ele nunca dá o seu melhor na Selecção, se ele jogasse como joga no Manchester... Eu concordo com a generalidade dessas críticas. Talvez seja por estar numa equipa diferente, a verdade é que o Ronaldo da Selecção não passa de uma sombra do Ronaldo do United. Lembro-me de ouvir muitas vezes os comentadores a dizer que ele é candidato a melhor do Mundo, blá, blá, blá, mas eu digo para mim mesma:
- Não se vê nada...
Acho que pode ter sido por causa disso que ele só ficou como terceiro melhor do Mundo no ano passado, mas isto são só especulações minhas. E agora, com a exibição aquém das expectativas neste Europeu pode ser que também ainda não seja desta...
Há quem diga que foi a disputa entre o Real Madrid e o Manchester United pelo passe dele que o desnorteou. Já se escreveram muitas linhas sobre o assunto e eu, para não destoar, vou escrever mais meia dúzia delas aqui no blogue.
Antes de mais nada, devo dizer que desde que comecei a interessar-me por futebol, sempre me baralhou um bocado o mercado de transferências de jogadores, comprar um jogador, vender um jogador, etc. Faz lembrar um bocado o tráfico de escravos, só que com uma diferença: nestes casos, os escravos são pagos (e bem!) e em vez de serem maltratados muitas vezes são venerados como se fossem deuses (o Ronaldo é um óbvio exemplo disso).
Agora especificando, há quem diga que o Ronaldo quer dar de frosques do Manchester e ir para o Real, há quem garanta que ele fica em Inglaterra. No início desta novela, eu achava que ele ficava, porque, salvo erro, ele tem contrato até 2010. Agora já não faço a mínima ideia. Acho indecente a pressão psicológica que alguns jogadores ingleses (não me lembro dos nomes) têm feito sobre ele, e também irritou o constante assédio dos jornalistas espanhóis durante o Europeu. A coisa complicou-se quando veio à baila que o Scolari teria insistido com o Ronaldo para que ele fosse para o Real (ainda não chegou a Inglaterra, e já andam os ingleses a arranjar motivos para o odiarem...). O Manchester também podia ter uma ponta de tolerância em vez de recusar toda e qualquer hipótese de negociação.
A ver como é que isto acaba.
Talvez se o Carlos Queiroz vier para a Selecção consiga pôr o Ronaldo a jogar como joga no Manchester, já que o conhece um pouco melhor.
O meu blogue termina aqui. Não definitivamente da maneira que eu o queria terminar, nem de longe, nem de perto. Queria que a Selecção tivesse chegado mais longe, bem mais longe. Em todo o caso, já o disse e repito-o, orgulho-me da atitude da Selecção Nacional durante o Euro 2008, especialmente durante o jogo frente à Alemanha. É claro que quando comparamos com o Euro 2004 e o Mundial 2006 fica aquela sensação de pouco...
Um dia tudo será diferente. Havemos de conseguir chegar à final de um Campeonato da Europa ou do Mundo e trazer a Taça para Portugal. Pode ser já daqui a dois anos, daqui a quatro, dez, vinte ou quarenta. Pode ser que nessa altura, nós, que agora somos jovens e saudáveis, sejamos já velhos decrépitos, com um Alzheimer avançado, fechados na casa de repouso, reclamando com cinquenta anos de atraso do anúncio da contratação de Solari fora de horas. Mas o maldito dia há de chegar, que diabo! E quando esse dia chegar, a festa vai ser maior do que nunca!
Ainda não estou bem nessa fase mas daqui a uns tempos vou sentir imensas saudades da época pré-Euro 2008 e Euro 2008 propriamente dito. De ver as bandeirinhas nas janelas e não só, de ver os programas especiais dedicados à Selecção, de escrever no blogue... A qualificação para o Mundial começa em Setembro mas não é a mesma coisa que uma fase final... Em princípio se/quando (escolham vocês) estivermos no Mundial 2010, também hei-de escrever um blogue de apoio à Selecção. Ainda faltam dois anos...
Um agradecimento a todos os que visitaram o meu blogue durante estas semanas todas. Despeço-me como o Fernando Pessoa se despediu no fim da Mensagem: Valete, fratres. Selecção Nacional para sempre!







Ah, se a gente tivesse conseguido marcar mais um golo frente à Alemanha...
BG
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