sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Na véspera da última dupla jornada

O jogo com a Hungria é já amanhã. Começa às 20h45, hora em Portugal, será transmitido pela TVI. O jogo entre a Suécia e a Dinamarca, cujo resultado nos interessa, começa, salvo erro, às 19h de cá, ou seja, quando os marmanjos entrarem em campo, já se saberá se o resultado nos foi favorável.


Há quem se queixe do facto de a hora dos dois jogos não coincidirem, mas eu não me importo por aí além. Se a Suécia ganhar (bato três vezes na madeira, apesar de tudo), não nos deixa já de fora, apenas adia as coisas para a última jornada. Temos de ganhar em ambas as circunstâncias. Em todo o caso, é mais provável que a Suécia saia derrotada do jogo de amanhã, já que irá enfrentar a Selecção Dinamarquesa e na Quarta-feira irá jogar contra a Albânia. Também se receia que as duas selecções do Norte da Europa combinem um resultado de modo a deixarem-nos de fora, à semelhança do que fizeram à Itália no Euro 2004. Isso também me deixa um bocado nervosa, mas, ao que li, é pouco provável que se arrisquem a tal, pois "um deslize" na última jornada pode complicar a vida aos nossos amigos escandinavos. Que Deus ouça (ou leia) isto!


Entretanto, Wayne Rooney, outro "velho amigo" já veio dizer que está a torcer para que Portugal não se qualifique para o Mundial. Se eu ainda antes de saber desta declaração não ia muito com a cara do Rooney, agora vou ainda menos!


O inglês teve o azar de nunca ter chegado ao fim dos dois últimos jogos da Selecção Inglesa contra a nossa. No primeiro jogo, no Euro2004, no Estádio da Luz, o mesmo estádio em que se joga amanhã, saiu lesionado, salvo erro na primeira parte. Uns amigos da minha mãe que são médicos em Santa Maria contaram que ele foi para este Hospital em consequência da lesão e, segundo os médicos, vinha de muito mau humor. Mau humor este que ficou bem mais visível à medida que este ouvia os gritos de triunfo dos portugueses, primeiro pelo golo do Hélder Postiga, depois pelo golo do Rui Costa e, por fim, com os pénaltis do Ricardo, o homem deve ter ficado com uma cara de meter medo ao susto...


No segundo jogo, saiu no prolongamento de forma ainda mais triste. Certamente se lembram na pisadela selvagem e propositada ao Ricardo Carvalho em zona sensível. Ele foi expulso, mas convenceu-se que foi culpa do Cristiano Ronaldo, só porque este lembrou ao árbitro que era falta, e os ingleses ficaram todos fulos com o madeirense. A perseguição que eles lhe fizeram foi de tal forma baixa que eu, na altura, julguei que os dias do Ronaldo no Manchester United estavam contados. Contudo, rapidamente passou de besta a bestial ao fazer uma época excelente.


Não é de surpreender esta atutude. Já se sabe que os ingleses são muito mauzinhos. Não vale a pena deixar que isto nos incomode. Mesmo assim, dá vontade de voltar a dar-lhes uma coça (ou, em inglês, kick their ass), caso nos qualifiquemos para o Mundial.


Mas antes de fazermos planos para a nossa estadia na África do Sul, convém ganhar o lugar primeiro. E para ganharmos esse lugar, temos obrigatoriamente de ganhar estes dois jogos. Não há volta a dar! Já desperdiçámos tudo o que podíamos desperdiçar.


Seleccionador e jogadores têm apelado aos adeptos para irem apoiar a Selecção ao Estádio da Luz. Contudo, parece que os adeptos não estão muito nessa. Ontem dizia-se que só estavam vendidos 15 mil bilhetes. Gilberto Madaíl dizia hoje que esse número chegava já aos 50 mil, mas nem tenho a certeza se ele falava dos bilhetes já vendidos ou dos que esperava vender... Já comentei aqui sobre o apoio (ou a falta dele) que se tem dado à Selecção, mas não gostava que houvessem muitos lugares vazios na Luz... Eu ia com todo o gosto, nem precisava que mo pedissem, mas não posso. Mas pode ser que se vendam bastantes mais bilhetes, até porque nós, os portugueses, temos muito a mania de deixar tudo para a última hora.


Já só falta um dia para o penúltimo jogo desta fase de qualificação. Estou bastante confiante. Ganhámos em casa dos húngaros e pode ser que também ganhemos aqui. Felizmente estes dois últimos jogos são frente a equipas teoricamente mais fracas - embora já se tenha provado demasiadas vezes que o teoricamente mais fraco pode não significar nada - que já vencemos antes nesta fase de qualificação, em princípio não deve ser muito difícil. Em princípio... Em relação ao jogo da Dinamarca e da Suécia, não conheço muito bem as seleccções, não faço prognósticos. Estou ainda para saber como é que vou vendo o resultado desse jogo. Quando tinha Teletexto era fácil, agora não sei. Talvez na Internet. Mas tenho a certeza que vai ser uma noite de nervos, a de amanhã.


Doutra coisa tenho a certeza, para além disso. Tenho a certeza que os nossos jogadores vão dar tudo por tudo para que tudo corra bem amanhã, e o mesmo se passará na Quarta-feira, quando defrontarmos a Malta. Sei que não será por falta de empenho que não nos qualificaremos (mais uma vez, bato três vezes na madeira). Eu acredito neles. Apesar de todas as desilusões, eu acredito neles. E agora sei que não estou sozinha, que não são só quatro as pessoas que ainda não perderam a fé. Descobri esta petição online para aqueles que acreditam na Selecção. Eu já assinei. Eu e mais uns cento e cinquenta. Juntem-se a nós!


www.peticao.com.pt/por-portugal

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Revisões para os testes

No próximo Sábado, dia 10 de Outubro, a Selecção Portuguesa defrontará a Selecção Húngara em Lisboa, no Estádio da Luz, se não me engano, pelas 19h45. Depois na Quarta-feira seguinte, dia 14 de Outubro, a Selecção defrontará a Malta, em Guimarães. Estes dois encontros são os últimos desta fase de qualificação que não tem corrido da melhor maneira. Daqui a pouco mais de uma semana saberemos se o Mundial 2010 pode contar com Portugal ou não.


De certa forma, sinto-me como se tivéssemos estado este tempo todo a fazer testes, só faltam dois para que a época acabe e para que saibamos a nota final: passamos ou não? Qualificamo-nos ou não? Infelizmente, sinto-me também como se fôssemos daqueles alunos que têm péssimas notas no 2º período do ano lectivo, notas que, se fosse no 3º período estavam chumbados, e que passam o 3º período todo entre a espada e a parede. E em vez de acarinharem, apoiarem e acreditarem em nós, os pais fartam-se de criticar, de resmungar "Pois, se tivesses estudado ao longo do ano, não estavas nesta aflição" ou "Agora de certeza já não consegues, nem vale a pena!", bocas que, longe de ajudarem, só contribuem para espezinhar o que resta da nossa auto-estima e para nos desesperar ainda mais.


Nesta metáfora, caso ainda não tenham percebido, os pais são muito do pessoal que por aí anda, sobretudo nos comentários às notícias na Internet (pelo menos, é onde mais os encontro). Em vez de dar apoio e carinho à Selecção na altura em que esta mais precisa, só sabem criticar e deitar abaixo.


Não que eu não compreenda como é que eles se sentem. Esta fase de qualificação tem sido recheada de empates e de desilusões. E eu já me fartei de sofrer com os marmanjos ao longo deste último ano. Eu nunca deixo de apoiar, de gritar por eles, de acreditar até ao último minuto do tempo de compensação, mesmo depois de vários jogos em que se falhou, se perderam pontos, mas eles fartam-se de me desiludir... O resultado é que a minha fé já viu melhores dias, já não acredito como antes acreditei.

Torna-se cada vez mais difícil acreditar, de resto. Quase toda a gente com quem falo já perdeu a esperança há muito. Ainda no outro dia um colega me perguntou:


- Se eles jogaram mal até agora, achas que será nos últimos dois jogos que vão jogar como deve ser?

Tento não ligar ao que eles dizem, provar que estão errados, mas há muito que me começam a faltar os argumentos. Nessas alturas, agarro-me àqueles que ainda acreditam.

Não sei se repararam, mas fiz uma pequena alteração à estrutura do blogue. A esta barrinha cinzenta à direita, acrescentei um poema que encontrei na secção das cartas e comentários dos leitores do jornal Destak, escrito por Alexandrina Silva, no dia 17 de Setembro:


Somos roubados, invejados
E estamos enguiçados
Mas não somos coitados
Estamos apenas
Um pouco mais atrasados
Vamos lutar e levar tudo
Até ao fundo
Porque ninguém tem dúvidas
Que somos
Dos melhores do Mundo

Força Portugal!


Na altura, gostei de ter dado com este poema. Fiquei feliz por ainda existir alguém que acredita para além de mim e do Carlos Queiroz.


E pelos vistos o nosso ex-seleccionador Luiz Felipe Scolari é mais outro que acredita (fixe, já vamos em quatro...). Apesar de antes se ter desentendio com o actual Seleccionador, ele foi impecável ao elogiar Carlos Queiroz e ao apelar à união dos portugueses em torno da Selecção. É curioso ele fazer esse apelo, mesmo depois de ter deixado a Selecção...


De resto, o nosso actual Seleccionador tem feito mais ou menos o mesmo. Ainda no outro dia disse que existe um "jogador especial" com quem ele conta de "forma inequívoca": os adeptos. Gostei. Só que ele ainda ontem falou num "mar de adeptos" que ainda acreditam. Talvez ele conheça mais gente que acredite do que eu, mas, cá para mim, esses adeptos mal chegam para formar uma poça de água... Já quase ninguém acredita sem contar com nós os quatro.

De resto, é uma atitude tipicamente portuguesa. Toda a gente se queixa que nós estamos "na causa da Europa", toda a gente resmunga "Só neste país" quando alguma coisa corre mal. Contudo, quase ninguém faz alguma coisa para mudar a situação. Nas escolas, os bons alunos são desprezados (aconteceu comigo...), e as mamãs e os papás vêm logo reclamar com os stôres se estes repreendem uma vez que seja os meninos. O sucesso dos outros é invejado (veja-se o exemplo do Ronaldo), por vezes é menos atribuído ao esforço pessoal e mais atribuído a cunhas, o insucesso é sempre culpa dos outros. É fácil ter-se esta atitude. São fracos.


Não digo que seja forte ou mesmo que não seja fraca mas não tenciono fazer o que eles fazem. Sei que, apesar do que o Seleccionador diz, não farei a diferença entre passar e chumbar, entre qualificarmo-nos ou ficarmos a ver o Mundial pela TV. Mas recuso-me a atirar para o chão as poucas armas que tenho. E faço um apelo através deste blogue para que façam o mesmo. Estes são os momentos em que os verdadeiros adeptos se revelam - não na bonança, mas sim na tempestade. Eu não vou poder ir assistir ao jogo no Estádio da Luz, mas ao menos tenho o blogue para mostrar que, apesar destas desilusões todas, estou com a Selecção até ao fim. Mesmo que não nos qualifiquemos. E que me estou nas tintas para o que os Velhos do Restelo dizem.


Que venham então os últimos testes.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Depois de uma derrota e de uma vitória

Era para ter escrito antes do jogo contra a Hungria mas não tive tempo.


Saímos desta jornada dupla com uma derrota frente à Dinamarca, uma vitória frente à Hungria, treze pontos (menos dois que a Suécia e menos cinco que a Dinamarca), sem a possibilidade de nos qualificarmos sozinhos, uma calculadora numa mão e o terço na outra.

O jogo contra a Dinamarca foi de emoções fortes, impróprio para cardíacos. A Selecção Nacional entrou com força, com uma exibição excelente mas incapaz de enfiar o raio da bola no raio da baliza. A exibição da Selecção entusiasmou-me mas os golos falhados enervaram-me. O guarda-redes dinamarquês agarrava-as todas, chegou a uma altura em que já sentia cá um ódio ao pobre homem que só estava a fazer o seu trabalho.

Depois do golo dinamarquês, no final da primeira parte, foi o descalabro. O ritmo português manteve-se mais ou menos, mas o meu entusiasmo tinha sofrido um certo abalo. Pior do que noutros jogos desta qualificação, pois uma coisa é um empate, outra coisa é uma derrota. Havia alturas, sobretudo depois de falharmos mais um remate em que já escondia o rosto nas almofadas. O meu coração ia a duzentos à hora, sentia-o no peito, na carótida e em sítios em que não sabia que existiam artérias em que era possível sentir a pulsação. De vez em quando mordia o meu boné branco da Selecção. Só me faltou rezar mas como nuca rezo nem vou à missa, seria uma autêntica hipocrisia fazê-lo naquele momento. Chegou a uma certa altura em que eu já nem queria saber, em que agradeci o facto de precisarem da minha ajuda para não ter de ver o jogo por alguns minutos.

As coisas alteraram-se um bocadinho aos 86 minutos com o golo de Liedson. Tive esperança de conseguirmos reverter a situação. Afinal de contas tínhamos conseguido ganhar o jogo contra a Albânia já em tempo de compensação. Passei os últimos minutos do jogo com um olho no que os jogadores faziam e outro no relógio, mas não deu em nada.

No fim, tinha os dedos doridos de ter feito figas durante quase todo o encontro. A primeira reacção que tive foi de que o resultado podia ser pior - visto que passei uma boa parte do jogo com medo de perdermos, o empate sempre era um mal menor. O pior é que agora não dependemos só de nós próprios para nos qualificarmos. Ao lembrar-me daquilo que tinha escrito cá no blogue na véspera do jogo senti-me humilhada. "Estive ali a defender os marmanjos, a demonstrar a minha total confiança neles, até com uma certa dose de arrogância e eles empatam... Não devia ter já aprendido a lição?". Era frustrante. Jogámos melhor do que os dinamarqueses mas não os conseguimos vencer. Na televisão comentaram que "Portugal joga e a Dinamarca marca". O meu pai adaptou a frase para "Portugal joga e a Dina marca".

Confesso que a minha fé, o meu entusiasmo, sofreu um horrível abalo, tão grande que nos dias seguintes nem me esforcei muito para arranjar tempo para escrever no blogue. Pelo menos não tanto como me esforcei na semana passada, antes do jogo com a Dinamarca, em que não me importava de ficar a pé até altas horas para actualizar o blogue. Fui cobarde. Por outro lado, encarei o jogo contra a Hungria com bastante mais calma embora sem indiferença. Já não havia muito a perder...

Tenho a sensação de que a sorte pode ter mudado ontem, mas também o achava na altura do jogo frente à Albânia, já não ponho as mãos no fogo. Contudo, marcarmos ao minuto nove, no dia nove, do nove, do nove é uma grande coincidência. Eu normalmente não sou supresticiosa, mas com a Selecção acredito um bocado na sorte e no azar. Há coisa de três anos, entre o Euro 2004 e o Mundial 2006 cheguei a ter uma t-shirt da sorte. Tudo começou com o Portugal-Espanha. Visto ser uma t-shirt verde-alface, era suposto eu tê-la usado com um par de calções vermelhos, para ficar como a bandeira nacional. Como já referi aqui, eu fui assistir ao jogo ao Estádio de Alvalade, mas como dava frio, troquei os calções por calças de ganga. Se bem se lembram, ganhámos. No dia do jogo com a Inglaterra, por mera coincidência, voltei a usar a t-shirt com calças de ganga e ganhámos. Foi aí que comecei a pensar que aquilo dava sorte. Repeti a indumentária no dia do jogo com a Holanda. Ganhámos. Quis repetir a indumentária no dia da final, mas a minha mãe insistiu que eu usasse os calções vermelhos. Perdemos. O ritual manteve-se durante dois anos, até qque quando perdemos com a França e com a Alemanha no Mundial, decidi que a camisola já não dava sorte.

Apesar de tudo nunca deixei de ter pequenos rituais, como usar as meias e o boné da Selecção, vestir-me um pouco melhor em dias de jogo, lavar o cabelo... Era mais por ser um dia feliz do que por sorte. A proximidade de jogos da Selecção faz-me feliz.

Mas voltando ao jogo contra a Hungria, estava bastante mais calma do que com o jogo contra a Dinamarca, embora não deixasse de dar uns gritos de "Agarra a bola!" ou "Tirem a bola daí!" de vez em quando (embora, confesso-o, fosse mais para irritar a minha irmã do que por ansiedade). E embora o jogo estivesse longe de ser empolgante, de emoções fortes como Queiroz prometera, ganhámos. Muita gente queixou-se de que "eles não jogaram nada", "eles não mereciam ganhar", o que eu acho uma enorme hipocrisia, pois provavelmente, são as mesmas pessoas que se queixaram do empate frente à Dinamarca em que nós jogámos de forma brilhante. Eu também gostei mais do resultado do que da exibição mas já estava farta de gostar mais da exibição do que do resultado.

Pois é, as coisas estão complicadas, eu já não acredito como antes acreditava, mas, como tenho dito quando comento a qualificação com outras pessoas, eu acredito em milagres. Pelo que ouvi falar, temos de ganhar os dois próximos jogos e de esperar que a Suécia perca frente à Dinamarca. Eu vou contiuar a apoiar, pois, como já referi aqui, o pessimismo nunca levou ninguém a lado nenhum. Espero que se juntem a mim.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Mostrem quem somos!

A Selecção Portuguesa já se encontra na Dinamarca e amanhã defrontará a Selecção daquele país, às 19h de cá. O jogo será transmitido pela TVI.


Nestes últimos dois dias, os nossos amigos dinamarqueses começaram já a disparar provocações na nossa direcção, com Liedson e Cristiano Ronaldo na mira, eles que são provavelmente os dois jogadores em quem os portugueses depositam mais esperança para o jogo de amanhã. Tomasson, o capitão dinamarquês acusou-nos de termos ido comprar um avançado ao Brasil já que em Portugal não os temos. Afirmou mesmo que na Dinarmarca e nos outros países da Escandinávia isso não aconteceria.

Por muito que me desagrade, o jogador pode ter escolhido as palavras erradas mas não disse algo que seja completamente mentira. É claro que nós não "comprámos" o Liedson, mas não é mentira nenhuma que há já algum tempo que se fala da possível Entrada do luso-brasileiro para a Selecção, sobretudo quando se comenta a falta de pontas-de-lança. Mesmo assim, considero que o nosso amigo perdeu uma boa oportunidade para estar calado. Para além daquilo que já falei, de nós e os brasileiros sermos irmãos (se el-rei D. Pedro IV não tivesse dado o célebre grito do Ipiranga "Independência ou Morte!", o Brasil ainda podia ser nosso ou podia tê-lo sido durante mais tempo), Tomosson de certeza não fala dos franceses que têm vários jogadores estrangeiros na sua Selecção, incluindo Zidane, nascido na Argélia.

Ele afirma que no seu país e os seus vizinhos não aceitariam jogadores estrangeiros, mas se tivessem dado novos Mundos ao Mundo, como nós fizemos, aposto que outro galo cantaria. Como diziam no jornal, nós levámos os portugueses ao Mundo, e agora o Mundo leva os seus povos ao nosso país. Como costuma dizer o meu pai, se não tivessemos realizado os Descobrimentos, provavelmente eu e a minha família não estaríamos cá e eu provavelmente nunca teria nascido. E termos diferentes culturas num mesmo país, só nos enriquece.

O guarda-redes do Vitória de Guimarães, Nilson, é brasileiro e amigo de Liedson. Ele afirma que o luso-português pode não ser "um português de nascimento, mas é de coração”. Eu espero que esteja a ser sincero, que o Liedson se tenha neutralizado português por essas razões, não para apenas jogar pela nossa Selecção ou por outro motivo desse género.

A outra provocação vinda da Dinamarca é ainda mais grave. Simon Kjaer apresentou a sua ideia de neutralizar Cristiano Ronaldo: "Temos de o irritar desde o início, dar-lhe algumas pancadas e derrubá-lo algumas vezes, mas sem ver o cartão amarelo". Assim que soube desta declaração tive um dejá vu, lembrei-me de umas ameaças semelhantes que o guarda-redes belga fez em vésperas de um jogo nosso frente à Selecção daquele país. Admito que, sim, o Ronaldo têm um feitio instável, é relativamente fácil de provocar, mas estas palavras de Kjaer são de um nível muito baixo.

Por outro lado, estas provocações todas só mostram uma coisa: os dinamarqueses estão com medo de nós. Sabem que não estão na máxima força, que temos jogadores de qualidade. Receiam não serem capazes de nos neutralizar em campo, pela maneira legal, por isso jogam sujo, provocam-nos. De certa forma, agrada-me saber que ainda impomos respeito, para não dizer medo, apesar de não sermos tão bons como já fomos. E um bocadinho de tensão, com conta, peso e medida, sempre torna o jogo mais excitante.

Para além disso, pode ser que isto dê sorte. Depois de o guarda-redes belga ter dito aquilo, nós demos quatro golos sem resposta em Alvaldade, naquele que foi, provavelmente, o melhor jogo de toda a Qualificação para o Euro 2008. Pode ser que desta vez aconteça o mesmo, embora eu tenha dúvidas...

De qualquer forma, estou crente numa vitória amanhã. Mesmo que não seja por quatro a zero, já me contentava por um a zero... De resto, não vejo alternativa. Como dizem os marmanjos, nem quero pensar em Portugal fora do Mundial. Conto com os nossos jogadores, com o nosso seleccionador, espero que amanhã se concentrem em dar tudo o que tem - se o derem, só com uma grande onda de azar é que não ganhamos. Mostrem que não ligamos às provocações deles, mostrem que ainda temos qualidade! Vamos a eles! Como dizia no Record que eles iam fazer, mostrem quem somos!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

"Vem aí o sprint final"

No próximo Sábado, dia 5 de Setembro, pelas 19h, hora de Lisboa, a Selecção Portuguesa defrontará a sua congénere dinamarquesa, em jogo de qualificação para o Campeonato do Mundo a realizar em 2010 na África do Sul. Na Quarta-feira seguinte, dia 9 de Setembro, a hora desconhecida (pelo menos da minha parte), a Selecção Nacional defrontará a húngara, também em jogo de qualificação para o Mundial. Ests duas partidas serão as primeiras duas finais de uma série de quatro em que se decidirá se Portugal se qualificará para o Mundial, se terá de ir aos play-offs, ou se ficará a ver o Mundial pela televisão. Por outras palavras, como disse Queiroz, "vêm aí o sprint final".



No fim-de-semana passado, Carlos Queiroz, o Seleccionador Nacional, concedeu uma entrevista à estação de rádio Antena 1 e ao Jornal Record. Eu não tive oportunidade de ouvir na rádio nem de ler no jornal, mas encontrei o vídeo da entrevista na Internet. Eis o link para quem quiser ouvir a entrevista na íntegra: http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Entrevista-a-Carlos-Queiroz-completa.rtp&article=275123&visual=16&layout=55&tm=44 Quando vi a duração da entrevista, assustei-me: demorava mais ou menos uma hora. Sorte que eu estou de férias, logo, consegui aranjar tempo para ouvir. Se estivesse em aulas duvido que arranjasse uma hora para ouvir uma entrevista. Com um bocado de sorte, limitar-me-ia a lê-la no jornal.



Gostei bastante de ouvir o Professor a falar. Também gostava de ouvir Scolari, com o seu sotaque gaúcho, o seu humor variável que tem o seu quê de cómico (estou a lembrar-me da célebre conferência do "E o burro sou eu?" e de outra, na altura do Europeu, em que resolveu responder às perguntas dos jornalistas só com "Sim" e "Não" e em que tinha de ouvir as traduções das perguntas dos jornalistas ingleses), algumas expressões engraçadas que ele usa. Tenho algumas saudades de o ouvir. Queiroz tem um estilo diferente, uma voz agradável, fala bem, dá gosto ouvi-lo.



Um dos temas mais discutidos durante a entrevista foi a tão falada Chamada de Liedson, recém-naturalizado português. Carlos Queiroz não alimentou as polémicas, disse que Convocou o luso-brasileiro porque, em primeiro lugar, é oficialmente português, em segundo lugar, o eterno problema da falta de pontas-de-lança (e, ainda por cima, Hugo Almeida está lesionado). Além disso, Liedson já joga cá há muitos anos, há algum tempo que manifestou ter vontade de representar a Selecção Portuguesa. "Dá jeito" nesta altura do campeonato e pode ajudar-nos. Ponto final. Admite que o assunto "Vai dar jeito aí a uma certa malta para se enterter com essas coisas", mas não quer saber.



Eu ainda estou dividida, ainda não sei se aprovo ou não a Chamada de Liedson. Tenho medo que se abuse das Convocatórias de portugueses neutralizados, que se perque a noção de Selecção Nacional. Contudo, por outro lado, os brasileiros são nossos irmãos, é diferente de convocar um francês neutralizado português (como se houvesse algum francês não luso-descendente interessado em ser português...). Além disso, como a minha mãe se costuma queixar de que "os brasileiros estão a invadir tudo", é cada vez menos provável que o empregado a quem pedimos o café não tenha sotaque brasileiro, a Selecção até reflecte o que está acontecer no país. Não que eu tenha algum problema com o número de imigrantes vindos do Brasil a viverem em Portugal, até porque entre esses imigrantes está um amigo meu.



E, se virmos bem as coisas, o caso não difere muito dos dos jogadores que nasceram nas antigas colónias portuguesas mas que há muito que são portugueses. Estou a pensar no Nani, que nasceu em Cabo Verde, e cresceu cá, mas há imensos outros casos. E, de resto, o Eusébio, o nosso Pantera Negra, nasceu na Angola ou em Moçambique (não sei em qual), no tempo em que ainda eram colónias portuguesas. A única diferença entre Nani e Liedson, é que este último só veio há uns anos para Portugal. Se os nossos antepassados, do século XIV e XV não tivessem tido a grande ideia de ver o que havia no outro lado do mar, se não fosse o Infante D. Henrique, o Vasco da Gama, o Diogo Cão, o Pedro Álvares Cabral e companhia, não tínhamos pelo menos metade dos actuais jogadores portugueses.



Na prática, o que mais me preocupa é a pressão que estão a pôr em Liedson, o pouco tempo de que dispõe para se adaptar à equipa. A eterna desculpa, perdão, razão que se invoca para justificar o desempenho de Ronaldo na Selecção, bastante inferior ao antigo desempenho no Manchester United.



Em relação ao facto de o Ronaldo se ter "baldado" ao jogo com o Liechenstein, Queiroz explicou que a confusão toda se deveu a "mal-entendidos" e "falhas de comunicação" e que isso ficou claro para a maioria das pessoas, mas há sempre gente que se aproveita destas coisas para gerar intrigas, "conversas de escárnio e mal-dizer". Quando o jornalista se "esticou", quando afirmou que acompanhara a Selecção na deslocação ao Liechenstein e que não percebia como ocorrera a comunicação de que o Ronaldo não jogava, o Professor mandou uma indirecta criticando o desrespeito pela privacidade das pessoas. Pode haver quem interprete isso dizendo que o Seleccionador tem algo a esconder, mas o Professor está no seu direito em manter as suas conversas com os jogadores privadas. Queiroz afirmou ainda que nunca duvidou das desculpas, perdão, dos motivos apresentados para a ausência de Ronaldo, porém, questionou-se se o Real Madrid teria feito tudo para que o Cristiano pudesse vir jogar. "Eu não poria as mãos no fogo", disse ele. Eu também tenho as minhas dúvidas, mas como não passava de um particular, ainda por cima frente ao Liechenstein, acho desnecessário fazer uma tempestade num copo de água.



De resto, Queiroz afirmou mesmo que "Isto não é acerca do Cristiano, isto não é acerca do Carlos Queiroz, isto não é acerca do Liedson, é acerca de Portugal se classificar para o Campeonato do Mundo". Acrescenta ainda que se acha obrigado a "estimular esse sentido de responsabilidade em todas as pessoas, dos adeptos, dos jogadores, para que todos nós estejamos concentrados nesse grande objectivo". É a única coisa que interessa neste momento. Mais tarde, discutirá outros temas que considera importantes, mas agora não.



Esta frase fez-me lembrar o verso de uma música dos Nickelback, "Someday". "Someday, somehow, we're gonna make it alright but not right now" (Um dia, de alguma forma, pomos isto bem mas não agora).



Passando, então, ao que interessa, os jornalistas começaram a perguntar-lhe sobre as tácticas. No início, Queiroz tinha medo de revelar demasiado, o que motivou um gracejo dos entrevistadores, referindo que era pouco provável que os dinamarqueses o ouvissem. Eu não arriscaria... Como não percebo muito desta matéria, acho melhor não falar sobre isso, ou ainda digo algum disparate.



O Professor revelou que o seu grande objectivo é tornar a nossa Selecção Campeã do Mundo, que fará tudo, que levantará "pedra por pedra". Pode demorar "um ano, dois anos, seis anos", dez anos, vinte anos, quarenta anos. Acredita que seremos melhores que a Dinamarca, falou mais uma vez em "vontade ilimitada". O nosso primeiro jogo com a Dinarmarca foi provavelmente um dos melhores desta fase de qualificação mas perdemos por detalhes, por "erros individuais". Tanto ele como os entrevistadores concordaram que hoje a Selecção está melhor que há um ano atrás. Queiroz chegou mesmo a usar uma comparação engraçada - afirmou que o Bolt, nos Mundiais de Atletismo partiu em quarto, fez uma má partida, e acabou por bater o recorde. Portugal também teve uma má partida, mas ainda pode ganhar esta guerra. E eu também ainda acredito que pode.



Foi basicamente isto que eu achei relevante desta entrevista. No fundo, não tem dito nada que não tivesse dito anteriormente mas os resultados nem sempre têm correspodido às expectativas. Contudo, não é hora de relembrar batalhas perdidas. Queiroz deixou por fim uma mensagem de união em torno da Selecção que eu também deixo. Eu sei que não era aqui que queríamos estar nesta altura do campeonato há um ano atrás. Eu sei que houve uma altura em que a Selecção não nos desiludia tanto como tem desiludido ao longo do último ano. Eu sei que muitos de nós já não têm forças para acreditar como acreditaram antes. Mas o pessimismo nunca fez ninguém qualificar-se. É nosso dever como adeptos dar todo o apoio que pudermos. E é isso que tenciono fazer.



P.S. Descobri agora que, aparentemente, os dinamarqueses estão com nove jogadores indisponíveis por lesão ou por castigo. Eh, eh, a sorte está de novo connosco. É aproveitar!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Liechenstein 0 Portugal 3 - Polémicas

Ontem, Quarta-feira, 12 de Agosto, a Selecção Portuguesa derretou a Selecção Lie... do Liechenstein por três golos sem resposta em jogo de preparação para os próximos que se avizinham frente à Dinamarca e à Hungria, dias 5 e 9 de Setembro, respectivamente.


Era para ter escrito cá logo a seguir ao particular frente à Estónia, em Junho, mas não tive oportunidade visto que estava em exames. Também devia ter escrito antes deste jogo contra o Liechenstein, mas estive a passar uns dias no estrangeiro, sem acesso à Internet. Só regressei ontem, felizmente a tempo de ver o jogo. Se alguém estava à espera de ver o blogue actualizado (eu tenho dúvidas, mas enfim...), peço desculpa.



Em relação ao resultado do jogo, era o esperado tendo em conta a diferença de qualidade entre as duas selecções. Não segui o jogo com muita atenção, em parte, porque tinha outras obrigações e também porque era apenas um particular frente a uma selecção que, à partida, não criaria dificuldades de maior. Por acaso, foi à primeira meia hora que assisti com mais atenção e, pelo que se tem dito, foi a única a que valeu a pena assistir. Achei que os marmanjos jogaram bem mas, como se trata do Liechenstein, pouco ou nada deve significar. Na altura, desejei que eles jogassem assim o jogo todo, que me dessem mais oportunidades de gritar "GOLO!", mas já sabia que era pouco provável isso acontecer. O mais importante é que ganhámos.


Muito se questionou a utilidade deste jogo de preparação frente a uma selecção que nem roça os calcanhares daquelas que teremos de enfrentar num futuro próximo. Para ser sincera, também não percebo muito a utilidade deste jogo. Para mim, só serve para o pessoal, em caso de vitória, reclamar que "pois, com o Liechenstein, até a minha avó!" ou, em caso de empate ou derrota (altamente improvável, mas eu já não ponho as mãos no fogo...), reclamar que "se nem ganhamos ao Liechenstein, como vamos chegar ao Mundial?.



Com isto, lembrei-me do último anúncio da Liga Sagres que eu acho que está o máximo: http://www.youtube.com/watch?v=9vIX0MNCqCs Só mostra que é fácil criticar, mas nós dificilmente faríamos melhor. Ao fim e ao cabo, por alguma razão estamos nós nas bancadas ou a assistir a jogo pela televisão e estão eles em campo. Além disso, por amor de Deus, ninguém joga mal por gosto!

Voltando ao outro assunto, Carlos Queiroz diz que tenciona levantar a moral dos jogadores mas estará a moral deles assim tão fragilizada que se eleve com uma vitória frente a uma selecção de nível inferior? Espero bem que não... Contudo, como já disse antes, o Professor é que foi nomeado Seleccionador, ele percebe muito mais disto do que eu, uma mera adepta, que quando falam em 4:4:2 ou 4:3:2:1 ou "losango" é como se falassem chinês... Suponho que ele sabe o que faz.



O Hugo Almeida marcou dois dos três golos que nos deram a vitória, isto numa altura em que se volta a comentar a possível Convocatória de Liedson. Tenho um pressentimento que uma das razões que levou o Hugo a esforçar-se neste jogo foi por se sentir ameaçado. Já não é a primeira vez que isto acontece com pontas-de-lança. Há dois anos, nos dias anteriores ao Portugal-Bélgica de 2 de Junho, Scolari, Seleccionador na altura, falou bastante em Hugo Almeida como potencial ponta-de-lança titular na Selecção. Resultado: Hélder Postiga, cujas prestações são bastante irregulares, marca um golo espectacular em Bruxelas. Um ano mais tarde, na altura do Portugal-Grécia de preparação para o Europeu, Carlos Queiroz, ironicamente, comenta a falta de pontas-de-lança na Selecção Portuguesa. Resultado: Nuno Gomes, com a ajuda de Hugo Almeida, marca um golo, se bem me lembro, o primeiro de vários meses. Existem vários outros exemplos de como críticas e ameaças de substituição estimularam os jogadores a mostrarem o que valem.



Em relação à entrada de Liedson na Selecção, eu realmente não sei. Por um lado, fala-se muito da falta de pontas-de-lança, o Liedson é um bom jogador, se estiver sinceramente disposto a dedicar-se desinteressadamente à Selecção, é uma mais-valia. Por outro lado, já é o terceiro luso-brasileiro na Selecção. Ainda por cima, fala-se tanto na extinção do jogador português, de que os clubes apostam demasiado em jovens brasileiros desprezando os portugueses... Tenho medo que, com a entrada de Liedson, hajam mais luso-estrangeiros a querem entrar até a Selecção Portuguesa não ter um único jogador português propriamente dito... Sem desvalorizar Liedson, acho preferível que se dê prioridade aos portugueses "a sério", mais por uma questão de princípio. De resto, parece-me que este assunto do Liedson na Selecção, que, de resto, nem é novo, ainda vai dar pano para mangas.



Tendo estado no estrangeiro nos dias imediatamente anteriores ao jogo, estava completamente a leste do que se passava em Portugal, inclusive na Selecção Nacional. Por isso, fui apanhada de surpresa quando me deram um jornal português no avião e li sobre a polémica ausência de Cristiano Ronaldo da Selecção para este jogo. A desculpa, perdão, razão que deram foi que ele estava constipado ou engripado. Parece que ainda se pensou em gripe A, mas pelos vistos não. Pelo que eu percebi, há quem não acredite nesta história da constipação. Eu própria acho que é fraco motivo para se baldar a um jogo, mas... Não sei o que se passa de verdade, só tenho isto a dizer: espero bem que o Cristiano não comece a pôr o Real Madrid em frente da Selecção Nacional.



A propósito deste assunto, quero dizer que, apesar de tudo, fiquei bastante feliz por o Cristiano ter sido contratado pelo Real Madrid. É sempre bom ver um português chegar tão longe. Em relação ao valor do passe, muitos acham exagerado e eu tenho de concordar que 94 milhões de euros é uma quantia astronómica. Contudo, não se pode dizer que ele não merece. À minha avó faz-lhe alguma confusão que os jogadores de futebol ganhem tanto dinheiro quando têm "pouco mais que a quarta classe", mas eu faço-lhe ver que estudar não é a única forma de se construir um futuro. O Ronaldo, por exemplo, não passou horas agarrado aos livros, mas passou horas a treinar no ginásio, no campo... Se está onde está hoje, se é o melhor do Mundo, é sobretudo por mérito próprio. Merece os meus parabéns por esse motivo. Mas só espero que, no meio desta euforia galáctica, não se esqueça da Selecção.



De resto, ouve uma situação semelhante há coisa de dois ou três anos, julgo que foi num mês de Novembro, numa altura em que tínhamos um jogo de qualificação para o Euro 2008, se não me engano. Houve uma polémica qualquer com o Carlos Queiroz que, ironicamente, nessa altura estava no outro lado, no lado dos clubes, no lado do Manchester United, como seria de esperar do treinador-adjunto. Não tenho a certeza, já não me lembro bem, mas acho que na altura não queriam que o Ronaldo jogasse pela Selecção para que o seu desempenho pelo Manchester não fosse prejudicado. Contudo, parece que o Ronaldo teimou em representar a Selecção Nacional, afirmando mesmo estar "de corpo e alma na Selecção". Se bem me lembro, até marcou um golo nesse jogo.



Sei que já se passaram dois ou três anos, que as circustâncias eram diferentes, que na altura se tratava de um jogo "a sério", de qualificação, que este jogo com o Liechenstein é, sem margem para discussão, insignificante comparado com o outro. Mas espero sinceramente, e quero acreditar nisso, que continue de corpo e alma na Selecção, que isso não tenha mudado com a ida para o Real Madrid. Este foi o primeiro jogo da Selecção com o Ronaldo galáctico e acontece isto. Não dá uma boa primeira impressão. Mas só o tempo poderá revelar o modo como o Ronaldo encara a Selecção.



Lembro-me da última vez em que jogámos com o Liechenstein, se não me engano, no dia 8 de Outubro de 2005. Eu fui lá assistir ao jogo, no Estádio de Aveiro, para mim o mais giro de todos os estádios que foram construídos para o Euro 2004. Fomos a Aveiro de propósito para assistir ao jogo...



Lembro-me que antes do jogo actuou uma cantora portuguesa qualquer que cantou (e notava-se perfeitamente) em playback. Lembro-me de nos terem dado t-shirts enormes, brancas, cada uma com uma letra, para formarmos a palavra "PORTUGAL". Como eu estava num grupo de cinco pessoas, só podíamos formar "PORTU", as outras três foram entregues a outros. Eu fiquei com o U. Ainda temos essas t-shirts, eu ainda uso a minha como camisa de noite. Não podíamos usar as t-shirts novamente e eu não queria deitá-las fora...



Lembro-me de ter levado um cartaz (nem era bem um cartaz, era uma cartolina) pintado por mim e pelos meus irmãos a dizer: Próxima Paragem: Alemanha 2006 que ergui bem alto quando se marcou o golo que nos deu a vitória e no fim do jogo. Isto porque, se ganhássemos, tinhamos lugar garantido no Mundia 2006. Gostava que o tivessem mostrado na televisão, mas provavelmente só tinha essa sorte se tivesse escrito Mãe, estou na RTP! ou Futebol espectáculo é na TVI ou uma frase desse género.



Lembro-me de gemer e levar as mãos à cara ao ver a bola rolar tranquilamente em direcção à nossa baliza e de, no meio de manifestações de sofremos-um-golo da parte dos adeptos portugueses, um velhote, na nossa bancada, vestido com as cores do Liechenstein se ter levantado e celebrado o golo. Nós, os adeptos, achámos tanta graça que aplaudimos.



E lembro-me de ver os marmanjos todos a festejarem a qualificação para o Mundial 2006. Às vezes nem acredito que passaram quase quatro anos...



Enfim, daqui a três semanas temos mais dois jogos e desta feita é a sério. Fiquei contente por termos ganho ao Liechenstein, mas, como se dizia n'A Bola, vençam também quando não for a feijões. Eu continuo a fazer a minha parte, a acreditar, a apoiar. O resto é com os marmanjos.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Jogos do passado e do futuro


Amanhã a Selecção disputará um jogo particular em Tallin, frente à Estónia. Parece que é para celebrar o centenário do primeiro jogo da selecção esto... da Estónia (como é que a gente chama os nativos da Estónia?). São mais antigos do que nós... Visto que Carlos Queirós dispensou muitos dos titulares habituais, suponho que o Professor queira testar os outros jogadores. Tendo isto em conta, vejo o jogo mas não me preocupo muito com o resultado. A minha tensão arterial já se eleva o suficiente com os jogos oficiais...


Parece que na Estónia estão dez graus centígrados e que nesta altura do ano, o sol põem-se depois das dez da "noite" e nasce às quatro da madrugada. Custa-me imaginar viver num país assim, em que há alturas no Inverno em que só temos sol durante umas horas e no Verão, quase não há noite para ninguém. E que têm temperatura de 10ºC em Junho, prestes a começar o Verão - nem quero imaginar o Inverno! Eu já mal aguento os nossos Invernos... Gostava era de viver na Califórnia, em Los Angeles, onde parece que o pessoal tem temperaturas de Primavera o ano todo...


O nosso último jogo contra a Estónia foi há quatro anos, de apuramento para o Mundial 2006. Lembro-me que o Cristiano Ronaldo marcou o único golo e durante os festejos pôs o indicador à frente dos lábios, como se dissesse "Chiu!". Essa nunca percebi, mas... Lembro-me também que o estádio tinha um defeito qualquer e os jogadores eram encandeados pelo sol. Pergunto-me se o estádio em que a gente vai jogar amanhã é o mesmo e se ainda tem o mesmo defeito...


Mas o primeiro jogo contra a Estónia dessa fase de qualificação, em Leiria, é que foi emocionante. Lembro-me que estivémos empatados a zero até para aí aos setenta e cinco minutos mas depois enfiámos quatro golos em pouco mais de quinze minutos e, pronto, ficou salvo o dia.


Há quanto tempo não temos jogos assim, recheados de golos a nosso favor? Não, o das Ilhas Faroé não conta...


É engraçado, vamos ter um jogo da Selecção no dia 10 de Junho, no dia de Camões e de Portugal. Já tivémos dois jogos neste dia, por acaso em anos seguidos: frente à Polónia, no Mundial 2002, e um particular frente à Bolívia, em 2003. Do primeiro, certamente toda a gente se lembra, foi o único que se aproveitou do Mundial da Coreia do Sul. O Pauleta marcou três dos golos e o Rui Costa marcou o último. Lembro-me vagamente que o Rui Costa acabara de entrar para substituir o João Pinto e que, nos dias seguintes, o sportingista na altura reclamou por isso. Por ironia do destino, no jogo seguinte deu-se aquele triste episódio do murro no árbitro e o João Pinto não voltou a pôr os pés na Selecção...


Do segundo jogo, frente à Bolívia, não me lembro quase nada. Na altura eu ainda não ligava muito à Selecção, bastante menos do que ligo hoje. Sei que ganhámos por 4-0. O mesmo resultado com que ganhámos da outra vez em que jogámos no 10 de Junho, se bem que as circustâncias fossem bastante diferentes. E como não há duas sem três, pode ser que amanhã também ganhemos por 4-0...


Só há uma maneira de o saber. O jogo é transmitido pela TVI (pfff!) amanhã às 19h30.


P.S. Acabo se saber que o nosso ex-mister Luiz Felipe Scolari vai treinar o Bundyodkor, líder do campeonato do Uzbequistão. Não vou comentar, excepto para me perguntar como é que ele se desenrascará com a língua que eles farlarem. Já se viu grego com o inglês... Mas, eventuais ressentimentos à parte, eu desejo-lhe felicidades.
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