quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Bruxos e "portas do céu"

É hoje que Portugal jogará com a Malta o último jogo desta tão atribulada fase de qualificação.


Contudo, as atribulações não ficam por aqui. O Real Madrid e a Selecção Nacional andam em rota de colisão desde Sábado à noite. O clube merengue já se mostrou indignado por Ronaldo ter jogado frente à Hungria, agravando a sua lesão. Agora, o mardeirense enfrenta cerca de 3 a 4 semanas de paragem, ficando de fora de vários jogos importantes da equipa madrilena e talvez dos play-offs, caso consolidemos hoje o segundo lugar da tabela classificativa. Chegaram mesmo a proibir o Cristiano de vir a Guimarães apoiar os colegas de Selecção, sob a desculpa, perdão, pretexto de que o melhor do Mundo precisa de repouso absoluto para recuperar da lesão. Carlos Queiroz, quando confrontado com isto, alegou não saber de nada. Das duas uma, ou está a fazer-se de desentendido, ou se calhar foram os media que inventaram esta proibição para acirrarem a luta. Não me admirava nada que esta segunda hipótese fosse verdadeira.


Eu até compreendo esta proibição, caso o Real tivesse mesmo proibido o Ronaldo de ir ver o jogo. Compreendo é como quem diz... eles estão preocupados com os resultados e com o dinheiro que vão perder com a ausência do Cristiano. Por outro lado, não sei se podem impedir o madeirense se ele quiser mesmo ir ver o jogo. Por amor de Deus, o tipo já é crescidinho (embora às vezes não pareça). Lá porque lhe pagam um ordenado absurdamente elevado, não podem amarrá-lo à cama, com dois seguranças à porta do quarto... acho eu. Não sei como é que este diferendo se resolveu, se é que se resolveu. É esperar pelo jogo e ver se o Cristiano anda por lá.


Ao menos há uma coisa boa no meio disto tudo. Depois desta novela ibérica toda, ninguém pode dizer que o Ronaldo liga mais ao clube do que à Selecção.


Entretanto, a coisa tem raiado os limites do bom senso, quando se mete ao barulho, o alegado bruxo Pepe que alegadamente terá utilizado um boneco de vudu para provocar uma lesão ao Cristiano, alegadamente segundo as instruções de uma ex-namorada, e o alegado bruxo de Fafe que pretende anular a magia negra do espanhol. Esta história até teria graça num episódio do Sobrenatural, da Quinta Dimensão, até talvez do House (alguém alegadamente usa magia para que um inimigo adoeça e o House leva o episódio todo a provar que não era magia nenhuma) mas na vida real é pura e simplesmente uma enorme estupidez. Como dizia hoje o João Gobern na Antena 1, custa a acreditar que jornais supostamente de prestigio vão nesta cantiga. Por amor de Deus!


E ainda assim, não é isto que mais me revolta. É que, alegadamente, o tal bruxo espanhol tencionava provocar ainda mais lesões ao Cristiano para arruinar a sua carreira. O madeirense nasceu praticamente com uma bola de futebol nas mãos, sonha em ser um jogador de primeira desde miúdo, foi sozinho para o continente aos onze anos, fartou-se de fazer horas extra nos campo de futebol e no ginásio para chegar onde está, nota-se à légua que ele gosta mesmo de jogar futebol e foi isso, mais do que o dinheiro, que o fez optar por esta carreira... Era preciso ser-se incrivelmente invejoso, mal formado, cruel para desejar acabar com o sonho de uma vida inteira, só para vingar uma derrota ou uma desilusão amorosa.

Entretanto, Souleymane Diawara, o defesa do Marselha que fez a entrada dura que lesionou o Cristiano, já afirmou que lamenta o que fez. Certamente não imaginava que uma falta pudesse provocar esta confusão toda...

Mas mudemos de assunto. O jogo de hoje é para ganhar. Isso mesmo tem sido repetido tanto pelos jogadores como pelo treinador. Carlos Queiroz diz que está confiante, bem como o resto da Selecção. Que estamos nos últimos 100m desta maratona que é a qualificação. Estou, por acaso, a lembrar-me de uma piada que li num comentário a um artigo na Internet, que dizia queteria dado jeito se Queiroz tivesse convocado Francis Obikwelu para estes últimos cem metros... Em todo o caso, se bem que um bocadinho nervosa, estou também confiante para este jogo. Nós somos capazes. Pode dar sorte o facto de irmos jogar no berço da Nação, no Estádio do Conquistador... Vamos dar uma lição àquela Malta!

domingo, 11 de outubro de 2009

Portugal 3 Hungria 0 - Guardem as calculadoras!

Ontem, a Selecção Portuguesa recuperou a possibilidade de se qualificar para o Campeonato do Mundo, a realizar em 2010 na África do Sul, apenas dependendo dos seus próprios resultados. Foi a vitória da Selecção Dinamarquesa sobre a Sueca mas, sobretudo, a vitória da Selecção Portuguesa sobre a Húngara que devolveram a possibilidade. No mítico Estádio da Luz, os marmanjos marcaram três golos à Hungria e não sofreram nenhum, num jogo fantástico, provavelmente o melhor desde o Euro 2008. Dez anos depois de terem vencido a mesma seleccção com o mesmo resultado, na antiga Luz.


Os marcadores foram Simão e Liedson. O primeiro estava de regresso a casa, marcou o primeiro e o último golo, foi o capitão durante a maior parte do encontro, foi considerado o homem do jogo. Ele parecia ainda mais baixinho do que é quando às vezes disputava a bola com jogadores húngaros muito altos. Fez-me lembrar uma cena do último Portugal-Inglaterra, em que ele estava a disputar a bola com o Peter Crouch... Mas, de resto, ontem à noite provou que os jogadores não se medem aos palmos, que Marques Mendes tinha razão quando disse no outro dia que "Às vezes é das coisas pequenas que vêm as grandes surpresas". Grande Simão!

Outro herói da noite foi Liedson, que marcou o segundo golo, numa altura em que a Selecção parecia um bocado atrapalhada e um golo dava jeito para acalmar o pessoal. A sua Convocatória esteve envolta em polémica mas, depois de dois golos em três jogos, está mais que provado que a sua Escolha foi boa e pode até fazer a diferença. O pessoal já se habituou a vê-lo marcar na Luz, mas não a vê-lo ser tão aplaudido na Luz...

É este o espírito da Selecção. Aqui não há rivalidades clubísticas, é um país inteiro unido em torno de uma equipa.

De resto, pelo que se diz, parece que Pedro Mendes foi outra boa escolha para o lugar de Pepe, que estava castigado. Eu sobre isso não me pronuncio, pois os meus conhecimentos futebolísticos não me deixaram reparar que o jogador estava a fazer uma exibição assim tão boa... Mas, por outro lado, é bom saber que dispomos de vários jogadores bons, não só de duas ou três estrelas, cuja ausência nos complica demasiado a vida. Ontem o Cristiano saiu lesionado aos 27 minutos, o Pepe não jogou por castigo, o Deco não estava nos seus dias, mas o Simão e os outros conseguiram aguentar o barco e conduzi-lo à vitória.


A propósito do Cristiano Ronaldo, o madeirensezinho saiu aos 27 minutos de jogo, mas esses 27 minutos chegaram para que este assistisse o golo de Simão. Disse ao longo desta última semana que queria fazer a diferença no jogo contra a Hungria e cumpriu o seu desejo. Na minha opinião, este golo foi determinante. Se não tivéssemos marcado nesta altura, este jogo podia ter sido igual a tantos outros desta qualificação. Foi largamente aplaudido quando foi substituido por Nani. É capaz de ter feito mais pela Selecção neste jogo nesta meia horinha em que jogou do que fez noutros jogos em que jogou na maioria dos noventa minutos.


Eu de resto tenho de engolir algumas coisas que pensei e disse em relação à dedicação de Ronaldo à Selecção. Muito se tem comentado ao longo desta fase de qualificação que ele "na Selecção não joga nada", que no clube, seja no Manchester United, seja no Real Madrid, joga melhor, etc, etc. Apesar disso tudo, ele esforçou-se por jogar frente à Hungria, por fazer uma boa exibição apesar do tornozelo lesionado. E agora, como consequência desse esforço, pode ficar umas semaninhas sem jogar. E este foi só um caso. Para além daquele que eu falei da outra vez, do jogo frente ao Cazaquistão. E de outro de que o próprio Ronaldo falou: quando o pai dele morreu na véspera de um jogo de qualificação para o Mundial 2006, frente à Rússia.

Quem é que agora pode dizer que ele liga mais aos euros do que à camisola? O Ronaldo deu-nos a todos uma grande lição ontem à noite. Ainda pode haver quem diga que foi só porque, de repente, ficou com medo de não ir ao Mundial 2010, o que seria péssima publicidade, mas eu não acredito nisso. Acredito que um dia irá desempenhar na Selecção o mesmo papel que Luís Figo desempenhou, como líder da Selecção. Apesar de já ser capitão, ainda não é o verdadeiro líder: falta-lhe alguma maturidade, na minha opinião, mas creio que há-de chegar lá, com o tempo.

Os adeptos, o décimo-segundo jogador que, segundo Queiroz, ontem vestiu a camisola número 1, também foram os homens (e mulheres!) do jogo. Ainda foram uns 50 mil! Não chegou para encher o estádio, mas não faltou muito. Acho que nunca os tinha visto tão animados nesta fase de qualificação. Quem me dera ter estado lá, ter juntado a minha voz, o meu apoio, às vozes e ao apoio dos outros 50 mil. Ainda se ouviram assobios para Carlos Queiroz, o que é compreensível. Tinham todo o direito de dizerem que, apesar de estarem lá para apoiar Portugal, não estavam satisfeitos com o desempenho da Selecção. Eu compreendo os assobios, mas eu não era capaz de os fazer. Para já, não consigo assobiar daquela forma, tenho de me contentar com "Uuuuuuuuu", e além disso, se eu vim ao estádio é para apoiar e não para criticar. Mas, de resto, o público portou-se impecavelmente ontem, criaram o verdadeiro Inferno na Luz para os húngaros, só assobiaram mesmo quando estes tinham a bola nos pés. Também, com um jogo daqueles, era difícil sair da Luz chateado.
Em suma, adorei pura e simplesmente o jogo de ontem. Já não estava habituada a uma vitória tão expressiva da Selecção Nacional. Apesar de confiante, tinha medo que se repetisse a mesma história dos anteriores jogos de qualificação: uma boa exibição, mas golos falhados atrás de golos falhados, o pessoal cada vez mais nervoso, o apito final e o marcador empatado. Graças a Deus, nada disso aconteceu ontem à noite. Graças a Deus é como quem diz, foi a Selecção e os adeptos à assistirem que deram esta tão esperada vitória. Como disse Rui Santos ontem, isto acontecer nesta altura do campeonato, depois de uma qualificação tão atribulada, é uma grande vitória - desta feita, concordo com ele. Outros mais fracos não conseguiriam fazer o que nós fizemos em circustâncias tão adversas. Agora o sonho de um lugar na África do Sul está mais forte.

Mas não está cumprido, atenção! Ainda é muito cedo para lançar os foguetes! Ainda temos de vencer a Malta para termos lugar nos play-offs. Eu sei que a Malta é capaz de ser a Selecção menos difícil do grupo, que está no fundo da tabela com um único ponto, que nós a vencemos por 4-0 no primeiro jogo desta fase de qualificação, mas isso não quer dizer nada. Já vi demasiado desta Selecção para pôr as mãos no fogo em relação a isto... Contudo, não creio que não vençamos a Malta, na próxima Quarta-feira, dia 14. Só mesmo se acontecer uma grande desgraça, um grande azar, mas já tivémos azar demais neste campeonato! E, de resto, praticamente todos os jogadores que prestaram declarações frisaram este mesmo aspecto: nada está decidido, ainda falta um jogo para a qualificação acabar. Há-de correr tudo bem.

Ah, mas se ou quando (escolham vocês) garantirmos um lugar no Campeonato do Mundo do próximo ano, eu vou chatear tudo e todos os que já tinham dado a qualificação por perdida! Eh eh eh!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Na véspera da última dupla jornada

O jogo com a Hungria é já amanhã. Começa às 20h45, hora em Portugal, será transmitido pela TVI. O jogo entre a Suécia e a Dinamarca, cujo resultado nos interessa, começa, salvo erro, às 19h de cá, ou seja, quando os marmanjos entrarem em campo, já se saberá se o resultado nos foi favorável.


Há quem se queixe do facto de a hora dos dois jogos não coincidirem, mas eu não me importo por aí além. Se a Suécia ganhar (bato três vezes na madeira, apesar de tudo), não nos deixa já de fora, apenas adia as coisas para a última jornada. Temos de ganhar em ambas as circunstâncias. Em todo o caso, é mais provável que a Suécia saia derrotada do jogo de amanhã, já que irá enfrentar a Selecção Dinamarquesa e na Quarta-feira irá jogar contra a Albânia. Também se receia que as duas selecções do Norte da Europa combinem um resultado de modo a deixarem-nos de fora, à semelhança do que fizeram à Itália no Euro 2004. Isso também me deixa um bocado nervosa, mas, ao que li, é pouco provável que se arrisquem a tal, pois "um deslize" na última jornada pode complicar a vida aos nossos amigos escandinavos. Que Deus ouça (ou leia) isto!


Entretanto, Wayne Rooney, outro "velho amigo" já veio dizer que está a torcer para que Portugal não se qualifique para o Mundial. Se eu ainda antes de saber desta declaração não ia muito com a cara do Rooney, agora vou ainda menos!


O inglês teve o azar de nunca ter chegado ao fim dos dois últimos jogos da Selecção Inglesa contra a nossa. No primeiro jogo, no Euro2004, no Estádio da Luz, o mesmo estádio em que se joga amanhã, saiu lesionado, salvo erro na primeira parte. Uns amigos da minha mãe que são médicos em Santa Maria contaram que ele foi para este Hospital em consequência da lesão e, segundo os médicos, vinha de muito mau humor. Mau humor este que ficou bem mais visível à medida que este ouvia os gritos de triunfo dos portugueses, primeiro pelo golo do Hélder Postiga, depois pelo golo do Rui Costa e, por fim, com os pénaltis do Ricardo, o homem deve ter ficado com uma cara de meter medo ao susto...


No segundo jogo, saiu no prolongamento de forma ainda mais triste. Certamente se lembram na pisadela selvagem e propositada ao Ricardo Carvalho em zona sensível. Ele foi expulso, mas convenceu-se que foi culpa do Cristiano Ronaldo, só porque este lembrou ao árbitro que era falta, e os ingleses ficaram todos fulos com o madeirense. A perseguição que eles lhe fizeram foi de tal forma baixa que eu, na altura, julguei que os dias do Ronaldo no Manchester United estavam contados. Contudo, rapidamente passou de besta a bestial ao fazer uma época excelente.


Não é de surpreender esta atutude. Já se sabe que os ingleses são muito mauzinhos. Não vale a pena deixar que isto nos incomode. Mesmo assim, dá vontade de voltar a dar-lhes uma coça (ou, em inglês, kick their ass), caso nos qualifiquemos para o Mundial.


Mas antes de fazermos planos para a nossa estadia na África do Sul, convém ganhar o lugar primeiro. E para ganharmos esse lugar, temos obrigatoriamente de ganhar estes dois jogos. Não há volta a dar! Já desperdiçámos tudo o que podíamos desperdiçar.


Seleccionador e jogadores têm apelado aos adeptos para irem apoiar a Selecção ao Estádio da Luz. Contudo, parece que os adeptos não estão muito nessa. Ontem dizia-se que só estavam vendidos 15 mil bilhetes. Gilberto Madaíl dizia hoje que esse número chegava já aos 50 mil, mas nem tenho a certeza se ele falava dos bilhetes já vendidos ou dos que esperava vender... Já comentei aqui sobre o apoio (ou a falta dele) que se tem dado à Selecção, mas não gostava que houvessem muitos lugares vazios na Luz... Eu ia com todo o gosto, nem precisava que mo pedissem, mas não posso. Mas pode ser que se vendam bastantes mais bilhetes, até porque nós, os portugueses, temos muito a mania de deixar tudo para a última hora.


Já só falta um dia para o penúltimo jogo desta fase de qualificação. Estou bastante confiante. Ganhámos em casa dos húngaros e pode ser que também ganhemos aqui. Felizmente estes dois últimos jogos são frente a equipas teoricamente mais fracas - embora já se tenha provado demasiadas vezes que o teoricamente mais fraco pode não significar nada - que já vencemos antes nesta fase de qualificação, em princípio não deve ser muito difícil. Em princípio... Em relação ao jogo da Dinamarca e da Suécia, não conheço muito bem as seleccções, não faço prognósticos. Estou ainda para saber como é que vou vendo o resultado desse jogo. Quando tinha Teletexto era fácil, agora não sei. Talvez na Internet. Mas tenho a certeza que vai ser uma noite de nervos, a de amanhã.


Doutra coisa tenho a certeza, para além disso. Tenho a certeza que os nossos jogadores vão dar tudo por tudo para que tudo corra bem amanhã, e o mesmo se passará na Quarta-feira, quando defrontarmos a Malta. Sei que não será por falta de empenho que não nos qualificaremos (mais uma vez, bato três vezes na madeira). Eu acredito neles. Apesar de todas as desilusões, eu acredito neles. E agora sei que não estou sozinha, que não são só quatro as pessoas que ainda não perderam a fé. Descobri esta petição online para aqueles que acreditam na Selecção. Eu já assinei. Eu e mais uns cento e cinquenta. Juntem-se a nós!


www.peticao.com.pt/por-portugal

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Revisões para os testes

No próximo Sábado, dia 10 de Outubro, a Selecção Portuguesa defrontará a Selecção Húngara em Lisboa, no Estádio da Luz, se não me engano, pelas 19h45. Depois na Quarta-feira seguinte, dia 14 de Outubro, a Selecção defrontará a Malta, em Guimarães. Estes dois encontros são os últimos desta fase de qualificação que não tem corrido da melhor maneira. Daqui a pouco mais de uma semana saberemos se o Mundial 2010 pode contar com Portugal ou não.


De certa forma, sinto-me como se tivéssemos estado este tempo todo a fazer testes, só faltam dois para que a época acabe e para que saibamos a nota final: passamos ou não? Qualificamo-nos ou não? Infelizmente, sinto-me também como se fôssemos daqueles alunos que têm péssimas notas no 2º período do ano lectivo, notas que, se fosse no 3º período estavam chumbados, e que passam o 3º período todo entre a espada e a parede. E em vez de acarinharem, apoiarem e acreditarem em nós, os pais fartam-se de criticar, de resmungar "Pois, se tivesses estudado ao longo do ano, não estavas nesta aflição" ou "Agora de certeza já não consegues, nem vale a pena!", bocas que, longe de ajudarem, só contribuem para espezinhar o que resta da nossa auto-estima e para nos desesperar ainda mais.


Nesta metáfora, caso ainda não tenham percebido, os pais são muito do pessoal que por aí anda, sobretudo nos comentários às notícias na Internet (pelo menos, é onde mais os encontro). Em vez de dar apoio e carinho à Selecção na altura em que esta mais precisa, só sabem criticar e deitar abaixo.


Não que eu não compreenda como é que eles se sentem. Esta fase de qualificação tem sido recheada de empates e de desilusões. E eu já me fartei de sofrer com os marmanjos ao longo deste último ano. Eu nunca deixo de apoiar, de gritar por eles, de acreditar até ao último minuto do tempo de compensação, mesmo depois de vários jogos em que se falhou, se perderam pontos, mas eles fartam-se de me desiludir... O resultado é que a minha fé já viu melhores dias, já não acredito como antes acreditei.

Torna-se cada vez mais difícil acreditar, de resto. Quase toda a gente com quem falo já perdeu a esperança há muito. Ainda no outro dia um colega me perguntou:


- Se eles jogaram mal até agora, achas que será nos últimos dois jogos que vão jogar como deve ser?

Tento não ligar ao que eles dizem, provar que estão errados, mas há muito que me começam a faltar os argumentos. Nessas alturas, agarro-me àqueles que ainda acreditam.

Não sei se repararam, mas fiz uma pequena alteração à estrutura do blogue. A esta barrinha cinzenta à direita, acrescentei um poema que encontrei na secção das cartas e comentários dos leitores do jornal Destak, escrito por Alexandrina Silva, no dia 17 de Setembro:


Somos roubados, invejados
E estamos enguiçados
Mas não somos coitados
Estamos apenas
Um pouco mais atrasados
Vamos lutar e levar tudo
Até ao fundo
Porque ninguém tem dúvidas
Que somos
Dos melhores do Mundo

Força Portugal!


Na altura, gostei de ter dado com este poema. Fiquei feliz por ainda existir alguém que acredita para além de mim e do Carlos Queiroz.


E pelos vistos o nosso ex-seleccionador Luiz Felipe Scolari é mais outro que acredita (fixe, já vamos em quatro...). Apesar de antes se ter desentendio com o actual Seleccionador, ele foi impecável ao elogiar Carlos Queiroz e ao apelar à união dos portugueses em torno da Selecção. É curioso ele fazer esse apelo, mesmo depois de ter deixado a Selecção...


De resto, o nosso actual Seleccionador tem feito mais ou menos o mesmo. Ainda no outro dia disse que existe um "jogador especial" com quem ele conta de "forma inequívoca": os adeptos. Gostei. Só que ele ainda ontem falou num "mar de adeptos" que ainda acreditam. Talvez ele conheça mais gente que acredite do que eu, mas, cá para mim, esses adeptos mal chegam para formar uma poça de água... Já quase ninguém acredita sem contar com nós os quatro.

De resto, é uma atitude tipicamente portuguesa. Toda a gente se queixa que nós estamos "na causa da Europa", toda a gente resmunga "Só neste país" quando alguma coisa corre mal. Contudo, quase ninguém faz alguma coisa para mudar a situação. Nas escolas, os bons alunos são desprezados (aconteceu comigo...), e as mamãs e os papás vêm logo reclamar com os stôres se estes repreendem uma vez que seja os meninos. O sucesso dos outros é invejado (veja-se o exemplo do Ronaldo), por vezes é menos atribuído ao esforço pessoal e mais atribuído a cunhas, o insucesso é sempre culpa dos outros. É fácil ter-se esta atitude. São fracos.


Não digo que seja forte ou mesmo que não seja fraca mas não tenciono fazer o que eles fazem. Sei que, apesar do que o Seleccionador diz, não farei a diferença entre passar e chumbar, entre qualificarmo-nos ou ficarmos a ver o Mundial pela TV. Mas recuso-me a atirar para o chão as poucas armas que tenho. E faço um apelo através deste blogue para que façam o mesmo. Estes são os momentos em que os verdadeiros adeptos se revelam - não na bonança, mas sim na tempestade. Eu não vou poder ir assistir ao jogo no Estádio da Luz, mas ao menos tenho o blogue para mostrar que, apesar destas desilusões todas, estou com a Selecção até ao fim. Mesmo que não nos qualifiquemos. E que me estou nas tintas para o que os Velhos do Restelo dizem.


Que venham então os últimos testes.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Depois de uma derrota e de uma vitória

Era para ter escrito antes do jogo contra a Hungria mas não tive tempo.


Saímos desta jornada dupla com uma derrota frente à Dinamarca, uma vitória frente à Hungria, treze pontos (menos dois que a Suécia e menos cinco que a Dinamarca), sem a possibilidade de nos qualificarmos sozinhos, uma calculadora numa mão e o terço na outra.

O jogo contra a Dinamarca foi de emoções fortes, impróprio para cardíacos. A Selecção Nacional entrou com força, com uma exibição excelente mas incapaz de enfiar o raio da bola no raio da baliza. A exibição da Selecção entusiasmou-me mas os golos falhados enervaram-me. O guarda-redes dinamarquês agarrava-as todas, chegou a uma altura em que já sentia cá um ódio ao pobre homem que só estava a fazer o seu trabalho.

Depois do golo dinamarquês, no final da primeira parte, foi o descalabro. O ritmo português manteve-se mais ou menos, mas o meu entusiasmo tinha sofrido um certo abalo. Pior do que noutros jogos desta qualificação, pois uma coisa é um empate, outra coisa é uma derrota. Havia alturas, sobretudo depois de falharmos mais um remate em que já escondia o rosto nas almofadas. O meu coração ia a duzentos à hora, sentia-o no peito, na carótida e em sítios em que não sabia que existiam artérias em que era possível sentir a pulsação. De vez em quando mordia o meu boné branco da Selecção. Só me faltou rezar mas como nuca rezo nem vou à missa, seria uma autêntica hipocrisia fazê-lo naquele momento. Chegou a uma certa altura em que eu já nem queria saber, em que agradeci o facto de precisarem da minha ajuda para não ter de ver o jogo por alguns minutos.

As coisas alteraram-se um bocadinho aos 86 minutos com o golo de Liedson. Tive esperança de conseguirmos reverter a situação. Afinal de contas tínhamos conseguido ganhar o jogo contra a Albânia já em tempo de compensação. Passei os últimos minutos do jogo com um olho no que os jogadores faziam e outro no relógio, mas não deu em nada.

No fim, tinha os dedos doridos de ter feito figas durante quase todo o encontro. A primeira reacção que tive foi de que o resultado podia ser pior - visto que passei uma boa parte do jogo com medo de perdermos, o empate sempre era um mal menor. O pior é que agora não dependemos só de nós próprios para nos qualificarmos. Ao lembrar-me daquilo que tinha escrito cá no blogue na véspera do jogo senti-me humilhada. "Estive ali a defender os marmanjos, a demonstrar a minha total confiança neles, até com uma certa dose de arrogância e eles empatam... Não devia ter já aprendido a lição?". Era frustrante. Jogámos melhor do que os dinamarqueses mas não os conseguimos vencer. Na televisão comentaram que "Portugal joga e a Dinamarca marca". O meu pai adaptou a frase para "Portugal joga e a Dina marca".

Confesso que a minha fé, o meu entusiasmo, sofreu um horrível abalo, tão grande que nos dias seguintes nem me esforcei muito para arranjar tempo para escrever no blogue. Pelo menos não tanto como me esforcei na semana passada, antes do jogo com a Dinamarca, em que não me importava de ficar a pé até altas horas para actualizar o blogue. Fui cobarde. Por outro lado, encarei o jogo contra a Hungria com bastante mais calma embora sem indiferença. Já não havia muito a perder...

Tenho a sensação de que a sorte pode ter mudado ontem, mas também o achava na altura do jogo frente à Albânia, já não ponho as mãos no fogo. Contudo, marcarmos ao minuto nove, no dia nove, do nove, do nove é uma grande coincidência. Eu normalmente não sou supresticiosa, mas com a Selecção acredito um bocado na sorte e no azar. Há coisa de três anos, entre o Euro 2004 e o Mundial 2006 cheguei a ter uma t-shirt da sorte. Tudo começou com o Portugal-Espanha. Visto ser uma t-shirt verde-alface, era suposto eu tê-la usado com um par de calções vermelhos, para ficar como a bandeira nacional. Como já referi aqui, eu fui assistir ao jogo ao Estádio de Alvalade, mas como dava frio, troquei os calções por calças de ganga. Se bem se lembram, ganhámos. No dia do jogo com a Inglaterra, por mera coincidência, voltei a usar a t-shirt com calças de ganga e ganhámos. Foi aí que comecei a pensar que aquilo dava sorte. Repeti a indumentária no dia do jogo com a Holanda. Ganhámos. Quis repetir a indumentária no dia da final, mas a minha mãe insistiu que eu usasse os calções vermelhos. Perdemos. O ritual manteve-se durante dois anos, até qque quando perdemos com a França e com a Alemanha no Mundial, decidi que a camisola já não dava sorte.

Apesar de tudo nunca deixei de ter pequenos rituais, como usar as meias e o boné da Selecção, vestir-me um pouco melhor em dias de jogo, lavar o cabelo... Era mais por ser um dia feliz do que por sorte. A proximidade de jogos da Selecção faz-me feliz.

Mas voltando ao jogo contra a Hungria, estava bastante mais calma do que com o jogo contra a Dinamarca, embora não deixasse de dar uns gritos de "Agarra a bola!" ou "Tirem a bola daí!" de vez em quando (embora, confesso-o, fosse mais para irritar a minha irmã do que por ansiedade). E embora o jogo estivesse longe de ser empolgante, de emoções fortes como Queiroz prometera, ganhámos. Muita gente queixou-se de que "eles não jogaram nada", "eles não mereciam ganhar", o que eu acho uma enorme hipocrisia, pois provavelmente, são as mesmas pessoas que se queixaram do empate frente à Dinamarca em que nós jogámos de forma brilhante. Eu também gostei mais do resultado do que da exibição mas já estava farta de gostar mais da exibição do que do resultado.

Pois é, as coisas estão complicadas, eu já não acredito como antes acreditava, mas, como tenho dito quando comento a qualificação com outras pessoas, eu acredito em milagres. Pelo que ouvi falar, temos de ganhar os dois próximos jogos e de esperar que a Suécia perca frente à Dinamarca. Eu vou contiuar a apoiar, pois, como já referi aqui, o pessimismo nunca levou ninguém a lado nenhum. Espero que se juntem a mim.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Mostrem quem somos!

A Selecção Portuguesa já se encontra na Dinamarca e amanhã defrontará a Selecção daquele país, às 19h de cá. O jogo será transmitido pela TVI.


Nestes últimos dois dias, os nossos amigos dinamarqueses começaram já a disparar provocações na nossa direcção, com Liedson e Cristiano Ronaldo na mira, eles que são provavelmente os dois jogadores em quem os portugueses depositam mais esperança para o jogo de amanhã. Tomasson, o capitão dinamarquês acusou-nos de termos ido comprar um avançado ao Brasil já que em Portugal não os temos. Afirmou mesmo que na Dinarmarca e nos outros países da Escandinávia isso não aconteceria.

Por muito que me desagrade, o jogador pode ter escolhido as palavras erradas mas não disse algo que seja completamente mentira. É claro que nós não "comprámos" o Liedson, mas não é mentira nenhuma que há já algum tempo que se fala da possível Entrada do luso-brasileiro para a Selecção, sobretudo quando se comenta a falta de pontas-de-lança. Mesmo assim, considero que o nosso amigo perdeu uma boa oportunidade para estar calado. Para além daquilo que já falei, de nós e os brasileiros sermos irmãos (se el-rei D. Pedro IV não tivesse dado o célebre grito do Ipiranga "Independência ou Morte!", o Brasil ainda podia ser nosso ou podia tê-lo sido durante mais tempo), Tomosson de certeza não fala dos franceses que têm vários jogadores estrangeiros na sua Selecção, incluindo Zidane, nascido na Argélia.

Ele afirma que no seu país e os seus vizinhos não aceitariam jogadores estrangeiros, mas se tivessem dado novos Mundos ao Mundo, como nós fizemos, aposto que outro galo cantaria. Como diziam no jornal, nós levámos os portugueses ao Mundo, e agora o Mundo leva os seus povos ao nosso país. Como costuma dizer o meu pai, se não tivessemos realizado os Descobrimentos, provavelmente eu e a minha família não estaríamos cá e eu provavelmente nunca teria nascido. E termos diferentes culturas num mesmo país, só nos enriquece.

O guarda-redes do Vitória de Guimarães, Nilson, é brasileiro e amigo de Liedson. Ele afirma que o luso-português pode não ser "um português de nascimento, mas é de coração”. Eu espero que esteja a ser sincero, que o Liedson se tenha neutralizado português por essas razões, não para apenas jogar pela nossa Selecção ou por outro motivo desse género.

A outra provocação vinda da Dinamarca é ainda mais grave. Simon Kjaer apresentou a sua ideia de neutralizar Cristiano Ronaldo: "Temos de o irritar desde o início, dar-lhe algumas pancadas e derrubá-lo algumas vezes, mas sem ver o cartão amarelo". Assim que soube desta declaração tive um dejá vu, lembrei-me de umas ameaças semelhantes que o guarda-redes belga fez em vésperas de um jogo nosso frente à Selecção daquele país. Admito que, sim, o Ronaldo têm um feitio instável, é relativamente fácil de provocar, mas estas palavras de Kjaer são de um nível muito baixo.

Por outro lado, estas provocações todas só mostram uma coisa: os dinamarqueses estão com medo de nós. Sabem que não estão na máxima força, que temos jogadores de qualidade. Receiam não serem capazes de nos neutralizar em campo, pela maneira legal, por isso jogam sujo, provocam-nos. De certa forma, agrada-me saber que ainda impomos respeito, para não dizer medo, apesar de não sermos tão bons como já fomos. E um bocadinho de tensão, com conta, peso e medida, sempre torna o jogo mais excitante.

Para além disso, pode ser que isto dê sorte. Depois de o guarda-redes belga ter dito aquilo, nós demos quatro golos sem resposta em Alvaldade, naquele que foi, provavelmente, o melhor jogo de toda a Qualificação para o Euro 2008. Pode ser que desta vez aconteça o mesmo, embora eu tenha dúvidas...

De qualquer forma, estou crente numa vitória amanhã. Mesmo que não seja por quatro a zero, já me contentava por um a zero... De resto, não vejo alternativa. Como dizem os marmanjos, nem quero pensar em Portugal fora do Mundial. Conto com os nossos jogadores, com o nosso seleccionador, espero que amanhã se concentrem em dar tudo o que tem - se o derem, só com uma grande onda de azar é que não ganhamos. Mostrem que não ligamos às provocações deles, mostrem que ainda temos qualidade! Vamos a eles! Como dizia no Record que eles iam fazer, mostrem quem somos!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

"Vem aí o sprint final"

No próximo Sábado, dia 5 de Setembro, pelas 19h, hora de Lisboa, a Selecção Portuguesa defrontará a sua congénere dinamarquesa, em jogo de qualificação para o Campeonato do Mundo a realizar em 2010 na África do Sul. Na Quarta-feira seguinte, dia 9 de Setembro, a hora desconhecida (pelo menos da minha parte), a Selecção Nacional defrontará a húngara, também em jogo de qualificação para o Mundial. Ests duas partidas serão as primeiras duas finais de uma série de quatro em que se decidirá se Portugal se qualificará para o Mundial, se terá de ir aos play-offs, ou se ficará a ver o Mundial pela televisão. Por outras palavras, como disse Queiroz, "vêm aí o sprint final".



No fim-de-semana passado, Carlos Queiroz, o Seleccionador Nacional, concedeu uma entrevista à estação de rádio Antena 1 e ao Jornal Record. Eu não tive oportunidade de ouvir na rádio nem de ler no jornal, mas encontrei o vídeo da entrevista na Internet. Eis o link para quem quiser ouvir a entrevista na íntegra: http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Entrevista-a-Carlos-Queiroz-completa.rtp&article=275123&visual=16&layout=55&tm=44 Quando vi a duração da entrevista, assustei-me: demorava mais ou menos uma hora. Sorte que eu estou de férias, logo, consegui aranjar tempo para ouvir. Se estivesse em aulas duvido que arranjasse uma hora para ouvir uma entrevista. Com um bocado de sorte, limitar-me-ia a lê-la no jornal.



Gostei bastante de ouvir o Professor a falar. Também gostava de ouvir Scolari, com o seu sotaque gaúcho, o seu humor variável que tem o seu quê de cómico (estou a lembrar-me da célebre conferência do "E o burro sou eu?" e de outra, na altura do Europeu, em que resolveu responder às perguntas dos jornalistas só com "Sim" e "Não" e em que tinha de ouvir as traduções das perguntas dos jornalistas ingleses), algumas expressões engraçadas que ele usa. Tenho algumas saudades de o ouvir. Queiroz tem um estilo diferente, uma voz agradável, fala bem, dá gosto ouvi-lo.



Um dos temas mais discutidos durante a entrevista foi a tão falada Chamada de Liedson, recém-naturalizado português. Carlos Queiroz não alimentou as polémicas, disse que Convocou o luso-brasileiro porque, em primeiro lugar, é oficialmente português, em segundo lugar, o eterno problema da falta de pontas-de-lança (e, ainda por cima, Hugo Almeida está lesionado). Além disso, Liedson já joga cá há muitos anos, há algum tempo que manifestou ter vontade de representar a Selecção Portuguesa. "Dá jeito" nesta altura do campeonato e pode ajudar-nos. Ponto final. Admite que o assunto "Vai dar jeito aí a uma certa malta para se enterter com essas coisas", mas não quer saber.



Eu ainda estou dividida, ainda não sei se aprovo ou não a Chamada de Liedson. Tenho medo que se abuse das Convocatórias de portugueses neutralizados, que se perque a noção de Selecção Nacional. Contudo, por outro lado, os brasileiros são nossos irmãos, é diferente de convocar um francês neutralizado português (como se houvesse algum francês não luso-descendente interessado em ser português...). Além disso, como a minha mãe se costuma queixar de que "os brasileiros estão a invadir tudo", é cada vez menos provável que o empregado a quem pedimos o café não tenha sotaque brasileiro, a Selecção até reflecte o que está acontecer no país. Não que eu tenha algum problema com o número de imigrantes vindos do Brasil a viverem em Portugal, até porque entre esses imigrantes está um amigo meu.



E, se virmos bem as coisas, o caso não difere muito dos dos jogadores que nasceram nas antigas colónias portuguesas mas que há muito que são portugueses. Estou a pensar no Nani, que nasceu em Cabo Verde, e cresceu cá, mas há imensos outros casos. E, de resto, o Eusébio, o nosso Pantera Negra, nasceu na Angola ou em Moçambique (não sei em qual), no tempo em que ainda eram colónias portuguesas. A única diferença entre Nani e Liedson, é que este último só veio há uns anos para Portugal. Se os nossos antepassados, do século XIV e XV não tivessem tido a grande ideia de ver o que havia no outro lado do mar, se não fosse o Infante D. Henrique, o Vasco da Gama, o Diogo Cão, o Pedro Álvares Cabral e companhia, não tínhamos pelo menos metade dos actuais jogadores portugueses.



Na prática, o que mais me preocupa é a pressão que estão a pôr em Liedson, o pouco tempo de que dispõe para se adaptar à equipa. A eterna desculpa, perdão, razão que se invoca para justificar o desempenho de Ronaldo na Selecção, bastante inferior ao antigo desempenho no Manchester United.



Em relação ao facto de o Ronaldo se ter "baldado" ao jogo com o Liechenstein, Queiroz explicou que a confusão toda se deveu a "mal-entendidos" e "falhas de comunicação" e que isso ficou claro para a maioria das pessoas, mas há sempre gente que se aproveita destas coisas para gerar intrigas, "conversas de escárnio e mal-dizer". Quando o jornalista se "esticou", quando afirmou que acompanhara a Selecção na deslocação ao Liechenstein e que não percebia como ocorrera a comunicação de que o Ronaldo não jogava, o Professor mandou uma indirecta criticando o desrespeito pela privacidade das pessoas. Pode haver quem interprete isso dizendo que o Seleccionador tem algo a esconder, mas o Professor está no seu direito em manter as suas conversas com os jogadores privadas. Queiroz afirmou ainda que nunca duvidou das desculpas, perdão, dos motivos apresentados para a ausência de Ronaldo, porém, questionou-se se o Real Madrid teria feito tudo para que o Cristiano pudesse vir jogar. "Eu não poria as mãos no fogo", disse ele. Eu também tenho as minhas dúvidas, mas como não passava de um particular, ainda por cima frente ao Liechenstein, acho desnecessário fazer uma tempestade num copo de água.



De resto, Queiroz afirmou mesmo que "Isto não é acerca do Cristiano, isto não é acerca do Carlos Queiroz, isto não é acerca do Liedson, é acerca de Portugal se classificar para o Campeonato do Mundo". Acrescenta ainda que se acha obrigado a "estimular esse sentido de responsabilidade em todas as pessoas, dos adeptos, dos jogadores, para que todos nós estejamos concentrados nesse grande objectivo". É a única coisa que interessa neste momento. Mais tarde, discutirá outros temas que considera importantes, mas agora não.



Esta frase fez-me lembrar o verso de uma música dos Nickelback, "Someday". "Someday, somehow, we're gonna make it alright but not right now" (Um dia, de alguma forma, pomos isto bem mas não agora).



Passando, então, ao que interessa, os jornalistas começaram a perguntar-lhe sobre as tácticas. No início, Queiroz tinha medo de revelar demasiado, o que motivou um gracejo dos entrevistadores, referindo que era pouco provável que os dinamarqueses o ouvissem. Eu não arriscaria... Como não percebo muito desta matéria, acho melhor não falar sobre isso, ou ainda digo algum disparate.



O Professor revelou que o seu grande objectivo é tornar a nossa Selecção Campeã do Mundo, que fará tudo, que levantará "pedra por pedra". Pode demorar "um ano, dois anos, seis anos", dez anos, vinte anos, quarenta anos. Acredita que seremos melhores que a Dinamarca, falou mais uma vez em "vontade ilimitada". O nosso primeiro jogo com a Dinarmarca foi provavelmente um dos melhores desta fase de qualificação mas perdemos por detalhes, por "erros individuais". Tanto ele como os entrevistadores concordaram que hoje a Selecção está melhor que há um ano atrás. Queiroz chegou mesmo a usar uma comparação engraçada - afirmou que o Bolt, nos Mundiais de Atletismo partiu em quarto, fez uma má partida, e acabou por bater o recorde. Portugal também teve uma má partida, mas ainda pode ganhar esta guerra. E eu também ainda acredito que pode.



Foi basicamente isto que eu achei relevante desta entrevista. No fundo, não tem dito nada que não tivesse dito anteriormente mas os resultados nem sempre têm correspodido às expectativas. Contudo, não é hora de relembrar batalhas perdidas. Queiroz deixou por fim uma mensagem de união em torno da Selecção que eu também deixo. Eu sei que não era aqui que queríamos estar nesta altura do campeonato há um ano atrás. Eu sei que houve uma altura em que a Selecção não nos desiludia tanto como tem desiludido ao longo do último ano. Eu sei que muitos de nós já não têm forças para acreditar como acreditaram antes. Mas o pessimismo nunca fez ninguém qualificar-se. É nosso dever como adeptos dar todo o apoio que pudermos. E é isso que tenciono fazer.



P.S. Descobri agora que, aparentemente, os dinamarqueses estão com nove jogadores indisponíveis por lesão ou por castigo. Eh, eh, a sorte está de novo connosco. É aproveitar!
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