quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Bósnia 0 Portugal 1 - "Quatro, sei, oito, dez - África do Sul agora é a tua vez!" - Eu sabia que conseguíamos!

Eu sabia que conseguíamos!


Ontem à noite, dia 18 de Novembro de 2009, Quarta-feira, a Selecção Nacional foi a Zenica, na Bósnia, vencer a respectiva Selecção por uma bola a zero sem resposta, finalmente carimbando desta forma o passaporte para o Campeonato do Mundo de 2010, a realizar na África do Sul. O autor do golo foi Raúl Meireles mas o mérito da vitória é de todo o colectivo, do Seleccionador ao Rui Patrício, que, apesar das dificuldades, de algumas críticas destrutivas, da descrença de muitos, conseguiu ultrapassar tudo isso e ganhar um lugar no Mundial. Como estou orgulhosa deles!


Para além da equipa bósnia, a Selecção tinha mais dois adversários: o relvado em péssimo estado e os adeptos muito pouco amigáveis. E se, noutros resultados menos positivos, o relvado tenha sido invocado como desculpa, perdão, factor que contribuíra para o escasso número de golos, ontem apenas impediu que jogassem um futebol mais bonito. Não foi suficiente para parar os marmanjos, que chegaram mesmo a fazer um jogo melhor do que aquele que fizeram no Inferno da Luz, sobretudo na segunda parte. Em minha casa, estivemos a jantar durante a primeira parte e eu estava tão nervosa que perdi o apetite - a minha mãe julgou que não comia por ter andado a pestiscar antes do jantar, por isso obrigou-me a comer um pouco mais do que queria e perdi a oportunidade para cortar nas calorias... Mas não tinha razão para estar nervosa. Se bem que os portugueses não atacassem muito, defendiam bem quando os bósnios ameaçavam a nossa baliza. Nas poucas vezes em que a bola conseguia passar pelos nossos defesas e ameaçar a nossa baliza, o Eduardo estava lá para a defender.


Na segunda parte, veio o golo de Raul Meireles numa jogada em que também entraram Liedson e Nani. O golo fez-me saltar a mim e ao meu pai saltar do sofá e contribuiu para expulsar de vez os nervos, pois a partir desse momento, se os bósnios quisessem passar tinham de nos marcar três golos. Foi também na ressaca dos golos que os milhares de bósnios se calaram finalmente e os poucos portugueses presentes no estádio se fizeram ouvir. E no resto do jogo, os marmanjos ficaram bem mais soltos e podíamos ter dilatado o resultado. Ainda falhámos umas quantas oportunidades excelentes. Noutras circunstâncias fartar-me-ia de praguejar mas naquela altura, com o jogo praticamente resolvido, limitei-me a alguns refilanços bem-humorados.


O triste episódio ocorrido aos 75 minutos, aproximadamente, é que estragou o jogo. Quando aquele jogador bósnio foi expulso, os adeptos começaram logo a arremessar coisas para o campo. Eu vi logo que alguém ia sair dali magoado e acabou por ser o árbitro assistente. Como o Simão estava mesmo à frente dele, julgo que ele é que era o alvo. Se ele tivesse de facto sido atingido, ia haver confusão ainda maior... Em todo o caso, não deixa de ser um episódio degradante, que só contribui para estragar o futebol. Se tivesse sido ao contrário, morreria de vergonha.


Finalmente, o jogo terminou e com o fim do jogo, a entrada no Mundial ficou definitiva e finalmente selada. Eu queria ver em directo os jogadores a celebrarem o apuramento que custou tanto a carimbar mas a TVI achou por bem escolher uma pausa para publicidade naquele momento. Eu ainda fiquei um bocado à espera que acabasse para ver as flash-interviews, na esperança de que fosse aqueles intervalos de pouco mais de um minuto, só com dois ou três anúncios, mas não foi. Acabei por me fartar, desliguei a televisão e a TVI desceu ainda mais na minha consideração. É por estas e por outras que, no que toca a canais generalistas, sem contar com os telejornais, já quase só vejo a RTP 2.


Mais tarde, estive um bocado a oscilar entre a SICNotícias e a RTPN, como costumo fazer em dias de jogo, para ver a Conferência de Imprensa do Seleccionador e ouvir um ou outro comentário sobre o jogo. Na SIC, estava o Rui Santos e outro senhor de idade avançada cujo nome não memorizei a comentar. Este último, depois de se rever a flash-interview de Carlos Queiroz, citou uma das frases que o Professor disse. Se não me engano, algo tipo "obrigado a todos que acreditaram em nós". O senhor considerou esta frase "infeliz", por estar subjacente uma crítica àqueles que, a certa altura, deixaram de acreditar (o próprio comentador admite que foi uma dessas pessoas), mas eu concordo com o Seleccionador. Com todo o respeito pelo senhor comentador e pela sua opinião, estaria ele à espera que Queiroz viesse agradecer àqueles interesseiros e hipócritas que, nas alturas mais difíceis da qualificação deixaram de apoiar e acreditar mas quando a Selecção encontrou de novo o caminho voltaram de novo a apoiar?!?


Eu fui uma daquelas que nunca deixou de apoiar, de acreditar. Admito que apanhei imensos baldes de água fria, que houve alturas em que me senti uma parva por continuar a acreditar, que estive a "um bocadinho assim" de desistir, que nunca deixei de ter medo que tudo falhasse. E teria sido bem mais fácil ter feito isso. Concordo plenamente com o que o jornalista Carlos Daniel escreveu uma vez no Record, se não me engano na véspera do último jogo frente à Dinamarca: é mais difícil ser-se optimista do que pessismista. Na altura, entusiasmada como andava com o jogo, não compreendi bem porque dizia ele isso, mas no dia seguinte, depois do jogo, percebi perfeitamente.


Mas agora estou feliz. Agora vou poder esfregar esta vitória na cara de todos os que me disseram que já estava tudo perdido. Ah, ah, ah! Engulam esta!


Ainda neste assunto dos críticos, ontem o Ricardo Carvalho surpreendeu-me pela positiva, tanto dentro como fora do campo. Admitiu que a qualificação começou mal, que perdemos pontos desnecessariamente, que "merecemos as críticas e temos de assumi-las", contrariando a fama que a Selecção ganhou nos últimos anos, sobretudo no tempo do Scolari, de não lidar bem com as críticas. Confesso que, neste tópico, o Ricardo é melhor pessoa do que eu, pois eu levo um bocado a mal as críticas à Selecção. Suponho que seja normal, que uma pessoa não goste de ouvir e ler seu clube a ser criticado. Mas também às vezes irrita-me ouvir e ler pessoas a chamarem "incompetente" ao Seleccionador, a porem em causa as suas Escolhas, a sugerirem outros nomes para a Selecção, não tanto os comentadores desportivos, mas aqueles que escrevem para os jornais ou participam nos fóruns de opinião. Os comentadores ainda têm a experiência de vários anos a lidarem com o futebol, mas será que as outras pessoas se julgam mais entendidas na matéria do que Carlos Queiroz que ganha o pão para a boca a observar jogadores portugueses e a Escolhê-los para a Selecção? Também eu às vezes não concordo com algumas opções tomadas pelo Professor, mas eu não percebo assim tanto de futebol para me pôr a questionar os jogadores que Convoca... Eu não estou a criticar as pessoas por terem e exprimirem a sua opinião, critico-as é pela arrogância das suas opiniões.


Também já ouvi e li muito que tudo isto até seria desnecessário, que podíamos perfeitamente ter garantido a qualificação mais cedo, que o grupo não era assim tão difícil, etc. Até têm razão. Penso que aquilo que impediu uma qualificação bem menos sofrida foi o facto de termos mudado de Seleccionador, que obriga sempre a um tempo de adaptação, jogadores lesionados, algum azar e alguma ansiedade que levou a problemas na finalização (um marmanjo consegue passar a defesa e ficar à frente da baliza mas, na altura de rematar enerva-se e chuta ao lado). Mas conseguimos ultrapassar isto tudo, graças a Deus. Graças a Deus é como quem diz... graças ao espírito colectivo, à persistência e a alguma sorte.
Quando confrontado com o facto de podermos ter encerrado a qualificação mais cedo, o Ricardo Carvalho afirmou que desta forma soube melhor. Eu até concordo com ele. O apuramento para Mundial 2006 não teve grandes atribulações, foi relativamente "fácil", mas a certa altura comecei a sentir saudades de um jogo mais renhido, mais complicado, de alguma adrenalina. nesta perspectiva, a qualificação para o Europeu 2008 foi melhor. Em relação a esta fase de qualificação, no entanto, acho que houve adrenalina a mais... Mas, sim, fez com que o triunfo tão dificilmente alcançado saiba tão bem...
Além disso, termos de ir a play-off deu-nos mais dois jogos de Selecção oficiais. Como, para mim, quanto mais jogos melhor, isto constitui uma grande vantagem. Agora só voltamos a ter jogos oficiais em Junho do próximo ano. Até ao anúncio dos Convocados, temos de nos contentar com um ou outro particular. Que, a menos que o adversário seja os grandes, tipo Itália ou Brasil, não tem nem metade da emoção de um jogo oficial.


Agora já se conhecem as 32 selecções que, no próximo Verão, vão disputar a Taça do Mundo: nós, África do Sul, Nigéria, Camarões, Nova Zelândia, Japão, Holanda, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Austrália, Estados Unidos, Brasil, Gana, Inglaterra, Paraguai, Espanha, Dinamarca, Costa do Marfim, Chile, Alemanha, Itália, México, Sérvia, Suíça, Argentina, Honduras, Eslováquia, Argélia, França, Eslovénia, Grécia e Uruguai.


A França, como nós teve de ir a play-offs para se qualificar mas, ao contrário de nós, necessitou de uma "mão de Deus" para se qualificar. Enquanto estava a alternar entre a SICNotícias e a RTPN, ouvi que a Irlanda estava a ganhar à França e iam a prolongamento. Na altura, fiquei satisfeita e um pouco esperançosa de que os franceses falhassem o Mundial. Perdoem-me esta falta de fair-play mas ainda não esqueci o jogo do Mundial 2006. E quando soube que eles tinham dado a volta ao texto com um golo, fruto de uma jogada em que Thierry Henry ajeitou a bola com a mão antes de centrar para o marcador, perante a indiferença do árbitro pensei logo que era típico da França. Pelos vistos a FIFA não podia deixar que uma das Selecções mais rentáveis falhasse o Mundial... Eu sei que nós beneficiámos com a alteração do regulamento dos play-offs, que se tivéssemos de defrontar a Grécia ou a própria França estávamos ainda mais tramados, mas nós vencemos o play-off com toda a justiça, não precisámos de "favores" do árbitro para passarmos. Mas não me supreende, de facto. Não falo do penálti que nos expulsou do Mundial (não tenho a certeza se era legal ou não, embora tenha ficado claro, na final, que a França não tinha perfil para estar lá), mas o facto de Zidane ter sido eleito o melhor jogador do Mundial depois da cabeçada ao... tem graça, não me lembro do nome do jogador italiano...


Tudo isto só me dá vontade de voltar a defrontar a França para desforrar isto tudo. Eu sei que esta atitude não vai muito com o espírito desportivo, mas também uma miúda não é de ferro...


Agora que a nossa bandeira já foi hasteada na África do Sul, já se começa a discutir como será a nossa prestação no Mundial. Eu acho que ainda é um bocado cedo para falar nisso. Ainda estou um bocado naquela fase de euforia pós-vitória, em que uma pessoa pensa que "somos os maiores e mais nada!". Depois do sorteio da fase de grupos lá analisarei as nossas hipóteses. Mas é claro que nada nos impede de sonhar. Quem sabe se não será desta?


Quero então agradecer através do blogue a toda a Selecção, desde o Professor ao funcionário que trata das botas dos marmanjos, passando por todos os jogadores que foram Convocados ao longo desta fase de qualificação, por me terem feito a vontade, por terem feito com que o facto de ter sempre acreditado tenha valido a pena. Obrigado Selecção! Estou orgulhosa de vocês! Agradeço também a todos que, tal como eu, nunca deixaram de acreditar, de apoiar. Valeu a pena!


Vai ser tão bom viver de novo um campeonato internacional de Selecções... um Campeonato do Mundo então... Oficialmente dura um mês inteirinho, mas com os Convocados e o Estágio de preparação ainda vão uns dois meses...


Entretanto, agora que nos qualificarmos, tenho uma ideia em mente que, assim que puder, colocarei em prática. Não revelarei o que é, mas assim que a concluir (e ainda é capaz de demorar um pouco...), anunciarei aqui no blogue.


"Quatro, seis, oito, dez, África do Sul agora é a tua vez!"

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Portugal 1 Bósnia 0 - Um passo de passarinho em direcção à Africa do Sul

Jogou-se Sábado passado, no Estádio da Luz, a primeira mão do play-off de acesso ao Campeonato do undo 2010 que opõe a Selecção Portuguesa e a Selecção Bósnia. A equipa da casa ganhou por 1-0, golo de Bruno Alves aos 31 minutos da primeira parte.

Foi um jogo assim assim, muito intermitente, com alturas em que os portugueses dominaram e alturas em que os bósnios nos pregaram uns sustos valentes. Com muitos nervos, mas quase não há jogo oficial de Selecção sem nervos. Ainda por cima sendo este tão importante. Já se viu a Selecção jogar melhor, mas também já se viu a Selecção jogar pior. Há que ter em conta que a Selecção Bósnia estava lá para ganhar, que ficaram em segundo lugar no seu grupo e não chegaram lá por acaso. O único golo é fruto de uma jogada conjunta de Deco, Nani e Bruno Alves. Como os Bósnios não marcaram em resposta, esta vantagem pela margem mínima pode dar-nos muito jeito para o jogo de amanhã.

Um dos "homens" do jogo foi a Sorte que, no Sábado, esteve do nosso lado, talvez para compensar o facto de nos ter abandonado ao longo da qualificação. Quando os bósnios atiraram aquelas duas bolas à trave ficou bem claro que a Nossa Senhora do Caravaggio estava connosco. Eu quase tive um ataque cardíaco com o susto e o comentador até exclamou: "Isto é o Euromilhões para o Carloz Queiroz!". Para ele e não só, para todos nós. Se os Bósnios tivesse marcado, nos ficávamos, passe a expressão, "lixados".

Esta jogada surgiu, de resto, já perto do fim do jogo, numa altura em que os bósnios fizeram imensas ameaças, como que mostrando que não iam sair derrotados na Luz sem dar luta, sem tentarem marcar também. Eu já suplicava pelo final do jogo, antes que a bola cruzasse a linha da baliza defendida por Eduardo. Graças a Deus, tal não chegou a acontecer.

Outro dos pontos que marcaram o jogo foi o número de faltas. Os bósnios foram um bocado agressivos, fartaram-se de nos marcar faltas. E alguns deles eram bem corpulentos, comparados com alguns jogadores nossos... No entanto, foram eles que saíram mais prejudicados, uma vez que três deles perderam o direito de jogarem na segunda mão, incluindo o capitão. Pode ser mais uma coisa que jogue a nosso favor, mas mesmo assim, não é de fiar. Sabe-se lá se eles não têm bons suplentes no banco.

O Estádio da Luz estava completamente cheio e, como de costume, os adeptos foram fantásticos. O décimo segundo jogador voltou a ser homem (e mulher) do jogo. Mereciam um resultado um bocadinho mais dilatado, mas não se podem queixar. Tive pena de não poder estar lá.

Em suma, pode-se dizer que o resultado é o menos mau para nós. Mas deixa tudo em aberto para amanhã. Já deu para ver que os bósnios querem estar no Mundial, que não estão ali para facilitar. E se no jogo de Sábado houve uma amostra daquilo que são capazes, amanhã, com o Estádio do lado deles, aposto que ainda nos vão criar mais problemas. Vai ser um jogo ainda mais difícil do que o último, que já não foi nenhum piquenique.

Entretanto, a Galp lançou uma campanha para apoiar a Selecção neste play-off, campanha essa que inclui uma nova versão da música do Menos Ais. Para ouvirem, venham a este site: http://www.queromais.pt/ . A letra que está no site tem uns quantos erros, portanto, vou escrever aqui a letra como deve ser:

Quatro, seis, oito, dez
África do Sul, agora é a tua vez.
O grupo já passou, como lá tinha que ser
Suado, chorado que o 'tuga tem que sofrer
Continhas até ao fim não é tradição, é sina
E agora já só falta a Bósnia-Herzegovina

Palavras do Professor: eles não são equipa fraca
Mas acredita, Queiroz, não vamos dar barraca
Nem penses. Não dispenses uns berros ao pessoal
Balneário empolgado, motivação coiso, e tal.
O people é sereno mas o play-off é p'ra ganhar
Que a nação fica valente é quando a bola entrar
Truques? Bruxarias? Mezinhas? Não!
Baza lá meu irmão, tu sabes esta canção.
Isto não tem grande ciência e o segredo
Está no refrão
Marca mais!
Corre mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!

Ronaldo, Liedson, Deco, Simão
Algum de vocês quer ver o Mundial pela televisão?
Bruno Alves, Eduardo, Tiago e João Moutinho
Vamos à África do Sul ou vai faltar um bocadinho?

Vitórias morais não têm arte nem engenho
'Bora lá trocar desculpas por mais empenho!
Jogaste mal? Corre mais. Correu mal? Sua mais.
Soa mal? Estás a mais! Ficar de fora já é demais!

Olha à volta e ouve os gritos de milhões que querem festa
Residentes, emigrantes, interessa é que seja desta
E depois de passares ainda estás longe do fim
Para levantares a Taça tens que fazer sempre assim.
Vai por mim!

Marca mais!
Corre mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!
Joga mais!
Sua mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!


É mais curta que as outras duas versões mas também não se justificaria escrever uma música daquele tamanho só para uma jornada dupla - e, provavelmente, não há muito mais a dizer que não isto. É exigente, como as outras duas músicas o eram, mas desta feita não pedem nada de mais. Ainda estou para descobrir porque é que não tivemos direito a um Menos Ais para o Euro 2008. Mas, se tudo correr bem e nós garantirmos um lugar no Mundial, pode ser que escrevam um para esssa altura.

No site estão ainda alguns vídeos de fotografias desta campanha, se não me engano capturadas no jogo de Sábado. Eu bem estranhei os fatinhos cor-de-laranja que alguns adeptos estavam a usar... A letra deste Menos Ais, à semelhança do que aconteceu com os outros dois, apenas exprime o desejo de 10 milhões de verem a nossa Selecção no Mundial 2010.

Enfim, é amanhã que se decide tudo. Está tudo em aberto. Faltam pouco mais de 24 horas. Vai ser um jogo de muitos nervos até ao último segundo do tempo de compensação da segunda parte. Impróprio para quem tiver problemas cardíacos.

Eu quero muito que passemos esta prova e que estejamos na Àfrica do Sul no início do próximo Verão. Quero mesmo muito! Neste momento, é o que mais quero. Quero que tudo isto tenha valido a pena. Ter acreditado sempre até ao fim, ao longo de todo o tempo, todos os jogos, todas as desilusões, quando todos me tentavam convencer que estava a perder tempo, que estava tudo perdido. Estas horas todas que gastei a actualizar o blogue, para que o Mundo saiba que estou com a Selecção até ao fim. Quero provar que tenho razão, que sempre tive razão em apoiar a Selecçao.

Tenho um bocado de medo que falhemos. Quem não tiver, que atire a primeira pedra. Contudo, acredito sinceramente na Selecção, que é possível corrigirmos de vez esta complicada fase de qualificação. Só deixarei de acreditar quando o árbitro amanhã apitar para o final da partida. Mas também, mesmo que esteja tudo a correr bem, só festejo a vitória depois desse apito. Até lá tudo é possível. Sei que temos capacidade para irmos ao Mundial. Só peço aos jogadores que dêem tudo o que têm amanhã, que retribuam todo o apoio que os portugueses têm dado à sua Selecção. Não é nada de mais. Certo?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Antes da oral

Daqui a dois dias, pelas oito é meia da noite, no Estádio da Luz, a Selecção Portuguesa entra em campo para jogar a primeira das duas partidas, com carácter de finais, frente à Selecção Bósnia, que decidirão quais destas duas equipas terá um lugar no Campeonato do Mundo a realizar no próximo ano, na África do Sul. O encontro será transmitido na TVI.


Carlos Queiroz afirmou na Terça-feira passada que duas das maiores armas da Selecção Nacional para derrotar o "inimigo" é a "experiência" e a "maturidade". Afirmou ainda que será "o jogo das nossas vidas", e que quer presentear o povo português com uma vitória. De facto, se há povo que merece tal presente somos nós, que tanto apoio damos e tanto sofremos pela nossa Selecção. Agora, se este é o jogo das nossas vidas, é discutível. O jogo das nossas vidas seria a final do Mundial. Mas faz sentido se se consideram todos os jogos como os "jogos das nossas vidas" ou "finais". Para mim, são os dois jogos mais cruciais desde o fim do Euro 2008.


Entretanto, a Federação Portuguesa de Futebol viu pelos seus próprios olhos que Cristiano Ronaldo não pode jogar contra a Bósnia, encerrando de vez esta polémica. É evidente que a Selecção não é a mesma sem Ronaldo (se fica melhor ou pior é discutível) mas não será pela sua ausência que a gente falhará o objectivo (bato três vezes na madeira...). Além disso, o Nani, que segundo uma entrevista dada ontem, pelos vistos anda aborrecido com a sua eterna condição de suplente, tem outra oportunidade (já teve uma no jogo com a Malta e não a aproveitou nada mal...) de mostrar o seu valor.


Em relação a estas declarações, que já cheiram a polémica, eu não posso censurar o jovem marmanjo. Não deve ser nada fácil ter a mesma posição que o Melhor do Mundo e, consequentemente, ficar sempre à sombra dele. Ainda por cima, o Simão Sabrosa tem a vantagem da experiência. Tudo isto o deixa no banco mais vezes do que ele desejaria. O Nani até é um dos meus jogadores preferidos e não lhe falta talento. Não fica muito atrás do Ronaldo até. O pior é que, nesta posição, há um excesso de jogadores bons. Mas tem uma grande vantagem: quando um se lesiona, o prejuízo não é grande. É este o caso. Tenho um pressentimento de que o Nani vai dar o seu melhor no próximo Sábado.


E não só o Nani. Todos os marmanjos que pisarem o relvado da Luz. Ninguém quer ficar fora do Mundial. Acho que até funcionamos melhor com pressão.


Mas não vai ser nada fácil. Ao que consta, a Bósnia tem um dos melhores ataques e, como nunca entraram num Campeonato Europeu ou Mundial, não têm nada a perder, a pressão está toda do nosso lado. Por outro lado, tem também uma das piores defesas - sofreram treze golos em dez jogos, contra os cinco que nós sofremos. Chegamos mesmo a ter a segunda melhor defesa. O Eduardo é um óptimo guarda-redes. A fraca defesa deles pode até dar jeito, com os problemas na finalização que tivemos ao longo da fase de qualificação.


E daí talvez não seja isso que resolva o problema. Pelo que tenho percebido, os golos falhados são mais uma questão psicológica, de falta de confiança. Um marmanjo está à frente da baliza, enerva-se, acha que vai falhar e falha mesmo. Esta teoria explica de facto todos aqueles jogos em que nós fomos claramente superiores mas não passámos do empate. Mas não estou preocupada com isso. Tenho a certeza de que não haverá insegurança que resista ao Inferno da Luz. Parece que já só sobram mil bilhetes, os mais caros.


Não me canso de apelar a todo o pessoal que tenha possibilidades para tal que vá à Luz, que mostrem tanto visual como sonoramente que o Povo Português está com a sua Selecção.


Espero que se marquem muitos golos na Luz, para depois partirmos em vantagem para o segundo jogo. Eu não sei se os play-offs funcionam como os jogos a duas mãos das ligas europeiras de clubes, mas dá sempre jeito marcar golos. O árbitro é Mark Atkinson. É inglês, o que, para mim, não é um bom presságio. Lembro-me que foi um inglês que anulou um golo espectacular ao Ronaldo num jogo da qualificação para o Euro 2008 contra o Azerbaijão. E não consigo deixar de pensar do desejo de Wayne Rooney de que sejamos eliminados... Mas não será suficiente para nos derrotar!


Confesso que estou um bocadinho nervosa em relação ao jogo. Como já disse, a Bósnia não chegou aos play-offs por acaso. Mas sei que temos capacidade para irmos ao Mundial, que não falta motivação aos jogadores, que ainda somos uma das melhores Selecções do Mundo. Só espero que os marmanjos o provem no próximo Sábado, com o Inferno da Luz do nosso lado. Eu sei que conseguimos!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Procura-se Rei Salomão

No próximo Sábado, dia 14 de Novembro, no Estádio da Luz, jogar-se-á a primeira mão dos play-offs de acesso ao Campeonato do Mundo de 2010, que a Selecção Portuguesa disputará com a Selecção Bósnia. A segunda mão jogar-se-á na Quarta-feira seguinte, dia 18 de Novembro, no terreno do adversário. Carlos Queiroz divulgou ontem os Convocados.


Pegando de novo na metáfora escolar que utilizei em entradas anteriores, é como tivéssemos passado o ano lectivo quase todo sem atinar com a matéria e a tirar más notas e, chegado o terceiro período, a hipótese de chumbar, outrora remota, ganha cada vez mais força e começamos todos a estudar que nem doidos, a ver se passamos. Deixamos tudo para a última hora, à boa maneira portuguesa. Acabamos por ter de ir a exame oral para decidir se se passa ou não. De resto, agora que já conseguimos umas positivas, a nossa confiança está um pouco mais elevada. Mas convém não esquecer que a oral não é nenhum piquenique.

Ou seja, voltando à literalidade, a Bósnia não é um adversário "fácil". Muitos defendem que seria o adversário mais acessível que nos poderia calhar, mas hoje em dia já não há adversários acessíveis. Convém lembrar que esta Selecção ficou em segundo lugar no seu grupo, tal como nós - e nós vimo-nos gregos para chegarmos cá. Que não se espere facilidades. Também estou convencida que ninguém está à espera disso. Ainda por cima, o seleccionador veio dizer que tenciona imitar a estratégia da Grécia no Euro 2004, conquistando o meio campo e saindo a jogar para o ataque sempre que possível.

Tenho dúvidas de que isso resolva todos os problemas que a gente criar aos bósnios (claro que vamos criar!). Os gregos só (ou pelo menos quase só) nos ganharam porque não estávamos mentalizados para uma final. De resto, acho que eles devem ter mantido a estratégia durante a qualificação para o Mundial 2006 e não lhes valeu. E não fizeram grande campanha durante o Euro 2008. E a Selecção mudou bastante deste essa final. Se eu fosse aos bósnios, não me fiava muito niesta estratégia. Mas que percebo eu de futebol?

Em minha casa chegou a pôr-se a hipótese de irmos assistir ao jogo no Estádio da Luz. A minha irmã faz anos mais ou menos nesta altura e pediu isso como presente. Só que o meu pai tem de trabalhar nesse dia e a minha mãe não quer ir sozinha connosco. Também a mim não me dá muito jeito, uma vez que tenho teste na Segunda-feira seguinte - o que me chateia imenso. Mas tenho imensa pena, lá isso tenho. Por outro lado, tenho a certeza de que a Luz irá estar cheia, que se irá criar de novo o correspondente Inferno, à semelhança do que aconteceu no jogo frente à Hungria, os marmanjos não sentirão a nossa falta.

Deste modo, faço aqui um apelo a todos que estejam a planear ir assistir ao jogo: vão e gritem, pulem e apoiem o máximo que conseguirem por nós!

De resto, a minha irmã tem imensa sorte de fazer anos nesta altura do ano em que há sempre jogos da Selecção. Já teve a sorte de ter um jogo no dia de anos. O resultado não foi propriamente uma prenda mas enfim... Infelizmente, quando eu faço anos nunca há jogo da Selecção. Nunca mesmo! Por ironia do destino, eu nasci duas semanas antes do previsto. Eu já estava bastante grande, por isso os médicos acharam melhor antecipar o nascimento para não ter de me arrancarem com cesariana. O pior é que eu não quis sair e tiverem de recorrer à cesariana à mesma. Mais valia terem-me deixado em paz, sossegadinha lá no útero, e terem feito a cesariana duas semanas mais tarde, numa altura em que costuma haver jogo.

Voltando à Selecção, esta encontra-se outra vez em rota de colisão (adoro esta expressão...) com o Real Madrid por causa do Cristiano Ronaldo. Carlos Queiroz Chamou-o apesar de o clube madrileno garantir que ele ainda está lesionado, que precisa de mais quinze dias de repouso absoluto para recuperar. Ao que consta, Ronaldo foi observado por um médico holandês, o mesmo que já o tinha tratado no ano passado, depois do Euro 2008, teoricamente isento. O pior é que no Sábado, na capa do jornal "O Jogo", dizia que esta conversa toda não passava de um bluff do Real Madrid, que no outro dia já se via o Ronaldo a treinar corrida num treino do Real à porta fechada (como é que os jornalistas conseguiram espreitar, só Deus sabe), que o Real Madrid queria era que ele estivesse apto para um jogo contra o Barcelona, perto do fim do mês (não me lembro da data exacta). E hoje, no Sapo Desporto, dizia que o Real Madrid considerou a Chamada de Ronaldo uma "provocação" e que põe a hipótese de processar a Selecção.


Isto já parece o caso Esmeralda... E tanto nesse caso, como este caso Ronaldo, dava jeito alguém que desse uma de Rei Salomão, que viesse avaliar quem é que defende o superior interesse da criança, perdão, do jogador. E, já agora, gostava de saber, pela boca do próprio, o que é que o Cristiano pensa disto tudo. Se quer vir ajudar a Selecção, ou prefere jogar pelo seguro e poupar-se. Eu sou suspeita para opinar sobre isto, não me arrisco a dizer quem é que tem razão, se o Ronaldo deve Vir à Selecção ou não. Seria egoísta colocar a Selecção à frente do bem-estar de uma pessoa. Mas acho que devia ser o Cristiano, que já é maior e vacinado, a decidir.

Além disso, só tenho mais isto a dizer: malta, apertem os cintos, pois estamos a atravessar uma zona de forte turbulência.

Se por acaso ele não conseguir recuperar a tempo de nenhum dos play-offs não é o fim do mundo. Nem necessariamente o fim do Campeonato do Mundo para nós. A Selecção não é, nunca foi e duvido que alguma vez o seja só Cristiano Ronaldo. Tal como nunca foi só Figo ou só Eusébio. É certo que estes deram um grande contributo para caminhadas de sucesso, podendo mesmo ser considerados crucias nalguns momentos. Mas uma equipa de futebol é constituída por onze jogadores, não apenas um. E muitas vezes, para não dizer sempre, é preciso mais do que um jogador só para marcar um golo.

Também já houveram jogos que vencemos sem a ajuda do Ronaldo. Há quem diga mesmo que houve alturas em que jogámos melhor porque o Ronaldo não estava lá. Estou a lembrar-me do Portugal-Brasil de 2007, em que nos organizámos melhor depois de o Ronaldo ter sido substituído. Muitas vezes, o madeirense é tão marcado que não consegue fazer nada de especial. Além disso, temos outros jogadores de talento para nos ajudar: o Nani, o Simão, o Deco, etc.

Por outro lado, confesso que também fico um bocado nervosa com a sua ausência. Ao fim e ao cabo, o Ronaldo é "aquela coisa", é o Melhor do Mundo, é aquele que neste momento mais temos parecido com o Figo, aquele que mais mobiliza os adeptos e mais assusta os adversários...

Resta esperar pela sua chegada na próxima Quarta-feira (o Real Madrid lá deu uma desculpa, perdão, pretexto para adiar a sua vinda por dois dias) e pela avaliação dos médicos da Selecção. Mas parece-me que este braço-de-ferro ainda agora começou.


Só espero que, na altura do jogo, já esteja resolvido para que, com ou sem Ronaldo, nos possamos concentrar em carimbarmos o nosso passaporte para o Mundial 2010.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Portugal 4 Malta 0 - Venham os play-offs!

Ontem tivemos o nosso segundo jogo frente à selecção maltesa nesta fase de apuramento, no final desta última. O primeiro jogo fora no ínicio do apuramento, há coisa de um ano e um mês. E nos dois jogos, a Selecção Portuguesa ganhou por 4-0. A diferença é que, quando se jogou no ano passado, estava apenas a começar a qualificação. Ontem a qualificação terminou, Portugal ficouem segundo lugar na tabela classificativa, com 19 pontos e lugar assegurado nos play-offs de acesso ao Mundial 2010.


A Selecção entrou muito bem no jogo, fazendo para aí cinco remates nos primeiros cinco minutos de jogo. Um dos principais rematadores foi Nani. Ele foi um dos homens do jogo, ao marcar o primeiro golo e assistir o terceiro, e fartando-se de disparar em direcção à baliza. Talvez tenha querido aproveitar o facto de Cristiano Ronaldo não ter jogado para mostrar o seu valor.

Este último, de resto, não chegou a ir assistir ao jogo ao vivo, mas enviou um fax aos companheiros:

"Desejava, do fundo do coração, lutar por Portugal convosco mas, como sabem, esta lesão não mo permite.

O vosso grande desafio desta noite é fazer uma grande exibição, para ficarmos mais perto do Mundial; o meu é recuperar o quanto antes para ajudar o meu clube e a Selecção a atingir os objectivos propostos.

Neste momento tenho que lutar pela minha recuperação, até porque acredito que é a melhor forma de ajudar a Selecção quando for necessário.

Quero também que saibam que o meu coração estará ao vosso lado a cada minuto do encontro e, como qualquer português, me sentirei orgulhoso do vosso esforço.

Um abraço para todos"

Foi querido. E tenho a certeza que ele vai recuperar a tempo dos play-offs. É muito raro ele lesionar-se e como ultimamente tem dado (mais) sinais de que quer ajudar a Selecção...

Mas voltando ao Nani, este marcou ao minuto treze, de fora da grande área, a perna descrevendo um movimento perfeito. Celebrou com o seu habitual mortal, uma lembrança dos tempos em que ele praticava capoeira no Real Sport Club, mais conhecido por Real Massamá, o clube desportivo da freguesia onde vivo. A velha Massamá City tem um representante na Selecção... Por acaso, depois de ele marcar o golo, lembrei-me daquele anúncio que passava na altura do Euro 2008, em que o Quaresma cantava:

"Aaaaah, lá vai o Nani
Vai marcar um golo,
Vai dar um mortal,
Lá vai o Nani"

Foi o que aconteceu ontem ao fim e ao cabo. Grande Nani!

O golo dele foi,de resto, o primeiro de quatro que deixaram os portgueses todos felizes, sobretudo os cerca de trinta mil que ontem foram ao Afonso Henriques assistir ao jogo. E mais uma vez, o décimo segundo jogador foi homem e mulher do encontro, sempre aos berros por Portugal. E a Selecção correspondeu ao carinho e apoio demonstrado, marcando mais três golos. Giro foi quando, já perto do fim do jogo, eles gritavam "Só mais um! Só mais um!" mas a bola não entrava na baliza dos malteses. Vendo que este grito não resultava, resolveram começar a cantar o hino nacional. Resultado: ainda não tinham chegado ao fim, já Edinho dera um toque na bola enfiando-a na baliza de Malta. Está mais que provado: o nosso hino é mágico, dá sorte. Da próxima vez que quiserem um golo, pessoal, não gritem "Só mais um!", está muito batido, cantem o hino!

Já não estava habituada a uma dupla jornada da Selecção com dupla vitória, muito menos com dupla goleada. É esta a Selecção que eu quero! Acho que, finalmente, estamos no caminho certo. Agora, na próxima Segunda-feira dia dezanove, temos o sorteio que nos vai dizer quem é que vamos defrontar o play-off. Muito se tem discutido qual é que seria o melhor adversário para nós, mas como eu conheço mal todos os potenciais candidatos não me posso pronunciar. Acho que nenhum deles é superior a nós mas, hoje em dia, isso já pouco ou nada significa.

Eu acredito na qualificação. Esta deve ser para aí a 452ª vez (ou a vez número 452, se vos der mais jeito) que o escrevo no blogue. É que eu nunca deixei de acreditar, ao contrário de muita gente, mas isso agora não interessa. Sei que vamos conseguir. Depois de termos ficado em quarto lugar em 2006, o Mundial não será a mesma coisa sem Portugal. Venham os play-offs! Nós conseguimos!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Bruxos e "portas do céu"

É hoje que Portugal jogará com a Malta o último jogo desta tão atribulada fase de qualificação.


Contudo, as atribulações não ficam por aqui. O Real Madrid e a Selecção Nacional andam em rota de colisão desde Sábado à noite. O clube merengue já se mostrou indignado por Ronaldo ter jogado frente à Hungria, agravando a sua lesão. Agora, o mardeirense enfrenta cerca de 3 a 4 semanas de paragem, ficando de fora de vários jogos importantes da equipa madrilena e talvez dos play-offs, caso consolidemos hoje o segundo lugar da tabela classificativa. Chegaram mesmo a proibir o Cristiano de vir a Guimarães apoiar os colegas de Selecção, sob a desculpa, perdão, pretexto de que o melhor do Mundo precisa de repouso absoluto para recuperar da lesão. Carlos Queiroz, quando confrontado com isto, alegou não saber de nada. Das duas uma, ou está a fazer-se de desentendido, ou se calhar foram os media que inventaram esta proibição para acirrarem a luta. Não me admirava nada que esta segunda hipótese fosse verdadeira.


Eu até compreendo esta proibição, caso o Real tivesse mesmo proibido o Ronaldo de ir ver o jogo. Compreendo é como quem diz... eles estão preocupados com os resultados e com o dinheiro que vão perder com a ausência do Cristiano. Por outro lado, não sei se podem impedir o madeirense se ele quiser mesmo ir ver o jogo. Por amor de Deus, o tipo já é crescidinho (embora às vezes não pareça). Lá porque lhe pagam um ordenado absurdamente elevado, não podem amarrá-lo à cama, com dois seguranças à porta do quarto... acho eu. Não sei como é que este diferendo se resolveu, se é que se resolveu. É esperar pelo jogo e ver se o Cristiano anda por lá.


Ao menos há uma coisa boa no meio disto tudo. Depois desta novela ibérica toda, ninguém pode dizer que o Ronaldo liga mais ao clube do que à Selecção.


Entretanto, a coisa tem raiado os limites do bom senso, quando se mete ao barulho, o alegado bruxo Pepe que alegadamente terá utilizado um boneco de vudu para provocar uma lesão ao Cristiano, alegadamente segundo as instruções de uma ex-namorada, e o alegado bruxo de Fafe que pretende anular a magia negra do espanhol. Esta história até teria graça num episódio do Sobrenatural, da Quinta Dimensão, até talvez do House (alguém alegadamente usa magia para que um inimigo adoeça e o House leva o episódio todo a provar que não era magia nenhuma) mas na vida real é pura e simplesmente uma enorme estupidez. Como dizia hoje o João Gobern na Antena 1, custa a acreditar que jornais supostamente de prestigio vão nesta cantiga. Por amor de Deus!


E ainda assim, não é isto que mais me revolta. É que, alegadamente, o tal bruxo espanhol tencionava provocar ainda mais lesões ao Cristiano para arruinar a sua carreira. O madeirense nasceu praticamente com uma bola de futebol nas mãos, sonha em ser um jogador de primeira desde miúdo, foi sozinho para o continente aos onze anos, fartou-se de fazer horas extra nos campo de futebol e no ginásio para chegar onde está, nota-se à légua que ele gosta mesmo de jogar futebol e foi isso, mais do que o dinheiro, que o fez optar por esta carreira... Era preciso ser-se incrivelmente invejoso, mal formado, cruel para desejar acabar com o sonho de uma vida inteira, só para vingar uma derrota ou uma desilusão amorosa.

Entretanto, Souleymane Diawara, o defesa do Marselha que fez a entrada dura que lesionou o Cristiano, já afirmou que lamenta o que fez. Certamente não imaginava que uma falta pudesse provocar esta confusão toda...

Mas mudemos de assunto. O jogo de hoje é para ganhar. Isso mesmo tem sido repetido tanto pelos jogadores como pelo treinador. Carlos Queiroz diz que está confiante, bem como o resto da Selecção. Que estamos nos últimos 100m desta maratona que é a qualificação. Estou, por acaso, a lembrar-me de uma piada que li num comentário a um artigo na Internet, que dizia queteria dado jeito se Queiroz tivesse convocado Francis Obikwelu para estes últimos cem metros... Em todo o caso, se bem que um bocadinho nervosa, estou também confiante para este jogo. Nós somos capazes. Pode dar sorte o facto de irmos jogar no berço da Nação, no Estádio do Conquistador... Vamos dar uma lição àquela Malta!

domingo, 11 de outubro de 2009

Portugal 3 Hungria 0 - Guardem as calculadoras!

Ontem, a Selecção Portuguesa recuperou a possibilidade de se qualificar para o Campeonato do Mundo, a realizar em 2010 na África do Sul, apenas dependendo dos seus próprios resultados. Foi a vitória da Selecção Dinamarquesa sobre a Sueca mas, sobretudo, a vitória da Selecção Portuguesa sobre a Húngara que devolveram a possibilidade. No mítico Estádio da Luz, os marmanjos marcaram três golos à Hungria e não sofreram nenhum, num jogo fantástico, provavelmente o melhor desde o Euro 2008. Dez anos depois de terem vencido a mesma seleccção com o mesmo resultado, na antiga Luz.


Os marcadores foram Simão e Liedson. O primeiro estava de regresso a casa, marcou o primeiro e o último golo, foi o capitão durante a maior parte do encontro, foi considerado o homem do jogo. Ele parecia ainda mais baixinho do que é quando às vezes disputava a bola com jogadores húngaros muito altos. Fez-me lembrar uma cena do último Portugal-Inglaterra, em que ele estava a disputar a bola com o Peter Crouch... Mas, de resto, ontem à noite provou que os jogadores não se medem aos palmos, que Marques Mendes tinha razão quando disse no outro dia que "Às vezes é das coisas pequenas que vêm as grandes surpresas". Grande Simão!

Outro herói da noite foi Liedson, que marcou o segundo golo, numa altura em que a Selecção parecia um bocado atrapalhada e um golo dava jeito para acalmar o pessoal. A sua Convocatória esteve envolta em polémica mas, depois de dois golos em três jogos, está mais que provado que a sua Escolha foi boa e pode até fazer a diferença. O pessoal já se habituou a vê-lo marcar na Luz, mas não a vê-lo ser tão aplaudido na Luz...

É este o espírito da Selecção. Aqui não há rivalidades clubísticas, é um país inteiro unido em torno de uma equipa.

De resto, pelo que se diz, parece que Pedro Mendes foi outra boa escolha para o lugar de Pepe, que estava castigado. Eu sobre isso não me pronuncio, pois os meus conhecimentos futebolísticos não me deixaram reparar que o jogador estava a fazer uma exibição assim tão boa... Mas, por outro lado, é bom saber que dispomos de vários jogadores bons, não só de duas ou três estrelas, cuja ausência nos complica demasiado a vida. Ontem o Cristiano saiu lesionado aos 27 minutos, o Pepe não jogou por castigo, o Deco não estava nos seus dias, mas o Simão e os outros conseguiram aguentar o barco e conduzi-lo à vitória.


A propósito do Cristiano Ronaldo, o madeirensezinho saiu aos 27 minutos de jogo, mas esses 27 minutos chegaram para que este assistisse o golo de Simão. Disse ao longo desta última semana que queria fazer a diferença no jogo contra a Hungria e cumpriu o seu desejo. Na minha opinião, este golo foi determinante. Se não tivéssemos marcado nesta altura, este jogo podia ter sido igual a tantos outros desta qualificação. Foi largamente aplaudido quando foi substituido por Nani. É capaz de ter feito mais pela Selecção neste jogo nesta meia horinha em que jogou do que fez noutros jogos em que jogou na maioria dos noventa minutos.


Eu de resto tenho de engolir algumas coisas que pensei e disse em relação à dedicação de Ronaldo à Selecção. Muito se tem comentado ao longo desta fase de qualificação que ele "na Selecção não joga nada", que no clube, seja no Manchester United, seja no Real Madrid, joga melhor, etc, etc. Apesar disso tudo, ele esforçou-se por jogar frente à Hungria, por fazer uma boa exibição apesar do tornozelo lesionado. E agora, como consequência desse esforço, pode ficar umas semaninhas sem jogar. E este foi só um caso. Para além daquele que eu falei da outra vez, do jogo frente ao Cazaquistão. E de outro de que o próprio Ronaldo falou: quando o pai dele morreu na véspera de um jogo de qualificação para o Mundial 2006, frente à Rússia.

Quem é que agora pode dizer que ele liga mais aos euros do que à camisola? O Ronaldo deu-nos a todos uma grande lição ontem à noite. Ainda pode haver quem diga que foi só porque, de repente, ficou com medo de não ir ao Mundial 2010, o que seria péssima publicidade, mas eu não acredito nisso. Acredito que um dia irá desempenhar na Selecção o mesmo papel que Luís Figo desempenhou, como líder da Selecção. Apesar de já ser capitão, ainda não é o verdadeiro líder: falta-lhe alguma maturidade, na minha opinião, mas creio que há-de chegar lá, com o tempo.

Os adeptos, o décimo-segundo jogador que, segundo Queiroz, ontem vestiu a camisola número 1, também foram os homens (e mulheres!) do jogo. Ainda foram uns 50 mil! Não chegou para encher o estádio, mas não faltou muito. Acho que nunca os tinha visto tão animados nesta fase de qualificação. Quem me dera ter estado lá, ter juntado a minha voz, o meu apoio, às vozes e ao apoio dos outros 50 mil. Ainda se ouviram assobios para Carlos Queiroz, o que é compreensível. Tinham todo o direito de dizerem que, apesar de estarem lá para apoiar Portugal, não estavam satisfeitos com o desempenho da Selecção. Eu compreendo os assobios, mas eu não era capaz de os fazer. Para já, não consigo assobiar daquela forma, tenho de me contentar com "Uuuuuuuuu", e além disso, se eu vim ao estádio é para apoiar e não para criticar. Mas, de resto, o público portou-se impecavelmente ontem, criaram o verdadeiro Inferno na Luz para os húngaros, só assobiaram mesmo quando estes tinham a bola nos pés. Também, com um jogo daqueles, era difícil sair da Luz chateado.
Em suma, adorei pura e simplesmente o jogo de ontem. Já não estava habituada a uma vitória tão expressiva da Selecção Nacional. Apesar de confiante, tinha medo que se repetisse a mesma história dos anteriores jogos de qualificação: uma boa exibição, mas golos falhados atrás de golos falhados, o pessoal cada vez mais nervoso, o apito final e o marcador empatado. Graças a Deus, nada disso aconteceu ontem à noite. Graças a Deus é como quem diz, foi a Selecção e os adeptos à assistirem que deram esta tão esperada vitória. Como disse Rui Santos ontem, isto acontecer nesta altura do campeonato, depois de uma qualificação tão atribulada, é uma grande vitória - desta feita, concordo com ele. Outros mais fracos não conseguiriam fazer o que nós fizemos em circustâncias tão adversas. Agora o sonho de um lugar na África do Sul está mais forte.

Mas não está cumprido, atenção! Ainda é muito cedo para lançar os foguetes! Ainda temos de vencer a Malta para termos lugar nos play-offs. Eu sei que a Malta é capaz de ser a Selecção menos difícil do grupo, que está no fundo da tabela com um único ponto, que nós a vencemos por 4-0 no primeiro jogo desta fase de qualificação, mas isso não quer dizer nada. Já vi demasiado desta Selecção para pôr as mãos no fogo em relação a isto... Contudo, não creio que não vençamos a Malta, na próxima Quarta-feira, dia 14. Só mesmo se acontecer uma grande desgraça, um grande azar, mas já tivémos azar demais neste campeonato! E, de resto, praticamente todos os jogadores que prestaram declarações frisaram este mesmo aspecto: nada está decidido, ainda falta um jogo para a qualificação acabar. Há-de correr tudo bem.

Ah, mas se ou quando (escolham vocês) garantirmos um lugar no Campeonato do Mundo do próximo ano, eu vou chatear tudo e todos os que já tinham dado a qualificação por perdida! Eh eh eh!
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