segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Portugal 3 Dinamarca 1 - A melhor estreia possível

Na Sexta-feira, Portugal recebeu em casa, no Estádio do Dragão, a Selecção Dinamarquesa. Dois golos de Nani, um auto-golo de Ricardo Carvalho e um golo de Cristiano Ronaldo fizeram o resultado: 3-1.

Ainda mal acredito que ganhámos e, sobretudo, que jogámos tão bem. Não estava nada à espera - podem confirmá-lo lendo as entradas anteriores.

Perdoem-me a falta de fair-play mas os dinamarqueses mereceram esta sova. Há muito que andavam a pedi-las. A vingança é tão doce...

Conforme já tinha previsto, acompanhei o jogo via rádio, ora com o meu leitor de MP3 (acho que foi a primeira vez que o usei para ouvir rádio desde o Mundial), ora com o auto-rádio. Acho que lhe tomei o gosto. O entusiasmo com que os locutores da rádio relatam o jogo quase compensa a falta de imagem.

Notou-se que os marmanjos tinham entrado com garra, atacando várias vezes. Mesmo assim, continuava nervosa; agarrava o meu velho boné no meu colo, como outras pessoas agarrariam um terço.

O golo de Nani foi um alívio. Depois do primeiro golo ficaria tudo mais fácil, o adversário ressentir-se-ia, provavelmente viriam outros golos e a vitória ficaria consumada. Só não estava à espera que o segundo golo viesse tão depressa.

Foi muito engraçado. Nós, locutores incluídos, ainda festejávamos o primeiro golo. Na rádio, estavam a ler o marcador:

- Portugal...

- Um!

- Dinamarca...

- Gooooolooooo! Nani!


Eu e a minha irmã ficámos a olhar uma para a outra. Ainda pensámos que fosse ainda o primeiro golo, mas não era. O Nani voltara a marcar. Mais tarde, quando vi o golo, fiquei de queixo caído. Como diria o meu irmão, foi um golo bru-tal! Grande Nani!

A minha mãe acha graça aos mortais que ele costuma dar durante os festejos de um golo e eu expliquei-lhe que ela por ele ter praticado capoeira, no Real Sport Clube. Eu também gosto dos mortais. O Nani, realmente, está a tornar-se um jogador fantástico. Não consigo deixar de pensar que, caso ele não se tivesse lesionado. o Mundial teria corrido de maneira diferente.

Confesso que, durante algum tempo, não prestei muita atenção ao relato. A vitória parecia mais ou menos garantida, não estava a ver que equipa não se ressentia de dois golos seguidos. Os dinamarqueses ressentiram-se.

- A Dinamarca ainda nem acredita no que lhe aconteceu - disse um dos locutores, pouco depois dos golos.

- Nem eu! - exclamei.

- 'Tou a gostar do Paulo Bento - disse a minha irmã.

Com o golo da Dinamarca é que comecei a ver a vida a andar para trás. Apesar de os dinamarqueses não andarem a fazer muito pela vida, duvido que houvesse uma alminha portuguesa que fosse que não se recordasse do desaire de Alvalade, há dois anos.

É o nosso destino! Mesmo fazendo um jogão daqueles, não há jogo oficial da Selecção sem um bocadinho que seja de sofrimento!

Em todo o caso, o golo de Cristiano Ronaldo acabou com o nervosismo, O madeirense também andava a pedi-las, pois estava a fazer uma exibição fenomenal. Rematou onze vezes! Esperemos que jogue sempre assim a partir de agora e que mais ninguém volte a duvidar da sua dedicação à Selecção.

Findo o jogo, houve ainda tempo para ouvir as reacções dos jogadores e do treinador. Todos bateram na mesma tecla:

- A vitória não servirá de muito se não ganharmos à Islândia.

A Islândia não é um adversário tão temivel quanto era a Dinamarma, mas, hoje em dia, isso não quer dizer nada. Mesmo que sejamos teoricamente superiores, o frio joga contra nós. Tendo este factor em conta, não me admira que tenham confinados os jogos de qualificação aos meses mais quentes.

Bem, eles vão ter de se desenrascar, se querem continuar na luta. Se isso acontecer, se conquistarmos mais três pontos, para além de consumarmos a entrada numa boa fase, continuaremos a depender de nós próprios para nos qualificarmos para o Europeu. E, realmente, seria mau demais deitarmos tudo a perder, depois de esta vitória me ter deixado tão feliz.
Um aparte só para dizer que achei piada à frase que usaram na Antena 1 para publicitar a transmissão do jogo:
- O país dos vulcões vai assistir à erupção portuguesa.

Como já mencionei anteriormente, dadas todas aquelas coisas que jogavam contra nós e que listei no fim da última entrada, não esperava um jogo destes. Que é capaz de ter sido o melhor dos últimos tempos. Paulo Bento não poderia ter pedido melhor estreia como Seleccionador Nacional. Apesar de nada ainda estar garantido, senti-me tão feliz naquela noite! Foi tão bom a Selecção voltar a dar-nos alegrias, quando pensei não voltar a tê-las tão cedo. Foi bom termos um motivo que fosse para nos orgulharmos de sermos portugueses, numa altura em que atravessamos uma fase bem complicada ( e complicada é eufemismo), nem fosse só por umas horas.

Agora que estou mais sóbria, só espero que esta alegria não seja a única, que ainda haja muito golo para comemorar, muita vitória para celebrar. Que o jogo de Sexta-feira seja a regra e não a excepção. Tal só é possível se ganharmos na Terça-feira. Eu acredito na Selecção. Mais cedo ou mais tarde, os marmanjos dão-me sempre um motivo para os apoiar incondicionalmente como os apoio. Na Sexta-feira esta regra voltou a ser cumprida e por isso agradeço-lhes do fundo do coração. Agora, cumpram-na mais uma vez no terreno da Islândia!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Bom ambiente agora... e depois?

Estamos a menos de vinte e quatro horas do encontro, a realizar no Estádio do Dragão, que oporá a Selecção Portuguesa à sua congénere dinamarquesa. O jogo realizar-se-à às 20h45 e será transmitido pela RTP.

Eu não percebo qual foi a ideia de terem mudado os jogos da Selecção para as Sextas-feiras. Como geralmente vou de fim-de-semana precisamente àquela hora, não me dá jeito nenhum! Só devo conseguir ver a primeira parte do jogo, depois terei de ouvir o relato na rádio. O que vale é que, depois de amanhã, só haverá novo jogo oficial em Junho do próximo ano - algo que ainda me causa imensa confusão (sete meses sem jogos oficiais da Selecção?!?!?), mas deve dar jeito para Bento se adaptar.

Conforme já foi realçado anteriormente, a único desfecho aceitável se se aspira a um lugar na fase final do Campeonato Europeu a realizar na Polónia e na Ucrância é uma vitória. Paulo Bento, o Seleccionador Nacional, na Conferência de Imprensa de antevisão ao jogo admitiu a pressão, mas garante que os jogadores estão motivados para dar a volta ao texto, dizendo ainda que o encontro de amanhã representa uma "oportunidade extraórdinária" para os adeptos fazerem as pazes com a Selecção.

Aparentemente, os adeptos já começaram a fazer as pazes com a Equipa de Todos Nós. No treino aberto da última Terça-feira, realizado em Óbidos, o primeiro treino com Paulo Bento ao leme da Selecção, formou-se uma autêntica moldura humara, com os jogadores e treinador a serem acarinhados pelos adeptos. Segundo algumas pessoas, há dois anos que não se via tanta gente num treino da Selecção (Sem comentários... Passado é passado). É bom sinal. Creio que as pessoas estão um pouco como eu, querem reconciliar-se com os marmanjos, querem voltar a sentir aquela emoção que, há ainda bem pouco tempo, andava de mãos dadas com um jogo da Selecção.

Entretanto, José Mourinho enviou uma mensagem de apoio à Selecção Nacional, mensagem essa que pode ser lida na íntegra neste link: http://desporto.sapo.pt/futebol/portugueses_em_destaque/mourinho/artigo/2010/10/05/a_mensagem_de_mourinho.html . Realmente, não há muito mais a dizer, apenas que o Mourinho é um grande homem, um homem ainda melhor do que eu julgava, mesmo quando o elogiei aqui no blogue, pouco antes de esta mensagem ter vindo a público. E pensar que ainda há poucos anos o odiava, quando ele vê a Selecção de uma forma muito parecida com a minha (podem confirmá-lo lendo outras entradas do meu blogue). Pode haver quem diga que o que ele quer é protagonismo ou algo do género, mas eu não me importo. Na minha opinião, vale mais uma boa acção com más intenções do que boas intenções e nenhuma acção ou uma má acção. O Mourinho não precisava de se ter dado ao trabalho de escrever a carta, mas a Selecção pode vir a benifiicar imenso com aquelas palavras. Ah, grande Mourinho!

Pois é, o ambiente em torno da Selecção parece positivo. Esperemos que continue assim depois do jogo com a Dinamarca. E tal só acontecerá se, obviamente, ganharmos.

Do lado dos dinamarqueses, o favoritismo é atribuído a nós, embora também atirem uma ou outra provocação. Parece que é mesmo típico deles, já no ano passado fizeram o mesmo... Já não me lembro de quem lançou estas, penso que foi um jogador. Supostamente, "Kjaer comerá Ronaldo vivo". Como se o Ronaldo fosse o único de quem eles deviam ter medo... A outra foi pior: " Vamos ganhar-lhes 4-0 e prosseguir o bom arranque na qualificação". Eu quando li isto bati três vezes na madeira... Nas actuais circunstâncias, não me parece um resultado tão improvável quanto isso (já viram que chegámos ao ponto de uma goleada sofrida ser considerado um resultado expectável?). Só espero é que toda esta confiança se revele excessiva e que tal acabe por jogar contra eles.

A Selecção acabou de trocar de Seleccionador, este só teve três ou quatro treinos com a equipa, estamos na terceira jornada de uma fase de qualificação de oito jornadas com um ponto apenas, há dez anos que não ganhamos ao adversário de amanhã, da última vez que os recebemos fomos derrotados por 3-2. Ninguém o pode negar, será extremamente difícil ganharmos, quase um milagre. Contudo, tendo em conta aquilo que referi acima, estou um bocadinho mais confiante. Não muito mais, mesmo assim. De qualquer forma, como é habitual, só deixarei de acreditar quando o árbitro apitar para assinalar o final da partida. Se ganharmos este e o jogo da próxima Terça-feira, consumaremos certamente a reconciliação do povo com a sua Selecção. E, se tal acontecer, montarei e colocarei na Internet o tal vídeo de recomeço que havia prometido no final do Mundial. Era para enviá-lo para o YouTube durante o Verão, só que o computador em que monto os vídeos estava avariado e também, com aquela confusão toda do Queiroz, não me parecia a altura certa. Mas fica aqui a promessa de um vídeo, bem como a promessa de apoio incondicional. Agora os marmanjos que façam a sua parte.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Entre a espada e a parede

Na Sexta-feira passada, dia 1 de Outubro, o novo Seleccionador Nacional de Portugal, Paulo Bento, de 41 anos de idade, apresentou a sua primeira Convocatória para a Selecção (na RTP, um dos títulos que usaram para esta notícia foi "Primeira Escolha" e eu achei graça ao trocadilho). Eis os Escolhidos:

Atlético Madrid: Tiago;
Benfica: Carlos Martins e Fábio Coentrão;
FC Porto: Beto, João Moutinho, Rolando e Varela;
FC Zenit: Bruno Alves e Danny;
Génova CF: Eduardo e Miguel Veloso;
Liverpool FC: Raul Meireles;
Manchester United FC: Nani;
Real Madrid CF: Cristiano Ronaldo, Pepe e Ricardo Carvalho;
SC Braga: Sílvio;
Sporting: Hélder Postiga, João Pereira, Liedson e Rui Patrício;
Toulouse FC: Paulo Machado;
Werder Bremen: Hugo Almeida.


A Selecção Nacional enfrenta, na próxima Sexta-feira, às 20h45, no Estádio do Dragão, a sua congénere dinamarquesa. Quatro dias depois, defronta a Islândia, ainda não sei a que horas. E, neste momento, se aspiramos a um lugar no Europeu de 2012, temos três escolhas: ganhamos, ou ganhamos, ou então... ganhamos.

Anteriormente não tive oportunidade para comentar aqui no blogue o processo de substituição de Carlos Queiroz. Já se passaram algumas semanas, mas ainda não percebi qual foi a ideia de irem pedir a José Mourinho para vir fazer um part-time durante uma jornada dupla, sentando-se no banco do Seleccionador. O momento em que li a notícia num rodapé de "Última Hora" foi, como diz um amigo meu, um "momento WTF?!?!". Será que Gilberto Madaíl acreditava realmente que conseguiria alugar o Mourinho por cerca de dez dias? Só penso na figura que devemos ter feito perante o resto do mundo futebolístico... E eu, que durante o Mundial fazia troça dos franceses... Para não falar da Candidatura Ibérica ao Mundial, que, com toda esta confusão, já deve ter ido ao ar.

Por outro lado, devo dizer que, no meio desta história toda, o Mourinho subiu consideravelmente na minha consideração. Foi uma lufada de ar fresco encontrar, no meio de uma novela provocada por gente que se esteve nas tintas para o bem-estar da Selecção, alguém disposto a ajudar a Turma das Quinas sem receber nada em troca. O melhor treinador do Mundo pode ter muitos defeitos, mas foi o único homem totalmente íntegro neste processo, mesmo que a sua potencial ajuda à Selecção fosse uma esmola.

Falhada a vinda de Mourinho, a Federação voltou-se para Paulo Bento, que já havia sido o primeiro nome a ser avançado mal Queiroz foi despedido. Pareceu-me uma boa escolha. A sua personalidade forte, a sua coragem e firmeza podem dar muito à Selecção, que, depois desta história toda, precisa de uma boa dose de dranguilidade (eu sei que toda a gente já disse esta piada, mas eu não resisto...). O único senão que me ocorre é a sua pouca experiência, mas, no geral, considero uma boa escolha, mesmo que tenha sido uma segunda escolha. Agora que é o Seleccionador, Paulo Bento conta com o meu apoio incondicional. Bem-vindo à Selecção!

O pior é que as mazelas que o caso deixou na Selecção ainda estão longe de ser curadas. O apuramento para o Europeu de 2012 equilibra-se num trapézio sem rede, mais uma escorregadela e vai tudo por água abaixo. Neste momento, tudo o que eu quero é que ganhemos estes dois jogos, mas, sinceramente, as hipóteses de tal acontecer são microscópicas. Temos um Seleccionador novo, que só se vai reunir pela primeira vez com os jogadores dentro de vinte e quatro horas, apenas três dias antes do jogo com a Dinamarca - um adversário que, já na última fase de qualificação, nos complicou a vida à grande e à dinamarquesa. E já li hoje que só será possível treinar a sério na Quarta-feira, para não desgastar fisicamente os jogadores.

No outro dia (julgo que foi na noite de Sábado para Domingo), sonhei que o Paulo Bento estava em minha casa e desabafava comigo:

- Estou metido entre a espada e a parede - dizia ele - Só vou ter três ou quatro dias para preparar a Selecção para jogar frente a um dos nossos adversários directos. Não 'tou a ver como é que vamos conseguir ganhar...

Eu bem queria animá-lo, encorajá-lo, mas não conseguia.

Quero tanto que a Selecção ultrapasse esta situação. Quero tanto voltar a ter uma fé quase cega naqueles homens, voltar a sentir um vibrante entusiasmo com a proximidade de um jogo... O jogo com a Dinamarca é daqui a quatro dias e eu não sinto nada... Por isso, só peço a Paulo Bento, aos Marmanjos e, de caminho, a tudo o que é entidade sobrenatural, que ganhemos estes dois jogos e que a Selecção volte de novo ao bom caminho.

P.S. Entretanto, Queiroz e Deco têm andado a trocar "mimos" via Comunicação Social, "mimos" esses que não tenho pachorra para repetir. Como ambos são "ex" da Selecção, tais declarações já pouco me afectam, apenas me deixam triste. Fui tão ingénua ao pensar que, na altura do Mundial, havia bom ambiente na Selecção...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Adeus, Professor

Ontem, após quatro horas de reunião, Gilberto Madaíl pegou no telefone, ligou a Carlos Queiroz e anunciou-lhe que este não seria mais Seleccionador Nacional. Espera-se que este seja o fim, ou pelo menos o princípio do fim desta novela que já dura há tempo de mais. Entretanto, irão também ocorrer eleições antecipadas na Federação Portuguesa de Futebol.

Era o que toda a gente desejava (incluindo eu) e que toda a gente sabia que ia acabar por acontecer. O próximo capítulo será a escolha de um novo Seleccionador. Mencionam-se vários nomes, mas até agora nenhum foi confirmado.

Na minha opinião, esta decisão peca por tardia. Pode, aliás, ter sido tarde de mais. Teria sido bem melhor se o Professor tivesse sido demitido imediatamente depois do Mundial. Apesar de eu considerar que não teria sido justo, visto que o Campeonato do Mundo não foi tão mau como alguns pintam - só perdemos com a selecção que acabou por ser campeã, pela margem mínima, com um golo de legalidade discutível; se nos tivesse calhado outro adversário nos oitavos-de-final, a história poderia ter sido diferente. Eu protestaria na altura, mas, como já disse na entrada anterior, pior do que o que estamos a viver, seria difícil. Teria havido tempo para contratar um novo técnico, para este ter feito meia dúzia de treinos com a Selecção, talvez um jogo particular em meados de Agosto. E talvez não teríamos perdido cinco pontos na primeira jornada dupla da qualificação para o Europeu de 2012. Mas não. Foi preciso invocar ofensas ao Controlo Anti-Dopping, uma entrevista infeliz ao Expresso, prolongar a trapalhada até a situação se tornar insustentável, até toda a gente suplicar pelo fim da novela, com jogadores a sair e cinco pontos a voar pelo meio, para a Federação tomar uma decisão. Mais uma vez, obrigada!

Entretanto, já o Miguel veio anunciar que ia fugir, perdão, sair da Selecção. Sem comentários...

Agora, terão de escolher um novo Seleccionador. Não sei quem será o masoquista que reparar uma Selecção esmigalhada, tendo, talvez, de colar os cacos um a um, já em risco de ver o Europeu pela televisão. Se ficarmos fora da corrida, ele é que terá de lidar com as críticas quando a culpa nem sequer é dele, ou não totalmente dele. Em todo o caso, seja ele quem for, goste dele ou não, concorde com a sua contratação ou não, contará com o meu apoio incondicional. Tal como o Professor contou.

Quero, desde já, agradecer a Queiroz. Apesar de todos os erros que cometeu, que lhe custaram o cargo de Seleccionador, quero agradecer-lhe por ter tomado conta da Selecção, pelos bons momentos que me proporcionou através dela, por aturar tanto ataque, tanta crítica, em nome da Selecção. Obrigada, Professor. Apesar de tudo, obrigada.

Espero agora que esta novela termine rapidamente e que a Selecção Nacional regresse ao bom caminho. Isso inclui qualificarmo-nos para o Europeu.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Cinco golos sofridos, cinco pontos a voar

Finda a primeira dupla jornada desta fase de qualificação, a Selecção Nacional apenas ganhou um ponto, resultado de um empate por quatro bolas frente ao Chipre e de uma derrota por um golo sem resposta frente à Noruega. Agora corremos o risco de vermos o Europeu por um canudo, ainda agora a classificação começou. É o pior arranque de qualificação desde 1996. Mas não estou surpreendida. Estavam à espera de quê?!?!?!

Como já tinha dito na entrada anterior, não pude ver o jogo com o Chipre uma vez que estava no estrangeiro. Só soube do resultado do jogo no Domingo passado, quando nos deram jornais portugueses à entrada do avião de regresso. Vi o jogo de ontem, mas sem um milionésimo do interesse com que antes via os jogos da Selecção. E ainda bem, porque senão ainda me sentiria pior do que me sinto agora.

Não posso censurar os jogadores, nem mesmo Eduardo com aquele golo patético. Eles devem ser as maiores vítimas. O Ricardo Carvalho estava quase a chorar ontem à noite, na flash-interview (pelo menos, foi o que me pareceu...). Eu sabia que aquela novela toda ia - passe a palavra - "lixar" a Selecção. O Mourinho tinha avisado, vários jornalistas e comentadores tinham avisado, eu tinha avisado (confirmem entradas anteriores) e nem percebo muito de futebol. Tenho de dar os parabéns ao pessoal da Federação, a Carlos Queiroz, à Autoridade Antidopagem, a quem quer que seja responsável pela crise actual. Conseguiram dar cabo da Selecção Nacional, conseguiram destruir um dos nossos poucos pontos fortes no último Mundial, se não foi o único: a defesa, o nosso guarda-redes que nestes dois jogos sofreu tantos golos quantos os que tinha sofrido no Mundial e em mais de metade da fase de qualificação para este último campeonato. Obrigadíssima! Agora estamos de novo de calculadora na mão.

Porque é que voltei a Portugal? Porque é que não fiquei num país civilizado? Enquanto lia os jornais no avião de regresso, ainda nem este tinha descolado, e me apercebia que a novela estava longe do fim, já punha a hipótese de tentar fugir do avião para não ter de voltar. Antigamente, não há tanto tempo quanto isso, a Selecção era a única coisa que me prendia a este país sempre-em-crise, com uma justiça lenta e ineficaz, com pessoas sempre a queixarem-se da crise mas sem mexerem uma palha para combatê-la e políticos medíocres. A Selecção era a única coisa que nos fazia orgulharmo-nos de sermos portugueses - foi preciso um estrangeiro vir cá para que tal acontecesse! Mas agora conseguiram arruiná-la.

E eu não posso fazer nada, não consigo fazer nada. Já é suficientemente mau andarmos com maus resultados - se fosse só esse o problema, podia-se "resolver" com estímulos ao apoio popular para aumentar a motivação, preserverança e fé em Deus. Eu sempre podia ajudar um bocadinho. Mas quando a origem vem de dentro e de lá de cima, sem que ninguém esteja disposto a fazer nada, que se pode fazer?

Apenas pedir que resolvam isto de uma vez por todas. Já chego ao extremo de pedir que despeçam Queiroz de vez (nunca pensei vir a desejá-lo) se é isso que querem. Que se dane a adaptação a um novo treinador - pior do que a situação actual é difícil. Se for preciso paguem a cláusula de rescisão - duvido que seja maior do que os potenciais prejuízos de uma não-qualificação. E já vão tarde - mesmo que tudo se resolva agora, já voaram cinco pontos.

Entretanto, a nós, os adeptos, aqueles que não deixam de apoiar a Selecção mesmo nestes momentos, só nos resta esperar e rezar pelo fim desta trapalhada toda. Qualquer que seja o fim.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Em vésperas do início da qualificação... e a novela continua

Domingo à noite, no sítio da Federação, foram divulgados os Convocados para a jornada dupla inaugural da Qualificação para o Campeonato Europeu de 2012, a realizar na Polónia e na Ucrânia.

Devo dizer, "Polónia e Ucrânia" não tem a mesma sonoridade que "África do Sul" tem. Nem de longe, nem de perto. Sem ofensa para eventuais polacos e ucranianos que lerem isto.

Visto que na Quarta-feira vou passar férias no estrangeiro, não terei oportunidade de ver o primeiro jogo da jornada, frente ao Chipre. Regresso no dia 6, mas só escrevo outra entrada depois do jogo frente à Noruega.

As grandes novidades da Convocatória são a Chamada de Sílvio e de Nuno André Coelho. Outro ponto a assinalar é a lesão de Ronaldo, que permitiu a Ricardo Quaresma regressar à Selecção depois de cerca de dois anos de ausência. A lesão de Silvestre Varela também deu oportunidade a Yannick Djaló de se juntar à turma das Quinas. Noutras circustâncias, analisar-se-iam com mais detalhe, mas a história do momento é outra.

Como consequência dos incidentes decorridos durante a visita da Autoridade Antidopagem ao Estágio de Preparação do Mundial 2010, na Covilhã, a Federação puniu Carlos Queiroz com um mês de suspensão e uma multa, cujo valor não me recordo agora. Por sua vez a Autoridade Antidopagem vai castigar o Seleccionador com uma suspensão de seis meses. Como resultado, Queiroz falhará, não só os jogos desta jornada, contra o Chipre e a Noruega, mas também falhará os da outra jornada: frente à Dinamarca, dia 8 de Outubro, e frente à Islândia, no dia 12 do mesmo mês. Mas os processos não ficam por aqui, já que parece que Armândio de Carvalho pretende também agir judicialmente contra o Professor a propósito de umas declarações que este último fez ao semanário Expresso.


Em suma, as coisas vão de mal a pior.

Em relação à sanção aplicada pela Autoridade Antidopagem, acho que é muito discutível considerar que o Professor tentou impedir o controlo anti-dopping, mas já falei disso na entrada anterior. Visto que, pelos vistos, a pena para estes casos vai de dois a quatro anos de suspensão, mas "atenuantes" foram consideradas e "só" o puniram com seis meses de suspensão. Inicialmente, pensei que podia ter sido pior, que "só" ia falhar quatro jogos, noutro ano se calhar falharia mais. Só que depois lembrei-me que esses quatro jogos correspondem a metade da fase de qualificação (!). Não que ache que a Selecção sofra muito com a ausência dele. O adjunto Agostinho Oliveira deve ter, certamente, um estilo de treino semelhante ao de Queiroz. Por outro lado, se o periodo de suspensão fosse de dois a quatro anos, a questão da continuidade ou não de Carlos Queiroz como Seleccionador Nacional estaria arrumada: o Professor saía, viesse o próximo. Com seis meses, não sei mesmo como é que a novela acaba, se é que algum dia irá acabar.

Pelo que vou percebendo das notícias, dos comentadores e das conversas de café, existe uma facção dentro da Federação que se quer livrar de Queiroz, sem ter de pagar a cláusula de rescisão, e outra facção que quer que ele continue. Só que ninguém está disposto a assumir abertamente a sua posição, a novela vai continuando e a credibilidade da Selecção vai descendo, encontrando-se, neste momento, nas ruas da amargura.

Entretanto, no meio de toda esta confusão, o Simão Sabrosa e o Paulo Ferreira anunciaram que não voltam a representar Portugal. Ambos alegam "motivos pessoais" e que é preciso dar o lugar a jogadores mais jovens. Estas renúncias provocam-me sempre uma certa nostalgia e tornam notória a passagem dos anos, mas, desta feita, há mais. Estas decisões podem ter já sido tomadas há algum tempo, acho que o Paulo já o comunicara ao Professor há umas semanas. Contudo, nestas circunstâncias, não consigo evitar pensar nos marinheiros que pegam nos salva-vidas e saltam para o mar, abandonando o navio que se afunda sem sequer tentarem repará-lo.

Já que comecei com esta metáfora do navio, devo dizer que o Presidente da Federação parece um daqueles violinistas do Titanic, que continuavam a tocar apesar de o navio se estar a afundar. Por amor de Deus, como é que ele pode dizer que esta situação não vai afectar a equipa?!?!?!? Nem eu sou assim tão ingénua...

O que aconteceu à Selecção? Como é que chegámos a isto? Ainda há poucos anos estávamos tão bem, éramos uma das melhores Selecções do Mundo inteiro, as pessoas penduravam bandeiras às janelas, seguiam e apaparicavam a Selecção onde quer que esta estagiasse, os marmanjos eram a única razão que tínhamos para nos orgulharmos de ser portugueses... Não há tanto tempo quanto isso eu sentia um vibrante entusiasmo sempre que se aproximava um jogo da Selecção, mesmo quando nos encontrávamos num trapézio sem rede. Agora, estamos a três ou quatro dias do início de uma fase de qualificação. Entusiasmo? Zero. Só vejo a Selecção cair aos bocados e ninguém a fazer nada. É pior, muito pior, do que sermos expulsos do Mundial ou do que falharmos a qualificação para o Europeu. Só tenho vontade de dar uns valentes abanões aos protagonistas da novela, sejam eles quem forem, técnicos, jogadores fugitivos, funcionários da Federação e de lhes gritar nos ouvidos:

- Por amor de Deus, façam alguma coisa!!! Tomem uma decisão!!! É da Selecção que estamos a falar, é vosso dever não deixá-la afundar-se ainda mais!!! - isto, talvez, com um ou outro palavrão no meio.

Se pudesse, se tivesse conhecimentos para tal, eu própria impediria a Selecção de se desmoronar, mesmo que tivesse de colar os cacos um a um. Só me resta passar os meus sentimentos para o QWERTY e rezar para que alguém com os poderes que eu não tenho os leia no meu blogue.

Noutras circunstâncias, analisaria os nossos próximos adversários, mas agora não estou para isso. Não sei quase nada sobre o Chipre nem sobre a Noruega, de qualquer forma. Nem sequer consigo sentir grande pena de não poder ver o jogo na Sexta-feira. A única coisa que acho que vou perder é o regresso do Quaresma. Nem sequer tenho uma opinião formada em relação às hipóteses de ganharmos - nas actuais circunstâncias tudo pode acontecer.

Por acaso, achei graça ao que Octávio Ribeiro escreveu na sua coluna do Record de hoje: "E, como historicamente somos perfeitos na arte do improviso, a dar ordem ao caos, tudo aponta para a obtenção de duas vitórias folgadas. Ao Chipre a Noruega já ganhámos!".

Rio-me para não chorar...

Ainda bem que amanhã abandono este triste país, se bem que apenas por uns dias. Pode ser que quando regresse já tudo isto esteja morto e enterrado. Contudo, também há duas ou três semanas esperava mais ou menos o mesmo e, até agora, está visto, não tenho tido grande sorte.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Quando estala a polémica, a Selecção é que se lixa

Visto que, neste momento, a Selecção atravessa uma situação complicada, achei por bem falar disso cá no blogue. Era para ter escrito mais cedo, mas estive fora e só agora tenho acesso à Internet.

Confesso que só muito recentemente é que consegui perceber ao certo do que é que se trata. Em férias não há horários fixos, nem sempre conseguia cumprir o ritual de ver o noticiário durante o jantar. Se bem que ainda existam alguns pormenores que me causam confusão nesta história das ofensas que o Seleccionador Nacional terá dirigido aos funcionários da Autoridade Anti-dopagem. Mas já lá vamos.

Segundo o Correio da Manhã de Quarta-feira, dia 11 de Agosto, Carlos Queiroz não terá gostado de ver a rotina do estágio de preparação do Mundial 2010 perturbada pela súbita aparição da Autoridade Anti-dopagem (embora não saiba se é assim que se chama). À boa maneira portuguesa, Queiroz terá expressado dúvidas sobre a honra da mãe do director da Autoridade – Luís Horta – e o senhor terá ficado tão perturbado que não conseguiu analisar correctamente a urina de um dos jogadores.

Isto supostamente passou-se há três meses, durante o estágio na Covilhã. Porque é que só veio a lume há poucas semanas?

Talvez tenha sido a própria Federação Portuguesa de Futebol a abafar o caso na altura, para não perturbar a preparação do Campeonato do Mundo. Sim, porque se um órgão qualquer de Comunicação Social tivesse sabido, não deixaria escapar a oportunidade de lançar a bomba mediática cujos efeitos seriam muito mais significativos do numa altura em que a Selecção se encontrava no centro das atenções que estão a ser agora.


Já li alguns artigos de opinião em que comparavam Queiroz a José Sócrates. Vou fazer o mesmo agora: como não conseguiram tirar o actual Primeiro-Ministro do Governo através de eleições legislativas, há quem insinue que o caso Face Oculta, surgido poucas semanas depois do escrutínio, não passou de uma segunda tentativa de tirar Sócrates do lugar de Primeiro-Ministro. Este caso dos insultos à Autoridade Anti-dopagem é capaz de ser o caso Face Oculta de Queiroz. No CM diziam que havia gente da FPF que desejava a saída de Carlos Queiroz do cargo de Seleccionador Nacional, devido ao desempenho abaixo do desejado do Mundial e à falta de progresso assinalável nas Selecções jovens. E como não conseguiram livrar-se de Queiroz depois do Campeonato do Mundo… Há quem diga que, se nos tivéssemos saído melhor no Mundial, ninguém saberia deste caso.

De qualquer forma, parece que Queiroz terá mesmo proferido as alegadas ofensas. O que é sempre reprovável, é claro. Contudo, não sei se estarão a exagerar, a fazer uma tempestade num copo sem água, como diz o Professor. Quer dizer, não me parece que se trate de uma obstrução à Autoridade Anti-dopagem que, pelos vistos, pode dar direito entre dois a quatro anos de suspensão – o que, neste caso, significaria que Queiroz deixaria de ser Seleccionador Nacional. Tanto quanto percebi, o Professor não se queixou no controlo, queixou-se do mau timing. Não, isto não é mais grave do que o murro de João Pinto ao árbitro ou do que o soco-que-não-chegou-a-sê-lo de Scolari a Dragutinovic. Mas já ouvi dizer que tencionam apresentar uma queixa-crime, com possibilidade de prisão. Por amor de Deus! Por essa lógica, prendiam quase todos os profissionais do futebol. Basta olhar para os lábios de jogadores de treinadores durante os jogos para adivinhar facilmente que estão a dirigir palavrões ao árbitro e/ou aos adversários, mas ninguém faz nada. Haja senso! Em todo o caso, na minha opinião, o actual Seleccionador não deveria escapar impune.

O que mais me irrita no meio desta história toda é que, quer a razão esteja do lado de Queiroz ou da Autoridade Anti-dopagem, a Selecção Nacional é que – passe a expressão – se lixa. Vimos de um Campeonato do Mundo em que ficámos abaixo das expectativas, vamos começar a fase de apuramento para o Campeonato da Europa. Supostamente, devíamos estar todos empenhados em começar bem a qualificação para não termos de passar pelas dificuldades por que passámos na Qualificação para o Mundial, mas nãããããããããããããoooooo! Tinha de surgir este caso, tinha de se dar mais uma machadada na credibilidade da Selecção. Muito obrigada!

Ainda recentemente, pensava que, neste momento, o melhor para a Selecção era que Carlos Queiroz continuasse à frente do comando técnico. Mas agora, não sei. Mesmo que o Seleccionador saia ilibado, ou que o caso seja arquivado, a sua credibilidade está irremediavelmente (ainda mais) comprometida. Além disso, pelas bocas que alguns jogadores lançaram durante o Mundial e pelo facto de só o Ricardo Costa ter defendido Queiroz (mas como este não é titular habitual, as suas intenções são duvidosas, pelo menos para mim - sem ofensa). Parece que a relação entre jogadores e treinador já viu melhores dias. Eu ainda acho que, a curto prazo, a troca de Seleccionadores traria mais desvantagens do que vantagens, mas já não sei se valerá a pena manter o actual Seleccionador. Não sei realmente o que pensar. Para mim, o bem-estar da Selecção Nacional está acima de tudo, mas parece que sou a única a pensar assim… Só quero que esta história acabe de vez e que a Selecção seja o menos prejudicada possível.
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