quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Portugal 4 Espanha 0 - Se é assim... pode ser a Espanha!

Ontem à noite, a Selecção Portuguesa derrotou a sua congénere espanhola por quatro golos sem resposta, no Estádio da Luz, num jogo épico, fantástico, quase perfeito, histórico, mágico, inspirado, extraordinário, espantoso, arrasador, explosivo... enfim, os adjectivos para o caracterizar não se esgotam. Ninguém estava à espera de tal jogo e de tal resultado, pois, afinal de contas, o adversário que defrontámos ganhara o último Europeu e o último Mundial. Mas a verdade é que praticamente todos os Marmanjos fizeram exibições de sonho e os espanhóis pouco fizeram para nos parar.

Como abri recentemente uma conta no Twitter, assisti a quase todo o jogo com o computador portátil ao colo para ir registando as minhas impressões na rede social. Não foi muito diferente das notas que constumava tomar para depois escrever aqui no blogue, mas teve a sua graça.

A Selecção entrou bem no jogo e manteve o nível durante praticamente todo o encontro. Paulo Bento havia-nos prometido que Portugal não iria ficar a ver a Espanha jogar e, não só a promessa foi cumprida, como aconteceu o exacto oposto: os espanhóis ficaram muitas vezes a ver-nos jogar, incapazes de nos travar. Eu, por vezes, esquecia-me que estávamos a jogar contra o Campeão do Mundo. O árbitro é que estragou um pouco a festa ao anular aquele sombrero de Ronaldo, um pouco por culpa do Nani, que por sinal completava 24 anos ontem, que se foi literalmente meter onde não era chamado, induzindo o fiscal de linha em erro.

Um aparte só para dizer que foi uma pena o Nani não ter marcado ontem, no dia do seu aniversário, para se redimir daquela jogada infeliz, ele que jogou tão bem (à semelhança dos companheiros).

O golo que se adivinhava acabou por surgir um minuto antes do intervalo, um belo tiro de Carlos Martins. Estava aberto o marcador.

O segundo golo surgiu dois ou três minutos após o intervalo dos pés de Hélder Postiga, numa jogada começada por João Moutinho. Os mesmos foram também responsáveis pelo terceiro golo, cerca de vinte minutos depois. Entre estes dois golos eu ia pedindo "Só mais um! Só mais um!", com a mesma naturalidade com que pediria num jogo frente a adversários teoricamente bem mais fracos do que a Espanha, como a Islândia, a Coreia do Norte, o Chipre, a Malta... Realmente, foram mesmo aqueles que ganharam o Mundial? O relativo escasso público nas bancadas ia pontuando os passes portugueses com fritos de "Olé!". Os espanhóis, esses, ripostaram gritando "Campeones!", como que a dizer:

- Vocês podem estar a ganhar, hermanos, mas nós continuamos a ser os Campeões Mundiais.

Essa foi baixa...

O encontro foi encerrado com chave de ouro com um golo de Hugo Almeida, que substituia Hélder Postiga. Quando se fala tantas vezes da falta de pontas-de-lança em Portugal, é bom vermos dois, o Hélder e o Hugo, a fazerem o gosto ao pé no mesmo jogo. Estou particularmente feliz por ver o Hélder no seu melhor, ele que sempre foi um dos meus jogadores preferidos, apesar do seu desempenho irregular.

Depois desta vitória, como eu temia, vieram os ataques ao ex-Seleccionador, muito mais subtis quando feitos por jornalistas, bem mais agressivos nos habituais espaços de comentário. Abordarei melhor esta temática noutra ocasião.
Estou feliz, felicíssima, por ter visto todos os marmanjos no seu melhor, fazendo um jogo do outro mundo, que ficará registado a tinta-da-china na História da Selecção Nacional. Nunca pensei que déssemos tal sova aos Campeões da Europa e do Mundo. Eu até tinha sonhado, na noite de Terça para Quarta-feira, que tínhamos perdido por três a zero! Muitos dirão, eu incluída, que não serve de nada, que não passa de um amigável, que nem tem um sabor de vingança pois nem três pontos ganhámos, que eles continuam Campeões, que os espanhóis não deram o seu melhor, que se tivessem dado a história teria sido diferente. O que até pode ser verdade, mas, pelo menos a última parte, faria mais sentido se tivéssemos ganho pela margem mínima, com uma exibição assim assim. Não foi isso que aconteceu. Nós marcámos quatro golos, podíamos per marcado mais, fizemos uma das melhores exibições de sempre. Não ganhámos três pontos mas ganhou-se muito mais, como assinalou Paulo Bento. Ganhou-se prestígio, ganhou-se confiança, ganhou-se alegria, consumou-se o renascer da Selecção, o seu regresso às grandes vitórias.

Ontem, não ganhámos nada em concreto, mas "mostrámos que, quando queremos, ultrapassamos tudo", como disse Vítor Manuel. "Mostrámos ao Mundo que Portugal se pode bater com qualquer Selecção do Mundo", como disse o locutor da Antena 1, no fim da emissão relativa a este particular, que ficará na memória.

Enfim, realizaram-se dois duelos ibéricos este ano. A Espanha ganhou um deles, nós ganhámos o outro. Mas em Dezembro, espero que ganhemos ambos, como disse Laurentino Dias. Estou a falar, claro, do anúncio da Candidatura vencedora à Organização do Mundial (já não sei se se saberá só acerca do de 2018 ou se já saberemos também quem é que organiza o de 2022). Depois deste partidazzo, estou com um bom pressentimento, sobretudo agora que fomos absolvidos das acusações de corrupção (engulam, ingleses!). Já mencionei aqui os nossos pontos fortes, vou só fazer uma referência aos pontos fracos que têm a ver com a falta de campos de treino nas cidades-sede. Podia ser pior, não podia? Talvez dê para ganharmos. Vamos estar todos a torcer por isso até 2 de Dezembro.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Tem mesmo de ser a Espanha?

Na próxima Quarta-feira, dia 17 de Novembro, a Selecção Portuguesa de Futebol enfrenta a sua congénere espanhola, no Estádio da Luz, num encontro de carácter particular, cujos principais objectivos são, não só a promoção da Candidatura Ibérica à Organização do Mundial de 2018 ou 2022, mas também a Comemoração do Centenário da República. Paulo Bento, o Seleccionador Nacional, divulgou no último dia 11 os Convocados para este particular e as únicas novidades são os Regressos de Bosingwa e Manuel Fernandes. Eu confesso que, nesta altura do campeonato, a Espanha não é a Selecção com quem desejava ver os Marmanjos entrarem em campo.


Eu sei que eles são os nossos parceiros de Candidatura e tal, mas, que diabo, eles expulsaram-nos do Mundial! Querem esfregar sal na ferida? A desculpa da vingança não serve: isto não passa de um amigável. O que quer que aconteça, eles continuam Campeões do Mundo e nós aqueles que foram expulsos do Mundial nos oitavos-de-final depois de sofrer o primeiro golo em todo o Campeonato. Na vaga hipótese de ganharmos, isso trará mais pedras para atirar ao nosso ex. Dirão que a culpa foi dele, que ele nunca devia ter estado ao leme da Selecção, que se já lá estivesse o Paulo Bento nada daquilo teria acontecido, etc, etc. Até pode haver alguma dose de verdade nisto, mas não deixa de ser desagradável. E nem sequer ganhamos três pontos nem nada.
Em relação a essa parte de o encontro estar integrado nas comemorações do Centenário da República, também não é por aí. Já tudo o que é historiador veio dizer que não existe grande motivo para festejo; que a Primeira República foi um regime ainda pior que o anterior, mais valia terem poupado a vida a el-rei D. Carlos e ao filho, mais valia não terem exilado el-rei D. Manuel II e o resto da família real, etc.

Por acaso, não sei como seria se ainda fôssemos uma monarquia. Duvido, no entanto, que estivéssemos melhor do que estamos agora. Parece que, quase desde que foi assinado o Tratado de Zamora em 1143, o nosso País tem vivido quase sempre acima das possibilidades, tem estado quase sempre à beira da bancarrota. O mal é genético, não há nada a fazer…

Em todo o caso, a República trouxe com ela o hino e a bandeira que temos hoje, símbolos que aprecio grandemente. Isso, sim, ainda é o que mais vale a pena comemorar. E ainda por cima, segundo Os Maias, o antigo hino, o Hino da Carta, era "medonho".


Mesmo assim, fazia mais sentido jogar com a Espanha para comemorar a Restauração da Independência. Convinha era ganharmos, é claro!


O principal objectivo acaba por ser mesmo a promoção da Candidatura Ibérica, agora que estamos a poucas semanas do anúncio do anfitrião vencedor. Candidatura, essa, que, há algumas semanas, esteve envolvida em suspeitas de corrupção.


Pessoalmente, nunca atribui muita credibilidade a essas alegações, uma vez que estas foram levantadas pelos jornais ingleses (o Daily Telegraph, se não me engano). A candidatura deles já se encontrava envolvida em polémicas semelhantes, na minha opinião, eles fizeram aquilo pensando "Se eu vou ao charco, já agora, arrasto toda a gente comigo". Não seria a primeira vez que a Comunicação Social Inglesa publicava notícias com objectivos semelhantes. Em todo o caso, a estratégia deve ter falhado, os boatos devem ter sido desmentidos pois nunca mais se falou disso… Ainda bem, que estou farta de ouvir falar em corrupção em instituições portuguesas.


Com ou sem acusações de corrupção, não sei que hipóteses a nossa Candidatura tem de ganhar. Há uns tempos pensei que o facto de os inspectores da FIFA terem estado cá em Portugal aquando do "caso Queiroz" prejudicasse seriamente a as nossas hipóteses, mas talvez não tenham levado isso em conta…




Li na semana passada, no Record, que somos os Candidatos com mais estádios já prontos para hospedar jogos da fase final de um Campeonato do Mundo: sete. Tendo em contra que precisamos, mais do que nunca, de apertar o cinto (ou a banda gástrica, como diziam a semana passada no Mundo Universitário), isto é capaz de constituir uma pesada vantagem. E já é uma sorte não termos de construir estádios novos nesta altura do campeonato, a propósito!


E, é claro, temos várias outras coisas a jogar a nosso favor: um bom passado recente em termos futebolísticos, incluindo um Campeão Mundial e Europeu (estou a falar dos espanhóis, obviamente… snif, snif); um Campeonato Europeu memorável organizado por nós, portugueses; países atractivos para os turistas… Enfim, não acho que seja, de todo, impossível ganharmos…


Segundo o que li, neste momento a escolha é entre nós e a Rússia, e os russos não têm, que eu saiba, as armas que mencionei acima. Seria bom se ganhássemos, sobretudo no momento dificílimo que atravessamos. Para além das vantagens que já mencionei na entrada "Vizinhos e parceiros no futebol", ao menos teríamos a promessa de algo bom no futuro (Isto se não tivermos falido de vez até lá, é claro!) – algo que é cada vez mais raro hoje em dia, sobretudo neste país.


E se jogar com a Espanha ajuda, que assim seja. De resto, é sempre excitante defrontar uma Selecção de topo, e esta é Campeã Europeia e Mundial! Paulo Bento disse já que os Marmanjos não vão "só ver a Espanha jogar", que "estes particulares não são para descomprimir, porque os valores da representação do país são iguais". Qualquer que seja o resultado, o que se espera é uma boa exibição por parte de ambas as equipas, uma exibição digna de duas Selecções de topo. É claro que uma vitória, apesar de tudo, ajudaria a consumar o recente renascimento da Selecção, mas este é um dos poucos casos em que a velha máxima do "o importante não é ganhar, é participar" se aplica na sua totalidade.




Na última entrada, tinha prometido um novo vídeo de apoio à Selecção. Eu cumpri a promessa, montei o vídeo. O problema foi, outra vez, o YouTube… E nem sequer foi por causa da música, foi por ter utilizado as imagens dos jogos do Mundial. Já nem digo nada… Ou melhor, digo apenas isto: se continuam assim, mais vale encerrarem de vez o YouTube. Sim, porque eu não perdi uma das poucas tardes livres que tenho este semestre para agora o vídeo ficar eternamente confinado ao meu computador. Não senhor, desta vez coloquei o vídeo do Mediafire e dou-vos os links para o sacarem. (Com a música original: http://www.mediafire.com/?l04mcnudva6jwzg ; com a versão instrumental http://www.mediafire.com/?l5j86g1324d33dl) Como podem ver, as regras dos direitos de autor não fazem sentido, que existem outras maneiras de partilharmos vídeos. É uma autêntica estupidez.




De caminho, dou-vos também o link daquele vídeo que montei antes do Mundial, com a música Bang The Drum.( http://www.mediafire.com/?qroxof11vd9mrum ) Talvez faça uma segunda versão deste vídeo para o Europeu 2012, que a música é muito gira. Pode ser que, nessa altura, não o removam (pois, devo ter cá uma sorte…). Tenho ainda outras ideias para vídeos de apoio à Selecção, mas, em princípio, só voltou a montá-lo caso nos qualifiquemos. Até lá…

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Islândia 1 Portugal 3 - Desentubados e renascidos

Terça-feira à noite, a Selecção Portuguesa visitou a sua congénere Islandesa, vencendo-a por três bolas a uma, consumando, deste modo, o retorno da Equipa de Todos Nós aos bons resultados e às boas exibições.

Desta feita, não fizemos uma exibição tão forte como quando jogámos com a Dinamarca, tendo havido alguns momentos em que receei um descarrilamento. Que, felizmente, não chegou a acontecer.

Assisti ao jogo via televisão, enquanto jantava, juntamente com a minha família. A minha irmã mais nova tinha apostado o resultado com os amigos. Ela apostou em 1-0, outros apostaram em 3-2, 5-1 e outros resultados que não recordo. Quem acertasse, receberia um euro de cada apostador. Se ninguém acertasse, ganhava quem mais se aproximasse do resultado.

Nós entrámos bem no jogo, com Cristiano Ronaldo a marcar aos três minutos, de livre. A bola rasou a muralha islandesa, entrando depois na baliza, sem nada nem ninguém que a travasse.

- Eles também nem se mexeram - comentou o meu irmão - Os islandeses podiam ter saltado, eles nem sequer saltaram...

- Se eles saltassem, ficavam toldados com o fumo daquele vulcão com um nome esquisito - gracejou o meu pai.

Visto que este resultado interessava à minha irmã, depois deste golo, ela começou a reclamar sempre que os marmanjos se aproximavam da baliza adversária, como se tivesse a torcer pelos islandeses. Isso, ora me divertia, ora me irritava. Com franqueza, basta acenar-lhe com dois ou três euros para a miúda perder todos os princípios...

Entretanto, os portugueses afrouxaram um bocadinho com o golo, a Islândia começou a dar luta e acabou por marcar.

- Oh, só podem 'tar a gozar! - exclamei, vendo a vida a andar para trás.

Seguiram-se dez minutos de nervos. Os marmanjos, atordoados com a súbita anulação da vantagem, pareciam um bocado trapalhões. Cheguei a dar uns berros quando, poucos minutos após o golo islandês, a bola aproximou-se perigosamente da nossa baliza. Uma jogada parecidíssima com aquela que resultara no golo. Pus-me a roer as unhas, algo que deixara de fazer há semanas.

O golo de Meireles (ganda bomba!) acalmou-me um bocadinho. Gritei "GOLO!" e encostei-me para trás, aliviada.

Contudo, um golo a mais era uma vantagem ainda demasiado frágil para me acalmar por completo. Continuei, portanto, um bocadinho nervosa, já na segunda parte, apesar de nos mostrarmos claramente superiores. Gemia sempre que era marcado um canto a favor da Islândia, lembrando-me do golo sofrido. Já me daria por satisfeita se conservássemos a vantagem até o árbitro apitar três vezes.

Se o marcador se mantivesse inalterado até ao minuto 90, ninguém teria ganho a aposta, ou então o dinheiro do prémio teria sido dividido, por 2-1 fica exactamente a meio caminho entre 1-0 e 3-2. Tal não aconteceu, graças a Hélder Postiga.

O golo do sportinguista acabado de entrar colocou um ponto final no meu sofrimento e encerrou o marcador.

- Já foste, mana! - gritei à minha irmã. Com este resultado, o amigo dela que apostou 3-2 ganhava.

Já tinha saudades do Hélder, que já não vestia a camisola das Quinas há dois anos. Apesar do seu desempenho irregular, sempre foi um dos meus jogadores preferidos.

E pronto. Esta dupla jornada terminou connosco em segundo lugar, com seis pontos ganhos, seis golos marcados e dois sofridos. Não estava à espera que estes jogos corressem assim tão bem.

A verdade é esta: Paulo Bento conseguiu em pouco mais de duas semanas ao leme da Selecção feitos que Queiroz não conseguiu realizar em dois anos. Conseguiu pôr Ronaldo a jogar ao seu melhor nível e a marcar golos pela Turma das Quinas (em dois jogos marcou o mesmo número de golos que marcara em dois anos e um deles foi de penalti, num particular); pôs a Selecção a golear quando na anterior qualificação passaram-se´vários jogos sem gritar "GOLO!". Segundo os jornais, Bento não complicou, pôs os marmanjos a jogar nas suas posições habituais e os resultados estão à vista.

Pelos vistos, a saída de Carlos Queiroz e a entrada de cena de Paulo Bento foram cruciais. E não consigo evitar um sentimento de culpa ao escrever isto, ao acreditar que as decisões de Queiroz nem sempre foram benéficas, quando há nem quanto tempo quanto isso, conservava intacta a minha lealdade ao ex-Seleccionador, apesar de metade do País vociferar contra ele.

Não adianta estar a remoer o assunto. Passado é passado. Queiroz fez o melhor que poda, ainda deu bastante à Selecção, cometeu erros como qualquer um (começando por não ter tido tento na língua quando devia ter tido), agora Bento está no seu lugar. Desejo o melhor ao Professor, mas agora Bento é o Seleccionador e, enquanto o for, pode contar com o meu apoio incondicional. Ponto final.

Paulo Bento havia dito que, depois de ganharmos à Islândia, passaríamos a respirar melhor. De facto, sinto-me como se tivéssemos sido desentubados, como se tivéssemos renascido. O país dos vulcões assistiu mesmo à erupção portuguesa, mas só a parte dela, que a erupção começou no Estádio do Dragão. Estamos de volta!

O próximo jogo oficial é daqui a oito meses, frente à Noruega. É muito tempo, muita coisa poderá acontecer até lá. Podemos saborear o renascer na Selecção durante mais um bocado. No dia 17 de Novembro teremos um jogo particular com a Espanha, nossa parceira de candidatura à organização do Mundial, no Estádio da Luz. Espero que se realizem mais alguns particulares em Fevereiro e Março, que sete meses sem Selecção é demais...

Como prometi, nos próximos dias vou montar o tal vídeo de recomeço. Tenciono começara a trabalhar nele ainda hoje. Assim que estiver pronto, colocá-lo-ei aqui no blogue e também no YouTube. A música que utilizarei como banda sonora encontra-se na playlist que recentemente adicionei ao blogue. Não sei se terei problemas com os direitos de autor, mas, para prevenir isso mesmo, farei um duplicado do vídeo com a versão instrumental da música.

A maneira como me surgiu a ideia de fazer este vídeo é curiosa. No dia (ou dias, não me lembro bem) que se seguiu à nossa expulsão do Mundial, estava a ouvir esta música e percebi que a letra se aplicava à situação da Selecção.

Com este vídeo tenciono transmitir uma mensagem que não passa da adaptação da mensagem da música à Selecção Nacional: existem e sempre existirão inúmeros cépticos tentando incutir-nos o seu pessimismo, mas a verdade é que não poderemos ganhar todos os jogos, haverá alturas em que estaremos muito perto de perder a fé. Contudo, há-que continuar a acreditar, a apoiar, a lutar e, mais cedo ou mais tarde, a Selecção recompensar-nos-á.

Foi o que aconteceu agora, nesta última semana. Com toda aquela confusão e os consequentes tropeções no apuramento, frente ao Chipre e à Noruega, quase acreditei que não sairíamos dessa. Mais obriguei-me a continuar a apoiar e agora a Selecção renasceu, voltou a levantar voo. Agora que retomámos a escalada, que estamos de novo a voar, nada nem ninguém nos fará cair de novo, nada nem ninguém nos vai parar!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Portugal 3 Dinamarca 1 - A melhor estreia possível

Na Sexta-feira, Portugal recebeu em casa, no Estádio do Dragão, a Selecção Dinamarquesa. Dois golos de Nani, um auto-golo de Ricardo Carvalho e um golo de Cristiano Ronaldo fizeram o resultado: 3-1.

Ainda mal acredito que ganhámos e, sobretudo, que jogámos tão bem. Não estava nada à espera - podem confirmá-lo lendo as entradas anteriores.

Perdoem-me a falta de fair-play mas os dinamarqueses mereceram esta sova. Há muito que andavam a pedi-las. A vingança é tão doce...

Conforme já tinha previsto, acompanhei o jogo via rádio, ora com o meu leitor de MP3 (acho que foi a primeira vez que o usei para ouvir rádio desde o Mundial), ora com o auto-rádio. Acho que lhe tomei o gosto. O entusiasmo com que os locutores da rádio relatam o jogo quase compensa a falta de imagem.

Notou-se que os marmanjos tinham entrado com garra, atacando várias vezes. Mesmo assim, continuava nervosa; agarrava o meu velho boné no meu colo, como outras pessoas agarrariam um terço.

O golo de Nani foi um alívio. Depois do primeiro golo ficaria tudo mais fácil, o adversário ressentir-se-ia, provavelmente viriam outros golos e a vitória ficaria consumada. Só não estava à espera que o segundo golo viesse tão depressa.

Foi muito engraçado. Nós, locutores incluídos, ainda festejávamos o primeiro golo. Na rádio, estavam a ler o marcador:

- Portugal...

- Um!

- Dinamarca...

- Gooooolooooo! Nani!


Eu e a minha irmã ficámos a olhar uma para a outra. Ainda pensámos que fosse ainda o primeiro golo, mas não era. O Nani voltara a marcar. Mais tarde, quando vi o golo, fiquei de queixo caído. Como diria o meu irmão, foi um golo bru-tal! Grande Nani!

A minha mãe acha graça aos mortais que ele costuma dar durante os festejos de um golo e eu expliquei-lhe que ela por ele ter praticado capoeira, no Real Sport Clube. Eu também gosto dos mortais. O Nani, realmente, está a tornar-se um jogador fantástico. Não consigo deixar de pensar que, caso ele não se tivesse lesionado. o Mundial teria corrido de maneira diferente.

Confesso que, durante algum tempo, não prestei muita atenção ao relato. A vitória parecia mais ou menos garantida, não estava a ver que equipa não se ressentia de dois golos seguidos. Os dinamarqueses ressentiram-se.

- A Dinamarca ainda nem acredita no que lhe aconteceu - disse um dos locutores, pouco depois dos golos.

- Nem eu! - exclamei.

- 'Tou a gostar do Paulo Bento - disse a minha irmã.

Com o golo da Dinamarca é que comecei a ver a vida a andar para trás. Apesar de os dinamarqueses não andarem a fazer muito pela vida, duvido que houvesse uma alminha portuguesa que fosse que não se recordasse do desaire de Alvalade, há dois anos.

É o nosso destino! Mesmo fazendo um jogão daqueles, não há jogo oficial da Selecção sem um bocadinho que seja de sofrimento!

Em todo o caso, o golo de Cristiano Ronaldo acabou com o nervosismo, O madeirense também andava a pedi-las, pois estava a fazer uma exibição fenomenal. Rematou onze vezes! Esperemos que jogue sempre assim a partir de agora e que mais ninguém volte a duvidar da sua dedicação à Selecção.

Findo o jogo, houve ainda tempo para ouvir as reacções dos jogadores e do treinador. Todos bateram na mesma tecla:

- A vitória não servirá de muito se não ganharmos à Islândia.

A Islândia não é um adversário tão temivel quanto era a Dinamarma, mas, hoje em dia, isso não quer dizer nada. Mesmo que sejamos teoricamente superiores, o frio joga contra nós. Tendo este factor em conta, não me admira que tenham confinados os jogos de qualificação aos meses mais quentes.

Bem, eles vão ter de se desenrascar, se querem continuar na luta. Se isso acontecer, se conquistarmos mais três pontos, para além de consumarmos a entrada numa boa fase, continuaremos a depender de nós próprios para nos qualificarmos para o Europeu. E, realmente, seria mau demais deitarmos tudo a perder, depois de esta vitória me ter deixado tão feliz.
Um aparte só para dizer que achei piada à frase que usaram na Antena 1 para publicitar a transmissão do jogo:
- O país dos vulcões vai assistir à erupção portuguesa.

Como já mencionei anteriormente, dadas todas aquelas coisas que jogavam contra nós e que listei no fim da última entrada, não esperava um jogo destes. Que é capaz de ter sido o melhor dos últimos tempos. Paulo Bento não poderia ter pedido melhor estreia como Seleccionador Nacional. Apesar de nada ainda estar garantido, senti-me tão feliz naquela noite! Foi tão bom a Selecção voltar a dar-nos alegrias, quando pensei não voltar a tê-las tão cedo. Foi bom termos um motivo que fosse para nos orgulharmos de sermos portugueses, numa altura em que atravessamos uma fase bem complicada ( e complicada é eufemismo), nem fosse só por umas horas.

Agora que estou mais sóbria, só espero que esta alegria não seja a única, que ainda haja muito golo para comemorar, muita vitória para celebrar. Que o jogo de Sexta-feira seja a regra e não a excepção. Tal só é possível se ganharmos na Terça-feira. Eu acredito na Selecção. Mais cedo ou mais tarde, os marmanjos dão-me sempre um motivo para os apoiar incondicionalmente como os apoio. Na Sexta-feira esta regra voltou a ser cumprida e por isso agradeço-lhes do fundo do coração. Agora, cumpram-na mais uma vez no terreno da Islândia!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Bom ambiente agora... e depois?

Estamos a menos de vinte e quatro horas do encontro, a realizar no Estádio do Dragão, que oporá a Selecção Portuguesa à sua congénere dinamarquesa. O jogo realizar-se-à às 20h45 e será transmitido pela RTP.

Eu não percebo qual foi a ideia de terem mudado os jogos da Selecção para as Sextas-feiras. Como geralmente vou de fim-de-semana precisamente àquela hora, não me dá jeito nenhum! Só devo conseguir ver a primeira parte do jogo, depois terei de ouvir o relato na rádio. O que vale é que, depois de amanhã, só haverá novo jogo oficial em Junho do próximo ano - algo que ainda me causa imensa confusão (sete meses sem jogos oficiais da Selecção?!?!?), mas deve dar jeito para Bento se adaptar.

Conforme já foi realçado anteriormente, a único desfecho aceitável se se aspira a um lugar na fase final do Campeonato Europeu a realizar na Polónia e na Ucrância é uma vitória. Paulo Bento, o Seleccionador Nacional, na Conferência de Imprensa de antevisão ao jogo admitiu a pressão, mas garante que os jogadores estão motivados para dar a volta ao texto, dizendo ainda que o encontro de amanhã representa uma "oportunidade extraórdinária" para os adeptos fazerem as pazes com a Selecção.

Aparentemente, os adeptos já começaram a fazer as pazes com a Equipa de Todos Nós. No treino aberto da última Terça-feira, realizado em Óbidos, o primeiro treino com Paulo Bento ao leme da Selecção, formou-se uma autêntica moldura humara, com os jogadores e treinador a serem acarinhados pelos adeptos. Segundo algumas pessoas, há dois anos que não se via tanta gente num treino da Selecção (Sem comentários... Passado é passado). É bom sinal. Creio que as pessoas estão um pouco como eu, querem reconciliar-se com os marmanjos, querem voltar a sentir aquela emoção que, há ainda bem pouco tempo, andava de mãos dadas com um jogo da Selecção.

Entretanto, José Mourinho enviou uma mensagem de apoio à Selecção Nacional, mensagem essa que pode ser lida na íntegra neste link: http://desporto.sapo.pt/futebol/portugueses_em_destaque/mourinho/artigo/2010/10/05/a_mensagem_de_mourinho.html . Realmente, não há muito mais a dizer, apenas que o Mourinho é um grande homem, um homem ainda melhor do que eu julgava, mesmo quando o elogiei aqui no blogue, pouco antes de esta mensagem ter vindo a público. E pensar que ainda há poucos anos o odiava, quando ele vê a Selecção de uma forma muito parecida com a minha (podem confirmá-lo lendo outras entradas do meu blogue). Pode haver quem diga que o que ele quer é protagonismo ou algo do género, mas eu não me importo. Na minha opinião, vale mais uma boa acção com más intenções do que boas intenções e nenhuma acção ou uma má acção. O Mourinho não precisava de se ter dado ao trabalho de escrever a carta, mas a Selecção pode vir a benifiicar imenso com aquelas palavras. Ah, grande Mourinho!

Pois é, o ambiente em torno da Selecção parece positivo. Esperemos que continue assim depois do jogo com a Dinamarca. E tal só acontecerá se, obviamente, ganharmos.

Do lado dos dinamarqueses, o favoritismo é atribuído a nós, embora também atirem uma ou outra provocação. Parece que é mesmo típico deles, já no ano passado fizeram o mesmo... Já não me lembro de quem lançou estas, penso que foi um jogador. Supostamente, "Kjaer comerá Ronaldo vivo". Como se o Ronaldo fosse o único de quem eles deviam ter medo... A outra foi pior: " Vamos ganhar-lhes 4-0 e prosseguir o bom arranque na qualificação". Eu quando li isto bati três vezes na madeira... Nas actuais circunstâncias, não me parece um resultado tão improvável quanto isso (já viram que chegámos ao ponto de uma goleada sofrida ser considerado um resultado expectável?). Só espero é que toda esta confiança se revele excessiva e que tal acabe por jogar contra eles.

A Selecção acabou de trocar de Seleccionador, este só teve três ou quatro treinos com a equipa, estamos na terceira jornada de uma fase de qualificação de oito jornadas com um ponto apenas, há dez anos que não ganhamos ao adversário de amanhã, da última vez que os recebemos fomos derrotados por 3-2. Ninguém o pode negar, será extremamente difícil ganharmos, quase um milagre. Contudo, tendo em conta aquilo que referi acima, estou um bocadinho mais confiante. Não muito mais, mesmo assim. De qualquer forma, como é habitual, só deixarei de acreditar quando o árbitro apitar para assinalar o final da partida. Se ganharmos este e o jogo da próxima Terça-feira, consumaremos certamente a reconciliação do povo com a sua Selecção. E, se tal acontecer, montarei e colocarei na Internet o tal vídeo de recomeço que havia prometido no final do Mundial. Era para enviá-lo para o YouTube durante o Verão, só que o computador em que monto os vídeos estava avariado e também, com aquela confusão toda do Queiroz, não me parecia a altura certa. Mas fica aqui a promessa de um vídeo, bem como a promessa de apoio incondicional. Agora os marmanjos que façam a sua parte.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Entre a espada e a parede

Na Sexta-feira passada, dia 1 de Outubro, o novo Seleccionador Nacional de Portugal, Paulo Bento, de 41 anos de idade, apresentou a sua primeira Convocatória para a Selecção (na RTP, um dos títulos que usaram para esta notícia foi "Primeira Escolha" e eu achei graça ao trocadilho). Eis os Escolhidos:

Atlético Madrid: Tiago;
Benfica: Carlos Martins e Fábio Coentrão;
FC Porto: Beto, João Moutinho, Rolando e Varela;
FC Zenit: Bruno Alves e Danny;
Génova CF: Eduardo e Miguel Veloso;
Liverpool FC: Raul Meireles;
Manchester United FC: Nani;
Real Madrid CF: Cristiano Ronaldo, Pepe e Ricardo Carvalho;
SC Braga: Sílvio;
Sporting: Hélder Postiga, João Pereira, Liedson e Rui Patrício;
Toulouse FC: Paulo Machado;
Werder Bremen: Hugo Almeida.


A Selecção Nacional enfrenta, na próxima Sexta-feira, às 20h45, no Estádio do Dragão, a sua congénere dinamarquesa. Quatro dias depois, defronta a Islândia, ainda não sei a que horas. E, neste momento, se aspiramos a um lugar no Europeu de 2012, temos três escolhas: ganhamos, ou ganhamos, ou então... ganhamos.

Anteriormente não tive oportunidade para comentar aqui no blogue o processo de substituição de Carlos Queiroz. Já se passaram algumas semanas, mas ainda não percebi qual foi a ideia de irem pedir a José Mourinho para vir fazer um part-time durante uma jornada dupla, sentando-se no banco do Seleccionador. O momento em que li a notícia num rodapé de "Última Hora" foi, como diz um amigo meu, um "momento WTF?!?!". Será que Gilberto Madaíl acreditava realmente que conseguiria alugar o Mourinho por cerca de dez dias? Só penso na figura que devemos ter feito perante o resto do mundo futebolístico... E eu, que durante o Mundial fazia troça dos franceses... Para não falar da Candidatura Ibérica ao Mundial, que, com toda esta confusão, já deve ter ido ao ar.

Por outro lado, devo dizer que, no meio desta história toda, o Mourinho subiu consideravelmente na minha consideração. Foi uma lufada de ar fresco encontrar, no meio de uma novela provocada por gente que se esteve nas tintas para o bem-estar da Selecção, alguém disposto a ajudar a Turma das Quinas sem receber nada em troca. O melhor treinador do Mundo pode ter muitos defeitos, mas foi o único homem totalmente íntegro neste processo, mesmo que a sua potencial ajuda à Selecção fosse uma esmola.

Falhada a vinda de Mourinho, a Federação voltou-se para Paulo Bento, que já havia sido o primeiro nome a ser avançado mal Queiroz foi despedido. Pareceu-me uma boa escolha. A sua personalidade forte, a sua coragem e firmeza podem dar muito à Selecção, que, depois desta história toda, precisa de uma boa dose de dranguilidade (eu sei que toda a gente já disse esta piada, mas eu não resisto...). O único senão que me ocorre é a sua pouca experiência, mas, no geral, considero uma boa escolha, mesmo que tenha sido uma segunda escolha. Agora que é o Seleccionador, Paulo Bento conta com o meu apoio incondicional. Bem-vindo à Selecção!

O pior é que as mazelas que o caso deixou na Selecção ainda estão longe de ser curadas. O apuramento para o Europeu de 2012 equilibra-se num trapézio sem rede, mais uma escorregadela e vai tudo por água abaixo. Neste momento, tudo o que eu quero é que ganhemos estes dois jogos, mas, sinceramente, as hipóteses de tal acontecer são microscópicas. Temos um Seleccionador novo, que só se vai reunir pela primeira vez com os jogadores dentro de vinte e quatro horas, apenas três dias antes do jogo com a Dinamarca - um adversário que, já na última fase de qualificação, nos complicou a vida à grande e à dinamarquesa. E já li hoje que só será possível treinar a sério na Quarta-feira, para não desgastar fisicamente os jogadores.

No outro dia (julgo que foi na noite de Sábado para Domingo), sonhei que o Paulo Bento estava em minha casa e desabafava comigo:

- Estou metido entre a espada e a parede - dizia ele - Só vou ter três ou quatro dias para preparar a Selecção para jogar frente a um dos nossos adversários directos. Não 'tou a ver como é que vamos conseguir ganhar...

Eu bem queria animá-lo, encorajá-lo, mas não conseguia.

Quero tanto que a Selecção ultrapasse esta situação. Quero tanto voltar a ter uma fé quase cega naqueles homens, voltar a sentir um vibrante entusiasmo com a proximidade de um jogo... O jogo com a Dinamarca é daqui a quatro dias e eu não sinto nada... Por isso, só peço a Paulo Bento, aos Marmanjos e, de caminho, a tudo o que é entidade sobrenatural, que ganhemos estes dois jogos e que a Selecção volte de novo ao bom caminho.

P.S. Entretanto, Queiroz e Deco têm andado a trocar "mimos" via Comunicação Social, "mimos" esses que não tenho pachorra para repetir. Como ambos são "ex" da Selecção, tais declarações já pouco me afectam, apenas me deixam triste. Fui tão ingénua ao pensar que, na altura do Mundial, havia bom ambiente na Selecção...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Adeus, Professor

Ontem, após quatro horas de reunião, Gilberto Madaíl pegou no telefone, ligou a Carlos Queiroz e anunciou-lhe que este não seria mais Seleccionador Nacional. Espera-se que este seja o fim, ou pelo menos o princípio do fim desta novela que já dura há tempo de mais. Entretanto, irão também ocorrer eleições antecipadas na Federação Portuguesa de Futebol.

Era o que toda a gente desejava (incluindo eu) e que toda a gente sabia que ia acabar por acontecer. O próximo capítulo será a escolha de um novo Seleccionador. Mencionam-se vários nomes, mas até agora nenhum foi confirmado.

Na minha opinião, esta decisão peca por tardia. Pode, aliás, ter sido tarde de mais. Teria sido bem melhor se o Professor tivesse sido demitido imediatamente depois do Mundial. Apesar de eu considerar que não teria sido justo, visto que o Campeonato do Mundo não foi tão mau como alguns pintam - só perdemos com a selecção que acabou por ser campeã, pela margem mínima, com um golo de legalidade discutível; se nos tivesse calhado outro adversário nos oitavos-de-final, a história poderia ter sido diferente. Eu protestaria na altura, mas, como já disse na entrada anterior, pior do que o que estamos a viver, seria difícil. Teria havido tempo para contratar um novo técnico, para este ter feito meia dúzia de treinos com a Selecção, talvez um jogo particular em meados de Agosto. E talvez não teríamos perdido cinco pontos na primeira jornada dupla da qualificação para o Europeu de 2012. Mas não. Foi preciso invocar ofensas ao Controlo Anti-Dopping, uma entrevista infeliz ao Expresso, prolongar a trapalhada até a situação se tornar insustentável, até toda a gente suplicar pelo fim da novela, com jogadores a sair e cinco pontos a voar pelo meio, para a Federação tomar uma decisão. Mais uma vez, obrigada!

Entretanto, já o Miguel veio anunciar que ia fugir, perdão, sair da Selecção. Sem comentários...

Agora, terão de escolher um novo Seleccionador. Não sei quem será o masoquista que reparar uma Selecção esmigalhada, tendo, talvez, de colar os cacos um a um, já em risco de ver o Europeu pela televisão. Se ficarmos fora da corrida, ele é que terá de lidar com as críticas quando a culpa nem sequer é dele, ou não totalmente dele. Em todo o caso, seja ele quem for, goste dele ou não, concorde com a sua contratação ou não, contará com o meu apoio incondicional. Tal como o Professor contou.

Quero, desde já, agradecer a Queiroz. Apesar de todos os erros que cometeu, que lhe custaram o cargo de Seleccionador, quero agradecer-lhe por ter tomado conta da Selecção, pelos bons momentos que me proporcionou através dela, por aturar tanto ataque, tanta crítica, em nome da Selecção. Obrigada, Professor. Apesar de tudo, obrigada.

Espero agora que esta novela termine rapidamente e que a Selecção Nacional regresse ao bom caminho. Isso inclui qualificarmo-nos para o Europeu.
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