quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Alta para manter

Primeira entrada de 2011! Bom ano a todos! A Selecção Portuguesa de Futebol enfrenta a sua congénere Argentina, hoje à noite, às 20 horas de Portugal Continental, no Estádio de Genebra, na Suiça, num jogo de carácter particular, preparatório dos próximos desafios da Qualificação para o Europeu de 2012.

Os Convocados foram anunciados na passada Quinta-feira, dia 3 de Fevereiro, numa Conferência de Imprensa que incluiu uma homenagem a Eusébio da Silva Ferreira, que completou recentemente sessenta e nove Outonos e cinquenta Verões desde a sua chegada a Portugal. O eterno Pantera Negra, o eterno Rei, que, conforme disse Gilberto Madaíl, "lançou o nome de Portugal por este mundo fora", isto numa época em que o Mundo apenas dava os primeiros passos na jornada de se tornar uma Aldeia Global e os jogadores de futebol, nem mesmo as sensações como Eusébio, ainda não ganhavam os salários astronómicos que alguns ganham hoje. Ele é o exemplo vivo do amor à camisola "de Portugal e do seu clube", que ainda não diminuiu passados cinquenta anos. Já não há jogadores assim! E dificilmente voltará a haver!

Que fique connosco por mais cinquenta anos!

Os jogadores Escolhidos não constituem grande surpresa no geral. Já se sabe que "em equipa que ganha, não se mexe", muito menos depois de a dita equipa pespegar quatro golos sem resposta à actual campeã do Mundo e da Europa...

Outro tema abordado na Conferência foi o problema dos estatutos da Federação ou coisa assim, não percebo muito bem do que se trata... Mas parece que, se aquilo dá para o torto, a Selecção deixa de poder competir (?!). Paulo Bento exprimiu o desejo de que esta polémica não afectasse os jogadores, desejo que eu subscrevo.

De resto, os dirigentes da Federação já perderam a minha confiança há muito, desde o caso Queiroz. Com esta, desceram ainda mais na minha consideração e já vão a uma grande profundidade. Por outro lado, nunca acreditei muito nos dirigentes - futebolísticos e não só... - em geral, sempre os considerei corruptos, incompetentes, mais interessados no dinheiro e no prestígio do que em fazer o seu trabalho. Embora não saiba explicar exactamente porquê, sempre achei os jogadores mais íntegros, mas sei perfeitamente que nem todos são assim. Sei que vai haver eleições na Federação em breve, mas (a expressão que tenho na cabeça pode ser considerada ofensiva, por isso, optarei por uma versão atenuada ) estou-me nas tintas. Desde que não afecte a Selecção Nacional, eles bem podem matar-se uns aos outros, eu não quero saber. Eles que não se atrevam a prejudicar a Selecção outra vez!

Segundo Paulo Bento, os objectivos da Selecção para este jogo são "ganhar e jogar bem". O Seleccionador Nacional não tenciona quebrar o seu registo de 100% de vitórias, como é natural. Como afirmou Quaresma, a Selecção encontra-se "em alta", neste momento - é capaz de ser a única instituição do país que se encontra em alta... Toda a gente quer ver este bom momento da Selecção prolongar-se o mais possível. Haverá, além disso, certamente, quem sonhe com uma vitória semelhante à nossa última, frente à Espanha. Eu acho difícil tal feito repetir-se, foi um caso muito especial, mas é óbvio que acredito na vitória. 

O jogo realizar-se-à, como já referi acima, no Estádio de Genebra, precisamente a mesma arena em que enfrentámos a República Checa, no Euro 2008, vencendo-a por três bolas a uma. Parece que foi há tanto tempo... Quaresma e Ronaldo marcaram dois dos golos e o primeiro afirmou que esperava voltar a marcar em Genebra. A mim não me interessa muito quem é que marca os golos, desde que os marque na baliza da Argentina. Também espero que o jogo, que começa daqui a pouco mais de uma hora, seja tão emocionante como foi o nosso segundo desafio do Europeu de 2008. 

Uma grande contribuição para tal emoção será, certamente, o tão apregoado duelo Ronaldo vs Messi. Paulo Bento bem pode afirmar que não encara o jogo de hoje dessa forma, mas não há como fugir da dualidade Ronaldo/Messi. Embora tal possa não ser bem assim dentro das quatro linhas, fora delas, este embate é o órgão propulsor deste particular.  Foi ele que fez com que oitenta e oito televisões, em todos os continentes, nos mais diversos fusos horários, tenham adquirido os direitos de transmissão do jogo. Foi ele que fez com que os bilhetes se esgotassem, apesar da crise e dos preços não muito acessíveis.

E daí não necessariamente, pelo menos em relação a este último ponto. Já se sabe que, onde quer que esteja, a Selecção joga sempre em casa. Mas mesmo assim...

OK, OK, já que insistem... Já perguntaram isto a toda a gente, desde José Mourinho até ao empregado do café da esquina, havia de chegar a minha vez... Prefiro o Ronaldo, porque é português e tenho seguido, mais ou menos atentamente, e admirado-o desde os seus tempos no Sporting. 

Mas como estava a dizer, onde quer que jogue, existe invariavelmente uma comunidade portuguesa, mais do que disposta a apaparicar os Marmanjos. Já não é novidade. No treino da Selecção, na última Segunda-feira, compareceram 3000. No jornal Record compararam o ambiente ao de um concerto de rock. Achei graça, porque sempre considerei os jogos de futebol semelhantes a concertos dos nossos cantores/bandas preferidos. É exponencialmente mais emocionante assistir ao vivo do que apenas vendo na televisão ou ouvindo no leitor de MP3. O público desempenha sempre um papel importante. São ambas experiências inesquecíveis. Pelo menos para mim.

Desta vez, não posso assistir ao vivo. Não tenho podido assistir ao vivo a um jogo de futebol há mais de três anos... Mas espero sinceramente que o jogo, que começa daqui a pouco mais de meia hora, seja uma experiência inesquecível. Pelas melhores razões. Não só pelo Ronaldo vs Messi, mas por ser um embate entre duas Selecções de alto nível. Por manter a boa fase que a Selecção Portuguesa atravessa neste momento. Força Portugal!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Selecção 2010



Mais um ano encontra-se à beira do fim, mais um ano encontra-se à beira do início. É costume as pessoas reflectirem sobre os acontecimentos mais marcantes dos últimos doze meses e tentarem prever o que acontecerá nos próximos doze. No que toca à Selecção Nacional, este foi um ano de altos e baixos, alguns muito altos, alguns muito baixos. Há um ano atrás eu não imaginava, nem nos meus mais delirantes sonhos, que a nossa Selecção passasse por tais coisas, que fizesse tais coisas.

Comecemos pelo primeiro jogo do ano, um particular de preparação para o Mundial, frente à China, realizado em Coimbra, no dia 3 de Março. Por esta altura, já tinha estalado a polémica devido a uma alegada troca de agressões entre Carlos Queiroz e Jorge Baptista, no dia do sorteio da fase que qualificação do Euro 2012. Um episódio desagradável, mas hoje parece uma ninharia quando comparado com o que aconteceu no Verão.

O jogo representava a "última oportunidade de contactar com os jogadores antes da Convocatória Final". Servia ainda para preparar o embate com a Coreia do Norte. A Convocatória para este encontro causou polémica por não incluir nenhum jogador do Benfica, equipa que, semanas mais tarde, sagrar-se-ia campeã. Portugal venceu a China por duas bolas a zero, golos de Hugo Almeida e João Moutinho.

Um aparte só para observar que o Hugo marcou não só o primeiro golo da Selecção no ano de 2010 mas também marcou o último do ano. Parece mesmo que ele foi o maior marcador deste ano, tendo feito um total de seis bolas cruzar a linha de baliza. Quando marcou frente à China, eu desejei que o fosse o primeiro golo de muitos. E, de facto, marcou-se bastante este ano.

Voltando ao particular, foi um jogo mediano. Manifestaram-se os problemas na finalização que haviam marcado a fase de qualificação. O rendimento da equipa ressentiu-se das substituições ao intervalo. A segunda parte foi ainda marcada pelos assobios dos adeptos, desagradados com a fraca exibição.

Os Convocados foram Anunciados em Maio. Poucos dias antes, Queiroz havia dado uma entrevista a "A Bola". Aqui disse, entre outras coisas que "o padrão de continuidade é o único que dá mais hipóteses a uma Selecção como Portugal de se intrometer entre os grandes" - o que hoje é irónico visto que, depois de trocarmos de Seleccionador, demos quatro à Campeã Europeia e Mundial.

Mas, voltando à Convocatória, esta foi anunciada com pompa e circunstância - que hoje, que sabemos que a nossa participação no Mundial deixou muito a desejar, parece ridícula. O Estágio na Covilhã começaria alguns dias mais tarde. Enquanto este decorria, eu julgava que tudo corria bem, que o ambiente na Selecção e a relação entre jogadores e treinador era positiva - hoje sei que não foi bem assim. Foi também durante o Estágio que se deu o incidente que, depois do Mundial, desencadearia uma série de acontecimentos que culminariam no despedimento de Carlos Queiroz.

No dia 24 de Maio, poucos dias depois do início do Estágio, numa altura em que o grupo ainda não se encontrava completo, Portugal recebeu a Selecção Cabo-Verdiana, no primeiro de três particulares com equipas africanas que visavam a preparação do embate com a Costa do Marfim. Foi um jogo fraquinho, que terminou com o marcador por abrir. Nani e Fábio Coentrão foram os poucos com um desempenho positivo. Jogadores e Seleccionador invocaram o pouco tempo de estágio e a "falta de frescura física" como desculpas, perdão, razões para a má exibição, garantindo no entanto que "a partir de agora é a sério".

E, de facto, o particular que se seguiu, frente aos Camarões, no dia 1 de Junho, foi significativamente melhor do que o anterior. A Selecção venceu por três bolas a uma. Marcou o fim do Estágio na Covilhã.

Uma semana mais tarde, já na África do Sul, a Selecção Nacional venceu a sua congénere moçambicana por três bolas sem resposta, num dia marcado pelo regresso de Nani a casa, por lesão. Este regresso causou polémica e ainda hoje não consigo perceber porquê. Carlos Queiroz tinha deixado bem claro  que fora "o caso mais difícil que tiver de gerir do ponto de vista humano", que "A entrega e a obstinação que ele mostrou para disputar o Mundial foram uma das maiores provas de profissionalismo a que já assisti" e que "o Nani é um exemplo para todos". Quer dizer, quem seria idiota ao ponto de abdicar de tal jogador sem uma fortíssima razão? Não percebo, realmente...

E, como já referi antes, não consigo evitar pensar que o Mundial poderia ter corrido de maneira diferente se o Nani tivesse estado lá.

Portugal estreou-se no Mundial uma semana depois, frente à Costa do Marfim, no dia 15. O jogo terminou sem que o marcador abrisse. As opiniões sobre se este resultado era positivo ou negativo para a Selecção dividiram-se. Este jogo ficou ainda marcado pelas polémicas declarações de Deco, que abalaram ainda mais a já fragilizada credibilidade do Seleccionador.

No dia 21 de Junho, a Selecção Nacional entrou em campo com a Coreia do Norte, no Estádio da Cidade do Cabo. Até àquele momento, nenhuma Selecção havia triunfado naquele estádio. Esperava-se que Portugal, um pouco à semelhança do que Bartolomeu Dias havia feito, fosse de novo o primeiro a dobrar o Cabo das Tormentas, transformando-o em Cabo da Boa Esperança.

E foi o que aconteceu. A Selecção Portuguesa venceu a Norte-coreana por sete bolas sem resposta. Os marmanjos jogaram com mais garra, coragem, determinação, alegria e com muito menos medo, como não jogavam há muito e como só voltariam a jogar em Outubro. Todos os jogadores estiveram bem, com destaque para Tiago. Esperava-se que esta vitória representasse o ponto de viragem.

Não foi bem isso o que aconteceu. No dia 25 de Junho, a Selecção defrontou a sua congénere brasileira. Tratava-se de um jogo praticamente a feijões, praticamente só para disputar os dois primeiros lugares do grupo. Como tal, foi um jogo morno, sem golos. O Brasil ficou em primeiro lugar e Portugal ficou em segundo. Nesse dia descobrimos ainda que nos oitavos-de-final, no dia 29 de Junho, defrontaríamos nuestros hermanos espanhóis.

O jogo até começou bem, a primeira parte foi muito equilibrada. Ao intervalo, Queiroz optou por tirar Hugo Almeida. Tal decisão causou polémica, pensa-se que a saída do ponta-de-lança terá resultado no golo espanhol. "O coração parou de bater aos 63 minutos..." Portugal ressentiu-se, não conseguiu anular a desvantagem, o jogo acabou e a Selecção foi expulsa do Mundial.

No fim do jogo, Eduardo chorava. Ele, talvez mais do que qualquer outro, merecia mais. Cristiano Ronaldo não ajudou. As suas polémicas palavras "Perguntem ao Queiroz", bem como o "Assim não ganhamos, Carlos!" que terá atirado ao Professor aquando do golo espanhol foram duas das muitas pedras posteriormente atiradas ao Seleccionador. Metade do país exigia a sua demissão. Por sua vez, Queiroz, longe de abdicar do cargo, afirmou que "vamos continuar com a cabeça erguida" e de da próxima vez voltaríamos "mais fortes e mais competitivos". Na altura concordava com ele, achava que o seu afastamento pouco ou nenhum benefício traria à Selecção.

Mas agora, tendo em conta tudo o que aconteceu depois, talvez tivesse sido melhor. Qualquer coisa teria sido melhor do que o que aconteceu depois.

Eu nem quero recordar os pormenores todos. Aquele foi, sem dúvida, a pior fase por que a Selecção passou desde que me lembro. Parece que foi mesmo a pior de sempre. A polémica arrastou-se durante quase todo o Verão, sem solução à vista, ou melhor, sem que ninguém se esforçasse por encontrar uma solução. Quase nenhum dos jogadores veio defender o Seleccionador, Paulo Ferreira, Simão e Miguel até escolheram aquele momento para fugirem, perdão, saírem da Selecção. O que era mais do que esclarecedor em relação ao ambiente entre jogadores e treinador. Ninguém parecia ter noção dos danos que aquilo estava a provocar à Equipa de Todos Nós, ninguém fazia o mínimo esforço para resolver de vez aquela confusão. A Selecção ia sendo destruída aos poucos e ninguém via, ninguém mexia um dedo para o impedir. Gilberto Madaíl foi ao extremo de opinar, a poucos dias do primeiro jogo de qualificação para o Campeonato da Europa de 2012, que nada daquilo afectaria a equipa, que os marmanjos sabiam "jogar em piloto automático". Se todos os pilotos automáticos fossem como aquele, haveria acidentes aéreos todos os dias...

Para mim não foi, portanto, surpresa que a jornada dupla tivesse terminado com um empate e uma derrota, cinco golos sofridos, cinco pontos perdidos. A qualificação equilibrava-se num trapézio sem rede e acabara de começar. A situação havia conseguido minar a confiança dos jogadores, minar a defesa que pouco tempo antes era o nosso maior ponto forte.

A situação chegara a um ponto em que a única solução era correr com Queiroz. E foi o que aconteceu.

Quase imediatamente a seguir ao despedimento, já se falava de Paulo Bento como possível sucessor. Contudo, ainda houve tempo para Gilberto Madaíl fazer uma visita a Madrid e pedir a Mourinho que viesse orientar a Selecção Nacional apenas durante a seguinte dupla jornada de qualificação. Já dei voltas à cabeça mas as únicas palavras que encontro para descrever a situação são mesmo "WTF?!?!" ou "mas que raio...?!?!?". Realmente, não percebo em que raio estava o Presidente da Federação a pensar. Mourinho por sua vontade aceitaria a súplica, perdão, o convite sem cobrar nada, mas o Presidente do Real Madrid não deixou.

Madaíl teve então de voltar a Portugal e contratar Paulo Bento. Tal escolha revelou-se bastante consensual na opinião pública. Eu é que não estava a ver como poderíamos dar a volta ao texto. No primeiro treino da Selecção com Bento como Seleccionador Nacional, os adeptos foram assistir em força e mostraram ostensivamente o seu apoio. Mais do que nos dois anos anteriores, dizia-se. Não sei se acreditavam sinceramente do novo Técnico ou se queria apenas provocar o anterior...

Entretanto, mais ou menos nessa altura, a poucos dias do nosso terceiro jogo de qualificação, Mourinho enviou uma mensagem apelando à união em torno da Selecção e de Paulo Bento. Com esta e com a sua reacção ao convite disparatado de Gilberto Madaíl, o treinador do Real Madrid subiu consideravelmente na minha consideração. No meio de todos os corruptos por detrás do "caso Queiroz", José Mourinho era provavelmente a única pessoa íntegra, a única que colocou os interesses da Selecção à frente dos seus. E mesmo que tivesse sido só para se auto-promover, o que é certo é que o seu gesto beneficiou a Selecção e os gestos de outros apenas a atiraram ainda mais para o charco.

No dia 8 de Outubro, Portugal recebeu a Dinamarca no Estádio do Dragão e venceu-a por três bolas a uma. Dois golos seguidos de Nani, um auto-golo de Ricardo Carvalho e um de Cristiano Ronaldo. E a Selecção voltava a jogar com o entusiasmo e a alegria de antigamente. Paulo Bento não poderia ter pedido melhor estreia ao comando da Turma das Quinas.

No dia 12, Portugal foi à Islândia vencer pelo mesmo resultado. Cristiano Ronaldo, Raúl Meireles e Hélder Postiga marcaram os três golos da Selecção. A Equipa de Todos Nós parecia estar de regresso.

Tal voltou a confirmar-se um mês depois. No dia 17 de Novembro, houve um particular entre as duas Selecções Ibéricas, a propósito da Candidatura à Organização do Mundial de 2018. A Selecção Portuguesa venceu a actual Campeã da Europa e do Mundo por quatro golos sem resposta. Foi o melhor jogo da Selecção dos últimos anos, uma exibição perfeita. Parecia que estávamos a jogar contra uma equipa vulgar, não com a Campeã. Não ganhámos três pontos, ganhámos muito mais.

Em suma, a Selecção de 2010 esteve a milímetros de ir por água abaixo, mas conseguiu voltar a erguer-se, subiu, subiu e até deu quatro à Espanha. Termina o ano no melhor nível desde há séculos, deixando boas promessas para 2011.

Ainda não acredito que isto aconteceu, nunca me tinha passado pela cabeça que uma simples troca de Seleccionador tivesse tal efeito. Por mais cruel que me pareça, parece mesmo que a culpa era de Carlos Queiroz. Como diziam no Record, "onde com Queiroz havia medo, há agora segurança. Onde com Queiroz se inventava, há agora simplicidade. Onde com Queiroz se bocejava, há agora espectáculo. Onde com Queiroz era derrota certa" - ou empate, digo eu - "há agora sempre esperança". Cada vitória de Paulo Bento representa uma derrota para Queiroz. E por muitas voltas que dê ao texto, contra factos não há argumentos. Eis os factos: com Bento ao leme, a Selecção marcou dez golos em três jogos (e não jogámos propriamente com o Luxemburgo, longe disso!) e os Marmanjos voltaram a jogar alegres como o Waka Waka. 


Eu não consigo esquecer que Queiroz fez muito pela Selecção, fez-me acreditar na Selecção e a forma como foi despedido foi tudo menos justa. Mas a verdade é que a Selecção já não precisa dele. Quem me dera que ele tivesse saído logo a seguir ao Mundial para que recebesse a indemnização e tudo a que tinha direito de acordo com o contrato assinado e a qualificação nunca tivesse sido prejudicada. Mas a História escreve-se a tinta-da-china e não há maneira de alterá-la. Agradeço ao Professor tudo o que fez pela Selecção, desejo-lhe toda a sorte do Mundo e que encontre justiça, mas Carlos Queiroz já não faz falta.

Por outro lado, não sei se não terá sido o facto de termos afundado tanto, de termos empurrado tanto a mola até ao fundo que nos catapultou para a melhor fase em anos.

Temos já uns quantos particulares marcados. Um com a Argentina, dia 9 de Fevereiro, um com o Chile no dia 26 de Março e outro com a Finlândia no dia 29 do mesmo mês. Em Junho, a qualificação é retomada com a recepção à Noruega no Estádio da Luz.

É um dos meus desejos para 2011 que a boa fase que a Selecção actualmente atravessa tenha vindo para ficar. Tenho quase a certeza que pelo menos este se cumprirá. É uma das poucas coisas boas com que poderemos contar no ano que vem, no meio do IVA a 23%, dos salários cortados e da ameaça do FMI.

Desejo, portanto, a todos os leitores que consigam fazer frente às dificuldades que o Ano Novo trouxer consigo. Que a Selecção Nacional, a Turma das Quinas, a Equipa de Todos Nós seja, como já foi, este ano (pelo menos para mim), um motivo de alegria, algo que nos ajude a enfrentar a crise, algo que nos dê argumentos, por mais fúteis que sejam, para desejar a todos um Feliz Ano Novo!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Uma oportunidade como a nossa

Era para ter escrito há dias, mas faltou-me tempo e inspiração. Na Quinta-feira passada, a Rússia foi escolhida para organizar o Campeonato do Mundo em Futebol a realizar em 2018, ultrapassando outros candidatos: Inglaterra, Bélgica-e-Holanda e Portugal-e-Espanha.

Não consegui evitar ficar desiludida com este resultado. Tinha passado os últimos dias em pulgas, com uma vaga esperança de que nos escolhessem. Na Quinta, então, depois de ter apresentado um trabalho às dez da manhã, praticamente não pensei noutra coisa. Como estive o dia todo na Faculdade, não tinha acesso a uma televisão, o único meio que possuia para acompanhar a cerimónia era o meu leitor de MP3.

Já se sabia que, qualquer que fosse o vencedor, a escolha estaria envolvida em polémica. E não nos enganámos: já se fala de possíveis conversas secretas que Vladimir Putin terá tido com os membros do comité e os ingleses querem que se mude o método de escolha.

A votação decorreu entre a uma e as três horas da tarde de cá e durante esse intervalo de tempo estive quase sempre a fazer figas. De tal maneira que, nessa noite, quando estava a ver televisão, sem sequer pensar nisto, quando dei por mim tinha os dedos cruzados. Rezava constantemente, sem destinatário específico, por um resultado a nosso favor. "Portugal e Espanha... Vá lá... Nós temos História, temos prestígio, temos infraestruturas... O outro até disse que podíamos acolher um Mundial no mês que vem..." Nessa altura não o sabia, mas o facto de já termos prestígio e de já estarmos bem equipados, longe de nos ajudar, acabaria por jogar contra nós.

À medida que a hora prevista para o anúncio se aproximava, os meus nervos aumentavam a uma escala exponencial. Tinha aulas teóricas das duas às quatro, mas escusado será dizer que pouca atenção prestei, Que diabo, não é todos os dias que temos a possibilidade de vir a organizar um Mundial!

Quando faltavam quinze minuto para as três da tarde, liguei o rádio do meu leitor de MP3. Até às três, os locutores foram dando curiosidades tais como:


  • Tinham passado 4068 dias desde 11 de Outubro de 1999, dia em que soubemos que o Euro 2004 seria disputado no nosso País.
  • Este será o 21º Campeonato do Mundo
  • Em Zurique estavam presentes mil jornalistas e as câmaras de setenta cadeias de televisão.
Já na altura diziam para termos "cuidado com a Rússia", a "Candidatura Mistério" conforme apelidou Gilberto Madaíl. Confesso que só ao longo desse dia é que considerei a Rússia como uma adversária ameaçadora, tinha mais medo da Inlglaterra. A Bélgica-e-Holanda é que, supostamente, ficariam arrumadas logo deste início. Mas tudo podia acontecer... E afinal de contas, a Inglaterra acabou por ser despachada primeiro.


Muito comentada era a ausência de Vladimir Putin. Se isso afectaria de maneira positiva ou negativa a escolha. Pela parte que me tocava, não percebia o interesse daquilo. Não me parecia plausível que fossem escolher um determinado candidato só porque o Primeiro-Ministro estava presente ou ausente da cerimónia. E ainda acredito que não foi por isso que a Rússia ganhou.

Às três horas, estava à espera de ouvir o anúncio do vencedor a qualquer momento, mas aparentemente a cerimónia nem sequer havia começado. Os locutores da rádio diziam que as pessoas não se sentavam, apesar dos repetidos pedidos para que o fizessem.

Os minutos passavam e os meus nervos aumentavam. As minhas mãos tremiam, o meu estômago andava às voltas, eu mordia os nós dos dedos para não gritar. Os locutores diziam que este atraso não era normal e eu interrogava-me o que é que significaria? Seria bom ou mau? Significaria que a votação estava atrasada? Que não se conseguiam decidir? Nós ainda estaríamos em jogo? Ou já teríamos sido postos de parte?

"Por amor de Deus, despachem-se", rezava eu.

Para passar o tempo, a Antena1 ia entrevistando algumas personalidades que enumeravam os nossos pontos fortes. O que não ajudava.

Tal como não ajudou eles começarem a relatar algum pessimismo reinando na comitiva luso-espanhola. Os locutores aproveitaram esse momento para lembrar que Joseph Blatter não estava muito entusiasmado com a ideia de um Mundial organizado a dois. Deixaram ainda bem claro que uma candidatura não ganharia sem a sua aprovação. Eu interrogava-me se ele poderia recusar um vencedor, mesmo que tivesse sido eleito com toda a justiça. E ia ganhando uma certa raiva ao pobre homenzinho, por isto e por prolongar o meu sofrimento. O optimismo não me ajudava, o pessimismo não me ajudava. A única coisa que me ajudava era saber quem era o maldito vencedor.

Só que ainda tínhamos de esperar mais um bocado, de sofrer mais um bocado. Mais ou menos às três e um quarto até os locutores estavam a ficar nervosos. Que se estaria a passar?

Às três e vinte, a "Marca" anunciou na Internet que os vencedores eram a Rússia e o Qatar (para o Mundial 2022). Ainda gostava de saber como o descobriram. Talvez um dos membros do comité os tivesse informado... Na altura não liguei muito, pensando que seria apenas especulação. Mantive-me fiel à máxima "Até ao apito final". Neste caso, tal como já havia sido dito por outros, o "apito final" era uma metáfora para o anúncio do vencedor.

A cerimónia começou às três e vinte e cinco, mais coisa menos coisa, mas teríamos de esperar uns sete minutos até Joseph Blatter subir ao palco, mais uns dez até sabermos quem ganharia. Nesse momento, reparei que uma rapariga sentada algumas cadeiras em frente a mim tinha o portátil no SAPO. Talvez também  a tentar saber o vencedor. Ao menos não era a única interessada no anfiteatro.

Joseph Blatter subiu ao palco às três e meia, mais ou menos, mas ainda esteve alguns minutos a discursar. Ele é um político, já os locutores o diziam, não podia ser de outra maneira. Só que eu, nessa altura, estava à beira de um colapso com os nervos e só pedia mentalmente "Ó homem, corta-me na retórica e diz quem raio ganhou!"

Ele lá recebeu o envelope e anunciou o vencedor: a Rússia. Minutos depois, anunciaria o Qatar como vencedor da Organização do Mundial de 2022. Mais tarde, saber-se-ia que a Inglaterra havia caído à primeira ronda da votação e que, na segunda ronda, a nossa candidatura obtivera sete votos, ficando em segundo lugar, contra os treze votos da Rússia e os dois da Bélgica-e-Holanda.

- Vamos para novos territórios - afirmou Joseph Blatter, justificando deste modo as escolhas feitas. Ainda no rescaldo, eu pensava que aquilo era o resultado de jogos de bastidores, que a Rússia e o Qatar têm poder económico e nós e nuestros hermanos estamos à beira da falência., que Blatter tinha sido casmurro com aquela das candidaturas a dois. E ainda penso assim. 

O Bruno, um colega meu, disse que a Espanha devia ter concorrido sozinha. Nós é que nunca poderíamos organizar um Mundial a solo, nem nos nossos sonhos mais loucos e muito menos nesta altura do campeonato.

Mas agora vejo que eles vão fazer com a Rússia e com o Qatar o que fizeram connosco. Ou melhor o que a UEFA fez connosco. A FIFA está a dar uma oportunidade a países relativamente sem grande História futebolística (eu nem sequer tinha ouvido falar do Qatar antes!) e sem grande tradição na organização de eventos desportivos.

Nós já tivemos a nossa oportunidade e, apesar de muitas (mas mesmo muitas) coisas terem sido mal feitas, acho que não a aproveitámos nada mal. A Espanha também já organizou um Europeu e um Mundial, mas acabou por perder mais já que já antes havia perdido a Organização do Euro 2004 e dos Jogos Olímipicos de 2012. Nós já acolhemos o Europeu à bem pouco tempo, não nos podemos queixar de que ninguém-gosta-de-nós. E sinto-me grata por, na minha curta existência, já ter tido um Campeonato Europeu no meu País, por ter tido idade suficiente para o recordar (apresar de não a ter tido que chegue para o valorizar na sua totalidade). Por ter tido oportunidade de assistir a um jogo, de festejar nas ruas e de ter ido atrás do Autocarro na Selecção no dia da final.

Os mal-dispostos crónicos do costume, aqueles que se queixam constantemente da nossa medíocridade sem mexerem uma palha para mudar a situação, vieram dizer que o facto de não termos conseguido é uma vitória e merece ser comemorada. O trabalho de não sei quantas pessoas, não sei quantos portugueses, não ter dado em nada merece ser comemorado... Dizem que ainda hoje pagamos a conta do Euro 2004.  Até têm razão neste último aspecto. É, de facto, uma pena estádios como o do Algarve e o de Aveiro não serem melhor aproveitados. Mas também ainda hoje usufruímos do prestígio que ganhámos com o Europeu.

Gilberto Madaíl e os restantes responsáveis da Federação podem ter muitos defeitos, podem ter cometido muitos e graves erros nos últimos tempos, mas ao menos tentaram fazer alguma coisa para elevar o prestígio de Portugal aos olhos do Mundo. Mesmo que fosse uma insignificância comparado com Espanha. Mesmo que fosse "apenas" futebol. Ao menos tentaram desafiar o Destino, contrariar os rótulos que tantas vezes colocamos sobre o nosso País e respectivo povo. Como diria Fernando Pessoa, "Louco, sim, louco, porque  quis grandeza/Qual a Sorte não a dá". E por isso merecem o meu sincero agradecimento.

Esta não será a última oportunidade que tivemos, se Deus quiser. Ainda haverá muito Mundial a precisar de um anfitrião ou anfitriões. Espero, portanto, que seja considerada a hipótese de tentarmos de novo. Mas, a acontecer, será num futuro distante. Pode ser que, nessa altura, estejamos melhor em termos económicos e financeiros (vai sonhando...) e que tenhamos já no currículo um ou outro título... Nunca se sabe...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Portugal 4 Espanha 0 - Se é assim... pode ser a Espanha!

Ontem à noite, a Selecção Portuguesa derrotou a sua congénere espanhola por quatro golos sem resposta, no Estádio da Luz, num jogo épico, fantástico, quase perfeito, histórico, mágico, inspirado, extraordinário, espantoso, arrasador, explosivo... enfim, os adjectivos para o caracterizar não se esgotam. Ninguém estava à espera de tal jogo e de tal resultado, pois, afinal de contas, o adversário que defrontámos ganhara o último Europeu e o último Mundial. Mas a verdade é que praticamente todos os Marmanjos fizeram exibições de sonho e os espanhóis pouco fizeram para nos parar.

Como abri recentemente uma conta no Twitter, assisti a quase todo o jogo com o computador portátil ao colo para ir registando as minhas impressões na rede social. Não foi muito diferente das notas que constumava tomar para depois escrever aqui no blogue, mas teve a sua graça.

A Selecção entrou bem no jogo e manteve o nível durante praticamente todo o encontro. Paulo Bento havia-nos prometido que Portugal não iria ficar a ver a Espanha jogar e, não só a promessa foi cumprida, como aconteceu o exacto oposto: os espanhóis ficaram muitas vezes a ver-nos jogar, incapazes de nos travar. Eu, por vezes, esquecia-me que estávamos a jogar contra o Campeão do Mundo. O árbitro é que estragou um pouco a festa ao anular aquele sombrero de Ronaldo, um pouco por culpa do Nani, que por sinal completava 24 anos ontem, que se foi literalmente meter onde não era chamado, induzindo o fiscal de linha em erro.

Um aparte só para dizer que foi uma pena o Nani não ter marcado ontem, no dia do seu aniversário, para se redimir daquela jogada infeliz, ele que jogou tão bem (à semelhança dos companheiros).

O golo que se adivinhava acabou por surgir um minuto antes do intervalo, um belo tiro de Carlos Martins. Estava aberto o marcador.

O segundo golo surgiu dois ou três minutos após o intervalo dos pés de Hélder Postiga, numa jogada começada por João Moutinho. Os mesmos foram também responsáveis pelo terceiro golo, cerca de vinte minutos depois. Entre estes dois golos eu ia pedindo "Só mais um! Só mais um!", com a mesma naturalidade com que pediria num jogo frente a adversários teoricamente bem mais fracos do que a Espanha, como a Islândia, a Coreia do Norte, o Chipre, a Malta... Realmente, foram mesmo aqueles que ganharam o Mundial? O relativo escasso público nas bancadas ia pontuando os passes portugueses com fritos de "Olé!". Os espanhóis, esses, ripostaram gritando "Campeones!", como que a dizer:

- Vocês podem estar a ganhar, hermanos, mas nós continuamos a ser os Campeões Mundiais.

Essa foi baixa...

O encontro foi encerrado com chave de ouro com um golo de Hugo Almeida, que substituia Hélder Postiga. Quando se fala tantas vezes da falta de pontas-de-lança em Portugal, é bom vermos dois, o Hélder e o Hugo, a fazerem o gosto ao pé no mesmo jogo. Estou particularmente feliz por ver o Hélder no seu melhor, ele que sempre foi um dos meus jogadores preferidos, apesar do seu desempenho irregular.

Depois desta vitória, como eu temia, vieram os ataques ao ex-Seleccionador, muito mais subtis quando feitos por jornalistas, bem mais agressivos nos habituais espaços de comentário. Abordarei melhor esta temática noutra ocasião.
Estou feliz, felicíssima, por ter visto todos os marmanjos no seu melhor, fazendo um jogo do outro mundo, que ficará registado a tinta-da-china na História da Selecção Nacional. Nunca pensei que déssemos tal sova aos Campeões da Europa e do Mundo. Eu até tinha sonhado, na noite de Terça para Quarta-feira, que tínhamos perdido por três a zero! Muitos dirão, eu incluída, que não serve de nada, que não passa de um amigável, que nem tem um sabor de vingança pois nem três pontos ganhámos, que eles continuam Campeões, que os espanhóis não deram o seu melhor, que se tivessem dado a história teria sido diferente. O que até pode ser verdade, mas, pelo menos a última parte, faria mais sentido se tivéssemos ganho pela margem mínima, com uma exibição assim assim. Não foi isso que aconteceu. Nós marcámos quatro golos, podíamos per marcado mais, fizemos uma das melhores exibições de sempre. Não ganhámos três pontos mas ganhou-se muito mais, como assinalou Paulo Bento. Ganhou-se prestígio, ganhou-se confiança, ganhou-se alegria, consumou-se o renascer da Selecção, o seu regresso às grandes vitórias.

Ontem, não ganhámos nada em concreto, mas "mostrámos que, quando queremos, ultrapassamos tudo", como disse Vítor Manuel. "Mostrámos ao Mundo que Portugal se pode bater com qualquer Selecção do Mundo", como disse o locutor da Antena 1, no fim da emissão relativa a este particular, que ficará na memória.

Enfim, realizaram-se dois duelos ibéricos este ano. A Espanha ganhou um deles, nós ganhámos o outro. Mas em Dezembro, espero que ganhemos ambos, como disse Laurentino Dias. Estou a falar, claro, do anúncio da Candidatura vencedora à Organização do Mundial (já não sei se se saberá só acerca do de 2018 ou se já saberemos também quem é que organiza o de 2022). Depois deste partidazzo, estou com um bom pressentimento, sobretudo agora que fomos absolvidos das acusações de corrupção (engulam, ingleses!). Já mencionei aqui os nossos pontos fortes, vou só fazer uma referência aos pontos fracos que têm a ver com a falta de campos de treino nas cidades-sede. Podia ser pior, não podia? Talvez dê para ganharmos. Vamos estar todos a torcer por isso até 2 de Dezembro.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Tem mesmo de ser a Espanha?

Na próxima Quarta-feira, dia 17 de Novembro, a Selecção Portuguesa de Futebol enfrenta a sua congénere espanhola, no Estádio da Luz, num encontro de carácter particular, cujos principais objectivos são, não só a promoção da Candidatura Ibérica à Organização do Mundial de 2018 ou 2022, mas também a Comemoração do Centenário da República. Paulo Bento, o Seleccionador Nacional, divulgou no último dia 11 os Convocados para este particular e as únicas novidades são os Regressos de Bosingwa e Manuel Fernandes. Eu confesso que, nesta altura do campeonato, a Espanha não é a Selecção com quem desejava ver os Marmanjos entrarem em campo.


Eu sei que eles são os nossos parceiros de Candidatura e tal, mas, que diabo, eles expulsaram-nos do Mundial! Querem esfregar sal na ferida? A desculpa da vingança não serve: isto não passa de um amigável. O que quer que aconteça, eles continuam Campeões do Mundo e nós aqueles que foram expulsos do Mundial nos oitavos-de-final depois de sofrer o primeiro golo em todo o Campeonato. Na vaga hipótese de ganharmos, isso trará mais pedras para atirar ao nosso ex. Dirão que a culpa foi dele, que ele nunca devia ter estado ao leme da Selecção, que se já lá estivesse o Paulo Bento nada daquilo teria acontecido, etc, etc. Até pode haver alguma dose de verdade nisto, mas não deixa de ser desagradável. E nem sequer ganhamos três pontos nem nada.
Em relação a essa parte de o encontro estar integrado nas comemorações do Centenário da República, também não é por aí. Já tudo o que é historiador veio dizer que não existe grande motivo para festejo; que a Primeira República foi um regime ainda pior que o anterior, mais valia terem poupado a vida a el-rei D. Carlos e ao filho, mais valia não terem exilado el-rei D. Manuel II e o resto da família real, etc.

Por acaso, não sei como seria se ainda fôssemos uma monarquia. Duvido, no entanto, que estivéssemos melhor do que estamos agora. Parece que, quase desde que foi assinado o Tratado de Zamora em 1143, o nosso País tem vivido quase sempre acima das possibilidades, tem estado quase sempre à beira da bancarrota. O mal é genético, não há nada a fazer…

Em todo o caso, a República trouxe com ela o hino e a bandeira que temos hoje, símbolos que aprecio grandemente. Isso, sim, ainda é o que mais vale a pena comemorar. E ainda por cima, segundo Os Maias, o antigo hino, o Hino da Carta, era "medonho".


Mesmo assim, fazia mais sentido jogar com a Espanha para comemorar a Restauração da Independência. Convinha era ganharmos, é claro!


O principal objectivo acaba por ser mesmo a promoção da Candidatura Ibérica, agora que estamos a poucas semanas do anúncio do anfitrião vencedor. Candidatura, essa, que, há algumas semanas, esteve envolvida em suspeitas de corrupção.


Pessoalmente, nunca atribui muita credibilidade a essas alegações, uma vez que estas foram levantadas pelos jornais ingleses (o Daily Telegraph, se não me engano). A candidatura deles já se encontrava envolvida em polémicas semelhantes, na minha opinião, eles fizeram aquilo pensando "Se eu vou ao charco, já agora, arrasto toda a gente comigo". Não seria a primeira vez que a Comunicação Social Inglesa publicava notícias com objectivos semelhantes. Em todo o caso, a estratégia deve ter falhado, os boatos devem ter sido desmentidos pois nunca mais se falou disso… Ainda bem, que estou farta de ouvir falar em corrupção em instituições portuguesas.


Com ou sem acusações de corrupção, não sei que hipóteses a nossa Candidatura tem de ganhar. Há uns tempos pensei que o facto de os inspectores da FIFA terem estado cá em Portugal aquando do "caso Queiroz" prejudicasse seriamente a as nossas hipóteses, mas talvez não tenham levado isso em conta…




Li na semana passada, no Record, que somos os Candidatos com mais estádios já prontos para hospedar jogos da fase final de um Campeonato do Mundo: sete. Tendo em contra que precisamos, mais do que nunca, de apertar o cinto (ou a banda gástrica, como diziam a semana passada no Mundo Universitário), isto é capaz de constituir uma pesada vantagem. E já é uma sorte não termos de construir estádios novos nesta altura do campeonato, a propósito!


E, é claro, temos várias outras coisas a jogar a nosso favor: um bom passado recente em termos futebolísticos, incluindo um Campeão Mundial e Europeu (estou a falar dos espanhóis, obviamente… snif, snif); um Campeonato Europeu memorável organizado por nós, portugueses; países atractivos para os turistas… Enfim, não acho que seja, de todo, impossível ganharmos…


Segundo o que li, neste momento a escolha é entre nós e a Rússia, e os russos não têm, que eu saiba, as armas que mencionei acima. Seria bom se ganhássemos, sobretudo no momento dificílimo que atravessamos. Para além das vantagens que já mencionei na entrada "Vizinhos e parceiros no futebol", ao menos teríamos a promessa de algo bom no futuro (Isto se não tivermos falido de vez até lá, é claro!) – algo que é cada vez mais raro hoje em dia, sobretudo neste país.


E se jogar com a Espanha ajuda, que assim seja. De resto, é sempre excitante defrontar uma Selecção de topo, e esta é Campeã Europeia e Mundial! Paulo Bento disse já que os Marmanjos não vão "só ver a Espanha jogar", que "estes particulares não são para descomprimir, porque os valores da representação do país são iguais". Qualquer que seja o resultado, o que se espera é uma boa exibição por parte de ambas as equipas, uma exibição digna de duas Selecções de topo. É claro que uma vitória, apesar de tudo, ajudaria a consumar o recente renascimento da Selecção, mas este é um dos poucos casos em que a velha máxima do "o importante não é ganhar, é participar" se aplica na sua totalidade.




Na última entrada, tinha prometido um novo vídeo de apoio à Selecção. Eu cumpri a promessa, montei o vídeo. O problema foi, outra vez, o YouTube… E nem sequer foi por causa da música, foi por ter utilizado as imagens dos jogos do Mundial. Já nem digo nada… Ou melhor, digo apenas isto: se continuam assim, mais vale encerrarem de vez o YouTube. Sim, porque eu não perdi uma das poucas tardes livres que tenho este semestre para agora o vídeo ficar eternamente confinado ao meu computador. Não senhor, desta vez coloquei o vídeo do Mediafire e dou-vos os links para o sacarem. (Com a música original: http://www.mediafire.com/?l04mcnudva6jwzg ; com a versão instrumental http://www.mediafire.com/?l5j86g1324d33dl) Como podem ver, as regras dos direitos de autor não fazem sentido, que existem outras maneiras de partilharmos vídeos. É uma autêntica estupidez.




De caminho, dou-vos também o link daquele vídeo que montei antes do Mundial, com a música Bang The Drum.( http://www.mediafire.com/?qroxof11vd9mrum ) Talvez faça uma segunda versão deste vídeo para o Europeu 2012, que a música é muito gira. Pode ser que, nessa altura, não o removam (pois, devo ter cá uma sorte…). Tenho ainda outras ideias para vídeos de apoio à Selecção, mas, em princípio, só voltou a montá-lo caso nos qualifiquemos. Até lá…

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Islândia 1 Portugal 3 - Desentubados e renascidos

Terça-feira à noite, a Selecção Portuguesa visitou a sua congénere Islandesa, vencendo-a por três bolas a uma, consumando, deste modo, o retorno da Equipa de Todos Nós aos bons resultados e às boas exibições.

Desta feita, não fizemos uma exibição tão forte como quando jogámos com a Dinamarca, tendo havido alguns momentos em que receei um descarrilamento. Que, felizmente, não chegou a acontecer.

Assisti ao jogo via televisão, enquanto jantava, juntamente com a minha família. A minha irmã mais nova tinha apostado o resultado com os amigos. Ela apostou em 1-0, outros apostaram em 3-2, 5-1 e outros resultados que não recordo. Quem acertasse, receberia um euro de cada apostador. Se ninguém acertasse, ganhava quem mais se aproximasse do resultado.

Nós entrámos bem no jogo, com Cristiano Ronaldo a marcar aos três minutos, de livre. A bola rasou a muralha islandesa, entrando depois na baliza, sem nada nem ninguém que a travasse.

- Eles também nem se mexeram - comentou o meu irmão - Os islandeses podiam ter saltado, eles nem sequer saltaram...

- Se eles saltassem, ficavam toldados com o fumo daquele vulcão com um nome esquisito - gracejou o meu pai.

Visto que este resultado interessava à minha irmã, depois deste golo, ela começou a reclamar sempre que os marmanjos se aproximavam da baliza adversária, como se tivesse a torcer pelos islandeses. Isso, ora me divertia, ora me irritava. Com franqueza, basta acenar-lhe com dois ou três euros para a miúda perder todos os princípios...

Entretanto, os portugueses afrouxaram um bocadinho com o golo, a Islândia começou a dar luta e acabou por marcar.

- Oh, só podem 'tar a gozar! - exclamei, vendo a vida a andar para trás.

Seguiram-se dez minutos de nervos. Os marmanjos, atordoados com a súbita anulação da vantagem, pareciam um bocado trapalhões. Cheguei a dar uns berros quando, poucos minutos após o golo islandês, a bola aproximou-se perigosamente da nossa baliza. Uma jogada parecidíssima com aquela que resultara no golo. Pus-me a roer as unhas, algo que deixara de fazer há semanas.

O golo de Meireles (ganda bomba!) acalmou-me um bocadinho. Gritei "GOLO!" e encostei-me para trás, aliviada.

Contudo, um golo a mais era uma vantagem ainda demasiado frágil para me acalmar por completo. Continuei, portanto, um bocadinho nervosa, já na segunda parte, apesar de nos mostrarmos claramente superiores. Gemia sempre que era marcado um canto a favor da Islândia, lembrando-me do golo sofrido. Já me daria por satisfeita se conservássemos a vantagem até o árbitro apitar três vezes.

Se o marcador se mantivesse inalterado até ao minuto 90, ninguém teria ganho a aposta, ou então o dinheiro do prémio teria sido dividido, por 2-1 fica exactamente a meio caminho entre 1-0 e 3-2. Tal não aconteceu, graças a Hélder Postiga.

O golo do sportinguista acabado de entrar colocou um ponto final no meu sofrimento e encerrou o marcador.

- Já foste, mana! - gritei à minha irmã. Com este resultado, o amigo dela que apostou 3-2 ganhava.

Já tinha saudades do Hélder, que já não vestia a camisola das Quinas há dois anos. Apesar do seu desempenho irregular, sempre foi um dos meus jogadores preferidos.

E pronto. Esta dupla jornada terminou connosco em segundo lugar, com seis pontos ganhos, seis golos marcados e dois sofridos. Não estava à espera que estes jogos corressem assim tão bem.

A verdade é esta: Paulo Bento conseguiu em pouco mais de duas semanas ao leme da Selecção feitos que Queiroz não conseguiu realizar em dois anos. Conseguiu pôr Ronaldo a jogar ao seu melhor nível e a marcar golos pela Turma das Quinas (em dois jogos marcou o mesmo número de golos que marcara em dois anos e um deles foi de penalti, num particular); pôs a Selecção a golear quando na anterior qualificação passaram-se´vários jogos sem gritar "GOLO!". Segundo os jornais, Bento não complicou, pôs os marmanjos a jogar nas suas posições habituais e os resultados estão à vista.

Pelos vistos, a saída de Carlos Queiroz e a entrada de cena de Paulo Bento foram cruciais. E não consigo evitar um sentimento de culpa ao escrever isto, ao acreditar que as decisões de Queiroz nem sempre foram benéficas, quando há nem quanto tempo quanto isso, conservava intacta a minha lealdade ao ex-Seleccionador, apesar de metade do País vociferar contra ele.

Não adianta estar a remoer o assunto. Passado é passado. Queiroz fez o melhor que poda, ainda deu bastante à Selecção, cometeu erros como qualquer um (começando por não ter tido tento na língua quando devia ter tido), agora Bento está no seu lugar. Desejo o melhor ao Professor, mas agora Bento é o Seleccionador e, enquanto o for, pode contar com o meu apoio incondicional. Ponto final.

Paulo Bento havia dito que, depois de ganharmos à Islândia, passaríamos a respirar melhor. De facto, sinto-me como se tivéssemos sido desentubados, como se tivéssemos renascido. O país dos vulcões assistiu mesmo à erupção portuguesa, mas só a parte dela, que a erupção começou no Estádio do Dragão. Estamos de volta!

O próximo jogo oficial é daqui a oito meses, frente à Noruega. É muito tempo, muita coisa poderá acontecer até lá. Podemos saborear o renascer na Selecção durante mais um bocado. No dia 17 de Novembro teremos um jogo particular com a Espanha, nossa parceira de candidatura à organização do Mundial, no Estádio da Luz. Espero que se realizem mais alguns particulares em Fevereiro e Março, que sete meses sem Selecção é demais...

Como prometi, nos próximos dias vou montar o tal vídeo de recomeço. Tenciono começara a trabalhar nele ainda hoje. Assim que estiver pronto, colocá-lo-ei aqui no blogue e também no YouTube. A música que utilizarei como banda sonora encontra-se na playlist que recentemente adicionei ao blogue. Não sei se terei problemas com os direitos de autor, mas, para prevenir isso mesmo, farei um duplicado do vídeo com a versão instrumental da música.

A maneira como me surgiu a ideia de fazer este vídeo é curiosa. No dia (ou dias, não me lembro bem) que se seguiu à nossa expulsão do Mundial, estava a ouvir esta música e percebi que a letra se aplicava à situação da Selecção.

Com este vídeo tenciono transmitir uma mensagem que não passa da adaptação da mensagem da música à Selecção Nacional: existem e sempre existirão inúmeros cépticos tentando incutir-nos o seu pessimismo, mas a verdade é que não poderemos ganhar todos os jogos, haverá alturas em que estaremos muito perto de perder a fé. Contudo, há-que continuar a acreditar, a apoiar, a lutar e, mais cedo ou mais tarde, a Selecção recompensar-nos-á.

Foi o que aconteceu agora, nesta última semana. Com toda aquela confusão e os consequentes tropeções no apuramento, frente ao Chipre e à Noruega, quase acreditei que não sairíamos dessa. Mais obriguei-me a continuar a apoiar e agora a Selecção renasceu, voltou a levantar voo. Agora que retomámos a escalada, que estamos de novo a voar, nada nem ninguém nos fará cair de novo, nada nem ninguém nos vai parar!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Portugal 3 Dinamarca 1 - A melhor estreia possível

Na Sexta-feira, Portugal recebeu em casa, no Estádio do Dragão, a Selecção Dinamarquesa. Dois golos de Nani, um auto-golo de Ricardo Carvalho e um golo de Cristiano Ronaldo fizeram o resultado: 3-1.

Ainda mal acredito que ganhámos e, sobretudo, que jogámos tão bem. Não estava nada à espera - podem confirmá-lo lendo as entradas anteriores.

Perdoem-me a falta de fair-play mas os dinamarqueses mereceram esta sova. Há muito que andavam a pedi-las. A vingança é tão doce...

Conforme já tinha previsto, acompanhei o jogo via rádio, ora com o meu leitor de MP3 (acho que foi a primeira vez que o usei para ouvir rádio desde o Mundial), ora com o auto-rádio. Acho que lhe tomei o gosto. O entusiasmo com que os locutores da rádio relatam o jogo quase compensa a falta de imagem.

Notou-se que os marmanjos tinham entrado com garra, atacando várias vezes. Mesmo assim, continuava nervosa; agarrava o meu velho boné no meu colo, como outras pessoas agarrariam um terço.

O golo de Nani foi um alívio. Depois do primeiro golo ficaria tudo mais fácil, o adversário ressentir-se-ia, provavelmente viriam outros golos e a vitória ficaria consumada. Só não estava à espera que o segundo golo viesse tão depressa.

Foi muito engraçado. Nós, locutores incluídos, ainda festejávamos o primeiro golo. Na rádio, estavam a ler o marcador:

- Portugal...

- Um!

- Dinamarca...

- Gooooolooooo! Nani!


Eu e a minha irmã ficámos a olhar uma para a outra. Ainda pensámos que fosse ainda o primeiro golo, mas não era. O Nani voltara a marcar. Mais tarde, quando vi o golo, fiquei de queixo caído. Como diria o meu irmão, foi um golo bru-tal! Grande Nani!

A minha mãe acha graça aos mortais que ele costuma dar durante os festejos de um golo e eu expliquei-lhe que ela por ele ter praticado capoeira, no Real Sport Clube. Eu também gosto dos mortais. O Nani, realmente, está a tornar-se um jogador fantástico. Não consigo deixar de pensar que, caso ele não se tivesse lesionado. o Mundial teria corrido de maneira diferente.

Confesso que, durante algum tempo, não prestei muita atenção ao relato. A vitória parecia mais ou menos garantida, não estava a ver que equipa não se ressentia de dois golos seguidos. Os dinamarqueses ressentiram-se.

- A Dinamarca ainda nem acredita no que lhe aconteceu - disse um dos locutores, pouco depois dos golos.

- Nem eu! - exclamei.

- 'Tou a gostar do Paulo Bento - disse a minha irmã.

Com o golo da Dinamarca é que comecei a ver a vida a andar para trás. Apesar de os dinamarqueses não andarem a fazer muito pela vida, duvido que houvesse uma alminha portuguesa que fosse que não se recordasse do desaire de Alvalade, há dois anos.

É o nosso destino! Mesmo fazendo um jogão daqueles, não há jogo oficial da Selecção sem um bocadinho que seja de sofrimento!

Em todo o caso, o golo de Cristiano Ronaldo acabou com o nervosismo, O madeirense também andava a pedi-las, pois estava a fazer uma exibição fenomenal. Rematou onze vezes! Esperemos que jogue sempre assim a partir de agora e que mais ninguém volte a duvidar da sua dedicação à Selecção.

Findo o jogo, houve ainda tempo para ouvir as reacções dos jogadores e do treinador. Todos bateram na mesma tecla:

- A vitória não servirá de muito se não ganharmos à Islândia.

A Islândia não é um adversário tão temivel quanto era a Dinamarma, mas, hoje em dia, isso não quer dizer nada. Mesmo que sejamos teoricamente superiores, o frio joga contra nós. Tendo este factor em conta, não me admira que tenham confinados os jogos de qualificação aos meses mais quentes.

Bem, eles vão ter de se desenrascar, se querem continuar na luta. Se isso acontecer, se conquistarmos mais três pontos, para além de consumarmos a entrada numa boa fase, continuaremos a depender de nós próprios para nos qualificarmos para o Europeu. E, realmente, seria mau demais deitarmos tudo a perder, depois de esta vitória me ter deixado tão feliz.
Um aparte só para dizer que achei piada à frase que usaram na Antena 1 para publicitar a transmissão do jogo:
- O país dos vulcões vai assistir à erupção portuguesa.

Como já mencionei anteriormente, dadas todas aquelas coisas que jogavam contra nós e que listei no fim da última entrada, não esperava um jogo destes. Que é capaz de ter sido o melhor dos últimos tempos. Paulo Bento não poderia ter pedido melhor estreia como Seleccionador Nacional. Apesar de nada ainda estar garantido, senti-me tão feliz naquela noite! Foi tão bom a Selecção voltar a dar-nos alegrias, quando pensei não voltar a tê-las tão cedo. Foi bom termos um motivo que fosse para nos orgulharmos de sermos portugueses, numa altura em que atravessamos uma fase bem complicada ( e complicada é eufemismo), nem fosse só por umas horas.

Agora que estou mais sóbria, só espero que esta alegria não seja a única, que ainda haja muito golo para comemorar, muita vitória para celebrar. Que o jogo de Sexta-feira seja a regra e não a excepção. Tal só é possível se ganharmos na Terça-feira. Eu acredito na Selecção. Mais cedo ou mais tarde, os marmanjos dão-me sempre um motivo para os apoiar incondicionalmente como os apoio. Na Sexta-feira esta regra voltou a ser cumprida e por isso agradeço-lhes do fundo do coração. Agora, cumpram-na mais uma vez no terreno da Islândia!
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