quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Portugal 5 Luxemburgo 0 - No bom caminho

A Selecção Nacional recebeu e venceu por cinco bolas sem resposta a sua congénere luxemburguesa, num jogo de carácter preparatório dos três desafios finais da Qualificação para o Europeu de 2012, em particular, o jogo com o Chipre, a realizar-se no próximo dia 2 de Setembro.

O jogo arrancou morno, com os luxemburgueses muito defensivos, como era de esperar. Os portugueses iam fazendo pressão sobre a baliza adversária mas sem grande convicção. O relvado estava um bocado manhoso. Por causa do calor que fazia, este tinha sido regado pouco antes do início do jogo, o que o tornou escorregadio. Várias vezes, os jogadores escorregaram e/ou caíram.

Uma dessas situações ocorreu no lance que deu origem ao primeiro golo da Equipa das Quinas. O Fábio Coentrão recebe a bola do Hélder Postiga mas dá uma queda espalhafatosa. A bola vai parar a Cristiano Ronaldo mas este é rasteirado pelo guarda-redes luxemburguês. O Hélder acaba por ganhar a bola, faz chapéu ao próprio companheiro de equipa e o esférico vai parar às redes. Um lance caricato.

O grito de "GOLO!" ficou suspenso na dúvida relativa à validade do tento. A Lei da Vantagem não é válida na grande área (algo que eu ignorava), devia ter sido marcada uma grande penalidade mas o árbitro ignorou essa regra e validou o golo. Portugal abria o marcador deste modo. "Aos trambolhões", como disse o comentador da RTP. E o Hélder, como já fez várias vezes no passado recente, fez o gosto ao pé ao serviço da Selecção.

Como costuma acontecer nestes jogos, o primeiro golo quebrou o gelo. Mais tarde, foram cobrados dois pontapés livres directos, ambos executados por Cristiano Ronaldo. O primeiro acertou na barreira humana, o segundo cruzou a linha de baliza resultando, deste modo, no segundo golo português da noite. O Cristiano marcou, assim, o oitavo golo de uma temporada que mal arrancou.

Ao intervalo, Paulo Bento efectuou várias substituições. Geralmente, em jogos particulares, estas trocas a meio da festa são sinónimo de decaimento da qualidade da exibição - neste caso, provocaram o efeito inverso. Ainda a segunda parte mal tinha começado, já o Coentrão havia marcado de cabeça o seu primeiro golo ao serviço da Equipa das Quinas.

O momento alto da noite ocorreu aos 58 minutos de jogo, quando o Hugo Almeida marcou aquele golo espectacular, de fora da grande área. Foi também ele que, cerca de quinze minutos depois, encostou a bola que Nani lhe passou, assinando o quinto tento da Equipa de Todos Nós. Achei graça quando ele, depois, se foi pendurar naquele varão da baliza. Uma maneira original de celebrar um golo... Na parte final do encontro, o público pedia "Só-mais-um! Só-mais-um!", mas o resultado já estava feito. 

Não há muito mais de relevante a dizer sobre este encontro. Teve o desfecho que se previa. Os objectivos foram cumpridos: ganhámos, não sofremos golos (já contamos três jogos com a nossa baliza inviolada), Portugal levou o jogo a sério, mostrou estar preparado para a recta final da Qualificação para o Campeonato da Europa. 

Um aspecto positivo deste jogo foi o facto de vários Marmanjos terem dado provas de serem trunfos para a Turma das Quinas. Vou destacar o Hélder Postiga e o Hugo Almeida. Ainda há não tão pouco tempo quanto  isso, falava-se muito da falta de pontas-de-lança portugueses. Ontem, como, de resto, tem sido a regra ao longo dos últimos jogos, ambos os pontas-de-lança que jogaram contribuíram para os resultados. É certo que, nos próximos tempos, o Hélder e o Hugo disputarão febrilmente a titularidade, darão muitas dores de cabeça a Paulo Bento. Mas, como o Hélder assinalou muito bem: "A vantagem é da Selecção".

Agora o nosso próximo jogo é contra o Chipre. Já disse antes que não devo poder ver o desafio pois estarei no estrangeiro. Curiosamente, o mesmo aconteceu com o nosso primeiro jogo com esta selecção. Dado o resultado, não tive pena absolutamente nenhuma de o ter perdido. Mas, se não conseguir ver este, quero sentir uma pena danada por isso. Tendo em conta o nosso passado recente, incluindo o jogo de ontem, acredito que lamentarei não ver o jogo. Afinal de contas, como disse Paulo Bento, como, mais uma vez, ficou provado, a Selecção está no bom caminho.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A Miúda do Cachecol

Na passada Segunda-feira, dia 8 de Agosto, a Selecção Nacional realizou uma sessão de treino aberto no Estádio do Jamor e, mais uma vez, eu estive lá!

Para preparar o encontrou amigável com o Luxemburgo, efectuaram-se duas sessões de treino abertas. Uma anteontem, às seis da tarde e outra ontem de manhã, às nove e meia. Teria preferido ir a esta última mas, durante a manhã, tenho trabalho. Por isso, fui ontem. Como já conhecia o caminho, foi-me um pouco mais fácil chegar ao Estádio, mas não deixou de custar. Apesar de já ser fim do dia e, teoricamente, o calor já não apertar tanto (razão pela qual o treino se realizou tão tarde, penso eu), ainda estava bastante quente (o cachecol de Portugal nos meus ombros não ajudou); estavam a construir uma estrada nova e, ao passar por lá, fiquei cheia de pó; além disso, aparentemente, havia um incêndio algures pois cheirava imenso a queimado. Mas ultimamente tenho vivido de acordo com a seguinte filosofia: "Se estás cansado(a), dorido(a), sujo(a), significa que aproveitaste a experiência ao máximo. Se te assusta, deves fazê-lo. Não te arrependerás." Por isso, não me importei.

Cheguei ao Estádio mesmo em cima da hora e fui apanhada de surpresa pela quantidade de pessoas que haviam tido a mesma ideia que eu. Muitas mais do que no outro treino a que assisti. Uma parte significativa do público era constituída por crianças, ansiosas por verem os seus heróis. Ouvia-se o pregão de um vendedor ambulante:

- Olhá garrafinha de água, olhá cerveja, olhó Sumol!

Os jogadores subiram ao relvado (os balneários são subterrâneos) pouco depois de eu chegar. O treino começou com corrida de aquecimento à volta do campo. Nas primeiras voltas, à medida que os Marmanjos passavam, nós aplaudíamos. Depois os mais pequenos (e eu... ) iam chamando pelos craques:

- Ronaldo! Coentão! Nani! - mas estes começaram por não ligar.

Eu ainda me pus a gritar: "POR-TU-GAL! POR-TU-GAL!", a ver se mais gente no público se juntava a mim, mas não pegou e eu calei-me.

Entretanto, de uma das vezes que o grupo passou perto de nós, eu acenei-lhes e o Pepe acenou logo a seguir. Não sei se se dirigia a mim ou se foi coincidência, se ele estava a acenar a outra pessoa. Bem, nunca o saberei, por isso, vou considerar que ele estava a responder ao meu aceno.

Nesta altura, já os jogadores iam acenando para o público em resposta aos chamamentos. No fim do aquecimento, alguns deles foram para o banco, num altura em que estava mesmo por detrás dele (mas atrás do muro, obviamente) e desfrutei de alguns momentos em que tinha os meus heróis a poucos passos de mim.

Mais tarde, acabei por ir para o outro lado do campo, para onde a maior parte do pessoal se tinha acumulado. Fiquei lá até ao fim do treino, vendo o Coentrão, o Bruno Alves, o Danny e outros de quem não me recordo jogando futevólei, na esperança de que, depois, viessem distribuir autógrafos. Ao longo do outro treino a que assisti, tinha-me deslocado regularmente, tentando ver o que se passava no campo de todos os ângulos possíveis. Ontem não pude fazê-lo porque estava demasiada gente e os polícias tinham vedado o acesso a uma parte da pista de corrida. Em todo o caso, estive a vê-los de perto e fui testemunha da alegria, do companheirismo, da cumplicidade que reina entre os Marmanjos.

Na parte final da sessão de treino, já tinha um olho no campo e outro nas horas, com medo de perder o comboio. Ainda estive para sair mais cedo, mas decidi que valia a pena chegar um pouco mais tarde a casa, com um autógrafo no meu caderno. Por isso, fiquei até ao fim. Só que, logo depois do treino, os jogadores enfiaram-se no balneário. Só o Sílvio se dignou a vir dar uns autógrafos e a tirar uma ou outra fotografia com uns miúdos. Ainda tentei a minha sorte, enfiei-lhe o caderno e uma caneta debaixo do nariz mas ele ignorou. Não me importei muito. Não o conheço tão bem. Se tivesse sido outro, talvez o Ronaldo, o Nani ou mesmo o Ricardo Carvalho ou o Hélder Postiga, teria ficado mais zangada.

De qualquer forma, já fiquei um bocadinho zangada com aqueles ingratos. Que diabo, vieram oitocentas pessoas. Oitocentas! E não deve ter sido fácil para muitas delas. Já falei do calor, do pó, do fumo. Muitos de nós estariam melhor na praia, mas usaram a tarde livre para ir dar o seu apoio à Selecção. Aliás, a maior parte do pessoal que lá foi, estava, com certeza, de férias. Eu posso eventualmente voltar em Outubro, mas outros provavelmente não. Ontem, seria a melhor hipótese de conseguirem um autógrafo. Custava muito?

Eu não vou desistir. Nem que da próxima vez finte os polícias e invada o campo. Hei-de conseguir arrancar um autógrafo àqueles totós!

Comecei a descer a rampa em direcção à Estação da Cruz Quebrada. Trazia ainda o cachecol de Portugal nos ombros, na esperança de que o autocarro da Selecção passasse por mim, como da outra vez. Em várias ocasiões, cheguei a parar e a olhar para trás, a ver se avistava as motos da Polícia que costumam anteceder o autocarro.

E este acabou por aparecer. Não passou muito depressa, felizmente. Pus-me a acenar com o cachecol. Um dos jogadores, não consegui perceber qual, retribuiu-me o aceno (mais uns quantos treinos e já terei trocado acenos com toda a Selecção, eh eh) e o Eduardo, mais uma vez, olhou para mim. Pelos vistos, o autocarro passa sempre por ali, no fim dos treinos no Jamorpropriamente dito, hei-de ficar conhecida entre os jogadores como A Miúda do Cachecol ou A Totó À Saída Do Jamor ou outra alcunha do género... Fiquei a ver o autocarro afastando-se e só quando o perdi de vista é que guardei o cachecol e retomei o meu caminho.

E foi assim o segundo treino da Selecção Nacional a que assisti. Não soube tão bem como o primeiro. Já não havia o efeito da novidade, já não era a primeira vez que via a Equipa de Todos Nós ao vivo em quase quatro anos. Suponho que, ao fim de mais algumas vezes, hei-de me fartar... Por outro lado, estava muita gente, tal como já expliquei, não andava tão à vontade.

Tenho pena de não poder ter ido ao treino de ontem de manhã. Pelo que vi nos noticiários, estava menos gente do que anteontem. Além disso, não teria o stress de chegar a casa antes da hora do jantar. 

Mas gostei. É sempre bom ver os nossos heróis sem ser através da lente de uma câmara, trocar acenos com eles, fazê-los saber que adoro a Selecção, que estou com eles. E é como disse acima: ultimamente, tenho começado a sair da minha zona de conforto e, até agora, não me tenho arrependido.

Tenciono voltar. Outra e outra vez. Mesmo que acabe por se tornar banal. Nem que seja só para fazer de Miúda do Cachecol. O pior é que, agora, só devo poder ir de novo em Outubro já que, em Setembro, vou estar fora do País na altura do jogo com o Chipre. 

Agora que penso nisso, também não sei se haverá treino no Jamor nessa altura, já que o jogo é fora.

Entretanto, Paulo Bento fez ontem a ante visão do jogo que começa daqui a pouco mais de três horas, com transmissão na RTP1. O Seleccionador disse que Portugal abordará o particular com "a mesma atitude de sempre". Disse mesmo que os três principais objectivos para o desafio consistem em ganhar, não sofrer golos e manter a postura. Espero, agora, que às palavras do técnico se juntem as acções dos Marmanjos. Mesmo que o jogo não fique na História, quero ter uma noite feliz graças à  Selecção, quero gritar "GOLO!" várias vezes, quero receber mais um motivo para acreditar que não estamos assim tão longe de realizar o nosso sonho.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Futuro, presente, passado

No passado dia 30 de Julho, Sábado, realizou-se o sorteio para a fase de qualificação do Campeonato do Mundo a realizar-se em 2014 no Brasil. Portugal ficou no Grupo F, indo, por isso, disputar a Qualificação com a Rússia, Israel, Irlanda do Norte, Azerbaijão e com o Luxemburgo. Curiosamente, este último adversário é o mesmo que vamos defrontar na próxima Quarta-feira. Mas já lá vamos.

Toda a gente concorda que, em princípio, não deveremos ter problemas de maior durante esta Qualificação. O nosso mais perigoso adversário será, certamente, a Rússia. Estes, quando nos defrontarem, terão a motivação extra de vingarem os 7-1 de 2004. Além disso, os russos chegaram mais longe do que nós no Euro 2008. Chegaram à meia-final e, no caminho, derrotaram a Holanda. A Holanda! Que já nessa altura prometia. Não, não convém subestimar a Rússia.

Também não podemos subestimar os outros adversários. Israel, por exemplo, não tem grande historial futebolístico - só uma vez esteve no Campeonato do Mundo, mas, pelo que eu percebi, é daquelas equipas que, não tendo nada a perder, dão tudo o que têm em campo. A Irlanda do Norte não difere muito dos israelitas, nesse aspecto. Também constitui uma equipa teoricamente mais fraca. O nosso historial com esta selecção é-nos favorável, mas inclui empates e vitórias à rasca. E mesmo o Azerbaijão tem vindo a crescer futebolisticamente, desde que jogámos contra eles pela última vez, em 2007. Pelo menos é o que dizem.

Em teoria, é um grupo relativamente fácil. Na prática, já toda a gente sabe que as coisas não são assim tão lineares. Paulo Bento admitiu que, se bem que dificilmente a Qualificação fique ameaçada, aquelas equipas podem fazer-nos «perder pontos». Eu também já sigo o percurso da Turma das Quinas com atenção há uns bons anos e já os vi perder, empatar ou vencer com muito esforço equipas "inferiores" e golear o mais recente campeão Europeu e Mundial. Tudo pode acontecer.

Em todo o caso, ainda não me encontro nessa onda. O Mundial 2010 foi "só" no ano passado e já pensamos no de 2014... Só teremos de nos preocupar com a Qualificação daqui a um ano - trata-se de um futuro relativamente distante. Sabe-se lá em que estado há-de estar a Equipa de Todos Nós nessa altura! Tanta coisa se passou no ano que decorreu entre o último Campeonato do Mundo e o momento actual...

No momento actual, no presente, encontramo-nos a um mês do nosso próximo encontro da Qualificação para o Europeu de 2012. Com o objectivo de preparar esse jogo, a Selecção tem um desafio de carácter particular marcado para a próxima Quarta-feira, dia 10 de Agosto, no Estádio do Algarve. Paulo Bento anunciou os Convocados ontem, Quinta-feira, dia 4 de Agosto. A principal novidade foi o regresso de Nuno Gomes e Quim. Outros já disseram praticamente tudo o que havia a dizer sobre tal regresso - eu apenas acrescento que acho graça ao facto de Paulo Bento e Nuno Gomes terem, em tempos, sido colegas de Selecção e agora são Seleccionador e Seleccionado...

Eu também já assisti ao um jogo com o Luxemburgo no Estádio do Algarve. Foi em 2005, em finais de Agosto, princípios de Setembro. Desse jogo, os únicos "sobreviventes" dever ser o Ronaldo, o Ricardo Carvalho, o Hélder Postiga e pouco mais. Aquele encontro contava para a Qualificação para o Mundial 2006 - como podem ver, trata-se de um passado muito distante. Ganhámos 6-0. Estávamos sentados mesmo em baixo, perto do campo, junto a uma das balizas. Havia alturas em que ficávamos a poucos metros dos jogadores, em teoria podiam ouvir-nos perfeitamente. Na prática, nós bem gritávamos mas eles não reagiam. Por um lado, era bom sinal, eles estavam concentrados mas por outro... A fotografia acima foi tirada durante esse encontro. Todas as que tirámos ficaram com péssima qualidade, esta que tirámos do Figo é das poucas que se aproveita... Os dois primeiros golos (um deles, lembro-me que foi marcado pelo Ricardo Carvalho) foram festejados ao pé de nós.

Agora que penso nisso, talvez aquela troca de acenos com o Eduardo, durante o treino aberto da Selecção, não tenha sido o meu primeiro contacto com jogadores da Turma das Quinas. Existe a possibilidade de um dos Marmanjos ter reparado em mim nessa altura. Em todo o caso, com o Eduardo não houve margem para dúvidas. Mas perdoem-me este aparte, voltemos ao jogo.

De qualquer forma, eles só ficaram perto de nós durante a primeira parte (quando a baliza do Luxemburgo era do nosso lado), durante a segunda parte, aquilo ficava vazio...

Não me lembro de muito mais desse jogo. Foi uma daquelas goleadas fáceis, sem suor, sem adrenalina, sem emoção, que dificilmente ficam na memória. Calculo que se passará mais ou menos o mesmo na próxima Quarta-feira, a menos que os Marmanjos se distraiam  muito... Não sei que ilações poderá Paulo Bento tirar de um jogo com este, mas espero que as tire, de qualquer forma. Que, daqui a um mês é que as coisas vão ficar interessantes. Para já...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Portugal 1 Noruega 0 - Em primeiro!

No Sábado passado, dia 4 de Junho de 2011, a Selecção Portuguesa de Futebol recebeu e venceu a sua congénere norueguesa por um golo sem resposta, no Estádio da Luz. O único tento do jogo foi marcado por Hélder Postiga. Com este resultado, a Turma das Quinas subiu ao topo da tabela classificativa do Grupo H da qualificação para o Campeonato Europeu de Futebol, a realizar-se dentro de um ano na Polónia e na Ucrânia.

Assisti ao desafio durante uma festa de anos. Já não via um jogo da Selecção acompanhada por tanta gente desde os jogos com a Coreia e o Brasil da fase de grupos do Mundial 2010. Pude, portanto, cantar o hino em voz alta, de braço dado com os outros presentes na festa, em vez de o sussurrar, como costumo fazer quando vejo os jogos em casa. Além de que existiram outros para além de mim mandando bocas de treinadores-de-sofá, que muito irritam os meus familiares quando as digo cá em casa.

O jogo não foi muito fácil para os portugueses. Os nossos lá iam fazendo pela vida, mas os noruegueses ainda nos pregaram uns quantos sustos. Houve alturas em que receei que o Eduardo fizesse uma asneira como a que fez em Oslo, em Setembro. Felizmente, tal não aconteceu. No entanto, o tão desejado primeiro golo tardava a surgir e já começávamos a ficar preocupados. Estávamos a ver o jogo com o som desligado e com o computador a passar músicas dos anos 80. A certa altura, mais ou menos a meio da primeira parte, passa uma música chamada "All I Need Is a Miracle" e comentámos que até se adequava ao que estava a acontecer.

E daí talvez não. Suponho que se tivéssemos perdido ou empatado não seria muito grave em termos do nosso apuramento, acho eu. Quer dizer... não sei. De qualquer forma, não deixaria de ser mau depois de todas as palavras de optimismo que foram ditas durante o estágio, de todos os apelos que foram feitos para que o público viesse assistir ao jogo, do que dissera àqueles noruegueses. Por isso, ao intervalo, resolvi ir buscar o meu boné e, durante o resto do jogo, segurei-o nas mãos, como um terço. Tinha feito isso aquando do jogo com a Dinamarca e dera bom resultado. Tal voltou a acontecer no Sábado. E quando o Hélder, um dos meus jogadores preferidos, marcou, gritámos "GOLO!" em coro - outra vantagem de assistir a jogos na companhia de várias pessoas.

Mais tarde, Postiga afirmou que o Estádio da Luz é, para ele, um talismã, depois de confrontado com o facto de várias vezes ter marcado pela Equipa de Todos Nós naquela arena. Mas há quem diga que o verdadeiro talismã é o próprio Hélder, que já anda na Selecção há uns bons anos e possui vários tentos na bagagem. Com este, atingiu o top 10 dos marcadores da Equipa das Quinas. Sei que ele tem tido desempenhos flutuantes mas custa-me a compreender que ele tenha sido excluído da Selecção durante dois anos. Com mais este golo, voltou a provar que essa ausência prolongada foi asneira. Em suma: o Hélder é o maior!

Depois deste golo, pensei que o gelo tinha sido quebrado e que entrariam mais umas bolas na baliza norueguesa. Tal não aconteceu mas mantive essa esperança até ao apito final.

Não foi um jogo brilhante. Não houve domínio português indiscutível. Não houve propriamente ass-kicking. Não vou mentir, esperava um pouco mais de jogadores como Fábio Coentrão - pensava que ele quereria provar que tinha qualidade para ir para o Real Madrid, tal como tanto deseja - e, claro, Cristiano Ronaldo. Parece mesmo que ele foi vaiado - não sei, pois, como já disse, tirámos o som. É a velha história: para-o-Real-ele-marca-quarenta-mas-para-a-Selecção-não-dá-uma-para-a-caixa. Mas eu não vou tão longe nas críticas. As pessoas gostam de se queixar de barriga cheia, esquecem-se que, apesar de não marcar tantos golos quando desejaríamos, ele assistiu a muitos, várias vezes carregou a equipa às costas. Além disso - e isto é, provavelmente, mais importante que tudo o resto - no Sábado, foi ele quem deu aos colegas as últimas palavras de encorajamento, de optimismo, de determinação:

- Estamos todos aqui atrás de um objectivo e de um sonho. Queremos vencer e temos o destino nas mãos.

Isto só prova que o Cristiano leva a Selecção muito a sério. Os golos não são tudo na vida!

De resto, o que terá impedido uma exibição mais empolgante terá sido a pressão do acesso ao primeiro lugar e o típico degaste de final de época. E não nos podemos queixar. A Selecção, em Outubro, encontrava-se em quarto lugar no grupo e agora estamos em primeiro. Em primeiro! Ninguém acreditava que tal seria possível depois daquela trágica primeira jornada dupla. Tal como desejava, foi um encerramento com chave de ouro de uma época futebolística que ficará para a História. Agora os Marmanjos podem partir para férias descansados, satisfeitos, confiantes de que a qualificação não falhará.

Dizem - e eu acredito - que depois, em Setembro e Outubro, quando disputarmos as últimas jornadas do apuramento, a pressão terá aliviado ligeiramente, os jogadores estarão mais frescos, haverá boas hipóteses de jogarmos com mais brilho, entusiasmo, ass-kicking. E agora que temos três equipas na corrida para o apuramento, as coisas vão aquecer... Mas ainda faltam três meses, ainda é cedo para pensar nisso.

Antes teremos um particular em Agosto, com o Luxemburgo. Será dia 10, no Estádio do Algarve. É sempre o Luxemburgo, ou com o Liechenstein, ou as Ilhas Faroé... Não conseguem arranjar equipas melhorzinhas? Bem, sempre é melhor do que não haver nenhum jogo durante três meses...

Um aparte só para comentar que acho uma crueldade não existirem mais jogos da Selecção por ano. Devia realizar-se pelo menos um jogo por mês!

Não sei se vou conseguir actualizar o blogue aquando desse jogo. Nessa altura devo estar fora de casa, de férias, sem acesso garantido à Internet. Mas vou tentar publicar pelo menos uma entrada. Também não acho que haja muito a dizer...

No Domingo, Pedro Passos Coelho foi eleito Primeiro-Ministro. Assisti ao discurso de vitória. Quando, no fim, soou o Hino Nacional, lembrei-me da Selecção. Nesse momento, percebi que, quando Carlos Queiroz e Paulo Bento assumiram o comando da Turma das Quinas, prometi a mim mesma que os apoiaria e acreditaria neles enquanto estivessem naquele lugar. Mas agora que Passos Coelho assumirá em breve o comando do País, não consigo ter a mesma fé.

Gostava de poder acreditar no País, nos seus governantes, no seu Povo, da maneira como acredito na Selecção Nacional, nos jogadores, na equipa técnica. A sério que gostava. Quero acreditar que a mudança que o eleitorado pediu valerá realmente a pena, que as coisas vão melhorar, que a crise será vencida, ultrapassada, esquecida, de uma vez por todas. Suponho que a diferença resida no facto de a Selecção retribuir, mais cedo ou mais tarde, o apoio, a fé, que lhe são dedicados. O País, os políticos, apenas nos desiludem, apenas pioram cada vez mais a situação.

O tempo dirá se tudo isto valeu a pena, se a alma não é pequena. Entretanto, a Equipa de Todos os Nós deu-nos mais um motivo para acreditar que, daqui a um ano, estaremos na Polónia e na Ucrânia, talvez, quem sabe, esticando um pouco os limites do realismo, lutando pelo título. Já o disse mil vezes, de mil formas, mas volto a repeti-lo: enquanto a boa fase da Selecção Nacional se prolongar, as coisas nunca estarão assim tão más.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Tudo o que é preciso

A Selecção Portuguesa de Futebol tem andado a preparar o confronto com a sua congénere norueguesa - que se realiza amanhã, às 21h, no Estádio da Luz, com transmissão televisiva a cargo da RTP - há cerca de semana e meia mas só na Terça-feira passada é que o grupo ficou completo, depois de Nani, Bruno Alves, Danny e Paulo Machado se terem juntado aos colegas.

O Nani vinha em baixo por causa da derrota do Manchester United na final da Liga dos Campeões mas, segundo dizem, recuperou a boa disposição entre os companheiros da Equipa de Todos Nós. Apenas mais um exemplo do companheirismo que - todos o garantem - reina na Selecção. Eu agora fico sempre com um pé atrás quando me dizem estas coisas. Também o diziam no tempo de Carlos Queiroz e, mais tarde, veio a saber-se que não era bem assim... De qualquer forma, recentemente pude vê-lo com os meus próprios olhos e não notei nada de errado. Conforme já descrevi na entrada anterior, o ambiente parece positivo. Não parece haver motivos para preocupações.

Estava a contar ter oportunidade para publicar umas quantas entradas ao longo deste estágio invulgarmente longo, mas não tenho tido grande assunto sobre que escrever. Mas tenho procurado! Todos os dias folheio os jornais no meu café preferido, consulto as notícias na Internet, cheguei mesmo a ver a entrevista que Paulo Bento deu à RTP no domingo passado. Dou-me ao trabalho de, literalmente, copiar para o caderno onde faço os rascunhos para as entradas do blogue as declarações dos jogadores, na esperança de que alguma frase deles motive um texto jeitoso. Sem sorte.

Todos eles, jogadores e treinador, dão a entender que tudo corre bem no seio da Equipa de Todos Nós. "As coisas voltaram à normalidade e ao bom caminho... [Vitória no Sábado e consequente primeiro lugar] é meio caminho andado para o apuramento... Estamos na máxima força... Todo o grupo está motivado para alcançar os seus objectivos... Dependemos de nós próprios e não queremos desperdiçar essa vantagem... Há que vencer o jogo com a Noruega para irmos de férias descansados... Temos um enorme respeito por uma equipa com quem perdemos na primeira volta e conhecemos bem  a [sua] força e o [seu] jogo mais físico (...) Mas não temos medo...  Se jogarmos ao nosso nível temos grandes hipóteses de ganhar... [A Selecção] dá tudo pelos adeptos... Precisamos deles neste momento tão importante... Todos afinam pelo mesmo diapasão, usam palavreado diferente para transmitir a mesmíssima mensagem, sem nunca se desviarem do politicamente correcto.

Não me interpretem mal. Eu sei que isto significa que eles estão em sintonia, unidos, confiantes, motivados, concentrados (ou, pelo menos, tencionam transmitir essa imagem). Isso é bom. Muito melhor do que no Verão passado, em que ninguém se entendia e a Selecção ia-se desintegrando.  Mas também é uma seca. É uma seca porque, assim, não tenho nada de novo para escrever no blogue. Carlos Queiroz não era uma figura consensual na Opinião Pública. Nessa altura, tinha sempre oportunidade de ir contra tudo e contra todos ao exprimir o meu apoio, a minha fidelidade, a minha fé, e de estimular os outros a fazerem o mesmo. Mas agora que o povo está de bem com a Selecção, não há nada de novo a dizer.

É nestas alturas que compreendo por que é que a Comunicação Social gosta tanto de polémicas. Por que é que, tantas vezes, espicaça os protagonistas, encoraja guerras de palavras, inventa casos. A falta de assunto chega a ser desesperante até para mim, que não passo de uma blogueira ocasional, que só publica duas ou três entradas de tantas em tantas semanas!

É nestas alturas que quase desejo uma declaração mais para o controverso, por exemplo, umas ameaças com as que os nossos "amigos" dinamarqueses gostam de fazer quando jogam connosco. Mas nunca desceria ao nível de provocar situações destas, como fazem os media. Uma coisa é compreender os motivos por que o fazem. Outra coisa, muito diferente, é concordar com o que fazem.

As declarações que vêm do outro lado, tanto quanto sei, têm sido tudo menos provocadoras. Aliás, o seleccionador norueguês, Egil Olsen, chegou a afirmar que considera-nos a melhor Selecção do Mundo por termos goleado a campeã Mundial. Não digo que sejamos os melhores mas já provámos que podemos enfrentar como iguais algumas das melhores selecções do Mundo. É por estas e por outras que, para o jogo de amanhã, somos claros favoritos. Nesta altura do campeonato, ninguém acredita que falharemos o apuramento. Há dois anos era ao contrário...

Mas considero perigosa esta filosofia. Já vi que chegue para não alinhar em vencedores antecipados. A Noruega tem alinhado o seu físico à experiência, pode ser um adversário à altura e já nos venceu nesta fase de qualificação. É certo que as circunstâncias eram tremendamente desfavoráveis mas serviu para provar que, mais uma vez, no futebol não há impossíveis.

A vitória, aliás, pode não ser suficiente para o primeiro lugar. Precisamos de marcar golos para ultrapassarmos a Noruega na tabela classificativa. Nesse aspecto, os noruegueses partem com uma vantagem relativa pois, para se manterem no topo, basta marcarem e perderem pela margem mínima, amanhã.

De qualquer forma, não acredito que tal aconteça. Temos uma defesa sólida, com um guarda-redes competente que de certeza não voltará a cometer o erro humilhante que nos fez sofrer um golo e sair de Oslo derrotados. Temos vários jogadores capazes de marcar golos, incluindo dois pontas-de-lança com potencial para serem titulares e um que marcou quarenta golos na liga onde compete e afirma que "a mira está boa para um golinho".

Outra das nossas armas será o factor casa. Jogadores e treinador têm feito variados apelos ao longo do estágio, estimulando o povo a ir assistir ao jogo. Temos como dois exemplos, os seguintes vídeos:




Por acaso, estava com medo que as pessoas não fossem por ser demasiado caro. O próprio Amândio de Carvalho admitiu que os preços dos bilhetes deviam ser revistos tendo em conta as actuais condições económicas. Mas parece que o pessoal anda a responder ao apelo e que os bilhetes se encontram em via de se esgotarem. Álvaro Albino, responsável federativo, chegou a afirmar:

- A certa altura, o público desligou-se um pouco da Selecção, mas aos poucos tem vindo a ser reconquistado. Estamos a voltar à fase em que há um apoio massivo à Selecção Nacional e isso vai certamente reflectir-se neste jogo.

Em momentos como este, é claro que toda a gente se reúne em torno da Selecção, manifesta o seu apoio. Grande coisa! Não são nestes momentos que se descobrem os verdadeiros adeptos... Mas não quero falar disto, não hoje. É sempre preferível quando a Selecção é verdadeiramente a Equipa de Todos Nós, quando o estádio enche e dá condições para ser criado o mítico Inferno da Luz, para intimidar os noruegueses. E, de qualquer forma, tal como afirmei na semana passada, com ou sem verdadeiros adeptos, quando a Turma das Quinas ganha, a alegria é geral, unânime, democrática, sem amarguras clubísticas.

O jogo é já amanhã. Já começo a sentir o típico entusiasmo que precede os encontros da Selecção Nacional. Como podem ver, temos tudo o que é preciso para fazermos um grande desafio, para vencermos os noruegueses. E apesar do que disse acima, apesar de ter sido feito um apelo à humildade, não resisto a concluir esta entrada com uma dose "saudável" de arrogância, repetindo o que disse aos nossos adversários, há uma semana: we're gonna kick their asses! E acrescento: vamos demolhá-los e ultracongelá-los, como fazemos aos bacalhaus que lhes compramos! Vamos vingar a derrota de Oslo! Vamos dar mais um passo a caminho do Europeu 2012, a realizar dentro de um ano na Polónia e na Ucrânia! Vamos provar-lhes que eles têm razão: que nós somos a melhor Selecção do Mundo!

sábado, 28 de maio de 2011

"We're gonna kick your asses!"

Ontem de manhã a Selecção Nacional cumpriu o seu quarto treino de preparação para o jogo com a Noruega, o último realizado no Estádio Nacional. E eu estive lá!

Sabia que neste estágio ocorreriam muitos treinos abertos ao público, mais do que o habitual. Tinha lido e ouvido acerca da significativa insistência a estas sessões e ficado verde de inveja. Decidi que gostaria de tentar assistir a um, talvez na próxima semana. Só mais tarde é que percebi que eles, na próxima semana, estariam em Óbidos e, por isso, só tinha esta manhã para ver a Selecção. E para isso tinha de faltar às aulas teóricas.

Não foi uma decisão fácil de tomar. Não sou do tipo de me baldar às aulas e explorar lugares desconhecidos. Nunca fui. Das poucas vezes em que fiz desvios, meti-me em tantos sarilhos que ganhei anticorpos. Em todo o caso, fiz umas pesquisas na Internet. Para ir até ao Jamor - zona, aliás, que conheço muito mal - teria de apanhar um comboio na Linha de Cascais, pela primeira vez na minha vida.

Mas depois pensei, precisamente, que ninguém se poderia queixar de mim, muito menos quando comparada com a juventude de hoje. E não ia propriamente passar a noite fora de casa, na borga, rodeada de álcool e drogas. Tenho vinte e um anos e passei um terço deles sonhando com uma coisa destas, com largar tudo, fugir da escola/Faculdade, dos exames, para ir atrás da Selecção. Esta aventura seria o mais próximo que teria de uma experiência dessas. Além disso, o meu fim-de-semana ia ser horrível, fechada em casa a estudar. Dava-me jeito uma experiência como esta para quebrar a rotina, ter algo bom a que me agarrar, que me ajude a sobreviver a estes dias. Por fim, isto dar-me-ia a oportunidade de escrever uma entrada diferente aqui no blogue, em vez de uma 768ª entrada à volta da ideia: "A Selecção está a voltar aos bons tempos e serve de remédio anti-crise".

Por isso, fui. Apanhei o Metro até ao Cais do Sodré e depois o comboio até Cruz Quebrada, tal como vira na Internet. Várias vezes senti o impulso de voltar para trás, para a zona de conforto, sobretudo ao dar com a estação de Cruz Quebrada, minúscula, antiquada, praticamente deserta, ao descobrir que teria de andar um bom bocado a pé até chegar ao Estádio, por ruelas vazias e na margem de estradas com pouquíssimas travessias para peões. Mas obriguei-me a continuar em frente, usando os holofotes do Estádio assomando entre as árvores como ponto de referência.

A minha primeira vitória foi quando, depois de uma subida significativa, cheguei aos portões do Estádio Nacional. Conseguira! Eram cerca de nove horas e vinte minutos. A última vez que estivera no Jamor fora cinco anos antes, depois de sermos expulsos do Mundial 2006. Nesse momento, tocava Here I Am no meu leitor de MP3. Nunca uma música se adequara tanto ao que estava a viver, naquele momento. Cantei, em voz alta:

"Here I am
This is me
There's nowhere else on earth I'd rather be..."

Àquela hora, já a equipa técnica preparava o campo para o treino e meia dúzia de pessoas aguardavam junto aos portões. Confirmei com elas que o treino seria aberto ao público, começaria às dez, duraria cerca de uma hora. Uma carrinha da TVI encontrava-se estacionada no lado de dentro dos portões, carros da SIC e da SportTV iam chegando. Na tenda branca, situada à nossa direita, ouviam-se vozes e eu calculei que um dos Marmanjos estivesse a responder às perguntas dos jornalistas. Mais tarde, descobri que era o Varela.

Às vinte para as dez, Paulo Bento apareceu. Foi também nessa altura que nos abriram os portões. De repente, circulávamos entre jornalistas e polícias, com apenas um baixíssimo muro separando-nos do campo, onde os jogadores começavam a entrar, vindos dos balneários subterrâneos.

O treino começou com jogadores como Ricardo Carvalho, Hélder Postiga, Rolando, João Moutinho, Rui Patrício, Eduardo, trocando a bola entre si. Quando um falhava, os outros "castigavam-no" com palmadinhas na cabeça. Reinava a boa disposição. As gargalhadas, os gritos dos marmanjos, as ordens dos técnicos eram perfeitamente audíveis. O treino assemelhava-se um pouco a uma aula de Educação Física. Observei-os fazendo exercícios de aquecimento, de circulação de bola, em jogos de treino. Tudo era familiar, de acordo com o que já havia lido e ouvido acerca destas sessões. Em teoria, bastaria chamar pelos Marmanjos para que estes olhassem para mim, bastaria saltar o muro para ir ter com eles ao campo. Mas a minha timidez levou a melhor. Quando, por exemplo, o Cristiano Ronaldo entrou em campo, esteve um bocado no banco, à conversa com Fábio Coentrão e Carlos Martins. Podia ter gritado por ele, ele poderia ter olhado para mim. Não arranjei coragem...

Além de que, se tentasse invadir o campo, os polícias detinham-me facilmente.

Felizmente, outros não eram tão tímidos como eu. Estava lá um par de benfiquistas, exibindo um cartaz dizendo "Coentrão (Ben)Fica", que, quando o visado entrou em campo, começaram a cantarolar. Fábio chegou a acenar-lhes. Já perto do fim do treino, ouvi os dois lampiões cantando:

- És o orgulho do Benfica!

Eles chegaram a ser filmados pela RTP, podem vê-lo AQUI. Só que, mais tarde, o Fábio deixou bem claro que queria ir para o Real Madrid. Coitados daqueles dois...

Ao longo do treino, fui tirando fotos e gravando vídeos, com o meu telemóvel. Não têm, por isso, grande qualidade, como podem ver pela fotografia acima. Fui dando a volta ao campo, para poder ver o treino de todos os ângulos possíveis. Durante algum tempo, fiquei a ver o Eduardo realizando trabalho específico de guarda-redes, a partir de uma zona sem mais adeptos para além de mim. Achei graça ao ouvir o técnico dos guarda-redes dando gritos de incentivo ao Eduardo, chamando-lhe "Edu", enquanto trabalhavam os pontapés de canto. Quando fizeram uma pausa para trocar de lado, o Eduardo reparou na única adepta ali perto, uma miúda vestindo calças de ganga, um top preto, um boné branco da Selecção, um cachecol de Portugal à volta do pescoço. Eu acenei-lhe e ele retribuiu. Primeira vez que tive contacto directo com um jogador da Selecção!

Eu sei, sou cá uma totó...

Já mais perto do fim do treino, juntei-me a um grupo de pessoas que haviam juntado, não muito longe da zona onde estavam as câmaras todas. Fiquei perto de um senhor que tinha nas mãos uma camisola do Benfica e um marcador. Também tirei para fora o meu caderno - onde havia tomado notas para escrever esta entrada ao longo do treino - e uma bic, na esperança de que os Marmanjos viessem distribuir autógrafos. No fim do treino, o senhor que referi acima pediu a um membro da equipa técnica que levasse a camisola ao Carlos Martins para que ele a assinasse. O técnico recusou-se, aconselhou-nos a chamar pelos jogadores. Não tivemos, portanto, outro remédio. Ele chamou pelo Martins, eu pus-me a gritar coisas tipo:

- Portugal! Ronaldo! Autógrafo! - enquanto acenava com o caderno e me sentia como uma idiota.

O Cristiano acabou por olhar na minha direcção, de longe. Eu congelei. Limitei-me a olhar para ele, provavelmente com cara de parva, incapaz de acenar ou de fazer um gesto que fosse. E aposto que se isto tivesse acontecido há uns anos, quando nutria uma paixão platónica pelo madeirense, faria figuras ainda mais tristes. O que vale é que ele deve estar habituado a que as pessoas, sobretudo raparigas, se comportem assim na sua presença.

Os Marmanjos desceram de imediato para os balneários, para nossa desilusão. Só o Ronaldo ficou mais um pouco em campo, assinando camisolas e tirando fotografias com umas pessoas.

- O Ronaldo é sempre o mais requisitado - comentei para outro senhor, à minha direita.

- Talvez ele venha, como olhou para ti... - disse ele.

Não chegou a vir, contudo. Não lho levei a mal, pois já tinha andado a distribuir autógrafos. Mas os outros Marmanjos podiam ter vindo. Que diabo, eles depois iam entrar em folga, não podiam sacrificar uns cinco minutinhos do seu tempo para virem dizer "olá"?

Em todo o caso, mal vi que não conseguiria aproximar-me dos Marmanjos, dirigi-me a um membro da equipa técnica, que conduzia não sei aonde um grupo de miúdos pequenos que tinham estado a assistir ao treino e pedi-lhe que entregasse um bilhete dobrado em quatro a um dos jogadores. Tinha mesmo escrito "Para a Selecção" num dos lados, para não dar azo a enganos. O homem deve ter pensado que era um bilhetinho de amor, ou assim. Na verdade, era um bilhetinho contendo o link para uma carta de amor muito maior: o meu blogue. Tinha jurado que não sairia dali sem, pelo menos, fazer chegar esse bilhete ao um dos Marmanjos. Não sei a qual deles o vai receber, se já algum deles o recebeu, ou se já foi esquecido num lugar qualquer. Mas ao menos fiz a minha parte.

Quando me preparava para sair do estádio, um repórter, acompanhado pelo cameraman chamou-me e pediu-me, em inglês, para lhe responder a umas perguntas. Disseram que era para uma televisão norueguesa. Aceitei e esta entrevistazinha acabou por ser o momento mais divertido da manhã. Vou transcrever, o melhor que me lembro, a entrevista:

- How important is this match for Portugal? (Qual é a importância deste jogo para Portugal?) - começaram eles por perguntar.

Não percebi porque me perguntavam isso. Não deveriam fazer essa pergunta a Paulo Bento ou aos jogadores? Que sei eu que eles não saibam? Mas lá me armei em importante e respondi o que já muitos disseram:

- It's pretty important. It's not decisive (na altura nem tinha a certeza se esta palavra existia), it's not gonna decide the qualification but if we beat you guys we'll be first. (É bastante importante. Não é decisivo, não vai decidir a qualificação mas se vos vencermos, seremos primeiros)

- How was it to see Ronaldo training? (Como é que foi ver o Ronaldo a treinar?)

- It's pretty exciting. We're used to only see him through the television and to see him only a few metres away... (É muito excitante. Estamos habituados a vê-lo só na televisão e vê-lo a apenas alguns metros de distância...)

- How was it to see the team training? (Como é que foi ver a equipa a treinar?)

- It was really exciting. I know how the training is, what kind of exercises they do, but to see it live it's a whole different thing... I'm crazy about Portugal's National Team and it rocked to be here. (Foi muito excitante. Sei como o treino é, o tipo de exercícios que fazem, mas vê-lo ao vivo é uma coisa totalmente diferente... Eu sou doida pela Selecção Portuguesa e foi o máximo estar aqui.)

- Which one is your favorite player? (Qual é o teu jogador preferido?)

- I don't have one, I love them all... (Não tenho, adoro-os a todos...) - como eles insistissem, lá respondi - Well, I like Ronaldo because he's... he's Ronaldo. But I also like Eduardo, the goalkeeper, Nani, who's not here, Moutinho, Hélder Postiga... (Bem, gosto do Ronaldo porque ele é... ele é o Ronaldo. Mas também gosto do Eduardo, o guarda-redes, Nani, que não está cá, do Moutinho, do Hélder Postiga...)

- You love them all (Tu adora-os a todos) - concluiu o norueguês, divertido.

- Yeah...

Por fim, a pergunta da praxe:

- Who's gonna win? (Quem é que vai ganhar?)

- Portugal, of course! We're gonna kick your asses! (Portugal, é claro! Vamos dar-vos um chuto no rabo/dar cabo de vocês) - rematei, entre gargalhadas.

Eles riram-se também.

- Good one! (Boa!)

Despedi-me e saí do estádio, divertida, satisfeita por ter falado um inglês razoável, sem gaguejar muito, e por ter dito o que queria dizer. Graças às notas que havia tomado, tinha as respostas mais ou menos bem preparadas. Confesso que soube-me bem eles terem querido ouvir-me, fez-me sentir importante, eh eh! E marcar a posição da minha equipa com a ameaça final. Gostava de ver o vídeo com a entrevista, se eles o passarem na televisão norueguesa. Agora só espero que os Marmanjos cumpram a sua parte e vençam a Noruega, senão, terei feito figuras tristes...

Quando ia a descer a rua, de regresso à estação de comboios, ainda pude ver o autocarro da Selecção a passar. Acenei-lhes com entusiasmo, mas eles passaram muito depressa. Só reconheci o Moutinho, de relance. Nem sei se eles repararam em mim. Mas foi um belo encerramento para aquela que foi, sem sombra de dúvida, uma das melhores manhãs da minha vida!

Se me matassem, naquele momento, morreria feliz. Por ter ignorado o medo que sentia e ter conseguido, sozinha, chegar à Selecção. Mas isto não fica por aqui. Agora que sei o caminho, tenciono voltar ao Jamor sempre que puder, quando a Equipa de Todos Nós estiver lá a treinar, com direito a assistência. Sai mais barato do que ir aos jogos (é só o preço dos bilhetes de Metro e comboio) e é quase tão bom. Pode ser que, das próximas vezes, consiga autógrafos e fotografias com os jogadores. Tenciono tornar-me num rosto conhecido no Jamor. Sempre gostei de chamar a mim própria "adepta hardcore" mas, na verdade, nunca tinha passado do sofá e do computador. Até agora. O meu clube é a Selecção! E agora começo a demonstrá-lo de outras formas.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Dando seguimento

No próximo dia 4 de Junho, a Selecção Portuguesa de Futebol receberá, no Estádio da Luz, a sua congénere norueguesa, em jogo a contar para a Qualificação para o Europeu a realizar na Polónia e na Ucrânia dentro de um ano.

Os Convocados para este encontro foram anunciados ontem, Segunda-feira, dia 23 de Maio, e reunir-se-ão em  Oeiras, amanhã, Quarta-feira, dia 25. Terão uma semana e meia de estágio, já que a época futebolística terminou no fim-de-semana passado, praticamente só faltando a final da Liga dos Campeões. Não faltará tempo para preparar o jogo e poderemos desfrutar de um período mais longo do que o habitual com os holofotes voltados para a Selecção. Só vantagens! Deviam fazê-lo mais vezes! 

Passaram-se cerca de oito meses desde a última ronda de qualificação, em que defrontámos e derrotámos a Dinamarca e a Islândia. Em Outubro, tinha passado cerca de um mês, um mês e meio desde o início da época. Depois de um prolongado drama que culminou com o despedimento do anterior técnico, Paulo Bento acabara de assumir o cargo e preparava a sua estreia no banco da Selecção. Depois de uma primeira jornada dupla que roçara o desastroso, o apuramento equilibrava-se já num trapézio sem rede. Tinha acabado de ser anunciado o PEC III, para entrar em vigor em 2011, segundo o qual os nossos salários seriam cortados e os nossos impostos aumentados. 

Hoje estamos em final de época, uma época brilhante para o futebol português, tendo em conta que colocámos três clubes portugueses nas meias-finais da Liga Europa e dois na final, pela primeira vez; e que Cristiano Ronaldo ganhou a Bota de Ouro e quebrou recordes ao marcar 40 golos na liga. Pena foi o Real Madrid não se ter qualificado para a final da Liga dos Campeões. Talvez Nani o vingue e o Manchester United vença o Barcelona - mas sei que será difícil.

Em contrapartida, neste intervalo de tempo, o PEC III foi posto em prática, Cavaco Silva foi reeleito Presidente da República nas eleições de Janeiro, o PEC IV foi apresentado e chumbado, o Governo ardeu, as eleições que visam decidir o substituto foram marcadas para o dia a seguir ao jogo com a Noruega, foi pedido auxílio externo e a Troika veio para Portugal. Em Outubro, a situação do País era má. Hoje não está melhor em nenhum aspecto - pode-se dizer que está pior - excepto no plano futebolístico. 

Hoje preparamos um jogo, nas palavras de Paulo Bento, "extremamente importante, de grande responsabilidade" em que uma vitória nos possibilitará o acesso ao primeiro lugar do grupo de qualificação. O Seleccionador também recordou que não se trata de um encontro decisivo para o apuramento. Mas certamente contribuirá bastante.

Eu, como sempre, desejo uma vitória por parte da nossa Selecção. Como já antes referi (e às vezes penso que não escrevo outra coisa aqui no blogue, mas também não há muito mais a dizer...), para dar mais uma prova de que a Equipa de Todos Nós se levantou depois de ter dado uma queda feia durante o Verão passado. Para dar uma alegria ao povo português, numa altura em que a única luz que se vislumbra no fundo do túnel é um comboio a toda a velocidade na nossa direcção (talvez o TGV...), no dia escolhido para reflectirmos sobre qual dos incompetentes nos azucrinará durante os próximos anos. Para darmos seguimento à boa época para o futebol português que o FC Porto, o Braga e o Benfica nos proporcionaram, com uma nova alegria, desta vez sem ser pontuada por amarguras bracarenses e benfiquistas. Não resolverá a crise, não trará políticos competentes, mas aliviar-nos-à a depressão, nem que seja apenas por uma noite.  
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...