sexta-feira, 18 de novembro de 2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Portugal 6 Bósnia 2 - Uma autêntica final
Há cerca de um ano e um mês que sonho com esta entrada no blogue - desde que Paulo Bento assumiu o comando técnico da Selecção Portuguesa de Futebol conseguindo, em poucos dias, pô-la a vencer e a golear, relançando-a na luta pela Qualificação para o Campeonato Europeu de 2012, a realizar-se na Polónia e na Ucrânia. Isto apesar de, quando esta chegou às suas mãos, a Equipa de Todos Nós se encontrar praticamente destruída, após um Campeonato do Mundo que deixou bastante a desejar e um caso desagradável (e "desagradável" é um grande eufemismo) no seu rescaldo que culminou num trágico arranque de apuramento e no despedimento nada amigável do antigo Seleccionador. Essa crise está definitiva e finalmente ultrapassada - como eu sabia que acabaria por acontecer - após um jogo do outro mundo, ontem à noite - como eu não sabia que iria acontecer.
Realmente, até dá gosto escrever sobre jogos como a segunda mão do playoff de acesso ao Euro 2012. Dá gosto é como quem diz... Eu adoro escrever sobre a Selecção independentemente das circunstâncias mas recordar momentos como meia dúzia de golos fenomenais, os invulgarmente efusivos festejos de Paulo Bento, dezenas de milhares de pessoas gritando poderosamente "POR-TU-GAL! POR-TU-GAL!" e cantando o hino a uma só voz, os jogadores abraçando-se e atirando-se para cima uns dos outros, dulcifica imenso a coisa.
Por outro lado, devo confessar que, apesar de me ter dado um prazer especial, esta entrada levou-me tremendas quantidades de tempo a escrever. No meu caderno de rascunhos tenho páginas e páginas cheias de notas. São tantas as coisas de que queria falar, mas infelizmente vou ter de deixar algumas de fora. E, já assim, a entrada vai ser longa, por isso, preparem-se!
Duvido que alguém estivesse à espera de uma vitória tão expressiva quando a Selecção Nacional entrou em campo, ontem à noite. Eu, pelo menos, quando me sentei na minha sala de estar, com o computador portátil no colo, não imaginava que sairíamos da Luz com seis golos marcados. Como costumo fazer quando assisto aos jogos a partir de casa, estava ligada ao Twitter. Aqui ia publicando os meus comentários (apesar de ser pouco provável que estes fossem lidos) e ia lendo as reacções de portugueses e estrangeiros um pouco por todo o mundo - a beleza da Internet! E foi bom ver termos relacionados com Portugal no Top 10 dos Trending Topics, para variar.
A Selecção entrou no seu melhor, cheia de garra, decidida a sair da Luz com o passaporte carimbado para a Polónia e a Ucrânia. Daí que a primeira oportunidade de perigo para a baliza da Bósnia-Herzegovina tenha surgido logo aos cinco minutos. E que Cristiano Ronaldo tenha marcado o primeiro golo aos oito minutos, de livre. Um tiro espectacular, mesmo à CR7. Achei graça quando, após o golo se ouviram algumas notas do "Bailinho da Madeira" em honra do madeirense mais amado de todos os tempos.
Mais tarde, soube que, já durante o aquecimento, o Cristiano havia dado sinais claros de que se ia empenhar, de que não queria ficar de fora do Euro 2012. Se era por interesse próprio, pela sua própria mediatização, ou se pela Equipa de Todos Nós, não sei. Talvez fosse por ambos os motivos. Independentemente do egoísmo ou altruísmo das intenções, a verdade é que o jogo de Terça-feira à noite foi um dos melhores dele vestindo a camisola das Quinas e ele contribuiu muito para a vitória. A profecia do outro que eu mencionei na entrada anterior, de que dia 15 seria a noite de Cristiano Ronaldo e de que as 21 seriam a hora dele estava correcta. Mas a minha profecia de que dia 15 seria a noite de toda a Turma das Quinas e de que as 21 seriam a nossa hora também estava correcta uma vez que Ronaldo não foi o único Marmanjo a brilhar na Luz.
Nani, que completa hoje 25 anos de vida, foi um deles ao disparar sobre a baliza bósnia de fora da área. Um golo que me fez exclamar:
- Fogo!...
Estava provado que os Marmanjos estavam inspirados naquela noite. Achei graça ao tweet, mais uma vez, de @lidiapgomes: "Ataque à bomba na Luz".
Ora, a alegria por estes dois primeiros golos foi-me parcialmente roubada pela televisão de sinal digital. O meu pai e o meu irmão haviam chegado mais tarde a casa e estavam na cozinha, vendo o jogo enquanto jantavam. A televisão deles estava mais adiantada. Como tal, quando eles gritaram "GOLO!", eu ainda via a bola nos pés dos Marmanjos... Acabei por pegar no portátil e mudar-me para a cozinha.
O penálti a favor da Bósnia e consequente golo acabou por surgir um pouco contra a tendência do jogo. Safet Susic, o seleccionador da Bósnia, havia dito que o jogo seria decidido nos detalhes. Agora percebia o que ele queria dizer.
O jogo chegava ao intervalo com um resultado que não correspondia ao que de facto se passara em campo e pouco tranquilizador para as cores nacionais. Se os Bósnios anulassem a desvantagem, seriam apurados por terem marcado fora. Tudo era possível e a única certeza que tinha era que ainda haveria muito para ser jogado naquela noite.
Entretanto, o meu pai e o meu irmão acabaram de jantar. Agora, sem televisões adiantadas ligadas, viemos para a sala.
No início da segunda parte, os adeptos portugueses estavam menos exuberantes nas suas manifestações de apoio. Não os posso censurar, sobretudo porque, durante o resto do tempo, mereceriam cinco estrelas. Excepto quando assobiaram o hino bósnio. Apesar de compreender a atitude deles e não poder julgar, acho que isso estava fora dos limites. Em todo o caso, corresponderam ao pedido de apoio por parte de Cristiano Ronaldo. E o capitão da Turma das Quinas agradeceu marcando o terceiro golo da Selecção, na jogada seguinte. Depois, bem ao seu estilo, ter-se-à dirigido aos adeptos bósnios perguntando:
- Mess? Quem é Messi? - Ah, grande Ronaldo!
Este foi o seu 32º golo pela Equipa das Quinas, destronando, deste modo, Luís Figo - ironicamente na mesma noite em que a antiga estrela da Selecção foi homenageada pelas suas 109 internacionalizações. Mas acho que o Figo não se importa. Aqueles que dizem que o Ronaldo só dá o seu melhor pelos clubes começam a ficar sem argumentos. O madeirense encerrará o ano de 2011 com sete golos marcados com a camisola das Quinas - igualando o recorde de 2004. António Oliveira resumiu bem a situação: "Finalmente foi criada uma sintonia perfeita entre a equipa e o jogador". Agora só tem Eusébio e Pauleta acima dele na tabela dos goleadores da Equipa de Todos Nós. E visto que ainda vai a meio da carreira, qualquer dia ainda os vai destronar...
Desta feita, o prazer do golo foi-me de novo roubado, não pelo meu pai e irmão, mas pelos vizinhos de cima. Parecia mesmo que o sinal digital tinha tirado o dia para se divertir à minha custa. Irritada, acabei por voltar para a cozinha, desejando que a Selecção marcasse mais um golo, para eu poder celebrar como deve ser.
Podia ter celebrado alguns minutos mais tarde se a equipa de arbitragem tivesse visto Papac ajeitando a bola com as mãos na área da Bósnia de uma forma bem mais ostensiva do que no lance que dera o penálti à Bósnia. Mas os árbitros pareciam estar a sofrer de uma miopia bastante selectiva, naquela noite. Miopia essa que voltou a manifestar-se minutos mais tarde, quando não viram o fora-de-jogo de Spahic no lance do segundo golo deles. Mais um detalhe, mais um pormenor tornado pormaior. Houve quem twittasse que havia ali um dedinho de Michel Platini. Não me surpreenderia...
Estávamos de novo com uma vantagem precária que, apesar de nós sermos claramente melhores, poderia ser anulada por outro detalhe, por outro capricho do destino. Estava a ser um verdadeiro jogo da Equipa de Todos Nós, com todo o sofrimento que a ele costuma estar associado, cheio de emoções fortes. Uma autêntica final. Parecia, de certa forma, um resumo de toda a caminhada para a fase final do Euro 2012, com todos os momentos de brilho, de garra, mais os inesperados tropeções e momentos menos bons. Tudo podia acontecer, todos os desfechos desta história eram possíveis. Mas eu acreditava, como nunca deixo de acreditar. Acreditava que a Selecção marcaria mais um golo e consolidaria a vitória.
E não me enganei.
Hélder Postiga marcou aos 72 minutos, após uma excelente assistência por parte de Ruben Micael, dando-me, finalmente, a oportunidade de gritar "GOLO!" e travando de vez os bósnios. Menos de dez minutos depois, foi marcado um pontapé livre perigoso a favor de Portugal. À semelhança do que acontecera nos livres anteriores, o público chamou por Ronaldo, mas aquela zona era a especialidade de Miguel Veloso. Por isso, o Marmanjo pediu para ser ele a executar o pontapé livre. Ronaldo aceitou e, deste modo, Veloso teve também direito ao seu momento de glória.
Ainda não tinham passado três minutos, já Hélder Postiga cabeceava para o interior da baliza bósnia, marcando o seu segundo golo naquela noite. Houve quem dissesse que ele estava a sorrir quando fez esta jogada. É bem possível.
Estava feito o resultado, embora eu ainda esperasse mais um golo. Nas bancadas cantava-se o hino de Portugal, celebrava-se já o apuramento. Depois do apito final, os jogadores juntaram-se à festa. Nos holofotes soaram as primeiras notas do Hino Nacional e toda a Luz, todos os jogadores, toda a equipa técnica, todos os adeptos presentes no estádio, todos os portugueses seguindo o jogo à distância, em suma, toda a Selecção Nacional cantou a uma só voz. Um momento lindo e, tanto quanto sei, inédito excepto em finais, que encerrou com chave de ouro um jogo que teve todas as características de uma grande final.
Que a Selecção tenha a oportunidade de voltar a cantar o Hino Nacional no fim de um jogo em Junho do próximo ano!
Falou-se da Troika de ataque constituída por Cristiano Ronaldo, Nani e Hélder Postiga. Aqueles que mais marcaram ao longo da fase de qualificação. Cada um deles marcou no Estádio da Luz. Muita gente parece surpreendida por o Hélder Postiga ter marcado duas vezes, mas não compreendo porquê. Na minha opinião, ele tem sido injustamente subvalorizado pelo público. Não posso falar do clube mas na Selecção tem tido quase sempre bons desempenhos, não só nesta fase de qualificação mas há já vários anos. Sempre foi um dos meus jogadores preferidos. OK, admito que comecei a gostar dele quando tinha treze ou catorze anos pelo seu aspecto (e ainda hoje acho que ele não é nada feio...) mas ao longo dos anos fui ganhando melhores argumentos para gostar dele: é humilde, empenhado, ajuizado, não procura protagonismo e há muito que é um talismã para a Equipa das Quinas. Eu já reconheci o potencial dele, espero que este jogo tenha servido para outros reconhecerem.
O próprio Hélder observou que ele marca sempre na Luz, sempre naquela baliza, curiosamente. Se não me engano, isso aconteceu duas vezes no particular com a Espanha, há precisamente um ano, e no jogo com a Noruega. Um dos comentadores da RTP comentou mesmo que o Hélder devia era arrancar aquela baliza e levá-la para a Polónia e para a Ucrânia - adorei esta frase. Eu costumo dizer mal dos comentadores televisivos mas estes, quando querem, até têm uns rasgos de inspiração...
Mas eu não queria falar apenas da Troika de ataque (que, curiosamente, é constituída por, provavelmente, os meus três jogadores preferidos da Selecção). Quero falar deles em conjunto com o Miguel Veloso, o Hugo Almeida, o João Moutinho, o Fábio Coentrão, o Rui Patrício, o Ricardo Quaresma, entre outros - uma geração que, desde há alguns anos a esta parte, tem dado muito à Equipa de Todos Nós e, visto ainda serem relativamente jovens, julgo que ainda têm tempo para crescerem ainda mais e para darem ainda mais à Selecção. Eu, pelo menos, tenho fé nestes rapazes.
Mas isso seria mais a longo prazo. A curto/médio prazo, temos um Campeonato da Europa para preparar. Já se fazem prognósticos sobre o desempenho da Selecção no Europeu, mas eu prefiro não ir por aí, pelo menos não para já. A euforia ainda está demasiado fresca. Além disso, prefiro saber ao certo o que teremos de enfrentar. E nem me vou pôr a fazer prognósticos sobre o próprio sorteio, nem me vou pôr a dizer quais as selecções mais ou menos convenientes para nós. Para quê? Não podemos influenciar o sorteio... Que seja o que Deus quiser. E não teremos de esperar muito para se conhecer a Sua vontade visto que o sorteio é já dia 2 de Dezembro.
Mas uma coisa confesso: depois de tudo por que a Turma das Quinas passou no último ano e meio, quero ver até onde esta Selecção renascida é capaz de ir.
Encerra-se deste modo inacreditável a caminhada para o Europeu de 2012. Provámos que coisas como seleccionadores de fraco carácter, dirigentes corruptos, jogadores desertores, notícias desestabilizadoras, relvados manhosos, adeptos hostis, dirigentes estrangeiros que não colaboram, árbitros de imparcialidade duvidosa, presidentes de parcialidade quase provada cientificamente, podem complicar-nos a vida mas, no fim, não chegam para nos impedir de alcançar os nossos objectivos. Que a Selecção é mais forte do que tudo isso.
Quero desde já felicitar todos os jogadores, equipa técnica e adeptos que, como eu, nunca deixaram de acreditar, de apoiar, por termos conseguido um lugar na Polónia e na Ucrânia, por termos conseguido reconstruir a Selecção e colocá-la a jogar ao seu melhor nível. Agradecer-lhes por nos terem dado algo para celebrar, algo por que ansiar. Agradecer-lhes por, mais uma vez, terem retribuído o apoio que lhes é dado.
Por, mais uma vez, provarem que faço bem em ser doida pela Selecção.
Agora que estamos finalmente apurados, planeio montar alguns vídeos de homenagem e apoio à Selecção ao longo dos meses que faltam para o Europeu. Começarei por refazer o vídeo que montei há um ano com a música The Climb, de Miley Cyrus. Não consegui colocá-lo no YouTube devido aos direitos de autor das imagens do Mundial e sempre o lamentei pois considero que a mensagem da música tem muito a ver com a Selecção Nacional. Daí ter decido refazer o vídeo. Desta feita, não vou usar imagens do Mundial (com alguma pena minha) a ver se evito os problemas de direito de autor. Tenciono, até, fazer três versões diferentes: uma com a versão oficial da música, outra com a versão instrumental e outra com um instrumental em piano que encontrei recentemente. Vou tentar tê-las prontas em breve. Quando as tiver postarei aqui. Entretanto, se quiserem ver as primeiras versões do vídeo, podem sacá-las através dos links aqui ao lado direito.
P.S. As celebrações da vitória e do apuramento para o Europeu foram assombradas pelo estado de saúde do Gustavo, o filho de Carlos Martins, que completa hoje três anos e a quem lhe foi diagnosticada uma leucemia. Três anos de idade e tem cancro... Eu já tinha estranhado a sobriedade dos jogadores nas flash-interviews... Entretanto, o Cristiano Ronaldo, o Nani e o Fábio Coentrão já publicaram apelos à doação de medula óssea nas redes sociais, já se formou uma corrente de solidariedade online - algo que é de louvar e que pode fazer a diferença, dada a popularidade destes jogadores. Talvez eu não tenha grande personalidade, talvez eu seja facilmente manipulável, talvez a Selecção seja uma fraqueza minha e eu faça qualquer coisa que eles me peçam mas a verdade é que tenciono ajudar. E não é só por ser o filho de um Marmanjo, só de pensar numa criança de três anos (um ano mais nova do que um primo meu) a ter de ser submetida a cirurgias e quimioterapia... Quem é que consegue ficar indiferente? Mais ou menos nesta altura do ano costumam vir recolher sangue à minha Faculdade e costumam também apelar ao registo como doador de medula. Eu já doei sangue mas tenho estado relutante em inscrever-me como doadora de medula mas agora... Se não for o Gustavo, há-de ser o filho de outra pessoa qualquer.
Vou também acrescentar o meu blogue à onda de solidariedade para com o Gustavo, apelando a que sigam o meu exemplo e se registem como doadores de medula (saibam mais AQUI). Hoje é o filho do Carlos Martins, amanhã pode ser o vosso filho, o vosso neto, o vosso sobrinho, o vosso irmão. Quero também enviar ao Carlos e à Mónica, os pais do Gustavo, uma mensagem de solidariedade, de força e um desejo do fundo do coração que eles consigam vencer esta luta.
P.S. As celebrações da vitória e do apuramento para o Europeu foram assombradas pelo estado de saúde do Gustavo, o filho de Carlos Martins, que completa hoje três anos e a quem lhe foi diagnosticada uma leucemia. Três anos de idade e tem cancro... Eu já tinha estranhado a sobriedade dos jogadores nas flash-interviews... Entretanto, o Cristiano Ronaldo, o Nani e o Fábio Coentrão já publicaram apelos à doação de medula óssea nas redes sociais, já se formou uma corrente de solidariedade online - algo que é de louvar e que pode fazer a diferença, dada a popularidade destes jogadores. Talvez eu não tenha grande personalidade, talvez eu seja facilmente manipulável, talvez a Selecção seja uma fraqueza minha e eu faça qualquer coisa que eles me peçam mas a verdade é que tenciono ajudar. E não é só por ser o filho de um Marmanjo, só de pensar numa criança de três anos (um ano mais nova do que um primo meu) a ter de ser submetida a cirurgias e quimioterapia... Quem é que consegue ficar indiferente? Mais ou menos nesta altura do ano costumam vir recolher sangue à minha Faculdade e costumam também apelar ao registo como doador de medula. Eu já doei sangue mas tenho estado relutante em inscrever-me como doadora de medula mas agora... Se não for o Gustavo, há-de ser o filho de outra pessoa qualquer.
Vou também acrescentar o meu blogue à onda de solidariedade para com o Gustavo, apelando a que sigam o meu exemplo e se registem como doadores de medula (saibam mais AQUI). Hoje é o filho do Carlos Martins, amanhã pode ser o vosso filho, o vosso neto, o vosso sobrinho, o vosso irmão. Quero também enviar ao Carlos e à Mónica, os pais do Gustavo, uma mensagem de solidariedade, de força e um desejo do fundo do coração que eles consigam vencer esta luta.
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domingo, 13 de novembro de 2011
Bósnia 0 Portugal 0 - Sem motivos para preocupações
Na passada Sexta-feira, dia 11 de Novembro, realizou-se em Zenica, na Bósnia-Herzegovina, a primeira mão do playoff de acesso ao Campeonato Europeu de Futebol de 2012, a realizar-se na Polónia e na Ucrânia. O duelo que opôs a Selecção da casa à sua congénere portuguesa terminou empatado sem golos.
Só consegui seguir o jogo com a devida atenção durante a primeira meia hora. Nesse intervalo de tempo, assisti ao desafio numa televisão de sinal ainda analógico, com o som desligado, ouvindo ao mesmo tempo o relato via rádio. Deve ter sido a última vez que vi um jogo dessa forma uma vez que, com a substituição pela Televisão Digital Terrestre, deve acabar a sincronia quase perfeita entre a televisão e a rádio – algo que lamento profundamente. Já antes mencionei aqui o contagioso entusiasmo com que os jogos são relatados na rádio, fazendo os comentadores televisivos parecerem terrivelmente enfadonhos. Na Sexta-feira, não foi excepção. O locutor da Antena1 – cujo nome não decorei – relatou de forma primorosa ao longo do tempo em que estive a escutá-lo. Ele ia intercalando o relato com uma ou outra curiosidade ou uma ou outra piadinha. Mencionou, por exemplo, que um dos responsáveis bósnios fora, de gravador em punho, confirmar com um jornalista da SIC que aquele é que era o hino nacional português; que pernoitara no mesmo hotel que Howard Webb – o árbitro – e que não gostaria de encontra-lo num beco escuro, visto Webb ser alto e corpulento.
Ele pode ter estado apenas a encher chouriços mas os comentadores televisivos, quando não têm nada para dizer, a sua criatividade limita-se a: “Acompanhe depois o rescaldo do jogo na RTP Informação” e pouco mais.
Visto que Portugal cedo ganhou o domínio do jogo, assisti ao desafio com bastante tranquilidade – em contraste absoluto com a agonia que fora o jogo com a Dinamarca. Mais uma prova de que a noite de Copenhaga fora apenas azar, um acidente de percurso. “Aqui quem manda somos nós”, disse mesmo o locutor. O primeiro golo não tardaria, achava eu.
Enganava-me. Entretanto, saímos para o jantar de aniversário da minha mãe – que completou cinquenta anos nesse dia. Entre beijos e abraços aos amigos e familiares, a ocupação dos lugares à mesa, a actualização das conversas, os primeiros pratos, só de vez em quando é que ia olhando a televisão. Não era, portanto, capaz de perceber o que se estava a passar ao certo. Como tal, quando o jogo terminou com o marcador por abrir, não consegui deixar de ficar desanimada. Não percebia como é que aqueles Marmanjos não tinham conseguido marcar apesar de terem jogado tão bem na primeira parte. Fazia-me recordar a Qualificação para o Mundial 2010, em que a Selecção jogava bem mas era incapaz de marcar golos. E, sem golos fora, se os bósnios marcarem na Luz, vai ser complicado.
Só mais tarde, quando vi as notícias, é que percebi que não existem motivos para grandes preocupações. A única coisa que, pelos vistos, nos impediu de levar o jogo de vencida foi, literalmente, o campo. Eu acho um bocado patético estamos a dizer “Eu sei dançar! A pista de dança é que não presta…” mas este foi mesmo um caso à parte. Portugal fez uma exibição de grande qualidade, falou-se mesmo de “personalidade fortíssima” e de “espírito guerreiro” e, segundo os jornalistas, deixou boas promessas para Terça-feira desde que jogue desta forma.
Tem graça. Geralmente, costumo ser eu a optimista e os media a ficar de pé atrás, mas neste jogo passou-se o oposto… Mas eu própria vi-os a jogar de forma excelente durante a primeira parte e acredito que a qualidade se tenha mantido ao longo dos noventa minutos de jogo, por isso…
O campo, de resto, tem sido uma verdadeira dor de cabeça há já coisa de um mês. Vários nomes foram usados para o definir – batatal, horta, pseudo-relvado – e várias piadas foram feitas. Um exemplo foi um tweet de @lidiapgomes : “Portugal ainda não encontrou o caminho do golo mas já encontrou 3 batatas, 5 cenouras e vários tomates no relvado” – depois desta, o Fábio Coentrão não vai precisar de voltar a assaltar a horta do Cristiano Ronaldo tão cedo… Outro exemplo, foi uma frase do jornal Record: “Pepe foi o que mais amealhou no Farmville”. Adorei estas duas! A Federação já tinha pedido à UEFA que trocasse a localização do jogo mas tal pedido caiu em saco roto. Isto apesar de a França ter pedido o mesmo em relação ao seu embate com a Bósnia aquando do apuramento – algo que já não me surpreende.
Aquilo que me surpreendeu foi o facto de os dirigentes bósnios terem desrespeitado o acordo forjado na manhã antes do jogo e regado o campo, piorando ainda mais a sua qualidade. Juro que não percebo qual foi a ideia deles. À pala disso, a Selecção jogou sob protesto. Agora, estou curiosa em relação às consequências de tal processo.
Mas entretanto, ainda temos a segunda mão do playoff, na Terça-feira, no Estádio da Luz. Esta coisa do “relvado” e dos dirigentes bósnios é apenas um factor a contribuir para um desejo relativamente saudável de vingança. Como dizia no Record, mais uma vez, desejamos uma desforra por isso e pelos adeptos hostis que fizeram barulho à porta do hotel da Selecção, que apontaram lasers ao Ronaldo e gritaram por Messi (apesar de muitos garantirem que, há dois anos, foi pior. Por acaso, até gostei da linguagem gestual cujo significado toda a gente conhece. Pode não ter sido politicamente correcto mas, como costumo dizer, uma miúda não é de ferro e não tenho lata para exigir que o Ronaldo o seja quando tanta gente tenta destabilizá-lo). Para isso, a ideia dos jornalistas é encher o Estádio da Luz, não só de adeptos, mas também “de fervor, de paixão, de entusiasmo, de alegria”. Recriar o lendário Inferno da Luz.
A mim, não é só a vingança que me motiva. Existem outros desejos mais antigos, várias vezes mencionados aqui no blogue ao longo do último ano: consumar o renascimento da Selecção depois do caso Queiroz; dar uma alegria aos portugueses numa altura em que tudo o resto está cada vez pior; uma promessa de mais alegrias no próximo ano, algures entre Maio e Junho. Encerrar o percurso até à fase final do Euro 2012 da melhor forma. Até porque, na remota hipótese de falharmos, o Europeu não terá o mesmo interesse, não só para nós, mas também para o mundo futebolístico em geral. Na coluna de Alexandre Pais do Record, este dizia: “Cristiano, dia 15 é a tua noite, as 21 são a tua hora”. Eu prefiro a frase assim: dia 15 é a nossa noite, as 21 são a nossa hora. Porque a Selecção não é só o Ronaldo. Somos todos nós. E na próxima Terça-feira mostraremos ao mundo aquilo de que somos capazes.
P.S. Não quero falar sobre José Bosingwa. Já se falou e opinou o suficiente sobre isso, não tenho muito mais a acrescentar. Aliás, as declarações e os rumores que têm circulado pelos media podem estar incompletos, descontextualizados, talvez até sejam falsos. Por isso, não me sinto à vontade para tecer julgamentos. Além de que não sei ao certo o que pensar desta história toda… Assim, apenas lamento que a Selecção tenha perdido mais uma mais-valia. E, tal como aconteceu com Ricardo Carvalho, espero que a Equipa de Todos Nós não saia demasiado afectada desta história toda e que, eventualmente – embora saiba que é pouco provável – Bosingwa e Paulo Bento façam as pazes e o jogador possa voltar à Selecção.
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sábado, 5 de novembro de 2011
"E agora já só falta a Bósnia-Herzegovina"
Realizar-se-á em breve o play-off de acesso ao Campeonato Europeu de Selecções, a realizar-se em 2012 na Polónia e na Ucrânia. A Selecção Portuguesa de Futebol disputá-lo-á com a sua congénere bósnia num jogo a duas mãos. A primeira realizar-se-á dia 11 de Novembro em Zenica, na Bósnia-Herzegovina. A segunda realizar-se-á dia 15 de Novembro, no Estádio da Luz.
Paulo Bento divulgou a lista de Convocados para este play-off na passada Sexta-feira, precisamente a uma semana da primeira mão. Não existem grandes novidades na lista, embora se destaque o regresso de habituais como Fábio Coentrão, Pepe, Danny e Hugo Almeida – dando a Paulo Bento uma “maior possibilidade de escolha” e, pelo menos a mim, uma maior tranquilidade.
Muitos têm alertado para o potencial da Bósnia, que cresceu durante os dois anos que nos separam da última vez que jogámos contra eles, no play-off de acesso ao Mundial 2010. Incluindo um integrante da selecção que será a nossa adversária. “Crescemos como equipa e temos mais experiência do que no último play-off”, afirmou recentemente o médio bósnio Zvjedzan Misimovic. “Há muita qualidade no ataque e também estamos um pouco melhores na defesa. A nossa autoconfiança aumentou.” E, apesar de reconhecer o nosso valor, observou: “Nem tudo está fácil para eles [Portugal]. Qualquer Selecção com tanto potencial teria conseguido o apuramento directo.” Essa doeu.
Contudo – apesar de ser a primeira a reconhecer que não domino o assunto – acho que Portugal também melhorou alguma coisa neste intervalo de tempo, em particular, no último ano. Pelo menos, a Qualificação para o Europeu 2012 foi, em alguns aspectos, melhor do que a Qualificação para o Mundial 2010. Se bem se recordam, empatámos vários jogos, por vezes sem marcarmos um golo que fosse, só despertámos na parte final da qualificação, quando sentimos a corda ao pescoço. Na Qualificação, que terminou recentemente, ganhámos todos os jogos, exceptuando os dois primeiros e o último, marcámos generosamente em muitos deles, frente a adversários nem sempre assim tão fracos. O próprio Paulo Bento disse na Conferência de Imprensa em que anunciou os Convocados: Não vou desconfiar de quem durante um ano e picos fez tudo o que devia fazer e, por um jogo, pôr tudo em causa. Adorei esta declaração.
Tendo tudo isto em conta, o prognóstico do Seleccionador de cinquenta por cento de hipóteses para cada lado, acaba por ser o mais sensato. Acredito, além disso, que podemos esperar um play-off bem disputado, emocionante como só um jogo da Selecção consegue ser.
Luís Figo, que, no mesmo dia em que os Convocados foram divulgados, completou trinta e nove anos de existência, disse, mais do que uma vez, que acreditava numa vitória das cores nacionais embora tenha avisado que “não era o fim do futebol português” se isso não acontecesse. É óbvio que tem razão. Contudo, como já disse antes, penso eu, nunca coloco sequer essa hipótese. Sei que não é assim tão remota, mas, pura e simplesmente, não quero sequer pensar em ficar de fora de um Campeonato de Selecções. Muito menos agora, que as coisas estão cada vez mais negras para o nosso País. Como já repeti umas mil vezes, precisamos de algo bom por que esperar no futuro. Mesmo que o Europeu não dê em nada, mesmo que, mais tarde, se venha a descobrir que a Selecção não funcionava tão bem como parecia, tal como aconteceu no Mundial 2010, aquelas semanas em que se preparam as fases finais são uma fuga à rotina, uma fonte extra de alegria, um período de entusiasmo por antecipação que eu, pelo menos, prezo.
Como tal, não peço aos jogadores que se qualifiquem ou morram tentando, mas que, pelo menos, façam um esforço. E acredito que o farão. Como afirmou Paulo Bento, “se não estivermos motivados para jogar uma fase final, dificilmente estaremos motivados para alguma coisa”. É como diz a música: “o people é sereno mas play-off é p’ra ganhar”.
Um aparte só para comentar que uma das vantagens de voltarmos a jogar com a Bósnia é podermos reutilizar o Menos Ais Versão Play-off (AQUI). Ainda me custa a acreditar que já tem dois anos de idade…
Não sei se poderei actualizar o blogue antes do jogo de Sexta-feira, visto que terei uma semana muito ocupada. Mas obviamente poderão contar com uma análise à primeira mão nos dias seguintes.
O dia 11 será um dia multiplamente especial para mim uma vez que a minha mãe completará meio século de idade, como diz o meu pai; ainda por cima numa capicua. Só no meu aniversário é que nunca há jogos da Selecção… À hora da primeira mão do play-off estarei, certamente, no jantar de anos da minha mãe. Em princípio o restaurante terá televisão – se tiver, será bom assistir ao jogo com várias pessoas, como no meu último encontro com a Noruega. Se não tiver, tenho sempre o meu leitor de MP3.
A minha mãe não liga tanto à Selecção como eu (também deve haver pouca gente a ligar tanto ou mais do que eu…) mas os Marmanjos podiam dar-lhe um belo presente vencendo em Zenica e adiantando-se no caminho para o Europeu. À minha mãe e a todos os portugueses. Acredito, ou melhor, sei que, embora não possam prometê-lo sem margem de erro, a Selecção tudo fará para nos dar tal presente. E ninguém esperaria menos.
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quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Dinamarca 2 Portugal 1 - ...mas eles não acordaram
Ontem, a Selecção Portuguesa de Futebol foi derrotada, em Copenhaga, pela sua congénere dinamarquesa, por dois golos contra um. Deste modo, a Dinamarca ficou em primeiro lugar no grupo, apurando-se, por isso, para a fase final do Europeu de 2012, a realizar-se na Polónia e na Ucrânia, enquanto Portugal terá de disputar o play-off no próximo mês, com a Bósnia-Herzegovina, para se qualificar.
Não vou mentir, não foi dourar a pílula, foi um jogo horrível, agonizante do princípio ao fim, absolutamente inesperado. Devo ter perdido uns vinte anos de vida naqueles noventa minutos.
Logo de início se notou que a coisa não ia correr bem. Os Marmanjos mal conseguiam manter a bola nos pés. O golo anulado à Dinamarca, logo aos três ou quatro minutos, devia ter sevido de wake-up call - porque, pelo que se via, o jogo contra a Islândia não tinha servido, apesar da minha última entrada - mas não serviu. Os jogadores estavam irritantemente lentos e apáticos. O golo da Dinamarca aos doze minutos não constituiu, portanto, surpresa.
Depois deste golo, os dinamarqueses abrandaram um pouco, os portugueses apareceram um pouco mais, tivera, algumas oportunidades, mas continuava a não ser suficiente. E eu ficava cada vez mais aflita.
A minha sorte foi o facto de estar a assistir ao jogo sozinha. Podia praguejar em voz alta sem que me mandassem calar. Outra coisa que ajudou imenso foi não ter a minha mãe resmungando coisas como:
- Que vergonha!
Também ia desabafando através do Twitter (podem ver AQUI).
Ao intervalo, desejei que eles regressassem aos relvados com outra atitude, com mais garra, mais energia, mais alma. Mais uma vez, não tive sorte. Aliás, estive perto de sofrer um ataque cardíaco (pela quinquagésima vez desde o início do jogo, diga-se de passagem...) quando o João Pereira passou a bola a Krohn-Dehli mesmo à frente da baliza...
Entretanto, os comentadores iam falando, ocasionalmente, acerca do jogo da Suécia e da Holanda. Parecia que Deus Nosso Senhor tinha tirado a noite para gozar com a nossa cara pois este desafio teve não sei quantas reviravoltas. Ora a Suécia estava a ganhar, ora estava a perder. Não havia dúvida que me queriam matar naquela noite... Lenta e dolorosamente.
Com o segundo golo da Dinamarca, desliguei-me do jogo, se bem que não completamente. Já pensava: "Que se lixe! Não é assim tão mau irmos ao play-off". Só desejava que marcássemos pelo menos um golo para não sairmos de lá completamente humilhados e, vá lá, ver se a equipa se motivava e começava a jogar como deve ser.
Esse golo surgiu mas demasiado tarde para relançar a Turma das Quinas. O golo de Cristiano Ronaldo foi, de resto, o único momento bom do jogo. Foi um golpe de génio, aquele golo que há muito desejávamos que ele marcasse pela Selecção (de livre directo, com a bola a entrar directamente na baliza) mas, de preferência, noutras circunstâncias.
Com este resultado e como a Suécia acabou por ganhar à Holanda, sagrando-se a melhor Selecção classificada em segundo lugar e, por isso, garantindo o apuramento directo, teremos de disputar o play-off de acesso ao Europeu. Para ser sincera, estou um pouco aliviada por não termos sido os melhores segundos lugares. Não queria que a campanha pelo acesso ao Euro 2012 terminasse com um jogo como o de Terça-feira.
Além de que, ao menos, assim termos mais dois jogos oficiais da Selecção, o que é sempre bom. E talvez vá assistir à segunda mão do play-off, que será disputada em Lisboa, embora ainda não hajam certezas em relação ao estádio.
Em suma, foi um dos piores jogos dos últimos tempos. E ainda não percebo como é que isso aconteceu, porque é que isso aconteceu. Como é que fomos estragar aquilo que, desde há um ano a esta parte, estava a ser uma campanha brilhante? O que aconteceu ao vamos-jogar-para-ganhar, ao não-se-planeiam-empates-ou-derrotas?
Há quem diga que nos descontraímos demais. Como passámos do oito ao oitenta muito depressa, começámos a baixar as defesas. Tenho de admitir que eu própria alinhei nisso. Como há um ano que a Selecção não dava razões de queixa, comecei rapidamente a sonhar alto. Nunca me tinha passado pela cabeça que íamos tropeçar agora.
A verdade é que nem os mais cépticos duvidavam que íamos sair de Copenhaga apurados, de uma forma ou de outra.
Há quem diga que se tratou apenas de uma má noite. Alguns dos titulares habituais estavam ausentes, alguns dos presentes não estavam na melhor forma. O Ronaldo, por exemplo, tinha dores mas fez questão de vestir a camisola das Quinas. Às tantas, mais valia ter ficado de fora...
Talvez. A única coisa que sei é que prefiro que não nos cruzemos de novo com a Dinamarca num futuro próximo. Com a óbvia excepção do jogo do ano passado, a coisa costuma correr mal no que toca a nós...
Como já tinha previsto, com esta derrota, todos caíram em cima de Paulo Bento, como pombos sobre migalhas de pão. Não constitui surpresa. Mas entre todas as declarações relacionadas com a situação da Equipa de Todos Nós, sobressai a de um indivíduo em particular, um caso engraçado. Há coisa de um ano e meio eu respeitava-o, admirava-o, defendia-o no meu blogue. Há um ano, depois de ele cair em desgraça, criticava-o mas achava-o alvo de uma injustiça, sentia-me grata pelas coisas boas que ele fizera e ligeiramente culpada por ter voltado a minha lealdade para outra pessoa. Depois disso, a cada declaração que ele fazia, ia-se enterrando cada vez mais na minha consideração. E agora, depois de ontem ter dito que, com ele, "a nossa qualificação teria sido absolutamente natural, normal, consistente e estaríamos agora na fase final", aquilo que sinto por Carlos Queiroz já roça o ódio.
É como aquela canção dos Kaiser Chiefs, chamada "Everyday I Love You Less and Less". (AQUI). Pelo menos uma parte da música exprime de forma excelente o que sinto: "You're turning into something I detest/And everebody says that you're a mess/Since everyday I love you less and less" (Estás a transformar-te em algo que detesto/E todos dizem que estás uma desgraça/Desde que a cada dia te amo menos e menos).
Há que ter em atenção que os meios de Comunicação Social têm citado esta frase fora do contexto, de modo a criar mais polémica. O que Queiroz queria dizer é que a qualificação teria sido bem menos atribulada se não fosse toda aquela confusão gerada no ano passado, no rescaldo do Mundial 2010. Ele talvez tenha razão. Fossem outras as circustâncias, talvez tivéssemos amealhado mais do que apenas um ponto nessa primeira jornada dupla e, sim, talvez agora estivéssemos qualificados. Mas é um grande talvez. E, de qualquer forma, nesta altura do campeonato, a última coisa de que a Selecção precisa é de ser desestabilizada por polémicas, muito menos iniciadas por um antigo Seleccionador.
O que mais me irrita é o seguinte: como já disse, houve uma altura em que me sentia culpada por dar graças pela chegada de Paulo Bento quando Carlos Queiroz tinha sido afastado da Selecção de uma forma manhosa e injusta. Mas ele, por sua vez, não parece sentir culpa de nada, não estar arrependido de nada. Parece achar que nunca fez nada de mal. Aproveita todos os microfones ligados num raio de um quilómetro para se fazer de vítima e atacar tudo o que se mexe, sem se preocupar com as repercussões que isso tem na Equipa das Quinas.
Não parece compreender que, quanto mais faz isto, menos nos comove, menos respeito sentimos por ele, levando a um ponto em que achamos que ele até mereceu o destino que teve. Apesar de, neste caso, até ter alguma razão, apesar de alguns de nós até concordarem quando ele diz que existe corrupção no seio da FPF. O caso que levou ao seu despedimento foi apenas um exemplo.
Não vale a pena chorarmos mais sobre o leite derramado, sobre o apuramento directo falhado. Agora temos é de voltar as nossas atenções para o play-off, que se realiza daqui a um mês. Soube-se hoje que será com a Bósnia-Herzegovina que vamos disputar o lugar no Europeu, à semelhança do que aconteceu há dois anos, com o apuramento para o Mundial 2010. Muitos ficaram apreensivos, pois estes estiveram perto de vencer a França mas, na minha opinião, há a vantagem de ser uma equipa que conhecemos melhor do que, por exemplo, o Montenegro. Todos acham que Portugal tem capacidade para ultrapassar este obstáculo inesperado, que consegue melhor do que conseguiu na Terça-feira... ou, pelo menos, se não conseguir, mais vale vermos o Euro 2012 pela televisão.
Eu fiquem zangada com esta derrota mas já o ultrapassei e agora estou ansiosa pelos jogos de daqui a um mês. Faço parte dos que acreditam, não, que sabem que a Selecção é muito melhor do que deu a entender frente à Dinamarca. Digam o que disserem, o que aconteceu na Terça-feira não muda o facto de Paulo Bento ter reconstruído uma equipa aos bocados e nos ter dado aquilo pelo qual, há um ano, estaríamos profundamente gratos: chegar aos play-offs. Esta derrota foi uma fuga ao guião, um desvio ao plano que tínhamos delineado, mas ainda vamos a tempo de corrigir as coisas. Ainda vamos a tempo de anular os efeitos do caso Queiroz, de consumar o renascimento da Selecção, de marcar presença no Euro 2012. E acredito que vamos fazê-lo. De uma maneira ou de outra.
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domingo, 9 de outubro de 2011
Portugal 5 Islândia 3 - Wake-up call
Na passada Sexta-feira, a Selecção Portuguesa de Futebol recebeu a sua congénere islandesa no Estádio do Dragão e venceu-a por cinco bolas contra três.
Eu até estava bastante calminha no início deste encontro. Só que a Selecção Nacional não entrou da melhor maneira no jogo enquanto a Islândia entrou invulgarmente desenvolta, como que desafiando o estereótipo da equipa teoricamente mais fraca, e assim se manteve durante uma boa parte do jogo. Eu e o meu pai até trocámos umas piadas secas em relação a isso:
- Os islandeses, com este calor, deviam derreter… – disse o meu pai.
- Não – respondi eu – Eles geralmente ‘tão congelados lá na Islândia mas aqui, com o calor, descongelaram, ganharam energia cinética e ‘tão mais mexidos…
Se era por causa do calor, não sei, mas a verdade é que os islandeses estavam a dar luta. Como resultado, após terem tido o primeiro momento de perigo do jogo e três pontapés de canto marcados a seu favor seguidos, eu já roía as unhas.
Felizmente, o nervosismo não durou muito pois Eliseu assistiu para a cabeça de Nani que, marcou, deste modo, o primeiro golo do jogo aos treze minutos. Assim estava melhor. Mais tarde, o mesmo Marmanjo, cheio de lata, aproveitou um atraso para o guarda-redes islandês mal conseguido e marcou o segundo golo.
Estes dois tentos do Nani trouxeram à memória os dois golos que ele marcara, havia precisamente um ano menos um dia, no mesmo estádio, frente à Dinamarca, no primeiro jogo de Paulo Bento – precisamente o desafio em que a Selecção Nacional iniciou o seu renascimento. Como tal, estes dois golos pareceram-me um bom prenúncio para o resto do jogo.
E as coisas de facto correram bem até ao intervalo, com destaque para o golo engraçado de Hélder Postiga, em que a bola primeiro bateu na barra e só depois cruzou a linha de baliza. Não há muito a dizer em relação a este tento. Já se sabe que o Hélder tem altos e baixos mas, quando veste a camisola das Quinas, costuma fazer o gosto ao pé.
Ao intervalo tudo parecia estar decidido. Certamente, na segunda parte, os portugueses limitar-se-iam a manter o jogo sob controlo, a pouparem-se para o desafio frente à Dinamarca, talvez marcassem mais um ou outro golo. Era o que se esperava mas não foi bem isso o que aconteceu,
O primeiro golo da Islândia não preocupou por aí além. Fora por 3-1 que tínhamos ganho há um ano, na casa deles. Ainda havia tempo para se dilatar a vantagem.
Quando eles marcaram o segundo é que se começou a ver a vida a andar para trás. Recomecei a roer as unhas.
Nos cerca de vinte minutos que se seguiram, por algumas vezes, a Islândia esteve perigosamente à beira de anular a nossa vantagem – nessas alturas, a minha mãe dava-me vontade de dar um berro quando se punha a dizer coisas como:
- Olha o terceiro golo deles.
O Cristiano Ronaldo, esse, coitado, estava em noite não. Não que tenha jogado mal, ele até ajudava a equipa. Só que, amiudadas vezes, fazia uns remates de longe, estilo tiro-ao-alvo, que nunca entravam. Notava-se nas expressões que ele exibia que queria marcar um golo.
Ele e o resto da equipa começavam a dar sinais de intranquilidade e não eram os únicos; nesta altura, já eu fazia contas à vida, interrogava-me como raio haveríamos de fazer frente à Dinamarca jogando assim. Os adeptos presentes no estádio também não estavam a achar graça e, a certa altura, exprimiram o seu descontentamento através de assobios. Eu, geralmente, sou contra isso mas, naquela altura, até compreendia.
Em todo o caso, os adeptos não demoraram a trocar os assobios por gritos de “POR-TUG-AL! POR-TU-GAL!”. E resultou porque, depois disso, o Eliseu voltou a assistir, desta feita para Moutinho, que enviou a bola para as redes islandesas. Nas bancadas, um adepto segurava um cartaz dizendo: “Moutinho, génio da bola, dá-me a tua camisola”. Tal génio revelou-se aos oitenta e um minutos com o quarto golo de Portugal e devolveu-nos a tranquilidade. Grande Moutinho!
Mais uma vez ficou provado que, quando as coisas não estão a correr bem, os assobios não resolvem nada mas as manifestações de apoio até podem ajudar.
Cinco minutos mais tarde, Eliseu, que estava a fazer o jogo da vida dele, dilatou ainda mais o marcador com um belo remate de fora da área. O cabo-verdiano açoriano (como lhe chamei, na brincadeira, depois deste golo) foi considerado o homem do desafio e mereceu-o. Revelou ser uma boa alternativa a Fábio Coentrão e, como afirmou Nani, outra figura do jogo, “mostrou a Bento que pode contar com ele para o que der e vier”. Eliseu engrossou, assim, a lista, de tamanho considerável, de jogadores prontos a dar a sua parte pela Equipa de Todos Nós.
Ainda houve tempo para a Islândia marcar um terceiro golo, de penálti. Não teve efeitos práticos para além de diminuir a vantagem portuguesa, mas Johannesson, o Seleccionador Islandês, parecia muito feliz depois deste tento. Mais tarde, confessaria que se sentia satisfeito por a sua equipa ter marcado três golos a Portugal e diria, sem rodeios:
- Com a bola, Portugal é uma das melhores Selecções do Mundo mas, sem ela e a defender, os jogadores são um pouco preguiçosos.
Se foi por preguiça dos Marmanjos, não sei, mas a verdade é que este encontro teve altos e baixos e deixou bastante a desejar no que toca à defesa. O meu pai disse que o problema fora a falta dos titulares habituais, como o Pepe. E o Ricardo Carvalho. Talvez. O pior é que estes jogadores continuam indisponíveis para Terça-feira…
Hélder Postiga afirmou que “estes jogos servem para corrigir erros”. E, de facto, é preferível cometê-los frente à Islândia, que não soube aproveitá-los para obter a vitória, do que frente à Dinamarca. Por outro lado, se estivéssemos a enfrentar esta última selecção, seria pouco provável que os Marmanjos baixassem a guarda desta maneira… Em todo o caso, este jogo serviu de aviso, de wake-up call (chamada para acordar), como dizem os ingleses, mostrando que as coisas não vão ser fáceis na próxima Terça-feira.
Agora basta empatarmos para garantirmos a qualificação directa para o Europeu de 2012. Podemos até perder o próximo jogo, desde que sejamos a melhor selecção classificada em segundo de toda a prova. Esta ideia foi repetida até à exaustão pelos locutores da Antena1, durante o rescaldo do encontro de Sexta-feira. Eu prefiro não me fiar nessa, irrita-me estar a fazer esse tipo de contas quando não precisamos, quando basta um empate para nos qualificarmos.
Felizmente, não sou a única a pensar assim. Paulo Bento garantiu que “não planeia derrotas, não planeia empates” e todo o resto da Turma das Quinas aparenta afinar pelo mesmo diapasão. Tudo indica que o jogo de Terça-feira será uma autêntica final, intenso, emotivo, pois não acredito que os nossos amigos nórdicos nos facilitem a vida nem que joguem para o empate. Espero que os marmanjos não repitam os erros de Sexta-feira. Espero que, como dizia n’O Jogo, não parem de acelerar até a corrida estar ganha, até a qualificação estar assegurada, até os efeitos das polémicas do ano passado estarem definitivamente anulados, até o renascimento da Selecção estar finalmente consumado. É com isso que conto. E acredito que os Marmanjos não nos vão desiludir.
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Contra a corrente

Estamos nas vésperas da primeira das duas últimas finais que a Selecção Nacional tem de disputar antes de dar por concluída a Qualificação para o Euro 2012, a realizar-se na Polónia e na Ucrânia... e as coisas não estão fáceis.
Danny não compareceu ao estágio de preparação destes dois desafios. Inicialmente, invocou motivos pessoais que o impediam de abandonar a Rússia. É claro que a Comunicação Social tentou logo agarrar a oportunidade para criar polémica, pelos motivos que toda a gente conhece. Não têm emenda, realmente...
Entretanto, já foram revelados os verdadeiros motivos mas nunca duvidei, por um minuto que fosse, que estes fossem fortes, nem acreditei que estivéssemos perante uma reedição do caso Ricardo Carvalho. Numa entrevista que deu na semana passada, Danny deu a entender que leva a Selecção muito a sério. Afirmou mesmo que o seu sonho é "ganhar o Europeu com a Selecção". Acham mesmo que abdicaria do seu lugar na Equipa de Todos Nós de ânimo leve?
E, de facto, os seus motivos são válidos. Soube-se ontem que Danny teve de fazer uma cirurgia para remover um quisto que se temia que contivesse células cancerosas. Eu já passei por uma situação semelhante e sei que estas coisas são aflitivas, mais do que parecem. Com cancro, não se brinca. Compreendo, também, que Danny se tenha sentido relutante em divulgá-lo, daí ter invocado os motivos pessoais. Embora saiba que é pouco provável que ele o leia, envio através do blogue uma mensagem de solidariedade e um desejo de uma recuperação rápida e completa.
Por falar do Ricardo Carvalho, este tem dado a entender que se arrependeu de ter abandonado o estágio da Selecção antes da partida para o Chipre. Ainda hoje, numa entrevista, afirmou que continua disponível para regressar à Equipa de Todos Nós. Por causa do castigo que a Federação lhe aplicou, tal só poderia acontecer daqui a pelo menos um ano. Tenho de confessar que espero que Paulo Bento mude de ideias em relação a excluí-lo definitivamente das suas Convocatórias. Não que o que o Ricardo fez tenha sido de louvar, bem pelo contrário, mas será justo que uma decisão irreflectida anule todo um percurso na Selecção, esse sim, digno de louvores?
Em todo o caso, como já foi mencionado, tão cedo Ricardo Carvalho não voltará à Turma das Quinas, não nos poderá ajudar nesta jornada dupla. E agora que Danny e Sílvio engrossaram a lista dos indisponíveis, torna-se claro que a Selecção terá de se basear, pelo menos em parte, em segundas opções... o que não me agrada.
Também não me agrada o facto de a Comunicação Social andar com as miras apontadas a Paulo Bento. Não só por causa do Danny, mas também por ter Chamado jogadores como Beto e Ricardo Costa (com esta nem eu concordo e nem percebo muito de futebol...) e deixado de fora jogadores como Bosingwa e Duda. O caso Ricardo Carvalho pode não ter deixado mazelas no seio da Selecção Nacional mas deixou-as na credibilidade de Paulo Bento e, agora, os jornalistas e comentadores aproveitam.
Apesar de saber perfeitamente que, neste país, (ainda) há liberdade de expressão e opinião e tal, sempre me irritou ver as pessoas questionarem o Seleccionador. Mesmo quando este era Luís Felipe Scolari ou Carlos Queiroz. Mesmo até quando existiam motivos válidos para fazer críticas, mesmo até quando eu até concordava com elas. E as críticas que fazem ao actual Seleccionador ainda me irritam mais. Não acho justo andarem a atacar uma pessoa que encontrou uma Selecção feita aos bocados e, ao fim de poucos dias, consegui pô-la a vencer, a convencer, a golear, e agora, passado um ano, encontra-se numa excelente posição para atingir a fase final do Europeu de 2012 - algo que se pensou ser impossível.
É claro que, se a Selecção der uma escorregadela (três vezes na madeira!) vão todos cair em cima do Paulo Bento...
Não, os jogos com a Islândia e com a Dinamarca não vão ser nada fáceis... Por estas e por outras.
Por outro lado, a verdade é que já nos apurámos em condições mais difíceis. Os nossos últimos dois apuramentos são bons exemplos disso. Neste, as condições difíceis foram no início mas conseguimos revertê-las e, tal como disse acima, agora estamos numa posição com que muitos não se atreviam a sonhar há um ano - eu incluída.
Luís Figo disse ontem que, apesar de a hipótese de não nos qualificarmos não poder ser colocada de fora, "temos todas as condições e possibilidades para nos apurarmos". Garantiu também que Paulo Bento "tem alternativas para colmatar as ausências. Aqueles que ocuparem esse lugar darão duzentos por cento para ajudar Portugal". Ele deve saber do que fala... Nuno Gones, por sua vez, afirmou que "o ambiente está óptimo [dentro da Selecção], temos treinado bem e os jogadores estão concentrados no que têm a fazer Sexta-feira: conquistar os três pontos". Disse ainda que a Selecção vai levar a Islândia a sério uma vez que "eles perderam pela margem mínima com os nossos adversários mais directos". E essa a atitude que se quer! Aparentemente não falta determinação nem seriedade na Equipa de Todos Nós.
Como sempre, a Selecção - jogadores e equipa técnica - pode contar o meu apoio, a minha confiança, a minha fé, no melhor e no pior. Sempre foi assim e não tenciono mudá-lo. É certo que já apanhei vários baldes de água fria à custa disso mas, mais cedo ou mais tarde, acabo por ser recompensada. Ao longo do último ano tenho sido muito bem recompensada, até. E não acredito que isso vá mudar agora, só porque alguns jogadores estão ausentes. O jogo com a Islândia realiza-se na Sexta-feira, às nove da noite, com transmissão em directo na RTP. Acredito que voltarei a ser recompensada nessa noite. Eu... e os outros quinze milhões de portugueses espalhados pelo Mundo, unidos pela Selecção!
P.S. Há já algum tempo que não escrevia uma entrada assim, contra a corrente da generalidade da Comunicação Social. Dá cá um gozo... Sei que não é lá muito maduro mas, como costumo dizer, uma miúda não é de ferro!
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