domingo, 13 de maio de 2012

Crise existencial em altura de aniversário

Depois de semanas à espera, incluindo um abril invulgarmente cinzento e chuvoso em vários aspetos, finalmente encontramo-nos em vésperas do Anúncio dos Convocados que representarão Portugal na fase final do Campeonato Europeu de Futebol, que terá lugar na Polónia e na Ucrânia no próximo mês. Estes dias ficam ainda marcados pelo quarto aniversário deste meu blogue, O Meu Clube é a Seleção, inaugurado a 12 de maio de 2008.

Não se pode dizer em rigor que tenho escrito neste blogue há quatro anos. A minha ideia inicial era mantê-lo apenas durante a fase final do Europeu de há quatro anos, estive praticamente um ano sem atualizar o blogue.

Quando penso nisso agora, se calhar não terá sido muito má ideia ter suspendido o blogue por essa altura. Não se deram muitos acontecimentos relacionados com a Seleção nesse ano e os poucos que se deram foram, na sua maioria, tropeções na Qualificação para o Mundial 2010 - assuntos extremamente deprimentes. No entanto, mesmo nessa altura, eu ia fazendo as minhas reflexões por escrito - mais valia tê-las publicado no blogue, para ajudar outras pessoas sem ser apenas eu própria, incluindo, se calhar, os próprios jogadores, a processarem a frustração inerente às sucessivas desilusões e, ao mesmo tempo, transmitir-lhes coragem e esperança. 

Acabou por ser, em parte, por esse motivo que retomei o blogue em junho de 2009. Em parte por isso, o resto porque, pura e simplesmente, tinha imensas saudades de escrevê-lo. A altura em que voltei a atualizá-lo acabou por coincidir com o ponto de viragem no percurso da Seleção para o Mundial 2010 - mais ou menos. E, desde essa altura, com uma ou outra exceção alheia à minha vontade, nunca mais deixei de publicar entradas sempre que a Equipa de Todos Nós tinha um jogo ou estava envolvida nalgum acontecimento importante. 

Tenho bem a noção de que o meu blogue tem tido pouquíssimos leitores, por mais promoção que tente fazer. Que, na prática, teria quase a mesma audiência que obtenho com este blogue se escrevesse sobre a Seleção num diário pessoal (como fazia antes de 2008). E embora isso às vezes me desanime, não me impede de continuar a escrevê-lo. Sempre gostei de escrever, sempre gostei de escrever sobre a Seleção, se houver hipóteses de ajudar a Equipa de Todos Nós dessa maneira, nem que seja apenas um pouco, fá-lo-ei com todo o prazer.

Há coisa de dois meses e meio, inaugurei a página de Facebook de apoio ao blogue. Ao longo deste tempo, esforcei-me por publicar pelo menos uma vez por dia - o que desafia a minha criatividade. Nunca quis que o meu blogue fosse uma mera fonte de notícias sobre a Turma das Quinas. Criei-o para que fosse um espaço onde pudesse expressar as minhas opiniões. Do mesmo modo, não queria que a respetiva página de Facebook transmitisse apenas as últimas novidades sobre a Seleção. Já existem imensas fontes de notícias assim na Internet - sem querer desvalorizar páginas como o Gosto da Seleção Portuguesa, que tem feito um excelente trabalho ao fornecer, entre outras coisas, imagens engracadíssimas referentes à Equipa de Todos Nós. Além de que já partilhou o meu vídeo para The Climb. O que tenho tentado fazer é publicar notícias, fotografias, vídeos, músicas juntamente com as minhas opiniões sobre o assunto. Houve alturas em que não acontecia nada relacionado com a Seleção e não era fácil arranjar algo que publicar. Foi difícil resistir à tentação e pura e simplesmente voltar a partilhar publicações de páginas como as acima mencionadas. Mas ajudou a mitigar a abstinência de Seleção.

Para além de páginas como o Gosto da Seleção Portuguesa, outra fonte de notícias que me foi bastante útil foi o Alerta do Google que já tinha criado há alguns meses, para me avisar sempre que surjam publicações sobre a Seleção Nacional na Internet. Não é tão seletivo como o ideal, às vezes aparecem-me artigos sobre o clube brasileiro A Portuguesa, por exemplo.

Ora, há cerca de dois meses, apareceu-me nos Alertas uma publicação no Yahoo Answers com a seguinte pergunta:

"Qual (é) o problema da Seleção Portuguesa?"

"Esses dias tenho pensado num problema tradicional da seleção portuguesa... Uma seleção cheia de grandes jogadores como CR7, Quaresma, Ricardo Carvalho, Deco, Pepe, Pauleta, Nani... E outros aposentados como Luís Figo... mas nunca conseguiu nada mais que semi-finais de euros e copas... qual o problema dessa seleção?? que cheia de sensacionais jogadores, amarela nos títulos???"

Fonte: AQUI

Quando vi o título da pergunta pela primeira vez, fiquei a olhar para aquilo estilo: "um brasileiro conseguiu resumir numa linha aquilo com que nos andamos a debater há anos!" Nunca pensei que fosse possível simplificar as coisas a este ponto. Mas faz sentido que tenha sido um brasileiro a formular a pergunta dos duzentos mil euros, pois é capaz de ser mais racional, mais isento do que um português.

Realmente, qual é o nosso problema, afinal? Somos há anos, para aí desde 2000, 2002, 2004, considerados candidatos ao título em cada campeonato de seleções por possuírmos jogadores "de classe mundial". Figo, Rui Costa, Nuno Gomes, Pauleta, Deco, Cristiano Ronaldo, Nani, Fábio Coentrão... No entanto, na hora da verdade, na hora de provarmos que somos candidatos ao título, caímos sempre. O que é que está a falhar?

Analisemos a coisa...


Começarei pelo Euro 2004, que foi a altura em que comecei a acompanhar a Seleção de perto. É-me cada vez mais claro que perdemos uma oportunidade de ouro - não, não, de platina! - com este campeonato: jogávamos em casa, tínhamos a base da equipa que, no ano anterior, dera a Taça UEFA e, nesse ano, a Champions ao FC Porto, tínhamos veteranos como o Figo e o Rui Costa e promessas como o Cristiano Ronaldo, tínhamos o entusiasmo dos adeptos, tínhamos todas as condições, devia ter sido tudo nosso. Ainda hoje, passados oito anos, não compreendo como é que o deixámos escapar. Há quem fale de inexperiência, excesso de confiança, de euforia ou simplesmente azar. O que é certo é que é muito difícil - para não dizer impossível - termos circunstâncias tão favoráveis como tínhamos em 2004. Cada vez me apercebo mais disso. Devia ter sido tudo nosso.


O Mundial 2006 foi outra boa oportunidade desperdiçada, embora seja discutível se tal aconteceu por culpa nossa, se foi justo. Ainda não estou convencida de que aquele lance envolvendo o Ricardo Carvalho e o Thierry Henry era mesmo penálti. De qualquer forma, a final de Berlim foi fraquinha, Portugal devia ter estado lá. E visto que a Itália só venceu nos penálties, acho que poderíamos ter ganho.

Neste caso, contudo, o karma funcionou pois os nossos amigos franceses nunca mais fizeram nada de jeito desde aquela noite em Nuremberga. Começando pela cabeçada de Zidane e acabando nos tristes episódios  ocorridos no Mundial 2010. Como dizia a minha irmã quando era pequenina: "Deus castiga sem pau nem pedra!"



Aquando deste Europeu, a Seleção já não estava ao nível a que estivera aquando dos campeonatos anteriores. Figo e Pauleta já tinham abandonado a Equipa de Todos Nós dois anos antes e a base da equipa do FC Porto que ganhara a Taça UEFA e a Champions já se dissolvera há muito. Até tivemos um bom começo, com vitórias frente à Turquia e à República Checa. O pior foi a notícia de que Luiz Felipe Scolari, um dos heróis do Euro 2004 e do Mundial 2006, o homem que nos reaproximou da Seleção, iria trocar-nos pelo Chelsea - ainda hoje, passados quatro anos e duas estreias de treinadores, não consigo perdoar-lhe por nos ter deixado assim. A notícia é capaz de ter desestabilizado a Seleção pois não fizemos mais nada de jeito nesse campeonato depois do anúncio. Perdemos contra a anfitriã Suíça no último jogo do grupo, que só serviu para cumprir calendário. Depois, pura e simplesmente não conseguimos suplantar a terrivelmente eficaz Alemanha nos quartos-de-final, apesar de termos lutado até ao fim. Não se podia pedir mais do que isso.


Julgo que, neste caso, foi o método de Carlos Queiroz que não funcionou, na minha opinião. Só ganhámos à Coreia do Norte, de longe a adversária mais fraca do nosso grupo. Se tivéssemos abordado os jogos de maneira diferente, da maneira como, se calhar, Paulo Bento abordaria, provavelmente teríamos ganho à Costa do Marfim, talvez até ao Brasil, poderíamos ter terminado o grupo em primeiro lugar, evitado a Espanha e avançado mais na prova.


Como podem ver, as razões para os nossos falhanços são várias e já foram dadas por muitos: fatores internos, fatores externos, desculpas atrás de desculpas, cada uma mais esfarrapada do que a anterior, adeptos bipolares que, em segundos, passam da euforia à disforia e vice-versa, formação deficiente de jogadores, desvalorização do futebolista português... Quem conseguir encontrar uma explicação para esta ausência de títulos tão linear como a pergunta que originou esta crise existencial, merece o prémio Nobel.



Enquanto se procura uma resposta à pergunta, estamos à porta de mais uma fase final de um campeonato de seleções. E como já vai sendo tradição, faço aqui o meu prognóstico: considero que a Seleção está mais forte do que estava há dois anos, antes do Mundial 2010. Paulo Bento afirmou, inclusivamente, que as dificuldades porque passámos no Apuramento - que incluíram aquilo que, na minha opinião, foi o pior momento de sempre da Turma das Quinas - nos tornaram mais fortes, dar-nos-ão "motivação e confiança". Como já afirmei antes, se nos esperasse um grupo como o que tivemos na África do Sul, não estaria muito preocupada. Contudo, como já escrevi em dezembro último, Deus quis que a gente sofresse no Euro 2012. Estamos mais fortes em vários aspetos, sim, disso não existem dúvidas, mas não sei se estaremos suficientemente fortes para sobrevivermos ao Grupo da Morte.

Acho muito difícil ganharmos à Alemanha. Talvez arranquemos um empate se tivermos (muita) sorte do nosso lado. Com a Dinamarca, o nosso historial recente não nos é favorável, ao longo dos últimos anos complicaram-nos várias vezes a vida à grande e à dinamarquesa. Contudo, se conseguimos vencê-los há ano e meio, pouco depois de uma crise gravíssima, com um treinador recém-chegado, após apenas dois ou três treinos, certamente será possível vencermos após duas ou três semanas de estágio e dois particulares e com a motivação extra de estarmos na fase final de um campeonato de seleções. Em relação à Holanda, é difícil fazer previsões. Expulsámo-los duas vezes de fases finais, mas a última vez ocorreu há seis anos. Além disso, estamos a falar dos vice-campeões Mundiais. Em quem é que vocês apostariam?

Talvez consigamos passar aos quartos-de-final, mas é um grande "talvez" e não é de todo descabido pensar que não vamos conseguir (três vezes na madeira). Luís Freitas Lobo resumiu-o de uma forma brilhante há uns meses, no Público: "Se Portugal passar é um grande feito. Se for eliminado, temos de encarar isso de uma forma natural." Ninguém poderá criticar abertamente se não conseguirmos passar a fase de grupos, mas sei que o pessoal ficará ressentido. Aposto que, nestas semanas de antecipação do Europeu, será muito vendida a ideia da Seleção como remédio anti-crise. Eu vendi essa ideia anteriormente e tenciono continuar a fazê-lo. Teremos motivos para desejar a Taça que, se calhar, não tínhamos em 2004, 2006 ou mesmo em 2008 e 2010. De igual modo, teremos motivos para nos sentirmos desiludidos se falharmos que não tínhamos anteriormente.

Devo dizer (e acho que não é a primeira vez que o digo) que me enojam perfeitamente esse tipo de adeptos, bipolares, que só apoiam a Seleção quando esta vence, cujo "casamento" com as Quinas não é no melhor e no pior. O meu é, devo ser uma espécie em vias de extinção, mas já perdi, se não todas, pelo menos noventa por cento das ilusões que, se calhar, tinha há oito anos. Como é que querem que eu as tenha quando jogadores como o Simão, o Miguel, o Paulo Ferreira se puseram a andar quando as coisas começaram a correr mal? (leia-se, quando rebentou o caso Queiroz). Não me deixarei iludir pelo marketing todo, pelos discurso de que "tudo está bem" na Seleção. Pelo menos, manterei sempre uma certa reserva.

Já não é, aliás, o patriotismo que me liga às Quinas - eu gosto da Equipa de Todos Nós precisamente por, pelo menos nalguns aspetos, não ter nada a ver com o País que representa. A Seleção é literamente e cada vez mais apenaso meu clube (escolhi mesmo bem o nome para o meu blogue...). Tamém sei que nem todos os jogadores se movem pelo patriotismo, se é que algum se move, que muitos deles só vestirão a camisola enquanto lhes for conveniente.

Contudo, continuarei a apoiar porque, mesmo que já não confie nos outros adeptos, nem confie a cem por cento nas palavras e nas intenções dos Marmanjos, acredito nas ações deles. Porque é através de jogos como aquele com a Dinamarca, em outubro de 2010, com a Espanha no mês seguinte, com a Bósnia em novembro último, no Estádio da Luz, que a Turma das Quinas retribui o apoio que pessoas como eu lhe dão. E como a Seleção já provou conseguir superar-se, aposto que teremos direito a mais jogos como esses no Euro 2012. Mesmo que agora esteja mais consciente do que estava há quatro anos, quando inaugurei o blogue, de que é pouco provável nós levantarmos a Taça, que o mais certo é tudo acabar "em desilusão e poeira" (não me perguntem de quem é esta citação, porque não me lembro...), de que nem toda a gente apoia tão desinteressadamente como eu a Equipa que devia ser de Todos Nós, incluindo os próprios jogadores, o meu amor pela Seleção continua intacto ao fim de todos estes anos e ainda não abandonei a esperança que tinha, em maio de 2008, de um dia publicar uma entrada sobre o nosso primeiro título a nível de Seleção A. Hei de publicá-la um dia, seja daqui a mês e meio, dois anos, quatro, sei, dez, vinte ou cinquenta. Que diabo, se só conseguirmos levantar uma Taça depois de eu ter falecido, se eu só puder acompanhar esse momento através do relato de Jorge Perestrelo, espero que o Céu tenha acesso à Internet! Até lá, continuarei a encarar cada fase final de campeonatos de seleções da mesma forma: pensado jogo a jogo, mantendo ambos os pés assentes na Terra, sem contudo deixar de aproveitar cada momento de cada uma das viagens.

A viagem rumo à final de Kiev começa segunda-feira, dia 14 de maio, na Casa da Música, em Óbidos, às 20h. Como sempre, acompanharei a jornada desde início e utilizarei o blogue e a página do Facebook como diários de bordo. Agora, é ver até onde a Seleção Nacional consegue ir.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Polónia 0 Portugal 0 - Um trailer mal amanhado

Anteontem, a cem dias do início da fase final do Campeonato Europeu de Seleções, que se realizará na Polónia
e na Ucrânia, a Seleção Portuguesa de Futebol efetuou o seu primeiro jogo do ano de 2012. Tratou-se de um embate de caráter particular, que opôs Portugal à Polónia, precisamente uma das anfitriãs do Euro 2012, que serviu também para inaugurar o novíssimo Estádio Nacional de Varsóvia. Tal encontrou terminou com o marcador por abrir.

Não há muito a dizer sobre este jogo, pelo menos, não há muito que não tenha já sido dito. O encontro assemelhou-se a tantos outros particulares da Seleção Nacional. O guião-base é sempre o mesmo, com uma outra variação, alguma rotatividade nos atores principais, secundários e figurantes, no cenário. Na primeira parte, como jogam os habituais titulares, há futebol de qualidade. Na segunda parte, com as substituições, o rendimento cai.

Especificando para este jogo, o Nani, com a garra que o caracteriza, foi um dos que mais perigo levou à baliza polaca. Também Ronaldo e Hugo Almeida deram o seu contributo, se bem que com um pouco mais de discrição.

Na segunda parte, com as substituições, a equipa perdeu ritmo, entrou em modo de gestão de esforço. Neste segundo ato, o protagonista foi Rui Patrício. Não fosse o jovem guarda-redes do Sporting e alguma pitosguice por parte dos polacos e o filme podia ter acabado mal para o nosso lado. Há quem diga que, depois de tantas vezes nos ter salvado o couro, ontem e não só, este já se tornou o titular indiscutível da baliza. Mas estou agora a pensar que o Marmanjo é pequeno e magro, pelo menos quando comparado com os brutamontes alemãs, à frente dos quais nos vamos estrear no Euro 2012. Nesse aspeto, talvez o corpulento Eduardo fosse mais aconselhável. Contudo, os jogadores não se medem aos palmos, caberá a Paulo Bento decidir qual deles entrará em campo dia 9 de junho.

Depois de uns bons primeiros quarenta e cinco minutos e de uns entediantes segundos quarenta e cinco minutos, o jogo acabou com o marcador por abrir. Já que não serviu para dar alegrias, por pequenas que fossem, a ninguém, espero que o particular tenha servido para Paulo Bento tirar conclusões. De resto, pouquíssimas pessoas levaram este jogo a sério. A maior parte do pessoal está mais preocupado com o clássico de logo à noite, para eles este particular pouco mais foi que um espinho na carne.

Por meu lado, estou-me completamente nas tintas para o jogo desta noite. Não em jeito de retribuição, de birra, por, na minha opinião, não terem dado à Equipa, que devia ser de todos nós, o tempo de antena que merecia. Apenas me é indiferente quem ganha ou deixa de ganhar a I Liga. Há anos que é assim.

Devo ser das poucas pessoas que ficou verdadeiramente desiludida com o resultado do jogo. Mais do que com a exibição. Como já disse antes, não se poderia esperar muito mais de um jogo deste caráter Mas eu esperava um pouco mais, mesmo assim. Esperava uma vitória. Mesmo que tivesse sido pela margem mínima, mesmo que não o merecêssemos. Já me contentaria com um empate com o marcador aberto... Esperava gritar "GOLO!" pela primeira vez este ano. Agora vou ter de esperar pelo menos três meses até ter a oportunidade de celebrar um golo.

Rui Patrício afirmou que, em maio, estaremos melhor, que "vamos ter tempo para trabalharmos todos juntos (...) por forma a que nos possamos apresentar, posteriormente, nas melhores condições para fazermos um bom Campeonato da Europa". Ele não foi o único a antecipar esse período. Também Paulo Bento e Cristiano Ronaldo o fizeram, com um pedido curioso:  "Aquilo que espero é que as pessoas possam vir ao estádio apoiar a Seleção, ter as bandeiras nas janelas das casas como em 2004 e de ouvir cânticos para a Seleção, por que isso faz a diferença para os jogadores e só se nota nos clubes", desabafou o madeirense. "Era uma maneira saudável e positiva de ajudar." "Que no Euro 2012 o País cante pela Seleção e que os jogadores o sintam", desejou Paulo Bento.

Fica a dica. Se tivesse jeito para isso, talvez eu mesma compusesse um tema para a Turma das Quinas, mas não tenho... De qualquer forma, certamente alguém pegará na ideia.

Em relação às bandeiras, eu já ia pendurar a minha de qualquer forma, sem que mo pedissem, mas sei que nem toda a gente é assim. Pode ser que, com o Ronaldo a pedir, se recrie o cenário do Euro 2004.

Agora tenho mais dois motivos para ansiar por maio. Como se precisasse deles... Já ando há algum tempo a pensar nessas gloriosas semanas. Tenho anotado ideias para entradas a publicar nessa altura. Já sei onde existe uma televisão caso esteja na Faculdade na altura de um jogo. Tenho planeado eventuais visitas ao Jamor (isto se a Seleção fizer algum treino lá, algo que acho pouco provável...).

Estes últimos dias, este jogo, não passaram de um cheirinho demasiado ténue, de uma amostra pouco representativa, de um trailer mal amanhado. Em maio e em junho tudo será diferente. A Seleção constituirá o elenco principal, com todas as câmaras para eles apontadas, os clubes serão meros figurantes. Haverá tempo para afinar as armas, prepararmo-nos para os grandes combates. Os níveis motivacionais serão outros - ninguém andará a guardar-se para o clássico. Não, depois da Convocatória Final, a 18 de maio, tudo será diferente. Faltam exatamente onze semanas para a divulgação dos resultados do casting, oitenta dias para o início das filmagens, noventa e nove dias para a grande estreia. Não posso prometer que o filme ganhe o Óscar, mas nada nos impedirá de aproveitar a jornada. Que, por muitas razões, incluindo os apelos do Selecionador e do Capitão, promete ficar na memória.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Um cheirinho de maio e junho

Primeira entrada do ano. Um feliz 2012 a todos os leitores. Visto que este ano se realiza do Campeonato Europeu de Seleções, esta será certamente a primeira de muitas entradas este ano.

Mais de cem dias após garantirmos um lugar na fase final do Europeu de 2012, que se realiza em junho na Polónia e na Ucrânia, Paulo Bento anunciou ontem, sexta-feira 24 de fevereiro, os Convocados para o jogo de preparação para tal campeonato. Este amigável opor-nos-à à Polónia, precisamente uma das anfitriãs do Euro 2012 e servirá para inaugurar o Estádio Nacional, em Varsóvia.

A maior novidade desta Convocatória chama-se Nélson Oliveira. O jogador de apenas vinte anos de idade foi uma das estrelas da campanha da Seleção Nacional de Sub-20 no Campeonato do Mundo que se realizou no verão passado. Paulo Bento justificou tal chamada afirmando que Nélson "é um futebolista com potencial e grande qualidade" e que "possui características diferentes de todos os outros avançados que temos à disposição". Se se recordam, na entrada em que abordei o Mundial, escrevi o seguinte:

"Juro que, em quase dez anos em que me interesso por futebol, não me lembro de alguma vez ter visto um jogo [a final contra o Brasil] em que os jogadores lutassem literalmente até ao limite das suas forças. Deste modo, a Seleção de Sub-20 de uma lição de coragem, garra, empenho, ficando anos-luz à frente de não assim tão poucos jogadores e equipas sénior. (...) [vou fazer figas para] que o Nelson Oliveira, o Danilo, o Mika e os outros estejam daqui a uns anos a fazer o que o Cristiano Ronaldo, o Nani, o Rui Patrício e o Fábio Coentrão fazem hoje pela Equipa das Quinas!"

Ainda não passou nem um ano mas o Nelson já tem uma oportunidade de conquistar um lugar na Turma das Quinas Sénior. O jovem Marmanjo já provou ter, não só talento, mas também verdadeiro espírito de Seleção. Espero, por isso, que ele seja bem sucedido.

Se isso acontecer, se ele conseguir ser Convocado para o Euro 2012, será  "o puto da Seleção" neste campeonato. Ainda me lembro de quando "o puto" era o Cristiano Ronaldo... Este agora tem vinte e sete anos, já não falta assim tanto para ele se retirar. Estes últimos oito anos passaram a correr, quem me garante que os próximos não passarão mais depressa?

Tal como assinalei anteriormente, decorreram mais de cem dias desde a jornada dupla frente à Bósnia-Herzegovina. Num intervalo de várias semanas, contaram-se pelos dedos de uma mão as notícias relacionadas com a Equipa de Todos Nós. Este período de seca coincidiu com a minha época de exames, portanto, houve um efeito aditivo da frustração de ambas as coisas. Passei por uma verdadeira abstinência da Seleção, cujos sintomas incluíram sonhos esquisitos. Num deles, encontrava-me de férias numa espécie de resort onde a Turma das Quinas estagiava. No início até era agradável, eu podia assistir aos treinos, chegava mesmo a cumprimentar Paulo Bento. Só que, de repente, dou por num num cruzeiro - tive este sonho mais ou menos uma semana depois do naufrágio do Costa Concordia - e o navio começa a naufragar. No momento seguinte, estou a ser resgatada por um helicóptero e a perguntar o que aconteceu a Seleção, se os jogadores tinham sobrevivido. É tudo quanto me lembro mas foi suficientemente perturbador.

É claro que tentei tratar-me, tentei enganar as saudades. Uma das terapias que segui foi mudar o visual daqui do blogue. Nunca me tinha sentido completamente satisfeita com ele. Calhou um dia estar a explorar as ferramentas de design. Agora fica mais claro que este é um blogue sobre a Seleção Nacional. E acho que não ficou feio.

A propósito de renovações e mudanças de visual, acabei de criar uma página no Facebook de apoio ao blogue. Há que admiti-lo, os blogues estão a passar de moda, adaptamo-nos ou morremos. As redes sociais têm, além disso, a enorme vantagem de potenciar um dos maiores pontos fortes da Internet: a troca livre e rápida de informação. Não vou abandonar o meu blogue só por não estar na moda mas vou usar as ferramentas que estão na moda para que o meu blogue chegue a mais gente. Nele publicarei, não apenas as entradas do blogue, mas também notícias, fotografias, vídeos, tudo relacionado com a Seleção, e ainda aquelas primeiras ideias que depois costumam dar origem a entradas novas. Ainda pensei criá-lo mais tarde, mais próximo do Europeu, mas achei melhor fazê-lo agora para me habituar a ele, divulgá-lo, de modo a estar no seu melhor aquando da preparação do Euro 2012. Podem visitá-lo (e, já agora, fazer "Like") AQUI.

Outra terapia foi montar um segundo vídeo de apoio à Seleção, desta feita usando como banda sonora a música One World One Flame, de Bryan Adams. Esta foi outra faixa que o cantautor canadiano compôs e gravo para os Jogos Olímpicos de inverno de 2010, uma balada acústica com letra simples, aplicável a qualquer competição desportiva. O pior foi que o vídeo foi retirado do YouTube dois dias mais tarde por violação dos direitos de autor... Eu já não me posso queixar, nesta altura do campeonato já devia ter aprendido a lição. E teria sido pior se tivessem retirado o vídeo de The Climb, que tem mais significado, uma mensagem mais forte. De qualquer forma, queria ver se montava pelo menos mais um vídeo antes do Europeu. Estou à espera de ma eventual música-tema do Euro 2012. Senão, talvez utilize Sangue Oculto, dos GNR. Entretanto, se ficaram curiosos, podem sacar o vídeo para One World One Flame AQUI.

O jogo com a Polónia será o nosso décimo confronto com esta seleção. Dos nove jogos, recordo-me dos três últimos, uma vitória, uma derrota, um empate.

A vitória deu-se na fase de grupos do Mundial 2012, há quase dez anos. Lembro-me de o Pauleta marcar um hat-trick e de Rui Costa ter marcado o quarto golo. Lembro-me de, na minha ingenuidade, apesar da vergonhosa derrota aos pés dos Estados Unidos na semana anterior, achar que o título estava praticamente garantido. Deem-me um desconto, eu tinha doze anos e acabado de começar a interessar-me por futebol! Lembro-me vagamente de o João Pinto não ter ficado satisfeito com o facto de ter sido substituído pelo Rui Costa mas o jogo seguinte provou que teria sido muito melhor se ele tivesse ficado no banco.

Dos outros jogos recordo-me melhor. Ambos contaram para a Qualificação para o Europeu de 2008. No primeiro, em outubro de 2006, fomos derrotados - não me lembro do resultado final, mas recordo-me que termos sofrido dois golos nos primeiros vinte minutos, isto depois de o Selecionador polaco ter vaticinado que o jogo ficaria resolvido nesse intervalo de tempo.

O empate deu-se na Luz, em setembro de 2007. Lembro-me de estarmos a ganhar por duas bolas contra uma, mas depois, aos 87 minutos, os polacos marcaram um golo digno dos apanhados, em que a bola foi ao poste, bateu nas costas do guarda-redes Ricardo e cruzou a linha de baliza... Um momento que ainda hoje me exaspera.

No total dos nove jogos, contam-se quatro vitórias, três derrotas e dois empates. Tudo pode acontecer na quarta-feira, não me admiraria se saíssemos de lá com um empate (três vezes na madeira!). Por outro lado, por amor de Deus, estamos a preparar um campeonato em cuja fase de grupos se encontram provavelmente os adversários mais difíceis que nos poderiam calhar. Eu sei que é apenas um particular e tal, mas se não conseguirmos vencer a Polónia, como é que podemos aspirar a passar o grupo, deixando duas destas três seleções - Alemanha, Dinamarca, Holanda - pelo caminho?

É melhor não pensar demasiado nos adversários que nos aguardam senão o meu ânimo vai por água abaixo... Haverá tempo para pensarmos no que teremos de fazer para sobrevivermos ao grupo do Euro. Para já, por estes dias, quero matar saudades da Seleção, depois de esta ter estado longe dos holofotes por muito tempo, demasiado tempo para o meu gosto. Quero ter um cheirinho, ainda que muito ténue, daquilo a que teremos direito durante os próximos meses de maio e junho. Quero ver os novos equipamentos da Turma das Quinas - que parece que vão ser apresentados hoje, domingo, dia 26 - em ação. Quero, sobretudo, um motivo, por pequeno, por insignificante que seja, para não recear os adversários com que teremos de lidar em junho, para acreditar que Portugal fará uma boa campanha no Euro 2012.



Este texto foi escrito segundo o novo Acordo Ortográfico. Não porque a autora concorde com as alterações impostas, pelo menos não com todas, mas porque entende que de nada serve pura e simplesmente ignorar o Acordo e teimar em escrever da maneira antiga, como uma criança a fazer birra ou como um adolescente armando-se em rebelde. E também porque, não fossem outros Acordos Ortográficos anteriores a estes, o nome da autora por escrito, em vez de "Sofia", seria "Sophia" - algo que autora consideraria extremamente piroso.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Selecção 2011



Mais um ano encontra-se à beira do fim, mais um ano encontra-se à beira do início. É costume as pessoas reflectirem sobre os acontecimentos mais marcantes dos últimos doze meses e tentarem prever o que acontecerá nos próximos doze. No que toca à Selecção Nacional, depois de um ano de 2010 muito atribulado, 2011 foi um ano incomparavelmente mais calmo. Sobretudo por não ter ocorrido nenhum caso tão grave como aquele que levou ao despedimento de Carlos Queiroz. Também seria difícil e menos provável que ocorresse um caso com essa gravidade este ano, em que não houve fase final de um campeonato de Selecções, estivemos quase meio ano sem jogos oficiais e, mesmo estes, foram apenas meia dúzia (contando com o playoff, que nem sequer fazia parte do plano inicial).

A Selecção entrou em 2011 em alta, derivada do relançamento na disputa pela Qualificação para o Europeu de 2012 e de uma inesperada goleada à Espanha num particular, e manteve-se assim durante a maior parte do ano. O público parecia ter feito as pazes com a Turma das Quinas, o ambiente parecia estar bom no seio da equipa, havia consenso, ninguém tinha nada de muito importante a criticar. Isso era bom, sem dúvida, mas era algo monótono. Se derem uma vista de olhos às minhas entradas (ou simplesmente aos títulos destas) hão de verificar que estas andavam quase todas à roda do mesmo: "A Selecção está muito bem, é a única coisa que está bem neste País". As coisas apenas começaram a descarrilar em Setembro, com a deserção de Ricardo Carvalho e à medida que se aproximava a recta final do apuramento (não sei se estes acontecimentos, bem como aquilo que se passou com José Bosingwa, estão relacionados ou se é apenas coincidência). Em todo o caso, após a brilhante segunda mão do playoff, a Selecção encerra o ano de 2011 mais ou menos da mesma maneira como o inaugurou: em alta, cheia de promessas de mais bons momentos a curto e médio prazo, apesar dos adversários dos próximos jogos oficiais.


O particular com a Argentina, realizado dia 9 de Fevereiro no Estádio de Genebra na Suíça, foi o primeiro compromisso da Selecção Portuguesa do ano. Este desafio encontrava-se envolvido em expectativa, não só devido ao anteriormente mencionado bom momento da equipa mas também - e sobretudo - uma vez que este particular oporia Cristiano Ronaldo e Lionel Messi - por muitos considerados os melhores jogadores de futebol da actualidade. Foi por causa desde duelo que os bilhetes para o jogo se esgotaram e que oitenta televisões em todo o Mundo compraram os direitos de transmissão.


O jogo, que terminou com 2-1 a favor da selecção alviceleste, foi bastante equilibrado. Os dois primeiros golos, um para cada lado, foram marcados na primeira meia hora de jogo. O tento português foi executado por Cristiano Ronaldo. Foi o primeiro de muitos golos, não apenas de Ronaldo ao serviço da Selecção, mas também da própria Equipa de Todos Nós. A substituição do madeirense, aproximadamente aos sessenta minutos de jogo, foi demasiado precoce para a assistência, atraída para o jogo pelo duelo entre os dois melhores do Mundo.


Mas voltando ao jogo em si, este foi muito equilibrado, tal como foi mencionado acima. O ritmo manteve-se quase sempre elevado. O segundo golo marcado pela Argentina resultou de um penálti, um pormenor convertido em pormaior por Messi, em cima do minuto noventa, numa altura em que "ambas as equipas já estavam conformadas com a igualdade" no marcador.


No que toca ao duelo entre Ronaldo e Messi, este último foi o vencedor mas só por falta de comparência do adversário. No que toca à Selecção num todo, este jogo foi testemunha da capacidade da Turma das Quinas de enfrentar qualquer adversário como igual, não maculando, deste modo, o comando de Paulo Bento.


No entanto, terá sido aquando da preparação deste encontrou que terá ocorrido o primeiro capítulo do desentendimento entre o Seleccionador e José Bosingwa - isso sim, maculou o comando de Paulo Bento, ainda que só tenha vindo a lume vários meses depois. Ainda não percebi ao certo o que se passou. A versão que corre - mas não sei se é a verdadeira - é a de que Bosingwa não terá gostado da hipótese de ser suplente e, em represália, terá simulado uma lesão para abandonar o estágio.


Provavelmente, nunca se saberá ao certo o que de facto aconteceu. A única coisa acerca da qual existem certezas quase absolutas é de que, tão cedo, Bosingwa não voltará à Selecção - e isso para mim é o mais importante, o pior. Mas, tal como já mencionei anteriormente, só o soubemos muito depois de Fevereiro, depois de Bosingwa ter sido repetidamente sido deixado de fora das Convocatórias.


Em finais de Março, realizaram-se mais dois jogos de carácter preparatório: um contra o Chile, no dia 26, outro contra a Finlândia, no dia 29. O primeiro terminou empatado a um golo. Não assisti a este jogo, nem sequer pela rádio, como tal, não sei dizer como é que Portugal jogou. Em todo o caso, ninguém atribuiu grande importância a este encontro devido às eleições no Sporting, entre outros factores.


Um dos quais o desafio que opôs a Dinarmarca à Noruega, que terminou empatado a um golo e nos deu o poder de chegarmos ao primeiro lugar do grupo por nós próprios.


O encontrou com a Finlândia foi diferente. Tratava-se de uma selecção nórdica, semelhante à Noruega, que seria a nossa adversária seguinte na Qualificação para o Euro 2012. Como tal, o desempenho da Selecção foi diferente, acima da média em particulares. Destaque para os dois golos do estreante Rúben Micael. Há que dizer, no entanto, que a Finlândia não fez muito pela vida. Apesar de talvez ser essa a intenção, o jogo não foi um verdadeiro ensaio geral para o desafio frente à Noruega - dificilmente os nossos amigos noruegueses, com quem havíamos perdido da última vez que estivéramos em campo com eles, nos facilitariam a vida daquela maneira. Em todo o caso, a vitória foi mais um sinal de que a Selecção estava bem e recomendava-se. Em vários aspectos.


O embate com a Noruega, a contar para a Qualificação para o Europeu de 2012, realizou-se a 4 de Junho - oito meses após o último jogo oficial - no Estádio da Luz. Paulo Bento classificou-o como um jogo "extremamente importante, de grande responsabilidade" pois, se vencêssemos, subiríamos para o primeiro lugar do grupo. Não decidia o Apuramento, mas ajudava muito. Nesse aspecto, os noruegueses estavam menos apertados do que nós, pois, para manterem o primeiro lugar, bastava-lhes perder pela margem mínima, desde que marcassem na Luz. Com a agravante de os noruegueses nos terem vencido da última vez que entráramos em campo com eles.


A Selecção dispôs, nessa altura, do maior intervalo de tempo seguido de estágio antes de um encontro desde o início da Qualificação. Eu própria fui assistir a um dos vários treinos abertos que a Equipa de Todos Nós efectuou. Nas declarações à Comunicação Social, toda a Selecção, jogadores e treinador, aparentava estar em sintonia. Os Marmanjos afirmavam não terem medo da Noruega, apesar de a respeitarem como uma equipa que os derrotara recentemente. Afirmavam querer vencer, de modo a "podermos ir de férias descansados".


E foi o que, de facto, acabou por acontecer, Não foi um jogo brilhante, não houve domínio indiscutível por parte da Selecção Portuguesa, provavelmente devido ao desgaste típico do fim da época futebolística e, talvez, a alguma pressão. O único tento do jogo foi apontado por Hélder Postiga. Em todo o caso, a Selecção cumpriu o seu dever atingindo, desse modo, o topo da tabela classificativa.


Em Agosto, a Selecção disputou, no Estádio do Algarve, um jogo de carácter preparatório com o Luxemburgo. Supostamente esta selecção seria semelhante à cipriota, segundo Paulo Bento, mas tal era questionável. Dificilmente o Chipre, o nosso adversário seguinte, seria tão acessível. A preparação deste encontro incluiu dois treinos abertos e eu assisti a um deles, novamente no Jamor, à semelhança de mais umas oitocentas pessoas. O Seleccionador definiu como objectivos deste encontro levar o jogo a sério, vencer e não sofrer golos.


O encontro em si terminou com 5 - 0 no marcador. Tal como se previa, foi uma daquelas goleadas fáceis, sem suor, sem adrenalina, que dificilmente ficam na memória. No entanto, ao contrário do que acontecera em inúmeros particulares com Selecções teoricamente mais fracas, Portugal levou o jogo a sério e o nível nem sequer diminuiu com as substituições ao intervalo. Em suma, apesar da utilidade questionável deste jogo, os objectivos para ele definidos haviam sido alcançados.


Não pude assistir ao encontro com o Chipre, a contar para o apuramento, nem à respectiva preparação - durante a qual Ricardo Carvalho abandonou a Equipa de Todos Nós - visto encontrar-me de férias no estrangeiro. Tanto quanto percebi, terá sido em protesto contra a possibilidade de ser suplente, tudo isto com um cheirinho a vedetismo, a amuo de adolescente. Paulo Bento acusou-o de deserção e afirmou que nunca mais Convocaria o jogador. Dias depois, Ricardo deu uma entrevista em que, por sua vez, chamou "mercenário", contribuindo em nada para melhorar a sua imagem no meio disto tudo.


Mais tarde, o jogador afirmou-se arrependido por ter virado as costas à Selecção desta forma e manifestou o desejo de voltar a vestir a camisola das Quinas. Nesse aspecto, distingue-se de José Bosingwa, que nunca deu sinais de arrependimento pelas atitudes que tomou. Mas não é suficiente visto que, tanto quanto sei Ricardo Carvalho nunca apresentou um pedido de desculpas directamente, nem a Paulo Bento, nem à Federação. No meio disto tudo, acho ridículo que pessoas como Joaquim Envagelista estejam a pressionar o Seleccionador a aceitar os jogadores de volta. Se eu fosse ao Paulo Bento, ficaria irritada por tanta gente questionar as minhas decisões. Foram o Bosingwa e o Ricardo que tomaram as atitudes, que se excluíram a si próprios directa ou indirectamente. Se eles quiserem voltar à Selecção, o primeiro passo terá de partir deles. E, embora saiba que é improvável, espero que as várias partes consigam chegar a um entendimento e que ambos os jogadores voltem a vestir a camisola das Quinas com Paulo Bento no comando.


Em todo o caso, o capitão da Equipa de Todos Nós, Cristiano Ronaldo, veio a público dizer, poucos dias após a deserção de Ricardo Carvalho, que "tudo o que se passou está ultrapassado, o mister Paulo Bento já falou, o que pensamos fica dentro do grupo", acrescentando mesmo que ele também tinha telhados de vidro no que tocava a decisões pouco sensatas.


Esta declaração foi feita após o duelo com o Chipre, duelo esse que a Selecção Portuguesa levou de vencida por quatro golos sem resposta. Já referi antes que não pude assistir a este encontro. Parece que durante a maior parte do encontro, a Selecção esteve em vantagem pela margem mínima, precária, com todo o nervosismo associado a tais circunstâncias, fazendo uma exibição que deixou bastante a desejar. Contudo, os três golos na recta final do jogo devem ter sabido muito bem. Cristiano Ronaldo desempenhou muito bem o seu papel de capitão da Equipa de Todos Nós, parece que fez uma bela prestação em campo, com dois golos e uma assistência, terá mesmo carregado a equipa às costas. Isto num ambiente particularmente hostil para o madeirense, com os adeptos cipriotas gritando por Messi, criando, salvo erro, uma moda que se estendeu aos restantes jogos da fase de Qualificação. No entanto, pelo menos neste jogo, acabou por lhes sair o tiro pela culatra.


Um mês mais tarde, realizou-se a dupla jornada final da fase de Qualificação. Faltava-nos receber a Islândia e deslocarmo-nos a Copenhaga para enfrentarmos a selecção local antes de darmos o Apuramento por concluído. As nossas condições não eram as ideais, devido a várias ausências por lesão de titulares habituais (Pepe, Hugo Almeida, Fábio Coentrão). A esta lista, juntou-se Danny, pois este teve de ser submetido a uma cirurgia para remover um quisto sebáceo.


A urgência questionável de tal intervenção, aliada às suspeitas que se começavam a formar devido às repetidas ausências do nome de Bosingwa das listas de Convocados, mais, provavelmente, a tensão derivada à proximidade do fim do Apuramento abriram uma brecha na credibilidade do Seleccionador. A Comunicação Social enfiou-se dentro dela e os ataques começaram. De uma forma injusta, na minha opinião, tendo em conta o percurso de Paulo Bento como Seleccionador até à altura.


Conforme foi repetido até à exaustão, bastava um empate e uma vitória para nos qualificarmos directamente, embora na Selecção dissessem que não viam as coisas desta maneira, que encaravam um jogo de cada vez, que não jogavam para o empate. E não se pode dizer que os Marmanjos não juntaram o gesto à palavra no Estádio do Dragão uma vez que venceram os Islandeses por cinco bolas contra três. Contudo, o jogo não foi tão fácil como o que seria de esperar. Os islandeses entraram em campo invulgarmente desenvoltos, descongelados, soltos, como que querendo desafiar o estereótipo da equipa teoricamente mais fraca. Inicialmente, Portugal não se deixou afectar, conseguiu colocar-se três golos à frente dos islandeses, mas estes não demoraram muito a reduzir a desvantagem a apenas um golo, ficando muito perto de anulá-la por completo. Felizmente, o golo de Moutinho, seguido de Eliseu, aliviaram a intranquilidade que se tinha instalado com o seguindo golo da Islândia.


Apesar da vitória, a Selecção Nacional revelara algumas fraquezas. O ideal teria sido que o jogo tivesse servido de aviso, de wake-up call.


Mas não serviu.


Com esta vitória, a Equipa de Todos Nós dava mais um passo em  direcção ao Europeu. Agora bastava um empate frente à Dinamarca para reservarmos logo um lugar na Polónia e na Ucrânia. E até podíamos perder em Copenhaga e qualificarmo-nos à mesma, desde que fôssemos a melhor Selecção em segundo lugar - a única que nos ameaçava era a Suécia. Esta ideia, repetida até à exaustão, irritou-me na altura, pois julgava que Portugal não precisaria de fazer tais contas. Agora, vendo em retrospectiva, a ideia ainda me irrita mais pois não nos serviu de nada.


A derrota de Portugal aos pés da Dinamarca constituiu, sem sombra de dúvida, o ponto mais baixo do ano. Foi provavelmente um dos piores jogos da Selecção dos últimos tempos, agonizante, em que o único ponto alto do jogo foi o golo excepcional de Cristiano Ronaldo. Ainda hoje não percebo o que aconteceu nessa noite para os Marmanjos jogarem tão mal. A era Paulo Bento, que até à altura, estivera quase imaculada, via a sua primeira derrota em jogos oficiais e a Selecção Nacional era relegada para os play-offs pois o jogo da Suécia - que, para animar ainda mais a noite, fora rico em reviravoltas - terminara com uma vitória para o seu lado, tornando-os a melhor equipa classificada em segundo lugar.


Na altura, acabei por dar graças por a Suécia se ter qualificado em vez de nós, pois não queria que a caminhada em direcção ao Europeu terminasse daquela forma. E agora que já sei qual foi o desfecho deste capítulo, ainda abençoo mais essa reviravolta do destino. 


Pouco após o jogo com a Dinamarca, soubemos que, daí a um mês, disputaríamos o play-off contra a Bósnia-Herzegovina, selecção que já se havia cruzado no nosso caminho para o Mundial 2010, dois anos antes. Muita gente recomendava prudência uma vez que a equipa bósnia tinha melhorado significativamente ao longo dos últimos dois anos e, conforme o médio bósnio Zvjedzan Misimovic assinalou, Portugal tivera, teoricamente, condições para já ter o apuramento resolvido mas teve de ir aos play-offs. No entanto, a Turma das Quinas também havia crescido, sobretudo no último ano, e Paulo Bento chegou mesmo a dizer: "Não vou desconfiar de quem durante um ano e picos fez tudo o que devia e, por um jogo, pôr tudo em causa".


A preparação dos play-offs foi marcada pelo regresso de habituais titulares que haviam estado indisponíveis na última jornada dupla e ensombrada pela entrevista de José Bosingwa ao jornal "O Jogo". Como seria de prever, a Comunicação Social alimentou-se das polémicas declarações do jogador mas, aparentemente, estas não tiveram grande repercussão no seio da Equipa de Todos Nós. 


A primeira mão do play-off foi disputada em Zenica, terreno bósnio, em condições bastante adversas para a Equipa das Quinas. Começando pelo relvado de péssima qualidade. A Federação Portuguesa de Futebol apelara para a UEFA, tentando fazê-los mudar a localização do jogo, mas os responsáveis fizeram ouvidos de mercador. Para cúmulo, os dirigentes bósnios ignoraram o acordo selado na manhã do dia da primeira mão e regaram o campo, pouco antes do início do jogo, piorando ainda mais o seu estado. Tal motivou a Selecção a jogar sob protesto.


Outro obstáculo que a Equipa de Todos Nós teve de enfrentar foram os adeptos bósnios pouco amigáveis, que tentaram desestabilizar a Selecção Portuguesa e, em particular, o capitão Cristiano Ronaldo, com lasers e gritos por Messi. 


A primeira mão do play-off terminou com o marcador por abrir. O resultado desapontou mas a exibição da Equipa das Quinas não. O domínio do jogo foi claramente português, falou-se de "espírito guerreiro", "personalidade fortíssima". Terá literalmente sido o campo (que foi apelidado de horta, batatal, pseudo-relvado, Farmville, etc) a impedir a vitória da Selecção Portuguesa. Em todo o caso, ficaram boas promessas para a segunda mão, que se realizaria no Estádio da Luz, daí a quatro dias.


Promessas essas que foram cumpridas, e muito bem cumpridas, naquele que foi o ponto mais alto do ano, ou mesmo de toda a Qualificação. Nesse Portugal recebeu e venceu na Luz a Bósnia por seis golos espectaculares contra dois que não passaram de pormenores tornados pormaiores, num jogo épico (palavra muito na moda e demasiado vulgarizada, na minha opinião) e emocionante, que se assemelhou a um resumo de toda a caminhada em direcção à fase final do Euro 2012, com todos os momentos de brilho, de garra, juntamente com os momentos menos bons e as inesperadas escorregadelas, antes de apresentar o desfecho da história. Que não podia ser mais feliz. O Hino Nacional entoado a plenos pulmões por todo o Estádio encerrou a caminhada, encerrou um jogo que teve todas as características de uma grande final. Um jogo que representou uma desforra contra um caso envolvendo um antigo Seleccionador de fraco carácter, dirigentes corruptos, em Portugal e no estrangeiro, jogadores desertores, notícias desestabilizadoras, relvados manhosos, lasers, adeptos hostis, árbitros pouco parciais. Uma desforra contra a crise que assola o País já ninguém sabe desde quando, contra os cortes impostos pelo Orçamento e pela Troika (bem menos simpática do que a Troika de ataque que empurrou a Selecção para a frente), contra os juros da dívida que, se não estou em erro, já roçam os vinte por cento, contra políticos corruptos e incapazes, contra os sacrifícios que parecem nunca mais acabar, contra o desemprego, contra a depressão, contra o desânimo. Um jogo que selou o apuramento e o renascimento da Selecção Nacional.


No dia 2 de Dezembro, realizou-se o sorteio da fase de grupos do Euro 2012 e Portugal ficou a conhecer os seus futuros adversários: serão eles a Dinamarca, a Holanda e a Alemanha. Dificilmente nos poderia ter calhado um grupo mais difícil. Podemos ver tanto este resultado como outro qualquer como uma coisa boa ou má, dependendo da maneira como o encararmos. Contudo, uma coisa é certa: aguardam-nos jogos verdadeiramente emocionantes, que ficarão para a História, independentemente do desfecho final. 


Foi isto que aconteceu de mais relevante à Selecção Nacional ao longo de 2011. Em suma, foi um ano muito positivo em termos futebolísticos, não só por a Equipa das Quinas se ter qualificado para o Europeu do próximo ano, mas também por causa da Liga Europa, em que três equipas portuguesas chegaram às meias-finais, duas chegaram à final e, como é óbvio, uma delas levou o troféu para casa.


Em termos políticos, financeiros e sócio-económicos, 2011 foi um ano para esquecer, com o governo a demitir-se, a chegada da Troika, a ameaça da queda do Euro, entre outras desgraças. E a situação não parece estar perto de melhorar, sobretudo porque já sabemos que em 2012 nos esperam vários cortes e vida ainda mais difícil.


Em termos pessoas, tirando o contexto acima descrito, devo dizer que foi um dos melhores anos da minha vida, por várias razões. Muitos dos desejos e objectivos que tinha definido no início do ano cumpriram-se. Além disso, posso dizer com toda a segurança que evoluí ao longo do último ano, Tal evolução já havia começado em 2010 mas bem mais discretamente, a grande explosão deu-se este ano. Não sei dizer se me tornei uma pessoa melhor, mas, pelo menos, tornei-me um pouco mais corajosa, um pouco mais certa do que sou e do que quero. Dei vários passos em frente. O facto de ter ido ao Jamor assistir aos treinos da Selecção foi um deles, ainda que não o mais importante. Ainda não estou onde quero estar, ainda tenho um longo caminho a percorrer e tenciono continuar a percorrê-lo em 2012.


Olhando, então, para o próximo ano, no que toca à situação do País, já ninguém se atreve a pedir desejos, a ser optimista, depois de sofrermos desilusões atrás de desilusões. Estamos uma posição semelhante àquela onde nos encontrávamos no início de 2011. O ano que findava havia sido mau mas tudo indicava que o ano que começava seria ainda pior. No entanto, "não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe". Isto não pode durar para sempre, terá de existir uma altura em que isto comece a melhorar! Já andamos em crise há demasiado tempo, já chega!


Existe outra coisa em comum com o início de 2011 e o início de 2012: o facto de o futebol, em particular a Selecção, ser a única coisa que funciona bem neste País, a única coisa a que nos podemos agarrar, a única coisa que nos dá boas promessas para 2012. Quer a Selecção chegue à final de Kiev ou fique pela fase de grupos (que o Diabo seja cego, surdo, mudo e não tenha acesso à Internet...), aquelas semanas antes do Euro 2012 e pelo menos a primeira semana da fase final ninguém nos tirará. Nesse intervalo de tempo, os nossos pensamentos e, pelo menos, o meu coração estarão sediados na Polónia e na Ucrânia. Teremos algo que fugirá à rotina e que nos ajudará a suportar as dificuldades.


Quem me dera que outras coisas neste País funcionassem como funciona a Equipa de Todos Nós!


Para 2012 desejo, então, que sejamos campeões europeus. Que um clube português volte a ganhar um título europeu. Que o tal virar de maré de que falei acima ocorra no próximo ano. Que em 2012 vocês, leitores, tenham uma vida melhor, que evoluam, que consigam realizar os vossos sonhos, ou seja, que 2012 vos corra como 2011 correu a mim. E uso emprestada a foto da página do Facebook Sócio da Selecção para vos desejar...



domingo, 4 de dezembro de 2011

Deus quis que Portugal sofresse...

No passado dia 2 de Dezembro, Sexta-feira, realizou-se em Kiev o sorteio para fase de grupos do Campeonato Europeu de Futebol, a realizar-se entre 8 de Junho e 1 de Julho de 2012

Como era de prever, nas vésperas da cerimónia, muita gente opinou sobre quais seriam as melhores e piores selecções para companheiras de grupo. Eu não alinhei nisso. Conforme expliquei na entrada anterior, a escolha não recairia sobre mãos humanas. De acordo com a própria definição de "sorteio", a decisão coube a Deus ou, caso não sejam religiosos, à Sorte, ao Destino, ao Universo. Vocês percebem a ideia.

E, pelos vistos, independentemente da entidade sobre-humana que escolheram, essa quis que Portugal sofresse.

Fiz questão de seguir em directo este sorteio. Às cinco da tarde sentei-me em frente à televisão, com o computador ao colo, à semelhança do que costumo fazer quando há jogos. Mais tarde, arrependi-me. Antes que começassem a tirar as bolinhas dos potes, tivemos de aturar uma série de discursos, cantoria, bailarico e afins, coisas que não interessavam nem ao menino Jesus. Que não ajudaram a aliviar o nervoso miudinho que começava a instalar-se. Aquilo a certa altura já nem merecia a denominação de sorteio - como dizia um inglês no Twitter, já mais parecia o Festival da Canção.

Finalmente, lá se dignaram a fazer o sorteio. Não sem antes fornecerem uma explicaçãozinha toda XPTO de como aquilo iria funcionar. Tal impacientou-me, na altura, por ser mais uma coisa a atrasar a retirada das bolinhas dos potes. Agora vejo que devia ter prestado mais atenção pois tive alguma dificuldade em acompanhar o processo.

Para a próxima, não me dou ao trabalho de ver a cerimónia do sorteio em directo. Não vale mesmo a pena. Mais vale informar-me depois de os grupos e o calendário já estarem definidos.

De qualquer forma, lá fui acompanhando o sorteio como podia. Achei alguma graça quando soube que a Holanda e a Dinamarca partilhariam o grupo, por serem duas selecções do Norte da Europa.

Mas não achei graça nenhuma quando nos juntámos a elas.

Quando o nosso nome saiu das bolas, a minha primeira reacção foi:

- Nãããããããooooo! A Dinamarca, não!

Quase me esqueci da Holanda. Depois do nosso último jogo com eles, os dinamarqueses eram os últimos com quem desejaria que nos cruzássemos, tirando a Alemanha. Antes nos tivesse calhado a França, ou mesmo a Espanha. Ainda digerindo este resultado, não prestei muita atenção à parte seguinte do sorteio. Entretanto, os meus irmãos chegaram a casa e eu informei-os da nossa sorte. A certa altura, os locutores disseram que a quarta selecção do Grupo B seria uma destas três: Alemanha, Inglaterra ou Itália.

- Tenho um feeling de que vai ser a Alemanha - disse a minha irmã.

Eu fiz figas para que fosse a Inglaterra, pois já a tínhamos vencido no Euro 2004 e no Mundial 2006 e Wayne Rooney não jogaria nos dois primeiros desafios do campeonato. Mas Deus Nosso Senhor queria mesmo complicar-nos a vida e a profecia da minha irmã acabou por se realizar.

- Oh, fogo!

Como podem ver, a minha primeira reacção aos resultados do sorteio foi de pessimismo, quase de pânico. Vencemos os dois nossos últimos encontros com a Holanda mas isso passou-se há mais de cinco anos e, desde essa altura, os laranjas melhoraram imenso chegando mesmo a vice-campeões do Mundo. A Dinamarca é, teoricamente, a equipa mais acessível do grupo mas o seu recente historial de nos complicarem a vida à grande e à dinamarquesa não tranquiliza. E nem vou falar da Alemanha... No geral, temos equipas do Norte da Europa, de grande poderio físico, que já foram campeões europeus pelo menos uma vez. Nós somos um outsider, uma Selecção da periferia, do Sul da Europa, latina, franzina, que tem prestígio, bons jogadores mas que nunca ganhou nada. 

Já falei aqui do padrão descendente que os sucessivos campeonatos de selecções parecem seguir. Com este grupo, não pode ser deixada de fora a hipótese de não chegarmos ao mata-mata e de o padrão se manter...

Paulo Bento afirmou numa entrevista há algumas semanas que, com base nos nossos particulares com a Espanha e a Argentina, "podemos competir com as selecções mais fortes". Ele, provavelmente, tem razão. Podemos competir, desafiar, olhar nos olhos, dar dores de cabeça. Mas vencer é outra história. Além de que uma coisa é enfrentar tais equipas em particulares, em que não há nada a ganhar ou a perder - se tomarmos a Espanha como exemplo, nós trucidámo-la, é certo, mas agora, um ano e não sei quantas derrotas em amigáveis e uma Qualificação imaculada depois, acho que a noite de 17 de Novembro de 2010 foi mais demérito espanhol do que propriamente mérito português. A Alemanha e a Holanda tiveram Qualificações quase perfeitas e nós tivemos de ir aos play-offs. Se vocês as comparassem com Portugal, friamente, a que conclusão chegariam?

Por outro lado, muitos têm mencionado um possível efeito oposto ao que seria de esperar. O próprio Paulo Bento invocou a sua experiência enquanto jogador e mencionou grupos difíceis em que se amealharam nove pontos (o Euro 2000?) e grupos fáceis em que só se conseguiram três (o Mundial 2002?). Podemos mencionar outros exemplos de jogos em que tínhamos tudo para vencer e não o fizemos: com a Grécia em 2004, com a Suíça em 2008, com a Costa do Marfim em 2010. Um artigo de opinião que li há umas semanas explica bem melhor do que eu este fenómeno: "Este clima de baixas expectativas (...) pode paradoxalmente ser aliado de Paulo Bento. Quando se espera pouco, as pequenas vitórias parecem grandes e cria-se um clima de menor pressão sobre o "sucesso obrigatório" que asfixiou a equipa nos últimos campeonatos. E Portugal é sempre melhor quando precisa de se superar do que quando se julga melhor do que os adversários."

Já que se fala nisso, julgo que a alta pressão aquando das últimas competições partiu mais dos adeptos e de todo o marketing em redor da Selecção típico de tais alturas. É uma faca de dois gumes: eu gosto dessa mediatização da Equipa de Todos Nós aquando dos campeonatos de Selecções mas se isso traz mais contrapartidas do que benefícios... É uma questão complicada.

Em todo o caso, nesse aspecto, o Destino foi generoso, de uma forma obscura e retorcida. Ninguém se atreverá a sonhar demasiado alto. Os jogadores estarão motivados para darem o seu melhor. Terão cerca de 6 meses para se prepararem, incluindo as habituais semanas de estágio. E quer Portugal saia de campo vencedor ou vencido, será depois de duelos ricos em adrenalina, emoção, espectáculo, que ficarão registados na História.

E, de resto, quem conseguir sobreviver a este Grupo da Morte, como o pessoal gosta de chamar, ficará muito bem colocado para se sagrar campeão. Se por acaso Portugal se encontrar entre os dois sobreviventes, não deveremos ter problemas nos quartos-de-final já que o Grupo A é relativamente fraco. O único potencial adversário que me preocupa é a Grécia e só por causa do seu historial que inclui a usurpação de uma Taça que deveria ter sido nossa. E, mesmo assim, se tivermos conseguido lidar com a Alemanha, com a Holanda e com a Dinamarca, conseguiremos lidar com qualquer um. Se, eventualmente, conseguirmos chegar às meias-finais, tudo pode acontecer.

Mas é um grande "se". 

Eu acredito, como não podia deixar de ser. O futebol tem um longo historial de caprichos, de pormenores tornados pormaiores. Ninguém pode garantir sem margem de erro que Portugal regressará da Polónia e da Ucrânia sem a Taça Henri Delauny. Já ando há muito tempo à espera de ver a Selecção arrecadar um título, outros tem estado há ainda mais tempo. Demasiado tempo. Tentarei manter os pés assentes na Terra, encarar um jogo de cada vez, mas só deixarei de sonhar, de desejar, quando já não existir a mais remota hipótese. Quando o árbitro apitar três vezes. Até lá, acreditarei e aproveitarei ao máximo o facto de Portugal estar novamente a disputar um Campeonato Europeu de Selecções.


Deixo-vos o calendário da fase de grupos do Euro 2012 (Fonte: Expresso online)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Portugal 6 Bósnia 2 - Uma autêntica final

Há cerca de um ano e um mês que sonho com esta entrada no blogue - desde que Paulo Bento assumiu o comando técnico da Selecção Portuguesa de Futebol conseguindo, em poucos dias, pô-la a vencer e a golear, relançando-a na luta pela Qualificação para o Campeonato Europeu de 2012, a realizar-se na Polónia e na Ucrânia. Isto apesar de, quando esta chegou às suas mãos, a Equipa de Todos Nós se encontrar praticamente destruída, após um Campeonato do Mundo que deixou bastante a desejar e um caso desagradável (e "desagradável" é um grande eufemismo) no seu rescaldo que culminou num trágico arranque de apuramento e no despedimento nada amigável do antigo Seleccionador. Essa crise está definitiva e finalmente ultrapassada - como eu sabia que acabaria por acontecer - após um jogo do outro mundo, ontem à noite - como eu não sabia que iria acontecer.

Realmente, até dá gosto escrever sobre jogos como a segunda mão do playoff de acesso ao Euro 2012. Dá gosto é como quem diz... Eu adoro escrever sobre a Selecção independentemente das circunstâncias mas recordar momentos como meia dúzia de golos fenomenais, os invulgarmente efusivos festejos de Paulo Bento, dezenas de milhares de pessoas gritando poderosamente "POR-TU-GAL! POR-TU-GAL!" e cantando o hino a uma só voz, os jogadores abraçando-se e atirando-se para cima uns dos outros, dulcifica imenso a coisa.

Por outro lado, devo confessar que, apesar de me ter dado um prazer especial, esta entrada levou-me tremendas quantidades de tempo a escrever. No meu caderno de rascunhos tenho páginas e páginas cheias de notas. São tantas as coisas de que queria falar, mas infelizmente vou ter de deixar algumas de fora. E, já assim, a entrada vai ser longa, por isso, preparem-se!

Duvido que alguém estivesse à espera de uma vitória tão expressiva quando a Selecção Nacional entrou em campo, ontem à noite. Eu, pelo menos, quando me sentei na minha sala de estar, com o computador portátil no colo, não imaginava que sairíamos da Luz com seis golos marcados. Como costumo fazer quando assisto aos jogos a partir de casa, estava ligada ao Twitter. Aqui ia publicando os meus comentários (apesar de ser pouco provável que estes fossem lidos) e ia lendo as reacções de portugueses e estrangeiros um pouco por todo o mundo - a beleza da Internet! E foi bom ver termos relacionados com Portugal no Top 10 dos Trending Topics, para variar.

A Selecção entrou no seu melhor, cheia de garra, decidida a sair da Luz com o passaporte carimbado para a Polónia e a Ucrânia. Daí que a primeira oportunidade de perigo para a baliza da Bósnia-Herzegovina tenha surgido logo aos cinco minutos. E que Cristiano Ronaldo tenha marcado o primeiro golo aos oito minutos, de livre. Um tiro espectacular, mesmo à CR7. Achei graça quando, após o golo se ouviram algumas notas do "Bailinho da Madeira" em honra do madeirense mais amado de todos os tempos.

Mais tarde, soube que, já durante o aquecimento, o Cristiano havia dado sinais claros de que se ia empenhar, de que não queria ficar de fora do Euro 2012. Se era por interesse próprio, pela sua própria mediatização, ou se pela Equipa de Todos Nós, não sei. Talvez fosse por ambos os motivos. Independentemente do egoísmo ou altruísmo das intenções, a verdade é que o jogo de Terça-feira à noite foi um dos melhores dele vestindo a camisola das Quinas e ele contribuiu muito para a vitória. A profecia do outro que eu mencionei na entrada anterior, de que dia 15 seria a noite de Cristiano Ronaldo e de que as 21 seriam a hora dele estava correcta. Mas a minha profecia de que dia 15 seria a noite de toda a Turma das Quinas e de que as 21 seriam a nossa hora também estava correcta uma vez que Ronaldo não foi o único Marmanjo a brilhar na Luz.

Nani, que completa hoje 25 anos de vida, foi um deles ao disparar sobre a baliza bósnia de fora da área. Um golo que me fez exclamar:

- Fogo!...

Estava provado que os Marmanjos estavam inspirados naquela noite. Achei graça ao tweet, mais uma vez, de @lidiapgomes: "Ataque à bomba na Luz".

Ora, a alegria por estes dois primeiros golos foi-me parcialmente roubada pela televisão de sinal digital. O meu pai e o meu irmão haviam chegado mais tarde a casa e estavam na cozinha, vendo o jogo enquanto jantavam. A televisão deles estava mais adiantada. Como tal, quando eles gritaram "GOLO!", eu ainda via a bola nos pés dos Marmanjos... Acabei por pegar no portátil e mudar-me para a cozinha.

O penálti a favor da Bósnia e consequente golo acabou por surgir um pouco contra a tendência do jogo. Safet Susic, o seleccionador da Bósnia, havia dito que o jogo seria decidido nos detalhes. Agora percebia o que ele queria dizer.

O jogo chegava ao intervalo com um resultado que não correspondia ao que de facto se passara em campo e pouco tranquilizador para as cores nacionais. Se os Bósnios anulassem a desvantagem, seriam apurados por terem marcado fora. Tudo era possível e a única certeza que tinha era que ainda haveria muito para ser jogado naquela noite.

Entretanto, o meu pai e o meu irmão acabaram de jantar. Agora, sem televisões adiantadas ligadas, viemos para a sala.

No início da segunda parte, os adeptos portugueses estavam menos exuberantes nas suas manifestações de apoio. Não os posso censurar, sobretudo porque, durante o resto do tempo, mereceriam cinco estrelas. Excepto quando assobiaram o hino bósnio. Apesar de compreender a atitude deles e não poder julgar, acho que isso estava fora dos limites. Em todo o caso, corresponderam ao pedido de apoio por parte de Cristiano Ronaldo. E o capitão da Turma das Quinas agradeceu marcando o terceiro golo da Selecção, na jogada seguinte. Depois, bem ao seu estilo, ter-se-à dirigido aos adeptos bósnios perguntando:

- Mess? Quem é Messi? - Ah, grande Ronaldo!

Este foi o seu 32º golo pela Equipa das Quinas, destronando, deste modo, Luís Figo - ironicamente na mesma noite em que a antiga estrela da Selecção foi homenageada pelas suas 109 internacionalizações. Mas acho que o Figo não se importa. Aqueles que dizem que o Ronaldo só dá o seu melhor pelos clubes começam a ficar sem argumentos. O madeirense encerrará o ano de 2011 com sete golos marcados com a camisola das Quinas - igualando o recorde de 2004. António Oliveira resumiu bem a situação: "Finalmente foi criada uma sintonia perfeita entre a equipa e o jogador". Agora só tem Eusébio e Pauleta acima dele na tabela dos goleadores da Equipa de Todos Nós. E visto que ainda vai a meio da carreira, qualquer dia ainda os vai destronar...

Desta feita, o prazer do golo foi-me de novo roubado, não pelo meu pai e irmão, mas pelos vizinhos de cima. Parecia mesmo que o sinal digital tinha tirado o dia para se divertir à minha custa. Irritada, acabei por voltar para a cozinha, desejando que a Selecção marcasse mais um golo, para eu poder celebrar como deve ser.

Podia ter celebrado alguns minutos mais tarde se a equipa de arbitragem tivesse visto Papac ajeitando a bola com as mãos na área da Bósnia de uma forma bem mais ostensiva do que no lance que dera o penálti à Bósnia. Mas os árbitros pareciam estar a sofrer de uma miopia bastante selectiva, naquela noite. Miopia essa que voltou a manifestar-se minutos mais tarde, quando não viram o fora-de-jogo de Spahic no lance do segundo golo deles. Mais um detalhe, mais um pormenor tornado pormaior. Houve quem twittasse que havia ali um dedinho de Michel Platini. Não me surpreenderia...

Estávamos de novo com uma vantagem precária que, apesar de nós sermos claramente melhores, poderia ser anulada por outro detalhe, por outro capricho do destino. Estava a ser um verdadeiro jogo da Equipa de Todos Nós, com todo o sofrimento que a ele costuma estar associado, cheio de emoções fortes. Uma autêntica final. Parecia, de certa forma, um resumo de toda a caminhada para a fase final do Euro 2012, com todos os momentos de brilho, de garra, mais os inesperados tropeções e momentos menos bons. Tudo podia acontecer, todos os desfechos desta história eram possíveis. Mas eu acreditava, como nunca deixo de acreditar. Acreditava que a Selecção marcaria mais um golo e consolidaria a vitória.

E não me enganei.

Hélder Postiga marcou aos 72 minutos, após uma excelente assistência por parte de Ruben Micael, dando-me, finalmente, a oportunidade de gritar "GOLO!" e travando de vez os bósnios. Menos de dez minutos depois, foi marcado um pontapé livre perigoso a favor de Portugal. À semelhança do que acontecera nos livres anteriores, o público chamou por Ronaldo, mas aquela zona era a especialidade de Miguel Veloso. Por isso, o Marmanjo pediu para ser ele a executar o pontapé livre. Ronaldo aceitou e, deste modo, Veloso teve também direito ao seu momento de glória.

Ainda não tinham passado três minutos, já Hélder Postiga cabeceava para o interior da baliza bósnia, marcando o seu segundo golo naquela noite. Houve quem dissesse que ele estava a sorrir quando fez esta jogada. É bem possível.

Estava feito o resultado, embora eu ainda esperasse mais um golo. Nas bancadas cantava-se o hino de Portugal, celebrava-se já o apuramento. Depois do apito final, os jogadores juntaram-se à festa. Nos holofotes soaram as primeiras notas do Hino Nacional e toda a Luz, todos os jogadores, toda a equipa técnica, todos os adeptos presentes no estádio, todos os portugueses seguindo o jogo à distância, em suma, toda a Selecção Nacional cantou a uma só voz. Um momento lindo e, tanto quanto sei, inédito excepto em finais, que encerrou com chave de ouro um jogo que teve todas as características de uma grande final.

Que a Selecção tenha a oportunidade de voltar a cantar o Hino Nacional no fim de um jogo em Junho do próximo ano!

Falou-se da Troika de ataque constituída por Cristiano Ronaldo, Nani e Hélder Postiga. Aqueles que mais marcaram ao longo da fase de qualificação. Cada um deles marcou no Estádio da Luz. Muita gente parece surpreendida por o Hélder Postiga ter marcado duas vezes, mas não compreendo porquê. Na minha opinião, ele tem sido injustamente subvalorizado pelo público. Não posso falar do clube mas na Selecção tem tido quase sempre bons desempenhos, não só nesta fase de qualificação mas há já vários anos. Sempre foi um dos meus jogadores preferidos. OK, admito que comecei a gostar dele quando tinha treze ou catorze anos pelo seu aspecto (e ainda hoje acho que ele não é nada feio...) mas ao longo dos anos fui ganhando melhores argumentos para gostar dele: é humilde, empenhado, ajuizado, não procura protagonismo e há muito que é um talismã para a Equipa das Quinas. Eu já reconheci o potencial dele, espero que este jogo tenha servido para outros reconhecerem.

O próprio Hélder observou que ele marca sempre na Luz, sempre naquela baliza, curiosamente. Se não me engano, isso aconteceu duas vezes no particular com a Espanha, há precisamente um ano, e no jogo com a Noruega. Um dos comentadores da RTP comentou mesmo que o Hélder devia era arrancar aquela baliza e levá-la para a Polónia e para a Ucrânia - adorei esta frase. Eu costumo dizer mal dos comentadores televisivos mas estes, quando querem, até têm uns rasgos de inspiração...

Mas eu não queria falar apenas da Troika de ataque (que, curiosamente, é constituída por, provavelmente, os meus três jogadores preferidos da Selecção). Quero falar deles em conjunto com o Miguel Veloso, o Hugo Almeida, o João Moutinho, o Fábio Coentrão, o Rui Patrício, o Ricardo Quaresma, entre outros - uma geração que, desde há alguns anos a esta parte, tem dado muito à Equipa de Todos Nós e, visto ainda serem relativamente jovens, julgo que ainda têm tempo para crescerem ainda mais e para darem ainda mais à Selecção. Eu, pelo menos, tenho fé nestes rapazes.

Mas isso seria mais a longo prazo. A curto/médio prazo, temos um Campeonato da Europa para preparar. Já se fazem prognósticos sobre o desempenho da Selecção no Europeu, mas eu prefiro não ir por aí, pelo menos não para já. A euforia ainda está demasiado fresca. Além disso, prefiro saber ao certo o que teremos de enfrentar. E nem me vou pôr a fazer prognósticos sobre o próprio sorteio, nem me vou pôr a dizer quais as selecções mais ou menos convenientes para nós. Para quê? Não podemos influenciar o sorteio... Que seja o que Deus quiser. E não teremos de esperar muito para se conhecer a Sua vontade visto que o sorteio é já dia 2 de Dezembro.

Mas uma coisa confesso: depois de tudo por que a Turma das Quinas passou no último ano e meio, quero ver até onde esta Selecção renascida é capaz de ir.

Encerra-se deste modo inacreditável a caminhada para o Europeu de 2012. Provámos que coisas como  seleccionadores de fraco carácter, dirigentes corruptos, jogadores desertores, notícias desestabilizadoras, relvados manhosos, adeptos hostis, dirigentes estrangeiros que não colaboram, árbitros de imparcialidade duvidosa, presidentes de parcialidade quase provada cientificamente, podem complicar-nos a vida mas, no fim, não chegam para nos impedir de alcançar os nossos objectivos. Que a Selecção é mais forte do que tudo isso.

Quero desde já felicitar todos os jogadores, equipa técnica e adeptos que, como eu, nunca deixaram de acreditar, de apoiar, por termos conseguido um lugar na Polónia e na Ucrânia, por termos conseguido reconstruir a Selecção e colocá-la a jogar ao seu melhor nível. Agradecer-lhes por nos terem dado algo para celebrar, algo por que ansiar. Agradecer-lhes por, mais uma vez, terem retribuído o apoio que lhes é dado.

Por, mais uma vez, provarem que faço bem em ser doida pela Selecção.



Agora que estamos finalmente apurados, planeio montar alguns vídeos de homenagem e apoio à Selecção ao longo dos meses que faltam para o Europeu. Começarei por refazer o vídeo que montei há um ano com a música The Climb, de Miley Cyrus. Não consegui colocá-lo no YouTube devido aos direitos de autor das imagens do Mundial e sempre o lamentei pois considero que a mensagem da música tem muito a ver com a Selecção Nacional. Daí ter decido refazer o vídeo. Desta feita, não vou usar imagens do Mundial (com alguma pena minha) a ver se evito os problemas de direito de autor. Tenciono, até, fazer três versões diferentes: uma com a versão oficial da música, outra com a versão instrumental e outra com um instrumental em piano que encontrei recentemente. Vou tentar tê-las prontas em breve. Quando as tiver postarei aqui.  Entretanto, se quiserem ver as primeiras versões do vídeo, podem sacá-las através dos links aqui ao lado direito.

P.S. As celebrações da vitória e do apuramento para o Europeu foram assombradas pelo estado de saúde do Gustavo, o filho de Carlos Martins, que completa hoje três anos e a quem lhe foi diagnosticada uma leucemia. Três anos de idade e tem cancro... Eu já tinha estranhado a sobriedade dos jogadores nas flash-interviews... Entretanto, o Cristiano Ronaldo, o Nani e o Fábio Coentrão já publicaram apelos à doação de medula óssea nas redes sociais, já se formou uma corrente de solidariedade online - algo que é de louvar e que pode fazer a diferença, dada a popularidade destes jogadores. Talvez eu não tenha grande personalidade, talvez eu seja facilmente manipulável, talvez a Selecção seja uma fraqueza minha e eu faça qualquer coisa que eles me peçam mas a verdade é que tenciono ajudar. E não é só por ser o filho de um Marmanjo, só de pensar numa criança de três anos (um ano mais nova do que um primo meu) a ter de ser submetida a cirurgias e quimioterapia... Quem é que consegue ficar indiferente? Mais ou menos nesta altura do ano costumam vir recolher sangue à minha Faculdade e costumam também apelar ao registo como doador de medula. Eu já doei sangue mas tenho estado relutante em inscrever-me como doadora de medula mas agora... Se não for o Gustavo, há-de ser o filho de outra pessoa qualquer.

Vou também acrescentar o meu blogue à onda de solidariedade para com o Gustavo, apelando a que sigam o meu exemplo e se registem como doadores de medula (saibam mais AQUI). Hoje é o filho do Carlos Martins, amanhã pode ser o vosso filho, o vosso neto, o vosso sobrinho, o vosso irmão. Quero também enviar ao Carlos e à Mónica, os pais do Gustavo, uma mensagem de solidariedade, de força e um desejo do fundo do coração que eles consigam vencer esta luta.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...