sexta-feira, 8 de junho de 2012

Antes da nossa estreia no Euro 2012

Estamos, finalmente, a horas da nossa estreia na fase final do Europeu da Polónia e da Ucrânia. Tal estreia será frente à poderosa Alemanha, grande candidata ao título e com quem o historial não nos é favorável. O optimismo já não era grande há algumas semanas - o resultado dos dois últimos jogos particulares  pioraram ainda mais a situação.

Como o costume, agora que a Seleção está num momento menos bom, há quem aproveite para causar polémica e aumentar a audiência da Comunicação Social, com o efeito secundário de fragilizar ainda mais a Equipa das Quinas. É o caso de Manuel José, que afirma que a Seleção tem passado mais tempo em festas do que a preparar o Europeu. Carlos Queiroz já veio corroborar tais declarações, como não podia deixar de ser - já se sabe, este se tem uma oportunidade para cuspir no prato de onde comeu, aproveita-a. E um pouco por todo lado têm surgido opiniões semelhantes. Comenta-se o enorme poder que as patrocinadoras têm sobre a Seleção, as várias folgas que foram concedidas aos jogadores, os inúmeros popós topo de gama exibidos pelos jogadores aquando do regresso destas folgas, o facto de as três televisões em sinal aberto terem transmitido em direto a visita da Seleção ao Presidente da República, a posterior viagem até ao aeroporto, etc, etc.

Tais críticas não me surpreendem por aí além, são habituais em alturas como estas, conforme já foi referido acima. Não será a primeira nem a última vez que tais coisas acontecerão, já estou habituada a isso. A única coisa que difere neste caso é que... eu concordo com uma boa parte das críticas.´

Mas vamos por partes, que isto é uma questão muito complexa, com várias facetas. Começando pelas folgas. Julgo que já falei disso anteriormente, se não aqui no blogue, pelo menos na página do Facebook. Não vejo grandes vantagens em manter os jogadores aprisionados no estágio durante semanas a fio. No entanto, nesses dias viram-se demasiadas vezes os Marmanjos em eventos publicitários das respetivas patrocinadoras quando, segundo Paulo Bento, esses dias deviam ter sido aproveitados para estarem com a família e os amigos.

Por outro lado, embora tais comportamentos possam ser moralmente discutíveis, parecem-me relativamente  inofensivos quando comparados com o dos nossos adversários: parece que os jogadores alemães têm tido permissão para fumarem, beberem cerveja e vinho, saírem do hotel nos tempos livres, entre outras coisas. Acho que isso é mais prejudicial do que folgas a mais, mas também acho que a nicotina e o etanol no organismo dos nossos adversários em nada nos vai facilitar a vida quando entrarmos em campo com eles...



Também não acho que se possa dizer que o desempenho de Portugal será afetado pelo desfile dos carros de luxo dos jogadores nas chegadas a Óbidos após as folgas. Muitos deles são apaixonados por automóveis. Cresceram em meios desfavoráveis, sem quaisquer tipo de luxos, provavelmente prometendo a si mesmos que, quando fossem grandes, seriam jogadores de futebol, teriam muito dinheiro, suficiente para terem Porsches e Ferraris. E agora que já são grandes e ricos, estão a realizar os seus sonhos infantis (porque são infantis, independentemente do carácter positivo ou negativo do termo). As outras pessoas, que se calhar, tinham os mesmos sonhos quando eram miúdos, mas não conseguiram realizá-los, invejam-nos, criticam-nos por exibirem gritantes sinais exteriores de riqueza estando o País mergulhado na crise - não digo que estas críticas sejam motivadas apenas pela inveja, mas acredito que esta represente uma larga percentagem da motivação.

Pessoalmente, não compreendo esta obsessão dos homens por popós. É que chega a roçar o ridículo, como quando o Ronaldo, no outro dia, aparentemente, trouxe uma réplica do carro do Batman ou algo parecido. Um amigo meu já me veio explicar que os carros estão para os homens como os sapatos estão para as mulheres. Talvez. De qualquer forma, acho que existem coisas melhores em que gastar o dinheiro. Eu, pelo menos, se ganhasse o que eles ganham, não investiria em carros desportivos. Investiria, se calhar, uma parte em roupas e acessórios, mas não é essa a questão...


Mas um ramo em que, certamente, investiria, se, mais do que o dinheiro, tivesse o estatuto e o mediatismo que alguns deles têm, seria a filantropia. Vocês viram a campanha que fizeram quando o Gustavo, o filho do Carlos Martins, precisou de medula óssea. Se eles criassem uma fundação, se se dedicassem a uma causa humanitária, fosse ela combater uma doença ou ajudar crianças carenciadas, sem ser apenas quando toca a um filho deles, movimentariam imensa gente. Mas adiante.



A questão do "circo", do "big brother", do "folclore", das patrocinadoras, não é tão linear quanto isso. Eu própria tenho opiniões contraditórias sobre o assunto. Por um lado, concordo com Manuel José quando fala sobre o "big brother", sobre programas como o Vamos Lá Portugal. Já tinha falado sobre isso ou aqui ou no Facebook: o programa quase só tem transmitido coisas irrelevantes, tem sido sobretudo um espaço de publicidade à Nike.

Em relação à transmissão em direto das atividades da Seleção na tarde de 4 de junho (a visita ao Presidente da República, a viagem até ao aeroporto, etc) por parte das três televisões de canal aberto... é complicado. Complicado porque eu participei num deles programas. Mas não acho que seja assim tão interessante estar a transmitir coisas como os treinos abertos, as viagens no autocarro, no avião... Essas coisas são emocionantes quando estamos presentes lá fisicamente, quando podemos gritar, acenar bandeiras, fazer figuras parvas, como fiz eu, e haver a possibilidade de sermos vistos e ouvidos pelos nossos heróis, de nos tornarmos reais para eles. Tirando essa componente, tudo aquilo não passa de uma aula de Educação Física, de um autocarro, de um avião da TAP - e, na minha opinião, existem coisas mais interessantes para se ver na TV. Ou pelo menos, não me parece que sejam assim tão interessantes que justifiquem três televisões façam o direto ao mesmo tempo.


O que nos leva à influência das patrocinadoras - porque são claramente elas que beneficiam com a atenção exagerada à Equipa de Todos Nós. Sempre o soube mas só agora, depois da conversa de Manuel José e Carlos Queiroz é que me ocorreu que isso poderia ser prejudicial à Seleção. A ser verdade o que o ex-selecionador diz, seria uma completa estupidez toda aquela história de uma votação para escolher o 23º jogador da Convocatória para o Mundial 2010.

Carlos Queiroz até poderia ter recuperado parte do meu respeito por se ter recusado a fazer isto, não fosse o timing destas declarações. Ele sabe perfeitamente que a pressão é imensa nestas alturas, declarações como esta em nada ajudam. Mas não, teve dar mais uma prova do seu carácter desprezível.

Acaba por ser engraçado. Nos primeiros tempos de Paulo Bento como Selecinador, sentia-me dividida pela euforia que me causou a boa fase da Seleção e culpada devido à minha antiga lealdade para com Queiroz. O antigo selecionador acabou por resolver o meu dilema ao deixar vir ao de cima o seu verdadeiro carácter. Assim, deixei de me sentir culpada por a minha lealdade ir toda para Paulo Bento. Obrigada Queiroz!

Por outro lado, se não me engano, não é a primeira vez que Manuel José critica o folclore em volta da Seleção. Julgo que já o ouvi, há uns meses, culpar a festa antes da final do Euro 2004, no caminho desde Alcochete até à Luz, pelo fracasso da mesma. Não me admirou, portanto, que ele repetisse tais críticas agora, a propósito da preparação do Euro 2012.



Mas com isso não concordo. O futebol é um espetáculo, é um entretenimento, é feito para os adeptos, é para ser vivido, para ser aproveitdo. Eu gosto dessa componente, gosto do circo, do folclore - sem exageros, é claro. Eu sei que o BES, a Galp, o Continente e afins ganham muito com tal festa, mas isso faz parte. Sem o BES, não teria havido a Mais Bela Bandeira aquando do Mundial 2006. Sem o Continente, não teriam havido aqueles anúncios provocatórios dirigidos aos nossos adversários. Sem a Galp, não havia Menos Ais, não havia o Onze Por Todos - que eu considero uma campanha muito original, muito inspiradora. Estas campanhas muito têm contribuído para a mobilização do povo em torno da Equipa de Todos Nós. E, na minha opinião, de uma maneira geral, têm-no feito promovendo mais a Turma das Quinas do que as próprias marcas.

Como em praticamente tudo na vida, o que se pede é moderação, equilíbrio. Que se trabalhe e que se concentre no que é importante mas que haja tempo para alguma festa, alguma ligação aos adeptos.

Também já li as costumeiras opiniões de pseudo-intelectuais, considerando-se superiores ao resto do povo que vibra com a Seleção em fases finais como esta, que os julgam alienados da realidade numa altura em que todos os esforços deviam ser concentrados na resolução da crise, a conversa do costume. Nesta questão, recorrerei a um artigo de opinião, já antigo, da altura do Euro 2008, publicado no dia que se seguiu ao jogo com a República Checa, no jornal Meia Hora, que entretanto já saiu de circulação. Tem quatro anos de idade, mas continua atualíssimo e transmite exatamente aquilo que eu penso sobre este assunto.

Não digo que a alienação seja uma coisa boa, porque não o é. No entanto, a não-alienação não nos tem servido de muito. Como diz Luciano Amaral, autor do artigo: "o argumento implícito dos queixosos parece ser o de que, no espaço de tempo entre os Europeus e os Mundiais de futebol, andamos por aí a resolver os problemas do País. (...) Afinal, houve dois anos desde o último Mundial (e quatro desde o Europeu) para resolver o atraso económico português (ou a crise das finanças públicas), sem qualquer sucesso".


Isto em 2008, numa altura em que a crise ainda não tinha explodido com toda a sua força.


Não alinho na campanha da Galp, não me parece que a Taça resolva alguma coisa, que impeça os jovens da minha geração - que, como eu, cresceram ouvindo que só seriam alguém se tirassem um curso universitário e agora não conseguem arranjar emprego - de emigrar, que diminua o desemprego, a pobreza. No entanto, como assinalou muito bem João Gobern sexta-feira de manhã, no "Pano Para Mangas", no futebol não temos de nos submeter às directrizes, ao desprezo, de franceses e alemães, não temos de ser os "bons alunos" - podemos aspirar a ser maiores do que somos, a nos suplantarmos, a tentarmos o impossível e inspirar os restos dos portugueses a seguirem esse exemplo no que toca às suas carreiras, às suas ambições pessoais. Ou, pelo menos, como já repeti várias vezes ao longo do último ano e meio cá no blogue, podemos esperar por algo de bom no futuro, algo que torne tudo menos insuportável, por pequeno e fútil que seja.

E agora estamos a menos de vinte e quatro horas da nossa estreia no Europeu. Carlos Daniel resumiu bem a forma como encaro este jogo: "Nós somos um povo do oito ao oitenta, mas agora estamos para aí no quarenta e oito". Acho que vai ser muito, muito difícil ganharmos, que uma derrota não será muito grave, mas não seria a primeira vez que a Seleção me surpreenderia.

De uma coisa tenho a certeza, contudo. Independentemente do resultado, será um jogo que ficará na História. Este e não só. No outro dia, durante uma Conferência de Imprensa, julgo que com o Eduardo, um jornalista d'A Bola disse que considera que o nosso grupo deveria ser chamado de Grupo da Vida, em vez de da Morte, pois será certamente este que mais vida trará ao Europeu. É um conceito interessante. Emoções fortes não faltarão no nosso grupo.

A mensagem que, se pudesse, deixaria à Seleção, seria a seguinte: deem o vosso melhor, façam por merecer o apoio que vos tem sido dado, deixem-nos orgulhosos. Se aqueles Marmanjos derem tudo o que têm, tudo pode acontecer. É encarar a Alemanha, a Dinamarca, a Holanda, encarar os quartos-de-final como o primeiro grande objetivo, olhos nos olhos, sem medo, e dizer...


...ou, para não ofender os mais puritanos, em bom português: Desafio Aceite!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Os meus quinze minutos de fama

Na passada segunda-feira à tarde, dia 4 de junho, fui entrevistada no programa "A Tarde é Sua" dedicado à Seleção Portuguesa de Futebol.


Passei o domingo inteiro e a manhã de segunda-feira nervosíssima com a minha entrevista. Falar em público nunca foi o meu forte - julgo que já o tinha dito aqui no blogue. Já me enervo demasiado com apresentações de trabalhos na minha Faculdade, perante apenas uma dúzia de pessoas. A minha oralidade, embora já tenha tido piores dias, sempre deixou muito a desejar. Ainda por cima, nunca tinha ido à televisão - antes daquilo só tinha aparecido uma ou duas vezes no máximo e sempre de passagem. Também não ajudava o facto de não ter grandes certezas acerca do que eu ia exatamente fazer ao programa.

Os nervos ainda não se tinham dissipado quando cheguei aos estúdios da TVI em Queluz de Baixo, por volta do meio-dia e meia, mais coisa menos coisa. No cantinho com sofás onde me disseram para esperar, já lá estavam outras pessoas também convidadas para participarem no programa: três raparigas mais ou menos da minha idade - a Catarina, a Mafalda e a Alexandra - dois senhores mais velhos - o Paulo e o Eduardo - e uma senhora cujo nome não me recordo. Todos os lugares estavam ocupados mas o Paulo ofereceu-me logo o seu lugar. Uns minutos mais tarde, quando o ouvi perguntar pelo almoço, ofereci-lhe a sandes de bife panado que tinha trazido de casa para comer de manhã. Ainda não a tinha comido pois os nervos tinham-me tirado a fome. Mas ele recusou. Na altura, ainda não sabia quem eram eles ao certo, mas a simpatia foi imediata. Pelo menos, da minha parte foi.

Acabaram por nos chamar para a maquilhagem. As meninas entraram primeiro. Eu fiquei com o Paulo e o Eduardo à espera noutra salinha. Continuava com os nervos em franja, sem saber o que responder quando eles me perguntavam:

- Mas porque é que estás nervosa?

Pela salinha chegou mesmo a passar rapidamente o Manuel Luís Goucha, que tinha acabado de sair do "Você na TV", desejando-nos um bom programa. Entretanto, as pessoas da produção deram-nos umas coisas para lermos e assinarmos, relacionadas com os direitos de imagem e afins. Nessa altura, ouvi o Paulo dizer que se chamava Paulo Lima. Eu conhecia aquele nome e já sabia que as raparigas vinham cantar. Assim que arranjei coragem, perguntei:

- O senhor chama-se Paulo Lima? Não foi o senhor que compôs aquele hino para a Seleção? - cheguei mesmo a pôr a música a tocar, em jeito de confirmação.

Tinha mesmo sido ele. O Eduardo, que na verdade se chamava Eduardo Jorge, era o autor da letra. A Catarina era a voz principal da música. Ela, a Alexandra e a Mafalda iam interpretá-la no "A Tarde é Sua". Foi de facto uma enorme e feliz coincidência os autores e intérpretes do meu cântico preferido da Seleção terem sido convidados para o mesmo programa que eu e para atuarem imediatamente antes de mim. Sobretudo se tivermos em conta que o programa duraria mais de quatro horas. Eles ficaram, naturalmente, muito contentes quando, atabalhoadamente, elogiei-lhes o Hino, o facto de terem pegado na História e na Cultura portuguesas, quando lhes disse que era o meu cântico preferido e que tinha falado dele no meu blogue. 

Entretanto, fui chamada à maquilhagem, que ainda demorou um pouco, Cheguei mesmo a ser maquilhada ao mesmo tempo que a Fátima Lopes, que apresentaria o programa. Nunca usei tanta maquilhagem na minha vida, mas, mais tarde, disseram-me que eu até estava gira. De seguida, fui almoçar no refeitório da estação, que ainda ficava um pouco longe, voltei para ser retocada, fiquei com o senhor Paulo e o senhor Eduardo à espera no corredor, enquanto as meninas se vestiam e depois ala para o estúdio. Tudo isto a correr. Pelo meio, lá me lembrei de perguntar se sempre podia apresentar rapidamente o livro que publiquei há cerca de seis meses (AQUI), tal como me tinham prometido, de ligar à minha avó e enviar uma mensagem à minha tia a dizer que eu apareceria logo na primeira parte do "A Tarde É Sua".

Se resumisse, aliás, o ambiente dos bastidores de um estúdio de televisão numa única palavra, esta seria "dinâmico". Lá estão sempre a acontecer coisas e a acontecer muito depressa, mal temos tempo para pensar. Eu, pelo menos, não estava habituada àquele tipo de pressão. Agora, penso nos músicos e outras celebridades que, quando estão a promover os seus trabalhos, têm de fazer aquilo todos os dias, por vezes em cidades diferentes, em países diferentes... e compreendo porque é que muitos deles se sentem tão pressionados, tão sozinhos, tão desorientados que se viram para as drogas. Para aqueles que conseguem lidar com tudo aquilo mantendo um exame toxicológico imaculado... respeito!

Nesse aspeto, tenho de agradecer ao Paulo, ao Eduardo e às outras. Era a minha primeira vez na televisão, tinha vindo sozinha (a minha irmã era para vir comigo mas não deu), estava super nervosa... Se não fosse a companhia deles, teria enlouquecido com o stress.


Além de que o facto de eles terem atuado imediatamente antes da minha entrevista ajudou-me também a descontrair, a entrar no espírito. Nesta altura eu já estava com a Fátima Lopes, junto às cadeiras onde nos íamos sentar - aqui o dinamismo e a rapidez continuam. A emissão ia alternando entre momentos musicais, entrevistas, reportagens já gravadas, filmagens no exterior do estúdio, diretos da Seleção, quando as câmaras não estavam focadas em nós, nós íamos tomando as nossas posições - Toda a gente no público dançava mas eu era a única que conhecia a letra - algo em que a Fátima não deixou de reparar. Foi, de facto, uma atuação muito boa, como poderão ver no vídeo acima.

Finalmente, chegou o momento da minha entrevista. Não vou estar a descrevê-lo, vocês podem ver o vídeo no início da entrada. Mais uma vez, foi tudo muito rápido, não houve tempo para pensar demasiado nas coisas, para me sentir nervosa - mesmo assim, tinha a mão que segurava o microfone a tremer e só esperava que lá em casa não reparassem... 

Agora, depois de ver várias vezes a gravação, vejo que a minha maneira de falar é muito à Paulo Bento: repito palavras, gaguejo um pouco... as maiores diferenças residem no facto de eu ter estado mais sorridente e ter uma voz bem mais irritante. A sério, como é que as pessoas conseguem ouvir-me? Por lapso, não chegou a ser referido o nome do meu blogue mas ao menos pude apresentar o meu livro - algo que receei não ser capaz de fazer. No geral, até correu bem a entrevista. Acho que os pontos fortes foram, precisamente, a referência ao Cristiano Ronaldo no meu livro, a metáfora do vírus da Seleção - que já é velha cá no blogue mas lá acharam piada - e o momento em que defendi o Hélder Postiga dos críticos. A Fátima ficou impressionada, mas, na verdade, já tinha falado disso aqui no blogue, tinha-me informado acerca dos marcadores para esfregá-lo no nariz dos que contestaram a Chamada do avançado. Espero agora é que o Hélder faça por merecer o facto de o ter defendido na televisão. Em todo o caso, se alguém me quiser como comentadora, que o publique num comentário aqui no blogue, na página do Facebook ou no vídeo do YouTube. 



Como podem ver no vídeo, antes de sair, ainda tive direito a um momento com o Quim Barreiros. Nestes dias, houve quem tivesse colocado um cachecol do Futebol Clube do Porto ao pescoço do Chester Bennington dos Linkin Park - uma das minhas bandas preferidas - houve quem subisse ao palco para cantar com o Bryan Adams - o meu cantor preferido. Eu dancei com o Quim Barreiros...

E já está. Já tive direito aos meus quinze minutos de fama, graças ao meu jeito para a escrita e ao meu amor à Seleção - acho que até são motivos razoáveis para aparecer na TV. Há piores, pelo menos. Já recebi uns quantos likes extra na página do Facebook. No café onde costumo escrever e consultar os jornais, já me vieram pedir um autógrafo. Talvez consiga vender mais meia dúzia de livros. Por fim, mesmo que o Europeu não nos corra de feição (três vezes na madeira), já tenho algo bom para recordar deste período. 

Por isso, quero agradecer à Carla Leal Ferreira - que me descobriu e me convidou - à Fátima Lopes, à Mariana, ao Diogo e a toda a equipa do "A Tarde É Sua" por esta incrível experiência. E agradecer uma vez mais a Paulo Lima, Eduardo Jorge, à Catarina Rocha, à Alexandra e à Mafalda pela companhia. Graças a todas estas pessoas, nunca esquecerei a tarde do dia 4 de junho de 2012!

domingo, 3 de junho de 2012

Portugal 1 Turquia 3 - Assim não dá

A Seleção Portuguesa de Futebol recebeu no Estádio da Luz a sua congénere turca num jogo de carácter particular de onde saiu derrotada por três bolas contra uma.

Os portugueses até entraram bem no jogo, enérgicos, entusiasmantes, certamente catalisados pelos sessenta mil adeptos sentados nas bancadas e consequente ambiente eletrizante, recordando o Euro 2004. Contudo, já nessa altura me interrogava quanto tempo demoraria a bateria a descarregar. E, de facto, não demorou muito. Embora Portugal tivesse dominado durante algum tempo, os turcos iam dando um ar de sua graça, como que recordando que eles não eram nenhuma Macedónia, nenhum Luxemburgo, não estavam ali só para elevar a auto-estima do adversário. E como Portugal não foi capaz de concretizar, de refrear a paixão turca com um golo (não percebo como é que o Hugo Almeida me foi falhar aquelas oportunidades...), marcaram eles, após um erro da defesa.

No início na segunda parte, até parecia que os portugueses estavam determinados a virar o resultado, ou, pelo menos, a empatar. Tive esperança de que marcassem em breve, relançando o jogo.

Contudo, foram os turcos a marcar, de novo. Por uma falha defensiva, de novo.

- Só podem 'tar a gozar! - exclamava eu.

Eu sabia que a Turquia era uma adversária de respeito, que criaria dificuldades, mas nunca me havia passado pela cabeça que obteria uma vantagem de dois golos sobre nós. Não num Estádio da Luz quase cheio. Como é que aquilo acontecera?

Felizmente, o Nani conseguiu reduzir marcando o primeiro golo da Seleção deste ano. Espero que seja o primeiro de muitos mas com tanto problema na finalização... Festejei este golo apesar de continuarmos em desvantagem, à semelhança do que fizeram os adeptos presentes no Estádio da Luz. Foi a eles que o golo foi dedicado - mas também era o mínimo que podiam fazer!

Devo dizer que, mais uma vez, o público foi bastante paciente para com a Seleção. Assobiou algumas vezes, é certo - e, verdade seja dita, os Marmanjos mereceram-no - mas não deixou de puxar pela equipa mesmo estando a perder. Eles mereciam mais por parte da Turma das Quinas.

Desejei que o golo do Nani relançasse a equipa. Pode-se dizer que o fez. Miguel Lopes conseguiu um penálti - embora, na verdade, me tenha parecido que forçou um penálti - algo que foi celebrado pelos jogadores como um golo. Não gostei. De certa forma, mereceram que o Cristiano Ronaldo tivesse falhado.

A minha mãe, a certa altura, perguntou-nos se não queríamos ir jantando - tinhamo-lo adiado por causa do jogo. O meu irmão respondeu:

- Não! Isto 'tá a ser giro...

E de facto estava. De uma forma retorcida, estava a ser giro. E ia ficar ainda mais. Mesmo assim, eu continuava com esperança de que chegássemos, pelo menos, ao empate. Sobretudo depois da entrada de Hélder Postiga, que marca muitas vezes no Estádio da Luz. 

O golo chegou a ser marcado. Só que na baliza errada, depois daquele lance caricato, digno dos apanhados. O meu irmão fartou-se de rir com este lance. Eu não sabia se havia de rir ou de chorar.


Ninguém se pode admirar que este jogo tenha acabado com uma monumental assobiadela. Eu, naquele momento, zangada como estava, seria capaz de fazer o mesmo. Se repararem nas publicações na página do Facebook aquando do rescaldo do encontrou, hão de ver que estava mesmo furiosa. As declarações dos protagonistas não ajudaram. "Ai e tal, nós jogámos bem, tivemos azar, cometemos erros, eles só fizeram três remates..." Será que não percebem que não podem cometer erros como esses? Nós vamos jogar contra três seleções poderosíssimas, das melhores do Mundo, com elas não será suficiente jogar melhor sem conseguir marcar golos! No nosso último jogo com a Alemanha eles fizeram meia dúzia de remates à baliza, mais coisa menos coisa, e marcaram três golos. Se queremos vencê-los, temos de saber neutralizar este tipo de adversário, que pode não jogar de forma muito vistosa, não rematar muitas vezes, mas sair de campo com uma vitória! Não podemos falhar remates, livres diretos, penálties, não podemos hesitar em frente da baliza, não podemos cometer erros defensivos! Um único deslize pode significar a morte do artista! Se queremos chegar aos quartos-de-final, não podemos jogar como jogámos ontem!

Num aspeto, contudo, têm razão. É preferível cometer tais erros em jogos particulares, numa altura em que ainda há tempo para corrigi-los. Pode ser como disse o Cristiano Ronaldo, pode ser que isto represente uma mudança de maré. O Europeu ainda nem começou, a bola não é assim tão redonda, tão linear, a bola é caprichosa. Prognósticos, só no fim do jogo. Só se saberá quem é melhor do que quem quando as equipas entrarem em campo. Até lá, tudo é possível.

E, no entanto, não é por isso que me senti tão zangada, que ainda me sinto. O que me verdadeiramente enfurece é o seguinte: eles têm prometido dar o seu melhor no Europeu, pedido o nosso apoio, nas Conferências de Imprensa, através de campanhas publicitárias. E o povo até tem correspondido, indo aos treinos abertos, participando em inúmeras manifestações de apoio, enchendo o Magalhães Pessoa e a Luz. E o que é que os Marmanjos dão em troca? Empates, derrotas, desculpas esfarrapadas, arrogância perante os assobios - que são símbolo do descontentamento daqueles que pagam quinze euros ou mais por um bilhete porque querem acarinhar a Seleção, mas depois levam com exibições miseráveis e com a condescendência dos jogadores, com o ai-e-tal-os-portugueses-são-assim. A ideia que dão é a de que eles não fazem por merecer o afeto dos portugueses, tomam-no como garantido.

Não vou deixar de apoiá-los mas estou farta de pedir que me deem, que nos deem uma boa razão para continuarmos a acreditar neles. Estou farta de dizê-lo: palavras não chegam, intenções não chegam, precisamos de mais, merecemos mais! Parece que não há maneira de eles o compreenderem...

Não me resta mais nada senão continuar a fazer o que sempre fiz: acreditar, apoiar, acarinhar, estimular os outros a fazer o mesmo, mesmo quando eles, se calhar, não o merecem. Ninguém disse que ser adepto incondicional era fácil - levar com misérias como esta e não atirar o cachecol para o chão não é para todos. Quase roça o masoquismo. No entanto, já suportei muitas situações deste género com a Seleção. Continuo aqui porque a Turma das Quinas o recompensa, mais cedo ou mais tarde. Ultimamente, a recompensa tem demorado a chegar, mas podemos vir a recebê-la muito em breve. Como sempre, enquanto for possível, acreditarei. Só espero que a Turma das Quinas comece depressa a dar-me novos argumentos para tal.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Um agradecimento e um pedido de desculpas

Já o publiquei na página do Facebook há alguns dias, mas só agora estou a anunciá-lo aqui no blogue. Na quinta-feira da semana passada, foi publicado um comentário da autoria de uma jornalista da TVI - sim, da TVI - na entrada mais recente, na altura, pedindo o meu contacto para falar acerca do blogue. Tal como solicitado, enviei um e-mail  para o endereço indicado, apresentando-me. No dia seguinte, responderam-me com um convite para participar no programa especial de apoio à Seleção que será transmitido na tarde de 4 de Junho, segunda-feira. Mais tarde, receberia uma chamada telefónica através da qual fiquei a saber que tencionavam entrevistar-me, fazer perguntas sobre o meu blogue, sobre a minha maluqueira pela Seleção.

Confesso que não estava minimamente à espera que isto acontecesse. A minha maior ambição sempre se relacionou apenas com o blogue: que ele fosse lido por muitos, talvez mesmo por um ou outro jogador da Seleção. Nunca pensei que se interessassem por mim. Que quisessem receber-me, ouvir-me pessoalmente, em vez que apenas lerem o que escrevo. Mas quiseram, por algum motivo, não só deram-me uma oportunidade única na vida de dar a cara por algo que adoro mas também vou poder conhecer pessoalmente (espero!) um dos meus heróis preferidos de sempre da Seleção: o Ricardo dos penálties de Inglaterra! Sinto-me extremamente honrada e grata por este convite.

Contudo, tenho também de fazer um pedido de desculpas à TVI por uma entrada que escrevi há quatro anos, tecendo duras críticas ao canal televisivo, críticas essas que agora vejo serem injustas, mesmo cruéis. Na altura, achava que a TVI não era verdadeiramente a televisão da Equipa de Todos Nós, chegando mesmo a acusá-la de hipocrisia. Continuo a não achar graça às novelas, reality shows e programas afins mas como posso continuar a achar que a TVI não apoia verdadeiramente a Turma das Quinas depois de não sei quantos programas especiais sobre o tema, não só agora, a propósito do Europeu, mas também aquando do Mundial, há dois anos? Nem vou falar do facto de me terem convidado mas, mesmo que não tivessem, isso não muda este facto: eu estava enganada, estava redondamente enganada, e não tenho problemas em admiti-lo e em pedir as mais sinceras desculpas.

Devo dizer, aliás, que nestas semanas me tem aprazido ver que as três televisões de sinal aberto tem estado a fazer a cobertura deste pré-Europeu de forma razoavelmente equitativa, cada uma contribuindo, à sua maneira, com os seus próprios programas, para uma maior proximidade entre a Seleção e os seus adeptos. Afinal, é da Equipa de Todos Nós que estamos a falar.

O programa em que participarei será transmitido na próxima segunda-feira, entre as 14h30 e as 19h, penso eu. Tenho aguardado essa tarde com um misto de medo e entusiasmo. Nessa altura, poderão ver-me pela primeira vez, toda a gente (família, colegas, etc) poderá ver o quão totó eu sou pela Seleção. Ainda não sei em que altura participarei. De qualquer forma, depois colocarei online um vídeo com a minha participação. É já daqui a três dias...



Antes disso, contudo, teremos amanhã um particular com a Turquia, no Estádio da Luz. A última vez que jogámos contra eles foi há quatro anos, na nossa estreia na fase final do Euro 2008. Nos vencemo-los mas, mesmo assim, a Turquia passou à fase seguinte, chegando mesmo às meias-finais (ou seja, mais longe do que nós) onde caiu aos pés da Alemanha (tal como nós). Podem, portanto, dar bons adversários. 

Esperemos que isso seja suficiente para motivar os portugas, para que eles façam uma exibição como deve ser. Até porque vão ter casa cheia amanhã. Se querem que Portugal apoie a sua Seleção, têm de dar motivos para isso. Já deviam tê-los dado no fim de semana passado, frente à Macedónia. Amanhã, a tolerância será menor. Vamos ver o que acontece.

domingo, 27 de maio de 2012

Portugal 0 Macedónia 0 - Mais uma vez, nada de novo

Ontem, sábado, dia 26 de maio, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu no Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria, a sua congénere macedónia num jogo de carácter preparatório que terminou como começou: sem golos de nenhuma das partes.

Tal como tinha previsto, não pude seguir o jogo pela televisão, pois passei a tarde toda ao volante. Tive de segui-lo pela rádio. E ainda bem que o fiz pois o entusiasmo dos locutores ajudaram a disfarçar o tédio do jogo, a "falta de tempero" como os locutores disseram.

Não me vou alongar muito até porque o jogo não o justifica. Dizer apenas que, logo aos primeiros minutos, se notou que aquilo ia acabar como acabou - embora isso não me tenha impedido de cruzar os dedos e desejar que a bola cruzasse a linha da baliza macedónia. 

Quem não merecia de todo este resultado foi o público, que quase encheu o Magalhães Pessoa. Eles até foram impecáveis, aplaudiram a Seleção ao intervalo depois de uma primeira parte fraquinha. Na segunda parte é que a paciência esgotou-se e vieram os assobios. Não é a primeira vez que o digo, eu nunca seria capaz de assobiar a Equipa de Todos Nós. Na minha opinião, o apoio tem melhores resultados, mas este é uma daquelas situações em que os compreendo. Os locutores da Antena1 chegaram mesmo a dizer que uma boa parte do público já devia estar a pensar que mais valia terem ido à praia. Dava para ouvir o speaker do Estádio tentando puxar pelo público, já que a Seleção não estava a ser capaz de fazê-lo.


Já que se fala disso, ao longo do relato dos locutores iam recordando que era apenas um jogo de treino, etc, etc, apelando a alguma compreensão mas a verdade é que também eles acabaram por perder a paciência. Um deles, depois de mais um remate falhado na segunda parte, gritou:

- Se quiserem, atiro eu! Se quiserem, atiro eu!

Foi um momento engraçado.

Mais tarde disseram algo do género:

- Rapaziada, ainda não estão de férias! Ainda têm o Euro para jogar!

Há quem diga que foi precisamente por causa disso que não se esforçaram mais, por terem medo de se lesionarem e terem de ir de férias mais cedo. Mariquinhas... Frente à Polónia, andavam a guardar-se para os clubes, ontem guardaram-se para o Europeu... Não posso dizer que não compreendo ou mesmo que não concorde. Já percebi, aliás, que não se pode esperar mais de jogos como este, menos de uma semana depois do início do estágio. Já há dois anos, com o Cabo Verde, foi a mesma história. Isto para não falar dos particulares dos nossos futuros adversários, de onde tanto a Alemanha como a Holanda e a Dinamarca saíram derrotadas.



Paulo Bento, ao menos, teve a dignidade de admitir que a equipa jogou mal, em vez que dourar a pílula, de dar desculpas esfarrapadas, como fez, por exemplo, Cristiano Ronaldo. Mas também disse que não estava preocupado e muitos concordam com ele. Afinal, o estágio ainda agora começou, o onze que jogou no Magalhães Pessoa não será, certamente, o mesmo que entrará em campo com a Alemanha dia 9 - pelo menos, não no início do encontro - este foi um jogo para se fazerem experiências, a Macedónia pouco tem em comum com os nossos futuros adversários, os Marmanjos nunca dão o seu melhor em jogos deste género.

Não há, realmente, motivos para preocupações. Eu não estou preocupada. Mas não deixo de estar zangada. Eu queria mais! Como tinha escrito na semana passada, eu queria ação, queria comemorar golos pela primeira vez este ano! Mas não. Os Marmanjos voltaram a não se entregarem completamente, a adiar os golos, as vitórias. Até podem ter bons motivos para tal, talvez até tenham feito o que deviam nestas circunstâncias, talvez eu esteja a ser demasiado exigente, talvez porque já tolerei muita coisa por parte da Seleção e esteja a ficar sem paciência. Mas também não me parece que seja assim que vão mobilizar os portugueses para apoiarem a Seleção no Europeu.

Por outro lado, este jogo nunca ficaria na História, mesmo se tivéssemos ganho. Por isso, não vale a pena pensarmos muito nele. Na segunda-feira começará mais uma semana de estágio de preparação do Euro 2012. No sábado, teremos novo jogo particular - e aí a tolerância será menor. Aí a Seleção terá de dar-me aquilo que quero, aquilo que todos queremos, aliás: um motivo, por pequeno e irrelevante que seja, para acreditar numa boa jornada rumo à final de Kiev.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Nada de novo

O estágio de preparação do Euro 2012 já começou há alguns dias. A Seleção Nacional concentrou-se em Óbidos na passada segunda-feira e, tirando 24h horas entre quarta e quinta feira, têm estado por lá, afinando as armas e definindo estratégias para, em junho, irem à conquista da Europa.

Como José Carlos Freitas assinalou no Record de quarta-feira (depois deste tempo todo como blogueira e administradora de uma página de Facebook sobre a Seleção, estes nomes ficam na cabeça), pode haver quem critique o facto de Paulo Bento dar folgas, alegando que os jogadores têm é de trabalhar. Contudo, acredito que aprisionar os jogadores pode ser contraproducente. Paulo Bento assinalou, aliás, da Conferência de Imprensa de hoje, que qualquer pessoa regressa para a família depois de trabalhar a semana inteira. No Record alegam, além disso, que há dois anos, aquando da preparação do Mundial 2010, os Marmanjos já não podiam ver Carlos Queiroz à frente - o que deve ter contribuído bastante para a degradação das relações entre jogadores e treinador.

Uau, eu andava mesmo iludida há dois anos...

Até agora não tem acontecido nada de especial no estágio, tirando a lesão de Carlos Martins e a consequente Chamada de Hugo Viana. Tenho imensa pena do Carlos, pois seria a primeira vez que ele participaria numa fase final, mas ao menos assim poderá estar ao lado do filho que, finalmente recebeu um transplante de medula, e agora vai ser sujeito a diversos tratamentos, incluindo, ao que parece, quimioterapia (vão sujeitar uma criança de três anos a quimioterapia, meu Deus...). Além disso, agora o Hugo Viana tem a sua oportunidade. E como metade do País passou a semana passada vociferando contra a ausência do médio na Convocatória inicia, suponho que o jogador será útil à Turma das Quinas.

Nestes dias, tenho acompanhado as últimas sobre a Seleção quase ao minuto, de modo a poder atualizar a página do Facebook e a juntar material para entradas no blogue. Vou aos artigos relacionados dos Alertas do Google, vasculho as redes sociais, imprimi o programa do estágio para saber a que horas são as Conferências de Imprensa para depois poder acompanhá-las pela televisão ou pela rádio, vou a cafés que tenham jornais disponíveis para leitura - o que, às vezes, origina situações caricatas. Quando a minha família vê as notícias da Seleção no Telejornal, ao fim do dia, já as notícias são velhas para mim, mais do que ouvidas e processadas.



No entanto, estas não têm trazido nada de novo, nada de inesperado. As declarações dos jogadores nas Conferências de Imprensa podem resumir-se a isto: "Ai e tal, estou muito contente por estar aqui, o Mister é que depois decide se quer que eu entre em campo em vez do X ou do Y, o Z se calhar também merecia estar aqui mas foi o Mister que não o quis convocar, a equipa vem sempre antes dos meus interesses pessoais, vou dar o meu melhor, vamos todos dar o nosso melhor, etc, etc." A única com algo diferente foi a de Raul Meireles, a quem foi perguntado se faria uma tatuagem caso Portugal se sagrasse campeão. Ele disse que sim mas, como assinalaram na SIC Notícias, ele já não deve ter espaço para mais nenhuma...

Já que se fala nisso, talvez eu faça uma tatuagem da Seleção se formos campeões. Já sonho há anos com uma tatuagem que simbolizasse a Turma das Quinas. É só uma ideia vaga pois, na verdade, tenho medo de apanhar infeções, de ter de deixar de ser dadora de sangue, de a tatuagem sair mal, de me arrepender. Mas se Portugal levantar a Taça Henri Delaunay em Kiev, considerarei seriamente essa hipótese.

Mas regressemos ao assunto anterior. Igualmente repetitivas têm sido as mil e quinhentas delcarações de tudo o que é personalidade no mesmo desportivo com prognósticos para o Euro 2012. Há pessoas mais otimistas do que outras, comparações entre a Seleção atual e a Seleção de outras fases finais mas, no fim, as conclusões são quase sempre as mesmas.



É por esse motivo, por suspeitar que não há muito mais a acrescentar, que não tenho visto o programa "Diário do Euro", nem sequer para passar em fast-forward, apesar de ter todas as emissões gravadas. O "Vamos Lá Portugal" tenho visto apenas por serem cinco minutos e, na minha opinião, tem tido altos e baixos, o único de que gostei realmente até agora foi o do aniversário do Hugo Almeida. Os outros pareceram-me irrelevantes, na sua maioria; mais uma vez, não trouxeram nada de novo. Além de que irrita-me imenso o facto de o Cristiano Ronaldo aproveitar quase todas as vezes que tem uma câmara a si apontada para fazer publicidade à Nike.

Durante semanas ansiei por isto, por termos todos os holofotes virados para a Seleção; no entanto, agora que estamos finalmente em vésperas do Europeu, acho que andam a conceder demasiado tempo de antena à Equipa das Quinas. Demasiado, porque não tem acontecido quase nada que justifique tanto programa. Tirando as lesões, as únicas notícias que têm saído são declarações, prognósticos, em suma, palavras. E eu cheguei a um ponto em que palavras não são suficientes, quero ação. Quero parar de analisar a Alemanha, a Holanda e a Dinamarca, quero que a Seleção entre em campo e que se descubra, de uma vez por todas, quem é melhor que quem. Aí é que as coisas se tornarão interessantes, aí é que se justificará todo o tempo de antena.

Felizmente, este fim de semana, teremos uma amostra de ação, com o particular frente à Macedónia. Só uma amostra, mas talvez o suficiente para termos algo de novo sobre que falar. Não sei nada sobre a Macedónia - nem sequer sei ao certo onde é que fica - mas, em princípio, são daquelas seleções teoricamente mais fracas. O que já não quer dizer nada. Ainda me lembro do empate sem golos frente ao Cabo Verde, na preparação para o Mundial 2010, das desculpas esfarrapadas que deram para justificar tal resultado. Não quero que isso volte a acontecer. Para podermos acreditar que temos hipótese, a mínima hipótese que seja de sobrevivermos a um grupo como o nosso, temos de ser capazes de ganhar a uma seleção como a Macedónia.

Não sei se vou conseguir ver o jogo pela televisão, pelo menos não na sua totalidade, mas vou poder ouvir o relato na rádio. Tenho a certeza que o entusiasmo dos locutores compensará sobejamente a falta de imagem. A única contrapartida é não poder ver os Marmanjos estrearem o novo equipamento mas terei tempo de ver o resumo mais tarde.

Tem-se falado muito sobre este Europeu, mas o discurso tem sido praticamente o mesmo desde o sorteio da fase de grupos, em dezembro do ano passado. Fala-se muito, promete-se muito, mas pouco ou nada se tem visto. Por falta de oportunidade, é certo, mas na única que tiveram - ou seja, no particular frente à Polónia em finais de fevereiro - pouco se viu. Estou farta de conversas, de teorias, de promessas, de palavras. Quero ações, quero resultados. Quero celebrar um golo pela primeira vez este ano - bem, em rigor, já celebrei uns quantos mas não os senti. Não como sinto um golo da Seleção. Não é pedir demais a uma equipa que quer deixar, pelo menos, um de dois vice-campeões pelo caminho, pois não?

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O País Cantando pela Seleção

Já começa a ser tradicional a entrada sobre hinos de apoio à Seleção Nacional em vésperas de Campeonatos de Seleções. Nestas semanas antes do Euro 2012, tal entrada tornou-se ainda mais pertinente do que nunca depois de Cristiano Ronaldo e Paulo Bento terem solicitado a criação de um cântico para a Equipa de Todos Nós.

Além de que já deu para ver que estas entradas são das que obtém maior audiência aqui no blogue.

Como já mencionei, nesta entrada e em anteriores, Cristiano Ronaldo manifestou o desejo de ouvir cânticos de apoio à Seleção, à semelhança do que acontece nos clubes. Paulo Bento chegou mesmo a desejar: "que no Euro 2012 o País cante pela Seleção e que os jogadores o sintam". Ora, músicas desse género sempre existiram, as duas entradas que já publiquei sobre esse tema (AQUI e AQUI) são prova disso. No entanto, depois destes apelos, surgiram muitos mais cânticos do que o habitual - como, de resto, era de esperar.

À medida que ia dando com os cânticos através das redes sociais ou do YouTube, publicava-os na página do Facebook, acompanhados do meu parecer. Foram vários, mas só gostei verdadeiramente de quatro deles - a esses, cheguei mesmo a escrever críticas razoavelmente detalhadas e a publicá-las na página do Facebook. Apresento aqui as quatro músicas que considero serem as melhores:

Dá-lhe Portugal



Como podem ouvir, é um cântico simples, consistindo em batida, coro de vozes masculinas, letra simples. Não difere muito dos típicos cânticos de futebol. Já li, inclusivamente, que foi adaptado de um cântico argentino. De qualquer forma, acho que ficou muito bom, com uma melodia incrivelmente cativante.



Portugal Vamos Lá



Destas quatro, esta é a faixa de que menos gosto, por ser a menos original. A letra é vulgar, fraquinha e os excertos de elatos de rádio., apesar de inovarem ao remeterem para o passado recente (leia-se: os play.-offs frenmte à Bosnia em novembro do ano passado), já se tornaram um grande cliché. No entanto, tem uma boa melodia, um ritmo alegre e dançante, transmite bem o espírito da Seleção.


Hino de Paulo Lima



Não conheço o nome desta faixa, para a  distinguir das outras, designei-a "Hino de Paulo Lima, em referência ao seu compositor. Esta é a minha preferida de todas as que surgiram a propósito do apelo de Cristiano Ronaldo e Paulo Bento. Tem a melhor qualidade musical, a interpretação por uma voz feminina está excelente, muito emotiva. O grande ponto forte da música é a sua letra, o facto de remeter para a História e a cultura portuguesas - não é inédito fazerem-se tais referências a propósito da Seleção mas, tanto quanto sei, nunca ninguém as incluiu num cântico de apoio antes disto.


Portugal is All In



Este é um hino patrocinado pela Adidas, que foi lançado na semana passada. Os seus pontos fracos são a qualidade musical - não gosto de dubstep nem de auto-tune, embora não fiquem muito mal nesta faixa - e o facto de levarmos a toda a hora com o slogan da Adidas. Os pontos fortes são o facto de incluírem múltiplas vozes, masculinas e femininas - refletindo o carácter pluralista e unificador da Equipa de Todos Nós - a originalidade da letra - nalguns aspetos, faz lembrar o Menos Ais - os comentários de Luís Freitas Loboe, sobretudo, o refrão - épico, emotivo, que fica preso na cabeça.

Este foi o único cântico para o qual criei uma montagem de vídeos, uma vez que todos os outros já tinham vídeos semelhantes.


Com grande pena minha, nenhuma destas faixas chegou às cinco finais do programa "Canta Portugal" o cântico oficial da Seleção (não que esperasse que Portugal Is All In fosse considerada nesta matéria). No entanto, entre as cinco candidatas finais, encontra-se "A Seleção de Todos Nós", dos Fonzie!

Portugal (A Selecção de Todos Nós)



Esta música surgiu há dois anos, nas vésperas do Mundial 2010. Cheguei a falar dela cá no blogue. Embora não a coloque no mesmo pacote que as outras músicas de que falei acima, esta é uma das minhas preferidas. A letra não traz nada de novo, mas a melodia é forte. Além disso, ajuda imenso o facto de ser uma música rock, o meu estilo musical preferido. Não estava à espera que entrasse nesta corrida para cântico oficial da Seleção, mas, já que chegou às cinco finais, espero que ganhe.


O cântico vencedor será determinado por votação telefónica. Podem ouvir as outras músicas concorrentes NESTE LINK. Lá estarão também os números através dos quais poderão votar na vossa preferida. Eu votei na dos Fonzie porque, para além do que já falei acima, não gostei de nenhuma das outras. Espero que eles ganhem. Conheceremos o vencedor dia 2 de Junho.

Mesmo que não ganhem os Fonzie, mesmo que o vencedor seja um cântico que odeie, isso não importará. O que importa é que Cristiano Ronaldo e Paulo Bento pediram que o País cantasse pela sua Seleção e é isso que o País está a fazer ao criar estes cânticos todos, uns melhores do que os outros. Estes, de que falei nesta entrada, são os meus preferidos. Outras pessoas terão outras playlists. Independentemente das faixas, da melhor ou pior qualidade das mesmas consoante os mais diversos critérios, o que importa é que Portugal está a cantar pela Equipa de Todos Nós. Espero que os jogadores estejam a senti-lo, como afirmou Paulo Bento, que isso realmente faça a diferença, como afirmou Cristiano Ronaldo. Que transportem consigo o espírito difundido pelos cânticos até à Polónia e à Ucrânia e que isso os ajude a atingir os objetivos pretendidos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...