terça-feira, 9 de outubro de 2012

Em boa hora

No próximo dia 12 de outubro, sexta-feira, a Seleção Portuguesa de Futebol enfrentará, no Estádio Luzhiniki, em Moscovo, na Rússia, a seleção local. Quatro dias depois, receberá no Estádio do Dragão, a sua congénere norte-irlandesa (é assim que se diz, não é?). Ambos os jogos contarão para o Apuramento para o Campeonato do Mundo em Futebol, que terá lugar no Brasil, no verão de 2014. A Equipa de Todos Nós encontra-se, neste momento, reunida em Óbidos com vista à preparação destes dois encontros.

Os russos constituem um  adversário razoavelmente conhecido, tendo em conta jogos disputados com eles num passado relativamente recente, bem como o facto de jogadores como o Bruno Alves estarem familiarizados com o futebol daquele país.


Comecemos por recordar o segundo jogo da fase de grupos do Euro 2004. Lembro-me de este ter decorrido numa altura de grande contestação a Luiz Felipe Scolari, depois da derrota aos pés da Grécia, no jogo de estreia. Eu própria me sentia desconfiada - só apanhei o, já famoso por estas bandas, vírus da Seleção no Estádio de Alvalade, no jogo com a Espanha. De qualquer forma, a Seleção apresentou-se completamente renovada no segundo jogo desse Europeu, no Estádio da Luz. Lembrava-me - antes de o confirmar vendo os vídeos-resumo - que o primeiro golo foi marcado por Maniche e que o segundo resultou de uma bela assistência de Cristiano Ronaldo, em que Rui Costa teve, apenas, de empurrar a bola para a baliza com o pé. Ficou-me bem gravada na memória uma imagem, algo cómica, do Cristiano ouvindo as instruções de Luiz Felipe Scolari, pouco antes de ser lançado a meio da segunda parte, enquanto colocava adesivos nos brincos, ajudado por um ou dois assistentes. Igualmente bem gravados ficaram o lance do golo  e os festejos do, na altura, "puto" abraçado ao "cota" da Seleção.


O jogo seguinte com a Rússia deu-se quatro meses depois, no Estádio de Alvalade, desta feita contando para a Qualificação para o Mundial 2006. Foi a célebre goleada de sete bolas contra uma, uma verdadeira festa de golos. Segundo o que me recordava deste jogo, o Cristiano marcou dois golos, o Petit marcou outros dois, o Pauleta e o Simão marcaram um cada. Só agora, depois de ver o vídeo-resumo, é que me recordei que o outro marcador foi Deco. Outra coisa de que me recordei com este vídeo, foi que um dos golos do Cristiano Ronaldo foi um tiro espetacular, de fora da área. Ele sempre foi mágico...


O outro jogo com a Rússia, em setembro do ano seguinte, é, contudo, de má memória para o madeirense, visto ter sido disputado pouco após a morte do pai, Dinis Aveiro. É, de resto, a única coisa de que me recordo deste jogo, para além do resultado: um empate sem golos.


Anos mais tarde, a Rússia chegou mais longe do que nós no Euro 2008, tendo tido, inclusivamente, o mérito de expulsar uma prometedora Holanda. Falhou o Mundial 2010 e no Euro 2012 caiu na fase de grupos, não  sem antes golear a República Checa - a quem nós só ganhámos por uma bola tirada a ferros.

Em suma, a seleção russa é imprevisível, traiçoeira, capaz do melhor e do pior. Não podemos subestimá-a. Não a subestimaríamos de qualquer forma, pois está empatada connosco no topo da tabela classificativa, é a mais forte do nosso grupo, a seguir a nós próprios. Paulo Bento parece estar bem ciente disso pois já afirmou, mais do que uma vez, que a Seleção jogará para a vitória mas um empate pode, eventualmente, ser aceitável. A única coisa de que tenho a certeza é de que este será um jogo interessante, dos mais interessantes desta fase de Qualificação.

Devido à diferença horária, o jogo com a Rússia começará às quatro da tarde, cá em Portugal. Era para ter aula ou, caso conseguisse assistir mais cedo, ainda estar a caminho de casa a essa hora. Mas esta semana não terei essa aula, felizmente... ou infelizmente. Para ser sincera, gostava de ter uma desculpa para ouvir o relato radiofónico, que prefiro ao televisivo, mesmo que fosse durante a aula (não seria a primeira vez e até dava outro gozo... eh eh eh!). Assim, mais ninguém deve estar em minha casa a essa hora, mesmo o Twitter não deve ter grande atividade a essa hora... Acho que vou ver o jogo para um café ou assim.


Se a seleção russa é relativamente bem conhecida, o mesmo não poderei afirmar no que toca à Irlanda do Norte. Tanto quanto me recordo, tivemos um particularzito em 2005, acho que empatámos, mas não passa disso. Como já referi aqui no ano passado, aquando do sorteio para esta fase de Qualificação, são daquelas equipas que não têm nada a perder, que, não disputando connosco o Apuramento, podem fazer-nos perder pontos. Também requererá cuidados.


Não há muito mais a dizer, nesta altura do campeonato. Depois de três ou quatro anos de blogue sobre a Seleção, estes jogos de Qualificação já não dão grande material para escrita, pelo menos não para estas entradas pré-jogo. Acrescento, apenas, que estes dois jogos vêm em muito boa hora, pela parte que me toca. Estas últimas semanas não têm sido muito fáceis para mim. Agora sou eu que ando "triste", em vez do Cristiano - aliás, o Ronaldo parece tudo menos triste, anda a marcar dois ou três golos por jogo... Por meu lado, tenho tido uns dias difíceis, essencialmente pelos mesmos motivos de toda a gente: a crise, a austeridade, a incerteza em relação ao futuro, o stress do curso, a possibilidade bem forte de ser obrigada a emigrar quando terminar os estudos. Também não ajudou o facto de ter estado meio doente na semana passada. Uma simples constipação, mas que causou demasiado transtorno para algo benigno.

Como podem ver, tenho andado invulgarmente necessitada da Terapia das Quinas. E já tem dado frutos. Por causa das queixas de Cristiano Ronaldo aquando d'El Clásico, estava com medo que o madeirense ficasse de fora desta jornada dupla da Seleção. Mas tudo não passou de um susto. Foi um grande alívio quando o soube e até me senti entusiasmada com a perspetiva de termos este Ronaldo que marca dois ou três golos por jogo do nosso lado.

Sem pressão, Cristiano! Até porque ele ainda não recuperou totalmente da lesão. Os outros também terão de se mexer nestes dois jogos.

É a história do costume. A Seleção não resolverá nenhum destes problemas mas, se estes jogos e tudo o que está ligado a eles - o entusiasmo, eventuais momentos de futebol, a expetativa de uma presença no Mundial 2014 - ajudarem a afastar pensamentos negativos, a dormir melhor durante a noite, a ter um motivo para sobreviver aos próximos tempos, terá valido a pena. A história do costume.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Portugal 3 Azerbaijão 0 - Vitória + exibição = Boa noite de Seleção

Na passada terça-feira, dia 11 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu no Estádio Axa, em Braga, a sua congénere azeri. Foi um jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo em Futebol, que se realizará em 2014 no Brasil, que a Seleção levou de vencida por três golos sem resposta.

Vi este jogo na sua totalidade acompanhada pela minha irmã mais nova, como já se tornou hábito. As suas tiradas, de um humor entre o de menina reguila e de dondoca, dão sempre uma outra graça a tudo. No início, ela disse-me que a Seleção nunca havia ganho naquele estádio. O meu irmão, prático, fez-lhe ver que existem muitos estádios no planeta que nunca albergaram uma vitória portuguesa. E este era apenas o terceiro jogo da seleção naquela arena.

No entanto, mentiria se dissesse que a ideia da maldição do Estádio de Braga, o espectro do empate frente à Albânia há quatro anos naquele palco nunca me passaram pela mente durante os noventa minutos do jogo.

A Seleção entrou e campo com uma atitude completamente diferente com que abordara o jogo de sexta-feira. Este encontro foi de sentido único, disputando-se quase todo no meio campo azeri. A baliza dos nossos adversários esteve constantemente debaixo de fogo. No entanto, a bola teimava em não entrar.


Isto é já um problema crónico, um filme muito visto, protagonizado pela Equipa das Quinas: a finalização. João Moutinho, no final do jogo, falava em azar - mas eu também vi alguma aselhice na maneira como perdiam as bolas na grande área azeri. Algumas pareciam de propósito. A páginas tantas, a coisa torna-se psicológica, formando-se um ciclo vicioso. Não ajudava o facto de o guarda-redes azeri, depois de um frango no último jogo da sua seleção, estar inspirado naquela noite. 

Há uns tempos, ouvi a minha irmã a reclamar a propósito do seu clube:

- Porque é que todos os guarda-redes fazem os jogos das vidas deles sempre que jogam contra o Sporting?

Podia-se perfeitamente reformular essa pergunta, desta feita, para a Seleção. No entanto, pior do que o guarda-redes, era o poste.


Se não se justifica falar de uma maldição do Estádio Axa, o caso muda de figura no que toca aos ferros das balizas. Só neste jogo, enviámos umas seis ou sete bolas ao poste. Já na sexta-feira, tinham ido duas ou três. E isto já vem desde o Europeu. Não percebo o que é que existe entre a Seleção e a trave para os Marmanjos estarem constantemente a enviar-lhes as bolas... Não parece ser um relacionamento saudável, como dizia a Ana, uma das minhas seguidoras no Twitter, a Turma das Quinas parecia gostar demasiado de dar boladas aos ferros...

- Juro-te, o poste é o melhor guarda-redes de sempre! - chegou a reclamar a minha irmã.

No intervalo, o Ronaldo chegou a ir até aos ferros, como que para se certificar de que não havia nenhum íman escondido que estivesse a atrair a bola. Mas talvez a melhor solução seja aquela que o Record sugeriu: ir à bruxa.

No meio de tudo isto, há que louvar a atitude dos jogadores. Apesar de exibirem, ocasionalmente, sinais de ansiedade - a certa altura o Ronaldo começou a rir-se após os remates falhados, como se tivesse chegado àquela fase em que se ria para não chorar - a equipa nunca perdeu o norte, todo e cada elemento - incluindo aqueles como o Nani que nem sequer estavam a ter um desempenho brilhante - se entregou competamente ao longo de todos os noventa minutos de jogo.

Por outro lado, o que nos valeu foi o facto de o Azerbaijão não ter tido capacidade de tirar proveito da nossa falta de pontaria. Com outro adversário, a história seria diferente.


O momento alto do jogo foi a substituição de Miguel Veloso por Varela, aos sessenta e poucos minutos de jogo, seguida, ainda nem um minuto havia passado, do primeiro golo do encontro, marcado pelo homem que acabara de entrar. Mais uma vez, Varela fez de bombeiro da Seleção, de Salvador da Pátria, depois daquele inesquecível golo frente à Dinamarca. Não quero comparar as circunstâncias em que se marcaram os dois mais recentes golos do Marmanjo envergando a camisola das Quinas, mas ambos foram celebrados intensamente, com um misto de alívio e júbilo.

Este golo deu à equipa a confiança necessária para, mais uma vez, tal como disse a Ana, deixar os postes em paz e dilatar ainda mais a vantagem O primeiro a fazê-lo foi, mais uma vez, o Hélder Postiga, após uma bela assistência de Cristiano Ronaldo.


Tal como já tinha escrito no outro dia, parece que os jornais já perceberam, finalmente, que o Hélder até é bom jogador. Hoje assinalaram que o ponta-de-lança já tem uma média de golos superior à do Ronaldo - tal como já eu tinha dito antes do Europeu. Ainda ontem, no início do jogo, o meu irmão perguntava como é que ainda deixavam o Postiga jogar.

- Ui, agora irritaste a Sofia - comentou a minha irmã, divertida.

No entanto, engoli a irritação e nada disse. O Hélder falou por mim ao marcar o golo. Depois de o celebrar, virei-me para o meu irmão e perguntei-lhe.

- Que 'tavas a dizer sobre o Postiga?

Deste modo, neste momento, depois de muito ter defendido o Hélder, no blogue, no Facebook, na televisão, cada golo dele com a camisola das Quinas ganha um sabor especial, é uma prova de que tenho razão. 

Mas também, se formos por aí, cada golo que a Equipa de Todos Nós marca também é uma prova de que tenho razão, de que faço bem em apoiá-los incondicionalmente.


O golo de Bruno Alves - que já tinha marcado no último jogo frente ao Azerbaijão - surgiu três minutos mais tarde, quase sem darmos por ele, selando o resultado. Quando o árbitro apitou três vezes, fiquei com pena pois até estava a gostar do jogo.

Como podem calcular, fiquei satisfeita. Foi uma boa noite para a Turma das Quinas. Portugal amealhou mais três pontos, totalizando seis, neste momento, e fez uma exibição globalmente positiva, tirando os problemas na finalização. Gostei sobretudo do facto de a Seleção ter melhorado de um jogo para o outro. Daqui a um mês, enfrentaremos a Rússia, a nossa principal adversária neste Apuramento. Como quero que Portugal volte a amealhar seis pontos nessa dupla jornada, espero que a Equipa das Quinas esteja ainda melhor nessa altura, que continue a crescer à medida que a Qualificação avança.


Paulo Bento fez questão de abrir a Conferência de Imprensa que se seguiu ao jogo agradecendo ao público por, numa altura em que as coisas parecem cada vez piores a nível sócioeconómico, por terem vindo ao estádio. Fica bem o agradecimento. Há que, de facto, elogiar o público que foi impecável: puxando pela Seleção durante praticamente todo o jogo, sendo paciente perante os inúmeros ataques falhados. E a Seleção até retribuiu bem o apoio que lhe foi dado.

Cada vez mais pessoas, começando pelas trinta mil que foram ver este jogo, começam a aprender aquilo que já sei há, pelo menos, dois anos: neste momento, a Equipa de Todos Nós é a única instituição neste País que cumpre as promessas que faz, que retribui aquilo que recebe da nossa parte, que nos oferece consolo e alegria. Não resolve a crise, ao contrário do que o Onze Por Todos insinuava, mas dá-nos alguma força para lidarmos com ela. Eu própria tenho tido alguns dias complicados ultimamente. No entanto, agora, este tão desejado bom arranque de Qualificação, a expectativa dos próximos jogos, ajudar-me-ão a não ter medo do que aí vem. E estou certa de que também ajudará outras pessoas. É a conversa do costume, que tenho vindo a repetir desde há dois anos a esta parte. Espero que a Seleção continue a dar-me motivos para repetir estas palavras de esperança outra e outra vez.

domingo, 9 de setembro de 2012

Luxemburgo 1 Portugal 2 - Não havia necessidade

Na passada sexta-feira, dia 7 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere luxemburguesa por dias bolas a uma, naquele que foi o seu primeiro jogo da fase de Qualificação para o Mundial de 2014, que terá lugar no Brasil.

Estava praticamente toda a gente - eu incluída - à espera de uma vitória fácil e esmagadora. Mesmo que a Seleção não tivesse um desempenho brilhante, em princípio, a vitória chegaria sem dificuldades de maior. Não foi isso que aconteceu naquela noite.

Paulo Bento afirmara que a Seleção enfrentaria este jogo como se estivesse na fase final do Europeu. E, de facto, a maneira como entraram no jogo - lentos, desorganizados, trapalhões - lembrava-me o início dos jogos contra a Dinamarca e a Holanda. Acabou por não surpreender muito o golo do Luxemburgo - mas não deixou de ser um balde de água fira, cujo efeito nem sequer foi atenuado pelo calor que tem deito nestes dias. Dei por mim mordiscando o meu velho boné com os nervos, vendo a Seleção debatendo-se perante uma equipa na qual só jogavam três profissionais. Chegava a adquirir contornos caricatos, ridículos. Um dos jogadores é vereador. O Daniel da Mota, o luso-descendente que nos marcou o golo, trabalha num escritório durante o dia e só treina à noite. O guarda-redes é supervisor de um pavilhão desportivo ou algo do género. Havia momentos em que não sabia se devia rir ou chorar.



O golo de Cristiano Ronaldo aliviou um bocadinho os nervos. Curiosamente o abraço que trocou com o Hélder Postiga fez-me recordar o primeiro golo do jogo do ano passado, frente ao mesmo adversário. Nesse encontro, tinha sido o Hélder a marcar primeiro mas ele e o Ronaldo também se abraçaram. Fiquei com a ideia de que, em circunstâncias normais, o madeirense não festejaria um golo de empate mas, depois da polémica dos últimos dias, fez questão de agitar o punho em sinal de triunfo. E pronto, já toda a gente diz que ele está feliz de novo. 

Apesar dos golos, o ritmo do jogo manteve-se praticamente inalterado. Só depois da segunda parte é que os Marmanjos pareceram acordar para a vida: o golo do Hélder Postiga - executado de forma soberba - não surpreendeu.


Eu acho graça ao facto de só depois de o Hélder marcar é que as pessoas se recordam de todas as vezes que o ponta-de-lança já marcou pela Seleção, muitas vezes salvando-nos o couro - como, por exemplo, no Euro 2004, frente à Inglaterra. E anteontem. Ainda ontem, no Record, vieram falar da sua média de golos por jogo. Ninguém se recorda disso quando meia opinião pública contesta a sua Convocatória, quando os comentadores se queixam da falta de pontas-de-lança. Admito que o Postiga já fez os trinta, logo, já não lhe restam muitos anos de carreira, sendo, por essas e por outras, importante apostar em jovens como o Nélson Oliveira. No entanto, gostava que se desse mais valor àquilo que o Hélder faz pela Seleção.

Esperava-se que, depois deste golo, ficasse mais fácil marcar mais um ou dois tentos. No entanto, a Seleção continuava lenta e os luxemburgueses recusavam-se a render-se. Cheguei a uma altura em que só pedia para manterem o resultado - não me surpreenderia se a coisa ficasse, de novo, empatada.

Felizmente, tal não aconteceu. A Seleção conseguiu amealhar três pontos.


Fiquei bastante mais satisfeita com o resultado do que com a exibição. Não percebo como é que os luxemburgueses nos foram criar tantas dificuldades... Talvez seja como disse o Hélder, talvez já não existam adversários fáceis. Ou talvez, pura e simplesmente, não tenham levado o Luxemburgo a sério, apesar da promessa de Paulo Bento.

No entanto, três pontos são três pontos. Não me esqueci do que aconteceu há dois anos - ainda que, na altura, tivessem a desculpa do caso Queiroz. E também já tivemos uma dose exagerada de jogos em que dominámos em praticamente tudo exceto no marcador. Toda a gente prefere jogar mal mas ganhar, em vez do contrário. Não estou demasiado preocupada pois sei perfeitamente que a Seleção sabe jogar bem melhor do que isto, quando está para aí virada. Mas porque é que tivemos de sofrer tanto? Como dizia o outro, não havia necessidade...

Não é fácil ser adepto incondicional da Seleção...


Este jogo assemelhou-se imenso ao jogo com o Liechtenstein, em outubro de 2005, um a que fui assistir no Estádio de Aveiro. Também nesse começámos por estar a perder contra uma seleção amadora - acho que nunca me vou esquecer do velhotezinho isolado, apoiante do Liechtenstein, comemorando o golo - e vimo-nos gregos para virar o resultado. Tanto nesse jogo como neste, o mais importante foram os três pontos. A diferença é que, neste, foram os primeiros pontos a serem amealhados nesta fase de Qualificação. No jogo de 2005, os três pontos selaram-nos a Qualificação para o Mundial 2006.

Agora, tal como fiz em 2005, vou concentrar-me no lado positivo deste jogo, os três pontos amealhados. No entanto, estes não são suficientes para obtermos o bom arranque de Apuramento que desejo. Ainda falta ganhar ao Azerbaijão. Convinha jogar melhor do que se jogou na sexta-feira. O desempenho frente ao Luxemburgo foi suficiente para vencermos o Luxemburgo mas tenho medo que não seja suficiente frente aos azeris.

O que eu desejava mesmo era uma Qualificação imaculada, só com vitórias, como as últimas da Espanha. Mas o melhor é sempre encarar a viagem passo a passo, jogo a jogo. Para já, espero que Portugal ganhe o próximo, que dê mais um passo em direção ao Brasil. Que a viagem apenas acaba de começar.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Terapia das Quinas

Nos últimos dois dias, Cristiano Ronaldo tem sido protagonista de muitas capas de jornais, muitas notícias, muitas declarações, enfim, de toda uma polémica, daquelas bem sumarentas. Tudo isto consequência de umas declarações, após um desafio da Liga Espanhola que opôs o Real Madrid ao Granada, nas quais o jogador afirmou estar "triste".

De repente, transformámo-nos todos em psicólogos, tentando diagnosticar as causas desta tristeza do madeirense. Junto-me, por este meio, a essa onda. Analisemos então este assunto que, suspeito, tão cedo não sairá dos destaques do mundo desportivo.

Eu e a minha irmã, por acaso, assistimos a parte do tal jogo em que Ronaldo bisou mas não festejou. Por acaso, foi na altura em que publicava a entrada anterior do blogue, logo, não estava a prestar muita atenção. A minha irmã é que me disse que, depois de o madeirense ser substituído, parecia estar quase a chorar.

Tal situação recordou-me as lágrimas do Cristiano no Portugal-Holanda do Mundial 2006 aquando, igualmente, de uma lesão. Mostrei o vídeo desse momento à minha irmã e mostro igualmente aqui. Expliquei-lhe que as lágrimas se deviam, pura e simplesmente, a não poder jogar. Mas já volto a esse assunto.


Ainda antes de sabermos das declarações de Ronaldo, já nessa noite a minha mãe comentou que ele, de facto, parecia triste. No entanto, não deixei de ser apanhada de surpresa quando, na manhã seguinte, a minha irmã me disse que o Cristiano queria sair do Real Madrid.

Não demorei muito a ficar a par do que se passava realmente: o Ronaldo não dissera que queria sair do Real Madrid, apenas dissera estar triste. Desde essa altura, tenho, à semelhança de muita gente, interrogado-me sobre os motivos desta infelicidade do Cristiano.

Uma das hipóteses é tudo isto ser, pura e simplesmente, uma birra, um amuo, uma chamada de atenção. A minha irmã chegou mesmo a alegar que ele está "naquela altura do mês" - neste momento, é a piada preferida dela. Sei por experiência própria que essa altura é complicada, de facto, mas tenho um feeling de que não é disso que se trata.

Outra hipótese era um possível desentendimento com Mourinho e/ou com colegas de equipa. Contudo, esta foi depressa posta de parte pois Mourinho mostrou-se surpreendido com estas delcarações do madeirense. Além disso, já vários jogadores merengues vieram manifestar solidariedade para com o colega. Mesmo que estes últimos nada tivessem dito, o Cristiano não parece ser do género de ter zangas com companheiros de balneário, antes pelo contrário.


Há quem diga que ele está de mau humor por não ter ganho o prémio FIFA de Melhor Jogador do Ano. O Cristiano desmentiu logo esta teoria e, mesmo que não o tivesse feito, também não ia nessa. Não foi a primeira vez que o madeirense perdeu um prémio destes para outro jogador, ele deve saber lidar com isso. Se não sabe, já devia ter aprendido há muito tempo.

Uma das hipóteses mais faladas era isto ser uma tentativa de cravar um aumento. Muito se tem falado do Imposto Beckham ou lá o que é. Como seria de esperar, já li algumas opiniões ressentidas - eufemismo! - as redes sociais a propósito desta hipótese. A mim, custava-me a acreditar. Ele já é um dos jogadores mais bem pagos do Planeta, por amor de Deus! Será assim tão essencial receber ainda mais uns milhões? Será que estaria como o outro, será que o seu atual ordenado não lhe chega para as despesas? Não acreditava nisso, não queria acreditar nisso. A ser verdade, se ele tivesse criado toda esta confusão, perturbando o estágio da Equipa das Quinas, por dinheiro, o Cristiano desceria consideravelmente na minha consideração.

Como tal, fiquei satisfeita com a sua publicação no Facebook na qual afirmava que aquilo não tinha a ver com o dinheiro e exprimia a sua dedicação ao Real Madrid.

A hipótese que me parece mais provável é de que Ronaldo não se sente devidamente apoiado pelos dirigentes do seu clube. Ouvi mesmo um par de jornalistas espanhóis afirmarem que isto se trata, não de um desabafo espontâneo ma sim de algo ponderado, de um último recurso, de modo a que o clube o oiça.

Enfim, isto sou eu, somos todos nós a especular. Nenhum de nós sabe a verdade. Em todo o caso, o Cristiano deu a entender que tenciona explicar tudo isto, eventualmente.


Tenho acompanhado a carreira de Cristiano Ronaldo desde os seus tempos no Sporting, ou seja, há cerca de dez anos. Ele tem os seus defeitos, muitas vezes toma atitudes que não compreendo e/ou não aprovo. No entanto, existe muito nele que eu admiro. Ele agora é uma superestrela milionária mas foi ele mesmo que o construiu de raiz. Em criança, não tinha onde cair morto. Aos onze anos, veio sozinho para o continente, deixando a família para trás. Ao longo de anos, fez horas extraordinárias nos treinos, querendo sempre tornar-se ainda melhor do que já era. Orgulhamo-nos do facto de ele ser português mas, na verdade, Ronaldo pouco tem a ver com a mentalidade do nosso País - preguiçoso, invejoso, lamuriento, culpando todos menos ele próprio. O Cristiano nada tem a ver com isto, é um lutador, sempre o foi, se mais portugueses fossem como ele talvez não estivéssemos onde estamos agora.

Claro que ajuda sempre o facto de ele fazer o que gosta - nem todos têm esse privilégio. É outra coisa que admiro nele: a sua paixão, o facto de ele gostar de jogar futebol por jogar. Foi isso que disse à minha irmã quando ela estranhou o facto de o Cristiano ter chorado no jogo com a Holanda quando Portugal até estava a ganhar.

É por estas e por outras que Cristiano Ronaldo, para mim, é e sempre será, até mesmo depois de se retirar do futebol, o Melhor do Mundo. Como já disse em cima, mesmo que não goste de tudo o que ele faz - ainda não sei se inclua esta polémica na lista - apoiá-lo-ei sempre. Existem muitos miúdos a idolatrá-lo, a quererem ser como ele, a serem grandes jogadores de futebol como ele. Eu, contudo, aconselhar-lhos-ia a serem como ele, não no sentido futebolístico, mas no sentido de serem trabalhadores, lutadores, no que toca  aos seus próprios sonhos, às suas próprias paixões, estejam estas relacionadas com o desporto, a música ou a Medicina. 



No que toca a esta questão em específico, quer isto se trate de coisa de puto mimado ou de algo a sério, se pudesse dar um conselho ao Cristiano, dir-lhe-ia para fazer como eu: para procurar consolo na Seleção, a seguir a Terapia das Quinas. Não será muito difícil, com o bom ambiente que, ao que parece, já é característico da Equipa de Todos Nós. Dir-lhe-ia também para se vingar dando o seu melhor nos treinos e em campo, quer no Real, quer na Turma das Quinas. Tendo em conta a dedicação de Ronaldo ao seu clube, estou certa que cedo arranjará uma maneira de resolver esta situação. Para já, espero que dê uma alegria, por pequena que seja, tanto a si como a todos os portugueses, ao ajudar a Seleção Nacional a levar de vencida os dois primeiros jogos da Qualificação para o Mundial do Brasil.

domingo, 2 de setembro de 2012

"Somos favoritos mas temos de prová-lo"

No próximo dia 7 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará, no Luxemburgo, a seleção local. Quatro dias mais tarde, receberá em Braga a sua congénere azeri. Ambos os jogos contarão para o Apuramento para a fase final do Campeonato do Mundo em futebol que terá lugar no Brasil em 2014.

Ao contrário do que aconteceu nos últimos dois anos, desta feita poderei ver os dois jogos de setembro. Mesmo assim, estava a passar férias no Norte na altura da Divulgação dos Convocados, o que atrasou um pouco - mas não tanto como receei - a publicação desta entrada. Felizmente, pude acompanhar a Conferência de Imprensa. Aliás, o intervalo de tempo entre o meio-dia e a uma da tarde da passada sexta-feira acabou por ser algo marcante, não só para mim, mas para a minha irmã também.

Não sei se já o revelei aqui mas ultimamente a minha irmã tem andado muito ferrenha pelo Sporting. Esta sua "doença", como o meu pai gosta de chamar, assemelha-se um pouco à minha doença pela Seleção na medida em que também ela está, quase instintivamente, a par de quase tudo o que acontece relacionado com o seu clube: jogadores, datas de jogos, adversários, declarações. A diferença reside no facto de a minha doença só desenvolver sintomas quando a Seleção joga - ou seja, durante apenas alguns dias, com semanas de intervalo. Excepto, claro, durante as fases finais - durante o resto do tempo mantém-se em latência. O Sporting joga todas as semanas. Façam as contas.

Mas regressemos a sexta-feira, ao meio-dia. A essa hora, tanto eu como a minha irmã queríamos ter o rádio ligado uma vez que se realizava tanto o Anúncio dos Convocados como o sorteio da fase de grupos da Liga Europa. Não que fizesse assim tanta questão de acompanhar o anúncio em direto. Suspeitava que a convocatória poucas novidades traria e que as respostas de Paulo Bento às perguntas dos jornalistas seriam previsíveis. Mas já que o rádio estaria ligado e como queria começar a alinhavar uma entrada nova, aproveitei.



A Antena 1 interrompeu a emissão em direto do sorteio da Liga Europa - numa altura em que já se conheciam dois dos futuros adversários do Sporting. Não me lembro quais são eles; apenas me dou ao trabalho de memorizar as coisas da Seleção e não me apetece ir agora perguntar à minha irmã - para transmitir a divulgação dos Convocados. Por brincadeira, eu e a minha irmã pusémo-nos a dizer "Iééé!" depois de cada nome lido. Acabou por acontecer uma coisa engraçada:

- Hélder Postiga.

- Iéééé!

- Nani.

- Iéééé!

- Pizzi.

- Quem?

Como podem ver, não conhecíamos o jogador do Deportivo da Corunha aquando da Convocação. Confesso que ainda não sei muito, apenas que é avançado, transmontano - por acaso, da mesma região onde estive no fim de semana passado - e tem quase vinte e três anos. Contudo, se começar a ser Chamado com frequência à Turma das Quinas, aprenderei depressa.



O estágio para a preparação desta jornada dupla arrancou segunda-feira, em Óbidos. Estes são adversários relativamente conhecidos da Seleção Portuguesa. Já jogámos com o Luxemburgo no ano passado. E o Azerbaijão fazia parte do grupo de Apuramento para o Euro 2008. 

Lembrava-me que o jogo com o Azerbaijão em outubro de 2006 me deixara satisfeita, que o Cristiano Ronaldo fizera uma bela exibição. Mas só me recordei dos pormenores depois de ter revisto o resumo do jogo: ganhámos por 3-0, com dois golos de Ronaldo, uma assistência do mesmo e ainda um pontapé de bicicleta mal anulado por um árbitro inglês - ainda deviam estar com o cartão vermelho a Wayne Rooney nos quartos-de-final do Mundial atravessado na garganta...



Do jogo do ano seguinte, só me lembrava de termos ganho. Depois de ver o vídeo-resumo, recordei-me que a vitória foi por duas bolas sem resposta, uma marcada por Bruno Alves depois de um canto de Deco, a outra marcada por Hugo Almeida assistido por Miguel.

Um aparte apenas para dar graças pelo facto de o Miguel Veloso já não usar o cabelo comprido como usava em 2007. Já me tinha esquecido deste penteado tão totó... Pode haver quem também não goste do atual penteado mas eu prefiro este mil vezes. 

De certa forma, calha bem os nossos dois primeiros adversários serem os mais acessíveis teoricamente neste grupo de Qualificação, numa altura em que a temporada futebolística ainda mal arrancou e nem todos os jogadores estão na sua melhor forma. 

As declarações de Paulo Bento após a leitura dos Convocados, tal como o previsto, não trouxeram nada de novo. Já não era a primeira vez que o Selecionador afirmava que levaria a sério todo e qualquer adversário que se cruzasse no caminho da Equipa das Quinas e que está empenhado em obter a qualificação direta para o Mundial. Tal começa por amealharmos seis pontos nesta primeira dupla jornada. Não penso que seja pedir muito, até porque, tal como afirmei acima, estes são os adversários mais "fáceis" desta Qualificação. Já tivemos a nossa dose de maus arranques nos últimos anos, queremos uma fase de Apuramento bem mais tranquila que as três últimas. Julgo que temos condições para isso, mesmo que nem sempre dê para fazer exibições brilhantes. 

Paulo Bento é que resumiu bem a questão na passada sexta-feira:

- Somos favoritos mais temos de prová-lo.

Agora que se passe das palavras aos atos.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Portugal 2 Panamá 0 - Um bom sinal

Na passada quarta-feira, dia 15 de agosto, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu no Estádio do Algarve a sua congénere panamiana - finalmente descobri o termo correto! - num jogo de caráter particular do qual a equipa da casa saiu vencedora por dois golos de resposta.

Os jogadores entraram em campo envergando camisolas com o slogan "Portugal sem fogos depende de todos", algo que me agradou. Já antes falei aqui da influência que jogadores de futebol têm, de como deviam usá-la para causas humanitárias. Ainda bem que o fizeram naquela noite.



Cedo ficou claro que a Seleção levaria aquele jogo a sério. Começando por Paulo Bento, que se apresentava tão concentrado e interventivo no jogo como se este fosse a doer. Os comentadores chegaram mesmo a dizer que a única diferença entre aquele particular e o Euro 2012 era o facto de o Selecionador se apresentar de fato de treino no Estádio do Algarve enquanto no Europeu envergava fato e gravata - embora, na verdade, cedo o blazer e a gravata desaparecessem, quando a coisa ficava séria. Ou como costumava dizer a minha irmã: "Sh*t just got real".

Também os jogadores levaram o amigável a sério, sobretudo aqueles a quem foi dada a oportunidade de, por uma vez, assumirem o protagonismo do jogo. Houve muita garra, muita vontade, muita determinação em merecer a titularidade. Miguel Lopes - que iniciou a jogada que terminou com o primeiro golo das cores portuguesas - foi um exemplo. Mas o maior rosto deste espírito foi Nélson Oliveira. Foi aquele que mais rematou e, claro, marcou aquele golo espetacular, de fora da área.


A minha irmã comparou o Nélson ao Nani, por ter macado no seu primeiro jogo como titular. Ela devia estar a pensar no particular com a Dinamarca, no Verão de 2006, cujo resumo lhe mostrei aquando do segundo jogo da fase de grupos do Euro 2012. Não me lembro se o Nani foi titular nesse jogo. Mas recordo-me do pontapé de canto direto para as redes dinamarquesas, de que foi nesse jogo que percebi que o jovem jogador tinha potencial. Sim, a comparação com o Nélson faz sentido.

Pela parte que me toca, sinto-me satisfeita por, um ano depois de nos tornarmos vice-campeões mundiais de sub-20, temos um dos protagonistas desse campeonato dando frutos na Seleçao A, tal como desejara na altura. Que este golo seja o primeiro de muitos!

E é bom saber que não foi só para mim e para a minha irmã que esta jornada se tornou inesquecível.

Um dos objetivos deste jogo era fazer experiências, afinar armas, tirar conclusões que nos ajudassem a preparar a Qualificação para o Mundial. Segundo Paulo Bento, a redução da seleção panamiana para dez elementos impediu-o. Um dos comentadores, contudo afirmou que aquele Panamá reduzido a dez assemelhava.se mais, em termos de qualidade, à equipa do Luxemburgo.

Eles estavam inspirados naquela noite.


Depois, aquele golo espetacular do Cristiano Ronaldo. Podem ter sido escassos os golos quando comparados com as oportunidades que tivemos, mas foram dois tentos de luxo. Com este, Ronaldo aproxima-se da marca de Eusébio - e tenho um pressentimento de que a ultrapassará ainda nesta fase de qualificação.

Pensar que ele já completou dez anos de carreira profissional...

No tempo restante do jogo, deu-se um festival de oportunidades desperdiçadas - algo que já começa a ser clássico neste tipo de jogos. O Hugo Almeida, então, coitado, não estava nos seus dias. Por outro lado, o Nani, apesar de jogar com a garra, a alegria de sempre, não tem marcado desde aquele malfadado particular com a Turquia. O que acho um pouco preocupante.

Mas não demasiado. Não nesta fase do campeonato. Confesso que não estava com a fasquia muito alta para este jogo mas, mesmo assim, foi um encontro agradável, acima da média no que toca a particulares. Eu, pelo menos, fiquei satisfeita. Por, por uma vez, os Marmanjos terem cumprido a promessa de jogarem para a vitória. Encaro este jogo como um bom sinal, um sinal de que a Seleção permanece numa boa fase, que esta se prolongará. Uma parte de mim anseia, agora, pelo início da Qualificação em si. 

Uma parte, apenas... O resto não quer que setembro chegue demasiado depressa!

É já o costume: a Seleção é das poucas coisas que prometem algo de bom no futuro - e cumprem-nas. Cumpriram com o Euro 2012. Vamos ver que, para já, voltam a cumprir a promessa de uma boa Qualificação ao longo do próximo ano.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Um inesquecível início de capítulo

Na passada segunda-feira, dia 13 de agosto, a Seleção Portuguesa do Futebol realizou no Jamor o seu primeiro treino da época futebolística 2012/2013. O treino foi aberto ao público, por isso, eu e a minha irmã agarrámos a oportunidade, tal como anunciei que faríamos na última entrada.

Quis trazer a mina irmã pois ela dá claros sinais de gostar tanto de futebol como eu, eu até ainda mais. Neste momento, anda muito ferrenha pelo Sporting mas diria que a Seleção está no mesmo nível, que partilha esta loucura comigo. É apenas uma das muitas coisas que partilhamos. Já lhe tinha prometido que, assim que tivéssemos oportunidade, a levaria a um treino da Seleção. E a oportunidade surgiu agora.

Desta feita, descobri um autocarro que partia desde Monte Abraão e terminava na estação de Cruz Quebrada, pelo caminho parando junto ao Estádio Nacional. Pensava eu. Na verdade, a estação que supostamente correspondia ao Estádio era à beira do Alto da Boa Viagem, uma estrada secundária. Agora vejo que teria sido mais sensato sairmos em Cruz Quebrada e subido até ao Estádio... O que nos valeu foi uma bomba de gasolina ali perto. Se estivesse sozinha, talvez arriscasse fazer o que o empregado da bomba sugeriu, talvez andasse por ali à procura de um caminho que nos conduzisse ao Estádio. No entanto, como estava lá com a minha irmã, tive medo e pedi que nos chamassem um táxi. Mais quatro euros desembolsados e deixaram-nos no Estádio cerca de meia hora antes do início do treino. O que nos valeu foi termos tido a sensatez de apanhar o autocarro que, tivessem as coisas corrido de acordo com o planeado, nos deixaria no Jamor uma hora antes do início do treino. Foram uns dez, vinte minutos que pânico mas felizmente conseguimos dar a volta ao jogo.

- A Seleção fica a dever-nos mais esta - comentei eu para a minha irmã.

Já várias pessoas aguardavam a abertura dos portões, muitas delas falando francês, algo que causou estranheza à minha irmã.

- C'est Ronaldo! - dizia eu, pronunciando "Ronaldô".

Todas aquelas pessoas envergando camisolas do número sete apanharam uma surpresa desagradável quando se percebeu que o madeirense não se encontrava entre os jogadores que emergiram dos balneários subterrâneos. Mais tarde, saber-se-ia que Ronaldo ficara no hotel fazendo "gestão de esforço".



Acabou por ser este o único aspeto negativo da tarde: não só a ausência de Cristiano Ronaldo, mas também a de Pepe, Bruno Alves e Custódio, juntamente com o facto de o Nani, o Hélder Postiga, o Fábio Coentrão - com o seu inconfundível cabelo loiro - o Miguel Veloso e o Miguel Lopes apenas terem feito aquecimento, saindo antes da primeira hora de treino, ficando a Seleção reduzida a dezassete jogadores. O pior foi que o grupo esteve completo no treino de ontem, terça-feira, de manhã, tendo ainda havido golo de Nani, de Hélder Postiga e um penálti falhado por parte de Cristiano Ronaldo, no jogo de treino. Mas não nos dava jeito a essa hora...

Terá de ficar para a próxima.



Em todo o caso, não deixou de ser um fim de tarde bem passado, pois sempre estavam lá o João Moutinho, o Varela, o Eduardo, o Carlos Martins - que anda claramente com ganas. Não me admirava nada se marcasse esta noite - o Rui Patrício, o Hugo Viana, entre outros. E também, Paulo Bento, Humberto Coelho e João Pinto. Aconteceu, aliás, uma coisa engraçada no início do treino. Estávamos nós a arranjar lugar nas bancadas quando reparámos no João Pinto, que olhava na nossa direção. Mais por graça do que por outro motivo qualquer, acenei-lhe.

Mais tarde, quando a minha irmã falava ao telemóvel com a nossa mãe, ela disse:

- Não tens noção, mãe, o João Pinto acenou à Sofia!

- Acenou? - repeti eu, estupefacta. Pelos vistos, o ex-jogador retribuíra o meu aceno e eu nem sequer reparara...


A minha irmã sentia-se tão feliz quanto eu ali no Jamor, a poucos metros dos nossos heróis, em particular do Rui Patrício. Passou o treino quase todo dando uma de fan girl - como agora se lê muito no Twitter - pelo jovem guarda-redes, suspirando:

- Patrício... O Patrício...

Também ela se sentia tentada a correr para o campo, fintando os polícias todos, para abraçar os seus heróis. Se fosse ela a fazê-lo, talvez deixassem passar por ainda ser relativamente novinha. Se fosse eu, já parecia mal....



A propósito dos polícias, estes continuavam tão rigorosos como sempre no que tocava aos limites. Eu e a minha irmã rapidamente havíamos decidido não nos fixarmos nas bancadas, irmos mudando de sítio de modo a encontrar os melhores locais para vermos o treino. Na parte em que não havia aquele muro de cerca de um metro de altura, não nos deixavam ficar lá paradas. Passámos uma boa parte do tempo junto a uma das balizas principais, local onde os guarda-redes treinavam e onde, mais tarde, se realizou um dos jogos de treino. Naquela altura, estávamos ao lado de uma pequena família. O polícia veio recordar-lhes a regra das pernas em cima do muro, vindo depois com uma conversa, dizendo que teríamos melhor visibilidade nas bancadas.

- Aqui há mais proximidade - respondeu o pai da família.

- Sim, mas lá em cima também há proximidade e têm maior visibilidade... - insistia o polícia. 

- Boa tentativa - comentei eu para a minha irmã. E ficámos o mesmo sítio, ignorando as não-assim-tão-indiretas do polícia.

O treino prolongou-se para além do previsto. Cedo a nossa mãe - que fez questão de nos vir buscar ao Jamor - estava a ligar-nos de novo. Ela e o nosso irmão acabaram por vir ter connosco ao Estádio. Acabou por ser a melhor solução pois dificilmente conseguiríamos apanhar o autocarro de regresso com tudo o que aconteceu depois.



Perto do fim do treino, numa altura em que os jogadores já faziam alongamentos, plantámo-nos todos o mais perto que podíamos da saída para o balneário subterrâneo. É claro que nenhum deles veio dar autógrafos, nem mesmo depois de nos lamuriarmos todos em coro. Nem eu, para ser sincera, estava à espera que tal acontecesse. No entanto, a minha irmã, que se posicionara num local diferente do meu, teve a felicidade de captar em vídeo o momento em que o Rui Patrício acenara na sua direção.

Pois, como podem calcular pela relativa qualidade das fotografias, desta vez dispúnhamos de máquina fotográfica. A minha irmã tirou fotografias e gravou um ou outro vídeo. Não com grande qualidade, é certo, não tencionamos colocá-los no YouTube nem nada disso, servirá apenas para nos recordarmos melhor desta tarde.



À saída do Estádio, tomámos um caminho diferente do que estava acostumada, na direção oposta à da estação de Cruz Quebrada, para o parque de estacionamento. Nessa altura reparámos num aglomerado de pessoas junto a um portão. Percebemos que o autocarro da Turma das Quinas estava estacionado do outro lado.

Tinha sido tão estúpida... Fartara-me de refilar por os Marmanjos não darem autógrafos no Jamor quando eu é que estava errada, eu é que fora procurar no local errado... Bem, agora já aprendi.

Eu e a minha irmã tivemos a sorte de ficar num bom sítio, ao alcance dos jogadores. O primeiro a vir foi o Eduardo - ou Edu, como tínhamos ouvido no treino. Este autografou tanto o meu caderno como as folhas que tinha dado à minha irmã e ainda deu para trocar umas palavrinhas com ele:

- Olá - cumprimentou ele.

- Olá - retribui, acrescentando de seguida - Hei, bom trabalho no Euro 2012.

- Obrigado - respondeu ele.

- Obrigado nós. E boa sorte agora para o Mundial...

Com tudo isto, pela simpatia, o Eduardo já se consolidou como um dos meus preferidos. Já me vieram dizer que o Eduardo nem sequer tinha jogado no Europeu mas isso não tira o sentido ao que disse. Primeiro, porque a mensagem era geral, para toda a Seleção. Segundo, porque o Beto, o terceiro guarda-redes, afirmara uma vez que os três guardiões das redes portuguesas se treinavam uns aos outros, puxavam uns pelos outros, de tal forma que, mesmo quando só um deles joga, é como se os três estivessem em campo. Por isso, também o Eduardo merece ser congratulado pelo sucesso do Rui Patrício.

Estou certa de que o Eduardo compreendeu a mensagem.



 Depois veio o João Pereira, que eu demorei a reconhecer por causa do penteado novo. Desta vez, só deu autógrafo à minha irmã - não valia a pena estar eu também a pedir-lhe quando já ia levar um para casa e já tinha a recordação do encontro. Tentei dar-lhe os parabéns pelo passe de génio que permitiu o primeiro golo à Holanda, dizer-lhe que mandava abraços para todos, mas não sei se ouviu entre as várias vozes pedindo o seu regresso ao Sporting. A minha irmã, coitada, tremia de nervosismo e excitação, fazendo figas para que o Rui Patrício viesse também.



E ele veio, deu-nos também um autógrafo. Mais uma vez, tentei dar-lhe os parabéns pelo Europeu, ainda exclamei uma ou duas vezes quando o pessoal estava todo a elogiá-lo:

- É o São Patrício!

Mas, mais uma vez, não tive certezas de que ele tivesse ouvido.

Depois desta já o autocarro estava em funcionamento, por isso, mais nenhum veio. Mas tanto eu como a minha irmã ficámos delirantes com estes três autógrafos. Que fizeram com que a vinda ao Jamor e tudo o que implicou - incluindo termos sido largadas no Alto da Boa Viagem - tivesse valido a pena. A minha irmã falava já em emoldurar os autógrafos, em repetirmos a experiência. O pior é que suspeito que só teremos nova oportunidade daqui a um ano...



Quanto a mim, esta foi a maneira perfeita de abrirmos o capítulo da Qualificação para o Mundial 2014, deixando-me com um bom pressentimento, o melhor que tenho no início de uma fase de apuramento desde há vários anos. Em 2008, com a saída de Luiz Felipe Scolari, não andava com grande entusiasmo. Em 2010, com toda a confusão do caso Queiroz, era depressão completa. Este ano, depois do Europeu, sinto-me muito mais otimista. Não que me entusiasmem particularmente os jogos com o Luxemburgo e o Azerbaijão, mas desta feita sinto que tudo correrá sem grandes contratempos.

Uma das coisas que contribui para tal pressentimento é a aparente determinação de Paulo Bento em acabar com o mito dos adversários acessíveis. Agora é ser ser ele e os jogadores passam das palavras às ações - algo que nem sempre acontece.



Entretanto, devido as lesões de Pepe, Bruno Alves e Custódio, a Convocatória sofreu alterações significativas desde quinta-feira. Não espero por isso, um grande resultado hoje à noite, frente ao Panamá. O mais importante é fazer experiências, testar alternativas, como falei na outra entrada. Mas também quero que ganhem, é claro.

De qualquer forma, já cumpri o objetivo de transformar esta jornada desinteressante em algo inesquecível. Por, pela primeira vez, ter conversado - bem, mais ou menos... - com um jogador da Seleção, por ter conseguido autógrafos de três Marmanjos, por ter ficado ainda mais cúmplice da minha irmã, por ter mais uma boa recordação a que me agarre quando estiver deprimida. Ainda quero mais, mesmo assim. Um dia hei de conseguir autógrafos de outros Marmanjos, de preferência da minha Troika preferida, mas para já estou satisfeita.

Agora que o capítulo está aberto, que comece a Qualificação!
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