terça-feira, 6 de novembro de 2012

A Pátria Fomos Nós

Era para publicar este texto na página do Facebook mas este tornou-se demasiado longo, logo, incompatível com uma rede social que pede consultas rápidas. Deste modo, quebro o hábito, muito enraizado, de só publicar no blogue quando acontece alguma coisa de relevante com a Seleção e venho falar-vos de um livro.

Há pouquíssimos dias, mudei de casa, depois de muitas semanas empacotando o conteúdo do apartamento antigo. Não fazem ideia da tralha que acumulámos ao longo de vinte anos... Nestas alturas, contudo, temos também a felicidade de encontrar coisas que há muito julgávamos perdidas. Este exemplar de A Pátria Fomos Nós é um exemplo desses objetos.

Este livro é da autoria de Afonso de Melo, que foi Assessor de Imprensa da Seleção Nacional entre 2004 e 2006. Foi escrito durante o Mundial da Alemanha como uma espécie de diário da jornada da Seleção durante essa fase final. Digo "uma espécie" pois não fala apenas sobre a Equipa de Todos Nós. É frequente o autor divagar, recorrendo a muitas referências culturais, mas acaba por se relacionar quase tudo, de uma forma ou de outra, com o futebol.

Por motivos óbvios, adoro o livro. Comprei-o faz agora seis anos, mais coisa menos coisa, poucos meses após a sua edição. Durante dois anos reli-o várias vezes - uma das quais foi um ano após o Mundial 2006, em que ia lendo a cada dia o texto correspondente ao mesmo dia do ano anterior. Foi uma das coisas que me deu vontade de criar o blogue O Meu Clube é a Seleção. Sei que a última vez que o li antes de o "perder" foi durante o Euro 2008, no dia do Portugal-Alemanha, como forma de me entusiasmar para o jogo. Vejo agora que, depois disso, enfiei-o numa pasta, juntamente com uma série de jornais da altura - outra coisa que vocês não podem imaginar é a quantidade de jornais desportivos noticiando sobre jogos da Seleção que eu fui guardando ao longo destes anos... Esta pasta foi, seguidamente, atirada para debaixo da minha cama e nunca me dei ao trabalho de voltar a esvaziá-la durante quatros anos.

Encontrei o livro de novo na semana passada e, quatro anos, duas fases finais e duas trocas de Selecionador mais tarde, tornei a lê-lo. Enquanto lia e recordava a situação da Seleção aquando do Mundial 2006, não pude evitar fazer comparações entre essa altura e o momento atual.

Sendo o autor jornalista e, na altura, Assessor de Imprensa da Seleção, este gasta várias páginas do livro tecendo críticas à Comunicação Social, portuguesa e estrangeira, a certos comentadores, ao assédio da Imprensa à Equipa das Quinas. Hoje, seis anos mais tarde, na era dos blogues, do Facebook e do Twitter, estamos pior. Hoje, qualquer gato pingado (eu incluída) pode "opinar" publicamente sem perceber do assunto sobre que escreve.

Além de que, em 2006, as críticas nunca partiram de um ex-selecionador rancoroso.

Em termos de jogadores e treinador, a Seleção está completamente diferente. Paulo Bento não é Luiz Felipe Scolari. Os únicos "sobreviventes" são o Cristiano Ronaldo, o Hélder Postiga e o Hugo Viana - embora este nem sequer seja um Convocado habitual. Ninguém pode substituir jogadores como Luís Figo e Pedro Pauleta. E muitos dos Marmanjos elogiados no livro - Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Deco - desiludiram-me nestes últimos anos.


No entanto, existem pequenas grandes coisas que se mantiveram, ainda que não de uma forma constante. Pelo menos, sei que estiveram presentes durante a boa campanha no Euro 2012. A união popular em torno da Equipa de Todos Nós, quando o resto do País só nos dava desilusões - mais agora que em 2006. O facto de a união e a amizade serem o ponto forte da Seleção Nacional, tal como, segundo o livro, Costinha terá afirmado em vésperas do Rússia-Portugal, de setembro de 2005.

O autor escreveu algumas vezes ao longo do texto frases como: "Portugal está sempre em vantagem! Eles eram 40 mil e nós um só". A Seleção foi também uma só durante o Euro 2012, jogadores e equipa técnica foram um só. Daí a nossa campanha.

O livro termina com a seguinte frase, a seguinte promessa: "Um dia traremos a taça...". Continuo à espera que se cumpra. Julgo que já estivemos mais longe, mesmo assim. Mas isso é conversa para outra ocasião. Para já, tal como fiz no domingo passado, a propósito do aniversário de Luís Figo, ao longo dos próximos dias tenciono partilhar com  vocês na página do Facebook algumas das minhas passagens preferidas do livro. Mantenham-se ligados!

Por isso e porque para a semana há jogo da Seleção!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Portugal 1 Irlanda do Norte 1 - Escorregadela em relvado molhado

Na passada terça-feira, dia 16 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu a sua congénere norte-irlandesa no Estádio do Dragão, em jogo contando para o Apuramento para o Mundial 2014, que terá lugar no Brasil. O encontro terminou com um empate a uma bola.
Como disseram na quarta-feira de manhã, na Antena1, não foi Seleção, foi deceção. É uma boa maneira de resumir o jogo. Ninguém estava à espera que a Turma das Quinas consentisse tal resultado quando tínhamos tudo para sairmos do Dragão com uma vitória.

Eu estava bastante confiante, bem disposta, aquando do início do jogo e não era a única. Toda a gente se sentia orgulhosa e entusiasmada com a centésima internacionalização de Cristiano Ronaldo, que foi homenageado por tal feito no início do jogo, na presença de outro herói da Seleção, o inesquecível Luís Figo.


Outro belo momento antes do início do jogo foi o hino cantado por Rui Reininho, dos GNR. Uma vez que há já muitos anos que associo a música Sangue Oculto à Seleção Nacional, quase esperei que Rui, em vez do hino, começasse a cantar: "Há luz na artéria principal...". Em todo o caso, a presença do cantor fez-me sorrir enquanto entoava o hino. A voz dele, contudo, mal se ouviu no meio das cinquenta mil gargantas do Dragão.

A alegria no início do jogo não duraria muito. A primeira parte de Portugal foi medíocre ao ponto de a nossa melhor oportunidade ter sido um quase auto-golo. E a jogada que deu origem ao tento que colocou os norte-irlandeses em vantagem foi uma reposição do golo russo de sexta-feira passada. Não queria acreditar no que estava a acontecer, não percebia como é que estávamos a perder aquele jogo.


Aquando do início da segunda parte, obriguei a mim mesma a seguir a minha própria máxima de acreditar até ao apito final. No fim de contas, nunca ninguém disse que era fácil ser-se adepto incondicional da Seleção. Aquele era apenas mais um exemplo.

No entanto, como diz a música, ninguém disse que seria tão difícil, depois do nosso passado recente. Mas já lá vamos.

Na segunda parte, Portugal decidiu finalmente começar a jogar, embora o desacerto entre os jogadores fosse evidente. No entanto, apesar de continuar a barafustar no Twitter, à semelhança de muito boa gente, sentia que o golo do empate já estivera mais longe. 


Mesmo assim, ainda tivemos de esperar até aos oitenta minutos para que o golo do empate chegasse. Dos pés do Hélder Postiga, como não podia deixar de ser. Podem alegar que é sorte, que ele precisa de vinte remates para marcar um golo, que com a tenda montada na grande área norte-irlandesa alguma bola teria de entrar, que ele não roça os calcanhares a "matadores" como Pedro Pauleta, que o Paulo Bento tem um "fetiche" pelo Carteiro, mas a verdade é que ele já conta três golos em quatro jogos nesta fase de Qualuificação - e quando ele não marcou, mais ninguém envergando a camisola das Quinas o fez. Outros, se calhar, marcariam golos mais facilmente mas, pelos vistos, não se têm dado a esse trabalho.

Depois deste golo, Portugal continuou a procurar colocar-se à frente no marcador, a ver se conseguíamos os três pontos, mas tínhamos acordado tarde de mais. Quando o jogo acabou, cada uma das equipas em campo no Dragão ganhou apenas um ponto.


De repente, a Seleção está num mau momento. Numa altura em que nunca havíamos precisado tanto de uma alegria, em que eu nunca havia precisado tanto de uma alegria, a Seleção perde um jogo e empata outro. Acabamos por ficar na mesma situação em que estávamos há dois anos, com a diferença de que, quando era para o Euro 2012, foi uma melhoria, uma recuperação milagrosa  Isto, isto foi uma escorregadela das grandes. Que até podia ter sido pior. Algo que, depois da emocionante reviravolta que foi a Qualificação para o Euro 2012, do nosso percurso nessa fase final, nunca pensei que acontecesse tão cedo. 

Sinto-me traída. Durante estes dois anos, a Seleção esteve associada a alegria, a boas recordações, a esperança de momentos ainda melhores no futuro, mesmo depois de termos sido expulsos do Euro 2012. Foi um consolo, em suma. Com isto, transformou-se em mais uma fonte de angústia. Logo agora...


Agora só temos novo jogo oficial daqui a cinco meses. Em circunstâncias normais, estaria desagradada com isso. No entanto, esta pausa prolongada pode vir a dar jeito pois é urgente pararmos e refletirmos. Porque só vejo a Seleção cometendo os mesmos erros outra e outra vez, alguns dos quais já vêm de trás. Dependência excessiva no onze-base, más entradas em jogo, deslizes na defesa, o eterno problema da finalização, etc. Alguma coisa terá de mudar. Espero que Paulo Bento o perceba e consiga resolver este imbróglio.

Os particulares que vamos ter entre estes jogos de Qualificação (dois, penso eu) são capazes de ajudar. O primeiro é no próximo mês, frente ao Gabão. Como o jogo virá numa altura complicada para mim e duvido que haja muito a dizer, talvez não publique entrada pré-jogo. Mas não deixarei de manter a página do Facebook atualizada.


Apesar de a Seleção nos ter traído completamente, de ter falhado, continuo a colocar os Marmanjos num pote diferente das outras instituições deste País. Porque a Equipa de Todos Nós de vez em quando falha, como tudo na vida. No entanto, ao contrário dos nossos políticos, é capaz de se levantar e de, mais cedo ou mais tarde, dar uma alegria aos portugueses, por pequena que seja, fazer por merecer o apoio, a fé e... o dinheiro gasto nos bilhetes para os jogos. Ainda acho que vamos conseguir Qualificarmo-nos, nem que seja via play-offs. Não é por isso que estou zangada. Estou zangada porque acho que seríamos capazes de nos apurarmos sem este drama todo. É como diz o Menos Ais: "Continhas até ao fim não é tradição, é sina". A Seleção parece, por vezes, fazer de propósito, só parece ser capaz de acordar para a vida quando sente "o rabinho a arder", como diz a minha irmã. E qualquer alegria que nos possam dar, agora só virá em março do próximo ano.

E daí, talvez o jogo com o Gabão ajude nisso, talvez nos dê uma vitoriazita que nos ajude a dormir melhor nessa noite. Que nos faça acreditar, nem que seja um pouco, que a Seleção pode dar a volta a este texto e dar-nos alegrias maiores em breve. Durante estas próximas semanas, procurarei agarrar-me a esse pensamento como forma de neutralizar o sabor amargo que esta jornada dupla deixou na boca.Só espero que a Turma das Quinas não torne a boicotar tais esperanças daqui a um mês.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Rússia 1 Portugal 0 - Escorregadela em relvado artificial

Na passada sexta-feira, dia 12 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou a sua congénere russa em Moscovo, no Estádio Luzhniki, de onde saiu derrotada pela margem mínima. O jogo contou para a Qualificação para o Mundial 2014, que terá lugar no Brasil.

Foi um jogo algo estranho, atípico e, no que toca a mim, aborrecido. Visto ter decorrido entre as quatro e as seis da tarde, pouca gente estava a vê-lo. O Twitter estava sem movimento nenhum. O facto de ter ido para o café durante a segunda parte não alterou nada. Nem me vou alongar muito nesta análise.

A Rússia entrou no jogo muito, ainda não tinham decorrido trinta segundos desde o apito inicial e já os russos estavam na nossa grande área. O golo deles, aos seis minutos, veio sem surpresa. E apesar de, na altura, ter tido vontade de dar um par de estalos ao Ruben Micael, que substituía o lesionado Raúl Meireles, por causa daquele passe desastrado - deem-me um desconto, uma miúda não é de ferro! - agora, mais a frio, considero que, se os russos não marcassem naquela altura, fá-lo-iam mais tarde. Não é por aí.


De resto, reinava um ambiente desfavorável à equipa portuguesa, no Estádio Luzhniki. Não digo infernal porque o Inferno pressupõe fogo, calor, e lá estava era frio. O Paulo Bento, então, estava todo enchouriçado em casacos. A minha irmã chegou a comentar que, naquele dia, era pouco provável que o Selecionador se reduzisse a mangas de camisa quando se envolvesse a sério no jogo.

Os adeptos russos, esses, não pareciam minimamente incomodados com o frio. Como dizia um dos comentadores televisivos, a vodca e a seleção da casa mantinham-nos quentes.


Depois veio a lesão do Fábio Coentrão no músculo adutor complicar ainda mais a nossa já difícil vida. Aquele momento em que estão todos a olhar para a zona onde ele se lesionou... E também a preocupação e o apoio de Ronaldo e dos outros... De repente, estávamos sem dois dos nossos habituais titulares. O facto de a Seleção ter este onze muito restrito é, em simultâneo, uma das nossas maiores forças e fraquezas. Força, porque praticamente todos eles jogam juntos com a camisola das Quinas há já alguns anos e, apesar de nem todos serem grandes talentos, funcionam bem como equipa, tal como ficou provado no Euro 2012. Fraqueza, porque as ausências dos habituais titulares acabam por ser muito penalizadoras. Já há um ano, tivemos uma vitória difícil frente à Islândia e uma derrota agonizante frente à Dinamarca quando nos faltavam titulares habituais (o Pepe e o Coentrão, não eram?). 


No entanto, a questão é que, ao contrário do que aconteceu frente à Dinamarca no ano passado, a Seleção não jogou mal, mesmo em circunstâncias complicadas. Sobretudo na primeira parte, na altura em que a Rússia construiu a muralha de Kremlin em frente à baliza depois do golo, em vez de tentarem matar o jogo. Não me pareceu que Portugal pudesse ter feito muito mais. Volta à baila o velho problema da finalização. É engraçado como voltaram a questionar a Opção por Hélder Postiga quando, no rescaldo dos dois últimos jogos da Seleção, em que ele marcou, lhe louvavam a eficácia superior à de Ronaldo. É o costume....

A segunda parte não foi tão bem conseguida embora, lá está, Portugal tivesse mantido a atitude. A certa altura, começavam a reinar a frustração e o desespero. Paulo Bento chegou a descarregar na placa lateral do banco de suplentes. E eu já só rezava:

- Pelo menos, um empate... pelo menos, um empate... pelo menos, um empate...

Mas o marcador chegou ao fim do jogo sem mais alterações. 


Esta derrota não me preocupa por aí além. Este era o jogo mais difícil de toda a Qualificação. Já tinha dito na entrada anterior que a Rússia era traiçoeira. Tal como o Paulo Bento disse na flash-interview, não vamos colocar tudo em causa por um jogo em que Portugal foi superior em tudo menos no marcador. Nas últimas três Qualificações, estávamos em pior situação nesta fase do campeonato e desenrascámo-nos. Na última, inclusivamente, apesar do péssimo arranque, podíamos ter ficado em primeiro se tivéssemos pontuado em Copenhaga. É claro que era um grupo diferente mas também nada nos garante que a Rússia não dá um tropeção frente a Israel ou a outra equipa qualquer. E se tivermos de ir a play-offs, ao menos serão dois jogos da Equipa das Quinas de bónus.

No entanto, eu queria mais. Depois do drama que foram as últimas três Qualificações, queria um Apuramento imaculado, só de vitórias ou, pelo menos, sem derrotas. Queria o consolo de uma vitória de Portugal, mesmo sem uma exibição por aí além. Está visto que esta fase de Apuramento não vai ser tão fácil como eu julgava, à partida. E se nada garante que a Rússia não perca pontos nos próximos jogos, muito menos está garantido que Portugal deu uma escorregadela frente a adversários teoricamente menores. Acabamos de dar uma no relvado artificial do Estádio Luzhniki. A história do futebol português é demasiado rica em exemplos desses.


Por outro lado, se a Seleção conseguiu fazer um jogo razoável nestas circunstâncias - fora de casa, numa "cimeira de líderes", ao frio, num relvado sintético, sem Meireles, sem Coentrão - em princípio, não terá problemas nos próximos jogos. Começando com o de amanhã, frente à Irlanda do Norte, num Dragão que se espera cheio. E depois, em junho do próximo ano, quando os nossos amigos russos nos vierem visitar à Luz, nós recebe-los-emos com o prato frio da vingança. Em princípio, devo ir ver esse jogo. Cá em casa andamos, desde o Euro 2012, com vontade de ir a um jogo da Seleção mas estes primeiros são todos no Norte... Além de que ando há muito com vontade de visitar o Estádio da Luz.

Mas muita água há de correr, no que toca à Seleção e não só, antes desse jogo. Agora o nosso próximo adversário é a Irlanda do Norte. Temos de vencê-los para garantir que, para já, o Apuramento não descarrila.

E também para termos algo que contrabalance, nem que seja só levemente, a angústia derivada a mais um brutal aumento de impostos.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Em boa hora

No próximo dia 12 de outubro, sexta-feira, a Seleção Portuguesa de Futebol enfrentará, no Estádio Luzhiniki, em Moscovo, na Rússia, a seleção local. Quatro dias depois, receberá no Estádio do Dragão, a sua congénere norte-irlandesa (é assim que se diz, não é?). Ambos os jogos contarão para o Apuramento para o Campeonato do Mundo em Futebol, que terá lugar no Brasil, no verão de 2014. A Equipa de Todos Nós encontra-se, neste momento, reunida em Óbidos com vista à preparação destes dois encontros.

Os russos constituem um  adversário razoavelmente conhecido, tendo em conta jogos disputados com eles num passado relativamente recente, bem como o facto de jogadores como o Bruno Alves estarem familiarizados com o futebol daquele país.


Comecemos por recordar o segundo jogo da fase de grupos do Euro 2004. Lembro-me de este ter decorrido numa altura de grande contestação a Luiz Felipe Scolari, depois da derrota aos pés da Grécia, no jogo de estreia. Eu própria me sentia desconfiada - só apanhei o, já famoso por estas bandas, vírus da Seleção no Estádio de Alvalade, no jogo com a Espanha. De qualquer forma, a Seleção apresentou-se completamente renovada no segundo jogo desse Europeu, no Estádio da Luz. Lembrava-me - antes de o confirmar vendo os vídeos-resumo - que o primeiro golo foi marcado por Maniche e que o segundo resultou de uma bela assistência de Cristiano Ronaldo, em que Rui Costa teve, apenas, de empurrar a bola para a baliza com o pé. Ficou-me bem gravada na memória uma imagem, algo cómica, do Cristiano ouvindo as instruções de Luiz Felipe Scolari, pouco antes de ser lançado a meio da segunda parte, enquanto colocava adesivos nos brincos, ajudado por um ou dois assistentes. Igualmente bem gravados ficaram o lance do golo  e os festejos do, na altura, "puto" abraçado ao "cota" da Seleção.


O jogo seguinte com a Rússia deu-se quatro meses depois, no Estádio de Alvalade, desta feita contando para a Qualificação para o Mundial 2006. Foi a célebre goleada de sete bolas contra uma, uma verdadeira festa de golos. Segundo o que me recordava deste jogo, o Cristiano marcou dois golos, o Petit marcou outros dois, o Pauleta e o Simão marcaram um cada. Só agora, depois de ver o vídeo-resumo, é que me recordei que o outro marcador foi Deco. Outra coisa de que me recordei com este vídeo, foi que um dos golos do Cristiano Ronaldo foi um tiro espetacular, de fora da área. Ele sempre foi mágico...


O outro jogo com a Rússia, em setembro do ano seguinte, é, contudo, de má memória para o madeirense, visto ter sido disputado pouco após a morte do pai, Dinis Aveiro. É, de resto, a única coisa de que me recordo deste jogo, para além do resultado: um empate sem golos.


Anos mais tarde, a Rússia chegou mais longe do que nós no Euro 2008, tendo tido, inclusivamente, o mérito de expulsar uma prometedora Holanda. Falhou o Mundial 2010 e no Euro 2012 caiu na fase de grupos, não  sem antes golear a República Checa - a quem nós só ganhámos por uma bola tirada a ferros.

Em suma, a seleção russa é imprevisível, traiçoeira, capaz do melhor e do pior. Não podemos subestimá-a. Não a subestimaríamos de qualquer forma, pois está empatada connosco no topo da tabela classificativa, é a mais forte do nosso grupo, a seguir a nós próprios. Paulo Bento parece estar bem ciente disso pois já afirmou, mais do que uma vez, que a Seleção jogará para a vitória mas um empate pode, eventualmente, ser aceitável. A única coisa de que tenho a certeza é de que este será um jogo interessante, dos mais interessantes desta fase de Qualificação.

Devido à diferença horária, o jogo com a Rússia começará às quatro da tarde, cá em Portugal. Era para ter aula ou, caso conseguisse assistir mais cedo, ainda estar a caminho de casa a essa hora. Mas esta semana não terei essa aula, felizmente... ou infelizmente. Para ser sincera, gostava de ter uma desculpa para ouvir o relato radiofónico, que prefiro ao televisivo, mesmo que fosse durante a aula (não seria a primeira vez e até dava outro gozo... eh eh eh!). Assim, mais ninguém deve estar em minha casa a essa hora, mesmo o Twitter não deve ter grande atividade a essa hora... Acho que vou ver o jogo para um café ou assim.


Se a seleção russa é relativamente bem conhecida, o mesmo não poderei afirmar no que toca à Irlanda do Norte. Tanto quanto me recordo, tivemos um particularzito em 2005, acho que empatámos, mas não passa disso. Como já referi aqui no ano passado, aquando do sorteio para esta fase de Qualificação, são daquelas equipas que não têm nada a perder, que, não disputando connosco o Apuramento, podem fazer-nos perder pontos. Também requererá cuidados.


Não há muito mais a dizer, nesta altura do campeonato. Depois de três ou quatro anos de blogue sobre a Seleção, estes jogos de Qualificação já não dão grande material para escrita, pelo menos não para estas entradas pré-jogo. Acrescento, apenas, que estes dois jogos vêm em muito boa hora, pela parte que me toca. Estas últimas semanas não têm sido muito fáceis para mim. Agora sou eu que ando "triste", em vez do Cristiano - aliás, o Ronaldo parece tudo menos triste, anda a marcar dois ou três golos por jogo... Por meu lado, tenho tido uns dias difíceis, essencialmente pelos mesmos motivos de toda a gente: a crise, a austeridade, a incerteza em relação ao futuro, o stress do curso, a possibilidade bem forte de ser obrigada a emigrar quando terminar os estudos. Também não ajudou o facto de ter estado meio doente na semana passada. Uma simples constipação, mas que causou demasiado transtorno para algo benigno.

Como podem ver, tenho andado invulgarmente necessitada da Terapia das Quinas. E já tem dado frutos. Por causa das queixas de Cristiano Ronaldo aquando d'El Clásico, estava com medo que o madeirense ficasse de fora desta jornada dupla da Seleção. Mas tudo não passou de um susto. Foi um grande alívio quando o soube e até me senti entusiasmada com a perspetiva de termos este Ronaldo que marca dois ou três golos por jogo do nosso lado.

Sem pressão, Cristiano! Até porque ele ainda não recuperou totalmente da lesão. Os outros também terão de se mexer nestes dois jogos.

É a história do costume. A Seleção não resolverá nenhum destes problemas mas, se estes jogos e tudo o que está ligado a eles - o entusiasmo, eventuais momentos de futebol, a expetativa de uma presença no Mundial 2014 - ajudarem a afastar pensamentos negativos, a dormir melhor durante a noite, a ter um motivo para sobreviver aos próximos tempos, terá valido a pena. A história do costume.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Portugal 3 Azerbaijão 0 - Vitória + exibição = Boa noite de Seleção

Na passada terça-feira, dia 11 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu no Estádio Axa, em Braga, a sua congénere azeri. Foi um jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo em Futebol, que se realizará em 2014 no Brasil, que a Seleção levou de vencida por três golos sem resposta.

Vi este jogo na sua totalidade acompanhada pela minha irmã mais nova, como já se tornou hábito. As suas tiradas, de um humor entre o de menina reguila e de dondoca, dão sempre uma outra graça a tudo. No início, ela disse-me que a Seleção nunca havia ganho naquele estádio. O meu irmão, prático, fez-lhe ver que existem muitos estádios no planeta que nunca albergaram uma vitória portuguesa. E este era apenas o terceiro jogo da seleção naquela arena.

No entanto, mentiria se dissesse que a ideia da maldição do Estádio de Braga, o espectro do empate frente à Albânia há quatro anos naquele palco nunca me passaram pela mente durante os noventa minutos do jogo.

A Seleção entrou e campo com uma atitude completamente diferente com que abordara o jogo de sexta-feira. Este encontro foi de sentido único, disputando-se quase todo no meio campo azeri. A baliza dos nossos adversários esteve constantemente debaixo de fogo. No entanto, a bola teimava em não entrar.


Isto é já um problema crónico, um filme muito visto, protagonizado pela Equipa das Quinas: a finalização. João Moutinho, no final do jogo, falava em azar - mas eu também vi alguma aselhice na maneira como perdiam as bolas na grande área azeri. Algumas pareciam de propósito. A páginas tantas, a coisa torna-se psicológica, formando-se um ciclo vicioso. Não ajudava o facto de o guarda-redes azeri, depois de um frango no último jogo da sua seleção, estar inspirado naquela noite. 

Há uns tempos, ouvi a minha irmã a reclamar a propósito do seu clube:

- Porque é que todos os guarda-redes fazem os jogos das vidas deles sempre que jogam contra o Sporting?

Podia-se perfeitamente reformular essa pergunta, desta feita, para a Seleção. No entanto, pior do que o guarda-redes, era o poste.


Se não se justifica falar de uma maldição do Estádio Axa, o caso muda de figura no que toca aos ferros das balizas. Só neste jogo, enviámos umas seis ou sete bolas ao poste. Já na sexta-feira, tinham ido duas ou três. E isto já vem desde o Europeu. Não percebo o que é que existe entre a Seleção e a trave para os Marmanjos estarem constantemente a enviar-lhes as bolas... Não parece ser um relacionamento saudável, como dizia a Ana, uma das minhas seguidoras no Twitter, a Turma das Quinas parecia gostar demasiado de dar boladas aos ferros...

- Juro-te, o poste é o melhor guarda-redes de sempre! - chegou a reclamar a minha irmã.

No intervalo, o Ronaldo chegou a ir até aos ferros, como que para se certificar de que não havia nenhum íman escondido que estivesse a atrair a bola. Mas talvez a melhor solução seja aquela que o Record sugeriu: ir à bruxa.

No meio de tudo isto, há que louvar a atitude dos jogadores. Apesar de exibirem, ocasionalmente, sinais de ansiedade - a certa altura o Ronaldo começou a rir-se após os remates falhados, como se tivesse chegado àquela fase em que se ria para não chorar - a equipa nunca perdeu o norte, todo e cada elemento - incluindo aqueles como o Nani que nem sequer estavam a ter um desempenho brilhante - se entregou competamente ao longo de todos os noventa minutos de jogo.

Por outro lado, o que nos valeu foi o facto de o Azerbaijão não ter tido capacidade de tirar proveito da nossa falta de pontaria. Com outro adversário, a história seria diferente.


O momento alto do jogo foi a substituição de Miguel Veloso por Varela, aos sessenta e poucos minutos de jogo, seguida, ainda nem um minuto havia passado, do primeiro golo do encontro, marcado pelo homem que acabara de entrar. Mais uma vez, Varela fez de bombeiro da Seleção, de Salvador da Pátria, depois daquele inesquecível golo frente à Dinamarca. Não quero comparar as circunstâncias em que se marcaram os dois mais recentes golos do Marmanjo envergando a camisola das Quinas, mas ambos foram celebrados intensamente, com um misto de alívio e júbilo.

Este golo deu à equipa a confiança necessária para, mais uma vez, tal como disse a Ana, deixar os postes em paz e dilatar ainda mais a vantagem O primeiro a fazê-lo foi, mais uma vez, o Hélder Postiga, após uma bela assistência de Cristiano Ronaldo.


Tal como já tinha escrito no outro dia, parece que os jornais já perceberam, finalmente, que o Hélder até é bom jogador. Hoje assinalaram que o ponta-de-lança já tem uma média de golos superior à do Ronaldo - tal como já eu tinha dito antes do Europeu. Ainda ontem, no início do jogo, o meu irmão perguntava como é que ainda deixavam o Postiga jogar.

- Ui, agora irritaste a Sofia - comentou a minha irmã, divertida.

No entanto, engoli a irritação e nada disse. O Hélder falou por mim ao marcar o golo. Depois de o celebrar, virei-me para o meu irmão e perguntei-lhe.

- Que 'tavas a dizer sobre o Postiga?

Deste modo, neste momento, depois de muito ter defendido o Hélder, no blogue, no Facebook, na televisão, cada golo dele com a camisola das Quinas ganha um sabor especial, é uma prova de que tenho razão. 

Mas também, se formos por aí, cada golo que a Equipa de Todos Nós marca também é uma prova de que tenho razão, de que faço bem em apoiá-los incondicionalmente.


O golo de Bruno Alves - que já tinha marcado no último jogo frente ao Azerbaijão - surgiu três minutos mais tarde, quase sem darmos por ele, selando o resultado. Quando o árbitro apitou três vezes, fiquei com pena pois até estava a gostar do jogo.

Como podem calcular, fiquei satisfeita. Foi uma boa noite para a Turma das Quinas. Portugal amealhou mais três pontos, totalizando seis, neste momento, e fez uma exibição globalmente positiva, tirando os problemas na finalização. Gostei sobretudo do facto de a Seleção ter melhorado de um jogo para o outro. Daqui a um mês, enfrentaremos a Rússia, a nossa principal adversária neste Apuramento. Como quero que Portugal volte a amealhar seis pontos nessa dupla jornada, espero que a Equipa das Quinas esteja ainda melhor nessa altura, que continue a crescer à medida que a Qualificação avança.


Paulo Bento fez questão de abrir a Conferência de Imprensa que se seguiu ao jogo agradecendo ao público por, numa altura em que as coisas parecem cada vez piores a nível sócioeconómico, por terem vindo ao estádio. Fica bem o agradecimento. Há que, de facto, elogiar o público que foi impecável: puxando pela Seleção durante praticamente todo o jogo, sendo paciente perante os inúmeros ataques falhados. E a Seleção até retribuiu bem o apoio que lhe foi dado.

Cada vez mais pessoas, começando pelas trinta mil que foram ver este jogo, começam a aprender aquilo que já sei há, pelo menos, dois anos: neste momento, a Equipa de Todos Nós é a única instituição neste País que cumpre as promessas que faz, que retribui aquilo que recebe da nossa parte, que nos oferece consolo e alegria. Não resolve a crise, ao contrário do que o Onze Por Todos insinuava, mas dá-nos alguma força para lidarmos com ela. Eu própria tenho tido alguns dias complicados ultimamente. No entanto, agora, este tão desejado bom arranque de Qualificação, a expectativa dos próximos jogos, ajudar-me-ão a não ter medo do que aí vem. E estou certa de que também ajudará outras pessoas. É a conversa do costume, que tenho vindo a repetir desde há dois anos a esta parte. Espero que a Seleção continue a dar-me motivos para repetir estas palavras de esperança outra e outra vez.

domingo, 9 de setembro de 2012

Luxemburgo 1 Portugal 2 - Não havia necessidade

Na passada sexta-feira, dia 7 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere luxemburguesa por dias bolas a uma, naquele que foi o seu primeiro jogo da fase de Qualificação para o Mundial de 2014, que terá lugar no Brasil.

Estava praticamente toda a gente - eu incluída - à espera de uma vitória fácil e esmagadora. Mesmo que a Seleção não tivesse um desempenho brilhante, em princípio, a vitória chegaria sem dificuldades de maior. Não foi isso que aconteceu naquela noite.

Paulo Bento afirmara que a Seleção enfrentaria este jogo como se estivesse na fase final do Europeu. E, de facto, a maneira como entraram no jogo - lentos, desorganizados, trapalhões - lembrava-me o início dos jogos contra a Dinamarca e a Holanda. Acabou por não surpreender muito o golo do Luxemburgo - mas não deixou de ser um balde de água fira, cujo efeito nem sequer foi atenuado pelo calor que tem deito nestes dias. Dei por mim mordiscando o meu velho boné com os nervos, vendo a Seleção debatendo-se perante uma equipa na qual só jogavam três profissionais. Chegava a adquirir contornos caricatos, ridículos. Um dos jogadores é vereador. O Daniel da Mota, o luso-descendente que nos marcou o golo, trabalha num escritório durante o dia e só treina à noite. O guarda-redes é supervisor de um pavilhão desportivo ou algo do género. Havia momentos em que não sabia se devia rir ou chorar.



O golo de Cristiano Ronaldo aliviou um bocadinho os nervos. Curiosamente o abraço que trocou com o Hélder Postiga fez-me recordar o primeiro golo do jogo do ano passado, frente ao mesmo adversário. Nesse encontro, tinha sido o Hélder a marcar primeiro mas ele e o Ronaldo também se abraçaram. Fiquei com a ideia de que, em circunstâncias normais, o madeirense não festejaria um golo de empate mas, depois da polémica dos últimos dias, fez questão de agitar o punho em sinal de triunfo. E pronto, já toda a gente diz que ele está feliz de novo. 

Apesar dos golos, o ritmo do jogo manteve-se praticamente inalterado. Só depois da segunda parte é que os Marmanjos pareceram acordar para a vida: o golo do Hélder Postiga - executado de forma soberba - não surpreendeu.


Eu acho graça ao facto de só depois de o Hélder marcar é que as pessoas se recordam de todas as vezes que o ponta-de-lança já marcou pela Seleção, muitas vezes salvando-nos o couro - como, por exemplo, no Euro 2004, frente à Inglaterra. E anteontem. Ainda ontem, no Record, vieram falar da sua média de golos por jogo. Ninguém se recorda disso quando meia opinião pública contesta a sua Convocatória, quando os comentadores se queixam da falta de pontas-de-lança. Admito que o Postiga já fez os trinta, logo, já não lhe restam muitos anos de carreira, sendo, por essas e por outras, importante apostar em jovens como o Nélson Oliveira. No entanto, gostava que se desse mais valor àquilo que o Hélder faz pela Seleção.

Esperava-se que, depois deste golo, ficasse mais fácil marcar mais um ou dois tentos. No entanto, a Seleção continuava lenta e os luxemburgueses recusavam-se a render-se. Cheguei a uma altura em que só pedia para manterem o resultado - não me surpreenderia se a coisa ficasse, de novo, empatada.

Felizmente, tal não aconteceu. A Seleção conseguiu amealhar três pontos.


Fiquei bastante mais satisfeita com o resultado do que com a exibição. Não percebo como é que os luxemburgueses nos foram criar tantas dificuldades... Talvez seja como disse o Hélder, talvez já não existam adversários fáceis. Ou talvez, pura e simplesmente, não tenham levado o Luxemburgo a sério, apesar da promessa de Paulo Bento.

No entanto, três pontos são três pontos. Não me esqueci do que aconteceu há dois anos - ainda que, na altura, tivessem a desculpa do caso Queiroz. E também já tivemos uma dose exagerada de jogos em que dominámos em praticamente tudo exceto no marcador. Toda a gente prefere jogar mal mas ganhar, em vez do contrário. Não estou demasiado preocupada pois sei perfeitamente que a Seleção sabe jogar bem melhor do que isto, quando está para aí virada. Mas porque é que tivemos de sofrer tanto? Como dizia o outro, não havia necessidade...

Não é fácil ser adepto incondicional da Seleção...


Este jogo assemelhou-se imenso ao jogo com o Liechtenstein, em outubro de 2005, um a que fui assistir no Estádio de Aveiro. Também nesse começámos por estar a perder contra uma seleção amadora - acho que nunca me vou esquecer do velhotezinho isolado, apoiante do Liechtenstein, comemorando o golo - e vimo-nos gregos para virar o resultado. Tanto nesse jogo como neste, o mais importante foram os três pontos. A diferença é que, neste, foram os primeiros pontos a serem amealhados nesta fase de Qualificação. No jogo de 2005, os três pontos selaram-nos a Qualificação para o Mundial 2006.

Agora, tal como fiz em 2005, vou concentrar-me no lado positivo deste jogo, os três pontos amealhados. No entanto, estes não são suficientes para obtermos o bom arranque de Apuramento que desejo. Ainda falta ganhar ao Azerbaijão. Convinha jogar melhor do que se jogou na sexta-feira. O desempenho frente ao Luxemburgo foi suficiente para vencermos o Luxemburgo mas tenho medo que não seja suficiente frente aos azeris.

O que eu desejava mesmo era uma Qualificação imaculada, só com vitórias, como as últimas da Espanha. Mas o melhor é sempre encarar a viagem passo a passo, jogo a jogo. Para já, espero que Portugal ganhe o próximo, que dê mais um passo em direção ao Brasil. Que a viagem apenas acaba de começar.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Terapia das Quinas

Nos últimos dois dias, Cristiano Ronaldo tem sido protagonista de muitas capas de jornais, muitas notícias, muitas declarações, enfim, de toda uma polémica, daquelas bem sumarentas. Tudo isto consequência de umas declarações, após um desafio da Liga Espanhola que opôs o Real Madrid ao Granada, nas quais o jogador afirmou estar "triste".

De repente, transformámo-nos todos em psicólogos, tentando diagnosticar as causas desta tristeza do madeirense. Junto-me, por este meio, a essa onda. Analisemos então este assunto que, suspeito, tão cedo não sairá dos destaques do mundo desportivo.

Eu e a minha irmã, por acaso, assistimos a parte do tal jogo em que Ronaldo bisou mas não festejou. Por acaso, foi na altura em que publicava a entrada anterior do blogue, logo, não estava a prestar muita atenção. A minha irmã é que me disse que, depois de o madeirense ser substituído, parecia estar quase a chorar.

Tal situação recordou-me as lágrimas do Cristiano no Portugal-Holanda do Mundial 2006 aquando, igualmente, de uma lesão. Mostrei o vídeo desse momento à minha irmã e mostro igualmente aqui. Expliquei-lhe que as lágrimas se deviam, pura e simplesmente, a não poder jogar. Mas já volto a esse assunto.


Ainda antes de sabermos das declarações de Ronaldo, já nessa noite a minha mãe comentou que ele, de facto, parecia triste. No entanto, não deixei de ser apanhada de surpresa quando, na manhã seguinte, a minha irmã me disse que o Cristiano queria sair do Real Madrid.

Não demorei muito a ficar a par do que se passava realmente: o Ronaldo não dissera que queria sair do Real Madrid, apenas dissera estar triste. Desde essa altura, tenho, à semelhança de muita gente, interrogado-me sobre os motivos desta infelicidade do Cristiano.

Uma das hipóteses é tudo isto ser, pura e simplesmente, uma birra, um amuo, uma chamada de atenção. A minha irmã chegou mesmo a alegar que ele está "naquela altura do mês" - neste momento, é a piada preferida dela. Sei por experiência própria que essa altura é complicada, de facto, mas tenho um feeling de que não é disso que se trata.

Outra hipótese era um possível desentendimento com Mourinho e/ou com colegas de equipa. Contudo, esta foi depressa posta de parte pois Mourinho mostrou-se surpreendido com estas delcarações do madeirense. Além disso, já vários jogadores merengues vieram manifestar solidariedade para com o colega. Mesmo que estes últimos nada tivessem dito, o Cristiano não parece ser do género de ter zangas com companheiros de balneário, antes pelo contrário.


Há quem diga que ele está de mau humor por não ter ganho o prémio FIFA de Melhor Jogador do Ano. O Cristiano desmentiu logo esta teoria e, mesmo que não o tivesse feito, também não ia nessa. Não foi a primeira vez que o madeirense perdeu um prémio destes para outro jogador, ele deve saber lidar com isso. Se não sabe, já devia ter aprendido há muito tempo.

Uma das hipóteses mais faladas era isto ser uma tentativa de cravar um aumento. Muito se tem falado do Imposto Beckham ou lá o que é. Como seria de esperar, já li algumas opiniões ressentidas - eufemismo! - as redes sociais a propósito desta hipótese. A mim, custava-me a acreditar. Ele já é um dos jogadores mais bem pagos do Planeta, por amor de Deus! Será assim tão essencial receber ainda mais uns milhões? Será que estaria como o outro, será que o seu atual ordenado não lhe chega para as despesas? Não acreditava nisso, não queria acreditar nisso. A ser verdade, se ele tivesse criado toda esta confusão, perturbando o estágio da Equipa das Quinas, por dinheiro, o Cristiano desceria consideravelmente na minha consideração.

Como tal, fiquei satisfeita com a sua publicação no Facebook na qual afirmava que aquilo não tinha a ver com o dinheiro e exprimia a sua dedicação ao Real Madrid.

A hipótese que me parece mais provável é de que Ronaldo não se sente devidamente apoiado pelos dirigentes do seu clube. Ouvi mesmo um par de jornalistas espanhóis afirmarem que isto se trata, não de um desabafo espontâneo ma sim de algo ponderado, de um último recurso, de modo a que o clube o oiça.

Enfim, isto sou eu, somos todos nós a especular. Nenhum de nós sabe a verdade. Em todo o caso, o Cristiano deu a entender que tenciona explicar tudo isto, eventualmente.


Tenho acompanhado a carreira de Cristiano Ronaldo desde os seus tempos no Sporting, ou seja, há cerca de dez anos. Ele tem os seus defeitos, muitas vezes toma atitudes que não compreendo e/ou não aprovo. No entanto, existe muito nele que eu admiro. Ele agora é uma superestrela milionária mas foi ele mesmo que o construiu de raiz. Em criança, não tinha onde cair morto. Aos onze anos, veio sozinho para o continente, deixando a família para trás. Ao longo de anos, fez horas extraordinárias nos treinos, querendo sempre tornar-se ainda melhor do que já era. Orgulhamo-nos do facto de ele ser português mas, na verdade, Ronaldo pouco tem a ver com a mentalidade do nosso País - preguiçoso, invejoso, lamuriento, culpando todos menos ele próprio. O Cristiano nada tem a ver com isto, é um lutador, sempre o foi, se mais portugueses fossem como ele talvez não estivéssemos onde estamos agora.

Claro que ajuda sempre o facto de ele fazer o que gosta - nem todos têm esse privilégio. É outra coisa que admiro nele: a sua paixão, o facto de ele gostar de jogar futebol por jogar. Foi isso que disse à minha irmã quando ela estranhou o facto de o Cristiano ter chorado no jogo com a Holanda quando Portugal até estava a ganhar.

É por estas e por outras que Cristiano Ronaldo, para mim, é e sempre será, até mesmo depois de se retirar do futebol, o Melhor do Mundo. Como já disse em cima, mesmo que não goste de tudo o que ele faz - ainda não sei se inclua esta polémica na lista - apoiá-lo-ei sempre. Existem muitos miúdos a idolatrá-lo, a quererem ser como ele, a serem grandes jogadores de futebol como ele. Eu, contudo, aconselhar-lhos-ia a serem como ele, não no sentido futebolístico, mas no sentido de serem trabalhadores, lutadores, no que toca  aos seus próprios sonhos, às suas próprias paixões, estejam estas relacionadas com o desporto, a música ou a Medicina. 



No que toca a esta questão em específico, quer isto se trate de coisa de puto mimado ou de algo a sério, se pudesse dar um conselho ao Cristiano, dir-lhe-ia para fazer como eu: para procurar consolo na Seleção, a seguir a Terapia das Quinas. Não será muito difícil, com o bom ambiente que, ao que parece, já é característico da Equipa de Todos Nós. Dir-lhe-ia também para se vingar dando o seu melhor nos treinos e em campo, quer no Real, quer na Turma das Quinas. Tendo em conta a dedicação de Ronaldo ao seu clube, estou certa que cedo arranjará uma maneira de resolver esta situação. Para já, espero que dê uma alegria, por pequena que seja, tanto a si como a todos os portugueses, ao ajudar a Seleção Nacional a levar de vencida os dois primeiros jogos da Qualificação para o Mundial do Brasil.
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