quinta-feira, 28 de março de 2013

Azerbaijão 0 Portugal 2 - Faísca

Na passada terça-feira, dia 26 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou, em Baku, no Azerbaijão, a congénere da casa. O jogo terminou com dois golos de vantagem para a equipa visitante, cortesia de Bruno Alves e Hugo Almeida, permitindo a Portugal amealhar três pontos que nos mantêm na corrida por um lugar no Mundial 2014.

Finalmente.

Mais uma vez, vi-o em casa, com a minha irmã. Desta feita, não se encontrava mais ninguém connosco, pelo que não nos contivemos nos gritos de treinadoras-de-sofá-de-sala (desta vez, não houve necessidade de chamar nomes feios aos jogadores). Os vizinhos que nos perdoassem mas não é todos os dias que temos jogos da Seleção.

É claro que, quando o nosso pai chegou a casa, decorria a segunda parte, tivemos de nos portar bem.


O jogo correu mais ou menos conforme eu previa. Foi outro dejá vu. Desta feita, repetiu-se o outro jogo com o Azerbaijão, em setembro do ano passado, em Braga. A nossa última vitória antes deste encontro. A Seleção entrou em campo solta, enérgica. Montou a tenda no meio campo azeri e lá permaneceu, atirando o barro à parede, manifestando os habituais problemas na finalização. A costumeira bola ao poste ("Porque isto não era um jogo da Seleção se não houvessem bolas ao poste!!!, disse a minha irmãzinha), os costumeiros falhanços do Hélder Postiga (mais sobre isso mais à frente). E eu ia perdendo cinco minutos de vida a cada ataque português, cada remate falhado. O mesmo acontecia com os contra-ataques azeris que, no entanto, nunca constituíram grande ameaça, tirando uma situação ou outra. A defesa portuguesa pareceu-me melhor neste jogo. Pelo meio, Pepe arranjou maneira de ver o segundo amarelo do Apuramento (Porquê, Pepe???? Porquê???), excluindo-se do jogo com a Rússia.

Às vezes penso que seria mais saudável fumar do que assistir a jogos da Seleção. Ao menos um cigarro, supostamente, acalma os nervos...

As coisas não mudaram muito na segunda parte. Eu sentia, contudo, que o golo português não tardaria. Mesmo que a equipa azeri não se tivesse reduzido a dez elementos (cortesia - uma boa parte, pelo menos - da fita que o Pepe fez). Em todo o caso, Paulo Bento não deu tempo aos azeris de se reorganizarem, fez Hugo Almeida entrar.

E os golos surgiram. Primeiro de Bruno Alves e depois de Hugo Almeida.


Depois de um golo e uma parvoíce em Israel, no Azerbaijão Bruno Alves foi, indiscutivelmente, o herói. Como, de resto, já havia sido no jogo de setembro. É, aliás, curioso: já em 2007, também em casa azeri, o Bruno Alves e o Hugo Almeida haviam sido os artilheiros de serviço. Bem como em julho de 2009, na Albânia. Contando com a de terça-feira, estas três vitórias constituíram um importante ponto de viragem para as respetivas Qualificações.

O Bruno Alves e o Hugo Almeida não foram, contudo, os únicos a ajudar a Equipa das Quinas. Moutinho também se destacou depois de "reaprender a jogar em três dias" - não, não me vou pôr aqui a debitar postas de pescada sobre a polémica entre Pinto da Costa e Paulo Bento. Bem como Danny e, sobretudo, Vieirinha, que honrou a camisola de Cristiano Ronaldo.


Há quem diga que se notou a falta de Ronaldo e Nani. Não notei assim muito, para ser sincera. Obviamente a velocidade do Ronaldo e o inconformismo do Nani fazem sempre falta e talvez nos tivessem facilitado a vida na terça-feira. Mas a verdade é que, como já afirmei antes, o jogo não diferiu muito do de setembro passado e nesse tivemos os nossos extremos habituais.

De resto, não posso deixar de louvar a atitude do nosso capitão que, apesar de ter ficado excluído do jogo de terça-feira, fez questão de permanecer com a equipa.

Apenas fiquei um bocadinho triste por o Postiga não ter marcado desta vez. E, claro, como neste jogo não marcou, já caiu tudo em cima dele.

Bem, caem sempre em cima dele, quer marque quer não, não será por aí...


Não vou dizer que esteja propriamente satisfeita com o desempenho do Hélder. Começo a achar que ele falha demasiadas oportunidades flagrantes mas ainda me irrita que as pessoas se esqueçam tão facilmente de tudo o que ele tem feito pela Seleção, em particular no passado recente.

A ver o que acontece quando ele deixar a Seleção sem que haja um ponta de lança de jeito para o substituir.

Em todo o caso, apesar de achar que o Hélder se deve manter na titularidade, pelo menos por enquanto, o Hugo Almeida provou merecer mais oportunidades de jogar. E talvez seja bom para o Postiga sentir-se um bocadinho ameaçado.



Foi, de resto, uma das questões desta dupla jornada: o conservadorismo de Paulo Bento, a sua relutância em recorrer a jogadores fora do seu núcleo duro habitual. Eu até compreendo, por um lado. Já antes falei aqui da nossa excessiva dependência do onze-base do Euro 2012. São jogadores que já deram provas de qualidade, que já se conhecem uns aos outros há vários anos, possuem uma rotina. Compreendo que o Selecionador tenha medo de arriscar, em particular em jogos desta importância. Deus escreveu direito em linhas tortas nesta dupla jornada: não fosse a lesão de Nani e a expulsão de Ronaldo, Vieirinha não teria uma oportunidade de mostrar o seu valor. Quem é que, no seu juízo perfeito, abdicaria voluntariamente de Ronaldo ou mesmo de Nani?

Por outro lado, não sou capaz de ignorar aquilo que vem sempre à baila em todos os debates sobre a Seleção: o prazo de validade da equipa atual, a ausência de alternativas. Os comentadores desportivos têm todos razão: precisamos de sangue novo ou, daqui a uns anos, não haverá Seleção para ninguém!

Não existe muito a fazer em relação a isso, pelo menos para já. Por agora, o mais importante é a Qualificação, o facto de termos vencido um jogo pela primeira vez desde setembro. Finalmente. Depois de cinco jogos sem ganhar, na maior parte das vezes com exibições roçando o medíocre, tivemos finalmente uma vitória. Pode não ter sido uma vitória brilhante mais foi uma vitória. Também não esperava muito mais, para ser sincera. Isto sim, isto é Portugal! Não tanto como noutras ocasiões mais mais do que tínhamos recebido nos meses anteriores. Estamos vivos de novo!


Cerca de duas horas antes do início do jogo, apareceram na Internet excertos de músicas do álbum novo dos Paramore, homónimo. Uma delas, Last Hope, é já uma das minhas preferidas. Há um verso que se destaca: "It's just a spark, but it's enough to keep going...". A tradução é algo tipo: "É apenas uma faísca mas chega para me fazer continuar". E, curiosamente, este verso traduz perfeitamente a maneira como me sinto relativamente à situação da Turma das Quinas.

Ganhar aos azeris pode não ter sido mais do que a nossa obrigação para muitos mas, para mim, foi um pouco mais do que isso. Foi algo que nos devolveu a esperança. Com um pouco de sorte, será uma viragem de maré, será a faísca que nos incendiará para o resto da Qualificação. Começando pelo jogo com a Rússia, no Inferno da Luz.

Atenção! Quando falo aqui em fogo e incêndios é no sentido figurativo! O Estádio da Luz não precisa de mais incêndios!

A partir de agora temos de encarar um jogo de cada vez, como se estivéssemos numa fase final. Concentrarmo-nos em ganhar cada um à medida que forem chegando.

Mas haverá tempo para pensar nesses jogos. Faltam mais de dois meses para o próximo, até lá muita coisa pode mudar. Por agora, é-me suficiente o consolo de saber que a Seleção reaprendeu a ganhar, depois de todos estes meses de jejum. O que mais desejo, neste momento, é que não tenhamos outra desilusão tão cedo, que este consolo se prolongue o mais possível, que se torne mais forte em junho. Até lá...

segunda-feira, 25 de março de 2013

Israel 3 Portugal 3 - Dejá vu

Na passada sexta-feira, dia 22 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol entrou em campo com a sua congénere israelita, em Telavive. Tal confronto resultou num empate a três bolas. Um resultado abaixo das expectativas mas arrancado a ferros, que, tendo em conta o desempenho paupérrimo da Equipa das Quinas, quase parece uma vitória.

Começo a achar que se trata de uma maldição. Talvez nenhum jogo deste Apuramento esteja destinado a ser tranquilo. Ou talvez seja de propósito. Conforme diria a minha irmã, isto não daria "pica nenhuma" fazer uma Qualificação sem escorregadelas perante equipas "menores". Que piada teria?

Não levem a mal o sarcasmo mas uma miúda não é de ferro e, sinceramente, os Marmanjos andam a abusar da minha paciência. Já são cinco jogos sem ganhar, na maior parte dos casos sem sequer fazermos exibições decentes, são cinco entradas pós derrota-ou-empate. Não chega já?


Mas vamos ao jogo. Eu estava otimista, como sempre, e o golo madrugador do Bruno Alves ajudou a manter esse estado de espírito. Não achei que eram favas contadas, mas fiquei satisfeita com o bom arranque e achei que, finalmente, poderíamos ganhar um jogo.

Os jogadores é que, aparentemente, assumiram que eram favas contadas e, em vez que procurarem dilatar a vantagem, deitaram-se à sombra do resultado e da teórica superioridade sobre o adversário. Algo que eu julgava não combinar com a maturidade dos jogadores. Enganei-me redondamente. Quando demos por nós, perdíamos 2-1.

O pesadelo continuou na segunda parte, culminando no 3-1. Aí, pensei que estava tudo perdido. Felizmente, tal momento não durou mais do que um ou dois minutos, graças ao tento de Postiga, ainda no rescaldo do terceiro golo israelita. Até foi um bom timing, pois cortou, de certa forma, o efeito do 3-1 e relançou a equipa portuguesa. No entanto, teria dado muito mais jeito caso tivesse vindo aquando dos flagrantes desperdícios do Carteiro, durante a primeira parte.


Antes deste golo, nas redes sociais, toda a gente "batia" no pobre Hélder, esquecendo-se do facto de que ele era (e continua a ser) o melhor marcador português nesta fase de Apuramento. E, embora não me tivesse esquecido disso, desta feita não me apeteceu estar a defendê-lo. Continuava a achar que ele é subvalorizado - e esta semana descobri que o mesmo acontecia com Pedro Pauleta, no seu tempo. Pauleta, o melhor marcador português! - que é dos que mais tem feito pela Seleção nos últimos tempos. No entanto, podia fazer ainda mais se não desperdiçasse tantas oportunidades de outro. 

Além disso, estou farta de defender os jogadores e eles continuarem a fazer jogos destes. Já está na altura de eles me defenderem a mim, de provarem que tenho razão quando manifesto o meu apoio. 


Mas regressemos ao jogo. Como afirmei anteriormente, o golo de Postiga catalisou o despertar português. Os Marmanjos esforçavam-se por fazer em quinze minutos aquilo que haviam parado de fazer após o golo de Bruno Alves. E, de facto, acabámos por ser bem sucedidos, mesmo no último minuto da compensação. Também se tivéssemos falhado aquele lance, éramos um caso perdido. Eu e a minha irmã, com quem estive a ver o jogo, abraçámo-nos, como se aquele fosse o golo da vitória e não do empate. E assim terminou o jogo.

Os meus seguidores do Twitter e da página do Facebook deste blogue terão, certamente, reparado que, durante o jogo e respetivo rescaldo, estive de péssimo humor. Entre mim e a minha irmã, o sarcasmo atingiu máximos históricos. Ela, adepta do clube residente em Alvalade, chegou a afirmar:

- Isto é horrível, isto parece o Sporting! E eu não preciso de mais Sportings na minha vida!

Quanto a mim, passei uma boa parte dos noventa minutos com vontade de dar um par de estalos a cada um dos Marmanjos. Muito isto era calor do momento, evidentemente, da boca para fora. Na realidade, não seria capaz de cumprir tais ameaças, por múltiplos motivos (desde falta de coragem a demasiado afeto por eles). Quem nunca se enervou durante um jogo de futebol ao ponto de insultar um dos protagonistas, seja ele um jogador da sua equipa, da equipa adversária ou da equipa de arbitragem, pode atirar a primeira pedra, por favor. 


Às vezes, imagino-me assistindo aos jogos no banco de suplentes da Seleção, vivendo cada momento do encontro, sofrendo e festejando em conjunto com a equipa técnica e jogadores de reserva. No entanto, não será, se calhar, muito aconselhável, pelas reações momentâneas que descrevi acima. Não costumo praguejar abertamente mas, em jogos como o de sexta, não é raro eu chamar nomes aos jogadores. Nomes esses que, não sendo palavrões, também não são carinhosos. E evidentemente, não me convém que os destinatários oiçam tais insultos.

José Mourinho, no sábado, quando questionado acerca da situação da Equipa de Todos Nós, usou a expressão "dejá vu" para a descrever. E é, de facto, a mais adequada, na minha opinião. O treinador usou-a porque a Seleção Qualifica-se sempre resvés Campo de Ourique, sofrendo até à ultima jornada, mas Qualifica-se. Eu uso-a, não só pelo que acabo de referir, mas também porque este jogo recordou-me imenso o anterior embate de Apuramento, contra a Irlanda do Norte: também esse jogo foi encarado com demasiada leveza pela Seleção; os adversários aproveitaram-se de tal arrogância para se adiantarem no marcador; só na reta final do jogo é que os portugueses acordaram, em particular após o golo do Postiga; e embora a derrota fosse mais prejudicial às nossas aspirações de Qualificação, a Turma das Quinas não conseguiu melhor do que um empate, um resultado que, tendo em conta o suposto valor da equipa portuguesa, é claramente escasso.



O Pepe afirmou, no rescaldo do jogo com Israel, que Portugal tem de aprender com os erros cometidos - algo que a equipa não tem sido capaz de fazer. É estúpido! Este jogo podia ter corrido de maneira tão diferente! Se, apenas, não tivéssemos abrandado tão depressa após o golo do Bruno Alves, se tivéssemos feito o 2-0... Mesmo que não mantivéssemos o ritmo ao longo dos noventa minutos, mesmo que consentíssemos o 2-1, conseguiríamos, certamente, ganhar, com mais ou menos dificuldade.

Os otimistas destacam a maneira como conseguimos anular a desvantagem de dois golos em cerca de quinze minutos. Só que, embora tenha a noção de que este empate nos mantém na corrida, que este ponto arrancado a ferros pode vir a ser valiosíssimo mais à frente, não considero um grande feito emergirmos do buraco que nós mesmos cavámos, por negligência, sem necessidade.

A questão é a mesma de sempre: a teimosia da Seleção em escolher sempre o caminho mais difícil. Nos dias que antecederam o jogo com Israel, toda a gente fez questão de dizer que o jogo não era "decisivo", para aliviar a pressão sobre a equipa. Acho que fizeram mal. Está mais que provado que não se pode dar demasiada corda aos Marmanjos porque eles enforcam-se nela. Que estes só são capazes de jogar com o Sistema Nervoso Simpático ativado, sob o efeito da adrenalina.


Bem, agora vamos jogar com o Azerbaijão sem Ronaldo - a única coisa que este conseguiu fazer em Israel foi assistir para o golo do Hélder, ver o segundo amarelo da fase de Apuramento e pouco mais - e sem Nani, outros em dúvida, com a margem de erro completamente esgotada. Talvez isto forneça adrenalina suficiente para eles se mexerem a sério. Até porque existe ainda a agravante de o pior segundo classificado de todos os grupos de Qualificação ficar excluído dos playoffs. Mas podia ser pior. Em princípio, o Azerbaijão não terá capacidade de nos colocar problemas. Da última vez que jogámos com eles, ficámos à vontade para lutarmos contra a nossa falta de pontaria, até o Varela entrar e quebrar o gelo. Mas sublinho, mais uma vez, o "em princípio". Não me admirava se, mesmo assim, os portugueses inventassem algo que jogasse contra eles...

Em todo o caso, nada está perdido ainda. Mesmo que a Seleção esteja quase voluntariamente a tomar o caminho mais difícil até ao Brasil, quando podíamos estar a ter uma Qualificação sem drama de maior, sem calculadoras, o que interessa é chegar lá. E estou convencida de que vamos chegar lá. Como já afirmei aqui, considero sempre a Qualificação da Turma das Quinas para as fases finais como quase garantida. Talvez seja irrealista, talvez eu esteja mal habituada, mas só muito raramente coloco isso em causa. E esta ainda não é uma dessas ocasiões.

Há quem afirme que é por falta de talento que a Seleção anda em dificuldades, mas não acredito nisso. Que diabo, esta é essencialmente a mesma equipa que chegou às meias-finais do Euro 2012 no ano passado!!!! Se eles estiverem para aí virados, não existe motivo nenhum para falharmos o Apuramento. E não haverá, certamente, nenhum jogador português que queira ficar a ver o Mundial pela televisão. Comecemos, para já, por ganhar no terreno azeri, por ganhar pela primeira vez desde setembro do ano passado. Depois logo se vê.

E se aqueles totós me obrigarem a escrever outra entrada pós derrota ou empate a propósito do jogo de terça-feira, haverá sangue!

Estou a brincar, evidentemente... 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Tolerância Zero

Na passada quinta-feira, 14 de março, Paulo Bento divulgou os Convocados para a próxima jornada de Qualificação para o Campeonato do Mundo de Futebol, a realizar-se no próximo ano, no Brasil. Nesta jornada, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere israelita no próximo dia 22. Quatro dias mais tarde, jogará contra a seleção azeri. Nesta convocatória, destaca-se, entre outros aspetos, a Estreia de Vieirinha, substituindo o lesionado Nani, e a dúvida relativamente à aptidão de João Moutinho.

A ausência do avançado do Manchester United dos Convocados deixou-me triste. O pobre Nani não tem tido uma vida fácil nesta época. Tem-se esforçado por ultrapassá-lo, ultimamente, por provar o seu valor, com a garra que o caracteriza. No entanto, o Destino insiste em conspirar contra ele! Primeiro com o cartão vermelho no jogo contra o Real Madrid e, agora, com esta lesão que o impede de vestir a camisola das Quinas. Ele tem mesmo de ir à bruxa, coitado...

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Em todo o caso, o Danny está de volta e ele já anteriormente fez um bom trabalho substituindo Nani - no jogo contra Moçambique, no malfadado dia em que Nani foi obrigado a abandonar a Equipa de Todos Nós, em vésperas do Mundial 2010. E como já jogou com esta Seleção, mesmo tendo em conta a sua ausência prolongada, talvez se adapte bem à equipa. Pelo menos melhor do que um estreante como o Vieirinha - ainda que este tenha marcado um golo no fim de semana anterior a este.

Na verdade, mais preocupante será a eventual ausência de João Moutinho, também por lesão. Ele foi Convocado à mesma, mas será hoje reavaliado. Tenho andado a fazer figas para que ele recupere a tempo dos jogos, pois ele é o tipo de jogador cuja ausência terá impacto no desempenho de uma equipa. Lembro-me sempre da frase pronunciada, se não me engano, por um dos comentadores durante o jogo contra a Irlanda do Norte que, mais tarde, apareceria nas redes sociais: "O João Moutinho, mesmo quando joga mal, joga mais ou menos":  uma frase tosta mas verdadeira.

Este não será o único fator a jogar contra nós nesta dupla jornada de Qualificação. Há que ter em contra que vamos jogar fora, que a viagem até à terra prometida, onde esperamos que o leite e o mel sejam para nós, e depois até ao Azerbaijão, trará algum desgaste.


Ao longo dos últimos meses, no entanto, esgotei a minha paciência no que toca a este tipo de desculpas, umas mais esfarrapadas do que outras. Apesar de não saber quase nada sobre a seleção israelita, toda a gente garante que esta se encontra ao nosso alcance. Os azeris, então, estão definitivamente ao nosso alcance, conforme ficou provado em vários jogos do passado recente, incluindo um há seis meses. Mesmo que tenhamos o azar de jogar amputados de Moutinho (três vezes na madeira, só para o caso), desde que os Marmanjos tenham a cabeça no lugar e deem tudo o que têm em campo, não existe motivo nenhum para não obtermos as vitórias de que precisamos, com mais ou menos dificuldade, com mais ou menos golos. Não será pedir muito a uma equipa que, no ano passado (custa a acreditar que já se passaram nove meses), ficou entre as quatro melhores da Europa. Ainda que Paulo Bento tenha dito que o próximo jogo não é decisivo, estou farta de empates e derrotas. Não me levem a mal mas já perdemos e empatámos tudo o que tínhamos para perder e empatar. Agora é tolerância zero!

O jogo contra Israel realizar-se-à dia 22 de março, sexta-feira, às 12h45, hora portuguesa. Dia 26, jogaremos com o Azerbaijão às cinco da tarde. Horas que não darão muito jeito a muita gente. Mas podia ser pior, pois coincide com as férias da Páscoa escolares. Com um pouco de sorte, o Twitter não estará completamente deserto, como esteve aquando do jogo contra a Rússia. Só entro de férias mesmo na sexta-feira, dia 22, mas termino a tempo de ver o jogo. E se terça-feira, dia 26, fosse um dia normal, teria dificuldades em acompanhar o encontro frente ao Azerbaijão. Talvez publique outra entrada ainda antes do jogo com Israel, mas duvido que, até lá, aconteça algo que o justifique. Em todo o caso, manterei a página do Facebook atualizada com todas as novidades que forem surgindo ao longo da preparação desta jornada dupla.


Não preciso de invocar os motivos pelos quais duas vitórias da Equipa de Todos Nós, sobretudo em jogos desta importância, viriam mesmo a calhar. Sobretudo depois das recentes previsões de um futuro ainda mais negro. Se não se recordem, consultem as entradas dos últimos... dois anos. Os Marmanjos devem-nos isto desde outubro. Está na hora de tornarmos a provar que somos grandes, que somos dos melhores do Mundo não apenas na teoria. E podemos começar já na sexta-feira!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Portugal 2 Equador 3 - Ano novo, equipamento novo, os disparates do costume

Na passada quarta-feira, dia 6 de fevereiro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu, o Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, a sua congénere equatoriana, num jogo de cariz preparatório. No fim do encontro, o marcador assinlavava 3-2 a favor da equipa visitante.
A História recente voltou a repetir-se de uma forma que começa a ganhar contornos alarmantes. Este era mais um jogo em que tínhamos todas as condições para ganhar ou, pelo menos, para não perder. Eu tinha um bom pressentimento, ainda que não deixasse de recear que os Marmanjos metessem água outra vez. Ainda não estava em casa aquando do início do jogo. Estava no carro com a minha irmã, ouvindo o relato na rádio. Cantei o hino com uma mão no volante e outra no coração. A minha irmã até me pediu para irmos mais devagar, de modo a podermos desfrutar do relato radiofónico durante mais tempo.
O jogo não começou mal para o nosso lado, com uma primeira tentativa de golo no primeiro minuto. Agora penso que o jogo poderia ter tido uma história diferente caso o Hélder Postiga tivesse inaugurado logo o marcador. Mas, na altura, fiquei satisfeita por, aparentemente, a Seleção ter entrado em campo com vontade de fazer um bom jogo.
No momento seguinte, ouvi de passagem que os equatorianos tinham pegado na bola. Isto porque encontrava-me a debater com a minha irmã. Esta, uma fan girl do Rui Patrício, ao descobrir que o Eduardo estava na baliza em vez do guarda-redes do Sporting, amuara. Estava eu a defender o guardião titular, explicando à minha irmã que o Eduardo mantivera as nossas balizas invioladas durante jogos e jogos a fio, aquando do Mundial 2010 e respetiva qualificação, quando os equatorianos marcam, num lance em que o guarda-redes português teve culpas no cartório.
Obrigadinha, Eduardo!

Como poderão imaginar, a minha irmãzinha ficou logo numa de eu-bem-avisei assim permaneceu até bem depois dos noventa minutos. A defesa não ficou bem na fotografia aquando do primeiro golo do Equador mas, segundo a minha irmã, isso não seria problema para Rui Patrício, visto que o guardião está habituado a jogar atrás de "defesas parvas" no Sporting. O jogo acabaria por dar-lhe razão e eu própria tive de concordar que a história do encontro poderia ter sido diferente caso o Patrício tivesse jogado.
Coisas que acontecem quando duas "especialistas" do futebol vivem na mesma casa...
No entanto, Paulo Bento tinha de dar uma oportunidade a Eduardo. Como o Selecionador afirmou posteriormente, na Conferência de Imprensa de rescaldo do jogo, o plano era usar os dois guarda-redes suplentes nestes dois particulares. Contra o Gabão jogou o Beto, contra o Equador jogou o Eduardo. Não foi culpa de Paulo Bento que este último guarda-redes tenha desperdiçado a oportunidade e feito aquelas asneiras...


Felizmente a equipa reagiu bem ao golo sofrido, impulsionada por Cristiano Ronaldo - a semelhança de muitos outros jogos, o madeirense foi um dos mais inconformados, mesmo sem estar a cem por cento, nas suas palavras. Durante algum tempo tivemos Seleção a sério - algo a que não havíamos tido direito nos últimos dois jogos. O primeiro golo das hostes lusitanas resultou de um belo rasgo de criatividade, com o Coentrão dando um toque e calcanhar e Ronaldo, num gesto de mestre, ajeitando a bola e rematando, sem hipótese para o guarda-redes do Equador. Primeiro golo do ano!

No início da segunda parte, começava a adivinhar-se o segundo golo da Equipa das Quinas. Este acabou por surgir aos sessenta minutos. Marcado por Hélder Postiga - provando, uma vez mais, ser merecedor da minha teimosa fé nele - embora a jogada tivesse sido iniciada por Ronaldo e Nani tenha assistido. Foi, na verdade, um golo proporcionado pelo nosso trio de ataque, pela minha troika de jogadores preferidos.

Durante um minuto estive felicíssima. Depois de todos estes meses, a Seleção estava prestes a ganhar um jogo de novo! Estávamos de volta! No entanto, a Fortuna não deixou este engano de alma, ledo e cego, durar muito. Nem chegou a dois minutos.


Juro que não percebo que raio passou pelas cabeças de João Pereira e Eduardo, para fazerem aquele disparate. Faz lembrar o golo da Noruega no jogo de setembro de 2010 mas, nessa altura, tinham a desculpa do caso Queiroz. Porquê, João Pereira? Porquê, Eduardo? Vocês até são tipos simpáticos, deram-nos autógrafos quando eu e a minha irmã fomos ao Jamor, porque é que foram fazer aquela parvoíce?

Não é de admirar que a equipa tenha ido abaixo depois disto, sobretudo tendo em conta que jogadores como Cristiano Ronaldo, Nani, Raúl Meireles e Hélder Postiga foram substituídos nos minutos seguintes. Tenho de ser justa, o terceiro golo dos equatorianos não foi nada mau, o Eduardo pouco poderia fazer. Nem quero recordar-me do resto do jogo. Referir apenas que até houve uma bola à trave, por Custódio, só para a festa ser completa.


Que posso eu dizer que já não tenha dito em várias entradas ao longo do último ano, em particular nas últimas três ou quatro? Já não percebo se esta série de maus resultados é azar, é incompetência, sei lá... O jogo não foi completamente mau, é certo. Como disse acima, tivemos bons períodos mas depois deitámos tudo a perder com infantilidades. Não culpo o João Pereira nem o Eduardo. Eles já fizeram muito pela Seleção anteriormente, em particular o último. E foi bom isto ter acontecido num particular, num jogo sem consequências em termos pontuais. Com um pouco de sorte, eles aprenderão com estes erros e não tornarão a cometê-los, muito menos quando fora a doer.

O melhor deste jogo foi mesmo ter sido um particular, pois aconteceram coisas que dificilmente aconteceriam num oficial: o Rui Patrício teria, provavelmente, sido titular; Paulo Bento não faria tantas alterações ao onze inicial; os jogadores esforçar-se-iam um bocadinho mais - embora não se possa dizer que não tenham tentado levar o jogo a sério.

Começa a ser um filme demasiado visto. Campanhas publicitárias para vender bilhetes, pedidos de apoio, de moldura humana, intenções de começar o ano da melhor maneira, com equipamento novo e tudo - em suma, uma dose saudável de circo. As pessoas aderem, compram os bilhetes, vão até ao treino cantar os parabéns ao Cristiano Ronaldo, mas os jogadores não são capazes de retribuir isto tudo. E já não é a primeira nem a segunda vez! Aconteceu antes do Euro 2012, com a Macedónia e com a Turquia - este jogo, aliás, teve imensas semelhanças com o particular de junho último, no Estádio da Luz - aconteceu no Dragão, com a Irlanda do Norte.


Um aparte só para dizer que a minha superstição "confirmou-se". Se tiverem seguido a página do Facebook deste blogue, saberão que não fiquei muito entusiasmada com o equipamento preto. Da última vez que a Seleção teve um equipamento dessa cor, entre 2006 e 2007, esteve sempre associado a maus resultados. A única vitória obtida com os Marmanjos vestidos de negro foi, se não me engano, coutra o Luxembrugo. Receio que o preto dê azar à Seleção. Não digo que tenhamos perdido por causa do equipamento, mas no futebol há sempre uma certa margem para a superstição.

Além de que, superstições à parte, não acho que o preto tenha muito a ver com a Turma das Quinas. O vermelho é a verdadeira cor da Seleção, penso eu. Simboliza paixão, garra, vida e os tons usados nos equipamentos não o fazem de uma forma berrante, agressiva, mas sim de uma forma sofisticada, elegante. Mesmo o verde e o branco são cores mais adequadas, a primeira por simbolizar a esperança, a segunda por ser uma cor pura, leve, e por os últimos equipamentos desta cor estarem muito bem feitos. O preto simboliza luto, tristeza e a Seleção é alegria - ou devia ser...

 A sorte daquela gente é o facto de a próxima jornada dupla ser fora. Com que cara é que iam pedir, mais uma vez, para as pessoas irem ao Estádio? Já achei que houve alguma lata em pedirem moldura humana em Guimarães... Começo a ficar um bocadinho farta de pedir e esperar por bons resultados e ter, constantemente, os Marmanjos a trocar-me as voltas.

Bem, desta vez - mais uma vez - passa. Afinal de contas, foi apenas um (outro) particular. E afinal, como outros têm recordado, antes do Euro 2012 estávamos numa situação semelhante e toda a gente viu o que aconteceu depois. A atitude é a mesma de sempre: recordar outras crises por que a Seleção passou e que foi capaz de ultrapassar, por vezes de forma milagrosa; acreditar que os Marmanjos conseguirão ultrapassar isto também.
É bom que o faça. A Turma das Quinas já esgotou todas as margens de erro de que dispunha, a partir de agora é tolerância zero. Está na altura de vermos o lado positivo da mania que a Seleção tem de escolher sempre o caminho mais difícil. Está na altura de a Equipa de Todos Nós cumprir as promessas que nos tem feito. Agora, venham Israel e Azerbaijão!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

À espera que a maré mude

Primeira entrada de 2013! Bom ano a todos! Na próxima quarta-feira, dia 6 de fevereiro, a Seleção Portuguesa de Futebol enfrenta a sua congénere equatoriana, num jogo de carácter particular. O palco de tal encontro será o Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães - o berço da nação e, este ano, a Cidade do Desporto.

Os Convocados foram divulgados ontem, dia 1 de fevereiro. Não há novidades de maior. O Pepe está lesionado há já uns dias. De ontem para hoje, Rúben Micael e Hugo Almeida lesionaram-se também, levando à Chamada de André Martins e Nélson Oliveira, respetivamente, para ocuparem os lugares vazios. A maior novidade acaba por ser o regresso de Danny após longa ausência - tão longa que não me recordo do seu último jogo envergando a camisola das Quinas. Terá sido com o Chipre, em setembro de 2011? Seja como for, chega em boa hora, numa altura em que precisamos de soluções.


Já que falarmos de ausências prolongadas, na Conferência de Imprensa de divulgação da Convocatória, foi referido o pedido de desculpas que Ricardo Carvalho terá feito numa reportagem da SIC. Paulo Bento não comentou.

Na minha opinião, já era altura de o Selecionador reconsiderar. Acho que o jogador já foi suficientemente castigado. Já passou quase um ano e meio desde os incidentes que todos conhecemos, o Ricardo já deu a entender, várias vezes, que está arrependido. Além de que, numa altura em que dependemos excessivamente de um núcleo duro de jogadores, dava-nos jeito um Marmanjo com um longo historial de ajuda à nossa Seleção entre as opções. No entanto, conforme estive a comentar no Facebook com o administrador de outro blogue sobre a Seleção Portuguesa - que também tem página nesta rede social - é altamente improvável Paulo Bento mudar de ideias. A única maneira de Ricardo Carvalho, eventualmente, ser perdoado seria se o jogador falasse diretamente com o Selecionador. Mas continua a ser uma hipótese remota.


Não sei muito sobre a seleção do Equador. Apenas que se encontram no décimo-segundo lugar do ranking da FIFA, à frente de seleções como a Noruega, a Dinamarca, a França e o Brasil(?!). Já não é a primeira vez que exprimo aqui as minhas dúvidas relativamente à credibilidade deste ranking mas, de qualquer forma, isto pelo menos demonstra que, ainda que não tenham o prestígio ou a sonoridade de uma Espanha ou uma Alemanha ou uma Argentina, não serão, certamente, uma daquelas seleções convidadas apenas para permitir uma vitória fácil à equipa da casa. Talvez seja o suficiente para motivar os jogadores a fazerem um particular acima da média.



A conversa de Paulo Bento na Conferência de Imprensa foi a costumeira. Eles dizem sempre que querem fazer "o melhor jogo possível" mas depois, no fim dos desafios, vêm com as igualmente costumeiras desculpas esfarrapadas. Paulo Bento já havia pedido uma moldura humana em Guimarães; as campanhas do Continente para a venda de bilhetes já arrancaram há dias. Neste jogo uma parte das receitas reverterá para a Missão Sorriso - é sempre louvável o uso do futebol para este tipo de campanhas. No entanto, essa gente toda parece ter-se esquecido do que aconteceu da última vez que se pediu uma moldura humana para a Equipa de Todos Nós: aquele desgraçado empate com a Irlanda do Norte.

Se Paulo Bento quer continuar a pedir apoio aos portugueses, tem de pôr a equipa a jogar como deve ser. Conforme afirmei na revista de 2012, não fechámos o ano da melhor maneira. Precisamos de virar a maré. Precisamos de um 2013, se não "memorável", como afirmou o presidente da Federação, pelo menos mais tranquilo que 2012, com um desfecho mais feliz. Podíamos começá-lo já na quarta-feira. Até porque o Cristiano Ronaldo fará anos na véspera - um aparte só para dizer que espero que, no único treino de preparação deste particular, o público acorra em força e cante os parabéns ao madeirense. Um bom presente, tanto para o Cristiano como para todos nós, seria uma vitória da Turma das Quinas na quarta-feira. Ou, pelo menos, uma boa exibição. Uma prova de que foi esta a equipa que chegou às meias-finais do Euro 2012, só não conseguindo vencer a Espanha por pouco. Só espero não estar de novo a sonhar demasiado alto. Até porque as últimas quedas ainda doem...

domingo, 30 de dezembro de 2012

Seleção 2012



Mais um ano encontra-se à beira do fim, mais um ano encontra-se à beira do início. Eis a já tradicional revisão do ano.

Depois de um 2011 relativamente tranquilo, estável, tirando uma ou outra ocasião, 2012 foi de novo um ano algo agitado, com muitos altos e baixos. Não que o oposto fosse de esperar, já que foi ano de Campeonato Europeu. No início de 2012, a Seleção Nacional vinha de uma Qualificação difícil mas triunfante, com um encerramento particularmente apoteótico. Tal euforia fora, contudo, contrariada pelo sorteio da fase de grupos, que ditara que Portugal partilharia o grupo com a Alemanha - vice-campeã europeia - a Holanda - vice-campeã mundial - e a Dinamarca - seleção que nos complicara a vida à grande e à dinamarquesa nas últimas duas fases de Qualificação.


O primeiro jogo da Seleção do ano deu-se a 29 de fevereiro; um particular frente à Polónia, ma das anfitriãs do Europeu, a propósito da inauguração de um dos estádios que serviria de palco à fase final. A calendarização deste jogo provocou alguma polémica, visto este ter-se realizado apenas dois dias antes do Benfica-Porto - os jogos da Seleção nunca são convenientes, pelo que se vê. Esta foi a primeira oportunidade que a Turma das Quinas teve para se reunir em mais de cem dias, a última oportunidade que Paulo Bento teria de estar com os jogadores antes da Divulgação dos Convocados antes do Euro 2012.

Este jogo ficou marcado pela estreia de Nélson Oliveira entre os Convocados, bem como da nova presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Humberto Coelho e João Pinto passaram a fazer parte da comitiva. Embora não possa avaliar o trabalho da FPF noutros ramos do futebol, tenho de admitir que durante o Euro 2012, a estrutura federativa fez um bom trabalho na Seleção. O que provavelmente contribuiu para o bom percurso que fizemos.


Mas regressemos ao Portugal x Polónia. Aquando deste jogo, aparentemente, a atmosfera era positiva dentro da Seleção. Aquando deste jogo aparentemente, a atmosfera era positiva dentro da Seleção. Os jogadores pareciam felizes por estarem de novo juntos, pareciam possuir espírito vencedor e motivação para fazerem um bom particular.

Tais promessas ficaram por cumprir.

O particular, que terminou com o marcador inalterado, revelou-se igual a tantos outros realizados pela Seleção ao longo dos últimos anos. A primeira parte foi boa, com algum carácter, a segunda não foi tão boa. Destacaram-se Nani e Rui Patrício. As muitas oportunidades falhadas davam os primeiros indícios dos problemas na finalização que assombraram a Equipa das Quinas ao longo de praticamente todo o ano.


Tais problemas são, para mim, o maior enigma deste ano. Durante todo o Apuramento a finalização nunca foi um problema, nós terminámos 2011 com uma goleada, que aconteceu em 2012?

Ninguém pareceu demasiado preocupado com tais sinais, quase ninguém levou o particular a sério. A temporada de clubes estavam bem ativa, o Europeu estava demasiado distante no tempo para que alguém perdesse demasiado tempo pensando num particular da Seleção.


As atenções só se voltaram a sério para a Turma das Quinas mais de dois meses depois. Os Convocados para o Europeu foram anunciados a 14 de maio. Esse foi, definitivamente, um dos dias mais emocionantes de 2012, melhor do que o Natal. Guardo imensas recordações: passar o dia a atualizar a página do Facebook, ouvir programas relativos ao tema na rádio, contar as horas até à Divulgação, acompanhá-la radiofonicamente, bem como o respetivo rescaldo, na aula, no átrio da Faculdade, no carro. A Convocatória foi razoavelmente isenta de polémicas, embora a opinião pública se dividisse no tocante a certos nomes, como o habitual.

O estágio de preparação do Europeu começou alguns dias mais tarde. A primeira parte decorreu sem incidentes significativos, tirando a lesão de Carlos Martins e consequente chamada de Hugo Viana. Nessa altura, achei mesmo que andava-se a dedicar demasiado tempo de antena à Seleção, quando ainda não havia razões para tal.


Ao fim da primeira semana de estágio, disputou-se um particular com a Macedónia. Um jogo aborrecido, insonso, de contenção. No entanto, tendo-se realizado numa fase relativamente precoce da preparação para o Europeu, não houve grande drama.

O mesmo não aconteceu uma semana mais tarde, no particular com a Turquia, na Luz. Um jogo que tinha tudo para correr bem, que se realizou em casa cheia, num ambiente eletrizante. E a Seleção até entrou menos mal, em sintonia com a vibração do público. Só que as dificuldades na concretização vieram ao de cima, os turcos fizeram pela vida, o Ronaldo falhou um penálti, o último golo que sofremos podia muito bem ser incluído numa compilação de apanhados do futebol de 2012 


Agora que penso nisso, este ano tivemos demasiados jogos desse género, em que tínhamos tudo para ganhar mas acabámos por ter exibições roçando a mediocridade. Contra a Macedónia, contra a Turquia, contra a Irlanda do Norte...

A única coisa boa do jogo foi o golo do Nani; o primeiro golo da Seleção do ano - em junho... - mas o único do jogador do Manchester United, algo que é atípico...

Se ainda deixei passar o empate com a Macedónia, este deixou-me mesmo zangada. Por, depois de tanta promessa, tanto pedido de apoio, os Marmanjos não corresponderem dentro de campo. E, como se não bastasse, ainda virem com desculpas esfarrapadas e reagirem com arrogância às manifestações de desagrado dos adeptos (leia-se: aos assobios). E não fui a única a sentir-me assim.



Mas já lá vamos. Não posso deixar de falar da minha aparição no programa A Tarde é Sua dedicado à Equipa das Quinas. Outro dos momentos altos deste ano em termos pessoais. Foi um dia de muitos nervos, mas diverti-me imenso. Tive a oportunidade de conhecer a equipa por detrás do Hino da Seleção 2012 - Paulo Lima, Catarina Rocha (que lança em breve o seu primeiro CD), Eduardo Jorge, a Alexandra e a Mafalda - que, de resto, para mim foi uma das músicas mais marcantes deste ano; falei do meu livro, da referência ao Ronaldo - um aparte só para comentar que, hoje, diz-se muito que ele e o Messi são de outra galáxia. Talvez inclua a possibilidade de o Ronaldo ter vindo do planeta Minerva nas sequelas ao meu livro... - do vírus da Seleção, do Hélder Postiga - que, mais tarde, retribuiria tais declarações. Um dia que nunca esquecerei.

Estávamos, agora, em vésperas da nossa estreia no Europeu e a polémica estalou. Como é habitual, as primeiras críticas abriam caminho a outras, algumas justificando-se outras não, tudo isto à boleia dos últimos maus resultados - o buraco por onde todos se enfiaram. Falou-se de "circo", do poder das patrocinadoras, dos sinais exteriores de riqueza ostensivamente exibidos pelos jogadores, do tempo de antena conferido à Seleção, etc. O mais triste foi termos tido um ex-selecionador associado a tal polémica.


Há quem diga que esta má imprensa contribuiu para diminuir as expectativas, para dar alguma sobriedade ao grupo, aumentando-lhes o desempenho. Paulo Bento recusou-se a dar mérito às pessoas que se alimentaram das machadadas à credibilidade da Equipa das Quinas. Eu também não quero fazê-lo, em parte por uma questão de princípio, em parte porque, a ter contribuído para o sucesso da Seleção, tal contributo terá sido pouco significativo quando comparado com o trabalho de equipa, a união.

Por outro lado, não concordo com o que o Paulo Bento disse, a certa altura, ao referir que algumas pessoas estariam a torcer contra Portugal. Se houve coisa de que me apercebi neste Europeu, pela primeira vez em seis anos, foi que, nas grandes vitórias da Seleção, todos os portugueses ficam felizes. Mesmo os que habitualmente adoram odiar a Equipa de Todos Nós, mesmo os mais clubistas, mesmo os que se queixam da atenção dada ao futebol, mesmo - sou capaz de apostar - o Rui Santos, tirando, talvez, o Pinto da Costa (e mesmo assim...) ninguém ficou chateado com as vitórias da Seleção no Euro 2012. Isso foi o melhor desta fase final e é isso que eu e o Paulo Bento gostávamos de ver fora das fases finais.


Mas regressemos à nossa estreia no Europeu, frente à Alemanha. Um jogo que perdemos por uma bola a zero. Não foi um mau encontro, Portugal mostrou argumentos. Só que teve demasiado respeito pelo adversário, acordou demasiado tarde e a Alemanha foi tremendamente eficaz. De novo a história dos "vinte e dois homens atrás de uma bola e no fim ganha a Alemanha" de novo. Destaque para os quase-golos de Pepe, Nani e Varela. O deste último dando um presságio para o jogo seguinte. Portugal dava sinais de ter uma palavra a dizer no Europeu. No entanto, vitórias morais nunca são suficientes, já era altura de virmos cumpridas as promessas que andavam a ser feitas.


A história do jogo com a Dinamarca, realizado quatro dias mais tarde, foi diferente. Foi o meu preferido do Europeu, empolgante como apenas os jogos da Seleção em fases finais conseguem ser, absolutamente contra-indicado em doentes cardiovasculares, um dos mais emocionantes a que já assisti. Pelo menos, foi um dos jogos em que mais exprimi tais emoções - leia-se, o jogo em que mais gritei. Recordo o Pepe beijando as Quinas da sua camisola, os meus gritos de "ESTE É P'RA MIM! ESTE É P'RA MIM!" após o golo do Hélder Postiga, o Moutinho correndo para os braços do Varela depois de ele salvar o dia - com o meu golo preferido do Europeu - antes de a Seleção em peso se atirar para cima deles, eu e a minha irmã gritando como se não houvesse dia seguinte, de triunfo e alívio por estarmos de novo em vantagem quando tudo parecia perdido.


A passagem aos quartos-de-final, só foi assegurada quatro dias mais tarde, frente à Holanda. Um jogo em que a Turma das Quinas entrou mal, mais uma vez, mas conseguiu dar a volta por cima, ganhando por 2-1. Ambos os golos foram marcados por Cristiano Ronaldo, que soube responder da melhor forma às críticas ao seu desempenho frente à Dinamarca. Portugal conseguia, assim, o que muitos haviam julgado quase impossível: sobreviver ao Grupo da Morte.


Nos quartos-de-final, Portugal encontrou-se com a República Checa. A Seleção entrou mal, uma vez mais, só que os checos não souberam tirar proveito disso e os Marmanjos acabaram por melhorar. Apenas Peter Cech e o poste impediram uma vitória mais dilatada. Assim, ganhámos por apenas 1-0, golo de Crsitiano Ronaldo, mais uma vez. Destaque para os festejos de Luís Figo e Eusébio nas bancadas. A Seleção carimbava, assim, a passagem às meias-finais do Europeu. Era o maior avanço numa fase final em seis anos, a primeira campanha digna de orgulho desde o Mundial 2006.


O nosso adversário nas meias foi a Espanha, a campeã europeia e mundial. Atrevo-me a dizer que foi, talvez, o jogo que maior interesse despertou em todo o campeonato Europeu. Lembro-me dos tweets do Phoenix dos Linkin Park, do Chuck Comeau dos Simple Plan, do apoio da eterna adepta portuguesa Nelly Furtado. Foi, sem dúvida, um dos jogos mais intensos desta fase final, sofrimento desde o primeiro minuto ao último penálti. Foi, no fundo, a verdadeira final do Europeu, pois fomos a única equipa a conseguir fazer frente ao poderio espanhol. Apenas perdemos por um detalhe, por um pormenor tornado pormaior, até Del Bosque admitiu, há bem pouco tempo, que os espanhóis tiveram sorte. 

Mas eu sempre tive noção disso, que muitos jogos entre grandes se decidem no limite, não podemos tirar o mérito à Espanha pelo seu terceiro título consecutivo. 


Algo que não mencionei antes aqui no blogue foi que, no dia a seguir à meia-final frente à Espanha, à tarde, fui receber a Seleção ao aeroporto da Portela. Eu e mais umas centenas de pessoas. Não falei disso no blogue por falta de tempo. Se forem a ver, só consegui publicar a minha análise ao jogo com a Espanha vários dias após a final do Europeu. Já foi uma entrada grande, que demorou a ser escrita, se ainda tivesse de acrescentar mais uns quantos parágrafos, demoraria outra semana a concluí-la. Tomei a decisão de ir até à Portela por estar stressada e deprimida, de certa forma na ressaca da nossa expulsão do Europeu. O único consolo possível seria mesmo fugir para junto da Seleção. Não foi como ir ver um treino ao Jamor. Mais do que pedir autógrafos, o que eu queria mesmo era consolar os jogadores e que eles me consolassem a mim. Muitas vezes desejaria eu, mais tarde, largar tudo e ir ter com a Seleção - e ainda desejo de vez em quando. A diferença era que, naquela altura, tinha possibilidades de fazê-lo. Por fim, seria um último bom momento antes de dar por encerrado o capítulo do Euro 2012.

Por isso fui. Apanhei o Metro até ao Marquês de Pombal e, de seguida, o autocarro 22 - isto deu-se, mais ou menos, uma ou duas semanas antes de abrir o Metro até ao aeroporto Cheguei deviam ser quatro e meia. Já havia gente fazendo a festa na zona das chegadas e câmaras televisivas testemunhando-a. Mantive-me longe das lentes delas, não estava com disposição. Cedo consegui fixar-me junto à rampa de saída, onde já estava montado um cordão policial. Aqui, conheci a Verónica e a Margarida, que me fizeram companhia durante as duas horas de espera. Durante esse intervalo de tempo que se ia esticando - nestas coisas há sempre atrasos - a multidão ia sempre ensaiando palavras de ordem e cantando o hino.


Eles finalmente chegaram eram cerca de seis e meia da tarde. Mais tarde, leria que os jogadores tinham sido apanhados de surpresa e, por acaso, foi o que pareceu. Eu estava numa posição privilegiada, em pude ver e ser vista pelos jogadores. E, mesmo assim, podia ter tido melhor sorte pois o Cristiano Ronaldo esteve a dar autógrafos a uns dois metros de mim. Em todo o caso, eu tinha um letreiro, uma folha arrancada de um caderno A4 onde tinha escrito algo como "Obrigado Portugal! Paulo Bento 4 Ever! Somos grandes graças a  vocês!". Acho que consegui fazer com que fosse lido pelo Eduardo, pelo Ricardo Costa, pelo Hélder Postiga - este chegou mesmo a olhar para mim quando o chamei. O Quaresma, que usava um boné todo quitado, chegou mesmo a piscar-me o olho. Entretanto, na confusão, o cordão policial tinha-se desfeito e consegui aproximar-me do Nani. Mas como este abraçava uma miudinha que devia ser irmã dele ou algo do género, não tive lada de ir incomodá-lo.


Depois daí para o exterior, juntamente com o resto da multidão, rodeando o autocarro. Aqui cantou-se o hino e gritou-se:

- O-BRI-GA-DO! O-BRI-GA-DO!

Foi, de facto, arrepiante. A multidão só se dispersou depois de o autocarro ter partido. Depois disso, fui tratar de arranjar transporte de regresso. A confusão era grande junto às paragens de autocarro, como seria de esperar. Lá pelo meio, consegui encontrar a Margarida - aquando da chegada dos jogadores, tínhamo-nos separado - e agradecer-lhes a companhia. Ainda cheguei a pôr a hipótese de apanhar um táxi mas, entretanto, veio o autocarro 22 e entrei. E ainda bem que o fiz.


O 22 estava cheio de gente tinha vindo receber a Seleção, pelo que passámos a viagem inteira até ao Marquês de Pombal trocando experiências com os Marmanjos no aeroporto, conversando sobre o Europeu e sobre a caminhada até ao Mundial, que se iniciaria em breve. Foi, de certa forma, a última grande conversa de café do Euro 2012 que, ainda por cima, terminou com o senhor que vinha a meu lado a beijar-me a mão em jeito de despedida.

Tal gesto foi-me tão valioso como cada um dos olhares trocados com os jogadores no aeroporto.

Esta pequena aventura ajudou-se a renovar a esperança num título para Portugal a curto ou médio prazo e a encerrar o capítulo do Euro 2012. Além de ter sido mais uma recordação agradável. Foi como quando fui receber a Seleção ao Jamor após o Mundial 2006.


Em suma, o Euro 2012 foi o melhor período deste ano que agora finda. Pelos motivos que enumero frequentemente e outros mais, que descobri ou de que me recordei. É uma emoção diferente ver um jogo de um Europeu ou de um Mundial, já que agrega todo o País, tal como já expliquei acima. Tenho saudades disso, de participar em inúmeras conversas de café e não só, armando-me em especialista na matéria, tão especialista que até fora convidada para a televisão; de ver o Paulo Bento no banco, dando instruções, atirando com o blazer e a gravata, envolvendo-se tanto que parecia querer entrar em campo e ele mesmo fazer o que era preciso; dos jogos às oito menos um quarto; de ver os jogos com a minha irmã, etc. De vez em quando, vou ver os tweets enviados durante os jogos e sou transportada para esse período. Entro de tal forma no espírito que, quando regresso ao presente, sinto-me deprimida, como se acordasse de um sonho bom.

Em agosto, tendo em conta o nosso percurso no Europeu, tinha esperança de que a Qualificação para o Campeonato do Mundo, a realizar-se no Brasil e 2014, corresse melhor que as Qualificações anteriores. Tal esperança sair-me-ia furada mais tarde, mas antes do início do Apuramento sentia-me otimista. Para isso, contribuíra a minha visita ao Jamor, acompanhada da minha irmã - visita que nos rendeu autógrafos do Eduardo, do João Pereira e do Rui Patrício - bem como o jogo com o Panamá - jogo que a Seleção ganhou por duas bolas a zero, cortesia de Nélson Oliveira e Cristiano Ronaldo, com uma exibição acima da média em jogos deste carácter. 


A Qualificação em si arrancou cerca de três semanas mais tarde com um jogo frente ao Luxemburgo. A Seleção obteve uma vitória cinzenta, absurdamente suada tendo encontra o nosso adversário. Chegou mesmo a estar a perder. Na altura, achei ridículo mas agora, depois dos últimos jogos... De qualquer forma, a Seleção conseguiu dar a volta ao resultado, com golos marcados pelo Cristiano Ronaldo e pelo Hélder Postiga amealhando, deste modo, os primeiros três pontos da Qualificação.

Um aparte só para comentar que, este ano, o Cristiano foi o melhor marcador da Seleção, com cinco golos. O segundo melhor foi o Hélder, com quatro. Em terceiro, ficou o Varela, com dois.


A Seleção entrou em campo com a sua congénere azeri quatro dias mais tarde com uma atitude diferente, mais desenvolta, mais enérgica mas... ainda sem pontaria. Ou melhor, com pontaria mas para o sítio errado. O poste foi um dos grandes protagonistas de 2012. O que nos valeu foi o facto de os azeris não terem sido capazes de se aproveitarem desta nossa fraqueza. Assim, teve de vir o Varela, já promovido a bombeiro da Seleção, salvar a honra ao convento e quebrar o enguiço, dando espaço a Postiga e a Bruno Alves para dilatarem a vantagem. 


No mês seguinte, a seleção jogou fora, com a Rússia. Fê-lo num clima frio, num relvado artificial, amputada de dois titulares  - Meireles e Coentrão. Um jogo difícil, em que a Turma das Quinas nem sequer jogou muito mal, embora não tenha conseguido evitar a derrota pela margem mínima. Apesar do desapontamento por não termos ganhou ou, pelo menos, empatado, não me preocupei por aí além. Afinal, aquele era o jogo mais difícil de todo o Apuramento. Os outros correriam melhor.


Enganava-me. Verdadeira deceção, verdadeiro balde de água fria foi o jogo seguinte, frente à Irlanda do Norte. Foi mais um daqueles jogos que tinha tudo para correr bem - comemoravam-se as cem internacionalizações de Cristiano Ronaldo, o Dragão estava cheio, Rui Reininho veio cantar o hino - mas que correu pessimamente. A primeira parte foi medíocre. O golo sofrido foi uma reposição do tento russo. A segunda parte correu um pouco melhor mas, mais uma vez, os Marmanjos acordaram demasiado tarde para conseguirem melhor que um empate.

Ainda houve mais um jogo da Equipa das Quinas este ano, um particular contra o Gabão no mês seguinte, mas um jogo de tal maneira e em tantos aspetos irrelevante que não vou gastar mais linhas com ele.


É basicamente isto. Sinto-me algo desanimada. Nos últimos dois anos, por esta altura, a Seleção atravessava bons momentos e eu sentia-me otimista relativamente ao ano que começaria em breve. Agora... nem por isso. O ano nem sempre foi fácil para mim, muitos pensamentos heréticos, crises existenciais, desânimo relativamente ao futuro. Os últimos jogos da Seleção não me fazem sentir melhor e, neste momento, na reta final do ano, muitos dos nossos jogadores andam, igualmente, a passar por dificuldades nos respetivos clubes. O Nani está lesionado e não é desejado no Manchester United. O Fábio Coentrão também anda lesionado e ainda não se percebe se se encaixa no Real Madrid. Além de que, segundo consta, o ambiente não está fácil no clube madrileno, o que certamente afetará Pepe e Cristiano Ronaldo. Também o Quaresma andou ao longo de meses em guerra com o Besiktas e, agora, está sem clube. O Meireles, esse, teve uma disputa com um árbitro, arriscou-se a ficar de fora de onze jogos mas, felizmente, ficará apenas fora de quatro. E nem falo do Sporting e no efeito que tal crise não estará a ter em Rui Patrício e outros jogadores selecionáveis...

Não sei qual será o efeito destas crises individuais no rendimento da Seleção como coletivo. Se o desempenho cairá por os Marmanjos não andarem a jogar com a devida regularidade ou se, pelo contrário, eles recorrerão à Terapia das Quinas, se encararão uma Convocatória como um escape à situação nos clubes e, consequentemente, jogarem ainda melhor.


Em suma, estamos todos a precisar de uma viragem de maré no ano que começa em breve. Já ajudava se fosse apenas em termos futebolísticos, se relançasse a Seleção no caminho até ao Brasil. Já perdemos todos os pontos que podia perder, não quero escorregadelas em 2013. Até porque tenciono assistir ao jogo com a Rússia, na Luz, e quero que a Seleção esteja num bom momento nessa altura. Será esse um dos meus desejos para 2013: que seja um ano mais tranquilo que 2012, que a Equipa de Todos Nós consiga ultrapassar esta fase má e que nos volte a dar alegrias.

Acredito que o conseguirá. Se houve coisa que aprendi em todos estes anos como adepta hardcore da Turma das Quinas é que nenhuma manifestação de fé, de apoio, é tempo perdido, mesmo em fases menos boas, como esta. Porque, mais cedo ou mais tarde, a Seleção levanta-se e recompensa-o. Pode nem sempre ser fácil ser-se adepto incondicional mas vale a pena. 

De uma coisa podem, contudo, ter a certeza: no próximo ano, continuarei a acompanhar tudo o que acontecer relacionado com a Seleção, seja bom ou mau, quer com o blogue ou com a página do Facebook. Desafio-vos, então, a continuarem a aturar-me ao longo do próximo ano, enquanto observamos a Seleção abrindo caminho até ao Brasil. As coisas não estão fáceis mas, com sorte, daqui a um ano estaremos a debater as nossas hipóteses na fase final do Campeonato do Mundo de 2014. É esse um dos meus maiores desejos para 2013.

Feliz Ano Novo!

domingo, 18 de novembro de 2012

Gabão 2 Portugal 2 - De segunda linha

Na passada quarta-feira, dia 14 de novembro, a Seleção portuguesa de futebol disputou no Estádio da Amizade, em Libreville, um jogo de carácter particular contra a seleçao local. O encontro terminou com o marcador assinalando dois golos para cada lado.

Nem o resultado, nem mesmo a exibição me surpreenderam, dadas as agravantes já listadas na entrada anterior e mais algumas. Como o estado do relvado, a humidade do ar e o facto de só se ter realizado um treino como preparar este jogo. Em praticamente todos os aspetos, foi um jogo de segunda linha, de qualidade menor. A equipa portuguesa era, tirando dois ou três jogadores, constituída por suplentes. Tal como já referi, o relvado assemelhava-se a um batatal. O árbitro, que até possuia cadastro nestas coisas, teve uma atuação desastrada.

Até o relato radiofónico era de segunda linha. Já vos tinha dito que só pude acompanhar o jogo desta forma. Só que o comentário não tinha a habitual emotividade rasando a histeria, que tanta graça empresta aos jogos mais aborrecidos. O jogo não dava azos a grandes entusiasmos, é certo, mas... A única coisa que se destacou neste relato foi o facto de, por ter confundido Éder com Edinho, o locutor insistir sempre em tratar o ponta-de-lança por Éderzito.

- O Éder que não leve a mal - chegou a dizer a certa altura.

Acho que vou também recorrer a esse diminutivo para me referir ao ponta-de-lança do Sporting de Braga aqui no blogue.



Foi um jogo deveras estranho. Os dois penálties, cobrados quase de seguida, foram um exemplo. Não sei se as três grandes penalidades que ajudaram a definir o resultado final eram todas legítimas. Já li todas as versões. Além do mais, o estado do terreno e a agressividade dos gaboneses estiveram a isto de atirar mais uns quantos Marmanjos para a já longa lista de lesionados. O comentador chegou a dizer coisas omo:

- Vítor Pereira deve ter ficado com os cabelos em pé com este lance.

Embora eu tivesse desejado a vitória, sobretudo depois do golo do Hugo Almeida, Portugal não a merecia. O empate acaba por ser o resultado mais justo. Tal como disse anteriormente, não estava à espera de muito melhor.

Pontos, contudo, para a estreia de Pizzi e de Éderzito.



Choveram críticas ao timing deste particular, numa altura intensa para aos clubes - apesar de há anos ser prática comum marcarem-se jogos da Seleção para meados de novembro, quer particulares, quer oficiais. Se Paulo Bento e/ou a Federação dispensassem esta data, não faltaria quem criticasse o desperdício de uma oportunidade para afinar armas. Isso aconteceu em agosto de 2010.

Há quem critique o facto de a Seleção ter aceite participar no jogo por dinheiro - é, de facto, uma área moralmente cinzenta. Contudo, ainda hoje se fala dos estádios do Euro 2004, supostamente pagos com o dinheiro dos contribuintes. A FPF arranja uma maneira alternativa de obter financiamento para projetos como a Casa das Seleções e atira-se tudo ao ar.

Uma das vozes mas sonantes neste coro de críticas pertence a Pinto da Costa. Sem surpresas. Só os mais ingénuos é que acreditaram nas palavras de apoio à Equipa de Todos Nós, saídas da boca deste senhor. Gostei da resposta de Paulo Bento, aconselhando-o a entender-se com a Federação e a não perturbar o seu trabalho de Selecionador. Nenhum dirigente de clube tem o direito de interferir na Turma das Quinas. Mas não percebi a referência à seleção colombiana...

De qualquer forma, apesar de isso me emprestar assunto para o blogue e página do Facebook, espero que a polémica não dure muito.

Eu própria não vejo grande utilidade neste particular, para ser sincera. Tirando o teste de alternativas e, lá está, o cachet. Preferia que o jogo se tivesse realizado mais perto de casa e em melhores condições. Há quem diga que os jogadores podiam ter-se esforçado um bocadinho mais, mas duvido que o fizessem caso tivessem de repetir o jogo.

Como tal, é bom que essa Cidade do Futebol seja mesmo espetacular, já que tivemos de levar com um jogo destes para financiá-la.


Paulo Bento afirmou, na Conferência de Imprensa de antevisão a este jogo, que as pessoas devem apoiar a Equipa de Todos Nós, não apenas durante as fases finais, mas também em jogos menores, como este. Eis algo que deveria ter sido dito há muito tempo. No entanto, jogos como o de quarta-feira não persuadem ninguém a apoiar a Seleção. Se até eu me senti entediada com o jogo, sendo como sou...

Em princípio, haverá outro particular dia 6 de fevereiro do próximo ano. Com um pouco de sorte, será frente a um adversário melhorzito. Chegou a falar-se da Espanha mas, pelo que percebi, ainda nada está confirmado. Outro adversário possível é o Brasil, visto que estão previstos dois particulares com eles no próximo ano. Espero bem que seja um adversário desse calibre, contra quem não se poderá falar de falta de motivação, desculpa tão invocada a propósito de jogos particulares. Espero, sobretudo, que, independentemente do adversário, seja um jogo que convença as pessoas, que me convença a mim, que vale a pena apoiar a Equipa de Todos Nós, independentemente do caráter do jogo, do adversário e da altura do ano. 
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