quarta-feira, 14 de agosto de 2013

"Agora Qualifiquem-se, OK?"

Anteontem, segunda-feira dia 12 de agosto, a Seleção Portuguesa de Futebol efetuou o seu primeiro treino de preparação do embate particular, frente à sua congénere holandesa, a realizar-se hoje à noite, às 20h30, no Estádio do Algarve. O treino, aberto ao público, teve lugar no Estádio Nacional, no Jamor... e eu estive lá, com a minha irmã e uma amiga dela.

Pela fotografia, julgo que se pode deduzir como correu.

Não escrevi a minha habitual entrada de análise aos Convocados e de análise ao jogo que se avizinha por dois motivos. O primeiro é por considerar que pouco poderia dizer que já não tivesse dito anteriormente. Ao fim de não sei quantos anos de blogue, um certo desgaste é inevitável. Não tanto nas crónicas pós-jogo - cada encontro, seja ele oficial ou particular, é único, essa é uma das belezas do futebol. Mas nestas entradas pré-jogo, tenho de puxar pela minha criatividade para não escrever sempre o mesmo texto outra a outra vez. E como, de resto já planeava ir a um treino aberto e escrever sobre isso, não me importei.

O motivo principal, contudo, foi o facto de ter passado a última semana - incluindo o dia da Convocatória  de férias no estrangeiro. É claro que agora todo o hotel que se preze tem wi-fi, por isso, a desculpa é questionável. No entanto, não levei o meu computador comigo e o meu irmão mal me deixava tocar no dele. De resto, também estava a precisar de uma pausa da Internet. Em todo o caso, deu para ir ficando a par das principais novidades: os Convocados, a onda de lesões (outra vez, Nani?!?), a transferência de Hélder Postiga para o Valência, a derrota do Chelsea aos pés do Real Madrid.


Deu também para saber que, na preparação deste particular com a Holanda só haveria um treino aberto, na segunda-feira às 17h30, sendo que o treino de terça-feira de manhã apenas seria aberto aos Órgãos de Comunicação Social, durante quinze minutos. O que me contrariava por diversos motivos. Um deles era por ser no dia que se seguiu ao nosso regresso a Portugal, deixando-nos pouco tempo para recuperarmos da cansativa viagem. Além disso, num treino matinal, o calor não seria um inconveniente tão grande e não existira a urgência de não chegar demasiado tarde a casa. O motivo principal foi, contudo, o facto de suspeitar - acertadamente - que vários jogadores, com destaque para Cristiano Ronaldo, se baldariam àquele treino.

Eu devia era falar com os boys do Miguel Relvas, a ver se este blogue e respetiva página de Facebook me garantiam uma equivalência a Órgão de Comunicação Social...

Quer-me parecer que, para o melhor e para o pior, ir ver a Seleção ao Jamor será sempre uma aventura - até porque o local continua a ser isolado, meio degradado nalgumas zonas, e a ter péssimos acessos.

Por estes e por outros motivos - incluindo as peripécias na viagem de ida de há um ano - este nosso passeiozinho foi cuidadosamente planeado. Viemos equipadas com três garrafas de água fresca - porque o calor apertava - pacotinhos de bolachas para o caso de nos dar a fome, cartões carregados com dinheiro para os transportes, dinheiro extra para o caso de precisarmos de um táxi, o número de telefone da respetiva central, máquina fotográfica, cadernos e canetas para os autógrafos. Como agora vivemos em Lisboa, fomos de Metro até ao Cais do Sodré, onde apanhámos a Linha de Cascais. Apeámo-nos na minúscula e antiquada estação da Cruz Quebrada, atravessámos o pequeno bairro degradado e, debaixo do sol abrasador, subimos até ao Estádio, os holofotes entre as árvores servindo-nos de marco orientador. Receosa como estava dos atrasos dos comboios e de outros imprevistos, fiz questão de sairmos cedíssimo - como resultado, chegámos ao Jamor uma hora antes o início do treino.


Não fomos as únicas, de resto. Ainda não estava ninguém à entrada do Estádio mas, mais acima, junto ao parque de estacionamento, já se haviam juntado umas boas trinta pessoas, à espera do autocarro da Seleção. Aqui, encontrámos a Bárbara, uma seguidora da minha irmã no Twitter, uma jovem sportinguista, tal como ela, que viera ao Jamor praticamente só para ver o Miguel Veloso, o seu herói. Trazia um cartaz verde fluorescente, pedindo uma camisola ao jogador do Kiev que já lhe tinha sido prometida quando ela fora ao jogo com a Rússia.

Ainda ficámos uma boa meia hora à espera do autocarro, unto ao portão através do qual, no ano passado, o Eduardo, o João Pereira e o Rui Patrício nos haviam dado autógrafos. Sempre que se vislumbrava um autocarro ao fundo da estrada, as pessoas entusiasmavam-se:

- São eles? São eles?

Não eram e eu ria-me. Sabia perfeitamente que, quando fosse a Seleção, não teríamos dúvidas. E, quando eles chegaram, tal como previ, vinham no costumeiro autocarro cor-de-laranja, rodeados de polícias - a minha irmã chegou mesmo a filmar o momento da chegada mas não me deixa divulgar os vídeos. Enquanto o autocarro efetuava a manobra para entrar, chegámos a trocar acenos com o Paulo Bento e o Beto.


Depois de estacionado o autocarrro, ainda esperámos que os jogadores viessem ter connosco, os adeptos, mas não me surpreendi por não terem vindo. De resto, os portões para o Estádio foram abertos pouco depois. Mas ainda houve tempo para as meninas, juntamente com uns quantos adeptos, espreitarem entre as sebes, fazendo lembrar papparazzi, na esperança de vislumbrar um ou outro jogador. Depois de entrarmos para o Estádio, plantámo-nos o mais perto que pudémos da saída dos balneários, apesar de ficar debaixo da luz do Sol. Por algum motivo, desta vez os seguranças pareciam mais permissivos, ninguém nos veio pedir para mantermos as pernas atrás do muro. Conseguimos ver e filmar a subida dos jogadores: o André Martins e o João Pereira, o Rui Patrício e o Eduardo, o Pizzi e o Rúben Amorim, o Nélson Oliveira, o Bruno Gama, o Miguel Veloso, o Hélder Postiga. Nós e os outros adeptos íamos chamando alguns deles, trocando acenos, a Bárbara chegou a gritar ao Patrício que ficasse no Sporting, bem como ao Postiga que regressasse ao clube leonino. Eu, às vezes, ficava tão envergonhada quando os jogadores olhavam na nossa direção que olhava para baixo.

Julgo ter visto o Bruno Gama recebendo a costumeira "receção ao caloiro" antes do aquecimento. Tal como faz igualmente parte da praxe, os jogadores estiveram a passar bolas uns aos outros, dando carolos amigáveis a quem falhava. Nada de novo mas não deixava de ser engraçado vê-los ali, na brincadeira, como se fossem cachorrinhos. Destaque para o André Martins, baixinho, com cara de miúdo, a dar carolos ao Eduardo, que é um matulão.

Ao meu lado, ia ouvindo a Bárbara suspirando pelo Miguel Veloso:

- Ai aqueles braços... Ai, ele mexeu no cabelo... Porque é que ele é tão lindo?

Eu ria-me pois, quando tinha quinze anos, também era assim. A diferença é que limitava estes monólogos ao meu diário e pouco mais. Todas as meninas passa por isto, faz parte do crescimento. E, pelo menos no meu caso, a fase do ai-que-ele-é-tão-perfeito já acabou há muito mas o carinho permanece.


A pedido da minha irmã, ficámos mais um pouco no mesmo sítio, vendo os guarda-redes - logo, o herói dela, Rui Patrício - treinando daquele lado do campo. Achei particularmente interessante um exercício em que Ricardo Peres - o treinador dos guarda-redes, penso eu - e dois dos guarda-redes avançavam em direção à baliza, cada um com a sua bola, mas só um é que rematava, para o terceiro guardião tentar defender. Metia um certo medo ver os três atacantes ao mesmo tempo. Eu é que não queria estar a defender a baliza!

A parte mais interessante do treino foi o minijogo. Gosto sempre de ver aqueles homens a jogar, mesmo sendo naquelas circunstâncias. Como não podia deixar de ser, foram várias bolas aos postes. Sempre que o Hélder Postiga se encontrava com a bola em frente à baliza, eu gritava:

- Vai, Postiga!

Mas a bola acabava sempre por ir parar às mãos do Eduardo ou do Beto. No fim, só houve um golo, de Bruno Gama.



Tal como já foi mencionado, estiveram ausentes muitos dos titulares habituais, incluindo o Cristiano Ronaldo. Irrita-me, contudo, quando dizem, por exemplo, que "a intenção dos adeptos [ao irem ao Jamor] era, obviamente, ver ao vivo Cristiano Ronaldo". Como se a Seleção fosse só ele, como se nós, os adeptos tivéssemos vindo só por causa dele. Não era o caso de nós as três, pelo menos. A Bárbara, tal como já foi referido, viera, sobretudo, pelo Miguel Veloso. A minha irmã queria, como podem deduzir pelo que ela escreveu  nas costas do cartaz da Bárbara, queria uma foto e/ou um abraço do Rui Patrício (infelizmente, não obteve nenhum dos dois). Quanto a mim, vim, não apenas para ver os meus heróis mas também, sobretudo, como forma de demonstrar que os apoiava.

Mas não nego que fiquei desiludida com a ausência do Cristiano.

E ainda pensámos que poderíamos perder mais gente quando o Pizzi foi tocado e começou com queixas Felizmente, passou-lhe e terminou o treino sem limitações.


Tínhamos mudado de lugar para ver o mini-jogo mas, quando os jogadores começaram a fazer os alongamentos finais, voltámos para o local inicial, junto à entrada dos balneários, na esperança de que, pelo menos, o Miguel Veloso viesse ter connosco, atraído pelo cartaz da Bárbara. Eu tinha algumas dúvidas de que isso acontecesse, pensava que só dariam atenção aos adeptos antes de entrarem no autocarro, como no ano passado.

Mas enganei-me, o Miguel veio - consegui filmar o momento - e a Bárbara foi de imediato tirar uma foto com ele. Claro que o resto dos adeptos veio atrás, à caça de fotografias e autógrafos. Eu e a minha irmã juntámo-nos logo à pequena multidão. De alguma forma, consegui manter-me bastante calma, tendo em conta que era a primeira vez, em mais de dez anos apoiando a Seleção - embora, só a tenha começado a seguir fielmente depois do Euro 2004 - era a primeira vez que estava assim tão perto de um jogador. Ainda foi um bocadinho difícil, houve alguma confusão, ainda que de uma forma bastante ordeira e civilizada, até porque os seguranças estavam sempre presentes, calmos mas firmes, para evitar abusos. Estive perto de me meter em foto alheia algumas vezes. Por fim, eu e a minha irmã (uma de cada vez), já conseguimos uma foto com o Miguel, bem como o seu autógrafo.

Entretanto, em resposta aos apelos dos outros adeptos, o Beto e o Eduardo vieram, também, ter connosco. Tal como mencionei acima, ia-me mantendo surpreendentemente calma - mas admito que, se lá estivesse o Cristiano Ronaldo, o Nani ou mesmo o Postiga, talvez caísse para o lado  de sorriso no rosto, que os jogadores retribuíam quando nele reparavam. A minha irmã conseguiu uma fotografia com o Beto e, depois, veio comigo tirar uma foto com o Eduardo - ela pediu-me para a cortar das fotografias que publicasse aqui no blogue. Depois da foto e os agradecimentos, virei-me para o Eduardo e disse-lhe:

- Agora Qualifiquem-se, OK?


Por fim, foi a vez de Paulo Bento vir ter com os adeptos. Tal como os jogadores já o tinham sido, ele foi muito paciente para connosco. Apesar de começar por dizer que não podia demorar muito, que tinha o autocarro à espera, depressa garantiu:

- Eu tiro foto com todos.

De novo tivémos de esperar pela nossa vez. Eu e a minha irmã tentámos várias vezes ir ter com o Selecionador, mas acabávamos por dar o lugar aos outros adeptos, em particular quando eram crianças. Achámos particular graça a dois miudinhos gémeos, loiros de olhos claros, que falavam francês, cada um deles com o equipamento branco da Seleção completo do Cristiano Ronaldo. A minha irmã ficou particularmente feliz quando, a certa altura, Paulo Bento olhou para ela e disse:

- Deixem lá vir a menina, que está aqui à espera.

Contudo, eu e a minha irmã ainda tivémos de esperar um bocadinho mais antes de conseguirmos a tão desejada foto com o Mister. No fim, eu ainda lhe disse:

- Meta o pessoal a jogar.

Mas acho que ele não ouviu. A minha irmã diz que ele ainda lhe piscou o olho.

Eu e as meninas ainda corremos para junto do autocarro, na esperança de que mais um viesse ter connosco, o que não aconteceu. A Bárbara só dizia:

- Eu tive o Miguel ao pé de mim... Eu tive o Miguel ao pé de mim...

Ainda houve tempo para dizermos adeus a Paulo Bento e a alguns dos jogadores antes de o autocarro partir.



Como podem calcular, quando chegámos a casa (tivemos boleia), eu vinha exausta mas era aquele tipo de cansaço que prova de que fizémos o que devíamos, de que tivemos um dia extraordinário. Todo o stress, todas aquelas horas debaixo dos calores do Sara, valeram a pena pois, ao fim de anos sonhano com isto, pude contactar de perto com jogadores e treinador da Seleção, tirar fotografias com eles. Só tenho pena de não ter conseguido ver o Cristiano, o Nani, o Pepe, o Moutinho e os outros, de não ter tirado uma fotografia com o Postiga. Mas um dia conseguirei encontrar-me com mais Marmanjos, se Deus quiser, com a minha troika de ataque preferida. De resto, não devo ficar muito tempo sem vê-los de nov ao vivo, visto que, em princípio, iremos ao jogo com Israel, em Alvalade.

Antes disso, temos outros jogos, começando por o de daqui a menos de duas horas, frente à Holanda, no Estádio do Algarve - ironicamente, uma região fértil em laranjas E, apesar de, tradicionalmente, a Holanda se dar mal connosco em campo, as várias ausências fazem-me recear que esta laranja se revele mais amarga do que o costume. Paulo Bento afirma que o principal objetivo do jogo é manter a competitividade em níveis elevados. Eu acrescentaria que estes dois particulares, frente a adversários de respeito, servem precisamente para os Marmanjos se mentalizarem de que o tempo para brincadeiras já passou, que o que resta da Qualificação é para ser levado a sério.

Como tal, espero para este jogo pelo menos um empate com golos e, sobretudo, uma exibição consistente por parte das cores portuguesas, à semelhança do jogo com a Croácia. No fundo, uma garantia de que aquilo que pedi ao Eduardo será cumprido. Fui ao Jamor para demonstrar o meu apoio para com a Seleção para o resto do Apuramento. Agora, a bola está do lado dos Marmanjos.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Croácia 0 Portugal 1 - Temporada com final feliz

Na passada segunda-feira, dia 10 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol disputou um jogo de carácter particular com a sua congénere croata. Tal encontro teve lugar em Genebra, na Suíça, e terminou com uma vitória pela margem mínima para as cores portuguesas. O único golo da partida foi marcado por Cristiano Ronaldo.

Conforme já tinha dado a entender na entrada anterior, bem como na página do Facebook, não estava à espera de um jogo memorável ou mesmo interessante. Por vários fatores, entre os quais o cansaço de fim de época, o facto de muitos dos habituais titulares não irem jogar, a experiência de jogos amigáveis recentes, bem como outros igualmente disputados em final de época que, de tão irrelevantes, já praticamente ninguém se recorda deles. Acabei por ter uma agradável surpresa com este jogo com a Croácia.

Tal como já mencionei anteriormente aqui no blogue, este era um jogo para homenagear os emigrantes na Suiça, no Dia de Portugal. No entanto, o elevado preço dos bilhetes impediu a lotação esgotada. Ainda assim, o estádio esteve suficientemente cheio de emigrantes portugueses para se considerar que a Seleção jogou em casa. Ao longo do jogo, a assistência foi ouvida frequentemente puxando por Portugal.

Os portugueses entraram no jogo em domínio, embora a falta de rotina entre os jogadores fosse evidente. Cristiano Ronaldo era dos mais interventivos, tentando puxar a equipa com ele, esta é que sem sempre era capaz de acompanhá-lo. Os croatas iam dando um ar de sua graça quando podiam mas era raro apontarem à baliza. O Eduardo raras vezes era chamado a intervir. E ainda bem, que ele pareceu algumas vezes estar perto de cometer uma asneira, daquelas que cometeu no jogo com o Equador. Não sei o que se passa com ele. Será insegurança? O que quer que seja, espero que o Eduardo o ultrapasse o mais depressa possível. É uma pena ver um guarda-redes que ao longo de dois ou três anos fez um ótimo trabalho protegendo as redes nacionais, que foi tão simpático para mim quando estive no Jamor, desperdiçar-se a si mesmo desta maneira.


O golo do Cristiano Ronaldo acabou por vir em boa hora, numa altura em que a Croácia estava mais atrevida. Resultante de um bom entendimento entre Sílvio, Varela e o madeirense, não me pareceu um remate particularmente forte, por isso, não sei que parte dele terá sido frango do guarda-redes croata. Nos festejos do golo, o Ronaldo dirigiu um sorriso rasgado e um gesto de "Não-estou-a-ouvir" aos croatas que, alegadamente - pois não os ouvi - estariam a gritar por Messi.

Ele não consegue evitá-lo, pois não? Acho que nunca vai mudar...

Ainda assim, ainda houve tempo para um gesto de agradecimento ao público português.

Ao intervalo saiu ele e saiu Bruno Alves, dando lugar a Vieirinha e Sereno. Um aparte só para confessar que, durante o intervalo, mudámos para outro canal, onde estava a dar o Toy Story 3. Quando o jogo recomeçou, custou-me imenso mudar de canal de novo. É a primeira vez que me lembro de isto acontecer pois, até agora, um jogo da Seleção vencia com facilidade qualquer outro programa - até porque agora que podemos gravá-los e vê-los mais tarde. Mas o filme estava numa parte tão gira...

Enfim, regressemos ao jogo.


Se na primeira parte, Cristiano Ronaldo destacou-se, o protagonista da segunda parte foi Vieirinha. Endiabrado como esteve neste jogo, o Marmanjo está a tornar-se um sério concorrente a Nani e mesmo - vá lá, com uma saudável dose de exagero - ao próprio Ronaldo. O Vierinha merecê-lo-á se conseguir substituir Nani como titular - algo que pode ser possível caso esta má fase do jogador do Manchester United se prolongue - mas vou ter pena... 

A desarticulação entre os jogadores impediu, na minha opinião, um resultado mais dilatado. Destaque para uma excelente oportunidade, desperdiçada porque Vieirinha calculou mal a posição do Hugo Almeida. Mas, apesar da falta de rotina, apesar de terem existido um par de ocasiões que podiam ter dado para o torto na reta final do encontro, o domínio português nunca foi verdadeiramente questionado. E assim chegámos aos noventa minutos.


O momentâneo sorriso e polegar levantado de Paulo Bento aquando do apito final espelham bem a minha reação a este jogo e a este resultado. Fiquei satisfeita, esperançosa, com um sorriso no rosto para o resto do dia. Não foi um jogo brilhante, tal como o da Rússia não o foi e, mais uma vez, ninguém esperava que o fosse. Herdou, aliás, o espírito do jogo da Luz, a vontade de fazer bem, ainda que as pernas nem sempre conseguissem corresponder às intenções. Houve oportunidade para vários jogadores se destacarem: o inevitável Cristiano Ronaldo, o promissor Vieirinha, Ricardo Costa e João Moutinho que, coitado, pura e simplesmente, não sabe jogar mal, faz tudo dentro de campo.

Gosto é da expressão que li ou ouvi há uma ou duas semanas: quando Moutinho espirra, o F.C.Porto e a Seleção constipam-se.

Foi um dos melhores particulares dos últimos tempos, em que se cumpriram os objetivos, em que os habituais suplentes mostraram vontade de provar o seu valor, ajudando a Equipa de Todos Nós. Comentadores desportivos bem mais sábios do que eu, como por exemplo Rui Santos, continuarão certamente a duvidar do valor desta Seleção, a compará-la com gerações anteriores - apesar de ele também ter criticado essas gerações na altura - mas eu, na minha humilde opinião, pelo que vi nestes dois jogos, considero que a Seleção possui o que é preciso para, pelo menos, se Qualificar para o Mundial do Brasil. Se chega também para um bom desempenho nessa fase final ainda é demasiado prematuro para ser discutido. A Seleção nem sempre tem conseguido dar bom uso a tais qualidades mas quero crer que, nestes últimos três jogos, reaprendemos a jogar com a atitude certa, que essa atitude alinhará de início nos próxímos compromissos da Equipa de Todos Nós.


Encerra-se, assim, mais uma temporada futebolística, se não com chave de ouro, pelo menos numa nota positiva. Foi uma temporada desnecessariamente turbulenta para a Seleção, que nem sempre foi fácil para muitos dos nossos jogadores, mas que penso que teve um final feliz. Antes desta dupla jornada de Turma das Quinas, tinha uma dose significativa de dúvidas. Estas não desapareceram completamente com estes dois jogos, ainda receio eventuais disparates, mas fica uma forte sensação de que estamos de novo no caminho certo. Já não me sentia assim, esperançosa, há bastante tempo.

Segue-se agora a transição entre épocas, um período menos interessante para mim. Podem existir alturas erm que não terei nada para publicar na página do Facebook. No entanto, esforçar-me-ei por manter a página ativa, ainda que publique com menos frequência.

Com um pouco de sorte, estas semanas passarão depressa. Sinto-me ansiosa pelos próximos compromissos, pelo resto da Qualificação. Esta temporada teve um final feliz. Agora, para já independentemente da forma , quero que a próxima temporada termine no Brasil!

domingo, 9 de junho de 2013

Portugal 1 Rússia 0 - Triunfo de equipa

Na passada sexta-feira, dia 8 de junho, a Seleção Portuguesa de futebol recebeu, no Estádio da Luz, a sua congénere russa, num jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar no Brasil, daqui a um ano. A Seleção da casa levou o jogo de vencida por uma bola sem resposta, cortesia de Hélder Postiga. Portugal assumiu deste modo, ainda que provisoriamente - tem mais jogos que a Rússia e Israel, os adversários mais perigosos - a liderança do grupo F. 

Parece que, finalmente, a Equipa de Todos Nós começa a encarreirar neste Apuramento.

Com o tudo o que se foi dizendo ao longo da preparação deste jogo, sobre uma Rússia, treinada por Fabio Capello, que joga à italiana, que estava a ter uma Qualificação imaculada, sem um golo sofrido; sobre o cansaço físico e psicológico de fim de época de alguns jogadores; a falta de ritmo competitivo de outros; as asneiras cometidas ao longo desta fase de Qualificação; por fim, o discurso habitual da falta de opções, de alternativas para a Seleção, do estes-tipos-não-valem-nada-quando-comparados-com-o-Figo-o-Rui-Costa-e-companhia (começo a ficar saturada dessa conversa...), não me atrevia a assumir-me como optimista ou pessimista antes do jogo. Em vez disso, tal como publiquei na página do Facebook algumas horas antes do arranque da partida, preparei-me para um jogo difícil, de sofrimento, em que tudo poderia acontecer. Manifestei, também, o desejo de que os Marmanjos entrassem em campo também assim, com a consciência das dificuldades do jogo, da importância de uma vitória, preparados para qualquer cenário, para dar tudo por tudo, para sofrer, para ganhar. 

O desejo foi cumprido.

Perante uma bela moldura humana, a Turma das Quinas entrou bem no jogo, decidida a cumprir as promessas feitas ao longo da preparação desta jornada. E a recompensa surgiu cedo, na sequência de um livre cobrado por Miguel Veloso. Este colocou a bola muito bem, a jeito para o Hélder Postiga encostar. A bola foi ao poste - que, por uma vez, esteve do nosso lado - e entrou.


O melhor disto tudo é que eu não preciso de dizer nada, não preciso de contrariar as críticas. O Hélder defende-se a si mesmo, outra e outra vez, prova que não é por capricho que teimo em louvá-lo. E, no processo ajuda a Seleção a encontrar o caminho certo. É o nosso talismã há já vários anos. Vai, aliás, fazer agora uma década desde os seus dois primeiros golos pela Equipa das Quinas (num particular contra a Bolívia, dia 13 de junho de 2003, que Portugal ganhou por 4-0). Desde esse dia até hoje, tem-se fartado de marcar golos pela Seleção. Estou a pensar, por exemplo, num tiro espetacular, num jogo de Qualificação para o Euro 2008, frente à Bélgica, em junho de 2007. E no jogo contra a Noruega, há dois anos, também em final de época, também no Estádio da Luz, também ganho por 1-0, com golo de Postiga. E agora igualou Rui Costa em número de tentos. Não me esqueço destas coisas, recordo-as. E fico orgulhosa.

O golo madrugador deu-nos a tranquilidade que não tivemos em outros jogos deste Apuramento. No entanto, tendo o jogo com Israel fresco na memória, não me atrevi a ficar demasiado tranquila, receei que a Rússia empatasse de novo. Não tive grandes motivos para temê-lo a sério durante a primeira meia hora de jogo, durante a qual houve claro domínio português. Só quando a Seleção procurou gerir o resultado, dando mais espaço aos russos, é que comecei a ter motivos reais para me assustar. Sempre que os russos se aproximavam da nossa baliza, eu rezava para que nenhum dos Marmanjos fizesse uma parvoíce, como as que cometeram noutros jogos desta fase de Apuramento. Valeu-nos os bons desempenhos do novato Luís Neto, que substituiu Pepe, as já costumeiras boas intervenções de Rui Patrício, um árbitro que, em certas ocasiões, foi nosso amigo e uma boa dose de sorte. Talvez para compensar alguma infelicidade que possamos ter tido em jogos anteriores, os deuses do futebol estiveram com Portugal naquela noite. 


Pena não terem permitido um segundo golo português, só para manter a nossa tensão arterial nos valores normais. Juro que ainda vou descobrir quem é o cardiologista que anda a patrocinar a Seleção para não haver um jogo que seja sem sofrimento...

O encontro acabou, por isso, por ser bastante equilibrado, embora Portugal se mantivesse quase sempre por cima. O que não quer dizer nada - a História recente do futebol é rica em jogos cujos resultados se decidiram numa questão de minutos. E se existiram várias ocasiões em que estivemos perto do segundo golo, existiram outras em que, como disse @lidiapgomes no Twitter, "estivemosábilitar-nos". Por o jogo decorrer no estádio do Benfica, houve quem se recordasse da maldição do minuto 92. Eu, nessa altura, já só rezava, "Apita, árbitro, apita... Termina o jogo...". E, apesar de várias vezes ter receado o contrário, o jogo terminou com a nossa baliza inviolada e Portugal em vantagem, amealhando três pontos.


Foi um bom jogo, sobretudo tendo em conta todos os fatores que jogavam contra nós, já mencionados neste texto. Não foi um jogo brilhante, mas ninguém esperava que o fosse. Vários jogadores se destacaram, como Luís Neto, Vieirinha, Moutinho, entre outros, mas, na minha opinião, foi sobretudo um jogo de equipa, um triunfo de equipa. Houve atitude, espírito guerreiro, de entre-ajuda, união - precisamente os pontos fortes da Equipa de Todos Nós. Os comentadores desportivos não estão errados quando dizem que esta Seleção é mais pobre em valores em individuais do que, por exemplo, a de 2004-2006. No entanto, quando estão para aí virados, quando vestem a camisola das Quinas e jogam em equipa, cada um dos onze jogadores vale mais do que o seu valor individual. Isto foi suficiente para chegarmos às meias-finais do Europeu, no ano passado, chegando a jogar de igual para igual com a Espanha. Foi, também, suficiente para ganharmos à Rússia, apesar das dificuldades todas. Isto, sim, isto é Portugal! Estamos de volta!

O problema é mesmo o facto de os Marmanjos nem sempre estarem para isso. Podia perguntar onde esteve este espírito noutros jogos deste Apuramento. Mas não o farei. Não quero olhar para trás. Não se pode mudar o passado. Aquilo que podemos controlar são os jogos que nos faltam. Cada um deles será uma final. Este, com a Rússia, já o era. Talvez tenha sido a mais difícil. Vencê-la foi um grande passo em frente, mas ainda temos caminho a percorrer e ainda existe o risco de nos perdermos pelo meio, de novo.

Mas, como o próximo jogo oficial é em setembro, haverá tempo para pensar melhor nisso. Antes, ainda teremos dois particulares, um dos quais já na segunda-feira, contra a Croácia. Não alimento grandes entusiasmos para este jogo, por motivos diversos, embora me atraia a possibilidade de vermos jogadores menos habituais - destaque para o estreante André Martins - em campo. Como será uma semana complicada para mim, não sei quando poderei publicar uma análise ao jogo. Nem sei, sequer, se farei uma análise ao jogo. Mas vou tentar escrevê-la, mesmo que o jogo não se revele grande coisa, mesmo que só consiga publicar a entrada uma semana depois.


Fico feliz por a Seleção, finalmente, estar no caminho certo. É verdade que ainda não conquistámos nada, as o Brasil encontra-se cada vez mais alcançável. É o que me farto de repetir aqui no blogue mais uma vez provado: mais cedo ou mais tarde, os jogadores recompensam-nos pelo apoio que lhes damos, mostram que vale a pena acreditar na Seleção. Por isso é que me obriguei a mim mesma, ao longo destes meses todos, a manter a fé, apesar das sucessivas desilusões. Fica este consolo para as próximas semanas: a chama está mais forte, o Brasil está mais perto. Agora, espero que não tornemos a desviar-nos da rota, que continuemos a dar passos em frente e que, daqui a uns meses, estejamos a comemorar a sexta presença num Campeonato do Mundo.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Alimentando a chama

No próximo dia 7 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe, no Estádio da Luz, a sua congénere russa, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, a realizar-se daqui a um ano, no Brasil. Três dias mais tarde, desloca-se a Genebra, na Suíça, para um jogo de carácter particular a propósito do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Estes serão os últimos jogos da época futebolística 2012/2013. Este ano acompanhei a temporada dos clubes, tanto portugueses como estrangeiros, mais de perto do que o habitual, sobretudo por causa da página do Facebook - chegam a passar-se semanas sem notícias sobre a Equipa de Todos Nós e não posso, nem quero, deixar a página inativa durante esse tempo todo. Além disso, interessa prestar atenção ao percurso dos jogadores portugueses nos respetivos clubes, já que isso influenciará a sua chamada à Seleção, bem como os seus desempenhos quando vestirem a camisola das Quinas.

Tal como disse a minha irmã no outro dia, foi uma época esquisita. Por vários motivos. Já aqui falei das dificuldades por que vários jogadores portugueses passaram este ano nos respetivos clubes e, em alguns casos, continuam a passar. O caso dos jogadores do Real Madrid, por exemplo. A trágica época do Sporting - a minha irmã fartou-se de sofrer este ano, coitadinha! E a desgraça recente do Benfica, que durante algum tempo pareceu ter tudo nas mãos e deixou-o escapar entre os dedos.

No que toca ao clube das águias, aquilo que mais desapontou foi a perda da Liga Europa, pois era uma equipa portuguesa numa final europeia, representando o futebol português - embora, em rigor, só haja um único jogador nacional no plantel benfiquista e nem sequer é dos mais utilizados. Foi o único jogo dos decisivos para o Benfica a que assisti e, pelo que vi, os benfiquistas jogaram melhor que o Chelsea. Acabou por ser um filme já muitas vezes visto, em diferentes circunstâncias. Isto é como diz José Mourinho, finais não são para jogar, são para ganhar. Equipa que quer levar um jogo de vencida não pode falhar tantos remates. O objetivo do futebol é marcar golos, quem não consegue fazê-lo não pode aspirar a vitórias, é tão simples quanto isso.

Julgo que não é a primeira vez que falo disto aqui no blogue. Só espero agora não ter de voltar a abordar este assunto tão cedo.





Mas a época já terminou para os clubes, tirando o campeonato espanhol, que termina no próximo fim-de-semana. Paulo Bento divulgou na segunda-feira passada os Convocados para os próximos dois jogos da Seleção. A única novidade de maior foi a Chamada de André Martins, o jovem médio do Sporting. Quem ficou muito feliz com esta Convocatória foi a minha irmãzinha sportinguista. Já quando, há pouco menos de duas semanas, íamos as duas no carro e ouvimos na rádio que o jovem médio fora incluído na pré-Convocatória, ela deu um berro:

- EU DISSE! EU DISSE! EU DISSE QUE ELE IA PARAR À SELEÇÃO! EU DISSE! - E tratava-se apenas de uma pré-Convocatória, nada nos garantia que ele seria Chamado já para estes jogos.

Sim, acho que ela sai a mim.

Quando a Convocatória lhe veio a dar razão, reagiu com menos histeria, felizmente. Limitou-se a ficar muito feliz. "Como uma mãe orgulhosa", nas palavras da mesma, apesar de ser mais nova do que ele... Mas compreendo-a. Quando tinha a idade dela, cada elogio que fizessem ao Cristiano Ronaldo equivalia a um elogio a mim.




A minha irmã diz que o André Martins será o próximo João Moutinho, o próximo formiguinha. Talvez tenha razão. O que é facto é que o jovem médio tem já longo percurso nas Seleções de formação, com 43 jogos e 4 golos - incluindo um frente à Rússia há um ano, pelos sub-21. Há quem diga que ele pode jogar logo de início contra a Rússia mas tenho as minhas dúvidas. Quanto muito entrará a meio. Estará, certamente, ansioso por mostrar o seu valor, mostrar que merece tornar-se uma opção para Paulo Bento. Só o tempo poderá dizer que o André cumprirá as promessas que tem deixado.

O Paços de Ferreira já se veio queixar de não ter nenhum jogador na lista de Convocados. A polémica ainda não estalou a sério porque os media ainda estão a explorar a desgraça do Benfica e o futuro incerto de Jorge Jesus. Mas aposto que, assim que o assunto se esgotar e, sobretudo se alguma coisa correr mal frente à Rússia (três vezes na madeira!!!), estalará. Eu, nesta, concordo que o Paços tem motivos para se queixar. Depois da época que fez e sendo a equipa do pódio da Liga Portuguesa com maior número de jogadores portugueses (acho eu), merecia atenção por parte de Paulo Bento. Mas também, para ser sincera, não estava à espera de grandes inovações nesta Convocatória. Só a Chamada de André Martins apanhou-me de surpresa. E se é verdade que a Seleção precisa de sangue novo, de alternativas, estar a criar uma equipa completamente nova para um jogo desta importância poderia dar para o torto. Haverá tempo para fazer experiências, até porque veem aí vários particulares - mais sobre isso adiante - mas, para já, é melhor apostar em jogadores que já estão habituados uns aos outros, que já deram garantias, apesar da irregularidade de alguns dos últimos jogos.




Vamos, então, jogar com a Rússia pela segunda vez nesta fase de Apuramento, desta feita em casa, num Estádio da Luz que se espera cheio. Fala-se de muitos jogadores não se encontrarem na forma ideal, alguns deles, como já referi aqui, depois de épocas menos boas. Gostei, contudo, da resposta que o Selecionador deu na Conferência: "Nunca consegui encontrar um jogo da Seleção num momento adequado." Julgo até que já o disse aqui no blogue: os jogos da Seleção nunca dão jeito, seja por entrarem em rota de colisão com os planos dos clubes, por os jogadores terem as cabeças noutro lugar ou por terem perdido ritmo competitivo.

Bem, terão de se amanhar. Tendo em conta que Portugal já perdeu os pontos que tinha para perder nesta Qualificação, não existe nenhuma escolha que não seja ganhar. Paulo Bento, Humberto Coelho e alguns jogadores já começaram com o discurso habitual, de que é-para-ganhar, discurso esse que continuará, certamente, a ser repetido por toda a gente na Seleção até ao dia do jogo. Tal como aconteceu há uns meses, antes do jogo com Israel, em que aconteceu o que se viu. O que me dá vontade de citar letras das chamadas break up songs, para dizer que estou farta de ouvir a mesma conversa de sempre e ver muito pouco dentro de campo. Falar é fácil, o que eu quero é golos, quero exibições que, ainda que não possam ser muito boas, pelo menos não tenham a mediocridade de alguns dos nossos últimos jogos. Quero vitórias. Quero passos em frente na Qualificação. Quero poder fazer planos para o Mundial 2014.




Também já começou, um pouco, o circo para chamar o Povo ao Estádio da Luz, como podem ver. Conforme já afirmei aqui no blogue uma vez, gosto deste tipo de circo, desde que não se caia em exageros. Este anúncio protagonizado por Nani ficou giro. Também gosto de outro que vi no outro dia, que ainda não encontrei no YouTube, mostrando uma mulher equipando-se para assistir ao jogo com a mesma solenidade com que se equiparia caso entrasse mesmo em campo. Afinal de contas, o próprio Selecionador afirmou, há poucas semanas, que a seleção não vende tanto como os clubes, o que explica todo o circo publicitário que costuma anteceder a participação da Equipa de Todos Nós numa fase final. E, para esta fase de Apuramento, a própria Turma das Quinas criou as condições que permitiram usar o slogan: "Cada jogo uma final". Digo apenas que seria bom se, por uma vez, pedissem uma moldura humana, obtivessem-na e agradecessem o tempo e o dinheiro dispendidos com uma vitória.

Eu e a minha irmã estivemos quase para ir ver este jogo mas não vamos poder, por vários motivos. O que me deixa infelicíssima pois não vou a um jogo da Seleção há quase seis anos, ainda não pude conhecer o Estádio da Luz e este promete ser um jogo interessante. Eu e a minha irmã vamos tentar ir ao jogo contra Israel, em outubro, no Estádio de Alvalade e, eventualmente, ao provável playoff, no Estádio da Luz. A única coisa má é que, nesses jogos, não devo poder usar a blusa que usei no A Tarde É Sua, no ano passado. Mas acho que a usarei à mesma no dia do jogo. E, se em agosto formos assistir a um treino, tornarei a usá-la.

Ou talvez não, já que o tempo não tem estado grande coisa e dizem que o verão será frio.

Já que falo nisso, esta semana a Seleção treina no Jamor, abrindo três treinos ao público. Se fosse há um ano, tentaria ir a um deles. Mas. depois de ter ido no ano passado com a minha irmã, já não quero ir sem ela, que tem aulas à hora dos treinos. De resto, o pessoal do campeonato espanhol só chega na próxima semana, jogadores como Cristiano Ronaldo, Fábio Coentrão e Hélder Postiga não estarão lá. É preferível irmos em agosto, quando estivermos livres das aulas e de todo o trabalho com elas relacionado.





Três dias depois de jogarmos com a Rússia, vamos à Suíça para um particular com a Croácia, na segunda-feira dia 10. Tanto quanto me lembro, é o primeiro jogo da Seleção fora de Europeus e Mundiais a realizar-se a uma segunda-feira. 

Não sei muito sobre a seleção croata. Sei que jogámos com ela em novembro de 2005 mas, antes de ver o vídeo acima, a única coisa de que me recordava desse jogo era do resultado. Como poderão ver acima, os golos foram de Petit e Pauleta, que nesta altura já ultrapassara o recorde de Eusébio.

Só agora que começo a aperceber da qualidade da Seleção entre 2004 e 2006. Uma Qualificação tranquila como mais nenhuma, nem calculadoras, com Figo (embora se tenha ausentado durante a primeira metade do Apuramento), Pauleta, Deco, Maniche, Costinha, Ricardo Carvalho e um Cristiano Ronaldo em ascensão, usando a camisola 17, desejoso de mostrar o seu valor. Até agora nenhuma Seleção foi capaz de superar essa. Quem me dera ter tido noção disso na altura.

Não estava à espera de termos este particular e o seu anúncio foi uma agradável surpresa, apesar de suspeitar que alguns dos jogadores entrarão de férias logo a seguir ao jogo com a Rússia. Para mim, jogos da Seleção nunca são de mais. Não posso, portanto, queixar-me pois, nos próximos meses, teremos uma totalidade de três particulares e, por uma vez, com adversários "decentes", em vez de seleções estilo Gabão ou Liechenstein. Não falo tanto do jogo com a Croácia, mas acredito que vitórias nestes jogos, ou mesmo apenas boas exibições, podem dar a confiança necessária para enfrentarmos a reta final da Qualificação. 




Antes disso, contudo, precisamos de vencer a Rússia. A preparação desse jogo arranca hoje, apesar de faltar mais de uma semana para o desafio. Talvez escreva outra entrada antes do jogo, mas não sei se terei tempo ou se terei assunto que o justifique. Em todo o caso, já sabem, a página do Facebook manter-se-à atualizada, como sempre. Vai saber bem ter a Seleção reunida de novo.

As circunstâncias em que disputaremos este jogo não são as ideais mas também nunca o são. E a Equipa das Quinas tem esta capacidade de perder (ou empatar) quando tem todas as condições para ganhar, bem como de ganhar quando tem todas as condições para perder. Conforme disse José Manuel Paulino no Record, "quero crer que a vontade de marcar presença no Brasil em 2014 seja mais forte que um qualquer momento menos bom de forma". Algo semelhante disse Afonso de Melo no livro A Pátria Fomos Nós, de que já falei AQUI. "Às vezes nem o talento resiste à vontade de fazer bem." Tenho sentido em vários momentos desta Qualificação que, apesar de garantirem o contrário em múltiplas declarações à Imprensa, os Marmanjos não estiveram para se chatearem em vários jogos. Contudo, tenho a certeza de que todos eles, sem exceção, querem estar no Brasil daqui a um ano. Seja por que motivo for, seja pela publicidade pessoal, pela "montra", pelo prestígio, pelos incentivos financeiros. Ou pela honra de representar o País. Se o facto de jogarem em casa, possivelmente com Inferno da Luz do lado deles, perante um adversário estimulante, obrigados a ganhar, não for suficiente para motivá-los para dar o seu melhor então, peço desculpa mas não merecem ir ao Mundial. Como diz o Menos Ais, troquem desculpas por mais empenho. À boa maneira portuguesa, desenrasquem-se!

Apesar de tudo, sinto-me entusiasmada pela proximidade destes jogos. Posso andar a ligar ao futebol de clubes mais do que é habitual mas nenhum clube me apaixona como a Seleção. E não me parece que isso alguma vez mude. Agora, tudo o que mais desejo é que a Turma das Quinas continue a alimentar o meu entusiasmo, começando por ganhar à Rússia. Na última entrada, disse que a vitória frente ao Azerbaijão pode ter sido o ponto de viragem, a faísca que nos permitira continuar a lutar. Agora cabe à Equipa de Todos Nós alimentar essa pequena chama, deixá-la crescer, para que nos sirva de catalisador, de combustível, para aquilo que falta do nosso caminho para o Brasil.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Azerbaijão 0 Portugal 2 - Faísca

Na passada terça-feira, dia 26 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou, em Baku, no Azerbaijão, a congénere da casa. O jogo terminou com dois golos de vantagem para a equipa visitante, cortesia de Bruno Alves e Hugo Almeida, permitindo a Portugal amealhar três pontos que nos mantêm na corrida por um lugar no Mundial 2014.

Finalmente.

Mais uma vez, vi-o em casa, com a minha irmã. Desta feita, não se encontrava mais ninguém connosco, pelo que não nos contivemos nos gritos de treinadoras-de-sofá-de-sala (desta vez, não houve necessidade de chamar nomes feios aos jogadores). Os vizinhos que nos perdoassem mas não é todos os dias que temos jogos da Seleção.

É claro que, quando o nosso pai chegou a casa, decorria a segunda parte, tivemos de nos portar bem.


O jogo correu mais ou menos conforme eu previa. Foi outro dejá vu. Desta feita, repetiu-se o outro jogo com o Azerbaijão, em setembro do ano passado, em Braga. A nossa última vitória antes deste encontro. A Seleção entrou em campo solta, enérgica. Montou a tenda no meio campo azeri e lá permaneceu, atirando o barro à parede, manifestando os habituais problemas na finalização. A costumeira bola ao poste ("Porque isto não era um jogo da Seleção se não houvessem bolas ao poste!!!, disse a minha irmãzinha), os costumeiros falhanços do Hélder Postiga (mais sobre isso mais à frente). E eu ia perdendo cinco minutos de vida a cada ataque português, cada remate falhado. O mesmo acontecia com os contra-ataques azeris que, no entanto, nunca constituíram grande ameaça, tirando uma situação ou outra. A defesa portuguesa pareceu-me melhor neste jogo. Pelo meio, Pepe arranjou maneira de ver o segundo amarelo do Apuramento (Porquê, Pepe???? Porquê???), excluindo-se do jogo com a Rússia.

Às vezes penso que seria mais saudável fumar do que assistir a jogos da Seleção. Ao menos um cigarro, supostamente, acalma os nervos...

As coisas não mudaram muito na segunda parte. Eu sentia, contudo, que o golo português não tardaria. Mesmo que a equipa azeri não se tivesse reduzido a dez elementos (cortesia - uma boa parte, pelo menos - da fita que o Pepe fez). Em todo o caso, Paulo Bento não deu tempo aos azeris de se reorganizarem, fez Hugo Almeida entrar.

E os golos surgiram. Primeiro de Bruno Alves e depois de Hugo Almeida.


Depois de um golo e uma parvoíce em Israel, no Azerbaijão Bruno Alves foi, indiscutivelmente, o herói. Como, de resto, já havia sido no jogo de setembro. É, aliás, curioso: já em 2007, também em casa azeri, o Bruno Alves e o Hugo Almeida haviam sido os artilheiros de serviço. Bem como em julho de 2009, na Albânia. Contando com a de terça-feira, estas três vitórias constituíram um importante ponto de viragem para as respetivas Qualificações.

O Bruno Alves e o Hugo Almeida não foram, contudo, os únicos a ajudar a Equipa das Quinas. Moutinho também se destacou depois de "reaprender a jogar em três dias" - não, não me vou pôr aqui a debitar postas de pescada sobre a polémica entre Pinto da Costa e Paulo Bento. Bem como Danny e, sobretudo, Vieirinha, que honrou a camisola de Cristiano Ronaldo.


Há quem diga que se notou a falta de Ronaldo e Nani. Não notei assim muito, para ser sincera. Obviamente a velocidade do Ronaldo e o inconformismo do Nani fazem sempre falta e talvez nos tivessem facilitado a vida na terça-feira. Mas a verdade é que, como já afirmei antes, o jogo não diferiu muito do de setembro passado e nesse tivemos os nossos extremos habituais.

De resto, não posso deixar de louvar a atitude do nosso capitão que, apesar de ter ficado excluído do jogo de terça-feira, fez questão de permanecer com a equipa.

Apenas fiquei um bocadinho triste por o Postiga não ter marcado desta vez. E, claro, como neste jogo não marcou, já caiu tudo em cima dele.

Bem, caem sempre em cima dele, quer marque quer não, não será por aí...


Não vou dizer que esteja propriamente satisfeita com o desempenho do Hélder. Começo a achar que ele falha demasiadas oportunidades flagrantes mas ainda me irrita que as pessoas se esqueçam tão facilmente de tudo o que ele tem feito pela Seleção, em particular no passado recente.

A ver o que acontece quando ele deixar a Seleção sem que haja um ponta de lança de jeito para o substituir.

Em todo o caso, apesar de achar que o Hélder se deve manter na titularidade, pelo menos por enquanto, o Hugo Almeida provou merecer mais oportunidades de jogar. E talvez seja bom para o Postiga sentir-se um bocadinho ameaçado.



Foi, de resto, uma das questões desta dupla jornada: o conservadorismo de Paulo Bento, a sua relutância em recorrer a jogadores fora do seu núcleo duro habitual. Eu até compreendo, por um lado. Já antes falei aqui da nossa excessiva dependência do onze-base do Euro 2012. São jogadores que já deram provas de qualidade, que já se conhecem uns aos outros há vários anos, possuem uma rotina. Compreendo que o Selecionador tenha medo de arriscar, em particular em jogos desta importância. Deus escreveu direito em linhas tortas nesta dupla jornada: não fosse a lesão de Nani e a expulsão de Ronaldo, Vieirinha não teria uma oportunidade de mostrar o seu valor. Quem é que, no seu juízo perfeito, abdicaria voluntariamente de Ronaldo ou mesmo de Nani?

Por outro lado, não sou capaz de ignorar aquilo que vem sempre à baila em todos os debates sobre a Seleção: o prazo de validade da equipa atual, a ausência de alternativas. Os comentadores desportivos têm todos razão: precisamos de sangue novo ou, daqui a uns anos, não haverá Seleção para ninguém!

Não existe muito a fazer em relação a isso, pelo menos para já. Por agora, o mais importante é a Qualificação, o facto de termos vencido um jogo pela primeira vez desde setembro. Finalmente. Depois de cinco jogos sem ganhar, na maior parte das vezes com exibições roçando o medíocre, tivemos finalmente uma vitória. Pode não ter sido uma vitória brilhante mais foi uma vitória. Também não esperava muito mais, para ser sincera. Isto sim, isto é Portugal! Não tanto como noutras ocasiões mais mais do que tínhamos recebido nos meses anteriores. Estamos vivos de novo!


Cerca de duas horas antes do início do jogo, apareceram na Internet excertos de músicas do álbum novo dos Paramore, homónimo. Uma delas, Last Hope, é já uma das minhas preferidas. Há um verso que se destaca: "It's just a spark, but it's enough to keep going...". A tradução é algo tipo: "É apenas uma faísca mas chega para me fazer continuar". E, curiosamente, este verso traduz perfeitamente a maneira como me sinto relativamente à situação da Turma das Quinas.

Ganhar aos azeris pode não ter sido mais do que a nossa obrigação para muitos mas, para mim, foi um pouco mais do que isso. Foi algo que nos devolveu a esperança. Com um pouco de sorte, será uma viragem de maré, será a faísca que nos incendiará para o resto da Qualificação. Começando pelo jogo com a Rússia, no Inferno da Luz.

Atenção! Quando falo aqui em fogo e incêndios é no sentido figurativo! O Estádio da Luz não precisa de mais incêndios!

A partir de agora temos de encarar um jogo de cada vez, como se estivéssemos numa fase final. Concentrarmo-nos em ganhar cada um à medida que forem chegando.

Mas haverá tempo para pensar nesses jogos. Faltam mais de dois meses para o próximo, até lá muita coisa pode mudar. Por agora, é-me suficiente o consolo de saber que a Seleção reaprendeu a ganhar, depois de todos estes meses de jejum. O que mais desejo, neste momento, é que não tenhamos outra desilusão tão cedo, que este consolo se prolongue o mais possível, que se torne mais forte em junho. Até lá...

segunda-feira, 25 de março de 2013

Israel 3 Portugal 3 - Dejá vu

Na passada sexta-feira, dia 22 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol entrou em campo com a sua congénere israelita, em Telavive. Tal confronto resultou num empate a três bolas. Um resultado abaixo das expectativas mas arrancado a ferros, que, tendo em conta o desempenho paupérrimo da Equipa das Quinas, quase parece uma vitória.

Começo a achar que se trata de uma maldição. Talvez nenhum jogo deste Apuramento esteja destinado a ser tranquilo. Ou talvez seja de propósito. Conforme diria a minha irmã, isto não daria "pica nenhuma" fazer uma Qualificação sem escorregadelas perante equipas "menores". Que piada teria?

Não levem a mal o sarcasmo mas uma miúda não é de ferro e, sinceramente, os Marmanjos andam a abusar da minha paciência. Já são cinco jogos sem ganhar, na maior parte dos casos sem sequer fazermos exibições decentes, são cinco entradas pós derrota-ou-empate. Não chega já?


Mas vamos ao jogo. Eu estava otimista, como sempre, e o golo madrugador do Bruno Alves ajudou a manter esse estado de espírito. Não achei que eram favas contadas, mas fiquei satisfeita com o bom arranque e achei que, finalmente, poderíamos ganhar um jogo.

Os jogadores é que, aparentemente, assumiram que eram favas contadas e, em vez que procurarem dilatar a vantagem, deitaram-se à sombra do resultado e da teórica superioridade sobre o adversário. Algo que eu julgava não combinar com a maturidade dos jogadores. Enganei-me redondamente. Quando demos por nós, perdíamos 2-1.

O pesadelo continuou na segunda parte, culminando no 3-1. Aí, pensei que estava tudo perdido. Felizmente, tal momento não durou mais do que um ou dois minutos, graças ao tento de Postiga, ainda no rescaldo do terceiro golo israelita. Até foi um bom timing, pois cortou, de certa forma, o efeito do 3-1 e relançou a equipa portuguesa. No entanto, teria dado muito mais jeito caso tivesse vindo aquando dos flagrantes desperdícios do Carteiro, durante a primeira parte.


Antes deste golo, nas redes sociais, toda a gente "batia" no pobre Hélder, esquecendo-se do facto de que ele era (e continua a ser) o melhor marcador português nesta fase de Apuramento. E, embora não me tivesse esquecido disso, desta feita não me apeteceu estar a defendê-lo. Continuava a achar que ele é subvalorizado - e esta semana descobri que o mesmo acontecia com Pedro Pauleta, no seu tempo. Pauleta, o melhor marcador português! - que é dos que mais tem feito pela Seleção nos últimos tempos. No entanto, podia fazer ainda mais se não desperdiçasse tantas oportunidades de outro. 

Além disso, estou farta de defender os jogadores e eles continuarem a fazer jogos destes. Já está na altura de eles me defenderem a mim, de provarem que tenho razão quando manifesto o meu apoio. 


Mas regressemos ao jogo. Como afirmei anteriormente, o golo de Postiga catalisou o despertar português. Os Marmanjos esforçavam-se por fazer em quinze minutos aquilo que haviam parado de fazer após o golo de Bruno Alves. E, de facto, acabámos por ser bem sucedidos, mesmo no último minuto da compensação. Também se tivéssemos falhado aquele lance, éramos um caso perdido. Eu e a minha irmã, com quem estive a ver o jogo, abraçámo-nos, como se aquele fosse o golo da vitória e não do empate. E assim terminou o jogo.

Os meus seguidores do Twitter e da página do Facebook deste blogue terão, certamente, reparado que, durante o jogo e respetivo rescaldo, estive de péssimo humor. Entre mim e a minha irmã, o sarcasmo atingiu máximos históricos. Ela, adepta do clube residente em Alvalade, chegou a afirmar:

- Isto é horrível, isto parece o Sporting! E eu não preciso de mais Sportings na minha vida!

Quanto a mim, passei uma boa parte dos noventa minutos com vontade de dar um par de estalos a cada um dos Marmanjos. Muito isto era calor do momento, evidentemente, da boca para fora. Na realidade, não seria capaz de cumprir tais ameaças, por múltiplos motivos (desde falta de coragem a demasiado afeto por eles). Quem nunca se enervou durante um jogo de futebol ao ponto de insultar um dos protagonistas, seja ele um jogador da sua equipa, da equipa adversária ou da equipa de arbitragem, pode atirar a primeira pedra, por favor. 


Às vezes, imagino-me assistindo aos jogos no banco de suplentes da Seleção, vivendo cada momento do encontro, sofrendo e festejando em conjunto com a equipa técnica e jogadores de reserva. No entanto, não será, se calhar, muito aconselhável, pelas reações momentâneas que descrevi acima. Não costumo praguejar abertamente mas, em jogos como o de sexta, não é raro eu chamar nomes aos jogadores. Nomes esses que, não sendo palavrões, também não são carinhosos. E evidentemente, não me convém que os destinatários oiçam tais insultos.

José Mourinho, no sábado, quando questionado acerca da situação da Equipa de Todos Nós, usou a expressão "dejá vu" para a descrever. E é, de facto, a mais adequada, na minha opinião. O treinador usou-a porque a Seleção Qualifica-se sempre resvés Campo de Ourique, sofrendo até à ultima jornada, mas Qualifica-se. Eu uso-a, não só pelo que acabo de referir, mas também porque este jogo recordou-me imenso o anterior embate de Apuramento, contra a Irlanda do Norte: também esse jogo foi encarado com demasiada leveza pela Seleção; os adversários aproveitaram-se de tal arrogância para se adiantarem no marcador; só na reta final do jogo é que os portugueses acordaram, em particular após o golo do Postiga; e embora a derrota fosse mais prejudicial às nossas aspirações de Qualificação, a Turma das Quinas não conseguiu melhor do que um empate, um resultado que, tendo em conta o suposto valor da equipa portuguesa, é claramente escasso.



O Pepe afirmou, no rescaldo do jogo com Israel, que Portugal tem de aprender com os erros cometidos - algo que a equipa não tem sido capaz de fazer. É estúpido! Este jogo podia ter corrido de maneira tão diferente! Se, apenas, não tivéssemos abrandado tão depressa após o golo do Bruno Alves, se tivéssemos feito o 2-0... Mesmo que não mantivéssemos o ritmo ao longo dos noventa minutos, mesmo que consentíssemos o 2-1, conseguiríamos, certamente, ganhar, com mais ou menos dificuldade.

Os otimistas destacam a maneira como conseguimos anular a desvantagem de dois golos em cerca de quinze minutos. Só que, embora tenha a noção de que este empate nos mantém na corrida, que este ponto arrancado a ferros pode vir a ser valiosíssimo mais à frente, não considero um grande feito emergirmos do buraco que nós mesmos cavámos, por negligência, sem necessidade.

A questão é a mesma de sempre: a teimosia da Seleção em escolher sempre o caminho mais difícil. Nos dias que antecederam o jogo com Israel, toda a gente fez questão de dizer que o jogo não era "decisivo", para aliviar a pressão sobre a equipa. Acho que fizeram mal. Está mais que provado que não se pode dar demasiada corda aos Marmanjos porque eles enforcam-se nela. Que estes só são capazes de jogar com o Sistema Nervoso Simpático ativado, sob o efeito da adrenalina.


Bem, agora vamos jogar com o Azerbaijão sem Ronaldo - a única coisa que este conseguiu fazer em Israel foi assistir para o golo do Hélder, ver o segundo amarelo da fase de Apuramento e pouco mais - e sem Nani, outros em dúvida, com a margem de erro completamente esgotada. Talvez isto forneça adrenalina suficiente para eles se mexerem a sério. Até porque existe ainda a agravante de o pior segundo classificado de todos os grupos de Qualificação ficar excluído dos playoffs. Mas podia ser pior. Em princípio, o Azerbaijão não terá capacidade de nos colocar problemas. Da última vez que jogámos com eles, ficámos à vontade para lutarmos contra a nossa falta de pontaria, até o Varela entrar e quebrar o gelo. Mas sublinho, mais uma vez, o "em princípio". Não me admirava se, mesmo assim, os portugueses inventassem algo que jogasse contra eles...

Em todo o caso, nada está perdido ainda. Mesmo que a Seleção esteja quase voluntariamente a tomar o caminho mais difícil até ao Brasil, quando podíamos estar a ter uma Qualificação sem drama de maior, sem calculadoras, o que interessa é chegar lá. E estou convencida de que vamos chegar lá. Como já afirmei aqui, considero sempre a Qualificação da Turma das Quinas para as fases finais como quase garantida. Talvez seja irrealista, talvez eu esteja mal habituada, mas só muito raramente coloco isso em causa. E esta ainda não é uma dessas ocasiões.

Há quem afirme que é por falta de talento que a Seleção anda em dificuldades, mas não acredito nisso. Que diabo, esta é essencialmente a mesma equipa que chegou às meias-finais do Euro 2012 no ano passado!!!! Se eles estiverem para aí virados, não existe motivo nenhum para falharmos o Apuramento. E não haverá, certamente, nenhum jogador português que queira ficar a ver o Mundial pela televisão. Comecemos, para já, por ganhar no terreno azeri, por ganhar pela primeira vez desde setembro do ano passado. Depois logo se vê.

E se aqueles totós me obrigarem a escrever outra entrada pós derrota ou empate a propósito do jogo de terça-feira, haverá sangue!

Estou a brincar, evidentemente... 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Tolerância Zero

Na passada quinta-feira, 14 de março, Paulo Bento divulgou os Convocados para a próxima jornada de Qualificação para o Campeonato do Mundo de Futebol, a realizar-se no próximo ano, no Brasil. Nesta jornada, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere israelita no próximo dia 22. Quatro dias mais tarde, jogará contra a seleção azeri. Nesta convocatória, destaca-se, entre outros aspetos, a Estreia de Vieirinha, substituindo o lesionado Nani, e a dúvida relativamente à aptidão de João Moutinho.

A ausência do avançado do Manchester United dos Convocados deixou-me triste. O pobre Nani não tem tido uma vida fácil nesta época. Tem-se esforçado por ultrapassá-lo, ultimamente, por provar o seu valor, com a garra que o caracteriza. No entanto, o Destino insiste em conspirar contra ele! Primeiro com o cartão vermelho no jogo contra o Real Madrid e, agora, com esta lesão que o impede de vestir a camisola das Quinas. Ele tem mesmo de ir à bruxa, coitado...

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Em todo o caso, o Danny está de volta e ele já anteriormente fez um bom trabalho substituindo Nani - no jogo contra Moçambique, no malfadado dia em que Nani foi obrigado a abandonar a Equipa de Todos Nós, em vésperas do Mundial 2010. E como já jogou com esta Seleção, mesmo tendo em conta a sua ausência prolongada, talvez se adapte bem à equipa. Pelo menos melhor do que um estreante como o Vieirinha - ainda que este tenha marcado um golo no fim de semana anterior a este.

Na verdade, mais preocupante será a eventual ausência de João Moutinho, também por lesão. Ele foi Convocado à mesma, mas será hoje reavaliado. Tenho andado a fazer figas para que ele recupere a tempo dos jogos, pois ele é o tipo de jogador cuja ausência terá impacto no desempenho de uma equipa. Lembro-me sempre da frase pronunciada, se não me engano, por um dos comentadores durante o jogo contra a Irlanda do Norte que, mais tarde, apareceria nas redes sociais: "O João Moutinho, mesmo quando joga mal, joga mais ou menos":  uma frase tosta mas verdadeira.

Este não será o único fator a jogar contra nós nesta dupla jornada de Qualificação. Há que ter em contra que vamos jogar fora, que a viagem até à terra prometida, onde esperamos que o leite e o mel sejam para nós, e depois até ao Azerbaijão, trará algum desgaste.


Ao longo dos últimos meses, no entanto, esgotei a minha paciência no que toca a este tipo de desculpas, umas mais esfarrapadas do que outras. Apesar de não saber quase nada sobre a seleção israelita, toda a gente garante que esta se encontra ao nosso alcance. Os azeris, então, estão definitivamente ao nosso alcance, conforme ficou provado em vários jogos do passado recente, incluindo um há seis meses. Mesmo que tenhamos o azar de jogar amputados de Moutinho (três vezes na madeira, só para o caso), desde que os Marmanjos tenham a cabeça no lugar e deem tudo o que têm em campo, não existe motivo nenhum para não obtermos as vitórias de que precisamos, com mais ou menos dificuldade, com mais ou menos golos. Não será pedir muito a uma equipa que, no ano passado (custa a acreditar que já se passaram nove meses), ficou entre as quatro melhores da Europa. Ainda que Paulo Bento tenha dito que o próximo jogo não é decisivo, estou farta de empates e derrotas. Não me levem a mal mas já perdemos e empatámos tudo o que tínhamos para perder e empatar. Agora é tolerância zero!

O jogo contra Israel realizar-se-à dia 22 de março, sexta-feira, às 12h45, hora portuguesa. Dia 26, jogaremos com o Azerbaijão às cinco da tarde. Horas que não darão muito jeito a muita gente. Mas podia ser pior, pois coincide com as férias da Páscoa escolares. Com um pouco de sorte, o Twitter não estará completamente deserto, como esteve aquando do jogo contra a Rússia. Só entro de férias mesmo na sexta-feira, dia 22, mas termino a tempo de ver o jogo. E se terça-feira, dia 26, fosse um dia normal, teria dificuldades em acompanhar o encontro frente ao Azerbaijão. Talvez publique outra entrada ainda antes do jogo com Israel, mas duvido que, até lá, aconteça algo que o justifique. Em todo o caso, manterei a página do Facebook atualizada com todas as novidades que forem surgindo ao longo da preparação desta jornada dupla.


Não preciso de invocar os motivos pelos quais duas vitórias da Equipa de Todos Nós, sobretudo em jogos desta importância, viriam mesmo a calhar. Sobretudo depois das recentes previsões de um futuro ainda mais negro. Se não se recordem, consultem as entradas dos últimos... dois anos. Os Marmanjos devem-nos isto desde outubro. Está na hora de tornarmos a provar que somos grandes, que somos dos melhores do Mundo não apenas na teoria. E podemos começar já na sexta-feira!
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