sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Brasil 3 Portugal 1 - Equipa procura-se

Na passada terça-feira, dia 10 de setembro de 2013, a Seleção Portuguesa de Futebol encontrou-se com a sua congénere brasileira no Gillette Stadium, em Boston, os Estados Unidos. Tratou-se de um embate de carácter particular, que terminou com uma vitória do Brasil por três bolas contra uma.

O jogo realizou-se às duas da manhã do nosso fuso horário. Eu e a minha irmã fizemos questão de vê-lo, apesar do inconveniente das horas. Vimo-lo no quarto dela, com a televisão em volume baixo, para não incomodar o resto da casa. Estive também atenta ao Twitter, até porque algumas das pessoas que sigo são brasileiras.


A primeira parte foi razoavelmente equilibrada, com ambas as equipas partilhando o domínio, jogando ao ataque. O golo português acabou por resultar de uma asneira da defesa brasileira, bem aproveitada pelo Yosemite Sam, perdão, Raúl Meireles - o nosso barbudo preferido, com diz a minha irmã.

O golo deu-nos a ilusão de que talvez pudéssemos ganhar o jogo ou, pelo menos, contermos os brasileiros o suficiente para o jogo acabar com um empate. Mas foi sol de pouca dura - eles tinham Neymar e nós não tínhamos Ronaldo para equilibrar a balança. Consta que o prodígio brasileiro, irritado pelo jogo faltoso de João Pereira e Bruno Alves - e ainda dizem que "faltou agressividade" - deu uma de Ronaldo e vingou-se contribuindo para dois golos - o primeiro, executando um pontapé de canto; o segundo, marcando ele mesmo. Neste, tal como descreveram no Twitter, o Nani deixou que Neymar lhe tirasse a bola e a defesa portuguesa deu uma de "abram alas p'ró Noddy".

No entanto, na reta final da primeira parte, Portugal até conseguiu manter-se por cima do jogo. Talvez tivéssemos conseguido o empate se o intervalo não se tivesse metido ao barulho. Se a primeira parte talvez tivesse valido a noitada, a segunda definitivamente não a valeu. Cedo sofremos o terceiro golo e depois, com as inevitáveis substituições, deixámos de ter fulgor. De vez em quando, o Nani ainda pegava na bola e tentava atravessar a Amazónia da defesa brasileiro mas era inútil pois os colegas da Seleção não se desmarcavam. E assim se passou o jogo até ao apito final.


Apesar de ter dito, anteriormente, que, neste jogo, o resultado seria o menos importante, no final, senti-me desiludida. Tal como tinha afirmado na página do Facebook, queria que os Marmanjos provassem que a Seleção não era apenas Ronaldo mais dez. Parece que reprovaram neste teste. Talvez me ande a iludir, talvez Rui Santos e respetivos clones não estejam errados, talvez o Cristiano seja mesmo crucial na Equipa das Quinas. Se não for pelo talento de Melhor do Mundo, talvez pelo papel de capitão, pelo aspeto psicológico - o que explicaria as vitórias da Seleção mesmo nos jogos em que Ronaldo pouco intervém. Talvez os próprios jogadores se sintam mais confiantes quando o madeirense está em campo, ao lado deles. Nesse aspeto, a Comunicação Social não deve ajudar, pela maneira como insiste em focar-se em Cristiano Ronaldo e em desprezar os outros.

No entanto, recuso a aceitar esse discurso de "Ronaldo mais dez" como verdade absoluta. Afinal de contas, aquela é a mesma equipa que chegou às meias-finais do Euro 2012! O Ronaldo não levou Portugal até aí sozinho, jogador nenhum podia fazer isso! Que diabo, fomos a única equipa que não se deixou atropelar pela Espanha, que os aguentou durante duas horas de jogo, só caindo nos penálties! O que aconteceu a essa equipa? Onde está essa equipa? 


Podem ter existido outras condicionantes, de resto. Afinal, os portugueses vinham de um jogo difícil, fisicamente duro. E para todos efeitos, apesar do carácter especial, este era apenas um jogo particular. Como tal, não vou dramatizar demasiado esta derrota, apesar das minhas dúvidas existenciais. Os brasileiros foram, pura e simplesmente, melhores do que nós, não há volta a dar. Não quero pensar demasiado no valor da Seleção ou na falta dele - é tudo muito relativo, o futebol é demasiado caprichoso. Prefiro pensar um jogo de cada vez. E esta só será uma verdadeira derrota se não aprendermos com ela, tal como disse Paulo Bento. Só espero que os Marmanjos tenham, de facto, aprendido a lição, que este jogo os tenha ajudado a preparar o próximo, com Israel. Até porque, para além de ser um jogo importante e difícil, ando a planear ir vê-lo ao vivo. Espero poder ser brindada com uma vitória e uma boa exibição. Até porque já prometi no Twitter:




...e, por sinal, já recebi como resposta:




Fazendo figas, então, para que o Meireles volte a deixar a barba crescer na altura do Mundial...

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Irlanda do Norte 2 Portugal 4 - Uma epopeia com contornos dantescos

Na passada sexta-feira, 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol disputou, no Estádio Windsor Park, em Belfast, na Irlanda do Norte, frente à seleção da casa, o seu antepenúltimo jogo da Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar no Brasil, no próximo ano. Tal embate terminou com uma vitória por 4-2 para as cores portuguesas.

Foi um dos jogos mais estranhos, mais loucos, mais bipolares a que assisti. Fez com que o jogo com a Dinamarca, no ano passado, quase tenha parecido um piquenique. Não estava à espera, ninguém estava à espera, penso eu.

Assisti à primeira parte do jogo com o meu pai e a minha irmã. À segunda parte, assisti sozinha. Contudo, ao longo dos noventa minutos, estive sempre acompanhada pelo estádio do Twitter. O hino foi um momento mais engraçado do que o correto, visto que conseguíamos ouvir os jogadores cantando desafinadamente e um verso adiantados em relação à música. Sei que não é, de todo, patriótico rirmo-nos durante o hino mas não resisti...

Cedo ficou claro, pela maneira titubeante como Portugal entrou, que o jogo não ia ser fácil, que, mais uma vez, nos reclamaria anos de vida. Cheguei mesmo a dar com um tweet que previa um jogo muito físico, que não acabaria sem um cartão vermelho. Não nos enganámos mas, lá está, nem eu nem, provavelmente, o autor deste tweet imaginávamos que seria até esta escala. Também se viu cedo que este era, como diziam os comentadores, um "árbitro emocional" - prefiro, no entanto, o termo escolhido pelo Record: histérico - pela maneira como, cedo, o Pepe viu o amarelo. Os portugueses tinham a obrigação de ter percebido logo a aí o que a casa gastava. Mas já lá vamos.



O golo português, marcado na sequência de um canto, surgiu sem que, propriamente, o merecêssemos mas já estivemos demasiadas vezes na posição contrária. Foi, de resto, um belo remate de futevólei do defesa que, assim, se consolidava como o segundo melhor marcador português da Qualificação (isto é, antes de o Ronaldo se ter endiabrado na segunda parte).

- Bolas paradas é com o Bruno Alves! - disse a minha irmã.

Apesar de parte de mim saber que os irlandeses não desistiriam assim tão facilmente, tive esperanças de que o jogo se tornasse mais fácil. Não se tornou. Estava apenas a começar. Não passou muito tempo antes de sofremos um golo, também de canto. Em jeito de recordação de que o encontro não estava destinado a ser pacífico.

Mesmo depois de reposta a igualdade, achei que ainda existiam boas hipóteses de ganharmos. Os Marmanjos não estavam a jogar nada de jeito mas já se falava da entrada de um Nani decidido a reconquistar a titularidade, cuja garra nos poderia ajudar. Continuava por isso razoavelmente confiante.

Até Hélder Postiga me trocar as voltas.


Nesta altura, já devem estar fartos de saber o quanto gosto do Postiga. Não vos será, portanto, difícil de imaginar como fiquei quando ele foi expulso. Nem parece dele. Nem sequer me lembro de ele alguma vez ter visto um amarelo enquanto representava a Seleção. O árbitro exagerou, é claro, aquele "encosto" merecia, no máximo, amarelo mas, tal como disse atrás, o árbitro já tinha mostrado ter critérios peculiares. E aquele gesto do ponta-de-lança foi perfeitamente desnecessário. Naquele momento, pensei mesmo que o Hélder, passe a expressão, nos tinha lixado a todos, que tinha dado cabo daquele jogo e, talvez, de todo o Apuramento - até porque, com este cartão, ele excluiu-se do igualmente difícil jogo com Israel. Jogo a que, ainda por cima, devo ir assistir ao vivo mas em que já sei que não verei um dos meus jogadores preferidos. Tudo por causa de uma infantilidade. Porquê, Hélder, porquê????

Durante o intervalo, preparei-me o melhor possível para uma segunda parte tão agonizante, tão dantesca como a primeira. O segundo golo dos irlandeses não me surpreendeu mas minou-me a confiança, que já não era muita. Eu pensava que tínhamos ultrapassado essa fase má da Seleção, pensava que já se tinha dado a viragem. Pensava que já não íamos perder mais pontos, que não íamos comprometer de novo. Mas naquele momento pensei que me tinha enganado. O facto de o irlandês estar em posição irregular não ajudou em nada, antes pelo contrário. Desta vez não podia culpar os jogadores, tirando Postiga, já que estes estavam a esforçar-se, não tinham culpa de que o árbitro estivesse a protagonizar demasiado naquele jogo. Mas lá ia mantendo os dedos cruzados, lá ia esperando um milagre ou, pelo menos, um empate.

O milagre acabou, de certa forma, por vir aos poucos, começando com a expulsão de Brunt. Tal repôs a igualdade no número de jogadores, deixou menos irlandeses disponíveis para marcar Ronaldo, devolveu-nos alguma esperança.


Esperança, essa, que se confirmou com o primeiro golo de Cristiano Ronaldo. Tento esse que foi celebrado com fúria, com um brado raivoso de:

- Tomem! Vão p'ró c******!

Não foram definitivamente os festejos mais bonitos mas eu não estou em posição de criticá-lo. Também eu expurguei as frustrações daquele embate praguejando no Twitter - algo que não costumo fazer. Depois, fiquei a tremer com as emoções. Não estava a ser um jogo fácil para ninguém.

Felizmente estava a tornar-se mais fácil, sobretudo depois da expulsão do segundo irlandês. Estavam poucos portugueses na assistência, comparados com os barulhentos irlandeses, mas, de vez em quando, iam conseguindo fazer-se ouvir. Nesta altura iam gritando:

- SÓ MAIS UM! SÓ MAIS UM!

E Ronaldo correspondeu ao pedido com mais um golo.

- Até a chuva parou com o regresso de Portugal à vantagem - chegou a dizer um dos comentadores. Liderando a revolta portuguesa, Ronaldo fizera a reviravolta, o milagre, parecerem fáceis. Mas também, o madeirense tem qualquer coisa de sobrenatural, por isso, não é de estranhar.


Ainda houve tempo para ele marcar o seu terceiro golo, de livre direto. Aí é que fiquei completamente rendida a Ronaldo, ficámos todos. Ele que marcava o seu primeiro hat-trick com a Camisola das Quinas, que ultrapassava o recorde de Eusébio - cuja reação, devo dizer, me deixou triste. Esperava um pouco mais de humildade dele. Ainda me lembro do tempo em que a ideia de que alguém poderia ultrapassar o Rei parecia heresia mas agora já dois o ultrapassaram... E, embora todos saibamos que o Eusébio e o Pedro Pauleta nunca serão apagados da História, em breve, o Cristiano ultrapassará o recorde do açoriano, consolidando-se como o melhor futebolista português de todos os tempos.

E eu só penso na sorte que tenho por, na minha curta vida, ter podido ver tantas lendas portuguesas em ação.

Gostei quando, na flash-interview, o Hugo Gilberto disse:

- Aposto que o Cristiano não se importará se eu lhe chamar CR3.

Também me deu gozo a maneira como este hat-trick de Ronaldo calou os adeptos irlandeses, que passaram uma boa parte do jogo a chamar por Messi e, segundo o que li no Twiter, a cantar que Ronaldo não passava de um Gareth Bale baratucho. Eu, já nos primeiros minutos do jogo, twittei que os irlandeses deviam perguntar aos malteses, aos bósnios e aos croatas o que tinha acontecido quando eles gritaram por Messi. Eu sabia, de certa forma, que isto ia acontecer - mas, obviamente, não a este nível.



Não sei mesmo descrever o jogo, de tão atípico que foi. Tal como li noutro blogue, tal como a segunda mão do playoff de 2011, acabou por ser um jogo-resumo da Qualificação até agora: jogos inesperadamente difíceis, jogadores boicotando-se a si mesmos e, no momento em que tudo parece perdido, os Marmanjos lá arranjam forças, não se sabe bem onde, para se superarem, para se salvarem. No caso deste jogo, fizeram-no de uma forma inesperadamente grandiosa. Em, suma foi um encontro que chegou a ser dantesco mas que, no fim, se revelou uma autêntica epopeia.

Nesse aspeto, dá imenso jeito ter um jogador como Cristiano Ronaldo, capaz de, um momento para o outro, se endiabrar e reescrever a história de todo um jogo praticamente sozinho. Detesto a ideia, muito vendida por estes dias, de que a Seleção é "Ronaldo mais dez" ms tenho de admitir que, pelo menos naquela noite, ele foi crucial. Mais do que o Homem do Jogo, ele foi o Herói do Jogo. Conforme Bruno Alves afirmou, na flash-interview: "Foi um jogo difícil mas é nos jogos difíceis que se veem os grandes jogadores."


No entanto, ao contrário do que uma boa parte da Comunicação Social tem feito até agora, não ignoro o resto da equipa. Conforme, mais uma vez, o "sábio" Bruno Alves afirmou, "esta vitória é de todos os que cá estiveram, mesmo os que ficaram de fora. Estamos sempre juntos na vitória ou na derrota." Este foi mais um jogo em que a união e o espírito guerreiro intervieram quando as pernas ou a cabeça (sim, estou a falar de ti, Postiga!) faltaram. Mais um jogo em que se provou que vale a pena acreditar até ao último minuto do último jogo, mesmo quando já não parece possível, porque a Seleção, mais cedo ou mais tarde, dá a volta ao texto.

Mas, por amor de Deus, só espero que não se voltem a enfiar num buraco como aquele tão cedo! É que os nossos corações não dão para anto! Que tenha servido de lição.


Entretanto, temos ainda o jogo com o Brasil. Fiquei triste por saber que o Cristiano não foi com eles para Boston, embora compreenda os motivos. Mas tenho pena, mais do que por não poder ver o duelo Ronaldo versus Neymar, por não ver o reencontro com Scolari. Contudo, ainda temos vários jogadores "sobreviventes" da era dele, o Carlos Godinho, o próprio Paulo Bento que é amigo de Felipão. Além disso, com um bocadinho de sorte, talvez Ronaldo e Scolari se possam reencontrar durante o Mundial.

Já decidi que, definitivamente, não me vou ralar demasiado com o resultado deste jogo. Depois de sexta-feira, preciso de poupar o meu sistema cardiovascular. O jogo será às duas da manhã de cá... Para mim não é problema - neste momento, são duas da manhã, faltam vinte e quatro horas para o início do jogo, e estou aqui, a acabar esta entrada. O pior é que, aquando do Mundial, os jogos devem ser todos a horas inconvenientes, como estas. Nessa altura será mais complicado pois, provavelmente, terei de me levantar cedo.

Contudo, antes de pensarmos nisso, temos de Qualificar-nos. Ainda nos faltam dois jogos, um dos quais será, certamente, tão difícil como este, com a Irlanda do Norte, foi. Talvez ainda mais. Espero que o particular com o Brasil, para além se ser uma festa do futebol, nos ajude a preparamo-nos para as duas finais que faltam deste Apuramento. Para podermos dizer aos nossos irmãos para guardarem umas caipirinhas para saborearmos enquanto estivermos no Brasil, durante o Campeonato do Mundo. 

sábado, 31 de agosto de 2013

Uma final e um reencontro

No próximo dia 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará, em Belfast, a seleção da casa, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, que se realizará no próximo ano, no Brasil. Será precisamente com a seleção desse país que, quatro dias depois, Portugal disputará um encontro de cariz amigável em Boston, nos Estados Unidos.

Os Convocados para esta dupla jornada de Seleção foram divulgados anteontem, quinta-feira dia 29 de agosto. As principais novidades consistem na Chamada de Antunes e Josué (que, neste início de época, se tem destacado ao serviço do Futebol Clube do Porto), bem como no regresso dos que falharam o jogo com a Holanda: Raul Meireles, João Moutinho, Nani e Hugo Almeida. Confesso-me francamente aliviada pelo regresso de Moutinho, apesar de ainda não existirem certezas relativamente à sua aptidão - já toda a gente sabe da importância do "formiguinha", que é pouco afetada pela sua forma física.

E, ao menos, desta feita é pouco provável o Pinto da Costa vir mandar bocas ou, como diz o Selecionador, debitar postas de pescada sobre a eventual utilização, ou não, de Moutinho.




Quanto a Nani, estou dividida. Por um lado, sinto-me satisfeita por ver um dos meus futebolistas preferidos de regresso aos Convocados. Por outro lado, o jogador continua a não competir com regularidade no Manchester United, agora por causa de mais uma lesão. Tal deixa-me céptica relativamente aos benefício da sua Chamada. Paulo Bento garante que , apesar das recentes atribulações da carreira de Nani, este continua "com um talento e qualidade" de que o Selecionador não se dá "ao luxo de desperdiçar". Será suficiente para ele merecer a titularidade? Sinceramente, não sei. Neste momento, tanto a presença como a ausência do jogador no onze inicial frente à Irlanda me parecem igualmente prováveis. No entanto, eu, se calhar, apostaria em Vieirinha.

Por outro lado, fiquei surpreendida com a ausência de Nélson Oliveira, que está a atravessar uma boa fase no seu clube, o Rennes. O jovem jogador tem sido apenas uma promessa há demasiado tempo, convinha começar a conquistar um lugar entre os habituais da Seleção.




Aproximam-se, então, dois jogos extremamente interessantes, cada um por um motivo diferente. Começarei pelo menos importante ("menos", por ser um particular). Praticamente desde que foi anunciado, tenho andado ansiosa pelo jogo com o Brasil. Não tanto pelo confronto Ronaldo versus Neymar, mas sobretudo por causa do reencontro com Luiz Felipe Scolari mais de cinco anos (!) após este abandonar o comando técnico da Seleção Portuguesa.

Será, no minimo, agridoce ter o nosso antigo selecionador sentado no banco do adversário. O próprio Scolari admite que, para ele e para o Murtosa, será "um jogo estranho", que "dá um nó na garganta", tal como era estranho quando estavam no comando técnico da Turma das Quinas e esta jogava com o Brasil. Eu ainda me sinto um bocadinho zangada pela maneira como Scolari nos trocou pelo Chelsea, anunciando a notícia quando a Seleção ainda se encontrava no Euro 2008. Contudo, superior a isso é a minha gratidão por tudo aquilo que o nosso ex-selecionador nos proporcionou, em particular de 2004 a 2006. Há quem defenda que o único mérito que o treinador canarinho teve nessa era foi ter tido a felicidade de poder dispôr de parte da Geração de Ouro, de Cristiano Ronaldo e da espinha dorsal do Futebol Clube do Porto de Mourinho. Nesse aspeto, a vitória do Brasil na Taça das Confederações deixou-me secretamente satisfeita por ter provado que Scolari até sabe treinar. Não chega apenas ter bons jogadores.




Além disso, tenho saudades dele, do seu estilo bonacheirão, da sua maneira de falar muito característica, do seu temperamento caprichoso, da sua proximidade com os jogadores, do carinho que nutre pelo povo português.

Que ainda nutre, aliás. Não apenas pelo facto de continuar a seguir, à distância, o que vai acontecendo com a Seleção, mas também pela maneira como se lembrou de nós, nos agradeceu, pouco depois de ganhar a Taça das Confederações comandando outra equipa.

Anseio, em particular, pelo reencontro e Scolari com os Marmanjos. Se formos a ver, metade do atual plantel da Seleção, sobretudo os habituais titulares, foi lançada na Turma das Quinas pelo atual técnico do Brasil. Vai ser agradável ver o Cristiano Ronaldo, o Hélder Postiga, o Hugo Almeida e os outros reencontrarem Scolari - depois, exigirei fotografias e vídeos desse(s) momento(s)!

Por tudo isto, pelo menos para mim, neste jogo o resultado será um aspeto secundário. Será como no jogo com a Holanda: o importante será afinar armas, testar alternativas, habituar os Marmanjos a elevados níveis de exigência de modo a prepará-los para a reta final da Qualificação. Mas também servirá para apreciar a beleza de um embate entre duas seleções de topo, representando países irmãos.


O jogo a sério, o jogo que nos tirará anos de vida, realizar-se-à quatro dias antes, com a Irlanda do Norte, uma seleção teoricamente mais fraca, motivada por uma recente vitória perante um dos candidatos à Qualificação, que ainda por cima é forte jogando em casa, que provavelmente entrará em campo sem medo. O próprio selecionador irlandês já avisou que Portugal deve preparar-se, pois a vitória da sua seleção perante a Rússia não foi, segundo ele, produto do acaso.

A incógnita que se coloca é, tal como já referi na entrada anterior, se a Irlanda do Norte jogará à defesa ou ao ataque, como fizeram contra a Rússia, e qual destas estratégias será mais benéfica para Portugal. Eu, por exemplo, preferia a segunda, visto que a Turma das Quinas costuma dar-se mal com autocarros estacionados à frente da baliza. Por sua vez, a minha irmã não em grande confiança na nossa defesa após uma série de disparates que nos custaram caro no passado recente.

Aquilo sobre o qual não existem dúvidas é de que este jogo será mais um encontro difícil, intenso, mais uma final, mais um jogo em que perder pontos não é opção. Mais uma vez, os Marmanjos estão obrigados a desenrascar-se, a dar tudo por tudo, a deixar a pele em campo. A Irlanda do Norte será um adversário difícil, mais difícil do que, se calhar, imaginávamos há um ano, mas eu acredito que temos equipa para vencê-los, mesmo com todas as circunstâncias desfavoráveis. Acredito que os Marmanjos farão por isso. E está mais do que provado que quando o fazem, quando dão o seu melhor, por vezes, nascem jogos fantásticos, daqueles que nos enchem de orgulho e funcionam como verdadeiros antidepressivos. Não peço que isso aconteça agora, frente à Irlanda - mas peço que ganhem, de modo a podermos viver mais momentos desses no próximo ano, na terra dos nossos irmãos.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Portugal 1 Holanda 1 - Laranja agridoce

Na passada quarta-feira, dia 14 de agosto, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu, no Estádio do Algarve, a sua congénere holandesa, num jogo de carácter particular. Encontro que terminou com um empate a uma bola.
Como talvez tenham reparado, pouco antes do jogo, tive de publicar a entrada anterior incompleta. Isto deveu-se ao facto de a minha família ter decidido ir mais cedo de fim-de-semana prolongado, para podermos ver o jogo com a Holanda com mais calma. Por ironia do destino, contudo, apanhámos a estrada cortada por um acidente grave. Lá conseguimos arranjar um desvio mas não conseguimos chegar antes do início do jogo, pelo que tivemos de segui-lo pela rádio até ao golo da Holanda. Mesmo depois, na azáfama da chegada, não deu para acompanhar com muita atenção o resto da primeira parte do encontro. De resto, a Seleção não jogou grande coisa, pelo que não devo ter perdido muito.

E, de facto, a exibição da Seleção pareceu-me boa durante a segunda parte, apesar da habitual e exasperante falta de eficácia. Como disse a minha mãe, que viu o jogo comigo e com a minha irmã, os portugueses até conseguiam levar a bola até à grande área holandesa, o problema era mesmo enfiá-la na baliza. O Cristiano Ronaldo, como já vai sendo hábito, era dos que mais empurravam a equipa para a frente mas eu destacaria, também, João Pereira, que cumpria a sua vigésima quinta internacionalização. A minha mãe ficou particularmente impressionada com ele, sobretudo quando o víamos nos confrontos com os holandeses, a sua baixa estatura contrastando com o tamanho dos adversários, mas não o impedindo de ganhar o controlo da bola.


Não foi, de resto, o único a jogar bem, na quarta-feira. Também o Miguel Veloso e o Luís Neto não estiveram mal (ainda que a defesa tenha ficado mal na fotografia quando do golo holandês), o último revelando-se merecedor da inesperada titularidade, que roubou o lugar a Bruno Alves, dando uma saudável dor de cabeça a Paulo Bento. E mesmo o Beto, coitado, não teve medo de levar com um holandês em cima aquando de uma defesa.

Perto do fim, numa altura em que já estava conformada, ainda que algo insatisfeita, com a derrota - afinal de contas, a Argentina venceu-nos em 2011, o que em nada manchou a boa fase que a Seleção atravessava nessa altura - surgiu o golo de Cristiano Ronaldo, que recompensou um Estádio do Algarve, senão com lotação esgotada, pelo menos com lotação recorde. Já muitos apostavam que ele fizesse um golo, frente a um freguês a quem já marcara três vezes. Fica, deste modo, a apenas um golo de igualar Eusébio. A continuar assim, nos próximos jogos ultrapassará o Rei e, quem sabe, dentro de um ano terá já ultrapassado Pedro Pauleta. Como li n'"A Bola", pela sua vaidade e teimosia, Ronaldo só parará quando mais ninguém duvidar da sua entrega aquando dos jogos da Equipa de Todos Nós.


Acabou por ser um jogo pouco amigável, sob vários pontos de vista, seja por os portugueses o terem levado mais a sério do que levaram outros particulares (o que não surpreende, tendo em conta o peso motivador do adversário), seja pela tensão entre as duas equipas. O selecionador holandês Louis Van Gaal queixou-se do árbitro mas, com toda a franqueza, não notei nenhum favorecimento para com nenhuma das equipas. Acabou por ocorrer aquilo em que apostava: um empate sem golos e uma exibição consistente, ainda que longe de brilhante, que ajudasse Paulo Bento a tirar ilações. A ausência de titulares habituais pode servir de desculpa para as debilidade que não deixámos de apresentar. Talvez haja quem não estivesse à espera de uma laranja tão amarga mas, de qualquer forma, não foi o suficiente para os holandeses nos vencerem pela primeira vez em mais de dez anos. Fica, assim, a doçura da continuidade de uma sina que nos é favorável.


Ainda mais doce que o empate frente à Holanda, foi a surpreendente derrota da Rússia aos pés da Irlanda do Norte. Durante o relato radiofónico, o Nuno Matos, o Joaquim Rita e outro locutor cujo nome não me recordo admitiam que aceitariam de bom grado uma derrota de Portugal, mesmo uma goleada, aos pés da Holanda, se em troca a Rússia perdesse. Eu exigiria, pelo menos, uma boa exibição portuguesa, mesmo assim... Felizmente, o destino foi-nos mais generoso do que isso: Portugal jogou relativamente bem, empatando com a Holanda, e a Irlanda do Norte venceu a Rússia. Continuamos em primeiro lugar. Claro que não convém perder de vista a segunda posição, que só depende de nós, mas é animador pensar que basta a Rússia perder apenas um ponto para acabarmos o Apuramento em primeiro. Isto se também fizermos a nossa parte, obviamente.

Confesso que seria, no mínimo, estranho uma eventual Qualificação direta. Fizemos uma excelente recuperação durante o Apuramento para o Euro 2012 após o caso Queiroz e, mesmo assim, tivemos de ir aos playoffs. Nesta fase, contudo, ficámos para trás por mero desleixo, mas ainda podemos Qualificarmo-nos em primeiro lugar... Não parece justo. É um daqueles paradoxos do futebol. Além disso, eu sentiria falta da emoção dos playoffs, até porque a minha irmãzinha faz anos no dia de um deles e, caso fosse disputado na Luz ou em Alvalade, quereríamos ir... Mas não nego que seria um alívio se, por uma vez, conseguíssemos garantir um lugar no Brasil já eu outubro, sem mais drama.

Por outro laod, tal como Paulo Bento e outros jogadores assinalaram. há que salientar o facto de a Irlanda do Norte ter sido capaz de empatar connosco e vencer os russos. Às tantas, ao contrário do que eu pensava, não foi apenas por desleixo que empatámos no Dragão. Às tantas,  os irlandeses até são bons! Já há dois anos mencionei AQUI que a Irlanda do Norte é daquelas equipas que, não tendo nada a perder, dão tudo o que têm dentro de campo. Não sei até que ponto a Rússia jogou mal mas consta que os irlandeses entraram em campo precisamente com a atitude que descrevi: em vez que estacionarem o autocarro em frente da baliza, atacaram sem medo e, no fim, venceram.

Não sei se repetirão a atitude quando os visitarmos em Belfast, no próximo mês. Em teoria, uma equipa mais atacante, menos passiva, do que é o seu hábito será menos perigosa. No entanto, a Seleção costuma ter dificuldades perante equipas que estacionam o autocarro à frente da baliza, tendo em conta, sobretudo, a nossa crónica falta de eficácia. Às tantas, talvez nos desse mais jeito se os irlandeses se preocupassem mais em atacar, descurando, deste modo, a defesa...


Aquilo de que todos temos a certeza é de que será um jogo a levar muito a sério. Um dos objetivos deste particular terá sido, aliás, familiarizar os Marmanjos com este nível de seriedade. Terá de ser, caso queiramos estar no Mundial do Brasil. Este jogo voltou a provar, ainda, que Portugal tem a capacidade de se bater de igual para igual com equipas deste calibre. Assim, será um enorme desperdício, não apenas para nós mas para o futebol em geral, os portugueses ficarem de fora do Campeonato do Mundo. O jogo com a Irlanda do Norte é mais uma final que temos de vencer. E não falta muito...

Só espero que, nessa altura, tenhamos bem menos jogadores de baixa. Porque, sinceramente, isto foi ridículo...

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

"Agora Qualifiquem-se, OK?"

Anteontem, segunda-feira dia 12 de agosto, a Seleção Portuguesa de Futebol efetuou o seu primeiro treino de preparação do embate particular, frente à sua congénere holandesa, a realizar-se hoje à noite, às 20h30, no Estádio do Algarve. O treino, aberto ao público, teve lugar no Estádio Nacional, no Jamor... e eu estive lá, com a minha irmã e uma amiga dela.

Pela fotografia, julgo que se pode deduzir como correu.

Não escrevi a minha habitual entrada de análise aos Convocados e de análise ao jogo que se avizinha por dois motivos. O primeiro é por considerar que pouco poderia dizer que já não tivesse dito anteriormente. Ao fim de não sei quantos anos de blogue, um certo desgaste é inevitável. Não tanto nas crónicas pós-jogo - cada encontro, seja ele oficial ou particular, é único, essa é uma das belezas do futebol. Mas nestas entradas pré-jogo, tenho de puxar pela minha criatividade para não escrever sempre o mesmo texto outra a outra vez. E como, de resto já planeava ir a um treino aberto e escrever sobre isso, não me importei.

O motivo principal, contudo, foi o facto de ter passado a última semana - incluindo o dia da Convocatória  de férias no estrangeiro. É claro que agora todo o hotel que se preze tem wi-fi, por isso, a desculpa é questionável. No entanto, não levei o meu computador comigo e o meu irmão mal me deixava tocar no dele. De resto, também estava a precisar de uma pausa da Internet. Em todo o caso, deu para ir ficando a par das principais novidades: os Convocados, a onda de lesões (outra vez, Nani?!?), a transferência de Hélder Postiga para o Valência, a derrota do Chelsea aos pés do Real Madrid.


Deu também para saber que, na preparação deste particular com a Holanda só haveria um treino aberto, na segunda-feira às 17h30, sendo que o treino de terça-feira de manhã apenas seria aberto aos Órgãos de Comunicação Social, durante quinze minutos. O que me contrariava por diversos motivos. Um deles era por ser no dia que se seguiu ao nosso regresso a Portugal, deixando-nos pouco tempo para recuperarmos da cansativa viagem. Além disso, num treino matinal, o calor não seria um inconveniente tão grande e não existira a urgência de não chegar demasiado tarde a casa. O motivo principal foi, contudo, o facto de suspeitar - acertadamente - que vários jogadores, com destaque para Cristiano Ronaldo, se baldariam àquele treino.

Eu devia era falar com os boys do Miguel Relvas, a ver se este blogue e respetiva página de Facebook me garantiam uma equivalência a Órgão de Comunicação Social...

Quer-me parecer que, para o melhor e para o pior, ir ver a Seleção ao Jamor será sempre uma aventura - até porque o local continua a ser isolado, meio degradado nalgumas zonas, e a ter péssimos acessos.

Por estes e por outros motivos - incluindo as peripécias na viagem de ida de há um ano - este nosso passeiozinho foi cuidadosamente planeado. Viemos equipadas com três garrafas de água fresca - porque o calor apertava - pacotinhos de bolachas para o caso de nos dar a fome, cartões carregados com dinheiro para os transportes, dinheiro extra para o caso de precisarmos de um táxi, o número de telefone da respetiva central, máquina fotográfica, cadernos e canetas para os autógrafos. Como agora vivemos em Lisboa, fomos de Metro até ao Cais do Sodré, onde apanhámos a Linha de Cascais. Apeámo-nos na minúscula e antiquada estação da Cruz Quebrada, atravessámos o pequeno bairro degradado e, debaixo do sol abrasador, subimos até ao Estádio, os holofotes entre as árvores servindo-nos de marco orientador. Receosa como estava dos atrasos dos comboios e de outros imprevistos, fiz questão de sairmos cedíssimo - como resultado, chegámos ao Jamor uma hora antes o início do treino.


Não fomos as únicas, de resto. Ainda não estava ninguém à entrada do Estádio mas, mais acima, junto ao parque de estacionamento, já se haviam juntado umas boas trinta pessoas, à espera do autocarro da Seleção. Aqui, encontrámos a Bárbara, uma seguidora da minha irmã no Twitter, uma jovem sportinguista, tal como ela, que viera ao Jamor praticamente só para ver o Miguel Veloso, o seu herói. Trazia um cartaz verde fluorescente, pedindo uma camisola ao jogador do Kiev que já lhe tinha sido prometida quando ela fora ao jogo com a Rússia.

Ainda ficámos uma boa meia hora à espera do autocarro, unto ao portão através do qual, no ano passado, o Eduardo, o João Pereira e o Rui Patrício nos haviam dado autógrafos. Sempre que se vislumbrava um autocarro ao fundo da estrada, as pessoas entusiasmavam-se:

- São eles? São eles?

Não eram e eu ria-me. Sabia perfeitamente que, quando fosse a Seleção, não teríamos dúvidas. E, quando eles chegaram, tal como previ, vinham no costumeiro autocarro cor-de-laranja, rodeados de polícias - a minha irmã chegou mesmo a filmar o momento da chegada mas não me deixa divulgar os vídeos. Enquanto o autocarro efetuava a manobra para entrar, chegámos a trocar acenos com o Paulo Bento e o Beto.


Depois de estacionado o autocarrro, ainda esperámos que os jogadores viessem ter connosco, os adeptos, mas não me surpreendi por não terem vindo. De resto, os portões para o Estádio foram abertos pouco depois. Mas ainda houve tempo para as meninas, juntamente com uns quantos adeptos, espreitarem entre as sebes, fazendo lembrar papparazzi, na esperança de vislumbrar um ou outro jogador. Depois de entrarmos para o Estádio, plantámo-nos o mais perto que pudémos da saída dos balneários, apesar de ficar debaixo da luz do Sol. Por algum motivo, desta vez os seguranças pareciam mais permissivos, ninguém nos veio pedir para mantermos as pernas atrás do muro. Conseguimos ver e filmar a subida dos jogadores: o André Martins e o João Pereira, o Rui Patrício e o Eduardo, o Pizzi e o Rúben Amorim, o Nélson Oliveira, o Bruno Gama, o Miguel Veloso, o Hélder Postiga. Nós e os outros adeptos íamos chamando alguns deles, trocando acenos, a Bárbara chegou a gritar ao Patrício que ficasse no Sporting, bem como ao Postiga que regressasse ao clube leonino. Eu, às vezes, ficava tão envergonhada quando os jogadores olhavam na nossa direção que olhava para baixo.

Julgo ter visto o Bruno Gama recebendo a costumeira "receção ao caloiro" antes do aquecimento. Tal como faz igualmente parte da praxe, os jogadores estiveram a passar bolas uns aos outros, dando carolos amigáveis a quem falhava. Nada de novo mas não deixava de ser engraçado vê-los ali, na brincadeira, como se fossem cachorrinhos. Destaque para o André Martins, baixinho, com cara de miúdo, a dar carolos ao Eduardo, que é um matulão.

Ao meu lado, ia ouvindo a Bárbara suspirando pelo Miguel Veloso:

- Ai aqueles braços... Ai, ele mexeu no cabelo... Porque é que ele é tão lindo?

Eu ria-me pois, quando tinha quinze anos, também era assim. A diferença é que limitava estes monólogos ao meu diário e pouco mais. Todas as meninas passa por isto, faz parte do crescimento. E, pelo menos no meu caso, a fase do ai-que-ele-é-tão-perfeito já acabou há muito mas o carinho permanece.


A pedido da minha irmã, ficámos mais um pouco no mesmo sítio, vendo os guarda-redes - logo, o herói dela, Rui Patrício - treinando daquele lado do campo. Achei particularmente interessante um exercício em que Ricardo Peres - o treinador dos guarda-redes, penso eu - e dois dos guarda-redes avançavam em direção à baliza, cada um com a sua bola, mas só um é que rematava, para o terceiro guardião tentar defender. Metia um certo medo ver os três atacantes ao mesmo tempo. Eu é que não queria estar a defender a baliza!

A parte mais interessante do treino foi o minijogo. Gosto sempre de ver aqueles homens a jogar, mesmo sendo naquelas circunstâncias. Como não podia deixar de ser, foram várias bolas aos postes. Sempre que o Hélder Postiga se encontrava com a bola em frente à baliza, eu gritava:

- Vai, Postiga!

Mas a bola acabava sempre por ir parar às mãos do Eduardo ou do Beto. No fim, só houve um golo, de Bruno Gama.



Tal como já foi mencionado, estiveram ausentes muitos dos titulares habituais, incluindo o Cristiano Ronaldo. Irrita-me, contudo, quando dizem, por exemplo, que "a intenção dos adeptos [ao irem ao Jamor] era, obviamente, ver ao vivo Cristiano Ronaldo". Como se a Seleção fosse só ele, como se nós, os adeptos tivéssemos vindo só por causa dele. Não era o caso de nós as três, pelo menos. A Bárbara, tal como já foi referido, viera, sobretudo, pelo Miguel Veloso. A minha irmã queria, como podem deduzir pelo que ela escreveu  nas costas do cartaz da Bárbara, queria uma foto e/ou um abraço do Rui Patrício (infelizmente, não obteve nenhum dos dois). Quanto a mim, vim, não apenas para ver os meus heróis mas também, sobretudo, como forma de demonstrar que os apoiava.

Mas não nego que fiquei desiludida com a ausência do Cristiano.

E ainda pensámos que poderíamos perder mais gente quando o Pizzi foi tocado e começou com queixas Felizmente, passou-lhe e terminou o treino sem limitações.


Tínhamos mudado de lugar para ver o mini-jogo mas, quando os jogadores começaram a fazer os alongamentos finais, voltámos para o local inicial, junto à entrada dos balneários, na esperança de que, pelo menos, o Miguel Veloso viesse ter connosco, atraído pelo cartaz da Bárbara. Eu tinha algumas dúvidas de que isso acontecesse, pensava que só dariam atenção aos adeptos antes de entrarem no autocarro, como no ano passado.

Mas enganei-me, o Miguel veio - consegui filmar o momento - e a Bárbara foi de imediato tirar uma foto com ele. Claro que o resto dos adeptos veio atrás, à caça de fotografias e autógrafos. Eu e a minha irmã juntámo-nos logo à pequena multidão. De alguma forma, consegui manter-me bastante calma, tendo em conta que era a primeira vez, em mais de dez anos apoiando a Seleção - embora, só a tenha começado a seguir fielmente depois do Euro 2004 - era a primeira vez que estava assim tão perto de um jogador. Ainda foi um bocadinho difícil, houve alguma confusão, ainda que de uma forma bastante ordeira e civilizada, até porque os seguranças estavam sempre presentes, calmos mas firmes, para evitar abusos. Estive perto de me meter em foto alheia algumas vezes. Por fim, eu e a minha irmã (uma de cada vez), já conseguimos uma foto com o Miguel, bem como o seu autógrafo.

Entretanto, em resposta aos apelos dos outros adeptos, o Beto e o Eduardo vieram, também, ter connosco. Tal como mencionei acima, ia-me mantendo surpreendentemente calma - mas admito que, se lá estivesse o Cristiano Ronaldo, o Nani ou mesmo o Postiga, talvez caísse para o lado  de sorriso no rosto, que os jogadores retribuíam quando nele reparavam. A minha irmã conseguiu uma fotografia com o Beto e, depois, veio comigo tirar uma foto com o Eduardo - ela pediu-me para a cortar das fotografias que publicasse aqui no blogue. Depois da foto e os agradecimentos, virei-me para o Eduardo e disse-lhe:

- Agora Qualifiquem-se, OK?


Por fim, foi a vez de Paulo Bento vir ter com os adeptos. Tal como os jogadores já o tinham sido, ele foi muito paciente para connosco. Apesar de começar por dizer que não podia demorar muito, que tinha o autocarro à espera, depressa garantiu:

- Eu tiro foto com todos.

De novo tivémos de esperar pela nossa vez. Eu e a minha irmã tentámos várias vezes ir ter com o Selecionador, mas acabávamos por dar o lugar aos outros adeptos, em particular quando eram crianças. Achámos particular graça a dois miudinhos gémeos, loiros de olhos claros, que falavam francês, cada um deles com o equipamento branco da Seleção completo do Cristiano Ronaldo. A minha irmã ficou particularmente feliz quando, a certa altura, Paulo Bento olhou para ela e disse:

- Deixem lá vir a menina, que está aqui à espera.

Contudo, eu e a minha irmã ainda tivémos de esperar um bocadinho mais antes de conseguirmos a tão desejada foto com o Mister. No fim, eu ainda lhe disse:

- Meta o pessoal a jogar.

Mas acho que ele não ouviu. A minha irmã diz que ele ainda lhe piscou o olho.

Eu e as meninas ainda corremos para junto do autocarro, na esperança de que mais um viesse ter connosco, o que não aconteceu. A Bárbara só dizia:

- Eu tive o Miguel ao pé de mim... Eu tive o Miguel ao pé de mim...

Ainda houve tempo para dizermos adeus a Paulo Bento e a alguns dos jogadores antes de o autocarro partir.



Como podem calcular, quando chegámos a casa (tivemos boleia), eu vinha exausta mas era aquele tipo de cansaço que prova de que fizémos o que devíamos, de que tivemos um dia extraordinário. Todo o stress, todas aquelas horas debaixo dos calores do Sara, valeram a pena pois, ao fim de anos sonhano com isto, pude contactar de perto com jogadores e treinador da Seleção, tirar fotografias com eles. Só tenho pena de não ter conseguido ver o Cristiano, o Nani, o Pepe, o Moutinho e os outros, de não ter tirado uma fotografia com o Postiga. Mas um dia conseguirei encontrar-me com mais Marmanjos, se Deus quiser, com a minha troika de ataque preferida. De resto, não devo ficar muito tempo sem vê-los de nov ao vivo, visto que, em princípio, iremos ao jogo com Israel, em Alvalade.

Antes disso, temos outros jogos, começando por o de daqui a menos de duas horas, frente à Holanda, no Estádio do Algarve - ironicamente, uma região fértil em laranjas E, apesar de, tradicionalmente, a Holanda se dar mal connosco em campo, as várias ausências fazem-me recear que esta laranja se revele mais amarga do que o costume. Paulo Bento afirma que o principal objetivo do jogo é manter a competitividade em níveis elevados. Eu acrescentaria que estes dois particulares, frente a adversários de respeito, servem precisamente para os Marmanjos se mentalizarem de que o tempo para brincadeiras já passou, que o que resta da Qualificação é para ser levado a sério.

Como tal, espero para este jogo pelo menos um empate com golos e, sobretudo, uma exibição consistente por parte das cores portuguesas, à semelhança do jogo com a Croácia. No fundo, uma garantia de que aquilo que pedi ao Eduardo será cumprido. Fui ao Jamor para demonstrar o meu apoio para com a Seleção para o resto do Apuramento. Agora, a bola está do lado dos Marmanjos.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Croácia 0 Portugal 1 - Temporada com final feliz

Na passada segunda-feira, dia 10 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol disputou um jogo de carácter particular com a sua congénere croata. Tal encontro teve lugar em Genebra, na Suíça, e terminou com uma vitória pela margem mínima para as cores portuguesas. O único golo da partida foi marcado por Cristiano Ronaldo.

Conforme já tinha dado a entender na entrada anterior, bem como na página do Facebook, não estava à espera de um jogo memorável ou mesmo interessante. Por vários fatores, entre os quais o cansaço de fim de época, o facto de muitos dos habituais titulares não irem jogar, a experiência de jogos amigáveis recentes, bem como outros igualmente disputados em final de época que, de tão irrelevantes, já praticamente ninguém se recorda deles. Acabei por ter uma agradável surpresa com este jogo com a Croácia.

Tal como já mencionei anteriormente aqui no blogue, este era um jogo para homenagear os emigrantes na Suiça, no Dia de Portugal. No entanto, o elevado preço dos bilhetes impediu a lotação esgotada. Ainda assim, o estádio esteve suficientemente cheio de emigrantes portugueses para se considerar que a Seleção jogou em casa. Ao longo do jogo, a assistência foi ouvida frequentemente puxando por Portugal.

Os portugueses entraram no jogo em domínio, embora a falta de rotina entre os jogadores fosse evidente. Cristiano Ronaldo era dos mais interventivos, tentando puxar a equipa com ele, esta é que sem sempre era capaz de acompanhá-lo. Os croatas iam dando um ar de sua graça quando podiam mas era raro apontarem à baliza. O Eduardo raras vezes era chamado a intervir. E ainda bem, que ele pareceu algumas vezes estar perto de cometer uma asneira, daquelas que cometeu no jogo com o Equador. Não sei o que se passa com ele. Será insegurança? O que quer que seja, espero que o Eduardo o ultrapasse o mais depressa possível. É uma pena ver um guarda-redes que ao longo de dois ou três anos fez um ótimo trabalho protegendo as redes nacionais, que foi tão simpático para mim quando estive no Jamor, desperdiçar-se a si mesmo desta maneira.


O golo do Cristiano Ronaldo acabou por vir em boa hora, numa altura em que a Croácia estava mais atrevida. Resultante de um bom entendimento entre Sílvio, Varela e o madeirense, não me pareceu um remate particularmente forte, por isso, não sei que parte dele terá sido frango do guarda-redes croata. Nos festejos do golo, o Ronaldo dirigiu um sorriso rasgado e um gesto de "Não-estou-a-ouvir" aos croatas que, alegadamente - pois não os ouvi - estariam a gritar por Messi.

Ele não consegue evitá-lo, pois não? Acho que nunca vai mudar...

Ainda assim, ainda houve tempo para um gesto de agradecimento ao público português.

Ao intervalo saiu ele e saiu Bruno Alves, dando lugar a Vieirinha e Sereno. Um aparte só para confessar que, durante o intervalo, mudámos para outro canal, onde estava a dar o Toy Story 3. Quando o jogo recomeçou, custou-me imenso mudar de canal de novo. É a primeira vez que me lembro de isto acontecer pois, até agora, um jogo da Seleção vencia com facilidade qualquer outro programa - até porque agora que podemos gravá-los e vê-los mais tarde. Mas o filme estava numa parte tão gira...

Enfim, regressemos ao jogo.


Se na primeira parte, Cristiano Ronaldo destacou-se, o protagonista da segunda parte foi Vieirinha. Endiabrado como esteve neste jogo, o Marmanjo está a tornar-se um sério concorrente a Nani e mesmo - vá lá, com uma saudável dose de exagero - ao próprio Ronaldo. O Vierinha merecê-lo-á se conseguir substituir Nani como titular - algo que pode ser possível caso esta má fase do jogador do Manchester United se prolongue - mas vou ter pena... 

A desarticulação entre os jogadores impediu, na minha opinião, um resultado mais dilatado. Destaque para uma excelente oportunidade, desperdiçada porque Vieirinha calculou mal a posição do Hugo Almeida. Mas, apesar da falta de rotina, apesar de terem existido um par de ocasiões que podiam ter dado para o torto na reta final do encontro, o domínio português nunca foi verdadeiramente questionado. E assim chegámos aos noventa minutos.


O momentâneo sorriso e polegar levantado de Paulo Bento aquando do apito final espelham bem a minha reação a este jogo e a este resultado. Fiquei satisfeita, esperançosa, com um sorriso no rosto para o resto do dia. Não foi um jogo brilhante, tal como o da Rússia não o foi e, mais uma vez, ninguém esperava que o fosse. Herdou, aliás, o espírito do jogo da Luz, a vontade de fazer bem, ainda que as pernas nem sempre conseguissem corresponder às intenções. Houve oportunidade para vários jogadores se destacarem: o inevitável Cristiano Ronaldo, o promissor Vieirinha, Ricardo Costa e João Moutinho que, coitado, pura e simplesmente, não sabe jogar mal, faz tudo dentro de campo.

Gosto é da expressão que li ou ouvi há uma ou duas semanas: quando Moutinho espirra, o F.C.Porto e a Seleção constipam-se.

Foi um dos melhores particulares dos últimos tempos, em que se cumpriram os objetivos, em que os habituais suplentes mostraram vontade de provar o seu valor, ajudando a Equipa de Todos Nós. Comentadores desportivos bem mais sábios do que eu, como por exemplo Rui Santos, continuarão certamente a duvidar do valor desta Seleção, a compará-la com gerações anteriores - apesar de ele também ter criticado essas gerações na altura - mas eu, na minha humilde opinião, pelo que vi nestes dois jogos, considero que a Seleção possui o que é preciso para, pelo menos, se Qualificar para o Mundial do Brasil. Se chega também para um bom desempenho nessa fase final ainda é demasiado prematuro para ser discutido. A Seleção nem sempre tem conseguido dar bom uso a tais qualidades mas quero crer que, nestes últimos três jogos, reaprendemos a jogar com a atitude certa, que essa atitude alinhará de início nos próxímos compromissos da Equipa de Todos Nós.


Encerra-se, assim, mais uma temporada futebolística, se não com chave de ouro, pelo menos numa nota positiva. Foi uma temporada desnecessariamente turbulenta para a Seleção, que nem sempre foi fácil para muitos dos nossos jogadores, mas que penso que teve um final feliz. Antes desta dupla jornada de Turma das Quinas, tinha uma dose significativa de dúvidas. Estas não desapareceram completamente com estes dois jogos, ainda receio eventuais disparates, mas fica uma forte sensação de que estamos de novo no caminho certo. Já não me sentia assim, esperançosa, há bastante tempo.

Segue-se agora a transição entre épocas, um período menos interessante para mim. Podem existir alturas erm que não terei nada para publicar na página do Facebook. No entanto, esforçar-me-ei por manter a página ativa, ainda que publique com menos frequência.

Com um pouco de sorte, estas semanas passarão depressa. Sinto-me ansiosa pelos próximos compromissos, pelo resto da Qualificação. Esta temporada teve um final feliz. Agora, para já independentemente da forma , quero que a próxima temporada termine no Brasil!

domingo, 9 de junho de 2013

Portugal 1 Rússia 0 - Triunfo de equipa

Na passada sexta-feira, dia 8 de junho, a Seleção Portuguesa de futebol recebeu, no Estádio da Luz, a sua congénere russa, num jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar no Brasil, daqui a um ano. A Seleção da casa levou o jogo de vencida por uma bola sem resposta, cortesia de Hélder Postiga. Portugal assumiu deste modo, ainda que provisoriamente - tem mais jogos que a Rússia e Israel, os adversários mais perigosos - a liderança do grupo F. 

Parece que, finalmente, a Equipa de Todos Nós começa a encarreirar neste Apuramento.

Com o tudo o que se foi dizendo ao longo da preparação deste jogo, sobre uma Rússia, treinada por Fabio Capello, que joga à italiana, que estava a ter uma Qualificação imaculada, sem um golo sofrido; sobre o cansaço físico e psicológico de fim de época de alguns jogadores; a falta de ritmo competitivo de outros; as asneiras cometidas ao longo desta fase de Qualificação; por fim, o discurso habitual da falta de opções, de alternativas para a Seleção, do estes-tipos-não-valem-nada-quando-comparados-com-o-Figo-o-Rui-Costa-e-companhia (começo a ficar saturada dessa conversa...), não me atrevia a assumir-me como optimista ou pessimista antes do jogo. Em vez disso, tal como publiquei na página do Facebook algumas horas antes do arranque da partida, preparei-me para um jogo difícil, de sofrimento, em que tudo poderia acontecer. Manifestei, também, o desejo de que os Marmanjos entrassem em campo também assim, com a consciência das dificuldades do jogo, da importância de uma vitória, preparados para qualquer cenário, para dar tudo por tudo, para sofrer, para ganhar. 

O desejo foi cumprido.

Perante uma bela moldura humana, a Turma das Quinas entrou bem no jogo, decidida a cumprir as promessas feitas ao longo da preparação desta jornada. E a recompensa surgiu cedo, na sequência de um livre cobrado por Miguel Veloso. Este colocou a bola muito bem, a jeito para o Hélder Postiga encostar. A bola foi ao poste - que, por uma vez, esteve do nosso lado - e entrou.


O melhor disto tudo é que eu não preciso de dizer nada, não preciso de contrariar as críticas. O Hélder defende-se a si mesmo, outra e outra vez, prova que não é por capricho que teimo em louvá-lo. E, no processo ajuda a Seleção a encontrar o caminho certo. É o nosso talismã há já vários anos. Vai, aliás, fazer agora uma década desde os seus dois primeiros golos pela Equipa das Quinas (num particular contra a Bolívia, dia 13 de junho de 2003, que Portugal ganhou por 4-0). Desde esse dia até hoje, tem-se fartado de marcar golos pela Seleção. Estou a pensar, por exemplo, num tiro espetacular, num jogo de Qualificação para o Euro 2008, frente à Bélgica, em junho de 2007. E no jogo contra a Noruega, há dois anos, também em final de época, também no Estádio da Luz, também ganho por 1-0, com golo de Postiga. E agora igualou Rui Costa em número de tentos. Não me esqueço destas coisas, recordo-as. E fico orgulhosa.

O golo madrugador deu-nos a tranquilidade que não tivemos em outros jogos deste Apuramento. No entanto, tendo o jogo com Israel fresco na memória, não me atrevi a ficar demasiado tranquila, receei que a Rússia empatasse de novo. Não tive grandes motivos para temê-lo a sério durante a primeira meia hora de jogo, durante a qual houve claro domínio português. Só quando a Seleção procurou gerir o resultado, dando mais espaço aos russos, é que comecei a ter motivos reais para me assustar. Sempre que os russos se aproximavam da nossa baliza, eu rezava para que nenhum dos Marmanjos fizesse uma parvoíce, como as que cometeram noutros jogos desta fase de Apuramento. Valeu-nos os bons desempenhos do novato Luís Neto, que substituiu Pepe, as já costumeiras boas intervenções de Rui Patrício, um árbitro que, em certas ocasiões, foi nosso amigo e uma boa dose de sorte. Talvez para compensar alguma infelicidade que possamos ter tido em jogos anteriores, os deuses do futebol estiveram com Portugal naquela noite. 


Pena não terem permitido um segundo golo português, só para manter a nossa tensão arterial nos valores normais. Juro que ainda vou descobrir quem é o cardiologista que anda a patrocinar a Seleção para não haver um jogo que seja sem sofrimento...

O encontro acabou, por isso, por ser bastante equilibrado, embora Portugal se mantivesse quase sempre por cima. O que não quer dizer nada - a História recente do futebol é rica em jogos cujos resultados se decidiram numa questão de minutos. E se existiram várias ocasiões em que estivemos perto do segundo golo, existiram outras em que, como disse @lidiapgomes no Twitter, "estivemosábilitar-nos". Por o jogo decorrer no estádio do Benfica, houve quem se recordasse da maldição do minuto 92. Eu, nessa altura, já só rezava, "Apita, árbitro, apita... Termina o jogo...". E, apesar de várias vezes ter receado o contrário, o jogo terminou com a nossa baliza inviolada e Portugal em vantagem, amealhando três pontos.


Foi um bom jogo, sobretudo tendo em conta todos os fatores que jogavam contra nós, já mencionados neste texto. Não foi um jogo brilhante, mas ninguém esperava que o fosse. Vários jogadores se destacaram, como Luís Neto, Vieirinha, Moutinho, entre outros, mas, na minha opinião, foi sobretudo um jogo de equipa, um triunfo de equipa. Houve atitude, espírito guerreiro, de entre-ajuda, união - precisamente os pontos fortes da Equipa de Todos Nós. Os comentadores desportivos não estão errados quando dizem que esta Seleção é mais pobre em valores em individuais do que, por exemplo, a de 2004-2006. No entanto, quando estão para aí virados, quando vestem a camisola das Quinas e jogam em equipa, cada um dos onze jogadores vale mais do que o seu valor individual. Isto foi suficiente para chegarmos às meias-finais do Europeu, no ano passado, chegando a jogar de igual para igual com a Espanha. Foi, também, suficiente para ganharmos à Rússia, apesar das dificuldades todas. Isto, sim, isto é Portugal! Estamos de volta!

O problema é mesmo o facto de os Marmanjos nem sempre estarem para isso. Podia perguntar onde esteve este espírito noutros jogos deste Apuramento. Mas não o farei. Não quero olhar para trás. Não se pode mudar o passado. Aquilo que podemos controlar são os jogos que nos faltam. Cada um deles será uma final. Este, com a Rússia, já o era. Talvez tenha sido a mais difícil. Vencê-la foi um grande passo em frente, mas ainda temos caminho a percorrer e ainda existe o risco de nos perdermos pelo meio, de novo.

Mas, como o próximo jogo oficial é em setembro, haverá tempo para pensar melhor nisso. Antes, ainda teremos dois particulares, um dos quais já na segunda-feira, contra a Croácia. Não alimento grandes entusiasmos para este jogo, por motivos diversos, embora me atraia a possibilidade de vermos jogadores menos habituais - destaque para o estreante André Martins - em campo. Como será uma semana complicada para mim, não sei quando poderei publicar uma análise ao jogo. Nem sei, sequer, se farei uma análise ao jogo. Mas vou tentar escrevê-la, mesmo que o jogo não se revele grande coisa, mesmo que só consiga publicar a entrada uma semana depois.


Fico feliz por a Seleção, finalmente, estar no caminho certo. É verdade que ainda não conquistámos nada, as o Brasil encontra-se cada vez mais alcançável. É o que me farto de repetir aqui no blogue mais uma vez provado: mais cedo ou mais tarde, os jogadores recompensam-nos pelo apoio que lhes damos, mostram que vale a pena acreditar na Seleção. Por isso é que me obriguei a mim mesma, ao longo destes meses todos, a manter a fé, apesar das sucessivas desilusões. Fica este consolo para as próximas semanas: a chama está mais forte, o Brasil está mais perto. Agora, espero que não tornemos a desviar-nos da rota, que continuemos a dar passos em frente e que, daqui a uns meses, estejamos a comemorar a sexta presença num Campeonato do Mundo.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...