quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Crença desesperada

Na próxima sexta-feira, dia 15 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá, no Estádio da Luz, à sua congénere sueca. Mais tarde, no dia 19 de novembro, será a vez de os portugueses jogarem no terreno dos suecos. Ambos os jogos contarão para o playoff de acesso ao Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar no Brasil no próximo ano.

Os Convocados para esta dupla jornada foram Divulgados na passada sexta-feira. Foi uma lista conservadora, demasiado conservadora para o meu gosto - mas não me admira que Paulo Bento não queira arriscar e jogos destas importâncias. William Carvalho é a única novidade e, de resto, não surpreende pelas boas exibições que tem feito no Sporting.

O rumor que corre por aí há já algum tempo é o de que os jogadores sob a tutela do empresário Jorge Mende têm sido favorecidos em termos de Convocatória. É claro que são apenas rumores, não existem ainda provas concrets. No entanto, a ser verdade, depois de Luiz Felipe Scolari ter feito questão de acabar com esses jogos de influências na Equipa de Todos Nós, seria muito triste (e estou a usar um eufemismo) esses maus hábitos estarem a ser recuperados. Não quero, contudo, entrar por aí, insistir em um entre vários fatores de instabilidade que em nada ajudam a Seleção em vésperas de jogos tão importantes e difíceis como estes.


Ficou, então, determinado por sorteio que a Suécia será o nosso adversário neste playoff. A minha primeira reação a tal resultado foi, primeiramente, de alívio por não nos ter calhado a França - o nosso histórico com eles é demasiado assustador. Passando isso à frente, olhando para a Suécia, considero-a relativamente equivalente a Portugal: ambas as seleções possuem a fama - redutora, no caso de Portugal e, provavelmente, também da Suécia - de se confinarem apenas a um jogador de grande prestígio internacional. Nós, para além de Ronaldo, temos Moutinho, Pepe, Rui Patrício. Não duvido que a Suécia tenha, também, as suas figuras equivalentes: mediaticamente mais discretas que Ronaldo ou Zlatan Ibrahimovic mas com um papel importante na sua seleção.

Há, no entanto, que assinalar que a Suécia perdeu o primeiro lugar no seu grupo de Apuramento para a Alemanha enquanto Portugal o perdeu... para a Rússia. Além de que, no último encontro que opôs a Suécia à Alemanha, os nossos próximos adversários estiveram a perder por 4-0 e conseguiram terminar o jogo empatados. Com a Alemanha. Imaginem a disciplina mental que deve ter sido necessária. Comparem-na com o nosso historial de caprichos, desleixos e tiros nos pés.

No entanto, há que recordar, também, que os suecos não estiveram presentes no último Mundial. Nós não falhamos um campeonato de seleções há... bem, dezasseis anos. A idade que, por acaso, a minha irmãzinha completa no dia da segunda mão deste playoff. Este historial tem de contar para alguma coisa, não acham?


Tendo tudo isto em conta, considero que estes playoffs serão extremamente equilibrados. Até porque empatámos com eles a zero nos dois jogos que disputámos com eles na Qualificação para o Mundial 2010. Todos os cenários são possíveis.

Por outro lado, como diz o meu pai, o nosso maior problema não é a Suécia, nem qualquer outro adversário que, literalmente, nos tivesse saído na rifa. O problema é Portugal. Nós somos os nossos piores adversários. A nossa Qualificação foi exemplo disso. Nós tínhamos tudos para nos Apurarmos tranquila e diretamente se não nos tivéssemos desleixado, se pelo menos não tivéssemos perdido quatro pontos nos jogos caseiros. Nesta altura do campeonato, podíamos já estar descansados, a fazer planos para o Mundial. Mas não, estamos em vésperas de um playoff  em que nada está garantido.

Muitos falam da "falta de talento" e tal, mas eu acho que o problema não é esse, é mais antigo. Vejam este vídeo que resume um particular que disputámos com a Suécia em 2004, mês e meio antes do Europeu:


Nesta Seleção jogavam Luís Figo, Rui Costa, Pedro Pauleta, Deco - a geração de jogadores de qualidade internacional com que os críticos não se cansam de comparar a Seleção dos dias de hoje. No entanto, estes talentos todos não impediram o Ricardo de cometer um "frango", o Figo de falhar um penálti, o Rui Jorge de marcar um auto-golo. Não é uma questão de qualidade dos Marmanjos, é algo quase genético. A Seleção Portugues é a sua maior adversária desde... 1921, sou capaz de apostar.

É por estas e por outras que ando algo zangada com a Turma das Quinas, que nem sequer tenho vontade de ir assistir à primeira mão do playoff, no Estádio da Luz. Seria diferente se fosse a segunda mão a ter lugar em casa, no dia de anos da minha irmã, em que eventualmente pudéssemos comemorar o Apuramento no Estádio, com os jogadores. Assim, não. A minha paciência já não dá para tanto, para aderir ao circo, às campanhas publicitárias para, depois, levar com jogos medíocres, como o de Israel em Alvalade. Era até bem feita que os Marmanjos se vissem aflitos, realmente aflitos, para vencerem estes playoffs. Era de maneira que aprendiam a não se desleixarem durante as fases de Apuramento.

Não é de surpreender, portanto, que haja uma quantidade significativa de gente sem grandes esperanças para este playoff.


E, no entanto, podia ser pior. No meio disto tudo, de uma maneira retorcida, acabaram por calhar bem as declarações infelizes de Joseph Blatter sobre Cristiano Ronaldo. As já muito citadas palavras do presidente da FIFA tiveram vários efeitos curiosos. Primeiro, confirmaram as já antigas suspeitas de parcialidade desfavorável a Ronaldo e, quiçá, a Portugal, no topo da hierarquia futebolística, acentuando, deste modo, a antipatia que eu, pelo menos, tenho por Blatter e pelo seu colega Michel Platini. Segundo, tiveram o previsível, mas impressionante, condão de catalisarem o Ronaldo ao ponto de ele marcar, se não estou em erro, oito golos nos três jogos do Real Madrid que se seguiram - destaque para a continência após o primeiro desta série de golos. Por algum motivo a imprensa sueca referiu, recentemente, que Ronaldo era favorito à Bola de Ouro, em detrimento do seu Ibrahimovic: porque sabem que, se menosprezarem Ronaldo, ele vinga-se em campo.

Pena é ser pouco provável os adeptos suecos nas bancadas gritarem por Messi, nos playoffs, quando têm a sua própria superestrela futebolística. É que, da última vez que os adversários da Seleção gritaram pelo astro argentino, o Cristiano Ronaldo fez um hat-trick...

O efeito mais surpreendente, chegando mesmo a ter contornos caricatos, diz respeito às reações dos portugueses em geral. Não é invulgar o Cristiano ser mal amado no seu próprio País porque ele-só-joga-pelo-Real-não-pela-Seleção, tem fama de arrogante, invejam-no por ser "rico, bonito e bom jogador". No entanto, bastou um estrangeiro, um alto dirigente, vir criticá-lo para todo o País (incluindo um ministro) se atirar ao ar e defender, ferozmente, o nosso Comandante - reações catalisadas não só por afeição a Ronaldo mas também, provavelmente, por raivazinhas de estimação à Troika e a outras instituições europeias. Por outras palavras, Blatter transformou-se no inimigo comum que uniu os portugueses na defesa de Ronaldo.

Estou com uma certa esperança de que esta fúria contra Blatter se mantenha por mais uns tempos, não apenas para motivar Ronaldo a continuar a dar tudo de si em campo, mas também para manter os portugueses unidos em torno da Seleção, na vontade de humilhar ainda mais o presidente da FIFA através da Qualificação para o Brasil. Isto numa altura em que os habituais motivos para apoiar a Seleção se encontram enfraquecidos por esta fase de Apuramento.


A Operação Suécia arrancou anteontem. Os maiores receios diziam respeito a lesões de João Pereira e Fábio Coentrão. O primeiro parece já não apresentar limitações. O Fábio já treina em campo, mas condicionado, a dúvida relativa à sua aptidão só será esclarecida, provavelmente, em cima do início da primeira mão. Cristiano Ronaldo e Pepe também ainda não treinaram com o resto do plantel mas, ao que parece, não deixarão de entrar em campo na sexta-feira. Se Deus quiser, não teremos mais baixas. Pelo que, ao contrário do que se poderia alegar em certos jogos desta fase de Qualificação, a ausência de habituais titulares não poderá servir de desculpa.

Confesso que já estive mais otimista. Conforme afirmei acima, esta Qualificação reduziu significativamente a minha tolerância. Vocês sabem que eu assumo sempre que estaremos no campeonato de Seleções seguinte, que praticamente nunca coloco esse cenário em causa. No entanto, acho que as probabilidades de não nos Apurarmos nunca foram tão elevadas. Sei que a Turma das Quinas abordará este jogo de forma diferente como abordou a Qualificação. Nesse aspeto, a Suécia é a adversária ideal: não propriamente com o grau de dificuldade de uma Alemanha, de uma Espanha ou mesmo de uma França mas suficientemente motivadora para os Marmanjos darem o seu melhor em campo. A dúvida que se coloca é se essa nossa capacidade de nos superarmos perante tais adversários será suficiente para disfarçar outros problemas eventuais e vencermos o playoff.

Ainda acredito, atenção, mas é já uma crença desesperada, semelhante à que tinha durante o jogo com a Dinamarca no Euro 2012, depois do 2 a 2. Não me atrevo a não acreditar, acho pura e simplesmente inconcebível não estarmos no Mundial do Brasil. Do Brasil! Não com o Melhor do Mundo do nosso lado. Sobretudo, não depois do que fizemos no Euro 2012! Pode lá ser! Sei que não sou a única a pensar assim. Ninguém neste País quer, certamente, que Portugal fique de fora do Mundial. Nem os jogadores, nem a equipa técnica da Seleção, nem os adeptos, nem mesmo críticos habituais da Equipa de Todos Nós (eu bem vi como toda a gente ficou feliz com o excelente desempenho português no Euro 2012). E, tal como me farto de dizer aqui, o povo precisa destes consolos, destas alegrias, de ansiar por mais disto em 2014. Eu preciso, pelo menos.

É por isso que faço um apelo aos nossos homens: por favor, esforcem-se. Façam por compensar-nos pela tristeza que foi este Apuramento, por honrarem o País, por oferecerem uma alegria a nós todos, com destaque para minha irmãzinha, que faz anos no dia 19 e merece este presente. Todos merecemos. Deem o vosso melhor, então. Por todos nós.


sábado, 19 de outubro de 2013

Portugal 3 Luxemburgo 0 - Queremos muito mais

Na passada terça-feira, dia 15 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu no Estádio de Coimbra a sua congénere luxemburguesa no último jogo de Apuramento para o Campeonato do Mundo da modalidade, que se realizará no próximo ano, no Brasil. Tal encontro terminou com uma vitória portuguesa por 3-0. Ao mesmo tempo, a Rússia empatou com o Azerbaijão. Contas feitas, os russos vencem o grupo F e Qualificam-se diretamente para o Mundial. Quanto a nós, ficamos em segundo lugar, obrigados a ir aos playoffs lutar por uma vaga no Brasil. Conheceremos o nosso adversário na próxima segunda-feira. 

 Tal como se previa, o último jogo desta fase de Qualificação foi tranquilo, equivalente a um particular para levantar a moral. A Seleção não precisou de jogar melhor do que jogou contra Israel, mas parecia jogar melhor visto que os luxemburgueses pouco conseguiam fazer para nos travar. Tivemos várias iniciativas de Varela e Hélder Postiga mas também um número exasperante de bolas perdidas. Apesar da clara inferioridade do adversário, foi necessário este ver-se reduzido a dez para nós marcarmos. Corria a meia hora de jogo. João Moutinho consegue passar a bola a Varela que, isolado, marca com facilidade. Estava aberto o marcador.



Não tivemos de esperar muito pelo segundo golo, resultante de uma jogada iniciada, uma vez mais, por João Moutinho. Não me canso de ver esta jogada, não me lembro da útima vez que vi a Turma das Quinas sincronizada com tanta perfeição. Destaque óbvio para o passe de génio de Moutinho para trás, com o calcanhar, e para o pontente remate de Nani. O momento do jogo, claramente.

Foi bom ver Nani de regresso aos golos quase um ano e meio depois do último. Ele que, no Apuramento para o Euro 2012, foi um dos melhores marcadores mas que, depois disso, até ao momento, só tinha marcado uma vez, naquele malfadado particular contra a Turquia, antes do Euro 2012. Era um dos que queria que marcasse, no jogo de terça-feira. Espero, também, que o jogador do Manchester United não fique por aqui, que volte em breve a ser um dos melhores marcadores da Seleção.


Destaque também para o cumprimento que Nani foi dar a Paulo Bento nos festejos do golo, em jeito de manifestação de apoio e agradecimento pela confiança que o técnico continua a depositar nele. Gestos deste género são sempre de louvar.

Se a primeira parte do jogo ainda foi razoável, a segunda chegou a ser uma seca em vários momentos. Estávamos a jogar contra dez amadores mas não havia maneira de enfiarmos a bola na baliza. Nesse aspeto, um dos jogadores mais exasperantes era Hugo Almeida. Eu não gosto de criticar um jogador da Seleção assim tão abertamente mas, meu Deus, o tipo não dava uma para a caixa! Toda a gente anda, agora, a falar dele como se ele fosse uma nulidade e eu sei que não é bem assim, que ele já audou várias vezes a Seleção com os seus golos, mas o seu desempenho nestes últimos dois jogos, sobretudo no de Coimbra, deixa imenso a desejar. Imenso.


Felizmente, Postiga estava lá para ensinar como se acerta na baliza - embora também pudesse tê-lo feito mais cedo. O ponta-de-lança era outro dos que queria que marcasse, que sabia que marcaria - não é por acaso que ele já é o sexto melhor marcador de sempre com a Camisola das Quinas.

Destaco, ainda, que Moutinho também assistiu este golo, que assistiu todos os golos que marcámos ao Luxemburgo nesta fase de Apuramento. Também sem surpresas aqui. O Moutinho, pura e simplesmente, não sabe jogar mal.

Foi isto o jogo. uma vitória fácil mas que esteve longe de empolgar. Podia ter sido mais expressiva, com as oportunidades que tivemos - incluindo três bolas nos eternos ferros da baliza - e a nossa óbvia superioridade. Dá a ideia, às vezes, que eles não estão para se chatear, ou então que têm medo - sendo ambas as hipóteses indignas de nós. Em todo o caso, gostei das palavras realistas de Paulo Bento, admitindo que a Seleção não foi suficientemente competente para se Qualificar em primeiro, apesar de ter capacidade para isso.



Entretanto, os nossos amigos azeris lá conseguiram empatar com a Rússia - algo que aumenta a nossa frustração pois, se tivéssemos ganho a Israel na semana passada, já estaríamos Apurados, livres de todo este drama. Mas também é aquela, bem assinalada pelos comentadores da RTP: se tivéssemos conquistado aqueles três pontos, a Rússia teria, quase de certeza, abordado o jogo de forma diferente, com menos complacência. Teria ganho e as consequências práticas seriam as mesmas. Tal como disse na última entrada, a diferença seria, sobretudo, em termos anímicos.


A minha frustração acentua-se quando olho para o lote dos já Apurados, quando vejo seleções como os Estados Unidos (onde o futebol é ainda considerado secundário), o Irão de Carlos Queiroz (Grrr!!!), a Bósnia. A Bósnia-Herzegovina que nós derrotámos nos dois últimos playoffs mas que, agora, Qualificou-se diretamente.

Ao mesmo tempo, a Dinamarca ficou já excluída do Mundial por ter sido a pior segunda classificada do conjunto europeu. Eles que nos venceram nas duas Qualificações anteriores a esta, que nos dificultaram a vida à grande e à dinamarquesa no grupo do Euro 2012. Ironias do futebol.

Em todo o caso, frustrações à parte, parabéns à Bósnia pela sua primeira Qualificação para um Mundial.

Quanto a nós, teremos de esperar pela uma da tarde da próxima segunda-feira para saber com quem disputaremos o acess ao Mundial do Brasil. Perante a possibilidade de termos de disputá-lo com a Suécia ou, sobretudo, com a França, tenho-me rido para não chorar. Pouco ajuda saber que eles também não desejam encontrar-se connosco - daria, aliás, mais jeito se estivessem confiantes, demasiado confiantes. Se fosse outra equipa "das grandes" (Inglaterra, Holanda, Itália..), poderia invocar como vantagem a nossa capacidade dde superação perante seleções deste género Mas o nosso historial com a França (só derrotas desde 1975) não tranquiliza.

Por outro lado, há sempre aquele desejo de desforra pelas três meias-finais em que o franceses foram o nosso carrasco. E poucas coisas dariam mais gozo do que fazê-lo barrando-lhes o acesso ao Mundial. Além disso, tal como a minha irmã assinalou no outro dia, se nem eles nem os suecos se apuraram diretamente, será porque não estão assim tão bem quanto isso. Pela mesma lógica, também não podemos subestimar a Islândia e a Roménia - ainda que não tenham o mesmo prestígio, se ficaram em segundo lugar nos seus grupos, se foram considerados melhores que a Dinamarca, por algum motivo será.

Por outro lado, se nos calhasse a França, com todas as dificuldades associadas, era bem feita para eles. Para ver se aprendiam a deixarem-se de desleixos na Qualificação.


O que eu quero mesmo é ir ao Mundial, seja de que modo for, vencendo quem quer que nos calhe. Não concebo a alternativa, não imagino um Mundial sem nós. Não quando há quinze anos que não falhamos um campeonato de seleções, não depois da campanha que fizemos no Euro 2012. Para o conseguirmos, não chega fazer o que fizemos durante o Apuramento. Qualquer que seja o adversário que nos sair na rifa, literalmente, para o vencermos será necessário fazer muito mais, tudo o que vem no refrão do Menos Ais. Sei o que vários de vocês dir-me-iam, que nesses momentos Portugal supera-se, eu mesma farto-me de dizê-lo - mas até quando poderemos fiar-nos nisso, até quando isso será suficiente?

Temos um mês para nos prepararmos para os playoffs, para corrigir as nossas falhas, espero. Se Deus quiser, nessa altura teremos bem menos baixas - apesar de tudo, das boas exibições de jogadores como Ricardo Costa e Antunes, acho que a ausência de titulares habituais continua a fazer mossa. Se não em termos táticos, pelo menos em termos psicológicos. Qualquer que seja o nosso adversário, mesmo com todas as desilusões recentes, com todas as dúvidas, farei por manter a fé na Seleção. Fé essa que, tal como farto de dizer, acaba sempre por ser recompensada, mais cedo ou mais tarde. Paulo Bento prometeu que Portugal tudo fará para descobrir o caminho futebolístico para o Brasil e eu acredito nele. Calhe quem calhar, eles que venham. Nós estaremos prontos.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Portugal 1 Israel 1 - Quem merece?

Na passada sexta-feira, dia 11 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu no Estádio de Alvalade a sua congénere israelita em jogo a conta para a Qualificação para o Mundial 2014. Eu estive lá e assisti ao vivo ao triste jogo que terminou com um empate a uma bola. Um triste resultado e uma triste exibição que, ainda assim, nos valeram um ponto que nos coloca praticamente nos playoffs. 

Foi o primeiro jogo da Seleção a que assisti ao vivo em mais de seis anos. Já tinha dito na última crónica que não guardava muitas boas recordações do último jogo (contra a Sérvia em setembro de 2007). No entanto, também não ficarei com grandes recordações deste. A única melhoria em relação ao último jogo, para além do ponto que nos coloca mais perto dos playoffs, foi o facto de, desta vez, ninguém ter andado aos murros dentro do campo.

Em todo o caso, ir a um jogo de futebol, em particular da Seleção, é sempre uma experiência inesquecível. Inesquecível é como quem diz... as recordações que eu tinha não faziam de todo justiça ao que é ir a um jogo da Seleção. Habituada como estava a ver o jogos pela televisão, a proximidade ao campo, aos jogadores, parecia irreal. Além de que as corres parecem ainda mais alegres - talvez seja a combinação do verde e vermelho das bandeiras, cachecóis e camisolas com os bancos de várias cores do Estádio de Alvalade. A casa estava praticamente cheia e o ambiente fantástico - incluindo uma pequena banda, com tambor e instrumentos de sopro que, ao longo do jogo, ia tocando ou músicas pimba ou o clássico "Portugal Olé!" ou, mais frequentemente, o "Cheira Bem, Cheira a Lisboa", que o público ia acompanhando com palmas e cantoria. 


Chegámos um bocadinho em cima da hora mas a tempo do hino que, naturalmente, foi um dos momentos da noite. Os nossos lugares ficavam no comprimento do campo, junto à baliza sul. Durante a primeira parte, essa baliza era ocupada por Rui Patrício. Muitos se têm queixado de aborrecimento durante o jogo - para mim, contudo, um jogo destes nunca é aborrecido por causa dos nervos. Alem de que estava no Estádio. O que sentia, portanto, era mistura de nervosismo e entusiasmo: tornava-se difícil tomar notas com as mãos a tremer, bater palmas com os dedos cruzados, gritar por Portugal sentindo o coração na garganta. Eu e a minha irmã não tínhamos olhos suficientes, ambas queríamos em simultâneo ver a bola, ver as reações de Patrício, as de Paulo Bento.

Devo dizer que, sempre que olhava, este último encontrava-se sempre no mesmo sítio: no canto superior esquerdo do rectângulo que delimitava o banco português. Por seu lado, o técnico israelita fartava-se de gesticular, de instruir os seus pupilos.


Ao longo de praticamente todo o jogo, Portugal dominava mas era exasperante a maneira como não conseguia chegar à baliza israelita. O golo português aliviou tais nervos. Infelizmente, ocorreu na baliza norte, pelo que não pudemos vê-lo como devia ser. Pouco após o grito do "GOLO!", que colocou todo o Estádio de pé, eu perguntava a todos os que me rodeavam:

- Quem é que marcou? Quem é que marcou?

O speaker do Estádio atribuiu, inicialmente, o golo a Pepe. Só vários minutos mais tarde, quando me pus a ouvir o relato radiofónico - naquela situação, o problema era o inverso do costumeiro: o relato estava atrasado em relação à imagem - é que soube que tinha sido o Ricardo Costa. Eu sempre fui um bocadinho cética em relação ao defesa do Valência mas devo admitir que ele tem tido boas exibições ultimamente, com óbvio destaque para o jogo de sexta-feira. Satisfeita por termos mais uma mais-valia.

Durante a segunda parte, desejei que marcássemos de novo em breve. Mas o maldito segundo golo nunca mais surgia. Agora reparava que os israelitas não estavam propriamente interessados em reverter a desvantagem - destaque para o guarda-redes, agora na baliza sul, que nos irritava a todos ao demorar eternidades a pôr a bola em jogo, nos pontapés de baliza. Mas nós também não tirámos proveito disso. Já estou como o Scolari, quem é o verdadeiro burro aqui? O Ronaldo estava em dia não, embora procurasse empurrar a equipa para a frente. O Nani ia-se esforçando mas sem consequências práticas. O Hugo Almeida parecia não saber jogar com os pés, só nas alturas, mas a bola nunca lhe chegava à cabeça - de uma das poucas vezes que chegou, o golo foi anulado. Nós ainda festejámos mas eu estranhei logo que ninguém fosse abraçá-lo. Só ai é que se reparou no fora-de-jogo assinalado.


Já se sabe que quem não marca , sofre, e foi isso que aconteceu. Pena é a vítima ter sido o Patrício, ele que tantas vezes tem salvo o couro nacional. Apesar da distância, eu e a minha irmã conseguimos ver o atraso de Ricardo Costa e o passe infeliz do guarda redes.

- Não! Não! Agarra! - gememos, levando as mãos à cabeça.

Mas o isreaelita não desperdiçou a oportunidade.

Teve uma certa graça ver os Marmanjos todos com a mesma postura: mãos nos quadris, a cara com que, provavelmente, todos ficámos após aquela fífia do Patrício. Não que o culpe - não me custaria elaborar uma lista de disparates, cometidos por guarda-redes e não só, que nos custaram caro. Alguns desses exemplos seriam bem recentes, até. E, conforme disse acima, nós colocámo-nos a jeito.

Devo dizer que, ainda que a reação imediata do público tenha sido uma assobiadela, ainda nem dois minutos tenham passado do golo e já estávamos, de novo, a gritar por Portugal. Como já é da praxe, os portugueses, ao verem-se aflitos, aumentaram a intensidade, a ver se recuperavam a vantagem. Como também é da praxe, acordaram tarde demais.


Em suma, foi mais um jogo parvo, um entre muitos jogos parvos com que temos sido brindados deste o Euro 2012 e até antes. Pena um deles ter calhado logo no dia em que fui ao Estádio. Não que fosse provável ser muito melhor. Já repararam que, ao longo deste Apuramento, não tivemos um único jogo em que fizéssemos uma boa exibição do princípio ao fim? Já não sei se isto é falta de talento, se é falta de atitude, qual das lacunas é a pior, se não será uma mistura de ambas. Cada coluna de opinião dá o seu diagnóstico e penso que nenhum deles está completamente errado. Não sei, sequer, se vale a pena tentar compreender, tentar descobrir qual é o problema. Ainda na véspera do jogo ouvi o comentador Jorge Baptista dizer que já acompanhava o futebol há muitos anos e continuava incapaz de prever a maneira como a Seleção encararia um jogo. Não há nada a fazer, eles são absolutamente imprevisíveis, caprichosos.

A única coisa que sei, sem dúvida, é que eles não merecem os adeptos que têm. Não me arrependo de ter ido ao jogo pois, conforme disse anteriormente, o ambiente estava fantástico - ainda que muitos digam que, noutros jogos, estive melhor. Estavam quarenta e oito mil pessoas no Estádio. Quarenta e oito mil! A larga maioria das quais terá, certamente, passado por transtornos de todos os tipos para poder estar lá. E os jogadores continuam incapazes de retribuir tal apoio, a casa cheia, os gritos de encorajamento nas piores alturas do encontro. 



Em todo o caso, ao menos ficámos com o playoff garantido. Não apaga a tristeza que foi o jogo mas a verdade é que, mesmo que tivéssemos ganho e vencêssemos o Luxemburgo amanhã, sempre seria improvável ganharmos o grupo - algo de que muitos parecem ter-se esquecido. Como se não soubéssemos há um ano que dificilmente nos Apuraríamos de outra maneira. Já o tinha dito anteriormente e este jogo confirmou-o: pela maneira como esta Qualificação se tem desenrolado, a Turma das Quinas não merece ganhar o grupo. É a velha questão de os portugueses escolherem sempre o caminho mais difícil. Talvez em termos práticos, no final, o resultado de sexta-feira não faça grande diferença. Mas, em termos anímicos, estaríamos bastante melhor agora caso tivéssemos conseguido pelo menos manter aquele 1-0.

Vou esforçar-me por me focar mais na parte prática da coisa. Se/quando (cada um escolhe a conjunção que considerar mais adequada) estivermos no Brasil, os tropeções dados no caminho serão irrelevantes, o que interessará será marcamos presença e fazermos um bom Mundial. Ainda que não tenhamos gostado do jogo de sexta, a verdade é que demos mais um passo - não tão grande como desejaríamos mas foi um passo em frente e não para trás. Continuamos na luta. Urge, no entanto, pararmos de cometer sempre os mesmos erros, aprendermos com eles.


Amanhã jogamos com o Luxemburgo. Pepe e Ronaldo, ausentes por castigo (ao menos, estes não falharão os playoffs) derão lugar, respetivamente, a Rolando e Bruma - estou particularmente ansiosa por ver este último estreando-se pela Seleção A. Penso que, pelo calibre do adversário e pelos requisitos necessários, este jogo pouco mais será que um particular. Em todo o caso, a vitória será sempre o cenário mais favorável. Já se diz que estes playoffs serão os mais duros de sempre mas eu prefiro não me preocupar demasiado com possíveis adversários antes de sabermos, de certeza absoluta, quem iremos enfrentar. Depois, logo analisaremos as nossas hipóteses.

Com tudo isto, a dívida que a Equipa de Todos Nós tem para connosco continua a crescer...

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Seis anos depois

Na próxima sexta-feira, dia 11 de Outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá a sua congénere israelita. Quatro dias mais tarde, receberá os luxemburgueses. Ambos os jogos contarão para o Apuramento para o Campeonato do Mundo, que terá lugar no Brasil, no próximo ano. O jogo com o Luxemburgo terá lugar no Estádio de Coimbra. O com Israel terá lugar no Estádio de Alvalade... e seis anos depois da minha última vez, eu estarei lá!

Já lá vamos.

Os Convocados para a última dupla jornada deste Apuramento foram revelados foram revelados na passada sexta-feira. Existem vários novidades, com destaque para as estreias de Cédric, do Sporting e André Almeida, do Benfica, ambos jovens mas já com historial nas seleções de formação. A dúvida recai em qual deles será titular, substituindo o lesionado João Pereira. Eu apostaria em Cédric, que tem sido titular no seu clube com regularidade, ao contrário de André Almeida. E, de resto, tanto a minha irmã como uma seguidora habitual da página do Facebook de apoio a este blogue têm elogiado o jogador, mesmo antes da Convocatória, tendo ficado naturalmente contentes com esta escolha. De qualquer forma, sempre haverá uma competição saudável entre os dois ao longo destes dias, a ver qual deles ganha a titularidade. Quem quer que seja o escolhido, só espero que se adapte bem à equipa e faça uma boa exibição. Porque o jogo não vai ser fácil e a nossa lista de baixas não me deixa descansada.

A essa lista juntou-se anteontem Bruno Alves. Sereno foi Chamado para o lugar dele mas não sei se este será titular, se Neto jogará no lugar de Bruno - julgo que Paulo Bento experimentou essa estratégia recentemente. Mais uma ausência que não me agrada de maneira nenhuma, não apenas por o Bruno ser uma peça importantíssima na nossa defesa, mas também porque, agora, vamos jogar com Israel amputados dos três Marmanjos que marcaram da última vez que enfrentámos os israelitas. Que, ainda por cima, incluem dois dos nossos melhores marcadores nesta Qualificação.


Entre esses três está Fábio Coentrão, cuja ausência em jogos anteriores esteve associada a dificuldades e maus resultados. E também aquele com quem ainda estou zangada por se ter excluído desnecessariamente deste jogo, impossibilitando-me de vê-lo em Alvalade. Não que esteja particularmente preocupada com a sua substituição, apesar de ele continuar a ser o nosso melhor marcador neste Apuramento - confio em Hugo Almeida e considero promissoras as Chamadas de Nélson Oliveira e Éder. No entanto, nenhum deles é Hélder Postiga, um dos meus preferidos, um dos que mais queria ver jogar sexta-feira. Entre outras coisas, queria participar numa celebração de golos que vi uma vez num dos jogos. O speaker diz o primeiro nome do marcador:

- Hélder...

E o público responde:

- POSTIGA!

- Hélder...

- POSTIGA!

Posso participar na celebração de outros marcadores mas poucos têm um apelido com esta sonoridade.


É por estas e por outras que acho que o jogo com Israel não vai ser fácil. Mas estou à espera que os Marmanjos ganhem o jogo porque, entre outros motivos, vou estar lá. O último jogo da Seleção a que assisti foi também no Estádio de Alvalade, contra a Sérvia, em setembro de 2007. Um jogo do qual não guardo muito boas recordações pois não só empatámos, comprometendo ainda mais a Qualificação para o Euro 2008, mas também, e sobretudo, pelo triste episódio da agressão de Scolari a um jogador sérvio. Tais más recordações deixaram-nos sem vontade de assistir a jogos da Seleção durante algum tempo. Tal vontade só regressou após o Euro 2012, em particular com a campanha da cadeia de supermercados patrocinadora, que oferece cinquenta por cento de desconto para compras. Estivemos para ir ao jogo com a Rússia mas não nos dava jeito, por razões variadas. Por fim, ontem de manhã comprei quatro bilhetes: para mim, para a minha mãe e para os meus irmãos.

Consta que, se vencermos Israel, o segundo lugar fica praticamente garantido. Mas ninguém esquece a possibilidade de a Rússia escorregar nos dois jogos que lhe faltam - uma possibilidade remota, visto que os russos vão jogar com o Luxemburgo e o Azerbaijão. Seria preciso os russos darem uma de... bem, de portugueses em início de Qualificação. Desleixarem-se por completo pensando que se resolverá mais cedo ou mais tarde, de não acordarem a tempo de evitarem o empate ou mesmo a derota.

Por outro lado, sabem como é o futebol. Há dois anos também era remota a hipótese de não nos Qualificarmos em primeiro. Lembram-se? "Bastava" empatarmos com a Dinamarca, talvez nem tanto pois podíamos ser os melhores segundos lugares. Na altura, esta conversa irritava-me, mesmo antes de tais teorias terem falhado redondamente. De resto, o playoff foi, depois, de tal maneira épico que compensou tudo isso. Largamente.


Há quem tenha vontade de ir aos playoffs por esse motivo. Por serem mais dois jogos oficiais da Seleção, pela esperança de que se revelem tão emocionantes como foram os de 2011. Eu também tenho essa esperança e julgo que já afirmei aqui que merecíamos mais o Apuramento direto há dois anos do que agora. No entanto, eu não negaria a tranquilidade de ficarmos já Qualificados. E os playoffs podem sempre revelar-se traiçoeiros - embora em tenha a noção de que não é do interesse de muita gente na FIFA um Mundial sem Cristiano Ronaldo, pelo que é pouco provável encontrarmos um adversário tipo a França. E daí, paradoxalmente, tal seleção poderia ser mais motivadora para os Marmanjos do que, por exemplo, a Bósnia.

Aquilo que uma parte significativa de mim sabe, sempre soube mesmo aquando daquela série de jogos infelizes no passado recente, é que Portugal estará no Brasil de uma maneira ou de outra. Já o disse aqui anteriormente. Pode ser ingenuidade mas assumo sempre que Portugal marcará presença no campeonato de seleções seguinte. Raramente questiono tal convicção e a verdade é que, até agora, não me enganei. É claro que não é uma certeza a cem por cento porque... é o futebol! No futebol não há certezas a cem por cento!

Do mesmo modo sei - e também já o disse aqui - que nenhum dos Marmanjos quer ficar de fora do Mundial; que, de resto, o improviso, o desenrascanço, são especialidades portuguesas. Já o fizeram antes e acredito que o farão de novo. Começando - ou melhor, continuando - com o jogo de sexta-feira. O que peço são três pontos - de preferência sem os sobressaltos do jogo com a Irlanda do Norte mas, se tiver de ser... Seja com uns bons 2-1, com uns convincentes 4-1, com um 1-0 arrancado a ferros ou um 3-2 em cima do minuto noventa. Quero gritar "GOLO!" em coro com o resto de Alvalade, quero sair de lá com a sensação de que o tempo e o dinheiro gastos para garantir a minha presença não serão desperdiçados. Seis anos depois, vou responder ao apelo várias vezes repetido pelos jogadores, vou estar no Estádio, vou cantar, vou celebrar, vou gritar, vou dar-lhes apoio e puxar por eles, num jogo difícil. Em troca, o apelo que faço é o seguinte: não me desiludam.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Brasil 3 Portugal 1 - Equipa procura-se

Na passada terça-feira, dia 10 de setembro de 2013, a Seleção Portuguesa de Futebol encontrou-se com a sua congénere brasileira no Gillette Stadium, em Boston, os Estados Unidos. Tratou-se de um embate de carácter particular, que terminou com uma vitória do Brasil por três bolas contra uma.

O jogo realizou-se às duas da manhã do nosso fuso horário. Eu e a minha irmã fizemos questão de vê-lo, apesar do inconveniente das horas. Vimo-lo no quarto dela, com a televisão em volume baixo, para não incomodar o resto da casa. Estive também atenta ao Twitter, até porque algumas das pessoas que sigo são brasileiras.


A primeira parte foi razoavelmente equilibrada, com ambas as equipas partilhando o domínio, jogando ao ataque. O golo português acabou por resultar de uma asneira da defesa brasileira, bem aproveitada pelo Yosemite Sam, perdão, Raúl Meireles - o nosso barbudo preferido, com diz a minha irmã.

O golo deu-nos a ilusão de que talvez pudéssemos ganhar o jogo ou, pelo menos, contermos os brasileiros o suficiente para o jogo acabar com um empate. Mas foi sol de pouca dura - eles tinham Neymar e nós não tínhamos Ronaldo para equilibrar a balança. Consta que o prodígio brasileiro, irritado pelo jogo faltoso de João Pereira e Bruno Alves - e ainda dizem que "faltou agressividade" - deu uma de Ronaldo e vingou-se contribuindo para dois golos - o primeiro, executando um pontapé de canto; o segundo, marcando ele mesmo. Neste, tal como descreveram no Twitter, o Nani deixou que Neymar lhe tirasse a bola e a defesa portuguesa deu uma de "abram alas p'ró Noddy".

No entanto, na reta final da primeira parte, Portugal até conseguiu manter-se por cima do jogo. Talvez tivéssemos conseguido o empate se o intervalo não se tivesse metido ao barulho. Se a primeira parte talvez tivesse valido a noitada, a segunda definitivamente não a valeu. Cedo sofremos o terceiro golo e depois, com as inevitáveis substituições, deixámos de ter fulgor. De vez em quando, o Nani ainda pegava na bola e tentava atravessar a Amazónia da defesa brasileiro mas era inútil pois os colegas da Seleção não se desmarcavam. E assim se passou o jogo até ao apito final.


Apesar de ter dito, anteriormente, que, neste jogo, o resultado seria o menos importante, no final, senti-me desiludida. Tal como tinha afirmado na página do Facebook, queria que os Marmanjos provassem que a Seleção não era apenas Ronaldo mais dez. Parece que reprovaram neste teste. Talvez me ande a iludir, talvez Rui Santos e respetivos clones não estejam errados, talvez o Cristiano seja mesmo crucial na Equipa das Quinas. Se não for pelo talento de Melhor do Mundo, talvez pelo papel de capitão, pelo aspeto psicológico - o que explicaria as vitórias da Seleção mesmo nos jogos em que Ronaldo pouco intervém. Talvez os próprios jogadores se sintam mais confiantes quando o madeirense está em campo, ao lado deles. Nesse aspeto, a Comunicação Social não deve ajudar, pela maneira como insiste em focar-se em Cristiano Ronaldo e em desprezar os outros.

No entanto, recuso a aceitar esse discurso de "Ronaldo mais dez" como verdade absoluta. Afinal de contas, aquela é a mesma equipa que chegou às meias-finais do Euro 2012! O Ronaldo não levou Portugal até aí sozinho, jogador nenhum podia fazer isso! Que diabo, fomos a única equipa que não se deixou atropelar pela Espanha, que os aguentou durante duas horas de jogo, só caindo nos penálties! O que aconteceu a essa equipa? Onde está essa equipa? 


Podem ter existido outras condicionantes, de resto. Afinal, os portugueses vinham de um jogo difícil, fisicamente duro. E para todos efeitos, apesar do carácter especial, este era apenas um jogo particular. Como tal, não vou dramatizar demasiado esta derrota, apesar das minhas dúvidas existenciais. Os brasileiros foram, pura e simplesmente, melhores do que nós, não há volta a dar. Não quero pensar demasiado no valor da Seleção ou na falta dele - é tudo muito relativo, o futebol é demasiado caprichoso. Prefiro pensar um jogo de cada vez. E esta só será uma verdadeira derrota se não aprendermos com ela, tal como disse Paulo Bento. Só espero que os Marmanjos tenham, de facto, aprendido a lição, que este jogo os tenha ajudado a preparar o próximo, com Israel. Até porque, para além de ser um jogo importante e difícil, ando a planear ir vê-lo ao vivo. Espero poder ser brindada com uma vitória e uma boa exibição. Até porque já prometi no Twitter:




...e, por sinal, já recebi como resposta:




Fazendo figas, então, para que o Meireles volte a deixar a barba crescer na altura do Mundial...

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Irlanda do Norte 2 Portugal 4 - Uma epopeia com contornos dantescos

Na passada sexta-feira, 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol disputou, no Estádio Windsor Park, em Belfast, na Irlanda do Norte, frente à seleção da casa, o seu antepenúltimo jogo da Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar no Brasil, no próximo ano. Tal embate terminou com uma vitória por 4-2 para as cores portuguesas.

Foi um dos jogos mais estranhos, mais loucos, mais bipolares a que assisti. Fez com que o jogo com a Dinamarca, no ano passado, quase tenha parecido um piquenique. Não estava à espera, ninguém estava à espera, penso eu.

Assisti à primeira parte do jogo com o meu pai e a minha irmã. À segunda parte, assisti sozinha. Contudo, ao longo dos noventa minutos, estive sempre acompanhada pelo estádio do Twitter. O hino foi um momento mais engraçado do que o correto, visto que conseguíamos ouvir os jogadores cantando desafinadamente e um verso adiantados em relação à música. Sei que não é, de todo, patriótico rirmo-nos durante o hino mas não resisti...

Cedo ficou claro, pela maneira titubeante como Portugal entrou, que o jogo não ia ser fácil, que, mais uma vez, nos reclamaria anos de vida. Cheguei mesmo a dar com um tweet que previa um jogo muito físico, que não acabaria sem um cartão vermelho. Não nos enganámos mas, lá está, nem eu nem, provavelmente, o autor deste tweet imaginávamos que seria até esta escala. Também se viu cedo que este era, como diziam os comentadores, um "árbitro emocional" - prefiro, no entanto, o termo escolhido pelo Record: histérico - pela maneira como, cedo, o Pepe viu o amarelo. Os portugueses tinham a obrigação de ter percebido logo a aí o que a casa gastava. Mas já lá vamos.



O golo português, marcado na sequência de um canto, surgiu sem que, propriamente, o merecêssemos mas já estivemos demasiadas vezes na posição contrária. Foi, de resto, um belo remate de futevólei do defesa que, assim, se consolidava como o segundo melhor marcador português da Qualificação (isto é, antes de o Ronaldo se ter endiabrado na segunda parte).

- Bolas paradas é com o Bruno Alves! - disse a minha irmã.

Apesar de parte de mim saber que os irlandeses não desistiriam assim tão facilmente, tive esperanças de que o jogo se tornasse mais fácil. Não se tornou. Estava apenas a começar. Não passou muito tempo antes de sofremos um golo, também de canto. Em jeito de recordação de que o encontro não estava destinado a ser pacífico.

Mesmo depois de reposta a igualdade, achei que ainda existiam boas hipóteses de ganharmos. Os Marmanjos não estavam a jogar nada de jeito mas já se falava da entrada de um Nani decidido a reconquistar a titularidade, cuja garra nos poderia ajudar. Continuava por isso razoavelmente confiante.

Até Hélder Postiga me trocar as voltas.


Nesta altura, já devem estar fartos de saber o quanto gosto do Postiga. Não vos será, portanto, difícil de imaginar como fiquei quando ele foi expulso. Nem parece dele. Nem sequer me lembro de ele alguma vez ter visto um amarelo enquanto representava a Seleção. O árbitro exagerou, é claro, aquele "encosto" merecia, no máximo, amarelo mas, tal como disse atrás, o árbitro já tinha mostrado ter critérios peculiares. E aquele gesto do ponta-de-lança foi perfeitamente desnecessário. Naquele momento, pensei mesmo que o Hélder, passe a expressão, nos tinha lixado a todos, que tinha dado cabo daquele jogo e, talvez, de todo o Apuramento - até porque, com este cartão, ele excluiu-se do igualmente difícil jogo com Israel. Jogo a que, ainda por cima, devo ir assistir ao vivo mas em que já sei que não verei um dos meus jogadores preferidos. Tudo por causa de uma infantilidade. Porquê, Hélder, porquê????

Durante o intervalo, preparei-me o melhor possível para uma segunda parte tão agonizante, tão dantesca como a primeira. O segundo golo dos irlandeses não me surpreendeu mas minou-me a confiança, que já não era muita. Eu pensava que tínhamos ultrapassado essa fase má da Seleção, pensava que já se tinha dado a viragem. Pensava que já não íamos perder mais pontos, que não íamos comprometer de novo. Mas naquele momento pensei que me tinha enganado. O facto de o irlandês estar em posição irregular não ajudou em nada, antes pelo contrário. Desta vez não podia culpar os jogadores, tirando Postiga, já que estes estavam a esforçar-se, não tinham culpa de que o árbitro estivesse a protagonizar demasiado naquele jogo. Mas lá ia mantendo os dedos cruzados, lá ia esperando um milagre ou, pelo menos, um empate.

O milagre acabou, de certa forma, por vir aos poucos, começando com a expulsão de Brunt. Tal repôs a igualdade no número de jogadores, deixou menos irlandeses disponíveis para marcar Ronaldo, devolveu-nos alguma esperança.


Esperança, essa, que se confirmou com o primeiro golo de Cristiano Ronaldo. Tento esse que foi celebrado com fúria, com um brado raivoso de:

- Tomem! Vão p'ró c******!

Não foram definitivamente os festejos mais bonitos mas eu não estou em posição de criticá-lo. Também eu expurguei as frustrações daquele embate praguejando no Twitter - algo que não costumo fazer. Depois, fiquei a tremer com as emoções. Não estava a ser um jogo fácil para ninguém.

Felizmente estava a tornar-se mais fácil, sobretudo depois da expulsão do segundo irlandês. Estavam poucos portugueses na assistência, comparados com os barulhentos irlandeses, mas, de vez em quando, iam conseguindo fazer-se ouvir. Nesta altura iam gritando:

- SÓ MAIS UM! SÓ MAIS UM!

E Ronaldo correspondeu ao pedido com mais um golo.

- Até a chuva parou com o regresso de Portugal à vantagem - chegou a dizer um dos comentadores. Liderando a revolta portuguesa, Ronaldo fizera a reviravolta, o milagre, parecerem fáceis. Mas também, o madeirense tem qualquer coisa de sobrenatural, por isso, não é de estranhar.


Ainda houve tempo para ele marcar o seu terceiro golo, de livre direto. Aí é que fiquei completamente rendida a Ronaldo, ficámos todos. Ele que marcava o seu primeiro hat-trick com a Camisola das Quinas, que ultrapassava o recorde de Eusébio - cuja reação, devo dizer, me deixou triste. Esperava um pouco mais de humildade dele. Ainda me lembro do tempo em que a ideia de que alguém poderia ultrapassar o Rei parecia heresia mas agora já dois o ultrapassaram... E, embora todos saibamos que o Eusébio e o Pedro Pauleta nunca serão apagados da História, em breve, o Cristiano ultrapassará o recorde do açoriano, consolidando-se como o melhor futebolista português de todos os tempos.

E eu só penso na sorte que tenho por, na minha curta vida, ter podido ver tantas lendas portuguesas em ação.

Gostei quando, na flash-interview, o Hugo Gilberto disse:

- Aposto que o Cristiano não se importará se eu lhe chamar CR3.

Também me deu gozo a maneira como este hat-trick de Ronaldo calou os adeptos irlandeses, que passaram uma boa parte do jogo a chamar por Messi e, segundo o que li no Twiter, a cantar que Ronaldo não passava de um Gareth Bale baratucho. Eu, já nos primeiros minutos do jogo, twittei que os irlandeses deviam perguntar aos malteses, aos bósnios e aos croatas o que tinha acontecido quando eles gritaram por Messi. Eu sabia, de certa forma, que isto ia acontecer - mas, obviamente, não a este nível.



Não sei mesmo descrever o jogo, de tão atípico que foi. Tal como li noutro blogue, tal como a segunda mão do playoff de 2011, acabou por ser um jogo-resumo da Qualificação até agora: jogos inesperadamente difíceis, jogadores boicotando-se a si mesmos e, no momento em que tudo parece perdido, os Marmanjos lá arranjam forças, não se sabe bem onde, para se superarem, para se salvarem. No caso deste jogo, fizeram-no de uma forma inesperadamente grandiosa. Em, suma foi um encontro que chegou a ser dantesco mas que, no fim, se revelou uma autêntica epopeia.

Nesse aspeto, dá imenso jeito ter um jogador como Cristiano Ronaldo, capaz de, um momento para o outro, se endiabrar e reescrever a história de todo um jogo praticamente sozinho. Detesto a ideia, muito vendida por estes dias, de que a Seleção é "Ronaldo mais dez" ms tenho de admitir que, pelo menos naquela noite, ele foi crucial. Mais do que o Homem do Jogo, ele foi o Herói do Jogo. Conforme Bruno Alves afirmou, na flash-interview: "Foi um jogo difícil mas é nos jogos difíceis que se veem os grandes jogadores."


No entanto, ao contrário do que uma boa parte da Comunicação Social tem feito até agora, não ignoro o resto da equipa. Conforme, mais uma vez, o "sábio" Bruno Alves afirmou, "esta vitória é de todos os que cá estiveram, mesmo os que ficaram de fora. Estamos sempre juntos na vitória ou na derrota." Este foi mais um jogo em que a união e o espírito guerreiro intervieram quando as pernas ou a cabeça (sim, estou a falar de ti, Postiga!) faltaram. Mais um jogo em que se provou que vale a pena acreditar até ao último minuto do último jogo, mesmo quando já não parece possível, porque a Seleção, mais cedo ou mais tarde, dá a volta ao texto.

Mas, por amor de Deus, só espero que não se voltem a enfiar num buraco como aquele tão cedo! É que os nossos corações não dão para anto! Que tenha servido de lição.


Entretanto, temos ainda o jogo com o Brasil. Fiquei triste por saber que o Cristiano não foi com eles para Boston, embora compreenda os motivos. Mas tenho pena, mais do que por não poder ver o duelo Ronaldo versus Neymar, por não ver o reencontro com Scolari. Contudo, ainda temos vários jogadores "sobreviventes" da era dele, o Carlos Godinho, o próprio Paulo Bento que é amigo de Felipão. Além disso, com um bocadinho de sorte, talvez Ronaldo e Scolari se possam reencontrar durante o Mundial.

Já decidi que, definitivamente, não me vou ralar demasiado com o resultado deste jogo. Depois de sexta-feira, preciso de poupar o meu sistema cardiovascular. O jogo será às duas da manhã de cá... Para mim não é problema - neste momento, são duas da manhã, faltam vinte e quatro horas para o início do jogo, e estou aqui, a acabar esta entrada. O pior é que, aquando do Mundial, os jogos devem ser todos a horas inconvenientes, como estas. Nessa altura será mais complicado pois, provavelmente, terei de me levantar cedo.

Contudo, antes de pensarmos nisso, temos de Qualificar-nos. Ainda nos faltam dois jogos, um dos quais será, certamente, tão difícil como este, com a Irlanda do Norte, foi. Talvez ainda mais. Espero que o particular com o Brasil, para além se ser uma festa do futebol, nos ajude a preparamo-nos para as duas finais que faltam deste Apuramento. Para podermos dizer aos nossos irmãos para guardarem umas caipirinhas para saborearmos enquanto estivermos no Brasil, durante o Campeonato do Mundo. 

sábado, 31 de agosto de 2013

Uma final e um reencontro

No próximo dia 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará, em Belfast, a seleção da casa, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, que se realizará no próximo ano, no Brasil. Será precisamente com a seleção desse país que, quatro dias depois, Portugal disputará um encontro de cariz amigável em Boston, nos Estados Unidos.

Os Convocados para esta dupla jornada de Seleção foram divulgados anteontem, quinta-feira dia 29 de agosto. As principais novidades consistem na Chamada de Antunes e Josué (que, neste início de época, se tem destacado ao serviço do Futebol Clube do Porto), bem como no regresso dos que falharam o jogo com a Holanda: Raul Meireles, João Moutinho, Nani e Hugo Almeida. Confesso-me francamente aliviada pelo regresso de Moutinho, apesar de ainda não existirem certezas relativamente à sua aptidão - já toda a gente sabe da importância do "formiguinha", que é pouco afetada pela sua forma física.

E, ao menos, desta feita é pouco provável o Pinto da Costa vir mandar bocas ou, como diz o Selecionador, debitar postas de pescada sobre a eventual utilização, ou não, de Moutinho.




Quanto a Nani, estou dividida. Por um lado, sinto-me satisfeita por ver um dos meus futebolistas preferidos de regresso aos Convocados. Por outro lado, o jogador continua a não competir com regularidade no Manchester United, agora por causa de mais uma lesão. Tal deixa-me céptica relativamente aos benefício da sua Chamada. Paulo Bento garante que , apesar das recentes atribulações da carreira de Nani, este continua "com um talento e qualidade" de que o Selecionador não se dá "ao luxo de desperdiçar". Será suficiente para ele merecer a titularidade? Sinceramente, não sei. Neste momento, tanto a presença como a ausência do jogador no onze inicial frente à Irlanda me parecem igualmente prováveis. No entanto, eu, se calhar, apostaria em Vieirinha.

Por outro lado, fiquei surpreendida com a ausência de Nélson Oliveira, que está a atravessar uma boa fase no seu clube, o Rennes. O jovem jogador tem sido apenas uma promessa há demasiado tempo, convinha começar a conquistar um lugar entre os habituais da Seleção.




Aproximam-se, então, dois jogos extremamente interessantes, cada um por um motivo diferente. Começarei pelo menos importante ("menos", por ser um particular). Praticamente desde que foi anunciado, tenho andado ansiosa pelo jogo com o Brasil. Não tanto pelo confronto Ronaldo versus Neymar, mas sobretudo por causa do reencontro com Luiz Felipe Scolari mais de cinco anos (!) após este abandonar o comando técnico da Seleção Portuguesa.

Será, no minimo, agridoce ter o nosso antigo selecionador sentado no banco do adversário. O próprio Scolari admite que, para ele e para o Murtosa, será "um jogo estranho", que "dá um nó na garganta", tal como era estranho quando estavam no comando técnico da Turma das Quinas e esta jogava com o Brasil. Eu ainda me sinto um bocadinho zangada pela maneira como Scolari nos trocou pelo Chelsea, anunciando a notícia quando a Seleção ainda se encontrava no Euro 2008. Contudo, superior a isso é a minha gratidão por tudo aquilo que o nosso ex-selecionador nos proporcionou, em particular de 2004 a 2006. Há quem defenda que o único mérito que o treinador canarinho teve nessa era foi ter tido a felicidade de poder dispôr de parte da Geração de Ouro, de Cristiano Ronaldo e da espinha dorsal do Futebol Clube do Porto de Mourinho. Nesse aspeto, a vitória do Brasil na Taça das Confederações deixou-me secretamente satisfeita por ter provado que Scolari até sabe treinar. Não chega apenas ter bons jogadores.




Além disso, tenho saudades dele, do seu estilo bonacheirão, da sua maneira de falar muito característica, do seu temperamento caprichoso, da sua proximidade com os jogadores, do carinho que nutre pelo povo português.

Que ainda nutre, aliás. Não apenas pelo facto de continuar a seguir, à distância, o que vai acontecendo com a Seleção, mas também pela maneira como se lembrou de nós, nos agradeceu, pouco depois de ganhar a Taça das Confederações comandando outra equipa.

Anseio, em particular, pelo reencontro e Scolari com os Marmanjos. Se formos a ver, metade do atual plantel da Seleção, sobretudo os habituais titulares, foi lançada na Turma das Quinas pelo atual técnico do Brasil. Vai ser agradável ver o Cristiano Ronaldo, o Hélder Postiga, o Hugo Almeida e os outros reencontrarem Scolari - depois, exigirei fotografias e vídeos desse(s) momento(s)!

Por tudo isto, pelo menos para mim, neste jogo o resultado será um aspeto secundário. Será como no jogo com a Holanda: o importante será afinar armas, testar alternativas, habituar os Marmanjos a elevados níveis de exigência de modo a prepará-los para a reta final da Qualificação. Mas também servirá para apreciar a beleza de um embate entre duas seleções de topo, representando países irmãos.


O jogo a sério, o jogo que nos tirará anos de vida, realizar-se-à quatro dias antes, com a Irlanda do Norte, uma seleção teoricamente mais fraca, motivada por uma recente vitória perante um dos candidatos à Qualificação, que ainda por cima é forte jogando em casa, que provavelmente entrará em campo sem medo. O próprio selecionador irlandês já avisou que Portugal deve preparar-se, pois a vitória da sua seleção perante a Rússia não foi, segundo ele, produto do acaso.

A incógnita que se coloca é, tal como já referi na entrada anterior, se a Irlanda do Norte jogará à defesa ou ao ataque, como fizeram contra a Rússia, e qual destas estratégias será mais benéfica para Portugal. Eu, por exemplo, preferia a segunda, visto que a Turma das Quinas costuma dar-se mal com autocarros estacionados à frente da baliza. Por sua vez, a minha irmã não em grande confiança na nossa defesa após uma série de disparates que nos custaram caro no passado recente.

Aquilo sobre o qual não existem dúvidas é de que este jogo será mais um encontro difícil, intenso, mais uma final, mais um jogo em que perder pontos não é opção. Mais uma vez, os Marmanjos estão obrigados a desenrascar-se, a dar tudo por tudo, a deixar a pele em campo. A Irlanda do Norte será um adversário difícil, mais difícil do que, se calhar, imaginávamos há um ano, mas eu acredito que temos equipa para vencê-los, mesmo com todas as circunstâncias desfavoráveis. Acredito que os Marmanjos farão por isso. E está mais do que provado que quando o fazem, quando dão o seu melhor, por vezes, nascem jogos fantásticos, daqueles que nos enchem de orgulho e funcionam como verdadeiros antidepressivos. Não peço que isso aconteça agora, frente à Irlanda - mas peço que ganhem, de modo a podermos viver mais momentos desses no próximo ano, na terra dos nossos irmãos.
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