quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Começando de novo

No próximo domingo, dia 7 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol iniciará a Qualificação para o Campeonato Europeu da modalidade, que se realizará em França em 2016, com um jogo com a sua congénere albanesa, no Estádio de Aveiro. Os Convocados para esta jornada foram Divulgados na passada sexta-feira, dia 29. Devido a uma série de lesões e momentos de forma longe do ideal (para variar), bem como à muito comentada necessidade de renovação da Equipa de Todos Nós, a Lista conta com muitos nomes fora do habitual, só incluindo oito dos vinte e três que representaram - não muito bem - o País no Brasil.

O ausente mais gritante desta lista é, inevitavelmente, Cristiano Ronaldo. É a primeira vez em muito tempo que o madeirense fica de fora dos Convocados. Estava tão habituada que, momentos após ouvir a Convocatória em direto na televisão com a minha irmã, voltei-me para ela e indaguei:

- Hum... ele Chamou o Ronaldo?

Ainda debatemos se o nome dele teria sido mencionado antes - pois a transmissão televisiva não apanhara o início da Convocatória - mas cedo se concluiu que não, Ronaldo não fora Convocado. Mais tarde, Paulo Bento explicou que tinham "a informação de que Ronaldo não está em condições de competir neste momento". 


Cheguei a temer um reacendimento da polémica em torno da condição física do madeirense, que marcou a participação portuguesa no Mundial, e para a qual eu não tinha a mínima paciência. Eu apostava que fora o Real Madrid a proibir a Chamada de Ronaldo e alguns calculavam que este participaria já no jogo de domingo passado, frente à Real Sociedad, deixando o Selecionador e o estreante departamento médico com cara de parvos. Mas Ronaldo nem chegara a treinar na manhã de sexta-feira e, mais tarde, sairia a informação de que o madeirense ficaria de baixa durante três semanas. Logo, em princípio ninguém levantará problemas. 

De resto, penso que terá as suas vantagens ficarmos sem Ronaldo nesta jornada. Estando a Seleção tão dependente dele, uma desintoxicação vem mesmo a calhar. Mesmo que seja "só" frente à Albânia. Estou, aliás, convencida de que esta Ronaldo-mania foi uma das razões do fracasso dos portugueses no Mundial. Não apenas por culpa da equipa técnica ou dos jogadores, mas também por culpa dos jornalistas, que teimavam (e ainda teimam) em agir como se a Seleção fosse apenas constituída por Ronaldo, praticamente ignorando os demais, mesmo quando estes até se destacavam pela positiva  E não é por nada, mas eu já antes alertava para esse problema

É um tema que voltou à baila nos últimos dias, de qualquer forma, com o regresso da Seleção ao ativo: as razões do falhanço. O Presidente da Federação Portuguesa de Futebol deu mesmo uma conferência de imprensa sobre isso, há uma semana, anunciando as medidas consequentes desse mau desempenho. Em suma, o departamento médico foi substituído e o Selecionador ganhou novas funções, passando a trabalhar mais de perto com os técnicos responsáveis pelas camadas jovens. Muitos têm chamado a isto uma "promoção" (estou agora a interrogar-me se terá existido um correspondente aumento de salário), em jeito de "recompensa" pelo Mundial. Se por um lado considero que, tendo em vista uma renovação da Equipa de Todos Nós, faz sentido uma maior ligação às seleções de esperanças, não sei se esta promoção dará a mensagem correta. 


As explicações que têm sido fornecidas, aliás, de tão vagas, não esclarecem nada. Deixam-me sem saber o que pensar, com medo de que, mais cedo ou mais tarde, tornem a cometer os mesmos erros - embora acredite que seria preciso muito azar para que todas aquelas circunstâncias se repitam (as lesões, as condições meteorológicas, o jogo contra uma poderosíssima Alemanha em que tudo nos correu mal).

Mas regressemos à Convocatória. Tal como afirmei antes, há muitas novidades em relação à Lista para o Brasil. Bruma, por exemplo, foi Convocado, algo de que não estava à espera - nem sequer sabia que ele já tinha recuperado da lesão. Existem, também, alguns nomes que me são desconhecidos, mas já se sabe que eu estou longe de ser uma especialista absoluta em futebol. Também não ajuda a mania de alguns clubes portugueses de enviarem os seus jovens para o estrangeiro, antes de termos tempo de aprender os nomes deles. Como já vai sendo habitual, há Chamadas mais consensuais que outras, alguns jogadores em forma duvidosa, explicações que não satisfazem completamente. 

A verdade é que ninguém sabe o que esperar desta Seleção pós-Mundial 2014. Na teoria, este grupo de Apuramento encontra-se ao alcance de Portugal, ainda para mais quando os dois primeiros classificados garantem a Qualificação direta e o terceiro vai a play-offs. Na prática, a Turma das Quinas é cronicamente imprevisível e, ainda por cima, vem de um recente fracasso. Não dá para ter certezas de nada. E isso preocupa-me.


Tal como já disse antes, na minha opinião, teremos de encarar isto um jogo de cada vez, como se estivéssemos numa fase final. Não elevar demasiado a fasquia, não fazer demasiadas comparações com outros jogadores, outras épocas, outras seleções. Procurar, apenas, fazer o melhor possível com aquilo que tivermos. Se tudo correr bem, será possível irmos reconstruindo a Seleção, passo a passo, fazê-la regressar aos bons resultados, tal como eu sempre acredito que acontece. Felizmente, o nosso primeiro jogo não será demasiado difícil - embora já se saiba que isto é relativo no mundo do futebol; não nos esqueçamos dos problemas que a Albânia nos deu na Qualificação para a África do Sul. Na dupla jornada de outubro já não será bem assim... Abre-se agora um novo capíulo na Históra da Seleção. O cenário inicial pode não ser o melhor, mas não percamos a esperança de um final feliz. 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Portugal 2 Gana 1 - Canto do cisne

No passado dia 26 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou a sua congénere ganesa no Estádio Nacional, em Brasília, em jogo a contar para a fase de grupos do Campeonato do Mundo da modalidade. A Seleção Nacional venceu por duas bolas contra uma, mas foi eliminada da competição por ter uma maior diferença de golos em relação ao Estados Unidos.

Antes de mais nada, quero pedir desculpas pelo atraso exagerado desta crónica. Têm sido uns dias complicados, tem-me faltado tempo e, também, um bocadinho de paciência. Se Portugal tivesse continuado no Brasil, eu faria um esforço por publicar esta crónica antes do jogo dos oitavos-de-final. Mas assim...

Mais uma vez, a primeira parte do jogo coincidiu com o meu trabalho, mais uma vez recorri ao relato da rádio para acompanhá-la. Apesar daquilo que tinha escrito na crónica anterior, apesar de saber que o nosso destino estava praticamente selado, não deixei de me entusiasmar e enervar, como se ainda estivesse tudo completamente em aberto. Está mais do que visto que eu não aprendo, que esta minha doença não se controla assim tão facilmente. Ou isso, ou o Alexandre Afonso e o Nuno Matos são excelentes no que fazem. Eu prefiro pensar que é a primeira hipótese - embora a segunda não seja menos verdadeira - e que isso nunca mudará, em circunstância alguma. A receção do sinal de rádio não era a melhor, devia ter a sua piada se alguém me visse deslocando-me para certos pontos de modo a evitar as interferências da estática. Fui percebendo que Portugal entrara com... bem, com ganas, tendo Cristiano Ronaldo atirado à barra logo aos seis minutos e à figura do guarda-redes ganês aos dezanove.


O momento do primeiro golo coincidiu com uma altura em que o relato se misturava com a estática. Percebi que era golo e, como estava sozinha, festejei-o silenciosa mas exuberantemente em termos gestuais. Não percebi quem marcara, contudo. Na esperança de que os meus colegas estivessem a acompanhar o jogo através daqueles sites, e como já se ouviam buzinas ao longe, corri para eles a perguntar, com um bocadinho de ansiedade a mais, quem marcara. Mais tarde, fartaram-se de se meter comigo por causa desta atitude.

E tinha eu esperanças de manter esta minha doença mais ou menos controlada no local de trabalho. Não tenho mesmo emenda...

Eventualmente, descobri que havia sido auto-golo. E os meus colegas até foram simpáticos em dizer-mo quando descobriram, dou-lhes crédito por isso. Em todo o caso, ao intervalo, saí. Desta feita, não me apeteceu ir para a esplanada onde vira o jogo com a Alemanha. Em vez disso, fui para um café onde já me conheciam bem e até me viram no A Tarde É Sua de há dois anos. Logo, sabiam que sou uma grande adepta da Seleção, com o meu blogue e a minha página, conforme outros clientes vendo o jogo ficaram a saber. Outro gesto simpático, mas fiz-lhes ver que, nesta altura, ter tal estatuto é ingrato.


Fui vendo Portugal dominando os ganeses, mas já com a fraca forma física a dar de si. Quando surgiu o golo do Gana (por sinal, pouco após sabermos que a Alemanha marcara), tive um dejá-vu do jogo com os Estados Unidos: mais uma vez Portugal mostrava-se incapaz de segurar a vantagem.

Felizmente, os portugueses estavam a jogar melhor que nos encontros anteriores. Ou isso, ou pura e simplesmente os ganeses não tinham capacidade para nos criarem assim tantos problemas. Depois de sair Éder (que, segundo os que viram o jogo desde início, incluindo a minha irmã, apenas estava a servir de empecilho), e de entrar Varela e Vieirinha, Portugal passou o resto do jogo em constante ataque, destacando-se o inevitável Cristiano Ronaldo. Após o encontro, muitos contaram os remates falhados e vieram choramingar que "afinal, era possível" golear o Gana, como era requerido para passarmos a fase de grupos. Eu, no entanto, há muito que sei que a Seleção precisa de vinte remates para marcar um golo, por isso não vou nessa conversa.

Cristiano Ronaldo lá conseguiu acertar na baliza, alcançando a proeza de marcar em todas as fases finais em que participou - seis no total. A única coisa de que se pode orgulhar, coitado, num Mundial onde ele se destacou mais pela tendinose rotuliana e pelos cortes de cabelo.


Por fim, o encontro terminou, sentenciando a eliminação de ambas as equipas em jogo do Campeonato do Mundio, bem como a passagem da Alemanha e dos Estados Unidos aos oitavos-de-final. Durante o jogo, enquanto o marcador estava empatado, quase desejei, à semelhança de outros senhores do café, que o Gana nos derrotasse, só para poderem passar em vez dos Estados Unidos. A última coisa que desejava neste Mundial, para além de uma eliminação prematura como esta, era sermos ultrapassados pela seleção de um país que, não apenas não ama o futebol como o resto do Mundo, como também tem pessoas que o consideram anti-americano e mesmo um veículo do comunismo. No entanto, sabe-se agora que a comitiva ganesa tinha ainda mais problemas do que a nossa, eles não tinham condições para ir muito longe. E os americanos parecem, de facto, estarem a converter-se ao futebol depois desta participação no Mundial, ao ponto de sugerirem Tim Howard, o guarda-redes que parou dezasseis remates só no jogo com a Bélgica, para Secretário da Defesa.

De qualquer forma, como já não tinha grande fé no Apuramento, fiquei satisfeita por, pelo menos, termos ganho. Este jogo foi, de certa forma, o nosso canto do cisne neste Mundial, permitiu-nos sair do Brasil com alguma dignidade.

Seguiu-se a tarefa ingrata e desagradável - que ainda não terminou - de diagnosticar este fraco desempenho da Equipa de Todos Nós, de encontrar culpados. Por muito que me custe, tenho de dizer que foram cometidos vários erros ao longo deste percurso, começando pelo número ridículo de lesões. Já aquando da Convocatória se comentava a duvidosa forma física dos Escolhidos, devíamos ter calculado que daria nisto. Eu na altura achei que haveria tempo para os jogadores recuperarem, mas enganei-me redondamente. Não nego que o departamento médico possa ter culpas no cartório, mas cheguei a ler uma notícia que alegava que os jogadores, compreensivelmente ansiosos por jogarem num Mundial, teriam mentido sobre a sua condição física. Não sei se é verdade, mas parece-me plausível. Pode-se questionar a Convocatória, mas eu acho que bastaria aos nossos jogadores estarem em melhores condições para tudo ter sido diferente.


Por outro lado, à semelhança de muita gente, julgo que foi no jogo com a Alemanha que as coisas descarrilaram sem reparação possível. Todos garantem (eu não vi) que Portugal até entrou bem nesse jogo até o penálti, provocado por João Pereira, e a expulsão de Pepe terem deitado por terra o controlo emocional da equipa. Se tivéssemos conservado o sangue-frio, talvez tivéssemos perdido por menos e conseguido, posteriormente, o Apuramento pela diferença de golos, no mínimo. Mesmo assim, continuo convencida que não teríamos pernas para ir muito mais longe.

Pelo meio, Cristiano Ronaldo teve tempo para atirar mais achas para a fogueira. Não posso dizer, infelizmente, que esteja surpreendida - há muito que sei que ele só é o Capitão quando a Seleção está na mó de cima. No entanto, as declarações dele após o jogo contra os Estdos Unidos têm sido retiradas do contexto: tanto quanto percebi (mas posso estar enganada), quando ele disse que não tínhamos grande equipa, referia-se à condição física da maioria dos jogadores, ele mesmo incluído. Além disso, não sejamos hipócritas: infinitos comentadores têm acusado a equipa portuguesa de ser mediana ao longo das últimas semanas, para não dizer meses ou anos, ninguém se importa. O Capitão da equipa diz o mesmo e toda a gente se atira ao ar? É claro que um comentador é um comentador, um Capitão é um Capitão, mas mesmo assim. O que eu não compreendo é, realmente, o otimismo de Ronaldo antes do jogo com a Alemanha. Nem eu nem ninguém...

O que eu sei é que, ainda que, como toda a gente diz, Portugal não seja uma Seleção de topo, nós tínhamos condições para mais do que isto, conforme já dei a entender acima. Um pouco por superstição, não faço prognósticos específicos antes das fases finais. Agora que o Mundial já acabou para nós, posso dizer que calculava que chegássemos aos quartos-de-final. E acho que teria sido possível, quer com este vinte e três, em boa forma, quer com um grupo algo diferente. Além disso, temos jogadores que até estavam bem fisicamente e mereciam ter ficado mais tempo no Mundial; é o caso, por exemplo, de Nani e William Carvalho.


O pior de tudo é que este está a ser um belo Mundial, bem disputado, cheio de emoções. Se por um lado não estávamos de todo ao nível dele, por outro lado, se estivéssemos melhor preparados, poderíamos estar a fazer parte disto, ou pelo menos ter saído dele de forma mais digna, como saíram seleções como a Grécia e a Costa Rica, merecedora do respeito de toda a gente. Irrita-me que tenhamos desperdiçado mais esta oportunidade. E, claro, poderíamos ter aumentado o índice de felicidade e auto-estima nacional, da maneira tão frequentemente por mim descrita cá no blogue, ainda que durante escassas semanas. Poderíamos ter tido mais golos, mais vitórias, daquelas que se festejam nas ruas, que alegram todo o País, poderíamos ter vídeos de bastidores mostrando os jogadores a cantar e a festejar, ter tido o Mundo com os olhos postos na Seleção pelos melhores motivos.

Outra das questões muito debatidas no rescaldo da nossa participação no Mundial diz respeito à necessidade de renovação da Seleção, bem como à continuidade de Paulo Bento. Começando pelo segundo tema, não tenho uma opinião formada sobre ele, já que já estive a favor e contra a continuidade do atual Selecionador. Agora já não importa, pois o contrato está há muito assinado e, aparentemente, nenhuma das partes está interessada em rescindir (em princípio o caso Queiroz não se repetirá, como eu cheguei a temer). Apesar de o Selecionador ter uma fatia significativa da responsabilidade pelo que aconteceu, eu não tenho memória curta, como parece ter o resto do País. Não acho que tudo esteja mal na Seleção "só" por causa deste Mundial e, sobretudo, não me esqueço (e nunca me esquecerei) da maneira como Paulo Bento recuperou a Equipa de Todos Nós após a trapalhada com o Selecionador anterior, nem do Euro 2012 - cuja participação portuguesa continuo a não considerar um acaso, uma anomalia, ao contrário do que toda a gente parece acreditar.

Por outro lado, uma das lições que retiro deste Mundial é que um bom passado não garante um bom presente ou um bom futuro. O que nos leva à renovação da Equipa das Quinas. Não nego que a linha pode ter acabado para certos Marmanjos, como (sniff, sniff) Hélder Postiga, mas também já falei aqui de jogadores que mereciam mais oportunidades na Seleção. Um dos receios que tenho relativamente à continuidade de Paulo Bento é que ele insista em Convocar os mesmos de sempre, que ele não tenha "aprendido" com este Mundial. Mas o futuro a Deus pertence.


O que eu acho que a Seleção precisa, tanto como a tão debatida renovação, é de recomeçar do zero, dentro do possível. Embarcar na Qualificação para o Euro 2016 sem grandes expectativas senão Apurarmo-nos - seja de que maneira for - encarando um jogo de cada vez. Gostava de poder dizer que acredito numa Qualificação tranquila mas não acredito. Acho que nos espera (mais) um Apuramento atribulado e tenciono tentar mentalizar-me o melhor que puder em relação a isso, para evitar apanhar tantos baldes de água fria.

Quanto a este Mundial, só quero atirá-lo para trás das costas o mais depressa possível. Foi uma participação para esquecer. Ficaram a faltar as coisas que descrevi acima, por que ansiava. Tornámos a perder uma oportunidade de realizar o sonho. Não era uma oportunidade tão boa como outras, mas duvido que as próximas sejam melhores. Já me interrogo, até, se isto é uma maldição qualquer, se só poderemos fazer um bom Mundial de quarenta em quarenta anos.

Por outro lado, admito que, ainda que o Mundial tenha estado abaixo das minhas expectativas, talvez daqui a umas semanas ou meses, quando já tiver digerido o que aconteceu, venha a ter saudades das pequenas coisas boas: chegar a casa após o trabalho e atualizar a página, as fotografias dos treinos, do bullying entre jogadores, os fins de tarde passados nas esplanadas, consultando os jornais desportivos, rascunhando as crónicas do blogue, mesmo passando-as a computador. E quando começar a sentir saudades de tudo isso, ainda faltarão quase dois anos para voltarmos a ter um campeonato de seleções.


Há coisas que, no entanto, não mudam: apesar de tudo o que aconteceu, eu continuo ao lado da Equipa de Todos Nós, a apoiá-los, a ajudá-los à minha maneira, a adorar praticamente todos os que vestem a Camisola das Quinas. Acompanho vários deles há muitos anos, tenho crescido com eles, exulto e orgulho-me dos seus triunfos, irrito-me com os seus disparates, sofro com as suas tristezas. De certa forma, são uma espécie de família para mim, são os meus heróis, são o meu clube. Conforme já disse anteriormente, uma pessoa não vira as costas ao seu clube.

Além do mais, sei que mais cedo ou mais tarde a Seleção recuperará, levantar-se-á, voltará a dar alegrias. Mesmo que sejam pequenas: uma vitória num particular insignificante ou num jogo de Qualificação com um adversário "acessível". É apenas uma questão de paciência e perseverança.

Quero aqui deixar os meus agradecimentos às pessoas que acompanharam o meu blogue e respetiva página do Facebook ao longo da participação do Mundial, que continuam a fazê-lo mesmo depois de esta participação ter terminado. Ao longo das próximas semanas, até surgirem novas notícias sobre a Seleção, naturalmente o blogue estará em stand-by e a página com atividade reduzida. No entanto, conforme tenho vindo a dizer ultimamente, enquanto tal estiver dentro das minhas possibilidades, não desistirei nem do blogue nem da página. E mesmo que desista deles, da Seleção em si nunca desistirei. O capítulo do Mundial 2014 está encerrado, pelo menos para Portugal. Agora venha o próximo.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Portugal 2 Estados Unidos 2 - Inverno

No passado domingo, dia 22 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou, em Manaus, a sua congénere norte-americana, em jogo a contar para a fase de grupos do Campeonato do Mundo da modalidade. Tal encontro terminou com um empate por duas bolas no marcador, deixando a Seleção praticamente eliminada do Mundial, ficando obrigada a golear o Gana, no jogo de amanhã, quinta-feira dia 26 de junho, e a esperar que a Alemanha ganhe aos Estados Unidos.

Visto que a minha irmã não estava em casa e eu não queria assistir ao jogo só com os meus pais, assisti a esta partida numa esplanada. O encontro até começou bem para o nosso lado, com aquele golo, bafejado pela sorte, de Nani. Gritei em coro com toda a gente na esplanada, feliz por, aparentemente, estarmos vivos e termos ainda uma palavra a dizer neste Mundial, por Nani, depois de tudo porque passou nos últimos tempos, depois de ter falhado a África do Sul, ter finalmente marcado um golo num Mundial.


Ele merecia mais do que isto. Mas ainda não é altura de ir por aí.

Todos sabíamos que o 1-0 era um resultado perigoso, que tínhamos de marcar o segundo golo o mais rapidamente possível para matarmos o jogo. Só que esse golo nunca mais vinha e os americanos não desistiam de tentar anular a vantagem. Os portugueses iam tentando mas estavam tão lentos, era uma coisa parva, não sei se por causa do clima ou da sua forma física. Provavelmente por causa de ambos. Este jogo veio a confirmar aquilo de que já se suspeitava fortemente na segunda-feira anterior: em termos físicos, os jogadores portugueses estão um farrapo. Prova disso foi a lesão de Hélder Postiga, aos treze minutos. A sua saída acabou por não ser demasiado prejudicial, pois Éder revelou-se um dos mais inconformados ao longo de todo o jogo - não que isso tenha sido suficiente. 

Há que dizê-lo, os portugueses jogaram melhor que na segunda-feira anterior e viu-se que eles se esforçaram. No entanto, a fraca forma física revelou-se mais forte que a vontade. A verdade é que, tal como já tinha dito anteriormente, não é normal ocorrerem tantas lesões. Não acredito em "azar" ou coincidências - às tantas, aquele bruxo do Gana, que queria lesionar Ronaldo, foi tão eficaz que lesionou, não só o madeirense, como também três quatros da Seleção Portuguesa. Não sou, nem de longe nem de perto, a melhor pessoa para tecer julgamentos sobre esta matéria, mas devem ser fornecidas explicações sobre a situação. As que Henrique Jones e Humberto Coelho forneceram não me convencem. O mesmo se passa com a questão do clima. Conforme tem sido dito, de repente o País ficou cheio de especialistas em climatologia. No entanto, conforme tenho lido, não existem verdades absolutas nesta matéria. Não se sabe o que é melhor, se estagiar em condições adversas, semelhantes àquelas em que decorrerão os jogos, sob o risco de estas se revelarem demasiado agrestes para os jogadores treinarem, ou estagiar em condições ótimas para o treino mas diferentes das dos jogos. O que parece relativamente consensual é que este Campeonato do Mundo não foi preparado adequadamente.

Mas regressemos ao jogo.


Ao início da segunda parte, tive esperanças de que os portugueses tivessem aproveitado o intervalo para se hidratarem e recuperarem as forças para correrem atrás do segundo golo. Não foi bem isso que aconteceu. Os portugueses continuavam tão lentos como em todo o jogo. Nem falo dos crónicos problemas na finalização - eles desperdiçavam cada uma... Acabou por acontecer o que se adivinhava havia pelo menos meia hora: os americanos marcaram. 

Os portugueses até pareceram acordar com este golo, ainda tentaram correr atrás do resultado, mas acordaram tarde demais. Paulo Bento mandou entrar Varela e eu até me lembrei de um lendário outro segundo jogo de fase de grupos. Ainda tive esperanças num desfecho semelhante. No entanto, não estávamos em 2012, em que havia frescura suficiente para alimentar a fase do "Ai Jesus!", frente à Dinamarca. Cedo aconteceu o pior: os Estados Unidos colocaram-se à frente no marcador. Houve quem reclamasse do fora-de-jogo no início da jogada, mas Portugal tinha tido mais do que oportunidades para evitar aquele desfecho.

Talvez aquela tenha sido a gota de água que fez com que, ao fim de todos estes anos, o copo derramasse, talvez uma parte de mim tenha deixado de acreditar logo aquando do desastroso jogo com a Alemanha. A verdade é que, poucos minutos após este golo, o meu estado de espírito era, para minha própria surpresa, de indiferença, de resignação. Percebia que este Mundial, pura e simplesmente, não estava fadado para nos correr bem (ai, o tão português fatalismo desta frase...). De tal maneira que nem festejei quando Varela marcou, em cima do final do jogo. Se por um lado o Drogba da Caparica voltava a dar uma de Salvador da Pátria, dando a Portugal uma ínfima hipótese de permanecer no Mundial, por outro lado, pode ter apenas adiando o inevitável. 


Já devem ter percebido que não, não acredito que Portugal vá além da fase de grupos deste Campeonato do Mundo. Mesmo que se dê o milagre e a Sorte seja favorável às cores lusitanas, duvido que tenhamos pernas para ir muito mais longe. Em teoria, soa melhor dizer que Portugal chegaria aos oitavos do Mundial em vez de dizer que não foi além da fase de grupos. Na prática, duvido que consigamos apagar a má imagem que temos deixado, com destaque para o nosso jogo de estreia.

Sinto-me tentada a partir já para as alegações finais, como se Portugal estivesse já fora do Brasil. No entanto, não me parece legítimo estar a escrever sobre as supostas razões do que está a ser uma péssima prestação, não quando a porta dos oitavos-de-final ainda não está definitivamente encerrada.

Posso já dizer, contudo, que isto não está a ser nada como estava à espera. Disse anteriormente que este Mundial seria como o verão - não está a sê-lo. Foi-o, de certa forma, durante as semanas de preparação, mas terminou com o jogo com a Alemanha. Agora está a ser um inverno - o que até condiz com a meteorologia dos últimos dias. Talvez seja por isso que, também, não estou com grande pena de que isto possa acabar já amanhã. Ando, aliás, a desejar regressar às semanas, ou meses, antes do Mundial, ou mesmo ao ano passado - aos tempos inocentes em que podíamos, ainda, sonhar com um bom Campeonato do Mundo.


Admito que o "eu" de há um ano ou dois, ou talvez mesmo de há uns meses, provavelmente desprezar-me-ia por estar a desistir tão "facilmente". Parte de mim, neste momento, até concorda: eu devia estar revoltada contra as previsões mais pessimistas, devia continuar a acreditar teimosamente, mesmo desesperadamente, como nos últimos tempos. É bem possível que isto seja apenas cansaço, um momento de desânimo, que daqui a umas semanas venha a sentir saudades destes dias. Contudo - embora isto não sirva, de modo algum, de desculpa - conforme já disse amiudadas vezes anteriormente, quando se passa tanto tempo como eu passo a tentar puxar pelos jogadores, a convencer os demais a puxar pelos jogadores, uma pessoa precisa de alguma espécie de retorno. Que, neste Mundial, tem sido nulo, independentemente dos responsáveis por essa situação.

Uma coisa, no entanto, não muda. Eu continuo aqui, no meu blogue, na minha página. Ainda que a minha fé tenha atingido mínimos históricos, continuarei a puxar por eles e a esperar um desfecho favorável às cores portuguesas. Nem eu sei explicar porque insisto nisso, talvez seja masoquismo, talvez seja porque é o meu clube, são os meus heróis e, conforme dizia numa curta-metragem que vi no outro dia, uma pessoa não abandona os seus heróis. É algo semelhante que, de resto, peço aos nossos jogadores para a partida de amanhã, frente ao Gana: mesmo que já não dê para passar, que tentem conseguir uma vitória ou, pelo menos, uma exibição decente, para ao menos sairmos deste Mundial de cabeça erguida. Não faltará, certamente, tempo para se fazer a análise completa ao fracasso, que parece inevitável. De qualquer forma, qualquer que seja o desfecho, eu estou aqui e sempre estarei. 

domingo, 22 de junho de 2014

Portugal 0 Alemanha 4 - "22 (ou melhor, 21) homens atrás de uma bola", tragédia em Salvador

Na passada segunda-feira, dia 16 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol estreou-se no Campeonato do Mundo da modalidade, em Salvador da Bahia, com uma pesada derrota frente à sua congénere alemã, por quatro bolas sem resposta.

Devo dizer que este é, provavelmente, o pior jogo da Seleção que testemunhei, e eu já acompanhei uma série de encontros medíocres: o jogo com os Estados Unidos e com a Coreia do Sul em 2002, vários das Qualificações para o Mundial 2010 e 2014, e estes são apenas dos exemplos de que me recordo neste momento. Só para terem uma ideia, nas primeiras vinte e quatro horas que se seguiram ao jogo, quando recordava os pormenores do encontro ficava com vontade de vomitar. Desejei, desesperadamente, ua maneira de fazer “reset” ao jogo, uma maneira de, como na série Tru Calling/O Apelo, rebobinar aquele dia, arranjar maneira de avisar a Seleção para que evitasse os erros que tão caro nos custaram. No entanto, isto é o Mundial, há muio mais coisas em jogo do que num particular ou num jogo de Qualificação; tal como disse na crónica anterior, estes encontros ficam gravados na História, para o melhor e para o pior, e temos de lidar com toda a repercussão do jogo – que, obviamente, não foi a mais simpática para o nosso lado. 

Durante a primeira parte do jogo, pude, felizmente (ou infelizmente) ir acompanhando a nível quase constante o relato radiofónico. Adicionalmente, tinha as mensagens que a minha irmã me ia enviando e o site do jornal A Bola, consultado regularmente pelos meus colegas, que se ia atualizando com as incidências do jogo. Logo nos primeiros minutos, Rui Patrício fez um passe infeliz para Khedira, estilo o que fizera no último jogo com Israel. Khedira não soube aproveitar a prenda que o guarda-redes português lhe ofereceu, mas agora percebe-se que este deslize de Patrício era um indício trágico do que aí vinha. 


Eu não desanimei demasiado com o penálti convertido a golo, poucos minutos depois. Esperava um efeito semelhante ao do jogo com a Holanda, há dois anos: que o golo sofrido os acordasse e os fizesse correr atrás do empate. Não foi isso o que aconteceu, aliás, a Turma das Quinas desfez-se em pedaços por completo e nunca mais recuperou.

Ficou claro que, psicologicamente, os portugueses estavam em farrapos. Um belo exemplo disso foi Pepe. Foi uma sorte um estar sozinha quando ouvi no relato sobre a sua expulsão, pois na altura tapei o rosto com as mãos, com elas abafando as pragas que me saíam dos lábios. Pelo relato, percebi que o vermelho direto resultara de uma infantilidade, mas não me inteirei dos pormenores. Pouco depois, a minha irmã disse-me, por mensagem, que fora um dejá-vu do vermelho de Hélder Postiga na Irlanda do Norte, no ano passado. Não é preciso dizer mais nada. 

Para a segunda seleção mais velha deste Mundial, os portugueses mostraram demasiada imaturidade no Arena Fonte Nova. Pior, mostraram ser incapazes de aprender com os erros. O caso de Pepe é particularmente preocupante, ele que já se viu envolvido em demasiadas situações semelhantes a esta. 



Nesta altura, já tínhamos sofrido o segundo golo e já Hugo Almeida tinha saído, por lesão. Paulo Bento terá demorado a reorganizar a defesa – já frágil, mesmo antes da perda de Pepe – o que nos custou o terceiro golo. Nesta fase, percebi que dificilmente empataríamos, quanto mais ganhar, e só desejei que Portugal marcasse pelo menos um ou dois golos, só para recuperarmos uma fração que fosse da nossa dignidade. 

Foi mais uma esperança vã. Nesta altura, já eu tinha saído do trabalho e ido para a esplanada de que falei anteriormente, com wi-fi. Aqui, havia-se juntado uma pequena e, naquela altura, insatisfeita multidão a ver a tristeza que estava a ser o jogo. Portugal só não sofreu muitos mais golos porque – e isto é, talvez, o mais humilhante de tudo – os alemães tiveram pena de nós e baixaram o ritmo. 

Houve tempo para o árbitro nos negar um penálti, que parecia verdadeiro. Ao ver Ronaldo correndo atrás do árbitro, temi que ele desse uma de João Pinto, e gemi:

- Alguém o agarre! Alguém o agarre!



Felizmente, ter-lhe-á sobrado um fragmento de sensatez para parar de correr e ficar a refilar para si mesmo. Ainda bem; já estávamos a deixar uma péssima imagem da nossa Seleção, a última coisa de que precisávamos era de ter o nosso Capitão a agredir o infeliz do árbitro.

Os portugueses bem se queixariam, mais tarde, do juiz da partida, queixas que tinham a sua legitimidade, mas nem eles podem dizer que o árbitro foi o único culpado pelo descalabro - aquele penálti por marcar sobre Éder pouco faria por nós. Mais, muito antes de o encontro entre Portugal e Alemanha ter começado, já muitos jogos do Mundial tinham sido marcados por arbitragens polémicas. Eu já antes sabia que, se nos calhasse também um árbitro de imparcialidade duvidosa, as vítimas não seriam os alemães. Não vou dizer que os portugueses tinham obrigação de saber isso - se o árbitro estivesse firmemente apostado em prejudicar-nos (não vou dizer que estava), pouco se poderia fazer - mas atitudes como as de Pepe em nada ajudam nestas situações.

O pior do jogo foi mesmo a perda de Fábio Coentrão, que foi obrigado a abandonar o Mundial. Ele que - todos concordam, apesar de continuarem a insistir no Ronaldo-mais-dez - é insubstituível e definitivamente não merecia isto. Não quando sempre foi, praticamente desde que se estreou com a Camisola das Quinas, um dos que mais dá pela Seleção, independentemente do seu momento de forma. Logo agora, que parecia atravessar uma fase tão promissora. O destino foi-lhe cruel.


É, de resto, um dos aspetos que mais me aflige: o número elevado de lesionados ou de candidatos a sê-lo. Não é um problema exclusivo de Portugal; é bem conhecida a lista de grandes jogadores que falharam este campeonato. No entanto, pelo menos no que toca à Seleção Portuguesa, não me lembro de outro Europeu ou Mundial em que tivéssemos tido tantas baixas ou tantos riscos de inaptidão para os jogos. Toda a gente fala do calendário pesado da temporada, há quem aponte isso como motivo para os recentes e surpreendentes fracassos de Inglaterra e, sobretudo, Espanha, mas, tanto quanto me lembro, é a primeira vez que isto acontece. Porquê este ano em particular?

Antes do fim da agonia, ainda houve tempo para o quarto golo alemão, resultante de mais uma falha na defesa, em que Rui Patrício tornou a ficar mal na fotografia. Estava feito o resultado. 

Não é a primeira vez, nem a segunda, que nos estreamos a perder num campeonato de seleções. Eu acreditem nas palavras otimistas de Cristiano Ronaldo, na véspera do jogo (e nem falo do camelo...), mas aceitaria por 1-0, 2-1, 2-0 ou mesmo 3-1.  Afinal de contas, em 2004 e 2012, as derrotas iniciais não impediram bons desempenhos nos respetivos Europeus. E em 2012 até não fizemos má figura, nem mesmo em 2008, apesar de esse jogo ter ditado a nossa expulsão do Euro. Mas nunca foi assim tão expressivo, tão humilhante. O único jogo que se compara é o da nossa estreia no Mundial 2002 com os Estados Unidos - e toda a gente sabe como essa história acabou. O pior é que ando a ver semelhanças com 2002: lesão da maior figura da equipa, dúvidas sobre a adequabilidade das condições em que decorreu o estágio, sobre a estabilidade emocional dos jogadores.


É claro que, quando a Seleção passa por crises semelhantes a esta, se coloque tudo em causa, que venham a lume teorias da conspiração. Carlos Queiroz, por exemplo, não deixou de meter a sua farpa, como é habitual. O provérbio "em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão" nunca fez tanto sentido, ainda que muitas das críticas tecidas tenham a sua legitimidade.

Para mim, o pior não é a derrota em si, nem mesmo o resultado. O pior foi o fracasso do espírito de Seleção, da garra, da entreajuda, em suma, daquilo que falei, daquilo que exaltei, na última e outras crónicas neste blogue, no artigo que enviei para o Record Online. Essa é que foi a verdadeira desilusão. Com que cara fico eu quando, depois de ter garantido que cada um dos jogadores é melhor quando joga na Seleção do que sozinho, não se viu nada disso no Arena Fonte Nova?

Não percebo o que aconteceu, sinceramente. A "equipa" que jogou com a Camisola das Quinas em Salvador não é a Seleção que eu conheço, não é nada.

Algo vai ter de mudar. Paulo Bento tem ideias fixas (por outras palavras, é casmurro que nem uma mula), mas terá de alterar alguma coisa. Que mais não seja porque tem quatro jogadores indisponíveis para o jogo com os Estados Unidos. Se antes se podia tolerar os seus implicanços com a Comunicação Social  - porque até tinha razão nalgumas coisas e, de resto, não se podia apontar-lhe muito, pois tinha vindo a cumprir os objetivos, com maior ou menor dificuldade - agora não tem o direito de ser tão arrogante como tem sido. Com alguma sorte, acontecerá o mesmo que aconteceu a Luiz Felipe Scolari, após a primeira derrota com a Grécia no Euro 2004.


Portugal está agora obrigado a ganhar tanto aos Estados Unidos como ao Gana para poder passar a fase de grupos. Parece que, já que o Gana e a Alemanha empataram (como é que o Gana conseguiu fazer frente aos alemães e nós não?), a nossa atual diferença de quatro golos não deverá ser um problema. Em circunstâncias normais, eu diria que é assim que, de resto, a Seleção "gosta" de jogar: com margem de erro reduzida, sempre no caminho mais difícil. Eu mesma calculava que, muito provavelmente, seria assim que a fase de grupos se desenrolaria, cheguei mesmo a considerá-lo desejável (não torno a dizer que uma derrota pode ser "boa"; tal como no lugar-comum, vou ter mais cuidado com o que desejo). Mas, ao longo destes dias, tenho tido medo das sequelas anímicas do nosso primeiro jogo do Mundial, de que a forma física dos jogadores, as condições climatéricas, sejam mais fortes que a vontade de fazer bem, de que os mais pessimistas tenham razão. Esta derrota desanimou-me imenso. Não foi para isto que esperei estes meses todos, para não dizer quase dois anos. Agora, que estamos a menos de vinte e quatro horas do jogo com os Estados Unidos, já recuperei uma boa parte desse ânimo, mas continuo com muitas dúvidas. 

Eu já devia estar habituada, já devia saber que não é fácil saber que é fácil ser-se adepto incondicional da Seleção. É muito mais fácil ser-se daqueles que se vestem com as cores nacionais sempre que a Seleção está em alta mas que, nos momentos difíceis como este, desatam de imediato a criticar tudo e todos. Eu já devia tê-lo interiorizado mas, pelos vistos, padeço do mesmo mal que os Marmanjos: nunca aprendo.

Eu não quero ser desses adeptos hipócritas. Ainda que, ultimamente, ande a pensar que, um dia destes, vou pura e simplesmente desistir, deixar de me ralar com as desventuras da Seleção, parar de tentar constantemente, puxar por eles, encorajar as outras pessoas a apoiá-los como eu apoio, porque eles nem sempre o merecem, não será para já. Pelo menos não enquanto houver uma hipótese de fazermos um bom Mundial. Como já aconteceu antes, não é tanto por convicção, é mais por desespero. Não quero que isto acabe assim, não quero que 2002 se repita. Quero acreditar que nós somos mais do que fomos segunda-feira, que aquilo foi a exceção, não a regra, que a Seleção vai levantar-se outra vez, tal como o tem feito várias vezes nos últimos anos - incluindo em alturas em que nem eu já quase acreditava. Paulo Bento conseguiu ressuscitar a Seleção depois do caso Queiroz, tem de conseguir fazer o mesmo agora. Isto não pode acabar assim. 

Mostrem que somos mais do que isto. Mostrem que somos a Seleção.

domingo, 15 de junho de 2014

Antes da nossa estreia no Mundial 2014

Na madrugada de sexta, dia 6 de junho, para sábado, dia 7, a Seleção venceu a sua congénere mexicana por uma bola sem resposta, num jogo amigável que teve lugar no Gillette Stadium, em Boston. Quatro dias depois, no Met Stadium, em Nova Iorque, a Seleção enfrentou a sua congénere irlandesa e tornou a vencer, desta feita mais expressivamente, por cinco bolas contra uma. 

Não escrevi entradas individuais para cada um destes jogos, como costumo fazer, essencialmente por falta de tempo e de material. Quando falo em material, refiro-me à análise ao jogo por parte de um jornal desportivo, no dia seguinte, na qual me baseio para escrever as crónicas. Devido à hora tardia destes últimos encontros, não foi possível aos jornais fazerem uma análise completa aos mesmos, logo, faltaram-me as bases para escrever mais exaustivamente sobre eles. 


O jogo com o México, de resto, pouca história teve, assemelhando-se ao do Jamor, contra a Grécia. Neste, o nosso domínio não foi tão constante, os mexicanos estiveram várias vezes por cima, o jogo poderia ter dado para ambos os lados. Só não virou a favor dos mexicanos graças a Eduardo, que fez uma mão cheia de belas defesas, provando merecer estar entre os Convocados - em termos de guarda-redes, a Seleção está bem servida. Numa altura em que aquilo já me parecia uma repetição do sábado anterior, em que considerava que aquelas quase duas horas teriam sido melhor empregues a dormir, João Moutinho bateu um livre, assistindo Bruno Alves para o único golo da partida. Para um defesa, o Bruno anda a marcar bastante pela Seleção. Foi um triunfo pela margem mínima, ao cair do pano, mas que sempre serviu para levantar um pouco a moral. 

O jogo com a República da Irlanda foi melhor, esse sim valeu as horas e sono perdidas. É claro que ajudou o facto de os irlandeses estarem uns furos abaixo dos gregos e dos mexicanos, mas os portugueses não deixaram de proporcionar bons momentos de futebol - e não foi apenas o recuperado e regressado Cristiano Ronaldo a brilhar. A partida começou logo bem, com um golo do (para muitos) improvável Hugo Almeida, assistido por Varela. O resto do jogo desenrolou-se mais ou menos da mesma forma, com Portugal em claro domínio. Fábio Coentrão marcou um meio golo, assistindo um infeliz irlandês, que marcou na sua própria baliza. Mais tarde, Ronaldo tentou a sua sorte, falhou, Hugo Almeida foi à recarga e conseguiu marcar.


Muitos podem ter ficado surpreendidos com o desempenho do ponta-de-lança, mas eu não, pelo menos não tanto. Ele já não marcava pela Seleção há um ano, é certo, e chegou a fazer um par de jogos infelizes no passado recente. Eu, no entanto, lembro-me que há uns anos ele marcava com regularidade pela Seleção. Fico satisfeita por esse Hugo Almeida estar, aparentemente, de regresso a tempo do Mundial.

Ao início da segunda parte, eu receava (e quase esperava, pois sempre me daria uma desculpa para parar de ver o jogo e ir dormir) que o rendimento decaísse, sobretudo quando se processassem as substituições. Tal não chegou a acontecer, tirando o golo que sofremos. Para quase toda a gente, tal golo nasceu de uma falha de concentração. A minha irmã, contudo, alega que o livre foi batido antes do tempo, quando os portugueses ainda organizavam a barreira. Quanto a isso, não consigo chegar a nenhuma conclusão, nem mesmo depois de rever as imagens do golo. Apenas dá para ver que, independentemente do motivo, os Marmanjos estavam de facto distraídos durante esse lance.

Muitos esperariam que a saída de Cristiano Ronaldo tirasse qualidade ao jogo. Não foi isso que aconteceu pois, quando saiu Ronaldo, entrou Nani, cheio de ganas, que rapidamente assistiu para os dois últimos golos da Seleção Portuguesa, um de Vieirinha, outro de Fábio Coentrão (que também anda mais goleador do que o habitual, se considerarmos o seu meio golo na primeira parte). Pelo meio, ainda viu um golo anulado após uma linda jogada de tiki-taka por ele protagonizada. Nani dá-nos, deste modo, sinais de que poderá fazer um bom Mundial, algo que, há escassas semanas, me parecia altamente improvável.


Depois de, anteriormente, ter defendido que o empate frente à Grécia não provava nada, seria hipócrita estar agora a dizer que estes dois últimos particulares provam muito mais. Se é de esperar que, numa fase mais avançada da preparação do Mundial, os jogos corram melhor, a verdade é que, há dois anos, Portugal perdeu de forma ridícula com a Turquia mas não deixou de fazer um belo Euro 2012. Viu-se que os portugueses pelo menos parecem empenhados, motivados. No entanto, todos sabemos que, quando for a doer, tudo será diferente.

Será a doer já amanhã, segunda-feira, pelas cinco da tare, hora portuguesa, no Arena Fonte Nova, em Salvador da Bahia, frente à Alemanha. É o segundo campeonato de seleções consecutivo em que nos estreamos com os nossos amigos alemães, que de resto também defrontámos no Mundial 2006 e no Euro 2008. Não guardamos boas recordações de nenhum desses jogos, embora talvez pudéssemos ter guardado do último.

Há uns meses, diria que seria pouco provável ganharmos. Hoje, contudo, não acho que seja assim tão improvável. O jogo do Euro 2012 podia ter-se virado a nosso favor, bastaria aquela bola ao poste do Pepe ter entrado, ou o remate de Varela na segunda parte. Além do mais, o futebol alemão não parece tão ameaçador agora, já que este ano nenhuma equipa alemã atingiu a final da Liga dos Campeões. Também me soa animador o facto de os portugueses do Real Madrid terem sido bem sucedidos frente às várias equipas alemãs que lhes saíram na rifa. Alguns adeptos alemães não parecem, igualmente, muito confiantes na sua seleção. Por fim, os alemães deram a entender em algumas declarações que nos subestimam, com destaque para aquela em que nos comparavam com a Arménia.


Tudo isto, no entanto, não passa de conjeturas, se não forem ilusões. Não alteram o facto de a Alemanha ser, a par da Espanha (isto é, depois do jogo com a Holanda não sei...), Brasil e Argentina, uma das seleções candidatas ao título mundial, tal como o era há dois anos. Portugal pode vencer a Alemanha, mas terá de suar para fazê-lo. Por um lado, gostava mesmo de ganhar este jogo, ou pelo menos de empatar, para não ter de escrever uma crónica intitulada "22 homens atrás de uma bola, a trilogia" e também porque, se conseguíssemos vencê-los, seria um sinal de que até poderíamos ser candidatos ao título. Por outro lado, eu conheço a maneira como a Seleção Portuguesa funciona. Sei que se sai melhor sobre pressão, perante adversários mais fortes ou situações de aperto em termos de classificação. Os Estados Unidos já nos apanharam de surpresa uma vez, o mesmo pode acontecer caso entremos em campo com eles com a atitude descontraída de quem já tem três pontos amealhados. Daí que quase prefira o empate, ou mesmo a derrota.

De qualquer forma, a partir de amanhã, acabarão as teorias, os prognósticos, as apostas. O que quer que aconteça durante o jogo, cada golo, cada falta mal cobrada, cada cartão injustamente atribuído, ficará escrito a tinta-da-china na História. Poderemos, depois, olhar para eles da maneira que quisermos, mas não haverá maneira de mudá-los. Só aí saberemos quem estava certo ou errado, só aí será determinado o verdadeiro valor da nossa Seleção. Já sinto o "bichinho" a morder, a típica mistura de nervosismo e excitação, quando olho para os jogos já ocorridos do Mundial e respetiva repercussão nos media e redes sociais, e me apercebo que, na segunda-feira, seremos nós o objeto das notícias, análises, comentários e piadas.

Conforme tenho repetido inúmeras vezes nos últimos tempos aqui no blogue, não vou poder ver a primeira parte do jogo. Agora que estamos mais perto do mesmo, calculo que poderei ir estando a par d que for acontecendo, quer através do relato radiofónico, quer através de um daqueles sites, que se vão atualizando com os lances, quer, se tivermos sorte, através das das exclamações das pessoas que estiverem a ver os jogos nos cafés da zona. Quando sair, por volta das seis, corro para um desses cafés para ver a segunda parte. Em princípio, será um com wi-fi, por isso, talvez consiga levar o meu computador e ligar-me às redes sociais.


Embora não considere "desonestidade intelectual" pensar o contrário, não acho que Portugal seja candidato ao título, por diversos motivos, alguns dos quais estão listados num artigo que enviei para o Record Online. Contudo, no mesmo também recordo que, no futebol, não há impossíveis, tudo pode acontecer, e Portugal, de resto, possui meios para fazer mais do que esperar por um milagre, possui meios para, como costuma dizer Paulo bento, competir com qualquer equipa, para dar luta. Conforme afirmei no artigo, e já várias vezes aqui no blogue, Portugal pode não ter os melhores jogadores do Mundo, tirando uma exceção bem conhecida, mas estes, quando vestem a Camisola das Quinas - sobretudo em momentos decisivos - funcionam bem uns com os outros, como uma equipa, como um só, elevam-se acima do valor que lhes é cotado. E, conforme afirmei no artigo, chego a depositar mais fé nesse espírito, na garra e determinação dos jogadores, na união entre eles, na sua vontade de fazer bem, que propriamente na sua qualidade técnica ou momento de forma. Esta minha convicção aplica-se tanto à tendinose rotuliana e Cristiano Ronaldo, à falta de ritmo de Nani, à forma duvidosa de Hélder Postiga, às reservas da opinião pública relativamente a jogadores como Vieirinha ou André Almeida.

Encaro este Mundial da mesma forma como tenho encarado os últimos campeonatos de seleções: com as minhas reservas, mas convicta de que tudo é possível, com a esperança de que a coisa corra bem para o nosso lado, de preferência com o título mundial à mistura. A preparação encontra-se à beira do fim, a partir de amanhã é a doer. A ver o que o destino nos reserva. Para já, não tenho mais nada a dizer senão: força Portugal!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Portugal 0 Grécia 0 - Sem surpresa

No passado sábado, dia 31 de maio, a Seleção Portuguesa recebeu, no Estádio Nacional, a sua congénere grega em jogo de carácter particular. Tal encontro terminou com o marcador por inaugurar. Não posso dizer que tenha ficado surpreendida. Tal como referi anteriormente, depois das experiências dos últimos dois primeiros jogos das preparações do Mundial 2010 e do Euro 2012, não podia esperar muito melhor.

Não achei, contudo, que o jogo tivesse sido mau, tendo em conta as minhas baixas expectativas. Paulo Bento experimentou uma táctica diferente, com apenas dois médios (William Carvalho e Miguel Veloso) e com dois pontas-de-lança (Éder e Hélder Postiga). Não me vou alongar mais do que isto, que eu não percebo assim tanto deste assunto. Deixou de fora habituais titulares, como Moutinho, Meireles, bem como os portugueses do Real Madrid, Coentrão, Pepe e Ronaldo. A estratégia até não resultou mal: a Seleção Portuguesa entrou em campo muito desenvolta, conseguindo três oportunidades nos primeiros minutos de jogo. É claro que não podia, no entanto, faltar o nosso velho problema da finalização. A Grécia foi, de resto, igual a si própria : jogou em bloco baixo, na expectativa, sem correr riscos. Não impedidu, mesmo assim, alguns portugueses de darem uns ares de sua graça, sendo o maior exemplo Nani.


Confesso que não estava à espera que Nani jogasse tão bem. Por outro lado, conforme o próprio disse, já estou habituada à garra dele, ao inconformismo dele, quando joga pela Seleção. Pode ser que o velho Nani esteja a regressar. Esperemos que regresse a tempo do Mundial - seria até bom para a sua carreira, na minha opinião estagnada no Manchester United. Pelo menos, o primeiro passo está dado.

Não há muito mais a dizer sobre o jogo. Portugal dominou praticamente todo o encontro, mesmo quando o jogo entrou em ritmo de treino - também para evitar lesões, suponho. Só perto do final é que a Grécia pregou alguns sustos. Acho que merecíamos ter ganho, por pelo menos 1-0. Não deixei de esperar por esse golo embora, já mais para o fim, começasse a perceber que não passaria dali. É pena, pois acho que deixámos escapar uma oportunidade de termos a nossa vingançazita, ainda que meramente simbólica.

É claro que, com este empate, já vem tudo dizer que a culpa foi da ausência do Ronaldo, que a equipa não é nada sem ele, blá, blá, blá, blá, blá, blá. Como se nunca tivéssemos tido jogos pouco conseguidos com ele, com os problemas de finalização e tudo o mais. Um excelente exemplo é o particular com a Macedónia de há dois anos, disputado em circunstâncias semelhantes às atuais, com algumas diferenças: Ronaldo jogou, e sem limitações físicas, a Macedónia tinha menos argumentos que a Grécia e Portugal jogou pior que no sábado. É apenas um caso, entre muitos. O jogo com a Macedónia não provou nada - toda a gente sabe como correu o Euro 2012 - e não me parece que este jogo com a Grécia prove alguma coisa.


Já sei que as pessoas têm memória curta, mas toda a conversa do Ronaldo-mais-dez já enjoa. Irrita-me que quase todos adotem o mesmo discurso fácil, demagógico, que quase ninguém tenha abertura de espírito para olhar além do Ronaldo-mais-dez, para propor soluções, em vez de se limitar a apontar o dedo. 

Por outro lado, consta que o preconceito já se alastrou aos nossos adversários. Disso não me queixo - só temos a ganhar caso eles nos subestimem.

Nada disto, de resto, é algo a que não esteja habituada, sobretudo em vésperas de campeonatos de seleções. Eu nem me devia irritar tanto - às vezes, este tipo de ambiente é mais benéfico à Seleção do que uma confiança exagerada. Além disso, conforme já disse antes, tudo isto será esquecido assim que o Mundial começar a correr-nos bem. Mas... e se não correr?


Depois de terem sido recebidos pelo Presidente da República (e se terem comportado como uns autênticos totós, pelas fotografias que andam a sair), a Seleção Portuguesa encontra-se, neste preciso momento, em pleno voo direto a Newark, nos Estados Unidos, onde irão estagiar durante cerca de dez dias. Na madrugada de sexta-feira para sábado, de dia 6 para dia 7, à uma e meia da manhã da hora portuguesa, jogamos um particular com o México no já nosso conhecido Gillette Stadium. Consta que Portugal disputou poucos jogos com essa seleção, sendo que o encontro mais recente deu-se durante o Mundial 2006, encontro esse que ganhámos por 2-1, com uma equipa de suplentes, sem grande dificuldade. Não sei muito sobre o México, diria que está ao nosso alcance. No entanto, sendo um particular onde Paulo Bento quererá, certamente, fazer experiências, tudo pode acontecer, o resultado não será tão importante. Mas queria uma vitória, como quero sempre. Por motivos variados, entre os quais, para contrariar um pouco um certo cepticismo corrente na opinião pública em relação a este Mundial.

Aproveito este preciso momento, em que a Equipa de Todos Nós já deixou o nosso País, encontrando-se em pleno voo, para terminar esta entrada com o desejo de que os nossos Marmanjos não regressem antes de 14 de julho. 

sábado, 31 de maio de 2014

Exorcizar o demónio

O estágio de preparação do Campeonato do Mundo de futebol, que terá lugar no Brasil - estágio esse também conhecido por Operação Mundial -  já começou há alguns dias. Mais de uma semana, se considerarmos os três dias de pré-estágio no Estoril. A preparação vai ainda numa fase muito inicial - os portugueses do Real Madrid, Fábio Coentrão, Pepe e, claro, Cristiano Ronaldo só se juntaram à comitiva na quinta-feira - pelo que as coisas têm andado relativamente calmas, em termos mediáticos pelo menos. Só uma ou outra réplica das polémicas em torno da Convocatória. Como já vai sendo hábito, os jogadores que participam nas Rodas de Imprensa adotam discursos tranquilos, prudentes, evitando ao máximo desestabilizar a equipa. Podem não ser os mais interessantes mas, em particular nesta altura do campeonato, ninguém duvida que são os que mais beneficiam a Equipa de Todos Nós. Haverá tempo, sem dúvida, mais adiante, para polémicas, não sentiremos falta delas - pelo menos foi o que aconteceu há dois anos.

Nem sempre me tem sido fácil estar a par do que vai acontecendo, estando eu em estágio (um estágio diferente do da Seleção, claro) das nove às seis. Mesmo não podendo atualizar de imediato a página, gosto - sempre gostei - de ir sabendo destas coisas à medida que vão acontecendo. Ao longo do dia, tento prestar atenção às notícias horárias da rádio. Uma das poucas vantagens de tê-la ligada a título quase constante no meu local de estágio - acreditem, é cansativo. Até Nelson Mandela se cansaria de Ordinary Love se tivessse de ouvi-la tantas vezes quanto eu. Outra vantagem diz respeito aos anúncios alusivos ao Mundial, cada vez mais frequentes - que sempre tornam os irritantes intervalos publicitários um pouco mais suportáveis. 

Adicionalmente, quando vou almoçar, tento sempre apanhar as reportagens dos telejornais. A caminho de casa, sintonizo as notícias do desporto na rádio, quando saio a tempo. Vou, também, tentando ir a cafés e esplanadas que tenham A Bola ou o Record, que geralmente têm algo mais que a televisão, a rádio ou a Internet - artigos de opinião, sobretudo. Gosto sempre de lê-los, quer concorde com eles ou não.

Quando chego, finalmente, a casa, ao fim da tarde ou à noite, atualizo a página. É aqui que agradeço ao blogue do meu parceiro, ao tumblr Fuck Yeah Portugal National Team e à página Seleção Nacional de Portugal - estas três fontes têm-me permitido aceder rapidamente a notícias e fotografias sobre a Turma das Quinas, para depois publicar.


Têm sido as fotografias a despertarem-me maior interesse. Sobretudo aquelas que mostram os momentos de galhofa, de bullying, como digo na brincadeira, entre os Marmanjos. Que representam bem uma das facetas de que mais gosto na Seleção: o facto de ser um grupo de amigos, um bromance a vinte e três, como às vezes digo, uma grande família; a maneira como estão sempre a brincar, como uma matilha de cachorrinhos. 

Ainda não está a ser bem o verão que antecipei ao longo de semanas. No entanto, não duvido que, dentro de poucos messes, vou sentir saudades destes dias. Sobretudo quando dispuser de mais tempo livre que agora sem ter nenhuma Operação Mundial para seguir.

Por enquanto, a minha disponibilidade reduzida tem-me privado de relativamente pouco. Isso provavelmente mudará à medida que nos formos aproximando do Mundial, mas hei-de arranjar uma solução. Por outro lado, uma grande vantagem da minha falta de tempo e, por vezes, paciência é deixar-me de importar com certas ninharias que surgem nas redes sociais, relativas à Seleção e não só. Tenho, literalmente, mais que fazer.


Entretanto, hoje, pelas sete e meia da tarde, a Seleção Portuguesa recebe no Estádio Nacional a sua congénere grega em jogo de carácter particular. Um encontro em teoria amigável, mas com um adversário que traz demasiadas recordações amargas. A malfadada final do Euro 2004 na Luz, o título que deveria ter sido nosso, que tinha tudo para ser nosso, mas que deixámos escapar. Uma oportunidade que não se tornou a repetir e que, provavelmente, não se repetirá nunca. Chegámos a defrontá-los de novo em 2008, pouco antes do Europeu, mas tornámos a perder, desta feita por 2-1 (foi um ano estranho aquele...).

Não nego que sinto uma certa vontade de ajustar contas com os gregos, ainda que apenas na teoria - é apenas um particular, obviamente não nos vai devolver a Taça e nem sequer nos dará três pontos. Por outro lado, os gregos acabaram por ganhar a minha simpatia por, entre outros motivos, serem treinados pelo português Fernando Santos e pela atitude que demonstraram no Euro 2012. Já não lhes guardo nenhum ressentimento em particular (o erro de 2004 foi nosso) e desejo-lhes a melhor das sortes para o Mundial - excepto caso se cruzem connosco, evidentemente.


O jogo terá lugar no Estádio Nacional, no Jamor, uma arena com grande simbolismo para o futebol português, e estará integrado nas comemorações do centenário da Federação Portuguesa de Futebol. Consigo compreender esta escolha visto que, para mim, é uma das casas da Seleção, se não for "a" casa. Sobretudo ao longo dos últimos anos, em que tenho lá ido assistir aos treinos abertos. Além disso, acredido que, se algum dia conseguirmos ganhar um Europeu ou Mundial, será lá que a Seleção festejará com os seus adeptos.

A desvantagem continua a residir os fracos acessos, tanto em termos de entradas para o Estádio - depois do que aconteceu na final da Taça de Portugal, espero que as pessoas tenham a sensatez de chegarem com antecedência - como em transportes públicos. 

Seria bom deixarmos este demónio exorcizado, dentro do possível, a tempo do Mundial. No entanto, duvido que os Marmanjos estejam para aí virados. Nos primeiros particulares dos estágios de 2010 e 2012 (com o Cabo Verde e a Macedónia, respetivamente) não estiveram e ambos acabaram sem golos. Como se tal não bastasse, bem como a experiência de muitos outros particulares, desta feita temos metade da Seleção em momentos de forma duvidosos. Já se sabe que Pepe e Ronaldo não jogam (estou a mentalizar-me de que o madeirense será uma dúvida constante até ao nosso primeiro jogo no Brasil, se não mesmo depois disso). Não me parece que os jogadores queiram arriscar lesões que os afastem do Mundial. Pode ser que o nome e o simbolismo do adversário tenham algum peso. Mas não sei se será suficiente.

Espero que o seja para, pelo menos, fazerem um jogo decente. Invariavelmente, eu peço uma vitória, mesmo que não venha acompanhada de uma boa exibição. Até porque, durante o jogo, homenagearão Eusébio e Mário Coluna, ficaria bem honrá-los com um bom resultado. No entanto, se tudo isso falhar, ao menos que sirva para nos prepararmos para o Mundial. Que todos esperamos que seja inesquecível pelos melhores motivos.
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