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domingo, 16 de fevereiro de 2020

Equipamentos da Seleção Nacional (2004-2018): do pior ao melhor

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É este o texto diferente do costume de que ando a falar há algum tempo. Hoje vamos falar sobre equipamentos da Seleção Nacional. 


 


Como toda a gente sabe, em anos pares (regra geral, por volta dos particulares de março/abril), a Equipa de Todos Nós recebe um conjunto novo de equipamentos. Esses equipamentos servem para todo o ciclo bianual, que inclui um Mundial ou um Europeu, a fase de Qualificação para o Mundial ou Europeu seguinte e, mais recentemente, a Liga das Nações. Neste texto, quero pegar nos diferente equipamentos que a Seleção envergou desde 2004 a esta parte (escolho este ano porque foi quando comecei a acompanhar ativamente a Equipa das Quinas) e ordená-los de acordo com as minhas preferências.


 


Aviso desde já que estou longe de ser uma especialista em moda, ainda menos do que em futebol. Este é apenas o meu gosto pessoal, estão à vontade para discordar. 


 


Nesta lista vou só considerar os equipamentos principais. Ainda pensei incluir os alternativos, mas ficaria demasiado confuso. Os alternativos terão o seu próprio texto, um dia. Não a curto prazo, talvez daqui a um ano ou dois. Os que forem lançados este ano já entrarão nessa lista. 


 


Antes de começar, queria deixar bem explícito que, deste conjunto, não existe nenhum equipamento principal de que eu não goste nem um bocadinho. A Seleção teve alguns equipamentos “parolos” no seu passado, como descrevem neste artigo, mas a qualidade melhorou muito de 2000 para a frente. Com os alternativos a história é outra mas, regra geral, não tenho tido razão de queixa em relação aos equipamentos principais nestes últimos dezasseis anos.


 


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Ou melhor até tenho, mas não tem a ver com a qualidade estética do equipamento. Tem a ver com o facto de, pelo menos nas fornadas de 2016 e 2018, os equipamentos produzidos pela Nike seguirem quase todos o mesmo modelo. Basta olharmos para imagens da final de Paris: o equipamento português e o francês são iguais, tirando a cor!


 


E depois temos fenómenos como, por exemplo, o equipamento alternativo da Inglaterra em 2016 ser igual ao nosso principal do mesmo ano e o nosso equipamento alternativo de 2018 ser igual ao da Polónia (com o mesmo tipo de letra nos nomes e tudo). Irrita-me tanto… Que é feito da imaginação?


 


No que toca a equipamentos principais, o vermelho tem sido, naturalmente, a cor predominante. Eu diria que é a minha segunda cor preferida, atrás do azul. Em parte por estar associada à Turma das Quinas. O meu tom preferido não é tanto o clássico vermelho vivo, é um tom um bocadinho mais escuro, como o que escolhi para o fundo deste blogue (consta que o nome oficial é vermelho persa). É uma cor rica, elegante, sobretudo nestes tons menos agressivos.    


 


Também gosto do vermelho cor de vinho tinto para vestir, sobretudo no outono/inverno.


 


Curiosamente, já foram feitos estudos sobre a influência da cor vermelha em equipamentos desportivos. É uma cor que simboliza paixão, energia, testosterona, vitalidade, dominância. Uma cor emotiva, que entusiasma e motiva os aliados e intimida os adversários. Está provado que dá vantagem. 


 


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É claro que essa vantagem pesa menos que fatores como o talento e a técnica. Se não fosse assim, teríamos muito mais que apenas dois títulos. Em todo o caso, o vermelho é uma cor que já faz parte do carácter da Seleção. 


 


Dito isto, gostava de ver mais verde nos equipamentos das Quinas. Afinal de contas, sempre representa cerca de quarenta por cento da nossa bandeira. Além de que é uma cor menos agressiva, que representa esperança, harmonia, compaixão, segurança – características que também fazem parte do ADN da Equipa de Todos Nós, a meu ver. Contrabalançam com as emoções extremas do vermelho e também com a hostilidade endémica do futebol de clubes, sobretudo em Portugal. 


 


Mas passemos ao cerne deste texto: os equipamentos da Seleção nos últimos dezasseis anos, do pior para o melhor. Vamos começar com…


 


8) 2008


 


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Admito-o desde já: o equipamento criado para o Euro 2008 só está no fundo da lista por, usando o termo técnico, picunhices. Em termos gerais, este equipamento não é pior do que os outros desta lista. Como quase todos, é todo em vermelho (embora eu não adore este tom particular), com letras e números dourados. 


 


Aquilo de que não gosto neste equipamento é do feitio da gola (estiveram ali a inventar sem necessidade) e a camisola mais justa que o habitual. Na altura, acho que li em algum lado que isto foi deliberado, era para melhor absorver a transpiração ou algo do género. No entanto, do ponto de vista estético não ficou muito bem, na minha opinião. Prefiro camisolas mais largas. 


 


7) 2012


 


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O equipamento apresentado para o Euro 2012 não difere radicalmente do de 2008. Também ele é todo vermelho, um vermelho vivo, clássico. Desta vez, no entanto, não se puseram a inventar: a gola tem um feito normal, a camisola não parece nem demasiado larga nem demasiado justa.


 


Na verdade, o ponto fraco deste equipamento é precisamente o facto de não terem inventado nada. É um equipamento simples, uma aposta segura, que não é feio mas também não deslumbra. É pouco imaginativo. Parece-se mais com o modelo básico com que os designers (estilistas?) da Nike começam na hora de conceber um equipamento novo.


 


É por isso que está tão baixo nesta lista: falta-lhe carácter. 


 


6) 2018


 


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Este é o equipamento mais recente desta lista. Criado para o Mundial 2018, mas que também foi usado durante a conquista do nosso segundo título, na Liga das Nações. Tem algumas semelhanças com o de 2008: todo vermelho, letras e números dourados. Está melhor conseguido, no entanto: gosto do estilo dos múmeros e do discreto efeito “riscado” nos ombros e braços – mais proeminente em outras peças desta coleção, como o equipamento de treino.


 


Pode ser o mesmo modelo que a Nike aplicou a todos os seus equipamentos se seleções, mas ao menos é bonito.


 


5) 2006


 


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O equipamento criado para o Mundial 2006 é todo vermelho, como vários outros desta lista. Este, no entanto, é um vermelho diferente, bastante curioso. Varia consoante a luz. Sob a luz artificial é um vermelho mais perto do vinho tinto (parecido com o vermelho das camisolas dos finais dos anos 90, início dos anos 2000). Sob a luz do sol transforma-se num vermelho mais vivo, cor de sangue seco.


 


É um efeito muito giro e único. Tive várias oportunidades de vê-lo, pois cheguei a ter o boné desta coleção, da mesma cor. Infelizmente perdi-o.


 


O único problema é que, apesar de ser uma cor original e bonita, é um bocadinho escura demais, que se torna demasiado quente e pesada. Tendo em conta que os grandes campeonatos de seleções se realizam durante o verão, esta é uma desvantagem significativa. É só mesmo por este motivo que este equipamento não está mais acima na classificação.





4) 2010


 


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Nesta parte da lista, as diferenças entre os equipamentos em termos de preferência não são muito grandes. Foi difícil de definir a ordem nesta parte. Se estivesse a escrever este texto há um ano, a ordem se calhar seria diferente. Hoje fica assim.


 


Finalmente um equipamento que não é todo em vermelho: o criado para o Mundial 2010. A camisola é vermelha, mas possui uma faixa verde horizontal, na zona do peito. Inicialmente os calções eram brancos – eu gostava assim, mas admito que fica demasiado parecido com o equipamento do Manchester United. 


 


Talvez seja por isso que, em muitos jogos (talvez na maior parte deles), a Seleção tenha usado calções vermelhos. Também ficam bem, não me interpretem mal – a faixa verde distingue-os dos vários equipamentos-todos-vermelhos – mas eu preferia os calções brancos. Mais: este seria o equipamento ideal para recuperar a tradição dos calções verdes. Uma oportunidade desperdiçada, na minha opinião. 


 


3) 2016


 


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Este equipamento tem o grande viés de ter sido o equipamento com que ganhámos o nosso primeiro título. Eu mesma tenho a camisola – há anos que queria uma da Seleção e optei pela camisola de Campeões Europeus.


 


Não digo que a minha opinião não seja nem um bocadinho enviesada mas, na minha opinião, mesmo colocando de lado o facto de ser a camisola da final de Paris, é um equipamento bonito por si mesmo. Na verdade, mais do que o fator Campeão Europeu, pesa mais o facto de eu ter um exemplar da camisola, que posso examinar ao pormenor.


 


Esta camisola tem os ombros e os braços num vermelho mais escuro – como poderão ver na fotografia abaixo, são na verdade riscas muito finas, alternando entre o vermelho-vinho-tinto e o vermelho do resto da camisola. Esse vermelho, aliás, é o tal vermelho-persa de que falei acima, o meu tom preferido (se não for exatamente esse o tom, está muito próximo).


 


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É, em suma, um belo equipamento (mesmo que, mais uma vez, partilhe o modelo com várias outras seleções da Nike). Merece ser este a figurar nas fotografias do 10 de julho. 


 


2) 2014


 


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Este é capaz de ser o equipamento mais criativo e original desta lista (só o de 2010 é que compete com ele nesse capítulo). É todo em vermelho, mas a camisola possui um degradê (é esse o termo correto?). O peito e os ombros são num vermelho mais vivo que, depois, transita para um vermelho mais escuro, que ocupa a parte de baixo da camisola, os calções e as meias.


 


É uma pena este equipamento estar associado ao desastre que foi o Mundial 2014 porque eu gosto mesmo muito deste equipamento. Só prova que a beleza da camisola não serve de prognóstico.


 


E ainda bem, não é? Para estas coisas ninguém gosta de spoilers.


 


1) 2004


 


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Como disse antes, tive algumas dificuldades em definir partes desta classificação, mas nunca tive dúvidas em relação ao primeiro lugar. 


 


Admito que haja muita nostalgia nesta escolha. Como poderão ler aqui, muitos dos meus jogos preferidos de sempre da Seleção decorreram durante o Euro 2004. Ainda hoje, se reescrevesse essa lista, o Portugal-Espanha continuaria no primeiro lugar – porque foi onde tudo começou para mim. Se não fosse esse jogo, nenhum dos outros teria tido o mesmo impacto.


 


É difícil explicar a quem não se lembre desse campeonato ou tenha nascido depois dele (parecendo que não, gente de quinze anos incluem-se nesse grupo) o impacto que o Euro 2004 teve no povo. Fomos nós os anfitriões, uns anfitriões bastante entusiastas. A Seleção ia fazendo a sua parte, com jogos que se tornariam lendários. Todo o país esteve em festa como nunca se vira antes e não se tornaria a ver até agora.


 


Não, nem mesmo quando nos sagrámos Campeões Europeus. Não estou a dizer que tenha sido pior ou melhor, apenas que não foi a mesma coisa. Porque foi em França, não em Portugal.


 


O equipamento do Euro 2004 foi o último equipamento até agora a ter calções verdes. As cores, aliás, são mais vivas do que o costume, sem destoarem, com pormenores dourados – as faixas verticais, fininhas, de cada lado da camisola. À frente os números aparecem dentro de círculos, em homenagem ao equipamento da Seleção no Mundial de 1966. 


 


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Em suma, é um equipamento brilhante e festivo, diferente de qualquer outro, o que reflete na perfeição aquilo que o Euro 2004 representou para nós: um período feliz, brilhante, uma festa, algo irrepetível. O início da minha história de amor com a Seleção – e por isso estará sempre em primeiro.


 


E cá estão, os equipamentos das Quinas ordenados pelas minhas preferências. Devia ter calculado que dedicaria uma boa parte deste texto a comparar tons de vermelho mas olhem. Foi diferente. Foi divertido.


 


Agora estou ansiosa pela revelação do equipamento do Euro 2020. Provavelmente fá-lo-ão aquando dos jogos de março: o torneio da Qatar Airways, em que vamos jogar com a Bélgica e a Croácia. Espero que não se limitem a um equipamento liso, todo vermelho. Espero que sejam criativos, que lhe deem personalidade própria.


 


Não me peçam para decidir logo em que lugar ficaria nesta lista, ou mesmo para dar logo um parecer definitivo sobre o equipamento. Vou precisar de tempo para formar as minhas opiniões, de ver a Seleção envergando as novas camisolas em campo.


 


É esperar para ver. A contagem decrescente continua. Acompanhem-na connosco, na página de Facebook deste blogue.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Portugal 2 Gana 1 - Canto do cisne


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No passado dia 26 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou a sua congénere ganesa no Estádio Nacional, em Brasília, em jogo a contar para a fase de grupos do Campeonato do Mundo da modalidade. A Seleção Nacional venceu por duas bolas contra uma, mas foi eliminada da competição por ter uma maior diferença de golos em relação ao Estados Unidos.



 

Antes de mais nada, quero pedir desculpas pelo atraso exagerado desta crónica. Têm sido uns dias complicados, tem-me faltado tempo e, também, um bocadinho de paciência. Se Portugal tivesse continuado no Brasil, eu faria um esforço por publicar esta crónica antes do jogo dos oitavos-de-final. Mas assim...

 

Mais uma vez, a primeira parte do jogo coincidiu com o meu trabalho, mais uma vez recorri ao relato da rádio para acompanhá-la. Apesar daquilo que tinha escrito na crónica anterior, apesar de saber que o nosso destino estava praticamente selado, não deixei de me entusiasmar e enervar, como se ainda estivesse tudo completamente em aberto. Está mais do que visto que eu não aprendo, que esta minha doença não se controla assim tão facilmente. Ou isso, ou o Alexandre Afonso e o Nuno Matos são excelentes no que fazem. Eu prefiro pensar que é a primeira hipótese - embora a segunda não seja menos verdadeira - e que isso nunca mudará, em circunstância alguma. A receção do sinal de rádio não era a melhor, devia ter a sua piada se alguém me visse deslocando-me para certos pontos de modo a evitar as interferências da estática. Fui percebendo que Portugal entrara com... bem, com ganas, tendo Cristiano Ronaldo atirado à barra logo aos seis minutos e à figura do guarda-redes ganês aos dezanove.

 



O momento do primeiro golo coincidiu com uma altura em que o relato se misturava com a estática. Percebi que era golo e, como estava sozinha, festejei-o silenciosa mas exuberantemente em termos gestuais. Não percebi quem marcara, contudo. Na esperança de que os meus colegas estivessem a acompanhar o jogo através daqueles sites, e como já se ouviam buzinas ao longe, corri para eles a perguntar, com um bocadinho de ansiedade a mais, quem marcara. Mais tarde, fartaram-se de se meter comigo por causa desta atitude.

E tinha eu esperanças de manter esta minha doença mais ou menos controlada no local de trabalho. Não tenho mesmo emenda...

Eventualmente, descobri que havia sido auto-golo. E os meus colegas até foram simpáticos em dizer-mo quando descobriram, dou-lhes crédito por isso. Em todo o caso, ao intervalo, saí. Desta feita, não me apeteceu ir para a esplanada onde vira o jogo com a Alemanha. Em vez disso, fui para um café onde já me conheciam bem e até me viram no A Tarde É Sua de há dois anos. Logo, sabiam que sou uma grande adepta da Seleção, com o meu blogue e a minha página, conforme outros clientes vendo o jogo ficaram a saber. Outro gesto simpático, mas fiz-lhes ver que, nesta altura, ter tal estatuto é ingrato.



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Fui vendo Portugal dominando os ganeses, mas já com a fraca forma física a dar de si. Quando surgiu o golo do Gana (por sinal, pouco após sabermos que a Alemanha marcara), tive um dejá-vu do jogo com os Estados Unidos: mais uma vez, Portugal mostrava-se incapaz de segurar a vantagem.

Felizmente, os portugueses estavam a jogar melhor que nos encontros anteriores. Ou isso, ou pura e simplesmente os ganeses não tinham capacidade para nos criarem assim tantos problemas. Depois de sair Éder (que, segundo os que viram o jogo desde início, incluindo a minha irmã, apenas estava a servir de empecilho), e de entrar Varela e Vieirinha, Portugal passou o resto do jogo em constante ataque, destacando-se o inevitável Cristiano Ronaldo. Após o encontro, muitos contaram os remates falhados e vieram choramingar que "afinal, era possível" golear o Gana, como era requerido para passarmos a fase de grupos. Eu, no entanto, há muito que sei que a Seleção precisa de vinte remates para marcar um golo, por isso não vou nessa conversa.

Cristiano Ronaldo lá conseguiu acertar na baliza, alcançando a proeza de marcar em todas as fases finais em que participou - seis no total. A única coisa de que se pode orgulhar, coitado, num Mundial onde ele se destacou mais pela tendinose rotuliana e pelos cortes de cabelo.



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Por fim, o encontro terminou, sentenciando a eliminação de ambas as equipas em jogo do Campeonato do Mundio, bem como a passagem da Alemanha e dos Estados Unidos aos oitavos-de-final. Durante o jogo, enquanto o marcador estava empatado, quase desejei, à semelhança de outros senhores do café, que o Gana nos derrotasse, só para poderem passar em vez dos Estados Unidos. A última coisa que desejava neste Mundial, para além de uma eliminação prematura como esta, era sermos ultrapassados pela seleção de um país que, não apenas não ama o futebol como o resto do Mundo, como também tem pessoas que o consideram anti-americano e mesmo um veículo do comunismo. No entanto, sabe-se agora que a comitiva ganesa tinha ainda mais problemas do que a nossa, eles não tinham condições para ir muito longe. E os americanos parecem, de facto, estarem a converter-se ao futebol depois desta participação no Mundial, ao ponto de sugerirem Tim Howard, o guarda-redes que parou dezasseis remates só no jogo com a Bélgica, para Secretário da Defesa.

De qualquer forma, como já não tinha grande fé no Apuramento, fiquei satisfeita por, pelo menos, termos ganho. Este jogo foi, de certa forma, o nosso canto do cisne neste Mundial, permitiu-nos sair do Brasil com alguma dignidade.

Seguiu-se a tarefa ingrata e desagradável - que ainda não terminou - de diagnosticar este fraco desempenho da Equipa de Todos Nós, de encontrar culpados. Por muito que me custe, tenho de dizer que foram cometidos vários erros ao longo deste percurso, começando pelo número ridículo de lesões. Já aquando da Convocatória se comentava a duvidosa forma física dos Escolhidos, devíamos ter calculado que daria nisto. Eu na altura achei que haveria tempo para os jogadores recuperarem, mas enganei-me redondamente. Não nego que o departamento médico possa ter culpas no cartório, mas cheguei a ler uma notícia que alegava que os jogadores, compreensivelmente ansiosos por jogarem num Mundial, teriam mentido sobre a sua condição física. Não sei se é verdade, mas parece-me plausível. Pode-se questionar a Convocatória, mas eu acho que bastaria aos nossos jogadores estarem em melhores condições para tudo ter sido diferente.



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Por outro lado, à semelhança de muita gente, julgo que foi no jogo com a Alemanha que as coisas descarrilaram sem reparação possível. Todos garantem (eu não vi) que Portugal até entrou bem nesse jogo até o penálti, provocado por João Pereira, e a expulsão de Pepe terem deitado por terra o controlo emocional da equipa. Se tivéssemos conservado o sangue-frio, talvez tivéssemos perdido por menos e conseguido, posteriormente, o Apuramento pela diferença de golos, no mínimo. Mesmo assim, continuo convencida que não teríamos pernas para ir muito mais longe.

Pelo meio, Cristiano Ronaldo teve tempo para atirar mais achas para a fogueira. Não posso dizer, infelizmente, que esteja surpreendida - há muito que sei que ele só é o Capitão quando a Seleção está na mó de cima. No entanto, as declarações dele após o jogo contra os Estdos Unidos têm sido retiradas do contexto: tanto quanto percebi (mas posso estar enganada), quando ele disse que não tínhamos grande equipa, referia-se à condição física da maioria dos jogadores, ele mesmo incluído. Além disso, não sejamos hipócritas: infinitos comentadores têm acusado a equipa portuguesa de ser mediana ao longo das últimas semanas, para não dizer meses ou anos, ninguém se importa. O Capitão da equipa diz o mesmo e toda a gente se atira ao ar? É claro que um comentador é um comentador, um Capitão é um Capitão, mas mesmo assim. O que eu não compreendo é, realmente, o otimismo de Ronaldo antes do jogo com a Alemanha. Nem eu nem ninguém...

O que eu sei é que, ainda que, como toda a gente diz, Portugal não seja uma Seleção de topo, nós tínhamos condições para mais do que isto, conforme já dei a entender acima. Um pouco por superstição, não faço prognósticos específicos antes das fases finais. Agora que o Mundial já acabou para nós, posso dizer que calculava que chegássemos aos quartos-de-final. E acho que teria sido possível, quer com este vinte e três, em boa forma, quer com um grupo algo diferente. Além disso, temos jogadores que até estavam bem fisicamente e mereciam ter ficado mais tempo no Mundial; é o caso, por exemplo, de Nani e William Carvalho.




O pior de tudo é que este está a ser um belo Mundial, bem disputado, cheio de emoções. Se por um lado não estávamos de todo ao nível dele, por outro lado, se estivéssemos melhor preparados, poderíamos estar a fazer parte disto, ou pelo menos ter saído dele de forma mais digna, como saíram seleções como a Grécia e a Costa Rica, merecedora do respeito de toda a gente. Irrita-me que tenhamos desperdiçado mais esta oportunidade. E, claro, poderíamos ter aumentado o índice de felicidade e auto-estima nacional, da maneira tão frequentemente por mim descrita cá no blogue, ainda que durante escassas semanas. Poderíamos ter tido mais golos, mais vitórias, daquelas que se festejam nas ruas, que alegram todo o País, poderíamos ter vídeos de bastidores mostrando os jogadores a cantar e a festejar, ter tido o Mundo com os olhos postos na Seleção pelos melhores motivos.

Outra das questões muito debatidas no rescaldo da nossa participação no Mundial diz respeito à necessidade de renovação da Seleção, bem como à continuidade de Paulo Bento. Começando pelo segundo tema, não tenho uma opinião formada sobre ele, já que já estive a favor e contra a continuidade do atual Selecionador. Agora já não importa, pois o contrato está há muito assinado e, aparentemente, nenhuma das partes está interessada em rescindir (em princípio o caso Queiroz não se repetirá, como eu cheguei a temer). Apesar de o Selecionador ter uma fatia significativa da responsabilidade pelo que aconteceu, eu não tenho memória curta, como parece ter o resto do País. Não acho que tudo esteja mal na Seleção "só" por causa deste Mundial e, sobretudo, não me esqueço (e nunca me esquecerei) da maneira como Paulo Bento recuperou a Equipa de Todos Nós após a trapalhada com o Selecionador anterior, nem do Euro 2012 - cuja participação portuguesa continuo a não considerar um acaso, uma anomalia, ao contrário do que toda a gente parece acreditar.

Por outro lado, uma das lições que retiro deste Mundial é que um bom passado não garante um bom presente ou um bom futuro. O que nos leva à renovação da Equipa das Quinas. Não nego que a linha pode ter acabado para certos Marmanjos, como (sniff, sniff) Hélder Postiga, mas também já falei aqui de jogadores que mereciam mais oportunidades na Seleção. Um dos receios que tenho relativamente à continuidade de Paulo Bento é que ele insista em Convocar os mesmos de sempre, que ele não tenha "aprendido" com este Mundial. Mas o futuro a Deus pertence.




O que eu acho que a Seleção precisa, tanto como a tão debatida renovação, é de recomeçar do zero, dentro do possível. Embarcar na Qualificação para o Euro 2016 sem grandes expectativas senão Apurarmo-nos - seja de que maneira for - encarando um jogo de cada vez. Gostava de poder dizer que acredito numa Qualificação tranquila mas não acredito. Acho que nos espera (mais) um Apuramento atribulado e tenciono tentar mentalizar-me o melhor que puder em relação a isso, para evitar apanhar tantos baldes de água fria.

Quanto a este Mundial, só quero atirá-lo para trás das costas o mais depressa possível. Foi uma participação para esquecer. Ficaram a faltar as coisas que descrevi acima, por que ansiava. Tornámos a perder uma oportunidade de realizar o sonho. Não era uma oportunidade tão boa como outras, mas duvido que as próximas sejam melhores. Já me interrogo, até, se isto é uma maldição qualquer, se só poderemos fazer um bom Mundial de quarenta em quarenta anos.

Por outro lado, admito que, ainda que o Mundial tenha estado abaixo das minhas expectativas, talvez daqui a umas semanas ou meses, quando já tiver digerido o que aconteceu, venha a ter saudades das pequenas coisas boas: chegar a casa após o trabalho e atualizar a página, as fotografias dos treinos, do bullying entre jogadores, os fins de tarde passados nas esplanadas, consultando os jornais desportivos, rascunhando as crónicas do blogue, mesmo passando-as a computador. E quando começar a sentir saudades de tudo isso, ainda faltarão quase dois anos para voltarmos a ter um campeonato de seleções.




Há coisas que, no entanto, não mudam: apesar de tudo o que aconteceu, eu continuo ao lado da Equipa de Todos Nós, a apoiá-los, a ajudá-los à minha maneira, a adorar praticamente todos os que vestem a Camisola das Quinas. Acompanho vários deles há muitos anos, tenho crescido com eles, exulto e orgulho-me dos seus triunfos, irrito-me com os seus disparates, sofro com as suas tristezas. De certa forma, são uma espécie de família para mim, são os meus heróis, são o meu clube. Conforme já disse anteriormente, uma pessoa não vira as costas ao seu clube.

Além do mais, sei que mais cedo ou mais tarde a Seleção recuperará, levantar-se-á, voltará a dar alegrias. Mesmo que sejam pequenas: uma vitória num particular insignificante ou num jogo de Qualificação com um adversário "acessível". É apenas uma questão de paciência e perseverança.

Quero aqui deixar os meus agradecimentos às pessoas que acompanharam o meu blogue e respetiva página do Facebook ao longo da participação do Mundial, que continuam a fazê-lo mesmo depois de esta participação ter terminado. Ao longo das próximas semanas, até surgirem novas notícias sobre a Seleção, naturalmente o blogue estará em stand-by e a página com atividade reduzida. No entanto, conforme tenho vindo a dizer ultimamente, enquanto tal estiver dentro das minhas possibilidades, não desistirei nem do blogue nem da página. E mesmo que desista deles, da Seleção em si nunca desistirei. O capítulo do Mundial 2014 está encerrado, pelo menos para Portugal. Agora venha o próximo.

Portugal 2 Gana 1 - Canto do cisne


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No passado dia 26 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou a sua congénere ganesa no Estádio Nacional, em Brasília, em jogo a contar para a fase de grupos do Campeonato do Mundo da modalidade. A Seleção Nacional venceu por duas bolas contra uma, mas foi eliminada da competição por ter uma maior diferença de golos em relação ao Estados Unidos.



 

Antes de mais nada, quero pedir desculpas pelo atraso exagerado desta crónica. Têm sido uns dias complicados, tem-me faltado tempo e, também, um bocadinho de paciência. Se Portugal tivesse continuado no Brasil, eu faria um esforço por publicar esta crónica antes do jogo dos oitavos-de-final. Mas assim...

 

Mais uma vez, a primeira parte do jogo coincidiu com o meu trabalho, mais uma vez recorri ao relato da rádio para acompanhá-la. Apesar daquilo que tinha escrito na crónica anterior, apesar de saber que o nosso destino estava praticamente selado, não deixei de me entusiasmar e enervar, como se ainda estivesse tudo completamente em aberto. Está mais do que visto que eu não aprendo, que esta minha doença não se controla assim tão facilmente. Ou isso, ou o Alexandre Afonso e o Nuno Matos são excelentes no que fazem. Eu prefiro pensar que é a primeira hipótese - embora a segunda não seja menos verdadeira - e que isso nunca mudará, em circunstância alguma. A receção do sinal de rádio não era a melhor, devia ter a sua piada se alguém me visse deslocando-me para certos pontos de modo a evitar as interferências da estática. Fui percebendo que Portugal entrara com... bem, com ganas, tendo Cristiano Ronaldo atirado à barra logo aos seis minutos e à figura do guarda-redes ganês aos dezanove.

 



O momento do primeiro golo coincidiu com uma altura em que o relato se misturava com a estática. Percebi que era golo e, como estava sozinha, festejei-o silenciosa mas exuberantemente em termos gestuais. Não percebi quem marcara, contudo. Na esperança de que os meus colegas estivessem a acompanhar o jogo através daqueles sites, e como já se ouviam buzinas ao longe, corri para eles a perguntar, com um bocadinho de ansiedade a mais, quem marcara. Mais tarde, fartaram-se de se meter comigo por causa desta atitude.

E tinha eu esperanças de manter esta minha doença mais ou menos controlada no local de trabalho. Não tenho mesmo emenda...

Eventualmente, descobri que havia sido auto-golo. E os meus colegas até foram simpáticos em dizer-mo quando descobriram, dou-lhes crédito por isso. Em todo o caso, ao intervalo, saí. Desta feita, não me apeteceu ir para a esplanada onde vira o jogo com a Alemanha. Em vez disso, fui para um café onde já me conheciam bem e até me viram no A Tarde É Sua de há dois anos. Logo, sabiam que sou uma grande adepta da Seleção, com o meu blogue e a minha página, conforme outros clientes vendo o jogo ficaram a saber. Outro gesto simpático, mas fiz-lhes ver que, nesta altura, ter tal estatuto é ingrato.



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Fui vendo Portugal dominando os ganeses, mas já com a fraca forma física a dar de si. Quando surgiu o golo do Gana (por sinal, pouco após sabermos que a Alemanha marcara), tive um dejá-vu do jogo com os Estados Unidos: mais uma vez, Portugal mostrava-se incapaz de segurar a vantagem.

Felizmente, os portugueses estavam a jogar melhor que nos encontros anteriores. Ou isso, ou pura e simplesmente os ganeses não tinham capacidade para nos criarem assim tantos problemas. Depois de sair Éder (que, segundo os que viram o jogo desde início, incluindo a minha irmã, apenas estava a servir de empecilho), e de entrar Varela e Vieirinha, Portugal passou o resto do jogo em constante ataque, destacando-se o inevitável Cristiano Ronaldo. Após o encontro, muitos contaram os remates falhados e vieram choramingar que "afinal, era possível" golear o Gana, como era requerido para passarmos a fase de grupos. Eu, no entanto, há muito que sei que a Seleção precisa de vinte remates para marcar um golo, por isso não vou nessa conversa.

Cristiano Ronaldo lá conseguiu acertar na baliza, alcançando a proeza de marcar em todas as fases finais em que participou - seis no total. A única coisa de que se pode orgulhar, coitado, num Mundial onde ele se destacou mais pela tendinose rotuliana e pelos cortes de cabelo.



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Por fim, o encontro terminou, sentenciando a eliminação de ambas as equipas em jogo do Campeonato do Mundio, bem como a passagem da Alemanha e dos Estados Unidos aos oitavos-de-final. Durante o jogo, enquanto o marcador estava empatado, quase desejei, à semelhança de outros senhores do café, que o Gana nos derrotasse, só para poderem passar em vez dos Estados Unidos. A última coisa que desejava neste Mundial, para além de uma eliminação prematura como esta, era sermos ultrapassados pela seleção de um país que, não apenas não ama o futebol como o resto do Mundo, como também tem pessoas que o consideram anti-americano e mesmo um veículo do comunismo. No entanto, sabe-se agora que a comitiva ganesa tinha ainda mais problemas do que a nossa, eles não tinham condições para ir muito longe. E os americanos parecem, de facto, estarem a converter-se ao futebol depois desta participação no Mundial, ao ponto de sugerirem Tim Howard, o guarda-redes que parou dezasseis remates só no jogo com a Bélgica, para Secretário da Defesa.

De qualquer forma, como já não tinha grande fé no Apuramento, fiquei satisfeita por, pelo menos, termos ganho. Este jogo foi, de certa forma, o nosso canto do cisne neste Mundial, permitiu-nos sair do Brasil com alguma dignidade.

Seguiu-se a tarefa ingrata e desagradável - que ainda não terminou - de diagnosticar este fraco desempenho da Equipa de Todos Nós, de encontrar culpados. Por muito que me custe, tenho de dizer que foram cometidos vários erros ao longo deste percurso, começando pelo número ridículo de lesões. Já aquando da Convocatória se comentava a duvidosa forma física dos Escolhidos, devíamos ter calculado que daria nisto. Eu na altura achei que haveria tempo para os jogadores recuperarem, mas enganei-me redondamente. Não nego que o departamento médico possa ter culpas no cartório, mas cheguei a ler uma notícia que alegava que os jogadores, compreensivelmente ansiosos por jogarem num Mundial, teriam mentido sobre a sua condição física. Não sei se é verdade, mas parece-me plausível. Pode-se questionar a Convocatória, mas eu acho que bastaria aos nossos jogadores estarem em melhores condições para tudo ter sido diferente.



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Por outro lado, à semelhança de muita gente, julgo que foi no jogo com a Alemanha que as coisas descarrilaram sem reparação possível. Todos garantem (eu não vi) que Portugal até entrou bem nesse jogo até o penálti, provocado por João Pereira, e a expulsão de Pepe terem deitado por terra o controlo emocional da equipa. Se tivéssemos conservado o sangue-frio, talvez tivéssemos perdido por menos e conseguido, posteriormente, o Apuramento pela diferença de golos, no mínimo. Mesmo assim, continuo convencida que não teríamos pernas para ir muito mais longe.

Pelo meio, Cristiano Ronaldo teve tempo para atirar mais achas para a fogueira. Não posso dizer, infelizmente, que esteja surpreendida - há muito que sei que ele só é o Capitão quando a Seleção está na mó de cima. No entanto, as declarações dele após o jogo contra os Estdos Unidos têm sido retiradas do contexto: tanto quanto percebi (mas posso estar enganada), quando ele disse que não tínhamos grande equipa, referia-se à condição física da maioria dos jogadores, ele mesmo incluído. Além disso, não sejamos hipócritas: infinitos comentadores têm acusado a equipa portuguesa de ser mediana ao longo das últimas semanas, para não dizer meses ou anos, ninguém se importa. O Capitão da equipa diz o mesmo e toda a gente se atira ao ar? É claro que um comentador é um comentador, um Capitão é um Capitão, mas mesmo assim. O que eu não compreendo é, realmente, o otimismo de Ronaldo antes do jogo com a Alemanha. Nem eu nem ninguém...

O que eu sei é que, ainda que, como toda a gente diz, Portugal não seja uma Seleção de topo, nós tínhamos condições para mais do que isto, conforme já dei a entender acima. Um pouco por superstição, não faço prognósticos específicos antes das fases finais. Agora que o Mundial já acabou para nós, posso dizer que calculava que chegássemos aos quartos-de-final. E acho que teria sido possível, quer com este vinte e três, em boa forma, quer com um grupo algo diferente. Além disso, temos jogadores que até estavam bem fisicamente e mereciam ter ficado mais tempo no Mundial; é o caso, por exemplo, de Nani e William Carvalho.




O pior de tudo é que este está a ser um belo Mundial, bem disputado, cheio de emoções. Se por um lado não estávamos de todo ao nível dele, por outro lado, se estivéssemos melhor preparados, poderíamos estar a fazer parte disto, ou pelo menos ter saído dele de forma mais digna, como saíram seleções como a Grécia e a Costa Rica, merecedora do respeito de toda a gente. Irrita-me que tenhamos desperdiçado mais esta oportunidade. E, claro, poderíamos ter aumentado o índice de felicidade e auto-estima nacional, da maneira tão frequentemente por mim descrita cá no blogue, ainda que durante escassas semanas. Poderíamos ter tido mais golos, mais vitórias, daquelas que se festejam nas ruas, que alegram todo o País, poderíamos ter vídeos de bastidores mostrando os jogadores a cantar e a festejar, ter tido o Mundo com os olhos postos na Seleção pelos melhores motivos.

Outra das questões muito debatidas no rescaldo da nossa participação no Mundial diz respeito à necessidade de renovação da Seleção, bem como à continuidade de Paulo Bento. Começando pelo segundo tema, não tenho uma opinião formada sobre ele, já que já estive a favor e contra a continuidade do atual Selecionador. Agora já não importa, pois o contrato está há muito assinado e, aparentemente, nenhuma das partes está interessada em rescindir (em princípio o caso Queiroz não se repetirá, como eu cheguei a temer). Apesar de o Selecionador ter uma fatia significativa da responsabilidade pelo que aconteceu, eu não tenho memória curta, como parece ter o resto do País. Não acho que tudo esteja mal na Seleção "só" por causa deste Mundial e, sobretudo, não me esqueço (e nunca me esquecerei) da maneira como Paulo Bento recuperou a Equipa de Todos Nós após a trapalhada com o Selecionador anterior, nem do Euro 2012 - cuja participação portuguesa continuo a não considerar um acaso, uma anomalia, ao contrário do que toda a gente parece acreditar.

Por outro lado, uma das lições que retiro deste Mundial é que um bom passado não garante um bom presente ou um bom futuro. O que nos leva à renovação da Equipa das Quinas. Não nego que a linha pode ter acabado para certos Marmanjos, como (sniff, sniff) Hélder Postiga, mas também já falei aqui de jogadores que mereciam mais oportunidades na Seleção. Um dos receios que tenho relativamente à continuidade de Paulo Bento é que ele insista em Convocar os mesmos de sempre, que ele não tenha "aprendido" com este Mundial. Mas o futuro a Deus pertence.




O que eu acho que a Seleção precisa, tanto como a tão debatida renovação, é de recomeçar do zero, dentro do possível. Embarcar na Qualificação para o Euro 2016 sem grandes expectativas senão Apurarmo-nos - seja de que maneira for - encarando um jogo de cada vez. Gostava de poder dizer que acredito numa Qualificação tranquila mas não acredito. Acho que nos espera (mais) um Apuramento atribulado e tenciono tentar mentalizar-me o melhor que puder em relação a isso, para evitar apanhar tantos baldes de água fria.

Quanto a este Mundial, só quero atirá-lo para trás das costas o mais depressa possível. Foi uma participação para esquecer. Ficaram a faltar as coisas que descrevi acima, por que ansiava. Tornámos a perder uma oportunidade de realizar o sonho. Não era uma oportunidade tão boa como outras, mas duvido que as próximas sejam melhores. Já me interrogo, até, se isto é uma maldição qualquer, se só poderemos fazer um bom Mundial de quarenta em quarenta anos.

Por outro lado, admito que, ainda que o Mundial tenha estado abaixo das minhas expectativas, talvez daqui a umas semanas ou meses, quando já tiver digerido o que aconteceu, venha a ter saudades das pequenas coisas boas: chegar a casa após o trabalho e atualizar a página, as fotografias dos treinos, do bullying entre jogadores, os fins de tarde passados nas esplanadas, consultando os jornais desportivos, rascunhando as crónicas do blogue, mesmo passando-as a computador. E quando começar a sentir saudades de tudo isso, ainda faltarão quase dois anos para voltarmos a ter um campeonato de seleções.




Há coisas que, no entanto, não mudam: apesar de tudo o que aconteceu, eu continuo ao lado da Equipa de Todos Nós, a apoiá-los, a ajudá-los à minha maneira, a adorar praticamente todos os que vestem a Camisola das Quinas. Acompanho vários deles há muitos anos, tenho crescido com eles, exulto e orgulho-me dos seus triunfos, irrito-me com os seus disparates, sofro com as suas tristezas. De certa forma, são uma espécie de família para mim, são os meus heróis, são o meu clube. Conforme já disse anteriormente, uma pessoa não vira as costas ao seu clube.

Além do mais, sei que mais cedo ou mais tarde a Seleção recuperará, levantar-se-á, voltará a dar alegrias. Mesmo que sejam pequenas: uma vitória num particular insignificante ou num jogo de Qualificação com um adversário "acessível". É apenas uma questão de paciência e perseverança.

Quero aqui deixar os meus agradecimentos às pessoas que acompanharam o meu blogue e respetiva página do Facebook ao longo da participação do Mundial, que continuam a fazê-lo mesmo depois de esta participação ter terminado. Ao longo das próximas semanas, até surgirem novas notícias sobre a Seleção, naturalmente o blogue estará em stand-by e a página com atividade reduzida. No entanto, conforme tenho vindo a dizer ultimamente, enquanto tal estiver dentro das minhas possibilidades, não desistirei nem do blogue nem da página. E mesmo que desista deles, da Seleção em si nunca desistirei. O capítulo do Mundial 2014 está encerrado, pelo menos para Portugal. Agora venha o próximo.

Portugal 2 Gana 1 - Canto do cisne

No passado dia 26 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou a sua congénere ganesa no Estádio Nacional, em Brasília, em jogo a contar para a fase de grupos do Campeonato do Mundo da modalidade. A Seleção Nacional venceu por duas bolas contra uma, mas foi eliminada da competição por ter uma maior diferença de golos em relação ao Estados Unidos.

Antes de mais nada, quero pedir desculpas pelo atraso exagerado desta crónica. Têm sido uns dias complicados, tem-me faltado tempo e, também, um bocadinho de paciência. Se Portugal tivesse continuado no Brasil, eu faria um esforço por publicar esta crónica antes do jogo dos oitavos-de-final. Mas assim...

Mais uma vez, a primeira parte do jogo coincidiu com o meu trabalho, mais uma vez recorri ao relato da rádio para acompanhá-la. Apesar daquilo que tinha escrito na crónica anterior, apesar de saber que o nosso destino estava praticamente selado, não deixei de me entusiasmar e enervar, como se ainda estivesse tudo completamente em aberto. Está mais do que visto que eu não aprendo, que esta minha doença não se controla assim tão facilmente. Ou isso, ou o Alexandre Afonso e o Nuno Matos são excelentes no que fazem. Eu prefiro pensar que é a primeira hipótese - embora a segunda não seja menos verdadeira - e que isso nunca mudará, em circunstância alguma. A receção do sinal de rádio não era a melhor, devia ter a sua piada se alguém me visse deslocando-me para certos pontos de modo a evitar as interferências da estática. Fui percebendo que Portugal entrara com... bem, com ganas, tendo Cristiano Ronaldo atirado à barra logo aos seis minutos e à figura do guarda-redes ganês aos dezanove.


O momento do primeiro golo coincidiu com uma altura em que o relato se misturava com a estática. Percebi que era golo e, como estava sozinha, festejei-o silenciosa mas exuberantemente em termos gestuais. Não percebi quem marcara, contudo. Na esperança de que os meus colegas estivessem a acompanhar o jogo através daqueles sites, e como já se ouviam buzinas ao longe, corri para eles a perguntar, com um bocadinho de ansiedade a mais, quem marcara. Mais tarde, fartaram-se de se meter comigo por causa desta atitude.

E tinha eu esperanças de manter esta minha doença mais ou menos controlada no local de trabalho. Não tenho mesmo emenda...

Eventualmente, descobri que havia sido auto-golo. E os meus colegas até foram simpáticos em dizer-mo quando descobriram, dou-lhes crédito por isso. Em todo o caso, ao intervalo, saí. Desta feita, não me apeteceu ir para a esplanada onde vira o jogo com a Alemanha. Em vez disso, fui para um café onde já me conheciam bem e até me viram no A Tarde É Sua de há dois anos. Logo, sabiam que sou uma grande adepta da Seleção, com o meu blogue e a minha página, conforme outros clientes vendo o jogo ficaram a saber. Outro gesto simpático, mas fiz-lhes ver que, nesta altura, ter tal estatuto é ingrato.


Fui vendo Portugal dominando os ganeses, mas já com a fraca forma física a dar de si. Quando surgiu o golo do Gana (por sinal, pouco após sabermos que a Alemanha marcara), tive um dejá-vu do jogo com os Estados Unidos: mais uma vez Portugal mostrava-se incapaz de segurar a vantagem.

Felizmente, os portugueses estavam a jogar melhor que nos encontros anteriores. Ou isso, ou pura e simplesmente os ganeses não tinham capacidade para nos criarem assim tantos problemas. Depois de sair Éder (que, segundo os que viram o jogo desde início, incluindo a minha irmã, apenas estava a servir de empecilho), e de entrar Varela e Vieirinha, Portugal passou o resto do jogo em constante ataque, destacando-se o inevitável Cristiano Ronaldo. Após o encontro, muitos contaram os remates falhados e vieram choramingar que "afinal, era possível" golear o Gana, como era requerido para passarmos a fase de grupos. Eu, no entanto, há muito que sei que a Seleção precisa de vinte remates para marcar um golo, por isso não vou nessa conversa.

Cristiano Ronaldo lá conseguiu acertar na baliza, alcançando a proeza de marcar em todas as fases finais em que participou - seis no total. A única coisa de que se pode orgulhar, coitado, num Mundial onde ele se destacou mais pela tendinose rotuliana e pelos cortes de cabelo.


Por fim, o encontro terminou, sentenciando a eliminação de ambas as equipas em jogo do Campeonato do Mundio, bem como a passagem da Alemanha e dos Estados Unidos aos oitavos-de-final. Durante o jogo, enquanto o marcador estava empatado, quase desejei, à semelhança de outros senhores do café, que o Gana nos derrotasse, só para poderem passar em vez dos Estados Unidos. A última coisa que desejava neste Mundial, para além de uma eliminação prematura como esta, era sermos ultrapassados pela seleção de um país que, não apenas não ama o futebol como o resto do Mundo, como também tem pessoas que o consideram anti-americano e mesmo um veículo do comunismo. No entanto, sabe-se agora que a comitiva ganesa tinha ainda mais problemas do que a nossa, eles não tinham condições para ir muito longe. E os americanos parecem, de facto, estarem a converter-se ao futebol depois desta participação no Mundial, ao ponto de sugerirem Tim Howard, o guarda-redes que parou dezasseis remates só no jogo com a Bélgica, para Secretário da Defesa.

De qualquer forma, como já não tinha grande fé no Apuramento, fiquei satisfeita por, pelo menos, termos ganho. Este jogo foi, de certa forma, o nosso canto do cisne neste Mundial, permitiu-nos sair do Brasil com alguma dignidade.

Seguiu-se a tarefa ingrata e desagradável - que ainda não terminou - de diagnosticar este fraco desempenho da Equipa de Todos Nós, de encontrar culpados. Por muito que me custe, tenho de dizer que foram cometidos vários erros ao longo deste percurso, começando pelo número ridículo de lesões. Já aquando da Convocatória se comentava a duvidosa forma física dos Escolhidos, devíamos ter calculado que daria nisto. Eu na altura achei que haveria tempo para os jogadores recuperarem, mas enganei-me redondamente. Não nego que o departamento médico possa ter culpas no cartório, mas cheguei a ler uma notícia que alegava que os jogadores, compreensivelmente ansiosos por jogarem num Mundial, teriam mentido sobre a sua condição física. Não sei se é verdade, mas parece-me plausível. Pode-se questionar a Convocatória, mas eu acho que bastaria aos nossos jogadores estarem em melhores condições para tudo ter sido diferente.


Por outro lado, à semelhança de muita gente, julgo que foi no jogo com a Alemanha que as coisas descarrilaram sem reparação possível. Todos garantem (eu não vi) que Portugal até entrou bem nesse jogo até o penálti, provocado por João Pereira, e a expulsão de Pepe terem deitado por terra o controlo emocional da equipa. Se tivéssemos conservado o sangue-frio, talvez tivéssemos perdido por menos e conseguido, posteriormente, o Apuramento pela diferença de golos, no mínimo. Mesmo assim, continuo convencida que não teríamos pernas para ir muito mais longe.

Pelo meio, Cristiano Ronaldo teve tempo para atirar mais achas para a fogueira. Não posso dizer, infelizmente, que esteja surpreendida - há muito que sei que ele só é o Capitão quando a Seleção está na mó de cima. No entanto, as declarações dele após o jogo contra os Estdos Unidos têm sido retiradas do contexto: tanto quanto percebi (mas posso estar enganada), quando ele disse que não tínhamos grande equipa, referia-se à condição física da maioria dos jogadores, ele mesmo incluído. Além disso, não sejamos hipócritas: infinitos comentadores têm acusado a equipa portuguesa de ser mediana ao longo das últimas semanas, para não dizer meses ou anos, ninguém se importa. O Capitão da equipa diz o mesmo e toda a gente se atira ao ar? É claro que um comentador é um comentador, um Capitão é um Capitão, mas mesmo assim. O que eu não compreendo é, realmente, o otimismo de Ronaldo antes do jogo com a Alemanha. Nem eu nem ninguém...

O que eu sei é que, ainda que, como toda a gente diz, Portugal não seja uma Seleção de topo, nós tínhamos condições para mais do que isto, conforme já dei a entender acima. Um pouco por superstição, não faço prognósticos específicos antes das fases finais. Agora que o Mundial já acabou para nós, posso dizer que calculava que chegássemos aos quartos-de-final. E acho que teria sido possível, quer com este vinte e três, em boa forma, quer com um grupo algo diferente. Além disso, temos jogadores que até estavam bem fisicamente e mereciam ter ficado mais tempo no Mundial; é o caso, por exemplo, de Nani e William Carvalho.


O pior de tudo é que este está a ser um belo Mundial, bem disputado, cheio de emoções. Se por um lado não estávamos de todo ao nível dele, por outro lado, se estivéssemos melhor preparados, poderíamos estar a fazer parte disto, ou pelo menos ter saído dele de forma mais digna, como saíram seleções como a Grécia e a Costa Rica, merecedora do respeito de toda a gente. Irrita-me que tenhamos desperdiçado mais esta oportunidade. E, claro, poderíamos ter aumentado o índice de felicidade e auto-estima nacional, da maneira tão frequentemente por mim descrita cá no blogue, ainda que durante escassas semanas. Poderíamos ter tido mais golos, mais vitórias, daquelas que se festejam nas ruas, que alegram todo o País, poderíamos ter vídeos de bastidores mostrando os jogadores a cantar e a festejar, ter tido o Mundo com os olhos postos na Seleção pelos melhores motivos.

Outra das questões muito debatidas no rescaldo da nossa participação no Mundial diz respeito à necessidade de renovação da Seleção, bem como à continuidade de Paulo Bento. Começando pelo segundo tema, não tenho uma opinião formada sobre ele, já que já estive a favor e contra a continuidade do atual Selecionador. Agora já não importa, pois o contrato está há muito assinado e, aparentemente, nenhuma das partes está interessada em rescindir (em princípio o caso Queiroz não se repetirá, como eu cheguei a temer). Apesar de o Selecionador ter uma fatia significativa da responsabilidade pelo que aconteceu, eu não tenho memória curta, como parece ter o resto do País. Não acho que tudo esteja mal na Seleção "só" por causa deste Mundial e, sobretudo, não me esqueço (e nunca me esquecerei) da maneira como Paulo Bento recuperou a Equipa de Todos Nós após a trapalhada com o Selecionador anterior, nem do Euro 2012 - cuja participação portuguesa continuo a não considerar um acaso, uma anomalia, ao contrário do que toda a gente parece acreditar.

Por outro lado, uma das lições que retiro deste Mundial é que um bom passado não garante um bom presente ou um bom futuro. O que nos leva à renovação da Equipa das Quinas. Não nego que a linha pode ter acabado para certos Marmanjos, como (sniff, sniff) Hélder Postiga, mas também já falei aqui de jogadores que mereciam mais oportunidades na Seleção. Um dos receios que tenho relativamente à continuidade de Paulo Bento é que ele insista em Convocar os mesmos de sempre, que ele não tenha "aprendido" com este Mundial. Mas o futuro a Deus pertence.


O que eu acho que a Seleção precisa, tanto como a tão debatida renovação, é de recomeçar do zero, dentro do possível. Embarcar na Qualificação para o Euro 2016 sem grandes expectativas senão Apurarmo-nos - seja de que maneira for - encarando um jogo de cada vez. Gostava de poder dizer que acredito numa Qualificação tranquila mas não acredito. Acho que nos espera (mais) um Apuramento atribulado e tenciono tentar mentalizar-me o melhor que puder em relação a isso, para evitar apanhar tantos baldes de água fria.

Quanto a este Mundial, só quero atirá-lo para trás das costas o mais depressa possível. Foi uma participação para esquecer. Ficaram a faltar as coisas que descrevi acima, por que ansiava. Tornámos a perder uma oportunidade de realizar o sonho. Não era uma oportunidade tão boa como outras, mas duvido que as próximas sejam melhores. Já me interrogo, até, se isto é uma maldição qualquer, se só poderemos fazer um bom Mundial de quarenta em quarenta anos.

Por outro lado, admito que, ainda que o Mundial tenha estado abaixo das minhas expectativas, talvez daqui a umas semanas ou meses, quando já tiver digerido o que aconteceu, venha a ter saudades das pequenas coisas boas: chegar a casa após o trabalho e atualizar a página, as fotografias dos treinos, do bullying entre jogadores, os fins de tarde passados nas esplanadas, consultando os jornais desportivos, rascunhando as crónicas do blogue, mesmo passando-as a computador. E quando começar a sentir saudades de tudo isso, ainda faltarão quase dois anos para voltarmos a ter um campeonato de seleções.


Há coisas que, no entanto, não mudam: apesar de tudo o que aconteceu, eu continuo ao lado da Equipa de Todos Nós, a apoiá-los, a ajudá-los à minha maneira, a adorar praticamente todos os que vestem a Camisola das Quinas. Acompanho vários deles há muitos anos, tenho crescido com eles, exulto e orgulho-me dos seus triunfos, irrito-me com os seus disparates, sofro com as suas tristezas. De certa forma, são uma espécie de família para mim, são os meus heróis, são o meu clube. Conforme já disse anteriormente, uma pessoa não vira as costas ao seu clube.

Além do mais, sei que mais cedo ou mais tarde a Seleção recuperará, levantar-se-á, voltará a dar alegrias. Mesmo que sejam pequenas: uma vitória num particular insignificante ou num jogo de Qualificação com um adversário "acessível". É apenas uma questão de paciência e perseverança.

Quero aqui deixar os meus agradecimentos às pessoas que acompanharam o meu blogue e respetiva página do Facebook ao longo da participação do Mundial, que continuam a fazê-lo mesmo depois de esta participação ter terminado. Ao longo das próximas semanas, até surgirem novas notícias sobre a Seleção, naturalmente o blogue estará em stand-by e a página com atividade reduzida. No entanto, conforme tenho vindo a dizer ultimamente, enquanto tal estiver dentro das minhas possibilidades, não desistirei nem do blogue nem da página. E mesmo que desista deles, da Seleção em si nunca desistirei. O capítulo do Mundial 2014 está encerrado, pelo menos para Portugal. Agora venha o próximo.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Portugal 2 Estados Unidos 2 - Inverno


miguel de cócoras.jpg


No passado domingo, dia 22 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou, em Manaus, a sua congénere norte-americana, em jogo a contar para a fase de grupos do Campeonato do Mundo da modalidade. Tal encontro terminou com um empate por duas bolas no marcador, deixando a Seleção praticamente eliminada do Mundial, ficando obrigada a golear o Gana, no jogo de amanhã, quinta-feira dia 26 de junho, e a esperar que a Alemanha ganhe aos Estados Unidos.


 


Visto que a minha irmã não estava em casa e eu não queria assistir ao jogo só com os meus pais, assisti a esta partida numa esplanada. O encontro até começou bem para o nosso lado, com aquele golo, bafejado pela sorte, de Nani. Gritei em coro com toda a gente na esplanada, feliz por, aparentemente, estarmos vivos e termos ainda uma palavra a dizer neste Mundial, por Nani, depois de tudo porque passou nos últimos tempos, depois de ter falhado a África do Sul, ter finalmente marcado um golo num Mundial.


 


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Ele merecia mais do que isto. Mas ainda não é altura de ir por aí.



 

Todos sabíamos que o 1-0 era um resultado perigoso, que tínhamos de marcar o segundo golo o mais rapidamente possível para matarmos o jogo. Só que esse golo nunca mais vinha e os americanos não desistiam de tentar anular a vantagem. Os portugueses iam tentando mas estavam tão lentos, era uma coisa parva, não sei se por causa do clima ou da sua forma física. Provavelmente por causa de ambos. Este jogo veio a confirmar aquilo de que já se suspeitava fortemente na segunda-feira anterior: em termos físicos, os jogadores portugueses estão um farrapo. Prova disso foi a lesão de Hélder Postiga, aos treze minutos. A sua saída acabou por não ser demasiado prejudicial, pois Éder revelou-se um dos mais inconformados ao longo de todo o jogo - não que isso tenha sido suficiente. 

 

Há que dizê-lo, os portugueses jogaram melhor que na segunda-feira anterior e viu-se que eles se esforçaram. No entanto, a fraca forma física revelou-se mais forte que a vontade. A verdade é que, tal como já tinha dito anteriormente, não é normal ocorrerem tantas lesões. Não acredito em "azar" ou coincidências - às tantas, aquele bruxo do Gana, que queria lesionar Ronaldo, foi tão eficaz que lesionou, não só o madeirense, como também três quatros da Seleção Portuguesa. Não sou, nem de longe nem de perto, a melhor pessoa para tecer julgamentos sobre esta matéria, mas devem ser fornecidas explicações sobre a situação. As que Henrique Jones e Humberto Coelho forneceram não me convencem. O mesmo se passa com a questão do clima. Conforme tem sido dito, de repente o País ficou cheio de especialistas em climatologia. No entanto, conforme tenho lido, não existem verdades absolutas nesta matéria. Não se sabe o que é melhor, se estagiar em condições adversas, semelhantes àquelas em que decorrerão os jogos, sob o risco de estas se revelarem demasiado agrestes para os jogadores treinarem, ou estagiar em condições ótimas para o treino mas diferentes das dos jogos. O que parece relativamente consensual é que este Campeonato do Mundo não foi preparado adequadamente.

 

Mas regressemos ao jogo.

 


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Ao início da segunda parte, tive esperanças de que os portugueses tivessem aproveitado o intervalo para se hidratarem e recuperarem as forças para correrem atrás do segundo golo. Não foi bem isso que aconteceu. Os portugueses continuavam tão lentos como em todo o jogo. Nem falo dos crónicos problemas na finalização - eles desperdiçavam cada uma... Acabou por acontecer o que se adivinhava havia pelo menos meia hora: os americanos marcaram. 

 

Os portugueses até pareceram acordar com este golo, ainda tentaram correr atrás do resultado, mas acordaram tarde demais. Paulo Bento mandou entrar Varela e eu até me lembrei de um lendário outro segundo jogo de fase de grupos. Ainda tive esperanças num desfecho semelhante. No entanto, não estávamos em 2012, em que havia frescura suficiente para alimentar a fase do "Ai Jesus!", frente à Dinamarca. Cedo aconteceu o pior: os Estados Unidos colocaram-se à frente no marcador. Houve quem reclamasse do fora-de-jogo no início da jogada, mas Portugal tinha tido mais do que oportunidades para evitar aquele desfecho.

 

Talvez aquela tenha sido a gota de água que fez com que, ao fim de todos estes anos, o copo derramasse, talvez uma parte de mim tenha deixado de acreditar logo aquando do desastroso jogo com a Alemanha. A verdade é que, poucos minutos após este golo, o meu estado de espírito era, para minha própria surpresa, de indiferença, de resignação. Percebia que este Mundial, pura e simplesmente, não estava fadado para nos correr bem (ai, o tão português fatalismo desta frase...). De tal maneira que nem festejei quando Varela marcou, em cima do final do jogo. Se por um lado o Drogba da Caparica voltava a dar uma de Salvador da Pátria, dando a Portugal uma ínfima hipótese de permanecer no Mundial, por outro lado, pode ter apenas adiando o inevitável. 

 




Já devem ter percebido que não, não acredito que Portugal vá além da fase de grupos deste Campeonato do Mundo. Mesmo que se dê o milagre e a Sorte seja favorável às cores lusitanas, duvido que tenhamos pernas para ir muito mais longe. Em teoria, soa melhor dizer que Portugal chegaria aos oitavos do Mundial em vez de dizer que não foi além da fase de grupos. Na prática, duvido que consigamos apagar a má imagem que temos deixado, com destaque para o nosso jogo de estreia.

Sinto-me tentada a partir já para as alegações finais, como se Portugal estivesse já fora do Brasil. No entanto, não me parece legítimo estar a escrever sobre as supostas razões do que está a ser uma péssima prestação, não quando a porta dos oitavos-de-final ainda não está definitivamente encerrada.

Posso já dizer, contudo, que isto não está a ser nada como estava à espera. Disse anteriormente que este Mundial seria como o verão - não está a sê-lo. Foi-o, de certa forma, durante as semanas de preparação, mas terminou com o jogo com a Alemanha. Agora está a ser como o inverno - o que até condiz com a meteorologia dos últimos dias. Talvez seja por isso que, também, não estou com grande pena de que isto possa acabar já amanhã. Ando, aliás, a desejar regressar às semanas, ou meses, antes do Mundial, ou mesmo ao ano passado - aos tempos inocentes em que podíamos, ainda, sonhar com um bom Campeonato do Mundo.



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Admito que o "eu" de há um ano ou dois, ou talvez mesmo de há uns meses, provavelmente desprezar-me-ia por estar a desistir tão "facilmente". Parte de mim, neste momento, até concorda: eu devia estar revoltada contra as previsões mais pessimistas, devia continuar a acreditar teimosamente, mesmo desesperadamente, como nos últimos tempos. É bem possível que isto seja apenas cansaço, um momento de desânimo, que daqui a umas semanas venha a sentir saudades destes dias. Contudo - embora isto não sirva, de modo algum, de desculpa - conforme já disse amiudadas vezes anteriormente, quando se passa tanto tempo como eu passo a tentar puxar pelos jogadores, a convencer os demais a puxar pelos jogadores, uma pessoa precisa de alguma espécie de retorno. Que, neste Mundial, tem sido nulo, independentemente dos responsáveis por essa situação.

Uma coisa, no entanto, não muda. Eu continuo aqui, no meu blogue, na minha página. Ainda que a minha fé tenha atingido mínimos históricos, continuarei a puxar por eles e a esperar um desfecho favorável às cores portuguesas. Nem eu sei explicar porque insisto nisso, talvez seja masoquismo, talvez seja porque é o meu clube, são os meus heróis e, conforme dizia numa curta-metragem que vi no outro dia, uma pessoa não abandona os seus heróis. É algo semelhante que, de resto, peço aos nossos jogadores para a partida de amanhã, frente ao Gana: mesmo que já não dê para passar, que tentem conseguir uma vitória ou, pelo menos, uma exibição decente, para ao menos sairmos deste Mundial de cabeça erguida. Não faltará, certamente, tempo para se fazer a análise completa ao fracasso, que parece inevitável. De qualquer forma, qualquer que seja o desfecho, eu estou aqui e sempre estarei. 

Portugal 2 Estados Unidos 2 - Inverno


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No passado domingo, dia 22 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou, em Manaus, a sua congénere norte-americana, em jogo a contar para a fase de grupos do Campeonato do Mundo da modalidade. Tal encontro terminou com um empate por duas bolas no marcador, deixando a Seleção praticamente eliminada do Mundial, ficando obrigada a golear o Gana, no jogo de amanhã, quinta-feira dia 26 de junho, e a esperar que a Alemanha ganhe aos Estados Unidos.


 


Visto que a minha irmã não estava em casa e eu não queria assistir ao jogo só com os meus pais, assisti a esta partida numa esplanada. O encontro até começou bem para o nosso lado, com aquele golo, bafejado pela sorte, de Nani. Gritei em coro com toda a gente na esplanada, feliz por, aparentemente, estarmos vivos e termos ainda uma palavra a dizer neste Mundial, por Nani, depois de tudo porque passou nos últimos tempos, depois de ter falhado a África do Sul, ter finalmente marcado um golo num Mundial.


 


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Ele merecia mais do que isto. Mas ainda não é altura de ir por aí.



 

Todos sabíamos que o 1-0 era um resultado perigoso, que tínhamos de marcar o segundo golo o mais rapidamente possível para matarmos o jogo. Só que esse golo nunca mais vinha e os americanos não desistiam de tentar anular a vantagem. Os portugueses iam tentando mas estavam tão lentos, era uma coisa parva, não sei se por causa do clima ou da sua forma física. Provavelmente por causa de ambos. Este jogo veio a confirmar aquilo de que já se suspeitava fortemente na segunda-feira anterior: em termos físicos, os jogadores portugueses estão um farrapo. Prova disso foi a lesão de Hélder Postiga, aos treze minutos. A sua saída acabou por não ser demasiado prejudicial, pois Éder revelou-se um dos mais inconformados ao longo de todo o jogo - não que isso tenha sido suficiente. 

 

Há que dizê-lo, os portugueses jogaram melhor que na segunda-feira anterior e viu-se que eles se esforçaram. No entanto, a fraca forma física revelou-se mais forte que a vontade. A verdade é que, tal como já tinha dito anteriormente, não é normal ocorrerem tantas lesões. Não acredito em "azar" ou coincidências - às tantas, aquele bruxo do Gana, que queria lesionar Ronaldo, foi tão eficaz que lesionou, não só o madeirense, como também três quatros da Seleção Portuguesa. Não sou, nem de longe nem de perto, a melhor pessoa para tecer julgamentos sobre esta matéria, mas devem ser fornecidas explicações sobre a situação. As que Henrique Jones e Humberto Coelho forneceram não me convencem. O mesmo se passa com a questão do clima. Conforme tem sido dito, de repente o País ficou cheio de especialistas em climatologia. No entanto, conforme tenho lido, não existem verdades absolutas nesta matéria. Não se sabe o que é melhor, se estagiar em condições adversas, semelhantes àquelas em que decorrerão os jogos, sob o risco de estas se revelarem demasiado agrestes para os jogadores treinarem, ou estagiar em condições ótimas para o treino mas diferentes das dos jogos. O que parece relativamente consensual é que este Campeonato do Mundo não foi preparado adequadamente.

 

Mas regressemos ao jogo.

 


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Ao início da segunda parte, tive esperanças de que os portugueses tivessem aproveitado o intervalo para se hidratarem e recuperarem as forças para correrem atrás do segundo golo. Não foi bem isso que aconteceu. Os portugueses continuavam tão lentos como em todo o jogo. Nem falo dos crónicos problemas na finalização - eles desperdiçavam cada uma... Acabou por acontecer o que se adivinhava havia pelo menos meia hora: os americanos marcaram. 

 

Os portugueses até pareceram acordar com este golo, ainda tentaram correr atrás do resultado, mas acordaram tarde demais. Paulo Bento mandou entrar Varela e eu até me lembrei de um lendário outro segundo jogo de fase de grupos. Ainda tive esperanças num desfecho semelhante. No entanto, não estávamos em 2012, em que havia frescura suficiente para alimentar a fase do "Ai Jesus!", frente à Dinamarca. Cedo aconteceu o pior: os Estados Unidos colocaram-se à frente no marcador. Houve quem reclamasse do fora-de-jogo no início da jogada, mas Portugal tinha tido mais do que oportunidades para evitar aquele desfecho.

 

Talvez aquela tenha sido a gota de água que fez com que, ao fim de todos estes anos, o copo derramasse, talvez uma parte de mim tenha deixado de acreditar logo aquando do desastroso jogo com a Alemanha. A verdade é que, poucos minutos após este golo, o meu estado de espírito era, para minha própria surpresa, de indiferença, de resignação. Percebia que este Mundial, pura e simplesmente, não estava fadado para nos correr bem (ai, o tão português fatalismo desta frase...). De tal maneira que nem festejei quando Varela marcou, em cima do final do jogo. Se por um lado o Drogba da Caparica voltava a dar uma de Salvador da Pátria, dando a Portugal uma ínfima hipótese de permanecer no Mundial, por outro lado, pode ter apenas adiando o inevitável. 

 




Já devem ter percebido que não, não acredito que Portugal vá além da fase de grupos deste Campeonato do Mundo. Mesmo que se dê o milagre e a Sorte seja favorável às cores lusitanas, duvido que tenhamos pernas para ir muito mais longe. Em teoria, soa melhor dizer que Portugal chegaria aos oitavos do Mundial em vez de dizer que não foi além da fase de grupos. Na prática, duvido que consigamos apagar a má imagem que temos deixado, com destaque para o nosso jogo de estreia.

Sinto-me tentada a partir já para as alegações finais, como se Portugal estivesse já fora do Brasil. No entanto, não me parece legítimo estar a escrever sobre as supostas razões do que está a ser uma péssima prestação, não quando a porta dos oitavos-de-final ainda não está definitivamente encerrada.

Posso já dizer, contudo, que isto não está a ser nada como estava à espera. Disse anteriormente que este Mundial seria como o verão - não está a sê-lo. Foi-o, de certa forma, durante as semanas de preparação, mas terminou com o jogo com a Alemanha. Agora está a ser como o inverno - o que até condiz com a meteorologia dos últimos dias. Talvez seja por isso que, também, não estou com grande pena de que isto possa acabar já amanhã. Ando, aliás, a desejar regressar às semanas, ou meses, antes do Mundial, ou mesmo ao ano passado - aos tempos inocentes em que podíamos, ainda, sonhar com um bom Campeonato do Mundo.



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Admito que o "eu" de há um ano ou dois, ou talvez mesmo de há uns meses, provavelmente desprezar-me-ia por estar a desistir tão "facilmente". Parte de mim, neste momento, até concorda: eu devia estar revoltada contra as previsões mais pessimistas, devia continuar a acreditar teimosamente, mesmo desesperadamente, como nos últimos tempos. É bem possível que isto seja apenas cansaço, um momento de desânimo, que daqui a umas semanas venha a sentir saudades destes dias. Contudo - embora isto não sirva, de modo algum, de desculpa - conforme já disse amiudadas vezes anteriormente, quando se passa tanto tempo como eu passo a tentar puxar pelos jogadores, a convencer os demais a puxar pelos jogadores, uma pessoa precisa de alguma espécie de retorno. Que, neste Mundial, tem sido nulo, independentemente dos responsáveis por essa situação.

Uma coisa, no entanto, não muda. Eu continuo aqui, no meu blogue, na minha página. Ainda que a minha fé tenha atingido mínimos históricos, continuarei a puxar por eles e a esperar um desfecho favorável às cores portuguesas. Nem eu sei explicar porque insisto nisso, talvez seja masoquismo, talvez seja porque é o meu clube, são os meus heróis e, conforme dizia numa curta-metragem que vi no outro dia, uma pessoa não abandona os seus heróis. É algo semelhante que, de resto, peço aos nossos jogadores para a partida de amanhã, frente ao Gana: mesmo que já não dê para passar, que tentem conseguir uma vitória ou, pelo menos, uma exibição decente, para ao menos sairmos deste Mundial de cabeça erguida. Não faltará, certamente, tempo para se fazer a análise completa ao fracasso, que parece inevitável. De qualquer forma, qualquer que seja o desfecho, eu estou aqui e sempre estarei. 
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