sábado, 5 de dezembro de 2009

Sorteios, apostas e desejos

Ontem, Sexta-feira, dia 4 de Dezembro de 2009, realizou-se o sorteio para os grupos da fase final do Campeonato do Mundo a realizar no próximo ano, na África do Sul. Portugal ficou no Grupo G, à semelhança do Brasil, da Coreia do Norte e da Costa do Marfim.

Eu tomei conhecimento dos resultados do sorteio de uma maneira curiosa. Geralmente à Sexta-feira saio das aulas às duas da tarde mas como tive de compensar as aulas perdidas devido ao feriado, só saí às seis. Tive pena de não poder assistir ao sorteio em directo. É irónico, já que, há dois anos, o sorteio do Euro 2008 era num Domingo, mas nenhuma televisão portuguesa, de sinal aberto ou da TV Cabo, se dignou a transmitir em directo. Este ano, a RTP transmitiu mas eu estava em aulas. De qualquer forma, vim para a estação de Entrecampos com a minha colega - não revelarei o seu nome verdadeiro, chamar-lhe-ei Joana. Éramos para apanhar o comboio das 18h19, mas este estava atrasado. Como geralmente acontece quando um comboio se atrasa à hora de ponta, ao pessoal que ia nesse comboio juntou-se parte do pessoal que iria no comboio seguinte, nós incluídas. Resultado, quando o comboio chegou, às 18h25 e nós entrámos, aquilo ficou a rebentar pelas costuras. Íamos de pé, quase abraçadas uma à outra, completamente espremidas. Isto na estação de Entrecampos. Depois de Sete Rios, ainda foi pior.

Mas foi mais ou menos nessa altura que ouvi um rapaz poucos anos mais velho do que eu, provavelmente um estudante regressando a casa, como eu, a falar ao telemóvel. Eu fui ouvindo as palavras "Luisão", "Drogba", "Coreia", "Costa do Marfim", "Brasil", "ganhamos os dois". De início pensei que estivesse a falar do Benfica ou assim, mas depois lembrei-me do sorteio... Depois de ele desligar, enchi-me de lata e perguntei:
- É o sorteio do Mundial? O que é que calhou? - pergunto-me o que é que a Joana terá pensado.
- O Brasil, a Coreia e a Costa do Marfim.

- Ah, obrigada...

Deste modo, arranjámos tema de conversa para o resto da viagem. O que vale é que a Joana também gosta de futebol. Tive sorte com a turma deste semestre, já que posso falar sobre este desporto com o pessoal. Faz-me lembrar quando estava no 8º e no 9º ano e era adepta fervorosa do Sporting e falava sobre isso com os rapazes da minha turma. Lembro-me de estarmos na aula de Inglês a jogar um jogo em que tínhamos um clube e devíamos dizer o maior número de jogadores desse clube. Os meus colegas ficavam surpreendidos por verem uma rapariga que sabia tanto quanto eles. Também há muito que o futebol deixou de ser um interesse exclusivamente masculino. Lembro-me também de eu e o meu irmão irmos para o café assistir aos clássicos. Como não tínhamos SportTV... Claro que nessa altura, o mais certo era apanharmos uma desilusão.

Mas voltando ao sorteio do Mundial 2010 e à viagem, de comboio, a Joana disse logo que não sabia se passávamos, já que tínhamos o Brasil como adversário. Já horas antes, no fim do almoço, quando eu e o António nos pusemos a falar do sorteio que se realizava dentro de poucas horas - para não estarmos sempre a falar do trabalho que tínhamos de apresentar na aula a seguir ou das notas que tinham acabado de sair - ele afirmou que Portugal tinha equipa para vencer qualquer um excepto precisamente o Brasil e Espanha. Eu, por acaso, não tinha muito medo do Brasil, ficaria mais nervosa se nos tivesse calhado a Alemanha (não me venham dizer que três golos em quatro remates não assustam, sobretudo depois de termos tido jogos com vinte ou trinta remates e zero golos!) ou também a Espanha. Não nos lembrávamos dos jogadores brasileiros sem ser o Luisão, o Helton e o Kaká. Eu estava mais optimista do que ela, mas não muito mais. Invoquei o particular de Fevereiro de 2007 em que vencemos os nossos irmãos por duas bolas sem réplica num jogo espectacular. Só me lembro de eu e a minha irmã virmos a correr da aula de música - eu com uma guitarra às costas - para ver o jogo.

A Joana, por sua vez, invocou o último particular, em Novembro do último ano, em que levámos uma bela tareia:6-2. Na altura, tive pena de o jogo ser à meia-noite. Eu tinha de me levantar cedo no dia seguinte. E além disso era apenas um amigável. Se fosse oficial, talvez fizesse o sacrifício. E mesmo assim, teria de ser daqueles decisivos. Em todo o caso, pus o jogo a gravar e fui-me deitar. Na manhã seguinte, a primeira coisa que fiz foi ir ao Teletexto ver o resultado. Ao vê-lo, ri-me. Foi daquelas gargalhadas que a gente solta para não chorar. Dei graças a Deus por ter tido uma boa desculpa para não ver aquela desgraça e nem me dei ao trabalho de ver a gravação.

Já que estamos dentro do tema, um aparte para referir que ainda pouco tempo antes tinha abdicado das minhas preciosas horinhas de sono (sou muito dorminhoca... se de manhã só se está bem é na caminha, às quatro da manhã nem se fala) para ver uma prova desportiva. Foi quando a Vanessa Fernandes ganhou a medalha de prata no triatlo. Se bem se lembram, a prova era em Pequim, logo as horas das provas não nos davam jeito nenhum. E como a Telma Monteiro e outros atletas sobre quem depositávamos as nossas esperanças competiam enquanto estávamos a dormir mas não estavam a ganhar nada, eu e os meus irmãos decidimos levantarmo-nos às três da manhã para ver a Vanessa, a ver se isso dava sorte. E acabou por dar.

Voltando ao Brasil, eu comparei-o ao Sporting na medida em que é uma fábrica de talentos e que os distribui pelas outras selecções (a nossa incluída). A Joana, que é benfiquista, não gostou muito da comparação e eu corrigi, afirmando que o Brasil não deixava todos os talentos fugir e costumava ganhar.

Também não sabíamos muito sobre a Costa do Marfim, apenas que o Drogba jogava por este país e que fora com esta selecção que a Alemanha disputara o jogo inaugural do Mundial 2006. E nem sequer sabíamos se a Coreia que íamos defrontar era do Sul ou do Norte - lembrava-me de ter visto ambas na lista dos qualificados. Estávamos ambas ansiosas por esclarecer essa dúvida, por conhecer a constituição dos outros grupos e as datas dos jogos.

A grande favorita a ganhar o título de campeã do Mundo é a Espanha, nisso estávamos de acordo. Nós e provavelmente todos os apreciadores de futebol. Depois do Euro 2008 e da qualificação para o Mundial 2010... Ambas também concordámos que não nos importávamos muito se a Espanha ganhasse, já que "são nossos vizinhos" e poderia ser bom para a candidatura à organização do Mundial de 2018 ou 2022.

Confessei, por fim, que tinha pena de não defrontarmos a França. Já manifestei o desejo de uma desforra cá no blogue, mas como ficámos no mesmo pote, era impossível ficarmos juntos no mesmo grupo. Falava-se que ficaríamos entre os cabeças-de-série porque ficámos em quinto lugar no ranking da FIFA mas aparentemente decidiram usar o ranking do mês de Outubro como critério. Para ser sincera, não sei bem como é que ficámos em tão alta posição, sobretudo sendo a mais alta desde Junho de 2002. Depois do Euro 2004 e do Mundial 2006 não chegámos ao quinto lugar mas conseguimos atingi-lo depois de uma qualificação à tangente? Gostava de saber que critérios é que utilizam para este ranking...

Quando cheguei a casa fui logo à Internet informar-me melhor sobre o sorteio. E não demorei muito a conhecer a constituição dos outros grupos, as datas dos nossos jogos e as opiniões de Carlos Queiroz, alguns jogadores, entre outros.

Assim, eis a data e a hora (no nosso fuso horário) dos nossos jogos:

Dia 15 de Junho (Terça-feira): Costa do Marfim vs Portugal 15h

Dia 21 de Junho (Segunda-feira): Portugal vs Coreia do Norte 12h30

Dia 25 de Junho (Sexta-feira): Portugal vs Brasil 15h

A hora não é a das mais favoráveis por coincidir com o horário laboral da maior parte das pessoas. E também para mim não me vai dar muito jeito. Uma das coisas que mais me chateia nestes Campeonatos Internacionais é que são sempre em Junho. Exactamente no mês em que temos sempre exames. Não seria tão mau se fossem em Março, por exemplo. O ideal seria se fossem em Agosto, em que o pessoal está de férias e poderia estar sempre a pensar em futebol sem se sentir culpado. É muito injusto obrigarem-nos a escolher entre o percurso académico e o futebol. Se, por um lado, temos pelo menos dez exames por ano e Europeus ou Mundiais só de dois em dois anos, também é chato termos de ir à segunda fase ou ficar com cadeiras em atraso porque ficámos a ver o jogo em vez de estudar. Além disso, o stress dos exames mais o stress da Selecção às vezes pode ter uns efeitos secundários indesejáveis. Foi durante o Mundial 2006 e nas vésperas dos exames nacionais do 11º ano que apanhei herpes labial pela primeira vez.

Por outro lado, misturar futebol e vida académica até pode ter uns efeitos engraçados. Lembro-me que no dia do Portugal vs Irão desse Mundial tinha estado a estudar os sistemas circulatórios das diferentes classes de animais para o exame de Biologia e Geologia. Devem-se lembrar que nesse jogo, o Figo teve uma exibição excelente, tendo mesmo sido considerado o melhor em campo. Não marcou nenhum dos golos, mas esteve em todos os que foram marcados. Passou a bola ao Deco para que este desse aquele tiro fenomenal e foi numa falta sobre ele que se marcou o penálti que o Ronaldo transformou no nosso segundo golo. Mais tarde, já terminado o jogo, quando se comentava a partida e como o Figo era o grande responsável pelo desempenho da Selecção, eu disse que o Figo era o órgão propulsor da Selecção (órgão propulsor é o termo geral para os órgãos que bombeiam o sangue pelo corpo todo. No sistema circulatório dos mamíferos é chamado coração). Ao menos aquela parte da matéria foi fácil de memorizar já que me lembrava de ter visto aquilo no dia do Portugal-Irão.

E agora que penso nisso, acho que também se pode dizer que o Figo é o catalizador da Selecção. Para aqueles que não sabem assim tanto de Química, um catalizador acelera as reacções químicas. Não que seja impossível os reagentes reagirem, mas a reacção é significativamente mais lenta, nalgumas circustâncias é quase impossível que ocorra. Desta forma, o catalizador tem um papel importante na formação do produto, sem ter participado directamente no processo. Mais ou menos o que o Figo costumava fazer.

Por acaso, até nem tenho tido muito azar no que toca ao calendário de exames versus calendário da Selecção. No Euro 2008 calhou duas vezes em vésperas de exames. O que até nem é muito mau. Considerando que passava o dia quase todo a estudar, podia perfeitamente fazer uma pausa de hora e meia para ver o jogo. E como no dia seguinte fazia uma folga depois do exame, aptinha tempo para actualizar o blogue. Este ano é que vai ser mais complicado porque o jogo contra a Coreia começa uma hora e meia antes de um exame. Contas feitas, não verei os últimos quinze minutos do jogo. Nem é assim tão mau. Visto que a Coreia do Norte é teoricamente o adversário mais acessível, aos setenta e cinco minutos o jogo já deve estar resolvido, espero. O pior será descobrir como é que poderei ver o jogo lá na Faculdade. Hei-de averiguar. Na pior das hipóteses, oiço o relato na rádio através do meu leitor de MP3.

A constituição dos restantes grupos é a seguinte:

Grupo A: África do Sul, México, Uruguai e França

Grupo B: Argentina, Nigéria, Coreia do Sul e Grécia

Grupo C: Inglaterra, Estados Unidos da América, Argélia e Eslovénia

Grupo D: Alemanha, Austrália, Sérvia e Gana

Grupo E: Holanda, Dinamarca, Japão e Camarões

Grupo F: Itália, Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia
Grupo H: Espanha, Suíça, Honduras e Chile
Aquando do sorteio para o Euro 2008, eu decorei logo a constituição dos quatro grupos. Sim, tenho boa memória mas esta é muito selectiva. Decoro mais facilmente estas coisas do que as deduções das fórmulas de Física... Triste, não é? Desta vez não tive pachorra para memorizar. É que no Euro 2008 eram só quatro grupos, um deles era igualzinho ao nosso do Euro 2004, só que em vez de nós, estava lá a Suécia e a França, a Itália e a Holanda estavam no mesmo grupo. Só isto ajuda muito a decorar. Aqui são oito grupos e não estou familiarizada com pelo menos metade das selecções apuradas.

Desta feita, os grupos estão bastante equilibrados, não calhou nenhum grupo como aquele da França e da Itália do Euro 2008. Parece que o pior é mesmo o nosso grupo, visto que estamos lá nós, a Costa do Marfim (ao que consta, é uma das melhores Selecções africanas) e o Brasil (nem precisa de justificações). Se em sorteios anteriores até tivemos alguma sorte ao ficarmos no mesmo grupo de selecções teoricamente acessíveis (embora tenham demostrado em campo, por vezes, não serem tão acessíveis quanto isso), desta feita a sorte não esteve connosco. Isto se tivermos em conta o grau de dificuldade, claro.

As opiniões dividem-se. Se Deco acha que, de facto, o Brasil é o grande favorito a passar à fase seguinte, Liedson acha que é melhor enfrentar os zucas (o Miguel, o meu amigo que é brasileiro, é que me ensinou este termo) nesta fase do campeonato, em vez de no "mata-mata". O que até faz sentido. Muitos acham que as Selecções que falam a língua portuguesa passarão à fase seguinte e disputarão entre si o primeiro lugar do grupo. Eu não punha as mãos no fogo. Como já referi, a Costa do Marfim é uma das melhores selecções do continente africano e existe ainda uma outra agravante: nunca jogámos contra eles. Os jornais têm vindo a comparar esta ida ao Mundial com a viagem capitaneada por Bartolomeu Dias em que se dobrou o Cabo da Boa Esperança e já começaram a perguntar se esta Costa do Marfim será o Adamastor desta viagem, o factor desconhecido. Além disso, como Carlos Queiroz recordou, é logo o primeiro jogo. E, como o Mundial é em África, ainda devem haver uns quantos costa-marfinenses (é assim que se diz?) no público. Mas, por outro lado, é só a segunda vez que participa num Mundial, logo o factor experiência joga a nosso favor.

Também a Coreia do Norte só esteve uma vez num Mundial. Curiosamente, foi em 1966, no mesmo Campeonato em que tivemos aquele jogo histórico em que estávamos a perder 3-0 ao intervalo mas depois demos prespegámos-lhes cinco golos, quatro da autoria do grande Eusébio, e os coreanos foram para casa. De facto, também se comentou muito o facto de irmos enfrentar duas selecções que também enfrentámos em 66. Visto que foi o Mundial em que fomos mais longe - terceiro lugar - espero que esse facto dê sorte.

Pinto da Costa também deu a sua opinião sobre o sorteio do Mundial 2010. Admitiu que é possível Portugal chegar à final. "É um sonho, mas há sonhos que se concretizam". "Acho que Portugal vai passar e discutir com o Brasil a liderança do grupo". Palavras bonitas, sim senhor, mas vindas do homem que festejou o golo da Grécia na final do Euro 2004 não valem nada. Se eu já antes não tinha grande opinião sobre o dirigente portista, agora desceu ainda mais na minha consideração. Muito obrigada mas a Selecção não precisa desse tipo de apoio, tem apoiantes sinceros que cheguem.

Nós ficámos um bocado nervosos com o facto de irmos defrontar o Brasil na fase de grupos mas, pelos vistos, os brasileiros estão tão nervosos como nós. Quando estive a comentar o sorteio com o Miguel, ele lembrou-me que nós ficámos em quarto em 2006 e os brasileiros ficaram pelos quartos-de-final. Eu sosseguei-o dizendo que, em termos futebolísticos, isso foi há séculos. É bom saber que os nossos adversários (ainda) nos respeitam, mesmo depois de nos termos visto gregos para nos qualificarmos.
Em todo o caso, até gostei que nos tivesse calhado este grupo. O jogo com o Brasil será, sem dúvida o mais escaldante da fase de grupos, incluindo o jogo inaugural. Todos os olhos estarão em nós e nos nossos "irmãos". Um jogo de proporções epopeias já está garantido. Não faltará adrenalina, não faltará emoção. Será um jogo impróprio para cardíacos.
Em relação às nossas hipóteses, estou com a maior parte do pessoal, que considera que passamos e discutimos a liderança do grupo com o Brasil. Espero mesmo que fiquemos em primeiro lugar, porque se ficamos em segundo corremos o risco de ter de jogar os oitavos-de-final com a Espanha... O pior é que não sei o que esperar da Costa do Marfim. E se passarmos ao mata-mata, sim, acho que podemos ir longe desde que não nos calhe a Espanha ou a Alemanha pelo caminho... Se para o Euro 2008 não estava muito confiante, agora para o Mundial, depois desta fase de qualificação, estou ainda menos. Mas vou adoptar a mesma atitude que adoptei nessa altura, pensar um jogo de cada vez, não exagerar na euforia das vitórias, partilhar emoções cá no blogue, aproveitar ao máximo. Que o Mundial é a festa suprema do futebol e só acontece de quatro em quatro anos.

Certamente já repararam no vídeo de apoio à Selecção. Se já o viram, espero que tenham gostado. Já tinha feito um aquando do Euro 2008, mas fora só com fotografias e, admito, estava um bocado fraco. Neste ano e meio que decorreu entre a montagem desse vídeo e o momento actual aprendi a explorar as potencialidades do Windows Movie Maker, a montar vídeos a partir de outros vídeos, não só de fotografias, a adicionar efeitos (embora quase só use câmara lenta, o "aparece gradualmente a partir de preto" e o desaparece gradualmente até ficar preto"). Desta feita, usei a música "Here I Am", de Bryan Adams, o meu cantor favorito. Para mim, esta é a música que mais se identifica com a Selecção Nacional, execptuando os "Menos Ais", é claro. É muito viva, muito alegre, de ritmo rápido a letra é bastante simples mas tem versos como "Tonight we'll make our dreams come true" (Esta noite faremos com que os nossos sonhos se tornem realidade), "Here we are/We've just begun/ And after all this time our time has come" (Aqui estamos nós/Ainda agora começámos/E depois deste tempo todo, o nosso tempo chegou), "Here we are/Still going strong" (Aqui estamos nós/Ainda a fortalecermos) que me fazem pensar no espírito da Selecção.

Já que estamos dentro do assunto, tenho visto no YouTube alguns vídeos de apoio semelhantes aos meus, mas como música de fundo têm I Gotta Feeling dos Black Eyed Peas. Parece que o próprio Professor Carlos Queiroz disse que a música serviu para inspirar e motivar os jogadores agora na etapa final da qualificação. Tinha logo de ser essa... Não é por nada, sei que é um dos "hits do momento", mas eu não gosto lá muito dessa música. Acho-a muito repetitiva e um bocado fútil. Como disse um amigo meu no outro dia, parece que agora o pessoal gosta destas repetições. Mas eu não. Além disso, a música fala mais sobre sair à noite, à parte do refrão não tem muito a ver com a Selecção. Here I Am tem mais a ver. Pelo menos na minha opinião.
Não estou aqui a julgar ninguém, atenção! Tenho todo o direito de não gostar de uma música mas vocês também têm todo o direito de gostar dela. Como costumo dizer ou pensar quando alguém critica os cantores de quem eu gosto, quem perde sou eu. E como parece que serviu de catalizador aos jogadores... Só espero que o professor esteja a ser sincero, que ele tenha relacionado a Selecção com a música, que nenhuma editora discográfica lhe tenha pago para dizer isso.

Não, a mim ninguém me pagou para fazer publicidade ao Bryan Adams. Na verdade, acontece mais o contrário, eles não gostam que eu use as músicas dele nos meus vídeos. Há um ano atrás tiraram-me o vídeo com Heat Of the Night do YouTube. O Euro 2008 já fazia parte da História, o desempenho da Selecção deixava muito a desejar, o vídeo era muito fraquinho, a qualidade das fotografias e do som era péssima, só tive três comentários todos negativos, mas fiquei chateada. Apesar de o vídeo não ser grande coisa, foi ele que me permitiu obter cerca de mil visualizações do meu canal num único dia (no dia do Portugal-República Checa), recorde que só foi ultrapassado em Outubro deste ano, mais de um ano mais tarde. Desta vez, (ainda) não rejeitaram o vídeo, embora tenha recebido um avisozinho. De qualquer forma, estou prevenida para o caso das regras dos direitos de autor mudarem. Fiz um segundo upload do vídeo com uma versão karaoke de Here I Am (é só a parte instrumental mais as vozes de fundo), que até é bem gira. Ninguém se queixou de violação dos direitos de autor, até agora. Podem eventualmente tirar o vídeo com a versão oficial, mas o outro é pouco provável que retirem. Pelo menos, já usei versões instrumentais/karaoke para tornear a regra dos direitos de autor noutros vídeos e até agora resultou... Fica aqui a dica para outros utilizadores do YouTube com problemas semelhantes: versões instrumentais/karaoke. Em todo o caso, espero que mantenham o vídeo, pelo menos até ao fim do Mundial.

2009 aproxima-se do fim. Vem aí 2010 e com ele um Campeonato do Mundo. Na Noite de Ano Novo, costumo cumprir sempre a tradição das doze passas, um desejo para cada uma delas. Com grande sacrifício da minha parte, que odeio passas. Mas gosto de pedir os doze desejos. No final do ano passado, um dos meus desejos era a presença do Mundial 2010. Esse desejo foi cumprido. De resto, que me lembre, à excepção da carta de condução, é capaz de ter sido o único a ser cumprido. O desejo de novos governantes sinceramente empenhados em melhorar Portugal não foi... Mas agora, na próxima Noite de Ano Novo, um dos meus desejos será a Taça do Mundo. Lembro-me que, antes da passagem de 2005 para 2006, a Galp andou a fazer uma campanha para estimular o pessoal a "guardarem uma passa para a Taça", que 15 milhões de desejos podem significar alguma coisa. Agora faço um apelo semelhante através deste blogue. "Guarda uma passa para a Taça". Não que eu acredite sinceramente que será isso que nos dará a Taça, mas também não custa nada - para aqueles que costumam cumprir esta tradição, não deixam de ser doze passas - e temos de usar todas as armas que pudermos. E parece que, segundo o último livro do Dan Brown, é possível que os pensamentos de milhões provoquem alterações em acontecimentos supostamente aleatórios - isto segundo a explicação do meu irmão, que eu não li o livro...

Esta é a última entrada deste ano. Aproveito para desejar a todos os leitores um Feliz Natal, na companhia daqueles que mais gostam, e que 2010 vos traga coisas boas, incluindo a Taça do Mundo, claro está. E não se esqueçam daquilo das passas!

P.S. Ao saberem que a música deles serviu de inspiração à Selecção, os Black Eyed Peas gravaram um vídeo a darem apoio aos tugas para o Mundial. Foram simpáticos. Eu já gostei mais desta banda, mas agora subiram na minha consideração. Mesmo que só nos apoiem por termos gostado da música deles, eles podiam ter escolhido outras Selecções para apoiar, algumas das quais permitiriam uma promoção ainda maior da música deles, mas escolheram a nossa. São mais sinceros que o Pinto da Costa... A gente agradece o apoio. Não vou passar a gostar de I Gotta Feeling só por causa disso, mas vou fazer um esforço para evitar aquela irritação que me invade quando vejo a música associada à Selecção. Ao menos os Black Eyed Peas não fotografaram a Selecção Alemã aquando do Euro 2008 para uma exposição, ao contrário de um certo cantor canadiano que uma vez afirmou que Portugal era a sua segunda casa...


Quem deve andar passada de ciúmes é a Nelly Furtado...

Sorteios, apostas e desejos

Ontem, Sexta-feira, dia 4 de Dezembro de 2009, realizou-se o sorteio para os grupos da fase final do Campeonato do Mundo a realizar no próximo ano, na África do Sul. Portugal ficou no Grupo G, à semelhança do Brasil, da Coreia do Norte e da Costa do Marfim.

Eu tomei conhecimento dos resultados do sorteio de uma maneira curiosa. Geralmente à Sexta-feira saio das aulas às duas da tarde mas como tive de compensar as aulas perdidas devido ao feriado, só saí às seis. Tive pena de não poder assistir ao sorteio em directo. É irónico, já que, há dois anos, o sorteio do Euro 2008 era num Domingo, mas nenhuma televisão portuguesa, de sinal aberto ou da TV Cabo, se dignou a transmitir em directo. Este ano, a RTP transmitiu mas eu estava em aulas. De qualquer forma, vim para a estação de Entrecampos com a minha colega - não revelarei o seu nome verdadeiro, chamar-lhe-ei Joana. Éramos para apanhar o comboio das 18h19, mas este estava atrasado. Como geralmente acontece quando um comboio se atrasa à hora de ponta, ao pessoal que ia nesse comboio juntou-se parte do pessoal que iria no comboio seguinte, nós incluídas. Resultado, quando o comboio chegou, às 18h25 e nós entrámos, aquilo ficou a rebentar pelas costuras. Íamos de pé, quase abraçadas uma à outra, completamente espremidas. Isto na estação de Entrecampos. Depois de Sete Rios, ainda foi pior.

Mas foi mais ou menos nessa altura que ouvi um rapaz poucos anos mais velho do que eu, provavelmente um estudante regressando a casa, como eu, a falar ao telemóvel. Eu fui ouvindo as palavras "Luisão", "Drogba", "Coreia", "Costa do Marfim", "Brasil", "ganhamos os dois". De início pensei que estivesse a falar do Benfica ou assim, mas depois lembrei-me do sorteio... Depois de ele desligar, enchi-me de lata e perguntei:
- É o sorteio do Mundial? O que é que calhou? - pergunto-me o que é que a Joana terá pensado.
- O Brasil, a Coreia e a Costa do Marfim.

- Ah, obrigada...

Deste modo, arranjámos tema de conversa para o resto da viagem. O que vale é que a Joana também gosta de futebol. Tive sorte com a turma deste semestre, já que posso falar sobre este desporto com o pessoal. Faz-me lembrar quando estava no 8º e no 9º ano e era adepta fervorosa do Sporting e falava sobre isso com os rapazes da minha turma. Lembro-me de estarmos na aula de Inglês a jogar um jogo em que tínhamos um clube e devíamos dizer o maior número de jogadores desse clube. Os meus colegas ficavam surpreendidos por verem uma rapariga que sabia tanto quanto eles. Também há muito que o futebol deixou de ser um interesse exclusivamente masculino. Lembro-me também de eu e o meu irmão irmos para o café assistir aos clássicos. Como não tínhamos SportTV... Claro que nessa altura, o mais certo era apanharmos uma desilusão.

Mas voltando ao sorteio do Mundial 2010 e à viagem, de comboio, a Joana disse logo que não sabia se passávamos, já que tínhamos o Brasil como adversário. Já horas antes, no fim do almoço, quando eu e o António nos pusemos a falar do sorteio que se realizava dentro de poucas horas - para não estarmos sempre a falar do trabalho que tínhamos de apresentar na aula a seguir ou das notas que tinham acabado de sair - ele afirmou que Portugal tinha equipa para vencer qualquer um excepto precisamente o Brasil e Espanha. Eu, por acaso, não tinha muito medo do Brasil, ficaria mais nervosa se nos tivesse calhado a Alemanha (não me venham dizer que três golos em quatro remates não assustam, sobretudo depois de termos tido jogos com vinte ou trinta remates e zero golos!) ou também a Espanha. Não nos lembrávamos dos jogadores brasileiros sem ser o Luisão, o Helton e o Kaká. Eu estava mais optimista do que ela, mas não muito mais. Invoquei o particular de Fevereiro de 2007 em que vencemos os nossos irmãos por duas bolas sem réplica num jogo espectacular. Só me lembro de eu e a minha irmã virmos a correr da aula de música - eu com uma guitarra às costas - para ver o jogo.

A Joana, por sua vez, invocou o último particular, em Novembro do último ano, em que levámos uma bela tareia:6-2. Na altura, tive pena de o jogo ser à meia-noite. Eu tinha de me levantar cedo no dia seguinte. E além disso era apenas um amigável. Se fosse oficial, talvez fizesse o sacrifício. E mesmo assim, teria de ser daqueles decisivos. Em todo o caso, pus o jogo a gravar e fui-me deitar. Na manhã seguinte, a primeira coisa que fiz foi ir ao Teletexto ver o resultado. Ao vê-lo, ri-me. Foi daquelas gargalhadas que a gente solta para não chorar. Dei graças a Deus por ter tido uma boa desculpa para não ver aquela desgraça e nem me dei ao trabalho de ver a gravação.

Já que estamos dentro do tema, um aparte para referir que ainda pouco tempo antes tinha abdicado das minhas preciosas horinhas de sono (sou muito dorminhoca... se de manhã só se está bem é na caminha, às quatro da manhã nem se fala) para ver uma prova desportiva. Foi quando a Vanessa Fernandes ganhou a medalha de prata no triatlo. Se bem se lembram, a prova era em Pequim, logo as horas das provas não nos davam jeito nenhum. E como a Telma Monteiro e outros atletas sobre quem depositávamos as nossas esperanças competiam enquanto estávamos a dormir mas não estavam a ganhar nada, eu e os meus irmãos decidimos levantarmo-nos às três da manhã para ver a Vanessa, a ver se isso dava sorte. E acabou por dar.

Voltando ao Brasil, eu comparei-o ao Sporting na medida em que é uma fábrica de talentos e que os distribui pelas outras selecções (a nossa incluída). A Joana, que é benfiquista, não gostou muito da comparação e eu corrigi, afirmando que o Brasil não deixava todos os talentos fugir e costumava ganhar.

Também não sabíamos muito sobre a Costa do Marfim, apenas que o Drogba jogava por este país e que fora com esta selecção que a Alemanha disputara o jogo inaugural do Mundial 2006. E nem sequer sabíamos se a Coreia que íamos defrontar era do Sul ou do Norte - lembrava-me de ter visto ambas na lista dos qualificados. Estávamos ambas ansiosas por esclarecer essa dúvida, por conhecer a constituição dos outros grupos e as datas dos jogos.

A grande favorita a ganhar o título de campeã do Mundo é a Espanha, nisso estávamos de acordo. Nós e provavelmente todos os apreciadores de futebol. Depois do Euro 2008 e da qualificação para o Mundial 2010... Ambas também concordámos que não nos importávamos muito se a Espanha ganhasse, já que "são nossos vizinhos" e poderia ser bom para a candidatura à organização do Mundial de 2018 ou 2022.

Confessei, por fim, que tinha pena de não defrontarmos a França. Já manifestei o desejo de uma desforra cá no blogue, mas como ficámos no mesmo pote, era impossível ficarmos juntos no mesmo grupo. Falava-se que ficaríamos entre os cabeças-de-série porque ficámos em quinto lugar no ranking da FIFA mas aparentemente decidiram usar o ranking do mês de Outubro como critério. Para ser sincera, não sei bem como é que ficámos em tão alta posição, sobretudo sendo a mais alta desde Junho de 2002. Depois do Euro 2004 e do Mundial 2006 não chegámos ao quinto lugar mas conseguimos atingi-lo depois de uma qualificação à tangente? Gostava de saber que critérios é que utilizam para este ranking...

Quando cheguei a casa fui logo à Internet informar-me melhor sobre o sorteio. E não demorei muito a conhecer a constituição dos outros grupos, as datas dos nossos jogos e as opiniões de Carlos Queiroz, alguns jogadores, entre outros.

Assim, eis a data e a hora (no nosso fuso horário) dos nossos jogos:

Dia 15 de Junho (Terça-feira): Costa do Marfim vs Portugal 15h

Dia 21 de Junho (Segunda-feira): Portugal vs Coreia do Norte 12h30

Dia 25 de Junho (Sexta-feira): Portugal vs Brasil 15h

A hora não é a das mais favoráveis por coincidir com o horário laboral da maior parte das pessoas. E também para mim não me vai dar muito jeito. Uma das coisas que mais me chateia nestes Campeonatos Internacionais é que são sempre em Junho. Exactamente no mês em que temos sempre exames. Não seria tão mau se fossem em Março, por exemplo. O ideal seria se fossem em Agosto, em que o pessoal está de férias e poderia estar sempre a pensar em futebol sem se sentir culpado. É muito injusto obrigarem-nos a escolher entre o percurso académico e o futebol. Se, por um lado, temos pelo menos dez exames por ano e Europeus ou Mundiais só de dois em dois anos, também é chato termos de ir à segunda fase ou ficar com cadeiras em atraso porque ficámos a ver o jogo em vez de estudar. Além disso, o stress dos exames mais o stress da Selecção às vezes pode ter uns efeitos secundários indesejáveis. Foi durante o Mundial 2006 e nas vésperas dos exames nacionais do 11º ano que apanhei herpes labial pela primeira vez.

Por outro lado, misturar futebol e vida académica até pode ter uns efeitos engraçados. Lembro-me que no dia do Portugal vs Irão desse Mundial tinha estado a estudar os sistemas circulatórios das diferentes classes de animais para o exame de Biologia e Geologia. Devem-se lembrar que nesse jogo, o Figo teve uma exibição excelente, tendo mesmo sido considerado o melhor em campo. Não marcou nenhum dos golos, mas esteve em todos os que foram marcados. Passou a bola ao Deco para que este desse aquele tiro fenomenal e foi numa falta sobre ele que se marcou o penálti que o Ronaldo transformou no nosso segundo golo. Mais tarde, já terminado o jogo, quando se comentava a partida e como o Figo era o grande responsável pelo desempenho da Selecção, eu disse que o Figo era o órgão propulsor da Selecção (órgão propulsor é o termo geral para os órgãos que bombeiam o sangue pelo corpo todo. No sistema circulatório dos mamíferos é chamado coração). Ao menos aquela parte da matéria foi fácil de memorizar já que me lembrava de ter visto aquilo no dia do Portugal-Irão.

E agora que penso nisso, acho que também se pode dizer que o Figo é o catalizador da Selecção. Para aqueles que não sabem assim tanto de Química, um catalizador acelera as reacções químicas. Não que seja impossível os reagentes reagirem, mas a reacção é significativamente mais lenta, nalgumas circustâncias é quase impossível que ocorra. Desta forma, o catalizador tem um papel importante na formação do produto, sem ter participado directamente no processo. Mais ou menos o que o Figo costumava fazer.

Por acaso, até nem tenho tido muito azar no que toca ao calendário de exames versus calendário da Selecção. No Euro 2008 calhou duas vezes em vésperas de exames. O que até nem é muito mau. Considerando que passava o dia quase todo a estudar, podia perfeitamente fazer uma pausa de hora e meia para ver o jogo. E como no dia seguinte fazia uma folga depois do exame, aptinha tempo para actualizar o blogue. Este ano é que vai ser mais complicado porque o jogo contra a Coreia começa uma hora e meia antes de um exame. Contas feitas, não verei os últimos quinze minutos do jogo. Nem é assim tão mau. Visto que a Coreia do Norte é teoricamente o adversário mais acessível, aos setenta e cinco minutos o jogo já deve estar resolvido, espero. O pior será descobrir como é que poderei ver o jogo lá na Faculdade. Hei-de averiguar. Na pior das hipóteses, oiço o relato na rádio através do meu leitor de MP3.

A constituição dos restantes grupos é a seguinte:

Grupo A: África do Sul, México, Uruguai e França

Grupo B: Argentina, Nigéria, Coreia do Sul e Grécia

Grupo C: Inglaterra, Estados Unidos da América, Argélia e Eslovénia

Grupo D: Alemanha, Austrália, Sérvia e Gana

Grupo E: Holanda, Dinamarca, Japão e Camarões

Grupo F: Itália, Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia
Grupo H: Espanha, Suíça, Honduras e Chile
Aquando do sorteio para o Euro 2008, eu decorei logo a constituição dos quatro grupos. Sim, tenho boa memória mas esta é muito selectiva. Decoro mais facilmente estas coisas do que as deduções das fórmulas de Física... Triste, não é? Desta vez não tive pachorra para memorizar. É que no Euro 2008 eram só quatro grupos, um deles era igualzinho ao nosso do Euro 2004, só que em vez de nós, estava lá a Suécia e a França, a Itália e a Holanda estavam no mesmo grupo. Só isto ajuda muito a decorar. Aqui são oito grupos e não estou familiarizada com pelo menos metade das selecções apuradas.

Desta feita, os grupos estão bastante equilibrados, não calhou nenhum grupo como aquele da França e da Itália do Euro 2008. Parece que o pior é mesmo o nosso grupo, visto que estamos lá nós, a Costa do Marfim (ao que consta, é uma das melhores Selecções africanas) e o Brasil (nem precisa de justificações). Se em sorteios anteriores até tivemos alguma sorte ao ficarmos no mesmo grupo de selecções teoricamente acessíveis (embora tenham demostrado em campo, por vezes, não serem tão acessíveis quanto isso), desta feita a sorte não esteve connosco. Isto se tivermos em conta o grau de dificuldade, claro.

As opiniões dividem-se. Se Deco acha que, de facto, o Brasil é o grande favorito a passar à fase seguinte, Liedson acha que é melhor enfrentar os zucas (o Miguel, o meu amigo que é brasileiro, é que me ensinou este termo) nesta fase do campeonato, em vez de no "mata-mata". O que até faz sentido. Muitos acham que as Selecções que falam a língua portuguesa passarão à fase seguinte e disputarão entre si o primeiro lugar do grupo. Eu não punha as mãos no fogo. Como já referi, a Costa do Marfim é uma das melhores selecções do continente africano e existe ainda uma outra agravante: nunca jogámos contra eles. Os jornais têm vindo a comparar esta ida ao Mundial com a viagem capitaneada por Bartolomeu Dias em que se dobrou o Cabo da Boa Esperança e já começaram a perguntar se esta Costa do Marfim será o Adamastor desta viagem, o factor desconhecido. Além disso, como Carlos Queiroz recordou, é logo o primeiro jogo. E, como o Mundial é em África, ainda devem haver uns quantos costa-marfinenses (é assim que se diz?) no público. Mas, por outro lado, é só a segunda vez que participa num Mundial, logo o factor experiência joga a nosso favor.

Também a Coreia do Norte só esteve uma vez num Mundial. Curiosamente, foi em 1966, no mesmo Campeonato em que tivemos aquele jogo histórico em que estávamos a perder 3-0 ao intervalo mas depois demos prespegámos-lhes cinco golos, quatro da autoria do grande Eusébio, e os coreanos foram para casa. De facto, também se comentou muito o facto de irmos enfrentar duas selecções que também enfrentámos em 66. Visto que foi o Mundial em que fomos mais longe - terceiro lugar - espero que esse facto dê sorte.

Pinto da Costa também deu a sua opinião sobre o sorteio do Mundial 2010. Admitiu que é possível Portugal chegar à final. "É um sonho, mas há sonhos que se concretizam". "Acho que Portugal vai passar e discutir com o Brasil a liderança do grupo". Palavras bonitas, sim senhor, mas vindas do homem que festejou o golo da Grécia na final do Euro 2004 não valem nada. Se eu já antes não tinha grande opinião sobre o dirigente portista, agora desceu ainda mais na minha consideração. Muito obrigada mas a Selecção não precisa desse tipo de apoio, tem apoiantes sinceros que cheguem.

Nós ficámos um bocado nervosos com o facto de irmos defrontar o Brasil na fase de grupos mas, pelos vistos, os brasileiros estão tão nervosos como nós. Quando estive a comentar o sorteio com o Miguel, ele lembrou-me que nós ficámos em quarto em 2006 e os brasileiros ficaram pelos quartos-de-final. Eu sosseguei-o dizendo que, em termos futebolísticos, isso foi há séculos. É bom saber que os nossos adversários (ainda) nos respeitam, mesmo depois de nos termos visto gregos para nos qualificarmos.
Em todo o caso, até gostei que nos tivesse calhado este grupo. O jogo com o Brasil será, sem dúvida o mais escaldante da fase de grupos, incluindo o jogo inaugural. Todos os olhos estarão em nós e nos nossos "irmãos". Um jogo de proporções epopeias já está garantido. Não faltará adrenalina, não faltará emoção. Será um jogo impróprio para cardíacos.
Em relação às nossas hipóteses, estou com a maior parte do pessoal, que considera que passamos e discutimos a liderança do grupo com o Brasil. Espero mesmo que fiquemos em primeiro lugar, porque se ficamos em segundo corremos o risco de ter de jogar os oitavos-de-final com a Espanha... O pior é que não sei o que esperar da Costa do Marfim. E se passarmos ao mata-mata, sim, acho que podemos ir longe desde que não nos calhe a Espanha ou a Alemanha pelo caminho... Se para o Euro 2008 não estava muito confiante, agora para o Mundial, depois desta fase de qualificação, estou ainda menos. Mas vou adoptar a mesma atitude que adoptei nessa altura, pensar um jogo de cada vez, não exagerar na euforia das vitórias, partilhar emoções cá no blogue, aproveitar ao máximo. Que o Mundial é a festa suprema do futebol e só acontece de quatro em quatro anos.

Certamente já repararam no vídeo de apoio à Selecção. Se já o viram, espero que tenham gostado. Já tinha feito um aquando do Euro 2008, mas fora só com fotografias e, admito, estava um bocado fraco. Neste ano e meio que decorreu entre a montagem desse vídeo e o momento actual aprendi a explorar as potencialidades do Windows Movie Maker, a montar vídeos a partir de outros vídeos, não só de fotografias, a adicionar efeitos (embora quase só use câmara lenta, o "aparece gradualmente a partir de preto" e o desaparece gradualmente até ficar preto"). Desta feita, usei a música "Here I Am", de Bryan Adams, o meu cantor favorito. Para mim, esta é a música que mais se identifica com a Selecção Nacional, execptuando os "Menos Ais", é claro. É muito viva, muito alegre, de ritmo rápido a letra é bastante simples mas tem versos como "Tonight we'll make our dreams come true" (Esta noite faremos com que os nossos sonhos se tornem realidade), "Here we are/We've just begun/ And after all this time our time has come" (Aqui estamos nós/Ainda agora começámos/E depois deste tempo todo, o nosso tempo chegou), "Here we are/Still going strong" (Aqui estamos nós/Ainda a fortalecermos) que me fazem pensar no espírito da Selecção.

Já que estamos dentro do assunto, tenho visto no YouTube alguns vídeos de apoio semelhantes aos meus, mas como música de fundo têm I Gotta Feeling dos Black Eyed Peas. Parece que o próprio Professor Carlos Queiroz disse que a música serviu para inspirar e motivar os jogadores agora na etapa final da qualificação. Tinha logo de ser essa... Não é por nada, sei que é um dos "hits do momento", mas eu não gosto lá muito dessa música. Acho-a muito repetitiva e um bocado fútil. Como disse um amigo meu no outro dia, parece que agora o pessoal gosta destas repetições. Mas eu não. Além disso, a música fala mais sobre sair à noite, à parte do refrão não tem muito a ver com a Selecção. Here I Am tem mais a ver. Pelo menos na minha opinião.
Não estou aqui a julgar ninguém, atenção! Tenho todo o direito de não gostar de uma música mas vocês também têm todo o direito de gostar dela. Como costumo dizer ou pensar quando alguém critica os cantores de quem eu gosto, quem perde sou eu. E como parece que serviu de catalizador aos jogadores... Só espero que o professor esteja a ser sincero, que ele tenha relacionado a Selecção com a música, que nenhuma editora discográfica lhe tenha pago para dizer isso.

Não, a mim ninguém me pagou para fazer publicidade ao Bryan Adams. Na verdade, acontece mais o contrário, eles não gostam que eu use as músicas dele nos meus vídeos. Há um ano atrás tiraram-me o vídeo com Heat Of the Night do YouTube. O Euro 2008 já fazia parte da História, o desempenho da Selecção deixava muito a desejar, o vídeo era muito fraquinho, a qualidade das fotografias e do som era péssima, só tive três comentários todos negativos, mas fiquei chateada. Apesar de o vídeo não ser grande coisa, foi ele que me permitiu obter cerca de mil visualizações do meu canal num único dia (no dia do Portugal-República Checa), recorde que só foi ultrapassado em Outubro deste ano, mais de um ano mais tarde. Desta vez, (ainda) não rejeitaram o vídeo, embora tenha recebido um avisozinho. De qualquer forma, estou prevenida para o caso das regras dos direitos de autor mudarem. Fiz um segundo upload do vídeo com uma versão karaoke de Here I Am (é só a parte instrumental mais as vozes de fundo), que até é bem gira. Ninguém se queixou de violação dos direitos de autor, até agora. Podem eventualmente tirar o vídeo com a versão oficial, mas o outro é pouco provável que retirem. Pelo menos, já usei versões instrumentais/karaoke para tornear a regra dos direitos de autor noutros vídeos e até agora resultou... Fica aqui a dica para outros utilizadores do YouTube com problemas semelhantes: versões instrumentais/karaoke. Em todo o caso, espero que mantenham o vídeo, pelo menos até ao fim do Mundial.

2009 aproxima-se do fim. Vem aí 2010 e com ele um Campeonato do Mundo. Na Noite de Ano Novo, costumo cumprir sempre a tradição das doze passas, um desejo para cada uma delas. Com grande sacrifício da minha parte, que odeio passas. Mas gosto de pedir os doze desejos. No final do ano passado, um dos meus desejos era a presença do Mundial 2010. Esse desejo foi cumprido. De resto, que me lembre, à excepção da carta de condução, é capaz de ter sido o único a ser cumprido. O desejo de novos governantes sinceramente empenhados em melhorar Portugal não foi... Mas agora, na próxima Noite de Ano Novo, um dos meus desejos será a Taça do Mundo. Lembro-me que, antes da passagem de 2005 para 2006, a Galp andou a fazer uma campanha para estimular o pessoal a "guardarem uma passa para a Taça", que 15 milhões de desejos podem significar alguma coisa. Agora faço um apelo semelhante através deste blogue. "Guarda uma passa para a Taça". Não que eu acredite sinceramente que será isso que nos dará a Taça, mas também não custa nada - para aqueles que costumam cumprir esta tradição, não deixam de ser doze passas - e temos de usar todas as armas que pudermos. E parece que, segundo o último livro do Dan Brown, é possível que os pensamentos de milhões provoquem alterações em acontecimentos supostamente aleatórios - isto segundo a explicação do meu irmão, que eu não li o livro...

Esta é a última entrada deste ano. Aproveito para desejar a todos os leitores um Feliz Natal, na companhia daqueles que mais gostam, e que 2010 vos traga coisas boas, incluindo a Taça do Mundo, claro está. E não se esqueçam daquilo das passas!

P.S. Ao saberem que a música deles serviu de inspiração à Selecção, os Black Eyed Peas gravaram um vídeo a darem apoio aos tugas para o Mundial. Foram simpáticos. Eu já gostei mais desta banda, mas agora subiram na minha consideração. Mesmo que só nos apoiem por termos gostado da música deles, eles podiam ter escolhido outras Selecções para apoiar, algumas das quais permitiriam uma promoção ainda maior da música deles, mas escolheram a nossa. São mais sinceros que o Pinto da Costa... A gente agradece o apoio. Não vou passar a gostar de I Gotta Feeling só por causa disso, mas vou fazer um esforço para evitar aquela irritação que me invade quando vejo a música associada à Selecção. Ao menos os Black Eyed Peas não fotografaram a Selecção Alemã aquando do Euro 2008 para uma exposição, ao contrário de um certo cantor canadiano que uma vez afirmou que Portugal era a sua segunda casa...


Quem deve andar passada de ciúmes é a Nelly Furtado...

Sorteios, apostas e desejos

Ontem, Sexta-feira, dia 4 de Dezembro de 2009, realizou-se o sorteio para os grupos da fase final do Campeonato do Mundo a realizar no próximo ano, na África do Sul. Portugal ficou no Grupo G, à semelhança do Brasil, da Coreia do Norte e da Costa do Marfim.

Eu tomei conhecimento dos resultados do sorteio de uma maneira curiosa. Geralmente à Sexta-feira saio das aulas às duas da tarde mas como tive de compensar as aulas perdidas devido ao feriado, só saí às seis. Tive pena de não poder assistir ao sorteio em directo. É irónico, já que, há dois anos, o sorteio do Euro 2008 era num Domingo, mas nenhuma televisão portuguesa, de sinal aberto ou da TV Cabo, se dignou a transmitir em directo. Este ano, a RTP transmitiu mas eu estava em aulas. De qualquer forma, vim para a estação de Entrecampos com a minha colega - não revelarei o seu nome verdadeiro, chamar-lhe-ei Joana. Éramos para apanhar o comboio das 18h19, mas este estava atrasado. Como geralmente acontece quando um comboio se atrasa à hora de ponta, ao pessoal que ia nesse comboio juntou-se parte do pessoal que iria no comboio seguinte, nós incluídas. Resultado, quando o comboio chegou, às 18h25 e nós entrámos, aquilo ficou a rebentar pelas costuras. Íamos de pé, quase abraçadas uma à outra, completamente espremidas. Isto na estação de Entrecampos. Depois de Sete Rios, ainda foi pior.

Mas foi mais ou menos nessa altura que ouvi um rapaz poucos anos mais velho do que eu, provavelmente um estudante regressando a casa, como eu, a falar ao telemóvel. Eu fui ouvindo as palavras "Luisão", "Drogba", "Coreia", "Costa do Marfim", "Brasil", "ganhamos os dois". De início pensei que estivesse a falar do Benfica ou assim, mas depois lembrei-me do sorteio... Depois de ele desligar, enchi-me de lata e perguntei:
- É o sorteio do Mundial? O que é que calhou? - pergunto-me o que é que a Joana terá pensado.
- O Brasil, a Coreia e a Costa do Marfim.

- Ah, obrigada...

Deste modo, arranjámos tema de conversa para o resto da viagem. O que vale é que a Joana também gosta de futebol. Tive sorte com a turma deste semestre, já que posso falar sobre este desporto com o pessoal. Faz-me lembrar quando estava no 8º e no 9º ano e era adepta fervorosa do Sporting e falava sobre isso com os rapazes da minha turma. Lembro-me de estarmos na aula de Inglês a jogar um jogo em que tínhamos um clube e devíamos dizer o maior número de jogadores desse clube. Os meus colegas ficavam surpreendidos por verem uma rapariga que sabia tanto quanto eles. Também há muito que o futebol deixou de ser um interesse exclusivamente masculino. Lembro-me também de eu e o meu irmão irmos para o café assistir aos clássicos. Como não tínhamos SportTV... Claro que nessa altura, o mais certo era apanharmos uma desilusão.

Mas voltando ao sorteio do Mundial 2010 e à viagem, de comboio, a Joana disse logo que não sabia se passávamos, já que tínhamos o Brasil como adversário. Já horas antes, no fim do almoço, quando eu e o António nos pusemos a falar do sorteio que se realizava dentro de poucas horas - para não estarmos sempre a falar do trabalho que tínhamos de apresentar na aula a seguir ou das notas que tinham acabado de sair - ele afirmou que Portugal tinha equipa para vencer qualquer um excepto precisamente o Brasil e Espanha. Eu, por acaso, não tinha muito medo do Brasil, ficaria mais nervosa se nos tivesse calhado a Alemanha (não me venham dizer que três golos em quatro remates não assustam, sobretudo depois de termos tido jogos com vinte ou trinta remates e zero golos!) ou também a Espanha. Não nos lembrávamos dos jogadores brasileiros sem ser o Luisão, o Helton e o Kaká. Eu estava mais optimista do que ela, mas não muito mais. Invoquei o particular de Fevereiro de 2007 em que vencemos os nossos irmãos por duas bolas sem réplica num jogo espectacular. Só me lembro de eu e a minha irmã virmos a correr da aula de música - eu com uma guitarra às costas - para ver o jogo.

A Joana, por sua vez, invocou o último particular, em Novembro do último ano, em que levámos uma bela tareia:6-2. Na altura, tive pena de o jogo ser à meia-noite. Eu tinha de me levantar cedo no dia seguinte. E além disso era apenas um amigável. Se fosse oficial, talvez fizesse o sacrifício. E mesmo assim, teria de ser daqueles decisivos. Em todo o caso, pus o jogo a gravar e fui-me deitar. Na manhã seguinte, a primeira coisa que fiz foi ir ao Teletexto ver o resultado. Ao vê-lo, ri-me. Foi daquelas gargalhadas que a gente solta para não chorar. Dei graças a Deus por ter tido uma boa desculpa para não ver aquela desgraça e nem me dei ao trabalho de ver a gravação.

Já que estamos dentro do tema, um aparte para referir que ainda pouco tempo antes tinha abdicado das minhas preciosas horinhas de sono (sou muito dorminhoca... se de manhã só se está bem é na caminha, às quatro da manhã nem se fala) para ver uma prova desportiva. Foi quando a Vanessa Fernandes ganhou a medalha de prata no triatlo. Se bem se lembram, a prova era em Pequim, logo as horas das provas não nos davam jeito nenhum. E como a Telma Monteiro e outros atletas sobre quem depositávamos as nossas esperanças competiam enquanto estávamos a dormir mas não estavam a ganhar nada, eu e os meus irmãos decidimos levantarmo-nos às três da manhã para ver a Vanessa, a ver se isso dava sorte. E acabou por dar.

Voltando ao Brasil, eu comparei-o ao Sporting na medida em que é uma fábrica de talentos e que os distribui pelas outras selecções (a nossa incluída). A Joana, que é benfiquista, não gostou muito da comparação e eu corrigi, afirmando que o Brasil não deixava todos os talentos fugir e costumava ganhar.

Também não sabíamos muito sobre a Costa do Marfim, apenas que o Drogba jogava por este país e que fora com esta selecção que a Alemanha disputara o jogo inaugural do Mundial 2006. E nem sequer sabíamos se a Coreia que íamos defrontar era do Sul ou do Norte - lembrava-me de ter visto ambas na lista dos qualificados. Estávamos ambas ansiosas por esclarecer essa dúvida, por conhecer a constituição dos outros grupos e as datas dos jogos.

A grande favorita a ganhar o título de campeã do Mundo é a Espanha, nisso estávamos de acordo. Nós e provavelmente todos os apreciadores de futebol. Depois do Euro 2008 e da qualificação para o Mundial 2010... Ambas também concordámos que não nos importávamos muito se a Espanha ganhasse, já que "são nossos vizinhos" e poderia ser bom para a candidatura à organização do Mundial de 2018 ou 2022.

Confessei, por fim, que tinha pena de não defrontarmos a França. Já manifestei o desejo de uma desforra cá no blogue, mas como ficámos no mesmo pote, era impossível ficarmos juntos no mesmo grupo. Falava-se que ficaríamos entre os cabeças-de-série porque ficámos em quinto lugar no ranking da FIFA mas aparentemente decidiram usar o ranking do mês de Outubro como critério. Para ser sincera, não sei bem como é que ficámos em tão alta posição, sobretudo sendo a mais alta desde Junho de 2002. Depois do Euro 2004 e do Mundial 2006 não chegámos ao quinto lugar mas conseguimos atingi-lo depois de uma qualificação à tangente? Gostava de saber que critérios é que utilizam para este ranking...

Quando cheguei a casa fui logo à Internet informar-me melhor sobre o sorteio. E não demorei muito a conhecer a constituição dos outros grupos, as datas dos nossos jogos e as opiniões de Carlos Queiroz, alguns jogadores, entre outros.

Assim, eis a data e a hora (no nosso fuso horário) dos nossos jogos:

Dia 15 de Junho (Terça-feira): Costa do Marfim vs Portugal 15h

Dia 21 de Junho (Segunda-feira): Portugal vs Coreia do Norte 12h30

Dia 25 de Junho (Sexta-feira): Portugal vs Brasil 15h

A hora não é a das mais favoráveis por coincidir com o horário laboral da maior parte das pessoas. E também para mim não me vai dar muito jeito. Uma das coisas que mais me chateia nestes Campeonatos Internacionais é que são sempre em Junho. Exactamente no mês em que temos sempre exames. Não seria tão mau se fossem em Março, por exemplo. O ideal seria se fossem em Agosto, em que o pessoal está de férias e poderia estar sempre a pensar em futebol sem se sentir culpado. É muito injusto obrigarem-nos a escolher entre o percurso académico e o futebol. Se, por um lado, temos pelo menos dez exames por ano e Europeus ou Mundiais só de dois em dois anos, também é chato termos de ir à segunda fase ou ficar com cadeiras em atraso porque ficámos a ver o jogo em vez de estudar. Além disso, o stress dos exames mais o stress da Selecção às vezes pode ter uns efeitos secundários indesejáveis. Foi durante o Mundial 2006 e nas vésperas dos exames nacionais do 11º ano que apanhei herpes labial pela primeira vez.

Por outro lado, misturar futebol e vida académica até pode ter uns efeitos engraçados. Lembro-me que no dia do Portugal vs Irão desse Mundial tinha estado a estudar os sistemas circulatórios das diferentes classes de animais para o exame de Biologia e Geologia. Devem-se lembrar que nesse jogo, o Figo teve uma exibição excelente, tendo mesmo sido considerado o melhor em campo. Não marcou nenhum dos golos, mas esteve em todos os que foram marcados. Passou a bola ao Deco para que este desse aquele tiro fenomenal e foi numa falta sobre ele que se marcou o penálti que o Ronaldo transformou no nosso segundo golo. Mais tarde, já terminado o jogo, quando se comentava a partida e como o Figo era o grande responsável pelo desempenho da Selecção, eu disse que o Figo era o órgão propulsor da Selecção (órgão propulsor é o termo geral para os órgãos que bombeiam o sangue pelo corpo todo. No sistema circulatório dos mamíferos é chamado coração). Ao menos aquela parte da matéria foi fácil de memorizar já que me lembrava de ter visto aquilo no dia do Portugal-Irão.

E agora que penso nisso, acho que também se pode dizer que o Figo é o catalizador da Selecção. Para aqueles que não sabem assim tanto de Química, um catalizador acelera as reacções químicas. Não que seja impossível os reagentes reagirem, mas a reacção é significativamente mais lenta, nalgumas circustâncias é quase impossível que ocorra. Desta forma, o catalizador tem um papel importante na formação do produto, sem ter participado directamente no processo. Mais ou menos o que o Figo costumava fazer.

Por acaso, até nem tenho tido muito azar no que toca ao calendário de exames versus calendário da Selecção. No Euro 2008 calhou duas vezes em vésperas de exames. O que até nem é muito mau. Considerando que passava o dia quase todo a estudar, podia perfeitamente fazer uma pausa de hora e meia para ver o jogo. E como no dia seguinte fazia uma folga depois do exame, aptinha tempo para actualizar o blogue. Este ano é que vai ser mais complicado porque o jogo contra a Coreia começa uma hora e meia antes de um exame. Contas feitas, não verei os últimos quinze minutos do jogo. Nem é assim tão mau. Visto que a Coreia do Norte é teoricamente o adversário mais acessível, aos setenta e cinco minutos o jogo já deve estar resolvido, espero. O pior será descobrir como é que poderei ver o jogo lá na Faculdade. Hei-de averiguar. Na pior das hipóteses, oiço o relato na rádio através do meu leitor de MP3.

A constituição dos restantes grupos é a seguinte:

Grupo A: África do Sul, México, Uruguai e França

Grupo B: Argentina, Nigéria, Coreia do Sul e Grécia

Grupo C: Inglaterra, Estados Unidos da América, Argélia e Eslovénia

Grupo D: Alemanha, Austrália, Sérvia e Gana

Grupo E: Holanda, Dinamarca, Japão e Camarões

Grupo F: Itália, Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia
Grupo H: Espanha, Suíça, Honduras e Chile
Aquando do sorteio para o Euro 2008, eu decorei logo a constituição dos quatro grupos. Sim, tenho boa memória mas esta é muito selectiva. Decoro mais facilmente estas coisas do que as deduções das fórmulas de Física... Triste, não é? Desta vez não tive pachorra para memorizar. É que no Euro 2008 eram só quatro grupos, um deles era igualzinho ao nosso do Euro 2004, só que em vez de nós, estava lá a Suécia e a França, a Itália e a Holanda estavam no mesmo grupo. Só isto ajuda muito a decorar. Aqui são oito grupos e não estou familiarizada com pelo menos metade das selecções apuradas.

Desta feita, os grupos estão bastante equilibrados, não calhou nenhum grupo como aquele da França e da Itália do Euro 2008. Parece que o pior é mesmo o nosso grupo, visto que estamos lá nós, a Costa do Marfim (ao que consta, é uma das melhores Selecções africanas) e o Brasil (nem precisa de justificações). Se em sorteios anteriores até tivemos alguma sorte ao ficarmos no mesmo grupo de selecções teoricamente acessíveis (embora tenham demostrado em campo, por vezes, não serem tão acessíveis quanto isso), desta feita a sorte não esteve connosco. Isto se tivermos em conta o grau de dificuldade, claro.

As opiniões dividem-se. Se Deco acha que, de facto, o Brasil é o grande favorito a passar à fase seguinte, Liedson acha que é melhor enfrentar os zucas (o Miguel, o meu amigo que é brasileiro, é que me ensinou este termo) nesta fase do campeonato, em vez de no "mata-mata". O que até faz sentido. Muitos acham que as Selecções que falam a língua portuguesa passarão à fase seguinte e disputarão entre si o primeiro lugar do grupo. Eu não punha as mãos no fogo. Como já referi, a Costa do Marfim é uma das melhores selecções do continente africano e existe ainda uma outra agravante: nunca jogámos contra eles. Os jornais têm vindo a comparar esta ida ao Mundial com a viagem capitaneada por Bartolomeu Dias em que se dobrou o Cabo da Boa Esperança e já começaram a perguntar se esta Costa do Marfim será o Adamastor desta viagem, o factor desconhecido. Além disso, como Carlos Queiroz recordou, é logo o primeiro jogo. E, como o Mundial é em África, ainda devem haver uns quantos costa-marfinenses (é assim que se diz?) no público. Mas, por outro lado, é só a segunda vez que participa num Mundial, logo o factor experiência joga a nosso favor.

Também a Coreia do Norte só esteve uma vez num Mundial. Curiosamente, foi em 1966, no mesmo Campeonato em que tivemos aquele jogo histórico em que estávamos a perder 3-0 ao intervalo mas depois demos prespegámos-lhes cinco golos, quatro da autoria do grande Eusébio, e os coreanos foram para casa. De facto, também se comentou muito o facto de irmos enfrentar duas selecções que também enfrentámos em 66. Visto que foi o Mundial em que fomos mais longe - terceiro lugar - espero que esse facto dê sorte.

Pinto da Costa também deu a sua opinião sobre o sorteio do Mundial 2010. Admitiu que é possível Portugal chegar à final. "É um sonho, mas há sonhos que se concretizam". "Acho que Portugal vai passar e discutir com o Brasil a liderança do grupo". Palavras bonitas, sim senhor, mas vindas do homem que festejou o golo da Grécia na final do Euro 2004 não valem nada. Se eu já antes não tinha grande opinião sobre o dirigente portista, agora desceu ainda mais na minha consideração. Muito obrigada mas a Selecção não precisa desse tipo de apoio, tem apoiantes sinceros que cheguem.

Nós ficámos um bocado nervosos com o facto de irmos defrontar o Brasil na fase de grupos mas, pelos vistos, os brasileiros estão tão nervosos como nós. Quando estive a comentar o sorteio com o Miguel, ele lembrou-me que nós ficámos em quarto em 2006 e os brasileiros ficaram pelos quartos-de-final. Eu sosseguei-o dizendo que, em termos futebolísticos, isso foi há séculos. É bom saber que os nossos adversários (ainda) nos respeitam, mesmo depois de nos termos visto gregos para nos qualificarmos.
Em todo o caso, até gostei que nos tivesse calhado este grupo. O jogo com o Brasil será, sem dúvida o mais escaldante da fase de grupos, incluindo o jogo inaugural. Todos os olhos estarão em nós e nos nossos "irmãos". Um jogo de proporções epopeias já está garantido. Não faltará adrenalina, não faltará emoção. Será um jogo impróprio para cardíacos.
Em relação às nossas hipóteses, estou com a maior parte do pessoal, que considera que passamos e discutimos a liderança do grupo com o Brasil. Espero mesmo que fiquemos em primeiro lugar, porque se ficamos em segundo corremos o risco de ter de jogar os oitavos-de-final com a Espanha... O pior é que não sei o que esperar da Costa do Marfim. E se passarmos ao mata-mata, sim, acho que podemos ir longe desde que não nos calhe a Espanha ou a Alemanha pelo caminho... Se para o Euro 2008 não estava muito confiante, agora para o Mundial, depois desta fase de qualificação, estou ainda menos. Mas vou adoptar a mesma atitude que adoptei nessa altura, pensar um jogo de cada vez, não exagerar na euforia das vitórias, partilhar emoções cá no blogue, aproveitar ao máximo. Que o Mundial é a festa suprema do futebol e só acontece de quatro em quatro anos.

Certamente já repararam no vídeo de apoio à Selecção. Se já o viram, espero que tenham gostado. Já tinha feito um aquando do Euro 2008, mas fora só com fotografias e, admito, estava um bocado fraco. Neste ano e meio que decorreu entre a montagem desse vídeo e o momento actual aprendi a explorar as potencialidades do Windows Movie Maker, a montar vídeos a partir de outros vídeos, não só de fotografias, a adicionar efeitos (embora quase só use câmara lenta, o "aparece gradualmente a partir de preto" e o desaparece gradualmente até ficar preto"). Desta feita, usei a música "Here I Am", de Bryan Adams, o meu cantor favorito. Para mim, esta é a música que mais se identifica com a Selecção Nacional, execptuando os "Menos Ais", é claro. É muito viva, muito alegre, de ritmo rápido a letra é bastante simples mas tem versos como "Tonight we'll make our dreams come true" (Esta noite faremos com que os nossos sonhos se tornem realidade), "Here we are/We've just begun/ And after all this time our time has come" (Aqui estamos nós/Ainda agora começámos/E depois deste tempo todo, o nosso tempo chegou), "Here we are/Still going strong" (Aqui estamos nós/Ainda a fortalecermos) que me fazem pensar no espírito da Selecção.

Já que estamos dentro do assunto, tenho visto no YouTube alguns vídeos de apoio semelhantes aos meus, mas como música de fundo têm I Gotta Feeling dos Black Eyed Peas. Parece que o próprio Professor Carlos Queiroz disse que a música serviu para inspirar e motivar os jogadores agora na etapa final da qualificação. Tinha logo de ser essa... Não é por nada, sei que é um dos "hits do momento", mas eu não gosto lá muito dessa música. Acho-a muito repetitiva e um bocado fútil. Como disse um amigo meu no outro dia, parece que agora o pessoal gosta destas repetições. Mas eu não. Além disso, a música fala mais sobre sair à noite, à parte do refrão não tem muito a ver com a Selecção. Here I Am tem mais a ver. Pelo menos na minha opinião.
Não estou aqui a julgar ninguém, atenção! Tenho todo o direito de não gostar de uma música mas vocês também têm todo o direito de gostar dela. Como costumo dizer ou pensar quando alguém critica os cantores de quem eu gosto, quem perde sou eu. E como parece que serviu de catalizador aos jogadores... Só espero que o professor esteja a ser sincero, que ele tenha relacionado a Selecção com a música, que nenhuma editora discográfica lhe tenha pago para dizer isso.

Não, a mim ninguém me pagou para fazer publicidade ao Bryan Adams. Na verdade, acontece mais o contrário, eles não gostam que eu use as músicas dele nos meus vídeos. Há um ano atrás tiraram-me o vídeo com Heat Of the Night do YouTube. O Euro 2008 já fazia parte da História, o desempenho da Selecção deixava muito a desejar, o vídeo era muito fraquinho, a qualidade das fotografias e do som era péssima, só tive três comentários todos negativos, mas fiquei chateada. Apesar de o vídeo não ser grande coisa, foi ele que me permitiu obter cerca de mil visualizações do meu canal num único dia (no dia do Portugal-República Checa), recorde que só foi ultrapassado em Outubro deste ano, mais de um ano mais tarde. Desta vez, (ainda) não rejeitaram o vídeo, embora tenha recebido um avisozinho. De qualquer forma, estou prevenida para o caso das regras dos direitos de autor mudarem. Fiz um segundo upload do vídeo com uma versão karaoke de Here I Am (é só a parte instrumental mais as vozes de fundo), que até é bem gira. Ninguém se queixou de violação dos direitos de autor, até agora. Podem eventualmente tirar o vídeo com a versão oficial, mas o outro é pouco provável que retirem. Pelo menos, já usei versões instrumentais/karaoke para tornear a regra dos direitos de autor noutros vídeos e até agora resultou... Fica aqui a dica para outros utilizadores do YouTube com problemas semelhantes: versões instrumentais/karaoke. Em todo o caso, espero que mantenham o vídeo, pelo menos até ao fim do Mundial.

2009 aproxima-se do fim. Vem aí 2010 e com ele um Campeonato do Mundo. Na Noite de Ano Novo, costumo cumprir sempre a tradição das doze passas, um desejo para cada uma delas. Com grande sacrifício da minha parte, que odeio passas. Mas gosto de pedir os doze desejos. No final do ano passado, um dos meus desejos era a presença do Mundial 2010. Esse desejo foi cumprido. De resto, que me lembre, à excepção da carta de condução, é capaz de ter sido o único a ser cumprido. O desejo de novos governantes sinceramente empenhados em melhorar Portugal não foi... Mas agora, na próxima Noite de Ano Novo, um dos meus desejos será a Taça do Mundo. Lembro-me que, antes da passagem de 2005 para 2006, a Galp andou a fazer uma campanha para estimular o pessoal a "guardarem uma passa para a Taça", que 15 milhões de desejos podem significar alguma coisa. Agora faço um apelo semelhante através deste blogue. "Guarda uma passa para a Taça". Não que eu acredite sinceramente que será isso que nos dará a Taça, mas também não custa nada - para aqueles que costumam cumprir esta tradição, não deixam de ser doze passas - e temos de usar todas as armas que pudermos. E parece que, segundo o último livro do Dan Brown, é possível que os pensamentos de milhões provoquem alterações em acontecimentos supostamente aleatórios - isto segundo a explicação do meu irmão, que eu não li o livro...

Esta é a última entrada deste ano. Aproveito para desejar a todos os leitores um Feliz Natal, na companhia daqueles que mais gostam, e que 2010 vos traga coisas boas, incluindo a Taça do Mundo, claro está. E não se esqueçam daquilo das passas!

P.S. Ao saberem que a música deles serviu de inspiração à Selecção, os Black Eyed Peas gravaram um vídeo a darem apoio aos tugas para o Mundial. Foram simpáticos. Eu já gostei mais desta banda, mas agora subiram na minha consideração. Mesmo que só nos apoiem por termos gostado da música deles, eles podiam ter escolhido outras Selecções para apoiar, algumas das quais permitiriam uma promoção ainda maior da música deles, mas escolheram a nossa. São mais sinceros que o Pinto da Costa... A gente agradece o apoio. Não vou passar a gostar de I Gotta Feeling só por causa disso, mas vou fazer um esforço para evitar aquela irritação que me invade quando vejo a música associada à Selecção. Ao menos os Black Eyed Peas não fotografaram a Selecção Alemã aquando do Euro 2008 para uma exposição, ao contrário de um certo cantor canadiano que uma vez afirmou que Portugal era a sua segunda casa...


Quem deve andar passada de ciúmes é a Nelly Furtado...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Bósnia 0 Portugal 1 - "Quatro, sei, oito, dez - África do Sul agora é a tua vez!" - Eu sabia que conseguíamos!

Eu sabia que conseguíamos!


Ontem à noite, dia 18 de Novembro de 2009, Quarta-feira, a Selecção Nacional foi a Zenica, na Bósnia, vencer a respectiva Selecção por uma bola a zero sem resposta, finalmente carimbando desta forma o passaporte para o Campeonato do Mundo de 2010, a realizar na África do Sul. O autor do golo foi Raúl Meireles mas o mérito da vitória é de todo o colectivo, do Seleccionador ao Rui Patrício, que, apesar das dificuldades, de algumas críticas destrutivas, da descrença de muitos, conseguiu ultrapassar tudo isso e ganhar um lugar no Mundial. Como estou orgulhosa deles!


Para além da equipa bósnia, a Selecção tinha mais dois adversários: o relvado em péssimo estado e os adeptos muito pouco amigáveis. E se, noutros resultados menos positivos, o relvado tenha sido invocado como desculpa, perdão, factor que contribuíra para o escasso número de golos, ontem apenas impediu que jogassem um futebol mais bonito. Não foi suficiente para parar os marmanjos, que chegaram mesmo a fazer um jogo melhor do que aquele que fizeram no Inferno da Luz, sobretudo na segunda parte. Em minha casa, estivemos a jantar durante a primeira parte e eu estava tão nervosa que perdi o apetite - a minha mãe julgou que não comia por ter andado a pestiscar antes do jantar, por isso obrigou-me a comer um pouco mais do que queria e perdi a oportunidade para cortar nas calorias... Mas não tinha razão para estar nervosa. Se bem que os portugueses não atacassem muito, defendiam bem quando os bósnios ameaçavam a nossa baliza. Nas poucas vezes em que a bola conseguia passar pelos nossos defesas e ameaçar a nossa baliza, o Eduardo estava lá para a defender.


Na segunda parte, veio o golo de Raul Meireles numa jogada em que também entraram Liedson e Nani. O golo fez-me saltar a mim e ao meu pai saltar do sofá e contribuiu para expulsar de vez os nervos, pois a partir desse momento, se os bósnios quisessem passar tinham de nos marcar três golos. Foi também na ressaca dos golos que os milhares de bósnios se calaram finalmente e os poucos portugueses presentes no estádio se fizeram ouvir. E no resto do jogo, os marmanjos ficaram bem mais soltos e podíamos ter dilatado o resultado. Ainda falhámos umas quantas oportunidades excelentes. Noutras circunstâncias fartar-me-ia de praguejar mas naquela altura, com o jogo praticamente resolvido, limitei-me a alguns refilanços bem-humorados.


O triste episódio ocorrido aos 75 minutos, aproximadamente, é que estragou o jogo. Quando aquele jogador bósnio foi expulso, os adeptos começaram logo a arremessar coisas para o campo. Eu vi logo que alguém ia sair dali magoado e acabou por ser o árbitro assistente. Como o Simão estava mesmo à frente dele, julgo que ele é que era o alvo. Se ele tivesse de facto sido atingido, ia haver confusão ainda maior... Em todo o caso, não deixa de ser um episódio degradante, que só contribui para estragar o futebol. Se tivesse sido ao contrário, morreria de vergonha.


Finalmente, o jogo terminou e com o fim do jogo, a entrada no Mundial ficou definitiva e finalmente selada. Eu queria ver em directo os jogadores a celebrarem o apuramento que custou tanto a carimbar mas a TVI achou por bem escolher uma pausa para publicidade naquele momento. Eu ainda fiquei um bocado à espera que acabasse para ver as flash-interviews, na esperança de que fosse aqueles intervalos de pouco mais de um minuto, só com dois ou três anúncios, mas não foi. Acabei por me fartar, desliguei a televisão e a TVI desceu ainda mais na minha consideração. É por estas e por outras que, no que toca a canais generalistas, sem contar com os telejornais, já quase só vejo a RTP 2.


Mais tarde, estive um bocado a oscilar entre a SICNotícias e a RTPN, como costumo fazer em dias de jogo, para ver a Conferência de Imprensa do Seleccionador e ouvir um ou outro comentário sobre o jogo. Na SIC, estava o Rui Santos e outro senhor de idade avançada cujo nome não memorizei a comentar. Este último, depois de se rever a flash-interview de Carlos Queiroz, citou uma das frases que o Professor disse. Se não me engano, algo tipo "obrigado a todos que acreditaram em nós". O senhor considerou esta frase "infeliz", por estar subjacente uma crítica àqueles que, a certa altura, deixaram de acreditar (o próprio comentador admite que foi uma dessas pessoas), mas eu concordo com o Seleccionador. Com todo o respeito pelo senhor comentador e pela sua opinião, estaria ele à espera que Queiroz viesse agradecer àqueles interesseiros e hipócritas que, nas alturas mais difíceis da qualificação deixaram de apoiar e acreditar mas quando a Selecção encontrou de novo o caminho voltaram de novo a apoiar?!?


Eu fui uma daquelas que nunca deixou de apoiar, de acreditar. Admito que apanhei imensos baldes de água fria, que houve alturas em que me senti uma parva por continuar a acreditar, que estive a "um bocadinho assim" de desistir, que nunca deixei de ter medo que tudo falhasse. E teria sido bem mais fácil ter feito isso. Concordo plenamente com o que o jornalista Carlos Daniel escreveu uma vez no Record, se não me engano na véspera do último jogo frente à Dinamarca: é mais difícil ser-se optimista do que pessismista. Na altura, entusiasmada como andava com o jogo, não compreendi bem porque dizia ele isso, mas no dia seguinte, depois do jogo, percebi perfeitamente.


Mas agora estou feliz. Agora vou poder esfregar esta vitória na cara de todos os que me disseram que já estava tudo perdido. Ah, ah, ah! Engulam esta!


Ainda neste assunto dos críticos, ontem o Ricardo Carvalho surpreendeu-me pela positiva, tanto dentro como fora do campo. Admitiu que a qualificação começou mal, que perdemos pontos desnecessariamente, que "merecemos as críticas e temos de assumi-las", contrariando a fama que a Selecção ganhou nos últimos anos, sobretudo no tempo do Scolari, de não lidar bem com as críticas. Confesso que, neste tópico, o Ricardo é melhor pessoa do que eu, pois eu levo um bocado a mal as críticas à Selecção. Suponho que seja normal, que uma pessoa não goste de ouvir e ler seu clube a ser criticado. Mas também às vezes irrita-me ouvir e ler pessoas a chamarem "incompetente" ao Seleccionador, a porem em causa as suas Escolhas, a sugerirem outros nomes para a Selecção, não tanto os comentadores desportivos, mas aqueles que escrevem para os jornais ou participam nos fóruns de opinião. Os comentadores ainda têm a experiência de vários anos a lidarem com o futebol, mas será que as outras pessoas se julgam mais entendidas na matéria do que Carlos Queiroz que ganha o pão para a boca a observar jogadores portugueses e a Escolhê-los para a Selecção? Também eu às vezes não concordo com algumas opções tomadas pelo Professor, mas eu não percebo assim tanto de futebol para me pôr a questionar os jogadores que Convoca... Eu não estou a criticar as pessoas por terem e exprimirem a sua opinião, critico-as é pela arrogância das suas opiniões.


Também já ouvi e li muito que tudo isto até seria desnecessário, que podíamos perfeitamente ter garantido a qualificação mais cedo, que o grupo não era assim tão difícil, etc. Até têm razão. Penso que aquilo que impediu uma qualificação bem menos sofrida foi o facto de termos mudado de Seleccionador, que obriga sempre a um tempo de adaptação, jogadores lesionados, algum azar e alguma ansiedade que levou a problemas na finalização (um marmanjo consegue passar a defesa e ficar à frente da baliza mas, na altura de rematar enerva-se e chuta ao lado). Mas conseguimos ultrapassar isto tudo, graças a Deus. Graças a Deus é como quem diz... graças ao espírito colectivo, à persistência e a alguma sorte.
Quando confrontado com o facto de podermos ter encerrado a qualificação mais cedo, o Ricardo Carvalho afirmou que desta forma soube melhor. Eu até concordo com ele. O apuramento para Mundial 2006 não teve grandes atribulações, foi relativamente "fácil", mas a certa altura comecei a sentir saudades de um jogo mais renhido, mais complicado, de alguma adrenalina. nesta perspectiva, a qualificação para o Europeu 2008 foi melhor. Em relação a esta fase de qualificação, no entanto, acho que houve adrenalina a mais... Mas, sim, fez com que o triunfo tão dificilmente alcançado saiba tão bem...
Além disso, termos de ir a play-off deu-nos mais dois jogos de Selecção oficiais. Como, para mim, quanto mais jogos melhor, isto constitui uma grande vantagem. Agora só voltamos a ter jogos oficiais em Junho do próximo ano. Até ao anúncio dos Convocados, temos de nos contentar com um ou outro particular. Que, a menos que o adversário seja os grandes, tipo Itália ou Brasil, não tem nem metade da emoção de um jogo oficial.


Agora já se conhecem as 32 selecções que, no próximo Verão, vão disputar a Taça do Mundo: nós, África do Sul, Nigéria, Camarões, Nova Zelândia, Japão, Holanda, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Austrália, Estados Unidos, Brasil, Gana, Inglaterra, Paraguai, Espanha, Dinamarca, Costa do Marfim, Chile, Alemanha, Itália, México, Sérvia, Suíça, Argentina, Honduras, Eslováquia, Argélia, França, Eslovénia, Grécia e Uruguai.


A França, como nós teve de ir a play-offs para se qualificar mas, ao contrário de nós, necessitou de uma "mão de Deus" para se qualificar. Enquanto estava a alternar entre a SICNotícias e a RTPN, ouvi que a Irlanda estava a ganhar à França e iam a prolongamento. Na altura, fiquei satisfeita e um pouco esperançosa de que os franceses falhassem o Mundial. Perdoem-me esta falta de fair-play mas ainda não esqueci o jogo do Mundial 2006. E quando soube que eles tinham dado a volta ao texto com um golo, fruto de uma jogada em que Thierry Henry ajeitou a bola com a mão antes de centrar para o marcador, perante a indiferença do árbitro pensei logo que era típico da França. Pelos vistos a FIFA não podia deixar que uma das Selecções mais rentáveis falhasse o Mundial... Eu sei que nós beneficiámos com a alteração do regulamento dos play-offs, que se tivéssemos de defrontar a Grécia ou a própria França estávamos ainda mais tramados, mas nós vencemos o play-off com toda a justiça, não precisámos de "favores" do árbitro para passarmos. Mas não me supreende, de facto. Não falo do penálti que nos expulsou do Mundial (não tenho a certeza se era legal ou não, embora tenha ficado claro, na final, que a França não tinha perfil para estar lá), mas o facto de Zidane ter sido eleito o melhor jogador do Mundial depois da cabeçada ao... tem graça, não me lembro do nome do jogador italiano...


Tudo isto só me dá vontade de voltar a defrontar a França para desforrar isto tudo. Eu sei que esta atitude não vai muito com o espírito desportivo, mas também uma miúda não é de ferro...


Agora que a nossa bandeira já foi hasteada na África do Sul, já se começa a discutir como será a nossa prestação no Mundial. Eu acho que ainda é um bocado cedo para falar nisso. Ainda estou um bocado naquela fase de euforia pós-vitória, em que uma pessoa pensa que "somos os maiores e mais nada!". Depois do sorteio da fase de grupos lá analisarei as nossas hipóteses. Mas é claro que nada nos impede de sonhar. Quem sabe se não será desta?


Quero então agradecer através do blogue a toda a Selecção, desde o Professor ao funcionário que trata das botas dos marmanjos, passando por todos os jogadores que foram Convocados ao longo desta fase de qualificação, por me terem feito a vontade, por terem feito com que o facto de ter sempre acreditado tenha valido a pena. Obrigado Selecção! Estou orgulhosa de vocês! Agradeço também a todos que, tal como eu, nunca deixaram de acreditar, de apoiar. Valeu a pena!


Vai ser tão bom viver de novo um campeonato internacional de Selecções... um Campeonato do Mundo então... Oficialmente dura um mês inteirinho, mas com os Convocados e o Estágio de preparação ainda vão uns dois meses...


Entretanto, agora que nos qualificarmos, tenho uma ideia em mente que, assim que puder, colocarei em prática. Não revelarei o que é, mas assim que a concluir (e ainda é capaz de demorar um pouco...), anunciarei aqui no blogue.


"Quatro, seis, oito, dez, África do Sul agora é a tua vez!"

Bósnia 0 Portugal 1 - "Quatro, sei, oito, dez - África do Sul agora é a tua vez!" - Eu sabia que conseguíamos!

Eu sabia que conseguíamos!


Ontem à noite, dia 18 de Novembro de 2009, Quarta-feira, a Selecção Nacional foi a Zenica, na Bósnia, vencer a respectiva Selecção por uma bola a zero sem resposta, finalmente carimbando desta forma o passaporte para o Campeonato do Mundo de 2010, a realizar na África do Sul. O autor do golo foi Raúl Meireles mas o mérito da vitória é de todo o colectivo, do Seleccionador ao Rui Patrício, que, apesar das dificuldades, de algumas críticas destrutivas, da descrença de muitos, conseguiu ultrapassar tudo isso e ganhar um lugar no Mundial. Como estou orgulhosa deles!


Para além da equipa bósnia, a Selecção tinha mais dois adversários: o relvado em péssimo estado e os adeptos muito pouco amigáveis. E se, noutros resultados menos positivos, o relvado tenha sido invocado como desculpa, perdão, factor que contribuíra para o escasso número de golos, ontem apenas impediu que jogassem um futebol mais bonito. Não foi suficiente para parar os marmanjos, que chegaram mesmo a fazer um jogo melhor do que aquele que fizeram no Inferno da Luz, sobretudo na segunda parte. Em minha casa, estivemos a jantar durante a primeira parte e eu estava tão nervosa que perdi o apetite - a minha mãe julgou que não comia por ter andado a pestiscar antes do jantar, por isso obrigou-me a comer um pouco mais do que queria e perdi a oportunidade para cortar nas calorias... Mas não tinha razão para estar nervosa. Se bem que os portugueses não atacassem muito, defendiam bem quando os bósnios ameaçavam a nossa baliza. Nas poucas vezes em que a bola conseguia passar pelos nossos defesas e ameaçar a nossa baliza, o Eduardo estava lá para a defender.


Na segunda parte, veio o golo de Raul Meireles numa jogada em que também entraram Liedson e Nani. O golo fez-me saltar a mim e ao meu pai saltar do sofá e contribuiu para expulsar de vez os nervos, pois a partir desse momento, se os bósnios quisessem passar tinham de nos marcar três golos. Foi também na ressaca dos golos que os milhares de bósnios se calaram finalmente e os poucos portugueses presentes no estádio se fizeram ouvir. E no resto do jogo, os marmanjos ficaram bem mais soltos e podíamos ter dilatado o resultado. Ainda falhámos umas quantas oportunidades excelentes. Noutras circunstâncias fartar-me-ia de praguejar mas naquela altura, com o jogo praticamente resolvido, limitei-me a alguns refilanços bem-humorados.


O triste episódio ocorrido aos 75 minutos, aproximadamente, é que estragou o jogo. Quando aquele jogador bósnio foi expulso, os adeptos começaram logo a arremessar coisas para o campo. Eu vi logo que alguém ia sair dali magoado e acabou por ser o árbitro assistente. Como o Simão estava mesmo à frente dele, julgo que ele é que era o alvo. Se ele tivesse de facto sido atingido, ia haver confusão ainda maior... Em todo o caso, não deixa de ser um episódio degradante, que só contribui para estragar o futebol. Se tivesse sido ao contrário, morreria de vergonha.


Finalmente, o jogo terminou e com o fim do jogo, a entrada no Mundial ficou definitiva e finalmente selada. Eu queria ver em directo os jogadores a celebrarem o apuramento que custou tanto a carimbar mas a TVI achou por bem escolher uma pausa para publicidade naquele momento. Eu ainda fiquei um bocado à espera que acabasse para ver as flash-interviews, na esperança de que fosse aqueles intervalos de pouco mais de um minuto, só com dois ou três anúncios, mas não foi. Acabei por me fartar, desliguei a televisão e a TVI desceu ainda mais na minha consideração. É por estas e por outras que, no que toca a canais generalistas, sem contar com os telejornais, já quase só vejo a RTP 2.


Mais tarde, estive um bocado a oscilar entre a SICNotícias e a RTPN, como costumo fazer em dias de jogo, para ver a Conferência de Imprensa do Seleccionador e ouvir um ou outro comentário sobre o jogo. Na SIC, estava o Rui Santos e outro senhor de idade avançada cujo nome não memorizei a comentar. Este último, depois de se rever a flash-interview de Carlos Queiroz, citou uma das frases que o Professor disse. Se não me engano, algo tipo "obrigado a todos que acreditaram em nós". O senhor considerou esta frase "infeliz", por estar subjacente uma crítica àqueles que, a certa altura, deixaram de acreditar (o próprio comentador admite que foi uma dessas pessoas), mas eu concordo com o Seleccionador. Com todo o respeito pelo senhor comentador e pela sua opinião, estaria ele à espera que Queiroz viesse agradecer àqueles interesseiros e hipócritas que, nas alturas mais difíceis da qualificação deixaram de apoiar e acreditar mas quando a Selecção encontrou de novo o caminho voltaram de novo a apoiar?!?


Eu fui uma daquelas que nunca deixou de apoiar, de acreditar. Admito que apanhei imensos baldes de água fria, que houve alturas em que me senti uma parva por continuar a acreditar, que estive a "um bocadinho assim" de desistir, que nunca deixei de ter medo que tudo falhasse. E teria sido bem mais fácil ter feito isso. Concordo plenamente com o que o jornalista Carlos Daniel escreveu uma vez no Record, se não me engano na véspera do último jogo frente à Dinamarca: é mais difícil ser-se optimista do que pessismista. Na altura, entusiasmada como andava com o jogo, não compreendi bem porque dizia ele isso, mas no dia seguinte, depois do jogo, percebi perfeitamente.


Mas agora estou feliz. Agora vou poder esfregar esta vitória na cara de todos os que me disseram que já estava tudo perdido. Ah, ah, ah! Engulam esta!


Ainda neste assunto dos críticos, ontem o Ricardo Carvalho surpreendeu-me pela positiva, tanto dentro como fora do campo. Admitiu que a qualificação começou mal, que perdemos pontos desnecessariamente, que "merecemos as críticas e temos de assumi-las", contrariando a fama que a Selecção ganhou nos últimos anos, sobretudo no tempo do Scolari, de não lidar bem com as críticas. Confesso que, neste tópico, o Ricardo é melhor pessoa do que eu, pois eu levo um bocado a mal as críticas à Selecção. Suponho que seja normal, que uma pessoa não goste de ouvir e ler seu clube a ser criticado. Mas também às vezes irrita-me ouvir e ler pessoas a chamarem "incompetente" ao Seleccionador, a porem em causa as suas Escolhas, a sugerirem outros nomes para a Selecção, não tanto os comentadores desportivos, mas aqueles que escrevem para os jornais ou participam nos fóruns de opinião. Os comentadores ainda têm a experiência de vários anos a lidarem com o futebol, mas será que as outras pessoas se julgam mais entendidas na matéria do que Carlos Queiroz que ganha o pão para a boca a observar jogadores portugueses e a Escolhê-los para a Selecção? Também eu às vezes não concordo com algumas opções tomadas pelo Professor, mas eu não percebo assim tanto de futebol para me pôr a questionar os jogadores que Convoca... Eu não estou a criticar as pessoas por terem e exprimirem a sua opinião, critico-as é pela arrogância das suas opiniões.


Também já ouvi e li muito que tudo isto até seria desnecessário, que podíamos perfeitamente ter garantido a qualificação mais cedo, que o grupo não era assim tão difícil, etc. Até têm razão. Penso que aquilo que impediu uma qualificação bem menos sofrida foi o facto de termos mudado de Seleccionador, que obriga sempre a um tempo de adaptação, jogadores lesionados, algum azar e alguma ansiedade que levou a problemas na finalização (um marmanjo consegue passar a defesa e ficar à frente da baliza mas, na altura de rematar enerva-se e chuta ao lado). Mas conseguimos ultrapassar isto tudo, graças a Deus. Graças a Deus é como quem diz... graças ao espírito colectivo, à persistência e a alguma sorte.
Quando confrontado com o facto de podermos ter encerrado a qualificação mais cedo, o Ricardo Carvalho afirmou que desta forma soube melhor. Eu até concordo com ele. O apuramento para Mundial 2006 não teve grandes atribulações, foi relativamente "fácil", mas a certa altura comecei a sentir saudades de um jogo mais renhido, mais complicado, de alguma adrenalina. nesta perspectiva, a qualificação para o Europeu 2008 foi melhor. Em relação a esta fase de qualificação, no entanto, acho que houve adrenalina a mais... Mas, sim, fez com que o triunfo tão dificilmente alcançado saiba tão bem...
Além disso, termos de ir a play-off deu-nos mais dois jogos de Selecção oficiais. Como, para mim, quanto mais jogos melhor, isto constitui uma grande vantagem. Agora só voltamos a ter jogos oficiais em Junho do próximo ano. Até ao anúncio dos Convocados, temos de nos contentar com um ou outro particular. Que, a menos que o adversário seja os grandes, tipo Itália ou Brasil, não tem nem metade da emoção de um jogo oficial.


Agora já se conhecem as 32 selecções que, no próximo Verão, vão disputar a Taça do Mundo: nós, África do Sul, Nigéria, Camarões, Nova Zelândia, Japão, Holanda, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Austrália, Estados Unidos, Brasil, Gana, Inglaterra, Paraguai, Espanha, Dinamarca, Costa do Marfim, Chile, Alemanha, Itália, México, Sérvia, Suíça, Argentina, Honduras, Eslováquia, Argélia, França, Eslovénia, Grécia e Uruguai.


A França, como nós teve de ir a play-offs para se qualificar mas, ao contrário de nós, necessitou de uma "mão de Deus" para se qualificar. Enquanto estava a alternar entre a SICNotícias e a RTPN, ouvi que a Irlanda estava a ganhar à França e iam a prolongamento. Na altura, fiquei satisfeita e um pouco esperançosa de que os franceses falhassem o Mundial. Perdoem-me esta falta de fair-play mas ainda não esqueci o jogo do Mundial 2006. E quando soube que eles tinham dado a volta ao texto com um golo, fruto de uma jogada em que Thierry Henry ajeitou a bola com a mão antes de centrar para o marcador, perante a indiferença do árbitro pensei logo que era típico da França. Pelos vistos a FIFA não podia deixar que uma das Selecções mais rentáveis falhasse o Mundial... Eu sei que nós beneficiámos com a alteração do regulamento dos play-offs, que se tivéssemos de defrontar a Grécia ou a própria França estávamos ainda mais tramados, mas nós vencemos o play-off com toda a justiça, não precisámos de "favores" do árbitro para passarmos. Mas não me supreende, de facto. Não falo do penálti que nos expulsou do Mundial (não tenho a certeza se era legal ou não, embora tenha ficado claro, na final, que a França não tinha perfil para estar lá), mas o facto de Zidane ter sido eleito o melhor jogador do Mundial depois da cabeçada ao... tem graça, não me lembro do nome do jogador italiano...


Tudo isto só me dá vontade de voltar a defrontar a França para desforrar isto tudo. Eu sei que esta atitude não vai muito com o espírito desportivo, mas também uma miúda não é de ferro...


Agora que a nossa bandeira já foi hasteada na África do Sul, já se começa a discutir como será a nossa prestação no Mundial. Eu acho que ainda é um bocado cedo para falar nisso. Ainda estou um bocado naquela fase de euforia pós-vitória, em que uma pessoa pensa que "somos os maiores e mais nada!". Depois do sorteio da fase de grupos lá analisarei as nossas hipóteses. Mas é claro que nada nos impede de sonhar. Quem sabe se não será desta?


Quero então agradecer através do blogue a toda a Selecção, desde o Professor ao funcionário que trata das botas dos marmanjos, passando por todos os jogadores que foram Convocados ao longo desta fase de qualificação, por me terem feito a vontade, por terem feito com que o facto de ter sempre acreditado tenha valido a pena. Obrigado Selecção! Estou orgulhosa de vocês! Agradeço também a todos que, tal como eu, nunca deixaram de acreditar, de apoiar. Valeu a pena!


Vai ser tão bom viver de novo um campeonato internacional de Selecções... um Campeonato do Mundo então... Oficialmente dura um mês inteirinho, mas com os Convocados e o Estágio de preparação ainda vão uns dois meses...


Entretanto, agora que nos qualificarmos, tenho uma ideia em mente que, assim que puder, colocarei em prática. Não revelarei o que é, mas assim que a concluir (e ainda é capaz de demorar um pouco...), anunciarei aqui no blogue.


"Quatro, seis, oito, dez, África do Sul agora é a tua vez!"
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