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domingo, 27 de novembro de 2022

Cometeram-se erros...

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Na passada quinta-feira, dia 24 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol estreou-se no Mundial 2022 com uma vitória sobre a sua congénere ganesa por três bolas contra duas. 


 


Como já tinha dito antes, estive a trabalhar durante o jogo. Tenho de confessar, desta vez custou-me imenso. Já por defeito sinto que, quanto mais velha estou, mais sofro com jogos desta envergadura. Estas circunstâncias não ajudaram. 


 


Imaginem-se trabalhando ao balcão durante o jogo, durante este jogo, com o relato radiofónico ligado num computador do backoffice. Imaginem-se atendendo pessoas enquanto a vossa colega no backoffice vai dando atualizações como: 


 


– Penálti para nós!


– O Ronaldo marcou! 


– Eles empataram.


– O Félix marcou. 


– Então, ainda está 3-1?


– Não, está 3-2.


 


Vocês aguentavam?


 


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Eu consegui funcionar à mesma, mas custou. Sentia as mãos e a voz a tremerem ligeiramente – espero que não tenha sido perceptível. Não acho que fosse sofrer menos se visse o jogo numa televisão, mas ao menos não precisaria de concentrar-me noutras coisas. E claro, mais tarde senti inveja de quem pôde ver o jogo. Sobretudo depois das milhentas reportagens nos noticiários, de adeptos seguindo a partida em vários pontos de Portugal e do mundo. 


 


Por outro lado, fui poupada ao "comentário" de Paulo Futre – que, segundo as internetes, irritou toda a gente. De facto, se era para estar ao microfone sendo um adepto comum, a TVI podia ter-me convidado – eu aceitava metade do que terão pago a Futre. 


 


Dizem que, tirando as lágrimas de Ronaldo aquando do hino, a primeira parte foi entendiante – Portugal controlando o jogo mas arriscando pouco – e a segunda parte foi o completo oposto. Demasiado agitada para um adversário do calibre do Gana, não desfazendo. Ronaldo marcou de penálti, quebrando mais uns quantos recordes. O Gana repôs a igualdade sete minutos depois. Rúben Dias não conseguiu travar Kudus, Danilo não conseguiu segurar a bola quando esta lhe passou pelos pés e André Ayew marcou. 


 


Cinco minutos depois, Bruno Fernandes assistiu de primeira para João Félix, que não perdoou. Félix finalmente a afirmar-se na Seleção, depois destes anos todos. Algumas pessoas continuam a criticá-lo e eu não percebo porquê. Ele marcou, não marcou? Ele esteve na jogada em que o Ronaldo sofreu falta para penálti, não esteve? Andará essa gente a usar as mesmas lentes de Simeone? 


 


Não esquecer Bruno Fernandes, provavelmente o melhor em campo. Ele que também assistiu para o terceiro golo, desta feita assinado por Rafael Leão. Como tem sido amplamente assinalado, o miúdo rematou com um sorriso. Eu recordei-me deste tweet, a propósito de um falhanço caricato no segundo amigável contra o Catar.


 


Finalmente saiu. Na altura certa. 


 


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Com outra equipa que não nós, com isto ficaria feito o resultado. Talvez até se aumentasse para 4-1. Mas éramos nós, nunca seria assim tão fácil, sobretudo em palcos como este. Os ganeses reduziram para 3-2 aos oitenta e oito minutos. João Cancelo deixou Baba fazer o que quis e este assistiu para o remate certeiro de Bukari.


 


Está na altura de falarmos na já infame fífia de Diogo Costa. Não vi em direto, mas todos me garantem que ia provocando um ataque cardíaco coletivo. Pessoalmente, achei e ainda acho hilariante – só o vi depois de o jogo ter terminado, a vitória assegurada. A cara do Ronaldo aquando do lance correu mundo – as câmaras vão sempre para ele, em parte porque Ronaldo, em parte porque ele sente tudo, reflete tudo, é incapaz de disfarçar uma emoção. Ainda assim, acho ainda mais piada a este vídeo – o banco inteiro das Quinas, Fernando Santos incluído, levando as mãos à cabeça como se fosse uma coreografia. 


 


Mesmo assim, o Ronaldo foi o mais engraçado. Juro, ele parece quinze anos mais novo nestas imagens.


 


Aspetos caricatos à parte, não tenho alma para criticar demasiado Diogo Costa. Sobretudo porque não teve consequências – por sorte, Iñaki Williams tropeçou. O Diogo é um miúdo! Só se estreou a titular na Seleção este ano! Não foi o primeiro guarda-redes nem será o último a cometer erros destes. Há quem tenha feito asneiras mais graves com muito mais experiência. Por exemplo, Rui Patrício, que assistiu para o golo do empate de Israel em 2013. 





Aliás, culpo mais Rúben Dias e, sobretudo, João Cancelo e Danilo. Eles são bem mais experientes, jogam em grandes clubes, deviam ter feito mais para impedir os golos ganeses.


 


E uma coisa é certa: o Diogo não torna a fazer uma destas.


 



 


Devo dizer que adorei o momento em que o Diogo foi consolado pelos colegas. Esta é a versão do Ronaldo de que mais gosto. O Capitão reconhecendo que o miúdo podia interiorizar demasiado aquele erro e intervindo de imediato. Aparentemente Ronaldo já tinha pedido ao “Pepinho” para falar com o Diogo. Acho deliciosa a ideia de Pepe e Ronaldo emparceirando como papás do grupo. 


 


Eu sei que isto faz parte de qualquer equipa saudável. Ainda assim, adoro a Seleção por isto.


 


Quanto a este jogo, contente pela vitória, preocupada com estes erros defensivos. Faz-me lembrar o Mundial 2018: jogadores que estavam bem antes do campeonato, mas depois, quando foi a doer, não renderam o mesmo. Não sei se isto foram apenas deslizes ou se é algo sistemático. De qualquer forma, não vai dar para repetir. Erros destes custarão mais caro perante adversários mais difíceis que o Gana – o Uruguai, amanhã, será já um desses. Num Mundial não há segundas oportunidades – e eu quero que Portugal vá longe, se possível até à final. 


 


Apesar de não me esquecer do preço deste Mundial, estou a gostar de acompanhá-lo. Não tenho tido oportunidade de ver muitos jogos, mas é giro ir sabendo dos resultados, falando sobre os jogos com outras pessoas, vendo os resumos e as reportagens. Vou tentar aproveitar esta semana que tenho de férias para ver mais jogos – nem que seja apenas enquanto escrevo. 


 


Volto a deixar o link para doarem para a Amnistia Internacional, que está a ajudar os trabalhadores maltratados na construção deste Mundial. Como sempre, obrigada pela vossa visita. Continuem a acompanhar este Mundial comigo, quer aqui quer na página de Facebook.


 


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terça-feira, 5 de abril de 2022

*suspiro de alívio*

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Na passada terça-feira, dia 29 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere macedónia por duas bolas sem resposta, em jogo a contar para os play-offs de acesso ao Mundial 2022. Com este resultado, a Seleção garantiu presença no Catar, onde disputará a fase de grupos do Mundial com o Gana, o Uruguai e a Coreia do Sul. 


 


Quatro meses e meio depois, volto a respirar normalmente.


 


No texto de hoje não vou falar muito sobre o jogo em si – não se justifica. Chegou a ser um bocadinho seca nalgumas alturas. Menos empolgante que o jogo com a Turquia, mas mais tranquilo, com menos sofrimento – também sabe bem. Como quase toda a gente, queria o fulgor atacante da primeira parte do jogo com a Turquia. 


 


Por outro lado, também me recordava que os italianos, nas meias-finais, tinham rematado mais de trinta vezes, sem conseguir marcar. De nada servia estarmos ali a atacar ao desbarato, se não fôssemos capazes de converter. 


 


Ao mesmo tempo, Portugal defendeu melhor. Pepe, regressado após ter apanhado Covid, foi fantástico. Por seu lado, Danilo surpreendeu pela positiva como central. Tão cedo não torno a criticá-lo.


 



 


O primeiro golo foi marcado mais ou menos à meia hora de jogo. Bruno Fernandes intercetou um passe de Ristovski, passou a Cristiano Ronaldo. Este galgou em direção à grande área e, à entrada, devolveu a Bruno Fernandes (fazendo uma cueca a Musliu) e este assinou o primeiro golo. 


 


Muitos se calhar esperavam que Ronaldo tentasse marcar ele mesmo – provavelmente falharia, estavam dois macedónios em cima dele. Mas Ronaldo foi inteligente e altruísta. Ted Lasso ficaria orgulhoso (vi ambas as temporadas há pouco tempo e ando um tudo nada obcecada). 


 


O segundo golo veio na segunda parte. Desta vez foi Diogo Jota a assistir de uma grande distância – impressionante. Bruno Fernando finalizou com apenas um toque.


 


Pois bem, ainda não foi desta que a minha irmãzinha conheceu o sabor amargo de uma Qualificação falhada. Nem eu, na verdade: já era nascida aquando do Apuramento para o Mundial 98, mas aos sete anos ainda não ligava ao futebol. 


 


Mas lembro-me vagamente da final desse Mundial, entre a França de Zidane e o Brasil de Ronaldo o Fenómeno).


 


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Apesar das minhas objeções a Fernando Santos, ia ser muito triste se este deixasse a Seleção desta forma: falhando um Apuramento pela primeira vez em mais de vinte e quatro anos, ele que nos conquistou os nossos dois primeiros títulos. 


 


As coisas ainda não estão ótimas, mas gostei de ver a Seleção nestes play-offs. Houveram melhorias em relação ao final de 2021: mais união, mais espírito de equipa, em comunhão com o ambiente fantástico no Estádio do Dragão. 


 


Não vou mentir, continuo zangada por não termos conseguido o Apuramento perante a Sérvia – eu estava lá e não teria de passar os meses seguintes a sofrer com a incerteza. Mas, de uma maneira retorcida, talvez tenha sido esse falhanço a unir os Marmanjos em torno deste desafio. Por um lado é inspirador, por outro não devia ser necessário.


 


Mesmo não tendo marcado, gostei de ver Ronaldo nesta jornada. Sobretudo quando veio a público elogiar Pepe, João Cancelo, dizendo que a Seleção é uma família, pedindo o hino à capela. À Capitão.


 


Só falta ele fazer o mesmo quando há derrotas.


 


Agora que estamos Apurados, posso finalmente comentar o estranho calendário de seleções este ano. Para alguém que segue o futebol de seleções há muitos anos, estas mudanças são excitantes. Um Mundial no início do inverno em vez de no início do verão! Um Mundial perto do Natal! Espero que a Federação lance uma linha de enfeites natalícios alusivos à Seleção e ao Mundial. Não deverá ser difícil. O verde e o vermelho – e o dourado – também são cores natalícias.


 



 


Mas é possível que nem todos achem assim tanta piada. Não sei como é que as alterações no calendário irão afetar a gestão física dos jogadores. Para a qualidade futebolística no Mundial será melhor: os jogadores virão apenas com meia época nas pernas em vez de uma inteira, como costuma acontecer. Mas parece que só terão cerca de uma semana para preparar o Mundial – não acho suficiente, nem de longe nem de perto.


 


Além disso, terão os jogadores tempo de férias depois do Mundial? Eu espero que sim, mas infelizmente tenho as minhas dúvidas.


 


Por outro lado, tenho precisado de recordar a mim mesma que este ano não haverá Europeu nem Mundial em junho – o meu subconsciente ainda não está muito convencido. Ao menos teremos quatro jogos da fase de grupos da Liga das Nações. Hei de tentar ir a um deles.


 


Entretanto, já se realizou o sorteio da fase de grupos do Mundial. Portugal ficou no grupo H, juntamente com o Gana, o Uruguai e a Coreia do Sul. Um grupo interessante.


 


Vou começar pelo fim. Já tinha pensado na possibilidade de nos cruzarmos com a Coreia do Sul – orientada por Paulo Bento deste 2018, o nosso Selecionador entre 2010 e 2014, antes de Fernando Santos. Cheguei a publicá-lo na página do Facebook. Assim, quando os coreanos vieram parar ao nosso grupo, eu ri-me.


 


Eu diria que só não acerto no Euromilhões mas, para ser justa, há umas semanas ganhei quase nove euros, por isso…


 


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Ao contrário do que acontece com o seu antecedente (que por acaso falhou o Apuramento para este Mundial), não guardo ressentimentos de Paulo Bento. Ele deu o seu melhor e estar-lhe-ei sempre grata – por feitos como a recuperação no Apuramento para o Euro 2012, depois daquele início desastroso, e o próprio Euro 2012 – não acredito que já lá vão quase dez anos.


 


E ainda acredito menos no que está a acontecer a um dos seus anfitriões neste momento.


 


No que toca à Coreia do Sul em si, o nosso histórico com eles reduz-se ao infame jogo do Mundial 2002 – há quase vinte anos. Uma derrota por 1-0 que ditou a nossa expulsão do Mundial e que, pior de tudo, incluiu João Pinto dando um murro ao árbitro. Vinte anos depois ainda sinto vergonha. Sem dúvida um dos momentos mais baixos da Seleção Portuguesa.


 


O Mundial 2002 foi o primeiro campeonato de Seleções que acompanhei ativamente, ainda que não com a paixão de anos mais tarde. Eu estava no sétimo ano. Se a memória não me falha, este jogo decorreu cerca da uma da tarde. Penso que terei visto a primeira parte em casa? Não me lembro bem. Mas lembro-me que às duas da tarde, durante a segunda parte, já estava nas aulas. Alguns colegas meus ficaram no bar da escola a ver o jogo. A certa altura, um deles entrou na sala, dizendo:


 


– O Beto também foi expulso.


 


Pouco depois, outro colega meu entrou na sala, dizendo:


 


– A Coreia do Sul marcou.


 



 


A Seleção Portuguesa passou por muito desde então. Eu que o diga. Mas provavelmente, quando os sul-coreanos pensam em nós, recordam-se deste jogo. O que é triste.


 


Cabe a nós deixarmos uma impressão bem melhor.


 


Diz que Paulo Bento é o Selecionador mais bem sucedido na Coreia do Sul, com o maior número de vitórias num só “mandato”. Por um lado fico satisfeita por as coisas lhe estarem a correr bem. Por outro, se a Coreia do Sul está a atravessar uma boa fase com um técnico que nos conhece bem… não é bom sinal para nós.


 


O nosso segundo jogo será perante o Uruguai. Um aspeto curioso é o facto de o Uruguai ter servido de carrasco a todos os seus companheiros de grupo em Mundiais anteriores. Expulsaram-nos do Mundial 2018, como se devem recordar. No Mundial 2010, derrotaram a Coreia do Sul nos oitavos-de-final. Depois desse jogo, encontraram o Gana nos quartos-de-final e… foi caricato.


 


Estou surpreendida por só estar a descobrir esta história agora. O infame Luis Suárez defendeu um golo com a mão, em cima da linha de baliza. O árbitro – o português Olegário Benquerença (que é feito dele?) – naturalmente, expulsou-o e marcou penálti a favor do Gana. Os ganeses, infelizmente, não conseguiram converter – o safadinho do Suárez chegou a ser filmado a festejar o falhanço antes de entrar no túnel. No fim, o Uruguai seguiu em frente após desempate nos penáltis.


 


É uma das histórias de futebol mais loucas que conheço – e uma zona cinzenta futebolística. Tecnicamente Suárez foi castigado pela gracinha – não é culpa dele que o Gana não tenha aproveitado o penálti de compensação. Na prática, o lance decidiu a partida, pelo menos em parte, e a recompensa foi maior que o castigo.


 



 


Vai ser engraçado quando uruguaios e ganeses se encontrarem de novo.


 


Eu diria que o Uruguai será o nosso adversário mais difícil, sobretudo pelos seus nomes sonantes. Alguns bem conhecidos dos adeptos portugueses: Coates e Ugarte, que representam o Sporting; Darwin, que representa o Benfica; Cavani, protagonista de uma novela qualquer no verão de 2020. E, claro, Suárez – colega de João Félix no Atlético de Madrid. Uma vez mais, o nosso historial é reduzido e pouco esclarecedor: uma vitória, um empate e uma derrota.


 


Finalmente, temos o Gana. O nosso histórico resume-se à nossa única vitória no Mundial 2014. Depois disso, os ganeses falharam o Mundial 2018 e, agora, Apuraram-se via play-offs frente à Nigéria. Foi na segunda mão que ocorreu o triste episódio da invasão de campo. Dizem que, de todas as seleções africanas neste Mundial, o Gana é a pior em termos de ranking da FIFA. O que vale o que vale. 


 


Em suma, é um grupo relativamente equilibrado. Já estivemos em grupos piores. Um dos aspetos que me preocupa é o nosso histórico reduzidíssimo com todas estas equipas – algo que dificilmente aconteceria com outras seleções europeias. Serão adversários que conhecemos mal, o que torna tudo mais imprevisível.


 


É engraçada a maneira como cada um destes adversários representa um momento infeliz do nosso passado. O Gana recorda-nos o desastroso Mundial 2014. A Coreia do Sul é treinada pelo ex-Selecionador que nos orientou nesse Mundial e recorda-nos, também, o igualmente desastroso Mundial 2002. O Uruguai recorda-nos o, não desastroso mas desapontante, Mundial 2018.


 


Os fantasmas de Mundiais passados. 


 


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Talvez esta seja uma oportunidade para corrigirmos esses erros. Tal como os play-offs já serviram para corrigir o fraco desempenho no Apuramento no ano passado. Talvez 2022 seja o ano da redenção.


 


É claro que isto sou eu sendo idealista e romantizando a coisa. Na prática esperam-nos muitas dificuldades. Já há quem fale em vencermos o Mundial. Não surpreende – é típico do portuga ir do oito ao oitenta do dia para a noite. Tal como aconteceu em 2018, eu acho que é preciso ter calma. O desempenho nos play-offs não apaga o que aconteceu no grupo de Apuramento e no Euro 2020. Além de que historicamente os Mundiais correm-nos pior que os Europeus.


 


Por outro lado, o Mundial só decorrerá no final deste ano. Ainda há de passar muita água até essa altura – incluindo a fase de grupos da terceira Liga das Nações. O Pepe, por exemplo, ainda nem sequer sabe se conseguirá jogar no Mundial – um bocadinho triste, mas ele faz bem em ser realista. Tendo tudo isto em conta, reservo os meus prognósticos para essa altura. 


 


É engraçado mas, agora que as coisas correram bem nos play-offs, já estou com saudades da Seleção, ainda que a jornada só tenha terminado há uma semana. Regressei ao meu modo normal. Felizmente só teremos de esperar pouco menos de dois meses até a Equipa de Todos Nós se reunir de novo. Há de passar num instante.


 


Podem ajudar-me a suportar a espera na página de Facebook deste blogue. Por outro lado, criei há pouco tempo uma conta no Ko-fi – podem pagar-me um café lá, se vos apetecer. Como sempre, obrigada pela vossa visita. Até à próxima!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Portugal 2 Gana 1 - Canto do cisne


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No passado dia 26 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou a sua congénere ganesa no Estádio Nacional, em Brasília, em jogo a contar para a fase de grupos do Campeonato do Mundo da modalidade. A Seleção Nacional venceu por duas bolas contra uma, mas foi eliminada da competição por ter uma maior diferença de golos em relação ao Estados Unidos.



 

Antes de mais nada, quero pedir desculpas pelo atraso exagerado desta crónica. Têm sido uns dias complicados, tem-me faltado tempo e, também, um bocadinho de paciência. Se Portugal tivesse continuado no Brasil, eu faria um esforço por publicar esta crónica antes do jogo dos oitavos-de-final. Mas assim...

 

Mais uma vez, a primeira parte do jogo coincidiu com o meu trabalho, mais uma vez recorri ao relato da rádio para acompanhá-la. Apesar daquilo que tinha escrito na crónica anterior, apesar de saber que o nosso destino estava praticamente selado, não deixei de me entusiasmar e enervar, como se ainda estivesse tudo completamente em aberto. Está mais do que visto que eu não aprendo, que esta minha doença não se controla assim tão facilmente. Ou isso, ou o Alexandre Afonso e o Nuno Matos são excelentes no que fazem. Eu prefiro pensar que é a primeira hipótese - embora a segunda não seja menos verdadeira - e que isso nunca mudará, em circunstância alguma. A receção do sinal de rádio não era a melhor, devia ter a sua piada se alguém me visse deslocando-me para certos pontos de modo a evitar as interferências da estática. Fui percebendo que Portugal entrara com... bem, com ganas, tendo Cristiano Ronaldo atirado à barra logo aos seis minutos e à figura do guarda-redes ganês aos dezanove.

 



O momento do primeiro golo coincidiu com uma altura em que o relato se misturava com a estática. Percebi que era golo e, como estava sozinha, festejei-o silenciosa mas exuberantemente em termos gestuais. Não percebi quem marcara, contudo. Na esperança de que os meus colegas estivessem a acompanhar o jogo através daqueles sites, e como já se ouviam buzinas ao longe, corri para eles a perguntar, com um bocadinho de ansiedade a mais, quem marcara. Mais tarde, fartaram-se de se meter comigo por causa desta atitude.

E tinha eu esperanças de manter esta minha doença mais ou menos controlada no local de trabalho. Não tenho mesmo emenda...

Eventualmente, descobri que havia sido auto-golo. E os meus colegas até foram simpáticos em dizer-mo quando descobriram, dou-lhes crédito por isso. Em todo o caso, ao intervalo, saí. Desta feita, não me apeteceu ir para a esplanada onde vira o jogo com a Alemanha. Em vez disso, fui para um café onde já me conheciam bem e até me viram no A Tarde É Sua de há dois anos. Logo, sabiam que sou uma grande adepta da Seleção, com o meu blogue e a minha página, conforme outros clientes vendo o jogo ficaram a saber. Outro gesto simpático, mas fiz-lhes ver que, nesta altura, ter tal estatuto é ingrato.



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Fui vendo Portugal dominando os ganeses, mas já com a fraca forma física a dar de si. Quando surgiu o golo do Gana (por sinal, pouco após sabermos que a Alemanha marcara), tive um dejá-vu do jogo com os Estados Unidos: mais uma vez, Portugal mostrava-se incapaz de segurar a vantagem.

Felizmente, os portugueses estavam a jogar melhor que nos encontros anteriores. Ou isso, ou pura e simplesmente os ganeses não tinham capacidade para nos criarem assim tantos problemas. Depois de sair Éder (que, segundo os que viram o jogo desde início, incluindo a minha irmã, apenas estava a servir de empecilho), e de entrar Varela e Vieirinha, Portugal passou o resto do jogo em constante ataque, destacando-se o inevitável Cristiano Ronaldo. Após o encontro, muitos contaram os remates falhados e vieram choramingar que "afinal, era possível" golear o Gana, como era requerido para passarmos a fase de grupos. Eu, no entanto, há muito que sei que a Seleção precisa de vinte remates para marcar um golo, por isso não vou nessa conversa.

Cristiano Ronaldo lá conseguiu acertar na baliza, alcançando a proeza de marcar em todas as fases finais em que participou - seis no total. A única coisa de que se pode orgulhar, coitado, num Mundial onde ele se destacou mais pela tendinose rotuliana e pelos cortes de cabelo.



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Por fim, o encontro terminou, sentenciando a eliminação de ambas as equipas em jogo do Campeonato do Mundio, bem como a passagem da Alemanha e dos Estados Unidos aos oitavos-de-final. Durante o jogo, enquanto o marcador estava empatado, quase desejei, à semelhança de outros senhores do café, que o Gana nos derrotasse, só para poderem passar em vez dos Estados Unidos. A última coisa que desejava neste Mundial, para além de uma eliminação prematura como esta, era sermos ultrapassados pela seleção de um país que, não apenas não ama o futebol como o resto do Mundo, como também tem pessoas que o consideram anti-americano e mesmo um veículo do comunismo. No entanto, sabe-se agora que a comitiva ganesa tinha ainda mais problemas do que a nossa, eles não tinham condições para ir muito longe. E os americanos parecem, de facto, estarem a converter-se ao futebol depois desta participação no Mundial, ao ponto de sugerirem Tim Howard, o guarda-redes que parou dezasseis remates só no jogo com a Bélgica, para Secretário da Defesa.

De qualquer forma, como já não tinha grande fé no Apuramento, fiquei satisfeita por, pelo menos, termos ganho. Este jogo foi, de certa forma, o nosso canto do cisne neste Mundial, permitiu-nos sair do Brasil com alguma dignidade.

Seguiu-se a tarefa ingrata e desagradável - que ainda não terminou - de diagnosticar este fraco desempenho da Equipa de Todos Nós, de encontrar culpados. Por muito que me custe, tenho de dizer que foram cometidos vários erros ao longo deste percurso, começando pelo número ridículo de lesões. Já aquando da Convocatória se comentava a duvidosa forma física dos Escolhidos, devíamos ter calculado que daria nisto. Eu na altura achei que haveria tempo para os jogadores recuperarem, mas enganei-me redondamente. Não nego que o departamento médico possa ter culpas no cartório, mas cheguei a ler uma notícia que alegava que os jogadores, compreensivelmente ansiosos por jogarem num Mundial, teriam mentido sobre a sua condição física. Não sei se é verdade, mas parece-me plausível. Pode-se questionar a Convocatória, mas eu acho que bastaria aos nossos jogadores estarem em melhores condições para tudo ter sido diferente.



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Por outro lado, à semelhança de muita gente, julgo que foi no jogo com a Alemanha que as coisas descarrilaram sem reparação possível. Todos garantem (eu não vi) que Portugal até entrou bem nesse jogo até o penálti, provocado por João Pereira, e a expulsão de Pepe terem deitado por terra o controlo emocional da equipa. Se tivéssemos conservado o sangue-frio, talvez tivéssemos perdido por menos e conseguido, posteriormente, o Apuramento pela diferença de golos, no mínimo. Mesmo assim, continuo convencida que não teríamos pernas para ir muito mais longe.

Pelo meio, Cristiano Ronaldo teve tempo para atirar mais achas para a fogueira. Não posso dizer, infelizmente, que esteja surpreendida - há muito que sei que ele só é o Capitão quando a Seleção está na mó de cima. No entanto, as declarações dele após o jogo contra os Estdos Unidos têm sido retiradas do contexto: tanto quanto percebi (mas posso estar enganada), quando ele disse que não tínhamos grande equipa, referia-se à condição física da maioria dos jogadores, ele mesmo incluído. Além disso, não sejamos hipócritas: infinitos comentadores têm acusado a equipa portuguesa de ser mediana ao longo das últimas semanas, para não dizer meses ou anos, ninguém se importa. O Capitão da equipa diz o mesmo e toda a gente se atira ao ar? É claro que um comentador é um comentador, um Capitão é um Capitão, mas mesmo assim. O que eu não compreendo é, realmente, o otimismo de Ronaldo antes do jogo com a Alemanha. Nem eu nem ninguém...

O que eu sei é que, ainda que, como toda a gente diz, Portugal não seja uma Seleção de topo, nós tínhamos condições para mais do que isto, conforme já dei a entender acima. Um pouco por superstição, não faço prognósticos específicos antes das fases finais. Agora que o Mundial já acabou para nós, posso dizer que calculava que chegássemos aos quartos-de-final. E acho que teria sido possível, quer com este vinte e três, em boa forma, quer com um grupo algo diferente. Além disso, temos jogadores que até estavam bem fisicamente e mereciam ter ficado mais tempo no Mundial; é o caso, por exemplo, de Nani e William Carvalho.




O pior de tudo é que este está a ser um belo Mundial, bem disputado, cheio de emoções. Se por um lado não estávamos de todo ao nível dele, por outro lado, se estivéssemos melhor preparados, poderíamos estar a fazer parte disto, ou pelo menos ter saído dele de forma mais digna, como saíram seleções como a Grécia e a Costa Rica, merecedora do respeito de toda a gente. Irrita-me que tenhamos desperdiçado mais esta oportunidade. E, claro, poderíamos ter aumentado o índice de felicidade e auto-estima nacional, da maneira tão frequentemente por mim descrita cá no blogue, ainda que durante escassas semanas. Poderíamos ter tido mais golos, mais vitórias, daquelas que se festejam nas ruas, que alegram todo o País, poderíamos ter vídeos de bastidores mostrando os jogadores a cantar e a festejar, ter tido o Mundo com os olhos postos na Seleção pelos melhores motivos.

Outra das questões muito debatidas no rescaldo da nossa participação no Mundial diz respeito à necessidade de renovação da Seleção, bem como à continuidade de Paulo Bento. Começando pelo segundo tema, não tenho uma opinião formada sobre ele, já que já estive a favor e contra a continuidade do atual Selecionador. Agora já não importa, pois o contrato está há muito assinado e, aparentemente, nenhuma das partes está interessada em rescindir (em princípio o caso Queiroz não se repetirá, como eu cheguei a temer). Apesar de o Selecionador ter uma fatia significativa da responsabilidade pelo que aconteceu, eu não tenho memória curta, como parece ter o resto do País. Não acho que tudo esteja mal na Seleção "só" por causa deste Mundial e, sobretudo, não me esqueço (e nunca me esquecerei) da maneira como Paulo Bento recuperou a Equipa de Todos Nós após a trapalhada com o Selecionador anterior, nem do Euro 2012 - cuja participação portuguesa continuo a não considerar um acaso, uma anomalia, ao contrário do que toda a gente parece acreditar.

Por outro lado, uma das lições que retiro deste Mundial é que um bom passado não garante um bom presente ou um bom futuro. O que nos leva à renovação da Equipa das Quinas. Não nego que a linha pode ter acabado para certos Marmanjos, como (sniff, sniff) Hélder Postiga, mas também já falei aqui de jogadores que mereciam mais oportunidades na Seleção. Um dos receios que tenho relativamente à continuidade de Paulo Bento é que ele insista em Convocar os mesmos de sempre, que ele não tenha "aprendido" com este Mundial. Mas o futuro a Deus pertence.




O que eu acho que a Seleção precisa, tanto como a tão debatida renovação, é de recomeçar do zero, dentro do possível. Embarcar na Qualificação para o Euro 2016 sem grandes expectativas senão Apurarmo-nos - seja de que maneira for - encarando um jogo de cada vez. Gostava de poder dizer que acredito numa Qualificação tranquila mas não acredito. Acho que nos espera (mais) um Apuramento atribulado e tenciono tentar mentalizar-me o melhor que puder em relação a isso, para evitar apanhar tantos baldes de água fria.

Quanto a este Mundial, só quero atirá-lo para trás das costas o mais depressa possível. Foi uma participação para esquecer. Ficaram a faltar as coisas que descrevi acima, por que ansiava. Tornámos a perder uma oportunidade de realizar o sonho. Não era uma oportunidade tão boa como outras, mas duvido que as próximas sejam melhores. Já me interrogo, até, se isto é uma maldição qualquer, se só poderemos fazer um bom Mundial de quarenta em quarenta anos.

Por outro lado, admito que, ainda que o Mundial tenha estado abaixo das minhas expectativas, talvez daqui a umas semanas ou meses, quando já tiver digerido o que aconteceu, venha a ter saudades das pequenas coisas boas: chegar a casa após o trabalho e atualizar a página, as fotografias dos treinos, do bullying entre jogadores, os fins de tarde passados nas esplanadas, consultando os jornais desportivos, rascunhando as crónicas do blogue, mesmo passando-as a computador. E quando começar a sentir saudades de tudo isso, ainda faltarão quase dois anos para voltarmos a ter um campeonato de seleções.




Há coisas que, no entanto, não mudam: apesar de tudo o que aconteceu, eu continuo ao lado da Equipa de Todos Nós, a apoiá-los, a ajudá-los à minha maneira, a adorar praticamente todos os que vestem a Camisola das Quinas. Acompanho vários deles há muitos anos, tenho crescido com eles, exulto e orgulho-me dos seus triunfos, irrito-me com os seus disparates, sofro com as suas tristezas. De certa forma, são uma espécie de família para mim, são os meus heróis, são o meu clube. Conforme já disse anteriormente, uma pessoa não vira as costas ao seu clube.

Além do mais, sei que mais cedo ou mais tarde a Seleção recuperará, levantar-se-á, voltará a dar alegrias. Mesmo que sejam pequenas: uma vitória num particular insignificante ou num jogo de Qualificação com um adversário "acessível". É apenas uma questão de paciência e perseverança.

Quero aqui deixar os meus agradecimentos às pessoas que acompanharam o meu blogue e respetiva página do Facebook ao longo da participação do Mundial, que continuam a fazê-lo mesmo depois de esta participação ter terminado. Ao longo das próximas semanas, até surgirem novas notícias sobre a Seleção, naturalmente o blogue estará em stand-by e a página com atividade reduzida. No entanto, conforme tenho vindo a dizer ultimamente, enquanto tal estiver dentro das minhas possibilidades, não desistirei nem do blogue nem da página. E mesmo que desista deles, da Seleção em si nunca desistirei. O capítulo do Mundial 2014 está encerrado, pelo menos para Portugal. Agora venha o próximo.

Portugal 2 Gana 1 - Canto do cisne


olhando para o céu.jpg


No passado dia 26 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou a sua congénere ganesa no Estádio Nacional, em Brasília, em jogo a contar para a fase de grupos do Campeonato do Mundo da modalidade. A Seleção Nacional venceu por duas bolas contra uma, mas foi eliminada da competição por ter uma maior diferença de golos em relação ao Estados Unidos.



 

Antes de mais nada, quero pedir desculpas pelo atraso exagerado desta crónica. Têm sido uns dias complicados, tem-me faltado tempo e, também, um bocadinho de paciência. Se Portugal tivesse continuado no Brasil, eu faria um esforço por publicar esta crónica antes do jogo dos oitavos-de-final. Mas assim...

 

Mais uma vez, a primeira parte do jogo coincidiu com o meu trabalho, mais uma vez recorri ao relato da rádio para acompanhá-la. Apesar daquilo que tinha escrito na crónica anterior, apesar de saber que o nosso destino estava praticamente selado, não deixei de me entusiasmar e enervar, como se ainda estivesse tudo completamente em aberto. Está mais do que visto que eu não aprendo, que esta minha doença não se controla assim tão facilmente. Ou isso, ou o Alexandre Afonso e o Nuno Matos são excelentes no que fazem. Eu prefiro pensar que é a primeira hipótese - embora a segunda não seja menos verdadeira - e que isso nunca mudará, em circunstância alguma. A receção do sinal de rádio não era a melhor, devia ter a sua piada se alguém me visse deslocando-me para certos pontos de modo a evitar as interferências da estática. Fui percebendo que Portugal entrara com... bem, com ganas, tendo Cristiano Ronaldo atirado à barra logo aos seis minutos e à figura do guarda-redes ganês aos dezanove.

 



O momento do primeiro golo coincidiu com uma altura em que o relato se misturava com a estática. Percebi que era golo e, como estava sozinha, festejei-o silenciosa mas exuberantemente em termos gestuais. Não percebi quem marcara, contudo. Na esperança de que os meus colegas estivessem a acompanhar o jogo através daqueles sites, e como já se ouviam buzinas ao longe, corri para eles a perguntar, com um bocadinho de ansiedade a mais, quem marcara. Mais tarde, fartaram-se de se meter comigo por causa desta atitude.

E tinha eu esperanças de manter esta minha doença mais ou menos controlada no local de trabalho. Não tenho mesmo emenda...

Eventualmente, descobri que havia sido auto-golo. E os meus colegas até foram simpáticos em dizer-mo quando descobriram, dou-lhes crédito por isso. Em todo o caso, ao intervalo, saí. Desta feita, não me apeteceu ir para a esplanada onde vira o jogo com a Alemanha. Em vez disso, fui para um café onde já me conheciam bem e até me viram no A Tarde É Sua de há dois anos. Logo, sabiam que sou uma grande adepta da Seleção, com o meu blogue e a minha página, conforme outros clientes vendo o jogo ficaram a saber. Outro gesto simpático, mas fiz-lhes ver que, nesta altura, ter tal estatuto é ingrato.



golo do gana.jpg


 



Fui vendo Portugal dominando os ganeses, mas já com a fraca forma física a dar de si. Quando surgiu o golo do Gana (por sinal, pouco após sabermos que a Alemanha marcara), tive um dejá-vu do jogo com os Estados Unidos: mais uma vez, Portugal mostrava-se incapaz de segurar a vantagem.

Felizmente, os portugueses estavam a jogar melhor que nos encontros anteriores. Ou isso, ou pura e simplesmente os ganeses não tinham capacidade para nos criarem assim tantos problemas. Depois de sair Éder (que, segundo os que viram o jogo desde início, incluindo a minha irmã, apenas estava a servir de empecilho), e de entrar Varela e Vieirinha, Portugal passou o resto do jogo em constante ataque, destacando-se o inevitável Cristiano Ronaldo. Após o encontro, muitos contaram os remates falhados e vieram choramingar que "afinal, era possível" golear o Gana, como era requerido para passarmos a fase de grupos. Eu, no entanto, há muito que sei que a Seleção precisa de vinte remates para marcar um golo, por isso não vou nessa conversa.

Cristiano Ronaldo lá conseguiu acertar na baliza, alcançando a proeza de marcar em todas as fases finais em que participou - seis no total. A única coisa de que se pode orgulhar, coitado, num Mundial onde ele se destacou mais pela tendinose rotuliana e pelos cortes de cabelo.



varela protege-se.jpg


 



Por fim, o encontro terminou, sentenciando a eliminação de ambas as equipas em jogo do Campeonato do Mundio, bem como a passagem da Alemanha e dos Estados Unidos aos oitavos-de-final. Durante o jogo, enquanto o marcador estava empatado, quase desejei, à semelhança de outros senhores do café, que o Gana nos derrotasse, só para poderem passar em vez dos Estados Unidos. A última coisa que desejava neste Mundial, para além de uma eliminação prematura como esta, era sermos ultrapassados pela seleção de um país que, não apenas não ama o futebol como o resto do Mundo, como também tem pessoas que o consideram anti-americano e mesmo um veículo do comunismo. No entanto, sabe-se agora que a comitiva ganesa tinha ainda mais problemas do que a nossa, eles não tinham condições para ir muito longe. E os americanos parecem, de facto, estarem a converter-se ao futebol depois desta participação no Mundial, ao ponto de sugerirem Tim Howard, o guarda-redes que parou dezasseis remates só no jogo com a Bélgica, para Secretário da Defesa.

De qualquer forma, como já não tinha grande fé no Apuramento, fiquei satisfeita por, pelo menos, termos ganho. Este jogo foi, de certa forma, o nosso canto do cisne neste Mundial, permitiu-nos sair do Brasil com alguma dignidade.

Seguiu-se a tarefa ingrata e desagradável - que ainda não terminou - de diagnosticar este fraco desempenho da Equipa de Todos Nós, de encontrar culpados. Por muito que me custe, tenho de dizer que foram cometidos vários erros ao longo deste percurso, começando pelo número ridículo de lesões. Já aquando da Convocatória se comentava a duvidosa forma física dos Escolhidos, devíamos ter calculado que daria nisto. Eu na altura achei que haveria tempo para os jogadores recuperarem, mas enganei-me redondamente. Não nego que o departamento médico possa ter culpas no cartório, mas cheguei a ler uma notícia que alegava que os jogadores, compreensivelmente ansiosos por jogarem num Mundial, teriam mentido sobre a sua condição física. Não sei se é verdade, mas parece-me plausível. Pode-se questionar a Convocatória, mas eu acho que bastaria aos nossos jogadores estarem em melhores condições para tudo ter sido diferente.



desilusão.jpg


 



Por outro lado, à semelhança de muita gente, julgo que foi no jogo com a Alemanha que as coisas descarrilaram sem reparação possível. Todos garantem (eu não vi) que Portugal até entrou bem nesse jogo até o penálti, provocado por João Pereira, e a expulsão de Pepe terem deitado por terra o controlo emocional da equipa. Se tivéssemos conservado o sangue-frio, talvez tivéssemos perdido por menos e conseguido, posteriormente, o Apuramento pela diferença de golos, no mínimo. Mesmo assim, continuo convencida que não teríamos pernas para ir muito mais longe.

Pelo meio, Cristiano Ronaldo teve tempo para atirar mais achas para a fogueira. Não posso dizer, infelizmente, que esteja surpreendida - há muito que sei que ele só é o Capitão quando a Seleção está na mó de cima. No entanto, as declarações dele após o jogo contra os Estdos Unidos têm sido retiradas do contexto: tanto quanto percebi (mas posso estar enganada), quando ele disse que não tínhamos grande equipa, referia-se à condição física da maioria dos jogadores, ele mesmo incluído. Além disso, não sejamos hipócritas: infinitos comentadores têm acusado a equipa portuguesa de ser mediana ao longo das últimas semanas, para não dizer meses ou anos, ninguém se importa. O Capitão da equipa diz o mesmo e toda a gente se atira ao ar? É claro que um comentador é um comentador, um Capitão é um Capitão, mas mesmo assim. O que eu não compreendo é, realmente, o otimismo de Ronaldo antes do jogo com a Alemanha. Nem eu nem ninguém...

O que eu sei é que, ainda que, como toda a gente diz, Portugal não seja uma Seleção de topo, nós tínhamos condições para mais do que isto, conforme já dei a entender acima. Um pouco por superstição, não faço prognósticos específicos antes das fases finais. Agora que o Mundial já acabou para nós, posso dizer que calculava que chegássemos aos quartos-de-final. E acho que teria sido possível, quer com este vinte e três, em boa forma, quer com um grupo algo diferente. Além disso, temos jogadores que até estavam bem fisicamente e mereciam ter ficado mais tempo no Mundial; é o caso, por exemplo, de Nani e William Carvalho.




O pior de tudo é que este está a ser um belo Mundial, bem disputado, cheio de emoções. Se por um lado não estávamos de todo ao nível dele, por outro lado, se estivéssemos melhor preparados, poderíamos estar a fazer parte disto, ou pelo menos ter saído dele de forma mais digna, como saíram seleções como a Grécia e a Costa Rica, merecedora do respeito de toda a gente. Irrita-me que tenhamos desperdiçado mais esta oportunidade. E, claro, poderíamos ter aumentado o índice de felicidade e auto-estima nacional, da maneira tão frequentemente por mim descrita cá no blogue, ainda que durante escassas semanas. Poderíamos ter tido mais golos, mais vitórias, daquelas que se festejam nas ruas, que alegram todo o País, poderíamos ter vídeos de bastidores mostrando os jogadores a cantar e a festejar, ter tido o Mundo com os olhos postos na Seleção pelos melhores motivos.

Outra das questões muito debatidas no rescaldo da nossa participação no Mundial diz respeito à necessidade de renovação da Seleção, bem como à continuidade de Paulo Bento. Começando pelo segundo tema, não tenho uma opinião formada sobre ele, já que já estive a favor e contra a continuidade do atual Selecionador. Agora já não importa, pois o contrato está há muito assinado e, aparentemente, nenhuma das partes está interessada em rescindir (em princípio o caso Queiroz não se repetirá, como eu cheguei a temer). Apesar de o Selecionador ter uma fatia significativa da responsabilidade pelo que aconteceu, eu não tenho memória curta, como parece ter o resto do País. Não acho que tudo esteja mal na Seleção "só" por causa deste Mundial e, sobretudo, não me esqueço (e nunca me esquecerei) da maneira como Paulo Bento recuperou a Equipa de Todos Nós após a trapalhada com o Selecionador anterior, nem do Euro 2012 - cuja participação portuguesa continuo a não considerar um acaso, uma anomalia, ao contrário do que toda a gente parece acreditar.

Por outro lado, uma das lições que retiro deste Mundial é que um bom passado não garante um bom presente ou um bom futuro. O que nos leva à renovação da Equipa das Quinas. Não nego que a linha pode ter acabado para certos Marmanjos, como (sniff, sniff) Hélder Postiga, mas também já falei aqui de jogadores que mereciam mais oportunidades na Seleção. Um dos receios que tenho relativamente à continuidade de Paulo Bento é que ele insista em Convocar os mesmos de sempre, que ele não tenha "aprendido" com este Mundial. Mas o futuro a Deus pertence.




O que eu acho que a Seleção precisa, tanto como a tão debatida renovação, é de recomeçar do zero, dentro do possível. Embarcar na Qualificação para o Euro 2016 sem grandes expectativas senão Apurarmo-nos - seja de que maneira for - encarando um jogo de cada vez. Gostava de poder dizer que acredito numa Qualificação tranquila mas não acredito. Acho que nos espera (mais) um Apuramento atribulado e tenciono tentar mentalizar-me o melhor que puder em relação a isso, para evitar apanhar tantos baldes de água fria.

Quanto a este Mundial, só quero atirá-lo para trás das costas o mais depressa possível. Foi uma participação para esquecer. Ficaram a faltar as coisas que descrevi acima, por que ansiava. Tornámos a perder uma oportunidade de realizar o sonho. Não era uma oportunidade tão boa como outras, mas duvido que as próximas sejam melhores. Já me interrogo, até, se isto é uma maldição qualquer, se só poderemos fazer um bom Mundial de quarenta em quarenta anos.

Por outro lado, admito que, ainda que o Mundial tenha estado abaixo das minhas expectativas, talvez daqui a umas semanas ou meses, quando já tiver digerido o que aconteceu, venha a ter saudades das pequenas coisas boas: chegar a casa após o trabalho e atualizar a página, as fotografias dos treinos, do bullying entre jogadores, os fins de tarde passados nas esplanadas, consultando os jornais desportivos, rascunhando as crónicas do blogue, mesmo passando-as a computador. E quando começar a sentir saudades de tudo isso, ainda faltarão quase dois anos para voltarmos a ter um campeonato de seleções.




Há coisas que, no entanto, não mudam: apesar de tudo o que aconteceu, eu continuo ao lado da Equipa de Todos Nós, a apoiá-los, a ajudá-los à minha maneira, a adorar praticamente todos os que vestem a Camisola das Quinas. Acompanho vários deles há muitos anos, tenho crescido com eles, exulto e orgulho-me dos seus triunfos, irrito-me com os seus disparates, sofro com as suas tristezas. De certa forma, são uma espécie de família para mim, são os meus heróis, são o meu clube. Conforme já disse anteriormente, uma pessoa não vira as costas ao seu clube.

Além do mais, sei que mais cedo ou mais tarde a Seleção recuperará, levantar-se-á, voltará a dar alegrias. Mesmo que sejam pequenas: uma vitória num particular insignificante ou num jogo de Qualificação com um adversário "acessível". É apenas uma questão de paciência e perseverança.

Quero aqui deixar os meus agradecimentos às pessoas que acompanharam o meu blogue e respetiva página do Facebook ao longo da participação do Mundial, que continuam a fazê-lo mesmo depois de esta participação ter terminado. Ao longo das próximas semanas, até surgirem novas notícias sobre a Seleção, naturalmente o blogue estará em stand-by e a página com atividade reduzida. No entanto, conforme tenho vindo a dizer ultimamente, enquanto tal estiver dentro das minhas possibilidades, não desistirei nem do blogue nem da página. E mesmo que desista deles, da Seleção em si nunca desistirei. O capítulo do Mundial 2014 está encerrado, pelo menos para Portugal. Agora venha o próximo.

Portugal 2 Gana 1 - Canto do cisne

No passado dia 26 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou a sua congénere ganesa no Estádio Nacional, em Brasília, em jogo a contar para a fase de grupos do Campeonato do Mundo da modalidade. A Seleção Nacional venceu por duas bolas contra uma, mas foi eliminada da competição por ter uma maior diferença de golos em relação ao Estados Unidos.

Antes de mais nada, quero pedir desculpas pelo atraso exagerado desta crónica. Têm sido uns dias complicados, tem-me faltado tempo e, também, um bocadinho de paciência. Se Portugal tivesse continuado no Brasil, eu faria um esforço por publicar esta crónica antes do jogo dos oitavos-de-final. Mas assim...

Mais uma vez, a primeira parte do jogo coincidiu com o meu trabalho, mais uma vez recorri ao relato da rádio para acompanhá-la. Apesar daquilo que tinha escrito na crónica anterior, apesar de saber que o nosso destino estava praticamente selado, não deixei de me entusiasmar e enervar, como se ainda estivesse tudo completamente em aberto. Está mais do que visto que eu não aprendo, que esta minha doença não se controla assim tão facilmente. Ou isso, ou o Alexandre Afonso e o Nuno Matos são excelentes no que fazem. Eu prefiro pensar que é a primeira hipótese - embora a segunda não seja menos verdadeira - e que isso nunca mudará, em circunstância alguma. A receção do sinal de rádio não era a melhor, devia ter a sua piada se alguém me visse deslocando-me para certos pontos de modo a evitar as interferências da estática. Fui percebendo que Portugal entrara com... bem, com ganas, tendo Cristiano Ronaldo atirado à barra logo aos seis minutos e à figura do guarda-redes ganês aos dezanove.


O momento do primeiro golo coincidiu com uma altura em que o relato se misturava com a estática. Percebi que era golo e, como estava sozinha, festejei-o silenciosa mas exuberantemente em termos gestuais. Não percebi quem marcara, contudo. Na esperança de que os meus colegas estivessem a acompanhar o jogo através daqueles sites, e como já se ouviam buzinas ao longe, corri para eles a perguntar, com um bocadinho de ansiedade a mais, quem marcara. Mais tarde, fartaram-se de se meter comigo por causa desta atitude.

E tinha eu esperanças de manter esta minha doença mais ou menos controlada no local de trabalho. Não tenho mesmo emenda...

Eventualmente, descobri que havia sido auto-golo. E os meus colegas até foram simpáticos em dizer-mo quando descobriram, dou-lhes crédito por isso. Em todo o caso, ao intervalo, saí. Desta feita, não me apeteceu ir para a esplanada onde vira o jogo com a Alemanha. Em vez disso, fui para um café onde já me conheciam bem e até me viram no A Tarde É Sua de há dois anos. Logo, sabiam que sou uma grande adepta da Seleção, com o meu blogue e a minha página, conforme outros clientes vendo o jogo ficaram a saber. Outro gesto simpático, mas fiz-lhes ver que, nesta altura, ter tal estatuto é ingrato.


Fui vendo Portugal dominando os ganeses, mas já com a fraca forma física a dar de si. Quando surgiu o golo do Gana (por sinal, pouco após sabermos que a Alemanha marcara), tive um dejá-vu do jogo com os Estados Unidos: mais uma vez Portugal mostrava-se incapaz de segurar a vantagem.

Felizmente, os portugueses estavam a jogar melhor que nos encontros anteriores. Ou isso, ou pura e simplesmente os ganeses não tinham capacidade para nos criarem assim tantos problemas. Depois de sair Éder (que, segundo os que viram o jogo desde início, incluindo a minha irmã, apenas estava a servir de empecilho), e de entrar Varela e Vieirinha, Portugal passou o resto do jogo em constante ataque, destacando-se o inevitável Cristiano Ronaldo. Após o encontro, muitos contaram os remates falhados e vieram choramingar que "afinal, era possível" golear o Gana, como era requerido para passarmos a fase de grupos. Eu, no entanto, há muito que sei que a Seleção precisa de vinte remates para marcar um golo, por isso não vou nessa conversa.

Cristiano Ronaldo lá conseguiu acertar na baliza, alcançando a proeza de marcar em todas as fases finais em que participou - seis no total. A única coisa de que se pode orgulhar, coitado, num Mundial onde ele se destacou mais pela tendinose rotuliana e pelos cortes de cabelo.


Por fim, o encontro terminou, sentenciando a eliminação de ambas as equipas em jogo do Campeonato do Mundio, bem como a passagem da Alemanha e dos Estados Unidos aos oitavos-de-final. Durante o jogo, enquanto o marcador estava empatado, quase desejei, à semelhança de outros senhores do café, que o Gana nos derrotasse, só para poderem passar em vez dos Estados Unidos. A última coisa que desejava neste Mundial, para além de uma eliminação prematura como esta, era sermos ultrapassados pela seleção de um país que, não apenas não ama o futebol como o resto do Mundo, como também tem pessoas que o consideram anti-americano e mesmo um veículo do comunismo. No entanto, sabe-se agora que a comitiva ganesa tinha ainda mais problemas do que a nossa, eles não tinham condições para ir muito longe. E os americanos parecem, de facto, estarem a converter-se ao futebol depois desta participação no Mundial, ao ponto de sugerirem Tim Howard, o guarda-redes que parou dezasseis remates só no jogo com a Bélgica, para Secretário da Defesa.

De qualquer forma, como já não tinha grande fé no Apuramento, fiquei satisfeita por, pelo menos, termos ganho. Este jogo foi, de certa forma, o nosso canto do cisne neste Mundial, permitiu-nos sair do Brasil com alguma dignidade.

Seguiu-se a tarefa ingrata e desagradável - que ainda não terminou - de diagnosticar este fraco desempenho da Equipa de Todos Nós, de encontrar culpados. Por muito que me custe, tenho de dizer que foram cometidos vários erros ao longo deste percurso, começando pelo número ridículo de lesões. Já aquando da Convocatória se comentava a duvidosa forma física dos Escolhidos, devíamos ter calculado que daria nisto. Eu na altura achei que haveria tempo para os jogadores recuperarem, mas enganei-me redondamente. Não nego que o departamento médico possa ter culpas no cartório, mas cheguei a ler uma notícia que alegava que os jogadores, compreensivelmente ansiosos por jogarem num Mundial, teriam mentido sobre a sua condição física. Não sei se é verdade, mas parece-me plausível. Pode-se questionar a Convocatória, mas eu acho que bastaria aos nossos jogadores estarem em melhores condições para tudo ter sido diferente.


Por outro lado, à semelhança de muita gente, julgo que foi no jogo com a Alemanha que as coisas descarrilaram sem reparação possível. Todos garantem (eu não vi) que Portugal até entrou bem nesse jogo até o penálti, provocado por João Pereira, e a expulsão de Pepe terem deitado por terra o controlo emocional da equipa. Se tivéssemos conservado o sangue-frio, talvez tivéssemos perdido por menos e conseguido, posteriormente, o Apuramento pela diferença de golos, no mínimo. Mesmo assim, continuo convencida que não teríamos pernas para ir muito mais longe.

Pelo meio, Cristiano Ronaldo teve tempo para atirar mais achas para a fogueira. Não posso dizer, infelizmente, que esteja surpreendida - há muito que sei que ele só é o Capitão quando a Seleção está na mó de cima. No entanto, as declarações dele após o jogo contra os Estdos Unidos têm sido retiradas do contexto: tanto quanto percebi (mas posso estar enganada), quando ele disse que não tínhamos grande equipa, referia-se à condição física da maioria dos jogadores, ele mesmo incluído. Além disso, não sejamos hipócritas: infinitos comentadores têm acusado a equipa portuguesa de ser mediana ao longo das últimas semanas, para não dizer meses ou anos, ninguém se importa. O Capitão da equipa diz o mesmo e toda a gente se atira ao ar? É claro que um comentador é um comentador, um Capitão é um Capitão, mas mesmo assim. O que eu não compreendo é, realmente, o otimismo de Ronaldo antes do jogo com a Alemanha. Nem eu nem ninguém...

O que eu sei é que, ainda que, como toda a gente diz, Portugal não seja uma Seleção de topo, nós tínhamos condições para mais do que isto, conforme já dei a entender acima. Um pouco por superstição, não faço prognósticos específicos antes das fases finais. Agora que o Mundial já acabou para nós, posso dizer que calculava que chegássemos aos quartos-de-final. E acho que teria sido possível, quer com este vinte e três, em boa forma, quer com um grupo algo diferente. Além disso, temos jogadores que até estavam bem fisicamente e mereciam ter ficado mais tempo no Mundial; é o caso, por exemplo, de Nani e William Carvalho.


O pior de tudo é que este está a ser um belo Mundial, bem disputado, cheio de emoções. Se por um lado não estávamos de todo ao nível dele, por outro lado, se estivéssemos melhor preparados, poderíamos estar a fazer parte disto, ou pelo menos ter saído dele de forma mais digna, como saíram seleções como a Grécia e a Costa Rica, merecedora do respeito de toda a gente. Irrita-me que tenhamos desperdiçado mais esta oportunidade. E, claro, poderíamos ter aumentado o índice de felicidade e auto-estima nacional, da maneira tão frequentemente por mim descrita cá no blogue, ainda que durante escassas semanas. Poderíamos ter tido mais golos, mais vitórias, daquelas que se festejam nas ruas, que alegram todo o País, poderíamos ter vídeos de bastidores mostrando os jogadores a cantar e a festejar, ter tido o Mundo com os olhos postos na Seleção pelos melhores motivos.

Outra das questões muito debatidas no rescaldo da nossa participação no Mundial diz respeito à necessidade de renovação da Seleção, bem como à continuidade de Paulo Bento. Começando pelo segundo tema, não tenho uma opinião formada sobre ele, já que já estive a favor e contra a continuidade do atual Selecionador. Agora já não importa, pois o contrato está há muito assinado e, aparentemente, nenhuma das partes está interessada em rescindir (em princípio o caso Queiroz não se repetirá, como eu cheguei a temer). Apesar de o Selecionador ter uma fatia significativa da responsabilidade pelo que aconteceu, eu não tenho memória curta, como parece ter o resto do País. Não acho que tudo esteja mal na Seleção "só" por causa deste Mundial e, sobretudo, não me esqueço (e nunca me esquecerei) da maneira como Paulo Bento recuperou a Equipa de Todos Nós após a trapalhada com o Selecionador anterior, nem do Euro 2012 - cuja participação portuguesa continuo a não considerar um acaso, uma anomalia, ao contrário do que toda a gente parece acreditar.

Por outro lado, uma das lições que retiro deste Mundial é que um bom passado não garante um bom presente ou um bom futuro. O que nos leva à renovação da Equipa das Quinas. Não nego que a linha pode ter acabado para certos Marmanjos, como (sniff, sniff) Hélder Postiga, mas também já falei aqui de jogadores que mereciam mais oportunidades na Seleção. Um dos receios que tenho relativamente à continuidade de Paulo Bento é que ele insista em Convocar os mesmos de sempre, que ele não tenha "aprendido" com este Mundial. Mas o futuro a Deus pertence.


O que eu acho que a Seleção precisa, tanto como a tão debatida renovação, é de recomeçar do zero, dentro do possível. Embarcar na Qualificação para o Euro 2016 sem grandes expectativas senão Apurarmo-nos - seja de que maneira for - encarando um jogo de cada vez. Gostava de poder dizer que acredito numa Qualificação tranquila mas não acredito. Acho que nos espera (mais) um Apuramento atribulado e tenciono tentar mentalizar-me o melhor que puder em relação a isso, para evitar apanhar tantos baldes de água fria.

Quanto a este Mundial, só quero atirá-lo para trás das costas o mais depressa possível. Foi uma participação para esquecer. Ficaram a faltar as coisas que descrevi acima, por que ansiava. Tornámos a perder uma oportunidade de realizar o sonho. Não era uma oportunidade tão boa como outras, mas duvido que as próximas sejam melhores. Já me interrogo, até, se isto é uma maldição qualquer, se só poderemos fazer um bom Mundial de quarenta em quarenta anos.

Por outro lado, admito que, ainda que o Mundial tenha estado abaixo das minhas expectativas, talvez daqui a umas semanas ou meses, quando já tiver digerido o que aconteceu, venha a ter saudades das pequenas coisas boas: chegar a casa após o trabalho e atualizar a página, as fotografias dos treinos, do bullying entre jogadores, os fins de tarde passados nas esplanadas, consultando os jornais desportivos, rascunhando as crónicas do blogue, mesmo passando-as a computador. E quando começar a sentir saudades de tudo isso, ainda faltarão quase dois anos para voltarmos a ter um campeonato de seleções.


Há coisas que, no entanto, não mudam: apesar de tudo o que aconteceu, eu continuo ao lado da Equipa de Todos Nós, a apoiá-los, a ajudá-los à minha maneira, a adorar praticamente todos os que vestem a Camisola das Quinas. Acompanho vários deles há muitos anos, tenho crescido com eles, exulto e orgulho-me dos seus triunfos, irrito-me com os seus disparates, sofro com as suas tristezas. De certa forma, são uma espécie de família para mim, são os meus heróis, são o meu clube. Conforme já disse anteriormente, uma pessoa não vira as costas ao seu clube.

Além do mais, sei que mais cedo ou mais tarde a Seleção recuperará, levantar-se-á, voltará a dar alegrias. Mesmo que sejam pequenas: uma vitória num particular insignificante ou num jogo de Qualificação com um adversário "acessível". É apenas uma questão de paciência e perseverança.

Quero aqui deixar os meus agradecimentos às pessoas que acompanharam o meu blogue e respetiva página do Facebook ao longo da participação do Mundial, que continuam a fazê-lo mesmo depois de esta participação ter terminado. Ao longo das próximas semanas, até surgirem novas notícias sobre a Seleção, naturalmente o blogue estará em stand-by e a página com atividade reduzida. No entanto, conforme tenho vindo a dizer ultimamente, enquanto tal estiver dentro das minhas possibilidades, não desistirei nem do blogue nem da página. E mesmo que desista deles, da Seleção em si nunca desistirei. O capítulo do Mundial 2014 está encerrado, pelo menos para Portugal. Agora venha o próximo.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Traiçoeiro


grupo G.jpg


Na passada sexta-feira, dia 6 de dezembro, as 32 seleções que se Qualificaram para a fase de grupos do Campeonato do Mundo, que se realizará no próximo ano, no Brasil, ficaram a conhecer os seus destinos no que toca à distribuição pelos grupos da primeira fase do campeonato. Portugal ficou colocado no grupo G, juntamente com a Alemanha, os Estados Unidos e o Gana.



 

Eu queria acompanhar o sorteio como deve ser: pela televisão, com o computador ao colo ligado à Internet, mas não deu. Talvez até tenha sido pelo melhor pois o sorteio propriamente dito só começou uma hora após o início da cerimónia. Até lá, deve ter sido só cantoria e dançarico - já tinha tido a minha dose disso durante o sorteio do Euro 2012. Em vez disso, acompanhei-a pela rádio, quando vinha no carro. Estacionei junto ao meu prédio ainda decorria o sorteio. Não quis perder pitada, por isso, fiquei dentro do carro ouvindo o relato, só no fim fui para casa.

 

Portugal foi a penúltima equipa a ser colocada. Como os locutores da rádio comentaram, até aqui é sofrer até ao fim... Eles iam dizendo coisas do género: "Ai e tal, este grupo E, com as Honduras e a Suíça, era simpático", afirmações que me irritavam. Depois de nos termos visto aflitos para ficar em segundo lugar neste grupo de Qualificação aparentemente acessível, eu não queria um grupo fácil. 

 

Quis a sorte que ficássemos no grupo G.

 

 

 

 

 

 

 


 

A minha primeira reação foi de satisfação por não termos calhado num grupo demasiado "fácil". Nesse aspeto, o grupo G é o ideal pois não é nem demasiado acessível, nem demasiado difícil. Isto na teoria, claro. Na prática, pode tornar-se traiçoeiro.

 

Comecemos pela Alemanha, com quem nos estreamos no Mundial, dia 16 de junho, segunda-feira, às cinco da tarde, hora portuguesa. Esta seleção é uma velha conhecida nossa, com quem nos estreámos, igualmente, no Euro 2012. Apesar do seu poderio, nós fomos capazes de fazer-lhe frente, se não tivéssemos sido demasiado cautelosos com eles, se tivéssemos tido um bocadinho mais de sorte, podíamos, pelo menos, ter empatado. O pior é que suspeito que eles, em junho, estarão melhores: tiveram duas equipas na última final da Champions, equipa essas que em muito contribuem para a seleção. Destaque para o campeão europeu Bayern de Munique. Que, ainda por cima, está a ser treinado por Pep Guardiola, o grande difusor do tiki-taka. Isto para não falar de Özil, que hoje é o órgão propulsor do Arsenal.

 

Ainda a fazer figas para que, quando jogar com Portugal, Özil entre em modo Real Madrid e faça assistências para Ronaldo marcar na baliza alemã....

 


 

Considero, mesmo, que a Alemanha é a grande candidata a vencer o Mundial, mais ainda do que a Espanha. Só mesmo o Brasil, com Scolari e o fator casa, poderão, eventualmente, igualá-los. Como poderão calcular, é extremamente difícil uma equipa caprichosa como Portugal vencer os altamente organizados alemães.

 

Nessa linha, calha bem o nosso primeiro jogo ser contra eles. Porque assim entraremos em campo contra os Estados Unidos e o Gana obrigados a ganhar - e Portugal dá-se bem nessas circunstâncias. Se fosse ao contrário, era provável que os portugueses se desleixassem perante as equipas "menores e, depois, entrassem em campo com a Alemanha com a corda ao pescoço.

 

Há dois anos, fiquei apreensiva com os resultados do sorteio dos grupos do Euro 2012. Contudo, hoje vejo que esse grupo tinha uma vantagem: era previsível. Conhecíamos bem os nossos adversários, sabíamos o que esperar deles: dificuldades. Tal não acontece neste grupo, sobretudo no que toca aos Estados Unidos e ao Gana.

 



 

O jogo com os americanos realizar-se-à no dia 22, domingo, às onze da noite. Infelizmente, ainda me lembro da última vez que jogámos contra os Estados Unidos: tinha eu doze anos e começava a interessar-me a sério por futebol. Lembro-me da vergonha que foi sofrermos três golos durante a primeira meia hora do jogo, mais coisa menos coisa. Todo esse Mundial foi uma humilhação, de resto, tirando o jogo com a Polónia. O jogo com os Estados Unidos nem foi o pior. Segundo o que li e ouvi recentemente, passados estes anos todos, parece que tudo aquilo foi uma palhaçada, desde mesmo antes do Anúncio dos Convocados. Não faço particular questão de saber pormenores - já tive a minha dose com o caso Queiroz. 

 

Um aparte, aliás, para referir que fiquei satisfeita por termos evitado o Irão na fase de grupos. Não queria ter de levar com mais provocações por parte do nosso ex-selecionador - que desprezo mais do que Joseph Blatter ou Michel Platini. A Argentina que trate dele.

 

O selecionador da América é alemão, chegou mesmo a ser selecionador da Alemanha entre 2004 e 2006. O atual selecionador da Alemanha, Joachim Löw, chegou a ser seu adjunto. Jurgen Klinsmann terá, segundo consta, um estilo semelhante ao de Löw mas pior matéria-prima. Em princípio, os Estados Unidos estarão ao nosso alcance mas, conforme o jogo de 2002 provou, não é sensato subestimá-los. Pela parte que me toca, não quero de todo perder perante a seleção de um dos poucos países do Mundo para quem o futebol é um desporto secundário.


O Gana é, para nós, a grande incógnita deste grupo. Jogaremos pela primeira vez contra eles no dia 26, quinta-feira, às cinco da tarde de cá. Dizem que é das melhores seleções africanas mas isso não quer dizer nada, também diziam o mesmo da Costa do Marfim. Mais relevante é o facto de terem chegado aos quartos-de-final do Mundial 2010, tendo ficado perto de se tornarem a primeira equipa africana a chegar às meias-finais de um Mundial. Também joga contra nós o facto de, por serem uma equipa africana, estarem mais habituados ao clima tropical, quente e húmido, que encontraremos no Brasil.

 

 

 

Um dos aspetos curiosos em relação a este grupo é o facto de existirem laços inesperados entre as seleções. Já referi, acima, o caso dos selecionadores da Alemanha e dos Estados Unidos. Consta também que haverá um encontro de irmãos no jogo entre o Gana e a Alemanha já que Kevin Boateng joga na seleção ganesa e o irmão, Jérôme, joga na seleção alemã - nunca tinha ouvido falar de uma situação desse género, de irmãos em seleções diferentes. 

 

Se formos a ver, connosco a termos dois selecionadores liderando equipas alheias neste campeonato, o Fernando Santos, este Mundial começa a assemelhar-se a um torneiozinho de aldeia, em que todos os participantes são amigos, familiares, ou conhecidos. A tal Aldeia Global.

 

Em todo o caso, não é a primeira vez que os nossos companheiros de grupo lidam com estes laços já que os três também partilharam um grupo em 2010. O que também constitui uma desvantagem para nós pois eles têm a experiência desses jogos. Nós não.

Existem outras agravantes no que toca a este Mundial, começando pelas longas viagens a que obrigará, bem como ao clima. Tem-se falado da localização do quartel-general da Turma das Quinas em Terras de Vera Cruz. Eu queria também saber onde é que a Seleção estagiará cá em Portugal, durante o mês de maio. Não me ocorre nenhum local no nosso país capaz de mimetizar o calor e a humidade do norte brasileiro. Talvez fosse melhor os portugueses irem mais cedo do que o habitual para o Brasil, de modo a habituarem-se o mais depressa possível ao clima e fuso horário - embora me doa que eles se afastem tão cedo do calor humano dos adeptos portugueses.



 

Existe, também a questão das horas dos jogos. Dois deles realizar-se-ão durante a semana, às cinco da tarde. O único que decorrerá à noite - e mesmo assim às onze, definitivamente não das mais convenientes - será num domingo. Não sei se vou poder ver os jogos pois, provavelmente, estarei a estagiar. Dependerá do que terei de fazer mas pode dar-se o caso de não poder, sequer, ouvir o relato pela rádio, como faria se estivesse em aulas. Enfim, que remédio. De resto, à hora do jogo, o movimento deve ser reduzido, é pouco provável que faça algo que não permita distrações. 

 

Todos concordam que, caso os Marmanjos estejam com a cabeça no lugar certo - o que é sempre a maior variável - este grupo está ao nosso alcance. Posteriormente, nos oitavos-de-final - o mínimo definido por Paulo Bento - encontraremos uma seleção do grupo H - que, em princípio, não nos colocarão grandes problemas. Nos quartos-de-final é que poderemos cruzar-nos com a Argentina ou a França. Aí não haverá maneira de prever o desfecho. No entanto, caso cheguemos a essa fase, estaremos certamente de olhos no título, logo, teremos de ser capazes de vencer qualquer equipa.


 

 


 

Tal como tem acontecido ao longo da última década, ou mais, há quem nos coloque entre os candidatos ao título. No entanto, apesar do nosso permanente estatuto de favoritos, nunca ganhámos nada. E, francamente, está na altura de mudarmos isso. Duvido que voltemos a ter melhor oportunidade - dificilmente Ronaldo estará a este nível daqui a dois anos. Não digo isto porque ache que ele é que faz tudo na Seleção. Digo isto porque sonho com vê-lo erguendo a Taça há nove anos. Também me refiro à equipa atual, que pode não ser grande coisa em termos de individualidades mas que, quando está para aí virada, nos momentos decisivos funciona, supera-se. Uma característica que, pelo menos no Euro 2012, foi suficiente para fazermos uma prestação que nos encheu de orgulho. É claro que existem coisas que precisam de ser corrigidas na seleção atual mas será para isso que teremos aquelas semanas de estágio - entre outras coisas. Por estas e por outras, acredito, se não na conquista do título, pelo menos numa boa prestação. Agora, que venha o Mundial!
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