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domingo, 2 de junho de 2024

O Europeu da nostalgia

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À hora desta publicação, faltam pouco mais de duas semanas para o início do Euro 2024. Roberto Martínez Divulgou os Convocados para representar Portugal neste campeonato no passado dia 21 de maio. Pode-se dizer que já estamos em modo Europeu – ou, vá lá, quase.

 

Este campeonato vai ter – já está a ter – um sabor diferente. Um sabor nostálgico, aludindo a campeonatos anteriores. 

 

Para começar, vai decorrer exatamente vinte anos depois do Euro 2004. “Euro 2024”, aliás, soa parecidíssimo a “Euro 2004” – o meu coração dá um pequeno salto sempre ouço este nome. Sobretudo agora na era das internetes, temos ciclos de nostalgia de vinte anos. E 2004 foi um ano marcante para mim. Foi quando comecei o Secundário, quando adotei novos interesses que mantenho até agora. 

 

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A Seleção será um dos maiores. Não é a primeira vez que o digo, não será a última. Foi com o Euro 2004 que o casamento começou – e chegámos à marca dos vinte anos! Tomara muitos! 

 

Além de que foi, pura e simplesmente, um dos capítulos mais bonitos da história do futebol português. Matéria da qual são feitas as lendas. O espanto e a maravilha ainda não se dissiparam, mesmo passadas duas décadas.

 

Malta! O Ricardo defendeu um penálti decisivo sem luvas! E depois ele mesmo bateu o penálti seguinte, assegurando a nossa vitória. Coisas como esta não acontecem!

 

Por outro lado, este Europeu irá decorrer na Alemanha – o mesmo palco que o Mundial 2006, também ele com elevado valor nostálgico. Foi o melhor desempenho português em Mundiais que testemunhei até agora. Dá-me imenso gozo ouvir os nomes das cidades, depois de as ter aprendido rapidamente durante esse Mundial. As mais conhecidas Berlim, Munique, Frankfurt, Dusseldorf, claro, mas também Marienfeld (que vai voltar a ser o quartel-general da Seleção), Colónia, Gelsenkirchen – este último é o meu nome preferido.

 

O único denominador comum entre esses campeonatos e o atual é, claro, Cristiano Ronaldo, o único que continua no ativo. Dezoito, vinte anos depois, voltou a ser Convocado. Também temos Ricardo Carvalho e Ricardo Pereira (referido acima), mas como membros da equipa técnica.

 

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Estamos velhos.

 

O terceiro fator nostálgico diz respeito aos nossos adversários nesta fase de grupos. A Turquia e a Chéquia também fizeram parte do nosso grupo no Euro 2008. A Geórgia não, mas realizámos um particular contra eles antes desse campeonato – o único, se a memória não me falha. A única recordação que tenho desse jogo é a fotografia do João Moutinho que usei como cabeçalho do texto que escrevi sobre esse jogo aqui no blogue. Ele foi um dos marcadores. 

 

Nem me recordava do resultado, apenas que tínhamos ganho. Uma pesquisa rápida recordou-me que ganhámos por duas bolas contra zero. Mas falaremos melhor num texto futuro, quando olharmos melhor para os nossos adversários neste Europeu.

 

Não que o Euro 2008 em si tenha sido particularmente memorável. Mas sempre foi o primeiro campeonato que cobri com este blogue, há dezasseis anos.

 

Dezasseis anos, minha gente. Ainda há pouco tempo o Euro 2004 e o Mundial 2006 tinham sido há apenas meia dúzia de anos. De repente já lá vão duas décadas ou quase.

 

Algo em que reparei há pouco tempo é que este blogue passou metade da sua vida com uma Seleção sem títulos e a outra metade com título. Nesse sentido, seeria poético se conseguíssemos recuperar a Henri Delaunay este ano.

 

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Vou dizê-lo já: este é capaz de ser o campeonato de seleções que encaro com maior otimismo em muitos anos. Da última vez era (mais) jovem e (mais) ingénua, claro. Agora estou confiante, sim, mas cautelosa. Temos o talento, tivemos os resultados na Qualificação, não temos Fernando Santos.

 

Mas já se sabe como são estas coisas. Tudo muito bonito, mas só conta quando a bola rolar.

 

Além disso, como temos vindo a assinalar, ainda não conhecemos Roberto Martínez assim tão bem, ainda não tivemos um desafio a sério. Não sabemos como irá esta Seleção reagir quando nos cruzarmos com um adversário de peso. 

 

Nesse aspeto, uma coisa boa deste grupo teoricamente fácil – sublinhe-se o “teoricamente” – é que vamos continuar a ter um aumento mais ou menos linear em termos de dificuldade.

 

Confesso que ainda não me sinto bem em modo Europeu. Já não é a primeira vez que o digo. Para além de ter outras coisas ocorrendo na minha vida, já são muitos anos, há aspetos que já se tornaram rotineiros. Como a Divulgação dos Convocados. A atual geração tem tanto talento que é quase impossível fazer uma Convocatória má.

 

Claro que tenho os meus reparos. Não percebo o que é que Martínez tem contra Francisco Trincão e sobretudo Pedro Gonçalves. Eles não puderam vir ao Europeu porque falharam os amigáveis de março. Mas Pedro Neto e Diogo Jota – que não só falharam essa jornada como vêm de lesões prolongadas – puderam vir? Ainda compreendo mais ou menos a Chamada de Diogo Jota – ele tem currículo na Seleção, vários golos marcados. Pedro Neto, por outro lado, só conta cinco internacionalizações e um golo marcado num particular frente a Andorra.

 

Dito isto, não estou para me ralar demasiado com esta questão. Até porque nestes debates há sempre gente usando lentes da cor dos respectivos clubes. Quando é assim, é uma luta perdida. Além disso, nenhuma das desilusões dos últimos anos se deveu a problemas com os Convocados.

 

 

A única coisa que quero recordar da Convocatória é mesmo a reação do filho do João Palhinha. 

 

A preparação do Europeu começou este domingo. Este é o primeiro campeonato de seleções “normal” que temos em anos. Está a decorrer na altura certa do ano, sem adiamentos ou outros condicionamentos provocados pela pandemia ou climas extremos. Temos três jogos de preparação antes do Europeu! Já não estava habituada a isto. 

 

Por outro lado, tenho estranhado o início tão tardio do estágio de preparação. Vou ser sincera, não me agrada muito. Os Marmanjos vão jogar o primeiro amigável depois de o quê? Um treino? Dois?

 

Claro que compreendo a lógica. Toda a gente sabe como anda o calendário futebolístico – já não é a primeira vez que falamos disso. Andam a falar de uma possível greve de futebolistas. Esta semana de férias terá feito melhor a estes Marmanjos, em termos físicos e sobretudo psicológicos, do que uma semana de estágio, por muito leve que seja. Se isso significar exibições fraquinhas nos particulares e menos publicações nas redes sociais relacionadas com a Seleção… que assim seja. É um preço mais do que razoável. 

 

Falemos então sobre estes três amigáveis. De referir que vou estar lá em dois deles. Comprei o bilhete para o primeiro, frente à Finlândia, em Alvalade, há poucos dias. Foi decisão de última hora. Estou de folga nessa tarde, não tenho outros planos, o Estádio fica perto da minha casa, a vida é curta. Porque não? É na loucura. E acho que nesta vez consegui um lugar decente. Lá está, não estou à espera de uma grande festa do futebol. Vou sobretudo pelo ambiente, pela festa, para ganhar entusiasmo para o Europeu. 

 

Quanto à Finlândia, é a primeira vez que jogamos contra eles em mais de uma década. Os finlandeses foram nossos adversários na Qualificação para o Euro 2008. Ambos os jogos deram empate. Lembro-me vagamente do primeiro, em setembro de 2006. De ter achado que o empate era um bom resultado, depois de um desastrado particular contra a Dinamarca (cuja única coisa boa foi a estreia de Nani) e da expulsão de Ricardo Costa.

 

 

Do segundo empate, em novembro de 2007, recordo-me ainda menos. Apenas que foi o jogo de estreia de Pepe e da célebre conferência do “E o burro sou eu?” de Luiz Felipe Scolari. 

 

Hoje revejo a cena e continuo sem perceber porque é que Scolari estava tão irritadiço. Dito isto, tendo em conta o que aconteceu em Qualificações posteriores, acho que Scolari não estava completamente errado. Seria preciso esperarmos oito anos até voltarmos a ter um Apuramento tão relativamente tranquilo quanto este.

 

Os dois jogos seguintes com a Finlândia foram particulares. Um deles foi em fevereiro de 2009. Uma vez mais, não me recordo de muito. Apenas que foi uma exibição medíocre, ao nível do que foi a era de Carlos Queiroz, sobretudo o primeiro ano. Só conseguimos ganhar por um golo de penálti de Cristiano Ronaldo – um de um total de dois golos que Ronaldo marcou nos dois anos de liderança de Queiroz.

 

Só para verem. 

 

Finalmente, o outro particular decorreu em março de 2011, no primeiro ano do mandato de Paulo Bento. Desse não me lembro de nada. Só depois de pesquisar é que me recordei que foi o jogo de estreia de Rúben Micael e que este marcou dois golos. 

 

Não pensava no Rúben há imensos anos, talvez quase uma década. Aparentemente já se reformou.

 

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Por estes dias, a Finlândia está na Divisão B da Liga das Nações. Concluiu a Qualificação para o Euro 2024 atrás da Dinamarca e da Eslovénia, foi a play-offs, mas perdeu contra o País de Gales. Diria que são um adversário de nível médio. Ao nosso alcance.

 

Mais difícil será o jogo seguinte, com a Croácia. Está na Divisão A da Liga das Nações. Aliás, serão nossos adversários na fase de grupos da próxima edição da prova, este outono. Vêm ao Europeu depois de terem ficado em segundo lugar no grupo D da Qualificação ​​– atrás da Turquia, um aviso para nós. Ficaram em terceiro lugar no último Mundial, depois de vencerem os nossos amigos marroquinos. Destaque para a figura Luka Modrić, que ainda por cima acaba de ganhar a Liga dos Campeões com o Real Madrid.

 

Ou seja, os croatas podem não ser a primeira seleção que vem à baila quando falamos de tubarões. Mas acho que podem ser considerados candidatos ao título europeu. 

 

Dito isto, a Croácia já anda na mó de cima há uns anos, mas não têm impressionado quando se cruzam connosco. Destaque para a fase de grupos da Liga das Nações em 2020. Existirão atenuantes, claro, mas não deixa de ser estranho.

 

A ver o que acontece na Liga das Nações. Para já não é tão importante ​​​​– isto é só um jogo particular. Em todo o caso, será o adversário mais difícil com quem nos cruzamos desde que Roberto Martínez assumiu as rédeas da Seleção. Será um bom teste.

 

O jogo terá lugar no Estádio Nacional e foi quase só por isso que comprei os bilhetes há já vários meses ​​– venho com uma amiga. Já fui várias vezes ao Jamor. Para receber a Seleção depois do Mundial 2006 ​​– o dia em que quase literalmente caí para o lado por causa do calor (importante tomar cuidado com isso agora no sábado). Para os treinos abertos no tempo de Paulo Bento (saudades). Mas nunca fui ver um jogo lá. 

 

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Em parte por falta de oportunidade. ​​O último jogo da Seleção lá foi há uma década ​​– frente à Grécia, curiosamente comandada por Fernando Santos, poucos meses antes de vir orientar Portugal. 

 

Este sábado colmato essa falha, finalmente.

 

Por fim, vamos jogar contra a República da Irlanda no dia 11 no Estádio de Aveiro ​​– o único particular a que não vou assistir ao vivo. Penso que já referi cá no blogue que este é um dos meus preferidos de todos os estádios construídos para o Euro 2004. No entanto, da última vez que passei por ele (penso que terá sido no final do ano passado), a fachada pareceu-me algo degradada.

 

O que, infelizmente, confirma as previsões mais pessimistas de há vinte anos: vários destes estádios virando elefantes brancos.

 

Quanto à República da Irlanda, esta falhou a Qualificação para o Euro 2004. Uma grande pena, tenho saudades dos seus adeptos. Estão na Divisão B da Liga das Nações. Em teoria, será o particular mais fácil destes três. Na prática, os últimos nossos dois jogos com eles, na Qualificação para o Mundial 2022, foram exibições medíocres.

 

Ou seja, não convém assumirmos facilidades. Mesmo que seja apenas um particular e o resultado não seja o mais importante.

 

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É pouco provável que estes jogos tenham grande história. Ainda assim, é possível que eu escreva um par de textos antes da nossa estreia no Europeu, sobre estes jogos e sobre o que quer de interessante que ocorra durante a preparação. Vêm aí um par de feriados, em princípio até terei tempo.

 

Logo se vê. Um de certeza escrevo. 

 

Posso ainda não me sentir muito entusiasmada, mas o meu interesse aumentará à medida que nos aproximarmos do início do Europeu – e com os particulares a que vou assistir. Aliás, basta-me consultar artigos sobre os possíveis caminhos de Portugal até à final de Berlim para sentir os familiares bichinhos no estômago. É o que eu digo, há muitas coisas que deixaram de ser novidade para mim mas, na hora H, o sofrimento é sempre o mesmo. Suspeito que só se tem tornado pior com o tempo.

 

Mas é também para isso que serve aqui o estaminé. Para catarse, para verter esse sofrimento para o papel e, depois, para o digital, para registar tudo para mais tarde recordar. 

 

Como sempre, obrigada pela vossa visita. É mais um campeonato de seleções que começa. Acompanhemo-lo juntos, quer aqui no blogue, quer na página do Facebook. Até à próxima!

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Entre o Céu e a Terra

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No passado dia 21 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere sueca por cinco bolas contra uma. Cinco dias mais tarde, no entanto, perdeu perante a sua congénere eslovena por duas bolas sem resposta. Ambos os jogos foram de carácter amigável.

 

Enfim.

 

Conforme já tinha referido no texto anterior, estava ainda a trabalhar durante a primeira parte do jogo com a Suécia. Foi um final de dia mais movimentado que o costume. Aviso de amiga: pessoas que chegam a um estabelecimento nos últimos cinco, dez minutos antes do fecho, sem terem um bom motivo para isso, têm um lugar reservado no inferno. Foi o caso de pelo menos dois dos utentes que ainda lá estavam quando fechámos. É indecente! 

 

Ainda assim, consegui ir espreitando sites de atualizações e soube quando marcaram os dois primeiros golos. O terceiro coincidiu com a altura em que nos preparávamos para fechar, logo, só soube dele durante o intervalo, já a caminho de casa. 

 

Pelo que vi e li mais tarde, a Suécia até entrou no jogo a dominar, mas só se aguentou durante uns vinte minutos. Portugal rapidamente tomou as rédeas da partida. O primeiro golo do jogo – e do ano – surgiu aos vinte e quatro minutos. O primeiro remate foi de Bernardo Silva, mas a bola foi ao poste. Na recarga, Rafael Leão não perdoou. 

 

 

O segundo golo também teve assistência de Bernardo Silva, ainda que de maneira diferente. Este passou a Matheus Nunes, que avançou pelo campo sem que os suecos conseguissem fazer nada. Ao entrar na grande área, rematou certeiro. 

 

Por sua vez, o terceiro golo começou com um passe fabuloso de João Palhinha. A bola voou quase a distância equivalente a um meio campo até Nélson Semedo, à direita. Este foi até à linha de fundo, assistindo depois para Bruno Fernandes marcar – fazendo um túnel ao pobre defesa sueco.

 

Na segunda parte, já estava à frente da televisão e, sinceramente, gostei do que vi. Uma exibição bem agradável. Gostei em particular de ver Palhinha: teve vários momentos que me recordaram a célebre jogada do Portugal x França do Euro 2021 2020, que terminou com uma cueca a Pogba.

 

E fui capaz de ver a Seleção marcando um par de golos. O primeiro teve a assistência de Bruno Fernandes. Esteve frente a frente com o guarda-redes, teve a hipótese de rematar ou de passar a um colega: ou Bruma, à sua esquerda, ou Gonçalo Ramos, à sua direita. Acabou por escolher Bruma, que não desperdiçou o jeitinho. 

 

Infelizmente, depois, cometemos um erro de amadores. Baixámos a guarda durante o rescaldo do golo e deixámos Viktor Gyökeres marcar o primeiro da Suécia. Toti Gomes ficou mal na fotografia. 

 

Ainda assim, só precisámos de alguns minutos para ampliar a vantagem de novo. António Silva fez um passe longo para Nélson Semedo, que seguiu pela direita e assistiu para o golo de Gonçalo Ramos. Os suecos, no entanto, conseguiram voltar a reduzir, perto do fim do jogo.

 

 

Toda a gente ficou contente com este resultado e com este jogo, muitos nós começaram a sonhar alto. Não vou mentir, eu também me deixei levar por esse espírito. Mas já tinha escrito que os suecos não estavam a atravessar um bom momento – aquela vitória vale o que vale. E, da minha experiência acompanhando a Seleção de perto, já devia saber que o Universo tem a mania de nos atirar de volta para a Terra quando andamos com a cabeça nas nuvens.

 

O que, pelo menos esta fase, não é uma coisa má, atenção!

 

Eu sabia que a Eslovénia seria um adversário mais difícil que a Suécia. Ainda assim, estava à espera de melhor. Nem quero escrever muito sobre este jogo – o que há para dizer? Foi uma seca. Estava a ver a partida e a pensar: “Fui eu pedir para sair mais cedo para isto?”. Não que preferisse estar a trabalhar, mas porque é que os Marmanjos só jogaram bem nesta jornada quando não pude ver o jogo todo?

 

Muitos têm apontado que esta derrota serviu para demonstrar a falta que nomes como Bernardo Silva e Bruno Fernandes fazem. Talvez tenham razão, mas também concordo com a dispensa deles deste jogo. Já não é a primeira vez que o escrevo: a época futebolística atualmente é uma coisa parva. Se for possível poupar os jogadores literalmente nesta altura do campeonato, que se poupe!

 

E, no fim do dia, isto é apenas um particular. O próprio Roberto Martínez disse depois que o mais importante não era a vitória – eu disse o mesmo antes, como digo antes de todos os jogos amigáveis. Não vamos colocar tudo em causa e deixar de ser candidatos ao título porque perdemos um jogo – tal como não éramos os grandes favoritos depois de termos ganho a uma seleção que falhou o Apuramento.

 

Dito isto, espero mesmo que o jogo com a Eslovénia tenha servido para tirar ilações, que aquilo foi penoso. 

 

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No meio disto tudo, devo confessar, tenho andado pouco entusiasmada com a Seleção. Em parte por andar ocupada com outras coisas – quem segue o meu outro blogue e sobretudo a sua página no Facebook terá uma ideia sobre o que estou a falar – mas também porque este último ano, sejamos sinceros, foi pouco estimulante. Uma Qualificação tranquila perante adversários de nível médio/acessível (claro que tinha sido pior se tivéssemos sentido dificuldades) e, agora, dois particulares. Já não é a primeira vez que o digo: tenho saudades de partidas mais intensas, com mais em jogo. Tenho saudades do mata-mata, do Nitromint debaixo da língua. 

 

Isto é, no momento não acho assim tanta piada, mas depois gosto de recordar e de escrever sobre isso. 

 

Felizmente já não falta muito tempo. Diz que os Convocados serão anunciados a 20 de maio, marcando o início da era do Europeu. Em princípio, não devo publicar antes da Convocatória, mas vou tentar publicar depois, antes dos particulares marcados para junho. 

 

Obrigada como sempre pela vossa visita. 

quinta-feira, 21 de março de 2024

Amigáveis de Março

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Hoje, dia 21 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe a sua congénere sueca no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães. Cinco dias mais tarde (cinco?! Já não estou habituada a um intervalo tão grande entre jogos…), desloca-se a Liubliana, na Eslovénia, para defrontar a seleção da casa. Ambos os jogos serão de cariz amigável.

 

Se formos a ver, estes são os primeiros jogos particulares que temos no mês de março desde 2018. Entre as mudanças no calendário provocadas pela Liga das Nações, a pandemia e os play-offs há dois anos, nunca mais foi possível. Jogos amigáveis em geral tornaram-se uma raridade nos últimos anos, aliás – já não é a primeira vez que falamos disso. Não que ache que a maior parte das pessoas, eu incluída, sinta saudades, bem pelo contrário. Mas acredito que os Selecionadores sintam falta.

 

Roberto Martínez, o selecionador português, parece querer tirar o melhor proveito desta dupla jornada, tentar gerir o facto de estes jogos não virem numa boa altura da época (ainda estou à espera de jogos da Seleção que venham numa boa altura, mas isso é outra conversa). A Turma das Quinas foi dividida em três grupos: um com Marmanjos que poderão jogar em ambas as partidas, um com os que jogarão apenas na primeira, um com os que jogam apenas na segunda. Neste último estão incluídos nomes como Cristiano Ronaldo, João Cancelo, João Félix, Danilo, entre outros.

 

Tenho pena de quem, se calhar, comprou bilhete para o jogo com a Suécia para ver o Ronaldo. À parte isso, acho boa ideia. Faz sentido como forma de minimizar o desgaste. E sempre dá oportunidade para Chamar gente que, se calhar, noutras circunstâncias, não conseguiria vir. Como, por exemplo, Francisco Conceição – ou Chico Conceição, como lhe chamou Martínez na Convocatória (isso é uma alcunha dele ou é Martínez que não consegue dizer “Francisco”?) – Jota Silva ou, mais recentemente, Dany Mota.

 

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Não sei se era a única mas, antes de fazer o trabalho de casa para este texto, achava que a Suécia era o adversário mais difícil nesta dupla jornada. Pois bem, não é o caso. Pelo menos não neste momento. Os suecos não se Qualificaram para o Euro 2024: ficaram em terceiro lugar, atrás da Bélgica e da Áustria e, neste momento, estão na Divisão C da Liga das Nações. Ou seja, estarão mais ou menos a meio da tabela europeia. E estão, neste momento, a estrear um novo selecionador.

 

Por outro lado, os suecos dispõem de um triunfo bem conhecido dos portugueses: Viktor Gyökeres, o atual melhor marcador da Liga Portuguesa. Pelo que me dizem, quando joga pelo Sporting, a qualquer momento pode sacar um coelho da cartola e decidir uma partida. Não sei se acontece o mesmo quando veste a camisola sueca, mas é melhor contar com isso.

 

Felizmente, o treinador do Sporting, Rúben Amorim, foi amigo e já deu um conselho: meter o Gonçalo Inácio, seu colega de clube, a marcá-lo. 

 

Aqui entre nós, talvez seja em parte viés de ser irmã de uma sportinguista, mas eu gosto do Amorim. Espero que chegue a Selecionador Nacional a longo prazo.

 

O nosso histórico com os suecos é equilibrado. Literalmente: sete vitórias, sete derrotas e cinco empates, pendendo mais a nosso favor nos últimos anos. Toda a gente se lembra dos play-offs de 2013. No entanto, os jogos mais recentes ocorreram durante a fase de grupos da Liga das Nações, em 2020. Foram dos primeiros jogos da seleção após a pausa imposta pela pandemia – já uma memória distante, felizmente, mas continuo a rezar para que nunca mais passemos por algo do género. Ambos os jogos correram bem, como poderão recordar aqui e aqui. 

 

Assim, tirando a imprevisibilidade de Gyökeres, penso que a Suécia estará ao nosso alcance. Infelizmente, hoje estou a sair às 20h30 do trabalho, logo, vou perder a primeira parte. Paciência. É apenas um amigável, não é grave.

 

Mas já pedi para me escalarem para sair mais cedo na terça-feira. 

 

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O que nos leva ao jogo com a Eslovénia. Estes Qualificaram-se para o Europeu em segundo lugar no grupo H, atrás da Dinamarca. É a primeira fase final em que participam desde o Mundial 2010 e o primeiro Europeu em que participam desde 2000. No que toca à Liga das Nações, estão na Divisão B – acima da Suécia.

 

Estive a pesquisar e, tanto quanto consegui apurar, nunca jogámos contra a Eslovénia. Acho estranho ainda existirem seleções europeias com quem nunca nos cruzámos – quer em amigáveis como este, quer em fases de Qualificação.

 

Por outro lado, é uma seleção relativamente jovem – só foi reconhecida oficialmente pela FIFA e pela UEFA em 1992. Talvez seja essa a explicação.

 

Ou seja, é uma seleção mais forte do que seria de esperar, que conhecemos mal, e que certamente andará feliz e motivada. Ainda assim, não serão melhores do que nós. 

 

Depois de termos tido uma Qualificação de nível fácil, com todas as ressalvas, tenho-me perguntado – à semelhança de muita gente, imagino eu – como se sairá a Seleção de Martínez perante adversários de maior calibre. Claro que não se podem tirar muitas conclusões de jogos particulares – nestas ocasiões, os resultados e mesmo as exibições não são o mais importante. Mas sempre dará para termos uma ideia.

 

Antes de terminarmos, temos de falar de equipamentos. Depois deste texto já é habitual.

 

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Uma palavra de despedida para a coleção anterior. Na altura em que saiu estranhei, mas acabei por ficar a gostar do equipamento principal, mesmo que tenha quebrado convenções. Discordem se quiserem, eu acho giro. Foi uma coleção muito bonita – tirando a camisola de aquecimento. Vou ter saudades dos tons dourados em geral, fazendo lembrar o pôr-do-sol, e em particular dos equipamentos de treino.

 

Estou contente por eles não terem cortado completamente com a estética anterior. Os tipos de letra, pelo menos, são parecidos. O equipamento principal é mais clássico que o anterior: regressa a combinação camisola vermelha e calções verdes. Talvez tenham percebido que a camisola anterior fora demasiado divisiva. 

 

Parece-me giro o equipamento. Por outro lado, a camisola alternativa é bem fora do convencional. Em azul e branco, um padrão inspirado pelos azulejos portugueses. Ficou giríssimo, adoro. Faz-me pensar nos pastéis de Belém.

 

No entanto, como habitual, preciso de estes equipamentos em campo e reservo a minha opinião final para o fim do ciclo desta coleção. Aliás, esta é a última coleção produzida pela Nike – a próxima já virá da Puma. A ver o que farão.

 

E com esta nos despedimos, por agora. Como sempre, obrigada pela vossa visita. Que Portugal ganhe logo à noite.

 

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terça-feira, 22 de novembro de 2022

Em mínimos históricos

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À hora desta publicação, o Mundial 2022 já decorre. Eu costumo publicar o primeiro texto da era do campeonato bastante mais cedo. Desta vez não deu.


 


Já é um alívio ter conseguido fazê-lo antes da estreia de Portugal na prova. 


 


Quem acompanhe este blogue saberá que campeonatos de seleções são sempre ocasiões especiais para mim. Desde a Convocatória, são semanas de alegria, de antecipação, de esperança num bom desempenho. Mundiais, então, são para mim a festa suprema do futebol.


 


Desta vez, no entanto, o meu entusiasmo está em mínimos históricos. Tenho tido alturas em que quase desejei que o Mundial tivesse sido adiado, cancelado, como durante a pandemia, em que quase desejei que não nos tivéssemos Qualificado – mesmo tendo passado vários meses angustiada com os play-offs.


 


Passo a explicar porquê. Os primeiros motivos prendem-se com o estado atual da Seleção. Não tanto esta em si ou os seus jogadores, mais o Selecionador e o seu cadastro. Ainda há mês e meio, quase dois meses, tivemos uma desilusão na fase de grupos da Liga das Nações – a terceira passagem falhada por um ponto. Além disso, as nossas duas últimas participações em campeonatos desta envergadura – no Mundial 2018 e no Euro 2020 – não tendo sido horríveis, deixaram muito a desejar. 


 


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Já me alonguei o suficiente sobre isso em textos anteriores. A versão condensada é que já tive mais fé em Fernando Santos. Receio que esta seja outra ocasião para ele desperdiçar o talento de que dispõe. 


 


Depois, temos Cristiano Ronaldo. Este já era uma das minhas preocupações, ainda antes de ter optado por violência e lançado a já infame entrevista com Piers Morgan. 


 


Muito se tem escrito sobre esta entrevista. Provavelmente continuar-se-á a escrever. Na minha opinião, tem havido uma gritante falta de nuance na conversa: Ronaldo ou tem cem por cento de razão ou está completamente errado. Poucos parecem admitir que ele poderá estar certo nalgumas coisas – os verdadeiros motivos pelos quais ele falhou a pré-época e a forma execrável como o United terá lidado com isso – e errado noutras – como assim ele “não admite” entrar em jogo por apenas três minutos? 


 


A propósito deste texto, no entanto, só me interessa a maneira como afeta a Seleção.


 


O primeiro efeito era o mais previsível: perguntas sobre o assunto em todo e qualquer contacto da Seleção com a Comunicação Social. Chegou-se a entrar em territórios de reality show. Toda a gente obcecada com uma pequena interação entre Ronaldo e Bruno Fernandes na primeira noite da Cidade do Futebol. Dúvidas sobre a gastroenterite que afastou Ronaldo do particular com a Nigéria. Ridículo.


 


O segundo efeito é a pressão adicional colocada sobre nós. Todos concordam, Ronaldo queimou irreversivelmente a sua relação com o Manchester United. E agora apostou a sua credibilidade, talvez mesmo a sua carreira, num bom desempenho neste Mundial.


 


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Isso pode não ser mau. Talvez a pressão extra seja boa para os outros Marmanjos. 


 


Por outro lado, isto deixa-me com um sabor desagradável na boca. Para começar, não me agrada a ideia de ganhar este Mundial “para” Cristiano Ronaldo. Já não gosto muito quando dizem que Portugal ganhou o Euro 2016 para ele. É certo que Ronaldo não pôde jogar a maior parte da final de Paris mas, mesmo assim. As pessoas acham que os outros jogadores não tinham, não têm eles próprios ambições?


 


Além disso, receio que Ronaldo pressione (ainda mais) Fernando Santos para deixá-lo jogar mais do que deve, mais do que é benéfico para a equipa, como já aconteceu nos últimos dois jogos. Pelos vistos, para Ronaldo isso é “respeito”. A negação dele ainda é mais profunda do que eu pensava. Que parte de “não fez pré-época” (mesmo que agora saibamos que foi por motivos legítimos) e “futebolisticamente já tem idade para ser avô” é que ele não percebe?


 


O que eu receio verdadeiramente é o que acontecerá se Ronaldo não fizer grande coisa no Mundial e se a Seleção desiludir outra vez. Irá Ronaldo também queimar-nos, como fez com o Manchester United? Culpando toda a gente menos ele próprio? Será assim que a história dele na Seleção terminará? Eu quero pensar que não – até porque Ronaldo tem sido o menino-bonito da FPF há muitos anos – mas não sei. 


 


Por estes dias quase desejo que Ronaldo já tivesse deixado a Seleção. Iria custar horrores, sim, não voltará a haver ninguém como ele. Mas temos talento suficiente com que nos entusiasmamos (mais sobre isso já a seguir). Ronaldo é tão grande, tanto no bom como no mau sentido, que produz a sua própria força gravítica, interfere com tudo em seu redor.


 



 


Espero que as minhas previsões mais pessimistas não se realizem. Espero que ele esteja a ser sincero quando diz que aceitaria ganhar o Mundial sem marcar um único golo. Ao mesmo tempo, apesar de temer o contrário, espero que Ronaldo se saia bem no Mundial, dentro do possível para esta fase da carreira dele. Talvez um golo ou outro, para contribuir para o seu recorde.


 


E mesmo que ele não se mostre em grande forma, conto com ele para fazer de Capitão, de mentor. Para ações semelhantes ao “Anda bater!” ou quando mandou Raphael Guerreiro de volta para o campo, nos últimos minutos da final de Paris.


 


Outra questão prende-se com o timing deste Mundial. É interessante, é uma novidade, mas não pelos melhores motivos. Está a ser uma época muito pesada – a maior parte dos jogadores têm tido dois jogos por semana todas as semanas. Só estamos a ter uma semana e meia para preparar o Mundial e somos dos mais afortunados nesse aspeto. 


 


De início pensei que fazer o Mundial nesta altura do ano teria a vantagem de os jogadores não virem com uma época inteira nas pernas, ao contrário do costume. No entanto, com tantos jogos que já decorreram até agora e tão pouco tempo para recuperar, as vantagens anulam-se.


 


Por fim, o pior fator desta lista é este Mundial em si, o seu anfitrião e tudo o que aconteceu para se chegar aqui. A menos que tenham estado completamente alheados de tudo, já saberão acerca dos milhares de trabalhadores tratados de forma desumana, mesmo mortos, da misoginia, homofobia e desrespeito em geral pelos direitos humanos. 


 


Como Bruno Fernandes disse no domingo passado, o Mundial é suposto ser alegria, ser festa, ser um escape, sobretudo com tudo o que tem acontecido nos últimos anos. Não devia decorrer sobre milhares de cadáveres, num país onde a maioria da humanidade não pode existir livremente. 


 


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Uma das coisas que mais me revolta nisto tudo é a atitude da FIFA. Não só não quiseram saber dos crimes do anfitrião deste Mundial como não toleram que alguém diga alguma coisa. Há semanas enviaram uma mensagem para as seleções participantes, essencialmente dizendo-lhes para enterrarem a cabeça na areia, calarem a boca e jogarem à bola. Foram ao ponto de proibir os ingleses de usarem uma braçadeira pró-LGBTQ+ e, pior ainda, os dinamarqueses de treinarem com camisolas estampadas com a mensagem “direitos humanos para todos”.


 


Direitos humanos! Eles censuraram uma mensagem pró-direitos humanos! Em que universo é que uma mensagem pró-direitos humanos é censurável?


 


Como se não bastasse, da mesma forma, os belgas também não puderam usar camisolas com a palavra "amor". Alguém devia experimentar pôr a tocar o Imagine do John Lennon, a ver se a FIFA e/ou os cataris também censuram. 


 


Espero que as pessoas ignorem estes pedidos da FIFA e, mesmo que não boicotem o Mundial, não fiquem caladas. Como este adepto equatoriano. Eu, aliás, estou desiludida com a FPF por não esticar a corda, da maneira como os ingleses, os dinamarqueses e outros têm feito. 


 


Por outro lado, não posso censurar quem opte por não dizer nada. Se as autoridades cataris chegaram a ameaçar jornalistas dinamarqueses no outro dia só porque pensavam que estes não tinham credenciais... E a FIFA está completamente no bolso destes tipos. Aliás, aparentemente um responsável da organização terá dito há uns anos, e cito, “menos democracia às vezes é melhor para organizar um Mundial” e, ainda este fim de semana, Gianni Infantino – e não tenho a certeza de que ele estava a brincar – disse que atribuiria um Mundial à Coreia do Norte.


 


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Com isto tudo, tenho andado com medo que ocorra um incidente grave neste Mundial – já começou a acontecer. Coisas destas têm sido mais frequentes desde o regresso do futebol após a pandemia. Com todas as circunstâncias à volta deste Mundial, infelizmente acho que é quase inevitável.


 


Espero muito estar enganada.


 


Assim, mesmo tirando os problemas da Turma das Quinas da equação, não vou conseguir desfrutar deste Mundial da mesma forma. Uma parte de mim deseja que não ganhemos o Mundial desta vez, só para não termos esta mancha em algo que seria o nosso maior feito. 


 


O que é uma pena pois estou de férias na semana dos nossos jogos com o Uruguai e a Coreia do Sul. Era algo que queria fazer há anos e nunca conseguira: tirar uns dias durante um campeonato de seleções, para ter tempo para escrever aqui no blogue e ver jogos à vontade – de Portugal e não só. Finalmente consigo e calhou ser este Mundial. Nem sequer vão haver fanzones.


 


Ao menos terei cafés e esplanadas. 


 


Termino esta parte do texto deixando este link, onde poderão fazer donativos à Amnistia Internacional, para ajudar os trabalhadores maltratados a propósito deste Mundial. Eu já fiz um donativo, talvez faça mais, se me for possível. Se tiverem possibilidades para isso, façam o mesmo. 


 


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Regressando à nossa Seleção, devo dizer que o nosso grupo, os nossos Marmanjos – tirando Cristiano Ronaldo e mesmo assim – contrariam os meus sentimentos negativos. Não tenho muito a dizer sobre os Convocados – como disse António Tadeia umas quantas vezes, quase toda a gente iria escolher os mesmos, só mudaria um ou outro nome. Estou um bocadinho triste por Renato Sanches e, sobretudo, João Moutinho terem ficado de fora – este último não terá mais nenhum Mundial. 


 


Também não tenho muito a dizer sobre o particular com a Nigéria, no Estádio de Alvalade. Tínhamos pensado ir, mas não deu. Um dos motivos foi o horário: o jogo começou às 18h45. Parecendo que não, fez-nos diferença. Não teria havido problema se o jogo tivesse começado às 19h45 da praxe.


 


Mesmo não tendo ido ao estádio, no dia do jogo só saí às 19h30 – ou seja, perdi a primeira parte, tirando ocasionais espreitadelas a sites de atualizações. Dizem que a primeira parte foi boa. Dois golos de Bruno Fernandes, um de penálti – e ainda terá desperdiçado um, em cima do intervalo. 


 


No primeiro, João Félix fez de Rúben Neves, com um excelente passe à distância para a assistência de Diogo Dalot. Félix também estaria nos golos da segunda parte. Parece que o miúdo não tem tido vida fácil no Atlético de Madrid mas, conforme comentei algumas vezes na página, não percebo porquê. Félix está claramente num bom momento. Porque andam a implicar com ele? 


 


O miúdo tem é de se mudar para um clube que o trate melhor. 


 


Na segunda parte já estava à frente de uma televisão mas, como é costume nestes jogos, o ímpeto não foi o mesmo. Não deixaram de jogar bem, ainda assim. 


 



 


O melhor período foi o que foi desde o penálti defendido por Rui Patrício até ao quarto golo. Como se não bastasse o primeiro, o guarda-redes já fizera uma bela defesa antes, mesmo ao seu estilo. Por estes dias ninguém se cala com Diogo Costa, eu incluída, mas Rui Patrício continua a ser Rui Patrício, ainda tem uma palavra a dizer. Somos abençoados por ter os dois. Se eu estivesse no lugar de Fernando Santos, ia alternando entre ambos – até por uma questão de gestão física.


 


E depois os dois golos, ambos jogadas coletivas, ambos com João Félix a assistir para a assistência, ambos momentos deliciosos. Sobretudo o segundo, com o grande passe de João Palhinha (foi ele, não foi?) para Félix e, depois, a assistência de Gonçalo Ramos de calcanhar. 


 


Já viram o que estes meninos conseguem fazer? Já viram o que acontece quando as coisas se encaixam? É isto que me frustra. Temos todo este talento, mas, quando é a sério, isso não se traduz em bons desempenhos. Esta vitória perante a Nigéria entusiasmou uns quantos, os jogadores têm falado em ganhar o Mundial. Não vou mentir, conseguiram contagiar-me um pouco. Mas também… não estávamos numa situação parecida antes do Euro 2020? E como é que isso correu? 


 


Mesmo tendo isto em conta e tudo o que foi discutido neste texto… no fim, continuo a ser eu. O meu default será sempre apoiar, acreditar. Como escrevi no mês passado, virar as costas não me traria felicidade nenhuma. Mesmo com todas as minhas reservas, enquanto for possível, acreditarei. 


 


Passando a aspetos mais práticos, acho que conseguimos pelo menos passar a fase de grupos. Seria melhor passarmos em primeiro, a ver se evitamos o Brasil nos oitavos de final. Não digo que seria impossível vencê-los, mas… dizendo-o de uma forma simpática, apanharia toda a gente de surpresa. 


 


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A nossa estreia perante o Gana será esta quinta-feira. Será o nosso único jogo da fase de grupos em que estarei a trabalhar, mas isso não será completamente mau. Quero ter a experiência de um jogo de campeonato de seleções no meu emprego atual – que sempre atrai mais interesse que jogos de qualificações e afins. 


 


Antes de terminarmos, uma nota rápida para dois temas de apoio à Seleção lançados recentemente. Um deles é a nova versão do Vamos Lá Cambada, o hino oficializado pela Federação – a FPF finalmente acertou. Pena ainda não estar no Spotify mas, com tudo isto, estou a tomar o gosto à versão original (talvez goste ainda mais desta).


 


Por outro lado, adoro Portugals dos Jesus Quisto, do Pôr do Sol. É uma paródia, mas gosto genuinamente do instrumental – rock misturado com ranchos folclóricos. 


 


Os dois temas são parecidos, nesse aspeto: humorísticos mas muito portugueses. E ainda bem. Isto é futebol. Não precisa de ser levado demasiado a sério. 


 


Acompanhem comigo a participação portuguesa neste Mundial, quer através deste blogue, quer através da página. E termino com uma citação de José Estebes: “Deixem-se de tretas, força nas canetas, que o maior é Portugal!”


 




(A parte do “força nas canetas” é para mim, não é? Afinal de contas, eu escrevo os rascunhos deste blogue à mão…)

domingo, 17 de outubro de 2021

Esperança reforçada

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No passado sábado, dia 9 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere catari por três bolas sem resposta, em jogo de carácter particular. Três dias depois, venceu a sua congénere luxemburguesa por cinco bolas sem resposta, em jogo a contar para a Qualificação para o Mundial 2022… e eu estive lá!


 


Neste texto, vou focar-me menos no jogo com o Catar e mais no jogo com o Luxemburgo. O primeiro foi apenas um particular, menos importante. O segundo foi oficial, com um pouco mais de história, e foi o meu regresso aos jogos da Seleção, mais de dois anos e uma pandemia depois da minha última vez. Tenho muito mais a dizer. 


 


Não que o jogo com o Catar tenha sido mau. Foi acima da média no que toca a particulares nos últimos anos e houve uma clara melhoria em relação ao jogo do mês passado. Os jogadores encararam o jogo com seriedade – gostei do desempenho de Gonçalo Guedes, por exemplo, mas os grandes destaques foram os estreantes, como veremos já a seguir. 


 


Por outro lado, o Catar também não deu uma para a caixa.


 


Ainda assim, foi preciso esperar mais de meia hora pelo primeiro golo da Seleção. O estreante Matheus Nunes fez um excelente passe para outro estreante, Diogo Dalot, em cima da linha final. Este assistiu de cabeça para Cristiano Ronaldo, que não desperdiçou.


 



 


Sem desprimor para o nosso Capitão, que juntou mais um país à sua lista de golos… aqui foram os estreantes a fazer o mais difícil. Em particular Dalot, um dos melhores em campo neste jogo.


 


O segundo golo veio no início da segunda parte, na sequência de um canto batido por João Mário. William Carvalho tentara rematar primeiro, de cabeça, mas o guarda-redes catari defendeu primeiro. Na recarga, José Fonte rematou certeiro para as redes. Foi o seu primeiro golo pela Seleção, apesar de já se ter estreado há uns bons anos. 


 


Bem, ele é um central. Marcar golos não é uma prioridade para ele, pelo menos não da maneira como é para um avançado ou mesmo um médio. Nós estamos mal habituados com Pepe e Bruno Alves.


 


Um dos destaques na segunda parte foi Rafael Leão, que rendeu Cristiano Ronaldo ao intervalo. Via-se mesmo que o Marmanjo queria muito marcar um golo, mas não conseguiu acertar com a baliza. 


 


Acabou por culminar num momento caricato aos oitenta e dois minutos. Bruno Fernandes fez-lhe um passe de primeira, desde o meio-campo. Leão conseguiu o mais difícil: desviar-se do guarda-redes e do colega catari. Mas, quando tinha a baliza aberta, atirou à barra. 


 


Um lance digno dos apanhados, coitado.


 


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Bruno Fernandes não resistiu a mandar-lhe uma bicada nas redes sociais, como podem ver. É tão mau...


 


Ao menos Rafael conseguiu carimbar uma assistência, já em tempo de compensação. André Silva – outro que estava com ganas – só teve de desviar de cabeça para a baliza. Ficou feito o resultado. 


 


A única coisa má a apontar a este jogo (e também ao seguinte) é que podiam ter havido ainda mais golos. Pelo menos neste caso era apenas um particular. Se é para falhar oportunidades como aquela do Rafael Leão, que seja quando é a feijões.


 


O Portugal x Luxemburgo foi, então, o meu regresso aos jogos da Equipa das Quinas. Não foi o meu regresso aos estádios após a pandemia – esse regresso ocorreu há poucas semanas, num jogo do Sporting com a minha irmã. Se eu teria preferido regressar com a Seleção, o meu clube? Sim. No entanto, precisamente por causa da pandemia, preferi ser prática em vez de sentimental. Não desperdiço oportunidades. 


 


Foi o que fiz também com este jogo. Tinha férias para tirar, as primeiras este ano, logo, fui passar uma semana ao Algarve (e até apanhei bom tempo. Deu para ir a banhos). A única parte chata é não ter tido companhia – foi a primeira vez que fui a um jogo de futebol sozinha.


 


Não que tenha sido muito mau. Regra geral não tenho problemas em fazer coisas a solo. E no caso deste jogo, encorajou-me a ir trocando comentários com outras pessoas na bancada – algo que, se calhar, não aconteceria noutras circunstâncias. 


 


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Esta foi a minha segunda vez no Estádio do Algarve. A primeira foi em 2005, também perante o Luxemburgo, conforme recordei aqui. Esse jogo terminou com 6-0 no marcador, mas toda a gente sabe que os luxemburgueses melhoraram muito desde então. Não se iam deixar golear desta maneira outra vez.


 


Ou assim pensávamos nós.


 


O ambiente estava ótimo no Estádio do Algarve. Lotação esgotada pela primeira vez desde o início da pandemia o que, depois de uma época inteira de estádios vazios ou parcialmente lotados, terá sabido particularmente bem aos jogadores. 


 


Tal como já acontecera noutros jogos da Seleção, havia uma pequena claque que ia entoando cânticos, alguns adaptados dos clubes. Nem todos conseguiam cativar o público, tirando uma pessoa ou outra. Os melhores eram a tradicional onda e uma adaptação do haka islandês.


 


O jogo dificilmente podia ter começado melhor, com três golos da Seleção em menos de vinte minutos. É certo que os dois primeiros foram de penálti – e que o primeiro penálti não era válido, embora na bancada não conseguíssemos perceber. 


 


Compreendo as queixas de Luc Holtz, selecionador do Luxemburgo, mas todos concordam que não foi por esse penálti que Portugal ganhou. Pode-se discutir, sim, se o jogo teria decorrido da mesma forma se aquele penálti não tivesse sido assinalado. Depende muito de jogo para jogo. Existem casos em que um golo cedo muda tudo, desbloqueia um jogo. Existem outros casos em que, quando a boa entrada de uma das equipas não se traduz em golos – ou quando se falha um penálti, como aconteceu perante a Irlanda – a corrente do jogo muda. 


 



 


No caso deste jogo, no entanto, acho que não faria diferença. Até porque os luxemburgueses fariam nova falta para penálti – esse legítimo – poucos minutos depois.


 


Ainda assim, achei mal quando, mais tarde, Fernando Santos invocou o golo anulado em Belgrado a propósito desta conversa. Uma arbitragem olho por olho no que toca a erros é mau princípio. 


 


Em todo o caso, estes penáltis serviram para Cristiano Ronaldo juntar mais um par de golos à sua lista. E para gritarmos “SIIIM!” nas bancadas em coro com ele – algo que eu desejava fazer há algum tempo.


 


Tenho a ideia de que a jogada para o terceiro golo da partida começou com João Cancelo, mas posso estar enganada. De qualquer forma, a assistência foi de Bernardo Silva e o remate foi de Bruno Fernandes. O guarda-redes Anthony Moris, se calhar, podia ter feito mais, a bola passou-lhe mesmo por baixo do corpo, mas nada disso tira o mérito a Bruno.


 


Nesta altura, um miúdo de seis ou sete anos sentado atrás de mim comentou:


 


– Isto vai dar em goleada…


 


Eu disse-lhe que costumava ser assim, com o Luxemburgo – ele era demasiado novinho para se recordar desses jogos – e que, se calhar, naquela noite aconteceria o mesmo. No entanto, depois destes frutuosos primeiros vinte minutos, o resto da primeira parte não teve grande história.


 



 


Na segunda parte, aos sessenta e oito, deu-se um dos momentos da noite. Ronaldo rematou com um lindo pontapé de bicicleta. Por seu lado, o guarda-redes Moris resolveu agigantar-se e defender aquela. Um remate espetacular que obrigou a uma defesa espetacular.


 


Imagens posteriores mostraram um Ronaldo desiludido com este falhanço. Também mostraram André Silva ajudando-o a levantar-se, os outros colegas consolando-o, e isto é um dos motivos pelos quais adoro a Seleção. Ao mesmo tempo, nas bancadas, festejámos e cantámos o nome dele (dá para ouvir no vídeo) como se a bola tivesse entrado.


 


Ou se calhar foi a nossa forma de consolá-lo.


 


Em todo o caso, no minuto seguinte, na cobrança do pontapé de canto resultante da defesa, novo destaque. João Palhinha saltou, elevando-se sobre os demais, e marcou de cabeça. Na bancada pensámos que tinha sido Ronaldo a marcar, até pelo festejo, gritámos “SIIIM!” e tudo… só depois vimos que um dos Marmanjos que foi abraçar o marcador usava a camisola 7. Estive uns bons cinco minutos a rir-me da lata do Palhinha. Não há respeito pelo Capitão… 


 


Eu adoro-os. 


 


A cinco minutos do fim, Ronaldo chegou finalmente ao hat-trick. Grande trabalho de Rúben Neves também, que gosta muito de fazer estes passes à distância, quase teleguiados. Ronaldo só teve de desviar de cabeça.


 


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Estava feito o resultado. Cinco a zero. Não tem sido muito habitual a Seleção marcar tanto nos últimos anos – o mais recente fora perante a Andorra, no ano passado. É certo que o Luxemburgo não deixa de ser uma seleção de microestado e houve demérito da parte deles neste jogo, mas a verdade é que não lhe ganhávamos por tanto há dez anos.


 


E o resultado podia ter sido ainda mais volumoso. Continuamos com um problema de eficácia, o que noutras circunstâncias poderia tramar-nos. No entanto, falando por mim e exclusivamente sobre esta noite… eu não podia ter pedido mais. 


 


Foi a maneira perfeita de regressar aos jogos da Seleção, depois de tanto tempo de ausência e de tudo o que aconteceu entretanto. Uma das noites mais felizes deste ano. Cheguei a desejar que o jogo nunca acabasse. Mesmo quando acabou, não pude demorar muito, mas soube-me bem caminhar entre outros adeptos, de bandeira ao ombro, bebendo as últimas gotas daquele ambiente fantástico. Fiz toda a minha viagem de regresso a sorrir e a minha garganta demorou dois dias a recuperar. 


 


Tinha regressado a casa. Deve ser por isso que A Minha Casinha é a verdadeira música da Seleção, por muito que a FPF tente impor-nos outras músicas. 


 


Estes jogos reforçaram a esperança que senti no final da jornada do mês passado. Sim, estamos a falar apenas do Catar e do Luxemburgo, não são equipas de renome. Mas foi a segunda vez que os defrontámos este ano e houveram claras melhorias de um encontro para o outro. Fomos mais consistentes, marcámos mais golos e deixámos de sofrê-los – interrompendo uma tendência que se vinha a arrastar. Temos os play-offs garantidos, bastando-nos quatro pontos para carimbarmos o passaporte para o Catar.


 


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Por isso sim, mantenho o benefício da dúvida em relação a Fernando Santos. Por enquanto. Na próxima jornada os testes serão mais difíceis… mas falaremos sobre isso na altura.


 


Obrigada pela vossa visita, como sempre. Soube bem escrever esta. Daqui a menos de um mês haverá mais. Até lá, não deixem de visitar a página de Facebook deste blogue. 

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Lá se vai

01.pngNo passado dia 11 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere andorrana por sete bolas sem resposta, em jogo de carácter particular. Três dias depois, a Seleção Portuguesa perdeu contra a sua congénere francesa pela margem mínima, ficando assim afastada da final four da Liga das Nações. Três dias depois desse jogo, a Seleção venceu a sua congénere croata por três bolas contra duas. 


 


Bem, lá se vai um dos nossos dois únicos títulos. 


 


Comecemos pelo início. Nesta jornada tripla saiu-me a fava no que toca a horários de trabalho: saí às oito da noite nos dias dos dois jogos que decorreram durante a semana. Como na jornada tripla anterior saí sempre a tempo de ver os jogos – e como os dois jogos em questão foram pouco interessantes – não foi grave.


 


No dia do jogo com a Andorra, tive o duplo “azar” de a minha mãe fazer anos e irmos jantar fora (éramos apenas quatro e todos do mesmo agregado familiar). No caminho, ou seja durante a primeira parte, fui ouvindo o relato na rádio. O restaurante, infelizmente, não tinha televisão. Ainda liguei o meu telemóvel no RTP Play, mas mal olhava para ele. Acabei por desligá-lo, pois estava a ficar sem bateria e estava mais interessada na refeição e na conversa. Ou seja, mal acompanhei o jogo.


 


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Aparentemente não perdi nada por aí além. O onze inicial foi muito diferente do que fora a regra nos jogos anteriores. Uma das melhores coisas deste jogo foi o facto de os dois estreantes, tanto em Convocatórias como em internacionalizações, terem marcado. Parece que isso não acontecia há mais de cinquenta anos. Pedro Neto, o mais novinho, abriu o marcador depois de uma bonita jogada. Paulinho bisou – marcou em ambas as partes do jogo.


 


Só na segunda parte é que entraram titulares habituais, como Cristiano Ronaldo, João Félix, Diogo Jota. Segundo dizem, Ronaldo estava impaciente por marcar – não admira, ele quer atingir o recorde de Ali Dalei – e os colegas tentaram ajudá-lo. Neste tipo de jogos, que não contam para nada, não faz mal. É mais uma prova do bom ambiente entre os Marmanjos. Além disso, lembro-me de, algures em 2004, num jogo contra o Luxemburgo, Ronaldo devia ter marcado um penálti mas ofereceu-o a Pedro Pauleta, que na altura estava atrás do recorde de Eusébio. 


 


Infelizmente Ronaldo devia estar menos inspirado que o costume. Só marcou um golo. Foi melhor assim, para que ninguém diga que ele só marca a equipas pequenas. Ele há de chegar lá, mais cedo ou mais tarde.


 


Não me arrependo de não ter visto o jogo como deve ser. Eram os anos da minha mãe e, se havia jogo que se podia não ver era este. Fernando Santos nem sequer queria disputá-lo. À hora desta publicação, provavelmente só os estreantes Pedro Neto, Paulinho e Domingos Duarte se recordam dele. 


 


Dito isto, não consegui deixar de ter pena por não ter visto este jogo. Se a Seleção joga, mesmo a feijões, mesmo perante equipas como a Andorra, eu quero ver. Mas às vezes não dá. 


 


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Suponho que agora tenha de escrever sobre o jogo com a França. Lá terá de ser. Não sei se alguma vez o referi aqui, mas custa-me mais escrever sobre jogos que correm mal do que sobre jogos que correm bem. Foi o que aconteceu com este. 


 


Antes de mais nada, em defesa dos Marmanjos… sabíamos que ia ser difícil. Eu mesma o referi na habitual nota pré-jogo na página de Facebook deste blogue. Era a França! Como tenho dito várias vezes aqui no blogue, era a atual Campeã do Mundo e uma das nossas maiores bestas negras. 


 


Aliás, para não estar sempre a escrever o mesmo, vou passar a escrever apenas, passe a expressão, “a motherfucking França. Por favor, considerem que a parte dos Campeões do Mundo e bestas negras ficam implícitos no “motherfucking”. Já devia ter adotado esta expressão há mais tempo… 


 


Dizia eu que era a motherfucking França e que sabíamos que era uma tarefa hercúlea. Ainda assim, acho que estávamos todos à espera de um bocadinho mais, sobretudo depois de até termos feito um bom jogo em Paris. 


 


Já aí vamos. 


 


Na primeira parte quase só deu França. Portugal parecia incapaz de segurar a bola. Muitos acusaram a Seleção de ter jogado à defesa, “para o empate”, mas pode-se sequer dizê-lo quando os franceses chegavam à nossa grande área sem dificuldade nenhuma? 


 



 


Ia-nos valendo Rui Patrício, imperial como já nos habituou há anos. Numa das primeiras defesas que ele fez, por exemplo, a um remate de Anthony Martial isolado por Antoine Griezmann, eu já dava o golo como marcado. Numa das últimas da segunda parte, também a uma iniciativa de Martial, Patrício acabou mesmo lesionado numa zona sensível (a minha irmã disse mesmo “Ficou infértil”). 


 


Aparentemente, ao intervalo Fernando Santos considerava o zero-zero um bom resultado, tendo em conta o que se sucedera na primeira parte. Não estava errado… mas não havia grandes motivos para festejos, na minha opinião. Todas as belas defesas de Rui Patrício resultaram de confrontos de um para um, avançado versus guarda-redes, que deviam ter sido evitados pelos outros jogadores. Patrício não podia fazer tudo sozinho. 


 


Teríamos defendido melhor com Pepe? A minha opinião vale o que vale, mas acho que sim. No entanto, Pepe vai a caminho dos trinta e oito, a médio/longo prazo não é viável estarmos sempre dependentes dele. 


 


Não posso, assim, dizer que o golo sofrido ao início da segunda parte (apesar de até termos reentrado bem depois do intervalo) tenha sido uma surpresa. Quem anda à chuva molha-se – e, parecendo que não, Rui Patrício é humano. 


 


Portugal passou o resto do jogo a correr atrás do resultado. Fernando Santos, não tendo já nada a perder, colocou a carne toda no assador: Diogo Jota, Trincão, Paulinho… João Moutinho entrou muito bem. Até pareceu que Portugal estava a dominar, finalmente acordado para a vida… mas a França já tinha tirado o pé do acelerador, soube ser fria e defender o resultado. O marcador não se alterou até ao final do jogo. 


 


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A França foi melhor. É tão simples quanto isso. Podíamos ter feito melhor? É difícil avaliar. Nas redes sociais acusaram a Seleção de jogar à defesa, para o empate – levando Fernando Santos a responder à letra. Vários comentadores, como António Tadeia, defendem que o problema estava no meio-campo, sem comparação com o francês. Provavelmente têm razão. 


 


Eu ainda assim (e, uma vez mais, a minha opinião vale o que vale) acho que, mesmo que tivéssemos feito tudo bem, dificilmente teríamos ganho. Talvez conseguíssemos o empate a zeros… A França não é Campeã do Mundo por acaso. 


 


Havemos de regressar ao jogo com a França. O jogo com a Croácia, três dias depois, era suposto ser um jogo para o orgulho, para provar que o que acontecera no sábado fora apenas um deslize. Fernando Santos veio com essa conversa na antevisão do jogo e Rúben Dias, que o acompanhou, afinou pelo mesmo diapasão. 


 


Por aquilo que fez no jogo, acredito que Rúben estava a ser sincero. Mas, apesar da vitória, não sei se este jogo ajudou a limpar a imagem deixada três dias antes. 


 


Tal como já tinha dito, no dia do jogo saí do trabalho às oito, logo, só consegui acompanhar a primeira parte (e, mesmo assim, não toda) pela rádio. Só houveram golos portugueses na segunda parte, quando eu já tinha acesso a uma televisão, o que foi simpático. Por outro lado, segundo o Record, o relato dos golos por José Pedro Pinto, da Antena 1, impressionou os jornalistas croatas – o que me deixou com pena se não ter podido ouvir. 


 


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Diz que os portugueses até não entraram mal na partida, se bem que com pouca agressividade. O mau estado do relvado não ajudou. Acabou por ser a Croácia a chegar à vantagem, perto da meia hora de jogo. O Rúben Semedo tentou cortar um passe na grande área, falhou, deixando Mario Palasic assistir para Mateo Kovacic. Rui Patrício ainda defendeu o primeiro remate, mas na recarga não pôde fazer nada. 


 


Em defesa de Semedo, ele não foi o único a cometer fífias destas neste jogo. 


 


A segunda parte começou melhor para Portugal – sobretudo quando Rog foi expulso e a Croácia se viu reduzida a dez. Ronaldo cobrou o livre resultante dessa falta. O guarda-redes Livakovic fez uma defesa incompleta. Rúben Semedo tomou controlo da bola e assistiu para Rúben Dias, que se estreou a marcar pela Seleção.


 


Portugal acabaria por chegar à vantagem com um golo que, noutras circunstâncias, teria sido anulado – Diogo Jota ajeitou a bola com a mão antes de assistir para João Félix. Porque é que não há VAR na fase de grupos da Liga das Nações? A tecnologia já não é nova, está disponível em praticamente todas as competições, qual é a lógica de deixá-la de fora? Se eu estivesse do lado dos croatas – e, para ser justa, se eles estivessem mais dependentes do resultado para não descer de divisão – estaria fula.


 


De qualquer forma, os croatas não ficaram em desvantagem durante muito tempo. Kovacic tornou a marcar, numa jogada em que, uma vez mais, a defesa portuguesa ficou mal na fotografia. 


 


Felizmente conseguimos regressar à vantagem, mesmo ao cair do pano, num lance caricato. Na sequência de um canto nosso, Livakovic conseguiu agarrar a bola mas deixou-a cair depois de chocar com um colega de equipa. Rúben Dias agarrou a oportunidade e bisou.


 



 


Consta que esta foi a primeira vez em vinte e um anos que um central bisa pela Seleção – o que me surpreendeu, pois até temos tido vários centrais marcando golos nos últimos anos. O Bruno Alves teve uma fase bastante goleadora. Antes disto, era capaz de jurar que houve pelo menos uma ocasião em que ele bisou. Pelos vistos estava enganada. 


 


Espero que o Rúben Dias dê os mesmos passos que Bruno Alves e Pepe. Neste momento é apenas um jovem, fazendo os primeiros jogos pela Seleção, marcando os primeiros golos. Mas, se tudo correr bem, daqui a uns anos será um líder.


 


Em suma, longe de deixar uma melhor imagem em relação ao jogo anterior, este encontro teve a qualidade exibicional de um particular. Destaquem-se os erros defensivos de ambas as equipas. 


 


Não é dramático, atenção. O jogo valia pouco, sempre era a atual vice-campeã do Mundo (com todas as atenuantes) e, se é para cometer erros, para marcar e sofrer golos ilegais, que seja em jogos com este.


 


Ainda assim, depois da conversa de Fernando Santos e Rúben Dias na véspera, estava à espera de mais. O Selecionador esteve, aliás, invulgarmente crítico depois do jogo. Ninguém percebeu a parte do “jogar bonitinho”, mas percebe-se se o desagrado dele foi por nem todos os Marmanjos terem levado o jogo a sério. 


 


Eu também não gostei. Por outro lado, não vou dizer que não compreendo, ou mesmo que não fizesse o mesmo no lugar dos jogadores. Era o último jogo de uma jornada tripla, que não contava para nada, após uma viagem longa, num terreno mais indicado para plantar batatas do que para jogar futebol. Vinham de uma derrota desmoralizadora. Por fim, por estes dias, já quase toda a gente se esqueceu deste jogo. 


 


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Em suma, um Marmanjo não é de ferro. Não acho que se justifique censurá-los por esta (a história é diferente com o jogo com a França). Parece-me também que, se não fosse o jogo anterior, Fernando Santos não teria sido tão duro. O Selecionador desejava ter um treino no dia seguinte, poder continuar o trabalho com a Seleção. Não dá – os próximos jogos serão daqui a quatro meses. Nessa altura já muito terá mudado, a atitude será completamente diferente.


 


Não vou mentir, esta jornada tripla soube-me a pouco. Depois de ter passado a crónica anterior enchendo vários jogadores portugueses de elogios… Não me orgulho disso, mas por estes dias, quando os Marmanjos se saem bem e marcam golos pelos seus clubes, sinto-me um bocadinho ciumenta, aziada por termos visto muito pouco disso nos jogos da Seleção. 


 


A derrota perante a França foi uma desilusão. Roubou-nos a possibilidade de defender o título. Ninguém gosta de fracassar – muito menos uma Seleção que não falhava fases finais desde que a minha irmã nasceu, há vinte e três anos. 


 


É certo que estes são moldes muito diferentes de uma qualificação para um Europeu ou Mundial. Temos um grupo de seleções teoricamente ao mesmo nível que nós, em vez de haver uma estratificação. Só quatro seleções é que passam. Na primeira edição tivemos a vida facilitada, num grupo com apenas dois adversários. Agora calhou-nos a motherfucking França.


 


A parte mais dura é que, ao contrário do que quase acontece em todos os apuramentos para Mundiais ou Europeus, não se pode dizer que tenha sido um fracasso por auto-sabotagem. Até ao jogo com a França estávamos a fazer tudo bem nesta fase de grupos, até mesmo nos particulares. Bastou um jogo mau para ir tudo por água abaixo. 


 


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É duro mas não é dramático. Ao contrário do que as redes sociais deram a entender, não passámos de bestiais a bestas de um dia para o outro. E, tal como Fernando Santos apontou, é impressionante a maneira como, há um par de anos, estava toda a gente nas tintas para a Liga das Nações mas, agora, toda a gente quer a cabeça do Selecionador. 


 


É um fracasso, um fracasso doloroso. Temos de perceber o que correu mal, de aprender com os erros – até porque vamos voltar a cruzar-nos com os nossos amigos franceses em breve. Mas esta não é a altura para colocar tudo em causa. 


 


Eu pelo menos não vou colocar tudo em causa. Vocês sabem que tenho um viés favorável às Quinas, costumo ter boa vontade para com a Seleção. Mas já a acompanho há muitos anos e, sinceramente, já passámos por bem pior. Estou desiludida mas não é isto que me tira o sono – muito menos no ano da desgraça de 2020!


 


Agora só temos jogos da Seleção daqui a quatro meses, conforme já tinha referido antes. Confesso que me custa um bocadinho – parece que foi ainda há pouco tempo que a Equipa de Todos Nós regressou após meses e meses e, agora, fica outra vez em pausa. 


 


Serão os primeiros jogos da Qualificação para o Mundial 2022 (meu Deus, já estamos de olhos no Mundial do Qatar!). O sorteio dos grupos realiza-se no dia 7 de dezembro. Não quero especular sobre esse sorteio – só espero que não seja um grupo demasiado fácil. É nesses que a coisa dá para o torto.


 


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Como este ano só houveram jogos no outono, não vou escrever a habitual retrospetiva de fim de ano. O que escreveria? O melhor do ano? A fase de grupos da Liga das Nações estava a correr bem até ter corrido mal? O pior? Por onde começar? O adiamento do Europeu? O Ronaldo apanhando Covid e toda a gente com medo de um surto na Seleção? O fracasso aos pés da França?


 


Não, não vale a pena.


 


O pior é que isto significa que este blogue também vai ficar em pausa durante estes quatro meses. Disso tenho pena. Mas pode ser que, quando nos encontrarmos de novo, as coisas estejam melhores que agoa. Pode ser que já estejam a dar uma vacina para o Coronavírus (eu acho que as previsões atuais são demasiado otimistas, no entanto) ou, pelo menos, que os jogos tenham público outra vez – estou convencida de que o jogo com a França nos teria corrido melhor se nós, os adeptos, tivéssemos estado lá. 


 


Assim, deixo já os meus votos de boas festas e boas entradas em 2021 – dentro do possível com a pandemia. Cuidem de vocês mesmos, usem máscaras, lavem as mãos, respeitem as ordens de confinamento. Vão visitando a página do Facebook daqui do blogue. Saúde, ânimo (incluindo para mim mesma). Até à próxima!

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