domingo, 13 de maio de 2012

Crise existencial em altura de aniversário

Depois de semanas à espera, incluindo um abril invulgarmente cinzento e chuvoso em vários aspetos, finalmente encontramo-nos em vésperas do Anúncio dos Convocados que representarão Portugal na fase final do Campeonato Europeu de Futebol, que terá lugar na Polónia e na Ucrânia no próximo mês. Estes dias ficam ainda marcados pelo quarto aniversário deste meu blogue, O Meu Clube é a Seleção, inaugurado a 12 de maio de 2008.

Não se pode dizer em rigor que tenho escrito neste blogue há quatro anos. A minha ideia inicial era mantê-lo apenas durante a fase final do Europeu de há quatro anos, estive praticamente um ano sem atualizar o blogue.

Quando penso nisso agora, se calhar não terá sido muito má ideia ter suspendido o blogue por essa altura. Não se deram muitos acontecimentos relacionados com a Seleção nesse ano e os poucos que se deram foram, na sua maioria, tropeções na Qualificação para o Mundial 2010 - assuntos extremamente deprimentes. No entanto, mesmo nessa altura, eu ia fazendo as minhas reflexões por escrito - mais valia tê-las publicado no blogue, para ajudar outras pessoas sem ser apenas eu própria, incluindo, se calhar, os próprios jogadores, a processarem a frustração inerente às sucessivas desilusões e, ao mesmo tempo, transmitir-lhes coragem e esperança. 

Acabou por ser, em parte, por esse motivo que retomei o blogue em junho de 2009. Em parte por isso, o resto porque, pura e simplesmente, tinha imensas saudades de escrevê-lo. A altura em que voltei a atualizá-lo acabou por coincidir com o ponto de viragem no percurso da Seleção para o Mundial 2010 - mais ou menos. E, desde essa altura, com uma ou outra exceção alheia à minha vontade, nunca mais deixei de publicar entradas sempre que a Equipa de Todos Nós tinha um jogo ou estava envolvida nalgum acontecimento importante. 

Tenho bem a noção de que o meu blogue tem tido pouquíssimos leitores, por mais promoção que tente fazer. Que, na prática, teria quase a mesma audiência que obtenho com este blogue se escrevesse sobre a Seleção num diário pessoal (como fazia antes de 2008). E embora isso às vezes me desanime, não me impede de continuar a escrevê-lo. Sempre gostei de escrever, sempre gostei de escrever sobre a Seleção, se houver hipóteses de ajudar a Equipa de Todos Nós dessa maneira, nem que seja apenas um pouco, fá-lo-ei com todo o prazer.

Há coisa de dois meses e meio, inaugurei a página de Facebook de apoio ao blogue. Ao longo deste tempo, esforcei-me por publicar pelo menos uma vez por dia - o que desafia a minha criatividade. Nunca quis que o meu blogue fosse uma mera fonte de notícias sobre a Turma das Quinas. Criei-o para que fosse um espaço onde pudesse expressar as minhas opiniões. Do mesmo modo, não queria que a respetiva página de Facebook transmitisse apenas as últimas novidades sobre a Seleção. Já existem imensas fontes de notícias assim na Internet - sem querer desvalorizar páginas como o Gosto da Seleção Portuguesa, que tem feito um excelente trabalho ao fornecer, entre outras coisas, imagens engracadíssimas referentes à Equipa de Todos Nós. Além de que já partilhou o meu vídeo para The Climb. O que tenho tentado fazer é publicar notícias, fotografias, vídeos, músicas juntamente com as minhas opiniões sobre o assunto. Houve alturas em que não acontecia nada relacionado com a Seleção e não era fácil arranjar algo que publicar. Foi difícil resistir à tentação e pura e simplesmente voltar a partilhar publicações de páginas como as acima mencionadas. Mas ajudou a mitigar a abstinência de Seleção.

Para além de páginas como o Gosto da Seleção Portuguesa, outra fonte de notícias que me foi bastante útil foi o Alerta do Google que já tinha criado há alguns meses, para me avisar sempre que surjam publicações sobre a Seleção Nacional na Internet. Não é tão seletivo como o ideal, às vezes aparecem-me artigos sobre o clube brasileiro A Portuguesa, por exemplo.

Ora, há cerca de dois meses, apareceu-me nos Alertas uma publicação no Yahoo Answers com a seguinte pergunta:

"Qual (é) o problema da Seleção Portuguesa?"

"Esses dias tenho pensado num problema tradicional da seleção portuguesa... Uma seleção cheia de grandes jogadores como CR7, Quaresma, Ricardo Carvalho, Deco, Pepe, Pauleta, Nani... E outros aposentados como Luís Figo... mas nunca conseguiu nada mais que semi-finais de euros e copas... qual o problema dessa seleção?? que cheia de sensacionais jogadores, amarela nos títulos???"

Fonte: AQUI

Quando vi o título da pergunta pela primeira vez, fiquei a olhar para aquilo estilo: "um brasileiro conseguiu resumir numa linha aquilo com que nos andamos a debater há anos!" Nunca pensei que fosse possível simplificar as coisas a este ponto. Mas faz sentido que tenha sido um brasileiro a formular a pergunta dos duzentos mil euros, pois é capaz de ser mais racional, mais isento do que um português.

Realmente, qual é o nosso problema, afinal? Somos há anos, para aí desde 2000, 2002, 2004, considerados candidatos ao título em cada campeonato de seleções por possuírmos jogadores "de classe mundial". Figo, Rui Costa, Nuno Gomes, Pauleta, Deco, Cristiano Ronaldo, Nani, Fábio Coentrão... No entanto, na hora da verdade, na hora de provarmos que somos candidatos ao título, caímos sempre. O que é que está a falhar?

Analisemos a coisa...


Começarei pelo Euro 2004, que foi a altura em que comecei a acompanhar a Seleção de perto. É-me cada vez mais claro que perdemos uma oportunidade de ouro - não, não, de platina! - com este campeonato: jogávamos em casa, tínhamos a base da equipa que, no ano anterior, dera a Taça UEFA e, nesse ano, a Champions ao FC Porto, tínhamos veteranos como o Figo e o Rui Costa e promessas como o Cristiano Ronaldo, tínhamos o entusiasmo dos adeptos, tínhamos todas as condições, devia ter sido tudo nosso. Ainda hoje, passados oito anos, não compreendo como é que o deixámos escapar. Há quem fale de inexperiência, excesso de confiança, de euforia ou simplesmente azar. O que é certo é que é muito difícil - para não dizer impossível - termos circunstâncias tão favoráveis como tínhamos em 2004. Cada vez me apercebo mais disso. Devia ter sido tudo nosso.


O Mundial 2006 foi outra boa oportunidade desperdiçada, embora seja discutível se tal aconteceu por culpa nossa, se foi justo. Ainda não estou convencida de que aquele lance envolvendo o Ricardo Carvalho e o Thierry Henry era mesmo penálti. De qualquer forma, a final de Berlim foi fraquinha, Portugal devia ter estado lá. E visto que a Itália só venceu nos penálties, acho que poderíamos ter ganho.

Neste caso, contudo, o karma funcionou pois os nossos amigos franceses nunca mais fizeram nada de jeito desde aquela noite em Nuremberga. Começando pela cabeçada de Zidane e acabando nos tristes episódios  ocorridos no Mundial 2010. Como dizia a minha irmã quando era pequenina: "Deus castiga sem pau nem pedra!"


Aquando deste Europeu, a Seleção já não estava ao nível a que estivera aquando dos campeonatos anteriores. Figo e Pauleta já tinham abandonado a Equipa de Todos Nós dois anos antes e a base da equipa do FC Porto que ganhara a Taça UEFA e a Champions já se dissolvera há muito. Até tivemos um bom começo, com vitórias frente à Turquia e à República Checa. O pior foi a notícia de que Luiz Felipe Scolari, um dos heróis do Euro 2004 e do Mundial 2006, o homem que nos reaproximou da Seleção, iria trocar-nos pelo Chelsea - ainda hoje, passados quatro anos e duas estreias de treinadores, não consigo perdoar-lhe por nos ter deixado assim. A notícia é capaz de ter desestabilizado a Seleção pois não fizemos mais nada de jeito nesse campeonato depois do anúncio. Perdemos contra a anfitriã Suíça no último jogo do grupo, que só serviu para cumprir calendário. Depois, pura e simplesmente não conseguimos suplantar a terrivelmente eficaz Alemanha nos quartos-de-final, apesar de termos lutado até ao fim. Não se podia pedir mais do que isso.


Julgo que, neste caso, foi o método de Carlos Queiroz que não funcionou, na minha opinião. Só ganhámos à Coreia do Norte, de longe a adversária mais fraca do nosso grupo. Se tivéssemos abordado os jogos de maneira diferente, da maneira como, se calhar, Paulo Bento abordaria, provavelmente teríamos ganho à Costa do Marfim, talvez até ao Brasil, poderíamos ter terminado o grupo em primeiro lugar, evitado a Espanha e avançado mais na prova.


Como podem ver, as razões para os nossos falhanços são várias e já foram dadas por muitos: fatores internos, fatores externos, desculpas atrás de desculpas, cada uma mais esfarrapada do que a anterior, adeptos bipolares que, em segundos, passam da euforia à disforia e vice-versa, formação deficiente de jogadores, desvalorização do futebolista português... Quem conseguir encontrar uma explicação para esta ausência de títulos tão linear como a pergunta que originou esta crise existencial, merece o prémio Nobel.



Enquanto se procura uma resposta à pergunta, estamos à porta de mais uma fase final de um campeonato de seleções. E como já vai sendo tradição, faço aqui o meu prognóstico: considero que a Seleção está mais forte do que estava há dois anos, antes do Mundial 2010. Paulo Bento afirmou, inclusivamente, que as dificuldades porque passámos no Apuramento - que incluíram aquilo que, na minha opinião, foi o pior momento de sempre da Turma das Quinas - nos tornaram mais fortes, dar-nos-ão "motivação e confiança". Como já afirmei antes, se nos esperasse um grupo como o que tivemos na África do Sul, não estaria muito preocupada. Contudo, como já escrevi em dezembro último, Deus quis que a gente sofresse no Euro 2012. Estamos mais fortes em vários aspetos, sim, disso não existem dúvidas, mas não sei se estaremos suficientemente fortes para sobrevivermos ao Grupo da Morte.

Acho muito difícil ganharmos à Alemanha. Talvez arranquemos um empate se tivermos (muita) sorte do nosso lado. Com a Dinamarca, o nosso historial recente não nos é favorável, ao longo dos últimos anos complicaram-nos várias vezes a vida à grande e à dinamarquesa. Contudo, se conseguimos vencê-los há ano e meio, pouco depois de uma crise gravíssima, com um treinador recém-chegado, após apenas dois ou três treinos, certamente será possível vencermos após duas ou três semanas de estágio e dois particulares e com a motivação extra de estarmos na fase final de um campeonato de seleções. Em relação à Holanda, é difícil fazer previsões. Expulsámo-los duas vezes de fases finais, mas a última vez ocorreu há seis anos. Além disso, estamos a falar dos vice-campeões Mundiais. Em quem é que vocês apostariam?

Talvez consigamos passar aos quartos-de-final, mas é um grande "talvez" e não é de todo descabido pensar que não vamos conseguir (três vezes na madeira). Luís Freitas Lobo resumiu-o de uma forma brilhante há uns meses, no Público: "Se Portugal passar é um grande feito. Se for eliminado, temos de encarar isso de uma forma natural." Ninguém poderá criticar abertamente se não conseguirmos passar a fase de grupos, mas sei que o pessoal ficará ressentido. Aposto que, nestas semanas de antecipação do Europeu, será muito vendida a ideia da Seleção como remédio anti-crise. Eu vendi essa ideia anteriormente e tenciono continuar a fazê-lo. Teremos motivos para desejar a Taça que, se calhar, não tínhamos em 2004, 2006 ou mesmo em 2008 e 2010. De igual modo, teremos motivos para nos sentirmos desiludidos se falharmos que não tínhamos anteriormente.

Devo dizer (e acho que não é a primeira vez que o digo) que me enojam perfeitamente esse tipo de adeptos, bipolares, que só apoiam a Seleção quando esta vence, cujo "casamento" com as Quinas não é no melhor e no pior. O meu é, devo ser uma espécie em vias de extinção, mas já perdi, se não todas, pelo menos noventa por cento das ilusões que, se calhar, tinha há oito anos. Como é que querem que eu as tenha quando jogadores como o Simão, o Miguel, o Paulo Ferreira se puseram a andar quando as coisas começaram a correr mal? (leia-se, quando rebentou o caso Queiroz). Não me deixarei iludir pelo marketing todo, pelos discurso de que "tudo está bem" na Seleção. Pelo menos, manterei sempre uma certa reserva.

Já não é, aliás, o patriotismo que me liga às Quinas - eu gosto da Equipa de Todos Nós precisamente por, pelo menos nalguns aspetos, não ter nada a ver com o País que representa. A Seleção é literamente e cada vez mais apenaso meu clube (escolhi mesmo bem o nome para o meu blogue...). Tamém sei que nem todos os jogadores se movem pelo patriotismo, se é que algum se move, que muitos deles só vestirão a camisola enquanto lhes for conveniente.

Contudo, continuarei a apoiar porque, mesmo que já não confie nos outros adeptos, nem confie a cem por cento nas palavras e nas intenções dos Marmanjos, acredito nas ações deles. Porque é através de jogos como aquele com a Dinamarca, em outubro de 2010, com a Espanha no mês seguinte, com a Bósnia em novembro último, no Estádio da Luz, que a Turma das Quinas retribui o apoio que pessoas como eu lhe dão. E como a Seleção já provou conseguir superar-se, aposto que teremos direito a mais jogos como esses no Euro 2012. Mesmo que agora esteja mais consciente do que estava há quatro anos, quando inaugurei o blogue, de que é pouco provável nós levantarmos a Taça, que o mais certo é tudo acabar "em desilusão e poeira" (não me perguntem de quem é esta citação, porque não me lembro...), de que nem toda a gente apoia tão desinteressadamente como eu a Equipa que devia ser de Todos Nós, incluindo os próprios jogadores, o meu amor pela Seleção continua intacto ao fim de todos estes anos e ainda não abandonei a esperança que tinha, em maio de 2008, de um dia publicar uma entrada sobre o nosso primeiro título a nível de Seleção A. Hei de publicá-la um dia, seja daqui a mês e meio, dois anos, quatro, sei, dez, vinte ou cinquenta. Que diabo, se só conseguirmos levantar uma Taça depois de eu ter falecido, se eu só puder acompanhar esse momento através do relato de Jorge Perestrelo, espero que o Céu tenha acesso à Internet! Até lá, continuarei a encarar cada fase final de campeonatos de seleções da mesma forma: pensado jogo a jogo, mantendo ambos os pés assentes na Terra, sem contudo deixar de aproveitar cada momento de cada uma das viagens.

A viagem rumo à final de Kiev começa segunda-feira, dia 14 de maio, na Casa da Música, em Óbidos, às 20h. Como sempre, acompanharei a jornada desde início e utilizarei o blogue e a página do Facebook como diários de bordo. Agora, é ver até onde a Seleção Nacional consegue ir.

Crise existencial em altura de aniversário

Depois de semanas à espera, incluindo um abril invulgarmente cinzento e chuvoso em vários aspetos, finalmente encontramo-nos em vésperas do Anúncio dos Convocados que representarão Portugal na fase final do Campeonato Europeu de Futebol, que terá lugar na Polónia e na Ucrânia no próximo mês. Estes dias ficam ainda marcados pelo quarto aniversário deste meu blogue, O Meu Clube é a Seleção, inaugurado a 12 de maio de 2008.

Não se pode dizer em rigor que tenho escrito neste blogue há quatro anos. A minha ideia inicial era mantê-lo apenas durante a fase final do Europeu de há quatro anos, estive praticamente um ano sem atualizar o blogue.

Quando penso nisso agora, se calhar não terá sido muito má ideia ter suspendido o blogue por essa altura. Não se deram muitos acontecimentos relacionados com a Seleção nesse ano e os poucos que se deram foram, na sua maioria, tropeções na Qualificação para o Mundial 2010 - assuntos extremamente deprimentes. No entanto, mesmo nessa altura, eu ia fazendo as minhas reflexões por escrito - mais valia tê-las publicado no blogue, para ajudar outras pessoas sem ser apenas eu própria, incluindo, se calhar, os próprios jogadores, a processarem a frustração inerente às sucessivas desilusões e, ao mesmo tempo, transmitir-lhes coragem e esperança. 

Acabou por ser, em parte, por esse motivo que retomei o blogue em junho de 2009. Em parte por isso, o resto porque, pura e simplesmente, tinha imensas saudades de escrevê-lo. A altura em que voltei a atualizá-lo acabou por coincidir com o ponto de viragem no percurso da Seleção para o Mundial 2010 - mais ou menos. E, desde essa altura, com uma ou outra exceção alheia à minha vontade, nunca mais deixei de publicar entradas sempre que a Equipa de Todos Nós tinha um jogo ou estava envolvida nalgum acontecimento importante. 

Tenho bem a noção de que o meu blogue tem tido pouquíssimos leitores, por mais promoção que tente fazer. Que, na prática, teria quase a mesma audiência que obtenho com este blogue se escrevesse sobre a Seleção num diário pessoal (como fazia antes de 2008). E embora isso às vezes me desanime, não me impede de continuar a escrevê-lo. Sempre gostei de escrever, sempre gostei de escrever sobre a Seleção, se houver hipóteses de ajudar a Equipa de Todos Nós dessa maneira, nem que seja apenas um pouco, fá-lo-ei com todo o prazer.

Há coisa de dois meses e meio, inaugurei a página de Facebook de apoio ao blogue. Ao longo deste tempo, esforcei-me por publicar pelo menos uma vez por dia - o que desafia a minha criatividade. Nunca quis que o meu blogue fosse uma mera fonte de notícias sobre a Turma das Quinas. Criei-o para que fosse um espaço onde pudesse expressar as minhas opiniões. Do mesmo modo, não queria que a respetiva página de Facebook transmitisse apenas as últimas novidades sobre a Seleção. Já existem imensas fontes de notícias assim na Internet - sem querer desvalorizar páginas como o Gosto da Seleção Portuguesa, que tem feito um excelente trabalho ao fornecer, entre outras coisas, imagens engracadíssimas referentes à Equipa de Todos Nós. Além de que já partilhou o meu vídeo para The Climb. O que tenho tentado fazer é publicar notícias, fotografias, vídeos, músicas juntamente com as minhas opiniões sobre o assunto. Houve alturas em que não acontecia nada relacionado com a Seleção e não era fácil arranjar algo que publicar. Foi difícil resistir à tentação e pura e simplesmente voltar a partilhar publicações de páginas como as acima mencionadas. Mas ajudou a mitigar a abstinência de Seleção.

Para além de páginas como o Gosto da Seleção Portuguesa, outra fonte de notícias que me foi bastante útil foi o Alerta do Google que já tinha criado há alguns meses, para me avisar sempre que surjam publicações sobre a Seleção Nacional na Internet. Não é tão seletivo como o ideal, às vezes aparecem-me artigos sobre o clube brasileiro A Portuguesa, por exemplo.

Ora, há cerca de dois meses, apareceu-me nos Alertas uma publicação no Yahoo Answers com a seguinte pergunta:

"Qual (é) o problema da Seleção Portuguesa?"

"Esses dias tenho pensado num problema tradicional da seleção portuguesa... Uma seleção cheia de grandes jogadores como CR7, Quaresma, Ricardo Carvalho, Deco, Pepe, Pauleta, Nani... E outros aposentados como Luís Figo... mas nunca conseguiu nada mais que semi-finais de euros e copas... qual o problema dessa seleção?? que cheia de sensacionais jogadores, amarela nos títulos???"

Fonte: AQUI

Quando vi o título da pergunta pela primeira vez, fiquei a olhar para aquilo estilo: "um brasileiro conseguiu resumir numa linha aquilo com que nos andamos a debater há anos!" Nunca pensei que fosse possível simplificar as coisas a este ponto. Mas faz sentido que tenha sido um brasileiro a formular a pergunta dos duzentos mil euros, pois é capaz de ser mais racional, mais isento do que um português.

Realmente, qual é o nosso problema, afinal? Somos há anos, para aí desde 2000, 2002, 2004, considerados candidatos ao título em cada campeonato de seleções por possuírmos jogadores "de classe mundial". Figo, Rui Costa, Nuno Gomes, Pauleta, Deco, Cristiano Ronaldo, Nani, Fábio Coentrão... No entanto, na hora da verdade, na hora de provarmos que somos candidatos ao título, caímos sempre. O que é que está a falhar?

Analisemos a coisa...


Começarei pelo Euro 2004, que foi a altura em que comecei a acompanhar a Seleção de perto. É-me cada vez mais claro que perdemos uma oportunidade de ouro - não, não, de platina! - com este campeonato: jogávamos em casa, tínhamos a base da equipa que, no ano anterior, dera a Taça UEFA e, nesse ano, a Champions ao FC Porto, tínhamos veteranos como o Figo e o Rui Costa e promessas como o Cristiano Ronaldo, tínhamos o entusiasmo dos adeptos, tínhamos todas as condições, devia ter sido tudo nosso. Ainda hoje, passados oito anos, não compreendo como é que o deixámos escapar. Há quem fale de inexperiência, excesso de confiança, de euforia ou simplesmente azar. O que é certo é que é muito difícil - para não dizer impossível - termos circunstâncias tão favoráveis como tínhamos em 2004. Cada vez me apercebo mais disso. Devia ter sido tudo nosso.


O Mundial 2006 foi outra boa oportunidade desperdiçada, embora seja discutível se tal aconteceu por culpa nossa, se foi justo. Ainda não estou convencida de que aquele lance envolvendo o Ricardo Carvalho e o Thierry Henry era mesmo penálti. De qualquer forma, a final de Berlim foi fraquinha, Portugal devia ter estado lá. E visto que a Itália só venceu nos penálties, acho que poderíamos ter ganho.

Neste caso, contudo, o karma funcionou pois os nossos amigos franceses nunca mais fizeram nada de jeito desde aquela noite em Nuremberga. Começando pela cabeçada de Zidane e acabando nos tristes episódios  ocorridos no Mundial 2010. Como dizia a minha irmã quando era pequenina: "Deus castiga sem pau nem pedra!"


Aquando deste Europeu, a Seleção já não estava ao nível a que estivera aquando dos campeonatos anteriores. Figo e Pauleta já tinham abandonado a Equipa de Todos Nós dois anos antes e a base da equipa do FC Porto que ganhara a Taça UEFA e a Champions já se dissolvera há muito. Até tivemos um bom começo, com vitórias frente à Turquia e à República Checa. O pior foi a notícia de que Luiz Felipe Scolari, um dos heróis do Euro 2004 e do Mundial 2006, o homem que nos reaproximou da Seleção, iria trocar-nos pelo Chelsea - ainda hoje, passados quatro anos e duas estreias de treinadores, não consigo perdoar-lhe por nos ter deixado assim. A notícia é capaz de ter desestabilizado a Seleção pois não fizemos mais nada de jeito nesse campeonato depois do anúncio. Perdemos contra a anfitriã Suíça no último jogo do grupo, que só serviu para cumprir calendário. Depois, pura e simplesmente não conseguimos suplantar a terrivelmente eficaz Alemanha nos quartos-de-final, apesar de termos lutado até ao fim. Não se podia pedir mais do que isso.


Julgo que, neste caso, foi o método de Carlos Queiroz que não funcionou, na minha opinião. Só ganhámos à Coreia do Norte, de longe a adversária mais fraca do nosso grupo. Se tivéssemos abordado os jogos de maneira diferente, da maneira como, se calhar, Paulo Bento abordaria, provavelmente teríamos ganho à Costa do Marfim, talvez até ao Brasil, poderíamos ter terminado o grupo em primeiro lugar, evitado a Espanha e avançado mais na prova.


Como podem ver, as razões para os nossos falhanços são várias e já foram dadas por muitos: fatores internos, fatores externos, desculpas atrás de desculpas, cada uma mais esfarrapada do que a anterior, adeptos bipolares que, em segundos, passam da euforia à disforia e vice-versa, formação deficiente de jogadores, desvalorização do futebolista português... Quem conseguir encontrar uma explicação para esta ausência de títulos tão linear como a pergunta que originou esta crise existencial, merece o prémio Nobel.



Enquanto se procura uma resposta à pergunta, estamos à porta de mais uma fase final de um campeonato de seleções. E como já vai sendo tradição, faço aqui o meu prognóstico: considero que a Seleção está mais forte do que estava há dois anos, antes do Mundial 2010. Paulo Bento afirmou, inclusivamente, que as dificuldades porque passámos no Apuramento - que incluíram aquilo que, na minha opinião, foi o pior momento de sempre da Turma das Quinas - nos tornaram mais fortes, dar-nos-ão "motivação e confiança". Como já afirmei antes, se nos esperasse um grupo como o que tivemos na África do Sul, não estaria muito preocupada. Contudo, como já escrevi em dezembro último, Deus quis que a gente sofresse no Euro 2012. Estamos mais fortes em vários aspetos, sim, disso não existem dúvidas, mas não sei se estaremos suficientemente fortes para sobrevivermos ao Grupo da Morte.

Acho muito difícil ganharmos à Alemanha. Talvez arranquemos um empate se tivermos (muita) sorte do nosso lado. Com a Dinamarca, o nosso historial recente não nos é favorável, ao longo dos últimos anos complicaram-nos várias vezes a vida à grande e à dinamarquesa. Contudo, se conseguimos vencê-los há ano e meio, pouco depois de uma crise gravíssima, com um treinador recém-chegado, após apenas dois ou três treinos, certamente será possível vencermos após duas ou três semanas de estágio e dois particulares e com a motivação extra de estarmos na fase final de um campeonato de seleções. Em relação à Holanda, é difícil fazer previsões. Expulsámo-los duas vezes de fases finais, mas a última vez ocorreu há seis anos. Além disso, estamos a falar dos vice-campeões Mundiais. Em quem é que vocês apostariam?

Talvez consigamos passar aos quartos-de-final, mas é um grande "talvez" e não é de todo descabido pensar que não vamos conseguir (três vezes na madeira). Luís Freitas Lobo resumiu-o de uma forma brilhante há uns meses, no Público: "Se Portugal passar é um grande feito. Se for eliminado, temos de encarar isso de uma forma natural." Ninguém poderá criticar abertamente se não conseguirmos passar a fase de grupos, mas sei que o pessoal ficará ressentido. Aposto que, nestas semanas de antecipação do Europeu, será muito vendida a ideia da Seleção como remédio anti-crise. Eu vendi essa ideia anteriormente e tenciono continuar a fazê-lo. Teremos motivos para desejar a Taça que, se calhar, não tínhamos em 2004, 2006 ou mesmo em 2008 e 2010. De igual modo, teremos motivos para nos sentirmos desiludidos se falharmos que não tínhamos anteriormente.

Devo dizer (e acho que não é a primeira vez que o digo) que me enojam perfeitamente esse tipo de adeptos, bipolares, que só apoiam a Seleção quando esta vence, cujo "casamento" com as Quinas não é no melhor e no pior. O meu é, devo ser uma espécie em vias de extinção, mas já perdi, se não todas, pelo menos noventa por cento das ilusões que, se calhar, tinha há oito anos. Como é que querem que eu as tenha quando jogadores como o Simão, o Miguel, o Paulo Ferreira se puseram a andar quando as coisas começaram a correr mal? (leia-se, quando rebentou o caso Queiroz). Não me deixarei iludir pelo marketing todo, pelos discurso de que "tudo está bem" na Seleção. Pelo menos, manterei sempre uma certa reserva.

Já não é, aliás, o patriotismo que me liga às Quinas - eu gosto da Equipa de Todos Nós precisamente por, pelo menos nalguns aspetos, não ter nada a ver com o País que representa. A Seleção é literamente e cada vez mais apenaso meu clube (escolhi mesmo bem o nome para o meu blogue...). Tamém sei que nem todos os jogadores se movem pelo patriotismo, se é que algum se move, que muitos deles só vestirão a camisola enquanto lhes for conveniente.

Contudo, continuarei a apoiar porque, mesmo que já não confie nos outros adeptos, nem confie a cem por cento nas palavras e nas intenções dos Marmanjos, acredito nas ações deles. Porque é através de jogos como aquele com a Dinamarca, em outubro de 2010, com a Espanha no mês seguinte, com a Bósnia em novembro último, no Estádio da Luz, que a Turma das Quinas retribui o apoio que pessoas como eu lhe dão. E como a Seleção já provou conseguir superar-se, aposto que teremos direito a mais jogos como esses no Euro 2012. Mesmo que agora esteja mais consciente do que estava há quatro anos, quando inaugurei o blogue, de que é pouco provável nós levantarmos a Taça, que o mais certo é tudo acabar "em desilusão e poeira" (não me perguntem de quem é esta citação, porque não me lembro...), de que nem toda a gente apoia tão desinteressadamente como eu a Equipa que devia ser de Todos Nós, incluindo os próprios jogadores, o meu amor pela Seleção continua intacto ao fim de todos estes anos e ainda não abandonei a esperança que tinha, em maio de 2008, de um dia publicar uma entrada sobre o nosso primeiro título a nível de Seleção A. Hei de publicá-la um dia, seja daqui a mês e meio, dois anos, quatro, sei, dez, vinte ou cinquenta. Que diabo, se só conseguirmos levantar uma Taça depois de eu ter falecido, se eu só puder acompanhar esse momento através do relato de Jorge Perestrelo, espero que o Céu tenha acesso à Internet! Até lá, continuarei a encarar cada fase final de campeonatos de seleções da mesma forma: pensado jogo a jogo, mantendo ambos os pés assentes na Terra, sem contudo deixar de aproveitar cada momento de cada uma das viagens.

A viagem rumo à final de Kiev começa segunda-feira, dia 14 de maio, na Casa da Música, em Óbidos, às 20h. Como sempre, acompanharei a jornada desde início e utilizarei o blogue e a página do Facebook como diários de bordo. Agora, é ver até onde a Seleção Nacional consegue ir.

Crise existencial em altura de aniversário

Depois de semanas à espera, incluindo um abril invulgarmente cinzento e chuvoso em vários aspetos, finalmente encontramo-nos em vésperas do Anúncio dos Convocados que representarão Portugal na fase final do Campeonato Europeu de Futebol, que terá lugar na Polónia e na Ucrânia no próximo mês. Estes dias ficam ainda marcados pelo quarto aniversário deste meu blogue, O Meu Clube é a Seleção, inaugurado a 12 de maio de 2008.

Não se pode dizer em rigor que tenho escrito neste blogue há quatro anos. A minha ideia inicial era mantê-lo apenas durante a fase final do Europeu de há quatro anos, estive praticamente um ano sem atualizar o blogue.

Quando penso nisso agora, se calhar não terá sido muito má ideia ter suspendido o blogue por essa altura. Não se deram muitos acontecimentos relacionados com a Seleção nesse ano e os poucos que se deram foram, na sua maioria, tropeções na Qualificação para o Mundial 2010 - assuntos extremamente deprimentes. No entanto, mesmo nessa altura, eu ia fazendo as minhas reflexões por escrito - mais valia tê-las publicado no blogue, para ajudar outras pessoas sem ser apenas eu própria, incluindo, se calhar, os próprios jogadores, a processarem a frustração inerente às sucessivas desilusões e, ao mesmo tempo, transmitir-lhes coragem e esperança. 

Acabou por ser, em parte, por esse motivo que retomei o blogue em junho de 2009. Em parte por isso, o resto porque, pura e simplesmente, tinha imensas saudades de escrevê-lo. A altura em que voltei a atualizá-lo acabou por coincidir com o ponto de viragem no percurso da Seleção para o Mundial 2010 - mais ou menos. E, desde essa altura, com uma ou outra exceção alheia à minha vontade, nunca mais deixei de publicar entradas sempre que a Equipa de Todos Nós tinha um jogo ou estava envolvida nalgum acontecimento importante. 

Tenho bem a noção de que o meu blogue tem tido pouquíssimos leitores, por mais promoção que tente fazer. Que, na prática, teria quase a mesma audiência que obtenho com este blogue se escrevesse sobre a Seleção num diário pessoal (como fazia antes de 2008). E embora isso às vezes me desanime, não me impede de continuar a escrevê-lo. Sempre gostei de escrever, sempre gostei de escrever sobre a Seleção, se houver hipóteses de ajudar a Equipa de Todos Nós dessa maneira, nem que seja apenas um pouco, fá-lo-ei com todo o prazer.

Há coisa de dois meses e meio, inaugurei a página de Facebook de apoio ao blogue. Ao longo deste tempo, esforcei-me por publicar pelo menos uma vez por dia - o que desafia a minha criatividade. Nunca quis que o meu blogue fosse uma mera fonte de notícias sobre a Turma das Quinas. Criei-o para que fosse um espaço onde pudesse expressar as minhas opiniões. Do mesmo modo, não queria que a respetiva página de Facebook transmitisse apenas as últimas novidades sobre a Seleção. Já existem imensas fontes de notícias assim na Internet - sem querer desvalorizar páginas como o Gosto da Seleção Portuguesa, que tem feito um excelente trabalho ao fornecer, entre outras coisas, imagens engracadíssimas referentes à Equipa de Todos Nós. Além de que já partilhou o meu vídeo para The Climb. O que tenho tentado fazer é publicar notícias, fotografias, vídeos, músicas juntamente com as minhas opiniões sobre o assunto. Houve alturas em que não acontecia nada relacionado com a Seleção e não era fácil arranjar algo que publicar. Foi difícil resistir à tentação e pura e simplesmente voltar a partilhar publicações de páginas como as acima mencionadas. Mas ajudou a mitigar a abstinência de Seleção.

Para além de páginas como o Gosto da Seleção Portuguesa, outra fonte de notícias que me foi bastante útil foi o Alerta do Google que já tinha criado há alguns meses, para me avisar sempre que surjam publicações sobre a Seleção Nacional na Internet. Não é tão seletivo como o ideal, às vezes aparecem-me artigos sobre o clube brasileiro A Portuguesa, por exemplo.

Ora, há cerca de dois meses, apareceu-me nos Alertas uma publicação no Yahoo Answers com a seguinte pergunta:

"Qual (é) o problema da Seleção Portuguesa?"

"Esses dias tenho pensado num problema tradicional da seleção portuguesa... Uma seleção cheia de grandes jogadores como CR7, Quaresma, Ricardo Carvalho, Deco, Pepe, Pauleta, Nani... E outros aposentados como Luís Figo... mas nunca conseguiu nada mais que semi-finais de euros e copas... qual o problema dessa seleção?? que cheia de sensacionais jogadores, amarela nos títulos???"

Fonte: AQUI

Quando vi o título da pergunta pela primeira vez, fiquei a olhar para aquilo estilo: "um brasileiro conseguiu resumir numa linha aquilo com que nos andamos a debater há anos!" Nunca pensei que fosse possível simplificar as coisas a este ponto. Mas faz sentido que tenha sido um brasileiro a formular a pergunta dos duzentos mil euros, pois é capaz de ser mais racional, mais isento do que um português.

Realmente, qual é o nosso problema, afinal? Somos há anos, para aí desde 2000, 2002, 2004, considerados candidatos ao título em cada campeonato de seleções por possuírmos jogadores "de classe mundial". Figo, Rui Costa, Nuno Gomes, Pauleta, Deco, Cristiano Ronaldo, Nani, Fábio Coentrão... No entanto, na hora da verdade, na hora de provarmos que somos candidatos ao título, caímos sempre. O que é que está a falhar?

Analisemos a coisa...


Começarei pelo Euro 2004, que foi a altura em que comecei a acompanhar a Seleção de perto. É-me cada vez mais claro que perdemos uma oportunidade de ouro - não, não, de platina! - com este campeonato: jogávamos em casa, tínhamos a base da equipa que, no ano anterior, dera a Taça UEFA e, nesse ano, a Champions ao FC Porto, tínhamos veteranos como o Figo e o Rui Costa e promessas como o Cristiano Ronaldo, tínhamos o entusiasmo dos adeptos, tínhamos todas as condições, devia ter sido tudo nosso. Ainda hoje, passados oito anos, não compreendo como é que o deixámos escapar. Há quem fale de inexperiência, excesso de confiança, de euforia ou simplesmente azar. O que é certo é que é muito difícil - para não dizer impossível - termos circunstâncias tão favoráveis como tínhamos em 2004. Cada vez me apercebo mais disso. Devia ter sido tudo nosso.


O Mundial 2006 foi outra boa oportunidade desperdiçada, embora seja discutível se tal aconteceu por culpa nossa, se foi justo. Ainda não estou convencida de que aquele lance envolvendo o Ricardo Carvalho e o Thierry Henry era mesmo penálti. De qualquer forma, a final de Berlim foi fraquinha, Portugal devia ter estado lá. E visto que a Itália só venceu nos penálties, acho que poderíamos ter ganho.

Neste caso, contudo, o karma funcionou pois os nossos amigos franceses nunca mais fizeram nada de jeito desde aquela noite em Nuremberga. Começando pela cabeçada de Zidane e acabando nos tristes episódios  ocorridos no Mundial 2010. Como dizia a minha irmã quando era pequenina: "Deus castiga sem pau nem pedra!"



Aquando deste Europeu, a Seleção já não estava ao nível a que estivera aquando dos campeonatos anteriores. Figo e Pauleta já tinham abandonado a Equipa de Todos Nós dois anos antes e a base da equipa do FC Porto que ganhara a Taça UEFA e a Champions já se dissolvera há muito. Até tivemos um bom começo, com vitórias frente à Turquia e à República Checa. O pior foi a notícia de que Luiz Felipe Scolari, um dos heróis do Euro 2004 e do Mundial 2006, o homem que nos reaproximou da Seleção, iria trocar-nos pelo Chelsea - ainda hoje, passados quatro anos e duas estreias de treinadores, não consigo perdoar-lhe por nos ter deixado assim. A notícia é capaz de ter desestabilizado a Seleção pois não fizemos mais nada de jeito nesse campeonato depois do anúncio. Perdemos contra a anfitriã Suíça no último jogo do grupo, que só serviu para cumprir calendário. Depois, pura e simplesmente não conseguimos suplantar a terrivelmente eficaz Alemanha nos quartos-de-final, apesar de termos lutado até ao fim. Não se podia pedir mais do que isso.


Julgo que, neste caso, foi o método de Carlos Queiroz que não funcionou, na minha opinião. Só ganhámos à Coreia do Norte, de longe a adversária mais fraca do nosso grupo. Se tivéssemos abordado os jogos de maneira diferente, da maneira como, se calhar, Paulo Bento abordaria, provavelmente teríamos ganho à Costa do Marfim, talvez até ao Brasil, poderíamos ter terminado o grupo em primeiro lugar, evitado a Espanha e avançado mais na prova.


Como podem ver, as razões para os nossos falhanços são várias e já foram dadas por muitos: fatores internos, fatores externos, desculpas atrás de desculpas, cada uma mais esfarrapada do que a anterior, adeptos bipolares que, em segundos, passam da euforia à disforia e vice-versa, formação deficiente de jogadores, desvalorização do futebolista português... Quem conseguir encontrar uma explicação para esta ausência de títulos tão linear como a pergunta que originou esta crise existencial, merece o prémio Nobel.



Enquanto se procura uma resposta à pergunta, estamos à porta de mais uma fase final de um campeonato de seleções. E como já vai sendo tradição, faço aqui o meu prognóstico: considero que a Seleção está mais forte do que estava há dois anos, antes do Mundial 2010. Paulo Bento afirmou, inclusivamente, que as dificuldades porque passámos no Apuramento - que incluíram aquilo que, na minha opinião, foi o pior momento de sempre da Turma das Quinas - nos tornaram mais fortes, dar-nos-ão "motivação e confiança". Como já afirmei antes, se nos esperasse um grupo como o que tivemos na África do Sul, não estaria muito preocupada. Contudo, como já escrevi em dezembro último, Deus quis que a gente sofresse no Euro 2012. Estamos mais fortes em vários aspetos, sim, disso não existem dúvidas, mas não sei se estaremos suficientemente fortes para sobrevivermos ao Grupo da Morte.

Acho muito difícil ganharmos à Alemanha. Talvez arranquemos um empate se tivermos (muita) sorte do nosso lado. Com a Dinamarca, o nosso historial recente não nos é favorável, ao longo dos últimos anos complicaram-nos várias vezes a vida à grande e à dinamarquesa. Contudo, se conseguimos vencê-los há ano e meio, pouco depois de uma crise gravíssima, com um treinador recém-chegado, após apenas dois ou três treinos, certamente será possível vencermos após duas ou três semanas de estágio e dois particulares e com a motivação extra de estarmos na fase final de um campeonato de seleções. Em relação à Holanda, é difícil fazer previsões. Expulsámo-los duas vezes de fases finais, mas a última vez ocorreu há seis anos. Além disso, estamos a falar dos vice-campeões Mundiais. Em quem é que vocês apostariam?

Talvez consigamos passar aos quartos-de-final, mas é um grande "talvez" e não é de todo descabido pensar que não vamos conseguir (três vezes na madeira). Luís Freitas Lobo resumiu-o de uma forma brilhante há uns meses, no Público: "Se Portugal passar é um grande feito. Se for eliminado, temos de encarar isso de uma forma natural." Ninguém poderá criticar abertamente se não conseguirmos passar a fase de grupos, mas sei que o pessoal ficará ressentido. Aposto que, nestas semanas de antecipação do Europeu, será muito vendida a ideia da Seleção como remédio anti-crise. Eu vendi essa ideia anteriormente e tenciono continuar a fazê-lo. Teremos motivos para desejar a Taça que, se calhar, não tínhamos em 2004, 2006 ou mesmo em 2008 e 2010. De igual modo, teremos motivos para nos sentirmos desiludidos se falharmos que não tínhamos anteriormente.

Devo dizer (e acho que não é a primeira vez que o digo) que me enojam perfeitamente esse tipo de adeptos, bipolares, que só apoiam a Seleção quando esta vence, cujo "casamento" com as Quinas não é no melhor e no pior. O meu é, devo ser uma espécie em vias de extinção, mas já perdi, se não todas, pelo menos noventa por cento das ilusões que, se calhar, tinha há oito anos. Como é que querem que eu as tenha quando jogadores como o Simão, o Miguel, o Paulo Ferreira se puseram a andar quando as coisas começaram a correr mal? (leia-se, quando rebentou o caso Queiroz). Não me deixarei iludir pelo marketing todo, pelos discurso de que "tudo está bem" na Seleção. Pelo menos, manterei sempre uma certa reserva.

Já não é, aliás, o patriotismo que me liga às Quinas - eu gosto da Equipa de Todos Nós precisamente por, pelo menos nalguns aspetos, não ter nada a ver com o País que representa. A Seleção é literamente e cada vez mais apenaso meu clube (escolhi mesmo bem o nome para o meu blogue...). Tamém sei que nem todos os jogadores se movem pelo patriotismo, se é que algum se move, que muitos deles só vestirão a camisola enquanto lhes for conveniente.

Contudo, continuarei a apoiar porque, mesmo que já não confie nos outros adeptos, nem confie a cem por cento nas palavras e nas intenções dos Marmanjos, acredito nas ações deles. Porque é através de jogos como aquele com a Dinamarca, em outubro de 2010, com a Espanha no mês seguinte, com a Bósnia em novembro último, no Estádio da Luz, que a Turma das Quinas retribui o apoio que pessoas como eu lhe dão. E como a Seleção já provou conseguir superar-se, aposto que teremos direito a mais jogos como esses no Euro 2012. Mesmo que agora esteja mais consciente do que estava há quatro anos, quando inaugurei o blogue, de que é pouco provável nós levantarmos a Taça, que o mais certo é tudo acabar "em desilusão e poeira" (não me perguntem de quem é esta citação, porque não me lembro...), de que nem toda a gente apoia tão desinteressadamente como eu a Equipa que devia ser de Todos Nós, incluindo os próprios jogadores, o meu amor pela Seleção continua intacto ao fim de todos estes anos e ainda não abandonei a esperança que tinha, em maio de 2008, de um dia publicar uma entrada sobre o nosso primeiro título a nível de Seleção A. Hei de publicá-la um dia, seja daqui a mês e meio, dois anos, quatro, sei, dez, vinte ou cinquenta. Que diabo, se só conseguirmos levantar uma Taça depois de eu ter falecido, se eu só puder acompanhar esse momento através do relato de Jorge Perestrelo, espero que o Céu tenha acesso à Internet! Até lá, continuarei a encarar cada fase final de campeonatos de seleções da mesma forma: pensado jogo a jogo, mantendo ambos os pés assentes na Terra, sem contudo deixar de aproveitar cada momento de cada uma das viagens.

A viagem rumo à final de Kiev começa segunda-feira, dia 14 de maio, na Casa da Música, em Óbidos, às 20h. Como sempre, acompanharei a jornada desde início e utilizarei o blogue e a página do Facebook como diários de bordo. Agora, é ver até onde a Seleção Nacional consegue ir.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Polónia 0 Portugal 0 - Um trailer mal amanhado

 


02.jpgAnteontem, a cem dias do início da fase final do Campeonato Europeu de Seleções, que se realizará na Polónia e na Ucrânia, a Seleção Portuguesa de Futebol efetuou o seu primeiro jogo do ano de 2012. Tratou-se de um embate de caráter particular, que opôs Portugal à Polónia, precisamente uma das anfitriãs do Euro 2012, que serviu também para inaugurar o novíssimo Estádio Nacional de Varsóvia. Tal encontrou terminou com o marcador por abrir.



 

Não há muito a dizer sobre este jogo, pelo menos, não há muito que não tenha já sido dito. O encontro assemelhou-se a tantos outros particulares da Seleção Nacional. O guião-base é sempre o mesmo, com uma outra variação, alguma rotatividade nos atores principais, secundários e figurantes, no cenário. Na primeira parte, como jogam os habituais titulares, há futebol de qualidade. Na segunda parte, com as substituições, o rendimento cai.

 

Especificando para este jogo, o Nani, com a garra que o caracteriza, foi um dos que mais perigo levou à baliza polaca. Também Ronaldo e Hugo Almeida deram o seu contributo, se bem que com um pouco mais de discrição.

 

Na segunda parte, com as substituições, a equipa perdeu ritmo, entrou em modo de gestão de esforço. Neste segundo ato, o protagonista foi Rui Patrício. Não fosse o jovem guarda-redes do Sporting e alguma pitosguice por parte dos polacos e o filme podia ter acabado mal para o nosso lado. Há quem diga que, depois de tantas vezes nos ter salvado o couro, ontem e não só, este já se tornou o titular indiscutível da baliza. Mas estou agora a pensar que o Marmanjo é pequeno e magro, pelo menos quando comparado com os brutamontes alemãs, à frente dos quais nos vamos estrear no Euro 2012. Nesse aspeto, talvez o corpulento Eduardo fosse mais aconselhável. Contudo, os jogadores não se medem aos palmos, caberá a Paulo Bento decidir qual deles entrará em campo dia 9 de junho.

 

Depois de uns bons primeiros quarenta e cinco minutos e de uns entediantes segundos quarenta e cinco minutos, o jogo acabou com o marcador por abrir. Já que não serviu para dar alegrias, por pequenas que fossem, a ninguém, espero que o particular tenha servido para Paulo Bento tirar conclusões. De resto, pouquíssimas pessoas levaram este jogo a sério. A maior parte do pessoal está mais preocupado com o clássico de logo à noite, para eles este particular pouco mais foi que um espinho na carne.

 

Por meu lado, estou-me completamente nas tintas para o jogo desta noite. Não em jeito de retribuição, de birra, por, na minha opinião, não terem dado à Equipa, que devia ser de todos nós, o tempo de antena que merecia. Apenas me é indiferente quem ganha ou deixa de ganhar a I Liga. Há anos que é assim.

 

Devo ser das poucas pessoas que ficou verdadeiramente desiludida com o resultado do jogo. Mais do que com a exibição. Como já disse antes, não se poderia esperar muito mais de um jogo deste caráter Mas eu esperava um pouco mais, mesmo assim. Esperava uma vitória. Mesmo que tivesse sido pela margem mínima, mesmo que não o merecêssemos. Já me contentaria com um empate com o marcador aberto... Esperava gritar "GOLO!" pela primeira vez este ano. Agora vou ter de esperar pelo menos três meses até ter a oportunidade de celebrar um golo.

 

Rui Patrício afirmou que, em maio, estaremos melhor, que "vamos ter tempo para trabalharmos todos juntos (...) por forma a que nos possamos apresentar, posteriormente, nas melhores condições para fazermos um bom Campeonato da Europa". Ele não foi o único a antecipar esse período. Também Paulo Bento e Cristiano Ronaldo o fizeram, com um pedido curioso:  "Aquilo que espero é que as pessoas possam vir ao estádio apoiar a Seleção, ter as bandeiras nas janelas das casas como em 2004 e de ouvir cânticos para a Seleção, por que isso faz a diferença para os jogadores e só se nota nos clubes", desabafou o madeirense. "Era uma maneira saudável e positiva de ajudar." "Que no Euro 2012 o País cante pela Seleção e que os jogadores o sintam", desejou Paulo Bento.

 

Fica a dica. Se tivesse jeito para isso, talvez eu mesma compusesse um tema para a Turma das Quinas, mas não tenho... De qualquer forma, certamente alguém pegará na ideia.

 

Em relação às bandeiras, eu já ia pendurar a minha de qualquer forma, sem que mo pedissem, mas sei que nem toda a gente é assim. Pode ser que, com o Ronaldo a pedir, se recrie o cenário do Euro 2004.

 

Agora tenho mais dois motivos para ansiar por maio. Como se precisasse deles... Já ando há algum tempo a pensar nessas gloriosas semanas. Tenho anotado ideias para entradas a publicar nessa altura. Já sei onde existe uma televisão caso esteja na Faculdade na altura de um jogo. Tenho planeado eventuais visitas ao Jamor (isto se a Seleção fizer algum treino lá, algo que acho pouco provável...).

 

Estes últimos dias, este jogo, não passaram de um cheirinho demasiado ténue, de uma amostra pouco representativa, de um trailer mal amanhado. Em maio e em junho tudo será diferente. A Seleção constituirá o elenco principal, com todas as câmaras para eles apontadas, os clubes serão meros figurantes. Haverá tempo para afinar as armas, prepararmo-nos para os grandes combates. Os níveis motivacionais serão outros - ninguém andará a guardar-se para o clássico. Não, depois da Convocatória Final, a 18 de maio, tudo será diferente. Faltam exatamente onze semanas para a divulgação dos resultados do casting, oitenta dias para o início das filmagens, noventa e nove dias para a grande estreia. Não posso prometer que o filme ganhe o Óscar, mas nada nos impedirá de aproveitar a jornada. Que, por muitas razões, incluindo os apelos do Selecionador e do Capitão, promete ficar na memória.

Polónia 0 Portugal 0 - Um trailer mal amanhado

 


02.jpgAnteontem, a cem dias do início da fase final do Campeonato Europeu de Seleções, que se realizará na Polónia e na Ucrânia, a Seleção Portuguesa de Futebol efetuou o seu primeiro jogo do ano de 2012. Tratou-se de um embate de caráter particular, que opôs Portugal à Polónia, precisamente uma das anfitriãs do Euro 2012, que serviu também para inaugurar o novíssimo Estádio Nacional de Varsóvia. Tal encontrou terminou com o marcador por abrir.



 

Não há muito a dizer sobre este jogo, pelo menos, não há muito que não tenha já sido dito. O encontro assemelhou-se a tantos outros particulares da Seleção Nacional. O guião-base é sempre o mesmo, com uma outra variação, alguma rotatividade nos atores principais, secundários e figurantes, no cenário. Na primeira parte, como jogam os habituais titulares, há futebol de qualidade. Na segunda parte, com as substituições, o rendimento cai.

 

Especificando para este jogo, o Nani, com a garra que o caracteriza, foi um dos que mais perigo levou à baliza polaca. Também Ronaldo e Hugo Almeida deram o seu contributo, se bem que com um pouco mais de discrição.

 

Na segunda parte, com as substituições, a equipa perdeu ritmo, entrou em modo de gestão de esforço. Neste segundo ato, o protagonista foi Rui Patrício. Não fosse o jovem guarda-redes do Sporting e alguma pitosguice por parte dos polacos e o filme podia ter acabado mal para o nosso lado. Há quem diga que, depois de tantas vezes nos ter salvado o couro, ontem e não só, este já se tornou o titular indiscutível da baliza. Mas estou agora a pensar que o Marmanjo é pequeno e magro, pelo menos quando comparado com os brutamontes alemãs, à frente dos quais nos vamos estrear no Euro 2012. Nesse aspeto, talvez o corpulento Eduardo fosse mais aconselhável. Contudo, os jogadores não se medem aos palmos, caberá a Paulo Bento decidir qual deles entrará em campo dia 9 de junho.

 

Depois de uns bons primeiros quarenta e cinco minutos e de uns entediantes segundos quarenta e cinco minutos, o jogo acabou com o marcador por abrir. Já que não serviu para dar alegrias, por pequenas que fossem, a ninguém, espero que o particular tenha servido para Paulo Bento tirar conclusões. De resto, pouquíssimas pessoas levaram este jogo a sério. A maior parte do pessoal está mais preocupado com o clássico de logo à noite, para eles este particular pouco mais foi que um espinho na carne.

 

Por meu lado, estou-me completamente nas tintas para o jogo desta noite. Não em jeito de retribuição, de birra, por, na minha opinião, não terem dado à Equipa, que devia ser de todos nós, o tempo de antena que merecia. Apenas me é indiferente quem ganha ou deixa de ganhar a I Liga. Há anos que é assim.

 

Devo ser das poucas pessoas que ficou verdadeiramente desiludida com o resultado do jogo. Mais do que com a exibição. Como já disse antes, não se poderia esperar muito mais de um jogo deste caráter Mas eu esperava um pouco mais, mesmo assim. Esperava uma vitória. Mesmo que tivesse sido pela margem mínima, mesmo que não o merecêssemos. Já me contentaria com um empate com o marcador aberto... Esperava gritar "GOLO!" pela primeira vez este ano. Agora vou ter de esperar pelo menos três meses até ter a oportunidade de celebrar um golo.

 

Rui Patrício afirmou que, em maio, estaremos melhor, que "vamos ter tempo para trabalharmos todos juntos (...) por forma a que nos possamos apresentar, posteriormente, nas melhores condições para fazermos um bom Campeonato da Europa". Ele não foi o único a antecipar esse período. Também Paulo Bento e Cristiano Ronaldo o fizeram, com um pedido curioso:  "Aquilo que espero é que as pessoas possam vir ao estádio apoiar a Seleção, ter as bandeiras nas janelas das casas como em 2004 e de ouvir cânticos para a Seleção, por que isso faz a diferença para os jogadores e só se nota nos clubes", desabafou o madeirense. "Era uma maneira saudável e positiva de ajudar." "Que no Euro 2012 o País cante pela Seleção e que os jogadores o sintam", desejou Paulo Bento.

 

Fica a dica. Se tivesse jeito para isso, talvez eu mesma compusesse um tema para a Turma das Quinas, mas não tenho... De qualquer forma, certamente alguém pegará na ideia.

 

Em relação às bandeiras, eu já ia pendurar a minha de qualquer forma, sem que mo pedissem, mas sei que nem toda a gente é assim. Pode ser que, com o Ronaldo a pedir, se recrie o cenário do Euro 2004.

 

Agora tenho mais dois motivos para ansiar por maio. Como se precisasse deles... Já ando há algum tempo a pensar nessas gloriosas semanas. Tenho anotado ideias para entradas a publicar nessa altura. Já sei onde existe uma televisão caso esteja na Faculdade na altura de um jogo. Tenho planeado eventuais visitas ao Jamor (isto se a Seleção fizer algum treino lá, algo que acho pouco provável...).

 

Estes últimos dias, este jogo, não passaram de um cheirinho demasiado ténue, de uma amostra pouco representativa, de um trailer mal amanhado. Em maio e em junho tudo será diferente. A Seleção constituirá o elenco principal, com todas as câmaras para eles apontadas, os clubes serão meros figurantes. Haverá tempo para afinar as armas, prepararmo-nos para os grandes combates. Os níveis motivacionais serão outros - ninguém andará a guardar-se para o clássico. Não, depois da Convocatória Final, a 18 de maio, tudo será diferente. Faltam exatamente onze semanas para a divulgação dos resultados do casting, oitenta dias para o início das filmagens, noventa e nove dias para a grande estreia. Não posso prometer que o filme ganhe o Óscar, mas nada nos impedirá de aproveitar a jornada. Que, por muitas razões, incluindo os apelos do Selecionador e do Capitão, promete ficar na memória.

Polónia 0 Portugal 0 - Um trailer mal amanhado

Anteontem, a cem dias do início da fase final do Campeonato Europeu de Seleções, que se realizará na Polónia
e na Ucrânia, a Seleção Portuguesa de Futebol efetuou o seu primeiro jogo do ano de 2012. Tratou-se de um embate de caráter particular, que opôs Portugal à Polónia, precisamente uma das anfitriãs do Euro 2012, que serviu também para inaugurar o novíssimo Estádio Nacional de Varsóvia. Tal encontrou terminou com o marcador por abrir.

Não há muito a dizer sobre este jogo, pelo menos, não há muito que não tenha já sido dito. O encontro assemelhou-se a tantos outros particulares da Seleção Nacional. O guião-base é sempre o mesmo, com uma outra variação, alguma rotatividade nos atores principais, secundários e figurantes, no cenário. Na primeira parte, como jogam os habituais titulares, há futebol de qualidade. Na segunda parte, com as substituições, o rendimento cai.

Especificando para este jogo, o Nani, com a garra que o caracteriza, foi um dos que mais perigo levou à baliza polaca. Também Ronaldo e Hugo Almeida deram o seu contributo, se bem que com um pouco mais de discrição.

Na segunda parte, com as substituições, a equipa perdeu ritmo, entrou em modo de gestão de esforço. Neste segundo ato, o protagonista foi Rui Patrício. Não fosse o jovem guarda-redes do Sporting e alguma pitosguice por parte dos polacos e o filme podia ter acabado mal para o nosso lado. Há quem diga que, depois de tantas vezes nos ter salvado o couro, ontem e não só, este já se tornou o titular indiscutível da baliza. Mas estou agora a pensar que o Marmanjo é pequeno e magro, pelo menos quando comparado com os brutamontes alemãs, à frente dos quais nos vamos estrear no Euro 2012. Nesse aspeto, talvez o corpulento Eduardo fosse mais aconselhável. Contudo, os jogadores não se medem aos palmos, caberá a Paulo Bento decidir qual deles entrará em campo dia 9 de junho.

Depois de uns bons primeiros quarenta e cinco minutos e de uns entediantes segundos quarenta e cinco minutos, o jogo acabou com o marcador por abrir. Já que não serviu para dar alegrias, por pequenas que fossem, a ninguém, espero que o particular tenha servido para Paulo Bento tirar conclusões. De resto, pouquíssimas pessoas levaram este jogo a sério. A maior parte do pessoal está mais preocupado com o clássico de logo à noite, para eles este particular pouco mais foi que um espinho na carne.

Por meu lado, estou-me completamente nas tintas para o jogo desta noite. Não em jeito de retribuição, de birra, por, na minha opinião, não terem dado à Equipa, que devia ser de todos nós, o tempo de antena que merecia. Apenas me é indiferente quem ganha ou deixa de ganhar a I Liga. Há anos que é assim.

Devo ser das poucas pessoas que ficou verdadeiramente desiludida com o resultado do jogo. Mais do que com a exibição. Como já disse antes, não se poderia esperar muito mais de um jogo deste caráter Mas eu esperava um pouco mais, mesmo assim. Esperava uma vitória. Mesmo que tivesse sido pela margem mínima, mesmo que não o merecêssemos. Já me contentaria com um empate com o marcador aberto... Esperava gritar "GOLO!" pela primeira vez este ano. Agora vou ter de esperar pelo menos três meses até ter a oportunidade de celebrar um golo.

Rui Patrício afirmou que, em maio, estaremos melhor, que "vamos ter tempo para trabalharmos todos juntos (...) por forma a que nos possamos apresentar, posteriormente, nas melhores condições para fazermos um bom Campeonato da Europa". Ele não foi o único a antecipar esse período. Também Paulo Bento e Cristiano Ronaldo o fizeram, com um pedido curioso:  "Aquilo que espero é que as pessoas possam vir ao estádio apoiar a Seleção, ter as bandeiras nas janelas das casas como em 2004 e de ouvir cânticos para a Seleção, por que isso faz a diferença para os jogadores e só se nota nos clubes", desabafou o madeirense. "Era uma maneira saudável e positiva de ajudar." "Que no Euro 2012 o País cante pela Seleção e que os jogadores o sintam", desejou Paulo Bento.

Fica a dica. Se tivesse jeito para isso, talvez eu mesma compusesse um tema para a Turma das Quinas, mas não tenho... De qualquer forma, certamente alguém pegará na ideia.

Em relação às bandeiras, eu já ia pendurar a minha de qualquer forma, sem que mo pedissem, mas sei que nem toda a gente é assim. Pode ser que, com o Ronaldo a pedir, se recrie o cenário do Euro 2004.

Agora tenho mais dois motivos para ansiar por maio. Como se precisasse deles... Já ando há algum tempo a pensar nessas gloriosas semanas. Tenho anotado ideias para entradas a publicar nessa altura. Já sei onde existe uma televisão caso esteja na Faculdade na altura de um jogo. Tenho planeado eventuais visitas ao Jamor (isto se a Seleção fizer algum treino lá, algo que acho pouco provável...).

Estes últimos dias, este jogo, não passaram de um cheirinho demasiado ténue, de uma amostra pouco representativa, de um trailer mal amanhado. Em maio e em junho tudo será diferente. A Seleção constituirá o elenco principal, com todas as câmaras para eles apontadas, os clubes serão meros figurantes. Haverá tempo para afinar as armas, prepararmo-nos para os grandes combates. Os níveis motivacionais serão outros - ninguém andará a guardar-se para o clássico. Não, depois da Convocatória Final, a 18 de maio, tudo será diferente. Faltam exatamente onze semanas para a divulgação dos resultados do casting, oitenta dias para o início das filmagens, noventa e nove dias para a grande estreia. Não posso prometer que o filme ganhe o Óscar, mas nada nos impedirá de aproveitar a jornada. Que, por muitas razões, incluindo os apelos do Selecionador e do Capitão, promete ficar na memória.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Um cheirinho de maio e junho

Primeira entrada do ano. Um feliz 2012 a todos os leitores. Visto que este ano se realiza do Campeonato Europeu de Seleções, esta será certamente a primeira de muitas entradas este ano.

Mais de cem dias após garantirmos um lugar na fase final do Europeu de 2012, que se realiza em junho na Polónia e na Ucrânia, Paulo Bento anunciou ontem, sexta-feira 24 de fevereiro, os Convocados para o jogo de preparação para tal campeonato. Este amigável opor-nos-à à Polónia, precisamente uma das anfitriãs do Euro 2012 e servirá para inaugurar o Estádio Nacional, em Varsóvia.

A maior novidade desta Convocatória chama-se Nélson Oliveira. O jogador de apenas vinte anos de idade foi uma das estrelas da campanha da Seleção Nacional de Sub-20 no Campeonato do Mundo que se realizou no verão passado. Paulo Bento justificou tal chamada afirmando que Nélson "é um futebolista com potencial e grande qualidade" e que "possui características diferentes de todos os outros avançados que temos à disposição". Se se recordam, na entrada em que abordei o Mundial, escrevi o seguinte:

"Juro que, em quase dez anos em que me interesso por futebol, não me lembro de alguma vez ter visto um jogo [a final contra o Brasil] em que os jogadores lutassem literalmente até ao limite das suas forças. Deste modo, a Seleção de Sub-20 de uma lição de coragem, garra, empenho, ficando anos-luz à frente de não assim tão poucos jogadores e equipas sénior. (...) [vou fazer figas para] que o Nelson Oliveira, o Danilo, o Mika e os outros estejam daqui a uns anos a fazer o que o Cristiano Ronaldo, o Nani, o Rui Patrício e o Fábio Coentrão fazem hoje pela Equipa das Quinas!"

Ainda não passou nem um ano mas o Nelson já tem uma oportunidade de conquistar um lugar na Turma das Quinas Sénior. O jovem Marmanjo já provou ter, não só talento, mas também verdadeiro espírito de Seleção. Espero, por isso, que ele seja bem sucedido.

Se isso acontecer, se ele conseguir ser Convocado para o Euro 2012, será  "o puto da Seleção" neste campeonato. Ainda me lembro de quando "o puto" era o Cristiano Ronaldo... Este agora tem vinte e sete anos, já não falta assim tanto para ele se retirar. Estes últimos oito anos passaram a correr, quem me garante que os próximos não passarão mais depressa?

Tal como assinalei anteriormente, decorreram mais de cem dias desde a jornada dupla frente à Bósnia-Herzegovina. Num intervalo de várias semanas, contaram-se pelos dedos de uma mão as notícias relacionadas com a Equipa de Todos Nós. Este período de seca coincidiu com a minha época de exames, portanto, houve um efeito aditivo da frustração de ambas as coisas. Passei por uma verdadeira abstinência da Seleção, cujos sintomas incluíram sonhos esquisitos. Num deles, encontrava-me de férias numa espécie de resort onde a Turma das Quinas estagiava. No início até era agradável, eu podia assistir aos treinos, chegava mesmo a cumprimentar Paulo Bento. Só que, de repente, dou por num num cruzeiro - tive este sonho mais ou menos uma semana depois do naufrágio do Costa Concordia - e o navio começa a naufragar. No momento seguinte, estou a ser resgatada por um helicóptero e a perguntar o que aconteceu a Seleção, se os jogadores tinham sobrevivido. É tudo quanto me lembro mas foi suficientemente perturbador.

É claro que tentei tratar-me, tentei enganar as saudades. Uma das terapias que segui foi mudar o visual daqui do blogue. Nunca me tinha sentido completamente satisfeita com ele. Calhou um dia estar a explorar as ferramentas de design. Agora fica mais claro que este é um blogue sobre a Seleção Nacional. E acho que não ficou feio.

A propósito de renovações e mudanças de visual, acabei de criar uma página no Facebook de apoio ao blogue. Há que admiti-lo, os blogues estão a passar de moda, adaptamo-nos ou morremos. As redes sociais têm, além disso, a enorme vantagem de potenciar um dos maiores pontos fortes da Internet: a troca livre e rápida de informação. Não vou abandonar o meu blogue só por não estar na moda mas vou usar as ferramentas que estão na moda para que o meu blogue chegue a mais gente. Nele publicarei, não apenas as entradas do blogue, mas também notícias, fotografias, vídeos, tudo relacionado com a Seleção, e ainda aquelas primeiras ideias que depois costumam dar origem a entradas novas. Ainda pensei criá-lo mais tarde, mais próximo do Europeu, mas achei melhor fazê-lo agora para me habituar a ele, divulgá-lo, de modo a estar no seu melhor aquando da preparação do Euro 2012. Podem visitá-lo (e, já agora, fazer "Like") AQUI.

Outra terapia foi montar um segundo vídeo de apoio à Seleção, desta feita usando como banda sonora a música One World One Flame, de Bryan Adams. Esta foi outra faixa que o cantautor canadiano compôs e gravo para os Jogos Olímpicos de inverno de 2010, uma balada acústica com letra simples, aplicável a qualquer competição desportiva. O pior foi que o vídeo foi retirado do YouTube dois dias mais tarde por violação dos direitos de autor... Eu já não me posso queixar, nesta altura do campeonato já devia ter aprendido a lição. E teria sido pior se tivessem retirado o vídeo de The Climb, que tem mais significado, uma mensagem mais forte. De qualquer forma, queria ver se montava pelo menos mais um vídeo antes do Europeu. Estou à espera de ma eventual música-tema do Euro 2012. Senão, talvez utilize Sangue Oculto, dos GNR. Entretanto, se ficaram curiosos, podem sacar o vídeo para One World One Flame AQUI.

O jogo com a Polónia será o nosso décimo confronto com esta seleção. Dos nove jogos, recordo-me dos três últimos, uma vitória, uma derrota, um empate.

A vitória deu-se na fase de grupos do Mundial 2012, há quase dez anos. Lembro-me de o Pauleta marcar um hat-trick e de Rui Costa ter marcado o quarto golo. Lembro-me de, na minha ingenuidade, apesar da vergonhosa derrota aos pés dos Estados Unidos na semana anterior, achar que o título estava praticamente garantido. Deem-me um desconto, eu tinha doze anos e acabado de começar a interessar-me por futebol! Lembro-me vagamente de o João Pinto não ter ficado satisfeito com o facto de ter sido substituído pelo Rui Costa mas o jogo seguinte provou que teria sido muito melhor se ele tivesse ficado no banco.

Dos outros jogos recordo-me melhor. Ambos contaram para a Qualificação para o Europeu de 2008. No primeiro, em outubro de 2006, fomos derrotados - não me lembro do resultado final, mas recordo-me que termos sofrido dois golos nos primeiros vinte minutos, isto depois de o Selecionador polaco ter vaticinado que o jogo ficaria resolvido nesse intervalo de tempo.

O empate deu-se na Luz, em setembro de 2007. Lembro-me de estarmos a ganhar por duas bolas contra uma, mas depois, aos 87 minutos, os polacos marcaram um golo digno dos apanhados, em que a bola foi ao poste, bateu nas costas do guarda-redes Ricardo e cruzou a linha de baliza... Um momento que ainda hoje me exaspera.

No total dos nove jogos, contam-se quatro vitórias, três derrotas e dois empates. Tudo pode acontecer na quarta-feira, não me admiraria se saíssemos de lá com um empate (três vezes na madeira!). Por outro lado, por amor de Deus, estamos a preparar um campeonato em cuja fase de grupos se encontram provavelmente os adversários mais difíceis que nos poderiam calhar. Eu sei que é apenas um particular e tal, mas se não conseguirmos vencer a Polónia, como é que podemos aspirar a passar o grupo, deixando duas destas três seleções - Alemanha, Dinamarca, Holanda - pelo caminho?

É melhor não pensar demasiado nos adversários que nos aguardam senão o meu ânimo vai por água abaixo... Haverá tempo para pensarmos no que teremos de fazer para sobrevivermos ao grupo do Euro. Para já, por estes dias, quero matar saudades da Seleção, depois de esta ter estado longe dos holofotes por muito tempo, demasiado tempo para o meu gosto. Quero ter um cheirinho, ainda que muito ténue, daquilo a que teremos direito durante os próximos meses de maio e junho. Quero ver os novos equipamentos da Turma das Quinas - que parece que vão ser apresentados hoje, domingo, dia 26 - em ação. Quero, sobretudo, um motivo, por pequeno, por insignificante que seja, para não recear os adversários com que teremos de lidar em junho, para acreditar que Portugal fará uma boa campanha no Euro 2012.



Este texto foi escrito segundo o novo Acordo Ortográfico. Não porque a autora concorde com as alterações impostas, pelo menos não com todas, mas porque entende que de nada serve pura e simplesmente ignorar o Acordo e teimar em escrever da maneira antiga, como uma criança a fazer birra ou como um adolescente armando-se em rebelde. E também porque, não fossem outros Acordos Ortográficos anteriores a estes, o nome da autora por escrito, em vez de "Sofia", seria "Sophia" - algo que autora consideraria extremamente piroso.
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