quarta-feira, 13 de junho de 2018

Portugal 3 Argélia 0 – Preparados

32147288_654677578198946_9021206302734417920_n.jpg


Na passada quinta-feira, dia 7 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere argelina por três bolas sem resposta, em jogo de carácter amigável, no Estádio da Luz… e eu estive lá!


 


Nesse fim de tarde choveu sem parar durante horas. Não propriamente a cântaros, mas o suficiente para chatear. Este chuveirinho irritante durou as cerca de três horas que estivemos na Luz, encharcando-nos até aos ossos. Não me constipei (tenho um bom sistema imunitário), mas, claro, foi desagradável.


 


O que eu não faço por estes Marmanjos…


 


A consequência mais caricata dizia respeito à coreografia programada pela Federação. Quem assistia em casa deve ter visto as cartolinas verdes e vermelhas, iguais às do jogo com a Suíça. Só que a minha, pelo menos, estava completamente ensopada e, quando tentei erguê-la como pediram, esta desfez-se em farrapos nos meus dedos.


 


Enfim, ficou a intenção. Em defesa da FPF, quem poderia adivinhar que ia chover? Estávamos em junho! Eu estava mais agasalhada nesse dia do que estive no jogo com a Suíça, em outubro.


 


54706_edicao02_vitrola_avril_700x700.jpg


  


Um dos motivos pelos quais a chuva me irritou, aliás, foi porque estava a estrear a minha camisola nova da Seleção e tive de usar um impermeável por cima dela. Mal-empregada… O que vale é que, com o passar do tempo, acabei por gostar do visual – em parte porque sempre gostei imenso daquele impermeável, que “roubei” ao meu irmão.


 


Mas não estamos aqui para falar de moda nem de meteorologia (desse último assunto já tivemos a nossa dose há quatro anos) e sim de futebol.


 


Portugal entrou muito bem no jogo  infelizmente para nós, que estávamos mais perto da outra baliza. Logo no primeiro minuto, Cristiano Ronaldo bateu um livre a nosso favor. A bola foi parar a João Moutinho, que tentou rematar, mas o guarda-redes argelino defendeu. Aos oito minutos, Bruno Fernandes assistiu para Ronaldo, mas o golo foi anulado por fora-de-jogo.


 


Finalmente, aos dezassete minutos o marcador funcionou. Foi uma jogada muito fixe: o William Carvalho estava na linha de meio-campo mas, não sei bem como, conseguiu colocar a bola em Bernardo Silva, que estava já na grande área argelina. Este, depois, assistiu de cabeça para Gonçalo Guedes rematar para as redes.


 


lumiose_city_scene_illustration.0.jpg


  


Tirando a contribuição de William (que, mesmo assim, terá sido quarenta por cento do golo), este foi um tento de dois meninos da casa, o que é sempre giro – embora, na verdade, Bernardo Silva pouco tenha jogado na equipa principal do Benfica.


 


Há que recordar que a Argélia não atravessa uma boa fase, nem sequer vai ao Mundial. Não sendo uma seleção de micro-estado, daquelas que se convida para particulares quando queremos uma vitória fácil para aumentar a auto-estima dos jogadores, não estava em condições para dar grande luta. Só mesmo em momentos, como à volta dos trinta minutos, em que Portugal afrouxava a pressão.


 


Nesse aspeto, o golo de Bruno Fernandes veio no momento certo. Na altura não conseguimos ver muito bem, chegámos a pensar que o golo era do Bernardo – antes de o speaker anunciar o autor verdadeiro. Só mais tarde, com os resumos, é que vimos que fora Cristiano Ronaldo a assistir para a cabeça de Bruno. Segundo o próprio, foi o seu primeiro golo de cabeça enquanto profissional – mais sobre isso adiante.


 


IMG_20180411_140530.jpg


  


Na segunda parte, Portugal voltou a entrar em força – e desta feita pudemos ver como deve ser. Logo nos primeiros dez minutos, tivemos meia-dúzia de oportunidades. A bola entrou, finalmente, aos cinquenta e quatro minutos – Raphael Guerreiro assistiu para Gonçalo Guedes cabecear para a baliza. Tal como já acontecera com Bruno Fernandes, este era o seu primeiro golo de cabeça da carreira. Consegui vê-lo bem do meu lugar – tanto a jogada do golo como o abraço entre o Gonçalo e o Raphael.


 


Vocês sabem que estou muito afeiçoada aos veteranos da Seleção – aos jogadores que já vestiam a Camisola das Quinas quando criei este blogue, há dez anos. Mas, ao mesmo tempo, dá-me imenso gozo ver os mais novinhos a dar cartas, como neste jogo: não só o Guedes e o Bruno Fernandes, também o Raphael Guerreiro, o André Silva, o João Mário… Dá-me gozo vê-los crescer, ver a sua primeira internacionalização, o seu primeiro golo, o seu primeiro golo de cabeça – da mesma maneira como nos dá gozo ver uma criança dando os seus primeiros passos, dizendo as suas primeiras palavras.


 


Talvez seja isso… ou talvez goste pura e simplesmente de ver jogadores da Equipa de Todos Nós saindo-se bem, ponto. Tem sido uma constante desde os meus catorze anos.


 


8b020fe94cfc71f42fcd927fd752eedc.jpg


   


Regressando ao jogo, a pressão portuguesa continuou, mesmo depois do terceiro golo. Perdeu-se, no entanto, algum fulgor com as substituições, como o costume. João Mário, ainda assim, conseguiu enfiar a bola da baliza aos oitenta e dois minutos, mas o golo foi anulado pelo VAR. Decisão acertada – eu mesma vi a mãozinha marota de Guedes, durante a jogada.


 


A vantagem de três golos manteve-se até ao fim. Fica uma certa pena por não termos conseguido marcar mais golos. Tirando isso, foi um bom jogo, um bom ensaio para o Mundial, um fim de tarde feliz para mim (que não tivera um dia fácil), uma ótima maneira de os Marmanjos se despedirem de nós antes de partirem para a Rússia.


 


Um aparte rápido só para falar do que aconteceu depois do apito final. Quando o Estádio já estava meio vazio, eu e a minha irmã vimos que, na baliza oposta à nossa, andava um dos Marmanjos a jogar com duas crianças – debaixo dos aplausos do público que restava. Só quando nos aproximámos é que reconhecemos o Cristianinho e o seu velho.


 


Foram uns minutos giros. Eu já adoro crianças por elas mesmas e, sempre que Ronaldo e o filho aparecem juntos, acho-os adoráveis. Como se isso não bastasse… o miúdinho tem jeito!


 



 


Não que seja uma surpresa: o Cristianinho está na idade em que o pai é o seu herói. Sendo o seu alguém que sempre adorou futebol, que trabalha dia e noite para se tornar cada vez melhor, é natural que o filho esteja a seguir os seus passos.


 


Por agora, pelo menos. A ver se isso continua quando o Cristianinho chegar à adolescência e já não achar o seu cota assim tão fixe.


 


O Cristianinho é mais outro que temos visto crescer. É muito cedo para estar a fazer previsões, mas seria fantástico se, daqui a uns quinze, vinte anos, voltássemos a vê-lo no Estádio da Luz – envergando a Camisola das Quinas.


 


Fechemos o aparte.


 


18809613_1902645163281336_3142023852700205056_n_b4


  


Fernando Santos ainda não estava completamente satisfeito no fim deste jogo, embora as coisas estivessem “mais perto daquilo que queria”. Também admitiu que será durante o mundial que a Seleção vai chegar ao nível que ele deseja – tal como aconteceu durante o Euro 2016, suponho eu.


 


Com isto tudo, estamos a menos de dois dias da nossa estreia no Mundial 2018 e… acho que estamos preparados. Se ainda não o estivermos, estaremos no momento em que entrarmos em campo. Como fui dando a entender aqui e ali, durante algum tempo, sobretudo depois dos primeiros particulares deste ano, estive um pouco apreensiva. No entanto, os progressos nestes últimos dois jogos e a atitude exigente de Fernando Santos deixam-me um pouco mais confiante. Não me esqueci que o Mundial são historicamente difíceis para Portugal, mas desta feita parece-me que estamos a dar os passos certos.


 


E mantenho o que disse antes: se é para tentar o título, esta é a nossa melhor oportunidade para fazê-lo.


 


Nada disso significa que vá ser fácil. Bem pelo contrário. É certo que a Espanha está a ter uma crise interna, com uma troca de selecionadores à última hora, mas é melhor não assumir que isto vai afetar a equipa. Não estou à espera de uma vitória. Já ficaria muito satisfeita com um empate. Mesmo uma derrota não seria grave… desde que não seja uma derrota pesada e destrutiva, como o último jogo com a Alemanha.


 


916490_1249185025098166_1540780065_n.jpg


 


Tenho de confessar uma coisa: dava-me jeito se passássemos aos oitavos-de-final em segundo lugar. Vou estar fora do país durante o fim de semana dos oitavos e, se passarmos em primeiro, o nosso jogo coincidirá com o meu voo de regresso, no domingo. Se passarmos em segundo, jogamos no sábado – a Seleção teria um dia a menos para se preparar, mas eu, em princípio, poderia ver o jogo.


 


Será egoísta da minha parte? Dar-nos-á azar não estar a torcer a cem por cento pelo melhor resultado possível para a Seleção?


 


Acho que, de qualquer forma, será muito difícil passarmos em primeiro, pelo que expliquei acima. Mesmo assim, se der para ganhar à Espanha e Qualificarmo-nos no topo da tabela, não me queixo. Porque, se conseguirmos ultrapassar a fase de grupos (algo que não aconteceu da última vez) e, quem sabe, ganhar os oitavos, os quartos, por aí fora até à final de Moscovo, que importância terão um par de horas de nervosismo nas nuvens?


 


Não há de ser nada…


 


32859161_2093698397553810_7105432670020042752_n.jp


 


Recuando um bocadinho, entre o jogo com a Espanha e o jogo com Marrocos, o único dia em que não trabalho será o sábado e já tenho uma data de coisas programadas. Assim, como já tinha dito que ia fazer, a próxima análise virá por tópicos. Vai ter de ser.


 


Em todo o caso, já sabem, teremos sempre a página do Facebook. Agora, que venha a Espanha, Marrocos, Irão e o resto: estamos prontos!

terça-feira, 5 de junho de 2018

Bélgica 0 Portugal 0 – Melhor

916490_1249185025098166_1540780065_n.jpg


No passado sábado, dia 2 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou sem golos com a sua congénere belga, no Estádio Rei Balduíno, em jogo de carácter amigável.


 


Nessa tarde, eu e a minha irmã só chegámos a casa por volta das oito, logo, só acompanhámos os primeiros dez, quinze minutos via rádio. Acabou por ser afortunado, pois toda a gente diz que Portugal não jogou nada de jeito durante esse período. Já dava para percebê-lo no relato. Tirando uma ocasião de Gonçalo Guedes, aos três minutos, só houve Bélgica no jogo. Os portugas estavam desorganizados, perdiam bolas e pouco conseguiam avançar no terreno.


 


Pelos vistos, bastou a Fernando Santos corrigir as posições de Bernardo Silva, Guedes e Gelson Martins para a equipa entrar nos eixos. Quando eu e a minha irmã conseguimos sentar-nos em frente à televisão, Portugal começava a assumir o controlo do jogo, seguindo em crescendo até ao intervalo.


 


maxresdefault.jpg


  


Aos quarenta e dois minutos, Bernardo rematou, mas a bola bateu num defesa belga e foi para fora, rasando o poste. Dois minutos mais tarde, Gelson conseguiu isolar-se na grande área belga mas, como os colegas não conseguiram acompanhá-lo, o Marmanjo teve de rematar num ângulo apertado – sem sucesso. Por fim, Guedes tentou a sua sorte, em cima dos quarenta e cinco minutos, mas falou a baliza por pouco.


 


Se não tivéssemos sido interrompidos pelo intervalo, talvez tivéssemos conseguido marcar. Infelizmente, a equipa teve de ir para o balneário e, quando regressou, voltou a entrar no jogo um pouco aos tropeções. Beto teve de mostrar os seus dotes, com um par de defesas espetaculares aos cinquenta e cinco e aos sessenta e quatro minutos.


 


Entre ele, o Rui Patrício e mesmo o Anthony Lopes, não devemos ter problemas na baliza neste Mundial.


 


tumblr_oh9ym4oznq1ru6bozhto7_1280.jpg


  


Infelizmente, foi mais ou menos aos sessenta, setenta minutos, altura em que já tinham ocorrido algumas substituições, ambas as equipas pareceram contentar-se com o empate. O jogo tornou-se enfadonho, portanto – mas compreende-se.


 


Praticamente toda a gente ficou satisfeita com este resultado e, sobretudo, com a exibição – porque, lá está, quase toda a gente olha para a Bélgica como uma das melhores seleções do Mundo. Tal como referi antes, eu não concordo: os belgas têm muitos nomes sonoros, mas estes não chegam para fazer uma equipa. Pelo menos não ao nível que a pintam.


 


As melhorias mais notórias foram na defesa. Conforme Fernando Santos assinalou, Portugal foi a primeira equipa em vinte e um meses que não sofreu golos da Bélgica. A fórmula está longe de ser nova: centrais veteranos (neste caso, Pepe e José Fonte) atrás, protegendo a nossa área, para que os caloiros possam fazer a sua magia à frente – guiados por outro veterano, Cristiano Ronaldo, na maior parte das vezes. Resultou bem no Euro 2016 e na Qualificação, há de resultar bem no Mundial.


 


32859161_2093698397553810_7105432670020042752_n.jp


  


O pior é que, como tem sido assinalado várias vezes ao longo dos últimos dois anos, não é uma fórmula para longo prazo. É para isso que temos Rúben Dias, mas esta exibição dos centrais veteranos pode diminuir as hipóteses de o jovem jogar no Mundial. É uma pena, mas também me parece que o jovem foi Chamado, sobretudo, como solução a longo prazo.


 


É sempre bom sinal quando conseguimos um resultado e uma exibição perante um bom adversário, a pouco menos de duas semanas do Mundial. Sobretudo estando nós desfalcados da nossa maior arma e tendo eles, como comentou a minha irmã, trazido a artilharia pesada – com nomes como Courtois, Kompany, Hazard, entre outros, nos titulares.


 


A melhor parte? Fernando Santos disse que a Seleção ainda não estava ao nível que ele deseja. Ainda podemos melhorar ainda mais!


 


Há que ter em conta que isto é um particular e que estes nem sempre são equiparáveis a jogos a doer. Gosto muito de recordá-lo quando os particulares correm mal, não posso deixar de dizer o mesmo quando estes nos correm bem.


 


imagem de cabeçalho.jpg


  


Dito isto, este jogo deixa boas indicações para o Mundial – nem que seja apenas um ligeiro aumento na confiança dos Marmanjos. Continuo muito relutante em alinhar em otimismos (não consigo esquecer 2014), mas admito que, no que toca a Campeonatos do Mundo, há muito que os sinais não nos eram tão favoráveis.


 


Antes disso, no entanto, temos o particular frente à Argélia, terá Cristiano Ronaldo em campo e, tal como já tinha dito, eu e a minha irmã nas bancadas. Pegando no conceito da campanha publicitária de um dos patrocinadores da Seleção, não vou ter muitas hipóteses de repetir os rituais do Euro 2016, mas este será uma exceção. Mais uma vez, vou despedir-me dos Marmanjos ao Estádio da Luz.


 


Tirando este, os poucos rituais que vou repetir são, na verdade, os mesmos que repito sempre que a Seleção joga: ir escrevendo neste blogue, ir atualizando a página do Facebook e, sobretudo, ir torcendo e acreditando até ao último minuto. E, pelo menos até agora, não me posso queixar dos resultados.

sábado, 2 de junho de 2018

Portugal 2 Tunísia 2 – Sem defesa

lumiose_city_scene_illustration.0.jpgNa passada segunda-feira, dia 28 de maio, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a duas bolas com a sua congénere tunisina, em jogo de carácter particular, no Estádio Municipal de Braga.


 


Este resultado fez soar alguns alarmes, não sem alguma razão, mas eu não achei o jogo assim tão mau. A primeira parte, pelo menos, não o foi. A primeira oportunidade pertenceu à Tunísia, no primeiro minuto, mas depois disso foi sobretudo Portugal – muito graças a Ricardo Quaresma, Bernardo Silva, João Mário e André Silva. O primeiro, aliás, desperdiçou uma, de baliza aberta, aos dez minutos (a sério, Quaresma?!?).


 


Felizmente, compensou mais tarde quando, após iniciativa de William e Bernardo Silva, assistiu para André Silva marcar de cabeça, inaugurando o marcador.


 


Diz-se que foi o milésimo golo de sempre da Seleção Portuguesa. Muito gilo e tal mas, sejamos sincermos, ninguém se vai lembrar disso, ou mesmo deste jogo, daqui a duas semanas, ou menos.


 


Não que tenha sido um mau golo, para milésimo da Seleção. Mas o milésimo-primeiro foi melhor. Na sequência de um canto, um dos médios da Tunísia aliviou mal e João Mário, a meio metro da grande área, aproveitou para disparar, de primeira, para as redes tunisinas.


 


32147288_654677578198946_9021206302734417920_n.jpg


 


Isto, curiosamente, no preciso momento em que a minha irmã dizia ter saudades do trio William-Adrien-João Mário no Sporting. Não sei ao certo como correram as coisas ao João no West Ham, mas é bom saber que ele ainda tem cartas para dar pela Equipa das Quinas.


 


Infelizmente, a vantagem de duas bolas não durou muito: cinco minutos mais tarde, os avançados tunisinos fizeram o que quiseram da defesa portuguesa e Anice Badri conseguiu marcar – também com um belo tiro, por sinal.


 


Ainda assim, na segunda parte do jogo, manteve-se a tendência ofensiva portuguesa. Destaque para duas ocasiões, uma de João Mário, outra de Bernardo Silva – nessa, Bernardo atirou ao poste, João Mário ainda tentou a recarga, mas o guarda-redes defendeu.


 


Se essa bola tivesse entrado (essa e/ou outras!), a história do jogo podia ter sido diferente. Em vez disso, mais uma falha da defensiva portuguesa permitiu à Tunísia chegar ao 2-2.


 


18809613_1902645163281336_3142023852700205056_n_b4


  


Depois desta, com as substituições, o cansaço e tudo o resto, Portugal nunca mais conseguiu reencontrar-se no jogo. O resultado manteve-se até aos noventa – ou melhor, até um bocadinho antes, porque o árbitro não concedeu tempo de compensação em nenhuma das partes, vá-se lá saber porquê.


 


É frustrante acabar um jogo empatado quando se estive a ganhar por 2-0. Eu, no entanto, não fiquei assim tão chateada com isso. Em parte, porque a anterior dupla jornada de particulares (sobretudo o último jogo) me deixou com baixas expectativas; em parte, porque já vi particulares piores em fases equivalentes de preparação de Europeus e Mundiais (com e sem Ronaldo); em parte porque… é só um particular, é para isso que eles servem!


 


Mesmo assim, Fernando Santos parecia irritado na flash-interview e tinha motivos para isso. A frase “Estou farto de avisar para estes lances” diz tudo. E, de facto, se formos a ver, andamos a sofrer bastantes golos nos últimos tempos. O que não era habitual: nem durante o Euro 2016 nem durante a última Qualificação.


 


Qual será o problema? Será porque o Rui Patrício não tem jogado nos particulares? Será porque, em jogos a feijões, os Marmanjos não se empenham tanto? Ou será algo mais complicado?


 


IMG_20180411_140530.jpg


   


Qualquer que seja a razão do problema, é bom que este seja resolvido antes do Mundial. Afinal de contas, a consistência da defesa foi uma das coisas que nos deu o título de Campeões Europeus.


 


Felizmente, tanto o Selecionador como os Marmanjos têm garantido, ao longo da semana, que estão a trabalhar nesse aspeto. A ver se veremos resultados nos próximos particulares. 


 


Portugal tinha todas as condições para ter vencido a Tunísia mas, pensando em termos de preparação do Mundial, até foi bom não o ter feito. Um terceiro golo poderia ter feito com que os tunisinos desistissem de lutar pela vitória e o problema da defesa ficaria mascarado. Talvez se revelasse apenas no jogo com a Bélgica ou com a Argélia e teríamos menos tempo para corrigir antes do Mundial. Pode ser que isto seja Deus a escrever por linhas tortas.


 


Hoje, então, jogamos contra a Bélgica – que todos consideram uma das melhores seleções do Mundo e eu continuo sem saber ao certo porquê. É certo que possui uma mão-cheia de individualidades (Hazard, Lukaku, Courtois, Kompany, entre outros), mas os percursos em campeonatos de seleções anteriores, não sendo maus, não foram de extraordinário, na minha opinião. A última vez que jogámos contra eles correu bem para o nosso lado.


 


IMG_20170306_1238851_HDR.jpg


  


Não deixam de ser um bom adversário, claro, o mais difícil destes três particulares. Aliás, depois destes últimos jogos assim-assim, estou curiosa (e um bocadinho apreensiva) por ver a Seleção atual perante um adversário de calibre considerável.


 


Vou aproveitar a ocasião e falar já sobre o jogo com a Argélia, que decorrerá no Estádio da Luz… e eu estarei lá. Quero aproveitar todas as oportunidades para ir a jogos da Seleção enquanto puder – nada me garante que consiga fazê-lo daqui a uns anos. Além disso, tenho uma camisola por estrear.


 


Acho que vai ser a primeira vez que jogamos contra a Argélia. Confesso que não sei muito sobre esta seleção: apenas que não se Qualificou para o Mundial 2018 e que Yacine Brahimi, do F.C.Porto, e Islam Slimani, que era do Sporting, fazem parte. Não sei se foram Convocados para este jogo, no entanto. A minha irmãzinha sportinguista, que vem comigo ao jogo, ficará feliz se vir o Slimani – mas não sei se o público da Luz concordará com ela.


 


Não sei ao certo quando conseguirei escrever sobre estes jogos. Junho vai ser um mês complicado no meu emprego – logo agora, que vem aí o Mundial! Não sei como vou dar conta do recado com este blogue. Talvez escreva sobre dois jogos de cada vez, como fiz antes. Talvez, em vez de crónicas em texto corrido, escreva as minhas análises sob a forma de notas soltas. Hei de arranjar uma solução – mas fica desde já o aviso de zona turbulenta.


 


part_5__what_s_up_unova__by_justlex-d62gvjq.jpg


  


Ao menos devo ser capaz de manter a página de Facebook atualizada, o que é melhor do que nada. Obrigada pela vossa paciência, como sempre. Continuem desse lado.

domingo, 27 de maio de 2018

Refúgio

8b020fe94cfc71f42fcd927fd752eedc.jpg


No dia 17 de maio, Fernando Santos, o Selecionador Nacional Divulgou os Convocados que representarão Portugal no Mundial 2018.


 


Tal, no entanto, acabou por passar quase despercebido perante outros acontecimentos que abalaram o mundo desportivo. Não falei disso no texto Pré-Convocados pois tinha-o concluído e agendado para publicação uns dias antes. Eu, de início, não queria escrever sobre o assunto porque, em primeiro lugar, foge um pouco ao âmbito deste blogue. Em segundo, achava que não tinha nada a dizer que milhentas outras vozes não tivessem dito já.


 


No entanto, quando no domingo passado, vi o Rui Patrício em lágrimas no Jamor, no fim daquela que deve ter sido a pior semana da sua vida – o Rui Patrício, dono da baliza das Quinas há seis ou sete anos, um dos principais responsáveis pelo primeiro e até agora único título da Seleção, que eu já tive o privilégio de encontrar na rua – descobri que não conseguia ficar calada.


 


18809613_1902645163281336_3142023852700205056_n_b4


  


Eu acho que já expliquei algures aqui no blogue que deixei de apoiar clubes de futebol – no meu caso, o Sporting – por causa do fanatismo que existe no futebol de clubes. Mas julgo que nunca dei pormenores.


 


Foi na época de 2003/2004, eu tinha catorze anos. Andavam a ocorrer vários episódios degradantes, como o alegado rasgão de José Mourinho à camisola do Rui Jorge, cenas de violência no jogo entre o Vitória de Guimarães e o Boavista – no estádio onde, uma semana antes, morrera Miklos Feher. Estava a ficar saturada.


 


A última gota foi o dérbi em Alvalade, no qual adeptos do Sporting invadiram o campo – com intenções parecidas às daqueles que invadiram Alcochete no outro dia, suponho.


 


Nesse dia decidi que não queria estar associada a este tipo de comportamento. Decidi que o meu clube seria apenas a Seleção. Cerca de um mês ou dois mais tarde deu-se o Euro 2004 e nunca mais olhei para trás.


 


26864330_166805173940158_2527454173406953472_n.jpg


  


Bem, mais ou menos. Nunca quis reverter a minha decisão, mas existiram alturas em que me perguntei se tinha sido demasiado radical.  Os clubes não são corruptos por si só, o mal vem das pessoas. Existem pessoas boas e más em todos os clubes, como em tudo na vida.


 


A minha irmã, por exemplo, é uma boa pessoa no futebol de clubes. Adepta do Sporting, devota ao seu clube sem fanatismos exagerados, ainda mais resiliente do que eu – porque o clube dela dá menos retorno do que a Seleção que tem dado.


 


Assim, ao longo dos anos, permiti a mim mesma ir apreciando o futebol de clubes aqui e ali – apoiando todos e nenhum em particular. Acompanho a minha irmã a jogos do Sporting, mas se alguém me convidar a um jogo do Benfica, do F.C.Porto ou de outro clube qualquer não recusarei. Admito que, na maior parte dos casos, prefiro que o Sporting ganhe para ver a minha irmã feliz, mas se ganhar outro qualquer não me ralo. E se é um clube português numa competição europeia e/ou um clube onde alinhem jogadores portugueses, é óbvio que torço por eles.


 


Esta época, no entanto, foi mais degradante do que o costume, sendo-me mais difícil acompanhá-la. Bitaites de diretores de comunicação, polémicas em torno de arbitragens (quem é que foi a alminha iluminada que achou boa ideia testar o video-árbitro em Portugal?), envelopes, e-mails, toupeiras, claques cantando pela morte de jogadores… A minha mente foi simpática ao ponto de me fazer esquecer a maior parte dos pormenores.


 


916490_1249185025098166_1540780065_n.jpg


  


Fui a alguns jogos do Sporting com a minha irmã esta época mas, a partir de certa altura, comecei a recusar os convites dela (tirando para o jogo com o Atlético de Madrid). Já não aguentava a falta de educação de inúmeros adeptos, que insultavam o árbitro, os jogadores e adeptos adversários, até mesmo os jogadores que deviam apoiar. Isto na presença de crianças!


 


Não digo que estivesse a ser diferente de outras épocas. É possível que eu estivesse menos tolerante para estas coisas, com tudo o que se estava a passar fora das quatro linhas.


 


Um dos responsáveis (não o único, bem entendido) por este ambiente tóxico no futebol português é o presidente do Sporting – um sujeito com tiques de ditador que, todos concordam, contribui para o que aconteceu em Alcochete.


 


Eu já vi muita coisa no futebol português, mas nunca nada como isto. Não digo que tenha sido o mais baixo de sempre porque, mal por mal, não morreu ninguém, ao contrário de outras ocasiões. Mas fiquei deveras perturbada. Todos vimos as imagens do balneário, os ferimentos de Bas Dost (a quem a minha irmã se afeiçoou, como se afeiçoa a quase todos os que vestem as cores do Sporting). Mal consigo ler relatos do que aconteceu, como um que referia que o treinador, Jorge Jesus, foi agredido com um cinto e que, mais tarde, Bas Dost chorara ao ombro do treinador, perguntando o que fizera para merecer aquilo.


 


nmlobo.png


  


Permitam-me a pergunta: como é que há pessoas capazes de fazer isto? Por futebol? Isto são coisas que se ensinam a criancinhas mas, pelos vistos, é preciso dizê-lo: isto é só futebol! Ninguém morre se se perde um jogo ou se se termina um campeonato em terceiro lugar em vez de segundo (eu, aliás, já vi o Sporting a fazer épocas bem piores do que esta). Não vou dizer que não interessa para nada – todos nós sabemos que existe muito dinheiro e muitas carreiras em jogo. Mas não justifica, nem de longe nem de perto, atitudes violentas como estas. E, como se não fossem suficientemente más por si mesmas, foram contra jogadores do próprio clube.


 


Não sou assim tão ingénua, sei perfeitamente que a extrema-direta neonazi está ligada às claques, não apenas a do Sporting. Ainda assim, falando estritamente da perspetiva de um adepto fanático… que esperavam eles alcançar? Tudo o que conseguiram fazer foi com que jogadores e equipa técnica ganhasse motivo para debandar a custo zero (com todas as consequências financeiras para o clube), não treinasse ao longo do resto da semana e perdesse a Taça de Portugal – porque quem está em condições para um jogo daquela envergadura depois de uma situação como a de Alcochete?


 


E ainda houveram muitos que se puseram a criticar o desempenho dos jogadores na final da Taça – a sério, pá, nunca ninguém ouviu falar em empatia?!?


 


IMG_20170306_1238851_HDR.jpg


  


Com metade da massa adepta a maltratá-los, alguns deles fisicamente, e um Presidente que não os defende e ainda os culpabiliza pelo que aconteceu, se eu estivesse no lugar dos jogadores punha-me a andar. Eles merecem muito melhor do que isto. A minha irmã merece muito melhor do que isto (mesmo antes desta situação, o clube anda há muito em dívida para com ela), bem como todos os adeptos civilizados, do Sporting e não só. O futebol português, Campeão Europeu ainda para mais, merece melhor do que isto.


 


Por outro lado, se de facto a equipa debandar, ficarei triste pela minha irmã e pelos jogadores da Seleção que eventualmente saírem. Rui Patrício, por exemplo, tem capacidade para jogar nos grandes da Europa, mas no Sporting é rei e senhor da baliza – quem nos garante que terá espaço no Nápoles ou noutro clube que o contrate?


 


O que eu sei é que precisamos todos de parar e refletir sobre o rumo que as coisas estão a tomar no futebol português. Como já outros comentaram aqui no Sapo Blogs, não queremos que a violência tomem conta do futebol. Mas confesso que não estou com grandes esperanças.


 


Com tudo isto, que ninguém se venha queixar do eventual circo publicitário e mediático em torno da Seleção, durante o Mundial!


 


IMG_20180411_140530.jpg


  


Fernando Santos disse o que tinha a dizer sobre o assunto aquando da Divulgação dos Convocados e diz que não tornará a falar sobre isso durante o Mundial e a sua preparação. De igual modo, espero não ter de voltar a escrever sobre isto de novo. Calha bem os jogadores irem agora de férias ou para as seleções – mudam de ares, para ambientes mais saudáveis. No nosso caso pelo menos. Como em muitas outras alturas, em diferentes circunstâncias, a Seleção serve de oásis, de refúgio, à parte das facetas mais tóxicas do futebol.


 


Com isto tudo, vamos em bem mais de mil palavras e ainda nem sequer falámos dos Convocados. Desta feita, não houve grande contestação em torno dos Escolhidos para o Mundial. Não sei se é porque as Escolhas foram, no geral, acertadas ou consensuais ou se estava tudo distraído com o que aconteceu no Sporting.


 


A segunda hipótese será, quase de certeza, verdade, mas acho que a primeira também é. E, da minha experiência, quando não existe grande contestação aos Convocados, as coisas correm bem.


 


A maior novidade na lista é o central Rúben dias. Já tínhamos falado sobre ele há pouco tempo, mas a lesão que tinha na altura não o deixou vir à Turma das Quinas para aquela jornada de particulares. Cheguei a temer que Fernando Santos o deixasse de fora do Mundial – ele dera a entender que dificilmente Convocaria jogadores que nunca tivessem vindo antes à Equipa de Todos Nós. Felizmente, abriu uma exceção para o Rúben.


 


imagem de cabeçalho.jpg


   


Eu teria levado o Rolando ao Mundial, mas compreendo que Fernando Santos tenha preferido José Fonte. Como ele foi para a China, tinha algumas dúvidas, mas consta que ele tem jogado com regularidade por lá.


 


Eu vou confiar.


 


Fábio Coentrão ficou de fora do Mundial por vontade própria – ele mesmo o afirmou um dias antes da Divulgação dos Convocados, nas redes sociais. E fico triste, pois ele finalmente teve uma época feliz, mas é melhor assim. A sua forma física continua a deixar muito a desejar. Ia ser uma chatice se ele se lesionasse a meio do campeonato, sem poder ser substituído, tal como aconteceu no último Mundial. Com ele e… dois terços da equipa.


 


Em vez dele, foi Convocado Raphael Guerreiro. Eu fico satisfeita, porque gosto bastante dele como jogador… mas também tenho algumas dúvidas em relação ao seu momento de forma, já que passou a época debatendo-se com lesões. Pode ser que esteja a cem por cento agora. Para além do Raphael, também veio Mário Rui que, segundo consta, fez uma boa época ao serviço do Nápoles.


 


32859161_2093698397553810_7105432670020042752_n.jp


  


Confesso que estou aliviada por André Gomes ter ficado de fora. Receei, a certa altura, que Fernando Santos estivesse demasiado enviesado em relação a ele, quando existem melhores opções neste momento. Felizmente isso não aconteceu. Gostei, aliás, que Fernando Santos tivesse admitido que lhe custava não Convocar Campeões Europeus ainda no ativo.


 


O que nos leva a um par de ausências significativas nesta lista: Éder e Nani. A situação do primeiro é semelhante à do ano passado, para a Taça das Confederações (e, aviso à navegação, as gracinhas do género como-é-que-vamos-ser-campeões-sem-o-Éder-para-marcar-na-final deixaram de ter piada há muito tempo).


 


A situação do segundo, por sua vez, entristece-me, ainda mais do que a do Éder. Como já devem saber, o Nani é um dos meus preferidos há quase doze anos. Tem estado presente em todas as Convocatórias desde a inauguração deste blogue – embora não tenha chegado a ir ao Mundial 2010, por lesão.


 


Esta época, no entanto, não lhe correu bem e existem inúmeras boas opções para a posição dele. Custa um bocadinho não vê-lo no grupo, durante os jogos, os treinos, as publicações nas redes sociais.


 


tumblr_oh9ym4oznq1ru6bozhto7_1280.jpg


  


É a lei da vida, suponho eu. Nada nem ninguém dura para sempre. Ao menos pude vê-lo tornar-se Campeão Europeu.


 


Além disso, temos uma série de nomes promissores estreando-se no Mundial. Já falámos de Rúben Dias e Mário Rui. Temos também Ricardo Pereira, André Silva, Bruno Fernandes, Gelson Martins e, claro, Gonçalo Guedes e Bernardo Silva (só faltou mesmo Rúben Neves).


 


Sim. É um bom grupo.


 


Já vamos em seis dias de Operação Mundial e, amanhã, temos um particular na segunda-feira, frente à Tunísia. Esta seleção também está apurada para o Mundial – está no grupo G, com a Bélgica, a Inglaterra e o Panamá – e em 41º no ranking da FIFA (que vale o que vale).


 


tumblr_oh9ym4oznq1ru6zhto7_1280.jpg


  


Mais uma vez, o nosso historial frente a ela é reduzido: um particular em outubro de 2002. Não dá para tirar muitas ilações pois foi só um jogo e decorreu numa altura estranha para a Equipa das Quinas – nos meses entre a saída de António Oliveira, despedido após o Mundial 2002, e a chegada de Luiz Felipe Scolari, em 2003.


 


A Tunísia foi escolhida para fazer de Marrocos neste ensaio do Mundial. Curiosamente, depois do jogo de amanhã, os tunisinos vão jogar contra a Espanha no dia 9. Tivemos a mesma ideia que nuestros hermanos para nos preparamos para Marrocos.


 


Por outro lado, será que os tunisinos vão jogar connosco por eventuais semelhanças que tenhamos com os adversários deles? Vamos fazer de quem no ensaio de amanhã? De Inglaterra? De Bélgica? (De Panamá não deve ser…) Ou não fizeram questão de escolher com base no grupo deles, limitando-se a aceitar a proposta de Portugal?


 


Agora fiquei curiosa…


 


maxresdefault.jpg


  


Enfim, estamos apenas no início desta história. Só para concluir a questão anterior, espero que recordemos estas semanas, menos pela crise sem precedentes no Sporting, e mais por um bom desempenho no Mundial da Rússia. Acredito que Fernando Santos e o resto da Equipa de Todos Nós pensam da mesma forma e estão a trabalhar para isso. Pode ser que vejamos alguns frutos desse trabalho no jogo de amanhã.


 


Obrigada pela vossa visita, como sempre. Acompanhem o resto da Operação Mundial aqui no blogue ou na página do Facebook.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Vamos lá a ter calma...

imagem de cabeçalho.jpg


Cá vamos nós pela sexta vez (sétima, se quiserem contar com a Taça das Confederações). Fernando Santos Divulga hoje à noite, pelas oito e um quarto, a lista de Convocados para representar Portugal no Mundial 2018. Como já é hábito deste o primeiro dia deste blogue, eis-me aqui com alguns devaneios antes de, pelo menos na minha cabeça, entrarmos em modo Mundial.


 


Antes de falarmos especificamente sobre a nossa Seleção, algumas palavras sobre o campeonato em geral. Não sei se alguém se lembra disso, mas Portugal chegou a candidatar-se para albergar este Mundial, em conjunto com a Espanha. Na altura em que perdermos para a Rússia, reagi com imensa ingenuidade. No entanto, agora toda a gente sabe que houve dinheiro debaixo da mesa aquando da escolha da Rússia.


 


E do Qatar (ai, a história do Qatar…). E da Alemanha, em 2006. E da África do Sul, em 2010. E de Portugal, no Euro 2004.


 


Não seria melhor transformarmos as candidaturas ao Mundial num leilão? Sempre era mais transparente.


 


124243212.png


  


Podem ter existido inúmeras pessoas aliviadas por Portugal e Espanha não terem vencido o concurso. Mesmo assim, agora que já estamos em 2018, sinceramente, se havia boa altura para organizarmos um Mundial (ou, vá lá, parte dele), era este ano. Para além de sermos Campeões Europeus, Portugal está na moda. Temos a Madonna a viver cá, ainda na semana passada recebemos o Festival da Canção, recebemos o Web Summit no ano passado e existem vários portugueses destacando-se em diversas áreas, não apenas no futebol. Podíamos perfeitamente receber uma mão-cheia de jogos do Campeonato do Mundo.


 


Sempre era melhor do que fazê-lo na Rússia, um país que tem sido o epicentro de inúmeros conflitos diplomáticos nos últimos meses e onde a homofobia é bem tolerada. Just sayin’...


 


A mesma lógica aplica-se às candidaturas a cidades-anfitriãs do Euro 2020. Chegou a colocar-se a hipótese de candidatar Lisboa e Porto, mas acabaram por nem sequer fazê-lo. Compreendo as razões: em 2014 a situação do país era um bocadinho pior do que agora, ninguém podia adivinhar que Portugal se tornaria um popular destino turístico e ainda menos que se tornaria Campeão Europeu.


 


Enfim, passemos à frente.


 


 


HDACg.jpg


  


Sendo este o nosso primeiro campeonato de seleções após a sagração no Euro 2016 (mais uma vez, sem contar com a Taça das Confederações), muitos adeptos têm vindo há muito tempo (alguns ainda nem dois dias após a final de Paris) a apontar ao título mundial.


 


O que é que eu acho sobre isso? Que é preciso ter calma.


 


Existe a tentação de colocar Europeus e Mundiais dentro do mesmo saco. Eu mesma fi-lo durante muitos anos, quando, na verdade, são campeonatos muito diferentes. Num Europeu participam seleções de um único continente, que se conhecem bem. É quase garantido que já nos cruzámos algumas vezes com os adversários antes, não só noutros Europeus e Mundiais mas também em fases de Qualificação ou em jogos particulares.


 


Mesmo saindo do âmbito das seleções, os jogadores quase todos atuarão em clubes europeus. É possível que já se tenham cruzado com membros das seleções adversárias ou nos campeonatos internos ou na Liga dos Campeões ou Liga Europa. Não há grandes mistérios.


 


54706_edicao02_vitrola_avril_700x700.jpg


 


Num Mundial não é bem assim. Até podemos apanhar uma ou outra seleção europeia, mas muitos dos nossos adversários são equipas de outros continentes. Em muitos casos, o nosso historial com equipas dessas reduz-se a meia-dúzia de jogos ou menos – porque não disputamos Qualificações contra eles e porque não é viável marcar particulares contra eles (quem quer sujeitar a sua equipa a um voo longo e cansativo para disputar um jogo a feijões?). Pode existir uma mão-cheia de jogadores nessas equipas que até atuem em campeonatos europeus, sobretudo na América do Sul, mas não sei até que ponto isso influencia o estilo de jogo das seleções.


 


E depois temos a distância e as condições meteorológicas – conforme vimos em 2002 e, mais recentemente, em 2014. Não acho que seja uma coincidência o facto de os dois únicos Mundiais que nos correram bem tenham tido lugar em países europeus (1966, Inglaterra, terceiro lugar: 2006, Alemanha, quarto lugar).


 


De facto, basta comparar o nosso historial em Europeus e Mundiais para se notar a diferença. Só participámos em (*conta pelos dedos*) seis Mundiais. Em dois chegámos às meias-finais, em um chegámos aos oitavos-de-final, nos outros todos não passámos da fase de grupos.


 


Em contraste, sempre que participámos em Europeus (e não falhamos nenhum desde 1996, inclusive), chegámos sempre aos quartos-de-final, no mínimo. Nos últimos vinte anos, só em 2008 é que não chegámos às meias, pelo menos. Conforme tenho vindo a dizer (sobretudo àqueles que dizem que a nossa vitória em Paris veio do nada, foi apenas sorte), éramos a seleção com melhor historial em Europeus sem nunca termos ganho. Levarmos a Taça para casa era apenas uma questão de tempo.


 


32147288_654677578198946_9021206302734417920_n.jpg


 


O que, mesmo assim, não impediu as minhas neuroses quando Fernando Santos se pôs a dizer que queria ganhar o Euro 2016. Mas isso sou eu.


 


Muita água terá de correr ainda antes de conseguirmos um currículo assim em Mundiais. Não que isso signifique que será impossível ganharmos, claro que não, mas isso é que, sim, viria quase do nada.


 


Não é de surpreender que, desta feita, Fernando Santos tenha um discurso mais sóbrio e cauteloso – embora não deixe de dizer que o título é um objetivo. Em entrevista ao jornal “O Jogo”, no início do mês, disse que “não podemos pensar que somos favoritos no Mundial porque ganhámos o Europeu.” “Não vou deixar que se embandeire em arco, achando-se que a equipa vai chegar à Rússia, vai ganhar e que o contrário será uma grande complicação.” “Mas também temos a confiança absoluta de que somos capazes de lutar [com os principais candidatos] e será muito difícil ganhar a Portugal.” “Tudo passa por um grande respeito por todos os adversários, com a confiança de que podemos ganhar os jogos.”


 


Devo confessar que os meus prognósticos andam muito voláteis, não sei muito bem o que esperar. Por um lado, tenho medo de um descalabro semelhante ao dos últimos dois Mundiais (não que o desempenho em 2010 em si tenha sido assim tão mau. Pior foi o que aconteceu depois).


 


124243212.png


 


Por outro… já tivemos menos hipóteses de ganhar o Mundial, na minha opinião. Somos Campeões Europeus – não nos dá automaticamente o estatuto de favoritos, mas não é de desprezar. Em três anos e meio só contamos uma derrota em jogos oficiais. O Mundial decorrerá num país europeu, onde a meteorologia não será um problema – nós, aliás, estivemos lá no ano passado, logo, sabemos mais ou menos o que nos espera. Por fim, temos Cristiano Ronaldo.


 


Se é para tentar o título, é melhor ser agora.


 


Dito isto tudo, se não conseguirmos ganhar o Mundial, temos de encará-lo com naturalidade. Espero que, de qualquer forma, seja uma participação digna de um Campeão Europeu. Ou pelo menos que não seja uma tragédia completa, como da última vez.


 


O resto é a mesma conversa dos últimos dez anos: vamos tentar disfrutar do momento, do estágio de preparação, dos particulares, de eventuais campanhas de marketing que a Federação esteja a preparar e, claro, dos jogos em si. Ainda não sei ao certo como vou dar conta do recado aqui com o blogue – é possível que, por exemplo, tenha de escrever sobre dois jogos na mesma crónica – mas vou fazer um esforço. De qualquer forma, não deixarei de manter a página do Facebook atualizada.


 


E era isto o que queria dizer. Venham daí os Convocados! (Hoje à noite, às 20h15)

sábado, 12 de maio de 2018

10 anos como blogger

 


 


Hoje completam-se dez anos desde que criei este blogue. Podem ver aqui: “Primeira entrada", a 12 de maio de 2008. Sou blogger há uma década!


 


É certo que este blogue esteve quase um ano parado e, mesmo depois disso, só escrevo nele de longe a longe – quando a Seleção joga!


 


Mesmo assim, não deixa de ser um feito considerável, acho eu. Por um lado, custa-me a acreditar que já se passou tanto tempo: ainda me recordo bem da altura em que criei o blogue. Por outro lado, se for a ver tudo o que aconteceu desde o início do blogue, todas as coisas sobre as quais escrevi, o quanto cresci como blogger (incluindo o meu segundo blogue, que criei alguns anos mais tarde)... não, não se passou assim tão pouco tempo.


 


Quando me apercebi que ia celebrar uma década como blogger, pus-me a pensar no que diria a mim mesma, se pudesse voltar atrás no tempo e falar com o meu eu dessa altura. E assim descobri a maneira perfeita de assinalar a data: escrever uma carta à Sofia de dezoito anos que estava a pensar criar um blogue sobre a Seleção Nacional.


 


Assim, sem mais delongas…


 


Querida Sofia-com-dezoito-anos,


 


Olá. Sou o teu eu de 28 anos, dez anos depois do momento em que lerias esta carta. Se esta coisa de enviar cartas para o passado funcionasse, estarias a ler isto na manhã de 12 de maio de 2008 – a poucas horas de criares o teu primeiro blogue (sim, vais criar outro blogue… mas falamos dele noutra altura).


 


Temos uma década a separar-nos uma da outra, mas ainda me lembro bem de quem és e do que farás nas próximas semanas com o teu blogue. Sei, por exemplo, que farás uma grande parte do trabalho na sala de computadores da tua faculdade ou na biblioteca, com o portátil da mãe. Que percorrerás a pente fino todos os jornais a que conseguires deitar as mãos à procura de notícias sobre a Seleção Nacional e o Europeu em si.


 


Sei também que estás com grandes expectativas, tanto para o blogue como para o Euro 2008. Não me leves a mal, miúda, mas tu ainda estás muito verdinha nestas coisas. Achas, como muitos bloggers estreantes ainda hoje, que vais obter logo inúmeras visitas e comentários. Isso não funciona assim, querida! Hás de ter visitas e comentários, sim, hás de ser reconhecida e elogiada, mas isso demorará – até porque, na minha opinião, o blogue só vai atingir um nível de qualidade aceitável daí a dois anos e meio, mais coisa menos coisa (aquele texto em que comparas a Seleção com meias rotas? A sério, Sofia, as vergonhas que me fazes passar…).


 


Existirão muitas alturas em que o teu blogue passará despercebido – ainda hoje, dez anos depois, isso acontece. Mesmo assim, em tua defesa, nunca te ralarás muito com isso – pelo menos não ao ponto de desistires.


 


Quanto ao futebol, também preciso de te dar uma dose de realidade. Estás muito mal habituada, depois do Euro 2004 e do Mundial 2006, andas a ver as coisas através de lentes cor-de-rosa. As coisas mudaram desde o Mundial 2006, o Euro 2008 não vai correr tão bem.


 


(Desculpa lá estar a dar-te este spoiler, mas tinha de ser. Por outro lado, se existe maneira de enviar cartas para o passado, também existirão maneiras de alterá-lo. Por isso, olha, pode ser que as coisas corram de maneira diferente na cronologia alternativa que estou a criar… Mas não entremos por aí.)


 


Sei que és teimosa e que nem sempre aceitas conselhos. Eu mesma ainda sou assim e não tenho a desculpa de ser ainda adolescente. Mas deixa-me dar-tos, de qualquer forma – até porque, sendo eu o teu futuro, sei que palavras precisas de ouvir, que mais ninguém te dirá. Ou que, pelo menos, podiam ter-te dito mais cedo.


 


Um dos conselhos mais importantes é que não páres o blogue depois do Euro 2008. O blogue não vai desaparecer só por não o atualizares durante algum tempo, parva! Eu sei que tu querias manter o blogue apenas durante o Europeu, para eventualmente voltares durante o Mundial 2010. Mas confesso que, hoje, não percebo porque quiseste parar. Tal como referi acima, demorarás alguns anos a ganhar qualidade. Se não parares durante um ano, chegas lá mais depressa… Até porque vais escrever muito pouco em geral, ao longo desse ano, o que será um erro… mas isso é conversa para outra ocasião.


 


Não que vás perder muita coisas, por outro lado – a época 2008/2009 será bastante medíocre para a Equipa de Todos Nós. Seria bastante deprimente ter de escrever sobre ela.


 


No momento em que crias este blogue, mais mês menos mês, as redes sociais começam a ganhar popularidade. Não sei se isso é uma coisa boa – só agora, mais ou menos dez anos mais tarde, é que estamos a aperceber-nos das consequências negativas a longo prazo.


 


Dito isto, um dos melhores usos que lhes podes dar será como ferramenta de divulgação do teu blogue e para encontrar outras pessoas também apaixonadas pela Seleção. Hás de fazê-lo, mas não precisas de demorar tanto. As redes sociais terão muitos defeitos. No entanto, uma das suas vantagens será ligar-nos a pessoas com os mesmos interesses e paixões que nós. Ninguém precisará de se sentir sozinho.


 


O que me leva ao conselho seguinte, talvez o mais importante de todos: não te envergonhes do teu blogue nem da tua paixão. Nem deste, nem do teu segundo blogue, nem de todas as outras paixões que alimentas. Eu sei que tens motivos para manteres o anonimato, para esconderes o blogue das pessoas mais próximas. A nossa família é exemplar em muitas coisas, mas não nisto. À exceção da nossa irmã, nunca souberam lidar com as nossas paixão e nós acabámos por ter medo de mostrar esse lado às pessoas. Ainda hoje estou a tentar livrar-me dos limites que nos impuseram.


 


Eles estão errados – hás de descobri-lo e eles descobri-lo-hão também. Como disse acima, hás de conhecer pessoas que partilham a mesma paixão que tu, que gostarão de ler o teu blogue – nem sabes a que ponto! E não falo apenas deste blogue. Não deixes que te deitem abaixo.


 


Outro conselho que te dou é que penses na hipótese de criares o teu blogue no Sapo. Ou pelo menos de te mudares mais cedo para lá. Não que tenha razão de queixa em relação ao Blogspot. Mas a verdade é que a equipa e a comunidade do Sapo Blogs poderia ajudar-te a aprenderes a ser blogger. Eu sei que te orgulharás, mais tarde, por fazeres tudo sem a ajuda de ninguém, mas vai estar um bocadinho sozinha durante muito tempo. Um pouco de apoio ou companhia não te faria mal.


 


Mais um conselho: vai a mais jogos da Seleção e a treinos abertos, nem que vás sozinha ou só com a nossa irmã. Não sejas apenas adepta de sofá. Tens dezoito anos, mas ainda és muito atada e devias começar a “desatar-te” mais cedo.


 


Não preciso de te dar motivos para ir aos jogos, mas os treinos abertos também são divertidos. Fui a uns quantos, fiz algumas figuras tristes, mas não me arrependo. Mais: hoje em dia, com a Cidade do Futebol, já não fazem treinos abertos no Jamor, o que é uma pena. Eu, pelo menos, tenho saudades e tenho pena de não ter ido a mais quando podia.


 


Não cometas esse erro. Aproveita enquanto podes. Pesquisa o trajeto, transportes públicos até lá, táxis em último caso! Desenrasca-te!


 


Na verdade, tirando estas coisas pontuais de que falei, vais fazer tudo bem. Os próximos dez anos nem sempre vão ser fáceis para ti, nem como blogger, nem como adepta da Seleção. Como te disse acima, o teu blogue não vai ter assim tanta saída quanto isso, mas isso não te deitará abaixo – porque vais gostar tanto de escrever neste blogue que vais continuar a fazê-lo, mesmo que escrevas para o boneco.


 


Vais ver a Seleção em situações péssimas, mas não vais virar costas. Mesmo nas raríssimas situações em que queiras, mesmo nas raríssimas situações em que já não acredites. E, ao contrário da maior parte das pessoas, não vais ter memória curta. Vais lembrar-te sempre dos momentos maus, o que te fará sentir ainda mais grata pelos momentos bons.


 


Sim, vais fazer tudo bem, e vais ser recompensada por isso. Vais conseguir cumprir o propósito do teu blogue. Não tão cedo quanto julgas, mas não tão tarde quanto chegarás a temer. E, acredita, quando acontecer, vai ser melhor do que alguma vez imaginaste.


 


Era isto o que te queria dizer em relação a este blogue. Eu, na verdade, devia falar contigo sobre outros aspetos da tua vida que não correrão tão bem, mas fica para outra altura. Este é para ser um dia feliz. Vai lá criar o blogue e… diverte-te.


 


Um beijo do futuro,


Sofia de vinte e oito anos


 


PS: Vê lá se tomas nota do lugar onde enfiaste “A Pátria Fomos Nós, no final do Euro 2008, para não passares quatro anos sem lhe pôr a vista em cima.


 


Tenho dito várias vezes ao longo destes dez anos que não sei por quanto tempo mais vou conseguir manter este blogue. Consegui atingir a marca da primeira década, mas o problema mantém-se. Agora sou uma mulher adulta, com cada vez mais responsabilidades. Não posso garantir que tenha sempre tempo para escrever aqui.


 


Não quero entrar por aí hoje. O mais importante é que não vou deixar de tentar. E quem sabe? Pode ser que, em 2028 (com Cristiano Ronaldo a Selecionador Nacional), ainda cá estejamos.


 


Obrigada a todas as pessoas que visitaram os meus dois blogues, quer o façam regularmente ou só o tenham feito uma vez.

sábado, 31 de março de 2018

Portugal 0 Holanda 3 – Uma laranja bem amarga

imagem de cabeçalho.jpg


Na passada segunda-feira, dia 26 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol perdeu contra a sua congénere egípcia por três bolas sem resposta, em jogo de carácter amigável no Estádio de Genebra, na Suíça.


 


Quem foi a parva que pensou “Ai e tal, eles são nossos fregueses, não há de ser muito difícil”, quem foi?


 


Em minha defesa, a atitude dos Marmanjos, sobretudo no início do jogo, não terá sido muito diferente.


 


Voltei a perder a primeira parte do jogo, mas desta feita não me importei nadinha. Segundo a minha irmã, os jogadores estiveram por ali a brincar, até que, quando deram por ela, tinham levado três. Eu mesma vi, no resumo em vídeo, os portugas ali especados a olhar, nas jogadas que resultaram nos golos. Sinceramente, WTF?!?!


 


Agora que penso nisso, não me posso queixar da minha sorte. Da última vez que levámos com três golos sem resposta em quarenta e cinco minutos, também não tive de ver, por causa do trabalho. Ou será que é a minha “presença” que evita desgraças como esta?


 


a3029721a6409bfa9166c54805682e74.jpg


  


Havemos de voltar a falar do nosso último jogo com a Alemanha mais à frente. Regressando a este particular, depois de uma primeira parte mesmo muito má, a segunda parte terá sido melhorzita. Não que tenha sido alguma coisa de especial, mas sempre deu para não sofrer mais golos. Podíamos, até, ter conseguido reduzir a desvantagem… se o João Cancelo não se tivesse feito expulsar sem necessidade.


  


Depois desta, e de já ter tido culpas no cartório da última vez que tínhamos perdido, há um ano, Cancelo deve perder o comboio para o Mundial. É uma pena, o miúdo parecia ter tanto potencial no início da Qualificação… Mas talvez seja melhor Chamar Nélson Semedo ou Ricardo Pereira para aquela posição. Ou mesmo André Almeida.


 


Voltando ao jogo, com apenas dez em campo, só dava mesmo para manter o resultado. Ainda assim, Gonçalo Guedes e André Silva tiveram cada um uma oportunidade de chegar ao golo de honra.


 


Na verdade, a parte mais interessante destes quarenta e cinco minutos foi a invasão de campo. Veio-se a descobrir mais tarde que os adeptos em questão eram um humorista/YouTuber e o seu assistente e que aquilo fora tudo planeado. Tudo muito giro e tal… se não fosse a parte do beijo. Não sejamos hipócritas, se o Cristiano fosse uma mulher ninguém acharia piada. Em tempos de #MeToo, chamemos os bois pelos nomes: aquilo foi assédio.


 


spotify-2017-wrapped.png


  


Mas admito que a cara de frete do Ronaldo teve piada.


 


Tirando esta situação, no entanto, os Marmanjos não se podem queixar dos adeptos portugueses no Estádio de Genebra: mesmo a perder por 3-0, não deixaram de puxar por Portugal e de cantar, inclusivamente o Pouco Importa (o que é, no mínimo, estranho num jogo como aquele…). Compreende-se: não é todos os dias que os emigrantes têm a hipótese de ver a sua Seleção ao vivo, é claro que eles vão aproveitar.


 


A Seleção em si é que fez muito pouco por merecer esse apoio.


 


E é isto. Não digo que foi uma noite para esquecer, porque temos mesmo de aprender com os erros que cometemos. Nem que as únicas coisas que tenhamos aprendido sejam, como diria Thomas Edison, aquilo que não resulta. Está visto, por exemplo, que a maneira como jogámos nesta dupla jornada, sobretudo no jogo com a Holanda, não resulta. Ainda menos resultam as invenções de Fernando Santos neste jogo, conforme explicam aqui (no que toca a estes aspetos mais técnicos, prefiro dar a palavra a outros).


 


18809613_1902645163281336_3142023852700205056_n_b4


  


O Selecionador, de resto, assumiu a responsabilidade pela derrota, afirmando mesmo que Portugal tem de “voltar a ser a equipa rigorosa do Euro”. Eu concordo por completo até porque fiquei um bocadinho apreensiva com a goleada que os espanhóis impuseram aos argentinos.


 


Admito, no entanto, que isso vem um pouco influenciado pela onda de pessimismo entre os adeptos portugueses, após o jogo com a Holanda (a Argentina não tinha muitas das suas maiores estrelas, como Lionel Messi, Di Maria e Aguero, a jogar). É um bocadinho hipócrita e tipicamente português: como reza aquele meme do Joker, fazemos a nossa melhor Qualificação em números e uns quantos particulares aceitáveis, ninguém liga. Fazemos um particular mau, cai o Carmo e a Trindade.


 


Ainda no outro dia comentei que estes particulares raramente espelham o verdadeiro valor de uma equipa – tanto o nosso como o de Espanha e o do Irão, que também teve um bom resultado num particular. Além disso (conforme já disse noutra ocasião, acho eu), depois de ter sobrevivido ao nosso desempenho no Mundial 2014, destaque para o jogo com a Alemanha (essa sim, uma derrota verdadeiramente destrutiva e traumática), não será um mísero particular a tirar-me o sono.


 


Mas fico chateada. Estivemos quatro meses sem jogos da Seleção. Hoje em dia lido melhor com a espera do que há uns anos e, como referi antes, já não me entusiasmo muito com jogos como estes. Mesmo assim, estava à espera de um bocadinho mais do que as exibições sofríveis nesta dupla jornada.


 


8b020fe94cfc71f42fcd927fd752eedc.jpg


  


Em todo o caso, é bom que isto tenha acontecido agora, a setenta e cinco dias do Mundial, quando ainda há tempo de corrigir. Estou disposta a levar com um par de jogos maus nesta altura do campeonato, em troca de jogos bons quando for a doer. Fernando Santos sai desta dupla jornada com imenso trabalho para casa. Se ele tem por objetivo ganhar o Mundial, tal como tem pregado, vamos precisar de mais.


 


Entretanto, eu mesma já ando a preparar o Mundial à minha maneira. Este blogue vai completar dez anos online em Maio e não vou deixar a ocasião passar em branco. Já alinhavei o primeiro rascunho dessa publicação. Da mesma forma, estou a pensar começar a escrever a habitual crónica pré-Convocados algures nos próximos dias. Eu sei que ainda falta cerca de um mês e meio para a Convocatória e início do estágio, mas ando com menos tempo para escrever e, com dois blogues para gerir, acho melhor deixar isto adiantado.


 


Saio desta jornada dupla um bocadinho desiludida, mas não é grave. Tenho as minhas reservas relativamente ao Mundial, como lerão num texto futuro, mas isso não significa que não acredite. Há tempo suficiente para corrigirmos as falhas e prepararmo-nos. Estes dois últimos jogos dificilmente ficariam na História, tal como vimos antes. Que ao menos nos ajudem a preparar-nos para fazermos História, a partir de junho.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...