quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Seleção 2015

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Mais um ano prestes a acabar, mais um ano prestes a começar. Eis a minha habitual revisão do ano da Equipa de Todos Nós.


 


Tal como previ/desejei há um ano, 2015 foi um ano tranquilo para a Seleção, o primeiro ano assim desde 2011. Na verdade - e isto surpreenderia muitos em 2014, sobretudo na ressaca do Mundial - este é capaz de ser o melhor ano no seu todo da Equipa de Todos Nós desde 2005. Ainda que nem sempre tenha sido essa a sensação - porque, em termos exibicionais, não foi um ano brilhante. Mas a verdade é que 2015 viu Portugal concluindo a sua melhor fase de Qualificação, evitando os playoffs pela primeira vez numa eternidade. De igual modo, 2015 viu o desenvolvimento de uma nova geração de promessas e o início da sua integração na equipa principal. Agora aguardamos o Euro 2016 e Fernando Santos diz que quer ganhá-lo.


 


Tal como acontecerá em 2016, o primeiro jogo da Seleção em 2015 ocorreu só em finais de março. Foi frente à Sérvia, no Estádio da Luz, a contar para a Qualificação e eu estive lá. Quem não esteve - no banco, pelo menos - foi Fernando Santos, cumprindo o castigo que, pouco antes, fora reduzido para dois jogos. Portugal ganhou por 2-1. Como em muitas ocasiões este ano, houve mais pragmatismo que brilhantismo. Mesmo assim, considero que este foi o nosso melhor jogo este ano - e um dos meus fins de tarde/princípios de noite mais felizes. Ricardo Carvalho marcou o primeiro golo - e lesionou-se nos festejos. Em vantagem, a Seleção abrandou, até consentir o golo de Matic, de pontapé de bicicleta. Nos minutos que se seguiram, todo o Estádio vibrou com os gritos de "POR-TU-GAL! POR-TU-GAL!" vindos das bancadas. Pouco depois, em resposta, Fábio Coentrão colocou Portugal de novo em vantagem no marcador, selando o resultado.


 


eliseu, coentrão e danny.jpg


 


Visto que o jogo solidário com Cabo Verde se realizou apenas dois dias depois, nenhum dos que jogaram contra a Sérvia puderam alinhar. Fernando Santos teve mesmo de fazer uma segunda Convocatória só para este jogo. Como tal, o desempenho de Portugal foi fraco, tirando as iniciativas de Bernardo Santos. Perdemos por 2-0. Não há muito mais a dizer.


 


A concentração da Seleção que se seguiu a essa dupla jornada coincidiu com uma altura, digamos, interessante no futebol: quando Jorge Jesus trocou o Benfica pelo Sporting e quando rebentou o escândalo da corrupção na FIFA, que culminou agora, com Blatter e Michel Platini banidos do futebol durante oito anos. Não há muito a dizer sobre o primeiro acontecimento. Por sua vez, o segundo é, na minha opinião, um da das melhores coisas que aconteceram no futebol este ano. Há muito que se sabe que existe corrupção nas mais altas instâncias do futebol. Já era altura de algo ser feito em relação a isso. 


 


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O jogo com a Arménia foi encarado com alguma cautela. Uma vez que a Seleção nunca tinha ganho nada naquele terreno. E a verdade é que Portugal cometeu mais erros nesse jogo do que aquilo que foi a norma no resto da Qualificação. Houve alguma apatia por parte dos portugueses e Rui Patrício teve culpas nos primeiros dois golos que sofreu. Cristiano Ronaldo, tipicamente, resolveu a questão com um hat-trick - mesmo assim, Tiago fez-se expulsar após o quarto golo português e os arménios conseguiram reduzir a desvantagem para 2-3.


 


Daí a três dias, Portugal disputou um jogo amigável com a sua congénere italiana. Faltavam titulares habituais a ambos os lados e era um jogo de fim de época, logo, o desafio foi decorrendo em ritmo de treino. Por uma vez, os nossos adversários estavam com mais azar do que nós. O único golo da partida foi apontado por Éder, numa jogada começada pelo Eliseu, que passou a Quaresma, que assistiu de trivela para o ponta-de-lança. O milagre do ano, essencialmente - estou a brincar!


 


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Não posso deixar de referir a excelente prestação dos sub-21 no Europeu, chegando à final, caindo apenas nos penálties. Catalisada pelo excelente trabalho de Rui Jorge, esta é uma das melhores gerações de futebolistas dos últimos vinte anos, cheia de talento, magia (mais do que a atual Seleção A, diga-se, com as devidas exceções), maturidade e espírito ganhador. São um exemplo a seguir por muitos veteranos. A Seleção A, se quiser mesmo ganhar o Europeu, deveria olhar para a paixão dos sub-21.


 


A Seleção A só se voltou a reunir em finais de agosto, princípios de Setembro, para um particular com a França e o antepenúltimo jogo da Qualificação com a Albânia. O particular decorreu no Estádio de Alvalade e eu estive lá. Para um jogo entre grandes seleções, foi anticlimático e um pouco enfadonho. A França estava mais motivada para o jogo que Portugal, que estava mais preocupado com o restante da Qualificação. Portugal limitou-se a defender e até conseguiu fazê-lo até aos oitenta e cinco minutos, antes de sofrer um golo, cortesia de Valbuena. Este jogo serviu para provar que o estilo de jogo implementado por Fernando Santos tem os seus méritos, mas não chega para tudo.


 


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O jogo contra a Albânia foi um jogo tão típico da era Fernando Santos que chega a ser caricato. Portugal jogou melhor que contra a França - não admira, havia mais em jogo. Conseguiu o domínio durante a larga maioria do jogo, tirando durante uns dez, quinze minutos, após a marca dos sessenta. Quaresma entrou entrou a meio da segunda parte e assistiu para o golo de Miguel Veloso, marcado no último minuto. Com mais esta vitória, Portugal ficou a um ponto de se Qualificar.


 


Esse ponto e mais dois extra forma ganhos no jogo seguinte, em Braga, contra a Dinamarca. Mais um jogo típico, pouco empolgante, sobretudo na primeira parte - a Dinamarca estacionou o autocarro e Portugal não se esforçou por aí além por quebrá-lo. Na segunda parte, os dinamarqueses abriram mais o jogo, atacaram mais, mas defenderam menos. Finalmente João Moutinho marcou - um belo tiro, diga-se. Ficou selado o Apuramento.


 



 


O jogo contra a Sérvia realizou-se apenas para cumprir calendário, mas Portugal não deixou de levar o jogo a sério. Por uma vez, marcámos cedo, antes dos cinco minutos, cortesia de Nani. Depois do golo, Portugal estacionou o autocarro. Conseguiu aguentá-lo durante toda a primeira parte do jogo, mas na segunda parte os sérvios conseguiram abrir buracos na nossa defesa. Aos 66 minutos empataram o jogo. Entretanto, João Moutinho entrou e tornou a resolver a situação com mais um golo espectacular. Concretizou-se, assim, a nossa sétima vitória consecutiva em jogos oficiais.


 


Já que, por uma vez, não houve necessidade de irmos a playoffs, os jogos de novembro foram apenas particulares (contra a Rússia e o Luxemburgo) e Fernando Santos pôde dispensar alguns dos titulares habituais e de chamar gente nova. Não vou falar muito sobre estes jogos pois não os vi. Portugal perdeu por 1-0 contra a Rússia e ganhou ao Luxemburgo por 2-0 - tal como disse antes, soube a goleada depois de uma data de vitórias pela margem mínima.


 


Finalmente, este mês, a Seleção foi sorteada para o grupo F do Euro 2016, juntamente com a Hungria, a Islândia e a Áustria, um grupo que, todos concordam, está perfeitamente ao alcance de Portugal, só uma grande catástrofe impedir-nos-á de falharmos os oitavos-de-final, em princípio.


 


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Foi assim o ano da Seleção, um ano tranquilo, é certo, mas pouco excitante. Os playoffs seriam sempre arriscados, mas também poderiam dar um pouco de emoção a um ano, por vezes, demasiado monótono. Por outro lado, estávamos a precisar de um ano assim, depois de tudo o que aconteceu em 2014.


 


Anos pares são sempre mais excitantes para mim. Trazem com eles campeonatos de seleções e Portugal têm conseguido estar presete em todos.Continuo a não querer ainda falar concretamente do que espero do Europeu. No entanto, como o costume passarei os primeiros meses de 2016 ansiosa pelo Anúncio dos Convocados para o Euro 2016 e o início de toda a excitação. Mal posso esperar pela data desse Anúncio, bem como pelas datas e adversários dos particulares de março. As coisas têm estado calmas na Seleção desde finais de 2014 até agora... mas não ficarão por muito mais tempo. O Europeu irá agitar tudo isto e o seu desfecho determinará o estado de espírito com que estaremos daqui a um ano.


 


Por esta altura, gosto de fazer uma espécie de renovação de votos, reafirmar a minha devoção pela Equipa de Todos Nós. Devoção essa que tem cada vez menos a ver com patriotismo. Já não acho que tenhamos obrigatoriamente de apoiar a seleção do país onde nascemos nem que seja errado torcermos pela seleção de um país que, teoricamente, nada tem a ver connosco. Percebi isso há cerca de um ano, quando Martunis (o menino que sobreviveu ao tsunami  no Índico em fins de 2004 durante três semanas vestindo uma camisola da Seleção Portuguesa) revelou que sonha um dia voltar a vestir a Camisola das Quinas, desta feita em campo. 


 


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Não sei se Martunis é bom jogador, se é suficientemente bom para representar a Seleção. Se for esse o motivo pelo qual não será Convocado, não tenho nada a dizer Mas haverá alguém com a ousadia de recusar-lhe uma Convocatória tendo apenas por base a sua nacionalidade? Não sei se ele já obeteve a nacionalidade portuguesa, mas eu acredito que, capacidades futebolísticas à parte, ele merece mais vir à Equipa de Todos Nós do que, se calhar, metade dos que lá estão agora merecem. Martunis acredita que o nosso país, a nossa Seleção lhe salvaram a vida e, de facto, a FPF doou-lhe 40 mil euros à sua família para se restabelecer, trouxe-o a Portugal para visitar a Turma das Quinas (lembro-me perfeitamente de vê-lo nas bancadas do Estádio da Luz no jogo com a Eslováquia, comemorando o golo do Cristiano Ronaldo com o Rui Costa) e, este ano, o Sporting trouxe-o até ao nosso país e ele vive hoje na academia do Sporting. Se ele viesse à Seleção, ninguém duvidaria do seu amor à camisola.


 


Cada vez acredito mais que a nacionalidade é apenas uma categoria em documentos oficiais, um aspeto burocrático. Uma pessoa é definida pelas escolhas que faz, não por aquilo que lhe é imposto. Isso significa que, sim, por princípio não sou contra nacionalizações na Equipa de Todos Nós, desde que seja por convicção e não por interesse. Se formos a ver, metade dos atuais Marmanjos não nasceram em Portugal: Nani e Eliseu nasceram em Cabo Verde, William Carvalho nasceu em Angola, Cédric nasceu na Alemanha, Adrien e Raphael Guerreiro nasceram em França (o último, quando se estreou na Seleção A, ainda mal falava o português), mas ninguém questionou a sua Convocatória. Por outro lado, concordo com a atual política de a Federação não interferir nos processos de mudança de nacionalidade.


 


 


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Já não acho que todos os portugueses têm, obrigatoriamente, de apoiar a Equipa de Todos Nós só por serem portugueses - vocês, que acompanham este blogue e a minha página, sabem o quão frustrante e desanimador isto consegue ser. Não esqueçamos também que a Turma das Quinas tem apoiantes por todo o globo, com ou sem relação com Portugal. Não me vou arrogar ao ponto de falar em nome da Seleção, mas eu aceitaria qualquer um como adepto. Quer seja por gostar do nosso país, por a Seleção lhe ter salvo a vida, por causa de um jogador em específico, porque se identificam com o espírito e/ou estilo de jogo, porque de tanto em tanto tempo lhes dá alegrias. Os mesmos motivos pelos quais se escolhe um clube como todos os outros, no fundo. Na verdade, o motivo pelo qual se começa a ser adepto não é importante, desde que se mantenham como adeptos quer nos bons, quer nos maus momentos - essa é a parte mais difícil, mas poucas coisas são mais gratificantes do que testemunhar as primeiras vitórias, os primeiros sinais de recuperação, após um período de crise.


 


Na verdade, sou cada vez mais amante do futebol em geral, não apenas o que está relacionado com a Turma das Quinas. Pelas paixões que move, as histórias a ele associaas, a maneira como ele pode salvar vidas, como a do Martunis, em vários sentidos. O meu clube é a Seleção e isso nunca vai mudar. No entanto, também me considero adepta de todos os clubes ao mesmo tempo e de nenhum em particular. E orgulho-me disso. 


 


Vou continuar a amar o futebol e a apoiar a Seleção no próximo ano, qualquer que seja o desfecho da nossa participação no Europeu. Que 2016 seja um ano muito positivo para o futebol, sobretudo para o futebol português, sobretudo para a Equipa de Todos Nós. Deixo também aqui os votos de um Natal muito feliz e de um Ano Novo cheio de coisas boas. Regressem connosco em 2016!

Seleção 2015

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Mais um ano prestes a acabar, mais um ano prestes a começar. Eis a minha habitual revisão do ano da Equipa de Todos Nós.


 


Tal como previ/desejei há um ano, 2015 foi um ano tranquilo para a Seleção, o primeiro ano assim desde 2011. Na verdade - e isto surpreenderia muitos em 2014, sobretudo na ressaca do Mundial - este é capaz de ser o melhor ano no seu todo da Equipa de Todos Nós desde 2005. Ainda que nem sempre tenha sido essa a sensação - porque, em termos exibicionais, não foi um ano brilhante. Mas a verdade é que 2015 viu Portugal concluindo a sua melhor fase de Qualificação, evitando os playoffs pela primeira vez numa eternidade. De igual modo, 2015 viu o desenvolvimento de uma nova geração de promessas e o início da sua integração na equipa principal. Agora aguardamos o Euro 2016 e Fernando Santos diz que quer ganhá-lo.


 


Tal como acontecerá em 2016, o primeiro jogo da Seleção em 2015 ocorreu só em finais de março. Foi frente à Sérvia, no Estádio da Luz, a contar para a Qualificação e eu estive lá. Quem não esteve - no banco, pelo menos - foi Fernando Santos, cumprindo o castigo que, pouco antes, fora reduzido para dois jogos. Portugal ganhou por 2-1. Como em muitas ocasiões este ano, houve mais pragmatismo que brilhantismo. Mesmo assim, considero que este foi o nosso melhor jogo este ano - e um dos meus fins de tarde/princípios de noite mais felizes. Ricardo Carvalho marcou o primeiro golo - e lesionou-se nos festejos. Em vantagem, a Seleção abrandou, até consentir o golo de Matic, de pontapé de bicicleta. Nos minutos que se seguiram, todo o Estádio vibrou com os gritos de "POR-TU-GAL! POR-TU-GAL!" vindos das bancadas. Pouco depois, em resposta, Fábio Coentrão colocou Portugal de novo em vantagem no marcador, selando o resultado.


 


eliseu, coentrão e danny.jpg


 


Visto que o jogo solidário com Cabo Verde se realizou apenas dois dias depois, nenhum dos que jogaram contra a Sérvia puderam alinhar. Fernando Santos teve mesmo de fazer uma segunda Convocatória só para este jogo. Como tal, o desempenho de Portugal foi fraco, tirando as iniciativas de Bernardo Santos. Perdemos por 2-0. Não há muito mais a dizer.


 


A concentração da Seleção que se seguiu a essa dupla jornada coincidiu com uma altura, digamos, interessante no futebol: quando Jorge Jesus trocou o Benfica pelo Sporting e quando rebentou o escândalo da corrupção na FIFA, que culminou agora, com Blatter e Michel Platini banidos do futebol durante oito anos. Não há muito a dizer sobre o primeiro acontecimento. Por sua vez, o segundo é, na minha opinião, um da das melhores coisas que aconteceram no futebol este ano. Há muito que se sabe que existe corrupção nas mais altas instâncias do futebol. Já era altura de algo ser feito em relação a isso. 


 


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O jogo com a Arménia foi encarado com alguma cautela. Uma vez que a Seleção nunca tinha ganho nada naquele terreno. E a verdade é que Portugal cometeu mais erros nesse jogo do que aquilo que foi a norma no resto da Qualificação. Houve alguma apatia por parte dos portugueses e Rui Patrício teve culpas nos primeiros dois golos que sofreu. Cristiano Ronaldo, tipicamente, resolveu a questão com um hat-trick - mesmo assim, Tiago fez-se expulsar após o quarto golo português e os arménios conseguiram reduzir a desvantagem para 2-3.


 


Daí a três dias, Portugal disputou um jogo amigável com a sua congénere italiana. Faltavam titulares habituais a ambos os lados e era um jogo de fim de época, logo, o desafio foi decorrendo em ritmo de treino. Por uma vez, os nossos adversários estavam com mais azar do que nós. O único golo da partida foi apontado por Éder, numa jogada começada pelo Eliseu, que passou a Quaresma, que assistiu de trivela para o ponta-de-lança. O milagre do ano, essencialmente - estou a brincar!


 


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Não posso deixar de referir a excelente prestação dos sub-21 no Europeu, chegando à final, caindo apenas nos penálties. Catalisada pelo excelente trabalho de Rui Jorge, esta é uma das melhores gerações de futebolistas dos últimos vinte anos, cheia de talento, magia (mais do que a atual Seleção A, diga-se, com as devidas exceções), maturidade e espírito ganhador. São um exemplo a seguir por muitos veteranos. A Seleção A, se quiser mesmo ganhar o Europeu, deveria olhar para a paixão dos sub-21.


 


A Seleção A só se voltou a reunir em finais de agosto, princípios de Setembro, para um particular com a França e o antepenúltimo jogo da Qualificação com a Albânia. O particular decorreu no Estádio de Alvalade e eu estive lá. Para um jogo entre grandes seleções, foi anticlimático e um pouco enfadonho. A França estava mais motivada para o jogo que Portugal, que estava mais preocupado com o restante da Qualificação. Portugal limitou-se a defender e até conseguiu fazê-lo até aos oitenta e cinco minutos, antes de sofrer um golo, cortesia de Valbuena. Este jogo serviu para provar que o estilo de jogo implementado por Fernando Santos tem os seus méritos, mas não chega para tudo.


 


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O jogo contra a Albânia foi um jogo tão típico da era Fernando Santos que chega a ser caricato. Portugal jogou melhor que contra a França - não admira, havia mais em jogo. Conseguiu o domínio durante a larga maioria do jogo, tirando durante uns dez, quinze minutos, após a marca dos sessenta. Quaresma entrou entrou a meio da segunda parte e assistiu para o golo de Miguel Veloso, marcado no último minuto. Com mais esta vitória, Portugal ficou a um ponto de se Qualificar.


 


Esse ponto e mais dois extra forma ganhos no jogo seguinte, em Braga, contra a Dinamarca. Mais um jogo típico, pouco empolgante, sobretudo na primeira parte - a Dinamarca estacionou o autocarro e Portugal não se esforçou por aí além por quebrá-lo. Na segunda parte, os dinamarqueses abriram mais o jogo, atacaram mais, mas defenderam menos. Finalmente João Moutinho marcou - um belo tiro, diga-se. Ficou selado o Apuramento.


 



 


O jogo contra a Sérvia realizou-se apenas para cumprir calendário, mas Portugal não deixou de levar o jogo a sério. Por uma vez, marcámos cedo, antes dos cinco minutos, cortesia de Nani. Depois do golo, Portugal estacionou o autocarro. Conseguiu aguentá-lo durante toda a primeira parte do jogo, mas na segunda parte os sérvios conseguiram abrir buracos na nossa defesa. Aos 66 minutos empataram o jogo. Entretanto, João Moutinho entrou e tornou a resolver a situação com mais um golo espectacular. Concretizou-se, assim, a nossa sétima vitória consecutiva em jogos oficiais.


 


Já que, por uma vez, não houve necessidade de irmos a playoffs, os jogos de novembro foram apenas particulares (contra a Rússia e o Luxemburgo) e Fernando Santos pôde dispensar alguns dos titulares habituais e de chamar gente nova. Não vou falar muito sobre estes jogos pois não os vi. Portugal perdeu por 1-0 contra a Rússia e ganhou ao Luxemburgo por 2-0 - tal como disse antes, soube a goleada depois de uma data de vitórias pela margem mínima.


 


Finalmente, este mês, a Seleção foi sorteada para o grupo F do Euro 2016, juntamente com a Hungria, a Islândia e a Áustria, um grupo que, todos concordam, está perfeitamente ao alcance de Portugal, só uma grande catástrofe impedir-nos-á de falharmos os oitavos-de-final, em princípio.


 


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Foi assim o ano da Seleção, um ano tranquilo, é certo, mas pouco excitante. Os playoffs seriam sempre arriscados, mas também poderiam dar um pouco de emoção a um ano, por vezes, demasiado monótono. Por outro lado, estávamos a precisar de um ano assim, depois de tudo o que aconteceu em 2014.


 


Anos pares são sempre mais excitantes para mim. Trazem com eles campeonatos de seleções e Portugal têm conseguido estar presete em todos.Continuo a não querer ainda falar concretamente do que espero do Europeu. No entanto, como o costume passarei os primeiros meses de 2016 ansiosa pelo Anúncio dos Convocados para o Euro 2016 e o início de toda a excitação. Mal posso esperar pela data desse Anúncio, bem como pelas datas e adversários dos particulares de março. As coisas têm estado calmas na Seleção desde finais de 2014 até agora... mas não ficarão por muito mais tempo. O Europeu irá agitar tudo isto e o seu desfecho determinará o estado de espírito com que estaremos daqui a um ano.


 


Por esta altura, gosto de fazer uma espécie de renovação de votos, reafirmar a minha devoção pela Equipa de Todos Nós. Devoção essa que tem cada vez menos a ver com patriotismo. Já não acho que tenhamos obrigatoriamente de apoiar a seleção do país onde nascemos nem que seja errado torcermos pela seleção de um país que, teoricamente, nada tem a ver connosco. Percebi isso há cerca de um ano, quando Martunis (o menino que sobreviveu ao tsunami  no Índico em fins de 2004 durante três semanas vestindo uma camisola da Seleção Portuguesa) revelou que sonha um dia voltar a vestir a Camisola das Quinas, desta feita em campo. 


 


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Não sei se Martunis é bom jogador, se é suficientemente bom para representar a Seleção. Se for esse o motivo pelo qual não será Convocado, não tenho nada a dizer Mas haverá alguém com a ousadia de recusar-lhe uma Convocatória tendo apenas por base a sua nacionalidade? Não sei se ele já obeteve a nacionalidade portuguesa, mas eu acredito que, capacidades futebolísticas à parte, ele merece mais vir à Equipa de Todos Nós do que, se calhar, metade dos que lá estão agora merecem. Martunis acredita que o nosso país, a nossa Seleção lhe salvaram a vida e, de facto, a FPF doou-lhe 40 mil euros à sua família para se restabelecer, trouxe-o a Portugal para visitar a Turma das Quinas (lembro-me perfeitamente de vê-lo nas bancadas do Estádio da Luz no jogo com a Eslováquia, comemorando o golo do Cristiano Ronaldo com o Rui Costa) e, este ano, o Sporting trouxe-o até ao nosso país e ele vive hoje na academia do Sporting. Se ele viesse à Seleção, ninguém duvidaria do seu amor à camisola.


 


Cada vez acredito mais que a nacionalidade é apenas uma categoria em documentos oficiais, um aspeto burocrático. Uma pessoa é definida pelas escolhas que faz, não por aquilo que lhe é imposto. Isso significa que, sim, por princípio não sou contra nacionalizações na Equipa de Todos Nós, desde que seja por convicção e não por interesse. Se formos a ver, metade dos atuais Marmanjos não nasceram em Portugal: Nani e Eliseu nasceram em Cabo Verde, William Carvalho nasceu em Angola, Cédric nasceu na Alemanha, Adrien e Raphael Guerreiro nasceram em França (o último, quando se estreou na Seleção A, ainda mal falava o português), mas ninguém questionou a sua Convocatória. Por outro lado, concordo com a atual política de a Federação não interferir nos processos de mudança de nacionalidade.


 


 


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Já não acho que todos os portugueses têm, obrigatoriamente, de apoiar a Equipa de Todos Nós só por serem portugueses - vocês, que acompanham este blogue e a minha página, sabem o quão frustrante e desanimador isto consegue ser. Não esqueçamos também que a Turma das Quinas tem apoiantes por todo o globo, com ou sem relação com Portugal. Não me vou arrogar ao ponto de falar em nome da Seleção, mas eu aceitaria qualquer um como adepto. Quer seja por gostar do nosso país, por a Seleção lhe ter salvo a vida, por causa de um jogador em específico, porque se identificam com o espírito e/ou estilo de jogo, porque de tanto em tanto tempo lhes dá alegrias. Os mesmos motivos pelos quais se escolhe um clube como todos os outros, no fundo. Na verdade, o motivo pelo qual se começa a ser adepto não é importante, desde que se mantenham como adeptos quer nos bons, quer nos maus momentos - essa é a parte mais difícil, mas poucas coisas são mais gratificantes do que testemunhar as primeiras vitórias, os primeiros sinais de recuperação, após um período de crise.


 


Na verdade, sou cada vez mais amante do futebol em geral, não apenas o que está relacionado com a Turma das Quinas. Pelas paixões que move, as histórias a ele associaas, a maneira como ele pode salvar vidas, como a do Martunis, em vários sentidos. O meu clube é a Seleção e isso nunca vai mudar. No entanto, também me considero adepta de todos os clubes ao mesmo tempo e de nenhum em particular. E orgulho-me disso. 


 


Vou continuar a amar o futebol e a apoiar a Seleção no próximo ano, qualquer que seja o desfecho da nossa participação no Europeu. Que 2016 seja um ano muito positivo para o futebol, sobretudo para o futebol português, sobretudo para a Equipa de Todos Nós. Deixo também aqui os votos de um Natal muito feliz e de um Ano Novo cheio de coisas boas. Regressem connosco em 2016!

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Em princípio

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No passado sábado, dia 12 de dezembro, teve lugar em Paris o sorteio para a fase de grupos do Campeonato Europeu de Futebol, que se realizará no próximo verão. Portugal ficou colocado no grupo F, juntamente com a Islândia, a Áustria e a Hungria.


 


Como o costume, eu andava ansiosa por este sorteio. Consegui acompanhá-lo devidamente, pela televisão, com a minha irmã. Fiquei surpreendida por este ter começado apenas meia hora, quarenta minutos depois do início da cerimónia. Ficamos no último grupo, logo, fomos os últimos a conhecer os adversários. O pote 3 e o pote 2 iam sendo esvaziados, sem que a Suécia e a Itália, respetivamente, saíssem. Por um lado, eu não os queria no grupo, por motivos óbvios. Por outro lado, eu não as queria no grupo, por motivos óbvios. Por outro lado, eu queria-os no grupo porque seriam jogos excitantes. As duas seleções ficaram no grupo E, como que a sublinhar que nós tínhamos escapado por pouco às favas. Nós ficámos com equipas, digamos, modestas.


 


O nosso primeiro jogo ficou marcado para dia 14 de junho, em Saint-Étienne, frente à Islândia. Só jogámos duas vezes contra esta equipa, ambas no Apuramento para o Euro 2012. O primeiro jogo ocorreu naquela gloriosa dupla jornada de estreia de Paulo Bento, em que recuperámos a esperança depois do caso Queiroz e de perdermos cinco pontos nos primeiros dois jogos do Apuramento. Não tendo sido um jogo brilhante, teve os seus momentos, com o golo do Cristiano Ronaldo de livre direto, a bomba de Raul Meireles e o golo final de Hélder Postiga.


 


ronaldo perseguido por islandês.jpg


 


O segundo jogo terminou com uma vitória por 5-3, mas ainda apanhámos alguns sustos. A primeira parte até terminou com Portugal ganhando por 3-0 - golos de Nani, que marcou dois quase de seguida, e um de Hélder Postiga. No entanto, na segunda parte, os islandeses conseguiram reduzir para 3-2 e, por algum tempo, os portugueses desorientaram-se. Felizmente, João Moutinho meteu ordem no jogo ao marcar o quarto golo português, aos oitenta e um minutos. Eliseu, que já tinha assistido para o primeiro golo de Nani e para o golo de Moutinho, ainda ampliou o resultado para 5-2. Mais tarde seria considerado o Homem do Jogo (sim, estamos a falar do mesmo Eliseu, que joga hoje no Benfica). Ainda houve tempo, mesmo assim, para os islandeses reduzirem, de penálti. 


 


A Islândia partilhou o grupo de Qualificação com a Holanda e a Turquia. Os islandeses venceram os holandeses nos dois jogos que disputaram com eles, contribuindo para o afastamento da Laranja Mecânica do Europeu. Na classificação final do grupo, ficou à frente da Turquia, que muitos considerariam uma ameaça maior. Tudo isto prova que os islandeses podem complicar-nos a vida.


 


A Áustria, com quem jogaremos dia 18 em Paris, tem um histórico favorável frente a nós (três vitórias para o lado deles, duas para o nosso lado e cinco empates), mas não jogamos com eles há vinte anos - desde a Qualificação para o Euro 96. Os austríacos apuraram-se para o Europeu em primeiro lugar no seu grupo, oito pontos à frente da Rússia (!) e dez pontos à frente da Suécia (!!!), ambas equipas que, mais uma vez, muitos considerariam mais perigosas. Penso que é opinião comum que os austríacos serão os nossos adversários mais difíceis neste grupo. Não é difícil perceber porquê.


 


dois tugas e um húngaro a voar, três tugas e um


 


Fiquei um bocadinho chateada por nos ter calhado a Hungria no grupo, visto esta já ter sido sorteada para o nosso grupo de Apuramento para o Mundial 2018. Já achava eu que essa Qualificação vai ser uma seca. O facto de um dos adversários ser um repetido do Europeu em nada melhora essa condição.


 


A verdade é que vamos encontrar os húngaros no nosso último jogo da fase de grupos, em Lyon, no dia 22. Nunca perdemos contra este adversário e o último empate foi em 1983. Os nossos dois últimos jogos ocorreram durante a Qualificação para o Mundial 2010. Ambos correram bem. O segundo é capaz de ter sido o melhor desta fase de Apuramento. 


 


A Hungria apurou-se para este Europeu via playoffs, vencendo a Noruega. Nesse grupo, foi ultrapassada pela República da Irlanda e pela Roménia. Podemos concluir que, em princípio (vou usar muito esta expressão neste texto, "em princípio"), a Hungria será a Seleção menos ameaçadora deste grupo.


 


Vocês sabem que, por norma, não gosto de grupos "fáceis", de "equipas fáceis". Num Europeu mais alargado do que antes, desconfio particularmente das seleções em estreia - não terão nada a perder, logo, não sentirão a pressão caso as coisas não corram bem.


 


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No entanto, mais do que ser por ser um grupo fácil, este grupo chateia-me por ser enfadonho - tal como o grupo da Qualificação para o Mundial 2018. Ainda na véspera do sorteio do Europeu saía uma lista em que Portugal aparecia entre as seleções mais chatas. Não estou a ver os jogos do grupo mudando essa perceção. Os atractivos dos campeonatos de seleções são os jogos com equipas grandes. Daqueles que, ou ganhamos de forma épica, ou perdemos com dignidade, ou somos completamente humilhados. Aqueles jogos de cortar a respiração, de vida de morte ou muito mais, em que temos constantemente o coração na garganta. Em que cada golo é celebrado de forma intensa e, por vezes, demasiado dramática. Em que chegamos ao fim quase tão exaustos como se nós mesmo tivéssemos jogado. Não estou a ver os jogos desse grupo chegarem a esse nível. Ou melhor, se chegarem é porque as coisas estão a correr mal.


 


Por outro lado, depois da tragédia que foi o Mundial 2014, não vou dizer que não me agrada a ideia de um grupo tranquilo, em que, em princípio, temos tudo para passar. Se estamos mesmo a olhar para o título, emoção e dificuldades não hão de faltar no percurso até à final. Já será suficientemente complicado chegarmos lá, não me vou queixar se o início for, em princípio, facilitado.


 


Regressando à relativa facilidade deste grupo, nos rescaldos destes sorteios, costumamos dar o exemplo do Euro 2000 e 2012, "Grupos da Morte" a que sobrevivemos, e do Mundial 2002, o grupo fácil em que tudo correu mal, tirando no jogo contra a Polónia. Portugal tem o irritante hábito de complicar o que é fácil e o lendário hábito de se superar perante dificuldades. 


 


milli-takimimiz-euro-2016-kura-cekiminde-4-7886230


 


 


E, no entanto, não sei se ainda é assim. Fizemos uma Qualificação tranquila, em que, tirando o primeiro jogo, não complicámos desnecessariamente. Sob a orientação de Fernando Santos, a equipa ganhou uma maturidade que não possuía há dois, três anos. Não estou a vê-los fazendo asneiras que comprometam a passagem aos oitavos-de-final (ainda me é estranho falar de oitavos-de-final num Europeu...), sobretudo quando Fernando Santos diz que quer ganhar o Europeu. Só uma epidemia de lesões e parvoíce estilo Mundial 2014, e mesmo assim. Muita coisa terá de correr mal para não passarmos este grupo. Já aconteceu, é certo, mas quero acreditar que eles aprenderam com os erros. Além disso, em princípio, o clima em França será menos agreste que o brasileiro, logo, também não será por aí...


 


Estou a guardar os meus pensamentos sobre este Europeu e as ambições de Fernando Santos para a habitual entrada na véspera do Anúncio dos Convocados. Para já, a bola está do lado da Federação. Quero saber as datas e os adversários dos particulares prometidos para março, bem como, lá está, o dia do Anúncio. Como poderão ver ao lado, já programei um contador dos dias que faltam para o nosso jogo de estreia no Europeu. Depois, acrescento um segundo contador, para o dia dos Convocados.


 


Quanto a mim, estou neste momento a trabalhar na já tradicional revisão do ano. Continuem desse lado.

Em princípio

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No passado sábado, dia 12 de dezembro, teve lugar em Paris o sorteio para a fase de grupos do Campeonato Europeu de Futebol, que se realizará no próximo verão. Portugal ficou colocado no grupo F, juntamente com a Islândia, a Áustria e a Hungria.


 


Como o costume, eu andava ansiosa por este sorteio. Consegui acompanhá-lo devidamente, pela televisão, com a minha irmã. Fiquei surpreendida por este ter começado apenas meia hora, quarenta minutos depois do início da cerimónia. Ficamos no último grupo, logo, fomos os últimos a conhecer os adversários. O pote 3 e o pote 2 iam sendo esvaziados, sem que a Suécia e a Itália, respetivamente, saíssem. Por um lado, eu não os queria no grupo, por motivos óbvios. Por outro lado, eu não as queria no grupo, por motivos óbvios. Por outro lado, eu queria-os no grupo porque seriam jogos excitantes. As duas seleções ficaram no grupo E, como que a sublinhar que nós tínhamos escapado por pouco às favas. Nós ficámos com equipas, digamos, modestas.


 


O nosso primeiro jogo ficou marcado para dia 14 de junho, em Saint-Étienne, frente à Islândia. Só jogámos duas vezes contra esta equipa, ambas no Apuramento para o Euro 2012. O primeiro jogo ocorreu naquela gloriosa dupla jornada de estreia de Paulo Bento, em que recuperámos a esperança depois do caso Queiroz e de perdermos cinco pontos nos primeiros dois jogos do Apuramento. Não tendo sido um jogo brilhante, teve os seus momentos, com o golo do Cristiano Ronaldo de livre direto, a bomba de Raul Meireles e o golo final de Hélder Postiga.


 


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O segundo jogo terminou com uma vitória por 5-3, mas ainda apanhámos alguns sustos. A primeira parte até terminou com Portugal ganhando por 3-0 - golos de Nani, que marcou dois quase de seguida, e um de Hélder Postiga. No entanto, na segunda parte, os islandeses conseguiram reduzir para 3-2 e, por algum tempo, os portugueses desorientaram-se. Felizmente, João Moutinho meteu ordem no jogo ao marcar o quarto golo português, aos oitenta e um minutos. Eliseu, que já tinha assistido para o primeiro golo de Nani e para o golo de Moutinho, ainda ampliou o resultado para 5-2. Mais tarde seria considerado o Homem do Jogo (sim, estamos a falar do mesmo Eliseu, que joga hoje no Benfica). Ainda houve tempo, mesmo assim, para os islandeses reduzirem, de penálti. 


 


A Islândia partilhou o grupo de Qualificação com a Holanda e a Turquia. Os islandeses venceram os holandeses nos dois jogos que disputaram com eles, contribuindo para o afastamento da Laranja Mecânica do Europeu. Na classificação final do grupo, ficou à frente da Turquia, que muitos considerariam uma ameaça maior. Tudo isto prova que os islandeses podem complicar-nos a vida.


 


A Áustria, com quem jogaremos dia 18 em Paris, tem um histórico favorável frente a nós (três vitórias para o lado deles, duas para o nosso lado e cinco empates), mas não jogamos com eles há vinte anos - desde a Qualificação para o Euro 96. Os austríacos apuraram-se para o Europeu em primeiro lugar no seu grupo, oito pontos à frente da Rússia (!) e dez pontos à frente da Suécia (!!!), ambas equipas que, mais uma vez, muitos considerariam mais perigosas. Penso que é opinião comum que os austríacos serão os nossos adversários mais difíceis neste grupo. Não é difícil perceber porquê.


 


dois tugas e um húngaro a voar, três tugas e um


 


Fiquei um bocadinho chateada por nos ter calhado a Hungria no grupo, visto esta já ter sido sorteada para o nosso grupo de Apuramento para o Mundial 2018. Já achava eu que essa Qualificação vai ser uma seca. O facto de um dos adversários ser um repetido do Europeu em nada melhora essa condição.


 


A verdade é que vamos encontrar os húngaros no nosso último jogo da fase de grupos, em Lyon, no dia 22. Nunca perdemos contra este adversário e o último empate foi em 1983. Os nossos dois últimos jogos ocorreram durante a Qualificação para o Mundial 2010. Ambos correram bem. O segundo é capaz de ter sido o melhor desta fase de Apuramento. 


 


A Hungria apurou-se para este Europeu via playoffs, vencendo a Noruega. Nesse grupo, foi ultrapassada pela República da Irlanda e pela Roménia. Podemos concluir que, em princípio (vou usar muito esta expressão neste texto, "em princípio"), a Hungria será a Seleção menos ameaçadora deste grupo.


 


Vocês sabem que, por norma, não gosto de grupos "fáceis", de "equipas fáceis". Num Europeu mais alargado do que antes, desconfio particularmente das seleções em estreia - não terão nada a perder, logo, não sentirão a pressão caso as coisas não corram bem.


 


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No entanto, mais do que ser por ser um grupo fácil, este grupo chateia-me por ser enfadonho - tal como o grupo da Qualificação para o Mundial 2018. Ainda na véspera do sorteio do Europeu saía uma lista em que Portugal aparecia entre as seleções mais chatas. Não estou a ver os jogos do grupo mudando essa perceção. Os atractivos dos campeonatos de seleções são os jogos com equipas grandes. Daqueles que, ou ganhamos de forma épica, ou perdemos com dignidade, ou somos completamente humilhados. Aqueles jogos de cortar a respiração, de vida de morte ou muito mais, em que temos constantemente o coração na garganta. Em que cada golo é celebrado de forma intensa e, por vezes, demasiado dramática. Em que chegamos ao fim quase tão exaustos como se nós mesmo tivéssemos jogado. Não estou a ver os jogos desse grupo chegarem a esse nível. Ou melhor, se chegarem é porque as coisas estão a correr mal.


 


Por outro lado, depois da tragédia que foi o Mundial 2014, não vou dizer que não me agrada a ideia de um grupo tranquilo, em que, em princípio, temos tudo para passar. Se estamos mesmo a olhar para o título, emoção e dificuldades não hão de faltar no percurso até à final. Já será suficientemente complicado chegarmos lá, não me vou queixar se o início for, em princípio, facilitado.


 


Regressando à relativa facilidade deste grupo, nos rescaldos destes sorteios, costumamos dar o exemplo do Euro 2000 e 2012, "Grupos da Morte" a que sobrevivemos, e do Mundial 2002, o grupo fácil em que tudo correu mal, tirando no jogo contra a Polónia. Portugal tem o irritante hábito de complicar o que é fácil e o lendário hábito de se superar perante dificuldades. 


 


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E, no entanto, não sei se ainda é assim. Fizemos uma Qualificação tranquila, em que, tirando o primeiro jogo, não complicámos desnecessariamente. Sob a orientação de Fernando Santos, a equipa ganhou uma maturidade que não possuía há dois, três anos. Não estou a vê-los fazendo asneiras que comprometam a passagem aos oitavos-de-final (ainda me é estranho falar de oitavos-de-final num Europeu...), sobretudo quando Fernando Santos diz que quer ganhar o Europeu. Só uma epidemia de lesões e parvoíce estilo Mundial 2014, e mesmo assim. Muita coisa terá de correr mal para não passarmos este grupo. Já aconteceu, é certo, mas quero acreditar que eles aprenderam com os erros. Além disso, em princípio, o clima em França será menos agreste que o brasileiro, logo, também não será por aí...


 


Estou a guardar os meus pensamentos sobre este Europeu e as ambições de Fernando Santos para a habitual entrada na véspera do Anúncio dos Convocados. Para já, a bola está do lado da Federação. Quero saber as datas e os adversários dos particulares prometidos para março, bem como, lá está, o dia do Anúncio. Como poderão ver ao lado, já programei um contador dos dias que faltam para o nosso jogo de estreia no Europeu. Depois, acrescento um segundo contador, para o dia dos Convocados.


 


Quanto a mim, estou neste momento a trabalhar na já tradicional revisão do ano. Continuem desse lado.

sábado, 21 de novembro de 2015

Brinquedos emprestados

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No passado dia 14 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol foi derrotada por uma bola sem resposta pela sua congénere russa, em Krasnodar. Três dias mais tarde, a Seleção Portuguesa venceu a luxemburguesa por duas bolas sem resposta.


 


Não me vou alongar muito sobre estes jogos. Em primeiro lugar, porque não vi o primeiro jogo e acompanhei o segundo apenas parcialmente, via rádio. Não me sinto à vontade para dar o meu parecer sobre jogos que não acompanhei devidamente. Além disso, pelo que me contaram e pelo que li na Internet, os jogos foram "uma seca brutal", como disse a minha irmã. Se haviam jogos que eu pudesse falhar, eram estes.


 


Na verdade, mais do que por falhar os jogos em si, tenho pena por não ter podido acompanhar os dias antes. Os treinos, as notícias, as declarações à Imprensa, as fotografias, os vídeos. Sobretudo porque não vamos voltar a tê-los até março. 


 


Dizem que Portugal não esteve grande coisa em termos coletivos frente à Rússia, ainda que tenham havido alguns destaques individuais: Cédric, João Mário, Rui Patrício e, em particular, o jovem estreante Gonçalo Guedes. Ao que parece, a Rússia deu mais importância ao jogo que Portugal, pois terá apresentado a equipa na máxima força e os portugueses apostaram mais em segundas linhas. Acabámos por provar do nosso próprio veneno, pois sofremos um golo ao cair do pano, fruto de um passe infeliz de William Carvalho. 


 


gonçalo guedes e luxemburguês.jpg


 


O jogo com o Luxemburgo iria sempre correr-nos melhor tendo em conta o calibre do nosso adversário. Nessa altura, estava no aeroporto e quando consegui ligar-me à Internet e ao relato da Antena1 (a aplicação da RTP não estava a transmitir a emissão televisiva por uma questão de direitos e não dava jeito dar uma de Inácio com o telemóvel), já André André tinha marcado, confirmando o bom momento que tem atravessado esta época. O relatador (Alexandre Afonso? Não tenho a certeza...) queixava-se da dormência da partida, sobretudo durante a segunda parte. Chegou mesmo a garantir que não tinha tomado nenhum comprimido calmante, o relato estava lento porque o jogo estava lento. 


 


Ao menos houve tempo para Nani marcar de livre, no dia em que completava 29 anos. Posso não ter acompanhado está dupla jornada como desejava, mas este golo deixou-me feliz. O resultado ficou em 2-0, o que, depois de mais de um ano de vitórias pela margem mínima, quase sabe a goleada. 


 


Apesar de estes serem jogos pouco importantes, houve espaço para polémicas. Como é do conhecimento geral, hoje há dérbi. Uma das preocupações desta dupla jornada era o desgaste dos jogadores dos clubes em questão nas respetivas seleções. Ora, no jogo com o Luxemburgo, Fernando Santos "copiou" o meio-campo do F.C.Porto. Algo que considerei inteligente, pois poderia contornar um dos problemas mais difíceis das seleções: a falta de rotinas. 


 


CTc9CmLXIAAsx0r.jpg


 


No entanto, ao que consta, isso ofendeu o clube, que acusou Fernando Santos de favorecer os jogadores dos clubes lisboetas em termos de gestão do cansaço. Estas queixas irritam-me por vários motivos. Em primeiro lugar, já ficou provado que Portugal foi a Seleção que menos utilizou jogadores dos três grandes. Em segundo lugar,  este é um caso típico de "preso por ter cão, preso por não ter" - se, por acaso, a convocatória para esta dupla jornada não incluísse nenhum jogador do F.C.Porto, choveriam de imediato críticas ao Selecionador e à Federação. Em terceiro lugar, pelo ritmo de treino do jogo com o Luxemburgo, quer-me parecer que os Marmanjos tiveram o cuidado de não se cansarem demasiado. Além do mais, o F.C.Porto vai defrontar o Agrense. Se eles não conseguem vencer o Agrense sem Danilo e André André, é mau sinal (como se eu pudesse falar muito, com uma Seleção por vezes Ronaldo-mais-dez, outras vezes Moutinho-mais-dez...).


 


Por fim, tomo a liberdade de recordar, não apenas ao F.C.Porto mas também a todos os clubes, que depois desta dupla jornada, vão ter quatro meses com os jogadores só para si. Quatro meses sem as seleções lhes levarem os brinquedos emprestados, para depois devolvê-los - segundo os clubes - estragados. Vamos ter Europeu no fim da época. Peço encarecidamente que deixem Fernando Santos em paz nas poucas ocasiões em que este pode trabalhar diretamente com os jogadores. Até porque este diz que quer ganhar o Europeu, o que beneficiaria toda a gente.


 


Dito isto, não fosse esta polémica, talvez não me desse ao trabalho de escrever esta crónica. De uma maneira retorcida, fica o agradecimento. Estou sempre disponível para defender a Seleção (sempre que concordo com ela, é claro), sobretudo quando certas entidades - o presidente do F.C.Porto costuma ser uma delas - aproveitam todas as oportunidades para, como dizia o nosso antigo Selecionador, debitar as suas postas de pescada. 


 


Fernando Santos já veio dizer que, nos jogos de março, os Convocados estarão mais próximos da Lista Final que irá a França. Ao mesmo tempo, os adversários refletirão a constituição do nosso grupo no Europeu. E, de facto, nesta altura, sinto-se ansiosa pelo sorteio da fase de grupos, por conhecer os adversários e o calendário, pelas primeiras apostas e especulações. Portugal será cabeça-de-série, o que significa que, por uma vez, não vamos ter a Alemanha no grupo - o que, sinceramente, é um enorme alívio. Não precisamos de sofrer mais nas mãos deles, obrigada. Por outro lado, vocês sabem que, por norma, eu desconfio de grupos fáceis, daí que talvez não seja muito grave partilharmos um grupo com uma seleção como a Itália ou a Suécia (que eu não me arrependa de escrever isto...). Além disso, as seleções estreantes no Europeu não terão nada a perder, o que pode ser perigoso.


 


04.jpg


 


Não me vou alongar muito mais em especulações sobre o sorteio. Como costumo dizer, os sorteios são provavelmente os únicos aspetos do futebol governados apenas pela Sorte, por Deus, pelo Universo, pelo Destino ou qualquer outra entidade sobre-humana que queiram considerar. Depois de ficar tudo definido, falamos. De qualquer forma, esperam-nos agora seis meses de ansiedade, expetativa, até chegar o mês de maio (dia 16?), sair a Convocatória Final e entrarmos verdadeiramente em ação.

Brinquedos emprestados

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No passado dia 14 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol foi derrotada por uma bola sem resposta pela sua congénere russa, em Krasnodar. Três dias mais tarde, a Seleção Portuguesa venceu a luxemburguesa por duas bolas sem resposta.


 


Não me vou alongar muito sobre estes jogos. Em primeiro lugar, porque não vi o primeiro jogo e acompanhei o segundo apenas parcialmente, via rádio. Não me sinto à vontade para dar o meu parecer sobre jogos que não acompanhei devidamente. Além disso, pelo que me contaram e pelo que li na Internet, os jogos foram "uma seca brutal", como disse a minha irmã. Se haviam jogos que eu pudesse falhar, eram estes.


 


Na verdade, mais do que por falhar os jogos em si, tenho pena por não ter podido acompanhar os dias antes. Os treinos, as notícias, as declarações à Imprensa, as fotografias, os vídeos. Sobretudo porque não vamos voltar a tê-los até março. 


 


Dizem que Portugal não esteve grande coisa em termos coletivos frente à Rússia, ainda que tenham havido alguns destaques individuais: Cédric, João Mário, Rui Patrício e, em particular, o jovem estreante Gonçalo Guedes. Ao que parece, a Rússia deu mais importância ao jogo que Portugal, pois terá apresentado a equipa na máxima força e os portugueses apostaram mais em segundas linhas. Acabámos por provar do nosso próprio veneno, pois sofremos um golo ao cair do pano, fruto de um passe infeliz de William Carvalho. 


 


gonçalo guedes e luxemburguês.jpg


 


O jogo com o Luxemburgo iria sempre correr-nos melhor tendo em conta o calibre do nosso adversário. Nessa altura, estava no aeroporto e quando consegui ligar-me à Internet e ao relato da Antena1 (a aplicação da RTP não estava a transmitir a emissão televisiva por uma questão de direitos e não dava jeito dar uma de Inácio com o telemóvel), já André André tinha marcado, confirmando o bom momento que tem atravessado esta época. O relatador (Alexandre Afonso? Não tenho a certeza...) queixava-se da dormência da partida, sobretudo durante a segunda parte. Chegou mesmo a garantir que não tinha tomado nenhum comprimido calmante, o relato estava lento porque o jogo estava lento. 


 


Ao menos houve tempo para Nani marcar de livre, no dia em que completava 29 anos. Posso não ter acompanhado está dupla jornada como desejava, mas este golo deixou-me feliz. O resultado ficou em 2-0, o que, depois de mais de um ano de vitórias pela margem mínima, quase sabe a goleada. 


 


Apesar de estes serem jogos pouco importantes, houve espaço para polémicas. Como é do conhecimento geral, hoje há dérbi. Uma das preocupações desta dupla jornada era o desgaste dos jogadores dos clubes em questão nas respetivas seleções. Ora, no jogo com o Luxemburgo, Fernando Santos "copiou" o meio-campo do F.C.Porto. Algo que considerei inteligente, pois poderia contornar um dos problemas mais difíceis das seleções: a falta de rotinas. 


 


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No entanto, ao que consta, isso ofendeu o clube, que acusou Fernando Santos de favorecer os jogadores dos clubes lisboetas em termos de gestão do cansaço. Estas queixas irritam-me por vários motivos. Em primeiro lugar, já ficou provado que Portugal foi a Seleção que menos utilizou jogadores dos três grandes. Em segundo lugar,  este é um caso típico de "preso por ter cão, preso por não ter" - se, por acaso, a convocatória para esta dupla jornada não incluísse nenhum jogador do F.C.Porto, choveriam de imediato críticas ao Selecionador e à Federação. Em terceiro lugar, pelo ritmo de treino do jogo com o Luxemburgo, quer-me parecer que os Marmanjos tiveram o cuidado de não se cansarem demasiado. Além do mais, o F.C.Porto vai defrontar o Agrense. Se eles não conseguem vencer o Agrense sem Danilo e André André, é mau sinal (como se eu pudesse falar muito, com uma Seleção por vezes Ronaldo-mais-dez, outras vezes Moutinho-mais-dez...).


 


Por fim, tomo a liberdade de recordar, não apenas ao F.C.Porto mas também a todos os clubes, que depois desta dupla jornada, vão ter quatro meses com os jogadores só para si. Quatro meses sem as seleções lhes levarem os brinquedos emprestados, para depois devolvê-los - segundo os clubes - estragados. Vamos ter Europeu no fim da época. Peço encarecidamente que deixem Fernando Santos em paz nas poucas ocasiões em que este pode trabalhar diretamente com os jogadores. Até porque este diz que quer ganhar o Europeu, o que beneficiaria toda a gente.


 


Dito isto, não fosse esta polémica, talvez não me desse ao trabalho de escrever esta crónica. De uma maneira retorcida, fica o agradecimento. Estou sempre disponível para defender a Seleção (sempre que concordo com ela, é claro), sobretudo quando certas entidades - o presidente do F.C.Porto costuma ser uma delas - aproveitam todas as oportunidades para, como dizia o nosso antigo Selecionador, debitar as suas postas de pescada. 


 


Fernando Santos já veio dizer que, nos jogos de março, os Convocados estarão mais próximos da Lista Final que irá a França. Ao mesmo tempo, os adversários refletirão a constituição do nosso grupo no Europeu. E, de facto, nesta altura, sinto-se ansiosa pelo sorteio da fase de grupos, por conhecer os adversários e o calendário, pelas primeiras apostas e especulações. Portugal será cabeça-de-série, o que significa que, por uma vez, não vamos ter a Alemanha no grupo - o que, sinceramente, é um enorme alívio. Não precisamos de sofrer mais nas mãos deles, obrigada. Por outro lado, vocês sabem que, por norma, eu desconfio de grupos fáceis, daí que talvez não seja muito grave partilharmos um grupo com uma seleção como a Itália ou a Suécia (que eu não me arrependa de escrever isto...). Além disso, as seleções estreantes no Europeu não terão nada a perder, o que pode ser perigoso.


 


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Não me vou alongar muito mais em especulações sobre o sorteio. Como costumo dizer, os sorteios são provavelmente os únicos aspetos do futebol governados apenas pela Sorte, por Deus, pelo Universo, pelo Destino ou qualquer outra entidade sobre-humana que queiram considerar. Depois de ficar tudo definido, falamos. De qualquer forma, esperam-nos agora seis meses de ansiedade, expetativa, até chegar o mês de maio (dia 16?), sair a Convocatória Final e entrarmos verdadeiramente em ação.

domingo, 8 de novembro de 2015

Um problema de timing

consultando a cábula.jpg


No próximo sábado, dia 14 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol deslocar-se-à a a Krasnodar, na Rússia, para defrontar a congénere local. Três dias mais tarde, deslocar-se-à ao Luxemburgo com o mesmo fim. Ambos os jogos serão de carácter particular, com vista à preparação do Campeonato Europeu da modalidade, que se realizará em França, no próximo verão. 


 


Fernando Santos divulgou a Lista de Convocados para esta dupla jornada na passada sexta-feira. Conforme seria mais ou menos de esperar, esta foi uma Convocatória com muitas novidades, tanto por ausências como por estreias ou "regressos".


 


O Selecionador não gosta da palavra "regressos". Segundo ele, dá a entender, erradamente, que os Marmanjos em questão deixaram de fazer parte do grupo. Aparentemente, para Fernando Santos, a Seleção é um pouco como a máfia: assim que se entra, nunca mais se sai verdadeiramente. Tudo o que o Selecionador faz é gerir esse grupo alargado. 


 


Gosto desse espírito.


 


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Fechemos esse aparte. Por serem apenas jogos particulares, muitos nomes habituais ficaram de fora. Destaca-se Cristiano Ronaldo, naturalmente, mas também Ricardo Carvalho, Ricardo Quaresma, Éder, Danny e Tiago falharão estes jogos. Não vou mentir, da primeira vez que se falou da possibilidade de Ronaldo ser dispensado destes jogos, há algumas semanas, a minha reação imediata foi de desagrado. Cheirou-me a vedetismo. Mas pensei melhor no assunto, lembrei-me que terá sido aquando dos playoffs de há dois anos que Ronaldo contraiu aquela três vezes maldita tendinose rotuliana. Que, no Mundial 2014, toda a gente se lesionou. Por isso, não me queixei mais. Fico feliz, até, que tenham sido vários a ficar de fora, para que não acusem a Federação de tratamento preferencial a Ronaldo - e adorei a resposta de Fernando Santos a essa mesma insinuação. Oxalá que tudo isto permita aos Marmanjos chegarem ao Europeu mais ou menos em forma - até porque o Selecionador continua a dizer que quer ganhá-lo.


 


A outra grande vantagem da ausência dos cotas (meu Deus, quando é que o Ronaldo e o Quaresma começaram a ser considerados cotas?) é podermos apostar em jovens, como André Gomes, Bernardo Silva, João Mário, Nélson Oliveira (regressado que não representava a Seleção há muito tempo), Raphael Guerreiro e os estreantes Gonçalo Guedes, Lucas João e Ricardo Pereira. Toda a gente conhece Gonçalo Guedes (ainda que eu ainda não consiga ouvir o nome dele sem pensar nisto), o miúdo de dezoito anos (quando é que jogadores de futebol profissional começaram a ter a idade da minha irmã mais nova?) que tem-se fartado de dar cartas pelo Benfica esta época. Ainda hoje marcou um golo e foi considerado Homem do Jogo com o Boavista. Não sei muito sobre os outros dois caloiros, mas estou ansiosa por descobrir, sobretudo na forma de boas exibições nestes particulares. Quem sabe se algum destes miúdos, que agora se deverão estrear com a Camisola das Quinas, se revelará um dos heróis do Euro 2016.


 


Sobre os adversários destes particulares não há muito a dizer. Estiveram no nosso grupo de Qualificação para o Mundial 2014, logo, estamos mais ou menos familiarizados com eles. Acho que nunca ganhámos fora à Rússia. Da última vez que jogámos por lá, perdemos. Por seu lado, apesar de termos ganho ao Luxemburgo da última vez que jogámos em casa deles, ainda nos vimos um bocado aflitos, por incrível que pareça.


 


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De qualquer modo, uma vez que estes jogos são apenas amigáveis, ainda por cima já integrados na preparação do Europeu, o resultado não é o mais importante. Mesmo assim, espero que os jovens, sobretudo os estreantes, agarrem a oportunidade para provarem o seu valor. Quero ver se esta nova geração de jogadores é mesmo essa Coca-Cola toda.


 


Para mim vai ser complicado acompanhar estes jogos. Vou de viagem aos Estados Unidos durante uma semana, apanhando estes dois jogos particulares. Isto por si só não seria grande problema - não devo ter grandes dificuldades em arranjar wi-fi e, na pior das hipóteses, dou uma de Inácio. Posso, também, procurar um sports bar - ou melhor, até poderia, se o jogo com a Rússia não fosse às cinco da tarde locais, o que, no sítio onde estarei, corresponde às... seis da manhã. O único jogo fora das 19h45 da praxe (bem, um dos poucos...) calha precisamente quando menos me dá jeito.


 


Porquê, FPF, porquê?!? Porque me fazem isto?!? Será que vocês, quando vão marcar jogos, perguntam-se sempre "Senhores, como poderemos fazer com que a Sofia tenha ainda mais dificuldades em acompanhar os jogos da Seleção?".


 


Isto, no fundo, é a minha versão de #FirstWorldProblems. Eu já perdi jogos oficiais da Seleção e não morri por isso. Estes são apenas particulares (mais do que nunca, grata por nos termos livrado dos playoffs!). Nem sequer acho que vá perder muito se, eventualmente, não conseguir ver estes jogos, sobretudo o de Luxemburgo (se este fosse às seis da manhã, ficava a dormir sem problemas). O que me chateia é que, mais uma vez, depois desta dupla jornada vamos estar quatro meses sem Seleção - quatro meses esses que incluem inúmeras datas muito mais convenientes para mim.


 


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Este é apenas um exemplo do crónico problema de timing que a Seleção e eu temos. Outro exemplo é o facto de os campeonatos de seleções coincidirem sempre com épocas de exames. 


 


Hei de me desenrascar. Tal como disse antes, ninguém morrerá se não conseguir ver estes particulares. Em todo o caso, precisamente por causa desta viagem, devo voltar a condensar as análises dos dois jogos numa única crónica - e esta poderá vir atrasada. Além disso, as publicações na página do Facebook durante esses dias andaram um bocadinho desfasadas.


 


De qualquer forma, Fernando Santos disse que, para a Seleção, o Euro 2016 começou na sexta-feira passada, aquando da Divulgação desta última Lista. Não concordo - para mim, os campeonatos de seleções começam com a Convocatória Final - mas estamos sem dúvida a abrir um capítulo novo. Se queremos mesmo ganhar o Europeu (e Fernando Santos diz que quer), temos de aproveitar todas as oportunidades - que, nesta fase, não são muitas - para trabalhar nisso. Tudo isto - os problemas de timing, os jogos pouco interessantes, as ausências dos nossos jogadores preferidos) valerá a pena, não apenas se a alma não é pequena, mas também se chegarmos a França e deixarmos uma boa impressão. Até porque, se isto fosse sempre fácil, não teria a mesma piada.

Um problema de timing

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No próximo sábado, dia 14 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol deslocar-se-à a a Krasnodar, na Rússia, para defrontar a congénere local. Três dias mais tarde, deslocar-se-à ao Luxemburgo com o mesmo fim. Ambos os jogos serão de carácter particular, com vista à preparação do Campeonato Europeu da modalidade, que se realizará em França, no próximo verão. 


 


Fernando Santos divulgou a Lista de Convocados para esta dupla jornada na passada sexta-feira. Conforme seria mais ou menos de esperar, esta foi uma Convocatória com muitas novidades, tanto por ausências como por estreias ou "regressos".


 


O Selecionador não gosta da palavra "regressos". Segundo ele, dá a entender, erradamente, que os Marmanjos em questão deixaram de fazer parte do grupo. Aparentemente, para Fernando Santos, a Seleção é um pouco como a máfia: assim que se entra, nunca mais se sai verdadeiramente. Tudo o que o Selecionador faz é gerir esse grupo alargado. 


 


Gosto desse espírito.


 


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Fechemos esse aparte. Por serem apenas jogos particulares, muitos nomes habituais ficaram de fora. Destaca-se Cristiano Ronaldo, naturalmente, mas também Ricardo Carvalho, Ricardo Quaresma, Éder, Danny e Tiago falharão estes jogos. Não vou mentir, da primeira vez que se falou da possibilidade de Ronaldo ser dispensado destes jogos, há algumas semanas, a minha reação imediata foi de desagrado. Cheirou-me a vedetismo. Mas pensei melhor no assunto, lembrei-me que terá sido aquando dos playoffs de há dois anos que Ronaldo contraiu aquela três vezes maldita tendinose rotuliana. Que, no Mundial 2014, toda a gente se lesionou. Por isso, não me queixei mais. Fico feliz, até, que tenham sido vários a ficar de fora, para que não acusem a Federação de tratamento preferencial a Ronaldo - e adorei a resposta de Fernando Santos a essa mesma insinuação. Oxalá que tudo isto permita aos Marmanjos chegarem ao Europeu mais ou menos em forma - até porque o Selecionador continua a dizer que quer ganhá-lo.


 


A outra grande vantagem da ausência dos cotas (meu Deus, quando é que o Ronaldo e o Quaresma começaram a ser considerados cotas?) é podermos apostar em jovens, como André Gomes, Bernardo Silva, João Mário, Nélson Oliveira (regressado que não representava a Seleção há muito tempo), Raphael Guerreiro e os estreantes Gonçalo Guedes, Lucas João e Ricardo Pereira. Toda a gente conhece Gonçalo Guedes (ainda que eu ainda não consiga ouvir o nome dele sem pensar nisto), o miúdo de dezoito anos (quando é que jogadores de futebol profissional começaram a ter a idade da minha irmã mais nova?) que tem-se fartado de dar cartas pelo Benfica esta época. Ainda hoje marcou um golo e foi considerado Homem do Jogo com o Boavista. Não sei muito sobre os outros dois caloiros, mas estou ansiosa por descobrir, sobretudo na forma de boas exibições nestes particulares. Quem sabe se algum destes miúdos, que agora se deverão estrear com a Camisola das Quinas, se revelará um dos heróis do Euro 2016.


 


Sobre os adversários destes particulares não há muito a dizer. Estiveram no nosso grupo de Qualificação para o Mundial 2014, logo, estamos mais ou menos familiarizados com eles. Acho que nunca ganhámos fora à Rússia. Da última vez que jogámos por lá, perdemos. Por seu lado, apesar de termos ganho ao Luxemburgo da última vez que jogámos em casa deles, ainda nos vimos um bocado aflitos, por incrível que pareça.


 


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De qualquer modo, uma vez que estes jogos são apenas amigáveis, ainda por cima já integrados na preparação do Europeu, o resultado não é o mais importante. Mesmo assim, espero que os jovens, sobretudo os estreantes, agarrem a oportunidade para provarem o seu valor. Quero ver se esta nova geração de jogadores é mesmo essa Coca-Cola toda.


 


Para mim vai ser complicado acompanhar estes jogos. Vou de viagem aos Estados Unidos durante uma semana, apanhando estes dois jogos particulares. Isto por si só não seria grande problema - não devo ter grandes dificuldades em arranjar wi-fi e, na pior das hipóteses, dou uma de Inácio. Posso, também, procurar um sports bar - ou melhor, até poderia, se o jogo com a Rússia não fosse às cinco da tarde locais, o que, no sítio onde estarei, corresponde às... seis da manhã. O único jogo fora das 19h45 da praxe (bem, um dos poucos...) calha precisamente quando menos me dá jeito.


 


Porquê, FPF, porquê?!? Porque me fazem isto?!? Será que vocês, quando vão marcar jogos, perguntam-se sempre "Senhores, como poderemos fazer com que a Sofia tenha ainda mais dificuldades em acompanhar os jogos da Seleção?".


 


Isto, no fundo, é a minha versão de #FirstWorldProblems. Eu já perdi jogos oficiais da Seleção e não morri por isso. Estes são apenas particulares (mais do que nunca, grata por nos termos livrado dos playoffs!). Nem sequer acho que vá perder muito se, eventualmente, não conseguir ver estes jogos, sobretudo o de Luxemburgo (se este fosse às seis da manhã, ficava a dormir sem problemas). O que me chateia é que, mais uma vez, depois desta dupla jornada vamos estar quatro meses sem Seleção - quatro meses esses que incluem inúmeras datas muito mais convenientes para mim.


 


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Este é apenas um exemplo do crónico problema de timing que a Seleção e eu temos. Outro exemplo é o facto de os campeonatos de seleções coincidirem sempre com épocas de exames. 


 


Hei de me desenrascar. Tal como disse antes, ninguém morrerá se não conseguir ver estes particulares. Em todo o caso, precisamente por causa desta viagem, devo voltar a condensar as análises dos dois jogos numa única crónica - e esta poderá vir atrasada. Além disso, as publicações na página do Facebook durante esses dias andaram um bocadinho desfasadas.


 


De qualquer forma, Fernando Santos disse que, para a Seleção, o Euro 2016 começou na sexta-feira passada, aquando da Divulgação desta última Lista. Não concordo - para mim, os campeonatos de seleções começam com a Convocatória Final - mas estamos sem dúvida a abrir um capítulo novo. Se queremos mesmo ganhar o Europeu (e Fernando Santos diz que quer), temos de aproveitar todas as oportunidades - que, nesta fase, não são muitas - para trabalhar nisso. Tudo isto - os problemas de timing, os jogos pouco interessantes, as ausências dos nossos jogadores preferidos) valerá a pena, não apenas se a alma não é pequena, mas também se chegarmos a França e deixarmos uma boa impressão. Até porque, se isto fosse sempre fácil, não teria a mesma piada.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O último passo

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Na passada quinta-feira, dia 8 de outubro, a Seleção Portugues de Futebol venceu a sua congénere dinamarquesa, uma vez mais por uma boa sem resposta, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato Europeu da modalidade. Esta vitória garantiu a Portugal o Apuramento direto para o Euro 2016 - o primeiro Apuramento direto desde 2007 e o primeiro Apuramento prematuro desde 2005. Dois dias mais tarde, a Seleção Portuguesa deslocou-se a Belgrado para defrontar a sua congénere sérvia, em jogo também a contar para a Qualificação, mas cujo propósito essencial foi cumprir calendário. Tal jogo terminou com uma vitória para a equipa visitante por duas bolas a uma.


 


Não vou falar muito dos jogos em si porque muitos aspetos, por esta altura, são repetições de outros jogos neste último ano. Começando pelo desafio contra a Dinamarca, Portugal esteve sempre muito pragmático, defendendo bem, arriscando só o essencial para, eventualmente, marcar um golo. Isto não é mau, funciona, garantiu-nos a Qualificação. Mas é aborrecido. Durante a primeira parte, os dinamarqueses estacionaram o autocarro em frente à sua baliza - como se o empate fosse um bom resultado para eles - de tal forma que o único remate de verdadeiro perigo que tivemos ocorreu aos trinta e oito minutos, quando Nani atirou à barra.


 


Na segunda parte, os dinamarqueses reentraram mais fortes no jogo, culminando numa bola enviada ao poste por Bendtner (esse tipo...), mas abriram as suas linhas e, ao fim de alguns minutos, Portugal estava de novo por cima. Fomos capazes de arriscar alguns remates - como o costume, falhámos algumas oportunidades flagrantes. Finalmente, João Moutinho - que se tornaria o herói desta dupla jornada - recebeu um passe infeliz de um dinamarquês, afastou dois adversários do caminho com um par de toques de classe e rematou certeiro para as redes.


 


É um pormenor engraçado que, perante uma equipa nórdica, de jogadores muito altos, tenha sido um "baixinho" a marcar.


 


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Este golo resolveu o jogo em termos práticos. Portugal não voltou a perder o domínio do jogo. Só nos últimos dez minutos é que os dinamarqueses tentaram mais a sua sorte, mas Rui Patrício - outro dos destaques desta dupla jornada - estava atento. No fim, conseguimos o ponto que nos faltava para a Qualificação, mais dois extra. Há um ano demos o primeiro passo para o Apuramento frente à Dinamarca. Este ano demos o último também frente à Dinamarca.


 


João Moutinho foi também herói no jogo com a Sérva, apesar de só ter entrado a meio da segunda parte. Só acompanhei a primeira parte desse jogo via rádio e nem consegui prestar muita atenção. Por uma vez, não tivemos de esperar muito tempo pelo golo. Nem cinco minutos. Nani marcou na recarga de um remate de Danny à figura do guarda-redes, depois de o jogador do Zenit ter deixado dois sérvios pelo caminho. 


 


Fiquei muito satisfeita por, depois de um ano meio apagado na Seleção, Nani ter voltado a marcar com a Camisola das Quinas. Ele sempre foi um dos meus favoritos, mas até eu começava a questionar a sua constante titularidade pela Seleção. Dá gosto estar errada nesse aspeto. Que não tenha sido uma vez sem exemplo, contudo!


 


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Se, ao que consta, durante a primeira parte Portugal conseguiu aguentar-se em bloco baixo, na segunda parte a pressão sérvia começou a fazer estragos na defesa portuguesa. Uma série de remates falhados e um golo anulado por fora-de-jogo deixaram claro que o golo sérvio não tardaria. E aos 66 minutos o barro, finalmente, colou.


 


Aí Fernando Santos percebeu que, daquela forma, não se ia a lado nenhum. Meteu o herói do jogo anterior, Moutinho Este deu uma de Ricardo Quaresma e, menos de dez minutos após a sua entrada, desbloqueou o nosso jogo com um golo espetacular.


 


E ainda dizem que a Seleção é Ronaldo-mais-dez... Nesta jornada dupla fomos mais Moutinho-mais-dez! Bem, não, que o Rui Patrício também nos livrou de uma série de golos sofridos.


 


O jogo ficou, ainda, marcado por uns momentos menos bonitos por parte dos sérvios, por acharem que Eliseu faz falta na jogada que culmina no golo (são capazes de ter razão...). Matic chegou mesmo a ser expulso. Não sei se justificava tanta agressividade num encontro em que tão pouco estava em jogo - sobretudo para os sérvios.


 


Em todo o caso, conseguimos aguentar a vitória naquele que foi o nosso último jogo da Qualificação para o Euro 2016. Foi a nossa sétima vitória seguida em jogos oficiais - um feito inédito no futebol português.


 


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Podem dizer o que quiserem, por esta altura. Podem dizer que, afinal, o Apuramento foi fácil, que era um grupo simpático, que o próprio esquema da Qualificação diminuiu a dificuldade, que não jogámos assim tão bem, que tivemos sorte. No entanto, sete vitórias seguidas não se desprezam em nenhuma competição. Podemos ter sido felizes em certos momentos, mas ninguém ganha sete jogos seguidos apenas com sorte. Mesmo se excluirmos os critérios mais permissivos desta Qualificação, continuam a ser sete vitórias em oito jogos, uma taxa de 87,5% de vitórias, o nosso melhor resultado de sempre em Apuramentos!


 



 


 Não me venham dizer que isto foi apenas sorte.


 


Eu, pelo menos, não esperava uma Qualificação assim, quase imaculada, há pouco mais de um ano, quando esta começou - no rescaldo do desastroso Mundial 2014, e sobretudo depois do começo em falso com a Albânia. Nessa altura, eu só pedia que fizéssemos o melhor possível com aquilo que tivéssemos. Não me queixaria muito enquanto ganhássemos os jogos. E a verdade é que foi assim - de vitória à rasca em vitória à rasca, três pontos de cada vez, que conseguimos um Apuramento quase perfeito. À semelhança do que Paulo Bento fez em 2010, Fernando Santos recuperou a Seleção, ainda que de uma forma diferente, quase sem darmos por isso.


 


Já que refiro Paulo Bento, quero fazer um desabafo à parte. Alguns dos elogios a Fernando Santos - incluindo alguns verbalizados por Cristiano Ronaldo - têm sido interpretados como indiretas ao antigo Selecionador. Por um lado é normal, aconteceu o mesmo durante os primeiros anos do mandato de Paulo Bento em relação a Carlos Queiroz. Já na altura me senti culpada, quando o Professor não fez nem metade do que o seu sucessor fez pela Seleção e reagiu com muito menos dignidade à troca de Selecionadores. Em ambos os casos os selecionadores demissionários foram diabolizados pela opinião pública, mas as críticas que têm sido feitas a Paulo Bento há muito que deixaram de ser justas. As pessoas esqueceram-se depressa do Euro 2012. 


 


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Dito isto, eu concordei com a saída de Paulo Bento, apesar de ter ficado triste. Acho até que ele devia ter sido mais cedo, logo a seguir ao Mundial 2014. Começo a perceber, aliás, que isto faz parte. A partir de certa altura, todos os Selecionadores acusam o desgaste e, quando isso acontece, rescindir pode ser a única solução. Aconteceu com Scolari, aconteceu com Queiroz, aconteceu com Paulo Bento. Também vai acontecer com Fernando Santos daqui a um ano, dois, três ou cinco. E também nessa altura as pessoas se esquecerão de tudo o que Fernando Santos fez, incluindo este Apuramento, preferindo fazer dele o engenheiro vilão. Por isso, não se comovam demasiado com os elogios que andam a fazer a Fernando Santos. Um dia, serão esquecidos.


 


Espero que esse dia venha longe, de qualquer forma. Fechemos esse àparte.


 


Um dos aspetos mais elogiados à Seleção de Fernando Santos tem sido a sua preserverança e maturidade. Agora não precisamos de jogar sempre bem para ganharmos jogos e se, por acaso, nos vemos em situações desfavoráveis - como, por exemplo, em ambos os jogos com a Sérvia - não perdemos a calma e acabamos por dar a volta à situação. Comparem isso com a parvoíce que reinou na Qualificação para o Mundial 2014 - se tivéssemos sabido jogar com mais sobriedade com a Irlanda do Norte, Israel (das duas vezes), talvez mesmo com a Rússia, teríamos poupado imensos anos de vida. E talvez tivéssemos evitado o massacre da Alemanha.


 


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Esta maturidade da Seleção Nacional é o que tem feito com que menos pessoas se riam de Fernando Santos quando ele diz que quer ser campeão europeu. Eu não quero ainda fazer prognósticos sobre o Europeu - não antes do sorteio, pelo menos - mas, tal como já fui dando a entender, no meu modesto ponto de vista, este pragmatismo será importante em jogos de grande calibre. Não acredito que seja suficiente - frente à França não o foi - mas definitivamente terá de ser um alicerce.


 


E poderá existir material para construirmos uma boa equipa para o Europeu. Temos uma nova geração de jogadores afirmando-se em diferentes clubes portugueses e internacionais e uns quantos veteranos, com óbvio destaque para Cristiano Ronaldo. 


 


Apesar de tudo, apesar de saber bem, por uma vez, termos evitado a calculadora, tenho uma certa pena de não termos playoffs, sobretudo quando as duas últimas edições foram tão emocionantes. Quem não se sente nem um bocadinho assim, que atire a primeira pedra. Também não me sinto particularmente entusiasmada com a perspetiva de oito meses sem jogos oficiais da Seleção. No entanto, os playoffs são sempre um risco. Se insistíssemos em brincar com o fogo em todos os Apuramentos, ainda nos queimávamos. 


 


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O que, neste momento, interessa é que estamos lá. Não falhamos uma fase final há quase dezoito anos, por muito que, por vezes, tentemos - tal como li no Twitter. Agora temos oito meses para nos prepararmos para o Europeu. Espero que a Federação não se demore a marcar e a anunciar uns quantos jogos particulares. Que sejam vários pois precisamos de treinar e... quero ter algo sobre que escrever aqui no blogue!


 


Enfim, mais um capítulo encerrado. A história a sério continua em maio.

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