terça-feira, 15 de novembro de 2016

Portugal 4 Letónia 1 - Dois minutos de susto

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No passado domingo, dia 13 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere letã por quatro bolas a uma, no Estádio do Algarve, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da Modalidade.


 


Olhando apenas para o resultado, ninguém diria que a Seleção Nacional se viu à rasca para ganhar à Letónia, em certos momentos. Ao contrário do que aconteceu nos dois jogos anteriores, Portugal não conseguiu marcar cedo e, como é frequentemente perante seleções como a letã, a coisa complicou-se. A primeira parte da Seleção foi sofrível, pastosa, fazendo lembrar vários jogos da Qualificação para o Euro 2016. A Letónia estacionara o autocarro frente à baliza e, ao contrário do que tinha acontecido com o português, este não tinha furos. O penálti, aldrabado por Nani, veio em boa hora - de outra maneira não íamos lá. Cristiano Ronaldo não desperdiçou. Mesmo assim, a vantagem no marcador não deu grande tranquilidade.


 


No início da segunda parte, pouca coisa mudou. A Seleção conseguiu cravar mais um penálti a seu favor, desta feita legítimo. Quando Ronaldo foi batê-lo, por acaso recordei-me de um jogo do Real Madrid, há tempos, em que ele tinha marcado um penálti e falhado outro. E, de facto, a história repetiu-se: a bola bateu primeiro no poste, depois no guarda-redes letão, e saiu para fora.


 


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Como qualquer adepto de futebol sabe, nestas situações, quem não marca, sofre. Numa altura em que Fernando Santos já tinha feito entrar Ricardo Quaresma, os defesas portugueses desentenderam-se e deixaram que Zjuzins rematasse para golo, conseguindo a igualdade.


 


O susto, felizmente, só durou um minuto ou dois. Logo de seguida, Quaresma assiste para a cabeça de William Carvalho, que remata para o seu primeiro golo com a Camisola das Quinas.


 


Só agora, no fim do jogo, é que os portugas acordavam para a vida - sobretudo depois da entrada de Gelson Martins. O Gelson é como a minha cadela, Jane: quando a solto para brincar com outros cães, ela dá-lhes energia, mete-os todos a correr. O Gelson faz o mesmo com os colegas de equipa, quando entra em campo.


 


Ainda houve tempo para Ronaldo se redimir do penálti falhado com um golo acrobático, após assistência, mais uma vez, de Quaresma. Mais tarde, seria Bruno Alves a marcar. É bem possível que a vantagem se dilatasse ainda mais se o jogo fosse mais comprido - de notar, aliás, que o árbitro escolheu terminar o encontro a meio de uma jogada de ataque de Quaresma. Não foi uma noite brilhante em termos de arbitragem.


 


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Em defesa dos jogadores, eles bem tinham passado a semana anterior a avisar que não ia ser fácil. Ao menos foram homenzinhos e, quando foi preciso, reagiram bem - algo que, conforme assinalaram aqui, é uma tradição do reinado de Fernando Santos. Por falar disso, este jogo lembrou-me vários outros, no Apuramento para o Euro 2016: exibições pouco entusiasmantes, Quaresma entra e ajuda a resolver com assistências. Isso não é uma crítica - conseguimos a nossa melhor Qualificação jogando assim. A diferença e que, agora, temos mais talento em campo, não nos limitamos a vitórias pela margem mínima - o que será importante para as contas do Apuramento.


 


Não houve brilhantismo mas o dever ficou comprido. Encerramos 2016 com uma vitória, tal como desejávamos.


 


Como já vai sendo hábito, esperam-nos, agora, mais de quatro meses sem jogos da Seleção. É muito tempo, muita coisa pode mudar até lá - no ano passado, por exemplo, foi tempo suficiente para promessas, como Gonçalo Guedes e Rúben Neves, perderem fulgor e para Renato Sanches surgir do nada  como o novo menino-bonito do futebol português.


 


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Este ano, porém, não me queixo muito - dá-me jeito uma pausa pois tenho sentido algum desgaste com este blogue. Por exemplo, demorei mais tempo do que o costume a escrever e publicar as duas crónicas anteriores a esta (fiz um esforço com este texto para não o arrastar demasiado). Não sei se é por andar com menos tempo para escrever, por estes jogos não serem assim tão interessantes, por o Euro 2016 ter esgotado toda a energia que costumo dedicar a este blogue. Em breve terei de começar a trabalhar na habitual revisão do ano (vai saber bem recapitular 2016) mas, depois disso, será bom não ter de escrever para este blogue durante uns tempos. É provável, no entanto, que daqui a uns dois ou três meses já ande doida com saudades da Seleção. Ao menos assim, quando estivermos em vésperas dos próximos jogos, saberei que recuperei a minha energia e estarei entusiasmada por votar escrever sobre a Equipa de Todos Nós.


 


Em todo o caso, a página do Facebook continuará no ativo durante estes meses, sempre atenta a tudo o que se relacione com a Seleção Nacional e com os seus jogadores. Não deixem de a visitar, se ainda não o fizeram.


 

sábado, 12 de novembro de 2016

Valores

 


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Na próximo domingo, dia 13 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá a sua congénere letã, no Estádio do Algarve, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade.


 


Fernando Santos apresentou os Convocados para este jogo na semana passada. Não há novidades, tirando a Inclusão de Luís Neto para substituir o lesionado e castigado Pepe. João Moutinho também falhou a Convocatória por motivos físicos.


 


Não há assim muito a dizer sobre esta fase do campeonato. A Letónia ocupa o quinto lugar da tabela classificativa do grupo B, com a penas uma vitória (frente à Andorra). O nosso historial frente a esta seleção é exemplar: quatro jogos, quatro vitórias. Só me recordo dos dois mais recentes, durante a Qualificação para o Mundial 2006. O primeiro, em setembro de 2004, teve um momento engraçado, quando uma mulher em cuecas invadiu o jogo, durante a segunda parte. Até Luiz Felipe Scolari, o Selecionador Nacional na altura, se riu. Coincidência ou não, poucos minutos mais tarde, Portugal marcou os dois golos da vitória, quase de seguida: o primeiro de Cristiano Ronaldo, o segundo de Pedro Pauleta. Nada como uma mulher nua para dar inspiração...


 


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O segundo jogo, em outubro de 2005, o último desse Apuramento, serviu apenas para cumprir calendário - a Qualificação havia sido selada no jogo anterior, frente ao Liechtenstein. Portugal ganhou por três bolas sem resposta - duas de Pauleta, uma de Hugo Viana. Foi, aliás, neste jogo que Pauleta ultrapassou o recorde de Eusébio. O açoriano foi o melhor marcador de sempre pela Seleção durante oito anos e meio até Cristiano Ronaldo arrebatar-lhe esse recorde.


 


Com tudo isto em conta, é pouco provável que a Letónia nos coloque muitos problemas, para além do habitual "autocarro" à frente da baliza. Portugal continua obrigado a ganhar para se manter na luta pela primeira posição na tabela, ocupada pela Suíça. É pouco provável que os suíços escorreguem nesta jornada, pois vão jogar com as Ilhas Faroé, em casa, onde bastante fortes - nós mesmos pudemos comprová-lo. Não há volta a dar, acho que vamos andar colados aos calcanhares suíços até os reencontrarmos no último jogo de Qualificação. Quem nos mandou adormecer à sombra da Henry Delaunay?


 


Tirando esse deslize, estamos prestes a encerrar o nosso melhor ano em termos de Seleção. Sagrámo-nos Campeões Europeus em julho e continuamos a colher os frutos. Cristiano Ronaldo está entre os finalistas tanto da Bola de Ouro como do Melhor Jogador do Ano da FIFA (prémios que, a partir de este ano, deixaram de ser um só). Não que outra coisa fosse de esperar - Ronaldo é convidado recorrente na cerimónia anual da FIFA desde 2009. No entanto, esta nomeação tem um sabor que mais nenhuma outra tem: por ter sido à custa, pelo menos em parte, do primeiro título da Seleção Portuguesa.


 


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Título esse que também possibilitou a Pepe e... a Rui Patrício serem nomeados para a Bola de Ouro. Destaco a nomeação do guarda-redes português, pois eu não estava à espera. Não que ache que não seja merecida - bem pelo contrário. É a confirmação do estatuto de Rui Patrício como guarda-redes de classe mundial - algo que eu há muito que sei que ele é, sobretudo depois da final de Paris.


 


Por sua vez, a nomeação de Fernando Santos para Treinador do Ano da FIFA era algo em que eu pensava já poucas semanas após o Europeu. No entanto, achava pouco provável, demasiado bom para ser verdade. Mas não é. Fernando Santos está entre os nomeados e consta que tem boas hipóteses. O Selecionador diz que esta nomeação é produto do trabalho, não só dele, mas também de inúmeras outras pessoas na Federação Portuguesa de Futebol, começando pelo seu presidente, e também que é um prémio "dos portugueses" , que é mais um reflexo de Portugal se ter sagrado Campeão Europeu.


 


Até a campanha de marketing da Federação, com o slogan "Não somos 11, somos 11 milhões", lançada em vésperas do Euro 2016, está nomeada para um prémio da UEFA. Se o mereceu é questionável, na minha opinião - conforme escrevi na altura, eu gostei, mas faltou-lhe um bocadinho de subtileza em certos momentos, sobretudo no que diz respeito ao Tudo o Que Eu te Dou, Somos Portugal. No entanto, cumpriu o seu objetivo, Portugal ganhou o Euro 2016. Tudo acaba por desaguar no nosso primeiro título.


 


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Gosto, aliás, de pensar que este título acabou por contagiar os restantes escalões das seleções portuguesa e vice-versa - 2016 está a ser um ano excelente para a Federação. Destaco a Seleção Feminina, que se Apurou pela primeira vez para o Europeu. Tentarei acompanhar esse campeonato, no próximo ano - já devia ter alargado os meus horizontes e dado atenção ao futebol feminino há mais tempo.


 


Estas nomeações todas confirmam o bom período de que falei antes. Neste momento, o meu desejo é encerrar 2016 com chave de ouro: ou seja, uma vitória que nos mantenha presos aos calcanhares suíços e à luta pelo primeiro lugar. Tal como nos jogos anteriores, mesmo que os Marmanjos falem em possíveis dificuldades, a vitória está perfeitamente ao nosso alcance, não há desculpas. 


 


O mundo extra-futebol está a mudar e não para melhor. Nos últimos dias, tenho-me agarrado à Seleção para não sucumbir ao desespero e ao cinismo. Quem segue este blogue há uns anos já saberá que vejo a Equipa de Todos Nós como uma fonte de consolo e de esperança. Na verdade, tenho vindo a vê-la como mais do que isso.


 


Numa altura em que o racismo e a xenofobia se estão a tornar mais comuns, a Seleção Portuguesa representa um país, é certo, mas é constituída por jogadores de várias origens: de Portugal Continental, das Regiões Autónomas, das PALOPs, filhos de emigrantes em França e na Alemanha, o filho de um brasileiro, um brasileiro naturalizado português (mas que ama Portugal e a Camisola das Quinas mais do que, se calhar, muitos portugueses nascidos cá), um cigano. E, dentro da Seleção, ninguém tem problemas com isso, a cor da pele não é um fator. (Isto, para mim, é uma noção básica de civismo, algo que devia ser a norma. Mas, infelizmente, muitos não pensam assim.)


 


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Numa altura em que um medíocre, filho de milionários, sem experiência nenhuma como político, é eleito presidente dos Estados Unidos, os jogadores da Seleção Portuguesa chegaram a onde estão sem favores, por mérito próprio, por diversas vezes construíram a sua carreira do zero. O nosso melhor jogador podia nem sequer ter nascido, passou fome e frio em miúdo, saiu de casa sozinho aos onze anos e, desde essa altura até hoje, sempre trabalhou mais do que qualquer um para chegar a onde está. Ainda continua a fazê-lo, mesmo sabendo que muitos o consideram o Melhor do Mundo.


 


O autor do golo que nos deu o primeiro título cresceu como um órfão, num lar de acolhimento, e teve dificuldades em estabelecer uma carreira como futebolista (quando estava no 12º ano, treinava sozinho todas as noites, mesmo que fizesse frio ou chovesse). Até há bem pouco tempo, era desprezado pela massa adepta. Ele mesmo calou-os a todos com um golo para a eternidade. Outro jogador de destaque na Seleção afirmou mesmo, numa entrevista, que o futebol o salvou do crime, da droga, mesmo da more. Tudo o que eles têm hoje devem-no a eles mesmos.


 


Adicionalmente, já ficou mais do que provado que, como grupo, são exemplares, sobretudo como se viu no Europeu. Momentos como o Ronaldo chamando o João Moutinho para os penálties frente à Polónia; Bruno Alves indo ter com o Ronaldo, enquanto este era levado de maca para os balneários; este último andando entre os colegas entre os colegas antes do prolongamento e no intervalo deste para lhes dar força; dizendo ao Éder que ele marcaria o golo da vitória; mais tarde, já depois do golo, enviando Raphael Guerreiro de volta para o campo, depois de ele se ter magoado; oferecendo a Bota de Prata a Nani, já no fim do jogo. Juntem a isto os momentos de cumplicidade e brincadeira que vemos em quase todos os estágios, a recente troca de partidas entre Ronaldo e Quaresma


 


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Eu sei que parece estranho estar a falar disto agora, mas eu nunca precisei mais de fazê-lo. Numa altura em que, no outro lado do oceano, o medo, o ódio, o elitismo, a ignorância venceram, é mais urgente do que nunca agarrarmo-nos aos valores que os jogadores da Seleção seguem: respeito, cooperação, solidariedade, trabalho, fé, humildade, perseverança. Eu sei que isto é um bocadinho ingénuo mas, numa altura em que o futuro parece tão sombrio, preciso de algo, por pequeno e fútil que seja, que me faça acreditar nas melhores facetas da Humanidade. 


 


Felizmente, o futebol já começou a reagir ao que aconteceu e não desiludiu.


 


O tempo dirá quais serão as consequências dos eventos da semana que termina agora. Não me vou alongar mais sobre isso, que este é um blogue sobre futebol. Procuro sempre não perder a noção de que o futebol é apenas um desporto, um entretenimento. No entanto, acredito que se mais instituições funcionassem como a Seleção, se mais pessoas seguissem o exemplo dos nossos jogadores, o Mundo seria um lugar muito melhor.

domingo, 16 de outubro de 2016

À dúzia é mais barato

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Na passada sexta-feira, dia 7 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere andorrenha por seis bolas sem resposta, num encontro que teve lugar no Estádio de Aveiro. Três dias depois, a Seleção Nacional deslocou-se às Ilhas Faroé, tendo vencido a seleção da casa pelo mesmo resultado, perfazendo um total de doze golos nesta dupla jornada (bem diz o povo, "à duzia é mais barato"). Ambos os encontros contaram para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade.


 


Conforme escrevi na entrada anterior, os adversários desta dupla jornada eram pouco estimulantes, mas a Seleção Portuguesa levou ambos os jogos a sério. No jogo com a Andorra, para começar, Cristiano Ronaldo marcou dois golos logo nos primeiros três minutos - uma altura em que eu ainda nem estava bem em modo de jogo. O primeiro golo teve piada, pois Ronaldo tinha sido derrubado, estava provavelmente preparando-se para pedir penálti, mas ao ver o guarda-redes defendendo para a frente, levantou-se, rematou e marcou, como se nada fosse. No segundo golo, foi Ricardo Quaresma a assistir e Ronaldo a cabecear para a baliza. Dizem que foi o bis mais rápido de sempre na História da Seleção Nacional.


 


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Como acontece frequentemente quando uma vantagem é conquistada cedo, a Seleção adormeceu um bocadinho à sombra dela durante cerca de meia hora. Não que a Andorra tivesse pernas para se aproveitar disso. Assim, o 3-0 acabou por chegar pouco antes do intervalo, fruto de um remate rasante de João Cancelo.


 


A Seleção (que deve ter levado nas orelhas por Fernando Santos, ao intervalo) foi mais consistente na segunda parte. Poucos minutos após o regresso ao campo, André Silva assistiu para Cristiano Ronaldo, que rematou diretamente para as redes andorrenhas. O golo seguinte foi parecido - desta feita, foi executado após um desvio de José Fonte. Ronaldo fazia, assim, o seu primeiro póquer com a Camisola das Quinas (feito só antes conseguido por Eusébio, Nuno Gomes e Pauleta).


 


Depois desta, pareceu que os próprios companheiros de equipa quiseram ajudar Ronaldo a conquistar uma inédita mañita ao serviço da Seleção. No entanto, o Capitão começou a sentir dores e começou a recuar no campo, não fosse o Diabo tecê-las. Houve tempo, mesmo assim, para mais um golo, assinado por André Silva, perto do fim, após uma defesa incompleta do guarda-redes andorenho, na sequência de um livre.


 


No fim deste jogo, muitos diziam que Portugal devia ter marcado mais golos, já que o mais certo é continuarmos atrás da Suíça até ao fim da Qualificação. Quase todos temiam que as Ilhas Faroé nos pusessem mais dificuldades. A final, os faroenses ainda não tinham sofrido golos na Qualificação até àquele momento, tinham ganho à Letónia e empatado com a Hungria (estavam à nossa frente na tabela classificativa) e o estádio deles tinha um relvado sintético - sempre problemático.


 


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Eu, aliás, acompanhei o pré-jogo do encontro de segunda-feira e a conversa dos comentadores sobre a Suíça, os golos por sofrer das Ilhas Faroé, o relvado sintético, conseguiu deixar-me nervosa. Isso, felizmente, não demorou muito tempo a passar. Doze minutos depois do apito inicial, quando André Silva marcou, na sequência de uma jogada conjunta entre ele, João Mário e Cristiano Ronaldo. O segundo golo, dez minutos mais tarde, também começou com João Mário. Este passou para Quaresma, que tentou rematar. O guarda-redes defendeu para a frente e André Silva aproveitou. O terceiro golo também foi consequência uma defesa incompleta. Desta feita, André Silva passou a bola a João Cancelo, que fez o primeiro remate, antes do ponta-de-lança concluir a jogada. André Silva concluía, assim, o seu primeiro hat-trick vestindo a Camisola das Quinas - no seu quarto jogo. Ele podia até ter chegado ao póquer. Imagino a azia do Cristiano Ronaldo se o recorde só tivesse durado três dias, obra de um puto que ainda não tem vinte e um anos! 


 


Não me admiraria, aliás, sé o facto de o André Silva estar a açambarcar a glória toda naquela noite tiver sido o motivador para o golo de Ronaldo (que, antes disso, parecera pouco inspirado), na segunda parte, após uma deliciosa troca de bola com João Mário.


 


Quando, algum tempo depois, a Seleção abrandou um pouco o jogo, Gelson Martins entrou em campo e acelerou de novo as coisas. Os resultados, contudo, só se manifestaram depois dos noventa, com as assistências para os dois últimos golos da partida: o primeiro de João Moutinho, o último de João Cancelo.


 


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Com estes resultados, Portugal ascendeu ao segundo lugar da tabela classificativa - com Suíça ainda três pontos acima. Estamos num bom caminho. Atrevo-me, aliás, a afirmar que este é o melhor período da Seleção em anos. Somos Campeões Europeus. Temos múltiplas soluções de qualidade para quase todas as posições (a única exceção são defesas centrais) em absoluto contraste com a situação de há três ou quatro anos. Isto deve-se muito ao trabalho da FPF na formação, com destaque para Rui Jorge, fulcral para a geração de jovens jogadores que começa, agora, a dar cartas. Alguns já jogam pela Seleção há algum tempo e foram Campeões Europeus, alguns chegaram mesmo agora, alguns ainda estão por Convocar.


 


André Silva é o exemplo do momento: o Hélder Postiga e o Hugo Almeida que me perdoem; Éder, adoro-te, terás sempre Paris; mas não tínhamos um ponta-de-lança matador há anos e anos e, meu Deus, as saudades que eu já tinha! A sua parceria com Cristiano Ronaldo poderá vir a dar-nos muitas alegrias. Também João Cancelo dá ótimas indicações - três golos em três jogos é muito bom registo para um avançado, façam as contas para um lateral-direito! O Cédric que se ponha a pau. Temos, ainda, o João Mário, cujo génio ajudou Portugal a conquistar o seu primeiro título e, agora, anda a dar cartas no Inter de Milão; o meu menino de ouro Raphael Guerreiro, o Renato Sanches, o Bernardo Silva, o Gelson Martins, entre muitos, muitos outros.


 


Parte-me o coração pensar que jogadores que cresceram comigo - o Cristiano é o exemplo mais flagrante, mas também falo do Nani, do Ricardo Quaresma, do João Moutinho, do Pepe, do Bruno Alves - já não terão muitos anos com a Camisola das Quinas e que, um dia, teremos de nos despedir deles. No entanto, com esta nova geração, cheia de promessas, acredito que a Equipa de Todos Nós ficará bem entregue, quando a altura chegar. Também acredito que, se as coisas continuarem a correr assim, mais cedo ou mais tarde voltaremos a ganhar um título. 


 


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Não garanto, no entanto, que este otimismo todo não tenha sido exacerbado pelos doze golos marcados nesta dupla jornada. Como sempre, prefiro ir encarando uma coisa de cada vez. Temos ambições, sim, e qualidade que as justifiquem, mas só poderemos lutar pelo título no Campeonato do Mundo se nos Apurarmos para o mesmo Não convém esquecer que este ainda agora começou e já temos uma escorregadela para corrigir. Eu, porém, gosto sempre de recordar as situações mais complicadas que conseguimos reverter. E, apesar de me esforçar por manter os pés assentes na terra, acho que nunca estive tão crente num futuro risonho para a Equipa de Todos Nós.


 


A ver se tenho razão.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Parte do processo

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Na próxima sexta-feira, dia 7 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol enfrentará a sua congénere... (*consulta o Google*) andorrenha, no Estádio de Aveiro. Três dias mais tarde, deslocar-se-á às Ilhas Faroé para defrontar a seleção local. Ambos os jogos contam para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar na Rússia, em 2018.


 


Fernando Santos divulgou os Convoccadors para esa dupla jornada na passada quarta-feira. Nas novidades inclui-se a Chamada de Marafone e os regressos de Cristiano Ronaldo e Renatos Sanches, ausentes da última dupla jornada por lesão. Quem também regressou, desta feita após ausência prolongada, foi Antunes para o lugar de Eliseu, que não tem jogado no Benfica. Acredito, no entanto, que Raphael Guerreiro continuará a ser titular, sobretudo tendo em conta que este está a passar uma excelente fase no Borussia Dortmund. Este, aliás, tem alinhado em diferentes possições para além de lateral esquerdo - como médio-esquerdo ou mesmo jogando em terrenos mais interiores. O seu treinador no Dortmund, Thomas Tuchel, afirmou mesmo há uma semana ou duas que Guerreiro é demasiado talentoso para se limitar a uma posição. Não sei o que Fernando Santos pensa disso, se também vai tentar pôr Guerreiro a jogar como médio (eis uma boa pergunta para as próximas Conferências de Imprensa). Acho pouco provável, pelo menos nesta altura. De médios estamos bem servidos; bons laterais-esquerdos, por outro lado, são tradicionalmente difíceis de encontrar para a Seleção.


 


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Outras novidades na Convocatória incluem as Chamadas à última hora de Nelson Semedo e Pizzi, para substituirem os lesionados Cédric e Nani, respetivamene. A maior novidade é, contudo, a estreia de Gelson Martins nas Convocatórias, o mais recente menino-bonito do campeonato português. Eu, à semelhança de muitos, apaixonei-me pelo jovem jogador depois de vê-lo no jogo da Champions contra o Real Madrid (a sério, olhem-me para isto!) e já andava antes a dar cartas na Seleção Sub-21. Jovens talentosos como ele são sempre bem-vindos à Seleção. Mais especificamente, Fernando Santos afirmou que a capacidade ofensiva de Gelson, capaz de causar pesadelos aos defesas mais experientes, vai dar jeito perante os nossos próximos adversários, que deverão jogar mais em bloco baixo.


 


Falemos sobre esses adversários, a propósito. Ambas são seleções de microestados (não sei se as Ilhas Faroé possuem essa designação oficial. mas tendo em conta que, segundo a Wikipédia, a população faroesa não chegaria para esgotar a lotação do Estádio de Alvalade, para os efeitos deste texto,  consideraremos as Ilhas Faroé um microestado). Não jogamos com a Andorra desde 2001 e, naturalmente, ganhámos sempre por mais de três golos de diferença. Com as Ilhas Faroé só jogámos uma vez: em agosto de 2008, na estreia de Carlos Queiroz. Ganhámos por 5-0. Só me lembro muito vagamente desse jogo: acho que o Deco marcou o primeiro golo, o Simão marcou um dos outros. Estas são o tipo de equipas que a Federação convida para particulares quando quer elevar a auto-estima da Seleção com uma vitória fácil - fê-lo, por exemplo, antes do Europeu. O facto de, desta feita, as vitórias nos darem três pontos junta o útil ao agradável. 


 


Em teoria, pelo menos. É do conhecimento geral que a Turma das Quinas, às vezes, atrapalha-se perante facilidades (vejam o que aconteceu no grupo do Euro 2016). Penso, contudo, que desta vez não haverá escorregadelas. Como disse Fernando Santos, a época já começou há algumas semanas, logo, os jogadores terão mais ritmo de trabalho que na jornada anterior. Além disso, a derrota na primeira jornada deu-nos uma dose saudável de adrenalina para o resto da Qualificação - adrenalina sem a qual, pelos vistos, a Seleção não consegue viver. Não há desculpas, vamos ter de ganhar estes jogos se queremos um Apuramento sem complicações.


 


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Não tenho muito mais a dizer sobre estes jogos. Estão longe de ser os mais interessantes - e, infelizmente, esta deverá ser a regra durante a maior parte do Apuramento. Não me queixarei enquanto a Equipa de Todos Nós fizer o que lhe compete. Há já quem fale em ganhar o Mundial, como o próprio Cristiano Ronaldo. Jogos como estes, quer para a Qualificação quer meros particulares, podem ser pouco apelativos, mas fazem parte do processo, do crescimento da equipa, da preparação da mesma para que possamos voltar a realizar sonhos como esse. 


 


Continuem a acompanhar esse processo comigo aqui no blogue e na página de Facebook.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Suíça 2 Portugal 0 - Toblerone envenenado

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Na passada terça-feira, dia 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol foi derrotada por duas bolas sem resposta, no Estádio St. Jakob-Park em Basileia, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar na Rússia em 2018.


 


Aquando deste jogo, estava de férias no estrangeiro. Felizmente, conseguimos ver o jogo através da Internet. A nossa ideia era ver através do site da RTP mas o canal não tinha direitos para transmitir o jogo online (como é que os emigrantes veem o jogo?). Tivemos de ser Inácios. A qualidade da imagem era baixa mas, felizmente, não houve interrupções na transmissão.


 


Não que tenhamos gostado particularmente de ver o jogo. Portugal até entrou bem, com vontade de comandar. Aos cinco minutos já contávamos dois remates à baliza helvética. Um deles foi de Éder e, por sinal, foi uma jogada parecida àquela que nos deu a Henri Delaunay (pena ter sido ao lado...). Um bom motivador terá sido o público português presente, que fizera o Hino Português ecoar por todo o St. Jakob-Park e, agora, faziam a banda sonora com "Campeões, Campeões" e "É Portugal"..


 


No entanto, as boas intenções não passaram disso pois, em menos de dez minutos, Portugal sofreu dois golos. O primeiro, aos 23 minutos, surgiu na sequência de um livre. Rui Patrício defendeu para a frente, a bola foi parar a Embolo que, na recarga, não falhou. Sete minutos mais tarde, num lance de contra-ataque suíço, os portugueses não acordaram a tempo e Patrício teve de ir buscar a bola ao fundo da baliza outra vez.


 


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Não chegaram a ser dez minutos de "deslumbramento", como apelidou Fernando Santos, menos de um décimo do tempo de jogo, mas foi o suficiente para nos enfiarmos num buraco do qual já não conseguimos sair. A Seleção até ficou melhor organizada na segunda parte, com as entradas de André Silva, João Mário e Ricardo Quaresma. Porém, nesta altura, a Suíça fez o mesmo que Portugal fizera durante o Europeu: pôs-se à defesa. Tivemos uma daquelas típicas e super irritantes ocasiões em que a bola não quer entrar (eu pensava que já tínhamos passado essa fase, com o Europeu). É quase caricata, a maneira como provámos do nosso próprio veneno, como o Pouco Importa se voltou contra nós. O jogo acabou sem que se conseguíssemos sequer reduzir a desvantagem.


 


Não existem ainda motivos para colocar tudo em causa, como dizia Paulo Bento. Todos nós sabemos perfeitamente que esta não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que tropeçamos nas primeiras jornadas de uma Qualificação e não será, de certeza, a última. Esta nem sequer é a situação mais dramática: foi a primeira derrota em jogos oficiais em dois anos, acabámos de nos sagrar campeões da Europa, logo, em princípio, não será preciso correr com o Selecionador. Além disso, a Suíça é um adversário com quem Portugal tem, historicamente, sentido dificuldades; é o mais difícil do grupo, tirando, talvez, a Hungria. Tirando estes dois, os restantes constituintes do grupo de Qualificação - Letónia, Andorra, Ilhas Faroé - em princípio, não nos colocarão dificuldades. Tudo isto é um progresso relativamente ao nosso último grande tropeção. Podemos perfeitamente resolver este imbróglio.


 


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Dito isto tudo, esta derrota não deixa de ser um enorme balde de água fria, depois de termos passado os últimos quase dois meses nas nuvens, com o nosso primeiro título. Nem sequer é a primeira vez que a Seleção tropeça quando anda de ego inchado. E tendo em conta que metade do mundo futebolístico continua a questionar a justiça da nossa vitória em Paris e um dos nossos adversários disse que tivemos sorte no Europeu, eu não queria, de todo, dar-lhes mais argumentos perdendo o nosso primeiro jogo oficial depois do Euro (o que vale é que a França também não começou bem esta Qualificação, logo, não deverão implicar connosco... por agora).


 


Não que tenhamos alguma coisa a provar. Tivemos sorte no Europeu, sim, com aquele golo islandês que nos facilitou o caminho para a final de Paris, mas foi uma compensação por inúmeras participações em Europeus e num Mundial nos últimos dezasseis anos (em que até jogávamos mais bonito) em que "faltou sempre a estrelinha para ficarmos em primeiro". Nós éramos a seleção com melhores participações em Europeus sem nunca termos ganho o título, por amor da Santa! Éramos, literalmente, os campeões das vitórias morais (que, como gosto de dizer, "não têm arte nem engenho"). Podemos ter tido sorte no caminho para a final, mas na final em si não a tivemos. Perdemos cedo o nosso melhor jogador, que por sinal é um dos melhores de todos os tempos (já tinha referido que temos o Melhor do Mundo a jogar por nós há mais de doze anos?) e tivemos de fazer das tripas coração para aguentar os franceses, que pressionavam e jogavam sujo. Uma equipa com menos alma teria sucumbido. Nós não. E não foi por sorte.


 


Mesmo não tendo em consideração o que escrevi acima, a Taça continua em Portugal e por cá ficará até 2020. E isso é que ficará registado na História do futebol. Além do mais, mesmo que Portugal tivesse "jogado bonito" no Europeu, logo, merecido a vitória segundo esses critérios, continuaríamos a ser criticados. Sobretudo pelos franceses, que sempre nos trataram com desdém.


 


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Enfim, perdoem-me este aparte. Vocês sabem como eu às vezes levo criticas à nossa Seleção demasiado a peito. Dizia eu que é uma pena não termos conseguido prolongar o estado de graça. Mas não vou criticar demasiado duramente uma equipa que fez quase tudo bem durante quase dois anos. Fernando Santos garante que a Seleção ganhará os jogos que faltam. Tendo em conta que o Selecionador já garantiu coisas mais absurdas, como que Portugal ganharia o Europeu, mesmo após um par de jogos mal conseguidos na fase de grupos, não tenho motivos para duvidar dele. Continuarei a saborear o estatuto de Campeões Europeus, a cantar o This One's For You, o We Are the Champions e o Pouco Importa, a emocionar-me como vídeos como este


 


Mas é bom que a Seleção não torne a escorregar.

domingo, 4 de setembro de 2016

Portugal 5 Gibraltar 0 - Treino com adrenalina

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Na passada quinta-feira, dia 1 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere gibraltina por cinco bolas sem resposta, em jogo de carácter amigável, realizado no Estádio do Bessa.


 


Adianto, desde já, que não prestei muita atenção ao jogo, sobretudo na primeira parte. Tinha dormido mal na noite anterior e passei o dia inteiro com dores de cabeça. Não muito fortes, mas o suficiente para não me deixarem concentrar devidamente no jogo.


 


Não que este tenha sido muito interessante, pelo menos no início. Como seria de esperar, o jogo teve sentido único. O Eduardo só foi chamado à ação perto do fim da segunda parte e mesmo assim não eram situações de perigo. Podia ter ficado a jogar Candy Crush na baliza, que não faria diferença. No entanto, de uma maneira muito típica, a Seleção Portuguesa teve dificuldades em acertar na baliza, desperdiçando diversas oportunidades. Campeões Europeus e tal, mas há coisas que nunca mudam, pelos vistos. Éder falhou um par de golos, incluindo um de baliza aberta, e eu não quero de todo estar a dizer algo como “O Éder sendo o Éder outra vez”, por motivos óbvios, mas… Ao menos o público do Bessa, benevolente com o herói da final do Europeu, aplaudiu-o aquando dessa falha. Há bem pouco tempo a reação seria diferente… mas esta ajuda mais.


 


O primeiro golo português surgiu aos vinte e sete minutos, dos pés de Nani após passe de Bruno Alves. Um golo que teve direito a celebração com um mortal. É uma pena que Nani não tenha comemorado nenhum dos seus golos no Europeu da mesma forma… mas compreende-se a cautela, depois da traumática exclusão do Mundial 2010.


 


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Nani voltaria a marcar na segunda parte, quando Adrien, André Silva é Bernardo Silva já estavam em campo. Foi, aliás, o último quem centrou para Nani, que cabeceou para o seu segundo golo da noite. O Marmanjo já está perfeitamente à vontade no papel de Capitão, de líder da Equipa das Quinas, no lugar de Cristiano Ronaldo. Já conta dez anos vestindo a Camisolas das Quinas, tem marcado bastante pela Seleção este ano e eu não podia estar mais orgulhosa. Sobretudo tendo em conta que se tornou Campeão Europeu.


 


O terceiro golo das cores lusitanas teve a participação dos dois estreantes da dupla jornada. André Silva recebeu a bola na grande área gibraltina, passou-a a João Cancelo, que rematou num ângulo difícil, mas a bola entrou.


 


O golo de Bernardo Silva foi marcado quase por acaso. O Marmanjo recebeu uma bola perdida pelos gibraltinos na sua grande área. Fez um remate fraco, mas o modesto guarda-redes de Gibraltar chegou tarde. A bola passou por baixo dele, cruzando a linha de baliza. Bernardo nem sequer festejou muito pois o golo foi mais demérito do pobre guarda-redes que mérito dele.


 


Bernardo, de qualquer forma, ainda teve tempo para assistir para o último golo da noite: um centro perfeito para a careca de Pepe, que cabeceou para as redes gibraltinas, fazendo o resultado.


 


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Não há muito mais a dizer sobre este jogo. Portugal cumpriu a sua obrigação. O melhor resultado obtido por Gibraltar, até ao momento, foi uma desvantagem de quatro golos - ganhar por menos do que isso teria sido inglório. Podíamos até ter saído do Bessa com um resultado ainda mais generoso não fosse a aselhice típica dos portugas. Todos os Marmanjos estiveram bem mas de resto, com o devido respeito pelos gibraltinos, perante Gibraltar até as nossas avozinhas fariam boas exibições.


 


Fernando Santos tem perfeita noção disso e não o escondeu. Conforme declarou no rescaldo do jogo, este particular não foi mais do que um treino com mais adrenalina que o habitual. Não prova nada para o jogo com a Suíça. Serviu, no entanto, para dar algum ritmo a Marmanjos com pouco tempo de jogo nos respectivos clubes, o que é importante nesta fase do campeonato.


 


Terça-feira, em Basileia, será completamente diferente. Será a contar para a Qualificação para o Mundial 2018 e todos concordam que será, provavelmente, o jogo mais difícil. A Suíça é o adversário mais cotado do grupo, fora nós, e têm fama de serem fortes em casa. Por esse prisma, um empate talvez não fosse um resultado muito mau. No entanto, estando nós ainda a saborear o delicioso estatuto de Campeões Europeus, ninguém quer outra coisa que não seja a vitória. E é, conforme escrevi na entrada anterior, gostei de ver a Seleção Apurando-se em primeiro lugar para o Euro 2016 e quero repetir a dose.


 


Continuem a acompanhar esta degustação aqui no blogue e na página do Facebook.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Em Celebração

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Na próxima quinta-feira, dia 1 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe a sua congénere... (*pesquisa no Google*) gibraltina, no Estádio do Bessa, em jogo de carácter amigável. Cinco dias mais tarde, a Seleção Campeã Europeia (sabe tão bem escrever isto) desloca-se a Basileia, na Suíça, onde se estreará na Qualificação para o Campeonato Mundial da modalidade.


 


Estes serão os primeiros jogo que Portugal disputará na condição de Campeão Europeu. A Federação Portuguesa de Futebol não tenciona deixá-lo passar em claro. Para começar, fartou-se de publicitar o jogo (com a típica falta de subtileza dos últimos tempos), colocando pessoas como Rui Reininho e Delfim a chamar os adeptos ao Bessa. Depois, deu aos detentores de ingressos o privilégio de tirar uma fotografia ao lado da Henri Delaunay (espero que isso se torne norma nos próximos jogos em casa da Seleção, que eu também quero!!). Pelo meio, o Presidente da República vai receber os Campeões Europeus... outra vez... no Salão Nobre da Câmara do Porto, para receberem as insígnias da Ordem de Mérito.


 


Isto tudo pode parecer excessivo, mas, nas palavras de Cristiano Ronaldo, que se f***! Esperámos anos e anos (décadas e décadas, no caso de adeptos mais velhos) por esta Taça. Agora que, finalmente, a ganhámos, temos o direito de celebrá-lo tanto quanto quisermos. Eu, pelo menos, tenho feito isso à minha maneira (começando pelo meu outro blogue). Tenciono continuar a fazê-lo no mínimo até ao próximo Europeu... mas fá-lo-ei provavelmente para o resto da minha vida.


 


É bastante óbvio que a seleção gibraltina foi escolhida a dedo precisamente para permitir uma vitória fácil (tipo Estónia), para que o jogo particular possa ser uma celebração da vitória na final do Euro 2016. E ainda que seja esse o plano, na prática, a Seleção tem um historial de se atrapalhar em jogos desse género, sobretudo quando tem o ego inchado. Espero bem que isso não se verifique nesta dupla jornada, que seria um enorme balde de água fria. Em todo o caso, servirá sempre para dar minutos a jogadores menos utilizados, como já é da praxe.


 


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A verdade é que Gibraltar está mais ou menos ao nível de vários dos nossos adversários na fase de Qualificação que começa agora. Isso, na verdade, desilude-me um bocadinho: este grupo é uma seca! Quem é que quer esperar semanas ou meses, como costumo fazer, por jogos contra a Andorra ou as Ilhas Faroé? Além de que, por norma, Portugal não se dá bem perante teóricas facilidades. Basta olharmos para o grupo do Euro 2016 que, teoricamente, era muito fácil, mas em que tivemos o pior desempenho de que me recordo numa fase de grupos (ironicamente, depois tornámo-nos campeões...).


 


Por outro lado, desta feita, voltamos às regras antigas, ou seja, só o primeiro lugar se Apura diretamente o segundo tem de ir a playoffs (isto se não for o pior de todos os grupos), o que significa que, desta vez, não vai dar para ir lá só com empates ou quase. Fernando Santos já disse que o objetivo é o primeiro lugar e espero bem que isso seja cumprido. Gostei muito de ter tido um Apuramento quase só com vitórias, agora quero repetir a dose. Temos tudo para isso, na minha opinião.


 


Por sinal, começamos com um dos adversários mais difíceis, a Suíça. O nosso historial com esta seleção não é favorável. A última vez que nos cruzámos foi no grupo do Euro 2008 e perdemos - não que isso tenha tido grande importância, uma vez que já estávamos apurados para os quartos-de-final. Não me lembro de quase nada desse jogo, tirando o que escrevi na altura, no blogue. 


 


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Tenho vindo a aperceber-me, de resto, que o Euro 2008 é capaz de ter sido o campeonato mais esquecível do milénio. Ganhámos os dois primeiros jogos, Luiz Felipe Scolari disse que se ia embora, perdemos os outros dois jogos, fim de história. De qualquer forma, para mim terá aquele travo especial por ter sido o campeonato em que me estreei com esse blogue. Ando a descobrir, aliás, que estas coisas vão acontecendo no tempo certo.


 


Mas estou a desviar-me do assunto. O importante é que, apesar do historial, considero que a Suíça está ao nosso alcance. Nem que seja pela lógica de "somos os Campeões da Europa. A Suíça pertence à Europa. Logo, vamos ganhar à Suíça!" (claro que, na prática, as coisas não são bem assim). Não que ache que vão ser só facilidades. Até porque, apesar da Convocatória não se desviar muito da do Europeu, numa interpretação flexível da máxima "Em equipa que ganha, não se mexe.", temos algumas baixas importantes, como Renato Sanches e Cristiano Ronaldo. No entanto, também temos o regresso de Bernardo Silva e as estreias de João Cancelo e de André Silva, o mais recente menino-bonito do campeonato português, que muitos diziam que merecia ter ido ao Euro (a ver se ele é essa Coca-Cola toda...). Não há desculpa para não trazermos os três pontos de Basileia.


 


Para ser sincera, ainda não mudei o chip para a Qualificação para o Mundial 2018. Ainda me sinto no rescaldo da nossa épica vitória no Euro 2016. Parte de mim tem pena de publicar uma nova entrada aqui no blogue, que o texto sobre a final não seja o mais recente aqui do estaminé. Que o feito mais recente da Seleção vá deixar de ser a conquista do Europeu. Mas só em parte. Há já quem fale do título Mundial, mas eu acho que ainda é cedo para se pensar nisso - até porque ainda temos a Taça das Confederações antes (porque ninguém fala dela, cá em Portugal?). Uma coisa já sei, no entanto: não quero que a Seleção seja uma One-Hit Wonder. Vou querer mais títulos, mais cedo ou mais tarde. 


 


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De qualquer forma, grandes equipas, grandes conquistas, constroem-se passo a passo. E os primeiros incidentes do capítulo novo da história da Equipa de Todos Nós, que abrimos agora, serão os jogos com Gibraltar e a Suíça. Que comecemos com o pé direito.


 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Portugal 1 França 0 - Quebrando todas as maldições

 


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Há dez anos, no dia 9 de julho de 2006 - uma manhã de domingo de verão, um calor insuportável - eu estava no Estádio Nacional, no Jamor, juntamente com a Seleção em peso e milhares de adeptos equipados a rigor. Sentia-me feliz por estar ali, mas também me sentia prestes a desmaiar, com aquele calor desértico (costumo dizer que, nesse dia, dava para fritar ovos nas bancadas). Acabei mesmo por ter uma quebra de tensão. Não sem antes ouvir o Selecionador da altura, Luiz Felipe Scolari, dizendo:


 


- Vocês são os campeões do carinho e do sentimento. Não deixem de acreditar! Alegrem-se com este quarto lugar no Campeonato do Mundo e acreditem que, um dia, pode ser que breve, estaremos aqui para comemorar uma grande vitória.


 


Scolari deixaria, dois anos mais tarde, o lugar de Selecionador (mas continua, até hoje, a sofrer à distância), mas eu fiz o que ele disse. Não tenho feito outra coisa, no que toca à Seleção. Cerca de um ano depois daquela manhã de domingo, tive a ideia de criar um blogue, onde pudesse escrever sobre a Equipa de Todos Nós. Menos de um ano mais tarde, criei-o. E hoje, doze anos após o Euro 2004, dez anos após o Mundial 2006, oito anos após inaugurar O Meu Clube é a Seleção, é com um orgulho indescritível que escrevo: Portugal conquistou o seu primeiro título como Seleção A. A Seleção Portuguesa de Futebol é campeã da Europa.


 


Alerta: neste texto, não vou ser muito simpática para o povo francês, o que não significa, de todo, que não esteja solidária para com eles, à luz do recente atentado terrorista em Nice. Antes de ser adepta de futebol e mesmo portuguesa, sou ser humano, cidadã do Mundo e repudio todo o tipo de violência. Todas as críticas que tecer aqui limitam-se ao espectro futebolístico. 


 


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Sonhei com uma noite como a de domingo, dia 10 de julho, durante muitos anos. Cheguei a passar para o papel essas fantasias, embora não as tenha partilhado com ninguém. A realidade, no entanto, foi melhor que a imaginação. Duvido que alguém tenha imaginado que Portugal conquistaria o seu primeiro título desta forma: na casa do seu adversário, adversário esse que não vencia há mais de quarenta anos; com o seu Capitão e melhor jogador saído do jogo, de maca; com um golo do ponta-de-lança em quem quase ninguém acreditava.


 


Têm sido uns dias loucos, sobretudo o dia da final e o que se seguiu. Foi em parte por isso que demorei tanto tempo a escrever este texto. Passei o domingo inteiro na página de Facebook do blogue partilhando pequenos textos de motivação, música, vídeos, tudo o que me ocorreu, as minhas armas todas. Aproveito, aliás, para agradecer ao Sapo Blogs por ter destacado o meu texto anterior durante o domingo todo, até à hora da final. À medida que a hora do jogo se aproximava, os nervos iam apertando, em jeito de antecipação do sofrimento que seria. Na última meia hora antes, já respondia torto a toda a gente.


 


Mesmo a condizer com o meu humor, o jogo começou mal. Os portugueses entraram nervosos, cometendo erros, fazendo lembrar um pouco os nosso primeiros jogos neste Europeu. O pior nem sequer foi isso. Foi quando, aos sete minutos, Dimitri Payet faz uma entrada dura sobre Cristiano Ronaldo e o seu joelho cedeu. O nosso Capitão ainda se obrigou a continuar em campo durante mais algum tempo, mas acabou por se dar por vencido e pedir a substituição, lavado em lágrimas. Gostei de ver Nani abraçando-lhe o rosto enquanto recebia a braçadeira de Capitão e, depois, começado de imediato a puxar pelo resto da equipa. Tenho alguma curiosidade em saber as palavras exatas de Nani ao choroso Cristiano (estou, aliás, surpreendida por ninguém o ter perguntado até agora), mas não terá sido algo muito diferente de:


 


- Não chores. Nós vamos ganhar isto por ti.


 


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Cristiano saiu de maca, ao som de aplausos do estádio inteiro, mas tais aplausos não me comoveram. Pelo contrário, nunca tinha tido tanta raiva aos franceses, em termos futebolísticos. Eles roubaram-nos os nossos sonhos em 1984, 2000 e 2006 (se foi com justiça ou não, não me era relevante naquele momento); quando as coisas não lhes corriam bem nos últimos anos, os mais altos dirigentes do futebol manipulavam as regras a seu favor; a Imprensa francesa tratou-nos abaixo de cão; os franceses tomaram a vitória na final como garantida, até tiveram a arrogância de colocar o autocarro de campeões que tinham preparado a circular pelas ruas de Paris antes do jogo (olhando agora, os franceses estavam mesmo a pedi-las...). E agora tinham-nos tirado o Ronaldo, num lance em que nem sequer foi marcada falta. Esta nem sequer seria a última jogada violenta por parte dos franceses: Ricardo Quaresma apanharia umas duas. E nós é que jogávamos de forma nojenta...


 


Basta!, pensei eu, naquele momento. Os franceses não mereciam ganhar o Europeu jogando assim. Eles tiraram-nos o Ronaldo? Nós tirar-lhes-íamos o campeonato! Que ninguém se atrevesse a atirar a toalha ao chão!


 


Felizmente, o resto dos Marmanjos também pensou assim. Mesmo sem o seu elemento mais importante, a Equipa de Todos Nós não vacilou. A França dominava, tinha o árbitro do seu lado (a sério, os franceses fizeram jogo sujo mas, na primeira parte, só os portugueses é que viram amarelos), mas era incapaz de traduzir essa vantagem em golos graças a Pepe, José Fonte e, sobretudo, Rui Patrício. Mais do que qualquer um dos outros Marmanjos, via-se que o guarda-rede estava a fazer o jogo da vida dele, pela maneira como se atirava, sem hesitações, para a bola, como se esta fosse o filho que tem por nascer, arriscando-se a levar com outros jogadores em cima. Dizer que ele "estava inspirado", como ia comentando a minha mãe, é quase insultuoso. Aquilo não é "sorte", ou "inspiração", são anos de experiência, perícia e muita entrega. Teve uma única falha que poderia ter deitado tudo a perder, arruinar-lhe um jogo até ao momento perfeito, em cima dos noventa minutos (a meia-final de 1984, em que o três vezes maldito Michel Platini marcou à beira do fim, passou-me pela cabeça) mas, por uma vez, o poste esteve do nosso lado.


 


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Com o tempo, incapazes de quebrar Portugal, os franceses foram perdendo o ânimo. Não lhes terá ajudado a cantoria constante dos adeptos portugueses. A sério, eles não deviam passar de um quinto da ocupação das bancadas e foram os que mais se ouviram. Só uma vez ou outra é que os franceses se puseram a fazer o haka islandês, que nem sequer é originalmente deles (e, na minha opinião, não tinham o direito de usá-lo). Por usa vez, não me lembro de alguma vez ter ouvido cânticos assim da parte dos portugueses num jogo da Seleção. Parecia a curva sul dos jogos do Sporting, e isso é um elogio. Não será por acaso, que ouvi dizer que elementos dos Super Dragões e da Juve Leo estiveram em França, liderando os adeptos portugueses durante o Europeu. Para além de ser sempre bonito por princípio ver adeptos deixando as rivalidades clubísticas de lado e unindo-se pela Seleção (algo que devia acontecer sempre), tornou o décimo-segundo jogador mais ativo e determinante nesta vitória. Foi uma ótima ideia, que devia ser aplicada em todos os jogos da Seleção.


 


A equipa soltou-se mais no ataque depois de João Moutinho e Éder substituírem Adrien e Renato Sanches, respetivamente (e o pobre Adrien teve de aturar Ronaldo no banco... Não estava fácil para ninguém!). Mais ou menos nessa altura comecei a acreditar que, se marcássemos um golo, ganharíamos o jogo. Mas, naturalmente, não me atrevia a verbalizar esse pressentimento.


 


Não sei como foi com vocês, no sítio onde vivem, mas na minha rua, depois do noventa, desatou tudo a gritar por Portugal, à janela. Eu aproveitei a ocasião, aliás, para estrear a transmissão em direto da página de Facebook, filmando a cena (obviamente, a qualidade deixou muito a desejar...). Como podem ver, houve ali uma mistura de gritos de apoio e celebrações do empate. Ao mesmo tempo, no Stade de France, Ronaldo andava à volta dos companheiros de equipa, dando-lhes força para o prolongamento.


  


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Muitos contavam com um desempate por grandes penalidades mas eu, sinceramente, preferia resolver a situação antes dos cento e vinte ou era desta que me ia dar uma coisinha má. Estivemos perto com aquele livre do Raphael Guerreiro que bateu na trave. Para ser sincera, fiquei um bocadinho aliviada por a bola ter batido na trave nesse lance, visto que aquele livre fora mal marcado a nosso favor (a mão na bola não era de Koscielny, era de Éder. Uma pessoa pergunta-se como que é o árbitro se confundiu, quando os dois jogadores tinham cores de pele bem distintas... Confesso que me fartei de rir com esse momento). Não que fosse propriamente injusto, tendo em conta a maneira como Ronaldo saiu do jogo, e que não fosse de uma ironia deliciosa depois da mãozinha do Abel Xavier no Euro 2000. No entanto, se já como foi os franceses se têm queixado de injustiça (ao ponto de pedir repetição da final, o que acho pura e simplesmente patético), o que não diria se o golo viesse de um livre irregular.


 


No fim, as coisas desenrolaram-se de maneira perfeita. Ou quase perfeita. Estamos muito avançados tecnologicamente e tal, mas ainda ninguém arranjou maneira de resolver os lapsos na transmissão entre rádio e televisão, quer por fibra ótica quer por box, para evitar spoilers em jogos como este. A nossa rua explodiu de alegria antes de o golo passar na nossa televisão. Não que isso tenha estragado muito a coisa. Quando vi a bola ir às redes, não gritei "GOLO!", gritei antes como uma menina de doze anos num concerto do Justin Bieber. No Stade de France também não faltaram emoções, com toda a gente abraçada ao Éder, o Renato Sanches por cima do novelo humano, o Cristiano Ronaldo a chorar outra vez, desta feita de alegria.


 


Adaptando as célebres declarações de Ricardo Araújo Pereira ao meu caso, eu leito e escrevo livros, oiço música, vou a concertos, vejo séries e filmes, já viajei imenso para uma pessoa da minha idade, mas muito poucas coisas que emocionaram mais do que este golo de Éder, de fora da área, que as lágrimas de Cristiano nas celebrações - vou dizer isto durante toda a minha vida.


 



 


Mas, na altura, não me atrevi a dar nada por garantido antes do apito final. A Equipa das Quinas também pensou assim. Foi, aliás, depois deste golo que Cristiano Ronaldo se fez treinador-adjunto, para delícia do Mundo inteiro. Noutras circunstâncias e se isto ocorresse com frequência, treinador nenhum acharia assim tanta graça - sobretudo tendo em conta em que o Cristiano é um bocadinho bruto com Fernando Santos, que já está longe de ter trinta anos - mas eram os últimos minutos de uma final, estava muita coisa em jogo. Qualquer um deixaria passar. E, sejamos sinceros, teve imensa piada. Felizmente, Portugal conseguiu aguentar a vantagem até aos cento e vinte minutos.


 


Sabem durante quantos anos sonhei com o momento em que a Seleção recebeu a Taça Henri Delaunay? Quantas entregas de taças em futebol vi ao longo dos anos, imaginando a nossa Seleção no lugar dos vencedores? Quantas vezes vi, com os olhos da mente, o Cristiano Ronaldo erguendo a Taça bem no ar, os colegas à volta dele explodindo de alegria, os coffetis verdes e vermelhos, o fogo de artifício? Não cheguei a chorar, mas estive perto disso quando, finalmente, vi com os meus próprios olhos aquilo que, durante anos, só via nos meus sonhos.


 



 


No dia seguinte, tal como tinha prometido, fui receber a Seleção ao aeroporto. Só mais tarde é que descobri que a Seleção ia festejar para a Alameda. Não sei, no entanto, se teria disponibilidade para passar a tarde toda à espera da Equipa de Todos Nós. Além de que aquelas horas todas no calor e no meio da multidão ainda me davam outra coisinha má. Eu queria fazer parte da festa, de uma maneira ou de outra, que eu passei demasiado tempo à espera disto e fiquei satisfeita. Ainda estive um par de horas à espera no aeroporto, eu e uma multidão generosa que se prolongava até ao Palácio de Belém, provavelmente. Não nos aborrecemos pois houve cantoria do princípio ao fim: quer o hino nacional, quer cânticos de louvor ao herói de Paris, invocações a um episódio icónico deste Europeu e aquele que está em vias de se tornar o tema oficial da nossa participação no Euro 2016. Finalmente, o autocarro saiu e fez-se a festa, que se prolongou pela tarde fora.


 



 


Uma parte de mim ainda tem dificuldades em acreditar, mesmo passada uma semana, que isto aconteceu mesmo, que Portugal ganhou mesmo um título. Que estes 23 conseguiram aquilo que as Seleções Portuguesas de 1966, 1984, 2000, 2004, 2006 ou 2012 não conseguiram. Estão a ver a frase-feita que os Marmanjos iam repetindo, no rescaldo do jogo com a Islândia, à laia de desculpa? Que não era como se começava, era como se acabava? Bem, a frase-feita confirmou-se. O início de Portugal neste Europeu não foi famoso. Houve muita ansiedade, muitos erros, umas quantas más escolhas, alguns momentos medíocres e, há que admiti-lo, mérito dos nossos adversários, sobretudo da Islândia. Portugal soube melhorar, corrigir os erros, transformar as fraquezas em forças e isso foi fundamental para o nosso sucesso. Não foi um Europeu brilhante nem particularmente empolgante no que toca a Portugal e não deixei de assinalá-lo. Há quem diga que tivemos imensa sorte, por a Islândia ter marcado aquele golo à Áustria no tempo de compensação, que nos atirou para o caminho mais fácil até Paris. Não estão errados mas, como assinalei antes, é tudo uma questão de perspectiva, pois equipas como a Croácia, Polónia e País de Gales chegaram a onde chegaram por mérito próprio, não apenas por sorte.


 


Numa coisa concordo: dificilmente se repetirão circunstâncias tão favoráveis a Portugal. Mas isso acontece em todos os campeonatos, de seleções e não só: o mérito de uns coincide sempre com o demérito de outros. Acham, por exemplo, que o Leicester teria conseguido ganhar a Premier League se o Manchester United, o Chelsea e os outros clubes ditos grandes do futebol inglês estivessem a fazer tudo bem? O futebol é mesmo assim. 


 



 


Neste final feliz, o nosso primeiro, no meu coração ficam os vinte e três Marmanjos, o nosso Selecionador (cuja fé estava corretíssima) e o restante staff. Se tivesse de escolher entre pegar na Taça Henri Delaunay e um abraço a pelo menos um dos jogadores, escolhia a segunda opção. A Taça em si nada me diz sem os meus Marmanjos, que tanto lutaram para a levar "para o nosso Portugal". Um dia hei de fazê-lo. Hei de abraçá-los e agradecer-lhes esta vitória. Depois de anos e anos acompanhando-os (uns mais do que outros, evidentemente), ouvindo outros dizendo que eles são apenas os protegidos de Jorge Mendes, os mais-dez do Ronaldo, não tinham tanta qualidade como os seus antecessores ou elementos de outras seleções, foi um orgulho enorme vê-los dando cartas neste Europeu, fazendo frente a jogadores com mais prestígio, impressionando um pouco por todo o mundo, sendo eleitos para a equipa ideal do Europeu. Adrien, William, João Mário, Raphael Guerreiro, Cédric, Quaresma, Nani... e, claro, Éder.


 


Quero, aliás, comentar a atenção toda que tem sido dedicada ao "herói improvável" da final do Europeu. Atenção essa que tem o seu quê de hipocrisia. Escrutina-se a vida toda de Éder, comenta-se que ele cresceu quase como um órfão, mas quem queria saber disso quando, mesmo antes do Europeu, lhe chamavam "cone" ou diziam que era "menos um"? Há sites onde as pessoas se inscrevem para pedir desculpa a Éder, mas eu não assino por baixo. Todas as críticas que lhe teci relacionavam-se apenas com o seu desempenho em campo (e, vejamos os factos, ele só começou a marcar pela Seleção há um ano), penso que nunca resvalaram para o insulto. Como poderão ler aqui, não me passou despercebido o seu bom desempenho no Lille e, quando ele foi Convocado, dei-lhe o benefício da dúvida. Por sinal, o Éder até marcou em dois dos três particulares antes do Europeu. Desse modo, ao contrário do que aconteceu com muitos, o golo na final não me pareceu surgido do nada. Acho possível, até, que o Éder marcasse mais neste Europeu se tivesse tido mais tempo em campo.


 


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Este nosso triunfo serviu, aliás, para desmontar uma série de mitos sobre a Seleção, para, mais uma vez, matar demónios, quebrar maldições, as maiores que nos assolavam. Depois deste Europeu, mais ninguém vai dizer que o Éder não é opção para o ataque. Mais ninguém vai dizer que a Seleção não tem estaleca para equipas grandes e falha sempre nos momentos cruciais. Mais ninguém vai dizer que a Seleção é só Ronaldo-mais-dez - nós ganhámos literalmente uma final contra a França com Ronaldo no banco, lesionado. Mais ninguém vai, aliás, dizer que Portugal não tem nenhum título em seleções A. O nosso trajeto até à final de Paris pode não ter sido o mais empolgante, mas tudo o que ocorreu no Stade de France, tudo o que enumerei acima, é a matéria da qual são feitas as lendas.


 


Dito isto tudo, esta vitória não desvaloriza o trabalho de outras grandes figuras da Seleção Portuguesa, só porque estas não conqusitaram nenhum título com a Camisola das Quinas. Pelo contrário, este título também é um pouco deles, pois foram eles que criaram as tradições, que deram o exemplo e a inspiração aos vinte e três que foram a França. Enquanto viveu, Eusébio esteve sempre ao lado da Equipa de Todos Nós, a sofrer - e os campeões da Europa não se esqueceram dele nesta vitória. Cristiano Ronaldo via Luís Figo, Rui Costa e restante Geração de Ouro enquanto crescia, ainda apanhou alguns deles na Seleção e estou certa que os veteranos lhe serviram de mentores - tal como hoje Ronaldo apadrinha os mais novos das Convocatórias. Se não fosse Eusébio, Chalana, Luís Figo, entre tantos outros, não estaríamos aqui, a celebrar esta vitória


 


E não é só a eles que devemos estar gratos. Também a todos os outros que vestiram a Camisola das Quinas, com maior ou menor sucesso. Tudo o que aconteceu na Seleção até agora, todas as derrotas dolorosas, todas as pequenas e grandes crises, todas as trocas de treinadores, todos os momentos em que estivemos à beira de perder a fé valeram a pena pois prepararam-nos para isto, tornaram-nos mais fortes, permitiram-nos conquistar aquilo que nos escapou drante demasiado tempo.


 


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Esta parte, agora, é nova. Não se sabe ainda ao certo qual será o impacto prático da conquista do primeiro título. A curto prazo já deu para ver: não se falou de outra coisa durante dias, havia sempre um novo vídeo de Ronaldo no banco de Portugal, uma nova reação ao golo de Éder, uma nova entrevista, uma nova crónica sobre o jogo. Ficamos, agora, à espera do efeito a médio e longo prazo nas aventuras e desventuras da Seleção.


 


Uma das consequências já conhecidas deste triunfo é a presença na Taça das Confederações. Esta é, na minha opinião, uma das melhores: um campeonato de seleções num ano ímpar! É certo que não tem o mesmo prestígio que um Europeu ou um Mundial, mas sempre serão jogos interessantes, sempre é uma desculpa para a Equipa de Todos Nós se concentrar durante algumas semanas e para aqui a "je" escrever neste blogue!


 


Não quero pensar muito nisso, ainda, nem no Mundial 2018 e respetiva Qualificação. Para já, quero saborear este nosso primeiro título, pelo qual esperámos tanto tempo.


 



 


Quero terminar com um sentido agradecimento a todos os que acompanharam este feito inesquecível comigo, quer através deste blogue, quer através da página do Facebook. Tanto àqueles que só me descobriram há pouco mais de uma semana, como àqueles que já me seguem há anos. Esta vitória pertence a todos os portugueses mas nós, que já vimos a Seleção no seu pior e recusámo-nos a virar costas, merecemos esta vitória mais do que o adepto comum. Reservámo-nos a esse direito. Sabe tão bem conquistar finalmente um título...

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Portugal 2 Gales 0 - Isto está mesmo a acontecer?

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Na passada quarta-feira, dia 10 de julho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere galesa por duas bolas sem resposta, em jogo a contar para as meias-finais do Campeonato Europeu da modalidade. A Seleção segue agora para a final de Paris, onde vai enfrentar a sua congénere... francesa.


 


Esta é a minha ducentésima publicação aqui no blogue (publicação número duzentos, para os amigos). Dificilmente o timing seria melhor - só mesmo se esta crónica fosse sobre a conquista de um título. Foi para ocasiões como a que estamos a viver neste preciso momento que inaugurei O Meu Clube é a Seleção. Esperei oito anos pela oportunidade de escrever sobre a presença da Equipa de Todos Nós numa final de um campeonato de seleções. Valeu a pena. 


 


Mas falemos do jogo das meias, antes. Não que haja muito a dizer. A primeira parte foi razoavelmente aberta, não desgostei do futebol praticado pelos portugueses, ainda que não tenham havido muitas oportunidades de golo. Da Gales, os lances de maior perigo partiram de Gareth Bale, naturalmente. Em várias ocasiões, valeu-nos Rui Patrício.


 


Na verdade, o jogo resume-se aos dois golos portugueses, aos cinco minutos da segunda parte. Na sequência de um pontapé de canto, Raphael Guerreiro centrou para o meio da grande área galesa. Cristiano Ronaldo deu um salto de quase oitenta centímetros - um daqueles que ele faz de vez em quando e deslumbram toda a gente - e cabeceou a bola diretamente para as redes. Cá em casa estávamos a jantar por esta altura e não consegui gritar "GOLO!" pois estava com a boca cheia de cenoura ralada - à semelhança do que já tinha acontecido antes, só que com esparguete.


 


Ronaldo não se ficou por aqui. Três minutos depois, fez nova tentativa à baliza galesa. A bola acabou por sobrar para Nani, que ampliou a vantagem para as duas bolas. Já conta três golos neste Europeu, mas continua a receber poucos louvores por isso. 


 


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Pouco mais aconteceu no jogo depois destes golos. A Gales ainda tentou reduzir a desvantagem, sem sucesso. Portugal podia ter marcado pelo menos mais um golo, teve oportunidades para isso. O marcador não se voltou a alterar até ao fim do jogo.


 


Acreditam que, mesmo passado este tempo todo, ainda não estou cem por cento convencida de que isto não é um sonho? Que Portugal está mesmo na final do Europeu? Que me sinto como aquele miúdo, meio anestesiado depois de ir ao dentista? Eu e a minha irmã, nos primeiros minutos após o apito final, perguntávamos isso uma à outra:


 


- Estamos mesmo na final?


- Isto está mesmo a acontecer?


 


Ainda ontem à tarde estava a comentá-lo para a minha cadela (sim, eu falo para a minha cadela, que é a única que tem sempre paciência para mim...) e, um pouco do nada, comecei a rir-me e não consegui parar durante minutos. Só depois de a França derrotar a Alemanha, conquistando um lugar na final, é que a verdade me atingiu. Portugal vai à final do Europeu. Com a França.


 


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Não é que Fernando Santos tinha razão? Não é que a Seleção vai ficar em Marcoussis até dia 11? Não é que a fé que resolvi adotar no início da preparação do Europeu se está a justificar?


 


Estive doze anos à espera deste momento - quase metade da minha vida. Desde aquela malfadada derrota perante a Grécia. À espera de uma oportunidade concreta de ver Portugal conquistar um título que lhe escapa há demasiado tempo, de desforrar, dentro do possível, a final do Euro 2004, as meias-finais do Mundial 2006 e do Euro 2012.


 


De certa forma, é perfeito. Foi frente à França, no próprio palco da final, que Fernando Santos se estreou como Selecionador. Não vencemos esse jogo (nem qualquer jogo com a França nos últimos quarenta anos, diga-se de passagem...). Mas foi nesse dia, nesse balneário, que jogadores e Selecionadores prometeram tudo fazer para regressarem a esse palco, daí a quase exatamente 21 meses, e sagrarem-se campeões da Europa. 


 


Também é perfeito de outra forma. Perfeito por o nosso adversário ser um dos nossos maiores "inimigos" no futebol. O adversário que nos derrubou nas meias-finais de 1984, 2000 e 2006 (de forma injusta no último caso, pelo menos). Houve até uma altura, após o Mundial 2006, em que fantasiei com uma final Portugal-França, precisamente para nos desforrarmos disso tudo (fantasia essa que contribui para a minha sensação de irrealidade). Além do mais, os franceses têm tido anos e anos de colinho por parte da FIFA e da UEFA, destaque para aquela mão de Deus do Thierry Henry, nos playoffs para o Mundial 2010. Por fim, têm passado o Europeu a criticar-nos, e continuam a fazê-lo. Existirá vingança mais doce do que dar-lhes o seu próprio Euro 2004? Uma derrota caseira na sua final para lamentar para o resto das suas vidas? 


 


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Mas isto eu a fantasiar. Voltando à realidade, sei perfeitamente que isto não vai ser nada fácil, raia mesmo o impossível. Como disse antes, a França é um dos nossos maiores demónios e, ainda por cima, joga em casa. Em termos de qualidade, na minha opinião, estão abaixo dos alemães, que perderam a meia-final por erros seus, mas, mesmo assim, os franceses estão muito acima das equipas que temos enfrentado neste Europeu. Vou ser brutalmente sincera: a possibilidade de perdermos é forte. 


 


No entanto, Fernando Santos também tem razão quando diz que é difícil ganhar a Portugal. Não convém esquecer que não perdemos nenhum jogo oficial no seu "mandato". Também acredito no empenho, no espírito de equipa,de sacrifício dos nossos jogadores. 


 


De qualquer forma, aconteça o que acontecer, no dia 11, a seguir à final, estarei no aeroporto da Portela para receber os jogadores, tal como fiz em 2012. Se nem depois do Mundial 2014 fui capaz de virar as costas à Seleção, muito menos fá-lo-ei agora.


 


Feita essa promessa, quero deixar uma mensagem aos jogadores (*põe a tocar como música de fundo um tema épico, estilo Heart of Courage dos Two Steps From Hell. O This One's For You também serve*).


 


Ganhem a final. 


 


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Ganhem pela vossa família e amigos, colegas e treinadores, antigos e atuais, as pessoas que acreditaram em vocês, que tomaram conta de vocês, que vos deram oportunidades para mostrarem o vosso valor, que vos ensinaram, que vos ajudaram, de uma forma ou de outra, a chegar a onde estão agora.


 


Ganhem pelo Eusébio e pelos outros Magriços, pelo Jordão, pelo Chalana, pelo Paulo Futre, pelo Luís Figo, o Rui Costa, o Pedro Pauleta, toda a Geração de Outro, pelo Deco, pelo Maniche. Por todos os jogadores portugueses que também tentaram tornar este sonho realidade, que vos ensinaram direta ou indiretamente, que vos serviram de exemplo e inspiração para se tornarem nos jogadores que são hoje.


 


Ganhem para acertarmos contas com o Destino pela derrota aos pés da Inglaterra há cinquenta anos, pelo golo de Michel Platini a um minuto do prolongamento das meias-finais de 84, pela mão de Abel Xavier em 2000, pela Grécia em 2004, pela falta do Ricardo Carvalho em 2006, pelos penáltis falhados em 2012. Ganhem para vingarmos os inúmeros favorecimentos descarados à seleção francesa e que, a nós, chegaram a ser negados, pelas desconsiderações que pessoas como Michel Platini e Joseph Blatter nos têm feito ao longo dos anos, pelas críticas que franceses (e não só) nos têm dirigido neste Europeu.


 


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Ganhem pelos vossos admiradores, pelos adeptos da nossa Seleção espalhados pelo Mundo inteiro (que não se limitam a portugueses), pelos que têm estado convosco nos bons e nos maus momentos. Por mim. Pelos emigrantes em França, porteiros, empregados de limpeza, trabalhadores das obras, que durante anos lutaram por sobreviver à precariedade, à arrogância e xenofobia de muitos franceses. Ganhem para que eles tenham orgulho, por pouco e fútil que seja, na sua nacionalidade.


 


Ganhem para que todos nós possamos falar de vocês aos nossos filhos e netos. Falar da capacidade de liderança de Cristiano Ronaldo, que obrigou João Moutinho a bater o penálti contra a Polónia. Da constante entrega de Nani. Da magia e perseverança de Ricardo Quaresma. Do ímpeto de Renato Sanches. Da elegância de William. Do talento deslumbrante de Raphael Guerreiro. Do imperialismo de Pepe. Das defesas milagrosas de Rui Patrício. Do empenho de todos os que não mencionei aqui, que se têm ajudado uns aos outros a melhorar e que têm honrado a Camisola das Quinas. Da crença inabalável de Fernando Santos. Ganhem por tudo isto e por muito mais.


 


Este vai ser o jogo das vossas carreiras, das vossas vidas. De todas as nossas vidas. Ajam de acordo com isso. 


 


Sem pressão.


 


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(Se por acaso exagerei no dramatismo, peço desculpa. Mas também, se existe altura para palavras grandiosas e dramáticas, é esta).

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