terça-feira, 28 de junho de 2016

Croácia 0 Portugal 1 - O início

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No passado sábado, dia 25 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu, pela margem mínima, a sua congénere croata nos oitavos-de-final do Campeonato Europeu da modalidade. O autor do único tento da partida foi Ricardo Quaresma.


 


Todos concordam: tirando os últimos minutos do prolongamento, o jogo foi uma seca. A primeira parte, então, foi quase um aquecimento, foi um filler, não aconteceu pratiamente nada. Sou capaz de jurar que, nos primeiros dois ou três minutos de jogo, Portugal não tocou na bola durante mais do que um ou dois segundos, enquanto os croatas se limitavam a passar a bola uns aos outros. Ambas as equipas estiveram muito comedidas, respeitando excessivamente o adversário, sem coragem para arriscar. Por um lado, isto foi bom para os nossos corações, depois da agitação que foi o jogo com a Hungria. Por outro, até eu fiquei com sono - o que, para mim, num jogo da Seleção, numa fase final, num mata-mata ainda para mais, é raro, se não for inédito. 


 


O jogo ficou um bocadinho mais interessante quando Renato Sanches entrou, aos cinco minutos da segunda parte, mas não muito. Consta que este foi o primeiro encontro em Europeus e Mundiais em cinquenta anos em que não houve um único remate à baliza. Da nossa parte, talvez isso se devesse ao nosso engonhanço, mas, da parte dos croatas, isso muito se terá devido a um "imperial" Pepe, que nos livrou de tantas, a jogadores como Adrien, que conseguiu anular Modric e, vá lá, a uma dose decente de sorte. Pelo meio ainda nos roubaram um penálti sobre Nani e Renato fez isto. Eu só pensava que, a certa altura, alguém teria de assumir o jogo, de tentar ganhá-lo e aquilo poderia ir para qualquer um dos lados.


 


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Eventualmente acabou por chegar o prolongamento. Pelo menos no Twitter, já começávamos a fazer contas para os penáltis. Daí que não tenhamos percebido a troca de Adrien por Danilo. Das duas uma, ou Fernando Santos não tinha olhado para o historial de Adrien em penáltis, ou estava... bem chei'd'a fé de que a coisa resolver-se-ia antes dos cento e vinte. 


 


Se era a segunda hipótese, acertou em cheio pois, aos 117 minutos, tudo mudou. Rui Patrício defendeu uma iniciativa croata a meias com o poste. No contra-ataque, Ronaldo passa a Renato, que faz uma das suas arrancadas - nesse momento, eu e, provavelmente, metade do País dissemos algo como "Vai miúdo! Vai!" , enquanto este galgava pelo campo fora. Renato passa a Nani, este por sua vez, consegue enganar os defesas croatas e fazer a bola chegar a Ronaldo. O guarda-redes ainda consegue travar o remate deste, mas não conseguiu repetir a proeza quando Quaresma faz a recarga. 


 



 


Cá em casa festejámos o golo da mesma maneira que a Seleção, em Lens: aos peulos e aos abraços. Até o meu irmão que, de uma maneira muito típica emntre os homens da casa, esteve muito pessimista durante o jogo, quase que como se torcesse pela Croácia. Eu fiquei a tremer durante uns bons dez minutos depois deste golo, ainda que só me tenha atrevido a cantar vitória depois do apito final. Nós passámos a fase de grupos só com empates, mesmo que as exibições não tenham sido assim tão más... em certas alturas, pelo menos... mas não há nada que se compare a uma vitória numa fase final de um campeonato de seleções!


 


Não têm faltado críticas à Seleção Portuguesa desde a sua estreia no Europeu, muitas delas justas, e elas têm continuado depois deste jogo. No entanto, uma coisa é inegável: Portugal venceu a Croácia, que está longe de ser uma equipa fraca, e, pelo (*conta pelos dedos*) sexto Europeu consecutivo, está entre as oito melhores seleções da Europa. Não é de desprezar. Tudo isto resultou do esforço dos jogadores, da equipa técnica, do Selecionador. Esse esforço merece ser respeitado, mesmo aplaudido - sobretudo depois de equipas respeitáveis terem já ficado pelo caminho, tal como a Espanha e a Inglaterra. Esta última frente à Islândia, de todas as equipas - menos de duas semanas depois de Cristiano Ronaldo os ter acusado de terem mentalidade de equipa pequena. 


 


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Não sou grande fã deste futebol defensivo, em bloco baixo, confesso, mas concordo com Fernando Santos, quando ele diz quando ele diz que assinaria por baixo se pudesse conquistar o Europeu só com empates ou jogando mal, que quer "jogar futebol" não "jogar à bola". Durante anos e anos, em múltiplos campeonatos de seleções, praticámos um futebol lindíssimo. Deixou-nos imensas recordações e encheu-nos de orgulho, não contesto isso, mas não nos deu nenhum título. Continuo a preferir esse tipo de futebol, se for possível, mas eu aceito tudo o que nos dê o título, dentro das regras. E se alguém tiver algum problema com isso, como uns quantos croatas aziados depois do jogo e os franceses que andaram a dizer que o nosso futebol era nojento... ótimo. De uma forma ou de outra, iríamos sempre irritar muitos enquanto fôssemos bem sucedidos neste Europeu. É para o lado que dormimos melhor.


 


Mas primeiro vamos ter de passar pela Polónia e não me parece que vá ser fácil. Para além de, por princípio, não existirem jogos fáceis nesta fase, o nosso historial mais recente com a Polónia não é o mais favorável (tal como já tinha desenvolvido aqui). Além disso, a Polónia chegou a ganhar à Alemanha durante a Qualificação para este Europeu e, quando a reencontrou na fase de grupos, empatou a zeros. A minha irmã disse-me que os polacos não têm tantas individualidades como a Croácia (têm Lewandowski e pouco mais), mas eu acho que eles vão jogar de forma mais fechada do que os croatas, o que é capaz de nos atrapalhar.


 


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A minha esperança é que estes oitavos-de-final tenham sido o nosso verdadeiro início no Europeu, que ainda fiquemos em França por muito tempo ainda. Continuo com as minhas dúvidas, apesar de a equipa ter estado mais consistente no sábado, mas também, nesta altura do campeonato, não dá para ter certezas de nada. Continuo a acreditar que é possível chegar à final de Paris e vencê-la. Ando há demasiado tempo à espera de um título para a Seleção, não queria ver mais uma oportunidade desperdiçada. Para já, temos de ganhar à Polónia e temos tudo para consegui-lo. 


 


Continuem a acompanhar este Europeu connosco aqui no blogue e na página de Facebook.

sábado, 25 de junho de 2016

Hungria 3 Portugal 3 - Emoções e parvoíce

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Na passada quarta-feira, dia 22 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a três bolas com a sua congénere húngara, no terceiro jogo da fase de grupos do Campeonato Europeu da modalidade. Com este resultado, a Seleção segue em frente na competição e enfrenta a Croácia nos oitavos-de-final hoje, às oito da noite.


 


Tendo em conta que o dia começou com um microfone no fundo de um lago, em Lyon, devíamos ter previsto a loucura que seria o jogo. Portugal até entrou mais ou menos bem, mas a Hungria, no seu primeiro remate do encontro, na sequência de um canto, conseguiu marcar.


 


Jogadores e treinador têm falado muito por estes dias, mas uma coisa tem sido comum a estes três jogos: a equipa não está a saber lidar com a ansiedade (talvez não fosse má ideia arranjar-lhes um psicólogo...) e mal se consegue organizar. No caso do rescaldo deste primeiro golo, Portugal procurou pressionar a Hungria, mas de forma atabalhoada. Uma coisa em que reparei foi que, antes do golo húngaro, os jogadores que marcavam os livres iam rodando, mas depois do golo passou a ser apenas Ronaldo a cobrá-los todos, independentemente da posição - ele deve andar obececado com o facto, muito assinalado, de, em campeonatos de seleções, ele não ter conseguido ainda concretizar em nenhum livre.


 


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Mesmo jogando aos tropeções, os portugas lá conseguiram chegar à igualdade. Cristiano fez um lindo passe, que ultrapassou uma mão-cheia de húngaros e chegou a Nani, que "só" teve de rematar. Depois de já termos tido um golo anulado por fora-de-jogo, eu ainda esperei uns segundos antes de festejar mas, quando o fiz, não me contive. Após uns vinte minutos fora do Europeu, estávamos de novo na corrida. Mas a parvoíce ainda agora tinha começado.


 


Esperava eu, ao intervalo que o golo de Nani ajudasse os portugueses a esfriar a cabeça e a ganhar forças para correrem atrás da vantagem. Só para provar o quão enganada eu estava, logo ao primeiro minuto da segunda parte, Ricardo Carvalho faz falta para livre e, na conversão, os húngaros colocam-se de novo em vantagem. Não dava para acreditar. 


 


O que nos valeu foram as entradas de Renato Sanches e Ricardo Quaresma, que deram mais dinamismo à equipa lusa, ajudaram a abrir buracos na defesa húngara. Por fim, a bola chega a João Mário, este centra para Cristiano Ronaldo, que iguala o marcador, de calcanhar.


 


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Contudo, ainda não foi desta que a parvoíce acabou pois, menos de cinco minutos mais tarde, Ricardo Carvalho volta a marcar falta na mesma zona, mais uma vez com direito a livre. Eu já adivinhava o que ia acontecer e aconteceu mesmo. Era mesmo para gozar com a nossa cara, não era?


 


Eu nem me ralei por aí além, desta feita, pois também adivinhava que íamos igualar de novo. E, de facto, já depois dos sessenta minutos, Quaresma centra para Ronaldo, que cabeceia para o golo.


 


Muitos têm criticado Fernando Santos, e eu concordo, por ter trocado Nani por Danilo, passando portanto a defender o empate perante a Hungria, bem como o segundo lugar do grupo F - que nos atiraria para o chamado lado negro do Europeu, onde encontraríamos a Inglaterra e poderíamos, depois, encontrar Espanha, Itália ou Alemanha. Mais tarde, o Selecionador defenderia as suas escolhas dizendo "Antes um pássaro na mão que dois a voar". Eu teria, mesmo assim, tentado ir atrás do primeiro lugar, pelo menos durante mais alguns minutos, tanto para fugir aos tubarões como por uma questão de honra - até porque, a certa altura, também a Hungria se conformou com o empate. No entanto, pelo andar da carruagem, ainda o marcador chegava aos dez igual. Ironicamente (sobretudo tendo em conta as palavras simpáticas de Ronaldo), acabou por ser a Islândia a salvar-nos dos tubarões, ao marcar o golo da vitória perante a Áustria, o último minuto, atirando-nos para o terceiro lugar do grupo F.


 


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Em suma, este foi, em simultâneo, o jogo mais emocionante e o jogo mais parvo que vi em toda a minha vida. A Seleção conseguiu por três vezes reverter uma desvantagem, é certo. Contudo, de uma maneira muito típica nos últimos anos, foram os próprios Marmanjos a cavar o buraco, de onde tiveram de escapar. Por muito feliz que tenha por continuarmos no Europeu, por termos fugido aos tubarões (embora duvide que a Croácia seja pacífica), é triste não termos ganho um único jogo e ficaro em terceiro neste grupo. Sobretudo tendo em conta que esta é uma Seleção que fala em ganhar o Europeu.


 


Continuo em saber ao certo o que pensar dos nossos desempenhos inconsistentes neste Europeu. Se é apenas nervosismo, se é falta de frescura física, se é pura e simplesmente falta de qualidade, se Fernando Santos está a serguir o exemplo de antecessores seus e a ser teimoso (demorou dois jogos e meio a perceber que Moutinho já teve dias melhores e, mesmo asim, não me admirava se, hoje, o médio do Mónaco surgir outra vez entre os titulares). Não me parece muito provável que o problema se tenha resolvido nestes dois dias - embora eu tenha a esperança de que a conquista do Apuramento e os golos de Nani e Ronaldo tenham dado confiança para a fase seguinte do Europeu. Se as coisas começarem a correr bem, mesmo bem e, vá lá, Portugal conseguir apurar-se para a final de Paris, ninguém se vai ralar com o que aconteceu na fase de grupos. Mas é um grande "se".


 


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Portugal tem um histórico favorável frente à Croácia (o nosso último jogo foi bastante positivo), mas ninguém espera facilidades, quando o futebol deles está entre os melhores praticados neste Europeu até agora e, sobretudo, depois de os croatas terem vencido a Espanha, mesmo sem Modric. Todos dão os croatas como favoritos e, visto que irritámos muita gente (não sem razão) ao apurarmo-nos sem vitórias, acho que vamos ter o Mundo inteiro a torcer contra nós. Esta nossa aventura no Euro pode terminar já hoje à noite: algo que eu, naturalmente, não quero. Aliás, com tanta gente a criticar-nos, dentro e fora do País (volto a sublinhar, não completamente sem razão), eu fico com ainda mais vontade de ver a Seleção chegar longe neste Europeu, só para irritá-los, para prová-los errados. Cristiano Ronaldo já conseguiu calar várias pessoas com este par de golos e uma assistência. Eu vou esperar que nem ele nem a Seleção fiquem por aqui em termos de respostas em campo às críticas e que, logo à noite, possamos sobreviver ao primero mata-mata.


 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Portugal 0 Áustria 0 - Qual é o nosso problema?!?

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No passado sábado, dia 18 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol enfrentou a sua congénere austríaca, no chamado Parque dos Príncipes, no seu segundo jogo da fase de grupos do Campeonato Europeu da modalidade. Este encontro terminou sem golos.


 


Não quero, de todo, dar uma de Cristiano Ronaldo e menorizar a seleção austríaca. Afinal de contas, a Áustria Qualificou-se para o Europeu à frente da Suécia e da Rússia. No entanto, na primeira parte, pelo menos um ou dois cantos marcados a nosso favor foram-nos praticamente oferecidos pelos austríacos. Mais tarde, em cima do intervalo, um jogador austríaco pontapeou a bola e esta foi embater nas costas de outro austríaco antes de sair do campo, resultado em lançamento para Portugal.


 


Como é que a nossa Seleção, recheada como está de jogadores de qualidade, experientes em grandes competições, não foi capaz de vencer uma equipa como esta?


 


Todos concordam que Portugal jogou melhor que na estreia, frente à Islândia. O jogo começou dividido mas a Seleção foi gradualmente ganhando controlo sobre a situação, com oportunidades aos seis, treze, vinte e dois minutos, meia hora. Antes do intervalo, a Áustria ainda nos pregou um valente susto, na sequência de um livre. Felizmente, estava lá Vieirinha, em cima da linha de baliza, para se redimir da sua fífia no jogo anterior. 


 


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Na segunda parte, as coisas ficaram ainda mais parvas no que toca à finalização. Cristiano Ronaldo chegou a fazer dois remates praticamente seguidos. Isto para não falar do penálti, que Ronaldo atirou à barra. E do golo anulado por fora-de-jogo. Tivemos azar, é certo, terá havido ansiedade no momento do penálti, mas se houve algum erro claro, na minha opinião, foi não termos avançado com as substituições mais cedo. Sou a primeira a admitir que estou longe de ser uma especialista na matéria, mas penso que Rafa podia ter entrado mais cedo e que o jogo pedia a velocidade de Renato Sanches, que não saiu do banco. No fim, Portugal contava vinte e cinco remates, mais coisa menos coisa, e zero golos.


 


No rescaldo deste jogo, eu não sabia o que pensar ou dizer. Não é a primeira vez que a Seleção tem dificuldades numa fase de grupos de um campeonato como este e não será, certamente, a última. Mas vejamos as coisas: no Euro 2004 perdemos o primeiro jogo com uma equipa de quem não esperávamos grande coisa, é certo, mas essa equipa acabaria por se sagrar campeã, para mal dos nossos pecados. Em 2010 só fizemos cinco pontos, após uma grande goleada e um par de jogos esquecíveis, mas um desses jogos foi contra o Brasil. 2014 foi uma tragicomédia mas, em nossa defesa... era a Alemanha no nosso primeiro jogo! Para não falar de 2012, em que estivemos num grupo muito mais difícil mas a que, no fim, conseguimos sobreviver. Agora estamos num grupo com seleções que, mais uma vez com o devido respeito, não têm a mesma expressão que seleções como o Brasil, a Alemanha, a Espanha e mesmo a Dinamarca e os Estados Unidos possuem. Qual é o nosso problema?!?


 


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Mais a frio, percebo que a situação não é assim tão dramática quanto isso. Comparar com o Mundial 2014 pode ser nivelar por baixo, mas para mim é bom saber que, ao segundo jogo, ainda dependemos de nós mesmos e que, tirando talvez André Gomes e Raphael Guerreiro (logo agora, que ele começava a deslumbrar a sério...), não temos três quartos da Seleção com as pernas à beira do colapso. 


 


O nosso maior problema é mesmo a eficácia e começo a suspeitar que isso seja psicológico. Já há quem diga que se elevou demasiado a fasquia, com toda a conversa do título europeu - Fernando Santos continua a dizer que só volta dia 11 de julho - mas eu torço o nariz a essa teoria. Eu acompanho a Seleção a partir de fora, só ouvi acerca destas há um ano e já me tinha habituado à ideia aquando do início da preparação do Euro. Os jogadores ouviram-nas no primeiro dia de Fernando Santos com eles e em diferido em todas as concentrações da Equipa de Todos Nós. Não tiveram, também, tempo para se habituar à ideia? Eu sei que os jogos de Qualificação e os particulares são diferentes de um Europeu a sério mas, mesmo assim, conforme afirmei antes, uma boa parte do grupo tem experiência em grandes competições. Já tiveram inúmeras oportunidades para aprenderem a lidar com a pressão. Não me parece que seja por aí, portanto. Só sei, contudo, que não temos mostrado argumentos para sermos considerados candidatos ao título.


 


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Eu, por um lado, acredito que tudo, ou quase tudo, entrará nos eixos caso Portugal ganhe hoje, à Hungria, e continue em frente no Europeu. Muitas das críticas hoje à Seleção serão rapidamente esquecidas, sobretudo se as coisas começarem a correr mesmo bem. Por outro lado, tenho de ser sincera convosco, o meu nível de entusiasmo em relação à Equipa de Todos Nós tem andado pouco acima da capacidade finalizadora portuguesa. Não sei ao certo a que se deve isso, se ao momento da Seleção, se a mim mesma e às minhas neuroses, mas tendo em conta que costumo passar dois anos de cada vez sonhando com o campeonato de seleções seguinte... é preocupante.


 


O que não significa que não acredite. Como assinalaram muito bem neste blogue, ao contrário de aparentemente uma boa parte da opinião pública, não acredito que algum dos Marmanjos queira ficar pelo caminho. Seja pelo amor à camisola, seja pela montra, seja pelos incentivos financeiros. Até mesmo Jorge Mendes - que muitos descrevem como um supervilão, que manipula toda a Equipa das Quinas - beneficiará muito mais se os seus jogadores chegarem longe no Europeu. A Hungria já está matematicamente apurada, pode ser que isso facilite a nossa tarefa. Não vou dizer que muita coisa terá de correr mal para falharmos os oitavos - só estamos nesta situação porque não conseguimos marcar golos, mais nada - mas acredito firmemente que não será por falta de empenho que cairemos.


 


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Vou, portanto, acreditar que as coisas vão finalmente correr bem, que hoje é que é (como diz o Nilton, parece que nos devem dinheiro...). Como sempre, estarei lá para ver o jogo hoje, às cinco horas, etc., etc., a conversa do costume. Já o disse mil vezes, isto não é fácil, nunca ninguém disse que o era. Mas tudo valerá a pena, se a alma não é pequena e, sobretudo, se hoje mostrarmos, de uma vez por todas, que temos uma palavra a dizer neste Europeu. 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Portugal 1 Islândia 1 - Tem de ser sempre assim?

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Na passada terça-feira, dia 14 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol estreou-se no Campeonato Europeu da modalidade com um empate perante a sua congénere islandesa, em Saint-Étienne. 


 


Eu até estava confiante para este jogo, mais confiante do que o costume, pelo menos, como poderão ler na crónica anterior. Claro que isso tinha de dar mau resultado. Portugal não entrou bem no jogo, de tal forma que o nosso primeiro susto neste Europeu ocorreu logo aos três minutos de jogo, quando Rui Patrício foi obrigado a uma defesa dupla, na sequência de um ataque de Sigurdsson. Só a partir dos quinze, vinte minutos é que Portugal começou a subir de rendimento e a criar oportunidades de golo. Eventualmente, Nani aproveitou um centro de André Gomes para marcar o nosso primeiro golo neste Europeu. De destacar que este foi o golo número seiscentos em fase finais - o nosso Nani fica, deste modo, inscrito na História do futebol.


 


Eu admito que, depois deste golo, fiquei mais tranquila, pensando que seria uma questão de tempo até se marcar o segundo golo. Mas não foi isso que aconteceu. Tal como ocorre demasiadas vezes com a Equipa de Todos Nós, a finalização foi o nosso calcanhar de Aquiles. E como se diz na gíria do futebol, "quem não marca, sofre". Assim, no início da segunda parte, a Islândia anulou a vantagem, num lance em que Vieirinha fica muito mal na fotografia.


 


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Depois desta, Portugal perdeu o norte (percebem? Porque a Islândia fica no norte da Europa?... Não?... Eu vou calar-me...). Os Marmanjos ainda tentaram, de forma atabalhoada, correr atrás do resultado. Fernando Santos lançou Renato Sanches e Ricardo Quaresma e estes chegaram a dar uns ares da sua graça, mas já não foram a tempo de resolver a situação. O encontro terminou empatado. 


 


No final do jogo, os portugas deram as desculpas do costume: "Ai e tal, tivemos azar... tínhamos tudo para ganhar... agora temos de levantar a cabeça... não é como se começa, é como se acaba...". Não que não haja alguma verdade nisto - porque a Seleção teve bons momentos, teve posse de bola (até à altura do jogo, fora a segunda seleção do Europeu com maior posse de bola durante um encontro), em termos técnicos fomos melhores - mas declarações como estas nada acrescentam, em nada nos fazem sentir melhor. 


 


Por outro lado, as declarações de Cristiano Ronaldo, em que ele acusou os islandeses de jogarem apenas com "pontapé para a frente", de "meterem o autocarro atrás" e "fazerem anti-jogo", de festejarem o empate como se tivessem ganho o Euro, enfureceram os islandeses... e eu, para ser sincera, estou do lado deles. Para começar, palavras como estas não são novidade com Cristiano Ronaldo que, mesmo passados estes anos todos, continua um péssimo perdedor. A culpa nunca é dele! Ou são os adversários que estacionam o autocarro, ou são os colegas que não estão ao nível dele, ou é o treinador que esteve mal (ou não se lembram do "Perguntem ao Carlos"?). Fernando Santos, mais tarde, diria que Cristiano falou "com a cabeça quente", mas isso só seria aceitável como desculpa se Ronaldo tivesse vinte e um anos. Com a experiência que ele tem nos palcos mais elevados do futebol, Ronaldo já devia ter aprendido a lidar com derrotas como um homenzinho. É por estas e por outras que não acho que Ronaldo seja bom Capitão.


 


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Além disso, aquilo que ele disse sobre os islandeses foi uma falta de respeito. É uma coisa muito típica, de resto: quando uma equipa dita grande joga à defesa (e nós jogámos muito assim durante a Qualificação), ela joga "em bloco baixo". Quando uma equipa dita pequena joga à defesa, ela estaciona o autocarro. Será que Ronaldo acha que os islandeses não praticariam um futebol tecnicamente melhor, se pudessem? Será que Ronaldo esperava que a seleção de um pais com uma população que não encheria sete estádios de futebol jogasse como o Barcelona? A Islândia lutou muito para chegar a onde está, contribuiu para a eliminação da Holanda, pelo caminho ainda venceu a Turquia e agora empatou connosco, não merece ser tratada assim. Razão teve o selecionador islandês, que disse que os portugueses deviam era ter jogado melhor e ponto final. Ronaldo, amigo, eu adoro-te, mas nesta foste um idiota.


 


Dito isto tudo, têm chovido críticas a Ronaldo de todos os quadrantes do Mundo (é o que acontece em Europeus, está o planeta inteiro a ver), quer a propósito destas declarações, quer pelo seu fraco desempenho em campo. Eu não me ralo porque, em primeiro lugar, existe alguma verdade nelas; em segundo, eu mesma não estou com vontade de defender Ronaldo; finalmente, pode ser que estas críticas o espicacem a sério, de modo a que ele se vingue em campo nos próximos jogos, à boa maneira de Ronaldo.


 


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A minha irmãzinha não viu o jogo comigo, fê-lo em casa de colegas. Quando chegou a casa, já muito depois do jogo, veio abraçar-se a mim e perguntou:


 


- 'Fia, porque é que tem de ser sempre assim?


 


Ela não é a única a fazer esta pergunta. Não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira e não vai ser, certamente, a última vez que escrevo sobre uma situação que Portugal complica desnecessariamente. Penso que já escrevi isto antes, noutra ocasião, mas este é um daqueles casos em que, quanto mais as coisas mudam, mas elas ficam na mesma. É ao mesmo tempo exasperante e caricato. 


 


O que distingue este caso de outros é o discurso de Fernando Santos ao longo de... bem, o último ano. Ele tem-se fartado de dizer que quer conquistar o título e esse discurso tem convencido muitos (incluindo Miguel de Sousa Tavares, de todas as pessoas!). Eu tinha avisado, Fernando Santos não podia falar assim para depois termos resultados como este.


 


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Resultado esse que colocou logo dois terços do País a vociferar contra Fernando Santos, Ronaldo, o resto da Seleção e tudo o que ela representa. Nada disso é novidade para mim. Conforme já foi assinalado muito bem na blogosfera, a larga maioria dos adeptos da Seleção não tem fibra para estas andanças. Tal como já assinalei inúmeras vezes aqui no blogue, ser-se adepto da Seleção não é fácil, não é para fracos. Qualquer um é capaz de apoiar Portugal depois de ganhar 7-0 à Estónia. Nem todos são capazes de fazer o mesmo depois de a Seleção empatar com a Islândia ou perder 4-0 com a Alemanha. Eu estou sempre lá, mesmo quando é contra o que a razão me dita. Basta-me recordar o Mundial 2014, em que perdi a fé após o empate frente aos Estados Unidos, mas não deixei de sofrer e entusiasmar-me durante o jogo com o Gana.


 


Continuo a achar que Portugal podia, e devia ter feito mais. No entanto, ainda nada está perdido. Já estivemos em situações piores e demos a volta (vide 2004 e 2012). Eu vou assumir que Fernando Santos e o resto da Turma das Quinas farão as correções necessárias a tempo dos próximos jogos. As declarações do Selecionador ontem, aliás, deixaram-me um pouco mais animada - respeito, aliás, a Fernando Santos por ter vindo dar a cara, responder às perguntas, depois da nossa má estreia. Posso continuar com as minhas dúvidas, com a minha fé abalada, mas sábado, frente à Áustria, estarei de olhos postos na televisão, armada com a minha velha blusa, o meu velho boné e o meu cachecol, esperando até ao último minuto que a Seleção consiga uma vitória. Também isso será sempre assim.


 


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P.S. Só reparei no dia seguinte, já muito depois do jogo, que o meu último texto neste blogue foi destacado pela equipa do Sapo Blogs. Este destaque não podia ter sido mais bem-vindo. Eu tive algumas dificuldades para publicar esta crónica. Andei cansada e sem vontade de escrever durante o último fim de semana, em parte por causa de um casamento a que fui na sexta-feira. Na segunda-feira tive de recorrer a vários cafés para acabar o texto - e, mesmo assim, só consegui publicá-lo no fim da noite. Eu não dependo do tráfego para manter os meus blogues (se assim fosse, teria desistido ao fim de um mês), mas significou muito para mim ver este meu esforço recompensado. Motiva-me ainda mais para manter aqui o estaminé a funcionar, sobretudo agora, durante o Europeu. O que eu quero dizer em suma é... obrigada!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Portugal 7 Estónia 0 - Injeção de confiança antes da nossa estreia no Euro 2016

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Na passada quarta-feira, dia 8 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere estónia por sete bolas sem resposta, em jogo de carácter preparatório do Campeonato Europeu da modalidade, em decurso neste momento. Este encontro teve lugar no Estádio da Luz... e eu estive lá.


 


Eu tinha dito na entrada anterior que não poderia ir ao jogo. Isto porque a minha irmã tinha (e teve) um teste no dia seguinte e eu não queria ir sem ela. No entanto, na véspera do jogo, dei com este vídeo e parei para pensar. Nos últimos anos houveram muitas oportunidades semelhantes que eu não pude aproveitar, por um motivo ou por outro. Mas naquele dia tinha possibilidades de ir ao Colombo àquela hora. Se não tentasse a minha sorte, arrepender-me-ia (sobretudo depois de o jogo ter corrido da maneira como correu). Por isso, fui. Não que estivesse à espera de ganhar os bilhetes: calculava que estaria lá imensa gente, que tivesse de responder a alguma pergunta sobre a História remota da Seleção, eu sei lá... Eu nunca tinha ganho nada em passatempos deste género, porque haveria de ganhar agora?


 


Na verdade, foi quase tão fácil como chegar lá e pedir. Não tinha chegado a ver a parte de provar "que era um dos melhores adeptos da Seleção" (se tivesse sabido, ter-lhe-ia dado o link do meu blogue) mas, quando a repórter me pediu para falar para a câmara, não tive grandes dificuldades em improvisar uma mensagem de apoio, baseando-me no que tenho escrito inúmeras vezes, de inúmeras formas, ao longo de anos, aqui no estaminé. Disse que sigo a Seleção há muito tempo, nos bons e nos maus momentos sem nunca virar costas, que esta me tem dado muitas alegrias, que continuarei a apoiá-los durante o Europeu. Na altura, não tive lata para divulgar o blogue, mas disse algo como "costumo dizer que o meu clube é a Seleção". Ainda pensei que fossem publicar o vídeo das minhas declarações, mas já ficaria feliz se soubesse que o mostraram a Fernando Santos e/ou aos jogadores. No fim, deram-me o convite duplo e passei a hora seguinte (talvez mais) incapaz de acreditar que tinha conseguido, que ia ver a Seleção outra vez, antes do Europeu!


 


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Por outro lado, verdade seja dita, depois de tanta parvoíce, de tanto sofrimento ao longo destes anos todos com a Equipa de Todos Nós, já estava na altura de a Federação me oferecer qualquer coisa.


 


De início, a minha irmã não ficou muito contente por a "obrigar" a ir ao jogo. No entanto, ela ia acompanhar a transmissão televisiva de qualquer forma, mesmo com o teste. Acabou por concluir que o tempo perdido para ir e voltar do Estádio da Luz não faria diferença, até porque ainda tinha a quarta e a quinta-feira quase todas para estudar. Afinal de contas, não é todos os dias que se recebem bilhetes grátis.


 


A verdade é que já pagámos para assistir a uma mão-cheia de jogos da Seleção ao vivo. Demasiadas vezes para o meu gosto, temos levado com exibições fraquinhas, sobretudo nos últimos anos (vide este e este jogo). Por sinal, foi na única ocasião em que não tivemos de pagar bilhete que a Turma das Quinas marca o maior número de golos


 


À semelhança do que aconteceu antes, ficámos no terceiro anel. Infelizmente a experiência do jogo foi-nos quase arruinada por uns indivíduos armados em engraçadinhos, que entraram ao mesmo tempo que nós e se sentaram umas filas abaixo de nós, que já nas escadas se puseram a cantar pelo S.L.B. A minha irmã, sportinguista confessa e militante, irritou-se logo. Eu, por norma, tenho mais paciência nestas coisas, mas até eu me enervei ao ver que eles não se calavam, que durante o jogo gritavam coisas como "Mete o Jonas!" ou "Ó Patrício, não estás em Alvalade!". Talvez seja só eu, mas acho falta de educação gritar-se por clubes durante um jogo da Turma das Quinas. Se aqueles tipos preferem claramente o Benfica à Seleção (e têm esse direito) e não conseguem desligar-se do clube durante duas míseras horas para ver a Equipa de Todos Nós, que vieram eles fazer ao Estádio?


 


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Eu a minha irmãzinha merecíamos um prémio (OK, mais um depois dos convites...) por termos aguentado o jogo todo sem lhes atirar nada, sem sequer lhes despejar uma garrafa de água em cima. A tentação foi grande. Mas a verdade é que é assim que começa a violência entre adeptos de futebol que eu tanto abomino. Como reza um meme de que gosto muito, este mundo está cheio de idiotas, uma pessoa não ganha nada em descer ao nível deles. De qualquer forma, a partir de certa altura, eles calaram-se ao som de tanto grito de golo. 


 


A entrada de Portugal em jogo não foi assim tão avassaladora como o resultado dá a entender. A primeira meia hora do jogo foi pouco empolgante, com poucas oportunidades para qualquer um dos lados. A Estónia estava claramente a estacionar o autocarro - houve ocasiões em que eu via os onze estónios no nosso meio-campo, em que via cinco estónios formando uma linha perfeita, transversal ao relvado. Suponho que a Estónia seja uma versão muito soft daquilo que nos espera no grupo do Europeu. Calculei que fosse um daqueles casos em que é preciso um primeiro golo para quebrar o gelo e ficar tudo mais fácil. E não me enganei.


 


Esse primeiro golo veio com um toque de magia: Ricardo Quaresma assistiu de trivela para a cabeça do recém-chegado Cristiano Ronaldo, que cabeceou para as redes estónias. No que restava da primeira parte (menos de nove minutos) marcaram-se mais dois golos. O segundo voltou a meter magia de Quaresma, que desta feita não precisou de Ronaldo para enfiar a bola na baliza (ainda que, à primeira vista, me tenha parecido que fora o Capitão a dar o toque final). Poucos minutos depois, Cristiano Ronaldo teve um entendimento perfeito com João Mário, numa jogada que terminou com a assistência do médio para o remate do madeirense. 


 


ronaldo abraça quaresma.jpg


 


No início da segunda parte, já sem Ronaldo, Portugal ainda apanhou um pequeno susto no início do segundo tempo, quando os estónios conseguiram enviar uma bola à barra, na sequência de um livre. Poucos minutos mais tarde, Quaresma bateu um livre para a cabeça de Danilo Pereira, que aproveitou para fazer o seu primeiro golo pela Seleção. O eterno mustang voltaria a destacar-se ao assistir para o auto-golo estónio.


 


Mais tarde, aos setenta e seis minutos, Renato Sanches (que saltara do banco e estava a fazer um jogo muito inconsistente) fez uma daquelas arrancadas que o tornaram famoso, assistiu para Quaresma (outra vez), que assinou o seu segundo golo da noite. Por sua vez, foi André Gomes que, poucos minutos depois, assistiu Éder (também ele suplente utilizado) para o golo final da noite.


 


Tal como a derrota frente à Inglaterra não significou que estava tudo mal com a Seleção, também esta vitória generosa não significa que esteja tudo bem. Há que ter em conta que este adversário terá sido escolhido a dedo para garantir uma vitória fácil, talvez com goleada, para elevar a auto-estima e dar confiança aos jogadores e adeptos para a participação no Europeu. No entanto, não é todos os dias que se ganha por 7-0, sobretudo se nos recordámos, tal como assinalei antes, que passámos um ano, um ano e meio, a ganhar pela margem mínima. Mais, não é todos os dias que eu salto do banco de um estádio e grito "GOLO!" sete vezes numa só noite. Este jogo pode não ter contado para nada, mas a injeção de confiança poderá ter bons resultados.


 


festinhas a quaresma.jpg


 


Entre esses jogadores com confiança elevada encontra-se Ricardo Quaresma, cuja magia catalisou em grande parte esta goleada. Já muitos exaltaram o talento tardio do nosso Harry Potter, eu não tenho muito mais a acrescentar. Digo apenas que ele se queixou, recentemente, que em Portugal não lhe davam o devido valor, pelo menos não tanto como na Turquia. Não digo que não haja verdade nestas declarações, mas estas não se confirmaram no Estádio da Luz. Pelo contrário, os adeptos fartaram-se de aplaudi-lo, sobretudo quando ele batia cantos. Talvez esse amor que o público deu a Quaresma durante o jogo tenha catalisado a sua boa exibição. Talvez tenha ocorrido ao contrário. Só sei que é disto que o cântico fala quando cantamos "Tudo o que eu te dou, tu me dás a mim".


 


Todos concordam que, com este jogo, Quaresma rouba a titularidade a Nani, merecidamente. O pior é que o mustang está em dúvida para a nossa estreia no Europeu devido a uma mialgia de esforço (isto só a nós...). Eu não me importo por aí além se optarem por poupá-lo no jogo de amanhã (nestas coisas, antes um pássaro na mão que dois a voar), até porque acredito que Nani saberá dar conta do recado. Se alguma coisa correr mal (três vezes na madeira), não será por aí.


 


Com isto tudo, estamos a menos de vinte e quatro horas do momento da verdade, da nossa estreia no Euro 2016. Não estou tão nervosa como esperaria estar, tendo em conta a importância deste jogo, o facto de esse ser o momento em que passaremos das palavras, das promessas, das ambições - e estas, como sabemos, são grandes - à ação. Talvez por estarmos num grupo em que, em princípio (porque neste Europeu equipas menos cotadas têm surpreendido), não teremos problemas de maior. Talvez porque, ao contrário do que aconteceu há dois anos, tudo parece estar no sítio certo: tirando o caso de Quaresma, a equipa parece bem fisicamente, unida, empenhada. Fernando Santos tem tido um discurso ao mesmo tempo realista e ambicioso. Não sei se isto chega para conquistar o Europeu, tal como todos ambicionamos, mas acho - sublinho, acho - que temos condições para fazer um bom campeonato.


 


abraços na luz.jpg


 


Eu provavelmente devia estar mais nervosa. Segundo uma velha superstição minha, dá azar não estar nervosa, não ter medo, mas a verdade é que não estou nervosa, não tenho medo - não tanto como noutras ocasiões deste género e definitivamente menos que no início da preparação do Europeu. Não garanto que se mantenha assim até ao início do jogo, no entanto... Acredito que é possível Portugal levantar a Taça caso a sorte esteja do nosso lado e, sobretudo, se todos fizerem bem o seu trabalho.


 


Na verdade, tudo o que eu quero neste momento é que nos deixemos todos de conjeturas, especulações e promessas. Tivemos meses e meses disso. O que eu quero é que o jogo de amanhã comece e que vejamos de que é que esta Seleção é capaz.


 


Acompanhem as últimas horas antes do jogo, bem como tudo o que acontecer a seguir na página de Facebook daqui do estaminé.

domingo, 5 de junho de 2016

Inglaterra 1 Portugal 0 - 10 de 11 milhões

ninguém passa por Ricardo Carvalho.png


Na passada quinta-feira, dia 2 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol foi ao Estádio de Wembley, em Londres, defrontar a congénere local, num jogo de caráter preparatório do Campeonato Europeu da modalidade, que começa em França dentro de poucos dias. Este encontro terminou com uma vitória pela margem mínima para a seleção da casa.


 


A Inglaterra entrou no jogo claramente a dominar, com Portugal concentrando-se mais à defesa, com pouquíssimas oportunidades de golo para ambas as equipas. Só Deus sabe o que poderia ter acontecido se o curso normal do jogo não tivesse sido alterado... pela expulsão do Bruno Alves.


 


Fernando Santos e alguns jogadores mais tarde defenderiam que o árbitro podia ter sido mais compreensivo e evitado o vermelho, visto este ser um jogo particular e Bruno Alves não ter agido por maldade e tal. Eu no entanto acho que ele foi bem expulso. Com intenção ou não (e não me parece que tenha havido), aquele golpe de kung-fu podia ter tido consequências graves e era completamente desnecessário num jogo a feijões. Além disso, o lance correu mundo (sabem como os ingleses são...), deixando uma má impressão da Turma das Quinas. Eu fico um bocadinho preocupada, porque o defesa já anda nisto há demasiado tempo, devia ter juízo. Dito isto, é melhor cometer asneiras destas quando não conta para nada, antes do Europeu, em vez de cometê-las quando for a sério - sim, Pepe, estou a falar de ti e do teu momento de parvoíce no jogo com a Alemanha. Aliás, tu também me preocupas, depois das fitas que fizeste na Liga dos Campeões. 


 



 


Portugal já não estava grande coisa em termos ofensivos, embora defendesse bem (enormes Ricardo Carvalho, Rui Patrício e Danilo). Ficando a Seleção obrigada a ser apenas 10 de 11 milhões, teve de sacrificar Rafa, ficando apenas com um avançado. Ou seja, desistimos quase completamente de atacar. A verdade é que os ingleses também não aproveitaram a oportunidade. Houve até uma altura, no início da segunda parte, em que os portugueses pareceram tomar as rédeas do jogo, mesmo em desvantagem numérica - mas não durou muito. O golo da vitória surgiu apenas nos últimos minutos, fruto de uma bola parada - Portugal já ganhou muitos jogos desta forma, não temos direito de queixa.


 


Por esta altura, já estou tão habituada a particulares parecidos com este que já nem sequer digo que foi anticlimático. Este jogo, aliás, recordou-me o nosso último com a França, em que também defendemos até mais não conseguirmos, ainda que as circunstâncias tenham sido diferentes - estávamos a jogar com onze, tínhamos Cristiano Ronaldo, etc). Começo, aliás, a questionar um bocadinho a importância destes particulares, sobretudo em alturas críticas, como esta. A época futebolística está cada vez mais desgastante, os jogadores lesionam-se com mais frequência, correndo o risco de falhar competições importantes, como o Europeu, a Copa América e o Mundial. Não é de admirar nem de censurar que os jogadores tentem poupar-se nos jogos a feijões (ou, no caso de Cristiano Ronaldo, que faltem a metade deles), mas o espetáculo sofre. É, assim, possível que o medo do desgaste tenha condicionado a Inglaterra a jogar menos bem, pelo menos em parte. Por esta altura, os particulares só servirão mesmo para fazer experiências, afinar estratégias, cometer asneiras evitando repeti-las quando for a sério e dar minutos a jogadores normalmente menos utilizados - que poderão, eventualmente, surpreender pela positiva.


 


nas alturas.jpg


 


Este jogo serviu, ao menos, para ensaiar a reação a um eventual cartão vermelho durante o Europeu. Reação essa que não foi má, mesmo com todas as atenuantes. No entanto, a pobreza exibicional do jogo só me faz, em parte, ansiar ainda mais pela nossa estreia no Europeu. Em parte, porque a outra parte de mim tem um bocadinho de medo do momento da verdade, do momento em que a Equipa de Todos Nós terá de se deixar de conversa fiada e provar as suas ambições em campo. 


 


Antes disso, teremos ainda um último particular antes de partirmos para França: dia 8 com a Estónia, no Estádio da Luz, em princípio já com Pepe e Cristiano Ronaldo. Não temos historial recente com a seleção estónia: dois jogos da Qualificação para o Mundial 2006 há mais de dez anos que correram bem para o nosso lado, e um particular em 2009 que esqueci por completo - nem sequer escrevi sobre ele no blogue. O histórico é-nos claramente favorável: ganhámos todos os jogos, exceto o de 2009, que empatámos. O jogo de quarta-feira decorre perto de minha casa, mas não posso ir vê-lo. Tenho uma certa pena, pois é a despedida da Seleção antes do Europeu, mas o adversário também não é o mais apelativo. E, de qualquer forma, queria tentar dar um salto ao aeroporto à hora da partida deles, no dia seguinte. É possível que me atrase um pouco mais do que o habitual com a crónica desse jogo, mas esta virá sempre antes do jogo com a Islândia. 


 


Continuem desse lado, aqui e na página do Facebook, enquanto a Seleção afina armas para aquilo que se espera que seja uma participação inesquecível, pelos melhores motivos, no Europeu de França.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Portugal 3 Noruega 0 - Dando a mão à palmatória

abraços a quaresma.jpgNo passado domingo, 29 de maio, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere norueguesa por três bolas sem resposta, no Estádio do Dragão, em jogo de carácter preparatório do Campeonato Europeu da modalidade, que começa na próxima semana.


 


Vou ter de dar a mão à palmatória, pois eu não estava nada à espera de um resultado como este. Tal como escrevi na crónica anterior, os últimos particulares semelhantes a este acabaram sempre sem golos e com exibições fracas. Eu até antecipei as críticas que provavelmente fariam à Seleção depois deste jogo! Não que este tenha sido um grande encontro, mas teve um bom resultado e deixou boas indicações para o Europeu.


 


Sei que Portugal entrou bem no jogo, dominando durante os primeiros minutos, abrandando o ritmo depois. A verdade é que não prestei muita atenção ao jogo durante a primeira parte. Estava, aliás, distraída, na conversa, no momento do golo de Ricardo Quaresma (em minha defesa, era sobre algo mais ou menos importante). Fico com pena de não ter visto a trivela em direto: uma bela obra de arte, nove anos depois de outra trivela marcante, frente à Bélgica. Já se começa a dizer que Quaresma desafia a titularidade de Nani. Eu não diria ainda isso, que Nani já conta muitos anos a virar frangos e atravessa um bom momento. Mas a Seleção só tem a ganhar com este tipo de concorrência.


 


quaresma agradece ao dragão.jpg


 


Como referi acima, depois dos primeiros vinte minutos, a Seleção baixou as linhas - mais do que Fernando Santos esperava, segundo declarações do mesmo no fim do jogo. Não me passou despercebida a fífia de José Fonte com o norueguês King, que poderia ter dado para o torto não fosse a intervenção do guarda-redes Anthony Lopes. 


 


Na segunda parte as coisas estiveram um pouco mais consistentes para o lado português. Pouco após os sessenta minutos, é marcado livre a nosso favor. Adrien e Raphael Guerreiro posicionam-se para marcar. Enquanto tentava adivinhar qual dos dois bateria o livre, lembrei-me, por acaso, que Guerreiro já tinha marcado pelo menos um golo pelo seu clube de maneira semelhante. E de facto o miúdo executou o livre de forma soberba para dentro da baliza.


 


Este golo deixou-me muito satisfeita. Como sabem, fiquei rendida a Raphael Guerreiro com o inesquecível golo à Argentina, no último minuto. Renato Sanches pode ser o menino-prodígio do momento, mas Guerreiro merece tanto carinho como ele. Continuo a fazer figas para que Guerreiro seja titular.


 


Entretanto, Ricardo Carvalho e Ricardo Quaresma foram substituídos e Éder recebeu a braçadeira de Capitão. Eu e a minha irmã estranhámos o facto, mas a verdade é que não havia ninguém mais experiente em campo em termos de Seleção.


 


- Só para verem - disse a minha irmã - o Éder é ponta-de-lança, tem internacionalizações suficientes para ser Capitão, mas só tem um golo marcado.


 


Eu tive de concordar. No entanto, Éder calar-nos-ia a todos aos setenta e um minutos, ao encostar para a baliza após passe de João Mário.


 


abraços a éder.jpg


 


É isto que queremos de Éder. Que marque golos, que justifique a Convocatória, a confiança do Selecionador, o benefício da dúvida que lhe dei, que vá calando os críticos, eu incluída. Este golo servirá, certamente, para dar confiança a Éder para os próximos jogos, sobretudo durante o Europeu.


 


No fim do jogo, o público entoou o cântico novo, "Tudo O Que Eu te Dou - Somos Portugal", algo que já tinha ocorrido amiudadas vezes durante o jogo, encorajados pelo speaker - a Federação está mesmo a tentar enfiar-nos o cântico pelas goelas abaixo. Dito isto, eu até gostei de ouvir o público cantando em coro durante o jogo. Era isto que o Cristiano Ronaldo queria, não era?


 


Este foi o resultado mais dilatado da era Fernando Santos. A Noruega, não sendo uma potência do futebol, também não está propriamente ao nível do Luxemburgo. É um claro progresso relativamente aos primeiros particulares de estágios anteriores. As falhas apresentadas neste jogo (e não foram assim tão poucas) não são motivo para grandes dramas, nesta altura do campeonato. 


 


cumprimentos de fernando santos.jfif


 


Dito isto tudo, Fernando Santos não alinhou em euforias, bem pelo contrário. O Selecionador disse mesmo que "o resultado é bom mas não é mais do que isso", que "esperava um pouco mais neste jogo em termos de automatismos". Concorde-se ou não com ele, é sempre preferível quando o treinador está menos satisfeito que os comentadores em geral. Porque o treinador pode corrigir os defeitos que encontra, ao contrário do comentador e do adepto comum. Em todo o caso, conforme Cédric afirmou após o jogo, a preparação ainda estava a começar aquando do jogo, ainda havia tempo para limar as arestas que faltavam.


 


A Seleção volta a entrar em campo hoje, com um adversário de calibre bem diferente. Os nossos três últimos jogos com a Inglaterra foram... engraçados. Só me lembro dos dois últimos - falei dos dois em entradas recentes. Mas já se passaram dez anos. Segundo o que tenho lido, hoje a seleção inglesa é uma seleção muito jovem e parte para o Europeu com ambições semelhantes às nossas.


 


Este jogo com a Inglaterra será um teste de fogo à Equipa de Todos Nós, para ver como esta se sai perante uma seleção grande. Tendo em conta que nunca ganhámos em terras de Sua Majestade e estando nós ainda a meio da preparação do Europeu e sem Cristiano Ronaldo, as minhas expectativas para este jogo não são muito altas. No entanto, a Seleção já surpreendeu perante equipas grandes nos últimos dois anos (com as devidas atenuantes). Nunca se sabe, portanto...


 


Tenho uma certa pena por Cristiano Ronaldo não participar neste jogo. Tinha uma curiosidade mórbida relativamente à maneira como os ingleses o receberiam depois do que aconteceu no Mundial 2006. Também tenho pena que não tenham convidado o guarda-redes Ricardo para assistir ao jogo, só para gozar.


 


treinos em wembley.jpg


 


Podemos ir ainda a meio da preparação do Europeu, mas já conseguimos coisas importantes. O grupo parece unido, motivado, empenhado. A mensagem ambiciosa de Fernando Santos está a ser adotada, colocada em prática por toda a Seleção (jogadores, equipa técnica, pessoal de apoio), a alastrar um pouco para a massa adepta. São cada vez mais as vozes que se juntam ao coro daqueles que acreditam na nossa Seleção (José Mourinho, Rui Costa, Marco Silva...). Tudo isto pode não ser suficiente para garantir um bom desempenho no Europeu, mas ajuda muito. Não me lembro de isto ter existido aquando do Mundial 2014, pelo menos não neste grau - talvez isso tenha feito a diferença. 


 


Uma parte de mim continua com algum medo, algum cepticismo, sem certezas absoluta de que a Equipa de Todos Nós conseguirá traduzir todo este otimismo, toda esta ambição em campo. Rui Costa, no entanto, já disse que Portugal não pode ter medo de se assumir como candidato. Fernando Santos disse em tempos que Portugal brilha quando não tem medo - os grandes feitos da nossa Seleção nos últimos dezasseis anos são prova disso. Por fim, Pedro Pauleta disse há dez anos, precisamente numa sala cheia de ingleses, que o povo português não tem medo de nada, que foi assim que conseguiu dar novos mundos ao Mundo. 


 


Que o jogo de hoje sirva, então, para Portugal praticar o futebol sem medo.


 


 

Portugal 3 Noruega 0 - Dando a mão à palmatória

abraços a quaresma.jpgNo passado domingo, 29 de maio, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere norueguesa por três bolas sem resposta, no Estádio do Dragão, em jogo de carácter preparatório do Campeonato Europeu da modalidade, que começa na próxima semana.


 


Vou ter de dar a mão à palmatória, pois eu não estava nada à espera de um resultado como este. Tal como escrevi na crónica anterior, os últimos particulares semelhantes a este acabaram sempre sem golos e com exibições fracas. Eu até antecipei as críticas que provavelmente fariam à Seleção depois deste jogo! Não que este tenha sido um grande encontro, mas teve um bom resultado e deixou boas indicações para o Europeu.


 


Sei que Portugal entrou bem no jogo, dominando durante os primeiros minutos, abrandando o ritmo depois. A verdade é que não prestei muita atenção ao jogo durante a primeira parte. Estava, aliás, distraída, na conversa, no momento do golo de Ricardo Quaresma (em minha defesa, era sobre algo mais ou menos importante). Fico com pena de não ter visto a trivela em direto: uma bela obra de arte, nove anos depois de outra trivela marcante, frente à Bélgica. Já se começa a dizer que Quaresma desafia a titularidade de Nani. Eu não diria ainda isso, que Nani já conta muitos anos a virar frangos e atravessa um bom momento. Mas a Seleção só tem a ganhar com este tipo de concorrência.


 


quaresma agradece ao dragão.jpg


 


Como referi acima, depois dos primeiros vinte minutos, a Seleção baixou as linhas - mais do que Fernando Santos esperava, segundo declarações do mesmo no fim do jogo. Não me passou despercebida a fífia de José Fonte com o norueguês King, que poderia ter dado para o torto não fosse a intervenção do guarda-redes Anthony Lopes. 


 


Na segunda parte as coisas estiveram um pouco mais consistentes para o lado português. Pouco após os sessenta minutos, é marcado livre a nosso favor. Adrien e Raphael Guerreiro posicionam-se para marcar. Enquanto tentava adivinhar qual dos dois bateria o livre, lembrei-me, por acaso, que Guerreiro já tinha marcado pelo menos um golo pelo seu clube de maneira semelhante. E de facto o miúdo executou o livre de forma soberba para dentro da baliza.


 


Este golo deixou-me muito satisfeita. Como sabem, fiquei rendida a Raphael Guerreiro com o inesquecível golo à Argentina, no último minuto. Renato Sanches pode ser o menino-prodígio do momento, mas Guerreiro merece tanto carinho como ele. Continuo a fazer figas para que Guerreiro seja titular.


 


Entretanto, Ricardo Carvalho e Ricardo Quaresma foram substituídos e Éder recebeu a braçadeira de Capitão. Eu e a minha irmã estranhámos o facto, mas a verdade é que não havia ninguém mais experiente em campo em termos de Seleção.


 


- Só para verem - disse a minha irmã - o Éder é ponta-de-lança, tem internacionalizações suficientes para ser Capitão, mas só tem um golo marcado.


 


Eu tive de concordar. No entanto, Éder calar-nos-ia a todos aos setenta e um minutos, ao encostar para a baliza após passe de João Mário.


 


abraços a éder.jpg


 


É isto que queremos de Éder. Que marque golos, que justifique a Convocatória, a confiança do Selecionador, o benefício da dúvida que lhe dei, que vá calando os críticos, eu incluída. Este golo servirá, certamente, para dar confiança a Éder para os próximos jogos, sobretudo durante o Europeu.


 


No fim do jogo, o público entoou o cântico novo, "Tudo O Que Eu te Dou - Somos Portugal", algo que já tinha ocorrido amiudadas vezes durante o jogo, encorajados pelo speaker - a Federação está mesmo a tentar enfiar-nos o cântico pelas goelas abaixo. Dito isto, eu até gostei de ouvir o público cantando em coro durante o jogo. Era isto que o Cristiano Ronaldo queria, não era?


 


Este foi o resultado mais dilatado da era Fernando Santos. A Noruega, não sendo uma potência do futebol, também não está propriamente ao nível do Luxemburgo. É um claro progresso relativamente aos primeiros particulares de estágios anteriores. As falhas apresentadas neste jogo (e não foram assim tão poucas) não são motivo para grandes dramas, nesta altura do campeonato. 


 


cumprimentos de fernando santos.jfif


 


Dito isto tudo, Fernando Santos não alinhou em euforias, bem pelo contrário. O Selecionador disse mesmo que "o resultado é bom mas não é mais do que isso", que "esperava um pouco mais neste jogo em termos de automatismos". Concorde-se ou não com ele, é sempre preferível quando o treinador está menos satisfeito que os comentadores em geral. Porque o treinador pode corrigir os defeitos que encontra, ao contrário do comentador e do adepto comum. Em todo o caso, conforme Cédric afirmou após o jogo, a preparação ainda estava a começar aquando do jogo, ainda havia tempo para limar as arestas que faltavam.


 


A Seleção volta a entrar em campo hoje, com um adversário de calibre bem diferente. Os nossos três últimos jogos com a Inglaterra foram... engraçados. Só me lembro dos dois últimos - falei dos dois em entradas recentes. Mas já se passaram dez anos. Segundo o que tenho lido, hoje a seleção inglesa é uma seleção muito jovem e parte para o Europeu com ambições semelhantes às nossas.


 


Este jogo com a Inglaterra será um teste de fogo à Equipa de Todos Nós, para ver como esta se sai perante uma seleção grande. Tendo em conta que nunca ganhámos em terras de Sua Majestade e estando nós ainda a meio da preparação do Europeu e sem Cristiano Ronaldo, as minhas expectativas para este jogo não são muito altas. No entanto, a Seleção já surpreendeu perante equipas grandes nos últimos dois anos (com as devidas atenuantes). Nunca se sabe, portanto...


 


Tenho uma certa pena por Cristiano Ronaldo não participar neste jogo. Tinha uma curiosidade mórbida relativamente à maneira como os ingleses o receberiam depois do que aconteceu no Mundial 2006. Também tenho pena que não tenham convidado o guarda-redes Ricardo para assistir ao jogo, só para gozar.


 


treinos em wembley.jpg


 


Podemos ir ainda a meio da preparação do Europeu, mas já conseguimos coisas importantes. O grupo parece unido, motivado, empenhado. A mensagem ambiciosa de Fernando Santos está a ser adotada, colocada em prática por toda a Seleção (jogadores, equipa técnica, pessoal de apoio), a alastrar um pouco para a massa adepta. São cada vez mais as vozes que se juntam ao coro daqueles que acreditam na nossa Seleção (José Mourinho, Rui Costa, Marco Silva...). Tudo isto pode não ser suficiente para garantir um bom desempenho no Europeu, mas ajuda muito. Não me lembro de isto ter existido aquando do Mundial 2014, pelo menos não neste grau - talvez isso tenha feito a diferença. 


 


Uma parte de mim continua com algum medo, algum cepticismo, sem certezas absoluta de que a Equipa de Todos Nós conseguirá traduzir todo este otimismo, toda esta ambição em campo. Rui Costa, no entanto, já disse que Portugal não pode ter medo de se assumir como candidato. Fernando Santos disse em tempos que Portugal brilha quando não tem medo - os grandes feitos da nossa Seleção nos últimos dezasseis anos são prova disso. Por fim, Pedro Pauleta disse há dez anos, precisamente numa sala cheia de ingleses, que o povo português não tem medo de nada, que foi assim que conseguiu dar novos mundos ao Mundo. 


 


Que o jogo de hoje sirva, então, para Portugal praticar o futebol sem medo.


 


 

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