segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Três quartos cheio

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No passado sábado, dia 17 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou sem golos com a sua congénere italiana, em San Siro, em jogo a contar para a fase de grupos da Liga das Nações. Com este resultado, Portugal garantiu presença na fase final da Liga – onde tudo indica que será anfitrião. Três dias mais tarde, a Seleção Nacional empatou a uma bola com a sua congénere polaca, no Estádio Afonso Henriques, em Guimarães. Este jogo serviu apenas para cumprir calendário.


 


Talvez tenham estranhado não ter publicado uma crónica antes desta dupla jornada. Conforme expliquei na página de Facebook deste blogue, não se justificava. Eram adversários com quem tínhamos jogado pouco tempo antes e não tinha quase nada a dizer sobre as novidades na Convocatória. Não quis estar a perder tempo com um texto que não acrescentaria nada.


 


Não se admirem se voltar a fazer o mesmo em alturas semelhantes, no futuro.


 


E a verdade é que esta dupla jornada foi pouco interessante, na minha opinião. É ótimo termos garantido lugar na fase final da Liga das Nações, não me interpretem mal. Mas os jogos em si foram, perdoem-me a expressão, uma seca. Além de que, de uma maneira muito típica comigo, o timing podia ter sido melhor.


 


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Pelo menos no que toca ao jogo com a Itália, no sábado. Não consegui prestar muita atenção porque estava distraída com várias coisas. Por exemplo, estava a fazer o jantar à pressa, a consumi-lo e a arranjar-me para sair (sim, tinha planos para um sábado à noite. Não é habitual comigo, mas acontece).


 


Acho que não perdi muito, para ser sincera. Na primeira parte, só deu Itália – o seu ímpeto ofensivo empurrou Portugal para um bloco baixo, do qual os Marmanjos não conseguiram sair. Nos bocadinhos em que pude olhar para a televisão, reparei que os nossos mal saíam do seu meio-campo. Quando a bola escapava para terreno italiano, não estava lá ninguém para pegar nela. O guarda-redes Gianluigi Donnarumma podia ter aproveitado a primeira parte para um “pisolino”, como se diz em italiano, que não teria feito diferença.


 


Por seu lado, Rui Patrício é capaz de ter sido o melhor português da noite. As suas defesas impediram que o domínio italiano se traduzisse em golos. Se Portugal conseguiu segurar o empate e garantir um lugar na fase final, Patrício terá sido o principal responsável.


 


Só temos de dar graças por termos um guarda-redes de classe mundial do nosso lado.


 


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Por alturas da segunda parte, os italianos começaram a perder o gás, após quarenta e cinco minutos de intensidade. Ao mesmo tempo, a entrada de João Mário catalisou um maior domínio de Portugal, nesta fase do joo.


 


Ainda assim, o primeiro remate portuga enquadrado com a baliza ocorreu apenas aos setenta e seis minutos – isso alguma vez tinha acontecido num jogo da Seleção? E o maior ímpeto português não chegou para marcar golos, apenas para segurar o empate.


 


Sim, foi um jogo fraquinho. Uma versão extrema do Pouco Importa, do “de empate em empate até ao empate final”. Não vou criticar muito porque, em primeiro lugar, foi o suficiente para a final four e vínhamos de duas vitórias no grupo. Além disso, foi só há pouco tempo que voltámos a ganhar à Itália, após décadas de seca. Consta, até, que esta foi a primeira vez que não sofremos nenhum golo em terreno italiano.


 


Havemos de regressar aqui ao copo meio cheio (que, na verdade, é mais copo três quartos cheio). Para já, falemos sobre o jogo com a Polónia – este apenas para cumprir calendário.


 


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Este foi um daqueles dias em que saí do trabalho às oito da noite, logo, só consegui acompanhar a primeira parte (e mesmo assim não toda) via rádio. Como este era, na prática, um jogo amigável, Fernando Santos aproveitou para fazer experiências. Mudou sete jogadores em relação ao jogo com a Itália. Voltou, assim, a ser um jogo pouco excitante.


 


Ao menos foi mais equilibrado que a partida de sábado, em San Siro. Renato Sanches assinou um par de remates (e aposto que os polacos sentiram calafrios sempre que o miúdo pegava na bola). Por outro lado, Beto ia metendo água aos nove minutos (ainda bem que só vi a cena mais tarde, nos resumos), mas depois redimiu-se, aos quinze minutos, negando o golo a Frankowski, em grande estilo.


 


O golo portuga chegou aos trinta e quatro minutos. Renato Sanches cobrou um pontapé de canto, André Silva desviou de cabeça para as redes polacas.


 


O tempo passa, várias coisas mudam, muitas delas para pior, o meu foco já não é o mesmo que há uns anos. No entanto, se há coisas que não falham em deixar-me feliz são golos das Quinas. Quer sejam em jogos de Europeus ou Mundiais, quer sejam jogos a feijões, como este. Sou uma mulher simples.


 


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Já estava em casa quando começo a segunda parte do jogo, mas infelizmente as coisas não correram tão bem. Os polacos dispuseram de algumas ocasiões, perto da hora de jogo, incluindo uma em que João Cancelo teve de defender de cabeça, em cima da linha de baliza.


 


Tem andado a jogar muito bem, o miúdo, sobretudo nesta fase de grupos. Estou contente.


 


Infelizmente, aos sessenta e um minutos, William Carvalho fez um mau atraso, a bola foi parar a Milik e Danilo viu-se obrigado a travá-lo em falta, na grande área. À primeira vista, talvez fosse um castigo demasiado duro, mas suponho que fosse uma situação clara de golo. Foi o próprio Milik quem converteu o penálti (que teve de ser batido duas vezes, não percebi bem porquê).


 


Depois desta, Portugal não conseguiu fazer mais do que defender, apesar de Éder e Bruma terem entrado. Beto voltou a esmerar-se, em cima do minuto oitenta, para defender um remate de Zielinski. No fim, o empate manteve-se.


 


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Eu teria preferido encerrar o ano da Seleção com uma vitória mas, mais uma vez, não me vou queixar muito. Este resultado já não contava para a Qualificação para a fase final. Consta, aliás, que fomos a única seleção na Liga A a concluir esta fase de grupos sem uma derrota.


 


Eu, no entanto, acho que quatro jogos são muito poucos para tirar grandes conclusões.


 


Na verdade, nós fomos os menos afetados pelo resultado deste jogo. Este empate influencia o futuro próximo da Polónia e… da Alemanha. Sim. este ponto permitiu à Polónia passar à frente dos seus vizinhos alemães, no ranking da FIFA. Assim, ganharam o estatuto de cabeças-de-série na Qualificação para o Euro 2020.


 


Agora que penso nisso, é a segunda vez que os polacos se enfiam na mesa dos cabeças-de-série, deixando um tradicional tubarão de fora. Aconteceu no ano passado, no sorteio para o Mundial, com a Espanha – e quem pagou fomos nós. Só espero que, neste Apuramento, a fava calhe a outro – embora, desta feita, tenhamos algumas culpas no cartório, por não termos vencido a Polónia.


 


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O que nos leva ao futuro próximo. No domingo, dia 2 de dezembro, realiza-se o sorteio dos grupos de Apuramento para o Europeu. Portugal será cabeça-de-série. Nesta Qualificação, os dois primeiros em cada um dos dez grupos passam à fase final – vinte seleções, portanto. Para as últimas quatro vagas, será realizado um playoff. Os participantes serão escolhidos de acordo com o seu desempenho na Liga das Nações.


 


Ainda bem que esta fase de grupos nos correu de feição. Em princípio, teremos este plano B. Eu acho que será preciso as coisas correrem muito mal para não conseguirmos pelo menos um segundo lugar, mesmo que nos calhe a Alemanha no grupo. Mas, três vezes na madeira, nunca se sabe.


 


Entretanto, teremos a fase final da Liga das Nações. Ainda não foi anunciado oficialmente, mas tudo indica que seremos nós a organizar. O que é ótimo, claro. Os jogos decorrerão no Estádio D. Afonso Henriques e no Estádio do Dragão. Ando a pensar tirar uns dias nessa altura para ir ver os jogos, se não for demasiado caro. Apoiava a Seleção, ficava a conhecer os estádios e dava uma volta pelo Porto e por Guimarães (não vou lá há anos). O sorteio realiza-se no dia 3 de dezembro (não percebo porque não o fazem no mesmo dia que o sorteio da Qualificação, mas pronto).


 


Havemos de falar melhor sobre o futuro e os resultados desses sorteios na crónica de Ano Novo. Esta terá a mesma estrutura das duas últimas: com o melhor e o pior do ano. Posso eventualmente só publicar em meados de janeiro, como no ano passado. Agradeço desde já a vossa paciência.


 


Entretanto, já sabem, podem ir acompanhando as coisas na página de Facebook deste blogue.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Os Silvas e os perdidos e achados

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Na passada quinta-feira, dia 11 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere placa por três bolas contra duas, em jogo a contar para a fase de grupos da Liga das Nações. Três dias depois, no domingo, a Seleção venceu a sua congénere escocesa por três bolas contra uma, em jogo de carácter particular. Com o resultado do primeiro jogo, Portugal fica a um ponto apenas do Apuramento para a Liga das Nações.


 


O início do jogo com a Polónia fez-me lembrar o do Euro 2016, no sentido em que os polacos entraram por cima no jogo, acabando por abrir o marcador. Desta feita demoraram mais – aos dezoito minutos, na sequência de um canto em que a defesa portuguesa não ficou muito bem na fotografia.


  


Um aparte: o autor do golo foi Piatek, mas o meu cérebro insistia em ouvir Triatec. Enfim, parvoíces de uma farmacêutica…


 


Portugal reagiu muito bem ao golo. Tomou as rédeas da partida, levando a cabo várias jogadas vistosas na segunda metade da primeira parte – incluindo um golo anulado a Rafa. Permanece o problema da finalização: muitos têm comentado que, com Ronaldo, a Seleção era mais concreta e eficaz. Mas eu acho que isso resolve-se com o tempo.


 


Até porque Portugal não demorou muito a chegar ao empate. Foi aos 31 minutos, fruto de uma bela jogada coletiva, em que a bola passou por Bernardo Silva e João Cancelo, até Pizzi centrar para André Silva, que rematou para as redes.


 


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Portugal conseguiu ir para o intervalo em vantagem. Ninguém se tem calado com o passe de Rúben Neves para Rafa Silva e não é para menos: a bola atravessou o comprimento equivalente a um meio-campo, encontrando Rafa desmarcado. Este consegue ultrapassar o guarda-redes polaco e só não assinou o golo oficialmente porque Glik, o defesa, cortou para a própria baliza.


 


Enfim. Para mim o golo é de Rafa.


 


Tem piada porque não era suposto Rafa estar em campo. Ou mesmo na Polónia. Rafa só fora Convocado à última hora, para substituir o lesionado Gonçalo Guedes e só foi titular porque Bruma estava indisposto.


 


O mais caricato no meio disto tudo (no melhor sentido)? Não digo que isso acontecesse com Guedes, mas tenho a certeza que, se Bruma tivesse sido titular, conforme o previsto, ele também teria brilhado. Talvez também tivesse marcado  – e acabaria por fazê-lo no jogo seguinte.


 


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Mas estou a adiantar-me.


 


O ímpeto português continuou na segunda parte – culminando com mais um golo, desta feita de Bernardo Silva. O miúdo é baixinho, sobretudo quando comparado com os gigantes polacos, mas ele conseguiu dar baile a cinco deles e rematar de fora para as redes. Ele é um espetáculo! Não admira que Pep Guardiola ande caidinho por ele (e o Deco também).


 


Infelizmente, Portugal deixou-se adormecer à sombra da vantagem de dois golos. Compreensível, mas desnecessário. A Polónia aproveitou e acabou por chegar ao golo – Blaszczykowski rematou de primeira após um mau alívio de Pepe.


 


Na verdade, o golo nem sequer devia ter sido validado, pois, no início da jogada, Bereszynski deixou a bola sair pela linha lateral durante um instante. O mais estranho disto tudo é que, segundo esta imagem, o árbitro assistente viu o que aconteceu e não fez nada.


 


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Não vou insistir muito nisto, pois acabámos por ganhar o jogo à mesma, mas espero que nada deste género se volte a repetir.


 


Por sinal, o autor deste golo foi o mesmo jogador que bateu o penálti que Rui Patrício defendeu, no jogo de 2016 – um nome como Blaszczykowski fica na memória. Conseguiu redimir-se, dois anos depois.


 


Felizmente, Portugal não deixou a Polónia ganhar ímpeto com este golo – pelo contrário, voltámos a mandar na partida, sobretudo com as entradas de Danilo Pereira e Renato Sanches. Este último esteve, até, perto de repetir o protagonismo do jogo de 2016 – com duas oportunidades, aos oitenta e quatro minutos e aos noventa. Por sua vez, também Bruno Fernandes desperdiçou uma flagrante, já em tempo de compensação.


 


É uma pena não termos terminado o jogo com um resultado mais dilatado, mas deu para segurar os três pontos. Agora basta-nos um empate para garantirmos um lugar na final four. Podíamos já estar Qualificados, descansadinhos, se no Polónia-Itália os italianos não tivessem decidido marcar no tempo de compensação, depois de noventa minutos sem golos. Foi só para nos chatear…


 


Por outro lado, também seria um bocadinho seca ter dois jogos em novembro só para cumprir calendário. Se tudo correr bem, um deles – o segundo, frente à Polónia – sê-lo-á.


 


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Não estava com grandes expectativas para o particular com a Escócia. Primeiro, era um particular. Sgundo, íamos começar com um onze radicalmente diferente – só Rúben Dias se mantinha em relação ao jogo anterior.


 


E de facto Portugal não entrou bem no jogo. A equipa parecia desarticulada, mal conseguindo tocar na bola durante os primeiros minutos. Não que a Escócia tenha conseguido aproveitar. De maneira caricata, a sua melhor oportunidade foi um quase auto-golo: Sérgio Oliveira desviou mal de cabeça e Beto teve de se esmerar.


 


Tirando esse momento, a primeira parte foi uma seca. Só para o fim é que a Seleção começou a dar um ar de sua graça. Bruma teve um par de oportunidades, mas acabou por ser o absoluto estreante Hélder Costa a fazer o golo, em cima do intervalo, após assistência de Kevin Rodrigues.


 


A segunda parte foi melhorzita, se bem que não exatamente interessante. Portugal manteve-se por cima, sobretudo com a entrada de Renato Sanches. O miúdo está finalmente a provar o seu talento outra vez e eu não podia estar mais satisfeita. Ele andou perdido durante demasiado tempo.


 


Foi, aliás, dos pés de Renato que começou a jogada do segundo golo, em cima dos setenta e cinco minutos. O jovem foi chamado a bater um livre direto, a bola encontrou a cabeça de Éder, que a desviou para as redes.


 


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Este foi o primeiro golo do ponta-de-lança desde a lendária final de Paris, há mais de dois anos. Naturalmente, toda a gente ficou feliz. Éder não teve muitas oportunidades de repetir a façanha desde o Europeu – se tivesse jogado mais vezes, poderia ter marcado antes.


 


Há quem diga, já, que ele devia ter sido Convocado antes, sobretudo para o Mundial. Não que discorde… mas também não vou dizer que não compreenda as escolhas de Fernando Santos. Por muito gratos que estejamos todos a Éder, muitos parecem ter-se esquecido que ele é um jogador de altos e baixos. Em contraste, André Silva tem assinado, de forma consistente, uma data de golos pelas Quinas. Em quem é que vocês apostariam?


 


Em todo o caso, é sempre um prazer ter Éder na Seleção, sobretudo a marcar golos. Não apenas por ter marcado o golo mais importante da História do futebol português, mas também pelo seu amor à camisola – mais velho que a final de Paris. De que outra maneira se explica ele ter aguentado tanta crítica, muitas vezes injusta, da massa adepta durante tempo suficiente para marcar aquele golo?


 


Regressando ao jogo com a Escócia, o terceiro golo foi assinado por Bruma – um belo remate após ter fugido a pelo menos três escoceses. O jovem, finalmente, junta o seu nome à lista de marcadores pelas Quinas, depois de ter passado um par de jogos ameaçando. Este é outro que andou desorientado durante uns anos e que parece ter encontrado o caminho certo.


 


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Agora que penso nisso, este foi o jogo dos perdidos e achados. Cada um dos protagonistas (tirando Kevin Rodrigues, tanto quanto sei) têm tido carreiras atribuladas, de uma maneira ou de outra. No entanto, conseguiram orientar-se e, agora, dão o seu contributo para as Quinas.


 


Os escoceses ainda conseguiram o golo de honra antes do final, num lance em que a defesa portuguesa ficou mal na fotografia, devo dizer.


 


E foi isto. Dadas as circunstâncias, não se podia exigir muito mais da parte de Portugal, neste jogo. Para ser sincera, foi melhor do que estava à espera – eu teria apostado num 1-0 ou 2-0.


 


Este jogo serviu para provar que temos segundas linhas, mesmo que não joguem tão bonito como os habituais titulares. Acho que já o disse antes, mas isto, comparado com a situação há cinco ou seis anos, são vacas gordas. Bem diz o povo, não há fome que não dê em fartura.


 


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E não é por acaso, é fruto de vários anos de trabalho por parte da Federação – e não é a primeira vez que o digo.


 


Na verdade, a “moral da história” é mais ou menos a mesma que a dos jogos do mês passado: estamos bem, a começar um capítulo novo. Estamos a entrar no futuro.


 


Nesse aspeto, a Liga das Nações tem dado jeito para fazer essa transição. São jogos oficiais mas, aos olhos de muitos, não serão tão “importantes” como, por exemplo, um Apuramento para um Europeu ou Mundial, a pressão não é a mesma. No entanto, são jogos bem mais competitivos e exigentes que os habituais particulares. E, de qualquer forma, como fomos parar a um grupo pequenino, de apenas três equipas, conseguimos encaixar dois particulares para fazer outras experiências.


 


Confesso que me é um bocadinho estranho pensar que, daqui a um mês, estaremos já a encerrar a fase de grupos desta competição. É uma rotina nova de seleções, ainda estou a habituar-me. A melhor parte, de longe, é podermos vir a participar numa fase final num ano ímpar – outra vez. Melhor ainda, podermos vir a fazê-lo no nosso próprio país!


 


…mas estou a adiantar-me. Ainda nos falta um ponto. Esperemos até que os lugares na final four estejam confirmados antes de fazermos planos para junho. Até lá…

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Os que cá estão

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Na próxima quinta-feira, dia 11 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere placa, em jogo a contar para a fase de grupos da Liga das Nações. Três dias mais tarde, defrontará a sua congénere escocesa, em jogo de carácter particular.


 


Desta vez, a Convocatória para esta dupla jornada não difere muito em relação à anterior. Entre as poucas novidades, inclui-se o regresso de Éder, o que é sempre bom, claro. A sua Chamada não surpreende: consta que ele anda a atravessar um bom momento no Lokomotiv de Moscovo. Ainda no outro dia, marcou um golo que me deixou de queixo caído – golo esse que anulou uma desvantagem aos oitenta e sete minutos, relançando a partida. O clube de Moscovo acabaria por vencer.


 


O Éder tem uma queda para momentos heroicos, dá para ver.


 


Por seu lado, Hélder Costa é a novidade absoluta. Não sabia muito sobre ele antes desta Convocatória. Segundo o que li, Hélder foi formado no Benfica, andou de um lado para o outro em empréstimos até, finalmente, encontrar o seu lugar no Wolverhampton – consta que foram os adeptos a pressionar o clube para contratá-lo, após ter passado lá uma época. Talvez Hélder já pudesse ter vindo à Seleção antes, mas mais vale tarde do que nunca.


 


Vamos ter de falar sobre Cristiano Ronaldo pois este, mais uma vez, excluiu-se voluntariamente da Convocatória. Já se sabe, aliás, que ele não regressa à Seleção este ano. Desta feita, ninguém se deu ao trabalho de dar uma desculpa – Fernando Santos disse apenas que foi combinado entre ele, Ronaldo e o presidente da Federação.


 


Para ser sincera, não estou para me chatear mais com este assunto. Ronaldo já deve estar com um pé e meio de fora da Turma das Quinas, não vale a pena contar com ele. Portugal saiu-se bem sem o madeirense na última dupla jornada, há de sair-se bem nesta. Só fazem falta os que cá estão.


 


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Além disso, aqui entre nós, à luz dos últimos acontecimentos, estou aliviada por não termos de trazer o assunto para a concentração da Equipa de Todos Nós. Não me vou pronunciar sobre o caso, pelo menos não por agora – outros já se pronunciaram melhor.


 


Vamos, então, voltar a ver os nossos amigos polacos, depois dos oitavos-de-final do Euro 2016. Se em se recordam, não foi um jogo brilhante, mas teve bons momentos. Como o golo do Renato Sanches e, claro, o famoso “Tu bates bem!”.


 


É assim que recordo os jogos desse Europeu, tirando a final e os dois primeiros, de resto: longe de brilhantes, não figurarão em nenhuma lista de top 10, estilo a minha, mas tornaram-se especiais por nos terem levado à final e por momentos como os que referi acima.


 


Há que recordar que o historial português perante a Polónia não joga a nosso favor. Só ganhámos metade dos jogos (isto é, se considerarmos o jogo do Europeu, decidido nos penáltis, uma vitória). O Mundial não correu bem aos polacos – ficaram em último no seu grupo e trocaram de selecionador após a competição – mas empataram com a Itália. Esta Polónia estará ao nosso alcance, na minha opinião, mas como o costume não convém facilitar.


 


No domingo, teremos um jogo de preparação com a Escócia. Graças a Deus, um jogo da Seleção ao fim de semana! Por uma vez, vou poder ver ambos os jogos de uma dupla jornada, sem o meu trabalho a atrapalhar.


 


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O historial perante os escoceses é ainda menos favorável que perante os polacos. No entanto, o último jogo foi em 2002, também um particular. Ganhámos com dois golos de Pedro Pauleta.


 


A única coisa de que me recordo desse jogo é de estar a chover a potes e de ver os jogadores escorregando e deslizando pelo campo fora. Parecia o Slide & Splash. Durante muito tempo, assumi que esse jogo tinha decorrido na Escócia – toda a gente sabe como é o tempo no Reino Unido – mas pelos vistos não. Foi em Braga.


 


Desta feita, o jogo será mesmo na Escócia. Talvez também chova – em Portugal deverá chover, de acordo com as previsões. Como o habitual neste tipo de encontros, o resultado será o menos relevante. A Turma das Quinas está numa fase de transição. Jogos como este dão jeito para criar rotinas, sobretudo entre os mais jovens, dar-lhes oportunidades de mostrarem o seu valor – mesmo que sejam fraquinhos em termos de entretenimento.


 


Não há muito mais a dizer sobre estes jogos, na verdade. Confesso que pus a hipótese de não escrever esta crónica. Continuo desmotivada para o futebol e o que anda a acontecer com Ronaldo não ajuda. Tenho andado, além disso, a atravessar uma fase menos boa, irritada com quase tudo, sobretudo comigo mesma.


 


Decidi escrever este texto pelos Marmanjos. Por aqueles que tão bem nos representaram na última dupla jornada – sobretudo perante a Itália, comigo nas bancadas. Por aqueles que estão de volta agora para fazer o mesmo. Por aqueles não inventam desculpas, que não viram as costas, mesmo que sejam só particulares ou provas de menor interesse, como esta Liga das Nações. Por aqueles que estão a construir o futuro da Equipa de Todos Nós, uma geração que quer dar-nos tantas alegrias como a anterior, ou ainda mais.


 


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Estes Marmanjos, os que cá estão, merecem este esforço da minha parte (que não é assim tão grande, admito. A parte mais difícil para mim é mesmo arranjar motivação para começar). Estes Marmanjos merecem isto e muito mais.


 


Esta não é a primeira e não vai ser, de certeza, a última vez que usarei a Seleção como consolo, de resto. Vou tentar deixar as minhas neuroses de lado e concentrar-me na Equipa de Todos Nós, ao longo do que resta da semana. Se quiserem ajudar-me com isso, podem fazê-lo através da página de Facebook deste blogue, aqui.

domingo, 16 de setembro de 2018

Entrando no futuro

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Na passada quinta-feira, 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a uma bola com a sua congénere croata, no Estádio do Algarve, em jogo de carácter particular. Quatro dias mais tarde, venceu a sua congénere italiana, no Estádio da Luz, em jogo a contar para a fase de grupos da primeiríssima edição da Liga das Nações… e eu estive lá!


 


Comecemos pelo jogo com a Croácia. O onze inicial português incluiu muitas novidades – só se repetiram quatro titulares relativamente ao jogo com o Uruguai. Resultou bem, ao princípio, com bastantes iniciativas por parte dos portugas. Bruma, em particular, teve uma oportunidade logo aos três minutos.


 


A Croácia, no entanto, quando tinha a bola, criava perigo. Foi assim que surgiu o primeiro golo da partida, aos dezoito minutos, após um erro de Rúben Neves – que, por sinal, tinha acabado de cobrar um livre com muito perigo.


 


Felizmente, Portugal não se deixou abalar demasiado, começou logo à procura da igualdade. E conseguiu-a. Pouco após a meia hora de jogo, na sequência de um canto em que o centenário Pepe cabeceou para as redes, após um cruzamento de Pizzi.


 


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Eu ia no carro ouvindo o relato na rádio, quando o Pepe marcou. Aproveitei para cumprir, pelo menos em parte, um desejo antigo da minha bucket list: comemorar um jogo da Seleção com uma buzinadela. Na verdade, a minha ideia era comemorar assim um golo mais “importante” (isto é, num Europeu ou Mundial), por isso, foi uma buzinadela rápida.


 


E de qualquer forma, o problema desse desejo é que, se há um jogo da Seleção num campeonato desses, vou querer estar em frente a uma televisão, não a conduzir.


 


Em todo o caso, fiquei feliz por Pepe ter marcado na sua centésima internacionalização. Eu assino por baixo de todas as homenagens que lhe têm feito – a que lhe fizeram antes do jogo com a Itália deu-me arrepios. Portugal deve muito a um cada vez mais imperial Pepe – sobretudo por causa do seu papel no nosso primeiro título.


 


Mesmo que ele nem sempre tenha sido exemplar, nunca se pôs em causa o seu camisola. Custa a acreditar que já lá vão quase dez anos – mas por outro lado, ele tem sido um dos pilares, uma das constantes da Seleção. Vai ser estranho quando ele se retirar (espero que ainda estejamos longe disso).


 


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Por outro lado, quando vimos repetições do golo, a minha irmã perguntou se os polegares na boca eram para as filhas ou para os miúdos da Seleção. Fica o mistério.


 


Durante o resto do jogo, Portugal não deixou de dominar. Nem mesmo depois das substituições, que baixaram a média das idades da equipa para pouco mais de 22 anos – é uma delícia olhar para este grupo e ver tanto talento. Desde Bernardo Silva, claro, passando por Rúben Neves, Bruma (que esteve em grande nestes jogos, numa altura em que eu mal pensava nele), Rúben Dias, Mário Rui, João Cancelo (de novo com boas exibições, após um par de jogos infelizes pela Seleção), Gelson Martins, Bruno Fernandes (a minha irmã “ralhando” com ele, por querer sempre fazer bonito e rematar de longe)... e uns quantos que ainda não foram Convocados.


 


Infelizmente, o domínio não chegou para marcar mais golos.


 


É algo que acontece com alguma frequência com equipas jovens e relativamente inexperientes: muita parra e pouca uva, muito domínio e pouco bolo. Equipas mais experientes são mais afinadas, sabem ser cínicas quando é necessário. É nestes momentos que Ronaldo ainda faz falta à Seleção.


 


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Em todo o caso, chegou para o empate e foi apenas um particular. Não foi mau, tendo em conta que, no outro lado, estavam os atuais vice-campeões do mundo.


 


Por outro lado, poucos dias depois, a Croácia seria goleada pela Espanha. Talvez tenha havido demérito dos croatas.


 


Falemos do jogo com a Itália – desta feita a doer, o nosso primeiro jogo na novíssima Liga das Nações. Conforme disse antes, estive lá com a minha irmã – mais especificamente, atrás da baliza sul. A minha irmãzinha sportinguista pôde matar saudades de Rui Patrício.


 


Portugal repetiu o onze do jogo anterior e dominou ainda mais que perante a Croácia. A Itália pouco apareceu no jogo. As coisas começaram mais ou menos equilibradas, mas cedo o equilíbrio deslocou-se a favor dos portugueses. Infelizmente, estando nós atrás da baliza de Patrício, não conseguíamos ver muito bem a ação do outro lado do campo…


 


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Uma coisa em que deu para reparar, no entanto, foi que Portugal defendeu bem. Rui Patrício não precisou de se esforçar muito, mas os outros também não comprometeram. Eu, na altura, não me atrevi a comentá-lo em voz alta, não fosse dar azar. Enfim, superstições minhas…


 


Felizmente, o único golo da partida foi marcado na baliza sul, na segunda parte. Bruma fez uma de várias arrancadas, centrou, a bola de alguma forma foi parar a André Silva, que chutou para as redes.


 


Pelos vistos, a falta de inspiração do André, no jogo com a Croácia, não passou disso mesmo: de falta de inspiração.


 


Podíamos ter chegado ao 2-0 uns minutos mais tarde, com um remate de Bernardo Silva à entrada da área. O guarda-redes italiano teve de esmerar-se – Pepe e Rúben Dias (penso que era ele…) até foram dar-lhe os parabéns depois desta.


 


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Houveram várias outras oportunidades parecidas. Só perto do fim é que os italianos deram um ar de sua graça, embora apenas tiros de pólvora seca. Ainda assim, Portugal não chegou a matar o jogo. Não deu para ficar descansada. Mas o apito final veio e os três pontos ficaram garantidos.


 


Como tínhamos comentado antes, esta não era uma jornada dupla fácil, mas os Marmanjos passaram no teste. Podiam ter-se saído melhor, sim, mas ganharam um bom avanço para a fase final da Liga das Nações. Estou muito orgulhosa da Seleção, sobretudo dos mais novos, pelo que fizeram nesta dupla jornada.


 


Nesta altura do campeonato, sinto que estamos a entrar no futuro, com tudo o de bom e o de mau que vem com ele. Alguns começam a ser deixados para trás – constantes como João Moutinho, Bruno Alves, Nani. Mesmo Cristiano Ronaldo já esteve mais longe. Como em tudo na vida, os mais jovens acabarão, mais cedo ou mais tarde, tomar o lugar deles, os mais velhos.


 


Vou precisar de algum tempo para me habituar a essa inevitabilidade. Não vai ser fácil despedir-me de jogadores que acompanhei durante uma década, ou mais, que cresceram comigo, que conquistaram o primeiro título da Equipa de Todos Nós. Ao mesmo tempo, no entanto, estou ansiosa por ver o que estes miúdos podem fazer, por criar memórias com eles, escrever a história deles.


 


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Por outro lado, estou a tentar não “embandeirar em arco”, como diz Fernando Santos. Foram apenas dois jogos e existem atenuantes. Como vimos antes, a Croácia pode não estar assim tão bem, para perder daquela forma com a Espanha. E os italianos andam com crises existenciais desde que falharam o Mundial 2018 – o que não é de admirar.


 


Não, não vai ser fácil, isto ainda agora começou. Tal como Fernando Santos, quero muito chegar à final four (e, sobretudo, que esta decorra em Portugal) mas… um passo de cada vez.


 


Que venham os próximos!


 

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Bandeira vermelha

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Na próxima quinta-feira, dia 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá, no Estádio do Algarve, a sua congénere croata, em jogo de carácter amigável. Quatro dias mais tarde, receberá a sua congénere italiana, no Estádio da Luz, naquele que será o seu primeiro jogo na primeira edição da Liga das Nações… e eu estarei lá!


 


Antes de falarmos sobre os jogos em si, falemos sobre a Convocatória para esta jornada dupla. Nomeadamente… a ausência de Cristiano Ronaldo.


 


Na altura da Convocatória irritei-me, mas a azia já me passou. Bem, quase toda. A ausência terá sido combinada entre Fernando Santos e o Capitão, que se mudou há pouco tempo para a Juventus e precisa destas duas semanas para se adaptar (note-se que, até ao momento, ele ainda não marcou em jogos oficiais… ao contrário do Cristianinho, curiosamente).


 


A minha azia tinha vários motivos: para começar, o Ronaldo não é o primeiro e não será o último jogador a vir à Seleção pouco após mudar de clube. Se o Rui Patrício, o William Carvalho e os outros jogadores do Sporting que foram atacados durante o treino puderam disputar o Mundial, um mês depois, o Ronaldo não podia disputar dois míseros jogos dois meses depois de ir para a Juventus?


 


Ainda se compreendia se fossem dois particulares. Mas um dos jogos é oficial, o primeiro numa prova novinha em folha, perante a Itália – que pode não ser o tubarão que era há uns anos, mas não é nenhum Luxemburgo.


 


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Não estamos a ir longe demais nos favores? Se o Ronaldo quer sair da Seleção, que o assuma de uma vez, como um homem adulto! Ninguém lho levaria a mal. Luís Figo tinha a idade dele quando pendurou a Camisola das Quinas. Ficaríamos tristes (eu, quase de certeza, vou chorar quando isso acontecer), mas aceitá-lo-íamos. Agora, estes meios-termos não dão com nada.


 


Hoje, passados uns dias, já aceito melhor a decisão, dele e de Fernando Santos. Se por um lado, como disse acima, há muitos jogadores que não pedem dispensa por condições mais difíceis do que uma mudança de clube, também acredito que, se alguém pedisse ao Selecionador para não ser Convocado, ele aceitá-lo-ia. Fábio Coentrão, por exemplo, pediu para não ir ao Mundial da Rússia, pois está sempre à beira de uma lesão. E, se bem me recordo, Anthony Lopes pediu dispensa da Taça das Confederações por motivos pessoais.


 


Por outro lado, se um jogador se sente mais ou menos à vontade para fazer estes pedidos é outra questão, claro. Cristiano Ronaldo tem uma margem de manobra maior do que os outros.


 


As minhas objeções são mais uma questão de princípio. Na prática, até é capaz de ser uma boa opção técnica deixar Ronaldo de fora.


 


Para o melhor e para o pior, continuamos muito dependentes do nosso Capitão. Fernando Santos quer, claramente, começar uma nova era na Turma das Quinas: ao deixar de fora uns quantos titulares habituais e ao Chamar uma série de jovens, alguns novidades absolutas, alguns já antes Convocados mas pouco utilizados.


 


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Para além de ser uma boa altura para renovar, é uma boa altura para tentar resolver a nossa Ronaldodependência. Precisamos de crescer, de aprender a resolver os nossos próprios problemas, sem estar à espera que venha o Capitão-papá fazer o trabalho por nós. Intencionalmente ou não, Fernando Santos está a tirar-nos as rodinhas da bicicleta, a atirar-nos para a água, a ver se aprendemos a nadar para não nos afogarmos.


 


E, tendo em conta os nossos adversários, não vamos aprender a nadar na piscina das crianças. Vamos fazê-lo numa praia com bandeira vermelha.


 


Já resultou uma vez, antes.


 


Esta é, sem dúvida, uma dupla jornada interessante. Vamos enfrentar os atuais vice-campeões do Mundo… e a Itália. Há um ano ou dois, nunca imaginaria usar esta expressão para falar da Croácia.


 


Mas também, antes de 2016, poucos imaginariam usar a expressão “Campeões Europeus” para falar dos portugueses.


 


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O nosso historial recente perante a Croácia até tem sido favorável – destaquem-se os oitavos-de-final do Euro 2016 – mas depois do desempenho deles no último Mundial, de pouco nos serve o passado. Não, não vai ser um jogo fácil. Dou graças por ser apenas um particular.


 


Mas estou curiosa para saber como Portugal se sairá perante esta Croácia.


 


Falemos, então, sobre a Liga das Nações. É bastante excitante estarmos, agora, em vésperas da sua estreia, quatro anos após saírem as primeiras informações – e de ter escrito sobre elas. Este artigo explica bem as regras, caso ainda não as conheçam. São bastante simples. Eu apenas tenho algumas dúvidas em relação à parte da Qualificação para o Euro 2020. De qualquer forma, prefiro encarar isto como um jogo de tabuleiro novo: por muito que nos expliquem as regras no início, só se aprende jogando.


 


Vamos, então, estrear-nos nesta prova com a Itália, um adversário tradicionalmente complicado para os portugueses, mas que falhou o último Mundial – já não são o que eram. Guardamos, aliás, boas recordações do nosso último jogo contra eles. É certo que era uma Itália desfalcada, mas não deixou de ser agradável – sobretudo porque não lhes ganhávamos há décadas. Éder marcou o único golo da partida – foi nessa altura que senti o choque que quase toda a gente sentiria um ano mais tarde, depois da final de Paris.


 


Infelizmente, desta feita não temos Éder (nem Ronaldo). Mesmo assim, talvez consigamos ganhar. Quem sabe?


 


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O jogo será na Luz e eu vou lá estar, com a minha irmã – mais uma ocasião para usar a minha camisola. Até há um par de meses, estava previsto o jogo realizar-se em Alvalade. No entanto, as eleições no Sporting foram marcadas para dois dias antes do jogo. Logo, por uma questão de logística, a Federação achou por bem mudar o encontro para o outro lado da Segunda Circular.


 


Esta decisão causou alguma polémica nas redes sociais, não sem razão. Afinal de contas, Alvalade não recebe um jogo da Seleção há três anos (pergunto-me se é por os últimos jogos lá não terem corrido muito bem). Por sua vez, a Luz tem recebido um por ano, quando não recebe dois – o último foi há três meses!


 


No entanto, acho que a Federação fez bem. Da maneira como as coisas têm estado no Sporting, nos últimos tempos… Ainda nos arriscávamos a ter o presidente deposto em junho a barricar-se nos balneários com uma das seleções, mantendo os jogadores como reféns até lhe devolverem a presidência.


 


Vão dizer-me que isto é assim tão improvável? Há um ano, talvez… Mas agora?


 


Enfim. Talvez seja possível Alvalade receber outro jogo da Liga das Nações numa das próximas duplas jornadas, quando as coisas estiverem mais calmas no Sporting. De preferência com Bruno de Carvalho internado num hospício.


 


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Para já, o que interessa é que a Seleção vai jogar outra vez. Andei muito desinteressada do futebol este verão – em parte por estar ainda chateada por causa do nosso desempenho no Mundial, em parte por não gostar do mercado de transferências, em parte por causa da confusão no Sporting e, agora, no Benfica. Talvez estes jogos, este novo ciclo na Equipa de Todos Nós, me ajudem a limpar o palato, a recuperar o entusiasmo pelo futebol. Que este novo capítulo nos traga muitas alegrias.


 


Obrigada pela vossa paciência. Visitem a página do Facebook deste blogue aqui.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Portugal 1 Uruguai 2 – Sem arte nem engenho

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No passado sábado, a Seleção Portuguesa de Futebol perdeu perante a sua congénere uruguaia por duas bolas contra uma, em jogo a contar para os oitavos-de-final do Mundial 2018. Com este resultado, Portugal regressou a casa após uma participação que, sinceramente, soube a muito pouco.


 


No dia do jogo, estava na Suíça, de visita ao meu irmão. Ele levou-nos a um pub irlandês, daqueles com várias televisões, feitos mesmo para assistir a transmissões de desporto. Estavam lá alguns portugueses. É um conceito giro. Deviam abrir mais bares desportivos, como este, cá em Portugal.


 


Enfim, ver um jogo numa esplanada também é fixe.


 


Pena não ter saído feliz do bar. Nem quero falar muito acerca do jogo. Portugal sofreu um golo logo aos sete minutos. Suarez fez uma assistência de letra para Cavani que, nas costas de José Fonte e Raphael Guerreiro, cabeceou para as redes portuguesas.


 


Depois dessa, os uruguaios começaram a jogar à defesa. E fizeram-no com competência – enquanto nós nos fartávamos de perder bolas desnecessariamente.


 


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A Seleção, ao menos, entrou melhor na segunda parte, disposta a lutar pela igualdade, culminando no golo de Pepe, de cabeça, na sequência de um canto. Este foi o único golo neste Mundial que consegui festejar como deve ser: sem spoilers da vizinhança, sem estar no trabalho, gritando “GOLO!” em coro com vários outros adeptos.


 


Quando for o Europeu, daqui a dois anos, vou fazer tudo para, pelo menos, evitar os spoilers.


 


Infelizmente, a alegria não durou muito. Pouco mais de cinco minutos mais tarde, os uruguaios regressavam à vantagem, numa jogada em que Pepe ficou mal na fotografia, o meio-campo português foi inútil e Cavani estava completamente desmarcado. 


 


Passámos o resto do jogo a correr atrás do empate, sem sucesso. Cristiano Ronaldo seria muito aplaudido por ter amparado Cavani para fora do campo, quando este se lesionou, mas eu desconfio que ele queria evitar que o uruguaio perdesse tempo com fitas. Nos últimos minutos do jogo, Rui Patrício subiu mesmo ao meio-campo do Uruguai – sintoma típico de equipa desesperada. Eu acreditei até ao fim – não seria a primeira vez que um marcador funcionava à beira do fim.


 


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Não serviu de nada. A derrota manteve-se.


 


Muitos dizem que esta segunda parte foi a melhor prestação de Portugal no Mundial, mas não consigo concordar. Na minha opinião, nenhuma exibição pode ser considerada “boa” se o adversário consegue marcar sempre, ou quase sempre, que vem à nossa baliza. Como reza um dos Menos Ais, “vitórias morais não têm arte nem engenho”. Não tinha saudades nenhumas – nenhumas – de “jogar bem” e perder.


 


Foi isto a nossa participação no Mundial, em suma: um inusitado empate com a Espanha, onde só deu Ronaldo; uma exibição sofrível perante Marrocos, que ao menos deu três pontos; uma exibição melhorzita perante o Irão mas que só chegou para o empate; uma boa exibição perante o Uruguai, mas sem eficácia e com erros defensivos. Foi melhor que 2014, é certo, mas não que 2010. Era irrealista apontar para o título, mas acho que todos esperávamos mais da Seleção Campeã da Europa.


 


Eu definitivamente esperava mais. Esperava ficar no Mundial até às meias, ou pelo menos aos quartos-de-final.  Como referi antes, só pude festejar um golo como deve ser. E queria ter assistido a pelo menos um jogo no Terreiro do Paço, na fan-zone, onde fui entrevistada.


 


O Mundial continua sem nós e eu confesso que não tenho grande vontade de ver os outros jogos. Não sou daquelas pessoas que, aquando do apito final, declararam prontamente que o Mundial para elas acabara. Não sou assim tão lusocêntrica. Mas não consigo evitar pensar, sempre que passam jogos ou vejo notícias sobre o Mundial, que nós podíamos ainda estar lá.


 


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Não ajuda saber que outras grandes seleções, como a Alemanha, a Espanha e a Argentina, também já vieram para casa. Pelo contrário, com uma boa parte dos tubarões fora da corrida, esta era uma boa oportunidade de tentar o título.


 


Agora que estamos fora, não torço por ninguém em particular. Só não quero que a França ganhe.


 


Já conto catorze anos disto, uma mão-cheia de campeonatos de seleções, mas derrotas como esta não deixam de doer. É possível que doa mais agora, já que não tivemos de lidar com finais infelizes durante quatro anos (como escrevi na altura, a Taça das Confederações não me desiludiu por aí além).


 


Ao menos agora podemos consolar-nos recordando a final de Paris. Mais: são muito poucas as mágoas que não se curam com uma tablete grande de chocolate e o documentário “10 de julho”.


 


Há de passar. Se Fernando Santos e a Federação em geral fizerem as coisas como deve ser, hão de olhar para este Mundial, perceber porque é que não resultou e procurar corrigir os erros, para os próximos compromissos da Seleção. Daqui a dois meses começa um novo ciclo, com a Liga das Nações, uma prova novinha em folha, e a Qualificação para o Euro 2020. Os Europeus costumam correr-nos melhor, talvez dê para defendermos o nosso título… mas não nos adiantemos.


 


Um agradecimento a todos os que acompanharam o Mundial da Seleção comigo, quer através do blogue, quer através da página do Facebook. Nos próximos dois meses o blogue estará em pausa e mesmo a página terá menos atividade. Em setembro haverá mais. Obrigada e até à próxima.


 

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Portugal 1 Irão 1– Se tiver de ser

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Na passada segunda-feira, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou com a sua congénere iraniana por uma bola, em jogo a contar para a fase de grupos do Mundial 2018. Com este resultado, Portugal soma cinco pontos, ficando em segundo lugar no grupo. Assim, passa aos oitavos-de-final, indo enfrentar o Uruguai no próximo sábado, dia 30.


 


Mais uma vez, o trabalho coincidiu com o jogo. Desta feita, foi sobretudo durante a primeira parte. Felizmente, as coisas voltaram a estar calmas e consegui ir vendo o jogo aos poucos. Se me permitem a publicidade gratuita, a aplicação da RTP para o Mundial dá imenso jeito.


 


As coisas não começaram muito mal. Pareceu-me que a equipa estava a jogar melhor que no jogo da semana passada: mais posse de bola, melhor defesa, mais consistência em geral. Também ajudava o facto de os iranianos parecerem nervosos: não vi em direto, mas vi no resumo uma ocasião em que o guarda-redes iraniano e um dos defesas se desentenderam, deixando a bola ao mercê de João Mário. Noutra, o guarda-redes deixou literalmente a bola escorregar entre as mãos, mas infelizmente um dos centrais recuperou-a.


 


Talvez pudéssemos ter marcado mais cedo, mas o golo só veio em cima do intervalo. Foi uma jogada deliciosa: Ricardo Quaresma passa a Adrien, este devolve a bola com o calcanhar e Quaresma remata de trivela para as redes. Para ver e rever.


 



 


Depois de pelo menos duas ocasiões em que Quaresma foi excluído de um Mundial, o Mustang marcava finalmente num Mundial. E não foi um golo qualquer: foi uma trivela! Só prova que já devia ter pisado estes palcos antes. Como sempre, gostei de vê-lo festejando com Cristiano Ronaldo em particular: tomara muitas histórias de amor serem tão bonitas como esta.


 


Durante o intervalo estive ocupada a fechar as coisas no trabalho e quase me esqueci do jogo. Voltei a ligar na altura em que o vídeo-árbitro estudava o lance envolvendo Cristiano Ronaldo, para decidir se era penalti ou não. Acabou por dar luz verde para o castigo máximo.


 


Enquanto Ronaldo se preparava para cobrar, lembrei-me do jogo do Mundial 2006, em que ele marcara de penalti. Seria giro se ele comemorasse da mesma forma, pensei na altura.


 


Infelizmente, o guarda-redes falhou.


 


Não vou censurar o Ronaldo porque, coitado, fora ele a carregar a equipa nos dois jogos anteriores, a fazer quase tudo sozinho. Parecendo que não, ele é apenas humano. Ele dá-nos a mão inúmeras vezes, não podemos exigir o braço.


 


No entanto, a verdade é que o 2-0 naquela altura podia ter-nos poupado uns quantos anos de vida. Parece que, neste Mundial, teremos de fazer tudo da maneira difícil.


 


Mais sobre isso adiante.


 


Saí do trabalho após o penalti falhado e ouvi um bom bocado da segunda parte na rádio. Consta que, depois do falhanço do Capitão, Portugal deixou-se ir um pouco abaixo.


 


Já não tem piada, minha gente. Estamos numa fase em que, se Ronaldo espirra, a Seleção constipa-se logo. Será que os Marmanjos se esqueceram todos que ganhámos em Paris com Ronaldo no banco? Porque é que eles têm tão baixa autoestima?


 


É certo que o jogo sujo dos iranianos não ajudou – nem terão ajudado as irritantes vuvuzelas, que deviam ter ficado em 2010 (e que já não tinham deixado os portugueses dormir, na véspera). Conseguiram fazer com que o Quaresma se irritasse e visse o amarelo. Consta, aliás, que todo o banco do Irão passou o jogo em cima da equipa de arbitragem. Carlos Queiroz foi particularmente desprezível, acicatando os adeptos iranianos com gestos de vídeo-árbitro e, como já toda a gente viu, tentando provocar o João Moutinho, quando este se preparava para entrar.


 


E eu que pensava que ia tolerá-lo melhor, neste Mundial… Até Fernando Santos, que é amigo de Queiroz, se irritou com ele.


 


Felizmente, por essa altura, Espanha estava a perder com Marrocos, por incrível que parecesse. Fiquei com sentimentos de culpa por ter sido tão dura para com os nossos, na semana passada, mas o que interessa é que, com esse resultado, passávamos em primeiro.


 


Cheguei a casa no preciso momento em que o VAR tinha sido acionado por possível cartão vermelho a Ronaldo.  Vendo a jogada, não me parece que fosse vermelho: Ronaldo mete o braço à frente do jogador iraniano mas sem brusquidão, sem intenção de magoar. Nem todos se lembram, provavelmente, mas, quando era mais novo, ele já teve situações parecidas em que o cotovelo dele deixou adversários a sangrar do nariz. Acreditem, isto foi diferente. Queiroz mais tarde diria que cotovelo é sempre vermelho – ele sabe mais acerca de futebol do que eu, mas, até ao momento, não vi mais ninguém corroborando essa informação. A maior parte dos comentadores diz que não era vermelho.


 


E ainda bem que não foi vermelho que, se Ronaldo tivesse sido expulso, o resto da equipa implodia.


 


Depois desta, contudo, começou tudo a correr mal quase ao mesmo tempo: a Espanha empatou frente a Marrocos e foi marcado um penalti contra nós, por mão na bola de Cédric.


 


Sinceramente, acho que não era penalti. A bola parece tocar no braço do lateral, sim, mas isso não afeta a trajetória. Se mais provas fossem necessárias, no dia seguinte houve uma situação praticamente igual, no jogo da Argentina, e não se marcou nada.


 


Não sou capaz de censurar o árbitro, contudo – quem é que conseguiria funcionar com a pressão dos iranianos? Além disso, sejamos sinceros, Portugal pusera-se a jeito.


 


O penalti foi executado na perfeição, Rui Patrício não podia fazer nada. Ainda apanhámos um susto daqueles no minuto seguinte, com um remate que foi parar à malha lateral. Eu ia tendo um AVC… Teria sido uma maneira horrível de sair do Mundial: perante Queiroz, de todas as pessoas.


 


Felizmente, lá conseguimos segurar o empate e passar à fase seguinte, deixando o Irão pelo caminho. No final do jogo, Queiroz disparou em todas as direções – e não posso dizer que tenha ficado surpreendida. Destaque-se a guerra de palavras que ele manteve com Quaresma, em que Queiroz não conseguiu arranjar melhores argumentos que um ataque ao carácter do jogador e debitar o seu currículo no futebol – como se isso lhe desse o direito de ser mesquinho.


 


Por outro lado, adorei esta resposta do Quaresma.


 


É por isso que eu não consigo respeitá-lo. Toda a gente diz, com razão, que Queiroz fez muito pelo futebol português. Eu estou grata por isso, não me interpretem mal! Mesmo em relação ao seu trabalho como técnico das Quinas, entre 2008 e 2010, sei que ele fez o melhor que sabia. Mas nada disso atenua o seu mau carácter. Ainda bem que os iranianos gostam tanto de Queiroz. Ele que fique por lá – não faço questão nenhuma de tê-lo de volta.


 


Enfim. Espero não ter de voltar a escrever sobre Queiroz neste blogue. Pelo menos não tão cedo.


 


Como a Espanha tinha mais golos marcados, ficámos em segundo no grupo. Antes do Mundial começar, era expectável, mas, depois de termos tido o primeiro lugar na mão, é um bocadinho frustrante. Sobretudo porque o nível exibicional da equipa continua a deixar muito a desejar.


 


Sinceramente, já não sei o que dizer sobre isso. Pelo menos não que já não tenha dito antes. Continuo a achar que precisamos de mais, eu e toda a gente, mas, mal por mal, até estamos a conseguir os resultados pretendidos. Afinal de contas, em 2014, não sobrevivemos à fase de grupos, para começar. Além disso, a Espanha também teve dificuldades com Irão e Marrocos, como vimos acima. Nos outros grupos, a Argentina qualificou-se apenas à última hora e a Alemanha – a Alemanha – foi para casa.


 


Não estamos assim tão mal por comparação, mas será que chega? Vai chegar para vencermos o Uruguai amanhã?


 


Fernando Santos já veio dizer que planeia ficar muito tempo ainda na Rússia. Não falou do dia 15, mas de tempo suficiente para o neto vir vê-lo no domingo, para matar saudades.


 


Não surpreende.  O técnico só não disse isto antes, porque, como Campeões Europeus, o povo estava confiante. Agora, após estes jogos fraquinhos, é que Fernando Santos traz uma versão atenuada do “Só venho dia 11 para Portugal”.


 


Pois bem, se estamos a repetir as mensagens, os rituais de há dois anos, eu repito o meu: se tiver de ser sempre assim, a sofrer, com exibições fraquinhas, resvés Campo de Ourique, que seja. Se isso nos permitir seguir em frente na prova, quiçá chegar à final e ganhá-la, eu aceito. Vou morrer de enfarte aos quarenta anos, com tanto sofrimento acumulado, mas, com muita sorte, morrerei depois de ver Portugal Campeão do Mundo.


 


Não sei muito bem o que esperar deste primeiro mata-mata. Talvez as peças se encaixem e façamos, finalmente, um bom jogo. Talvez mantenhamos o nível da fase de grupos e seja suficiente para vencer o Uruguai… ou não. Eu ainda nem pensei pós-oitavos – nem sequer sei as datas dos quartos-de-final.


 


Dito isto, vou acreditar, como sempre. O Selecionador já acertou antes. Se ele acredita, eu acredito também. Havemos de conseguir.


 


Termino com o vídeo da minha entrevistazinha de segunda-feira ao Queridas Manhãs. Foi uma coisa curtinha, mas valeu a pena, foi divertido. O meu obrigada à equipa do Queridas Manhãs (sobretudo ao Ricardo Gama e à Maria Botelho Moniz) pelo convite e pela simpatia.


 


domingo, 24 de junho de 2018

Portugal 1 Marrocos 0 – Brincando com o fogo

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Na passada quarta-feira, dia 20 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere marroquina por uma boa sem resposta, em jogo a contar para a fase de grupos do Mundial 2018. Com este resultado, Portugal soma quatro pontos, ficando muito perto dos oitavos-de-final da competição… mas ninguém está satisfeito, eu incluída.


 


O jogo começou à uma da tarde. Como era a minha hora de almoço, o meu plano era ver a primeira parte no café, só que o trabalho atrasou-se. Ligámos o rádio, mas não consegui prestar grande atenção. Tirando, claro, quando o Ronaldo marcou, a sequência de um canto: aí, deu para tirar um minuto para festejarmos.


 


Devo dizer que gostei da jogada que desaguou no golo, quando mais tarde vi os resumos. Foi interessante a maneira como o canto foi cobrado, à maneira curta: Bernardo Silva passou para João Moutinho, que por sua vez assistiu para a cabeça de Ronaldo.


 


Foi uma entrada à campeão, não haja dúvida. O pior é que, segundo consta, só durou dez minutos. Quando finalmente consegui chegar ao café, já estávamos em declínio e Marrocos crescia.


 


Gostava de apontar para uma jogada que me deu um dejá-vu do jogo com a Espanha: Cristiano Ronaldo conseguiu isolar Gonçalo Guedes, mas o remate saiu-lhe fraco, o guarda-redes defendeu com uma mão. Eu, na altura, até exclamei, lá no café: “Ó Guedes!” – Ronaldo oferecia-lhe (mais) esta prenda e  miúdo desperdiçava?!?


 


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Eu sei que toda a gente se rendeu a Guedes nesta temporada, mas as coisas não lhe estão a correr bem neste Mundial. Não está na altura de dar uma oportunidade a André Silva? Também é um miúdo, não teve uma época por aí além, mas tem a experiência de quase dois anos de parceria com Cristiano Ronaldo (incluindo a Taça das Confederações) e uma mão-cheia de golos pela Seleção. A meu ver, já devia ter sido titular frente a Marrocos.


 


Costuma-se dizer que a definição de loucura é fazer a mesma coisa várias vezes, esperando diferentes resultados. É certo que, neste caso, só se fez o mesmo duas vezes. É possível que, à terceira, Guedes entre nos eixos. Mas será prudente correr esse risco? Eu, pelo menos, nesta altura do campeonato, apostaria numa solução que já resultou várias vezes antes.


 


Gonçalo Guedes, de resto, não foi o único ineficaz neste jogo: foi ele e metade da equipa. Portugal parecia ter alergia à bola, o meio-campo era inexistente, tirando João Moutinho. Marrocos só não marcou por causa de Rui Patrício, dos nossos centrais e da sua própria falta de eficácia. 


 


Na verdade, se formos a ver, os que melhor estiveram em campo foram os veteranos: Cristiano Ronaldo (claro), Rui Patrício (com um par de defesas espetaculares), João Moutinho, José Fonte, Pepe (tirando algumas situações disciplinares parvas), Cédric até certo ponto. Quem não esteve bem foram os mais novos, tanto aqueles que se estreiam em campeonatos desta envergadura, como aqueles que já foram Campeões Europeus: Guedes, Bernardo Silva, João Mário, Bruno Fernandes, Raphael Guerreiro.


 


Estou um bocadinho desapontada com este último, aliás. Vocês sabem que ele tem sido um dos meus favoritos nos últimos anos, mas, neste jogo, foi uma porta aberta para os marroquinos. Custa-me dizê-lo, mas talvez não tenha sido boa ideia trazê-lo para a Rússia, depois de todas as lesões que teve ao longo da época.


 


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Só acompanhei a segunda parte via rádio, já no trabalho. Felizmente, pude ir prestando atenção – estava quase tudo parado, precisamente por causa do jogo. Mas talvez tivesse sido melhor para a minha saúde se não tivesse a segui-lo: dava para perceber que Marrocos estava a dar-nos um autêntico banho de bola. Nuno Matos, de vez em quando, dizia coisas como:


 


– Ó Gelson! Ó Raphael! Vocês estão no Mundial!


 


Ao fim daquilo que pareceram horas, lá sobrevivemos ao apito final – com três pontos e, pelo menos no meu caso, com menos dez anos de vida e uma dor de cabeça que durou o dia todo.


 


Agora que penso nisso, é muito estranho estarmos mais irritados no fim de uma vitória no Mundial do que estivemos no fim de um empate. Sobretudo tendo em conta que esta vitória nos deixa com, vá lá, meio pé nos oitavos de final. E, não me interpretem mal, eu estou satisfeita com isso. Estamos numa situação muito melhor que no último Mundial, ao segundo jogo. Mesmo em relação a 2012 e 2016, estamos bem melhores em termos pontuais – e em 2016 não partilhávamos o grupo com uma equipa ao nível de Espanha!


 


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Por outro lado… foi um jogo paupérrimo! Uma exibição medíocre! Ainda deu para aceitar quando foi frente à Espanha porque, bem, era a Espanha. Mas isto era Marrocos! Uma seleção que não vinha ao Mundial há vinte anos! Nós somos Campeões Europeus, por amor da Santa! Não podemos ter exibições destas!


 


Eu confesso que fiquei com um bocadinho de pena dos marroquinos. Eles mereciam mais – até porque, aqui entre nós, o árbitro pareceu estar do nosso lado.


 


Não é tanto a questão de merecer, que é sempre relativa, que me incomoda. Isto preocupa-me porque… estamos a brincar com o fogo. Neste jogo, bastou-nos Cristiano Ronaldo, Rui Patrício e pouco mais para ganhar. Mas não podemos encostar-nos sempre a eles. E se o Ronaldo estiver menos inspirado num destes jogos? E se o Patrício não conseguir defender todas? E se encontramos um adversário mais eficiente a atacar?


 


Confesso que ando a ver alguns fantasmas de 2014. Também há quatro anos a Seleção vinha de alguns particulares médio/bons mas, quando o Mundial começou, quase todos se esqueceram de como se joga futebol. A diferença é que, este ano, isso só está a acontecer a uma parte da equipa, felizmente. Há quatro anos isso devia-se a uma epidemia de lesões. Desta feita, ninguém percebe ao certo o que se está a passar – nem mesmo Fernando Santos, no final do jogo.


 


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Este disse, aliás, que ia falar com os jogadores. Eu espero mesmo que ele o tenha feito, que tenha havido sermão e missa cantada. Porque, se continuamos assim, não iremos longe neste Mundial. Precisamos de mais.


 


Por outro lado, a verdade é que ninguém parece estar a fazer um Mundial brilhante. Só seleções como França, Inglaterra e Bélgica, que, no entanto, estão em grupos mais “acessíveis”. A Alemanha perdeu com o México e só ganhou, ontem, à Suécia no último minuto. O Brasil empatou com a Suíça. A Argentina… coitada. A situação deles lembra-me a nossa, há quatro anos, não a desejo a ninguém. Por comparação, nós não estamos assim tão mal.


 


E contudo… eu continuo a querer mais. Quero ir o mais longe possível neste campeonato e isso só será possível se jogarmos melhor. Talvez estejamos a repetir o percurso do Euro 2016: uma fase de grupos fraquinha, mas, depois disso, só parámos na final. Talvez melhoremos já amanhã, ou mesmo nos oitavos.


 


Falemos, então, sobre o último jogo da fase de grupos. Tecnicamente, basta-nos um ponto para seguirmos em frente, mas jogar para o empate nunca é boa ideia (se a nossa exibição no jogo de quarta era o que a Seleção entende por “jogar para a vitória”, nem quero imaginar o que eles entenderão por “jogar para o empate”...). Os iranianos ainda podem ir aos oitavos, mas precisam de uma vitória. Não lhes faltará motivação – ainda por cima, têm um treinador que nos conhece bem.


 


A última coisa que quero, nesta altura, é perder contra Carlos Queiroz, de todas as pessoas. Ele que, à primeira vista, parece amigável para com a Seleção mas, de vez em quando, sai-lhe uma boca mais aziada. Como quando se queixou de não ter tido Ronaldo durante o Mundial 2010 – esquecendo-se convenientemente que, nos primeiros dois jogos pós-Queiroz, Ronaldo marcou dois golos (o mesmo número de tentos que marcara nos dois anos de Queiroz ao leme).


 


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Vamos esperar que Ronaldo e Rui Patrício mantenham o nível dos últimos jogos e que os restantes melhorem. Nós somos capazes de muito melhor – não quero acreditar no contrário! Têm é de prová-lo em campo. Quero continuar no Mundial durante o maior tempo possível.


 


Antes de terminarmos… lembram-se de quando fui ao A Tarde é Sua, em 2012? Pois bem, vou voltar à televisão por causa daqui do blogue. Desta feita será amanhã, na Sic, no Queridas Manhãs especial Seleção. Devo aparecer algures entre as nove e as dez da manhã. Será uma coisa rápida, em princípio. Deem uma espreitadela, se puderem. Se não puderem, hei-de filmar a minha participação e pô-la aqui, na Internet. Estejam atentos e… desejem-me sorte!

terça-feira, 19 de junho de 2018

Portugal 3 Espanha 3 – Como é possível?

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Na passada sexta-feira, dia 15 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou com a sua congénere espanhola por três bolas, em jogo a contar para a fase de grupos do Mundial 2018.


 


Conforme tinha dito que faria, em vez de uma análise em texto corrido, partilho com vocês algumas notas sobre o jogo. Assim, sem mais delongas...


 


1) O jogo não podia ter começado da melhor forma: eu mesma gritei “Penálti!” quando Cristiano Ronaldo caiu na área. Felizmente o árbitro concordou. Confesso que receei que Cristiano falhasse – não seria a primeira vez e poderia ser grave em termos anímicos. Mas não: Ronaldo converteu. Ainda não tinham passado cinco minutos e Portugal já seguia na frente.


 


2) Este e os outros golos foram estragados pelos meus vizinhos – que festejaram antes de o árbitro ter apitado, na nossa televisão. Quando foi na final do Europeu, não me ralei, mas neste – um jogo menos tenso – chateou-me. Se isto continuar, talvez deixe de ver os jogos em casa.


 


3) Portugal foi conseguindo dominar nos primeiros dez, vinte minutos de jogo. Houveram várias ocasiões em que a defesa recuperava a bola e, depois, ou Ronaldo ou Gonçalo Guedes partiam para o contra-ataque.


 


4) O que nos leva à muito comentada jogada, em que Ronaldo, após um sprint daqueles, centrou para Guedes e este não soube o que fazer com a bola – oportunidade de ouro desperdiçada. Ele, Bernardo Silva, Bruno Fernandes e os outros miúdos estiveram uns furos abaixo do que lhes é habitual. Acho que foi sobretudo nervosismo: era o primeiro jogo deles no Mundial e era a Espanha. Qualquer um que não estivesse habituado aquelas andanças ficaria nervoso. Nesse aspeto, talvez os próximos jogos, com adversários de menor prestígio (não necessariamente mais acessíveis), os habituem a estes palcos.


 


Mas se chegarmos ao jogo com Marrocos e eles continuarem abaixo do que deviam, vão ter de arranjar outra desculpa.


 


5) A Espanha marcou numa altura em que começava a mandar no jogo. Diego Costa fez falta a Pepe para lhe roubar a bola, fez o que quis com o resto da defesa portuga (aqui entre nós, se o Pepe tivesse parado mais cedo com a fita, talvez tivesse conseguido travar o golo) antes de rematar – Rui Patrício não pôde fazer nada.


 


Aparentemente o vídeo-árbitro não viu nada de mal na jogada – claro que não, nunca veem. Ainda hoje levo com pessoas dizendo que Portugal não mereceu ganhar o Euro 2016 – mas nós não precisámos de favores de árbitros para ganharmos. Bem pelo contrário, tivemos de lutar durante anos contra o colinho das autoridades do futebol a um lote exclusivo de seleções. E continuamos, mesmo depois de Campeões Europeus. De que serve o VAR se as equipas beneficiadas e as prejudicadas continuam as mesmas?


 


6) O segundo golo de Cristiano Ronaldo veio em cima do intervalo, um bocadinho contra a corrente do jogo. De Gea ficou muito mal na fotografia. Confesso que reagi de forma um bocadinho intempestiva a este golo. Posso ter twittado coisas como “Contra árbitros e contra VARS! É por isto que somos Campeões Europeus!”, pontuadas por palavras ainda mais expressivas – quando o resultado estava a ser melhor que a exibição. Eu mereci o que aconteceu a seguir. Em minha defesa… sabia mesmo bem estar a ganhar à Espanha num jogo oficial pela primeira vez desde 2004 – sobretudo depois de termos sido roubados.


 


7) Na segunda parte, passámos da vantagem à desvantagem em cerca de cinco minutos. No primeiro, Busquets assistiu de cabeça para Diego Costa chutar para as redes, no segundo, Nacho disparou de fora da grande área, sem hipótese para Rui Patrício – um golo verdadeiramente espetacular.


 


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8) Passámos a meia hora seguinte a correr atrás do resultado, sem grande sucesso, assistindo ao famoso tiki-taka Fernando Santos fez entrar João Mário, Ricardo Quaresma e André Silva e sempre melhorou um bocadinho. Finalmente, aos 88 minutos, Piqué deu um empurrão desnecessário a Ronaldo e o árbitro marcou livre a nosso favor.


 


9) Cá em casa, achámos todos piada ao ar concentrado, mesmo feroz, de Ronaldo enquanto se preparava para marcar o livre – como se quisesse desfazer a barreira espanhola com os olhos. O meu pai estava armado em Velho do Restelo, a dizer que ele ia falhar, que ele já estava velho, enfim. Depois do golo, éramos três – eu, a minha mãe, a minha irmã – a cantarolar-lhe: “Bem feita! Bem feita!”


 


Aqui entre nós, antes do golo, eu não me atrevia a acreditar. Era demasiado presunçoso, sonhar demasiado alto, esperar que Ronaldo rematasse, desenhando uma parábola perfeita por cima da barreira espanhola, diretamente para as redes. Mas foi isso que ele fez.


 


10) Em suma, Cristiano Ronaldo, quase sozinho, garantiu-nos um empate com a Espanha. Com a Espanha – a mesma seleção a quem só tínhamos ganho uma vez em jogos oficiais, aquela que muitos referiam com uma das favoritas ao título, aquela que inclui meia dúzia de campeões europeus em clubes.


 


Como é possível? Ele tem trinta e três anos! Com a idade dele, Luís Figo retirou-se da Seleção (nem te atrevas, Ronaldo…)! Longe disso, Ronaldo parece cada vez melhor – ao longo dos anos fomos enfrentando equipas deste nível e ele nunca tinha feito isto. Nem em 2010, nem em 2012, nem em 2014, nem mesmo em 2016 – embora, nesta última, talvez pudesse tê-lo feito, se não se tivesse lesionado. Como é possível?


 


11) Como já devem saber, irrita-me quando dizem que a Seleção é Ronaldo-mais-dez. Nos últimos tempos, tenho mudado um pouco a minha perspetiva sobre o assunto: às vezes é problemático quando dependemos demasiado de Ronaldo, mas qualquer equipa abdicaria de metade do seu plantel para ter um jogador como ele. Nós somos abençoados. E, se temos Ronaldo, é para usá-lo.


 


12) Não foi de todo uma má estreia. Eu estava disposta a aceitar uma derrota. Em vez disso, conseguimos um empate e, na minha modesta e nada especializada opinião, os principais motivos para não termos conseguido um melhor resultado foram nervosismo e erros – não falta de argumentos. Conseguimos fazer melhor. Posso estar enganada, claro, mas Fernando Santos parece concordar comigo e já todos vimos jogadores como Guedes, Bernardo Silva, Bruno Fernandes num nível bem melhor.


 


Nesse aspeto, os reparos de Fernando Santos, no final do jogo, a sua exigência, dão-me mais confiança. Ele e os jogadores hão de corrigir os erros e talvez façamos coisas giras neste Mundial. Com um bocadinho de sorte, quando voltarmos a encontrar equipas do calibre de Espanha, conseguiremos mais do que um empate.


 


Mas também, se voltarmos a cumprir o “de empate em empate até ao empate final” com o mesmo sucesso de 2016, não tenho nada contra.


 


13) De nada vai servir este empate se não ganharmos amanhã a Marrocos, claro. Dizem que, depois de terem perdido frente ao Irão com um auto-golo no último minuto, os marroquinos vão querer descarregar em nós. Não vai ser um jogo fácil, mas acredito nos nossos jogadores, acredito em Fernando Santos. Vamos conseguir.


 


14) Antes de terminar, uma nota para as montagens que a RTP3 iam exibindo, com imagens do jogo e a música Sangue Oculto, dos GNR e Javier Andreu. Adorei-as: sempre gostei imenso desta música, é um membro recorrente da minha playlist da Seleção. E, claro, sendo um dueto ibérico, é mais do que adequada a um Portugal-Espanha. Muito bem sacado.


 


15) Por fim, fiquem atentos à página do Facebook deste blogue. Em breve, terei algo para anunciar, estou só à espera de receber luz verde para fazê-lo. Continuem desse lado e... força Portugal!


 


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