sexta-feira, 1 de abril de 2016

Portugal 2 Bélgica 1 - Esperança e alegria

 


10817631_814044788729057_1052537708_n.jpgNa passada terça-feira, dia 29 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere belga por duas bolas a uma, no Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria, em jogo de carácter particular e, também, solidário, visto ter decorrido apenas uma semana após os atentados terroristas em Bruxelas.


 


Tal como já acontecera no jogo com a Bulgária, Portugal recuperou um hábito antigo. Desta feita, foi o de se dar melhor perante equipas de maior prestígio (que podem nem sempre corresponder à qualidade real) do que perante equipas menos mediáticas. Nem sempre é psicológico, pode ser mesmo estratégico - a tática atual nem sempre funciona com equipas que se fecham à defesa. Mas já voltamos a isso...


 


Quer tenha sido por a Bélgica jogar mais em ataque direto, ou por ter comparecido desfalcada, ou por Portugal ter jogado sem medo,  ou por outro motivo qualquer, a verdade é que a Seleção funcionou muito bem no jogo de terça-feira, sobretudo na primeira parte. Começámos, novamente, muito rematadores. Courtois conseguiu defender os remates de João Mário, Adrien, Nani e Cristiano Ronaldo e, desta feita, até houve bola à trave. Mais tarde, Nani e Fernando Santos confessariam que, por esta altura, temeram uma repetição do que acontecera com a Bulgária. No entanto, a pontaria esteve mais afinada desta vez e, aos vinte minutos, André Gomes assistiu para Nani e este, frente a frente com Courtois, não desperdiçou.


 


Há quanto tempo o Nani não comemorava um golo pela Seleção com um mortal? O exemplo mais recente de que me recordo é o jogo com a Dinamarca, em outubro de 2010 - quase seis anos, portanto. Há cerca de dois ou três anos, o Nani era uma sombra de si próprio. O jogador cheio de garra e magia, que nos cativara há... quase dez anos, vejo agora... estava quase desaparecido, por culpa de lesões e de um clube estagnado. Vir para o Sporting fez-lhe bem. Alguns - entre os quais o próprio Cristiano Ronaldo - consideraram-no um retrocesso na carreira, mas acabou por se revelar um passo atrás necessário para dar um salto para a frente. Foi um percurso irregular, mas nestas últimas duas épocas, o Marmanjo reencontrou-se a si mesmo. Agora, tanto no clube atual como na Seleção, voltou a ser o Nani que todos adoramos, mesmo a tempo do Europeu. As saudades que eu tive dele!


 


vai dar um mortal.jpg


  


Não que Nani tenha sido o único a destacar-se neste jogo. Raphael Guerreiro foi titular e mereceu-o, batendo-se de igual para igual com jogadores com o dobro do tamanho dele. Eu queria muito vê-lo no Europeu e a possibilidade de Guerreiro ficar de fora da Convocatória final a favor de Eliseu parte-me o coração. Cédric e Danilo Pereira também estiveram bem, assim como João Mário.


 


Foi, aliás, dos pés dele que surgiu o centro para Ronaldo cabecear para o segundo golo da Seleção, aos quarenta minutos. Tal como Nani com o seu mortal, também Ronaldo celebrou à sua icónica maneira. As câmaras mostraram o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa fazendo sinal de "nota 20" a partir da tribuna (espero que tenha feito o mesmo com o golo do Nani, que ele também mereceu.).


 


Infelizmente não deu para manter o fulgor na segunda parte, com as substituições. Foi até no rescaldo das mesmas, quando a equipa se estava ainda a ajustar ao novo modelo de jogo, que os belgas reduziram, por intermédio de Romelu Lukaku. No entanto, mesmo sem o brilho da segunda parte, Portugal conseguiu manter a vitória. Ainda houve espaço para Ricardo Quaresma dar uns ares da sua graça, incluindo tentar repetir a sua célebre trivela, aos 84 minutos. Mas o marcador não se voltou a alterar.


 


nani e cristiano no meio.jpg


  


Eu sei que este jogo tinha uma componente solidária, que o resultado não seria o mais importante, mas fiquei contente com a vitória e com a boa exibição perante uma seleção grande, mesmo que desfalcada. Apesar de termos feito o nosso melhor Apuramento em termos de resultados, o futebol que praticávamos era pouco vistoso. Não sabia se seria suficiente para o Europeu, sobretudo com Fernando Santos a dizer que quer ganhá-lo. Este jogo afastou pelo menos algumas das preocupações, deixa alguma esperança. Temos bases para construir uma Seleção com uma palavra a dizer no Europeu, algo que não poderia deixar-me mais feliz.


 


Há que alertar, no entanto, que, da mesma maneira como não estava tudo mal quando perdemos com a Bulgária, não está tudo bem agora, que ganhámos à Bélgica. As dificuldades que sentimos na semana passada preocupam, pois é com equipas semelhantes à búlgara que partilhamos o grupo do Europeu. Não tenho a certeza se os problemas desse jogo foram apenas azar e um guarda-redes inspirado, se tudo correria a nosso favor a partir do momento em que marcássemos um golo, ou se realmente não funcionamos bem em ataque continuado. Um dos maiores enigmas relativamente à Convocatória Final diz respeito à capacidade goleadora, se a Equipa de Todos Nós deverá usar ponta-de-lança ou não durante o Europeu, se valerá a pena chamar Éder (que, todos concordam, não é grande goleador) para apenas jogar os dez ou quinze minutos finais, quando a Seleção arrisca um futebol mais direto. Eu não sou, de todo, a pessoa mais indicada para dar um parecer sobre a questão, fica ao critério de cada um. Acredito que Fernando Santos tomará a decisão correta.


 


Mas também acredito que, qualquer seja essa a decisão, esta levantará polémica. Não só em relação à questão do ponta-de-lança, mas também ao por estes dias inevitável Renato Sanches. Acreditam que já deparei com acusações de campanhas, tanto para levar Renato ao Europeu como campanhas para não levar Renato ao Europeu? É caricato, mas, tal como tenho vindo a dizer, não é bom para o jovem jogador. A verdade é que acho que vão ficar de fora muitos que mereciam um lugar no Euro, sobretudo no que diz respeito precisamente ao meio-campo. O lado positivo da coisa é que esses são problemas de seleção grande.


 


heróis de leiria.jpg


  


Os anos vão passando, jogadores e treinadores vão e vêm, e, no entanto, uma coisa que nunca muda é a alegria que me dá uma vitória e uma boa exibição da Equipa de Todos Nós. O facto de terem sido os meus dois jogadores preferidos a marcar os golos é uma alegria extra, mas também ficaria feliz se tivesse sido o João Mário, o Adrien, o Quaresma, o André Gomes ou outro qualquer a brincar os golos. Era de maneira até que ficava ainda mais fã deles – afinal de contas, fiquei fã de Raphael Guerreiro quando este marcou o golo da vitória frente à Argentina. O meu desejo é que esta seja apenas a primeira alegria que a Seleção nos dá este ano, em particular nos próximos meses.


 


Agora ficamos a apenas mês e meio da Convocatória Final para o Europeu (a Federação bem podia confirmar o dia certo… Eu aposto em dia 16 de maio). Não vai custar muito – quem esperou quatro meses e meio por esta dupla jornada pode esperar seis semanas. Entretanto, vou concluir a minha entrada especial de aniversário (que, provavelmente, será dividida em duas), logo, podem contar com uma publicação nova no dia 12 de maio. Também poderão esperar pelo Anúncio dos Convocados comigo, através da página de Facebook do blogue. Até lá…

terça-feira, 29 de março de 2016

Portugal 0 Bulgária 1 - À moda antiga

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Na passada sexta-feira, dia 25 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol perdeu perante a sua congénere búlgara, em jogo de carácter preparatório do Campeonato Europeu da modalidade, que terá lugar em França dentro de dois meses e meio.


 


Há imenso tempo que a Seleção não fazia um jogo destes há algum tempo, talvez há anos. Um jogo à moda antiga, em que a Seleção se farta de jogar, de rematar, mas em que a bola pura e simplesmente não entra e os golos são sofridos numa das poucas ocasiões da equipa adversária e/ou por parvoíce. Isto poucos meses depois de conquistar uma Qualificação fazendo quase o exato oposto. Só prova que, por vezes, quanto mais as coisas mudam, mais elas ficam na mesma.


 


Eu até fiquei entusiasmada quando, nos primeiros quinze minutos, fizemos mais remates que, se calhar, em alguns jogos da Qualificação para o Europeu. O guarda-redes búlgaro, Stoyanov, defendeu todas (como diria a minha irmã, "indício trágico") mas, na altura, pensei que era uma questão de atirar o barro vezes suficientes à parede. Infelizmente, a velha máxima do "quem não marca, sofre" manifestou-se mais cedo do que o costume: aos dezanove minutos, depois de Pepe e Vieirinha se atrapalharem com Marcelinho.


 


Na altura não me ralei por aí além com este golo. Não seria o primeiro resultado desfavorável que anularíamos e ocasiões de golo eram coisas que não estavam a faltar naquele jogo - com desespero crescente, diga-se. No entanto, Stoyanov resolvera fazer o jogo da vida dele naquela noite e nada entrava naquela baliza.


 


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 (fonte: Memes da Bola)


 


A coisa não melhorou na segunda parte, nem mesmo quando Quaresma e Danny entraram. Por fim, aos sessenta e seis minutos, lá conseguimos arrancar um penálti aos búlgaros, para Cristiano Ronaldo marcar.


 


- A ver se o Stoyanov defende esta - disse a minha irmã.


 


Quando Stoyanov defendeu, claro, não evitei virar-me para a minha irmã e refilar:


 


- Tinhas de abrir a boca, não tinhas?


 


Foi mais uma prova de que Deus Nosso Senhor tinha tirado a noite para se divertir à custa da nossa Seleção. Só faltou mesmo a habitual bola ao poste.


 


Pela maneira como muitos vinham a falar dele, uma pessoa quase esperava que, depois de Renato Sanches entrar, aos setenta e quatro minutos, a Seleção de repente marcasse dois ou três golos com a ajuda dele. Obviamente isso não aconteceu. O Renato, aliás, até falhou os primeiros dois passes por nervosismo - como é natural num miúdo de dezoito anos que, de repente, se vê convertido num messias futebolístico. Mas foi o suficiente para o comentador em serviço decretar que o Renato estava em noite não - isto cinco minutos depois de o Marmanjo entrar em campo. Tal como disse antes, é preciso dar espaço ao miúdo para crescer, para se adaptar. Endeusá-lo nesta altura do campeonato pode ser perigoso.


 


o invasor.jpg


  


Ao menos Renato sempre proporcionou o momento alto da noite, quando um miúdo de treze anos invadiu o campo para ir abraçá-lo. Um gesto perfeitamente inocente, mas que tem despoletado muita azia clubística de várias partes. Por um lado, já criticaram o miúdo por ter ido abraçar o Renato em vez do Ronaldo (em defesa do miúdo, quando eu tinha mais ou menos a idade dele, o Ronaldo tinha 18 ou 19 anos e também dava os primeiros passos na Seleção. Na altura, se eu invadisse um jogo, também ia primeiro abraçar Ronaldo e não Figo ou Rui Costa). Por outro lado, há quem especule que Ronaldo, enciumado por toda a atenção que o Renato está a receber, irá usar a sua influência para que o miúdo fique de fora do Europeu.


 


Acho graça à forma como pessoas de mente pequena acham que os demais - sobretudo pessoas bem sucedidas - possuem mentes tão pequenas como as deles. Além disso, na minha modesta opinião, acho que a única coisa que o Ronaldo inveja no Renato é... o seu cabelo. Por um lado, talvez até seja bom que as atenções na Equipa de Todos Nós se desviem um bocadinho do eterno Capitão. Por outro lado, Renato não estará de todo tão habituado a lidar com a pressão como o Ronaldo.


 


Fechando esse aparte, como podem calcular, estas reações movidas a clubites irritam-me. Ainda na semana passada o João Mário defendeu o Renato numa Conferência de Imprensa, a propósito da falta que o jovem cometeu no último derby - mostrando que, na Seleção, os clubes são uma questão secundária. Pena nem todo o adepto comum seguir esse exemplo. De qualquer forma, tenho vindo a aprender que a culpa não é do futebol em si, nem mesmo dos clubes. Pessoas de mente pequena existem em todo o lado, sobretudo na Internet. Por vezes é difícil separar o futebol e os clubes dos seus adeptos e de certos dirigentes.


 


Não aconteceu mais nada de assinalável depois disso. Fiquei com a sensação de que até o árbitro ficou com pena de nós, uma vez que, quando o tempo de compensação estava quase esgotado, nos concedeu mais um ataque. Não era preciso. Como diria o Nani mais tarde, "podíamos ficar cá a noite toda que não marcávamos".


 


nas alturas.jfif


 


Jogos particulares valem o que valem, não são um indicador muito rigoroso da qualidade atual da Seleção. Por exemplo, tivemos uma série de particulares fracos antes do... Euro 2012, e uma série de particulares satisfatórios antes do... Mundial 2014. Estes jogos servem, precisamente, para cometer as asneiras todas, gastar o azar todo, a parvoíce toda, para depois, quando for a doer, estarmos muito mais firmes - embora saiba que, na prática, não é assim tão simples... Concordo com Fernando Santos quando diz que houveram "coisas positivas no jogo" - sobretudo o facto de Portugal estar de novo a jogar ao ataque, criando oportunidades de golo, depois de muito tempo jogando à defesa. Os problemas de concretização não nos tiram o sono, pelo menos não por enquanto. O caso mudará de figura se estes problemas se mantiverem...


 


Hoje temos mais um jogo para avaliar a situação, com a Bélgica. A ver o que aqueles totós fazem desta vez... 

Portugal 0 Bulgária 1 - À moda antiga

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Na passada sexta-feira, dia 25 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol perdeu perante a sua congénere búlgara, em jogo de carácter preparatório do Campeonato Europeu da modalidade, que terá lugar em França dentro de dois meses e meio.


 


Há imenso tempo que a Seleção não fazia um jogo destes há algum tempo, talvez há anos. Um jogo à moda antiga, em que a Seleção se farta de jogar, de rematar, mas em que a bola pura e simplesmente não entra e os golos são sofridos numa das poucas ocasiões da equipa adversária e/ou por parvoíce. Isto poucos meses depois de conquistar uma Qualificação fazendo quase o exato oposto. Só prova que, por vezes, quanto mais as coisas mudam, mais elas ficam na mesma.


 


Eu até fiquei entusiasmada quando, nos primeiros quinze minutos, fizemos mais remates que, se calhar, em alguns jogos da Qualificação para o Europeu. O guarda-redes búlgaro, Stoyanov, defendeu todas (como diria a minha irmã, "indício trágico") mas, na altura, pensei que era uma questão de atirar o barro vezes suficientes à parede. Infelizmente, a velha máxima do "quem não marca, sofre" manifestou-se mais cedo do que o costume: aos dezanove minutos, depois de Pepe e Vieirinha se atrapalharem com Marcelinho.


 


Na altura não me ralei por aí além com este golo. Não seria o primeiro resultado desfavorável que anularíamos e ocasiões de golo eram coisas que não estavam a faltar naquele jogo - com desespero crescente, diga-se. No entanto, Stoyanov resolvera fazer o jogo da vida dele naquela noite e nada entrava naquela baliza.


 


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 (fonte: Memes da Bola)


 


A coisa não melhorou na segunda parte, nem mesmo quando Quaresma e Danny entraram. Por fim, aos sessenta e seis minutos, lá conseguimos arrancar um penálti aos búlgaros, para Cristiano Ronaldo marcar.


 


- A ver se o Stoyanov defende esta - disse a minha irmã.


 


Quando Stoyanov defendeu, claro, não evitei virar-me para a minha irmã e refilar:


 


- Tinhas de abrir a boca, não tinhas?


 


Foi mais uma prova de que Deus Nosso Senhor tinha tirado a noite para se divertir à custa da nossa Seleção. Só faltou mesmo a habitual bola ao poste.


 


Pela maneira como muitos vinham a falar dele, uma pessoa quase esperava que, depois de Renato Sanches entrar, aos setenta e quatro minutos, a Seleção de repente marcasse dois ou três golos com a ajuda dele. Obviamente isso não aconteceu. O Renato, aliás, até falhou os primeiros dois passes por nervosismo - como é natural num miúdo de dezoito anos que, de repente, se vê convertido num messias futebolístico. Mas foi o suficiente para o comentador em serviço decretar que o Renato estava em noite não - isto cinco minutos depois de o Marmanjo entrar em campo. Tal como disse antes, é preciso dar espaço ao miúdo para crescer, para se adaptar. Endeusá-lo nesta altura do campeonato pode ser perigoso.


 


o invasor.jpg


  


Ao menos Renato sempre proporcionou o momento alto da noite, quando um miúdo de treze anos invadiu o campo para ir abraçá-lo. Um gesto perfeitamente inocente, mas que tem despoletado muita azia clubística de várias partes. Por um lado, já criticaram o miúdo por ter ido abraçar o Renato em vez do Ronaldo (em defesa do miúdo, quando eu tinha mais ou menos a idade dele, o Ronaldo tinha 18 ou 19 anos e também dava os primeiros passos na Seleção. Na altura, se eu invadisse um jogo, também ia primeiro abraçar Ronaldo e não Figo ou Rui Costa). Por outro lado, há quem especule que Ronaldo, enciumado por toda a atenção que o Renato está a receber, irá usar a sua influência para que o miúdo fique de fora do Europeu.


 


Acho graça à forma como pessoas de mente pequena acham que os demais - sobretudo pessoas bem sucedidas - possuem mentes tão pequenas como as deles. Além disso, na minha modesta opinião, acho que a única coisa que o Ronaldo inveja no Renato é... o seu cabelo. Por um lado, talvez até seja bom que as atenções na Equipa de Todos Nós se desviem um bocadinho do eterno Capitão. Por outro lado, Renato não estará de todo tão habituado a lidar com a pressão como o Ronaldo.


 


Fechando esse aparte, como podem calcular, estas reações movidas a clubites irritam-me. Ainda na semana passada o João Mário defendeu o Renato numa Conferência de Imprensa, a propósito da falta que o jovem cometeu no último derby - mostrando que, na Seleção, os clubes são uma questão secundária. Pena nem todo o adepto comum seguir esse exemplo. De qualquer forma, tenho vindo a aprender que a culpa não é do futebol em si, nem mesmo dos clubes. Pessoas de mente pequena existem em todo o lado, sobretudo na Internet. Por vezes é difícil separar o futebol e os clubes dos seus adeptos e de certos dirigentes.


 


Não aconteceu mais nada de assinalável depois disso. Fiquei com a sensação de que até o árbitro ficou com pena de nós, uma vez que, quando o tempo de compensação estava quase esgotado, nos concedeu mais um ataque. Não era preciso. Como diria o Nani mais tarde, "podíamos ficar cá a noite toda que não marcávamos".


 


nas alturas.jfif


 


Jogos particulares valem o que valem, não são um indicador muito rigoroso da qualidade atual da Seleção. Por exemplo, tivemos uma série de particulares fracos antes do... Euro 2012, e uma série de particulares satisfatórios antes do... Mundial 2014. Estes jogos servem, precisamente, para cometer as asneiras todas, gastar o azar todo, a parvoíce toda, para depois, quando for a doer, estarmos muito mais firmes - embora saiba que, na prática, não é assim tão simples... Concordo com Fernando Santos quando diz que houveram "coisas positivas no jogo" - sobretudo o facto de Portugal estar de novo a jogar ao ataque, criando oportunidades de golo, depois de muito tempo jogando à defesa. Os problemas de concretização não nos tiram o sono, pelo menos não por enquanto. O caso mudará de figura se estes problemas se mantiverem...


 


Hoje temos mais um jogo para avaliar a situação, com a Bélgica. A ver o que aqueles totós fazem desta vez... 

quarta-feira, 23 de março de 2016

Estendendo uma mão

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Na próxima sexta-feira, dia 25 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe, no Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria, a sua congénere búlgara. Estava previsto a Seleção Nacional deslocar-se a Bruxelas para defrontar a sua congénere local, quatro dias mais tarde. No entanto, à luz dos recentes acontecimentos, o jogo foi mudado para o mesmo estádio do jogo com a Bulgária. Ambos os encontros terão carácter amigável, de preparação para o Campeonato Europeu da modalidade, que terá lugar em França, em junho próximo.


 


Uma vez mais, estes serão os primeiros jogos da Turma das Quinas em mais de quatro meses. Desta feita, não me custou tanto esperar - em parte por ser ano de Europeu, em parte por andar a trabalhar, de forma intermitente, numa entrada especial para o aniversário do blogue. Tal como da última vez, muita coisa mudou em quatro meses. Por exemplo, em novembro último, Gonçalo Guedes era o miúdo-sensação do Benfica, de quem toda a gente falava. No entanto, acabou por perder espaço no clube (o mesmo acontecendo a Ruben Neves, no F.C.Porto). O novo miúdo-sensação de quem toda a gente fala é Renato Sanches.


 


Como poderão deduzir, estou um bocadinho céptica em relação a todo este hype que está a ser feito em torno do jogador. Não é como se nunca tivesse visto isto, um jogador jovem muito mediatizado, que todos esperam que vá ser uma superestrela, mas que depois não consegue cumprir as promessas que deixara, por um motivo ou por outro (os miúdos deixam que o sucesso lhes suba à cabeça e/ou não sabem lidar com a pressão, são mal aconselhados, passam por momentos baixos de forma, perdem espaço nos respetivos clubes...). Na verdade, tanto quanto sei, o miúdo-sensação (entre 18 e 19 anos) que conseguiu cumprir as suas promessas nos últimos doze anos, mais coisa menos coisa, foi Cristiano Ronaldo (e, vá lá, apenas João Moutinho). Podem vilanizar Jorge Mendes o quanto quiserem, mas ele acertou em cheio ao obrigar Alex Ferguson a prometer que, quando Ronaldo viesse para o Manchester United, jogaria em pelo menos metade dos jogos. De outra forma, talvez Ronaldo não chegasse ao nível a que chegou - mas também, Ronaldo chegou a onde chegou precisamente por ser a exceção a todas as regras.


 


ronaldo, quaresma e renato.jpg


 


Fiquei contente por Fernando Santos ter tentado desviar os holofotes de Renato Sanches. "Não vamos criar ansiedade ao miúdo", disse ele. Não sei se já o referi aqui, mas respeito imenso Fernando Santos por se recusar a dançar ao som da música da Comunicação Social, dos seus hypes e polémicas - tudo isto mantendo um tom descontraído, terra-a-terra, sem a agressividade de que alguns dos seus antecessores por vezes adotavam.


 


Acho, por isso, que é muito cedo para lançar Renato Sanches como titular, nos jogos oficiais pelo menos. Nem, lá está, Cristiano Ronaldo, que já se destacava havia pelo menos um ano, começou o Euro 2004 a titular. Na minha modesta opinião (que pode, ou não, ter sido influenciada pela minha irmãzinha sportinguista), não seria má ideia aproveitar estes dois jogos e a lesão de João Moutinho para testar o meio-campo do clube de Alvalade, que já tem rotinas. De qualquer forma, penso que nenhuma das opções para meio-campo disponíveis (incluindo algumas que não couberam na Convocatória) seria errada. A Seleção pode ter as suas lacunas, mas em princípio o meio-campo não será uma delas. Dava jeito, até, ser possível fazer uma equipa só com médios...


 


Já falei, então, do maior destaque da Convocatória, apresentada na passada sexta-feira. O resto da Lista era expectável, tirando... Éder. Nestas coisas eu costumo ficar no lado do Selecionador, ter alguma boa vontade, mas nesta concordo com as críticas. Como muitos têm assinalado, Bruno Moreira, do Paços de Ferreira, e Hugo Vieira, do Estrela Vermelha da Sérvia, contam com catorze e dezassete golos esta época, respetivamente. Éder conta... dois. O último já veio imensas vezes à Seleção ao longo dos anos e apenas marcou um golo. Já teve inúmeras oportunidades para convencer e não o fez. Está na altura de dar oportunidades a outros.


 


palestra no restelo.jpg


 


Não sendo esta a Lista definitiva para o Europeu, não deverá definir muito da Convocatória final. Fernando Santos terá estes dois particulares para testar as armas. Sobre a Bulgária não sei quase nada. O nosso historial com essa seleção é equilibrado, mas também não jogamos com eles desde 1992. Os búlgaros não se Qualificaram para o Europeu e, segundo Fernando Santos, gostam de jogar à defesa. Podemos, então, contar com um jogo de paciência na sexta-feira, pouco excitante - pelo menos até a Seleção ser capaz de quebrar o gelo. 


 


A seleção belga é muito mais interessante. Há cerca de dois anos, um pouco do nada (pelo menos para mim), passaram a figurar na lista das melhores seleções do mundo. Na altura, não o sabia, mas a Bélgica fizera uma excelente Qualificação para o Mundial 2014, graças a uma geração de jogadores notáveis como Éden Hazard, Thibaut Courtois, Axel Witsel, Simon Mignolet, entre outros. No Mundial, chegaram aos quartos. Na Qualificação para o Euro 2016, ficaram em primeiro no grupo. Atualmente estão em primeiro lugar no ranking da FIFA, mas não dou muita credibilidade a esse ranking.


 



 


O nosso historial frente a Bélgica é desfavorável, mas guardo boas recordações dos últimos dois jogos, em 2007. O primeiro, em Alvalade, terminou com uma vitória por 4-0, destacando-se o golo de trivela de Ricardo Quaresma, como podem ver acima. Também ganhámos o jogo fora, por 2-1, e aqui destacou-se a bomba de Hélder Postiga, como poderão ver abaixo. Isto tudo, no entanto, decorreu há nove anos, muita coisa mudou nesse tempo. Consta que alguns dos titulares, como Hazard e Vicent Kompany, vão falhar o jogo por lesão, mas não me parece que a Bélgica diminua muito de qualidade. Eu espero que não, pelo menos. Quero ver por mim mesma se a Bélgica é essa Coca-Cola toda.


 



 


 


Não posso falar deste jogo sem falar dos atentados terroristas em Bruxelas. Durante cerca de um par de horas esta manhã, pareceu que o encontro não seria de todo realizado. Eu confesso que fiquei com medo. Já aquando dos ataques em Paris, uma das coisas em que pensei quando soube que um dos alvos era o jogo entre a França e a Alemanha, foi que, pouco mais de um ano antes, Portugal tinha jogado lá (não sei se era o mesmo estádio...) e que o Europeu disputar-se-á precisamente em França. Da mesma maneira, quando soube dos ataques em Bruxelas, uma das coisas em que pensei foi que, tivesse o jogo marcado para uns dias antes, os nossos jogadores podiam ter estado no aeroporto no momento fatídico. 


 


Por isso não, não posso dizer que não compreenderia, nem mesmo que não concordaria pelo menos em parte com um cancelamento, mesmo que os motivos não fossem estritamente práticos - a deslocalização foi sobretudo por, com a grande operação de segurança montada no país, não existirem recursos policiais suficientes para assegurar a segurança no jogo, não tanto o luto ou o medo. 


 


Por outro lado, cancelar completamente o jogo seria ceder ao terrorismo. Era isso que eles queriam. O objetivo deles é destruir a sociedade e o estilo de vida ocidental, disseminar o medo. A melhor resposta é precisamente recusarmo-nos a seguir os termos deles, continuarmos a viver as nossas vidas normalmente, fingindo que não temos medo. Para além de ser impraticável vivermos sem aviões e transportes públicos, a longo prazo, será que queremos uma vida sem futebol? Não vou dizer que prefiro morrer num atentado do que deixar de ir a jogos de futebol, mas não sei se quereria uma vida assim. Até porque, como já escrevi várias vezes aqui no blogue, o futebol chega a ser uma das únicas fontes de esperança e alegria de que dispomos.


 


Fico aliviada por este particular não ter sido cancelado, apenas deslocalizado, e por já se ter posto de parte a hipótese de realizar o Euro 2016 à porta fechada. Poucas coisas são mais tristes que um jogo de futebol sem público, até porque eu acredito que o futebol é, acima de tudo, um entretenimento. Além disso, em termos práticos, não sei se ajudaria tanto assim. Aglomerados de pessoas durante eventos desta envergadura são inevitáveis, se não nos estádios, em parques ou praças, à volta de ecrãs gigantes. Ao menos nos estádios é mais fácil revistar quem entra.


 


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Esta jornada de seleções já está estragada, mesmo que o jogo não tenha sido cancelado. No entanto, o facto de este se realizar à mesma é uma maneira de mostrar ao mundo e aos que procuram disseminar o medo que não abdicaremos da nossa liberdade, das coisas que nos fazem felizes, da nossa própria vida. É uma oportunidade de estendermos uma mão aos belgas, de mostrarmos a nossa solidariedade e amizade. Por outras palavras, é uma oportunidade para, numa altura em que nunca precisámos tanto disso, usarmos o futebol para a sua mais importante função: para unir.


 


Um abraço a todas as vítimas, diretas ou indiretas, do terrorismo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Seleção 2015

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Mais um ano prestes a acabar, mais um ano prestes a começar. Eis a minha habitual revisão do ano da Equipa de Todos Nós.


 


Tal como previ/desejei há um ano, 2015 foi um ano tranquilo para a Seleção, o primeiro ano assim desde 2011. Na verdade - e isto surpreenderia muitos em 2014, sobretudo na ressaca do Mundial - este é capaz de ser o melhor ano no seu todo da Equipa de Todos Nós desde 2005. Ainda que nem sempre tenha sido essa a sensação - porque, em termos exibicionais, não foi um ano brilhante. Mas a verdade é que 2015 viu Portugal concluindo a sua melhor fase de Qualificação, evitando os playoffs pela primeira vez numa eternidade. De igual modo, 2015 viu o desenvolvimento de uma nova geração de promessas e o início da sua integração na equipa principal. Agora aguardamos o Euro 2016 e Fernando Santos diz que quer ganhá-lo.


 


Tal como acontecerá em 2016, o primeiro jogo da Seleção em 2015 ocorreu só em finais de março. Foi frente à Sérvia, no Estádio da Luz, a contar para a Qualificação e eu estive lá. Quem não esteve - no banco, pelo menos - foi Fernando Santos, cumprindo o castigo que, pouco antes, fora reduzido para dois jogos. Portugal ganhou por 2-1. Como em muitas ocasiões este ano, houve mais pragmatismo que brilhantismo. Mesmo assim, considero que este foi o nosso melhor jogo este ano - e um dos meus fins de tarde/princípios de noite mais felizes. Ricardo Carvalho marcou o primeiro golo - e lesionou-se nos festejos. Em vantagem, a Seleção abrandou, até consentir o golo de Matic, de pontapé de bicicleta. Nos minutos que se seguiram, todo o Estádio vibrou com os gritos de "POR-TU-GAL! POR-TU-GAL!" vindos das bancadas. Pouco depois, em resposta, Fábio Coentrão colocou Portugal de novo em vantagem no marcador, selando o resultado.


 


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Visto que o jogo solidário com Cabo Verde se realizou apenas dois dias depois, nenhum dos que jogaram contra a Sérvia puderam alinhar. Fernando Santos teve mesmo de fazer uma segunda Convocatória só para este jogo. Como tal, o desempenho de Portugal foi fraco, tirando as iniciativas de Bernardo Santos. Perdemos por 2-0. Não há muito mais a dizer.


 


A concentração da Seleção que se seguiu a essa dupla jornada coincidiu com uma altura, digamos, interessante no futebol: quando Jorge Jesus trocou o Benfica pelo Sporting e quando rebentou o escândalo da corrupção na FIFA, que culminou agora, com Blatter e Michel Platini banidos do futebol durante oito anos. Não há muito a dizer sobre o primeiro acontecimento. Por sua vez, o segundo é, na minha opinião, um da das melhores coisas que aconteceram no futebol este ano. Há muito que se sabe que existe corrupção nas mais altas instâncias do futebol. Já era altura de algo ser feito em relação a isso. 


 


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O jogo com a Arménia foi encarado com alguma cautela. Uma vez que a Seleção nunca tinha ganho nada naquele terreno. E a verdade é que Portugal cometeu mais erros nesse jogo do que aquilo que foi a norma no resto da Qualificação. Houve alguma apatia por parte dos portugueses e Rui Patrício teve culpas nos primeiros dois golos que sofreu. Cristiano Ronaldo, tipicamente, resolveu a questão com um hat-trick - mesmo assim, Tiago fez-se expulsar após o quarto golo português e os arménios conseguiram reduzir a desvantagem para 2-3.


 


Daí a três dias, Portugal disputou um jogo amigável com a sua congénere italiana. Faltavam titulares habituais a ambos os lados e era um jogo de fim de época, logo, o desafio foi decorrendo em ritmo de treino. Por uma vez, os nossos adversários estavam com mais azar do que nós. O único golo da partida foi apontado por Éder, numa jogada começada pelo Eliseu, que passou a Quaresma, que assistiu de trivela para o ponta-de-lança. O milagre do ano, essencialmente - estou a brincar!


 


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Não posso deixar de referir a excelente prestação dos sub-21 no Europeu, chegando à final, caindo apenas nos penálties. Catalisada pelo excelente trabalho de Rui Jorge, esta é uma das melhores gerações de futebolistas dos últimos vinte anos, cheia de talento, magia (mais do que a atual Seleção A, diga-se, com as devidas exceções), maturidade e espírito ganhador. São um exemplo a seguir por muitos veteranos. A Seleção A, se quiser mesmo ganhar o Europeu, deveria olhar para a paixão dos sub-21.


 


A Seleção A só se voltou a reunir em finais de agosto, princípios de Setembro, para um particular com a França e o antepenúltimo jogo da Qualificação com a Albânia. O particular decorreu no Estádio de Alvalade e eu estive lá. Para um jogo entre grandes seleções, foi anticlimático e um pouco enfadonho. A França estava mais motivada para o jogo que Portugal, que estava mais preocupado com o restante da Qualificação. Portugal limitou-se a defender e até conseguiu fazê-lo até aos oitenta e cinco minutos, antes de sofrer um golo, cortesia de Valbuena. Este jogo serviu para provar que o estilo de jogo implementado por Fernando Santos tem os seus méritos, mas não chega para tudo.


 


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O jogo contra a Albânia foi um jogo tão típico da era Fernando Santos que chega a ser caricato. Portugal jogou melhor que contra a França - não admira, havia mais em jogo. Conseguiu o domínio durante a larga maioria do jogo, tirando durante uns dez, quinze minutos, após a marca dos sessenta. Quaresma entrou entrou a meio da segunda parte e assistiu para o golo de Miguel Veloso, marcado no último minuto. Com mais esta vitória, Portugal ficou a um ponto de se Qualificar.


 


Esse ponto e mais dois extra forma ganhos no jogo seguinte, em Braga, contra a Dinamarca. Mais um jogo típico, pouco empolgante, sobretudo na primeira parte - a Dinamarca estacionou o autocarro e Portugal não se esforçou por aí além por quebrá-lo. Na segunda parte, os dinamarqueses abriram mais o jogo, atacaram mais, mas defenderam menos. Finalmente João Moutinho marcou - um belo tiro, diga-se. Ficou selado o Apuramento.


 



 


O jogo contra a Sérvia realizou-se apenas para cumprir calendário, mas Portugal não deixou de levar o jogo a sério. Por uma vez, marcámos cedo, antes dos cinco minutos, cortesia de Nani. Depois do golo, Portugal estacionou o autocarro. Conseguiu aguentá-lo durante toda a primeira parte do jogo, mas na segunda parte os sérvios conseguiram abrir buracos na nossa defesa. Aos 66 minutos empataram o jogo. Entretanto, João Moutinho entrou e tornou a resolver a situação com mais um golo espectacular. Concretizou-se, assim, a nossa sétima vitória consecutiva em jogos oficiais.


 


Já que, por uma vez, não houve necessidade de irmos a playoffs, os jogos de novembro foram apenas particulares (contra a Rússia e o Luxemburgo) e Fernando Santos pôde dispensar alguns dos titulares habituais e de chamar gente nova. Não vou falar muito sobre estes jogos pois não os vi. Portugal perdeu por 1-0 contra a Rússia e ganhou ao Luxemburgo por 2-0 - tal como disse antes, soube a goleada depois de uma data de vitórias pela margem mínima.


 


Finalmente, este mês, a Seleção foi sorteada para o grupo F do Euro 2016, juntamente com a Hungria, a Islândia e a Áustria, um grupo que, todos concordam, está perfeitamente ao alcance de Portugal, só uma grande catástrofe impedir-nos-á de falharmos os oitavos-de-final, em princípio.


 


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Foi assim o ano da Seleção, um ano tranquilo, é certo, mas pouco excitante. Os playoffs seriam sempre arriscados, mas também poderiam dar um pouco de emoção a um ano, por vezes, demasiado monótono. Por outro lado, estávamos a precisar de um ano assim, depois de tudo o que aconteceu em 2014.


 


Anos pares são sempre mais excitantes para mim. Trazem com eles campeonatos de seleções e Portugal têm conseguido estar presete em todos.Continuo a não querer ainda falar concretamente do que espero do Europeu. No entanto, como o costume passarei os primeiros meses de 2016 ansiosa pelo Anúncio dos Convocados para o Euro 2016 e o início de toda a excitação. Mal posso esperar pela data desse Anúncio, bem como pelas datas e adversários dos particulares de março. As coisas têm estado calmas na Seleção desde finais de 2014 até agora... mas não ficarão por muito mais tempo. O Europeu irá agitar tudo isto e o seu desfecho determinará o estado de espírito com que estaremos daqui a um ano.


 


Por esta altura, gosto de fazer uma espécie de renovação de votos, reafirmar a minha devoção pela Equipa de Todos Nós. Devoção essa que tem cada vez menos a ver com patriotismo. Já não acho que tenhamos obrigatoriamente de apoiar a seleção do país onde nascemos nem que seja errado torcermos pela seleção de um país que, teoricamente, nada tem a ver connosco. Percebi isso há cerca de um ano, quando Martunis (o menino que sobreviveu ao tsunami  no Índico em fins de 2004 durante três semanas vestindo uma camisola da Seleção Portuguesa) revelou que sonha um dia voltar a vestir a Camisola das Quinas, desta feita em campo. 


 


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Não sei se Martunis é bom jogador, se é suficientemente bom para representar a Seleção. Se for esse o motivo pelo qual não será Convocado, não tenho nada a dizer Mas haverá alguém com a ousadia de recusar-lhe uma Convocatória tendo apenas por base a sua nacionalidade? Não sei se ele já obeteve a nacionalidade portuguesa, mas eu acredito que, capacidades futebolísticas à parte, ele merece mais vir à Equipa de Todos Nós do que, se calhar, metade dos que lá estão agora merecem. Martunis acredita que o nosso país, a nossa Seleção lhe salvaram a vida e, de facto, a FPF doou-lhe 40 mil euros à sua família para se restabelecer, trouxe-o a Portugal para visitar a Turma das Quinas (lembro-me perfeitamente de vê-lo nas bancadas do Estádio da Luz no jogo com a Eslováquia, comemorando o golo do Cristiano Ronaldo com o Rui Costa) e, este ano, o Sporting trouxe-o até ao nosso país e ele vive hoje na academia do Sporting. Se ele viesse à Seleção, ninguém duvidaria do seu amor à camisola.


 


Cada vez acredito mais que a nacionalidade é apenas uma categoria em documentos oficiais, um aspeto burocrático. Uma pessoa é definida pelas escolhas que faz, não por aquilo que lhe é imposto. Isso significa que, sim, por princípio não sou contra nacionalizações na Equipa de Todos Nós, desde que seja por convicção e não por interesse. Se formos a ver, metade dos atuais Marmanjos não nasceram em Portugal: Nani e Eliseu nasceram em Cabo Verde, William Carvalho nasceu em Angola, Cédric nasceu na Alemanha, Adrien e Raphael Guerreiro nasceram em França (o último, quando se estreou na Seleção A, ainda mal falava o português), mas ninguém questionou a sua Convocatória. Por outro lado, concordo com a atual política de a Federação não interferir nos processos de mudança de nacionalidade.


 


 


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Já não acho que todos os portugueses têm, obrigatoriamente, de apoiar a Equipa de Todos Nós só por serem portugueses - vocês, que acompanham este blogue e a minha página, sabem o quão frustrante e desanimador isto consegue ser. Não esqueçamos também que a Turma das Quinas tem apoiantes por todo o globo, com ou sem relação com Portugal. Não me vou arrogar ao ponto de falar em nome da Seleção, mas eu aceitaria qualquer um como adepto. Quer seja por gostar do nosso país, por a Seleção lhe ter salvo a vida, por causa de um jogador em específico, porque se identificam com o espírito e/ou estilo de jogo, porque de tanto em tanto tempo lhes dá alegrias. Os mesmos motivos pelos quais se escolhe um clube como todos os outros, no fundo. Na verdade, o motivo pelo qual se começa a ser adepto não é importante, desde que se mantenham como adeptos quer nos bons, quer nos maus momentos - essa é a parte mais difícil, mas poucas coisas são mais gratificantes do que testemunhar as primeiras vitórias, os primeiros sinais de recuperação, após um período de crise.


 


Na verdade, sou cada vez mais amante do futebol em geral, não apenas o que está relacionado com a Turma das Quinas. Pelas paixões que move, as histórias a ele associaas, a maneira como ele pode salvar vidas, como a do Martunis, em vários sentidos. O meu clube é a Seleção e isso nunca vai mudar. No entanto, também me considero adepta de todos os clubes ao mesmo tempo e de nenhum em particular. E orgulho-me disso. 


 


Vou continuar a amar o futebol e a apoiar a Seleção no próximo ano, qualquer que seja o desfecho da nossa participação no Europeu. Que 2016 seja um ano muito positivo para o futebol, sobretudo para o futebol português, sobretudo para a Equipa de Todos Nós. Deixo também aqui os votos de um Natal muito feliz e de um Ano Novo cheio de coisas boas. Regressem connosco em 2016!

Seleção 2015

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Mais um ano prestes a acabar, mais um ano prestes a começar. Eis a minha habitual revisão do ano da Equipa de Todos Nós.


 


Tal como previ/desejei há um ano, 2015 foi um ano tranquilo para a Seleção, o primeiro ano assim desde 2011. Na verdade - e isto surpreenderia muitos em 2014, sobretudo na ressaca do Mundial - este é capaz de ser o melhor ano no seu todo da Equipa de Todos Nós desde 2005. Ainda que nem sempre tenha sido essa a sensação - porque, em termos exibicionais, não foi um ano brilhante. Mas a verdade é que 2015 viu Portugal concluindo a sua melhor fase de Qualificação, evitando os playoffs pela primeira vez numa eternidade. De igual modo, 2015 viu o desenvolvimento de uma nova geração de promessas e o início da sua integração na equipa principal. Agora aguardamos o Euro 2016 e Fernando Santos diz que quer ganhá-lo.


 


Tal como acontecerá em 2016, o primeiro jogo da Seleção em 2015 ocorreu só em finais de março. Foi frente à Sérvia, no Estádio da Luz, a contar para a Qualificação e eu estive lá. Quem não esteve - no banco, pelo menos - foi Fernando Santos, cumprindo o castigo que, pouco antes, fora reduzido para dois jogos. Portugal ganhou por 2-1. Como em muitas ocasiões este ano, houve mais pragmatismo que brilhantismo. Mesmo assim, considero que este foi o nosso melhor jogo este ano - e um dos meus fins de tarde/princípios de noite mais felizes. Ricardo Carvalho marcou o primeiro golo - e lesionou-se nos festejos. Em vantagem, a Seleção abrandou, até consentir o golo de Matic, de pontapé de bicicleta. Nos minutos que se seguiram, todo o Estádio vibrou com os gritos de "POR-TU-GAL! POR-TU-GAL!" vindos das bancadas. Pouco depois, em resposta, Fábio Coentrão colocou Portugal de novo em vantagem no marcador, selando o resultado.


 


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Visto que o jogo solidário com Cabo Verde se realizou apenas dois dias depois, nenhum dos que jogaram contra a Sérvia puderam alinhar. Fernando Santos teve mesmo de fazer uma segunda Convocatória só para este jogo. Como tal, o desempenho de Portugal foi fraco, tirando as iniciativas de Bernardo Santos. Perdemos por 2-0. Não há muito mais a dizer.


 


A concentração da Seleção que se seguiu a essa dupla jornada coincidiu com uma altura, digamos, interessante no futebol: quando Jorge Jesus trocou o Benfica pelo Sporting e quando rebentou o escândalo da corrupção na FIFA, que culminou agora, com Blatter e Michel Platini banidos do futebol durante oito anos. Não há muito a dizer sobre o primeiro acontecimento. Por sua vez, o segundo é, na minha opinião, um da das melhores coisas que aconteceram no futebol este ano. Há muito que se sabe que existe corrupção nas mais altas instâncias do futebol. Já era altura de algo ser feito em relação a isso. 


 


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O jogo com a Arménia foi encarado com alguma cautela. Uma vez que a Seleção nunca tinha ganho nada naquele terreno. E a verdade é que Portugal cometeu mais erros nesse jogo do que aquilo que foi a norma no resto da Qualificação. Houve alguma apatia por parte dos portugueses e Rui Patrício teve culpas nos primeiros dois golos que sofreu. Cristiano Ronaldo, tipicamente, resolveu a questão com um hat-trick - mesmo assim, Tiago fez-se expulsar após o quarto golo português e os arménios conseguiram reduzir a desvantagem para 2-3.


 


Daí a três dias, Portugal disputou um jogo amigável com a sua congénere italiana. Faltavam titulares habituais a ambos os lados e era um jogo de fim de época, logo, o desafio foi decorrendo em ritmo de treino. Por uma vez, os nossos adversários estavam com mais azar do que nós. O único golo da partida foi apontado por Éder, numa jogada começada pelo Eliseu, que passou a Quaresma, que assistiu de trivela para o ponta-de-lança. O milagre do ano, essencialmente - estou a brincar!


 


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Não posso deixar de referir a excelente prestação dos sub-21 no Europeu, chegando à final, caindo apenas nos penálties. Catalisada pelo excelente trabalho de Rui Jorge, esta é uma das melhores gerações de futebolistas dos últimos vinte anos, cheia de talento, magia (mais do que a atual Seleção A, diga-se, com as devidas exceções), maturidade e espírito ganhador. São um exemplo a seguir por muitos veteranos. A Seleção A, se quiser mesmo ganhar o Europeu, deveria olhar para a paixão dos sub-21.


 


A Seleção A só se voltou a reunir em finais de agosto, princípios de Setembro, para um particular com a França e o antepenúltimo jogo da Qualificação com a Albânia. O particular decorreu no Estádio de Alvalade e eu estive lá. Para um jogo entre grandes seleções, foi anticlimático e um pouco enfadonho. A França estava mais motivada para o jogo que Portugal, que estava mais preocupado com o restante da Qualificação. Portugal limitou-se a defender e até conseguiu fazê-lo até aos oitenta e cinco minutos, antes de sofrer um golo, cortesia de Valbuena. Este jogo serviu para provar que o estilo de jogo implementado por Fernando Santos tem os seus méritos, mas não chega para tudo.


 


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O jogo contra a Albânia foi um jogo tão típico da era Fernando Santos que chega a ser caricato. Portugal jogou melhor que contra a França - não admira, havia mais em jogo. Conseguiu o domínio durante a larga maioria do jogo, tirando durante uns dez, quinze minutos, após a marca dos sessenta. Quaresma entrou entrou a meio da segunda parte e assistiu para o golo de Miguel Veloso, marcado no último minuto. Com mais esta vitória, Portugal ficou a um ponto de se Qualificar.


 


Esse ponto e mais dois extra forma ganhos no jogo seguinte, em Braga, contra a Dinamarca. Mais um jogo típico, pouco empolgante, sobretudo na primeira parte - a Dinamarca estacionou o autocarro e Portugal não se esforçou por aí além por quebrá-lo. Na segunda parte, os dinamarqueses abriram mais o jogo, atacaram mais, mas defenderam menos. Finalmente João Moutinho marcou - um belo tiro, diga-se. Ficou selado o Apuramento.


 



 


O jogo contra a Sérvia realizou-se apenas para cumprir calendário, mas Portugal não deixou de levar o jogo a sério. Por uma vez, marcámos cedo, antes dos cinco minutos, cortesia de Nani. Depois do golo, Portugal estacionou o autocarro. Conseguiu aguentá-lo durante toda a primeira parte do jogo, mas na segunda parte os sérvios conseguiram abrir buracos na nossa defesa. Aos 66 minutos empataram o jogo. Entretanto, João Moutinho entrou e tornou a resolver a situação com mais um golo espectacular. Concretizou-se, assim, a nossa sétima vitória consecutiva em jogos oficiais.


 


Já que, por uma vez, não houve necessidade de irmos a playoffs, os jogos de novembro foram apenas particulares (contra a Rússia e o Luxemburgo) e Fernando Santos pôde dispensar alguns dos titulares habituais e de chamar gente nova. Não vou falar muito sobre estes jogos pois não os vi. Portugal perdeu por 1-0 contra a Rússia e ganhou ao Luxemburgo por 2-0 - tal como disse antes, soube a goleada depois de uma data de vitórias pela margem mínima.


 


Finalmente, este mês, a Seleção foi sorteada para o grupo F do Euro 2016, juntamente com a Hungria, a Islândia e a Áustria, um grupo que, todos concordam, está perfeitamente ao alcance de Portugal, só uma grande catástrofe impedir-nos-á de falharmos os oitavos-de-final, em princípio.


 


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Foi assim o ano da Seleção, um ano tranquilo, é certo, mas pouco excitante. Os playoffs seriam sempre arriscados, mas também poderiam dar um pouco de emoção a um ano, por vezes, demasiado monótono. Por outro lado, estávamos a precisar de um ano assim, depois de tudo o que aconteceu em 2014.


 


Anos pares são sempre mais excitantes para mim. Trazem com eles campeonatos de seleções e Portugal têm conseguido estar presete em todos.Continuo a não querer ainda falar concretamente do que espero do Europeu. No entanto, como o costume passarei os primeiros meses de 2016 ansiosa pelo Anúncio dos Convocados para o Euro 2016 e o início de toda a excitação. Mal posso esperar pela data desse Anúncio, bem como pelas datas e adversários dos particulares de março. As coisas têm estado calmas na Seleção desde finais de 2014 até agora... mas não ficarão por muito mais tempo. O Europeu irá agitar tudo isto e o seu desfecho determinará o estado de espírito com que estaremos daqui a um ano.


 


Por esta altura, gosto de fazer uma espécie de renovação de votos, reafirmar a minha devoção pela Equipa de Todos Nós. Devoção essa que tem cada vez menos a ver com patriotismo. Já não acho que tenhamos obrigatoriamente de apoiar a seleção do país onde nascemos nem que seja errado torcermos pela seleção de um país que, teoricamente, nada tem a ver connosco. Percebi isso há cerca de um ano, quando Martunis (o menino que sobreviveu ao tsunami  no Índico em fins de 2004 durante três semanas vestindo uma camisola da Seleção Portuguesa) revelou que sonha um dia voltar a vestir a Camisola das Quinas, desta feita em campo. 


 


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Não sei se Martunis é bom jogador, se é suficientemente bom para representar a Seleção. Se for esse o motivo pelo qual não será Convocado, não tenho nada a dizer Mas haverá alguém com a ousadia de recusar-lhe uma Convocatória tendo apenas por base a sua nacionalidade? Não sei se ele já obeteve a nacionalidade portuguesa, mas eu acredito que, capacidades futebolísticas à parte, ele merece mais vir à Equipa de Todos Nós do que, se calhar, metade dos que lá estão agora merecem. Martunis acredita que o nosso país, a nossa Seleção lhe salvaram a vida e, de facto, a FPF doou-lhe 40 mil euros à sua família para se restabelecer, trouxe-o a Portugal para visitar a Turma das Quinas (lembro-me perfeitamente de vê-lo nas bancadas do Estádio da Luz no jogo com a Eslováquia, comemorando o golo do Cristiano Ronaldo com o Rui Costa) e, este ano, o Sporting trouxe-o até ao nosso país e ele vive hoje na academia do Sporting. Se ele viesse à Seleção, ninguém duvidaria do seu amor à camisola.


 


Cada vez acredito mais que a nacionalidade é apenas uma categoria em documentos oficiais, um aspeto burocrático. Uma pessoa é definida pelas escolhas que faz, não por aquilo que lhe é imposto. Isso significa que, sim, por princípio não sou contra nacionalizações na Equipa de Todos Nós, desde que seja por convicção e não por interesse. Se formos a ver, metade dos atuais Marmanjos não nasceram em Portugal: Nani e Eliseu nasceram em Cabo Verde, William Carvalho nasceu em Angola, Cédric nasceu na Alemanha, Adrien e Raphael Guerreiro nasceram em França (o último, quando se estreou na Seleção A, ainda mal falava o português), mas ninguém questionou a sua Convocatória. Por outro lado, concordo com a atual política de a Federação não interferir nos processos de mudança de nacionalidade.


 


 


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Já não acho que todos os portugueses têm, obrigatoriamente, de apoiar a Equipa de Todos Nós só por serem portugueses - vocês, que acompanham este blogue e a minha página, sabem o quão frustrante e desanimador isto consegue ser. Não esqueçamos também que a Turma das Quinas tem apoiantes por todo o globo, com ou sem relação com Portugal. Não me vou arrogar ao ponto de falar em nome da Seleção, mas eu aceitaria qualquer um como adepto. Quer seja por gostar do nosso país, por a Seleção lhe ter salvo a vida, por causa de um jogador em específico, porque se identificam com o espírito e/ou estilo de jogo, porque de tanto em tanto tempo lhes dá alegrias. Os mesmos motivos pelos quais se escolhe um clube como todos os outros, no fundo. Na verdade, o motivo pelo qual se começa a ser adepto não é importante, desde que se mantenham como adeptos quer nos bons, quer nos maus momentos - essa é a parte mais difícil, mas poucas coisas são mais gratificantes do que testemunhar as primeiras vitórias, os primeiros sinais de recuperação, após um período de crise.


 


Na verdade, sou cada vez mais amante do futebol em geral, não apenas o que está relacionado com a Turma das Quinas. Pelas paixões que move, as histórias a ele associaas, a maneira como ele pode salvar vidas, como a do Martunis, em vários sentidos. O meu clube é a Seleção e isso nunca vai mudar. No entanto, também me considero adepta de todos os clubes ao mesmo tempo e de nenhum em particular. E orgulho-me disso. 


 


Vou continuar a amar o futebol e a apoiar a Seleção no próximo ano, qualquer que seja o desfecho da nossa participação no Europeu. Que 2016 seja um ano muito positivo para o futebol, sobretudo para o futebol português, sobretudo para a Equipa de Todos Nós. Deixo também aqui os votos de um Natal muito feliz e de um Ano Novo cheio de coisas boas. Regressem connosco em 2016!

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Em princípio

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No passado sábado, dia 12 de dezembro, teve lugar em Paris o sorteio para a fase de grupos do Campeonato Europeu de Futebol, que se realizará no próximo verão. Portugal ficou colocado no grupo F, juntamente com a Islândia, a Áustria e a Hungria.


 


Como o costume, eu andava ansiosa por este sorteio. Consegui acompanhá-lo devidamente, pela televisão, com a minha irmã. Fiquei surpreendida por este ter começado apenas meia hora, quarenta minutos depois do início da cerimónia. Ficamos no último grupo, logo, fomos os últimos a conhecer os adversários. O pote 3 e o pote 2 iam sendo esvaziados, sem que a Suécia e a Itália, respetivamente, saíssem. Por um lado, eu não os queria no grupo, por motivos óbvios. Por outro lado, eu não as queria no grupo, por motivos óbvios. Por outro lado, eu queria-os no grupo porque seriam jogos excitantes. As duas seleções ficaram no grupo E, como que a sublinhar que nós tínhamos escapado por pouco às favas. Nós ficámos com equipas, digamos, modestas.


 


O nosso primeiro jogo ficou marcado para dia 14 de junho, em Saint-Étienne, frente à Islândia. Só jogámos duas vezes contra esta equipa, ambas no Apuramento para o Euro 2012. O primeiro jogo ocorreu naquela gloriosa dupla jornada de estreia de Paulo Bento, em que recuperámos a esperança depois do caso Queiroz e de perdermos cinco pontos nos primeiros dois jogos do Apuramento. Não tendo sido um jogo brilhante, teve os seus momentos, com o golo do Cristiano Ronaldo de livre direto, a bomba de Raul Meireles e o golo final de Hélder Postiga.


 


ronaldo perseguido por islandês.jpg


 


O segundo jogo terminou com uma vitória por 5-3, mas ainda apanhámos alguns sustos. A primeira parte até terminou com Portugal ganhando por 3-0 - golos de Nani, que marcou dois quase de seguida, e um de Hélder Postiga. No entanto, na segunda parte, os islandeses conseguiram reduzir para 3-2 e, por algum tempo, os portugueses desorientaram-se. Felizmente, João Moutinho meteu ordem no jogo ao marcar o quarto golo português, aos oitenta e um minutos. Eliseu, que já tinha assistido para o primeiro golo de Nani e para o golo de Moutinho, ainda ampliou o resultado para 5-2. Mais tarde seria considerado o Homem do Jogo (sim, estamos a falar do mesmo Eliseu, que joga hoje no Benfica). Ainda houve tempo, mesmo assim, para os islandeses reduzirem, de penálti. 


 


A Islândia partilhou o grupo de Qualificação com a Holanda e a Turquia. Os islandeses venceram os holandeses nos dois jogos que disputaram com eles, contribuindo para o afastamento da Laranja Mecânica do Europeu. Na classificação final do grupo, ficou à frente da Turquia, que muitos considerariam uma ameaça maior. Tudo isto prova que os islandeses podem complicar-nos a vida.


 


A Áustria, com quem jogaremos dia 18 em Paris, tem um histórico favorável frente a nós (três vitórias para o lado deles, duas para o nosso lado e cinco empates), mas não jogamos com eles há vinte anos - desde a Qualificação para o Euro 96. Os austríacos apuraram-se para o Europeu em primeiro lugar no seu grupo, oito pontos à frente da Rússia (!) e dez pontos à frente da Suécia (!!!), ambas equipas que, mais uma vez, muitos considerariam mais perigosas. Penso que é opinião comum que os austríacos serão os nossos adversários mais difíceis neste grupo. Não é difícil perceber porquê.


 


dois tugas e um húngaro a voar, três tugas e um


 


Fiquei um bocadinho chateada por nos ter calhado a Hungria no grupo, visto esta já ter sido sorteada para o nosso grupo de Apuramento para o Mundial 2018. Já achava eu que essa Qualificação vai ser uma seca. O facto de um dos adversários ser um repetido do Europeu em nada melhora essa condição.


 


A verdade é que vamos encontrar os húngaros no nosso último jogo da fase de grupos, em Lyon, no dia 22. Nunca perdemos contra este adversário e o último empate foi em 1983. Os nossos dois últimos jogos ocorreram durante a Qualificação para o Mundial 2010. Ambos correram bem. O segundo é capaz de ter sido o melhor desta fase de Apuramento. 


 


A Hungria apurou-se para este Europeu via playoffs, vencendo a Noruega. Nesse grupo, foi ultrapassada pela República da Irlanda e pela Roménia. Podemos concluir que, em princípio (vou usar muito esta expressão neste texto, "em princípio"), a Hungria será a Seleção menos ameaçadora deste grupo.


 


Vocês sabem que, por norma, não gosto de grupos "fáceis", de "equipas fáceis". Num Europeu mais alargado do que antes, desconfio particularmente das seleções em estreia - não terão nada a perder, logo, não sentirão a pressão caso as coisas não corram bem.


 


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No entanto, mais do que ser por ser um grupo fácil, este grupo chateia-me por ser enfadonho - tal como o grupo da Qualificação para o Mundial 2018. Ainda na véspera do sorteio do Europeu saía uma lista em que Portugal aparecia entre as seleções mais chatas. Não estou a ver os jogos do grupo mudando essa perceção. Os atractivos dos campeonatos de seleções são os jogos com equipas grandes. Daqueles que, ou ganhamos de forma épica, ou perdemos com dignidade, ou somos completamente humilhados. Aqueles jogos de cortar a respiração, de vida de morte ou muito mais, em que temos constantemente o coração na garganta. Em que cada golo é celebrado de forma intensa e, por vezes, demasiado dramática. Em que chegamos ao fim quase tão exaustos como se nós mesmo tivéssemos jogado. Não estou a ver os jogos desse grupo chegarem a esse nível. Ou melhor, se chegarem é porque as coisas estão a correr mal.


 


Por outro lado, depois da tragédia que foi o Mundial 2014, não vou dizer que não me agrada a ideia de um grupo tranquilo, em que, em princípio, temos tudo para passar. Se estamos mesmo a olhar para o título, emoção e dificuldades não hão de faltar no percurso até à final. Já será suficientemente complicado chegarmos lá, não me vou queixar se o início for, em princípio, facilitado.


 


Regressando à relativa facilidade deste grupo, nos rescaldos destes sorteios, costumamos dar o exemplo do Euro 2000 e 2012, "Grupos da Morte" a que sobrevivemos, e do Mundial 2002, o grupo fácil em que tudo correu mal, tirando no jogo contra a Polónia. Portugal tem o irritante hábito de complicar o que é fácil e o lendário hábito de se superar perante dificuldades. 


 


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E, no entanto, não sei se ainda é assim. Fizemos uma Qualificação tranquila, em que, tirando o primeiro jogo, não complicámos desnecessariamente. Sob a orientação de Fernando Santos, a equipa ganhou uma maturidade que não possuía há dois, três anos. Não estou a vê-los fazendo asneiras que comprometam a passagem aos oitavos-de-final (ainda me é estranho falar de oitavos-de-final num Europeu...), sobretudo quando Fernando Santos diz que quer ganhar o Europeu. Só uma epidemia de lesões e parvoíce estilo Mundial 2014, e mesmo assim. Muita coisa terá de correr mal para não passarmos este grupo. Já aconteceu, é certo, mas quero acreditar que eles aprenderam com os erros. Além disso, em princípio, o clima em França será menos agreste que o brasileiro, logo, também não será por aí...


 


Estou a guardar os meus pensamentos sobre este Europeu e as ambições de Fernando Santos para a habitual entrada na véspera do Anúncio dos Convocados. Para já, a bola está do lado da Federação. Quero saber as datas e os adversários dos particulares prometidos para março, bem como, lá está, o dia do Anúncio. Como poderão ver ao lado, já programei um contador dos dias que faltam para o nosso jogo de estreia no Europeu. Depois, acrescento um segundo contador, para o dia dos Convocados.


 


Quanto a mim, estou neste momento a trabalhar na já tradicional revisão do ano. Continuem desse lado.

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