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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Portugal 1 Argentina 0 - Surpresa no fim

ronaldo e messi.jpgNa passada terça-feira, dia 18 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou a sua congénere argentina em jogo de carácter amigável. Este encontro teve lugar em Old Trafford, no chamado Palco dos Sonhos, e terminou com uma vitória pela margem mínima para as cores lusitanas. 


 


Ao contrário de muito boa gente, eu não estava à espera de um épico duelo Ronaldo versus Messi. O que não me impediu de achar o jogo uma seca, sobretudo durante a segunda parte. A Argentina dominou durante a larga maioria dos noventa minutos. Isto não é propriamente de surpreender mas a verdade é que também não ajudou Portugal não ter entrado da melhor maneira, com um onze que, na minha opinião, não era o nosso mais forte. Ao menos fomos capazes de ir mais ou menos contendo os ataques argentinos - grande Pepe e grande Bruno Alves - com um bocadinho de sorte à mistura. Chegámos a dominar durante a segunda metade da segunda parte, o intervalo é que se meteu à frente. Por essa altura, Ronaldo e Messi foram substituídos (também, tirando um ou outro momento, não tinham feito nada de especial) e o jogo perdeu interesse para noventa por cento dos espetadores. Eu nem prestei muita atenção à segunda parte, uma vez que estava a jantar e, depois, a arrumar a cozinha, mas do pouco que ia vendo, achava uma pasmaceira.


 


1416348597138_Image_galleryImage_Portugal_s_Raphae


 


Já perto do fim do jogo, começava a lamentar para mim própria - e mais tarde para o Twitter - que tão cedo não voltaríamos a ter jogos da Seleção e aquele último jogo estava a ser absolutamente insonso. Sabia que ainda era possível o resultado alterar-se, mas não via grandes sinais disso. E, numa altura em que já se faziam contas ao jogo, assumindo que o marcador permaneceria alterado até ao apito final, repete-se o filme do jogo com a Dinamarca, desta feita com protagonistas diferentes exceto um; é Adrien que inicia a jogada, Ricardo Quaresma pega na bola que ele chutara para a frente, centra-a e é Raphäel Guerreiro, que rendera o lesionado Tiago Gomes (que não fizera grande coisa), quem a cabeceia para as redes argentinas. 


 


Depois de um belo jogo frente à Arménia e deste jogo, Raphäel Guerreiro é o meu novo herói. Não é qualquer jovem de vinte anos que se pode gabar de ter marcado à Argentina, muito menos apenas na sua segunda internacionalização, muito menos em Old Trafford. No entanto, não posso deixar de falar também de Ricardo Quaresma, que teve a proeza de contribuir para todos os golos da era Fernando Santos até agora. E eu que, há uns meses, já nem contava com ele para a Seleção... Ainda bem que estava enganada.


 


festejos em old trafford.jpg


 


Confesso que me deixei levar pela euforia durante algum tempo, já depois do apito final. Pode ter sido, nas palavras do selecionador Tata Martino, um golo fortuito mas foi um golo, um golo à Argentina! Era a nossa primeira vitória frente à seleção alviceleste em quarenta e dois anos! Não é todos os dias que se ganha a uma seleção das grandes e, quando isso acontece, há que sentir orgulho por isso, independentemente das circunstâncias. 


 


Este golo, e a consequente vitória, foi uma surpresa, um brinde inesperado no final de um jogo desinteressante. Não fosse o tento, provavelmente esqueceríamos este jogo no prazo de uma semana. Assim, ao menos fica o número, a estatística. A vitória surpreendente pode ter compensado a fraca exibição da equipa portuguesa mas não a apaga. E essa fraca exibição tem preocupado muita gente. 


 


Tem sido, de resto, a regra do "mandato" de Fernando Santos, pelo menos até agora: vitórias tangenciais, quer à Arménia quer à Argentina. A Seleção continua com os mesmos problemas de sempre mas agora, ao menos, consegue resultados - o que faz toda a diferença. Não nos podemos esquecer que o futebol vive de resultados. Nós, aliás, tal como penso já ter assinalado aqui no blogue, já estivemos demasiadas vezes no lado oposto: já tivemos boas exibições e maus resultados. Já sofremos golos "fortuitos", muitas vezes resultantes da única vez que o adversário veio à nossa baliza. Chamem-me resultadista mas se a atual vice-campeã do Mundo consegue dominar um adversário durante quase todo o jogo mas não consegue vencê-lo, o demérito não é do adversário. 


 


download.jpg


 


É claro que este foi um particular, um bastante anti-climático por sinal, vale o que vale. E ainda que, a curto prazo, esteja disposta a aceitar este tipo de jogos (vitórias com más exibições), também concordo com as opiniões que defendem que, a longo prazo - leia-se, após a Qualificação - isso não será suficiente. No entanto, tal como já disse anteriormente, acredito que as boas exibições virão com o tempo. Só sei que já estivemos em situações piores no passado.


 


Este foi o último jogo do ano. O nosso próximo jogo é dia 29 de março do próximo ano, contra a Sérvia. Acabo de descobrir que aboliram a data de fevereiro para jogos particulares de seleções, o que significa que nos esperam pouco mais de quatro meses sem Equipa das Quinas. Ainda serei capaz de aguentar o primeiro mês, enquanto preparo a habitual revisão do ano, que sempre engana as saudades. Pior será depois do ano novo... 


 


Isto por si só já seria suficientemente mau se não me sentisse sozinha na minha infelicidade. Para a maior parte dos amantes de futebol os clubes são mais interessantes, logo, para eles, este longo intervalo nos jogos de seleções são uma bênção.


 


rrr.jpg


 


Este pode não ter sido o jogo lendário que vários esperavam e Portugal pode não ter merecido ganhar. No entanto, será o resultado final a ficar na História. No fim do dia é isso que verdadeiramente interessa no futebol. Nós já sofremos várias vezes na pele as consequências dessa realidade. Para já, fica o alívio de, depois da tristeza que foi o Mundial, ainda sermos capazes de dar uma para a caixa perante seleções de grande calibre. E, conforme disse antes, já terminámos anos em situações piores. Para já, isto chega. Mas é bom que, daqui para a frente, seja sempre a subir.

Portugal 1 Argentina 0 - Surpresa no fim

ronaldo e messi.jpgNa passada terça-feira, dia 18 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou a sua congénere argentina em jogo de carácter amigável. Este encontro teve lugar em Old Trafford, no chamado Palco dos Sonhos, e terminou com uma vitória pela margem mínima para as cores lusitanas. 


 


Ao contrário de muito boa gente, eu não estava à espera de um épico duelo Ronaldo versus Messi. O que não me impediu de achar o jogo uma seca, sobretudo durante a segunda parte. A Argentina dominou durante a larga maioria dos noventa minutos. Isto não é propriamente de surpreender mas a verdade é que também não ajudou Portugal não ter entrado da melhor maneira, com um onze que, na minha opinião, não era o nosso mais forte. Ao menos fomos capazes de ir mais ou menos contendo os ataques argentinos - grande Pepe e grande Bruno Alves - com um bocadinho de sorte à mistura. Chegámos a dominar durante a segunda metade da segunda parte, o intervalo é que se meteu à frente. Por essa altura, Ronaldo e Messi foram substituídos (também, tirando um ou outro momento, não tinham feito nada de especial) e o jogo perdeu interesse para noventa por cento dos espetadores. Eu nem prestei muita atenção à segunda parte, uma vez que estava a jantar e, depois, a arrumar a cozinha, mas do pouco que ia vendo, achava uma pasmaceira.


 


1416348597138_Image_galleryImage_Portugal_s_Raphae


 


Já perto do fim do jogo, começava a lamentar para mim própria - e mais tarde para o Twitter - que tão cedo não voltaríamos a ter jogos da Seleção e aquele último jogo estava a ser absolutamente insonso. Sabia que ainda era possível o resultado alterar-se, mas não via grandes sinais disso. E, numa altura em que já se faziam contas ao jogo, assumindo que o marcador permaneceria alterado até ao apito final, repete-se o filme do jogo com a Dinamarca, desta feita com protagonistas diferentes exceto um; é Adrien que inicia a jogada, Ricardo Quaresma pega na bola que ele chutara para a frente, centra-a e é Raphäel Guerreiro, que rendera o lesionado Tiago Gomes (que não fizera grande coisa), quem a cabeceia para as redes argentinas. 


 


Depois de um belo jogo frente à Arménia e deste jogo, Raphäel Guerreiro é o meu novo herói. Não é qualquer jovem de vinte anos que se pode gabar de ter marcado à Argentina, muito menos apenas na sua segunda internacionalização, muito menos em Old Trafford. No entanto, não posso deixar de falar também de Ricardo Quaresma, que teve a proeza de contribuir para todos os golos da era Fernando Santos até agora. E eu que, há uns meses, já nem contava com ele para a Seleção... Ainda bem que estava enganada.


 


festejos em old trafford.jpg


 


Confesso que me deixei levar pela euforia durante algum tempo, já depois do apito final. Pode ter sido, nas palavras do selecionador Tata Martino, um golo fortuito mas foi um golo, um golo à Argentina! Era a nossa primeira vitória frente à seleção alviceleste em quarenta e dois anos! Não é todos os dias que se ganha a uma seleção das grandes e, quando isso acontece, há que sentir orgulho por isso, independentemente das circunstâncias. 


 


Este golo, e a consequente vitória, foi uma surpresa, um brinde inesperado no final de um jogo desinteressante. Não fosse o tento, provavelmente esqueceríamos este jogo no prazo de uma semana. Assim, ao menos fica o número, a estatística. A vitória surpreendente pode ter compensado a fraca exibição da equipa portuguesa mas não a apaga. E essa fraca exibição tem preocupado muita gente. 


 


Tem sido, de resto, a regra do "mandato" de Fernando Santos, pelo menos até agora: vitórias tangenciais, quer à Arménia quer à Argentina. A Seleção continua com os mesmos problemas de sempre mas agora, ao menos, consegue resultados - o que faz toda a diferença. Não nos podemos esquecer que o futebol vive de resultados. Nós, aliás, tal como penso já ter assinalado aqui no blogue, já estivemos demasiadas vezes no lado oposto: já tivemos boas exibições e maus resultados. Já sofremos golos "fortuitos", muitas vezes resultantes da única vez que o adversário veio à nossa baliza. Chamem-me resultadista mas se a atual vice-campeã do Mundo consegue dominar um adversário durante quase todo o jogo mas não consegue vencê-lo, o demérito não é do adversário. 


 


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É claro que este foi um particular, um bastante anti-climático por sinal, vale o que vale. E ainda que, a curto prazo, esteja disposta a aceitar este tipo de jogos (vitórias com más exibições), também concordo com as opiniões que defendem que, a longo prazo - leia-se, após a Qualificação - isso não será suficiente. No entanto, tal como já disse anteriormente, acredito que as boas exibições virão com o tempo. Só sei que já estivemos em situações piores no passado.


 


Este foi o último jogo do ano. O nosso próximo jogo é dia 29 de março do próximo ano, contra a Sérvia. Acabo de descobrir que aboliram a data de fevereiro para jogos particulares de seleções, o que significa que nos esperam pouco mais de quatro meses sem Equipa das Quinas. Ainda serei capaz de aguentar o primeiro mês, enquanto preparo a habitual revisão do ano, que sempre engana as saudades. Pior será depois do ano novo... 


 


Isto por si só já seria suficientemente mau se não me sentisse sozinha na minha infelicidade. Para a maior parte dos amantes de futebol os clubes são mais interessantes, logo, para eles, este longo intervalo nos jogos de seleções são uma bênção.


 


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Este pode não ter sido o jogo lendário que vários esperavam e Portugal pode não ter merecido ganhar. No entanto, será o resultado final a ficar na História. No fim do dia é isso que verdadeiramente interessa no futebol. Nós já sofremos várias vezes na pele as consequências dessa realidade. Para já, fica o alívio de, depois da tristeza que foi o Mundial, ainda sermos capazes de dar uma para a caixa perante seleções de grande calibre. E, conforme disse antes, já terminámos anos em situações piores. Para já, isto chega. Mas é bom que, daqui para a frente, seja sempre a subir.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Um teste e uma festa do futebol

bandeira no estádio do algarve.jpgHoje, sexta-feira dia 14 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol defronta a sua congénere arménia no Estádio do Algarve, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato Europeu da modalidade, que terá lugar em França, em 2016. Quatro dias mais tarde, a Seleção desloca-se a Old Trafford para um jogo de carácter particular frente à sua congénere argentina. 


 


Há que recordar que esta é apenas a segunda jornada de Fernando Santos como Selecionador Nacional. Se a sua primeira Convocatória foi, como seria de esperar, cheia de novidades, esta não foi tanto. As maiores revoluções deram-se nas lateriais, tanto pelo regresso de Bosingwa como devido às lesões de Fábio Coentrão, Antunes e Eliseu. José Bosingwa, o último (?) dos "renegados", está de volta após quase quatro anos de ausência - ironicamente, nesta jornada que marca o seu regresso, defrontamos a Argentina, a mesma adversária na jornada em que, alegadamente, se desentendeu com Paulo Bento, ditando o seu prolongado castigo.


 


Quando começaram a surgir os primeiros rumores de que Bosingwa regressaria à Seleção para esta dupla jornada, não gostei muito. Não tanto pelo regresso em si - se "aceitei" o "perdão" a Ricardo Carvalho, Tiago e Danny, não seria justo não fazer o mesmo a Bosingwa. Sobretudo quando as razões do seu prolongado afastamento não são claras. Não estava era com paciência para mais polémicas como as que envolveiram o regresso dos três primeiros "renegados". Felizmente, Fernando Santos parece concordar comigo. O próprio afirmou que já está na altura de deixarmos Paulo Bento em paz. E visto que, até ao momento, ninguém voltou a abordar o assunto (ou, se o abordou, eu não dei por isso), parece que está finalmente encerrado. 


 


postiga veste o colete.jpg


 


Quem também está de volta é Hélder Postiga (iéééééé!), depois de ter falhado as jornadas anteriores por lesão ou falta de ritmo competitivo. Pelas pistas que têm saído ao longo desta semana de estágio, Fernando Santos deverá abdicar do 4x4x2, regressando ao modelo antigo, com ponta-de-lança. O selecionador explicou que Postiga oferece soluções para o ataque perante uma equipa como a Arménia que (como não podia deixar de ser) gosta de estacionar o autocarro. Parece, até, que jogam com cinco defesas. Além disso, para o bem e para o mal, o Hélder é o melhor ponta-de-lança de que dispomos, na minha modesta opinião. Nos jornais, parecem acreditar que Éder, visto que passa por uma fase boa, será titular. Eu não concordo. Éder pode ser muito bom, mas até agora não tem conseguido encaixar-se na Seleção. Comparativamente, Postiga tem a vantagem da experiência e de um longo historial de golos pela Seleção. No entanto, a decisão cabe a Fernando Santos. De qualquer forma, parece-me que, a longo prazo, vamos deixar de jogar com ponta-de-lança, já que estes parecem ser uma espécie em vias de extinção.


 


O nosso historial com a Arménia é escasso. Só jogámos quatro vezes com eles. Uma em 1996, outra em 1997 - para a Qualificação para o Mundial 1998, a última que falhámos - duas em 2007 - para a Qualificação para o Euro 2008. De uma maneira resumida, quando jogámos fora, empatámos; quando jogámos em casa, ganhámos. 


 


Acompanhei os jogos de 2007, mas só me recordo do primeiro, em agosto, fora de casa. Lembro-me de vê-lo na televisão, no meu apartamento de férias. Lembro-me de praguejar para mim mesma e de o Ronaldo empatar com um golo esquisito. Do segundo jogo - o último em que o selecionador da altura, Luiz Felipe Scolari, cumpriu castigo - não me lembro de quase nada. Hoje sei que ganhámos por 1-0, cortesia de Hugo Almeida. Estes dois jogos mais recentes provam que, ainda que em teoria a Arménia esteja uns furos abaixo de Portugal, esta "conta para o Totobola", como diz Fernando Santos. Para isso, também contribui o empate que a formação arménia obteve frente à Sérvia. De qualquer forma, depois do que aconteceu com a Albânia, duvido que ainda haja alguém à espera de facilidades neste Apuramento.  


 


Segundo uma opinião que li no jogal O Jogo, este embate será um teste à maturidade da Seleção de Fernando Santos. Afinal de contas, conforme já afirmei várias vezes neste blogue, é "fácil" mostrar empenho perante equipas ao nosso nível. Mais difícil - para a nossa Seleção, pelo menos - é fazê-lo perante equipas teoricamente mais fracas. Que, nesta altura, fracas só o são na teoria. Eu quero acreditar que a Equipa das Quinas é suficientemente madura para isso, que o jogo com a Albânia foi apenas um acidente de percurso, produto de uma série de circunstâncias desfavoráveis (ressaca do Mundial, desgaste de Paulo Bento, desconcentrações...), que frente à Arménia será diferente. Seria bom obtermos uma goleada, só mesmo para ficarmos com essa certeza. Mas já me contento com uma vitória, mesmo que não associada a uma exibição de encher o olho. Desde que valha três pontos e nos garanta o primeiro lugar. Se isso acontecer, talvez não tenhamos de voltar a passar pelos dramas por que passámos nas últimas Qualificações. 


 



 


Embora para nós, portugueses, o jogo mais importante seja o jogo de hoje, para o resto do Mundo o mais interessante será o particular com a Argentina, terça-feira, sobretudo, claro está, pelo duelo Ronaldo versus Messi. Na minha opinião, contudo, este duelo seria mais entusiasmante se Messi tivesse estado em melhor forma este ano, se fosse verdadeiramente candidato à Bola de Ouro. Se este jogo ocorresse há um ano ou dois, Ronaldo estaria, se calhar, mais motivado para se provar melhor que o seu rival. Mesmo assim, penso que o madeirense não quererá desperdiçar esta oportunidade de mostrar que é o Melhor do Mundo. 


 


Na verdade, não é Messi quem me preocupa na Argentina: é a equipa alviceleste quase toda. Não nos podemos esquecer que esta é a atual seleção vice-campeã mundial e, ao contrário do que o prémio atribuído pela FIFA pode dar a entender, Messi não foi quem mais mérito teve nesse feito. A Argentina possui uma série de jogadores em destaque em diversas ligas europeias, alguns bem conhecidos dos portugueses: Di Maria, Enzo Pérez, Aguero, Gaítan, Mascherano... Não vou dizer que nós somos Ronaldo-mais-dez, mas fizemos um triste Mundial e, neste momento, somos uma equipa em reconstrução. Ronaldo poderá estar na liderança da corrida para a Bola de Outro e Messi pode nem sequer ser candidato, mas, como equipa, não considero que Portugal seja favorito.


 


Uma coisa, no entanto, jogará a nosso favor na terça-feira. Tal como foi referido, o encontro terá lugar em Old Trafford, casa do Manchester United. O que significa que pelo menos Cristiano Ronaldo e Nani jogarão em casa. Tendo em contra a situação complicada em que o Manchester United se encontra desde que Sir Alex Ferguson se reformou, estou com um certo receio de que os adeptos do United raptem os nossos extremos titulares. Ronaldo é... bem, Ronaldo, todos o desejam (quero ver se os red devils regressam com o avião do vídeo abaixo...). Nani, por sua vez, voltou a ser o Nani que todos conhecíamos e adorávamos no Sporting e, como seria de esperar, os adeptos do United querem-no de volta.


 



 


Confesso que estas lamentações dos red devils não me comovem nem um bocadinho. Onde estavam esses adeptos quando o Nani passou longos intervalos de tempo (que podiam ir de semanas a meses) ao longo de dois anos abandonado entre os suplentes? Agora temos pena. 


 


À parte isso, este jogo vale, sobretudo, pelo gozo de enfrentarmos uma das melhores seleções da atualidade, pelo gozo de ver os dois melhores jogadores do Mundo competindo um contra o outro. Não espero que ganhemos mas espero uma festa do futebol, que a nossa Seleção pelo menos faça uma exibição digna do respeito de todos aqueles que estarão a ver o jogo. Isso, aliado a três pontos frente à Arménia, seria uma boa maneira de encerrar aquele que tem sido um ano estranho para a Seleção Portuguesa. 


 


Visto que vou de fim de semana, ainda não sei se vou poder acompanhar o jogo com a Arménia na sua totalidade. É possível que tenha de me valer do relato de Nuno Matos - o que não é motivo de queixa. Também é possível que não tenha tempo para escrever a crónica deste jogo antes do embate com a Argentina. Talvez fale de ambos os jogos numa única entrada. 


 


De uma maneira geral, parece haver um certo grau de otimismo relativamente a esta Seleção de Fernando Santos, tanto a curto como a médio/longo prazo. Uma parte de mim alinha nisso, outra parte fica um pouco de pé atrás pois, na prática, até agora, tudo o que esta Seleção fez foi perder com a França e obter da Dinamarca uma vitória a saca-rolhas. Esta dupla jornada, com destaque para o jogo de hoje, com a Arménia, será importante para vermos se esta aparente recuperação é a sério, se poderemos entrar no próximo ano com esperança. De qualquer forma, a Seleção não se pode queixar de falta de apoio. Agora que faça a sua parte. "Nem que seja com um pau", como diz o outro. 

Um teste e uma festa do futebol

bandeira no estádio do algarve.jpgHoje, sexta-feira dia 14 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol defronta a sua congénere arménia no Estádio do Algarve, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato Europeu da modalidade, que terá lugar em França, em 2016. Quatro dias mais tarde, a Seleção desloca-se a Old Trafford para um jogo de carácter particular frente à sua congénere argentina. 


 


Há que recordar que esta é apenas a segunda jornada de Fernando Santos como Selecionador Nacional. Se a sua primeira Convocatória foi, como seria de esperar, cheia de novidades, esta não foi tanto. As maiores revoluções deram-se nas lateriais, tanto pelo regresso de Bosingwa como devido às lesões de Fábio Coentrão, Antunes e Eliseu. José Bosingwa, o último (?) dos "renegados", está de volta após quase quatro anos de ausência - ironicamente, nesta jornada que marca o seu regresso, defrontamos a Argentina, a mesma adversária na jornada em que, alegadamente, se desentendeu com Paulo Bento, ditando o seu prolongado castigo.


 


Quando começaram a surgir os primeiros rumores de que Bosingwa regressaria à Seleção para esta dupla jornada, não gostei muito. Não tanto pelo regresso em si - se "aceitei" o "perdão" a Ricardo Carvalho, Tiago e Danny, não seria justo não fazer o mesmo a Bosingwa. Sobretudo quando as razões do seu prolongado afastamento não são claras. Não estava era com paciência para mais polémicas como as que envolveiram o regresso dos três primeiros "renegados". Felizmente, Fernando Santos parece concordar comigo. O próprio afirmou que já está na altura de deixarmos Paulo Bento em paz. E visto que, até ao momento, ninguém voltou a abordar o assunto (ou, se o abordou, eu não dei por isso), parece que está finalmente encerrado. 


 


postiga veste o colete.jpg


 


Quem também está de volta é Hélder Postiga (iéééééé!), depois de ter falhado as jornadas anteriores por lesão ou falta de ritmo competitivo. Pelas pistas que têm saído ao longo desta semana de estágio, Fernando Santos deverá abdicar do 4x4x2, regressando ao modelo antigo, com ponta-de-lança. O selecionador explicou que Postiga oferece soluções para o ataque perante uma equipa como a Arménia que (como não podia deixar de ser) gosta de estacionar o autocarro. Parece, até, que jogam com cinco defesas. Além disso, para o bem e para o mal, o Hélder é o melhor ponta-de-lança de que dispomos, na minha modesta opinião. Nos jornais, parecem acreditar que Éder, visto que passa por uma fase boa, será titular. Eu não concordo. Éder pode ser muito bom, mas até agora não tem conseguido encaixar-se na Seleção. Comparativamente, Postiga tem a vantagem da experiência e de um longo historial de golos pela Seleção. No entanto, a decisão cabe a Fernando Santos. De qualquer forma, parece-me que, a longo prazo, vamos deixar de jogar com ponta-de-lança, já que estes parecem ser uma espécie em vias de extinção.


 


O nosso historial com a Arménia é escasso. Só jogámos quatro vezes com eles. Uma em 1996, outra em 1997 - para a Qualificação para o Mundial 1998, a última que falhámos - duas em 2007 - para a Qualificação para o Euro 2008. De uma maneira resumida, quando jogámos fora, empatámos; quando jogámos em casa, ganhámos. 


 


Acompanhei os jogos de 2007, mas só me recordo do primeiro, em agosto, fora de casa. Lembro-me de vê-lo na televisão, no meu apartamento de férias. Lembro-me de praguejar para mim mesma e de o Ronaldo empatar com um golo esquisito. Do segundo jogo - o último em que o selecionador da altura, Luiz Felipe Scolari, cumpriu castigo - não me lembro de quase nada. Hoje sei que ganhámos por 1-0, cortesia de Hugo Almeida. Estes dois jogos mais recentes provam que, ainda que em teoria a Arménia esteja uns furos abaixo de Portugal, esta "conta para o Totobola", como diz Fernando Santos. Para isso, também contribui o empate que a formação arménia obteve frente à Sérvia. De qualquer forma, depois do que aconteceu com a Albânia, duvido que ainda haja alguém à espera de facilidades neste Apuramento.  


 


Segundo uma opinião que li no jogal O Jogo, este embate será um teste à maturidade da Seleção de Fernando Santos. Afinal de contas, conforme já afirmei várias vezes neste blogue, é "fácil" mostrar empenho perante equipas ao nosso nível. Mais difícil - para a nossa Seleção, pelo menos - é fazê-lo perante equipas teoricamente mais fracas. Que, nesta altura, fracas só o são na teoria. Eu quero acreditar que a Equipa das Quinas é suficientemente madura para isso, que o jogo com a Albânia foi apenas um acidente de percurso, produto de uma série de circunstâncias desfavoráveis (ressaca do Mundial, desgaste de Paulo Bento, desconcentrações...), que frente à Arménia será diferente. Seria bom obtermos uma goleada, só mesmo para ficarmos com essa certeza. Mas já me contento com uma vitória, mesmo que não associada a uma exibição de encher o olho. Desde que valha três pontos e nos garanta o primeiro lugar. Se isso acontecer, talvez não tenhamos de voltar a passar pelos dramas por que passámos nas últimas Qualificações. 


 



 


Embora para nós, portugueses, o jogo mais importante seja o jogo de hoje, para o resto do Mundo o mais interessante será o particular com a Argentina, terça-feira, sobretudo, claro está, pelo duelo Ronaldo versus Messi. Na minha opinião, contudo, este duelo seria mais entusiasmante se Messi tivesse estado em melhor forma este ano, se fosse verdadeiramente candidato à Bola de Ouro. Se este jogo ocorresse há um ano ou dois, Ronaldo estaria, se calhar, mais motivado para se provar melhor que o seu rival. Mesmo assim, penso que o madeirense não quererá desperdiçar esta oportunidade de mostrar que é o Melhor do Mundo. 


 


Na verdade, não é Messi quem me preocupa na Argentina: é a equipa alviceleste quase toda. Não nos podemos esquecer que esta é a atual seleção vice-campeã mundial e, ao contrário do que o prémio atribuído pela FIFA pode dar a entender, Messi não foi quem mais mérito teve nesse feito. A Argentina possui uma série de jogadores em destaque em diversas ligas europeias, alguns bem conhecidos dos portugueses: Di Maria, Enzo Pérez, Aguero, Gaítan, Mascherano... Não vou dizer que nós somos Ronaldo-mais-dez, mas fizemos um triste Mundial e, neste momento, somos uma equipa em reconstrução. Ronaldo poderá estar na liderança da corrida para a Bola de Outro e Messi pode nem sequer ser candidato, mas, como equipa, não considero que Portugal seja favorito.


 


Uma coisa, no entanto, jogará a nosso favor na terça-feira. Tal como foi referido, o encontro terá lugar em Old Trafford, casa do Manchester United. O que significa que pelo menos Cristiano Ronaldo e Nani jogarão em casa. Tendo em contra a situação complicada em que o Manchester United se encontra desde que Sir Alex Ferguson se reformou, estou com um certo receio de que os adeptos do United raptem os nossos extremos titulares. Ronaldo é... bem, Ronaldo, todos o desejam (quero ver se os red devils regressam com o avião do vídeo abaixo...). Nani, por sua vez, voltou a ser o Nani que todos conhecíamos e adorávamos no Sporting e, como seria de esperar, os adeptos do United querem-no de volta.


 



 


Confesso que estas lamentações dos red devils não me comovem nem um bocadinho. Onde estavam esses adeptos quando o Nani passou longos intervalos de tempo (que podiam ir de semanas a meses) ao longo de dois anos abandonado entre os suplentes? Agora temos pena. 


 


À parte isso, este jogo vale, sobretudo, pelo gozo de enfrentarmos uma das melhores seleções da atualidade, pelo gozo de ver os dois melhores jogadores do Mundo competindo um contra o outro. Não espero que ganhemos mas espero uma festa do futebol, que a nossa Seleção pelo menos faça uma exibição digna do respeito de todos aqueles que estarão a ver o jogo. Isso, aliado a três pontos frente à Arménia, seria uma boa maneira de encerrar aquele que tem sido um ano estranho para a Seleção Portuguesa. 


 


Visto que vou de fim de semana, ainda não sei se vou poder acompanhar o jogo com a Arménia na sua totalidade. É possível que tenha de me valer do relato de Nuno Matos - o que não é motivo de queixa. Também é possível que não tenha tempo para escrever a crónica deste jogo antes do embate com a Argentina. Talvez fale de ambos os jogos numa única entrada. 


 


De uma maneira geral, parece haver um certo grau de otimismo relativamente a esta Seleção de Fernando Santos, tanto a curto como a médio/longo prazo. Uma parte de mim alinha nisso, outra parte fica um pouco de pé atrás pois, na prática, até agora, tudo o que esta Seleção fez foi perder com a França e obter da Dinamarca uma vitória a saca-rolhas. Esta dupla jornada, com destaque para o jogo de hoje, com a Arménia, será importante para vermos se esta aparente recuperação é a sério, se poderemos entrar no próximo ano com esperança. De qualquer forma, a Seleção não se pode queixar de falta de apoio. Agora que faça a sua parte. "Nem que seja com um pau", como diz o outro. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Selecção 2011





Mais um ano encontra-se à beira do fim, mais um ano encontra-se à beira do início. É costume as pessoas reflectirem sobre os acontecimentos mais marcantes dos últimos doze meses e tentarem prever o que acontecerá nos próximos doze. No que toca à Selecção Nacional, depois de um ano de 2010 muito atribulado, 2011 foi um ano incomparavelmente mais calmo. Sobretudo por não ter ocorrido nenhum caso tão grave como aquele que levou ao despedimento de Carlos Queiroz. Também seria difícil e menos provável que ocorresse um caso com essa gravidade este ano, em que não houve fase final de um campeonato de Selecções, estivemos quase meio ano sem jogos oficiais e, mesmo estes, foram apenas meia dúzia (contando com o playoff, que nem sequer fazia parte do plano inicial).

 

A Selecção entrou em 2011 em alta, derivada do relançamento na disputa pela Qualificação para o Europeu de 2012 e de uma inesperada goleada à Espanha num particular, e manteve-se assim durante a maior parte do ano. O público parecia ter feito as pazes com a Turma das Quinas, o ambiente parecia estar bom no seio da equipa, havia consenso, ninguém tinha nada de muito importante a criticar. Isso era bom, sem dúvida, mas era algo monótono. Se derem uma vista de olhos às minhas entradas (ou simplesmente aos títulos destas) hão de verificar que estas andavam quase todas à roda do mesmo: "A Selecção está muito bem, é a única coisa que está bem neste País". As coisas apenas começaram a descarrilar em Setembro, com a deserção de Ricardo Carvalho e à medida que se aproximava a recta final do apuramento (não sei se estes acontecimentos, bem como aquilo que se passou com José Bosingwa, estão relacionados ou se é apenas coincidência). Em todo o caso, após a brilhante segunda mão do playoff, a Selecção encerra o ano de 2011 mais ou menos da mesma maneira como o inaugurou: em alta, cheia de promessas de mais bons momentos a curto e médio prazo, apesar dos adversários dos próximos jogos oficiais.


O particular com a Argentina, realizado dia 9 de Fevereiro no Estádio de Genebra na Suíça, foi o primeiro compromisso da Selecção Portuguesa do ano. Este desafio encontrava-se envolvido em expectativa, não só devido ao anteriormente mencionado bom momento da equipa mas também - e sobretudo - uma vez que este particular oporia Cristiano Ronaldo e Lionel Messi - por muitos considerados os melhores jogadores de futebol da actualidade. Foi por causa desde duelo que os bilhetes para o jogo se esgotaram e que oitenta televisões em todo o Mundo compraram os direitos de transmissão.


O jogo, que terminou com 2-1 a favor da selecção alviceleste, foi bastante equilibrado. Os dois primeiros golos, um para cada lado, foram marcados na primeira meia hora de jogo. O tento português foi executado por Cristiano Ronaldo. Foi o primeiro de muitos golos, não apenas de Ronaldo ao serviço da Selecção, mas também da própria Equipa de Todos Nós. A substituição do madeirense, aproximadamente aos sessenta minutos de jogo, foi demasiado precoce para a assistência, atraída para o jogo pelo duelo entre os dois melhores do Mundo.


Mas voltando ao jogo em si, este foi muito equilibrado, tal como foi mencionado acima. O ritmo manteve-se quase sempre elevado. O segundo golo marcado pela Argentina resultou de um penálti, um pormenor convertido em pormaior por Messi, em cima do minuto noventa, numa altura em que "ambas as equipas já estavam conformadas com a igualdade" no marcador.


No que toca ao duelo entre Ronaldo e Messi, este último foi o vencedor mas só por falta de comparência do adversário. No que toca à Selecção num todo, este jogo foi testemunha da capacidade da Turma das Quinas de enfrentar qualquer adversário como igual, não maculando, deste modo, o comando de Paulo Bento.


No entanto, terá sido aquando da preparação deste encontrou que terá ocorrido o primeiro capítulo do desentendimento entre o Seleccionador e José Bosingwa - isso sim, maculou o comando de Paulo Bento, ainda que só tenha vindo a lume vários meses depois. Ainda não percebi ao certo o que se passou. A versão que corre - mas não sei se é a verdadeira - é a de que Bosingwa não terá gostado da hipótese de ser suplente e, em represália, terá simulado uma lesão para abandonar o estágio.


Provavelmente, nunca se saberá ao certo o que de facto aconteceu. A única coisa acerca da qual existem certezas quase absolutas é de que, tão cedo, Bosingwa não voltará à Selecção - e isso para mim é o mais importante, o pior. Mas, tal como já mencionei anteriormente, só o soubemos muito depois de Fevereiro, depois de Bosingwa ter sido repetidamente sido deixado de fora das Convocatórias.


Em finais de Março, realizaram-se mais dois jogos de carácter preparatório: um contra o Chile, no dia 26, outro contra a Finlândia, no dia 29. O primeiro terminou empatado a um golo. Não assisti a este jogo, nem sequer pela rádio, como tal, não sei dizer como é que Portugal jogou. Em todo o caso, ninguém atribuiu grande importância a este encontro devido às eleições no Sporting, entre outros factores.


Um dos quais o desafio que opôs a Dinarmarca à Noruega, que terminou empatado a um golo e nos deu o poder de chegarmos ao primeiro lugar do grupo por nós próprios.


O encontrou com a Finlândia foi diferente. Tratava-se de uma selecção nórdica, semelhante à Noruega, que seria a nossa adversária seguinte na Qualificação para o Euro 2012. Como tal, o desempenho da Selecção foi diferente, acima da média em particulares. Destaque para os dois golos do estreante Rúben Micael. Há que dizer, no entanto, que a Finlândia não fez muito pela vida. Apesar de talvez ser essa a intenção, o jogo não foi um verdadeiro ensaio geral para o desafio frente à Noruega - dificilmente os nossos amigos noruegueses, com quem havíamos perdido da última vez que estivéramos em campo com eles, nos facilitariam a vida daquela maneira. Em todo o caso, a vitória foi mais um sinal de que a Selecção estava bem e recomendava-se. Em vários aspectos.


O embate com a Noruega, a contar para a Qualificação para o Europeu de 2012, realizou-se a 4 de Junho - oito meses após o último jogo oficial - no Estádio da Luz. Paulo Bento classificou-o como um jogo "extremamente importante, de grande responsabilidade" pois, se vencêssemos, subiríamos para o primeiro lugar do grupo. Não decidia o Apuramento, mas ajudava muito. Nesse aspecto, os noruegueses estavam menos apertados do que nós, pois, para manterem o primeiro lugar, bastava-lhes perder pela margem mínima, desde que marcassem na Luz. Com a agravante de os noruegueses nos terem vencido da última vez que entráramos em campo com eles.


A Selecção dispôs, nessa altura, do maior intervalo de tempo seguido de estágio antes de um encontro desde o início da Qualificação. Eu própria fui assistir a um dos vários treinos abertos que a Equipa de Todos Nós efectuou. Nas declarações à Comunicação Social, toda a Selecção, jogadores e treinador, aparentava estar em sintonia. Os Marmanjos afirmavam não terem medo da Noruega, apesar de a respeitarem como uma equipa que os derrotara recentemente. Afirmavam querer vencer, de modo a "podermos ir de férias descansados".


E foi o que, de facto, acabou por acontecer, Não foi um jogo brilhante, não houve domínio indiscutível por parte da Selecção Portuguesa, provavelmente devido ao desgaste típico do fim da época futebolística e, talvez, a alguma pressão. O único tento do jogo foi apontado por Hélder Postiga. Em todo o caso, a Selecção cumpriu o seu dever atingindo, desse modo, o topo da tabela classificativa.


Em Agosto, a Selecção disputou, no Estádio do Algarve, um jogo de carácter preparatório com o Luxemburgo. Supostamente esta selecção seria semelhante à cipriota, segundo Paulo Bento, mas tal era questionável. Dificilmente o Chipre, o nosso adversário seguinte, seria tão acessível. A preparação deste encontro incluiu dois treinos abertos e eu assisti a um deles, novamente no Jamor, à semelhança de mais umas oitocentas pessoas. O Seleccionador definiu como objectivos deste encontro levar o jogo a sério, vencer e não sofrer golos.


O encontro em si terminou com 5 - 0 no marcador. Tal como se previa, foi uma daquelas goleadas fáceis, sem suor, sem adrenalina, que dificilmente ficam na memória. No entanto, ao contrário do que acontecera em inúmeros particulares com Selecções teoricamente mais fracas, Portugal levou o jogo a sério e o nível nem sequer diminuiu com as substituições ao intervalo. Em suma, apesar da utilidade questionável deste jogo, os objectivos para ele definidos haviam sido alcançados.


Não pude assistir ao encontro com o Chipre, a contar para o apuramento, nem à respectiva preparação - durante a qual Ricardo Carvalho abandonou a Equipa de Todos Nós - visto encontrar-me de férias no estrangeiro. Tanto quanto percebi, terá sido em protesto contra a possibilidade de ser suplente, tudo isto com um cheirinho a vedetismo, a amuo de adolescente. Paulo Bento acusou-o de deserção e afirmou que nunca mais Convocaria o jogador. Dias depois, Ricardo deu uma entrevista em que, por sua vez, chamou "mercenário", contribuindo em nada para melhorar a sua imagem no meio disto tudo.


Mais tarde, o jogador afirmou-se arrependido por ter virado as costas à Selecção desta forma e manifestou o desejo de voltar a vestir a camisola das Quinas. Nesse aspecto, distingue-se de José Bosingwa, que nunca deu sinais de arrependimento pelas atitudes que tomou. Mas não é suficiente visto que, tanto quanto sei Ricardo Carvalho nunca apresentou um pedido de desculpas directamente, nem a Paulo Bento, nem à Federação. No meio disto tudo, acho ridículo que pessoas como Joaquim Envagelista estejam a pressionar o Seleccionador a aceitar os jogadores de volta. Se eu fosse ao Paulo Bento, ficaria irritada por tanta gente questionar as minhas decisões. Foram o Bosingwa e o Ricardo que tomaram as atitudes, que se excluíram a si próprios directa ou indirectamente. Se eles quiserem voltar à Selecção, o primeiro passo terá de partir deles. E, embora saiba que é improvável, espero que as várias partes consigam chegar a um entendimento e que ambos os jogadores voltem a vestir a camisola das Quinas com Paulo Bento no comando.


Em todo o caso, o capitão da Equipa de Todos Nós, Cristiano Ronaldo, veio a público dizer, poucos dias após a deserção de Ricardo Carvalho, que "tudo o que se passou está ultrapassado, o mister Paulo Bento já falou, o que pensamos fica dentro do grupo", acrescentando mesmo que ele também tinha telhados de vidro no que tocava a decisões pouco sensatas.


Esta declaração foi feita após o duelo com o Chipre, duelo esse que a Selecção Portuguesa levou de vencida por quatro golos sem resposta. Já referi antes que não pude assistir a este encontro. Parece que durante a maior parte do encontro, a Selecção esteve em vantagem pela margem mínima, precária, com todo o nervosismo associado a tais circunstâncias, fazendo uma exibição que deixou bastante a desejar. Contudo, os três golos na recta final do jogo devem ter sabido muito bem. Cristiano Ronaldo desempenhou muito bem o seu papel de capitão da Equipa de Todos Nós, parece que fez uma bela prestação em campo, com dois golos e uma assistência, terá mesmo carregado a equipa às costas. Isto num ambiente particularmente hostil para o madeirense, com os adeptos cipriotas gritando por Messi, criando, salvo erro, uma moda que se estendeu aos restantes jogos da fase de Qualificação. No entanto, pelo menos neste jogo, acabou por lhes sair o tiro pela culatra.


Um mês mais tarde, realizou-se a dupla jornada final da fase de Qualificação. Faltava-nos receber a Islândia e deslocarmo-nos a Copenhaga para enfrentarmos a selecção local antes de darmos o Apuramento por concluído. As nossas condições não eram as ideais, devido a várias ausências por lesão de titulares habituais (Pepe, Hugo Almeida, Fábio Coentrão). A esta lista, juntou-se Danny, pois este teve de ser submetido a uma cirurgia para remover um quisto sebáceo.


A urgência questionável de tal intervenção, aliada às suspeitas que se começavam a formar devido às repetidas ausências do nome de Bosingwa das listas de Convocados, mais, provavelmente, a tensão derivada à proximidade do fim do Apuramento abriram uma brecha na credibilidade do Seleccionador. A Comunicação Social enfiou-se dentro dela e os ataques começaram. De uma forma injusta, na minha opinião, tendo em conta o percurso de Paulo Bento como Seleccionador até à altura.


Conforme foi repetido até à exaustão, bastava um empate e uma vitória para nos qualificarmos directamente, embora na Selecção dissessem que não viam as coisas desta maneira, que encaravam um jogo de cada vez, que não jogavam para o empate. E não se pode dizer que os Marmanjos não juntaram o gesto à palavra no Estádio do Dragão uma vez que venceram os Islandeses por cinco bolas contra três. Contudo, o jogo não foi tão fácil como o que seria de esperar. Os islandeses entraram em campo invulgarmente desenvoltos, descongelados, soltos, como que querendo desafiar o estereótipo da equipa teoricamente mais fraca. Inicialmente, Portugal não se deixou afectar, conseguiu colocar-se três golos à frente dos islandeses, mas estes não demoraram muito a reduzir a desvantagem a apenas um golo, ficando muito perto de anulá-la por completo. Felizmente, o golo de Moutinho, seguido de Eliseu, aliviaram a intranquilidade que se tinha instalado com o seguindo golo da Islândia.


Apesar da vitória, a Selecção Nacional revelara algumas fraquezas. O ideal teria sido que o jogo tivesse servido de aviso, de wake-up call.


Mas não serviu.


Com esta vitória, a Equipa de Todos Nós dava mais um passo em  direcção ao Europeu. Agora bastava um empate frente à Dinamarca para reservarmos logo um lugar na Polónia e na Ucrânia. E até podíamos perder em Copenhaga e qualificarmo-nos à mesma, desde que fôssemos a melhor Selecção em segundo lugar - a única que nos ameaçava era a Suécia. Esta ideia, repetida até à exaustão, irritou-me na altura, pois julgava que Portugal não precisaria de fazer tais contas. Agora, vendo em retrospectiva, a ideia ainda me irrita mais pois não nos serviu de nada.


A derrota de Portugal aos pés da Dinamarca constituiu, sem sombra de dúvida, o ponto mais baixo do ano. Foi provavelmente um dos piores jogos da Selecção dos últimos tempos, agonizante, em que o único ponto alto do jogo foi o golo excepcional de Cristiano Ronaldo. Ainda hoje não percebo o que aconteceu nessa noite para os Marmanjos jogarem tão mal. A era Paulo Bento, que até à altura, estivera quase imaculada, via a sua primeira derrota em jogos oficiais e a Selecção Nacional era relegada para os play-offs pois o jogo da Suécia - que, para animar ainda mais a noite, fora rico em reviravoltas - terminara com uma vitória para o seu lado, tornando-os a melhor equipa classificada em segundo lugar.


Na altura, acabei por dar graças por a Suécia se ter qualificado em vez de nós, pois não queria que a caminhada em direcção ao Europeu terminasse daquela forma. E agora que já sei qual foi o desfecho deste capítulo, ainda abençoo mais essa reviravolta do destino. 


Pouco após o jogo com a Dinamarca, soubemos que, daí a um mês, disputaríamos o play-off contra a Bósnia-Herzegovina, selecção que já se havia cruzado no nosso caminho para o Mundial 2010, dois anos antes. Muita gente recomendava prudência uma vez que a equipa bósnia tinha melhorado significativamente ao longo dos últimos dois anos e, conforme o médio bósnio Zvjedzan Misimovic assinalou, Portugal tivera, teoricamente, condições para já ter o apuramento resolvido mas teve de ir aos play-offs. No entanto, a Turma das Quinas também havia crescido, sobretudo no último ano, e Paulo Bento chegou mesmo a dizer: "Não vou desconfiar de quem durante um ano e picos fez tudo o que devia e, por um jogo, pôr tudo em causa".


A preparação dos play-offs foi marcada pelo regresso de habituais titulares que haviam estado indisponíveis na última jornada dupla e ensombrada pela entrevista de José Bosingwa ao jornal "O Jogo". Como seria de prever, a Comunicação Social alimentou-se das polémicas declarações do jogador mas, aparentemente, estas não tiveram grande repercussão no seio da Equipa de Todos Nós. 


A primeira mão do play-off foi disputada em Zenica, terreno bósnio, em condições bastante adversas para a Equipa das Quinas. Começando pelo relvado de péssima qualidade. A Federação Portuguesa de Futebol apelara para a UEFA, tentando fazê-los mudar a localização do jogo, mas os responsáveis fizeram ouvidos de mercador. Para cúmulo, os dirigentes bósnios ignoraram o acordo selado na manhã do dia da primeira mão e regaram o campo, pouco antes do início do jogo, piorando ainda mais o seu estado. Tal motivou a Selecção a jogar sob protesto.


Outro obstáculo que a Equipa de Todos Nós teve de enfrentar foram os adeptos bósnios pouco amigáveis, que tentaram desestabilizar a Selecção Portuguesa e, em particular, o capitão Cristiano Ronaldo, com lasers e gritos por Messi. 


A primeira mão do play-off terminou com o marcador por abrir. O resultado desapontou mas a exibição da Equipa das Quinas não. O domínio do jogo foi claramente português, falou-se de "espírito guerreiro", "personalidade fortíssima". Terá literalmente sido o campo (que foi apelidado de horta, batatal, pseudo-relvado, Farmville, etc) a impedir a vitória da Selecção Portuguesa. Em todo o caso, ficaram boas promessas para a segunda mão, que se realizaria no Estádio da Luz, daí a quatro dias.


Promessas essas que foram cumpridas, e muito bem cumpridas, naquele que foi o ponto mais alto do ano, ou mesmo de toda a Qualificação. Nesse Portugal recebeu e venceu na Luz a Bósnia por seis golos espectaculares contra dois que não passaram de pormenores tornados pormaiores, num jogo épico (palavra muito na moda e demasiado vulgarizada, na minha opinião) e emocionante, que se assemelhou a um resumo de toda a caminhada em direcção à fase final do Euro 2012, com todos os momentos de brilho, de garra, juntamente com os momentos menos bons e as inesperadas escorregadelas, antes de apresentar o desfecho da história. Que não podia ser mais feliz. O Hino Nacional entoado a plenos pulmões por todo o Estádio encerrou a caminhada, encerrou um jogo que teve todas as características de uma grande final. Um jogo que representou uma desforra contra um caso envolvendo um antigo Seleccionador de fraco carácter, dirigentes corruptos, em Portugal e no estrangeiro, jogadores desertores, notícias desestabilizadoras, relvados manhosos, lasers, adeptos hostis, árbitros pouco parciais. Uma desforra contra a crise que assola o País já ninguém sabe desde quando, contra os cortes impostos pelo Orçamento e pela Troika (bem menos simpática do que a Troika de ataque que empurrou a Selecção para a frente), contra os juros da dívida que, se não estou em erro, já roçam os vinte por cento, contra políticos corruptos e incapazes, contra os sacrifícios que parecem nunca mais acabar, contra o desemprego, contra a depressão, contra o desânimo. Um jogo que selou o apuramento e o renascimento da Selecção Nacional.


No dia 2 de Dezembro, realizou-se o sorteio da fase de grupos do Euro 2012 e Portugal ficou a conhecer os seus futuros adversários: serão eles a Dinamarca, a Holanda e a Alemanha. Dificilmente nos poderia ter calhado um grupo mais difícil. Podemos ver tanto este resultado como outro qualquer como uma coisa boa ou má, dependendo da maneira como o encararmos. Contudo, uma coisa é certa: aguardam-nos jogos verdadeiramente emocionantes, que ficarão para a História, independentemente do desfecho final. 


Foi isto que aconteceu de mais relevante à Selecção Nacional ao longo de 2011. Em suma, foi um ano muito positivo em termos futebolísticos, não só por a Equipa das Quinas se ter qualificado para o Europeu do próximo ano, mas também por causa da Liga Europa, em que três equipas portuguesas chegaram às meias-finais, duas chegaram à final e, como é óbvio, uma delas levou o troféu para casa.


Em termos políticos, financeiros e sócio-económicos, 2011 foi um ano para esquecer, com o governo a demitir-se, a chegada da Troika, a ameaça da queda do Euro, entre outras desgraças. E a situação não parece estar perto de melhorar, sobretudo porque já sabemos que em 2012 nos esperam vários cortes e vida ainda mais difícil.


Em termos pessoas, tirando o contexto acima descrito, devo dizer que foi um dos melhores anos da minha vida, por várias razões. Muitos dos desejos e objectivos que tinha definido no início do ano cumpriram-se. Além disso, posso dizer com toda a segurança que evoluí ao longo do último ano, Tal evolução já havia começado em 2010 mas bem mais discretamente, a grande explosão deu-se este ano. Não sei dizer se me tornei uma pessoa melhor, mas, pelo menos, tornei-me um pouco mais corajosa, um pouco mais certa do que sou e do que quero. Dei vários passos em frente. O facto de ter ido ao Jamor assistir aos treinos da Selecção foi um deles, ainda que não o mais importante. Ainda não estou onde quero estar, ainda tenho um longo caminho a percorrer e tenciono continuar a percorrê-lo em 2012.


Olhando, então, para o próximo ano, no que toca à situação do País, já ninguém se atreve a pedir desejos, a ser optimista, depois de sofrermos desilusões atrás de desilusões. Estamos uma posição semelhante àquela onde nos encontrávamos no início de 2011. O ano que findava havia sido mau mas tudo indicava que o ano que começava seria ainda pior. No entanto, "não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe". Isto não pode durar para sempre, terá de existir uma altura em que isto comece a melhorar! Já andamos em crise há demasiado tempo, já chega!


Existe outra coisa em comum com o início de 2011 e o início de 2012: o facto de o futebol, em particular a Selecção, ser a única coisa que funciona bem neste País, a única coisa a que nos podemos agarrar, a única coisa que nos dá boas promessas para 2012. Quer a Selecção chegue à final de Kiev ou fique pela fase de grupos (que o Diabo seja cego, surdo, mudo e não tenha acesso à Internet...), aquelas semanas antes do Euro 2012 e pelo menos a primeira semana da fase final ninguém nos tirará. Nesse intervalo de tempo, os nossos pensamentos e, pelo menos, o meu coração estarão sediados na Polónia e na Ucrânia. Teremos algo que fugirá à rotina e que nos ajudará a suportar as dificuldades.


Quem me dera que outras coisas neste País funcionassem como funciona a Equipa de Todos Nós!


Para 2012 desejo, então, que sejamos campeões europeus. Que um clube português volte a ganhar um título europeu. Que o tal virar de maré de que falei acima ocorra no próximo ano. Que em 2012 vocês, leitores, tenham uma vida melhor, que evoluam, que consigam realizar os vossos sonhos, ou seja, que 2012 vos corra como 2011 correu a mim. E uso emprestada a foto da página do Facebook Sócio da Selecção para vos desejar...




 


Selecção 2011





Mais um ano encontra-se à beira do fim, mais um ano encontra-se à beira do início. É costume as pessoas reflectirem sobre os acontecimentos mais marcantes dos últimos doze meses e tentarem prever o que acontecerá nos próximos doze. No que toca à Selecção Nacional, depois de um ano de 2010 muito atribulado, 2011 foi um ano incomparavelmente mais calmo. Sobretudo por não ter ocorrido nenhum caso tão grave como aquele que levou ao despedimento de Carlos Queiroz. Também seria difícil e menos provável que ocorresse um caso com essa gravidade este ano, em que não houve fase final de um campeonato de Selecções, estivemos quase meio ano sem jogos oficiais e, mesmo estes, foram apenas meia dúzia (contando com o playoff, que nem sequer fazia parte do plano inicial).

 

A Selecção entrou em 2011 em alta, derivada do relançamento na disputa pela Qualificação para o Europeu de 2012 e de uma inesperada goleada à Espanha num particular, e manteve-se assim durante a maior parte do ano. O público parecia ter feito as pazes com a Turma das Quinas, o ambiente parecia estar bom no seio da equipa, havia consenso, ninguém tinha nada de muito importante a criticar. Isso era bom, sem dúvida, mas era algo monótono. Se derem uma vista de olhos às minhas entradas (ou simplesmente aos títulos destas) hão de verificar que estas andavam quase todas à roda do mesmo: "A Selecção está muito bem, é a única coisa que está bem neste País". As coisas apenas começaram a descarrilar em Setembro, com a deserção de Ricardo Carvalho e à medida que se aproximava a recta final do apuramento (não sei se estes acontecimentos, bem como aquilo que se passou com José Bosingwa, estão relacionados ou se é apenas coincidência). Em todo o caso, após a brilhante segunda mão do playoff, a Selecção encerra o ano de 2011 mais ou menos da mesma maneira como o inaugurou: em alta, cheia de promessas de mais bons momentos a curto e médio prazo, apesar dos adversários dos próximos jogos oficiais.


O particular com a Argentina, realizado dia 9 de Fevereiro no Estádio de Genebra na Suíça, foi o primeiro compromisso da Selecção Portuguesa do ano. Este desafio encontrava-se envolvido em expectativa, não só devido ao anteriormente mencionado bom momento da equipa mas também - e sobretudo - uma vez que este particular oporia Cristiano Ronaldo e Lionel Messi - por muitos considerados os melhores jogadores de futebol da actualidade. Foi por causa desde duelo que os bilhetes para o jogo se esgotaram e que oitenta televisões em todo o Mundo compraram os direitos de transmissão.


O jogo, que terminou com 2-1 a favor da selecção alviceleste, foi bastante equilibrado. Os dois primeiros golos, um para cada lado, foram marcados na primeira meia hora de jogo. O tento português foi executado por Cristiano Ronaldo. Foi o primeiro de muitos golos, não apenas de Ronaldo ao serviço da Selecção, mas também da própria Equipa de Todos Nós. A substituição do madeirense, aproximadamente aos sessenta minutos de jogo, foi demasiado precoce para a assistência, atraída para o jogo pelo duelo entre os dois melhores do Mundo.


Mas voltando ao jogo em si, este foi muito equilibrado, tal como foi mencionado acima. O ritmo manteve-se quase sempre elevado. O segundo golo marcado pela Argentina resultou de um penálti, um pormenor convertido em pormaior por Messi, em cima do minuto noventa, numa altura em que "ambas as equipas já estavam conformadas com a igualdade" no marcador.


No que toca ao duelo entre Ronaldo e Messi, este último foi o vencedor mas só por falta de comparência do adversário. No que toca à Selecção num todo, este jogo foi testemunha da capacidade da Turma das Quinas de enfrentar qualquer adversário como igual, não maculando, deste modo, o comando de Paulo Bento.


No entanto, terá sido aquando da preparação deste encontrou que terá ocorrido o primeiro capítulo do desentendimento entre o Seleccionador e José Bosingwa - isso sim, maculou o comando de Paulo Bento, ainda que só tenha vindo a lume vários meses depois. Ainda não percebi ao certo o que se passou. A versão que corre - mas não sei se é a verdadeira - é a de que Bosingwa não terá gostado da hipótese de ser suplente e, em represália, terá simulado uma lesão para abandonar o estágio.


Provavelmente, nunca se saberá ao certo o que de facto aconteceu. A única coisa acerca da qual existem certezas quase absolutas é de que, tão cedo, Bosingwa não voltará à Selecção - e isso para mim é o mais importante, o pior. Mas, tal como já mencionei anteriormente, só o soubemos muito depois de Fevereiro, depois de Bosingwa ter sido repetidamente sido deixado de fora das Convocatórias.


Em finais de Março, realizaram-se mais dois jogos de carácter preparatório: um contra o Chile, no dia 26, outro contra a Finlândia, no dia 29. O primeiro terminou empatado a um golo. Não assisti a este jogo, nem sequer pela rádio, como tal, não sei dizer como é que Portugal jogou. Em todo o caso, ninguém atribuiu grande importância a este encontro devido às eleições no Sporting, entre outros factores.


Um dos quais o desafio que opôs a Dinarmarca à Noruega, que terminou empatado a um golo e nos deu o poder de chegarmos ao primeiro lugar do grupo por nós próprios.


O encontrou com a Finlândia foi diferente. Tratava-se de uma selecção nórdica, semelhante à Noruega, que seria a nossa adversária seguinte na Qualificação para o Euro 2012. Como tal, o desempenho da Selecção foi diferente, acima da média em particulares. Destaque para os dois golos do estreante Rúben Micael. Há que dizer, no entanto, que a Finlândia não fez muito pela vida. Apesar de talvez ser essa a intenção, o jogo não foi um verdadeiro ensaio geral para o desafio frente à Noruega - dificilmente os nossos amigos noruegueses, com quem havíamos perdido da última vez que estivéramos em campo com eles, nos facilitariam a vida daquela maneira. Em todo o caso, a vitória foi mais um sinal de que a Selecção estava bem e recomendava-se. Em vários aspectos.


O embate com a Noruega, a contar para a Qualificação para o Europeu de 2012, realizou-se a 4 de Junho - oito meses após o último jogo oficial - no Estádio da Luz. Paulo Bento classificou-o como um jogo "extremamente importante, de grande responsabilidade" pois, se vencêssemos, subiríamos para o primeiro lugar do grupo. Não decidia o Apuramento, mas ajudava muito. Nesse aspecto, os noruegueses estavam menos apertados do que nós, pois, para manterem o primeiro lugar, bastava-lhes perder pela margem mínima, desde que marcassem na Luz. Com a agravante de os noruegueses nos terem vencido da última vez que entráramos em campo com eles.


A Selecção dispôs, nessa altura, do maior intervalo de tempo seguido de estágio antes de um encontro desde o início da Qualificação. Eu própria fui assistir a um dos vários treinos abertos que a Equipa de Todos Nós efectuou. Nas declarações à Comunicação Social, toda a Selecção, jogadores e treinador, aparentava estar em sintonia. Os Marmanjos afirmavam não terem medo da Noruega, apesar de a respeitarem como uma equipa que os derrotara recentemente. Afirmavam querer vencer, de modo a "podermos ir de férias descansados".


E foi o que, de facto, acabou por acontecer, Não foi um jogo brilhante, não houve domínio indiscutível por parte da Selecção Portuguesa, provavelmente devido ao desgaste típico do fim da época futebolística e, talvez, a alguma pressão. O único tento do jogo foi apontado por Hélder Postiga. Em todo o caso, a Selecção cumpriu o seu dever atingindo, desse modo, o topo da tabela classificativa.


Em Agosto, a Selecção disputou, no Estádio do Algarve, um jogo de carácter preparatório com o Luxemburgo. Supostamente esta selecção seria semelhante à cipriota, segundo Paulo Bento, mas tal era questionável. Dificilmente o Chipre, o nosso adversário seguinte, seria tão acessível. A preparação deste encontro incluiu dois treinos abertos e eu assisti a um deles, novamente no Jamor, à semelhança de mais umas oitocentas pessoas. O Seleccionador definiu como objectivos deste encontro levar o jogo a sério, vencer e não sofrer golos.


O encontro em si terminou com 5 - 0 no marcador. Tal como se previa, foi uma daquelas goleadas fáceis, sem suor, sem adrenalina, que dificilmente ficam na memória. No entanto, ao contrário do que acontecera em inúmeros particulares com Selecções teoricamente mais fracas, Portugal levou o jogo a sério e o nível nem sequer diminuiu com as substituições ao intervalo. Em suma, apesar da utilidade questionável deste jogo, os objectivos para ele definidos haviam sido alcançados.


Não pude assistir ao encontro com o Chipre, a contar para o apuramento, nem à respectiva preparação - durante a qual Ricardo Carvalho abandonou a Equipa de Todos Nós - visto encontrar-me de férias no estrangeiro. Tanto quanto percebi, terá sido em protesto contra a possibilidade de ser suplente, tudo isto com um cheirinho a vedetismo, a amuo de adolescente. Paulo Bento acusou-o de deserção e afirmou que nunca mais Convocaria o jogador. Dias depois, Ricardo deu uma entrevista em que, por sua vez, chamou "mercenário", contribuindo em nada para melhorar a sua imagem no meio disto tudo.


Mais tarde, o jogador afirmou-se arrependido por ter virado as costas à Selecção desta forma e manifestou o desejo de voltar a vestir a camisola das Quinas. Nesse aspecto, distingue-se de José Bosingwa, que nunca deu sinais de arrependimento pelas atitudes que tomou. Mas não é suficiente visto que, tanto quanto sei Ricardo Carvalho nunca apresentou um pedido de desculpas directamente, nem a Paulo Bento, nem à Federação. No meio disto tudo, acho ridículo que pessoas como Joaquim Envagelista estejam a pressionar o Seleccionador a aceitar os jogadores de volta. Se eu fosse ao Paulo Bento, ficaria irritada por tanta gente questionar as minhas decisões. Foram o Bosingwa e o Ricardo que tomaram as atitudes, que se excluíram a si próprios directa ou indirectamente. Se eles quiserem voltar à Selecção, o primeiro passo terá de partir deles. E, embora saiba que é improvável, espero que as várias partes consigam chegar a um entendimento e que ambos os jogadores voltem a vestir a camisola das Quinas com Paulo Bento no comando.


Em todo o caso, o capitão da Equipa de Todos Nós, Cristiano Ronaldo, veio a público dizer, poucos dias após a deserção de Ricardo Carvalho, que "tudo o que se passou está ultrapassado, o mister Paulo Bento já falou, o que pensamos fica dentro do grupo", acrescentando mesmo que ele também tinha telhados de vidro no que tocava a decisões pouco sensatas.


Esta declaração foi feita após o duelo com o Chipre, duelo esse que a Selecção Portuguesa levou de vencida por quatro golos sem resposta. Já referi antes que não pude assistir a este encontro. Parece que durante a maior parte do encontro, a Selecção esteve em vantagem pela margem mínima, precária, com todo o nervosismo associado a tais circunstâncias, fazendo uma exibição que deixou bastante a desejar. Contudo, os três golos na recta final do jogo devem ter sabido muito bem. Cristiano Ronaldo desempenhou muito bem o seu papel de capitão da Equipa de Todos Nós, parece que fez uma bela prestação em campo, com dois golos e uma assistência, terá mesmo carregado a equipa às costas. Isto num ambiente particularmente hostil para o madeirense, com os adeptos cipriotas gritando por Messi, criando, salvo erro, uma moda que se estendeu aos restantes jogos da fase de Qualificação. No entanto, pelo menos neste jogo, acabou por lhes sair o tiro pela culatra.


Um mês mais tarde, realizou-se a dupla jornada final da fase de Qualificação. Faltava-nos receber a Islândia e deslocarmo-nos a Copenhaga para enfrentarmos a selecção local antes de darmos o Apuramento por concluído. As nossas condições não eram as ideais, devido a várias ausências por lesão de titulares habituais (Pepe, Hugo Almeida, Fábio Coentrão). A esta lista, juntou-se Danny, pois este teve de ser submetido a uma cirurgia para remover um quisto sebáceo.


A urgência questionável de tal intervenção, aliada às suspeitas que se começavam a formar devido às repetidas ausências do nome de Bosingwa das listas de Convocados, mais, provavelmente, a tensão derivada à proximidade do fim do Apuramento abriram uma brecha na credibilidade do Seleccionador. A Comunicação Social enfiou-se dentro dela e os ataques começaram. De uma forma injusta, na minha opinião, tendo em conta o percurso de Paulo Bento como Seleccionador até à altura.


Conforme foi repetido até à exaustão, bastava um empate e uma vitória para nos qualificarmos directamente, embora na Selecção dissessem que não viam as coisas desta maneira, que encaravam um jogo de cada vez, que não jogavam para o empate. E não se pode dizer que os Marmanjos não juntaram o gesto à palavra no Estádio do Dragão uma vez que venceram os Islandeses por cinco bolas contra três. Contudo, o jogo não foi tão fácil como o que seria de esperar. Os islandeses entraram em campo invulgarmente desenvoltos, descongelados, soltos, como que querendo desafiar o estereótipo da equipa teoricamente mais fraca. Inicialmente, Portugal não se deixou afectar, conseguiu colocar-se três golos à frente dos islandeses, mas estes não demoraram muito a reduzir a desvantagem a apenas um golo, ficando muito perto de anulá-la por completo. Felizmente, o golo de Moutinho, seguido de Eliseu, aliviaram a intranquilidade que se tinha instalado com o seguindo golo da Islândia.


Apesar da vitória, a Selecção Nacional revelara algumas fraquezas. O ideal teria sido que o jogo tivesse servido de aviso, de wake-up call.


Mas não serviu.


Com esta vitória, a Equipa de Todos Nós dava mais um passo em  direcção ao Europeu. Agora bastava um empate frente à Dinamarca para reservarmos logo um lugar na Polónia e na Ucrânia. E até podíamos perder em Copenhaga e qualificarmo-nos à mesma, desde que fôssemos a melhor Selecção em segundo lugar - a única que nos ameaçava era a Suécia. Esta ideia, repetida até à exaustão, irritou-me na altura, pois julgava que Portugal não precisaria de fazer tais contas. Agora, vendo em retrospectiva, a ideia ainda me irrita mais pois não nos serviu de nada.


A derrota de Portugal aos pés da Dinamarca constituiu, sem sombra de dúvida, o ponto mais baixo do ano. Foi provavelmente um dos piores jogos da Selecção dos últimos tempos, agonizante, em que o único ponto alto do jogo foi o golo excepcional de Cristiano Ronaldo. Ainda hoje não percebo o que aconteceu nessa noite para os Marmanjos jogarem tão mal. A era Paulo Bento, que até à altura, estivera quase imaculada, via a sua primeira derrota em jogos oficiais e a Selecção Nacional era relegada para os play-offs pois o jogo da Suécia - que, para animar ainda mais a noite, fora rico em reviravoltas - terminara com uma vitória para o seu lado, tornando-os a melhor equipa classificada em segundo lugar.


Na altura, acabei por dar graças por a Suécia se ter qualificado em vez de nós, pois não queria que a caminhada em direcção ao Europeu terminasse daquela forma. E agora que já sei qual foi o desfecho deste capítulo, ainda abençoo mais essa reviravolta do destino. 


Pouco após o jogo com a Dinamarca, soubemos que, daí a um mês, disputaríamos o play-off contra a Bósnia-Herzegovina, selecção que já se havia cruzado no nosso caminho para o Mundial 2010, dois anos antes. Muita gente recomendava prudência uma vez que a equipa bósnia tinha melhorado significativamente ao longo dos últimos dois anos e, conforme o médio bósnio Zvjedzan Misimovic assinalou, Portugal tivera, teoricamente, condições para já ter o apuramento resolvido mas teve de ir aos play-offs. No entanto, a Turma das Quinas também havia crescido, sobretudo no último ano, e Paulo Bento chegou mesmo a dizer: "Não vou desconfiar de quem durante um ano e picos fez tudo o que devia e, por um jogo, pôr tudo em causa".


A preparação dos play-offs foi marcada pelo regresso de habituais titulares que haviam estado indisponíveis na última jornada dupla e ensombrada pela entrevista de José Bosingwa ao jornal "O Jogo". Como seria de prever, a Comunicação Social alimentou-se das polémicas declarações do jogador mas, aparentemente, estas não tiveram grande repercussão no seio da Equipa de Todos Nós. 


A primeira mão do play-off foi disputada em Zenica, terreno bósnio, em condições bastante adversas para a Equipa das Quinas. Começando pelo relvado de péssima qualidade. A Federação Portuguesa de Futebol apelara para a UEFA, tentando fazê-los mudar a localização do jogo, mas os responsáveis fizeram ouvidos de mercador. Para cúmulo, os dirigentes bósnios ignoraram o acordo selado na manhã do dia da primeira mão e regaram o campo, pouco antes do início do jogo, piorando ainda mais o seu estado. Tal motivou a Selecção a jogar sob protesto.


Outro obstáculo que a Equipa de Todos Nós teve de enfrentar foram os adeptos bósnios pouco amigáveis, que tentaram desestabilizar a Selecção Portuguesa e, em particular, o capitão Cristiano Ronaldo, com lasers e gritos por Messi. 


A primeira mão do play-off terminou com o marcador por abrir. O resultado desapontou mas a exibição da Equipa das Quinas não. O domínio do jogo foi claramente português, falou-se de "espírito guerreiro", "personalidade fortíssima". Terá literalmente sido o campo (que foi apelidado de horta, batatal, pseudo-relvado, Farmville, etc) a impedir a vitória da Selecção Portuguesa. Em todo o caso, ficaram boas promessas para a segunda mão, que se realizaria no Estádio da Luz, daí a quatro dias.


Promessas essas que foram cumpridas, e muito bem cumpridas, naquele que foi o ponto mais alto do ano, ou mesmo de toda a Qualificação. Nesse Portugal recebeu e venceu na Luz a Bósnia por seis golos espectaculares contra dois que não passaram de pormenores tornados pormaiores, num jogo épico (palavra muito na moda e demasiado vulgarizada, na minha opinião) e emocionante, que se assemelhou a um resumo de toda a caminhada em direcção à fase final do Euro 2012, com todos os momentos de brilho, de garra, juntamente com os momentos menos bons e as inesperadas escorregadelas, antes de apresentar o desfecho da história. Que não podia ser mais feliz. O Hino Nacional entoado a plenos pulmões por todo o Estádio encerrou a caminhada, encerrou um jogo que teve todas as características de uma grande final. Um jogo que representou uma desforra contra um caso envolvendo um antigo Seleccionador de fraco carácter, dirigentes corruptos, em Portugal e no estrangeiro, jogadores desertores, notícias desestabilizadoras, relvados manhosos, lasers, adeptos hostis, árbitros pouco parciais. Uma desforra contra a crise que assola o País já ninguém sabe desde quando, contra os cortes impostos pelo Orçamento e pela Troika (bem menos simpática do que a Troika de ataque que empurrou a Selecção para a frente), contra os juros da dívida que, se não estou em erro, já roçam os vinte por cento, contra políticos corruptos e incapazes, contra os sacrifícios que parecem nunca mais acabar, contra o desemprego, contra a depressão, contra o desânimo. Um jogo que selou o apuramento e o renascimento da Selecção Nacional.


No dia 2 de Dezembro, realizou-se o sorteio da fase de grupos do Euro 2012 e Portugal ficou a conhecer os seus futuros adversários: serão eles a Dinamarca, a Holanda e a Alemanha. Dificilmente nos poderia ter calhado um grupo mais difícil. Podemos ver tanto este resultado como outro qualquer como uma coisa boa ou má, dependendo da maneira como o encararmos. Contudo, uma coisa é certa: aguardam-nos jogos verdadeiramente emocionantes, que ficarão para a História, independentemente do desfecho final. 


Foi isto que aconteceu de mais relevante à Selecção Nacional ao longo de 2011. Em suma, foi um ano muito positivo em termos futebolísticos, não só por a Equipa das Quinas se ter qualificado para o Europeu do próximo ano, mas também por causa da Liga Europa, em que três equipas portuguesas chegaram às meias-finais, duas chegaram à final e, como é óbvio, uma delas levou o troféu para casa.


Em termos políticos, financeiros e sócio-económicos, 2011 foi um ano para esquecer, com o governo a demitir-se, a chegada da Troika, a ameaça da queda do Euro, entre outras desgraças. E a situação não parece estar perto de melhorar, sobretudo porque já sabemos que em 2012 nos esperam vários cortes e vida ainda mais difícil.


Em termos pessoas, tirando o contexto acima descrito, devo dizer que foi um dos melhores anos da minha vida, por várias razões. Muitos dos desejos e objectivos que tinha definido no início do ano cumpriram-se. Além disso, posso dizer com toda a segurança que evoluí ao longo do último ano, Tal evolução já havia começado em 2010 mas bem mais discretamente, a grande explosão deu-se este ano. Não sei dizer se me tornei uma pessoa melhor, mas, pelo menos, tornei-me um pouco mais corajosa, um pouco mais certa do que sou e do que quero. Dei vários passos em frente. O facto de ter ido ao Jamor assistir aos treinos da Selecção foi um deles, ainda que não o mais importante. Ainda não estou onde quero estar, ainda tenho um longo caminho a percorrer e tenciono continuar a percorrê-lo em 2012.


Olhando, então, para o próximo ano, no que toca à situação do País, já ninguém se atreve a pedir desejos, a ser optimista, depois de sofrermos desilusões atrás de desilusões. Estamos uma posição semelhante àquela onde nos encontrávamos no início de 2011. O ano que findava havia sido mau mas tudo indicava que o ano que começava seria ainda pior. No entanto, "não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe". Isto não pode durar para sempre, terá de existir uma altura em que isto comece a melhorar! Já andamos em crise há demasiado tempo, já chega!


Existe outra coisa em comum com o início de 2011 e o início de 2012: o facto de o futebol, em particular a Selecção, ser a única coisa que funciona bem neste País, a única coisa a que nos podemos agarrar, a única coisa que nos dá boas promessas para 2012. Quer a Selecção chegue à final de Kiev ou fique pela fase de grupos (que o Diabo seja cego, surdo, mudo e não tenha acesso à Internet...), aquelas semanas antes do Euro 2012 e pelo menos a primeira semana da fase final ninguém nos tirará. Nesse intervalo de tempo, os nossos pensamentos e, pelo menos, o meu coração estarão sediados na Polónia e na Ucrânia. Teremos algo que fugirá à rotina e que nos ajudará a suportar as dificuldades.


Quem me dera que outras coisas neste País funcionassem como funciona a Equipa de Todos Nós!


Para 2012 desejo, então, que sejamos campeões europeus. Que um clube português volte a ganhar um título europeu. Que o tal virar de maré de que falei acima ocorra no próximo ano. Que em 2012 vocês, leitores, tenham uma vida melhor, que evoluam, que consigam realizar os vossos sonhos, ou seja, que 2012 vos corra como 2011 correu a mim. E uso emprestada a foto da página do Facebook Sócio da Selecção para vos desejar...




 


Selecção 2011



Mais um ano encontra-se à beira do fim, mais um ano encontra-se à beira do início. É costume as pessoas reflectirem sobre os acontecimentos mais marcantes dos últimos doze meses e tentarem prever o que acontecerá nos próximos doze. No que toca à Selecção Nacional, depois de um ano de 2010 muito atribulado, 2011 foi um ano incomparavelmente mais calmo. Sobretudo por não ter ocorrido nenhum caso tão grave como aquele que levou ao despedimento de Carlos Queiroz. Também seria difícil e menos provável que ocorresse um caso com essa gravidade este ano, em que não houve fase final de um campeonato de Selecções, estivemos quase meio ano sem jogos oficiais e, mesmo estes, foram apenas meia dúzia (contando com o playoff, que nem sequer fazia parte do plano inicial).

A Selecção entrou em 2011 em alta, derivada do relançamento na disputa pela Qualificação para o Europeu de 2012 e de uma inesperada goleada à Espanha num particular, e manteve-se assim durante a maior parte do ano. O público parecia ter feito as pazes com a Turma das Quinas, o ambiente parecia estar bom no seio da equipa, havia consenso, ninguém tinha nada de muito importante a criticar. Isso era bom, sem dúvida, mas era algo monótono. Se derem uma vista de olhos às minhas entradas (ou simplesmente aos títulos destas) hão de verificar que estas andavam quase todas à roda do mesmo: "A Selecção está muito bem, é a única coisa que está bem neste País". As coisas apenas começaram a descarrilar em Setembro, com a deserção de Ricardo Carvalho e à medida que se aproximava a recta final do apuramento (não sei se estes acontecimentos, bem como aquilo que se passou com José Bosingwa, estão relacionados ou se é apenas coincidência). Em todo o caso, após a brilhante segunda mão do playoff, a Selecção encerra o ano de 2011 mais ou menos da mesma maneira como o inaugurou: em alta, cheia de promessas de mais bons momentos a curto e médio prazo, apesar dos adversários dos próximos jogos oficiais.


O particular com a Argentina, realizado dia 9 de Fevereiro no Estádio de Genebra na Suíça, foi o primeiro compromisso da Selecção Portuguesa do ano. Este desafio encontrava-se envolvido em expectativa, não só devido ao anteriormente mencionado bom momento da equipa mas também - e sobretudo - uma vez que este particular oporia Cristiano Ronaldo e Lionel Messi - por muitos considerados os melhores jogadores de futebol da actualidade. Foi por causa desde duelo que os bilhetes para o jogo se esgotaram e que oitenta televisões em todo o Mundo compraram os direitos de transmissão.


O jogo, que terminou com 2-1 a favor da selecção alviceleste, foi bastante equilibrado. Os dois primeiros golos, um para cada lado, foram marcados na primeira meia hora de jogo. O tento português foi executado por Cristiano Ronaldo. Foi o primeiro de muitos golos, não apenas de Ronaldo ao serviço da Selecção, mas também da própria Equipa de Todos Nós. A substituição do madeirense, aproximadamente aos sessenta minutos de jogo, foi demasiado precoce para a assistência, atraída para o jogo pelo duelo entre os dois melhores do Mundo.


Mas voltando ao jogo em si, este foi muito equilibrado, tal como foi mencionado acima. O ritmo manteve-se quase sempre elevado. O segundo golo marcado pela Argentina resultou de um penálti, um pormenor convertido em pormaior por Messi, em cima do minuto noventa, numa altura em que "ambas as equipas já estavam conformadas com a igualdade" no marcador.


No que toca ao duelo entre Ronaldo e Messi, este último foi o vencedor mas só por falta de comparência do adversário. No que toca à Selecção num todo, este jogo foi testemunha da capacidade da Turma das Quinas de enfrentar qualquer adversário como igual, não maculando, deste modo, o comando de Paulo Bento.


No entanto, terá sido aquando da preparação deste encontrou que terá ocorrido o primeiro capítulo do desentendimento entre o Seleccionador e José Bosingwa - isso sim, maculou o comando de Paulo Bento, ainda que só tenha vindo a lume vários meses depois. Ainda não percebi ao certo o que se passou. A versão que corre - mas não sei se é a verdadeira - é a de que Bosingwa não terá gostado da hipótese de ser suplente e, em represália, terá simulado uma lesão para abandonar o estágio.


Provavelmente, nunca se saberá ao certo o que de facto aconteceu. A única coisa acerca da qual existem certezas quase absolutas é de que, tão cedo, Bosingwa não voltará à Selecção - e isso para mim é o mais importante, o pior. Mas, tal como já mencionei anteriormente, só o soubemos muito depois de Fevereiro, depois de Bosingwa ter sido repetidamente sido deixado de fora das Convocatórias.


Em finais de Março, realizaram-se mais dois jogos de carácter preparatório: um contra o Chile, no dia 26, outro contra a Finlândia, no dia 29. O primeiro terminou empatado a um golo. Não assisti a este jogo, nem sequer pela rádio, como tal, não sei dizer como é que Portugal jogou. Em todo o caso, ninguém atribuiu grande importância a este encontro devido às eleições no Sporting, entre outros factores.


Um dos quais o desafio que opôs a Dinarmarca à Noruega, que terminou empatado a um golo e nos deu o poder de chegarmos ao primeiro lugar do grupo por nós próprios.


O encontrou com a Finlândia foi diferente. Tratava-se de uma selecção nórdica, semelhante à Noruega, que seria a nossa adversária seguinte na Qualificação para o Euro 2012. Como tal, o desempenho da Selecção foi diferente, acima da média em particulares. Destaque para os dois golos do estreante Rúben Micael. Há que dizer, no entanto, que a Finlândia não fez muito pela vida. Apesar de talvez ser essa a intenção, o jogo não foi um verdadeiro ensaio geral para o desafio frente à Noruega - dificilmente os nossos amigos noruegueses, com quem havíamos perdido da última vez que estivéramos em campo com eles, nos facilitariam a vida daquela maneira. Em todo o caso, a vitória foi mais um sinal de que a Selecção estava bem e recomendava-se. Em vários aspectos.


O embate com a Noruega, a contar para a Qualificação para o Europeu de 2012, realizou-se a 4 de Junho - oito meses após o último jogo oficial - no Estádio da Luz. Paulo Bento classificou-o como um jogo "extremamente importante, de grande responsabilidade" pois, se vencêssemos, subiríamos para o primeiro lugar do grupo. Não decidia o Apuramento, mas ajudava muito. Nesse aspecto, os noruegueses estavam menos apertados do que nós, pois, para manterem o primeiro lugar, bastava-lhes perder pela margem mínima, desde que marcassem na Luz. Com a agravante de os noruegueses nos terem vencido da última vez que entráramos em campo com eles.


A Selecção dispôs, nessa altura, do maior intervalo de tempo seguido de estágio antes de um encontro desde o início da Qualificação. Eu própria fui assistir a um dos vários treinos abertos que a Equipa de Todos Nós efectuou. Nas declarações à Comunicação Social, toda a Selecção, jogadores e treinador, aparentava estar em sintonia. Os Marmanjos afirmavam não terem medo da Noruega, apesar de a respeitarem como uma equipa que os derrotara recentemente. Afirmavam querer vencer, de modo a "podermos ir de férias descansados".


E foi o que, de facto, acabou por acontecer, Não foi um jogo brilhante, não houve domínio indiscutível por parte da Selecção Portuguesa, provavelmente devido ao desgaste típico do fim da época futebolística e, talvez, a alguma pressão. O único tento do jogo foi apontado por Hélder Postiga. Em todo o caso, a Selecção cumpriu o seu dever atingindo, desse modo, o topo da tabela classificativa.


Em Agosto, a Selecção disputou, no Estádio do Algarve, um jogo de carácter preparatório com o Luxemburgo. Supostamente esta selecção seria semelhante à cipriota, segundo Paulo Bento, mas tal era questionável. Dificilmente o Chipre, o nosso adversário seguinte, seria tão acessível. A preparação deste encontro incluiu dois treinos abertos e eu assisti a um deles, novamente no Jamor, à semelhança de mais umas oitocentas pessoas. O Seleccionador definiu como objectivos deste encontro levar o jogo a sério, vencer e não sofrer golos.


O encontro em si terminou com 5 - 0 no marcador. Tal como se previa, foi uma daquelas goleadas fáceis, sem suor, sem adrenalina, que dificilmente ficam na memória. No entanto, ao contrário do que acontecera em inúmeros particulares com Selecções teoricamente mais fracas, Portugal levou o jogo a sério e o nível nem sequer diminuiu com as substituições ao intervalo. Em suma, apesar da utilidade questionável deste jogo, os objectivos para ele definidos haviam sido alcançados.


Não pude assistir ao encontro com o Chipre, a contar para o apuramento, nem à respectiva preparação - durante a qual Ricardo Carvalho abandonou a Equipa de Todos Nós - visto encontrar-me de férias no estrangeiro. Tanto quanto percebi, terá sido em protesto contra a possibilidade de ser suplente, tudo isto com um cheirinho a vedetismo, a amuo de adolescente. Paulo Bento acusou-o de deserção e afirmou que nunca mais Convocaria o jogador. Dias depois, Ricardo deu uma entrevista em que, por sua vez, chamou "mercenário", contribuindo em nada para melhorar a sua imagem no meio disto tudo.


Mais tarde, o jogador afirmou-se arrependido por ter virado as costas à Selecção desta forma e manifestou o desejo de voltar a vestir a camisola das Quinas. Nesse aspecto, distingue-se de José Bosingwa, que nunca deu sinais de arrependimento pelas atitudes que tomou. Mas não é suficiente visto que, tanto quanto sei Ricardo Carvalho nunca apresentou um pedido de desculpas directamente, nem a Paulo Bento, nem à Federação. No meio disto tudo, acho ridículo que pessoas como Joaquim Envagelista estejam a pressionar o Seleccionador a aceitar os jogadores de volta. Se eu fosse ao Paulo Bento, ficaria irritada por tanta gente questionar as minhas decisões. Foram o Bosingwa e o Ricardo que tomaram as atitudes, que se excluíram a si próprios directa ou indirectamente. Se eles quiserem voltar à Selecção, o primeiro passo terá de partir deles. E, embora saiba que é improvável, espero que as várias partes consigam chegar a um entendimento e que ambos os jogadores voltem a vestir a camisola das Quinas com Paulo Bento no comando.


Em todo o caso, o capitão da Equipa de Todos Nós, Cristiano Ronaldo, veio a público dizer, poucos dias após a deserção de Ricardo Carvalho, que "tudo o que se passou está ultrapassado, o mister Paulo Bento já falou, o que pensamos fica dentro do grupo", acrescentando mesmo que ele também tinha telhados de vidro no que tocava a decisões pouco sensatas.


Esta declaração foi feita após o duelo com o Chipre, duelo esse que a Selecção Portuguesa levou de vencida por quatro golos sem resposta. Já referi antes que não pude assistir a este encontro. Parece que durante a maior parte do encontro, a Selecção esteve em vantagem pela margem mínima, precária, com todo o nervosismo associado a tais circunstâncias, fazendo uma exibição que deixou bastante a desejar. Contudo, os três golos na recta final do jogo devem ter sabido muito bem. Cristiano Ronaldo desempenhou muito bem o seu papel de capitão da Equipa de Todos Nós, parece que fez uma bela prestação em campo, com dois golos e uma assistência, terá mesmo carregado a equipa às costas. Isto num ambiente particularmente hostil para o madeirense, com os adeptos cipriotas gritando por Messi, criando, salvo erro, uma moda que se estendeu aos restantes jogos da fase de Qualificação. No entanto, pelo menos neste jogo, acabou por lhes sair o tiro pela culatra.


Um mês mais tarde, realizou-se a dupla jornada final da fase de Qualificação. Faltava-nos receber a Islândia e deslocarmo-nos a Copenhaga para enfrentarmos a selecção local antes de darmos o Apuramento por concluído. As nossas condições não eram as ideais, devido a várias ausências por lesão de titulares habituais (Pepe, Hugo Almeida, Fábio Coentrão). A esta lista, juntou-se Danny, pois este teve de ser submetido a uma cirurgia para remover um quisto sebáceo.


A urgência questionável de tal intervenção, aliada às suspeitas que se começavam a formar devido às repetidas ausências do nome de Bosingwa das listas de Convocados, mais, provavelmente, a tensão derivada à proximidade do fim do Apuramento abriram uma brecha na credibilidade do Seleccionador. A Comunicação Social enfiou-se dentro dela e os ataques começaram. De uma forma injusta, na minha opinião, tendo em conta o percurso de Paulo Bento como Seleccionador até à altura.


Conforme foi repetido até à exaustão, bastava um empate e uma vitória para nos qualificarmos directamente, embora na Selecção dissessem que não viam as coisas desta maneira, que encaravam um jogo de cada vez, que não jogavam para o empate. E não se pode dizer que os Marmanjos não juntaram o gesto à palavra no Estádio do Dragão uma vez que venceram os Islandeses por cinco bolas contra três. Contudo, o jogo não foi tão fácil como o que seria de esperar. Os islandeses entraram em campo invulgarmente desenvoltos, descongelados, soltos, como que querendo desafiar o estereótipo da equipa teoricamente mais fraca. Inicialmente, Portugal não se deixou afectar, conseguiu colocar-se três golos à frente dos islandeses, mas estes não demoraram muito a reduzir a desvantagem a apenas um golo, ficando muito perto de anulá-la por completo. Felizmente, o golo de Moutinho, seguido de Eliseu, aliviaram a intranquilidade que se tinha instalado com o seguindo golo da Islândia.


Apesar da vitória, a Selecção Nacional revelara algumas fraquezas. O ideal teria sido que o jogo tivesse servido de aviso, de wake-up call.


Mas não serviu.


Com esta vitória, a Equipa de Todos Nós dava mais um passo em  direcção ao Europeu. Agora bastava um empate frente à Dinamarca para reservarmos logo um lugar na Polónia e na Ucrânia. E até podíamos perder em Copenhaga e qualificarmo-nos à mesma, desde que fôssemos a melhor Selecção em segundo lugar - a única que nos ameaçava era a Suécia. Esta ideia, repetida até à exaustão, irritou-me na altura, pois julgava que Portugal não precisaria de fazer tais contas. Agora, vendo em retrospectiva, a ideia ainda me irrita mais pois não nos serviu de nada.


A derrota de Portugal aos pés da Dinamarca constituiu, sem sombra de dúvida, o ponto mais baixo do ano. Foi provavelmente um dos piores jogos da Selecção dos últimos tempos, agonizante, em que o único ponto alto do jogo foi o golo excepcional de Cristiano Ronaldo. Ainda hoje não percebo o que aconteceu nessa noite para os Marmanjos jogarem tão mal. A era Paulo Bento, que até à altura, estivera quase imaculada, via a sua primeira derrota em jogos oficiais e a Selecção Nacional era relegada para os play-offs pois o jogo da Suécia - que, para animar ainda mais a noite, fora rico em reviravoltas - terminara com uma vitória para o seu lado, tornando-os a melhor equipa classificada em segundo lugar.


Na altura, acabei por dar graças por a Suécia se ter qualificado em vez de nós, pois não queria que a caminhada em direcção ao Europeu terminasse daquela forma. E agora que já sei qual foi o desfecho deste capítulo, ainda abençoo mais essa reviravolta do destino. 


Pouco após o jogo com a Dinamarca, soubemos que, daí a um mês, disputaríamos o play-off contra a Bósnia-Herzegovina, selecção que já se havia cruzado no nosso caminho para o Mundial 2010, dois anos antes. Muita gente recomendava prudência uma vez que a equipa bósnia tinha melhorado significativamente ao longo dos últimos dois anos e, conforme o médio bósnio Zvjedzan Misimovic assinalou, Portugal tivera, teoricamente, condições para já ter o apuramento resolvido mas teve de ir aos play-offs. No entanto, a Turma das Quinas também havia crescido, sobretudo no último ano, e Paulo Bento chegou mesmo a dizer: "Não vou desconfiar de quem durante um ano e picos fez tudo o que devia e, por um jogo, pôr tudo em causa".


A preparação dos play-offs foi marcada pelo regresso de habituais titulares que haviam estado indisponíveis na última jornada dupla e ensombrada pela entrevista de José Bosingwa ao jornal "O Jogo". Como seria de prever, a Comunicação Social alimentou-se das polémicas declarações do jogador mas, aparentemente, estas não tiveram grande repercussão no seio da Equipa de Todos Nós. 


A primeira mão do play-off foi disputada em Zenica, terreno bósnio, em condições bastante adversas para a Equipa das Quinas. Começando pelo relvado de péssima qualidade. A Federação Portuguesa de Futebol apelara para a UEFA, tentando fazê-los mudar a localização do jogo, mas os responsáveis fizeram ouvidos de mercador. Para cúmulo, os dirigentes bósnios ignoraram o acordo selado na manhã do dia da primeira mão e regaram o campo, pouco antes do início do jogo, piorando ainda mais o seu estado. Tal motivou a Selecção a jogar sob protesto.


Outro obstáculo que a Equipa de Todos Nós teve de enfrentar foram os adeptos bósnios pouco amigáveis, que tentaram desestabilizar a Selecção Portuguesa e, em particular, o capitão Cristiano Ronaldo, com lasers e gritos por Messi. 


A primeira mão do play-off terminou com o marcador por abrir. O resultado desapontou mas a exibição da Equipa das Quinas não. O domínio do jogo foi claramente português, falou-se de "espírito guerreiro", "personalidade fortíssima". Terá literalmente sido o campo (que foi apelidado de horta, batatal, pseudo-relvado, Farmville, etc) a impedir a vitória da Selecção Portuguesa. Em todo o caso, ficaram boas promessas para a segunda mão, que se realizaria no Estádio da Luz, daí a quatro dias.


Promessas essas que foram cumpridas, e muito bem cumpridas, naquele que foi o ponto mais alto do ano, ou mesmo de toda a Qualificação. Nesse Portugal recebeu e venceu na Luz a Bósnia por seis golos espectaculares contra dois que não passaram de pormenores tornados pormaiores, num jogo épico (palavra muito na moda e demasiado vulgarizada, na minha opinião) e emocionante, que se assemelhou a um resumo de toda a caminhada em direcção à fase final do Euro 2012, com todos os momentos de brilho, de garra, juntamente com os momentos menos bons e as inesperadas escorregadelas, antes de apresentar o desfecho da história. Que não podia ser mais feliz. O Hino Nacional entoado a plenos pulmões por todo o Estádio encerrou a caminhada, encerrou um jogo que teve todas as características de uma grande final. Um jogo que representou uma desforra contra um caso envolvendo um antigo Seleccionador de fraco carácter, dirigentes corruptos, em Portugal e no estrangeiro, jogadores desertores, notícias desestabilizadoras, relvados manhosos, lasers, adeptos hostis, árbitros pouco parciais. Uma desforra contra a crise que assola o País já ninguém sabe desde quando, contra os cortes impostos pelo Orçamento e pela Troika (bem menos simpática do que a Troika de ataque que empurrou a Selecção para a frente), contra os juros da dívida que, se não estou em erro, já roçam os vinte por cento, contra políticos corruptos e incapazes, contra os sacrifícios que parecem nunca mais acabar, contra o desemprego, contra a depressão, contra o desânimo. Um jogo que selou o apuramento e o renascimento da Selecção Nacional.


No dia 2 de Dezembro, realizou-se o sorteio da fase de grupos do Euro 2012 e Portugal ficou a conhecer os seus futuros adversários: serão eles a Dinamarca, a Holanda e a Alemanha. Dificilmente nos poderia ter calhado um grupo mais difícil. Podemos ver tanto este resultado como outro qualquer como uma coisa boa ou má, dependendo da maneira como o encararmos. Contudo, uma coisa é certa: aguardam-nos jogos verdadeiramente emocionantes, que ficarão para a História, independentemente do desfecho final. 


Foi isto que aconteceu de mais relevante à Selecção Nacional ao longo de 2011. Em suma, foi um ano muito positivo em termos futebolísticos, não só por a Equipa das Quinas se ter qualificado para o Europeu do próximo ano, mas também por causa da Liga Europa, em que três equipas portuguesas chegaram às meias-finais, duas chegaram à final e, como é óbvio, uma delas levou o troféu para casa.


Em termos políticos, financeiros e sócio-económicos, 2011 foi um ano para esquecer, com o governo a demitir-se, a chegada da Troika, a ameaça da queda do Euro, entre outras desgraças. E a situação não parece estar perto de melhorar, sobretudo porque já sabemos que em 2012 nos esperam vários cortes e vida ainda mais difícil.


Em termos pessoas, tirando o contexto acima descrito, devo dizer que foi um dos melhores anos da minha vida, por várias razões. Muitos dos desejos e objectivos que tinha definido no início do ano cumpriram-se. Além disso, posso dizer com toda a segurança que evoluí ao longo do último ano, Tal evolução já havia começado em 2010 mas bem mais discretamente, a grande explosão deu-se este ano. Não sei dizer se me tornei uma pessoa melhor, mas, pelo menos, tornei-me um pouco mais corajosa, um pouco mais certa do que sou e do que quero. Dei vários passos em frente. O facto de ter ido ao Jamor assistir aos treinos da Selecção foi um deles, ainda que não o mais importante. Ainda não estou onde quero estar, ainda tenho um longo caminho a percorrer e tenciono continuar a percorrê-lo em 2012.


Olhando, então, para o próximo ano, no que toca à situação do País, já ninguém se atreve a pedir desejos, a ser optimista, depois de sofrermos desilusões atrás de desilusões. Estamos uma posição semelhante àquela onde nos encontrávamos no início de 2011. O ano que findava havia sido mau mas tudo indicava que o ano que começava seria ainda pior. No entanto, "não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe". Isto não pode durar para sempre, terá de existir uma altura em que isto comece a melhorar! Já andamos em crise há demasiado tempo, já chega!


Existe outra coisa em comum com o início de 2011 e o início de 2012: o facto de o futebol, em particular a Selecção, ser a única coisa que funciona bem neste País, a única coisa a que nos podemos agarrar, a única coisa que nos dá boas promessas para 2012. Quer a Selecção chegue à final de Kiev ou fique pela fase de grupos (que o Diabo seja cego, surdo, mudo e não tenha acesso à Internet...), aquelas semanas antes do Euro 2012 e pelo menos a primeira semana da fase final ninguém nos tirará. Nesse intervalo de tempo, os nossos pensamentos e, pelo menos, o meu coração estarão sediados na Polónia e na Ucrânia. Teremos algo que fugirá à rotina e que nos ajudará a suportar as dificuldades.


Quem me dera que outras coisas neste País funcionassem como funciona a Equipa de Todos Nós!


Para 2012 desejo, então, que sejamos campeões europeus. Que um clube português volte a ganhar um título europeu. Que o tal virar de maré de que falei acima ocorra no próximo ano. Que em 2012 vocês, leitores, tenham uma vida melhor, que evoluam, que consigam realizar os vossos sonhos, ou seja, que 2012 vos corra como 2011 correu a mim. E uso emprestada a foto da página do Facebook Sócio da Selecção para vos desejar...



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